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Universidade Federal da Bahia

Instituto de Saúde Coletiva

Teorias das Redes e Redes sociais: uma proposta de análise de


dados provenientes de uma coleta com a técnica Respondent
Driven Sampling (RDS)

Sandra Mara Silva Brignol

Texto apresentado no final da disciplina Seminários


teóricos (ISC 601) como avaliação parcial de
desempenho na disciplina que tem como
coordenadores o professor Maurício Barreto e
professora Vilma Santana.

Salvador
1º de Setembro de 2010
2
Sumário

1 Introdução 3
2 Teoria das Redes e Redes Sociais 4
2.1. Teoria dos Grafos 4
2.2. Teoria das Redes 6
2.3. Redes sociais 9
2.3.1. Antecedentes Históricos 9
2.3.2. Estrutura das Redes sociais 10
2.4. Redes Bi-partidas ou de afiliação 11
2.5. Respondent Driven Sampling 14
3 Metodologia de Análise das Redes dos HSH 15
4 Considerações Finais 16
5 Referências 17
6 Anexo I 20
3
1. Introdução

O impacto das novas tecnologias de informação e comunicação, no mundo globalizado, tem


alterado e resignificado o comportamento humano em ambientes conectados (linked). Neste
contexto, as redes sociais assumem uma relevância para os estudos de padrões de relacionamentos
entre organizações, países, computadores, pessoas, grupos, etc. Muitos fenômenos sociais,
biológicos, econômicos, entre outros, podem ser pensados como um fenômeno sob a perspectiva
das redes (networks) (WATTS, 2009).
Padrões podem ser mapeados ou modelados com base no fluxo de informação desses elementos
por meio da metodologia de Análise de Redes Sociais (ARS), que é uma área de pesquisa recente,
derivada da matemática, física e sociometria, permitindo a análises que evidenciam as relações que
ligam atores sociais, e em alguns casos são importantes para compreender a complexidade das
relações constituídas num determinado contexto (NEYMAN, BARABÁSI e WATTS, 2006;
WATTS, 2009).
Uma rede é entendida como uma teia de unidades conectadas, sendo tais conexões definidas
por uma relação de interesse do pesquisador. Na sociometria, os participantes de uma rede são
chamados de atores e as suas relações são denominadas de ligações (LEMIEUX e OUIMET, 2004).
Fazendo uma analogia com a Teoria dos Grafos, em uma rede social cada ator pode ser considerado
um nó ou vértice e suas relações com os outros atores são as ligações ou arestas.
Na análise da malha dinâmica de relações numa rede social, deve-se considerar que tais
relações são estabelecidas pelos atores, suas interações, relações sociais, que estão sujeitas a muitas
influências sociais, ambientais, e dos grupos em que estão inseridos os elementos da rede. Há
muitas superposições e uma complexidade nas relações, necessitando que cada fenômeno seja
contextualizado temporal, histórica e cultural, para dar suporte aos coeficientes e propriedades
encontrados na rede estudada (LEMIEUX e OUIMET, 2004).
A teoria das redes sociais pode ser aplicada na análise dos dados das redes de homens que
fazem sexo com homens (HSH), selecionada na pesquisa “Comportamento, atitudes, práticas e
prevalência de HIV e sífilis entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em 10 cidades
brasileiras”, pesquisa esta que coletou dados das redes usando a técnica Respondent Driven
Sampling (RDS), que é uma forma de seleção que tem similaridades a técnica de coleta “bola de
neve”, com o diferencial de se conhecer as probabilidades de seleção das unidades, ao final da
referida coleta de dados, a partir da ponderação do tamanho da rede social de cada indivíduo que
participou do estudo (SALGANIK e HECKATHORN, 2004; HECKATHORN, 1997). O RDS é
uma proposta para se coletar dados em populações de difícil acesso, como usuários de drogas e
HSH, entre outras.
4
A técnica RDS, ainda não é consenso, para a coleta de dados de populações estigmatizadas e
apresenta falhas na construção das estimativas de prevalência e dos fatores de interesse para a
epidemia do HIV e Aids (GOEL, S., SALGANIK, 2010; POON, 2010; MAGNANI et al.,2005).
O projeto de Tese “Epidemiologia do HIV e Sífilis em 10 Cidades Brasileiras: Uma
Proposta de Análise Sob a Perspectiva da Teoria das Redes Sociais e Complexas” apresenta uma
alternativa para analisar os dados de estudos RDS. Desta forma, pretende-se contribuir para o
avanço das análises utilizadas para o estudo das redes HSH em busca de estruturas específicas e
padrões de distribuição, na rede, que possam gerar conhecimentos sobre alguns dos principais
fatores que contribuem para a expansão da epidemia do HIV e Sífilis na população dos HSH, bem
como sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas, uso dos serviços públicos básicos de saúde,
possibilitando assim a formulação de ações de prevenção para bloquear o avanço da infecção por
HIV e Sífilis na população de HSH, na cidade de Salvador.
Apresenta-se a seguir, de forma sintetizada, a teoria das redes e a metodologia que será
usada para a análise das redes sociais do HSH nas dez cidades brasileiras, como parte do projeto de
Doutorado em Saúde Pública.

2. Teoria das Redes e Redes Sociais

2.1. Teoria dos Grafos

A solução do problema do passeio pelas sete Pontes de Königsberg: “Se era possível atravessar
cada uma das sete pontes exatamente uma vez e voltar ao Ponto de partida?”, em 1736 pelo
matemático Leonhard Eüler, fundou uma parte da matemática, chamada Teoria dos Grafos, dentro
da matemática Discreta (NEYMAN, BARABÁSI e WATTS, 2006; WATTS, 2009).
Eüler mostrou que é impossível um passeio numa rede que tenha mais de 2 vértices com um
número ímpar de ligações, fazendo analogia com o passeio pelas sete Pontes de Königsberg.

A B C D
A 0 1 1 1
B 1 0 0 1
C 1 0 0 1
D 1 1 1 0

Figura 1: Esquema das Pontes de Königsberg representadas como Grafos Eulerianos e como matriz algébrica
5

A demonstração de Euler foi o impulso inicial para o desenvolvimento teórico que deu aporte
para o desenvolvimento do componente quantitativo da teoria das redes. A partir a construção da
teoria dos Grafos de Euler (Grafos Eulerianos), hoje temos seguinte definição matemática de
Grafos:

Um grafo G=(V, E) é uma estrutura matemática que consiste em dois conjuntos V


(finito e não vazio) e E (relação binária sobre V). Os elementos de V são chamados
vértices (ou nós) e os elementos de E são chamados arestas. Cada aresta tem um
conjunto de um ou dois vértices associados a ela (GROSS e YELLEN (1999, p. 2).

Esta é a definição utilizada para a resolução dos problemas matemáticos que envolvem a
teoria de redes, e também usada para a construção de medidas matemática que estabelecem as
relações entre os elementos que compõem os grafos como representação dos atores (nós ou vértices
– no grafo) e relações sociais (ligações ou conexões).

Figura 2: Gráfico de dois Grafos (nós e ligações) como representação de redes de atores (OpenLearn. Conceitos
básicos,S/d. p.2 e 3).

Um grande impedimento, que ocorreu no desenvolvimento da Teoria dos Grafos e das


Redes, foi a quantidade de cálculos envolvidos na solução de problemas matemáticos para alguns
dos coeficientes que medem relações e propriedades entre os elementos das redes. Porém com a
invenção e avanço dos computadores houve um impulso significativo, pois os cálculos envolvendo
matrizes ficaram mais fáceis e rápidos de serem resolvidos, superando-se assim muitos dos
obstáculos operacionais (WATTS, 2009).
Embora tenha um início dentro da Matemática, hoje, a Teoria dos Grafos tem sido aplicada
em muitas áreas como a Informática, Investigação Operacional, Economia, Sociologia,
Comunicação, Saúde, Administração, Epidemiologia, Genética, etc., pois um grafo constitui o
modelo matemático ideal para o estudo das relações entre objetos discretos de qualquer tipo
(WATTS, 2009; ACIOLI, 2007; IZQUIERDO e HANNEMAN, s/d).
6

2.2. Teoria das Redes

A partir da teoria dos grafos de Eüler e posteriormente com os achados dos grafos de Arthur
Cayley, na química, juntamente com as idéias de Jacob L. Moreno na década de 30 e 40 na
sociometria, a Teoria das Redes vai se configurando. Com o desenvolvimento da matemática dos
grafos aleatórios, contribuição dos matemáticos Ray Solomonoff e Anatol Rapoport, em 1951, a
teoria das redes tem o seu aporte teórico finalmente fundamentado pelo trabalho dos matemáticos
Paul Erdös e Alfréd Rényi em 1960, com a publicação do texto “On the evolution of random
graphs”. Neste texto os autores juntando a Teoria dos Grafos e Teoria das Probabilidades,
apresentam os fundamentos da Teoria dos Grafos Aleatórios, marcando o início da Teoria de Redes
Aleatórias. As idéias de Erdös e Rényi abriram o caminho para o desenvolvimento de novos
modelos de grafos aleatórios. A partir deste modelos, baseado na Distribuição de Probabilidade de
Poisson, outros modelos de grafos aleatórios foram criados, o Modelo de Gilbert, baseado na
Distribuição Binomial e o Modelo Configuracional, com base na Distribuição Exponencial. Porém
o modelo mais conhecido e aplicado é o de Erdös e Rényi, que está implementados no principais
programas de análise de redes (NEYMAN, BARABÁSI e WATTS, 2006; WATTS, 2009).
A formalização da Teoria das Redes Aleatórias foi um importante fato histórico dentro da
Teoria das Redes, porém muitas redes reais não apresentam características e propriedades das redes
aleatórias. Este problema foi identificado em muitas redes sociais e biológicas, pois muitas redes
reais apresentam outras características importantes que definem sua estrutura que as fazem
diferentes das redes aleatórias, entre estas características estão a dinâmica da rede.
Os primeiros matemáticos a identificarem o problema da não aleatoriedade de redes foram
Rapport e seus colaboradores da Universidade de Chicago, por volta dos anos 50, mas não
avançaram muito devido a limitação para realizar cálculos mais complexos. Na época o uso dos
computadores ainda não era uma realidade para todos os pesquisadores e o problema da não
aleatoriedade das redes reais permaneceu por muitos anos sem avanço na sua solução (WATTS,
2009).
Com o avanço dos computadores facilitando os cálculos e simulações, e a entrada dos físicos
nos estudos dos problemas das redes, houve um desenvolvimento importante nos estudos sobre
redes, e muitas redes reais foram estudadas, analisadas e comparadas. Importantes para a
identificação do tipo de rede, as propriedades e coeficientes mais importantes na análise de uma
rede, são: o tamanho do caminho mínimo médio, o coeficiente de aglomeração (número médio de
ligações dos nós) e a distribuição de probabilidade que descreve os graus (conexões) da rede
(WATTS, 2009; NEYMAN, BARABÁSI e WATTS, 2006).
7
O psicólogo americano Stanley Milgram, na década de 60, realizou um trabalho que marcou o
desenvolvimento da Teoria das Redes, trata-se de um experimento onde o pesquisador distribuiu
160 cartas que foram enviadas a pessoas em Omaha (Nebraska), nos EUA, com o pedido e
orientações para que reenviassem a correspondência a conhecidos que pudessem fazê-la chegar
mais perto do destinatário alvo, um corretor de valores em Boston (Massachusetts) (MILGRAM,
1967).
No final do experimento ao analisar os dados, Milgram descobriu que o “mundo é pequeno”,
isto é, as cartas que chegaram ao destino passaram em média por seis pessoas. Os achados de
Milgram, corrigidos em uma publicação de 1969 (MILGRAM, 1969), foram descobertos, anos mais
tarde, e estudados pelos físicos Duncam Watts e Strogatz, que se interessaram pelo experimento e
abriram um importante espaço para a pesquisa de redes (WATTS, 2009).
Watts e Strogatz estudaram as características e propriedades matemáticas das redes de “mundo
pequeno”, comparando estas redes com as redes aleatórias de Erdös e Rényi, e puderam descrever
completamente as características das redes descobertas por Milgram e também fundamentaram
matematicamente as propriedades deste novo tipo de rede, hoje estas redes de “mundo pequeno”
são conhecidas como redes Small-World (WATTS e STROGATZ, 1998).
As redes Small-Word se caracterizam por apresentarem caminhos curtos ou pequenos, que
ligam os nós da rede, nós com uma alta aglomeração, isto é, os nós são muito conectados e a
distribuição de probabilidade que descreve os graus médios (conexões) não segue uma distribuição
de probabilidade aproximadamente Normal ou ainda não sendo necessariamente especificada.
Muitas redes reais têm a configuração de uma rede Small-Word, podem-se citar as redes de atores
de filmes, cientistas, interação de Proteínas e reações metabólicas, entre outras (WATTS, 2009).
Avançando nas análises de redes, a publicação do trabalho de Derek John de Solla Price
“Networks cientific Papers”, já sinalizava a não adequação de algumas redes reais ao tipo Small-
Word. Anos depois, estudando especificamente a distribuição dos graus de algumas redes, Barabási
e Albert descobriram uma nova classe de redes cuja distribuição dos graus seguia uma Lei de
Potência, diferentemente das redes aleatórias e Small-World (BARABÁSI e ALBERT, 1999 e
2000; WATTS, 2009). As pesquisas de Barabási e Albert definiram um novo tipo de rede que
chamaram Livre Escala ou Free-Scale, onde as conexões entre os nós da rede se dá de forma
“preferencial”, ou seja, as novas conexões tendem a se dar entre nós que já são muito conectados,
aumentando a probabilidade de conexão para estes nós (DOROGOVTSEV e MENDES, 2002).
Essa característica explicaria as ligações preferenciais – com mais probabilidade de ocorrerem,
comuns em determinados fenômenos e contextos, por exemplo, os fatos de os ricos continuare ricos
e os pobres continuam pobres (WATTS, 2009).
8
Os três tipos de redes apresentados: Redes aleatórias, Small-World e Livre Escala, são os
principais tipos de redes estudadas e que descrevem muitas redes reais, mas também temos redes
reais que são combinações dos diferentes tipos de redes apresentados.
As medidas quantitativas (estatísticas e coeficientes específicos da teoria das redes complexas)
utilizadas para a classificação das redes está bem fundamentada do ponto de vista matemático e da
análise da estrutura das redes, porém novos tipos de redes vêm sendo estudados e descritos, mas
muito da teoria ainda está em desenvolvimento (WATTS, 2009). A análise das propriedades e
coeficientes das redes permite a identificação do tipo de uma rede e conhecer, clarear ou explicar a
existência de determinados fenômenos, como por exemplo, a disseminação de informação ou de
algum vírus. Redes de Livre Escala, Small-World e Aleatórias apresentam propriedades que as
caracterizam como mais vulnerabilidades ou mais robustas, dependendo do enfoque que se dê na
leitura deste tipo de rede e dependendo do problema estudado, bem como do contexto social e
fenômeno estudado – ataques ou proteção do ambiente da rede (WATTS, 2009; ALBERT, R.;
BARABÁSI 2002 e 2007).
A complexidade de alguns fenômenos em conjunto com a aplicabilidade da teoria de redes
deixa uma ampla possibilidade de pesquisa e aplicação. Existe uma teoria bem fundamentada e
novas linhas de pesquisa colaboram para seu avanço, o que constitui atualmente em um campo do
desenvolvimento científico.
Na epidemiologia, com a aplicação dos modelos SIR1, o estudo de doenças infecciosas é
pensado a partir das interações entre indivíduos suscetíveis, infectados e recuperados, entre outros
elementos. É na complexidade da estrutura das relações e contatos entre os membros de uma
população que uma doença infecciosa atinje o limiar de uma epidemia e suas diferentes fases -
crescimento lento, fase explosiva e fase de esgotamento – (WATTS, 2009, p. 118-123).
Considerando esta estrutura, existem similaridades entre o crescimento das epidemias e a estrutura
das Redes Aleatórias de Erdös-Rényi. Porém as redes reais apresentam suas especificidades,
diferentes das redes aleatórias e podem ser estudadas a partir da teoria das redes.
No contexto da epidemia do HIV e Aids, identificar o tipo da rede, onde o vírus circula, pode
ser útil para se pensar estratégias de prevenção específicas em populações de difícil acesso ou muito
estigmatizadas, como a população dos HSH. Numa rede social, ao descrever sua estrutura, conhecer
os padrões de distribuição das estatísticas da rede, se pode identificar propriedade de robustez e
vulnerabilidade da rede (aleatória, pequeno mundo, livre escala), quanto à circulação de
informações, campanhas de prevenção e acesso a serviços de saúde, e assim traçar planos de ação

1
Suscetível-Infectado-Recuperado (SIR), modelo proposto pelos “matemáticos Wiliam Kermack e A.G. McKendrick,
que descreve a maioria dos modelos de doenças infecciosas” (WATTS, 2009, p. 118)
9
em pontos vulneráveis ou robustos da rede, visando evitar o avanço das infecções (BARABÁSI,
2007).
No Brasil, o contato sexual é a principal forma de infecção para o HIV e Sífilis, sendo também
uma epidemia concentrada nas populações chamadas de vulneráveis (BRASIL, 2007 e 2008;
AYRES, 2003; MANN, TARANTOLA e NETTER, 1996). Logo a identificação de padrões de
interação sexual entre indivíduos é importante e pode trazer informações úteis para a estruturação
de ações preventivas específicas para a população dos HSH, no contexto do HIV e DSTs.
O estudo e aplicação da teoria de redes sociais e complexas é um importante campo de pesquisa
em todas as áreas do conhecimento, e também tem contribuído para o avanço do conhecimento no
campo da saúde e biologia, mesmo com uma maior aplicação nas ciências sociais em saúde, vem
ganhando espaço em disciplinas como a epidemiologia, mais especificamente nos estudos de
doenças infecciosas, o que motivou seu estudo e inclusão como uma das técnicas de análise da Tese
de Doutorado “Epidemiologia do HIV e Sífilis em 10 Cidades Brasileiras: Uma Proposta de
Análise Sob a Perspectiva da Teoria das Redes Sociais e Complexas, foco deste texto, em que se
pretende aplicar a Teoria das Redes sociais na análise de uma rede de homens que fazem sexo com
homens.

2.3. Redes sociais

2.3.1. Antecedentes Históricos

A noção e conceito de redes sociais surgiram no campo das ciências sociais e antropologia
(ACIOLI, 2007), porém os textos que discutem suas origens indicam diferentes perspectivas para o
início deste enfoque de análise – baseado nas estruturas sociais e relações entre atores – sendo
apresentados diferentes autores que deram início a analise das estruturas sociais. Para Acioli (2007)
as primeiras aproximações com o tema iniciaram com “Lévi-Strauss em sua análise etnográfica das
estruturas elementares de parentesco” e posteriormente o termo “redes” teria sido usado por
Radcliffe-Brown em 1940.
Ao descreve os antecedentes históricos das redes sociais, Mizruchi (2006) apresenta o trabalho
“Who Shall Survive? A New Approach to the Problem of Human Interrelations” , do sociólogo
Jacob L. Moreno em 1934, como sendo o texto inicial, na sociometria, que deu origem a análise
quantitativa das redes sociais, com propostas de medidas para descrever as relações sociais entre
indivíduos, bem como gráficos de representavam tais relações. Mizruchi também aponta a os
trabalhos dos antropólogos do estruturalismo francês de Claude Lévi-Strauss e o texto de 1969 “
10
Elementary Structures of Kinship”, como uma das origens da análise de redes sociais e cita os
trabalhos de John Barnes em 1954 “Class and committees in a Norwegian island parish”, Elizabeth
Bott de 1957 “Family and Social Network: Roles, Norms, and External Relationships in Ordinary
Urban Families” e J. Clyde Mitchell de 1969 “Social Networks in Urban Situations”, como marcos
da análise das redes sociais na antropologia. Na sociologia estrutural, argumenta Mizruchi (2006),
Durkheim, Marx e Simmel já se preocupavam com a análise das relações sociais e seus padrões
num determinado contexto. (MIZRUCHI, 2006).

2.3.2. Estrutura das Redes sociais

O uso da Teoria dos Grafos aplicada a análise das redes sociais permite que sejam
representadas graficamente, indivíduos/atores e suas relações, como uma teia e relações –
sociograma – que matemática e computacionalmente são representadas por matrizes algébricas –
socimatrizes (Figura 3). Em uma rede social, os indivíduos ou atores são representados
graficamente por um vértice ou nó, e as relações entre os indivíduos/atores representam as conexões
que se estabelecem no contexto estudado (LEMIEUX e OUIMET, 2004; WASSERMAN e FAUST,
1994).

Figura 3: Representação de uma Redes de atores – empresas – sociograma e sociomatriz (OpenLearn, Teoria de grafos
aplicada a redes sociais S/d. p.5).
As redes sociais são representações de um conjunto ou subconjunto de pessoas ou instituições se
relacionam num determinado contexto social e histórico, definido por uma dinâmica, expressando
uma organização de relações que se estabelecem socialmente de forma superposta e complexa
(LEMIEUX e OUIMET, 2004).
Existe um conjunto de conceitos e medidas que são utilizados para a análise da estrutura das
redes sociais que foram apresentados e definidos teoricamente (NEWMAN, 2003; FREEMAN,
1979) e que permitem avaliar a direção das relações, densidade, tipos de conexões, posição e
influência dos atores na rede, medidas estas que permitem descrever as situações que são
11
constituídas por atores sociais e embasar as conclusões das análises quantitativas das redes sociais.
Também as teorias explicativas dão o aporte para a interpretação dos resultados encontrados nas
análises: Teoria dos laços fortes e fracos; teoria dos buracos estruturais; grupalidade são exemplos
de teorias que são aplicadas nas análises de dados de redes sociais (LEMIEUX e OUIMET, 2004).

2.4. Redes bi-partidas ou de afiliação

Um tipo específico de redes sociais, mais recentemente estudadas, são as redes de afiliação
(WATTS, 2009; LATAPY, MAGNIEN e DEL VECCHIO, 2008), que são redes que descrevem as
relações entre indivíduos/atores a partir de um evento comum a um ou mais atores, sendo que as
relações entre os indivíduos não são estabelecidas diretamente, mas sim a partir do evento comum a
eles. Estes eventos são definidos de forma a conectar os indivíduos/atores que compartilham
determinada características ou afiliação. Em exemplo seria uma rede de professores, que até podem
não se conhecer diretamente, mas compartilham uma característica em comum definida como sendo
o evento principal, ou seja, serem professores de uma mesma instituição, assim estes estariam
conectados por terem em comum a filiação a um mesmo evento, sem a afiliação a chance de duas
ou mais pessoas se conectarem é muito pequena (WATTS, 2009; LATAPY, MAGNIEN e DEL
VECCHIO, 2008).

Figura 4: Representação de uma Redes de dois modos - modo um o evento e o modo dois os atores conectados a partir
dos eventos (OpenLearn, Conceitos básicos, S/d. p.4).

Considerar as redes como de dois modos ou de afiliação é uma técnica de análise que tem
aplicabilidade em muitas redes sociais e permite entender muitos tipos de relações em grupos
específicos, onde indivíduos, ou elementos das redes, que parecem não ter relações entre si, mas
ainda assim compartilham laços em comum, como relações comerciais, de trabalho ou de amizades
12
(WATTS, 2009; LATAPY, MAGNIEN e DEL VECCHIO, 2008; NOOY, MRVAR e BATAGELJ,
2005; WASSERMAN e FAUST, 1994). O estabelecimento de conexões entre os atores ou
indivíduos de uma rede é fundamental para a análise da rede social, sendo necessário fundamentar a
criação destes laços ou conexões a partir de fatores importante para o estudo da estrutura da rede.

Eventos: Estabelece a conexão entre atores

Atores: são conectados a partir dos eventos

Projeção

Representação das relações estabelecidas entre


os atores a partir dos eventos

Figura 6: Ilustração de uma projeção de relações. STROGATZ,2001

Abaixo, na figura 7 temos a ilustração os eventos – resultados dos testes rápidos para HIV e
Sífilis, e os atores – homens que fazem sexo com homens que participaram da pesquisa RDS-HSH.

Figura 7: Representação do esquema usado para compor a Rede de dois modos (bipartida) - dados dos HSH de
Salvador - Brignol, 2010. Uso dos serviços públicos de saúde: análise de uma rede social de homens que fazem sexo
com homens. Artigo um da Tese de Doutorado, em fase final de escrita.
13
O diagnóstico do HIV e sífilis a partir do teste rápido, foi a questão que estruturou a formação
da rede dos HSH, e análise foi comparativa para os homens que relataram terem procurado algum
tipo de serviço de saúde do município de Salvador e os que declararam não usar tais serviços no
último ano.

Figura 8: Representação real da Rede de dois modos (bipartida) - dados dos HSH de Salvador - Brignol, 2010. Uso dos
serviços públicos de saúde: análise de uma rede social de homens que fazem sexo com homens. Artigo um da Tese de
Doutorado, em fase final de escrita.

A identificação de eventos que possam conectar unidades de uma rede social, a partir da
definição de um evento de interesse, pode ser uma ferramenta importante para se identificar padrões
e relações não perceptíveis inicialmente na investigação de um fenômeno de interesse. Porém usar
eventos para estabelecer conexões pode ajudar no entendimento muitos fenômenos de interesse da
epidemiologia das doenças transmissíveis, como no caso da infecção por HIV e Sífilis. A se
considerar os infectados e susceptíveis conectados por um evento de interesse numa rede social,
podemos estudar as propriedades desta rede e assim conhecer padrões existentes que não se pode
identificar com análises que não usam a perspectiva das redes sociais – padrões escondidos na
estrutura da rede (WATTS, 2009; NEYMAN, BARABÁSI e WATTS, 2006).
14

Figura 9: Representação da projeção das relações dos HSH de Salvador considerando os diagnósticos de HIV e Sífilis -
Brignol, 2010. Uso dos serviços públicos de saúde: análise de uma rede social de homens que fazem sexo com homens.
Artigo um da Tese de Doutorado, em fase final de escrita.

A projeção das relações entre os indivíduos, a partir dos eventos que eles compartilham -
diagnóstico de HIV e sífilis, é a forma utilizada para analisar as redes bipartidas, neste estudo, ou
seja, visualizar e estudar os laços existentes entre os HSH na rede social, assim é possível identificar
padrões na rede e aplicar a teoria estatística das redes complexas2 para avaliar as propriedades das
redes, o que permite identificar o tipo de rede social que se forma na população dos HSH na cidade
de Salvador.

2.5. Respondent Driven Sampling

A Respondent Driven Sampling (RDS) é uma técnica de coleta de dados onde a indicação
dos indivíduos que irão participar do estudo é semelhante à seleção de unidades utilizada na técnica
conhecida como “bola de neve”. Nesta última metodologia, cada indivíduo indica os próximos
participantes para dar continuidade a pesquisa, tendo como base a rede social de quem indica outros
participante. A RDS usa a mesma base de recrutamento, mas há diferenças metodológicas que

2
Caminho mínimo médio (L): Comprimento médio do menor caminho entre nós ; Coeficiente de aglomeração médio
(C): Até que ponto vértices adjacentes a todo vértice v são adjacentes entre si; Conectividade dos nós (k): Número de
ligações existentes nesse nós
15
possibilitam o cálculo das probabilidades (a posteori) de seleção de cada um dos participantes
indicados seqüencialmente para as entrevistas. O tamanho da rede social serve como base para o
cálculo das probabilidades, ponderado ainda pelo número de pessoas indicadas que efetivamente
participaram do estudo. Assim a probabilidade de qualquer indivíduo ser amostrado depende do
tamanho da sua rede social e do número de pessoas que ele indicou e que participaram do estudo.
As estimativas populacionais são corrigidas pelo tamanho desta rede de cada indivíduo, informação
esta que é verificada e registrada por perguntas no momento da entrevista (MAGNANI et al, 2005;
SALGANIK e HECKATHORN, 2004; HECKATHORN, 1997).
Este tipo de técnica (RDS) é um dos tipos de seleção proposta para populações escondidas
ou de difícil acesso, como a população de homens que fazem sexo com homens (HSH). Esta
metodologia é uma alternativa ao uso da amostragem por conveniência, que é mais comumente
utilizada nas pesquisas com populações dos HSH, usuários de drogas e profissionais do sexo.
Nas pesquisas com homens com práticas homoeróticas, muitas são as dificuldades para se
acessar participantes para pesquisas relacionadas a temas estigmatizantes, como o HIV e uso de
drogas ílícitas, dificultando a seleção de uma amostra probabilística destes indivíduos. Entre os
fatores que dificultam estão o estigma social, homofobia e diversas faces do preconceito social. O
uso de técnicas de seleção que produzam amostras quase-probabilísticas, como a RDS, pode ser
uma alternativa para o uso de amostras por conveniência utilizada na maioria dos estudos com a
população dos HSH (MAGNANI et al, 2005; SALGANIK e HECKATHORN, 2004;
HECKATHORN, 1997),
A proposta da metodologia RDS não é consenso na literatura e entre os pesquisadores que
estudam a epidemia do HIV/Aids (HEIMER, 2005; GOEL e SALGANIK, 2010; POON et al,
2010), mas esta técnica vem sendo utilizada em diversas pesquisas nos EUA, América Latina e
África. Entre 2003 e 2008. Num levantamento no MEDLine em agosto de 2010, verificou-se que
207 estudos utilizaram esta metodologia de coleta de dados, 128 com estudos em HIV e 43 com o
tema HIV e HSH. Este pode ser um reflexo do incentivo do CDC americano que investe na
cooperação técnica com diversos países para difundir a técnica RDS, buscando uma validação do
método e estimadores propostos.
As comparações com outras metodologias e críticas ao método são apresentadas por Heimer
(2005), outras críticas são discutidas na literatura relacionadas a metodologia (Poon et al, 2010) e
aos estimadores utilizados são discutidos e criticados por Goel e Salganik (2010).
Mesmo com suas fragilidades, o uso da metodologia RDS parece ser uma boa alternativa
para coletar dados de populações ditas escondidas, substituindo amostra por conveniência, e na
impossibilidade de se coletar uma amostra aleatória da população do estudo. Porém o
desenvolvimento de técnicas de análise, estatísticas e estimadores ainda necessitam de avanços e
16
pesquisas. Neste sentido o uso da análise de redes sociais pode ser uma alternativa de análise dos
dados coletados com o uso da metodologia RDS, e esta é a proposta a ser apresentada neste texto
para atender os objetivos da Tese de Doutorado – Epidemiologia do HIV/Sífilis em rede sociais de
homens que fazem sexo com homens.

3. Metodologia de Análise das Redes dos HSH

A análise das redes sociais dos HSH se dará a partir do recorte da pesquisa nacional
“Comportamento, atitudes, práticas e prevalência de HIV e sífilis entre homens que fazem sexo com
homens (HSH) em 10 cidades brasileiras”, que foi um estudo do tipo corte transversal e coletou
dados da população de homens que fazem sexo com homens em dez cidades brasileiras usando a
metodologia de coleta de dados Respondent driven sampling (RDS) (MAGNANI et al, 2005;
SALGANIK, J. M., HECKATHORN, 2004; HECKATHORN , 1997).
Os dados das cidades serão separados em dez bases de dados, uma base para cada cidade,
seguindo a técnica de preparo de banco de dados para análise de redes. Serão consideradas todas as
combinações de afiliação aos eventos definidos para a afiliação dos atores: Diagnóstico da Infecção
por HIV e Sífilis, Uso de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas no último ano, Acesso a serviços
públicos e privados de saúde e Freqüência a locais de sociabilidade gay.
Os bancos de dados serão fracionados no programa Estatístico STATA, convertidos para o
Excel e gravados no formato do programa PAJEK e UCINET – programas de análises de dados de
redes (NOOY, MRVAR e BATAGELJ, 2005).
Para a análise dos dados utilizamos a teoria das redes (NEWMAN, 2003) e a análise das
redes de dois modos (WATTS, 2009; LATAPY, MAGNIEN e DEL VECCHIO, 2008; NOOY,
MRVAR e BATAGELJ, 2005; WASSERMAN e FAUST, 1994). Também serão realizadas análises
exploratórias descritivas dos dados com o objetivo de se ter um perfil geral dos HSH para cada
cidade.

4. Considerações Finais

A análise de redes tem sido pouco explorada na Epidemiologia do HIV e Doenças


Sexualmente transmissíveis, Barbosa, Byington e Struchiner (2000) Apresentam alguns estudos que
utilizaram a metodologia das redes em estudos de epidemiologia do HIV e discutem as
especificidades da epidemia do HIV, no Brasil, e a possibilidade do uso das análises sociométricas e
sua estrutura para mapear o fluxo da infecção por HIV e propor ações de intervenção.
17
Codeço e Coelho (2008) discutem a necessidade de se considerar as estruturas sociais da
população nas análises epidemiológicas das epidemias, podendo ser esta uma importante alternativa
na análise das transmissões de doenças por agentes infecciosos, e coloca esta possibilidade de
análise como um avanço nas análises epidemilógicas.
A teoria das redes vem ganhando espaço nas análises de dados em saúde e na epidemiologia
das doenças infecciosas, dentro desta perspectiva as análises iniciais da rede de HSH, proveniente
do estudo “Comportamento, atitudes, práticas e prevalência de HIV e sífilis entre homens que
fazem sexo com homens (HSH) em 10 cidades brasileiras” pretendem apresentar resultados úteis a
ações de prevenção para a infecção por HIV na população dos HSH. As análises já têm resultados
preliminares e os achados apontam para uma sugestão de ações planejadas de prevenção na rede dos
HSH em Salvador. As características desta rede – Livre de Escala - mostram que a estrutura da rede
propicia ações planejadas no sentido de prevenir a expansão da epidemia do HIV na cidade.
As análises estão em andamento e os resultados serão disponibilizados na forma de artigos
científicos no sentido de apresentar uma alternativa de análise para dados coletados a partir da
técnica RDS e que seus resultados sejam subsídios para ações de prevenção à infecção por HIV na
população dos HSH na cidade de Salvador e para as demais cidades do estudo multicêntrico.
18
5. Referências

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transmissíveis. Ciênc. saúde coletiva. v.13 n.6 Rio de Janeiro nov./dez. 2008.
21
6. Anexos

Objetivos da Tese

Geral

Analisar e classificar as redes sociais dos homens que fazem sexo com homens nas dez
cidades brasileiras que fizeram parte do estudo multicêntrico “Comportamento, atitudes, práticas e
prevalência de HIV e sífilis entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em 10 cidades
brasileiras”.

Específicos
Descrever as propriedades e características das redes de HSH das cidades do estudo
multicêntrico a partir da análise das redes de afiliação, considerando como afiliação os eventos:
a) Diagnóstico da Infecção por HIV e Sífilis;
b) Uso de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas no último ano;
c) Acesso a serviços públicos e privados de saúde e infecção por HIV/Sífilis;
d) Freqüência a locais de sociabilidade gay.