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Contratos.

Sumário
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1- Introdução .................................................................................. 4
2- Princípios Contratuais ................................................................. 4
3- Classificação dos Contratos ......................................................... 6
4- Formação e Lugar dos Contratos ................................................. 9
5- Estipulação em Favor de Terceiro .............................................. 10
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6- Promessa de Fato de Terceiro ................................................... 11


7- Vícios Redibitórios ..................................................................... 11
8- Evicção ...................................................................................... 12
9- Contrato com Pessoa a Declarar ................................................ 13
10- Extinção e Rescisão Contratual.................................................. 14
11- Contrato de compra e venda ...................................................... 17
11.1 Coisa ou objeto ...................................................................... 18
11.2 Preço..................................................................................... 19
11.3 Acordo de vontades ................................................................ 19
11.4 Cláusulas especiais ................................................................. 21
12- Troca ou permuta ...................................................................... 23
13- Do Contrato Estimatório ............................................................ 23
14- Da Doação ................................................................................. 24
15- Do Empréstimo .......................................................................... 25
15.1 Comodato .............................................................................. 25
15.2 Mútuo.................................................................................... 26
16- Mandato .................................................................................... 27
17- Da Fiança................................................................................... 28
17.1 Fiança x Aval .......................................................................... 30
18- Da Prestação de Serviço ............................................................ 30
19- Da Empreitada ........................................................................... 31
20- Depósito .................................................................................... 33
21- Transporte................................................................................. 34

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21.1 Transporte de pessoas ............................................................. 34


21.2 Transporte de coisas ............................................................... 34
22- Alienação Fiduciária em Garantia .............................................. 35
23- Parceria rural ............................................................................ 35
24- Contrato de sociedade ............................................................... 36
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25- Questões Propostas ................................................................... 37


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“Você não é obrigado a vencer. Você é obrigado a


continuar a tentar fazer o melhor que puder a cada dia”
(Marian Wright Edelman)

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1- Introdução

Os contratos são negócios jurídicos, e o Código Civil, em seu Título V, traz


disposições acerca dos Contratos em Geral, nos artigos 421 a 480, que
veremos a seguir.
Um contrato é um vínculo jurídico entre dois ou mais sujeitos de direito
correspondido pela vontade, da responsabilidade do ato firmado, resguardado
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pela segurança jurídica em seu equilíbrio social, ou seja, é um negócio jurídico


bilateral ou plurilateral. É o acordo de vontades, capaz de criar, modificar ou
extinguir direitos.

2-Princípios Contratuais
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Princípios Descrição

Autonomia da Liberdade de contratação das partes e do conteúdo do


Vontade contrato. Pode sofrer restrições, pois a "liberdade de
contratar será exercida em razão e nos limites da
função social do contrato" (art. 421 do CC).

Supremacia da A autonomia de vontade é relativa, pois está sujeita à


Ordem Pública lei e aos princípios da moral e da ordem pública.

Consensualismo O contrato resulta do consenso, independentemente


da entrega da coisa.

Relatividade dos Os efeitos do contrato atingem apenas as partes


contratos contratantes.
• "Pacta sunt servanda" = os acordos devem ser
Obrigatoriedade
cumpridos.
• Importante para segurança jurídica, mas pode sofrer
restrições, pois cláusulas abusivas não exigem
cumprimento.
• Está relacionado ao princípio do equilíbrio
econômico do contrato.

Função social Promover a realização de uma justiça comutativa,


reduzindo as desigualdades substanciais entre os
contratantes.

Boa-fé As partes se comportem de forma correta não só


durante as tratativas, como também durante a
formação e o cumprimento do contrato.

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1) Princípio da autonomia de vontade: representa a liberdade das partes


estipulando o que lhes convier.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

A doutrina denomina “pacto de corvina” o contrato que tem como objeto a


herança de pessoa viva.
2) Princípio da supremacia da ordem pública: significa que a autonomia de
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vontade é relativa, pois está sujeita à lei e aos princípios da moral e da ordem
pública, ou seja, representa um limite à liberdade de contratar.
3) Princípio do consensualismo: tal conceito decorre da moderna concepção
de que o contrato resulta do consenso, do acordo de vontades,
independentemente da entrega da coisa.
4) Princípio da relatividade dos contratos: baseia-se na idéia de que os
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efeitos do contrato atingem apenas as partes contratantes, ou seja, aqueles que


manifestaram a vontade em celebrá-lo.
5) Princípio da obrigatoriedade dos contratos (art. 427 do CC): representa
a força vinculante das convenções feitas pelas partes contratantes.
6) Princípio da função social dos contratos (art. 421 do CC):
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da
função social do contrato.
7) Princípio da boa-fé (art. 422 do CC): Pode ser dividido em duas partes:
boa-fé subjetiva (concepção psicológica) e boa-fé objetiva (concepção ética).
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do
contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.

BOA-FÉ SUJETIVA BOA-FÉ OBJETIVA

Trata-se de um estado psicológico de É uma cláusula geral implícita em


inocência. É a boa-fé do: “eu não todos os contratos, ela tem status
sabia”, ou seja, o indivíduo ignora um principiológico, e que se traduz em
possível vício. uma regra de conteúdo ético e
Exemplo: posse de boa-fé. exigibilidade jurídica.

A máxima do Direito Romano ainda vigente no Direito Brasileiro “nemo


potest venire contra factum proprium” significa que ninguém pode se
opor a fato a que ele próprio deu causa.
Um dos grandes efeitos do princípio da boa-fé objetiva se traduz na
proibição de que uma parte se comporte de forma contraditória aos seus
próprios atos anteriores. Ou seja, não é lícito uma pessoa fazer valer um

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direito se contrapondo a uma conduta anterior interpretada objetivamente


segundo a lei, segundo os bons costumes e a boa-fé.
Para exemplificar, temos o contrato de prestações periódicas com o
pagamento sendo feito, reiteradamente, em outro lugar, conforme o art. 330
do CC.
Art. 330 do CC - O pagamento reiteradamente feito em outro local faz
presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato.
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Imagine que um credor concorde, durante um contrato de prestações


periódicas, com o pagamento em lugar diverso do convencionado.
Posteriormente, ele não poderá surpreender o devedor com a exigência literal
do contrato.
O assunto foi alvo de discussão na IV Jornada de Direito Civil e resultou
no Enunciado 362 que menciona o art. 422 do CC:
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Enunciado 362 – Art. 422. A vedação do comportamento contraditório


(venire contra factum proprium) funda-se na proteção da confiança, tal
como se extrai dos arts. 187 e 422 do Código Civil.

3-Classificação dos Contratos

I. Contratos unilaterais, bilaterais (sinalagmáticos) e plurilaterais

a. Contratos unilaterais: existe obrigação para apenas uma das


partes. Ex.: doação pura, depósito e comodato.

b. Bilaterais ou sinalagmáticos: os dois contratantes possuem


responsabilidades recíprocas, ou seja, um com o outro, sendo esses
reciprocamente devedores e credores.

c. Contratos plurilaterais: são aqueles que possuem mais de duas


partes contratantes, como nos contratos de consórcio e de sociedade.

II. Contratos onerosos e gratuitos

a. Contratos onerosos: são aqueles que as duas partes auferem


vantagens – sendo estes bilaterais.

b. Contratos gratuitos: somente uma das partes obtém proveito, como


na doação pura.

III. Contratos comutativos e aleatórios

a. Contrato comutativo: uma das partes, além de receber prestação


equivalente a sua, pode apreciar imediatamente essa equivalência,

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como ocorre na compra e venda. Ou seja, há prestação e


contraprestação certas.

b. Contratos aleatórios: há uma incerteza na contraprestação.

Contrato oneroso Evento futuro e


incerto
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Contratos
Aleatórios
Ex: Colheita futura. O Exceto dolo ou
comprador assume os culpa do
riscos da safra não existir vendedor
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IV. Contratos consensuais ou reais


a. Contratos consensuais: são os que se consideram formados pela
simples proposta e aceitação. Ex.: contrato de compra e venda.
b. Contratos reais: são os que se formam com a entrega efetiva do
produto, a entrega deste não é decidida no contrato, mas somente as
causas do que irá acontecer depois dessa entrega. Ex.: contrato de
depósito e contrato do mútuo.
V. Contratos nominados (típicos) e inominados (atípicos)
a. Contratos nominados ou típicos: são os regulamentados por lei.
b. Contratos inominados ou atípicos (art. 425 do CC): não estão
definidos em lei, precisando apenas do conceito básico inerente aos
contratos (Ex.: que as partes sejam livres, que os produtos sejam
lícitos, etc.).
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas
gerais fixadas neste Código.

VI. Contratos solenes (formais) e não solenes


a. Contratos solenes: são os que necessitam de formalidades nas
execuções após ser concordado por ambas as partes.
b. Contratos não solenes: são aqueles que não precisam dessas
formalidades, necessitando apenas da aceitação de ambas as partes.
VII. Contratos principais e acessórios
a. Contratos principais: são os que existem por si só, sendo
independente de outros.
b. Contratos acessórios: são emendas do contrato principal, sendo
que estes necessitam do outro para existirem.

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VIII. Contratos paritários ou por adesão


a. Contratos paritários: são os que realmente são negociados pelas
partes, discutindo e montando-o dentro das formalidades da lei.
b. contratos de adesão: se caracterizam por serem prontos por uma
das partes e aceitos pelas outras, sendo um pouco inflexíveis por
excluir o debate ou discussão de seus termos.
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Quando houver
cláusulas dever-se-á adotar a interpretação
ambíguas ou mais favorável ao aderente
contraditórias
Contrato
de adesão
são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia
antecipada do aderente a direito resultante da
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natureza do negócio

IX. Contratos de execução instantânea, diferida e continuada


a. Contratos de execução instantânea ou imediata: aqueles que se
consumam em um só ato, sendo cumpridos imediatamente após a sua
celebração.
b. Contratos de execução diferida também devem ser cumpridos em
um só ato, mas em um momento futuro.
c. Contratos de trato sucessivo ou de execução continuada são os
que se cumprem por meio de atos reiterados.

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X. Contratos preliminares e definitivos


a. Contrato preliminar (pactumm de contrahendo) é o que tem por
objeto a celebração de um contrato definitivo.
b. Contrato definitivo é o objeto do contrato preliminar.
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exceto quanto à
forma
deve conter todos
os requisitos
O contrato
essenciais ao
preliminar
contrato a ser
celebrado.
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4-Formação e Lugar dos Contratos

Os contratos são a convergência de duas vontades contrapostas: a


parte que faz a proposta (uma declaração receptícia – que precisa ser aceita) é
a parte proponente ou policitante e a parte que aceita é chamada de aceitante
ou oblato.

São fases da formação dos contratos:

1. Negociações preliminares: são conversações anteriores à proposta

2. Proposta ou policitação ou oferta: é a declaração de vontade dirigida a


alguém. Pode ser de dois tipos: entre presentes e entre ausentes;

- PROPOSTA ENTRE PRESENTES: é aquela em que há possibilidade de


aceitação imediata

- PROPOSTA ENTRE AUSENTES: é aquela em que não há possibilidade


de aceitação imediata, ou seja, há um contrato com declarações
intervaladas.

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O art. 428 está esquematizado abaixo:

feita sem não foi imediatamente aceita.


prazo a Considera-se também presente a
pessoa pessoa que contrata por telefone ou
presente por meio de comunicação semelhante

feita sem
tiver decorrido tempo suficiente para
prazo a
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Deixa de chegar a resposta ao conhecimento do


pessoa
ser proponente
ausente
obrigatória
a proposta,
se: feita a pessoa não tiver sido expedida a resposta
ausente dentro do prazo dado
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antes dela, ou chegar ao conhecimento da outra


simultaneamente parte a retratação do proponente

3. Aceitação: é a adesão total à proposta, ou seja, uma resposta afirmativa a


uma proposta de contrato.
Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde
ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente
ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos.
Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que
a aceitação é expedida, exceto:
I - no caso do artigo antecedente;
II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;
III - se ela não chegar no prazo convencionado.

...a Subteoria da expedição, consagrada no art. 434, caput, do CC. Em


todas as fases citadas (negociações preliminares, proposta e aceitação) deve
ser observado o princípio da boa-fé objetiva.
Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi
proposto.

5-Estipulação em Favor de Terceiro

Por meio da estipulação em favor de terceiro uma parte contratante


convenciona com o devedor que a vantagem resultante do contrato beneficiará
um terceiro, alheio à relação jurídica-base. Tal instituto constitui uma
exceção ao princípio da relatividade dos contratos.
Como exemplo, temos o seguro de vida onde o estipulante (segurado)
convenciona com um promitente (seguradora) uma vantagem em favor de
terceiro (beneficiário).

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6-Promessa de Fato de Terceiro

É possível que uma pessoa se comprometa para que terceiro pratique um


determinado ato. É o que ocorre com um empresário de um artista famoso que
se compromete em nome do renomado artista na realização de um show. Se o
show não se realizar, desde que não haja caso fortuito ou força maior, como
regra, responde o empresário por perdas e danos (arts. 439 e 440 do CC).
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7-Vícios Redibitórios

São denominados vícios redibitórios os defeitos ocultos e de certa


gravidade de uma coisa que a tornem imprópria ao uso a que é destinada
ou lhe diminuam o valor, como, por exemplo, os defeitos de uma máquina
ou a doença de um cavalo, que o comprador normalmente não poderia ter
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percebido no momento da compra (arts. 441 a 446 do CC).


duas situações podem ocorrer quando se configurar um vício redibitório:
1) Rescisão contratual: através da ação redibitória o prejudicado pode
rescindir o contrato e exigir a devolução da importância paga.
2) Abatimento no preço: através de uma ação estimatória (quanti
minoris) pode apenas pedir um abatimento no preço.
Conforme o art. 443:

Se o alienante

conhecia o vício não conhecia o


ou defeito da vício ou defeito da
coisa coisa

tão-somente restituirá o
restituirá o que recebeu valor recebido, mais
com perdas e danos as despesas do
contrato

Então, temos que (art. 445):

O adquirente se a coisa for


decai do direito em 30 dias
móvel
de obter a
redibição ou
abatimento no
preço em um ano se for imóvel

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Esses prazos decadenciais são contados da entrega efetiva; mas se já estava


na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade.

BEM
30 DIAS Contado SE JÁ 15 DIAS Contado da
MÓVEL
da ESTAVA alienação
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entrega NA
BEM ↓1/2
01 ANO efetiva POSSE 6 MESES
IMÓVEL

8-Evicção

Consiste na perda pelo adquirente (evicto) da posse ou propriedade


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da coisa transferida, por força de uma sentença judicial ou ato


administrativo que reconheceu o direito anterior de terceiro, denominado
evictor.

A evicção só pode ocorrer em contratos onerosos, não sendo admitida em


contrato gratuito. Dessa forma, não há que se falar em evicção nos contratos
de doação simples e comodato (empréstimo gratuito de bens infungíveis).
Conforme art. 448:

por cláusula
expressa
reforçar, diminuir
ou excluir a
As partes podem
responsabilidade
pela evicção

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Conforme art. 450:

Salvo estipulação em contrário, o evicto tem direito, além da


restituição integral do preço ou das quantias que pagou:
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à indenização dos à indenização


frutos que tiver pelas despesas às custas judiciais
sido obrigado a dos contratos
restituir

e pelos prejuízos
que diretamente e aos honorários do
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resultarem da advogado por ele


evicção constituído

A esquematização a seguir ilustra as consequências da evicção parcial:

Direitos do evicto

Rescisão do contrato

Considerável Restituição de parte do preço


correspondente ao desfalque
EVICÇÃO sofrido
PARCIAL
Não Indenização
considerável

9-Contrato com Pessoa a Declarar

Pode alguém firmar um contrato, estipulando porém que outra pessoas,


a ser indicada, assumirá os direitos e obrigações decorrentes, em cinco dias ou
no prazo acordado. É o que se conclui analisando os arts. 467 e 468 do CC.

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O contrato será eficaz somente entre os


contratantes originários:
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se não houver se a pessoa


indicação de nomeada era
pessoa insolvente

e a outra pessoa o
ou se o nomeado se desconhecia no
recusar a aceitá-la momento da
indicação

10-Extinção e Rescisão Contratual

O contrato extingue-se através de duas formas: a forma normal ocorre


com o seu cumprimento; já a forma anormal ocorre sem que as obrigações
tenham sido cumpridas. A maneira normal de extinção dos contratos é pelo
seu adimplemento ou execução. Assim, o cumprimento normal do contrato
satisfaz as duas partes: libera do devedor e atende aos interesses do credor.

CAUSAS ANORMAIS DE EXTINÇÃO DO CONTRATO


ANTERIORES OU SUPERVENIENTES
CONTEMPORÂNEAS
RESCISÃO: Resolução e Resilição.
NULIDADES (arts. 166 e 167 do CC);
ANULABILIDADES (art. 171 do CC); MORTE DO CONTRATANTE, nos
REDIBIÇÃO (vícios redibitórios). contratos personalíssimos.

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RESCISÃO

RESILIÇÃO RESOLUÇÃO

Ocorre quando há o desfazimento de Ocorre quando houver um


um contrato por simples inadimplemento, ou seja, quando
manifestação de vontade de uma ou uma das partes não cumprir o
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de ambas as partes. contrato.

Não interessa mais o vínculo


Ainda interessa o vínculo contratual.
contratual.

A resolução pode decorrer de uma


A resilição pode ser de dois tipos:cláusula expressa ou tácita (art. 474
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- BILATERAL: é o DISTRATO (art. do CC).


472 do CC), que deve ser celebrado - CLÁUSULA EXPRESSA:
através da mesma forma do contrato normalmente, os contratos trazem
original. uma cláusula resolutiva expressa
- UNILATERAL (art. 473 do CC): é a dizendo que se não for cumprido algo
DENÚNCIA que deve ser notificada determinado o contrato se resolve. Ou
para a outra parte. seja, o descumprimento provocará
uma resolução imediata.
Aplica-se, especialmente, a contratos
de atividades ou serviços por tempo - TÁCITA: sem a cláusula resolutiva,
indeterminado. o inadimplemento demanda uma
notificação para a resolução.

Ex.: terminar um contrato de linha de Ex.: alugar um apartamento e não


celular ou de canal por assinatura. pagar as parcelas de aluguel.

O tema do quadro a seguir costuma ser abordado em provas:

Cláusula Solve et repete ➔ decorre do princípio da autonomia de


vontade e significa uma cláusula inserida no contrato que obriga o
contratante a cumprir a sua obrigação, mesmo diante do descumprimento da
obrigação do outro, para que possa questionar o descumprimento e exigir
perdas e danos. Ou seja, trata-se de uma renúncia ao direito de opor a
exceção do contrato não cumprido.

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A teoria da imprevisão não é aplicada aos contratos de execução


instantânea.
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Conclui-se que está implícito na teoria da imprevisão a cláusula REBUS


SIC STANTIBUS (“enquanto as coisas ficarem como estão”) que defende a
permanência do equilíbrio contratual durante todo o período em que for
celebrado. Em resumo, temos:
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Extinção do contrato

Resolução exceção de resolução por


Resilição
contrato não onerosidade
cumprido excessiva

Distrato Denúncia:
: notificada a
outra parte
(unilateral)

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11-Contrato de compra e venda

A definição do contrato de compra e venda é dada pelo art. 481 do CC.


Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a
transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em
dinheiro.
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SISTEMAS JURÍDICOS NO CONTRATO DE COMPRA E VENDA

SISTEMA
O simples contrato de compra e venda já transfere
FRANCÊS OU
a propriedade da coisa. Não é adotado no Brasil.
ITALIANO
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SISTEMA
O contrato de compra e venda cria uma obrigação
ALEMÃO OU
de dar. É o sistema adotado no Brasil.
ROMANO

Sobre a natureza jurídica do contrato de compra e venda temos que


ele é:

Natureza jurídica do contrato de compra e venda

Bilateral ou sinalagmático Gera obrigações para ambas as partes

Oneroso Ambas as partes auferem vantagens e ônus

Típico Está previsto no Código Civil

Consensual Em relação aos bens móveis se forma com o


simples acordo de vontades

Solene Em relação aos bens imóveis a validade


depende da lavratura de escritura pública

Comutativo (regra) Costuma haver equivalência de prestações,


entretanto, pode, excepcionalmente ser
aleatório, como vimos na aula passada
(emptio spei e emptio rei speratae)

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OBRIGAÇÕES

DO COMPRADOR DO VENDEDOR

-Pagar o preço; -Transferir a propriedade;


-Receber a coisa; e -Responder pela evicção; e
-Devolver a duplicata, se houver. -Responder pelos vícios
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redibitórios.

Coisa ou objeto (res)

Elementos Preço (pretium)


essenciais
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Acordo de vontades (consensus)

Vamos tratar de cada um desses elementos:

11.1 Coisa ou objeto

três requisitos:
✓ Existência potencial: segundo o art. 483 do CC são suscetíveis de
venda as coisas atuais (que já existem) ou as coisas futuras (que irão
existir);
✓ Individualização: a coisa deve ser determinada ou então
determinável ao tempo do cumprimento da obrigação; e
✓ Disponibilidade jurídica: as coisas insuscetíveis de apropriação
(indisponibilidade natural), legalmente inalienáveis (indisponibilidade
legal) e gravadas com cláusula de inalienabilidade (indisponibilidade
voluntária) não podem ser objeto de um contrato de compra e venda.
Ainda sobre a coisa, temos o art. 484 do CC que trata da venda
realizada através de amostras:

Se houver contradição
ou diferença com a
Se a venda se entender-se-á que maneira pela qual se
realizar à vista o vendedor descreveu a coisa no
de amostras, assegura ter a coisa contrato
protótipos ou as qualidades que a
modelos elas correspondem prevalece a amostra, o
protótipo ou o
modelo

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11.2 Preço

Sem haver preço em dinheiro, estaríamos diante de um contrato de


doação, pois a onerosidade do negócio deixaria de existir. Se o preço não for
em dinheiro, estaríamos diante da uma troca ou permuta. Ou seja, o preço em
dinheiro é essencial para se caracterizar um contrato de compra e venda.
Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de
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mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar.

11.3 Acordo de vontades

O contrato de compra pode ocasionar diversos efeitos e


consequências, dentre eles destacamos:
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✓ Despesas do Contrato (art. 490 do CC):

Salvo de escritura e
a cargo do comprador
cláusula em registro
contrário,
ficarão as
despesas
da tradição a cargo do vendedor

Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do
vendedor, e os do preço por conta do comprador.

§ 1o Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, marcar ou


assinalar coisas, que comumente se recebem, contando, pesando, medindo
ou assinalando, e que já tiverem sido postas à disposição do comprador,
correrão por conta deste.

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Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-


se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda.
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A venda de ascendente a
descendente

é anulável

salvo se os outros descendentes e o


cônjuge do alienante expressamente
houverem consentido.

Dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de


bens for o da separação obrigatória.

✓ Compra por pessoas com poder sobre os bens do vendedor (arts. 497
e 498 do CC): o tópico em questão não permite que determinadas, em razão
do poder que exercem sobre os bens do vendedor, comprem os bens citados,
ainda que a venda seja realizada em hasta pública.

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pelos tutores,
curadores, os bens confiados à sua guarda ou
testamenteiros e administração
administradores

os bens ou direitos da pessoa


pelos servidores jurídica a que servirem, ou que
públicos, em geral estejam sob sua administração
direta ou indireta
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Sob pena de
nulidade, pelos juízes,
não podem secretários de os bens ou direitos sobre que se
ser tribunais, litigar em tribunal, juízo ou
comprados, arbitradores, peritos e conselho, no lugar onde servirem,
ainda que outros serventuários ou a que se estender a sua
em hasta ou auxiliares da autoridade
pública: justiça
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pelos leiloeiros e seus os bens de cuja venda estejam


prepostos encarregados

Essas proibições estendem-se à cessão de crédito

Essa proibição não compreende os casos de compra e venda ou cessão entre


co-herdeiros, ou em pagamento de dívida, ou para garantia de bens já
pertencentes a essas pessoas.

11.4 Cláusulas especiais

É possível que algumas cláusulas especiais atribuam um feitio diferenciado ao


contrato de compra e venda, subordinando a sua duração ou eficácia a um
evento futuro e incerto. Essas cláusulas especiais, também chamadas de
pacto adjeto, são:
❖ Retrovenda;
❖ Venda a contento;
❖ Preempção ou preferência;
❖ Venda com reserva de domínio;
❖ Venda sobre documentos.

❖ Retrovenda (arts. 505 a 508 do CC): é uma cláusula especial num contrato
de compra e venda na qual se estipula que o vendedor poderá resgatar a
coisa vendida, dentro de um prazo determinado, pagando o mesmo preço ou

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diverso, desde que previamente convencionado (incluindo, por exemplo, as


despesas investidas na melhoria do imóvel).

Compra com
cláusula de
retrovenda Prazo de Resgate Após o Prazo de
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(até 3 anos) Resgate

Propriedade Propriedade
Resolúvel Plena

❖ Venda a contento (arts. 509 a 512 do CC): é uma cláusula pactuada em


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contrato de compra e venda (pode abranger coisa móvel ou imóvel) através


da qual o comprador tem a prerrogativa de devolver a coisa quando esta não
o satisfizer.
.

Compra com
cláusula de venda
a contento
Prazo para
manifestar o agrado

Posse Propriedade
Plena

❖ Preempção ou preferência (arts. 513 a 520 do CC): pode incidir sobre


bens móveis e imóveis, o comprador se compromete a dar preferência ao
vendedor se vier a vender a coisa posteriormente.

Compra com Bens Móveis: até 180 dias


cláusula de Prazo para exercer a Bens Imóveis: até 2 anos
preempção preferência

Na hipótese de venda o bem


deve ser oferecido
primeiramente ao vendedor
primitivo.

❖ Venda com reserva de domínio (arts. 521 a 528 do CC): o vendedor


transfere ao comprador a posse da coisa, mas conserva para si a propriedade
sobre a mesma, até que o preço seja quitado.

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Compra com
cláusula de reserva
de domínio
Antes do preço ser
totalmente quitado

Posse Propriedade
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12-Troca ou permuta

Troca ou permuta
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• salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por


metade as despesas com o instrumento da troca;

•é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes,


sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante

13-Do Contrato Estimatório

O contrato estimatório (arts. 534 a 537 do CC) é conhecido no comércio


como venda em consignação.
.

Entrega do bem Restituição


consignado do bem
consignado
Período de ou preço
Consignação

Posse do consignatário
como se fosse um
depositário

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Natureza jurídica da venda em consignação

Unilateral A questão é controvertida, mas a doutrina majoritária


entende que com a entrega da coisa e o nascimento do
contrato, todas as obrigações são do consignatário, sendo a
principal delas o pagamento do preço estimado
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Oneroso Ambas as partes auferem vantagens e ônus

Típico Está previsto no Código Civil

Real só se aperfeiçoa quando o bem consignado é entregue ao


consignatário
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Não solene Independe de forma especial

Percebe-se que no contrato estimatório existem duas partes:


- o consignante: entrega os bens ao consignatário; e
- o consignatário: recebe os bens para tentar vender.

14-Da Doação

Art. 538. Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por


liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de
outra.

- Elemento subjetivo: é o animus donandi que consiste na intenção de


fazer uma liberalidade em favor do donatário; e
- Elemento objetivo: consiste na transferência da propriedade de
bens ou direitos do patrimônio do doador para o patrimônio do donatário.

Natureza jurídica do contrato de doação

Unilateral Só o doador assume obrigação; entretanto, devemos ressaltar a


doação com encargo que é considerada bilateral, pois ambas as
partes assumem obrigações recíprocas.

Gratuito apenas uma das partes aufere vantagens, enquanto a outra não
assume qualquer ônus

Típico Está previsto no Código Civil

Solene A lei, em regra (art. 541 do CC), exige forma escrita para os bens
móveis e escritura pública para os imóveis, para que a doação se
aperfeiçoe; entretanto, excetua-se a doação verbal que poderá
ocorrer quando o bem doado for de pequeno valor e houver a
imediata tradição

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Podem ser revogadas por


Não se revogam por ingratidão: ingratidão as doações:

• as doações puramente • se o donatário atentou contra a


remuneratórias; vida do doador ou cometeu crime
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• as oneradas com encargo já de homicídio doloso contra ele;


cumprido; • se cometeu contra ele ofensa
• as que se fizerem em física;
cumprimento de obrigação • se o injuriou gravemente ou o
natural; caluniou;
• as feitas para determinado • se, podendo ministrá-los,
casamento. recusou ao doador os alimentos
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de que este necessitava.

15-Do Empréstimo

O empréstimo pode ser de:

comodato mútuo

empréstimo gratuito de empréstimo de coisas


coisas não fungíveis fungíveis

15.1 Comodato

Nos termos do art. 579 do CC, trata-se do empréstimo gratuito de um


bem infungível pelo qual o comodante (dono da coisa) transfere sua posse ao
comodatário por um determinado período de tempo.
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.
Perfaz-se com a tradição do objeto.

- comodante: aquele que empresta;


- comodatário: aquele que toma emprestado.

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Natureza jurídica do contrato de comodato

Unilateral Só o comodatário assume obrigação.

Gratuito apenas uma das partes aufere vantagens (comodatário).

Real Se perfaz com a tradição do objeto.


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Típico Está previsto no Código Civil.

Não solene A lei não exige forma especial para a celebração do contrato,
podendo até ser realizado de forma verbal
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15.2 Mútuo

Nos termos do art. 586 do CC, o mútuo é um contrato pelo qual o


mutuante transfere a propriedade de determinada coisa móvel e fungível ao
mutuário, que deverá restituir, findo o contrato, bem equivalente do mesmo
gênero, qualidade e quantidade.
Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado
a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero,
qualidade e quantidade.

- mutuante: é o que empresta.


- mutuário: é o que toma emprestado.
... o art. 592 do CC estabelece o seu prazo de duração na falta de convenção
expressa:

se o mútuo for de
até a próxima produtos agrícolas,
colheita assim para o consumo,
como para semeadura
Não se tendo
convencionado de trinta dias, pelo
expressamente se for de dinheiro
menos
o prazo do mútuo
será:
do espaço de tempo
se for de qualquer outra
que declarar o
coisa fungível
mutuante

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16-Mandato

O mandato é um contrato pelo qual uma pessoa se obriga a praticar atos


ou administrar os interesses da outra, em nome e por conta desta última (art.
653 do CC).
Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes
para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é
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o instrumento do mandato.

- o mandante: é aquele que outorga os poderes; e


- o mandatário: é aquele que recebe os poderes.
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MANDANTE PROCURAÇÃO MANDANTÁRIO

outorga instrumento recebe


poderes do mandato poderes

Enunciado 182 – Art. 655: O mandato outorgado por


instrumento público previsto no art. 655 do CC somente admite
substabelecimento por instrumento particular quando a forma
pública for facultativa e não integrar a substância do ato.

O art. 682 do CC trata da extinção do mandato:

pela revogação ou renúncia

pela morte ou interdição de uma das partes


Cessa o
mandato: pela mudança de estado que inabilite o
mandante a conferir os poderes, ou o mandatário
para os exercer

pelo término do prazo ou pela conclusão do


negócio

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17-Da Fiança

A fiança é o contrato pelo qual uma pessoa se obriga perante o credor,


com todo o seu patrimônio, a satisfazer o débito do devedor, caso este não
efetue o pagamento (art. 818 do CC). Trata-se de uma espécie de garantia
pessoal ou fidejussória.
Art. 818. Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor
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uma obrigação assumida pelo devedor, caso este não a cumpra.

Graficamente temos o seguinte:


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Devedor $$$$$ Credor


FIADOR

A fiança

não admite
dar-se-á por E interpretação
escrito
extensiva

Pode ser estipulada, ainda que sem consentimento do devedor ou contra a


sua vontade.

BENEFÍCIO DE ORDEM → é a regra na fiança. Ou seja, primeiramente


deve a dívida ser cobrada do devedor principal, para, posteriormente,
ser cobrada do fiador.

A abrangência da fiança é tratada no art. 822 do CC:

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todos os acessórios
da dívida principal

Não sendo a fiança


limitada compreenderá
inclusive as
despesas judiciais,
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desde a citação do
fiador

benefício de ordem (arts. 827 e 828 do CC):


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se ele o renunciou
expressamente
Não
O fiador demandado aproveita
pelo pagamento da este benefício se se obrigou como
dívida tem direito a ao fiador: principal pagador, ou
exigir, até a devedor solidário
contestação da lide,
que sejam primeiro se o devedor for
executados os bens insolvente, ou falido
do devedor

O fiador que alegar o benefício de ordem


deve nomear bens do devedor, sitos no
mesmo município, livres e desembargados,
quantos bastem para solver o débito

por ato do credor (art. 838 do CC)

se, sem
o credor conceder
consentimento
moratória ao devedor
seu

O fiador, ainda for impossível a sub-


se, por fato do
que solidário, rogação nos seus direitos e
credor
ficará preferências
desobrigado:
aceitar amigavelmente do
se o credor, em devedor objeto diverso do
pagamento da que este era obrigado a lhe
dívida dar, ainda que depois venha
a perdê-lo por evicção

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17.1 Fiança x Aval

O aval é outro ato cambiário definido como uma declaração unilateral,


facultativa e formal dos títulos de crédito que serve como uma garantia
pessoal ao pagamento de uma obrigação cambial.
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Aval Fiança

•Obrigação autônoma •Obrigação acessória, que


•A inexigibilidade da obrigação depende da principal;
do avalizado não afeta o •Se a obrigação é inexigível,
avalista. igualmente é a fiança.
•Solidariedade presumida •A solidariedade entre fiador
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entre avalista e avalizado. e afiançado deve ser expressa


•Não há benefício de ordem, (contrato).
podendo o avalista e o •Há o benefício de ordem, e
avalizado serem acionados o fiador é acionado após o
juntos. afiançado.
•As exceções que aproveitam •O fiador, em geral, pode
o avalizado são inoponíveis alegar contra o credor as
pelo avalista. exceções do afiançado.

18-Da Prestação de Serviço

A prestação de serviço é o contrato pelo qual determinada pessoa física


ou jurídica (prestador) se compromete com outra (tomador) a realizar certa
atividade mediante remuneração.
Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial,
pode ser contratada mediante retribuição.

Natureza jurídica do contrato de prestação de serviços

Bilateral Ambas as partes assumem obrigações, o prestador assume uma


obrigação de fazer, ao passo que o tomador assume uma obrigação
de pagar a remuneração.

Oneroso Ambas as partes auferem vantagens

Típico Está previsto no Código Civil

Consensual O contrato se aperfeiçoa com o simples acordo de vontade das


partes, podendo ser provado por testemunhas, seja qual for o
valor, independente de começo de prova por escrito.

Não solene A lei não exige forma especial para a celebração do contrato,
podendo até ser realizado de forma verbal.

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Dar-se-á o aviso:

com antecedência com antecipação de


de véspera
de oito dias quatro dias
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se o salário se houver se o salário se tiver quando se tenha


fixado por tempo de ajustado por contratado por
um mês, ou mais semana, ou quinzena menos de sete dias
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19-Da Empreitada

A empreitada é o contrato em que uma das partes (o empreiteiro) se


obriga a realizar determinada obra, pessoalmente ou por meio de terceiros,
mediante remuneração a ser paga pela outra (o dono da obra), de acordo com
as instruções desta e sem relação de subordinação.

EMPREITADA LOCAÇÃO DE SERVIÇOS

O objeto do contrato é a obra em O objeto do contrato é a atividade


si, permanecendo inalterada a do prestador, sendo a
remuneração, qualquer que seja o remuneração proporcional ao
tempo de trabalho despendido. tempo dedicado ao trabalho;
A direção do serviço compete ao A execução do serviço é dirigida e
próprio empreiteiro; e fiscalizada por quem contratou o
prestador, a quem este fica
O empreiteiro assume os riscos do
diretamente subordinado; e
empreendimento sem estar
subordinado ao dono da obra. O patrão assume os riscos do
negócio.

Sobre as espécies de empreitada, vejamos o art. 610 do CC:

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O empreiteiro de uma obra pode


contribuir para execução da obra

só com seu com seu trabalho e


trabalho com os materiais
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Quando o empreiteiro fornece


os materiais, correm por sua
Se o empreiteiro conta os riscos até o momento
só forneceu mão- da entrega da obra, a contento
de-obra, todos os de quem a encomendou, se
riscos em que não este não estiver em mora de
tiver culpa receber. Mas se estiver, por sua
correrão por conta conta correrão os riscos.
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do dono.
A obrigação de fornecer os
materiais não se presume;
resulta da lei ou da vontade
das partes.

Espécies de
empreitada

Mão-de-obra ou de
Mista Projeto
lavor

O empreiteiro O empreiteiro
colabora com o seu elabora um
O empreiteiro
trabalho e com os projeto que
colabora apenas com
materiais possibilite a
o seu trabalho
necessários para a realização
obra tangível da obra

Em caso de dúvida há presunção relativa de que a


empreitada é de mão de obra ou lavor!!!

Já no art. 625 do CC estão previstas situações que acarretam a resolução


do contrato:

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por culpa do dono, ou por motivo de força maior

O quando, no decorrer dos serviços, se manifestarem


empreiteiro dificuldades imprevisíveis de execução, resultantes de
poderá causas geológicas ou hídricas, ou outras semelhantes, de
suspender modo que torne a empreitada excessivamente onerosa, e o
a obra: dono da obra se opuser ao reajuste do preço inerente ao
projeto por ele elaborado, observados os preços
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se as modificações exigidas pelo dono da obra, por seu vulto e


natureza, forem desproporcionais ao projeto aprovado,
ainda que o dono se disponha a arcar com o acréscimo de
preço
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- RESILIÇÃO: decorre da vontade das partes;


-RESOLUÇÃO: decorre do inadimplemento da obrigação.

o art. 618 do CC trata da responsabilidade no contrato de empreitada.

durante o prazo
Nos contratos de irredutível de cinco
empreitada de anos
pela solidez e
edifícios ou outras
segurança do
construções
trabalho, assim em
consideráveis, o
razão dos materiais,
empreiteiro de
como do solo.
materiais e execução
responderá

Decairá desse direito o dono da obra que não propuser a ação contra o
empreiteiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou
defeito.

20-Depósito

O depósito pode ser voluntário ou necessário (obrigatório). Pelo


contrato de depósito o depositário recebe um objeto móvel, para guardar, até
que o depositante o reclame.

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O contrato de depósito é gratuito, exceto se:


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houver convenção em resultante de o depositário o praticar


contrário atividade negocial por profissão
OU

O depósito voluntário provar-se-á por escrito.


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o que se faz em desempenho de obrigação legal

É depósito
necessário: o que se efetua por ocasião de alguma calamidade,
como o incêndio, a inundação, o naufrágio ou o
saque

21-Transporte

Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição, a


transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas.

21.1 Transporte de pessoas

o transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas


e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula
excludente da responsabilidade. Ainda, é lícito ao transportador exigir a
declaração do valor da bagagem a fim de fixar o limite da indenização.

21.2 Transporte de coisas

A coisa, entregue ao transportador, deve estar caracterizada pela sua


natureza, valor, peso e quantidade, e o mais que for necessário para que não
se confunda com outras, devendo o destinatário ser indicado ao menos pelo
nome e endereço.

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22-Alienação Fiduciária em Garantia

No contrato de alienação fiduciária em garantia há duas partes: o


devedor fiduciante e o credor fiduciário. O fiduciante transfere a
propriedade um bem (móvel ou imóvel) ao fiduciário com a finalidade de
garantir determinada obrigação prevista em contrato. O fiduciário, então, tem
a propriedade, mas a posse indireta do bem; a posse direita fica com o
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fiduciante que pode usufruir do bem.

Fiduciante
Fiduciário
(devedor)
(credor)
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Bem móvel ou
imóvel

É garantia de
pagamento da dívida
Alienação pelo fiduciante
Fiduciária

Condição resolutiva - saldando


a dívida, a propriedade do bem
passa ao fiduciante

É contrato-meio

23-Parceria rural

O contrato de parceria rural é instrumento contratual de natureza civil


criado pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e regulamentado pelo Decreto
59.566/66. Conforme o art. 4º do Decreto, o conceito de parceria rural é:
“Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a
ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel
rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias,
outros bens e ou facilidade, com o objetivo de nele ser exercida atividade
de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa vegetal ou
mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda
ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de
riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos
frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem,
observados os limites da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra)“.

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24-Contrato de sociedade

O ato constitutivo da sociedade contratual (pessoa jurídica) é o contrato


social, por meio do qual a sociedade passa a existir e se organizar. Este
contrato social vai além do simples interesse de cada um dos sócios,
representando, na verdade, o princípio da preservação da empresa. Ou
seja, mesmo que uma das partes (um sócio) decida se retirar da sociedade
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contratual, os demais sócios poderão dar prosseguimento às atividades. Aliás,


mesmo os sócios minoritários possuem o direito de manter a sociedade.
nosso Código Civil de 2002 consagra a teoria do contrato
PLURILATERAL para reger as sociedades contratuais.
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25-Questões Propostas

A seguir temos diversas questões de provas anteriores, super recentes, para


você colocar em prática aquilo que foi aprendido na parte teórica.

1. (CESPE/Juiz-TJ-CE/2018) Contrato de prestações certas e determinadas


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no qual as partes possam antever as vantagens e os encargos, que geralmente


se equivalem porque não envolvem maiores riscos aos pactuantes, é classificado
como
a) benéfico.
b) aleatório.
c) bilateral imperfeito.
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d) derivado.
e) comutativo.
Comentários
Letra “e”. Correta. O enunciado refere-se ao contrato comutativo. Assim,
temos que uma das partes, além de receber prestação equivalente a sua, pode
apreciar imediatamente essa equivalência, como ocorre na compra e venda. Ou
seja, há prestação e contraprestação certas.
Letra “a”. Incorreta, pois nos contratos benéficos (ou gratuitos) somente uma
das partes obtém proveito, como na doação pura. Em regra, os contratos
gratuitos também são unilaterais e os contratos onerosos também são
bilaterais.
Letra “b”. Incorreta, pois nos contratos aleatórios as partes se arriscam a uma
prestação inexistente ou desproporcional, como exemplos, seguros,
empréstimos. Simplificando, é o contrato de decisões futuras onde há uma
incerteza na contraprestação.
Letra “c”. Incorreta, pois o contrato bilateral imperfeito é o contrato unilateral
que por circunstância superveniente, ocorrida no curso da execução, gera
alguma obrigação para aquele contratante que não se comprometeu
anteriormente. Pode ocorrer com o contrato de depósito ou com o comodato
quando surgir para o depositante ou comodante a obrigação de indenizar certas
despesas realizadas pelo comodatário e pelo depositário.
Art. 643. O depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas
feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem.

Letra “d”. Incorreta, pois o contrato derivado decorre diretamente de um


contrato principal, como o contrato de sublocação, que deriva do contrato de
locação.

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2. (CESPE/Advogado-EBSERH/2018) Considerando o que dispõe o Código


Civil acerca de negócios jurídicos e contratos, julgue o item a seguir.
Nos contratos onerosos, a responsabilidade do alienante pela evicção pode ser
excluída por convenção das partes em cláusula expressa.
Comentários
O item está certo. O art. 448 do CC assim dispõe: “Podem as partes, por
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cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção”.

3. (CESPE - Tecnólogo - Área Negócios Imobiliários – FUB - 2015) Julgue


os próximos itens, acerca da teoria geral dos contratos.
O princípio da autonomia da vontade assegura aos contratantes a liberdade de
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contratar tudo aquilo que lhes aprouver, sem que seja permitido haver
restrições na forma, no conteúdo ou nas condições estabelecidas pelos
contratantes.
Comentários
O item está Errado. O princípio da autonomia da vontade se refere à liberdade
para as partes estabelecerem o vínculo contratual, mas não é um princípio
absoluto, podendo sofrer restrições. Entre as restrições, podemos citar o
disposto no art. 421 do CC, que estabelece que a liberdade de contratar será
exercida em razão e nos limites da função social do contrato.

4. (CESPE - Tecnólogo - Área Negócios Imobiliários – FUB - 2015) Carlos


comprou um imóvel pertencente a Paulo mediante pagamento à vista. Ao
receber o imóvel, Carlos observou que este estava com alguns defeitos ocultos,
inclusive, desconhecidos de Paulo.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes.
Em função do vício redibitório apresentado, é permitido a Carlos solicitar
abatimento no preço.
Comentários
O item está Certo. Conforme art. 442 do CC, em vez de rejeitar a coisa,
redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente reclamar abatimento no
preço.

5. (CESPE/TJ-DFT/AJOJ/2015) O contrato com pessoa a declarar será


considerado inválido se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no
momento da nomeação, o que constitui exceção ao princípio da conservação
dos contratos.
Comentários
Questão com fundamento no art. 471 do CC:

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Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da


nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes
originários.

Gabarito: ERRADA.

6. (CESPE/TJ-DFT/AJOJ/2015) Caso ocorra vício ou defeito oculto em coisa


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que a torne imprópria ao uso a que se destina ou que lhe diminua o valor, a
coisa poderá ser enjeitada se for recebida em virtude de contrato comutativo
ou doação onerosa.
Comentários
Conforme o art. 441 do CC:
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser
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enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a


que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.

Gabarito: CERTA.

7. (CESPE/TRE-RS/AJAJ/2015) Contrato é o negócio jurídico resultante de


mútuo consenso, capaz de criar, modificar ou extinguir direitos e obrigações
para os contratantes. Quando descumprido, alguns efeitos daí emergem, entre
eles, a resolução. Acerca desse assunto, assinale a opção correta.
a) Segundo entendimento do STJ, o adimplemento substancial do contrato não
autoriza o credor a resolver unilateralmente o negócio jurídico.
b) Em contratos bilaterais, o direito civil brasileiro prescreve que um contratante
pode exigir do outro o implemento da obrigação, mesmo que não cumprida a
sua.
c) Nos contratos em geral, o Código Civil prevê que a resolução não poderá ser
evitada, ainda que haja a possibilidade de modificação equitativa das condições
do contrato.
d) O ordenamento jurídico brasileiro não admite a hipótese de resolução
contratual por onerosidade excessiva aventada pelo devedor, por vigorar nos
contratos a cláusula rebus sic stantibus.
e) Depois de perfeito o contrato de compra e venda de bem imóvel de valor
superior a trinta vezes o salário mínimo nacional, sem qualquer vício, mediante
escritura pública, é possível a resilição bilateral, com efeito ex tunc, inclusive
perante terceiros, uma vez que as partes voltam ao estado anterior ao negócio
jurídico entabulado, sendo inexigível a escritura pública para esse distrato.
Comentários
Análise das alternativas:
(A) CERTA. Veja a jurisprudência a seguir:

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DIREITO CIVIL. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL PARA


AQUISIÇÃO DE VEÍCULO (LEASING). PAGAMENTO DE TRINTA E UMA
DAS TRINTA E SEIS PARCELAS DEVIDAS. RESOLUÇÃO DO CONTRATO.
AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. DESCABIMENTO. MEDIDAS
DESPROPORCIONAIS DIANTE DO DÉBITO REMANESCENTE. APLICAÇÃO
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DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL.


1. É pela lente das cláusulas gerais previstas no Código Civil de
2002, sobretudo a da boa-fé objetiva e da função social, que deve ser
lido o art. 475, segundo o qual “[a] parte lesada pelo inadimplemento pode
pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o
cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por
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perdas e danos”.

2. Nessa linha de entendimento, a teoria do substancial adimplemento visa


a impedir o uso desequilibrado do direito de resolução por parte do credor,
preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação da avença,
com vistas à realização dos princípios da boa-fé e da função social do
contrato.

3. No caso em apreço, é de se aplicar a da teoria do adimplemento


substancial dos contratos, porquanto o réu pagou: “31 das 36
prestações contratadas, 86% da obrigação total (contraprestação e
VRG parcelado) e mais R$ 10.500,44 de valor residual garantido”. O
mencionado descumprimento contratual é inapto a ensejar a
reintegração de posse pretendida e, consequentemente, a resolução
do contrato de arrendamento mercantil, medidas desproporcionais
diante do substancial adimplemento da avença.

4. Não se está a afirmar que a dívida não paga desaparece, o que seria um
convite a toda sorte de fraudes. Apenas se afirma que o meio de realização
do crédito por que optou a instituição financeira não se mostra consentâneo
com a extensão do inadimplemento e, de resto, com os ventos do Código
Civil de 2002. Pode, certamente, o credor valer-se de meios menos gravosos
e proporcionalmente mais adequados à persecução do crédito
remanescente, como, por exemplo, a execução do título.5. Recurso especial
não conhecido. (REsp 1051270/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta
Turma, julgado em 04/08/2011, DJe 05/09/2011)
(B) ERRADA. Em desacordo com o art. 476 do CC:
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de
cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.
(C) ERRADA. Em desacordo com o art. 479 do CC:
Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar
equitativamente as condições do contrato.
(D) ERRADA. Em desacordo com o art. 478 do CC:
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação
de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema

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vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e


imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da
sentença que a decretar retroagirão à data da citação.
(E) ERRADA. Em desacordo com o art. 472 do CC:
Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato.
Gabarito: A
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8. (CESPE - Tecnólogo - Área Negócios Imobiliários – FUB - 2015) Carlos


comprou um imóvel pertencente a Paulo mediante pagamento à vista. Ao
receber o imóvel, Carlos observou que este estava com alguns defeitos ocultos,
inclusive, desconhecidos de Paulo.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes.
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Pelo fato de Paulo desconhecer o vício oculto, Carlos não poderá rejeitar o
imóvel e redibir o contrato, pleiteando a restituição do valor pago.
Comentários
O item está Errado. Conforme art. 441 do CC, a coisa recebida em virtude de
contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a
tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor. E,
conforme art. 443 do CC, se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa,
restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente
restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato.

9. (CESPE - Analista Judiciário - Área Judiciária – TJCE/CE - 2014)


Ricardo comprou uma motocicleta de Manoel, firmando contrato em que não
constava nenhuma cláusula expressa sobre a evicção. Após um mês de uso, a
motocicleta foi apreendida por um oficial de justiça, que foi à casa de Ricardo
cumprir mandado judicial de busca e apreensão fruto de ação judicial. Instado
por Ricardo, Manoel declarou desconhecer a ação judicial que originou o referido
mandado, alegando que adquiriu a motocicleta de terceiro. Considerando essa
situação hipotética e o disposto no Código Civil, assinale a opção correta.
a) Manoel responderá pelo dano somente se for comprovada a sua má-fé.
b) Ricardo não terá direito à indenização pela perda do veículo, em razão da
liberdade de contratar.
c) Manoel não responderá pelo dano experimentado por Ricardo, haja vista que
inexiste medida judicial aplicável a essa situação.
d) Ricardo deverá demandar judicialmente Manoel, que responderá pela
evicção.
e) Manoel não responderá pelo dano experimentado por Ricardo, porque não
tinha conhecimento da ação judicial e do mandado.
Comentários

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Letra “d”. Conforme art. 447 do CC, nos contratos onerosos, o alienante
responde pela evicção. Portanto, não havendo cláusula expressa sobre a evicção
(conforme descrito no enunciado), Manoel (o alienante) responderá pela
evicção. Vale destacar que não é necessário comprovar má-fé, pois não existe
esse pré-requisito no art. 447 do CC.
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10. (CESPE - Analista Judiciário - Área Judiciária – TJCE/CE - 2014)


João, mediante contrato firmado, prestava assistência técnica de computadores
à empresa de Mário. João e Mário, por mútuo consenso, resolveram por fim à
relação contratual. Nessa situação hipotética, considerando o que dispõe a
doutrina majoritária sobre a matéria, caracterizou-se a
a) resolução bilateral do contrato.
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b) revogação do contrato.
c) anulação do contrato.
d) inexistência contratual.
e) resilição bilateral do contrato.
Comentários
Letra “e”. Resilição é o desfazimento de um contrato por vontade de uma ou de
ambas as partes. A resilição unilateral está prevista no art. 473 do CC e opera
mediante denúncia notificada à outra parte. No entanto, a resilição também
pode ser bilateral, sendo o caso do distrato, quando ambas partes manifestam
vontade de desfazer o contrato. Na situação descrita no enunciado, João e
Mário, por mútuo consenso, resolveram pôr fim à relação contratual,
caracterizando a resilição bilateral do contrato.

11. (CESPE - Auditor de Controle Externo – TCDF/DF - 2014)


Com relação a contratos, união estável e improbidade administrativa, julgue os
itens subsequentes.
Conforme o Código Civil brasileiro, é expressamente proibido que herança de
pessoa viva seja objeto de contrato.
Comentários
O item está Certo. Conforme art. 426 do CC, não pode ser objeto de contrato
a herança de pessoa viva.

12. (CESPE - Analista Judiciário - Área Administrativa/Judiciária -


Especialidade: Direito – TJSE/SE - 2014)
Com relação aos contratos e da responsabilidade civil, julgue os itens que se
seguem.

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A resilição bilateral de determinado contrato equivale ao distrato desse pacto.


Comentários
O item está Certo. Resilição é o desfazimento de um contrato por vontade de
uma ou de ambas as partes. A resilição unilateral está prevista no art. 473 do
CC e opera mediante denúncia notificada à outra parte. No entanto, a resilição
também pode ser bilateral, sendo o caso do distrato, quando ambas partes
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manifestam vontade de desfazer o contrato.

13. (CESPE - Técnico Judiciário – TJAC/AC - 2012) Em relação aos


contratos, julgue os itens a seguir.
A evicção consiste na perda da coisa adquirida somente em contrato gratuito
translativo de posse e propriedade de bens.
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Comentários
O item está Errado. Conforme art. 447 do CC, nos contratos onerosos, o
alienante responde pela evicção. Em regra, não ocorre a evicção em contratos
gratuitos, exceto no caso de doação onerosa.

14. (CESPE - Defensor Público Federal de Segunda Categoria – DPU -


2015) Supondo que duas partes tenham estabelecido determinada relação
jurídica, julgue os itens.
Se a referida relação jurídica for do tipo empresarial e tiver sido entabulada por
contrato de execução continuada, na hipótese de a prestação se tornar
excessivamente onerosa para uma das partes e extremamente vantajosa para
a outra, a parte onerada poderá pedir a resolução do contrato,
independentemente da natureza do objeto do pacto.
Comentários
O item está Errado. Conforme art. 478 do CC, nos contratos de execução
continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a
resolução do contrato. No entanto, a revisão ou resolução do contrato em caso
de onerosidade excessiva não se aplica a qualquer tipo de relação contratual,
independentemente da natureza do objeto do pacto. Nos contratos aleatórios,
que dizem respeito a coisas ou fatos futuros, em que o contratante assume o
risco de que as coisas não venham a existir, não será possível aplicar a revisão
ou resolução contratual quando estiver relacionado com o próprio risco
assumido no contrato.

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15. (CESPE - Tecnólogo - Área Negócios Imobiliários – FUB - 2015)


Julgue os itens seguintes, relativos a contratos preliminares, de permuta, de
doação e de compra e venda.
Nos contratos preliminares, é vedada a cláusula de arrependimento.
Comentários
O item está Errado. Conforme art. 462 do CC, o contrato preliminar, exceto
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quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser


celebrado. E, conforme art. 463 do CC, concluído o contrato preliminar, com
observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele não conste
cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a
celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive. Portanto,
não é vedada a cláusula de arrependimento.
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16. (CESPE/TJ-DFT/Juiz/2016) No que se refere ao contrato estimatório do


Direito Civil, assinale a opção correta.
a) Pode ter por objeto bem fungível, e a restituição, se for o caso, será por coisa
de igual gênero, qualidade e quantidade.
b) Os riscos são do consignante, que suporta a perda ou deterioração da coisa.
c) Após a entrega da coisa, a posse é exercida em nome do consignante, que a
mantém de forma mediata ou indireta.
d) O preço de estima é ato unilateral do consignatário e, se não alcançado em
determinado lapso temporal, emerge o dever de restituir a coisa.
e) Em decorrência da natureza própria do contrato, especialmente a obtenção
da posse e o poder de disposição, o Código Civil exige a forma escrita.
Comentários
(A) CERTA. As coisas fungíveis e as consumíveis podem também ser objeto do
contrato estimatório. Todavia, neste caso a entrega dessas coisas ao
consignatário opera a transmissão da propriedade, restando ao consignante,
que deixa a qualidade de proprietário, apenas um crédito, pois outras coisas
poderão ser restituídas ao final do prazo previsto no contrato. Cuida-se de uma
espécie imprópria de contrato estimatório.
(B) ERRADA. Segundo o art. 535 do CC, os riscos são do consignatário.
Art. 535. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se
a restituição da coisa, em sua integridade, se tornar impossível, ainda que
por fato a ele não imputável.

(C) ERRADA. O consignatário não exerce a posse em nome do consignante.


Pelo contrário, fica autorizado a vender os bens consignados e o consignante
não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe ser comunicada a
restituição.

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Art. 537. O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída
ou de lhe ser comunicada a restituição.

(D) ERRADA. O preço de estima é ato ajustado entre as partes.


(E) ERRADA. Não há tal exigência no CC.
Gabarito: A
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17. (CESPE/TCE-PR/Auditor Substituto de Conselheiro/2016) A respeito


dos contratos em geral e suas espécies, assinale a opção correta.
a) Em se tratando de venda ad mensuram de imóveis, há presunção relativa de
tolerância de variação de até 5% na extensão do imóvel.
b) O defeito oculto de uma coisa autoriza a rejeição de todas as outras vendidas
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em conjunto com ela, dado o princípio da função social do contrato.


c) É anulável a permuta de bens de valores desiguais entre ascendentes e
descendentes sem o consentimento dos demais descendentes, ainda que o
ascendente receba o bem de maior valor.
d) É ilícita a compra e venda, entre cônjuges, de imóvel que pertença
exclusivamente a um deles.
e) O condômino de condomínio pro diviso não poderá vender a sua parte a
estranho se outro condômino a quiser em igualdade de condições.
Comentários
(A) CERTA. De acordo com o art. 500, § 1º do CC, tem-se uma presunção
relativa de que a venda foi ad mensuram quando a diferença for inferior a 1/20
(5%).
§ 1o Presume-se que a referência às dimensões foi simplesmente
enunciativa, quando a diferença encontrada não exceder de um vigésimo da
área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em
tais circunstâncias, não teria realizado o negócio.

(B) ERRADA. Em desacordo com o art. 503 do CC.


Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não
autoriza a rejeição de todas.

(C) ERRADA. Sobre a permuta, vejamos o art. 533 do CC:


Art. 533. Aplicam-se à troca as disposições referentes à compra e venda,
com as seguintes modificações:

I - salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por


metade as despesas com o instrumento da troca;

II - é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e


descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do
alienante.

A parte final da alternativa apresenta um conceito que não está no dispositivo

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legal.
(D) ERRADA. Em desacordo com o art. 499 do CC:
Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens
excluídos da comunhão.

(E) ERRADA. Em desacordo com o art. 504 do CC:


Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte
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a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a


quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço,
haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento
e oitenta dias, sob pena de decadência.

Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver


benfeitorias de maior valor e, na falta de benfeitorias, o de quinhão maior.
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Se as partes forem iguais, haverão a parte vendida os comproprietários, que


a quiserem, depositando previamente o preço.

O erro da questão está na expressão “pro diviso”, quando o correto deveria ser
“pro indiviso”.
Imagine que três pessoas sejam proprietárias de um apartamento. Como não
há possibilidade de dividirmos o ap em 3 partes, trata-se de um exemplo de
condomínio pro indiviso. Nessa situação, para que uma das pessoas venda a
sua parte, ela deve oferecer primeiro aos demais coproprietários.
Por outro lado, imagine um condomínio com 3 casas, onde cada uma tem um
proprietário diferente. Trata-se de um condomínio pro diviso. Aqui, caso um
proprietário queira vender a sua casa, não há necessidade de oferecer
previamente aos demais condôminos.
Gabarito: A

18. (CESPE/TJDFT/AJOJ/2015) A cláusula de retrovenda, prevista nos


contratos de compra e venda, garante ao vendedor de coisa móvel ou imóvel o
direito de recobrá-la no prazo de cento e oitenta dias se a coisa for móvel, ou
de até dois anos, se imóvel.
Comentários
A retrovenda só pode ser aplicada quando o bem for imóvel, sendo de três anos
o prazo decadencial para recobrar o bem.
Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de
recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo
o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive
as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua
autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias.
Gabarito: ERRADA.

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19. (CESPE/TELEBRÁS/Analista Superior/2015) O contrato de compra e


venda é o meio pelo qual uma pessoa transfere a outra determinado bem,
mediante o pagamento, em dinheiro, de determinado valor. Nesse tipo de
contrato, o bem deve ser revendido em determinado prazo pelo comprador, com
a possibilidade de devolução, caso a venda não seja realizada.
Comentários
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A assertiva começa bem, mas derrapa na curva ao final.


Na expressão “Nesse tipo de contrato, o bem deve ser revendido em
determinado prazo pelo comprador, com a possibilidade de devolução, caso a
venda não seja realizada” temos uma característica do contrato estimatório e
não da compra e venda.
Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens
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móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando


àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido,
restituir-lhe a coisa consignada.
Gabarito: ERRADA.

20. (CESPE - Tecnólogo - Área Negócios Imobiliários – FUB - 2015)


Julgue os itens seguintes, relativos a contratos preliminares, de permuta, de
doação e de compra e venda.
Caso não haja estipulação em contrário no contrato de compra e venda, as
despesas com a escrituração e o registro serão de responsabilidade do
comprador.
Comentários
O item está Certo. Conforme art. 490 do CC, salvo cláusula em contrário,
ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do
vendedor as da tradição.

21. (CESPE - Tecnólogo - Área Negócios Imobiliários – FUB - 2015)


Julgue os itens seguintes, relativos a contratos preliminares, de permuta, de
doação e de compra e venda.
É permitida a doação de bens imóveis ao nascituro por instrumento público ou
particular, sendo necessária a anuência do respectivo representante legal.
Comentários
O item está Errado. Conforme art. 542 do CC, a doação feita ao nascituro
valerá, sendo aceita pelo seu representante legal. No entanto, conforme art.
541 do CC, a doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.

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22. (CESPE/CD/Analista Legislativo/2014) No contrato de prestação de


serviços, há dependência econômica, subordinação e obediência hierárquica
entre o prestador ou locador e o tomador dos serviços ou comitente.
Comentários
Sabemos que o contrato de prestação de serviço possui natureza residual.
Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis
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trabalhistas ou a lei especial, reger-se-á pelas disposições deste


Capítulo.
Se houver dependência econômica, subordinação e obediência hierárquica entre
o prestador ou locador e o tomador dos serviços teremos um contrato regido
pela legislação trabalhista e não um contrato de prestação de serviços.
Gabarito: ERRADA.
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23. (CESPE/TCE-SC/Auditor de Controle Externo/2016) Em se tratando


de comodato celebrado verbalmente sem prazo determinado, admite-se a
presunção do tempo necessário à retomada do bem.
Comentários
Vide art. 581 do CC.
Art. 581. Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-
lhe-á o necessário para o uso concedido; não podendo o comodante,
salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz,
suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo
convencional, ou o que se determine pelo uso outorgado.
Gabarito: CERTA.

24. (CESPE/CD/Analista Legislativo/2014) O comodato, empréstimo


gratuito de coisas infungíveis, é um contrato real, visto que só se completará
com a tradição do objeto ao comodatário, que passará a ter a posse direta da
coisa e o direito real de uso.
Comentários
O único erro da assertiva é afirmar que o comodatário terá o direito real de uso.
O direito de uso está previsto no art. 1412 do CC.
Art. 1.412. O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos,
quanto o exigirem as necessidades suas e de sua família.
§ 1o Avaliar-se-ão as necessidades pessoais do usuário conforme a
sua condição social e o lugar onde viver.
§ 2o As necessidades da família do usuário compreendem as de seu
cônjuge, dos filhos solteiros e das pessoas de seu serviço doméstico.

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Gabarito: ERRADA.

Por hoje é só, pessoal! Continuem firma na luta.


No final tudo valerá a pena.
Bons estudos!!!
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