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Instrumentos e Frequências

Segunda, 21 Setembro 2009 09:12 Dennis Zasnicoff


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Quem trabalha com mixagem deve concordar comigo que


uma das maiores dificuldades está na EQUALIZAÇÃO dos instrumentos. Pistas que soam bem
em solo costumam causar problemas quando mixadas com outros instrumentos que ocupam a
mesma faixa de frequência.

Um dos recursos que sempre utilizo é o filtro de cortes, tanto o passa-altas quanto o passa-baixas.

Na grande maioria dos casos, um instrumento pode ter todas as frequências retiradas abaixo (e/ou acima) de um
determinado valor. Rapidamente, o filtro HIGH-PASS se torna seu melhor amigo!

O perigo do LOW-PASS está na descaracterização do timbre natural do instrumento. Por um lado, precisamos liberar
espaço nas altas frequências (aliás, provavelmente a região mais difícil de se equilibrar na mixagem). Por outro, não
podemos retirar os harmônicos importantes que determinam o timbre.

Nos extremos graves, um excesso de filtragem pode retirar algumas frequências fundamentais que criam o corpo
(peso, calor) do instrumento. Sem falar na perda de notas, especialmente perigosa no baixo.

É preciso encontrar um bom ponto de compromisso: aquele onde o instrumento continua com boa sonoridade e
naturalidade e, ao mesmo tempo, não interfere nos demais. É possível que uma guitarra, voz, baixo, caixa ou bumbo
de bateria não tenham um som rico e natural quando isolados, mas o que vale SEMPRE é o conjunto, o mix.

Quando forçamos a barra e colocamos muita informação ao mesmo tempo, sobretudo na mesma região do espectro,
não há equalização ou truque de mixagem que resolva o problema. E aí percebemos que a arranjo não é dos melhores,
que poderia ter sido otimizado durante a pré-produção, através de uma melhor escolha de instrumentos.

O ARRANJO é seu melhor aliado na mixagem. Um bom arranjo é mais da metade de um mix e compositores
experientes, há muitos séculos (bem antes da música gravada e reproduzida), já conheciam o potencial de uma
boa seleção de instrumentos e participações.

As músicas já eram escritas para uma determinada orquestração. Aliás, para uma determinada sala! Um canto
religioso que fosse apresentado em uma catedral não poderia ter palavras rápidas e próximas, que seriam encobertas
pela reverberação. Uma valsa para quarteto de cordas tinha as melodias e contra-pontos cuidadosamente
selecionados, de maneira que o contra-baixo não interferisse nas notas mais graves do cello, e o violino não
conflitasse com a viola.

Orquestras eram sabiamente exploradas, naipe por naipe, oitava por oitava, para que todos tivessem seu papel e
contribuição. Uma verdadeira mixagem acústica, limpa, clara, planejada desde a composição.

Compositores, maestros e arranjadores eram especialistas em timbres e frequências. Conheciam a extensão e


versatilidade de cada instrumento.

Nos dias atuais, ficamos preguiçosos. Raramente paramos para pensar em alternativas para os instrumentos, oitavas e
arranjos. Esperamos que a mixagem resolva os problemas de conflitos e por vezes pagamos o preço da falta de
planejamento.

Este link é uma excelente referência de instrumentos e frequências. Repare nas regiões das frequências fundamentais,
dos harmônicos e "super-harmônicos". Na tessitura de cada instrumento. Os equivalentes nos metais e nas madeiras.
A faixa do espectro utilizada. Conhecer as frequências é um excelente aprendizado para quem grava, mixa e
masteriza. Medalha de ouro de alcance para órgão e harpa. Harpa, quem diria... Bons arranjos!