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1- Com o objetivo de aumentar os lucros comerciais com a exploração das colônias,

aprimorar o processo produtivo e ultrapassar os países concorrentes, as nações


europeias organizaram as Companhias de Comércio.
 Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649)
Seu objetivo era referente às primeiras necessidades dos colonizadores no
País. Fornecia escravos e garantia a locomoção do açúcar no território
europeu, mantinha o auxílio à resistência de Pernambuco contra aos invasores
da Holanda e apoiava a recuperação da agricultura de cana-de-açúcar na
região nordeste após os tumultos com os holandeses.
 Companhia do Comércio do Maranhão (1682)
O intuito desta companhia era fornecer crédito para a exportação de algodão
e açúcar e o transporte de produtores e escravos. No século XVII, estas foram
as mais importantes Companhias de Comércio.
 Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão (1755)
Fundada para desenvolver a agricultura e também a atividade comercial, tinha
a sua sede na metrópole, para além de um capital de 1 200 000 cruzados. Era
chefiada por um conselho de deputados cuja escolha era feita entre os seus
mais significativos acionistas. Esta companhia teve muitos privilégios régios,
entre os quais se destacam a isenção da jurisdição dos tribunais, mesmo não
tendo qualquer participação financeira do Estado português.
De 1755 a 1775, esta companhia deteve o monopólio de todo o comércio com
o Pará e o Maranhão, dispondo de uma poderosa frota de navios, a qual
incluía até navios de guerra. A sua atuação deu, por exemplo, um forte
incentivo à cultura do arroz e do algodão nestas duas regiões do Norte do
Brasil.
 Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba (1759)
Tal como a sua congênere do Grão-Pará e Maranhão, esta companhia
fomentou igualmente a agricultura, em especial a cultura de cacau. Tinha
trinta navios ao seu dispor que iam buscar escravos e outros produtos, e
exportavam para a Europa diversos gêneros coloniais.

3. Fim do Pacto Colonial

O Pacto Colonial terminou, no Brasil, apenas no começo do século XIX, com a chegada da corte
portuguesa ao país. D. João VI editou uma lei (carta régia) que abriu os portos brasileiros as
nações amigas. No caso, o Reino Unido era a nação amiga, que o decreto favoreceu mais. Era o
fim do Pacto Colonial, embora o Brasil tenha saído da dependência portuguesa e entrado na
dependência britânica. A crise do sistema colonial explica-se por uma série de fatores inter-
relacionados. Naquele momento, a Inglaterra despontava-se como a principal potência
econômica do mundo, sobretudo pela ‘revolução silenciosa’ que o novo sistema industrial
estabelecia e que Portugal tardou a se adaptar. Surgiu uma nova força de trabalho baseada no
trabalhador assalariado, e a escravidão passou a ser cada vez mais uma instituição condenada
pelos países europeus. Ao mesmo tempo, ainda na segunda metade do século XVIII, colônias
inglesas e francesas começaram a iniciar seus processos de independência, o que se alastrou
por toda a América Latina durante o século XIX.
Apesar da letargia em que essas transformações ocorreram no Brasil Colônia, suas
consequências foram cruciais para o fim do seu ciclo. Após Napoleão ameaçar invadir Portugal
e, consequentemente, ocorrer a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, uma série de
interesses locais, somada às transformações de ordem econômica, social e cultural que
estavam em processo, entre outros fatores, acabou promovendo o fim do ciclo mais
duradouro, até agora, da História do Brasil.

5. A escravidão configura-se como um sistema no qual os escravos apresentam-se como


mercadorias. O trabalhador livre, desprovido dos meios de produção, ao vender a sua força de
trabalho transforma-a, também, em mercadoria. Há nos dois casos coerção e dominação. No
primeiro, a dominação se dá no ato da escravização. No caso do trabalho livre, o trabalhador é
privado do acesso aos meios de produção, e assim é obrigado a vender a sua capacidade de
trabalho.

No regime de trabalho livre, o capitalista paga ao trabalhador o valor de sua força de trabalho
(valor necessário para sua reprodução) e, em troca, obtém o produto desse trabalho, o qual
além de pagar o valor da força de trabalho ainda dá ao capitalista um excedente. É o que Marx
chamou de trabalho excedente. Já no regime de trabalho escravo, o senhor tem direito a todo
o produto do trabalho do escravo (ele paga pelo escravo, segundo suas condições de produção
e reprodução do momento), não há diferença entre trabalho socialmente necessário (que paga
o valor da força de trabalho) e trabalho excedente. O modo de produção assalariado surge no
Brasil, após o fim da escravidão e por intermédio de pressões externas. A imigração
internacional possibilitou que a abolição fosse gradual e que não houvesse nenhum lapso na
oferta da mão de obra necessária quando o trabalho escravo se extinguiu em 1888.

O Estado possibilitou que se fizesse a transição completa para o trabalho assalariado, é claro
que a adaptação do café às terras roxas, as ferrovias e o progresso tecnológico foram
vantagens fundamentais para a transição, mas sem a decisiva intervenção do Estado
custeando as imigrações, e, portanto reduzindo os custos de mão-de-obra do capital cafeeiro,
estas vantagens não seriam suficientes para uma transição completa.

4.

O PROBLEMA DA MÃO-DE-OBRA – OFERTA INTERNA POTENCIAL

 Inelasticidade da oferta de trabalho;


 População escrava não tinha crescimento vegetativo no Brasil. Condições de
vida precárias;
 Tráfico interno estimulado, especialmente saindo da região algodoeira e de
subsistência;
 Também vieram para as plantações alguns escravos urbanos;
 Pensou-se em importar mão-de-obra asiática (chinesa), mas Mauá propôs a
imigração europeia (fator racista também determinante).

O PROBLEMA DA MÃO DE OBRA – A IMIGRAÇÃO EUROPEIA

 Exemplo dos EUA;


 Colônias iniciais não deram certo, pois os europeus não eram acostumados ao
sistema plantation;
 Muitos foram para os EUA pelo baixo preço das passagens e, especialmente,
pela expansão de seu mercado;
 Ideia de Vergueiro de ligar colonos a produtos já importantes começou a
solucionar o problema, mas semiescravidão trouxe outros, inclusive de política
externa (com os países de origem);
 Governo Imperial passou a incumbir-se dos gastos de viagem dos imigrantes;
 Regime de trabalho menos servil;
 Crise na Itália pós-unificação ajudou na oferta;
 Base da expansão cafeeira ao oeste paulista.

O PROBLEMA DA MÃO DE OBRA – TRANSUMÂNCIA AMAZÔNICA

 Muitos nordestinos (especialmente cearenses) foram para a Amazônia;


 Base da economia local formada por especiarias, especialmente o cacau;
 Surgimento da borracha, ligada à crescente indústria de motores (segunda
metade do século XIX);
 Produção inicialmente extrativa, rápido aumento da demanda;
 Preços altos graças à pouca oferta até a Primeira Guerra Mundial;
 Quantidade de nordestinos trasumantes mostra alternativa à imigração
europeia.
 População continuava crescendo na região açucareira devido à boa oferta de
alimento;
 Mão-de-obra pouco exigente. Enorme desgaste humano nos seringais.

2. A partir de suas formulações, Ciro Flamarion Cardoso propõe que as formações econômico-
sociais da América colonial dependiam de pelo menos três modos de produção principais: um
baseado na exploração da força de trabalho de índios; outro em regiões cuja população
indígena era pouco densa e com condições para o plantio de produtos para exportação ou
exploração mineira e um terceiro apresentando uma economia diversificada e autônoma de
pequenos proprietários. Sua visão da sociedade escravista – neste momento, marcada pela
necessidade de se fazer uma crítica a visões, como a de Gilberto Freyre, que apresentavam um
senhor benigno e um mau escravo – era ainda a de “campos de concentração generalizados,
habitados mais por figuras estereotipadas do que por pessoas vivas”.5

Quanto a posição do escravo nesse modo de produção, levanta a questão do escravo ter ou
não uma economia própria. Segundo nosso autor não teria, o que diferenciaria o escravo do
servo. Por outro lado, ressalta que em algumas colônias, foi instituído o costume de permitir
ao escravo trabalhar em suas hortas para o consumo próprio. No entanto, deixa bem claro,
que tal costume não permite que o escravo possa ser considerado como um servo, pois para
este havia um tempo pré-determinado de trabalho excedente e de trabalho necessário. Já o
escravo tinha seu tempo “excedente” sob a dependência da vontade do senhor, tempo este
marginal e que não provinha todas as necessidades dos cativos.

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