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R E VI STAS , M AG ZI NE S

E P ER I ÓD IC OS

T E X TO S E C O N T E X TO S
LIVROS X REVISTAS

• Diferente do livro, pois o seu conteúdo não se destina à uma mensagem atemporal.

– A revista aspira marcar presença imediata na atualidade. Sua intensidade reside em um presente onde ainda estão
incrustadas, que já virou passado;

– São imediatas; transitórias.

• A revista possui "um compromisso muito maior com a sua própria conjuntura política, social e cultural e, de
certo modo, de interferir sobre ela".

• Ler uma revista afim de entender: "a sua inserção política, o seu papel social, a sua função cultural, o seu projeto
estético e, principalmente, a vitória ou o fracasso de suas apostas ideológicas na época em que circularam".
REVISTAS X JORNAIS

• Jornal: estão envolvidos em estruturas econômicas mais poderosas; lidam com os fatos no calor da hora;

• Revistas: possuem dificuldades de financiamento e distribuição; são menos rígidas com o tempo e seus
editores possuem mais tempo e espaço para trabalhar um assunto;

– "criação de textos mais analíticos e expande o lugar dos autores que firmam seus próprios textos e mantêm
uma certa autonomia".

• Revista está entre a transitoriedade do jornal e a transcendência do livro;

– Hibridismo da revista = possuem cunho jornalístico e, ao mesmo tempo, artístico-intelectual;


REVISTAS E AMÉRICA LATINA

• Século 19, mercado editorial precário;


• Escritores: não visavam a profissionalização, disputavam as páginas dos periódicos com as notícias para divulgar seus contos e
poesias;

• Virada do Século 19 pro 20 = jornalismo se transforma em grande empresa;


– vista como um negócio;

– Veiculam o que é rentável como forma de suprir lacuna (explorar nichos de mercado);

– Estabelecem uma relação entre o que o público quer ler e consumir e o que elas querem vender e induzir ao gosto;

– Vendiam uma visão de mundo camuflada de entretenimento;

– Encaram-se como representantes da opinião média do público;


REVISTAS E AMÉRICA LATINA

• Início do século 20: urbanização, incremento dos setores médios, expansão da educação (aumenta o
leitor e o mercado editorial), modernização dos meios de comunicação;
– Substitui-se o cronista pelo repórter;

– Temos o surgimento do escritor profissional;

– A notícia tomou o lugar da literatura no jornal, como reflexo do imediatismo;


A REVISTA E SUAS CONFIGURAÇÕES

• Literatura sai do jornal e vai para as revistas ou suplementos;


– Se perdem a importância na opinião pública, pelo menos ganharam mais importância no panorama literário;

• Dedicaram-se não apenas aos contos e crônicas, mas se tornaram o lugar de enunciação específico: "a partir do
qual se podia criar, opinar, criticar e questionar".

• A revista é o local onde convivem: literatos, críticos, militantes políticos e intelectuais;


– Revista = projeto coletivo; ponto de vista de um grupo, sua intervenção político ideológica.

– Ponto de confluência de propostas políticas e culturais = rede de intelectuais;

• Apesar de não tão populares quanto os jornais, também eram dinâmicas.


– Atingindo públicos para além de seus estados de origem.
A REVISTA E SUAS CONFIGURAÇÕES

• Literatura sai do jornal e vai para as revistas ou suplementos;


– Se perdem a importância na opinião pública, pelo menos ganharam mais importância no panorama literário;

• Dedicaram-se não apenas aos contos e crônicas, mas se tornaram o lugar de enunciação específico: "a partir do
qual se podia criar, opinar, criticar e questionar".

• A revista é o local onde convivem: literatos, críticos, militantes políticos e intelectuais;


– Revista = projeto coletivo; ponto de vista de um grupo, sua intervenção político ideológica.

– Ponto de confluência de propostas políticas e culturais = rede de intelectuais;

• Apesar de não tão populares quanto os jornais, também eram dinâmicas.


– Atingindo públicos para além de seus estados de origem.
O ESTUDO DAS REVISTAS (CRESPO)

• Pesquisas sobre revistas: nascem na crítica literária;


– Viam as revistas como agentes construtores de cânones e tradições; e difusão de correntes artísticas, literárias, estéticas.

– Inicialmente as revistas eram utilizadas como forma de complementar os estudos de autores;

• Passam a serem entendidas em sua relação com grupos de intelectuais e contextos históricos e
socioculturais;
– Entender as revistas no problemático e inevitável cruzamento entre as esferas da cultura e da política;

• Revistas são, portanto, entendidas como "núcleos de debates culturais", que funcionavam como uma
espécie de "tribunas do pensamento";
O ESTUDO DAS REVISTAS (MARTINS)

• Sobre a Revista enquanto fonte histórica (desde o século XIX);

• Os métodos da Nova História abrem novas perspectivas;

– "suporte rico e diversificado de documentos, síntese privilegiada de instantâneos reveladores de processos históricos,
representação material de práticas de consumo, usos e costumes".

– Em um único suporte encontramos: texto, imagem, técnica, visões de mundo e imaginários coletivos.

– Texto, imagem, reclames e seções, "evocam em seu conjunto, de imediato, o quadro histórico em que se pretende transitar";

• Perigo: tem-se a impressão de que a realidade está diante de seus olhos;

• No entanto, a recorrência às revistas como fonte somente é válida se: "levarmos em consideração as condições de sua
produção, de sua negociação, de seu mecenato propiciador, das revoluções técnicas a que se assistia e, em especial, da natureza
dos capitais nele envolvidos".
O ESTUDO DAS REVISTAS (CRESPO)
• Caminhos para estudar as revistas:
• a) "baluartes culturais":
– analisadas simultaneamente como polo emissor e campo de intersecção de propostas culturais, artísticas, literárias e políticas;
– implica necessariamente conhecer a sua organização interna e seu organograma.

• b) porta-vozes de um partido:
– A partir da análise da linha editorial, artigos e notícias,
– acompanha-se a evolução ideológica, os posicionamentos
– políticos e a luta pela hegemonia da revista;

• c) relações da revista e público leitor:


– Revista faz política cultural.
– Entender os projetos que uma revista defende e as respostas que dá ao seu contexto imediato, a partir de seu próprio lugar
(geográfico, social e ideológico) de enunciação.
– Identificar público fiel a tais propósitos.
O ESTUDO DAS REVISTAS

• Tais opções metodológicas não são excludentes.

– Além disso, é preciso levar em conta o público com as quais elas dialogam, mas também, as outras correntes
com as quais se antagonizam.

– competem não apenas ideologicamente, mas, também, um público comum.

• É fundamental procurar entender as relações de sociabilidade intra e inter-revistas;

– mesmo que de maneira antagônica, podem ajudar na compreensão da existência de uma "rede de intelectuais";
REVISTAS NA HISTÓRIA DA AMÉRICA
LATINA
• 1920 - 1950: Momento de efervescência artística, política e cultural = momento de proliferação das
revistas.

– Nacionalismo x Cosmopolitismo;

– Difusão de autores europeus que não eram traduzidos (independência das editoras e dos grandes livros);

– acompanhar sua evolução tanto interna quanto externa (construção de genealogias e o estabelecimento de um
mapa de relações ideologias, políticas, mas também pessoais e afetivas)

• Geração de projetos político-culturais para a solução de problemas específicos do momento;


A REVISTA SUR
• O estudo de Grupos Culturais e a modernidade
– Vanguardas e protagonismo nos debates de uma época e definem
posições no campo intelectual;
– Dificuldades de estudo: objetos efêmeros, escorregadios e
relaxados
– Dificuldade de fontes: testemunhos pessoais por vezes
contraditórios

• Estudo de Revista pode sofrer do problema oposto: abundância de


temas e longevidade;

• Revista Sur é um grupo cultural?


– Existência de um núcleo duro: “grupo Sur”;
– Quais fatores levaram a reunir tais pessoas oriundas de âmbitos
distintos?
– Victoria Ocampo e sua rede de relações (não apenas amizades).
A REVISTA SUR
• Grupo de amigos movidos por inquietudes intelectuais afins?
– Nem todo grupo de amigos se converte em um grupo
cultural.
• Para que isso ocorresse foi preciso alguns fatores:
– 1) A Concepção do Projeto elaborado por Waldo Frank;
– 2) O Papel articulador de Victoria Ocampo ocupou
(mecenas);
– 3) Sociabilidade de classe de profissionais dos princípios
dos anos 20 e predisposição a formação de grupos
culturais (mercado editorial);
• Apesar das diversidades de origem:
– Possuíam certas disposições comuns, próprios dos
descendentes de famílias educadas e com várias gerações
estabelecidas no país.
A REVISTA SUR
• Já o sucesso da Sur:
– “A posição no campo literário em relação aos
habitus e capitais culturais e sociais” de seus
integrantes.

• Detalhes do grupo:
– Os integrantes do grupo não tinham relações com
instituições públicas ou partidos políticos;
– Ocampo não era apenas mecenas, mas aquela
quem montou e designou os conselhos editoriais.
– O grupo se portava como uma espécie de
“família”;
– Não foi o grupo quem montou a Revista, mas a
Revista quem montou o grupo
REVISTA SUR, PERIODIZAÇÃO
• Contexto: história intelectual (bidimensional);
– Contexto histórico
• “Se por um lado não é certo estabelecer relações mecânicas entre as condições econômicas e políticas e culturais,
tampouco é certo ignorar a dinâmica própria dessas últimas”
• 1930: Década Fraudulenta
• 1935: ascensão dos regimes totalitários
• 1940-45: segunda guerra mundial
• 1950: Peronismo
• 1960: Revolução Cubana
– Campo literário
• A cena literárias, vazio?
• 1950: Colégio de Libres Estudios Superiores e a profissionalização dos intelectuais.

• O ocaso da revista está relacionado à profundas transformações do campo intelectual das décadas
de 1960 e 1970
– Será? Auge 1945!
SUR: TEMAS E POSSIBILIDADES DE
ESTUDOS
• Projetos em Transformações
• O tema dos intelectuais: moralidade do compromisso
– Ortega y Gasset x Benda;
• Questões estéticas, ensaio e poesia;
• Debates ideológicos;
• Estrutura de Sentimento:
• “O que nos inquietava (...) era o problema de um continente cuja união desejávamos. Esta
união existia para nós através do que de fato, e obedecendo a uma lei espiritual, está sempre
ligado: uma elite de escritores”
NOTAS FINAIS
• Questionamentos necessários para o uso de revistas como suporte para história intelectual:
– localizá-las no contexto em que circularam,

– procurar entender como interagiram com a sociedade

– com que setores sociais queriam dialogar e com quais de fato dialogaram,

– como interferiam em seu presente;

– como defenderam ou combateram determinadas posições políticas, culturais e estéticas;

– como recorreram e mobilizaram outras linguagens (visando público mais amplo)

– existia um projeto estético por trás disso?

• Observando-se a tais critérios, vê-se que "longevidade, regularidade e hegemonia cultural" não são
suficientes para medir a importância de uma revista;
ESTUDO DAS MAGAZINES
• Na passagem do século, as revistas passam de um tom generalista para um tom de segmentação;

– Estabelece assim dois eixos para se compreender as revistas neste momento: segmentação e ilustração;

• A princípio, corresponder às expectativas do consumidor é o pré-requisito de uma revista;

– Falta de segmentação, motivos:

• 1) formação tardia de um público leitor;

• 2) atraso da chegada da imprensa;

• 3) Parco desenvolvimento de um consumo pela presença da escravidão;

• 4) Alto analfabetismo;
MAGAZINES NO BRASIL
(INÍCIO SÉC. 20)
• Diante do número variado de revistas é possível estabelecer uma sistematização de temáticas, que
acabam por delinear um público leitor e permite vislumbrar a emergência de uma segmentação;

• Após a virada do século existe o surgimento por novas demandas, como: esportes, infantis, corporativas
e cinematográfico;
– Tal delimitação de segmentação do público consumidor permite também delimitar a segmentação geográfica,
econômica e social que norteou a imprensa;

• Mais de 200 títulos nas primeiras 3 décadas das revistas paulistanas;

• No surgimento da república chama a atenção as revistas educacionais;


MAGAZINES NO BRASIL
(INÍCIO SÉC. 20)
• O sucesso das revistas de educação se explica pela própria expansão da educação que possibilitou o
surgimento de um público letrado mais amplo:
– "E mais: conquistava-se novo espaço para o homem de letras colocar-se graficamente, voltado para um público
efetivamente consumidor do impresso ".

– da mesma forma que a educação, o caráter laico do Estado Republicano deu margens ao surgimento de revistas
científicas;

• Por meio delas, as instituições ganhavam respaldo e legitimidade;


– Ao mesmo tempo, a liberdade de culto assegurado pelo estado, permitiu uma difusão de outras revistas ligadas a
outros tipos de fé e destacando o papel do laico.
MAGAZINES: SEGMENTAÇÃO

• Revistas agrícolas (mundo rural que garantia o progresso da nação);

• Revistas esportivas;

• "Com vistas a ampliar esta população leitora, estavam as estratégias de venda — da coleção de fotos de atletas
da moda à organização seriada de coleções — o que garantia a circulação do periódico entre faixas etárias
diversas, atingindo, principalmente, o público jovem".

• Revistas étnicas;
MAGAZINES: SEGMENTAÇÃO

• Revistas femininas;

– Educação e alfabetização das mulheres, profissionalização e ressonância de movimentos sufragistas;

– Ao mesmo tempo, as revistas pretendiam ser o "espelho da moda" da jovem republicana;

• Não apenas as revistas de mercado ganharam espaço;

– Surpreendentemente, o número maior de revistas estavam ligados aos movimentos de trabalhadores;

– "libertárias. Coube-lhes papel importante na efetiva divulgação da leitura e consumo do impresso, numa
proporção até mais acentuada que aquela da imprensa burguesa, conformando o público operário ao exercício
das letras e às práticas culturais de sua classe, entre elas, o teatro".

• Por fim: a explosão das revistas infantis!


MAGAZINES: SEGMENTAÇÃO

• Toda esta rica gama de temáticas, públicos e conteúdos merece estudos circunstanciados no quadro da
revista como fonte histórica.

• É temerário limitar-se tão-só à análise do discurso destas publicações; ou pinçar de seus textos frases
e/ou parágrafos avulsos;

– "Assim como é imprescindível o cotejo com suas partes, bem como imperiosas sua contextualização e
decodificação, seja na instância de sua emergência como naquela da desconstrução do discurso e na análise das
ilustrações que a compõem".
MAGAZINES E AS IMAGENS

• Ilustração: "representação com forte carga documental, merecendo breve incursão".

• O sucesso das imagens na virada do século 19 pro 20:


– “a proliferação de periódicos no País sem tradição de casas editoras de livros; a emergência de talentos literários e artistas
plásticos que se valiam das revistas como espaço quase exclusivo para a colocação profissional; a modernização técnica da
imprensa, otimizando as tiragens e os recursos gráficos”.

• A imagem não tinha apenas a função de complementar o texto, mas transmitia uma mensagem em si;
– Neste ponto, a revista se destacou em relação ao jornal;

– conjugaram-se literatura, arte e técnica, estreitando o convívio e descobrindo novas linguagens afins;

– Abriu-se espaço para: ilustrador, fosse litógrafo, caricaturista, desenhista, pintor ou fotógrafo, o profissional
imprescindível das revistas do período.
• Caricaturas
MAGAZINES E A ARTE
• A revista como espaço para o ensaio da arte;

• Esta instância em particular requer análise meticulosa, seja pela carga de informações que carrega, pela evolução significativa da
forma e pelo aflorar de novas mentalidades que, subliminarmente, colocam-se neste circuito de representações.
– "O conhecimento sobre a formação do artista e sua rede de influências, patrocínios e mercados evidencia-se como demanda
premente para a análise desta nova produção artística, inserida em contexto diverso daquele tradicional e seleto dos raros
cultores da arte".

• - Revista, local para se propagar projetos de Brasil na forma escrita ou pintada: Românticos, Modernos ou Parnasianos;
– "Assiste-se, pois, através do periodismo, à veiculação exaustiva de símbolos, configuradores de grupos, classes sociais, partidos,
governos, projetos, valendo-se da pluralidade de imagens e tratamentos gráficos".

– aquelas imagens também poderiam ser consumidas por um Brasil com 80% de sua população analfabeta.

• Papel da fotografia:
– Flagrar os instantâneos urbanos que expunham novos hábitos e sociabilidades em meio a tantas transformações, veiculando a
modernidade que se procurava imprimir nos espaços da cidade.