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Gestão Industrial II

1ª edição

Gestão Industrial II

Luiz Carlos de Freitas

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Gestão Industrial II

DIREÇÃO SUPERIOR
Chanceler Joaquim de Oliveira
Reitora Marlene Salgado de Oliveira
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA


Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira
Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva

FICHA TÉCNICA
Direção Editorial: Diogo Pereira da Silva e Patrícia Figueiredo Pereira Salgado
Texto: Luiz Carlos de Freitas
Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes
Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos
Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃO GERAL:
Departamento de Ensino a Distância
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói

F866ge Freitas, Luiz Carlos de.


Gestão industrial II / Luiz Carlos de Freitas ; revisão de Rafael Dias
de Carvalho Moraes. – 1. ed. – Niterói, RJ: ASOEC - Universo.
Departamento de Ensino à Distância, 2019.
215 p. : il.

1. Indústrias. 2. Contabilidade. 3. Contabilidade de custo. 4.


Balanço (Contabilidade). 5. Análise contábil e financeira. 6. Custo
industrial. 7. Processos de fabricação. 8. Produtos industrializados -
Administração. 9. Engenharia de produção. 10. Ensino à distância. I.
Moraes, Rafael Dias de Carvalho. II. Título.

CDD 338.981
Bibliotecária responsável: Elizabeth Franco Martins – CRB 7/4990

Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a
ASOECpelo conteúdo do t exto formulado.
© Departamento de Ensi no a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).

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Gestão Industrial II

Palavra da Reitora

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,


exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSOEAD, que reúne os diferentes
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero
bem-sucedidas mundialmente.

São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio


dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se
responsável pela própria aprendizagem.

O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que


permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo o
momento, ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de
nossa plataforma.

Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores


especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.

A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a


distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.

Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando


as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.

Seja bem-vindo à UNIVERSOEAD!


Professora Marlene Salgado de Oliveira
Reitora.

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Gestão Industrial II

Sumário

Plano da disciplina .............................................................................................................. 07

Apresentação da disciplina ................................................................................................ 09

Unidade 1 – Conceito Básico de Contabilidade ............................................................. 15

Unidade 2 – Introdução à Contabilidade de Custos....................................................... 43

Unidade 3 – Fundamentos da Contabilidade de Custos ............................................... 67

Unidade 4 – Sistemas de Custeio de Produção e suas Aplicações ............................... 99

Unidade 5 – Relações: Custo/Volume/Lucro ................................................................... 133

Unidade 6 – Formação do Preço de Vendas.................................................................... 167

Considerações finais ........................................................................................................... 201

Conhecendo o autor ........................................................................................................... 203

Referências ........................................................................................................................... 205

Anexos .................................................................................................................................. 207

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Gestão Industrial II

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Apresentação da Disciplina

Prezado(a)s aluno(a)s

A disciplina Gestão Industrial II tem por objetivo disponibilizar ao aluno os


conhecimentos e habilidades para a gestão dos custos no exercício de suas
atividades nos processos de produção de produção ou serviços para atingir as
metas perpetuidade no mercado em que atua.

O ponto de partida será conhecer como as práticas da contabilidade orienta as


etapas da contabilidade de custos considerando que todo processo de produção
de demanda origem e aplicação de fatores de produção(tecnologia, material,
capital, trabalho) para que possa realizar sua apropriação nas etapas do processo e
fornecer subsídios para orientar o gerenciamento dos recursos materiais, humanos
e financeiros, de atividades, capitais, etc. Nesse contexto a identificação dos
métodos de custeios apropriados às características da empresa poderá ser utilizado
não só para otimizar os custos como compreender seu papel na formação dos
preços finais capaz de dar lucro e competir no mercado. Assim, vamos
compreender o método de custeio por absorção, por departamentalização, por
atividades(ABC), custeio direto e indireto.

Outro fator importante a ser analisado é a identificação dos custos quando o


processo de produção acontece em fases diversas em área ou departamentos ou
centros de custos diferentes. As apurações destes custos estão relacionadas ao
assunto conhecido como custos conjuntos e possibilitam a empresa conhecer
composição dos custos em cada etapa do processo e assim orientar as decisões.

Os custos totais compõem o preço final, orienta a recuperação do


investimento tanto financeiro como temporal, quando fornecerão subsídios
estabelecer o break-even point que indicará quantidade necessário de produção
para sua recuperação e a partir dessa quantidade a empresa terá lucros.

E para fechar os estudos, veremos a formação dos preços com todas suas
variáveis e forma apurar o equilíbrio que poderá ser o contábil, financeiro ou por
margem de contribuição e de segurança.

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Gestão Industrial II

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Gestão Industrial II

Plano da Disciplina

Unidade 1 - Conceito Básico de Contabilidade

Nesta primeira unidade faremos um estudo sobre os principais conceitos e as


características da Contabilidade e compreender como são aplicados nos processos
de gestão da empresa industrial tanto no que se refere ao seu controle como para
tomadas de decisão como o ponto de partida para compreender nas unidades
seguintes a utilização da gestão de custos e financeiro da empresa industrial.

Objetivos da unidade:

 Conhecer os conceitos e a aplicação da Contabilidade na gestão


industrial

 Conhecer os objetivos e finalidade da aplicação da contabilidade na


gestão industrial

 Conhecer a composição do patrimônio empresarial para o controle


na gestão empresarial

 Conhecer a estrutura do Balanço Patrimonial e suas contas

 Conhecer as contas de despesas e receitas na gestão industrial para


apuração dos resultados financeiros

 Identificar a origem dos recursos como auxílio da gestão industrial

 Identificar as contas de receitas no patrimônio empresarial.

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Gestão Industrial II

Unidade 2 - Introdução à Contabilidade de Custos

Depois de uma breve introdução à Contabilidade e entender sua contribuição


no contexto da disciplina que orienta a identificação da origem e aplicação dos
recursos, bem como o registro e controle do patrimônio, nesta unidade teremos a
oportunidade de conhecer a Contabilidade de Custos que teve origem nos
ambientes das empresas industriais para controle dos estoques.

Objetivos da unidade:

 Conhecer o processo histórico da Contabilidade de Custos

 Identificar as etapas da utilização do controle de estoques como


primeiro passo da Contabilidade de Custos.

 Compreender a importância do custeio dos custos como parâmetro


de gestão.

 Conhecer o papel da contabilidade gerencial e financeira na gestão


dos custos.

 Identificar os custos diretos, indiretos e demais componentes na


produção.

 Conhecer a esquematização da Contabilidade de Custos como


gestão industrial

 Adequar as ações de gerenciamento à gestão dos custos de


produção.

Unidade 3 – Fundamentos da Contabilidade de Custos

Após tomar conhecimentos dos principais conceitos e variáveis dos custos a


serem geridos nas operações industriais, podemos avançar e identificar os custos
em processos de fabricação comum no cotidiano da produção empresarial.

Veremos também, que existem outras formas de gestão do custo de


fabricação obedecendo as diversas etapas dos processos de produção. No caso da
produção por processo ou contínua, também conhecida como em série ou em
massa, a produção fornece uma saída contínua de produtos ou produtos

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Gestão Industrial II

homogêneos, podendo ser um único produto(automóvel) ou diversos produtos


homogêneos(refrigerantes, artigos farmacêuticos).

Objetivos da unidade:

 Identificar os custos de produtos e os de período.

 Aplicar o rateio dos custos de produtos e de período

 Gerenciar os custos por processo

 Realizar a distinção entre os custos por ordem e por processo.

 Implementar uma cultura de qualidade na gestão dos custos

 Reconhecer os critérios de gestão dos custos por


departamentalização

 Realizar o rateio dos custos por departamentos.

Unidade 4 - Sistemas de Custeio de Produção e suas Aplicações

Nessa unidade faremos um estudo sobre os sistemas de custeio de produção,


ou melhor, a apropriação dos custos do processo de fabricação que tem por
objetivo auxiliar na orientação da gestão industrial e na identificação de seu
comprometimento nos preços para atingir as metas de longo prazo que é a
perpetuidade da empresa.

Objetivos da unidade:

 Identificar o custo de oportunidade na fabricação de um produto,

 Apurar o custo de oportunidade para na formação dos preços de venda

 Apurar os custos dos produtos em produção conjunta

 Aprimorar o sistema gerencial de custos na utilização de mesmo fator de


produção.

 Estruturar o gerenciamento de custo por absorção.

 Identificar o custeio baseio em atividades como método de gestão de


produção.

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Gestão Industrial II

Unidade 5 – Relações: Custo/ Volume / Lucro

Na continuidade de nossos estudos na gestão industrial, após aprofundar


conhecimentos sobre os métodos de custeio, vamos avançar analisando a relação
existente entre o custo, o volume de produção e o lucro como estratégia necessária
para que eficácia na produção e a obtenção dos lucros a que a empresa se destina.

Objetivos da unidade:

 Compreender a importância da análise custo/volume\lucro no


processo de gestão dos custos na produção.

 Compreender a aplicação dos ponto de equilíbrio para identificar o


volume de produção necessária para cobrir os custos e fomentar o
lucro.

 Conhecer os métodos de gestão dos custos pelos variados pontos de


equilíbrio para atender a determinada necessidade.

 Compreender como utilizar a margem de contribuição e margem de


segurança na gestão de custos na produção industrial

 Desenvolver competências para estabelecer o custo-padrão


necessário a alocação entre os centros de custos ou departamentos.

 Identificar as variações dos custos-padrão como auxílio à gestão


industrial.

Unidade 6 - Formação do Preço de Vendas

Nesta última unidade da disciplina e após compreender os procedimentos que


orientam a gestão em suas diversas fases da produção e áreas na empresa, vamos
compreender os procedimentos que a empresa deverá adotar para formar os
preços de venda e gerir a produção e o financiamento do capital, da produção e
dos investimentos.

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Gestão Industrial II

Objetivos da unidade:

 Conhecer os componentes na formação dos preços de vendas.

 Identificar os procedimentos de formação dos preços de vendas

 Compreender os procedimentos de formação dos preços pelo mark-


up, com base no lucro, na receita líquida e a preço de mercado.

 Compreender os processos de apuração do grau de alavancagem


operacional.

 Compreender os critérios de apuração da alavancagem financeira

 Desenvolver a utilização do grau de alavancagem operacional e


financeira como instrumento de tomada de decisão.

Bons estudos!

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Gestão Industrial II

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Gestão Industrial II

1 Conceito Básico de
Contabilidade

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Gestão Industrial II

Prezado(a)s aluno(a)s,

Nesta primeira unidade faremos um estudo sobre os principais conceitos e as


características da Contabilidade e compreender como são aplicados nos processos
de gestão da empresa industrial tanto no que se refere ao seu controle como para
tomadas de decisão como ponto de partida para compreender nas unidades
seguintes a utilização da gestão de custos e financeiro da empresa.

O Balanço Patrimonial registra as contas e a situação da empresa em


determinado período de tempo, normalmente um ano, tendo três grandes grupos:
Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Por eles será possível identificar os bens,
direitos e obrigações que a gestão deverá se atentar, bem como apresentará a
situação líquida que poderá ser positiva ou negativa, ou seja, apresentado lucro ou
prejuízo.

Diante dessas contas e da apuração dos resultados, a empresa poderá ser


eficiente no controle das despesas que são necessárias para o cumprimento das
operações empresariais, mas, deverá ser controlada para que não comprometa os
resultados da empresa e haver desperdício de recursos.

Veremos também, o registro e conhecimento da origem dos recursos para


aplicação da empresa, ou seja, se são recursos próprios ou dos sócios que
possibilitará um resultado mais cômodo na gestão ou se são recursos de terceiros,
mediante dívidas que comprometem receitas futuras e consequentemente irá
exigir uma gestão de grande eficiência para não comprometer os resultados da
empresa.

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Gestão Industrial II

Objetivos da unidade:
 Conhecer os conceitos e a aplicação da Contabilidade na gestão
industrial

 Conhecer os objetivos e finalidade da aplicação da contabilidade na


gestão industrial
 Conhecer a composição do patrimônio empresarial para o controle
na gestão empresarial
 Conhecer a estrutura do Balanço Patrimonial e suas contas

 Conhecer as contas de despesas e receitas na gestão industrial para


apuração dos resultados financeiros
 Identificar a origem dos recursos como auxílio da gestão industrial
 Identificar as contas de receitas no patrimônio empresarial.

Plano da unidade:
 Conceitos Básicos de Contabilidade

Campo de aplicação da Contabilidade.


 Principais conceitos contábeis
 Objeto da Contabilidade.

 Objetivo da Contabilidade
 Finalidade da Contabilidade
 Patrimônio: elementos básicos e constituição.

 Ativo, Passivo e situação líquida


 Resultado, despesas e receitas no Balanço Patrimonial
 Origens e Aplicação dos Recursos

Realize os estudos na sequência do conteúdo e para uma boa compreensão,


faça uma primeira leitura sem interrupção, seguida de uma segunda leitura
marcando os pontos principais e na terceira procure construir conhecimentos a
partir das anotações para desenvolver autonomia para realizar suas atividades.

Bons estudos!

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Gestão Industrial II

Conceitos Básicos de Contabilidade

A primeira questão a responder nesses estudos está relacionada aos objetivos


da Contabilidade na formação do engenheiro de produção e nesta unidade
estaremos compreendendo os principais conceitos e aplicação dos diversos
conhecimentos nas tomadas de decisão na gestão industrial. Pois a área contábil
da empresa armazena e organiza os dados que são fundamentais para conhecer a
saúde econômica e financeira da empresa.

Vamos refletir!

Então, podemos perguntar: o que é Contabilidade?

Veremos alguns conceitos, considerando que a Contabilidade é uma ciência


que pode ser incluída no grupo das ciências econômicas e administrativas que dão
o suporte às estratégias estabelecidas.

 Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação


destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de
natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à
entidade objeto de contabilização(IBRACON apud, RIBEIRO, 1999 p. 33).

 A Contabilidade é uma ciência que permite, através de suas técnicas,


manter um controle permanente do Patrimônio da empresa(RIBEIRO
1999, p. 33).

Importante entender saber que o conceito oficial de Contabilidade foi


formulado no primeiro Congresso Brasileiro de Contabilistas, na cidade do Rio de
Janeiro, no período de 17 a 27 de agosto de 1924, assim descrito: “Contabilidade é
a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de controle e de registro
relativas à administração econômica.”(Deliberação no 29186 apud RIBEIRO 1999,
p.33).

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Gestão Industrial II

Pode-se verificar que, mesmo possamos encontrar vários conceitos,


verificamos que todos convergem para o controle e análise do patrimônio, por
meio das informações contábeis. Assim, mesmo que possa encontrar na
Contabilidade algumas ramificações, sua teoria é voltada para a estática
patrimonial, dinâmica patrimonial e o levantamento patrimonial, estabelecendo
assim, princípios e regras de conduta; e suas possíveis aplicações a serem
praticadas pelos profissionais da área contábil. Essa estática patrimonial é definida
como o estudo dos valores que compõem o patrimônio pela sua forma, estrutura,
valor e equilíbrio.

Em contrapartida, verifica-se que a dinâmica patrimonial está voltada para o


estudo do investimento de valores monetários, ou seja, aplicação de recursos; e
para as fontes de financiamento que é o mesmo que captação de recursos.

Os levantamentos realizados do patrimônio, representa uma relação entre a


natureza estática e dinâmica patrimonial, pois estuda a forma de registrar e
disciplinar os fenômenos ocorridos, de modo que possa facilitar as interpretações,
de maneira clara e lógica. Então, a Contabilidade, enquanto ciência aplicada,
sugere o envolvimento da utilização de técnicas ou procedimentos que a
Contabilidade teórica, com os princípios e regras, formalizou para a execução das
aziendas(empresas e entidades),. Como exemplo, têm-se a diferenciação da
empresa face à empresa e sua formação, a estruturação dos fatos concernentes às
compras, vendas, pagamentos e recebimentos, fechamento das contas,
levantamento dos resultados e do balanço da empresa.

Após entender como a Contabilidade pode contribuir na dinâmica da gestão


empresarial seja industrial ou não, vamos avançar e compreender outros conceitos
fundamentais na compreensão da gestão econômica e financeira a partir dos
dados da estática patrimonial.

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Gestão Industrial II

Campo de aplicação da Contabilidade.

Abrange a todas as pessoas que possuem patrimônio, seja física ou jurídica.


Enquanto pessoa jurídica, pode ser entidades ou empresas privadas, públicas
municipais, estaduais ou federais, ou mistas, ou seja, podendo ser toda e qualquer
azienda.

Importante!

Azienda é o conjunto de obrigações, bens materiais e direitos,


representações em valores ou suscetíveis de apreciação econômica, constitutivos de
um patrimônio, considerado juntamente com a pessoa natural ou jurídica que sobre
ele tem poderes de administração e disponibilidade, fazenda(FERREIRA, 1999, p. 245).

Percebe-se que azienda é o mesmo que fazenda, mas, não no sentido de peça
de pano ou estrutura de fazenda rural. Vemos que no país o Ministério da Fazenda
é uma pessoa jurídica de direito público e tem por objetivo fornecer bens e
serviços à sociedade sem a contrapartida de valor cobrado. Em contrapartida, tem-
se as empresas que tem por objetivo a obtenção de lucro ao fornecer produtos ou
serviços aos consumidores.

Abrange também às instituições sem fins lucrativos como as de assistência


social, fundações, ONGs, etc. Inclui-se ainda, as pessoas físicas que são imbuídas de
direitos e obrigações a partir de seu nascimento e registro nos cartórios de registro
civil de pessoas naturais.

As pessoas jurídicas se constituem pelos atos praticados para produção ou


circulação de bens ou serviços(as sociedades empresariais) e aquelas que não
praticam aos de comércio (sociedade simples) e são registradas em órgãos
competentes, dependendo do tipo de sociedade, tais como: sociedades
empresariais, na junta comercial de cada Estado; sociedade simples, no cartório
civil de pessoas jurídicas(quando registradas, tornam-se sociedade de direito e
legal).

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Gestão Industrial II

Um exemplo de aplicação da Contabilidade se relaciona ao Imposto de Renda,


que tem uma aplicação contábil realizada a cada ano, mediante a busca de
informações ou prestação de contas do patrimônio da pessoa física e jurídica junto
à Receita Federal. O objetivo de nossos estudos será aplicação nos ambientes das
organizações empresariais e mais especificamente direcionado para as empresas
industriais.

Principais conceitos contábeis

Vimos que a Contabilidade fornece informações obre o patrimônio da empresa


e vamos avançar tanto em seus aspectos teóricos, bem como práticos da área de
conhecimento.

Objeto da Contabilidade.

Podemos dizer que o objeto da Contabilidade é o patrimônio e que ela registra


todas as transações que acontecem na entidade por meio dos lançamentos
contábeis, possibilitando obter informações sobre a variação da composição de
bens, direitos, obrigações, formação de lucro ou de prejuízo no período apurado,
tanto fisicamente quando monetariamente.

Assim, tem-se que as informações devem inspirar confiança e segurança aos


usuários com agilidade. As informações devem respeitar o nível de conhecimento
de quem destina, pois somente dessa forma será possível utilizá-las para a tomada
de decisão.

Objetivo da Contabilidade.

Seu objetivo é controlar o patrimônio das aziendas mediante a utilização de


técnicas contábeis. Para tanto, se baseia em seus princípios que, no Brasil são
regulamentados pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade(CFC) 750,
de 29 de dezembro de 1993.

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Gestão Industrial II

São eles.
 Princípio da entidade.
 Princípio da continuidade.
 Princípio da oportunidade.

 Princípio do registro pelo valor original.


 Princípio da utilização monetária.
 Princípio da competência.
 Princípio da prudência.

O princípio da entidade se baseia na autonomia do patrimônio pertencente à


azienda, em relação a todos os outros patrimônios existentes. Portanto, não se
pode confundir com os patrimônios dos seus sócios ou proprietários.

A partir do controle do patrimônio, as informações são geradas para atender ao


objetivo final da Contabilidade.

Finalidade da Contabilidade

Pode-se concluir que a finalidade da Contabilidade é gerar informações, de


carácter econômico e financeiro a respeito das aziendas, ou seja, informações
quantitativas e qualitativas, expressas tanto em termos físicos quanto em termos
monetários. Assim, têm-se que a informação contábil é tão importante para os
usuários quanto para o gestor de negócios, que o CFC, no ano de 1995, aprovou na
Resolução 785 CFC, de 28.07.1995, referente às características da informação
contábil.

As informações procedentes da Contabilidade devem proporcionar aos seus


usuários base segura às suas decisões, satisfazendo as necessidades comuns a um
grande número de diferentes pessoas interessadas. Porém, na informação contábil
são indispensáveis alguns atributos, tais como, confiabilidade, tempestividade,
compreensibilidade e comparabilidade. Dessa forma, podemos concluir que para
atender as principais funções é o registro e controle dos atos e fatos
administrativos.

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Gestão Industrial II

Importante!

Atos Administrativos é uma ação praticada pela administração que não


provoca (podendo vir a provocar) alteração qualitativa e/ou quantitativa no
patrimônio da entidade, portanto, a princípio, não interessa à contabilidade.

Fatos Administrativos, que também são conhecidos como FATOS CONTABEIS,


são acontecimentos verificados na empresa que provocam variações nos elementos
patrimoniais, podendo alterar ou não, a situação Líquida Patrimonial.

As técnicas utilizadas as atividades contábeis são as seguintes:

 E escrituração, que compreende o registro dos fatos.

 Demonstrações contábeis, que são as demonstrações expositivas dos


fatos.

 Auditoria, que busca a confirmação dos registros e demonstrações


contábeis.

 Análise de balanços, que se constitui na análise e interpretação de


balanços.

Patrimônio: elementos básicos e constituição.

Então, qual o conceito de patrimônio?

Importante!

É o conjunto de bens materiais e/ou imateriais, avaliáveis em dinheiro e


vinculados à entidade pela propriedade privada ou por cessão a qualquer título, dos
quais a mesma possa dispor no giro dos seus negócios.( GRECO e AREND 1997, p. 35)

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Gestão Industrial II

O essencial do patrimônio é sua autonomia em relação aos demais


patrimônios existentes, o que significa que a entidade dele pode dispor livremente,
dentro dos limites legais, racionalidade econômica e administrativa.

O conceito de patrimônio deriva da seguinte equação:

 Bens + Direitos = Patrimônio Bruto

 Bens + Direitos – Obrigações = Patrimônio Líquido.

Chama-se de Passivo a Descoberto quando o resultado é negativo, ou seja,


quando as obrigações superam o valor dos bens e direitos.

Bens.

Bens é tudo o que possui valor econômico e que pode ser convertido em
dinheiro, sendo utilizado na realização do objetivo principal de seu proprietário.
São as coisas úteis, capazes de satisfazer as necessidades das pessoas e das
empresas e podem ser:

 Bens de capital, que são aqueles que se destinam a propiciar a


produção de outros bens, tais como, matéria-prima e insumos.

 Bens de uso ou de consumo, que são aqueles aplicados para a


satisfação das necessidades imediatas ou em apoio às operações, tais
como, computador e data show.

Assim os bens podem ser classificados da seguinte forma.

Quanto à natureza.

Bens materiais, tangíveis ou corpóreos que têm como característica principal


sua própria existência e tangibilidade: móveis, utensílios, veículos.

Imóveis, ou seja, os terrenos.

Bens imateriais, intangíveis ou incorpóreos, tendo como características


principais, sua inexistência física ou como coisa. Então trata-se de um bem
imaterial: marcas e patentes, direitos industriais, ponto comercial, royalties, entre
outros.

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Gestão Industrial II

Ainda podemos classificar os bens quanto à sua posse/propriedade,


independente da sua natureza, que pode ser:

Quanto à disposição.

Bens próprios, que se refere à propriedade detida pela empresa, podendo


estar em poder da mesma ou de terceiros.

Bens terceiro, que são os bens que a empresa tem posse, ou seja, está
usufruindo, perante promessa de devolução ou pagamento.

Outra forma de classificar os bens é sob o ponto de vista contábil, quando os


bens devem se suscetíveis de avaliação econômica e mensuráveis.

E podem ser.

 Bens numerários.

São aqueles que representam:

 Dinheiro em espécie; cheques de terceiros à sua disposição; vale-


refeição, vale-transporte; todos os guardados no cofre.

 Dinheiro e cheques de terceiros depositados em bancos;

 Dinheiro aplicado no mercado financeiro;

 Dinheiros, ordens de pagamento ou cheques remetidos às filiais da


empresa.

 Bens de renda.

São bens necessários ao desenvolvimento das atividades da empresa. Podem


gerar receitas quando alugados. Têm caráter de investimentos.

São exemplos de bens de renda: imóveis não destinados ao uso da empresa e


sim de terceiros; obras de artes; imóvel desativado como o uso de uma filial da
empresa, alugado a terceiros.

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Gestão Industrial II

 Bens de venda.

São os bens estocados na empresa para posterior venda ou revenda. Têm


caráter mercantil, tais como os produtos fabricados na empresa industrial e
vendidos. No caso das empresas comerciais, tem-se as mercadorias que são
adquiridas dos fornecedores para serem revendidas.

Direitos

São os créditos que a empresa possui de terceiros. São bens e valores


pertencem à empresa, mas que não estão e, poder dela. São os valores de
propriedade da empresa que estão em posse de terceiro, representados por títulos
de créditos que o titular ou direito receberá de terceiros, inclusive impostos.

São exemplos de direitos: locações a receber, duplicatas a receber, notas


promissórias a receber, impostos a recuperar.

Obrigações.

São bens em poder da empresa que pertencem a terceiros ou os direitos


cedidos por eles, gerando dívidas da empresa com os mesmos. São compromissos,
assumidos pela empresa de pagar alguém em determinada data.

São exemplos: duplicatas a pagar, salários a pagar, impostos a recolher.

Diante do que vimos, podemos avançar um pouco mais para a compreensão


matemática da equação de equilíbrio do patrimônio, o que nos leva a equação de
primeiro grau, onde separamos de um lado as aplicações dos recursos,
apresentados pelos bens e direitos adquiridos e do outro lado, as origens dos
recursos de onde surgiram os recursos para comprar os bens ou adquirir os
direitos, teremos a seguinte equação.

Imagine uma situação em que você tome de empréstimo em um banco


$20000,00, no período “n” e sem juros. A equação será dada por:

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Gestão Industrial II

ATIVO PASSIVO

Dinheiro em caixa: $20 000,00 Obrigações: $20 000,00

Total do ativo: $20 000,00 Total do passivo: $20 000,00

Passado algum tempo, resolveu comprar um eletrodoméstico no valor de


$5000,00.

ATIVO PASSIVO

Dinheiro em caixa: $15 000,00 Obrigações $20 000,00

Eletrodoméstico : $ 5 000,00

Total do ativo: $20 000,00 Total do passivo: $20 000,00

Podemos observar nesse exemplo simples que houve movimentação do


patrimônio, mas o equilíbrio entre a aplicação dos recursos e sua origem manteve-
se nas duas situações. Isto explica porque uma gestão eficiente dos recursos da
empresa acontece com os registros e controles corretos dos mesmos em todas
operações que se relacional a compras, vendas, empréstimos, pagamentos, etc.

As legislações relacionadas à Contabilidade mencionam demonstrações


financeiras para o controle das organizações empresariais, isto é o resultado
econômico da atividade contábil através do Balanço Patrimonial.

Vamos refletir!

Então o que é Balanço Patrimonial?

O Balanço Patrimonial, demonstra a situação patrimonial de uma empresa, com


ou fins lucrativos, em determinado tempo, apresentando o ativo, o passivo e o
patrimônio líquido, sempre sob valores históricos, ou seja, sob valores do momento
do lançamento.

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Gestão Industrial II

Vamos compreender como as variações que apresentamos podem influenciar


na situação patrimonial da empresa registrada pela Contabilidade.

Ativo, Passivo e Situação Líquida

Patrimônio

AT I V O PAS S IV O

Bens (B) Obrigações (O)

Direitos (D) Patrimônio Líquido ( PL)

Total do Ativo Total do Passivo

Ativo (A)

Sendo a Contabilidade a ciência do patrimônio, o ativo é a parte positiva do


patrimônio. São as aplicações de capitais. É o conjunto de valores que expressa o
investimento e no Balanço Patrimonial. É lançado do lado esquerdo.

Nele está contido, os bens e direitos que uma empresa possua aplicações
como recursos ou capitais.

De acordo com a Lei 6.404/76, o ativo é composto de três grupos de contas:

 Ativo circulante(longo prazo). Nesse grupo as contas são


agrupadas às outras contas e que os seus itens serão transformados
em dinheiro, consumidos ou vendidos a curto prazo, ou seja, dentro
de um ano.

 Ativo realizável(longo prazo). A diferença entre ativo realizável e


ativo circulante está no prazo. Enquanto no ativo circulante os itens
se movimentam em até um ano, no ativo realizável os itens se
movimentam a partir de um ano; por isso é um ativo de longo prazo.

28
Gestão Industrial II

 Ativo permanente. São ativos que a empresa possui e dificilmente


serão vendidos, pois não destinados à venda e sim a destinados à
formação de infraestrutura para a empresa, a fim de gerar resultados
positivo. Por isso, é intitulado como permanente, pois a empresa não
tem a intenção de vender; embora possa fazer a substituição, por
exemplo, por uma nova tecnologia.

Então tem-se que: A = B + D

Passivo (P)

O Passivo representa as dívidas ou as obrigações que a empresa tem com


terceiros, a curto e longo prazo. É a parte exigível do patrimônio, ou seja, valores
que os credores cobrarão com o vencimento. Por isso, são consideradas as
obrigações como elementos negativos, enquanto que os bens e direitos são
elementos positivos.

Então, o Passivo evidencia as origens dos recursos provenientes de terceiros


e conforme a Lei 6.404/76, é composto de quatro grupos de contas.

 Passivo circulante(exigível curto prazo). São as obrigações ou


dívidas que a empresa tem para com terceiros, vencíveis num prazo
de até um ano.

 Passivo exigível(longo prazo). São as obrigações ou as dívidas que


a empresa tem para com terceiros, vencíveis num prazo superior a
um ano.

 Resultados de exercícios futuros. Compõem o grupo de contas


posicionado do lado direito do Balanço Patrimonial, porém, pouco
utilizado na prática.

 Patrimônio Líquido. É a situação líquida patrimonial que a empresa


apresenta. Ou seja, após deduzir dos bens e dos direitos, as
obrigações de uma empresa, que representam o patrimônio bruto;
temos então o Patrimônio Líquido. Está posicionada também do lado
direto do Balanço Patrimonial, apenas por uma questão de
equilíbrio.

29
Gestão Industrial II

Patrimônio Líquido.

É obtido pela sobra quando somamos bens e direitos e deduzimos das


obrigações. Assim, o Patrimônio Líquido pode ser positivo, negativo ou nulo, é
também chamado de situação líquida patrimonial.

Embora esteja localizado do lado direito do Balanço Patrimonial, não é


elemento do Passivo Exigível e Passivo não-exigível, pois representa as obrigações
da empresa para com os proprietários. Representa a própria riqueza da empresa.

São registradas no Patrimônio Líquido, as origens de recursos próprios, dos


sócios, acionistas ou proprietários.

De acordo com a Lei 6 404/76, o Patrimônio Líquido é composto de:

 Capital social. Corresponde, numa sociedade anônima, ao total de


ações comprometidas na constituição da empresa.

 Reservas. São os valores acumulados no Patrimônio Líquido, para


posterior utilização.

 Lucros ou prejuízos acumulados. Se a empresa, no final do período,


sendo o exercício social igual a um ano, tiver lucro, o que sobra após
as devidas distribuições do lucro irá compor o saldo da conta lucros
acumulados.

Importante!

Se a empresa tiver prejuízo, não haverá distribuições a serem feitas, e,


ainda, diminuirá o Patrimônio Líquido, pois representará uma parte negativa.

Então, tem-se que o Patrimônio Líquido(PL), situação líquida patrimonial(SLP)


ou Passivo não-exigível, é o mesmo que recursos próprios, capitais próprios ou
fontes próprias e é registrado do lado direito do Balanço Patrimonial.

PL = SLP

30
Gestão Industrial II

Representação gráfica das variações do patrimônio.

Tem por objetivo demonstrar as diferentes situações ou estados patrimoniais


que uma empresa pode apresentar, ou seja, demonstrar na estrutura do Balanço
Patrimonial o valor registrado do Patrimônio Líquido, após subtrair do Ativo o valor
das obrigações.

Partindo dessa assertiva, podemos observar que o patrimônio pode apresentar


três situações líquidas diferentes.

 Situação líquida patrimonial superavitária, positiva ou ativa.

Tomemos o exemplo hipotético do Balanço Patrimonial de uma empresa,


como segue.

Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

Bens $60 000,00 Obrigações

Direitos $40 000,00 - dívidas $30 000,00

Patrimônio Líquido

- Riqueza líquida $70 000,00

Total do Ativo $100 000,00 Total do Passivo $100 000,00

Observe que se somarmos os Bens aos Direitos($100 000,00), teremos um


Ativo maior que as obrigações($30 000,00). Logo, B + D > O, teremos uma
situação líquida patrimonial(PL), positiva, ativa, ou superavitária.

31
Gestão Industrial II

 Situação líquida patrimonial negativa, passiva ou deficitária

Tomemos que no período seguinte os seguintes dados.

Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

Bens $60 000,00 Obrigações

- dívidas $110 000,00

Direitos $40 000,00 Patrimônio Líquido

- riquezas líquidas $ 10 000,00

Total do Ativo $100 000,00 Total do Passivo $100 000,00

Nesse caso, estamos diante de uma situação de falta de recursos na empresa


para as aplicações necessárias e, consequentemente, restará dívidas com terceiro
para pagar.

Observar que ao somar os bens e direitos($100 000,00), será menor que as


obrigações com terceiros($110 000,00), então teremos que: B + D < O.

Logo, estamos diante de uma situação líquida patrimonial(PL) será


negativa, passiva ou deficitária em $10 000,00.

Resumindo a situação líquida patrimonial.

Será positiva ou superavitária, porque os elementos do Ativo positivos(bens


e direitos) superam os elementos negativos(obrigações).

Será ativa, porque os elementos do Ativo(bens e direitos) superam os


elementos do Passivo exigível(obrigações).

32
Gestão Industrial II

 Será negativa ou deficitária, porque os elementos


negativos(obrigações) superam os elementos positivos(bens e
direitos).

 Será passiva porque os elementos do Passivo(obrigações superam


os elementos do Ativo(bens e direitos).

 Será nula quando a soma dos bens e direitos forem iguais as


obrigações, tendo com isso, a riqueza líquida(PL) = 0.

Observa-se que a partir do Balanço Patrimonial a empresa terá o controle de


sua situação ou estado, ou seja, o resultado econômico.

Então vamos compreender esse conceito.

Resultado, despesas e receitas no Balanço Patrimonial

Todas aziendas buscam a obtenção de resultado, seja como meio ou como


fim. As entidades, por exemplo, embora tenham como objetivo fim o bem-estar
social, podem obter como objetivo meio um resultado favorável, o lucro. Porém, as
empresas, visam sempre o lucro como objetivo fim, mas podem como objetivo
meio, obter um resultado igual a bem-estar social.

Nas organizações empresariais, resultado é o que se obtém após o confronto


de receitas e despesa num período contábil. Se as receitas auferidas num
determinado período superam as despesas incorridas no mesmo período, então o
resultado será positivo, ou seja, lucro. Isso terá como consequência o aumento do
Patrimônio Líquido. Caso as despesas incorridas sejam superiores às receitas
auferidas, o resultado será negativo, ou seja, prejuízo; o que consequentemente
diminuirá o Patrimônio Líquido.

Para entender o resultado do patrimônio é preciso conhecer os elementos que


interferem no mesmo compostos pelas Receitas e as Despesas. E, essas são
identificadas e representadas por um componente patrimonial ou um componente
de resultados denominado de “conta”.

33
Gestão Industrial II

Vamos refletir!

Pergunta-se, então: o que é uma conta?

Conta é a representação gráfica do débito e do crédito, quando de um


lançamento contábil na movimentação de bens, direitos ou obrigações.

Todas ocorrências diárias nas empresas, responsáveis pela gestão do


patrimônio(como compras, vendas, pagamentos, recebimentos, etc) são
registrados pela contabilidade em contas próprias.

Vejamos um esquema para entender como as contas são utilizadas no


controle do patrimônio.

Balanço Patrimonial
ATIVO PASSIVO
Bens Obrigações
Caixa Fornecedores
Veículos Duplicatas a pagar

Direitos Patrimônio líquido


Duplicatas a receber Capital
Promissórias a receber Lucros acumulados

Veja que as contas representam os elementos componentes do patrimônio.


Dividem-se em ativas(bens e direitos) e passivas(obrigações e Patrimônio Líquido).

Outro componente importante no controle das contas patrimoniais, são as


“contas de resultado” que representam as variações patrimoniais e dividem-se em
contas de Despesas e Receitas, e sua representação técnica é a seguinte.

34
Gestão Industrial II

Contas de Resultado
Despesas Receitas

Vejamos um exemplo hipotético:

Receitas totais = $80 000,00

Despesas totais = $ 20 000,00

Resultado = $ 60 000,00 (positivo)

Neste caso, há uma situação de lucro de $60 000,00, pois Receitas > Despesas.

Outro exemplo:

Receitas totais = $100 000,00

Despesas totais = $ 140 000,00

Resultado = $ 40 000,00(negativo)

Neste caso, há uma situação de prejuízo de $40 000,00, pois Receitas <
Despesas.

Vamos aprofundar nos conceitos de despesas e receitas para melhor


compreender as contas de resultados.

Despesas.

Caracterizam-se pela participação no consumo de bens e/ou pela utilização de


serviços, tendo por objetivo a obtenção da receita, que poderá participar de forma
direta ou indireta nas atividades empresariais. Então, pode-se dizer que os gastos
são necessários ao desenvolvimento das operações das aziendas.

Assim, podemos dizer que as despesas poderão diminui o Ativo ao aumentar o


Passivo, pois as despesas são as variações negativas do Patrimônio Líquido.

35
Gestão Industrial II

São exemplos de despesas: material de limpeza; material de expediente;


energia elétrica; prêmios de seguros; impostos; despesas de juros; aluguéis
passivos ou despesas de aluguéis; despesas de salários, etc.

Receitas.

As receitas são oriundas da venda de bens ou da prestação desserviços, ou


seja, acontecem pelas entradas de elementos para o ativo, sob forma de dinheiro
ou diretos a receber, proveniente das operações das aziendas. Portanto, dizemos
que as receitas são variações positivas do Patrimônio Líquido.

As principais formas de uma empresa auferir são: as vendas de mercadorias,


produtos ou serviços; sendo, as mercadorias para as empresas comerciais, os
produtos para empresas industriais e a prestação de serviços para as empresas civis
e prestadoras de serviços.

São exemplos de receitas patrimoniais: aluguéis ativos ou receitas de aluguéis;


juros ativos ou receitas de juros; receitas de serviços; vendas de mercadorias ou
receitas com vendas, etc.

Origens e Aplicação dos Recursos

Se analisar o Balanço Patrimonial sob uma ótica financeira, teremos a evidência


de que o Passivo colocará à disposição da empresa os recursos necessários para sua
aplicação, que se posicionará na formação do ativo patrimonial.

Diante deste exposto podemos entender que na análise contábil a aplicação


dos recursos se posicionará na composição do Ativo, ou seja, na compra de móveis
e utensílios, imóveis, na formação do caixa, dos bancos etc.

Então, podemos identificar qual são as origens dos recursos.

 Recursos próprios. Nesse caso, os recursos disponibilizados para


empresa se originam dos próprios sócios e constitui do Capital Social,
inicial componente do Patrimônio Líquido. Incluem ainda, os recursos

36
Gestão Industrial II

próprios advindos de recursos dos mesmos sócios para aumento do


capital, bem como os recursos oriundos dos lucros apurados na atividade
empresarial em uma unidade de tempo.

 Recursos de terceiros. São os recursos oriundos de terceiros, contraindo


obrigações com dívidas para aplicar em seus ativos de bens e serviços,
pagar salários, tributos, empréstimos, etc.

Análise do passivo

No Balanço Patrimonial, os recursos de terceiros são representados pelo


Passivo Exigível e os recursos próprios pelo Patrimônio Líquido. A soma dos
recursos de terceiros com os próprios forma o capital total a disposição da
empresa, representado pela equação.

Uma análise do passivo, possibilita à empresa identificar as fontes ou origens


dos recursos que financiam as operações da empresa. Poderá verificar um caso em
que o passivo exigível seja financiado por recursos de terceiros mediante
endividamento, ou de outra forma, quando se verificar um patrimônio líquido
superior ao passivo exigível, indicando que os ativos foram financiados por
recursos próprios, ou capital próprio que traduz em maior segurança para os
credores e investidores.

Leitura complementar!

MULLER, Aderbal Nicolas. Contabilidade Básica: elementos


fundamentais. Pearson Prentice Hall. SP:2007.

MULLER, Aderbal Nicolas. Contabilidade Introdutória. Pearson Prentice Hall.


SP:2012.

37
Gestão Industrial II

Nessa unidade vimos como a Contabilidade poderá ser grande importância


para o sucesso da empresa industrial a partir do conhecimento da aplicação dos
elementos componentes do Balanço de Patrimonial. Conhecer as contas do Ativo,
Passivo e Patrimônio Líquido implica em criar as condições para as tomadas de
decisão na gestão econômico-financeira da empresa.

Identificar o peso de cada conta nos resultados da empresa e sua influência


negativa ou positiva, deficitária ou superavitária é de grande relevância na gestão
empresarial. Gerir os recursos de terceiros e aplicá-los com eficiência e destino é
um desafio constante da gestão empresarial.

A utilização dos dados do Balanço patrimonial coloca o gestor com


conhecimento apurado da situação quanto aos bens, direitos e obrigações que
compõem a estrutura da empresa, fazer novos investimentos e atender às
exigências legais.

Assim, encerramos os nossos estudos básicos da compreensão relacionada à


Contabilidade que ser de grande importância par ao contexto da próxima unidade
que se relaciona à Contabilidade de Custos.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

Bons estudos e vamos para a próxima unidade.

38
Gestão Industrial II

Exercícios – Unidade 1

01) O Ativo consiste:

a) No conjunto de Bens, Direitos e Obrigações

b) No conjunto de Bens e Direitos

c) No Patrimônio Líquido

d) No saldo entre Ativo e Passivo

e) Na Situação Líquida Ativa

02) A situação Líquida patrimonial é representada pelo Patrimônio Líquido,


logo o mesmo vem a receber também o nome de Capital

a) De terceiros

b) Social

c) Autorizado

d) Próprio

e) Acumulado

03) O patrimônio apresenta os seguintes aspectos:

a) Realizado ou não-realizado

b) Bom ou ruim

c) Numérico ou alfabético

d) Quantitativo e qualitativo

e) Abstrato e qualitativo

39
Gestão Industrial II

04) A equação fundamental da contabilidade na nomenclatura da


Contabilidade é a seguinte.

a) Ativo = Passivo

b) Ativo + Passivo

c) Ativo + Passivo = Patrimônio Líquido

d) Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido

e) Ativo = Passivo + situação Líquida

05) Marque a alternativa que contenha o exemplo de direitos na Balanço


Patrimonial.

a) Caixa

b) Fornecedores

c) Contas a pagar

d) Contas a receber

e) Móveis e utensílios

06) Na Contabilidade, o Patrimônio de uma empresa é o conjunto de bens,


direitos e obrigações. Contabilmente, as obrigações da empresa estão localizadas
no

a) ativo circulante

b) ativo não circulante

c) patrimônio líquido

d) capital social

e) passivo

40
Gestão Industrial II

07) A respeito das contas de receitas e despesas, assinale a opção correta.

a) As contas de receitas e despesas são contas de resultado, também


denominadas de contas temporárias, pois seus saldos são encerrados
para a apuração do resultado da entidade.

b) As contas de receitas e despesas, denominadas contas patrimoniais, são


encerradas no final do período para a apuração do resultado.

c) Despesa corresponde ‡ entrada de elementos para o ativo, sob a forma


de dinheiro ou de direitos a receber

d) Receitas representam o reconhecimento de um passivo, com o aumento


de obrigações a serem cumpridas para com clientes.

e) As contas de despesas são de natureza credora, e as contas de receita são


de natureza devedora.

08) Quais os tipos de bens que existem?

a) Bens de vida sem vida

b) Bens de valor e sem valor

c) Bens que possuem corpo e os que não possuem corpo

d) Bens de necessidade e sem necessidade

e) Bens com características de direito

41
Gestão Industrial II

09) Em relação ao conceito de origem de recurso, apresente as funções de recursos


que a empresa poderá utilizar.

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10) Dentro da demonstração financeira Balanço Patrimonial, aparecem os termos


ativo e passivo. O que querem dizer?

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42
Gestão Industrial II

2 Introdução à Contabilidade
de Custos

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Gestão Industrial II

Depois de uma breve introdução à Contabilidade e entender sua contribuição


no contexto da disciplina que orienta a identificação da origem e aplicação dos
recursos, bem como o registro e controle do patrimônio, nesta unidade teremos a
oportunidade de conhecer a Contabilidade de Custos que teve origem nos
ambientes das empresas industriais para controle dos estoques, evoluiu para ser
uma área de conhecimento importante para orientar o gerenciamento da empresa,
abrangendo os estoques, o custeio dos custos diretos e indiretos no processo de
produção e transformação e fornecer informações para a tomada de decisão em
todos os aspectos estratégicos da empresa.

Teremos a oportunidade de conhecer duas outras importantes áreas de


conhecimento e que se complementam que é a Contabilidade Financeira que
trabalha com informações de aspectos monetários e são utilizados com uma visão
de futuro e a Contabilidade Gerencial que utiliza das informações para tomadas de
decisão no processo de gestão da empresa. Para que possam ser utilizadas essas
informações, faz-se necessária a identificação dos componentes dos custos que
envolvem a produção e classificá-las de acordo com sua natureza que podem estar
relacionados à produção, ou à quantidade, ou como ganho, despesa, desembolso
entre outros.

Para que a gestão dos custos ocorra de forma a ser eficaz, o processo de
gerenciamento de se faz presente quando as funções de gerenciamento como
planejamento, organização, coordenação comando e controle deverá ser a
preocupação constate de todas áreas da empresa de forma a otimizar a utilização
dos recursos e fazer da empresa competitiva.

Objetivos da unidade:

 Conhecer o processo histórico da Contabilidade de Custos

 Identificar as etapas da utilização do controle de estoques como


primeiro passo da Contabilidade de Custos.

 Compreender a importância do custeio dos custos como parâmetro


de gestão.

44
Gestão Industrial II

 Conhecer o papel da contabilidade gerencial e financeira na gestão


dos custos.

 Identificar os custos diretos, indiretos e demais componentes na


produção.

 Conhecer a esquematização da Contabilidade de Custos como


gestão industrial

 Adequar as ações de gerenciamento à gestão dos custos de


produção.

Plano da unidade:

 Processo histórico da Contabilidade de Custos

 Contabilidade de Custos

 Terminologias em custos

 Esquema de aplicação da Contabilidade de Custos

 Campo de atuação da Contabilidade de Custos

 Planejamento na Contabilidade de Custos

Realize os estudos na sequência do conteúdo e para uma boa compreensão,


faça uma primeira leitura sem interrupção, seguida de uma segunda leitura
marcando os pontos principais e na terceira procure construir conhecimentos a
partir das anotações para desenvolver autonomia para realizar suas atividades.

Bons estudos.

45
Gestão Industrial II

Processo histórico da Contabilidade de Custos

Depois de conhecermos um pouco da importância da Contabilidade no


contexto da gestão industrial, iremos encaminhar nossos estudos que tem por
objetivo aprofundar os recursos e técnicas da Contabilidade de Custos para
avaliação das diversas realidades da gestão de estoques, custeio e as variações dos
custos no contexto produtivo.

Antes porém, precisamos compreender o processo histórico da Contabilidade


de Custos na evolução da própria natureza da organização empresarial. E nesse
contexto, podemos dividir a evolução dos sistemas de produção em duas fases:
primeiro, o sistema familiar, de corporações ou doméstico e em segundo
momento, o sistema de produção fabril.

Na primeira fase, até o século XVI, não havia grande necessidades de sistema
de contabilidade profundos para controle porque todo o processo de gestão, de
controle e de produção acontecia de forma simples e ocorria entre os próprios
familiares. Não havia grandes concorrências entre os agentes produtores, com
baixa existência de tecnologia e acumulação. E não exigia sofisticação de sistemas
de contabilidade para controle.

Com o aumento da população e o recipiente surgimento de área urbana e o


crescimento da população exige modificação no processo produtivo e de controle.
Essas modificações obrigaram os artesãos, que atendiam as necessidades da época,
a se organizarem para conviver com as demandas crescentes em função do
aumento da população e as concorrências. Esse processo deu origem ao Sistema
de Corporações, que tinha por objetivo conviver com a concorrência e com as
dificuldades relacionadas à produção e controle. O mestre artesão, proprietário e
contratador dos recursos s respondia por toda organização e controle.

Com o crescimento dos mercados e das áreas urbanas, seguido da evolução


tecnológica, novos modelos de sistema produtivo começaram a disputar a
hegemonia do sistema corporativo. Surge, assim, o intermediário que negociava as
aquisições de matérias primas e as encomendas da produção para o consumidor
final. Assim surgia outra fase da organização da produção, iniciada no século XVII,

46
Gestão Industrial II

com a crescente predominância do chamado sistema de produção fabril, com uma


visão empreendedora e de negócio, ou seja, o intermediário se reveste da figura do
empreendedor.

Com espírito de empreendedor, o intermediário negociava com os


fornecedores, fazia o levantamento de recursos financeiros necessários e deu
origem às fábricas, pela reunião dos artesãos em um local organizado para
dinamizar a produção e esses passam a ser assalariados, quando utiliza-se da
estrutura de produção, equipamento e organização desse empreendedor. O
mestre artesão, com suas habilidades e competências se transformam em
supervisores das fábricas. Aqui, percebe-se a necessidade de controle dos recursos
produtivos, dos custos do material e do trabalho. Porém, não se via a presença da
Contabilidade de custos e sim a Contabilidade Financeira, que oriunda do período
do mercantilismo tinha por objetivo atender às necessidades de controle das
relações comerciais, prevalecia até o século XVIII na Revolução Industrial.

A apuração dos resultados em suas operações com mercadorias se dava a


partir da seguinte disposição:

 Estoques Iniciais (+) Compras (-) Estoques Finais = Custo das


Mercadorias Vendidas(CMV).

A partir desses dados era possível obter o Lucro Bruto, confrontando-se dos
Custos das Mercadorias Vendidas com as receitas de venda dos produtos.

Então teremos:

 Vendas (-) Custo das Mercadorias Vendidas = Lucro Bruto

E, partindo do Lucro Bruto, extrai-se às despesas de vendas dos produtos, do


financiamento das operações e relacionados à manutenção da empresa.

Assim teremos:

 Lucro Bruto (-) Despesas com Vendas, Despesas Financeiras e


Despesas Administrativas = Lucros ou Perdas

Vê-se a predominância, da busca do resultado financeiro a partir de um


controle simples adotado nesta fase, sem dar valor aos aspectos da Contabilidade
como hoje conhecemos. Sabe-se que as informações da Contabilidade atendem as
diversas necessidades da gestão empresarial e dos negócios e devem seguir

47
Gestão Industrial II

normas rígidas de geração. E como vimos, a preocupação dos controles permeava


a identificação dos lucros e assim, leva à compreensão de que dão início a duas
áreas importantes que se relacionam com as questões financeira e gerenciais.

Então vamos aprofundar um pouco sobre a Contabilidade financeira e


gerencial.

Contabilidade Financeira: o que é?

É utilizada basicamente para atender às necessidades externas e para isso


ocupa-se com a elaboração de demonstrações financeiras para terceiros tais como
os credores, os acionistas, os seus fornecedores, clientes. Portanto, ela tem por
objetivo de atender os stakeholders.

Importante!

Os stakeholders são os públicos de interesse de uma organização. São as


partes interessadas e envolvidas voluntária ou involuntariamente com a mesma, onde
há um objetivo específico de relacionamento, trazendo benefícios para ambas as
partes.

Por servir a um ambiente externo, a Contabilidade Financeira é condicionada a


apresentar os requisitos fiscais e as imposições legais e normalmente são
preparadas para um ano para que possibilite fazer comparações sobre a posição
financeira, a rentabilidade e o desempenho da empresa em determinado período.

É importante destacar também, que a Contabilidade Financeira não somente é


importante para o público externo, pois ela fornece instrumentos para a gestão
interna com informações que faculte a previsão, planejamento e tomada de
decisões. Alguns autores, entendem que apresenta como a forma mais pura de
contabilidade, devido a manutenção eficaz dos registros e relatórios financeiros
fornecem informações relevantes para terceiros.

Portanto, enfatiza proporcionar uma visão correta da posição financeira da


empresa, ela se baseia principalmente nas análises do Balanço Patrimonial;
Demonstrativo de Resultados de Exercícios e Demonstrativo de Fluxo de Caixa.

48
Gestão Industrial II

Importante!

A pergunta agora seria a seguinte: quais são as características da


Contabilidade Financeira?

São elas:

 Atende ao público externo, ou seja, são os agentes não participam


do processo de tomada de decisão.

 Tem natureza histórica, ou seja, considera as transações passadas,


confirmadas.

 Unidades monetárias, ou seja, consideram as transações em termos


monetários.

 Aspecto legal. Tem valor legal e sofrem auditorias para atender os


aspectos externos.

 Custos históricos e transações são necessárias para a Contabilidade


Financeira.

Depois da análise da Contabilidade Financeira, vamos compreender a


Contabilidade Gerencial( do inglês Management Accounting) no contexto da
gestão industrial. É considerada como a contabilidade que é utilizada pelos
gestores e administradores no cotidiano das empresas.

As características da Contabilidade Gerencial são as seguintes.

 Tem natureza seletiva, pois as informações contábeis a serem


utilizadas pela gestão são escolhidas a partir dos objetivos a serem
alcançados.

 Fornecem as informações sem influem nas decisões.

49
Gestão Industrial II

 Não se limita a regras da Contabilidade Financeira, ou seja, tem


preocupação com a utilidade das informações.

 Não possui regras e convenções específicas, pois atende à dinâmica


da gestão em dado momento.

 Eficiência interna melhorada, devido as informações utilizadas é


possível analisar o desempenho real de todas áreas em relação ao
seu orçamento.

 Utiliza-se de base histórica da Contabilidade Financeira para as


análises de desempenho.

Portanto, podemos observar que a Contabilidade Financeira e Gerencial,


apresentam características diferentes, mas se complementam quando podem ser
aproveitadas no processo de tomadas de decisão. E as principais diferenças que
podemos apontar são as seguintes.

 Por um lado a Contabilidade Financeira acompanha toda informação


financeira da empresa e por outro, a Gerencial registra e relata toda
informações, sejam elas financeiras ou não.

 Enquanto que os usuários da Contabilidade Financeira podem ser


internos ou externos, os da Gerencial serão apenas internos à
empresa.

 Enquanto que a Financeira se baseia em dados históricos, a gerencial


se baseia em tomadas de decisões futuras.

 A Financeira é reportada publicamente, enquanto que gerencial tem


a particularidade de ser confidencial.

 Enquanto que a Financeira, trabalha somente com informações


monetárias, a gerencial trabalha com todas, monetárias e não
monetárias, tal como registro de estoque, vendas, etc.

 Quanto aos relatórios utilizados, na Financeira há padronização


enquanto que na gerencial não há rigidez.

50
Gestão Industrial II

 Quanto ao aspecto legal, a financeira é obrigatória para atender


questões fiscais, tributárias, enquanto que a gerencial tem caráter de
busca de eficiência.

 Quanto a periodicidade, a financeira atende normalmente a um ano,


enquanto que a gerencial é realizada de acordo com as necessidades
da empresa.

Para melhor compreender a diferença, vamos apresentar alguns exemplos.

1 – Receitas com vendas.

Na Contabilidade Financeira as receitas com vendas são deduzidas dos Custos


das Mercadorias Vendidas ou dos serviços prestados, o que provoca uma redução
do Lucro Bruto. Por outro lado, na gestão gerencial, as receitas com vendas podem
ser deduzidas dos Custos Variáveis de Produção, gerando assim, a Margem de
Contribuição. Essa informação possibilita saber quando se apura nas vendas, para
absorver os custos despesas fixas, resultado assim o lucro.

2 – Princípio do Custo de Aquisição.

Na Contabilidade Financeira, o custo mercadoria vendida é o custo da


formação computando, o custo médio ponderado do estoque de onde foi baixada
aquela mercadoria, atendendo o Princípio Contábil do Custo de Aquisição ou de
Formação. Enquanto que, no tratamento gerencial, o custo variável que entra no
cálculo da margem pode ser o custo de reposição que é diferente do custo médio
variável da mercadoria estocado quando são baixados os itens vendidos no mês.

Como vimos, a Contabilidade Financeira, trabalha custos históricos e custos


concorrentes, ou seja, decisões gerenciais devem lidar com o futuro,
prospectivamente, e consequentemente, estimar custos futuros que serão mais
valiosos para as tomadas de decisões. E dessas necessidades, surgiram a
Contabilidade de Custos. E, devido às essas combinações, vemos que a
Contabilidade de Custos, devido às técnicas de orientação de gerenciamento,
torna-se um instrumento classificável como Contabilidade Gerencial e evolui no
tempo.

51
Gestão Industrial II

E, a partir dessas premissas vamos utilizar da tabela seguinte para verificar as


comparações existentes a Contabilidade Financeira e Gerencial. Adaptada de
TAVARES, 1994.
CONTABILIDADE
ÍTENS CONTABILIDAE FINANCEIRA
GERENCIAL
Usuários de
Externos e internos Internos
relatórios
Atender as necessidades e Facilitar as etapas do
Objetivo dos
facilitar análise dos usuários gerenciamento: POCCC e da
relatórios
externos tomada de decisão
Origens e Aplicações dos
Relatório de
Recursos, Balanço Patrimonial,
Forma dos desempenho, de custos,
Demonstração dos Resultados,
relatórios para tomadas de decisões,
Demonstração das Variações dos
orçamentos.
Patrimônio Líquido
Frequência dos Mensal, semestral, anual, Quando surgir a
relatórios sazonal. necessidade.

Custos
Dados históricos Históricos e esperados
utilizados

Bases de Variadas bases de


Moeda corrente
mensuração moeda

Não tem, exceto


Restrições das
Princípios contábeis aceitos quando indicado pela
informações
administração

Utiliza-se de outras
áreas: finanças, economia,
Arcabouço
Ciências Contábeis. estatística, comportamento
técnico e teórico
organizacional, pesquisa
operacional

Características Orientada relevante no


Deve ser objetiva
das informações tempo

Perspectivas dos
Orientação histórica Orientada para o futuro
relatórios.

Após compreender o processo histórico, podemos avançar para uma


introdução à Contabilidade de Custos.

52
Gestão Industrial II

Contabilidade de Custos

Sabe-se que as empresas industriais são divididas em departamentos ou áreas


para que possam ser geridas para atender aos seus objetivos de produção ou
fabricação e tornar-se competitivo no mercado. Portanto, com o tempo foi-se
observando a necessidade de estruturação de um sistema de gestão de estoques,
de organização e avaliação dos inventários, daí surge a Contabilidade de Custos
com suas técnicas e metodologias que atendiam às necessidades de controle dos
materiais utilizados na produção. Daí a compreensão de que os estudos
empresariais estão associados à avaliação de estoques, que são procedimentos de
natureza externa, mas, fornecendo informações importantes no processo gerencial.

Então, o que é Contabilidade de Custos?

É o ramo da contabilidade financeira que utiliza técnicas


específicas para identificar, classificar e registrar os custos
ligados diretamente à produção de bens e/o serviços. É um
componente fundamental da contabilidade gerencial, pois,
transmite as informações relacionadas com a estrutura dos
custos, facilitando, assim, as tomadas de decisões. É usada
mais especificadamente na atividade industrial, bem como na
prestação de serviços(SANTOS, p. 30, 2008).

Observa-se que um dos objetivos da Contabilidade de Custos é a


determinação do Custo dos Produtos Vendidos(CPV) que tem grande importância
nana apuração dos resultados. Quando analisado no contexto de indústria e
comércio, verifica-se que o CPV é semelhante ao CMV que é Custo das Mercadorias
Vendidas, tendo como diferenças apenas a produção para a primeira e a
comercialização para a segunda.

53
Gestão Industrial II

Nas empresas industriais, além, dos estoques e matéria direta e indireta para a
produção que necessita ser controlado, existem outros que demandam a mesma
atenção que são os estoques relacionados ao estoque de produtos em elaboração
e o estoque de produtos acabados. Assim, exige uma apuração e a consolidação
dos gastos envolvidos na produção dos bens estocados, com a apuração de
montantes de materiais, da mão-de-obra e de gastos gerais de fabricação aplicados
na produção de cada um desses bens. Assim que a necessidade da adoção de um
sistema de registro e acompanhamento, da apropriação e rateio de gastos, como
também complexos lançamentos contábeis e controles paralelos denominados de
extraoficiais, deu fundamento para se constituísse na Contabilidade de Custos um
conjunto de técnicas e de procedimentos dando origem à sua própria criação.

Atualmente, a Contabilidade de Custos, reflete em todas as atividades


empresariais como instrumento gerencial do planejamento e do controle e,
principalmente, na tomada de decisão. Abrange avanços, tais como os métodos
quantitativos e modelos de decisão, produtividade padrões de desempenho,
conceitos de ciências comportamentais, contabilidade de recursos humanos, teoria
da curva d aprendizado e conceitos avançados de marketing.

Percebe-se também, que as empresas de serviços têm dedicado atenção na


utilização dos mecanismos da Contabilidade de Custos devido à possibilidade de
fornecer grande número de dados para a tomada de decisões cotidianamente e de
longo prazo.

Terminologias em custos

Segundo MARTINS(p. 24, 1998), “produzir é transformar os meios econômicos


em produtos ou serviços possíveis de serem consumidos ou utilizados”, no
processo de apuração dos custos dessa transformação ou de produção é o total
desses custos incorridos em determinado período, estando ou não totalmente
acabada.

54
Gestão Industrial II

A partir dessa colocação, podemos delinear algumas definições de custos.

 Custo da produção acabada. São aqueles envolvidos na produção


acabado no período em análise, abrangendo ainda, os custos presentes
na elaboração do início do período e foram concluídos no mesmo
período.

 Custos primários. São os custos elementares e diretos envolvidos na


produção ou fabricação, tais como o da mão-de-obra e material direto.

 Custo de transformação. É o total dos custos de produção exceto os de


matéria-prima, material secundário e de embalagem. São custos
necessários à transformação dos produtos(mão de obra indireta, material
de consumo, energia elétrica, combustível, etc).

Além dessas definições, existem outras que podem ser classificados como
segue.

Quanto à sua incidência do produto, podem ser.

 Diretos. São os custos que podem ser facilmente identificados


diretamente com o produto, sem a necessidade de se efetuar o rateio.

 Indiretos. São os custos que não põem ser apropriados diretamente ao


produto e, por isso, necessitam de um critério de rateio, que é atribuição
de custos a departamentos o a produtos calculada sobre uma base
determinada para sua alocação.

Quanto à sua relação com a quantidade produzida, podem ser.

 Custos variáveis. São os que variam diretamente com as quantidades


produzidas: a matéria-prima.

 Custos fixos. São aqueles que não se alteram em função do volume de


produção ou comercialização. Com isso, ele será cada menor por
unidade, quanto maior for a produção.

 Custos semifixo ou semivariáveis. São os custos que variam de acordo


com a produção, porém, não há relação direta.

55
Gestão Industrial II

Além das operações de produção ou fabricação, a gestão dos custos na


empresa envolve também com a distribuição e administração. Eis que os gastos
com a distribuição não são atribuídos aos produtos porque são formados no setor
comercial da empresa e incidem sobre o produto acabado e vendido, tais como as
comissões pagas. Esses custos são apurados no momento de sua ocorrência e
designados como despesas.

Também, são atribuídos ao período em análise, os gastos oriundos das ações


que são necessários ao funcionamento da empresa, tais como, as despesas de
administração, que não tem relação direta com o custo/volume/lucro.

Diante dessa abordagem, vamos verificar também, as terminologias que são


comuns para a Contabilidade Financeira e os custos.

São eles.

Ganho. É um lucro não relacionado à atividade operacional da empresa, como


a venda de bem por valor superior ao saldo registrado na Contabilidade,
denominado de ganho de capital, ganhos de variação cambial, etc.

Prejuízo. É o resultado negativo de uma transação ou de um conjunto de


transações de um período, o resultado negativo da soma das receitas menos as
despesas do período em questão, ou seja, as despesas suplantaram as receitas
desse período.

Desembolso. É o pagamento resultante da compra (aquisição) de um bem ou


serviço. É a saída financeira da empresa, entrega de ativos.

Ex.: Pagamento de uma fatura.

Gastos. "Esforço financeiro" com que a entidade arca para obter bens
(produtos) ou serviços. Somente é considerado gasto no momento que existe o
reconhecimento contábil da dívida ou da redução do ativo dado em pagamento.

O Gasto pode representar tanto um custo como uma despesa.

Ex.: Gasto com matéria-prima, gasto com comissões sobre vendas.

Custo. Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens


ou serviços. É um gasto reconhecido como custo no momento da fabricação de um
produto ou execução de um serviço.

56
Gestão Industrial II

Ex.: matéria-prima, mão de obra direta.

Despesa. Gasto que provoca redução do patrimônio. Bem ou serviço


consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas.

Ex.: comissão sobre vendas.

Investimento. É todo o gasto para aquisição de ativo, com finalidade de


obtenção de benefícios a curto, médio ou a longo prazo.

Podemos concluir que todo custo é um investimento, mas nem todo o


investimento é um custo.

Ex.: Matéria-prima, máquina para a fábrica, ações de outras empresas.

Perdas. São bens ou produtos consumidos de forma anormal e involuntários.


São gastos não intencionais decorrentes de fatores externos, fortuitos ou da
atividade produtiva normal da empresa.

Ex.: Perdas com estoque deteriorados, incêndios.

Rateio. É o processo de divisão dos custos indiretos de produção aos centros


de custos (departamentos), observando critérios pré-estabelecidos para sua
alocação

Depois de conhecidos os itens básicos de aplicação da Contabilidade de


Custos no âmbito da gestão empresarial, vamos compreender como tornar-se essa
aplicação adequada ao processo gerencial.

Esquema de aplicação da Contabilidade de Custos

Também conhecido como ciclo básico da Contabilidade de Custos, vamos


apresentar os conhecimentos básicos para a gestão dos custos na empresa.

Sabemos que o objetivo principal da Contabilidade de Custos é classificação, o


agrupamento e o controle dos custos incorridos diretamente ou não no processo
de produção ou transformação para determinar os valores do estoque e dos custos
dos produtos vendidos. Daí, a necessidade de identificar as etapas de apuração dos
valores dos custos unitários de produção, como segue:

57
Gestão Industrial II

Separação dos custos e despesas envolvidas. Há necessidade de se fazer a


distinção entre os custos e as despesas, pois os primeiros estão relacionados com a
produção e as despesas são contabilizadas no Demonstrativo do Resultado do
Exercício.

Apropriação dos custos diretos. São os custos relacionados aos insumos e


matérias primas utilizadas diretamente a cada produto elaborado na empresa.
Juntam-se a estes, os demais custos ligados diretamente aos produtos e devem ser
apropriados.

Apropriação dos custos indiretos. São aqueles que para serem apropriados
devem ser utilizados de critérios de rateio que estejam ligados ao princípio de
Causas e Efeitos, quando se observa que o agente causador do fato, corresponde
a determinada variação patrimonial quantitativa e deva ser debitado pelo
respectivo valor. Assim os custos indiretos devem ser atribuídos a quem
competem, ou seja, àquele setor que se utilizou deles.

Apuração do Custo Unitário, do Custo do Produto Vendido e Estoque


final. Aqui, verifica-se que podem ser apontados os custos totais de produção e
deles extrair os custos unitários ao dividir pelas quantidades produzidas ou
transformadas. Dos unitários, será possível o Custo dos Produtos Vendidos(CPV). E
deles, considerando a quantidade total poderá obter o Estoque Final.

Então, têm-se que os custos dos produtos são determinados pelo somatório
de todos elementos de custos atribuídos no processo de produção. Porém, no
processo de transformação de matéria prima em produtos acabados, são
necessários outras atividades como os relacionados a mão de obra(MOD),
instalações, máquinas e equipamentos, energia elétrica, materiais auxiliares,
lubrificantes, água, gastos com manutenção entre outros.

Como apurar os custos de um produto?

De forma simplificada e para o estágio de nossos estudos, temos:

 Custo do Produto = Custo de matérias-primas + custos de


transformação(MOD).

58
Gestão Industrial II

Como sabemos que os custos de transformação são compostos de dois tipos


de custos, podemos identificar os três fatores de custos que compõem o produto
final. Então,

 Custo do produto = custo das matérias primas + custo da mão-de-


obra + outros custos de fabricação.

Existem também outros custos que são chamados de gastos gerais de


fabricação ou de produção. São também, chamados de custos indiretos de
fabricação e podem ser classificados em três categorias:

 Materiais indiretos, que são os lubrificantes, materiais de limpeza,


materiais de manutenção e de reparos, etc.

 Mão-de-obra indireta, que são os salários de supervisores,


almoxarifes, seguranças, pessoal da manutenção, etc.

 Outros custos de produção, composto pelo aluguel, seguros, água,


depreciação de equipamentos e máquinas, energia elétrica, tributos,
etc.

Campo de atuação da Contabilidade de Custos

Devido às suas características de aplicação nas áreas de produção e


transformação, a Contabilidade de Custos, também conhecida como Contabilidade
Industrial, era um ramo da Contabilidade direcionada para as empresas industriais.
Assim, sua aplicação era destinada a avaliação do patrimônio das empresas
industriais.

Atualmente, a Contabilidade de Custos tem um campo de aplicação mais


abrangente pois está voltada para o cálculo e a interpretação dos custos dos bens
fabricados ou comercializados ou dos serviços prestados pelas empresas.

Então, no início sua função era fornecer elementos para avaliação dos
estoques e apuração do resultado e passou a prestar duas funções muito
importantes na Contabilidade Gerencial: a utilização dos dados de custos para
auxílio ao controle e para a tomada de decisões e, na esfera administrativa, o
fornecimento de informações para o estabelecimento de padrões, orçamentos ou
previsões e, a seguir, acompanhar o efetivamente acontecido com os valores
previstos.

59
Gestão Industrial II

Planejamento na Contabilidade de Custos

Vimos que a Contabilidade de Custos teve sua origem na Era Mercantilista


quando o sistema de apuração dos custos se resumia em levantar os estoques ao
final por período para obter o CVP(Custo das Mercadorias Vendidas). Explica-se
pelo fato da não existência de indústrias na época, assim não havia necessidade de
controles rígidos na apuração dos custos como atualmente. E era através do
trabalho de transformação da matéria-prima, exercido pelos artesãos do reino, que
se vendiam suas peças em praças públicas.

E foi com a Revolução Industrial, que a Contabilidade de Custos teve como


ponto de partida de seu desenvolvimento, a necessidade de avaliar estoques. Este
fato contribuiu para um aprimoramento constante. A Contabilidade de Custo, ao
focar os estudos das atividades econômicas, oferece aspectos bem específicos para
cada um dos termos que utiliza. Qualquer organização empresarial apresenta três
objetivos fundamentais:

 Crescimento de seu patrimônio líquido;

 Manutenção de sua capacidade de cumprir com as obrigações;

 Responsabilidades assumidas.

O primeiro destes objetivos é conhecido como rentabilidade e o segundo,


como liquidez. Para tanto, se a empresa pretende sobreviver, manter-se
competitiva e crescer, a administração deve se empenhar em obter sucesso em
suas funções gerenciais básicas POCCC(planejamento, organização, coordenação,
comando e controle).

Vamos detalhar.

Planejamento. É o ato de preparar trabalhos para qualquer tipo de


empreendimento, considerando um conjunto de ações coordenadas, visando
atingir certos objetivos. Na estrutura empresarial, coordena vários departamentos,
principalmente os de produção, onde estima a quantidade de produtos que serão

60
Gestão Industrial II

vendidos. O planejamento tenta colocar em prática uma estratégia de produção


que considerará a tecnologia disponível para que a empresa possa fabricar, da
maneira mais econômica possível, as quantidades que o setor de vendas estima
comercializar. Logo, o planejamento é quem dita as normas de como produzir para
melhor atender ao setor de vendas, e consequentemente, aos clientes.

Portanto, o planejamento global abrange a responsabilidade de elaborar o


orçamento da empresa. Este orçamento é composto de três elementos básicos:

Orçamento Operacional. São efetuados os cálculos referentes à estimativa de


vendas, produção, despesas e lucro.

Orçamento Financeiro, Constitui-se no orçamento de caixa que em essência é


uma cronologia das entradas e saídas de recursos financeiros.

Orçamento de Capital. É caracterizado pelas estimativas dos bens citados que


serão utilizados necessariamente para a elaboração dos itens que a empresa
pretende produzir e comercializar.

Organização. Refere-se ao processo de organização da estrutura produtiva da


empresa para identificar as diversas etapas da gestão de custos, podendo definir
por centros de custos, por produtos, por processo de transformação.

Coordenação. Após a definição das estruturas, a empresa irá estabelecer os


critérios que serão adotados para acompanhamento, coleta das informações e
ajustes dos objetivos não alcançados.

Comando. Uma vez que todas as atividades da empresa tenham sido


planejadas, cabe colocá-las em andamento. Caracteriza-se pela otimização do fluxo
de produção e de custeio, o que se refere à eliminação de perdas, desperdícios e
ociosidades. Ou seja, durante a execução dos elementos planejados, a empresa
deverá buscar o melhor aproveitamento possível dos recursos disponíveis.

Controle. Constitui-se no monitoramento da execução das atividades


enquanto elas ocorrem. Sem o controle, o sucesso das duas funções anteriores não
pode ser assegurado sob condições normais.

Trata-se da ação administrativa que objetiva fazer com que todos controles
sejam colocados em ação.

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Gestão Industrial II

Leitura complementar!

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 7. Ed. Atlas. São Paulo: 1998.

TAVARES, Hermes Magalhães. Produção Flexível: seus reflexos sobre o


trabalho e o território. Travessia. Rio de Janeiro, 1994.

Vimos nesta unidade que a Contabilidade de Custos teve origem nos


ambientes das empresas industriais para controle dos estoques e evoluiu para ser
uma área de conhecimento importante para orientar o gerenciamento da empresa,
ampliando do controle de estoques para o custeio dos custos nas diversas áreas da
empresa para orientar o gerenciamento dos recursos utilizados na produção, sejam
diretos ou indiretos.

Outros custos também fazem presente na ação produtiva e neste sentido


deverão ser identificados e geridos de forma eficiente, sejam despesas ou custos, a
partir da esquematização que a Contabilidade de Custos oferece como informação
para serem utilizadas nas tomadas de decisão empresarial.

Vimos também que a gestão dos custos ocorrerá de forma eficaz, mediante o
processo de gerenciamento com a observação das funções de gerenciamento
como planejamento, organização, coordenação comando e controle deverá ser a
preocupação constate de todas áreas da empresa de forma a otimizar a utilização
dos recursos e fazer da empresa competitiva.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

Bons estudos e vamos para a próxima unidade.

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Gestão Industrial II

Exercícios – Unidade 2

01) No processo de produção ou de fabricação, a matéria-prima ou


insumos utilizados para obtenção de produtos é classificado como:
a) Despesa
b) Desembolso
c) Custo
d) Investimento
e) Perdas.

02) No que se refere à terminologia dos custos, marque a alternativa


CORRETA.
a) Trata-se de investimento quanto o gasto incorrido tem por objetivo
um ativo patrimonial
b) O custo representa uma redução do patrimônio com objetivo de
produzir receitas
c) As despesas têm por objetivo a produção ou transformação de outro
bem
d) Os gastos são custos que têm por objetivo a comercialização dos
bens
e) Os reembolsos têm natureza de aumentar o lucro da empresa.

03) Os custos totais observados nas organizações empresariais no


processo produtivo, podem ser desmembrados em uma unidade de
tempo e de produção e desmembrados em fixos e variáveis e cada
qual suas características. Marque a alternativa CORRETA em relação
às características dos custos fixos.
a) São utilizados para cálculo da margem de segurança
b) São crescentes com o aumento da produção
c) Não variam com o nível de produção da empresa
d) São decrescentes de acordo com o aumento da produção
e) São utilizados para cálculo da margem de contribuição

63
Gestão Industrial II

04) A Contabilidade de Custos é um dos ramos das Ciências Contábeis, que


tem o papel importante junto à gerência, de gerar informações que servirão no
auxiliar das tomadas de decisões, planejamentos, determinando custos de
produção, entre outros. Entre as principais funções da contabilidade, está a que
está na alternativa:

a) Fornecer à gestão da empresa a possibilidade de gerações de


informações que possibilitem ao planejamento na área operacional.
b) Fornecer à gestão da empresa a possibilidade de gerações de
informações que possibilitem ao planejamento na área tática.
c) Fornecer à gestão da empresa a possibilidade de gerações de
informações que possibilitem ao planejamento na área estratégica.
d) Fornecer à gestão da empresa a possibilidade de gerações de
informações que deem eficácia à gestão dos fornecedores.
e) Fornecer à gestão da empresa a possibilidade de gerações de
informações que deem eficácia à gestão dos clientes.

05) A Contabilidade de Custos fornece à empresa importantes funções


gerenciais para atender aos seus objetivos. Marque a alternativa
CORRETA.
a) Determina o valor dos estoques intermediários e auxilia no processo
decisório
b) Determina o valor dos estoques fixos e auxilia no processo decisório
c) Fornece informação para controle a apuração dos impostos de renda
da empresa
d) Auxilia no controle e valorização dos estoques físicos.
e) Fornece informação para o controle e ao processo de tomada de
decisão

06) Setup é o gasto com a preparação das máquinas, é necessário para


que a produção possa ocorrer de forma satisfatória, proporcionando
condições necessárias para a produção de diversas unidades de
determinado produto ou de alguns produtos. No custeio por
absorção, como é tratado esse gasto?

64
Gestão Industrial II

a) Custo preventivo
b) Custo indireto.
c) Custo de preparação.
d) Custo de manutenção
e) Custo variável.

07) Dentre as sentenças abaixo, marque que apresentam


respectivamente receita, despesa e custo.

a) Recebimento de valor por venda efetuada no mês anterior, pagamento a


fornecedores, compra à vista de matéria-prima.
b) Aplicação financeira, aquisição de imobilizado, depreciação de móveis e
utensílios da administração da empresa.
c) Formação de reservas de lucros, pagamento de salários pertinentes ao
mês anterior, compra de mercadorias.
d) Venda a prazo de produção própria, apropriação do salário do mês
referente ao setor de vendas, destinação da matéria-prima ao processo
produtivo.
e) Assunção de juros passivos, realização de depósito bancário, devolução
de compras.

08) A Contabilidade de Custos fornece os conhecimentos que


possibilitem a classificação dos custos, custeio e para
gerenciamento. Porém, se a empresa produzir um único produto,
como o gestor poderá classificar os seus custos?

a) Como serão classificados como custos fixos


b) Como serão classificados como custos variáveis
c) Como serão classificados como custos diretos
d) Todos serão classificados como custos diretos e indiretos
e) Todos serão classificados como custos indiretos

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Gestão Industrial II

09) O que você entende por Contabilidade Gerencial e como pode ser
aplicada nas organizações?
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10) Qual a diferença básica entre os custos variáveis e fixos no processo de
produção?

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Gestão Industrial II

3 Fundamentos da
Contabilidade de Custos

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Gestão Industrial II

Após tomar conhecimentos dos principais conceitos e variáveis dos custos a


serem geridos nas operações industriais, podemos avançar e identificar os custos
em processos de fabricação comum no cotidiano da produção empresarial.
Os custos podem ser podem ser identificados e geridos por produtos o que
possibilitará eficácia importante em sua gestão e otimizar a utilização dos
materiais, mão-de-obra e por período, que dependerá da demanda ou pedidos
pelos produtos e assim organizar os critérios de gestão.
Veremos também, que existem outras formas de gestão do custo de
fabricação obedecendo as diversas etapas dos processos de produção. No caso da
produção por processo ou contínua, também conhecida como em série ou em
massa, a produção fornece uma saída contínua de produtos ou produtos
homogêneos, podendo ser um único produto(automóvel) ou diversos produtos
homogêneos(refrigerantes, artigos farmacêuticos).
Outra forma de gestão dos custos, se relaciona com as características das
atividades que são organizadas por departamentos ou centro de custos para
atender sua identificação e estabelecer o critério de gestão dos custos que
distribua de forma eficaz os custos em cada etapa do processo de produção. Incluir
também, nesse contexto os serviços envolvidos no processo de fabricação para
orientar a busca da eficácia na gestão dos custos.
E, veremos que uma gestão dos custos será eficiente quando se implementar a
cultura da qualidade em tidas as fases do processo e níveis de decisão.
Objetivos da unidade:
 Identificar os custos de produtos e os de período.
 Aplicar o rateio dos custos de produtos e de período
 Gerenciar os custos por processo
 Realizar a distinção entre os custos por ordem e por processo.
 Implementar uma cultura de qualidade na gestão dos custos
 Reconhecer os critérios de gestão dos custos por departamentalização
 Realizar o rateio dos custos por departamentos.
Plano da unidade:
 Custos de Produtos e Custos de Período
 Gestão dos Custos por processo ou Contínua.
Comparação entre custos por ordem e por processo.
Evitar perdas e estragos
 Critérios de Rateio na Departamentalização
Bons estudos!

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Gestão Industrial II

Custos de Produtos e Custos de Período

Como vimos, considera-se como custo todos os gastos utilizados na fabricação


de um produto ou serviço e a partir dele será possível estabelecer os critérios para
determinação do preço de vendas e analisar a viabilidade da prática do mesmo no
mercado. Acrescenta-se aos custos de produção para composição do preço de
vendas, outros itens como mão-de-obra direta e indireta, amortização e outros.

Antes porém, de abordarmos a formação do preço de venda, vamos verificar


dois conceitos importantes referente aos custos dos produtos e custos dos
períodos que se fazem presentes na etapa de fabricação.

Que são custos de período?

São todos os custos que interferem no resultado de um determinado períodos


de tempo e incorpora os custos industriais dos produtos vendidos e aqueles das
demais funções, tais como, da área comercial ou de distribuição, os custos
relacionados a área administrativa e os custos financeiros do período.
Normalmente, considerado o ano civil.

Por outro lado, os custos de produto, são aqueles que abrangem às fases de
fabricação ou transformação das matérias-primas ou insumos em produto final,
incluindo aquelas matérias-primas ou insumos que estão parcialmente acabadas,
ou seja, não sofreram o processo completo das operações de fabricação.

Sabe-se que os custos dos produtos podem conter itens que não são deram
entradas o armazém, ou seja, no período inicial de fabricação. Portanto, os custos
de produto são compostos das seguintes rubricas: MP(Matéria-prima) + MOD(Mão-
de-obra) + GGF(Gastos Gerais de Fabricação). Para distinguir os custos de período e
de custos de produto, basta identificar os custos que compõem as unidades
vendidas que são considerados como os custos industriais do período ou Custos
Industriais de Produtos Vendidos(CIVP).

Em geral, somente os custos industriais são inventariáveis, assunto que


veremos nas unidades seguintes, enquanto que os demais são apurados e
considerados como resultado do período em que ocorrem.

69
Gestão Industrial II

Até aqui compreendemos os principais conceitos e campo de atuação da


Contabilidade de Custos aplicada na gestão industrial par avalição dos custos, dos
estoques e orientar o processo de tomada de decisão. Então podemos, a partir de
agora, detalhar um pouco mais as diversas aplicações para tornar a empresa
industrial ou outra competitiva.

Gestão dos Custos por processo ou Contínua

No exercício das atividades operacionais da empresa. Há a busca de produção


de bens e serviços, definir os preços de vendas e colocar no mercado para venda,
cumprir com suas obrigações econômicas e financeiras e, consequentemente,
obter lucros e manter-se competitiva.

Como vimos, considera-se como custo todos os gastos utilizados na fabricação


de um produto ou serviço e a partir dele será possível estabelecer os critérios para
determinação do preço de vendas e analisar a viabilidade da prática do mesmo no
mercado. Nesse contexto a empresa deverá estar organizada com uma estrutura
capaz de ter as organizações contábeis ajustadas para que mostrem como os
custos foram envolvidos em cada etapa do processo produtivo.

No caso da produção por processo ou contínua, também conhecida como em


série ou em massa, a produção fornece uma saída contínua de produtos ou
produtos homogêneos, podendo ser um único produto(automóvel) ou diversos
produtos homogêneos(refrigerantes, artigos farmacêuticos).

Assim, no sistema de produção por processo a empresa produz e coloca o


produto à disposição do cliente. A empresa ou as fábricas são organizadas em
departamentos ou centro de custos que realizam fases das operações quando são
aplicados matérias-primas, mão-de-obra e outros custos de fabricação até a
constituição do produto final. Ao final, obtém-se o custeamento final mediante a
multiplicação do custo unitário pela quantidade produzida.

70
Gestão Industrial II

Vimos que nessa modalidade, os produtos são produzidos de forma


padronizada, colocados em estoque e não para clientes específicos, o que leva à
necessidade de controle do estoque com eficácia. Vê-se que os produtos não
podem ser identificados durante o processo produtivo e sim só no final. O que
induz a um custeamento por processo que será empregado para acumulação dos
custos de incorridos em cada centro de custos.

Algumas empresas utilizam o custeamento desse


tipo de operação de produção por processo ou por
ordem. Este é o sistema no qual cada elemento do
custo é acumulado segundo ordens específicas de
produção referentes a um determinado produto
ou lote de produtos. As ordens de produção são
emitidas para o início da execução da atividade
produtiva e nenhum trabalho poderá ser iniciado
sem que seja devidamente precedido pela emissão
da correspondente ordem de produção.
http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematic
as/sistemacustos.htm

Assim, os termos "ordem de fabricação", "ordem de serviço" ou "ordem de


trabalho" são sinônimos de "ordem de produção".

Então veremos de forma sintética a relação entre os dois sistema de


custeamento.

Comparação entre custos por ordem e por processo.

Basicamente, o sistema de custeamento por processos é aplicado em


indústrias de produção contínua e padronizada, enquanto que o custeamento por
ordem, é aplicado em indústrias que produzem para clientes com pedidos
específicos. Nesse contexto, tem-se que os custos de produção por processo são
registrados por fase de produção, enquanto que na ordem, os custos são
acumulados por produto, segundo cartões ou fichas denominadas de Ordem de
Produção ou OP.

71
Gestão Industrial II

A acumulação de custos processo, como coincide com o período contábil,


normalmente exige avaliação dos estoques em produção para a determinação do
custo. Por outro lado, na ordem, não havendo relação com o período contábil, os
custos são determinados apenas pela acumulação dos custos já existentes nas
OP’s.

Embora, estejamos em nível avançados dos estudos, não seria redundante


rever os dois conceitos que até o momento abordamos: processos e
departamentos. Então, sabemos que processo é um elemento da organização
estrutural da empresa industrial, no qual se realiza uma atividade ou trabalho
específico. Enquanto que departamentos, ou centro de custos, ou centro de
responsabilidade, função ou operação compreendem outras formas de descrever
um processo.

São tipos de processos que podem ser utilizados na fabricação dos produtos:
processo de acabamento; de polimento; de usinagem; de montagem e
submontagem; de lixamento; de soldagem; de fundição; de lapidação.

Na gestão dos custos por processos, eles são agrupados para um período de
tempo, de acordo com a especificidade do processo, e para isso os custos diretos e
indiretos são acumulados nas contas em contas próprias durante o período, e por
fim, são classificados por departamento ou processo.

Diante do exposto, percebemos que pode-se apurar os custos de fabricação


de um produto de duas formas:

 Fabricação simples, quando a produção ocorre somente em uma etapa


da transformação e ocorre em um único centro produtivo ou departamento.

 Fabricação complexa, que se dá pela execução de diversas etapas no


processo de fabricação do produto final.

72
Gestão Industrial II

Segundo, CAMPIGLIA(1994, p. 160), a apropriação dos custos podem ocorrer a


partir das seguintes hipóteses detalhadas a seguir.

Primeira hipótese. Por um único processo e um único produto

Para determinação do custo médio unitário(Cmu) em um único processo de


produção, faz-se o somatório dos custos de materiais diretos(MP), MOD, custos
indiretos de fabricação(CIF) e divide pelo volume produzido(Qte).

Cmu = (MP + MOD + CIF)/ Qtde produzida

Suponhamos que unidade da produção da Empresa XYZ tenha produzido em


um período 70000 unidades do produto “a”, e ao final da produção foram apurados
os seguintes custos:

Materiais, $40 000,00; mão-de-obra direta, $20 000,00; custos indiretos de


fabricação, $25000,00. Logo a demonstração dos custos podem ser detalhado
conforme tabela abaixo(própria).

COMPONENTES CUSTO TOTAL($) Qtde. PRODUZIDA

Materiais diretos 40 000,00 70 000

Mão-de-obra direta 20 000,00 70 000

Custos indiretos de
25 000,00 70 000
Fabricação

TOTAL DOS CUSTOS 85 000,00 70 000

73
Gestão Industrial II

Segunda hipótese. Por um único processo e dois ou mais produtos.

Para determinação do custo médio unitário(Cmu), quando se tratar de um


único processo e dois ou mais produtos, é obtido pelo somatório dos custos dos
MP; MOD e os CIF após realizar o rateio de forma proporcional de cada produto
produzido e divide pela Qte produzida. Então se ocorrer um caso em que sejam
produzidos os produtos 1, 2 e 3, a apuração do Cme será obtido pela aplicação da
fórmula a seguir para os mesmos individualmente.

Cme1 = (MP1 + MOD1 + CIF1) / Qtde1 produzida

Cme2 = (MP2 + MOD2 + CIF2) / Qtde2 produzida

Suponhamos que uma indústria tenha produzido os produtos 2500 unidades


de “A” e 2800 de “B”. Os custos de produção apurados no período de tempo foram
o seguintes: MP, $5000,00; MOD, $20 000,00; CIF, $10 000,00. Destaca-se que a
composição dos custos se dá em um percentual de 57% para o produto “A” e 33%
para o produto “B”.

Logo a demonstração dos custos podem ser detalhados conforme tabela


abaixo(própria).

Itens CUSTO TOTAL($) PRODUTO “A”($)

Materiais diretos 5000,00 2 850,00

Mão-de-obra direta 20 000,00 11 400,00

Custos de Indiretos de
10 000,00 5 700,00
Fabricação

TOTAL DOS CUSTOS 35 000,00 19 950,00

Quantidade Produzida 2 800,00

Custo Unitário Médio $7 125,00

74
Gestão Industrial II

Segunda hipótese: Por diversos processos e um produto.

Para determinação do custo médio unitário(Cmu) de diversos processos e um


produto, obtém-se pelo somatório dos custos de materiais diretos(MD), MOD e CIF,
dividindo pelo somatório dos volumes de produtos produzidos em cada um dos
processos. E é calculado pela seguinte forma:

Processo A = (MPA + MODA + CIFA )/ QtdeA

Processo B = (MPB + MODB + CIFB) / QtdeB

Suponhamos que uma empresa de produção de cimento, apurou os custos de


produção por tonelada de cimento(desconsiderando outros insumos) fabricado
em três departamentos/centro de custos: A; B e C, conforme abaixo.

O custo por quilograma de cimento produzido é detalhado conforme tabela


abaixo.

PROCESSO Centro custo Centro Centro KG por - Custo por kg


A ($) custo B($) custo fabricação ($)

C ($)

Transporte - 2000,00 2200,00 -

MP 1650,00 42,00 -

MOD 340,00 125,00 180,00 -

CIF 32,00 130,00 175,00 -

TOTAL 2022,00 2297,00 2555,0 920 4,69


0

75
Gestão Industrial II

Importante!

Importante, entender que ao atribuir os custos ao processo, faz-se


necessário em dado momento determinar o valor da produção que está em
andamento, o dificulta sua apuração porque a produção inacabada poderá estar
localizada qualquer um dos processos de produção.

Vimos nesta parte que apuração dos custos de produção não é tão simples e
requer alguns cuidados.

Então vamos lá.

Quando se depara no final do período, com produtos ainda em fase de


processamento, faz-se necessário determinar em que estágio de fabricação se
encontram essas unidades.

O primeiro passo é definir uma unidade equivalente.

Por exemplo: Se tomarmos por base duas panelas cheias de comida, dizemos
que são unidades equivalentes. Por outro lado, a produção de (2)dois setores
correspondente a com 50% de sua capacidade, equivale a produção total(100%)
de 1(um) setor.

Observa-se que as estimativas do estágio de produção de um produto


são realizadas pelas pessoas que estão diretamente ligadas na fabricação do
produto.

Vamos a um exemplo para melhor ilustrar essa análise, tomando o caso


apresentado por MARION(1990, p. 190) de equivalência de produção na área da
Pecuária de vacas grávidas(prenha).

76
Gestão Industrial II

Tempo de prenhez Número de Multiplicador Unidades


matrizes equivalentes
Um mês completo 420 1/9 46,67
Dois meses incompletos 395 2/9 87,78
Três meses incompletos 390 3/9 130
Quatro meses incompletos 420 4/9 186,67
Cinco meses incompletos 400 5/9 222,22
Seis meses incompletos 380 6/9 253,33
Sete meses incompletos 410 7/9 318,87
Oito meses incompletos 405 8/9 360
Nove meses incompletos 380 9/9 380
Total 3600 - 1985,54

Muito, sem considerar a possibilidade de particionar um bezerro em geração


do ventre das matrizes, verificamos que existem 3600 bezerros para nascerem ao
completar o período de geração. Mas, para análise de equivalência, vemos que
existem 1986(1985,54 arredondados) bezerros completos nas 3600 vacas grávidas.

Para MARTINS(1998, p. 175), um problema que normalmente ocorre nas


indústrias de produção
“e que costuma dificultar e às vezes até impedir os
cálculos unitários, nas fases intermediárias é a não
existência de se conhecer os volumes físicos
transferidos de um para outro departamento. Sem o
conhecimento dessas quantidades não é possível
trabalhar-se com custos unitários. Às vezes é preferível
não se fazer custos do que tê-los de forma irregular; a
crença em números não necessariamente verdadeiros
é por demais perigosas”.

77
Gestão Industrial II

Veremos um exemplo, de fabricação de cadeiras(LEONE, 1982 p. 291,


adaptado) em que são produzidas em separados e em unidades diferentes suas
partes:

 assentos, que traduz na parte inferior;

 encosto: parte superior;

 estrutura metálica.

No final do mês de junho, estavam produzidas 100 unidades de assentos(saldo


inicial de junho), restando o fabricar os encostos e podendo-se afirmar que 50%
das cadeiras estavam concluídas. A contabilidade informa que na conta
denominada de “produção em andamento”, envolvendo MP, MOD e CIF, está
registrada a importância de $900,00.

No final do mês de julho, a indústria informa que a fabricação de 1600 cadeiras


e a contabilidade registrou como gastos de produção $33 500,00. Informa também,
que ainda existem outros 160 assentos concluídos o que equivale a dizer que
existem 160 cadeiras incompletas ou em fase de fabricação.

78
Gestão Industrial II

Vamos refletir!

Aí, você poderá se perguntar: Como determinar o custo unitário dessa


produção?

Então vamos lá.

 Primeiro. Entre as 1600 cadeiras concluídas e prontas para saída, existiam


100 outras que estavam incompletas na montagem no mês de julho;

 Segundo: Essas 100 cadeiras, embora incompletas, haviam consumidos


gastos de produção relativo ao mês de junho;

 Terceiro. Existiam outras 160 cadeiras com a fabricação incompleta e que


haviam consumidos gastos de produção relativos ao mês de julho.

Bem, agora vamos organizar tudo isso.

SALDO EM SALDO EM SALDO EM


UNIDADES JUNHO JULHO AGOSTO
Saldo inicial de julho 50 50 0
Das 1600 de julho, 100 foram 0 1500 0
fabricadas parcialmente em
junho)
80 unidades iniciadas em 0 80 80
julho para ser conclusão em
agosto
Quantidade produzida em 1630
julho ou equivalente
Portanto, a partir da totalização dos custos de produção, podemos partir para
a apuração do custo unitário médio:

 Mês de junho: $ 900,00 / 50 unidades = $18,00 por unidades.

 Mês de julho: $ 32 600,00 / 1630 unidades = $20,00 por unidades

 Total: $ 33 500,00

79
Gestão Industrial II

A partir do conhecimento dos custos unitários, a empresa poderá determinar o


valor das unidades acabadas e do estoque final em fabricação a partir da escolha
mais adequada(PEPS, UEPS ou outros).

Em julho houve o processamento de 1760 unidade, assim distribuída:

 100 unidades vieram processados parcialmente no mês de junho.

 1500 unidade foram iniciadas e concluídas durante o mês;

 160 unidades foram parcialmente processadas no mês e passaram para o


mês seguinte.

Vejamos:

PERÍODO UNIDADE CUSTOS CUSTOS TOTAL


S ATRIBUÍDOS

Produzidas 100 50% do 50 x $18,00 =


em junho e custo de junho e $900,00
julho em julho
50 x $20,00 =
$1000,00

Produzidas 1500 Custo total 1500 x $20,00 =


em julho de julho $30 000,00

Produzida 160 50% do 160 x 0.50 x


parcialmente custo de julho $20,00 = $1600,00
em julho

80
Gestão Industrial II

Percebe-se que da mesma forma que as 100 unidades que compunham o lote
de produtos em processamento no início de julho receberam custos de junho e de
julho, as 160 unidades em processamento ao final do mês recebem custos desse
mês e receberão custos do mês agosto.

Evitar perdas e estragos

Um aspecto de grande importância na gestão dos custos por processos na


gestão industrial, é adotar uma prática de qualidade que eliminem as perdas no
processo de produção. Assim a mensuração dos custos das perdas de produção e
dos custos de sua redução, mediante a adoção de treinamento e qualificação os
profissionais ou revisão de processo, permitirá com isso, a tomada de decisões
sobre o aperfeiçoamento da qualidade e reduções de custos.

Quando ocorrer perdas ou estragos de quaisquer componentes de custo, dois


procedimentos poderão ser utilizados:

 Todos os custos decorrentes das perdas ou estragos serão atribuídos às


unidades remanescentes. Essa forma é recomendável quando as perdas e
estragos se situarem em padrões normais e previsíveis;

 Todos os custos decorrentes das perdas ou estragos serão atribuídos ao


período. Essa forma é adotável para as perdas anormais e de grande valor.
Assim, os valores decorrentes das perdas ficam foram do processo e são
lançados diretamente ao resultado.

Na sequência, vamos estudar gestão dos custos por processos sob


encomenda.

81
Gestão Industrial II

Critérios de Rateio na Departamentalização

Quando a empesa faz a opção pelos critérios de rateio por


departamentalização ou por centro de custos, parte do princípio que, após a
realização de estudos profundas das atividades, funções ou especialidades, elas são
organizadas de forma a identificar as semelhanças para o exercício das atividades
empresariais e atingir os objetivos. Portanto, sabemos que podemos dizer que a
departamentalização se destina a separar as atividades de uma empresa de acordo
com a natureza de cada uma delas, procurando maior eficiência nas operações.

As atividades são demonstradas e formalizadas no organograma da


contabilidade de custos, utiliza-se dessa departamentalização para realizar o rateio
dos custos indiretos de fabricação acumulados para posterior alocação aos
produtos. Veremos que o rateio ou custeio por departamentalização se trata de
uma ferramenta gerencial importante que aborda a composição de custos com
base nos departamentos, setores ou áreas da empresa, fornecendo assim
informações úteis para tomadas de decisões no âmbito da gestão industrial.

Veremos que cada centro de custos individualmente serão utilizados de


formas diferentes nos produtos, ou seja, as empresas são divididas em
departamentos que podem ser divididos em dois grandes grupos:

 aqueles que executam tarefas e promovem algum tipo de modificação


sobre o produto diretamente, também chamados de Departamento de
Produção ou produtivos, pois neles os produtos são movimentados
fisicamente e,

 aqueles que não recebem os produtos, atuam como suporte às operações


de produção e são chamados Departamentos de Serviços. Nesses
geralmente não há presença de custos apropriados diretamente aos
produtos, pois estes não passam por eles.

82
Gestão Industrial II

Devido à função do Departamentos de Serviços ser a prestação de serviços a


outros Departamentos, têm seus custos transferidos para os que deles se
beneficiam. Então, vê-se que os departamentos de serviços não atuam na
produção, mas dão suporte aos departamentos de produção. Assim, seus custos
são apropriados aos departamentos de produção que recebem seus serviços. Após
receber os custos do departamento de serviço, o de produção, juntam com os seus
próprios custos e, finalmente e depois transferem aos produtos.

Podemos usara como exemplos de departamentos de serviços os setores de


Administração da Fábrica; de Manutenção; de Almoxarifado; de Expedição; de
Controle de Qualidade, entre outros.

Para a realização do rateio dos custos de departamentalização ou centro de


custos, deverá realizar os seguintes procedimentos.

 Executar o rateio dos Custos Comuns existentes nos diversos


departamentos de acordo com sua natureza, tais como, aluguel,
depreciação do imobilizado, gastos com energia, despesas com seguros,
entre outros.

 Após a identificação dos Custos Indiretos por departamentos ou centro


de custos, realiza o rateio dos custos dos Departamentos de Serviços para
os Departamentos de Produção.

 Quando realizar a transferência dos custos entre os Departamentos, há


necessidade de utilizar-se de critérios baseados em certa hierarquia. E ao
transferi custo para outro departamento, o mesmo não receberá custos
de outrem.

Para melhor compreensão do assunto, vamos utilizar de um exemplo


hipotético de critério de departamentalização.

Então vamos considerar a empresa ALFA, a patir dos seguintes dados:

 A empresa é composta de dois Departamentos de Produção A e B.

 Departamento de Serviço, C.

 Produz dois produtos: X e Y.

83
Gestão Industrial II

Os Custos Diretos, estão apresentados na tabela abaixo:

CUSTOS DIRETOS PRODUTO X ($) PRODUTO Y($)

MP 6000,00 5000,00

MOD 2400,00 2000,00

Total 8400,00 7000,0

Os Custos Indiretos, totalizado em $15 400,00, alocados aos departamentos,


está listado na tabela abaixo:

PRODUÇÃO PRODUÇÃO SERVIÇO Total


DEPARTAMENTOS
(A) (B) (C) $
Mão-de-Obra
2 500,00 3 000,00 1 800,00 7300,00
Indireta (MOI)

Outros 4 500,0 3 400,00 1 300,00 9200,00

TOTAL 7 000,00 6 400,00 3 100,00 16500,00

O critério adotado para transferência de custos do Departamento de Serviço


para os Departamentos de Produção será de acordo com o “número de pedidos”
de cada setor de produção, e é dado por:

Departamento A: 110 pedidos.

Departamento B: 180 pedidos

Total de pedidos: 290 pedidos

84
Gestão Industrial II

Então, os custos do Departamento de Serviços transferidos ao Departamento


de Produção será de:

Cálculo:

Custos de serviços unitários: 3100,00 / 290 = 10,69

Custos do Depto A = 10,69 x 110 = $1 175,90

Custos do Depto B = 10,69 x 180 = $1 924,20

Nesta etapa, os custos do departamento produtivo será o seguinte:

PRODUÇÃO PRODUÇÃO SERVIÇO Total


DEPARTAMENTOS
(A) (B) (C) $
Mão-de-Obra Indireta
2 500,00 3 000,00 0 5 500,00
(MOI)
Outros 4 500,0 3 400,00 0 7 900,00
Custos Recebidos 1 175,90 1 924,20 0 3 100,10
Total 8 175,90 8 324,20 0 16500,10

Será considerado para efeito de rateio dos centros de custos, a quantidade


produzida para os produtos X e Y, tais como:

Produto X = 800 unidades

Produto Y = 350 unidades.

Rateio do Departamento A:

 8 175,90 / 1150 = 7,11

PRODUTOS QUANTIDADE TOTAL ($)


PRODUTO X 800 x 7,11 5 688,00
PRODUTO Y 350 x 7,11 2 488,50

85
Gestão Industrial II

Rateio do Departamento B:

 8 324,20 / 1150 = 7, 24
PRODUTOS QUANTIDADE TOTAL ($)
PRODUTO X 800 x 7,24 5 792,00
PRODUTO Y 350 x 7,24 2 534,00

Logo, os Custos Totais de cada produto será o seguinte:


CUSTOS PRODUTO X ($) PRODUTO Y($)
Matéria prima 6 000,00 5 000,00
MOD 2 400,00 2 000,00
Custos Indiretos recebidos de 5 688,00 2 488,50
A
Custos Indiretos recebidos de 5 792,00 2 534,00
B
Total 19 880,00 12 022,50

Vamos ao cálculo do custo unitário para os departamentos.

Produto A: $19 880,00 / 800 = $24,85

Produto B: 12 022,50 / 350 = $34,35

Então, ao final da avaliação teremos que o custo unitário do rateio entre os


departamentos A e B se deu em$24,85 e $34,35 respectivamente.

Ciclo de Custos numa Empresa de Produção por


Encomenda

As empresas que adotam o sistema de fabricação por ordem organizam sua


produção para atender à encomenda de seus clientes, por isso, têm características
bastante específica e sofre influência das especificidades dos mesmos em suas
operações para atender aos seus clientes, ou seja, produzem grande variedade de
produtos e volumes relativamente pequenos. São exemplos de setores
empresariais que podem ser classificados na produção por ordem: produtoras de

86
Gestão Industrial II

ferramentas especiais, gráficas e empresas responsáveis por grandes projetos, tais


como fabricantes de avião, navios e prédios.

Podem também incluir algumas empresas de serviços, tais como, empresas de


auditoria e de segurança, produtoras de filmes e programas de televisão.

Uma das decisões mais importantes a serem tomadas pelos gestores das
empresas produtoras por ordem está relacionada à fixação de preços, pois, nesse
contexto, a fixação a formação de preço torna-se objeto complexo de análise
porque ele parte das especificações dos clientes, tornando o produto, em, sua
maioria das vezes único, não tendo possibilidade de comparação tando de custos
como mercadológico.

Em uma breve análise no processo histórico da produção podemos perceber


que a produção artesanal atende à característica de produção por ordem ou por
encomenda. O cliente interferia no processo de produção e os preços eram
constituídos pelos artesãos, são parâmetros para analisar comparativamente os
custos e o mercado.

Sistema de custeio por ordem de produção

Os sistemas de ordens específicas de produção baseiam-se na agregação dos


custos específicos de cada produto fabricado e é mais apropriado quando a
produção consiste em ordens especiais ou projetos, em lugar de produtos
padronizados e quadros de produção repetidos ou contínuos. E como vimos,
aplica-se aos sistemas de produção que atendem sob encomenda, sejam estas
unitárias ou em lotes.

Nesse caso, os custos são identificados em cada ordem de produção e não


podendo ser transferidos para outras ordens ou produtos.

De acordo com LEONE(1982, p. 233), empresas que utilizam do método e


custos por ordem de produção:

 Estaleiros que fabricam navio;

 Oficinas gráficas que atendem às encomendas de clientes;

 Empresas e consultoria que prestam serviços sob encomenda;

87
Gestão Industrial II

 Empresas de auditoria;

 Empresas do ramo de projetos de acordo com as especificações dos


clientes;

 Indústrias de equipamentos pesados que recebem encomendas e


especificações dos clientes;

 Produtoras de filmes.

Observa-se que, como as ordens de produção são diferentes, os custos


apurados serão sempre diferentes entre si e os custos de acumulados de matérias-
primas, mão-de-obra e Custos Indiretos de fabricação são computados a partir da
emissão da ordem de produção do lote de um bem ou serviço, porque, a unidade
de saída da produção poderá ser em unidade ou em lote.

Então, uma conta será utilizada para apropriar o material, a mão-de-obra e o


rateio dos Custos Indiretos de Fabricação à medida que os consumos forem sendo
efetuados até a obtenção final do produto acabado ou serviço realizado. E, se a
ordem compreender um lote de produtos ou serviços, o custo total será dividido
pela quantidade de unidades produzidas, para a obtenção do custo unitário.

Portanto, se terminar o período em análise e o produto não estiver ainda


terminado, não há encerramento da conta e os custos permanecem na forma de
produtos em elaboração, do grupo de estoques do ativo circulante. O
encerramento dessa conta ocorrerá somente quando do término da produção.
Assim, será possível apurar os resultados, podendo ser lucro ou prejuízo, mediante
a subtração do preço dos custos acumulados nos preços de venda na ordem em
questão, eliminando assim a necessidade de apuração periódica dos resultados.

Vamos refletir!

E como são realizados os registros de produção?

88
Gestão Industrial II

Vimos que pela característica da produção por ordem não possibilitar o


registro de dados históricos para análise dos custos, a estimativa dos custos torna-
se difícil. Assim, a empresa quando receber uma encomenda de produção, deverá
fazer uma revisão e definição das especificações na preparação dos projetos e dos
desenhos preliminares que serão utilizados junto às requisições dos clientes para
realizar uma estimativa dos custos eficaz. Importante lembrar que os custos de
produção incluem no processo de fabricação os custos tangíveis, tais como
ferramentas equipamentos) bem como os custos intangíveis, tais como a
tecnologia, desenvolvimento do produto, entre outros que participam das
operações em suas diversas etapas.

Assim que for iniciada uma ordem, a contabilidade de custos promoverá a


coleta de todos os consumos utilizados na execução, que serão identificados de
acordo com as ordens emitidas.

Produção por ordem no longo prazo.

Se ao final do exercício(ano civil, mês), o produto relacionado a uma ordem


não estiver concluído, o saldo dessa conta será classificado como Produtos em
Elaboração. E, no decorrer do tempo os valores dessa conta serão transferidos para
Produtos Acabados ou para Custo dos Produtos vendidos, sendo essa a regra
universal de acumulação de custos que serão transferidos para o resultado por
ocasião da entrega do produto produzido.

Então, sabe-se que para os contratos de longo prazo como da construção civil,
de infraestrutura, aviões, etc, de acordo com MARTINS(2003, p. 146), “deve-se fazer
a apropriação do resultado de forma parcelada, durante a produção”. Fica
implícito, que as receitas e custos inerentes a esses projetos deverão compor o
resultado durante os períodos de fabricação de produtos que têm seus processos
fundamentados na produção ou execução no longo prazo.

Assim, quando o tempo de produção é de muito longo prazo, é importante


que conheça as receitas ao final do exercício contábil, mesmo que não aconteça a
transferência da propriedade do projeto ou do produto.

89
Gestão Industrial II

Relacionemos as principais razões para se reconhecer as receitas de produção


em contatos de longo prazo, que têm como característica a produção por
encomenda.

 Reconhecimento dos lucros durante o processo de produção como


informação importante para o investidor.

 Informações relativas aos lucros orientam no processo de tomadas


de decisão.

 A contabilidade e a demonstração do resultado deverá a atender às


necessidades dos usuários.

Uma segunda questão que deverá nortear essa orientação se refere aos custos
que deverã0o ser atribuídos a essa receita segundo MARTINS(2003, p. 147).

 Critério de apropriação de custos de acordo com o contrato.

 Critério de proporcionalidade do custo total.

 Critério de proporcionalidade do custo de conversão.

Na maioria dos contratos existem as especificações de quanto cabe da receita


para cada produto ou serviço executado, pois é possível medir o volume do que foi
realizado, tais como na construção de estradas, os metros cúbicos de terra
retirados, removidos ou colocados, a tonelagem de cimento aplicada, etc.

Para utilizar o critério de proporcionalidade do custo total faz-se uma


estimativa de quanto foi executado do total do projeto em cada período. E, a
utilização do critério de proporcionalidade do custo de conversão leva em
consideração somente os custos relativos à mão-de-obra e custos indiretos(custos
de conversão). Parte-se do princípio que a matéria-prima, mesmo podendo
representar grande parte dos custos, não representa um esforço da empresa.

90
Gestão Industrial II

Leitura Complementar!

CAMPIGLIA, Américo Oswaldo; CAMPIGLIA, Oswaldo Roberto P. Controles de


Gestão: controladoria financeira das empresas. São Paulo: Atlas, 1993.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 7. Ed. Atlas. São Paulo: 1998.

Nesta unidade vimos que os custos podem ser podem ser identificados e
geridos por produtos ou por períodos, possibilitando alcançar os objetivos finais
com eficácia e otimização a utilização da MP, MOD, CIF a partir da adoção de
critérios previamente definidos no processo de gestão.

Vimos também, que existem outras formas de gestão do custo de fabricação


obedecendo as diversas etapas dos processos de produção. No caso da produção
por processo ou contínua, também conhecida como em série ou em massa, a
produção fornece uma saída contínua de produtos ou produtos homogêneos,
podendo ser um único produto(automóvel) ou diversos produtos
homogêneos(refrigerantes, artigos farmacêuticos).

Pode-se ainda, utilizar outras formas de gestão dos custos que podem serem
adotadas e nesta unidade abordamos a definição de centros de custos ou a
departamentalização com atividades e colaboradores organizados de forma a
possibilitar a identificação dos custos em cada centro de custos que será associado
no final ao produto em questão.

A adoção da cultura da qualidade na gestão dos custos como parâmetro que


orienta os critérios e apropriação dos custos de forma ótima.

Após estes estudos, vamos caminhar mais um pouco e na próxima unidade


detalhar um pouco mais os sistemas de custeio dos custos no processo de
fabricação.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

Bons estudos e vamos para a próxima unidade.

91
Gestão Industrial II

Exercícios – Unidade 3

1) Quanto se tratar de apuração do custo de produção por ordem de serviço e


por produção contínua ocorrem pequenas variações no que se refere ao
tratamento contábil. Assim sabe-se que uma das características específicas da
produção contínua para apuração do custo de produção, sob o enfoque contábil, é
que o está na alternativa:

a) quando o custo é avaliado de acordo com o custo médio ponderado.

b) Quando o custo é acumulado em uma conta específica para cada


encomenda.

c) Quando o encerramento das contas ocorre quando os produtos são


elaborados.

d) Quando o valor dos custos é calculado unidade por unidade.

e) Quando o custo indireto é alocado aos produtos sem passar pelos

Departamentos.

2) Na gestão industrial de uma empresa, deverá adotar o método de custeio


mais adequado ao estilo e processos utilizados nas operações de produção. A partir
dessa assertiva, assinale a alternativa que representa uma diferença entre o método
de custeio por processo e o método de custeio por ordem de produção

a) O método de custeio por processo considera todos os custos de fabricação


como custos dos produtos enquanto o método de custeio por ordem de produção
considera apenas os custos variáveis como custos dos produtos

b) O método de custeio por processo analisa o comportamento dos custos por


atividades, estabelecendo relações com o consumo, já o método de custeio por
ordem de produção analisa o comportamento dos custos individualmente.

92
Gestão Industrial II

c) O método de custeio por processo é geralmente utilizado na produção de


produtos heterogêneos, enquanto o método por ordem de produção é geralmente
utilizado na produção em massa.

d) O método de custeio por processo acumula os custos por departamento,


enquanto o método de custeio por ordem de produção acumula os custos
individualmente.

e) O método de custeio por processo calcula os custos unitários diretamente


no controle de registro de custo, enquanto o método de custeio por ordem de
produção calcula os custos unitários em um relatório de produção.

3) Na apropriação dos custos é possível afirmar que no processo de


contabilização dos custos por

a) ordem, os custos devem ser levados ao resultado a cada encerramento de


resultado.

b) produção contínua, os custos devem ser levados ao resultado quando se encerra


a produção do bem e é feita a sua estocagem.

c) ordem ou produção contínua, os custos indiretos são acumulados nos diversos


departamentos para depois serem alocados aos produtos.

d) produção contínua, não são utilizadas as taxas de aplicação de CIP, para


reconhecimento dos custos indiretos.

e) ordem ou produção contínua, os custos de cada encomenda em processo de


produção são transferidos para estoque de produtos acabados, ao final de cada
período, para apuração dos resultados.

4)Uma empresa que utiliza o método de custeio por processo tem os seguintes
dados para o período:

 Custo da produção do período: $ 8.000,00;

 Unidades iniciadas no período: 180 unidades;

93
Gestão Industrial II

 Unidades em elaboração no final do período: 60 unidades, sendo o


equivalente a 2/3 acabadas;

 Unidades semiacabadas do período anterior: 40. As unidades


semiacabadas do período anterior já haviam absorvido, no período anterior, 50%
de todos os custos de produção. O custo unitário da produção semiacabada do
período anterior é de $20,00. As unidades semiacabadas do período anterior foram
totalmente acabadas no período.

Tomando-se como base os dados apresentados e os conceitos de equivalente


de produção, o custo unitário do período e o custo total da produção acabada são
respectivamente:

a) $45,00; $8.000,00

b) $40,00; $6.800,00.

c) $28,57; $1.600,00

d) $30,00; $6.800,00.

e) $40,00; $8.000,00

5) Observe as assertivas abaixo que se referem aos tipos de produção:

I- O custeio por ordem é utilizado em empresas que fabricam produtos


diferenciados sob encomenda.

II- Na produção por ordem, os custos são acumulados em conta específica para
cada ordem ou encomenda.

III- No custeio por processo, os custos são acumulados em conta de custos de


produção do período e são encerradas somente quando os produtos ficam
prontos.
IV- Na produção por processo, quando a empresa tem produtos em elaboração,
utiliza-se o equivalente de produção para apurar o custo médio por unidade.
V- O custeio por processo é utilizado quando a empresa produz produtos
homogêneos em escala.

94
Gestão Industrial II

Marque a alternativa que apresenta as opções corretas.

a) Apenas I e II.

b) Apenas II e III.

c) Apenas III e IV

d) Apenas I, III, IV e V.

e) Apenas I, II, IV e V.

06) Uma das características do sistema de Custeio por Ordem de Produção é a


de que os custos incluídos nas ordens de fabricação:

a) passam a compor ao estoque de matérias-primas enquanto as referidas


ordens não forem completadas.

b) passam a compor ao estoque de produtos prontos enquanto as referidas


ordens não forem completadas.

c) passam a compor ao estoque de gerais de fabricação enquanto as


referidas ordens não forem completadas.

d) passam a compor ao estoque de produtos em processo enquanto as


referidas ordens não forem completadas.

e) passam a compor aos custos diretos e indiretos enquanto as referidas


ordens não forem completadas.

7) Uma indústria que orienta sua produção e acumula os custos de produção


por ordens de produção, em seus registros em relação aos processos de
produção no encerramento do exercício social contábil:
CUSTOS OP 101 OP 102 OP 103
Matéria-prima $74 000,00 $55 000,00 $70 000,00
MOD $20 000,00 $10 000,00 $18 000,00
Outros Custos $6000,00 $5 000,00 $2 000,00

95
Gestão Industrial II

Na avaliação dessas Ordens de Produção, essa indústria anotou o


seguinte estágio de produção, para o acabamento das respectivas ordens:
OP.101 = 95%; OP.102 = 60% e OP.103 = 10%.

Considerando-se as informações recebidas e as características técnicas de


Produção por Ordem, qual é o valor, em reais, do estoque dos Produtos (bens)
em Elaboração, no período das anotações feitas por tal indústria?

a) 90.000,00

b) 114.000,00

c) 146.000,00

d) 160.000,00

e) 260.000,00

8) A departamentalização auxilia na alocação racional de custos aos produtos,


mas exige que seus diversos componentes estejam adequadamente conceituados
e mensurados. Para a contabilidade de custos, um desses componentes é a
unidade mínima de acumulação de custos indiretos, conceito que define:

a) os departamentos de serviços.

b) os centros de custos.

c) a gerência de administração da produção

d) a equipe de contabilidade de custos.

e) os departamentos de produção.

96
Gestão Industrial II

09) Uma indústria ao atender duas ordens de produção, organizou duas ordens de
produção: OP 101 e OP 102. Os CIF apurados são os seguintes:

Custos Valores ($)


Materiais indiretos 2300,00
Mão-obra indireta 2200,00
Depreciação do edifício 1200,00
Depreciação de equipamentos 1300,00
Total do CIF 7000,00

Apresentar a alocação do CIF para cada das ordens, sabendo-se que cada
ordem assume, respectivamente, a 55% e 45% dos custos apurados.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

10)Destaque e exemplifique a principal característica da utilização da alocação


de custo por departamentalização.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

97
Gestão Industrial II

98
Gestão Industrial II

4 Sistemas de Custeio de
Produção e suas
Aplicações

99
Gestão Industrial II

Prezado(a)s aluno(a)s,

Nessa unidade faremos um estudo sobre os sistemas de custeio de produção,


ou melhor, a apropriação dos custos do processo de fabricação que tem por
objetivo auxiliar na orientação da gestão industrial e na identificação de seu
comprometimento nos preços para atingir as metas de longo prazo que é a
perpetuidade da empresa.

Nesse contexto, será necessário definir o custo de oportunidade que é aquele


que o empresário se dispõe a investir ou ainda aquele limite de definição do lucro
nos negócios. Sim, ele irá compor os preços e ajudará na composição do lucro na
formação dos preços do produto. Vimos em unidades anteriores, a importância do
gerenciamento e quando uma mesma estrutura de produção como equipamento,
máquinas são utilizados para produzir mais de um produto ou o processo de
produção ou ocorre em mais de uma fase, exigirá uma gestão eficiente para alocar
os custos a cada fase no processo.

O custeio por absorção, além de fornecer metodologia que possibilita à


empresa ter o controle dos recursos e fatores de produção utilizados, atende às
exigências do Imposto de Renda e adota como metodologia a realização de uma
distinção entre os gastos diretamente relacionados ao processo de
produção(custos diretos, indiretos, fixos e variáveis) e os demais gastos, esses
denominados como despesas. Assim, reconhece somente como custo do produto
(bens ou serviços) aqueles gastos relacionados diretamente a ele durante o
processo de produção.

E para atender às necessidades de controle dos custos baseados nas atividades


utilizadas no processo de produção, temos o método de Custeio Baseado em
Atividade, o ABC(Activity-Basead Costing) que é uma metodologia que procura
reduzir as distorções provocadas pela apropriação dos custos indiretos. Baseia-se
na identificação das atividades relevantes em cada apartamento, proporcionado
uma análise mais consistentes quanto a problemas como retrabalho de produtos
defeituosos ou gargalos de produção, permitindo à empresa quantificar os atrasos
e ineficiências do processo produtivo, utilizando-se dos direcionadores de
custos(cost drivers).

100
Gestão Industrial II

Objetivos da unidade:

 Identificar o custo de oportunidade na fabricação de um produto;

 Apurar o custo de oportunidade para na formação dos preços de venda;

 Apurar os custos dos produtos em produção conjunta;

 Aprimorar o sistema gerencial de custos na utilização de mesmo fator de


produção;

 Estruturar o gerenciamento de custo por absorção;

 Identificar o custeio baseio em atividades como método de gestão de


produção.

Plano da unidade:

 Custo de oportunidade e fixação do preço-meta

 Custos Conjuntos

Determinação dos custos conjuntos

A concepção dos subprodutos e sucatas.

 Método de Custeio por Absorção

Custeio por absorção e custeio direto: diferenças e semelhanças

 Método do custeio direto ou variável

 Custeio Baseado em Atividades(ABC) e CBA(cost driver)

Realize os estudos na sequência do conteúdo e para uma boa compreensão,


faça uma primeira leitura sem interrupção, seguida de uma segunda leitura
marcando os pontos principais e na terceira procure construir conhecimentos a
partir das anotações para desenvolver autonomia para realizar suas atividades.

Bons estudos!

101
Gestão Industrial II

Custo de oportunidade e fixação do preço-meta

Vimos que o custo é um fator de grande importância para as tomadas de


decisões relativas à gestão da produção e interfere na fixação dos preços de venda
dos produtos ou serviços. Sabe-se que as empresas se sujeitam à dinâmica do
ambiente do mercado que se mostra mais competitivo e permeado por constantes
mudanças da tecnologia nos fatores de produção. Assim, nesta sessão, veremos a
interferência dos componentes da Teoria Econômica que demonstram a análise do
custo de oportunidade na avalição da produção e na formação dos preços e
garantir o lucro necessário e se manter competitiva no seu ramo de atuação.

Diante do exposto, vamos lembrar o que seja custo de oportunidade?

Segundo MARTINS(2003, p. 235), o custo de oportunidade está sempre


presente quando a empresa admite a aceitação de uma alternativa de produção à
expensa de exclusão de outra produção, ou de forma mais incisa, o custo de
oportunidade “representa o quanto a empresa sacrificou em termos de
remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de outra”.
De uma forma mais simplista, podemos dizer que o custo de oportunidade
representar o quanto a empresa perde ao deixar de produzir o produto A, quando
faz a opção por produzir o produto B.

Neste contexto, existem alguns conceitos em economia que devem ser


considerados quando se propõe analisar o custo de oportunidade no âmbito das
tomadas de decisão.

 As pessoas enfrentam o trade-offs. Ocorre devido à escassez dos


recursos ou fatores de produção que possibilite atender a todas necessidades e
assim precisa fazer escolhas. De uma forma mais simples, diante da estrutura que a
empresa possui, não consegue produzir todos os produtos que os clientes queiram
e assim precisa escolher entre alternativas do que e quanto produzir.

 O custo de alguma coisa é aquilo de que se desiste para obtê-la.


Definida a escolha de qual produto produzir e colocar no mercado, a empresa

102
Gestão Industrial II

poderá apurar o custo ou a renúncia a que é submetida por deixar de produzir o


outro produto.

 As pessoas racionais pensam na margem. Em estudos anteriores do


curso tivemos acesso a um conceito importante na tomada de decisões de
produção que a racionalidade limitada que leva a empresa a fazer a escolha entre
as alternativas, que traduz em maior satisfação para ela, ou seja, maior retorno para
seus objetivos. Assim, as alternativas são escolhidas mediante comportamento
racional, em que as alternativas de ação de uma decisão são avaliadas de forma
sistemática e coerente, e a escolha da melhor opção tem como fronteiras as
limitações do mundo real.

Importante!

Trade-off ou tradeoff é uma expressão em inglês que explica o ato de


fazer uma opção em detrimento de outra opção que pode ser entendido como um
"perde-e-ganha".

No contexto da economia, a expressão trade-off pode ser entendida como custo


de oportunidade, pois representa o que uma pessoa deixa de usufruir de uma coisa
por ter escolhido outra. Assim, o trade-off implica um conflito de escolha e uma
consequente relação de compromisso, porque a escolha de uma coisa em relação à
outra, implica não usufruir dos benefícios da coisa que não é escolhida. Nos elementos
que faz a escolha deve conhecer os lados positivos e negativos das suas
oportunidades.

Na logística, um trade-off implica um custo para uma determinada empresa,


porque tem que investir para melhorar vários aspectos do negócio (como
equipamentos, formação de trabalhadores, melhorar as estruturas e os transportes,
etc.).

Vamos analisar o custo de oportunidade a partir de um exemplo hipotético.

Utilizando-se dos fatores de produção de uma empresa(tecnologia, mão de


obra, matéria-prima), o benefício proporcionado será a produção de 200 unidades
do produto A e 220 unidades do produto B.

103
Gestão Industrial II

Veja que se a empresa chegar a conclusão que deverá produzir o produto A(


100 unidades), ela deixará de produzir 20 unidades(200-220) do produto B. isto
significa que o custo de oportunidade de produzir A, será de 20 unidade de B.
Dessa análise, infere-se que a empresa deverá fazer uma análise profunda dos
custos de produção das alternativas, para analisar de forma racional e fazer a
escolha mais adequada.

Pode observar que as informações relacionadas ao custo de oportunidade, é


utilizado na Contabilidade Gerencial para tomadas decisão, mesmo que que a
Contabilidade Financeira não faça seus registros devido à sua importância no
contexto de avaliação dos resultados da empresa.

Como diz MARTINS(2003, p. 234), o custo de oportunidade é um dos


“conceitos não usuais na Contabilidade de Custos, mas não menos importantes do
que os já vistos; pelo contrário, tão ou mais necessários para que a pessoa que
toma decisões ou prepara e fornece relatórios para essa finalidade”.

Outro aspecto que precisa ser considerado quando se trata de gestão


empresarial é o risco do negócio quando se calcula o custo de oportunidade.

Imagine que você disponha em uma aplicação $50 000,00 que lhe dê um
retorno de 10% ao no de juros. Um amigo, querendo abrir um negócio, solicita um
empréstimo do mesmo valor e propõe lhe pagar os mesmos 10% ao ano de juros.
Mas, ao analisar o negócio o projeto do negócio do amigo, você não ver dúvidas na
concretização do projeto. Qual a decisão irá tomar? Claro, se fizer a análise racional
do negócio, concluirá que há risco nele e desistirá de ajudar o amigo, pois, há um
componente econômico nesta relação.

Diante do exposto, pode-se inferir que os gestores precisam se ocupar do


custo de oportunidade no momento apurar os custos de produção e na formação
dos preços de venda que poderá considerar em todos os níveis do negócio, como
os equipamentos e tecnologia utilizada, nos custos e gastos relacionados aos
imóveis, móveis que participam do processo de produção.

Além dos componentes utilizados diretos no processo de produção como os


investimentos em Ativo Fixo, a gestão deverá considerar também o custo do
capital de giro necessário ao funcionamento do negócio, bem como deverá

104
Gestão Industrial II

analisar o custo de oportunidade que incide sobre os capitais provenientes dos


acionistas da empresa. Isso equivale a dizer que a empresa deverá remunerar os
investimentos feitos pelos seus acionistas, no mínimo o valor correspondente ao
custo de oportunidade das quantias investidas no negócio, bem como para seus
proprietários, remunerar no mínimo o valor que deixou ganhar para investi na
empresa.

Com isso, vimos que a Gestão Econômica, adota critérios econômicos de


mercado para mensuração do lucro e do valor do patrimônio da empresa,
considerando que esses valores são inseparáveis, pois o lucro da empresa é o
mesmo que benefício gerado pelo patrimônio.

Portanto, podemos dizer que o custo de oportunidade não é analisado


somente pela ótica do custo, pelos gastos com produção e distribuição, mas
também, deverá ser entendido na valoração econômica, tendo o preço como
percepção de valor. E, como quando aplicado às decisões de formação do preço,
poderá ser verificado em duas situações diferentes: na apuração do custo do
objeto de custeio e na enumeração dos investimentos realizados pelos acionistas
na empresa.

Para atingir seu efeito, o custo de oportunidade deve ser calculado para cada
etapa no processo de produção e cada área deverá “pagar” pelos custos que lhes
são imputados. Importante, perceber que esses custos poderão se converter em
benefícios para a empresa.

Vejamos dois exemplos de custo de oportunidade.

1) Uma empresa realizou uma venda no valor de $40 000,00 para


recebimento em 2 meses e o custo do dinheiro ou taxa de juros ou TMA
praticado pelo mercado foi de 2% ao mês. Analisemos esse caso do
resultado financeiro(despesa financeira ou receita financeira).

DF = Vv – Vv /(1 + i)n, onde:

DF = despesas financeiras

Vv = Preço de venda

105
Gestão Industrial II

i = taxa de juros

n = prazo da operação.

DF = 40 000,00 – 40 000,00 / (1 + 0,02)2

DF = 40 000,00 – 40 000,00 / 1,061208

DF = $2 307,10

Como vimos, nesta operação, a empresa terá uma perda financeira no valor de
$2307,10 se trabalhar com a concessão de prazo para suas vendas porque não
incorporou juros para as vendas e existe um custo de oportunidade ou seja, a
oportunidade de aplicar no mercado a taxa de 2% ao mês.

2) Uma empresa realizou uma compra no valor de $40 000,00 para


pagamento em 2 meses e o custo do dinheiro ou taxa de juros ou TMA
praticado pelo mercado foi de 2% ao mês. Analisemos esse caso do
resultado financeiro (despesa financeira ou receita financeira).

RF = Vc – Vc /(1 + i)n, onde:

RF = receitas financeiras

Vc = Preço de venda

i = taxa de juros

n = prazo da operação

RF = 40 000,00 – 40 000,00 / (1 + 0,02)2

RF = $2 307,10

Nesse caso, vemos que a decisão gerencial para de negociar prazo para
pagamento do valor das compras, proporcionará um retorno financeiro de $2
307,10.

106
Gestão Industrial II

Custos Conjuntos

A evolução das atividades empresariais, devido ao avanço da tecnologia e da


gestão, torna-se comum e eficaz a empresa utilizar-se de sua estrutura de produção
para a fabricação de mais de um produto, de subprodutos e com isso ampliando
sua participação em mercados diferentes e mantendo-se competitiva.

A utilização de modelos modernos de gestão industrial leva em consideração a


possibilidade de tomar decisões que irão influenciar positivamente nos resultados
econômicos e financeiros e melhorar a utilização de sua capacidade instalada em
benefício de uma gestão de custo eficaz.

É mais comum encontrar o sistema de produção em conjunto em empresas


com características de produção contínua mas também, com possibilidade de
ocorrer nas empresas que produzem sob encomendas. Um exemplo se aplica a
empresa que fabrica móveis escolares que a partir de um lote de madeiras poderá
construir cadeiras e mesas sob encomenda.

Existem processos industriais que se caracterizam por dificuldade em atribuir


certos custos aos produtos que os originaram, como as atividades industriais
originadas em que do fluxo comum do processo produtivo surgem mais de uma
espécie ou qualidade de produtos.

Então vemos que, quando dois ou mais produtos são originados de uma
mesma matéria-prima, ou de mesma mão de obra, ou de um mês processo,
dizemos que essa é denominada de produtos conjuntos ou coprodutos, ou seja,
são os custos incorridos do início até o ponto de separação dos processos em
conjunto que, devido ao seu fluxo comum, é conhecida como produção conjunta.

São exemplos de custo conjunto.

 Um frigorífico que tem como função abater o animal, fatiar em diferentes


tipos e qualidades de carne e armazenar as peças em câmeras frigoríficas até sai
comercialização.

107
Gestão Industrial II

 O refino de petróleo cru, cujo processo de redução resulta em uma


produção simultânea de óleo combustível, gasolina, óleo lubrificante, parafina,
asfalto.

O ponto de separação é o ponto, ou a etapa, ou fase do processo produtivo no


qual cessa o processamento industrial conjunto no mesmo ambiente, quando
ocorrerá a transformação em outros processos na operação ou poderá se torna
produto acabado ou em estado bruto. A gasolina, derivada de um refina, na
refinaria, poderá ser colocada à disposição do consumidor ou ser utilizada como
subproduto para a produção de combustíveis especiais para aeronave,
embarcação, etc.

Como vimos, existem processo de produção que utiliza da mesma matéria-


prima para fabricação de produtos diferentes, denominados de produtos
conjuntos ou coprodutos.

Então, os coprodutos, têm como caraterística ser produzidos simultaneamente


como resultado do mesmo processo de fabricação tornando-se difícil de forma
concreta determinar os valores dos custos aplicáveis a cada produto. Outra
característica é que esses produtos ocupam papel secundário para definir a posição
de mercado sob o ponto de vista da empresa, embora tenha sua importância no
contexto dos seus objetivos.

Podemos colocar como coproduto o caso de uma madeireira que de um lote


de toras, poderá extrair matéria-prima para construção, para produção de móveis,
para acabamentos de residência, etc. E observe que individualmente cada
coproduto tem seu valor, mas individualmente não representa o objetivo final da
empresa. Percebe-se que a produção conjunta se mostra mais frequente na
produção contínua ou por processo, mas, é possível ser aplicada na produção por
ordem ou encomenda.

108
Gestão Industrial II

A concepção dos subprodutos e sucatas.

Para MARTINS(1998, p. 131), subprodutos são aqueles itens que, nascendo de


forma normal durante o processo de produção, possuem mercado de venda
relativamente estável, tanto em relação ao mercado potencial como relacionado ao
seus preços, porém, representa tem pouco influência no faturamento total da
empresa.

E, o ponto de separação das operações, mostra quando há a separação do


mesmo do produto final no processo de fabricação e o avanço da tecnologia na
produção industrial possibilita o aproveitamento em nível comercial das sobras
ocorridas na produção. Muitos restos de produção eram considerados lixos e
passaram a ser matéria-prima para outros produtos. São exemplos a utilização de
sobras da indústria pesqueira utilizando para produzir ração entre outros.

Quanto a apropriação dos custos, temos que observar que existem aqueles
que precedem ao ponto de separação do processo de produção, não são
identificáveis de forma definida e precisam ser utilizar métodos fundamentados em
ase lógica para fazer a apropriação.

Em conjunto aos subprodutos, há também as inevitáveis sucatas, ou sobras, ou


perdas que acompanham o processo de produção. E podem surgir da produção ou
de matérias-primas com defeitos, entre outros. Ao contrário dos subprodutos, elas
podem não ser passíveis de comercialização e virar perda e custo para a empresa.

Portanto, as sucatas não recebem atribuição de custos, mesmo que tenham


sido originadas do processo de produção e sejam consideradas como itens normais
em uma produção contínua, exatamente pelos problemas relativos à sua
potencialidade de obtenção de receita. E, se a empresa conseguir colocar à venda,
essas receitas serão classificadas como eventuais em outras receitas operacionais.

Determinação dos custos conjuntos

A escolha dos métodos de rateio dos custos, terá sempre pontos de


questionamento ou vulnerabilidade devido ao seu grau de arbitrariedade, ou seja,
não há método autossuficiente. Todos podem ser questionados. E não seria
diferente quando se tratar de processos relacionados aos produtos conjuntos ou
coprodutos e para aproximar-se do ideal, utiliza-se os mais conhecidos. Vamos a
eles.

109
Gestão Industrial II

Método de ponderação. Caberá a gestão de custos estabelecer um peso para


coproduto em termos de dificuldade, importância, facilidade de comercialização,
etc., para conhecer seus custos. É arbitrário, mas tem sua importância.

Valor do mercado ou valor das vendas. Bastante utilizado pelo


entendimento de que produtos de maior valor, recebem maior alocação de custos
e exige maior atenção na gestão da produção. Seu maior método será distribuir de
forma homogênea entre os coprodutos. Consiste em atribuir custos
proporcionalmente ao valor de mercado dos coprodutos. Vamos a um exemplo
hipotético.

Consideremos a empresa Bombom Ltda., apurou um custo de $450 000,00,


correspondentes aos produtos A, B e C apresentados na tabela abaixo.

Preço de Quantidade Valor da venda Percentual de


Coprodutos
venda ($) produzida ($) participação(%)

A 60,00 30 000 1 800 000,00 41

B 40,00 35 000 1 400 000,00 32

C 30,00 40 000 1 200 000,00 27

Total 105 000 4 400 000,00 100

Então, vamos fazer a atribuição dos custos com base no faturamento


correspondente ao volume produzido.

Coprodutos (%) do valor de Custo atribuído


venda ($)

A 41 123 000,00

B 32 144 000,00

C 27 108 000,00

Total 100 450 000,00

110
Gestão Industrial II

Após atribuído os custos aos produtos a partir da definição percentual e em


havendo custos adicionais nas operações, deverá deduzir esses custos da parcela
percentual do faturamento. Então, se considerar que os coprodutos A, B e C
recebessem custos adicionais de $25 000,00; $32 000,00 e $ $18 000,00,
respectivamente, a distribuição dos custos conjuntos seria o seguinte:

Vendas(–) custos
Coprodutos % Custos atribuídos ($)
adicionais($)

A 98 000,00 33 99 000,00

B 112 000,00 37 111 000,00

C 90 000,00 30 90 000,00

Total 300 000,00 100 300 000,00

A = 123 000,00 – 35 000,00; B = 144 000,00 – 32 000,00; C = 108 000,00 – 18 000,00

Valor produzido. Adotando o método de custeio pelo volume ou quantidade


produzida nos custos conjuntos, apura-se a porcentagem de cada coproduto em
relação ao volume de produção de acordo com sua unidade de produção utilizada
em função das características do produto em análise.

Observe a tabela abaixo.

Qtde Custos
Coprodutos %
produzida atribuídos($)*

A 30 000 28,6 128 700,00

B 35 000 33,3 149 850,00

C 40 000 38,1 171 450,00

Total 105 000 100 450 000,00

*custo conjunto: $450 000,00.

111
Gestão Industrial II

Por esse método será possível distribuir os custos de acordo com as unidades
produzidas, desde que as unidades de produção sejam as mesmas.

Igualdade do lucro bruto. Consiste em atribuir os custos conjuntos de forma


que o lucro por unidade produzida seja o mesmo para todos os coprodutos.

Consideremos a empresa Bombom Ltda., que obteve no ano “n” a receita


bruta no valor $1 000 000,00. Teremos.

Receita Bruta $1 000 000,00

(-) Custos conjuntos ($450 000,00)

= Lucro Bruto $550 000,00

Do primeiro cálculo, podemos verificar que o lucro por unidade será de $5,24
(550 000,00 / 105 000 un.) e os custos unitários(custo do coproduto dividido pela
quantidade) será respectivamente: $4,10; $4,11 e $2,70. Por esse critério a empresa
terá de forma definitiva o lucro obtido em cada coproduto.

Vimos nesta secção a importância da empresa se ocupar em apurar a


participação dos custos em suas diversas etapas para produção conjunta como
condição para as tomadas de decisões adequadas nas fases de operações de
fabricação e atender aos objetivos de lucratividade e competitividade.

Então, vamos caminhar um pouco mais e nas secções seguintes aprofundar


um pouco sobre os critérios de custeio.

Método de Custeio por Absorção

Vamos aprofundar sobre os métodos de custeio mais utilizados para apuração


dos custos de produção e nesta primeira parte veremos o método de custeio por
absorção. Tem origem na Revolução Industrial e se fundamenta nos princípios
fundamentais da contabilidade.

É o método aceito pela Legislação Societária (Lei n. 6.404/76) e fiscal


(legislação do Imposto de Renda) e a tende a decisões de longo prazo, inclusive,
pode ser utilizado em formação de preço de venda.

112
Gestão Industrial II

E como apurar o custeio de absorção?

Utiliza-se como metodologia pela realização de uma distinção entre os gastos


diretamente relacionados ao processo de produção (custos diretos, indiretos, fixos
e variáveis) e os demais gastos, esses denominados como despesas. Assim,
reconhece somente como custo do produto (bens ou serviços) aqueles gastos
relacionados diretamente a ele durante o processo de produção.

Veremos as etapas.

Separação entre custo e despesa. Separar os gastos com a fabricação do


produto (custos) dos gastos que não estão relacionados ao processo produtivo
(despesa).

Apropriação dos custos diretos aos produtos. A apropriação dos custos


diretos é feita pelos sistemas de requisição de matéria-prima, apontamento de
horas de mão de obra, medição de energia elétrica p/hora máquina etc.

Rateio dos custos indiretos. A apropriação dos custos indiretos é feita através
de rateio. Existem várias formas de rateio, cuja utilização irá depender das
estruturas produtiva e sistêmica da empresa.

Os custos indiretos podem ser rateados mediante a aplicação da


proporcionalidade dos custos diretos, mão de obra direta, matéria-prima
consumida, quantidade produzida, ou outro critério mais adequado ao tipo de
mercadoria produzida.

Portanto, o sistema de custeamento por absorção consiste na apropriação de


todos os custos de produção aos bens produzidos, ou seja, todos os gastos
relativos de produção distribuídos para todos os produtos ou serviços.

A principal falha do custeio por absorção, é a utilização de rateios dos gastos


fixos, pois por mais objetivo que sejam os critérios de rateio, sempre haverá um
componente arbitrário, que irá distorcer os resultados apurados por produto e
dificulta decisões gerenciais.

113
Gestão Industrial II

De acordo com o método de custeio por absorção, a apuração dos Custos dos
Produtos Vendidos(CPV) é realizado da seguinte forma:

(=) Estoque Inicial de Materiais Diretos

(+) Compras Líquidas de Materiais Diretos

(-) Estoque Final de Materiais

(=) Custo dos Materiais Diretos Consumidos

(+) Custo da Mão de Obra Direta

(+) Custo Indireto de Fabricação

(=) Custo de Produto do Período

(+) Estoque Inicial de Produtos em Processo

(-) Estoque Final de Produtos em Processo

(=) Custo da Produção Acabada

(-) Estoque Final de Produtos Acabados

(=) Custo dos Produtos Vendidos.

Por outro lado, a Demonstração do Resultado do Exercício de acordo com o


método de custeio por absorção será o seguinte:

Vendas Líquidas

(-) Custos dos Produto Vendidos

(=) Lucro Bruto

(-) Despesas Operacionais

(=) Lucro Operacional

(+) Receitas não Operacionais

(-) Despesas não Operacionais

(=) Lucro Antes do Imposto de Renda

(-) Imposto de Renda

(=) Lucro Líquido do Exercício

114
Gestão Industrial II

Vamos desenvolver um exemplo hipotético de uma empresa denominada


VITORIA S.A

O custeio por absorção consiste na apuração de todos os custos, fixos e


variáveis, à produção do período, excluindo os gastos que não pertencem ao
processo produtivo (despesas).

Consideremos que a empresa produz os produtos X e Y com as seguintes


características:

Itens Produto X Produto Y

Quantidade produzida 7000 unidades 2100 unidades

Preço de venda $55,00 $65,00

Material Direto $10,00 $12,00

Mão de obra Direta $5,00 $3,00

Os Custos Indiretos de Fabricação(CIF) por período são os seguintes:

Aluguel: $90 000,00

Depreciação do ativo $80 000,00

Mão de obra Indireta $40 000,00

Energia Elétrica $ 23 000,00

Total dos CIF $233 000,00

Apurando o custo de Material Direto.

Produtos Cálculo CIF ($) %

Produto X 7000 unid. x $10,00 70 000,00 91,7

Produto Y 2100 unid. x $3,00 6 300,00 8,3

Total 76 300,00 100,0

115
Gestão Industrial II

Logo, a apropriação do CIF por produto, considerando o Material Direto de


produção será:

Produto X: $233 000,00 x 0,917 = $213 661,00

Produto Y: $233 000,00 x 0,083 = $19 339,00

Total = $233 000,00

Os CIF por unidade serão os seguintes:

Produto X: $213 661,00 / 7000 unidades = $30,52

Produto Y: $19 339,00 / 2100 unidades = $9,21

Agora podemos apurar o Custo Unitário Total(CUT) que é composto pelo


somatório: Material Direto + Mão de obra Direta + CIF.

Produto X: $10,00 + $5,00 + $30,52 =

CUT(X) = $45,52

Produto Y: $12,00 + $3,00 + $9,21 = $ 24,21

CUT(Y) =$ 24,21

Calculamos a Margem Bruta por unidade.

Produto X Produto Y

Preço de Venda $55,00 $65,00

(-) CPV ($45,52) ($24,21)

Lucro Bruto $9,48 $40,79

Margem Bruta 17,23% 62,75%

Na última tabela, pode-se perceber qual foi o percentual(margem bruta) de


lucro obtido em cada produto após a apropriação dos custos pelo método de
absorção.

116
Gestão Industrial II

Método do custeio direto ou variável

Esse é o método de custeio em que os produtos fabricados são alocados


somente nos gastos variáveis, ou seja, são aqueles que variam proporcionalmente
ao volume das atividades da empresa, sendo que os gastos fixos não compõem a
valorização dos produtos, pois devem ser tratados como despesas.

A Demonstração do Resultado do exercício, de acordo com o método de


custeio variável, é a seguinte:

Vendas

(-) Custos e Despesas Variáveis

(-) Despesas Operacionais

(=) Lucro Antes do Imposto de Renda

(-) Imposto de Renda

(=) Lucro Líquido do Exercício

Vê-se que a Margem de Contribuição é obtida pela diferença entre as vendas e


os gastos variáveis (gastos e despesas), a qual será utilizada para contribuir os
gastos fixos e gerar lucro.

Outro aspecto importante a considerar no custeio é a identificação dos custos


diretos, que são apropriados diretamente aos produtos, os indiretos, que são
aqueles não relacionados diretamente com o processo produtivo, fixos, que
independem da produção para que eles existam, e os custos variáveis que estão
relacionados à produção. Esses assuntos foram abordados de forma mais
detalhada nas unidades anteriores.

117
Gestão Industrial II

Então, podemos verificar as relações e semelhanças entre os dois


métodos anteriores.

Custeio por absorção e custeio de direto: diferenças e semelhanças

Características do custeio direto ou variável.

 Classificação dos custos em fixo e variável.

 Não se preocupa com a classificação dos custos em direto e indireto.

 Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de


vendas.

 É dotado como critério administrativo e gerencial.

Características do Custeio por absorção.

 Não se ocupa em classificar os custos fixos e variáveis.

 Classifica os custos diretos e indiretos.

 Os resultados apresentados não sofrem influência direta do volume de


vendas.

 Tem aspecto legal e fiscal.

 Outro método importante e muito utilizado na gestão industrial para


custeio dos custos de produção é o ABC.

 Então vamos lá.

118
Gestão Industrial II

Custeio Baseado em Atividades (ABC) e CBA


(cost driver)

O Custeio Baseado em Atividade, o ABC (Activity-Basead Costing) é uma


metodologia que procura reduzir as distorções provocadas pela apropriação dos
custos indiretos. Baseia-se na identificação das atividades relevantes em cada
apartamento, proporcionando uma análise mais consistentes quanto a problemas
como retrabalho de produtos defeituosos ou gargalos de produção, permitindo à
empresa quantificar os atrasos e ineficiências do processo produtivo, utilizando-se
dos direcionadores de custos(cost drivers).

Uma atividade descreve o modo como uma empresa emprega seu tempo e
recursos para alcançar os objetivos empresariais. A função principal da atividade é
converter recursos, tais como materiais, mão de obra, produção, ou seja, produtos
e serviços. Sabe-se que as atividades transcendem todas as etapas dentro da cadeia
de valor e o custo de atividade compreende todos os sacrifícios de recursos
necessários para desempenhá-la. Assim deve-se incluir, os salários com os
respectivos encargos sociais, materiais, depreciação, energia elétrica, instalações,
etc.

No processo de gestão dos custos é possível agrupar itens de custo em um só


para refletir a natureza dos gastos pelo uso total, tais como:

Custo de Remuneração = Salários + Encargos + Benefícios

Custo de Uso de Instalações = Aluguel + Imposto Predial + Água + Luz

Custo de Comunicação = Telefone + Fax + Correio

Número de Milhas Voadas = Transporte Aéreo

Número de passageiros = Transporte Urbano ou Coletivo

Número de Pedidos de Compras = Departamento de Compras

119
Gestão Industrial II

O desmembramento de uma conta em várias subcontas é recomendável para


melhor evidenciar os recursos utilizados por diversas atividades. A conta Mão de
obra indireta, por exemplo, pode ter que ser aberta para separar as quantias gastas
nas diferentes finalidades, tendo como fonte de dados para custear as atividades a
razão geral da empresa.

Importante!

Qual o desafio do Custeio Baseado em Atividade (ABC)? Promover a


escolha dos direcionadores de custos, pois, procura atribuir os Custos Indiretos de
Fabricação(CIF) aos produtos e serviços. Assim, os CIFs são atribuídos com base no
material ou na mão de obra.

Portanto, os direcionadores de custos de atividades identificam como os


produtos consomem atividades e servem para custear produtos ou serviços
indicando essa relação entre as atividades e os produtos.

A mesma atribuição dos custos se aplica aos custos variáveis relacionados ao


nível de produção, tais como a horas de mão de obra direta, horas-máquinas e
custo de matéria-prima, porém, estes direcionadores não são apropriados para
determinar o comportamento da maioria dos custos fixos.

Pelo conceito de direcionador de custos, entende-se à associação a uma


atividade específica possibilitando sua interpretação, determinação e utilização do
direcionador de custos do que na tradicional base de rateio.

Percebe-se que em uma comparação com os métodos tradicionais, o ABC


representa uma apropriação mais direta porque os primeiros consideram como
custos e despesas diretos de fabricação apenas os materiais diretos e mão de obra
diretos. Enquanto que o ABC, reconhece como diretos, os custos e despesas
anteriormente tratados como indiretos, não em relação aos produtos fabricados,
mas às atividades necessárias para fabricar os produtos.

120
Gestão Industrial II

Portanto, é bom esclarecer que os custos indiretos mais comuns no processo


de produção são os seguintes.
 Mão de obra: MOD, horas tralhadas, número de funcionários;

 Tempo de máquina: por máquina, por linha de máquinas, por


hora/máquina;
 Unidades acabadas: por peças, por litros, por galões,
 Utilização Física: por metro quadrado, por equipamentos, por valor
imobilizado.

Importante!

Vamos detalhar um pouco o CBA – O causador do custo(cost driver) e o


ABC.

O primeiro passo é identificar as atividades, ou seja, o conjunto de tarefas


coordenadas e combinadas que tem por finalidade agregar valor a um objeto
mediante a aplicação de recursos durante a execução de seus processos, como a
manutenção, a preparação de um pedido, a estocagem, o recebimento da matéria-
prima, etc.

Assim, vemos que o ABC - Activity Based Costing, é um sistema baseado em


custeio que se utiliza da discriminação de atividades para a atribuição de custos,
passando pela sua acumulação em centro de atividade ou centro de custos, e
tendo como elo de ligação entre a acumulação e os produtos ou serviços o cost-
driver, ou seja, o direcionador de custos. Estes que devem manter uma relação
íntima com a atividade desenvolvida. Na prática, esses cost-drivers são apurados
nas diversas atividades sendo esses alocados aos produtos por meio de
direcionadores específicos.

Importante!

No CBA, todos os custos que não podem ser alocados diretamente ao


produto ou serviço, são canalizados às atividades necessárias nas operações
necessárias à concretização do produto ou serviço, considerando a intensidade de
consumo em cada atividade.

121
Gestão Industrial II

Assim vê que o CBA se dá como uma melhoria conseguida na apropriação dos


custos e ganha crescente aceitação pelas empresas.

Vamos um exemplo hipotético para melhor compreender o método de


custeio ABC, de uma indústria têxtil que produz dois produtos P1 e P2 conforme os
dados a seguir.

Produção e faturamento

Produtos Produção Preço unitário ($) Valor das vendas($)


mensal

P1 20 000 unidades 4,00 80 000,00

P2 10 000 unidades 6,00 60 000,00

.Identificação dos custos diretos

Itens P1 ($) P2 ($)

Materiais 4,00 4,00

MOD 1,00 1,60

Total dos custos por 5,00 4,60


unidade

Identificação dos custos indiretos mais as despesas


Itens Valores ($)

Aluguel 20 000,00

Material de consumo 20 000,00

Despesas incorridas 16 000,00

Total dos custos indiretos e despesas 66 000,00

122
Gestão Industrial II

Diante dos dados, podemos aplicar o modelo de custeio ABC.

O primeiro passo será identificar as atividades relevantes de cada centro de


custos ou de departamentos.

Centro Custo A (CCA): compra dos materiais

Centro de Custo B(CCB): fabricação

O segundo passo será atribuir os custos identificados a cada atividade.

Centro de custos Atividades Custos indiretos + despesas($)

CCA compra dos materiais 26 000,00

CCB fabricação 40 000,00

Total 66 000,00

O terceiro passo será identificar os diferenciadores das atividades e o


levantamento das quantidades de diferenciados.

Centro de Atividades Diferenciadores de


Custos atividades

CCA Compra dos materiais Número de pedidos

CCB Fabricação Tempo de produção

Centro de Custos P1(unidades) P2(unidades) Total

Número de pedidos 200 unidades 300 unidades 500 unidades

Tempo de produção 3 000 horas 4 000 horas 7 000 horas

123
Gestão Industrial II

Podemos, agora, encontrar os custos de cada atividade conforme seus


diferenciadores.

Compra de materiais - diferenciador: número de pedidos

Custo total: $26 000,00

Itens P1 P2 Total

Número de pedidos 200 300 500

Variação 40% 60% 100%


percentual

Custo de compras $10 400,00 $15 600,00 $26 000,00

Fabricação – diferenciador: tempo de produção

Custo total: $40 000,00

Itens P1 P2 Total

Tempo de 3 000 4 000 7 000 horas


produção

Variação 42,8% 57,2% 100%


percentual

Custo de compras $17 120,00 $22 880,00 $44 000,00

Assim pudemos ver como os custos podem ser apropriados pelo método
de custeio ABC e encerramos essa unidade.

124
Gestão Industrial II

Bibliografia Complementar

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 7. Ed. Atlas. São Paulo: 1998.

TUNG, N. H.. CBA – Custeio à Base de Atividade no Brasil: Estudos de casos. Boletim
IOB – Temática Contábil e Balanços. São Paulo: 1994.

Nessa unidade, vimos que o sistema de custeio de produção, ou melhor, a


apropriação dos custos do processo de fabricação o que auxilia na orientação da
gestão industrial e na identificação de seu comprometimento nos preços para
atingir os objetivos definidos de longo prazo que é a perpetuidade da empresa. E
nesse contexto, faz-se necessário definir o custo de oportunidade que é aquele
custo em que o empresário se dispõe a investir ou ainda aquele limite de definição
do lucro nos negócios. Ele compõe os preços e ajuda na composição do lucro na
formação dos preços do produto.

Sabe-se que a importância do gerenciamento quando de uma mesma


estrutura de produção como equipamento, máquinas é utilizada para produzir
mais de um produto ou o processo de produção ocorre em mais de uma fase,
exigirá uma gestão eficiente para alocar os custos a cada fase no processo.

A escolha do método de custeio é outro fator que dependerá de atenção do


gerenciamento de custos. O custeio por absorção, além de fornecer metodologia
que possibilita à empresa ter o controle dos recursos e fatores de produção
utilizados, atende às exigências do Imposto de Renda e adota como metodologia a
realização de uma distinção entre os gastos diretamente relacionados ao processo
de produção(custos diretos, indiretos, fixos e variáveis) e os demais gastos, esses
denominados como despesas. Assim, reconhece somente como custo do produto
(bens ou serviços) aqueles gastos relacionados diretamente a ele durante o
processo de produção.

125
Gestão Industrial II

Outro método eficiente para atender às necessidades de controle dos custos


baseados nas atividades utilizadas no processo de produção, temos o método de
Custeio Baseado em Atividade, o ABC(Activity-Basead Costing) que é uma
metodologia que procura reduzir as distorções provocadas pela apropriação dos
custos indiretos. Baseia-se na identificação das atividades relevante em cada etapa
do processo de produção o que possibilita uma análise mais consistentes quanto a
problemas como retrabalho de produtos defeituosos ou gargalos de produção,
permitindo à empresa quantificar os atrasos e ineficiências do processo produtivo,
utilizando-se dos direcionadores de custos(cost drivers).

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

Bons estudos e vamos para a próxima unidade.

126
Gestão Industrial II

Exercícios – Unidade 4

01) A teoria econômica utiliza o termo trade-off para explicar a tomada


de decisões por parte das pessoas. Segundo a teoria, toda a decisão requer a
comparação entre custos e benefícios dentre variadas possibilidades
alternativas de ação. O trade-off enfrentado pelo agente econômico implica
um custo

a) de oportunidade.
b) marginal.
c) de transação.
d) de eficiência
e) de equidade.

02) Uma empresa realizou uma compra no valor de $100 000,00 para
pagamento em 5 meses e o custo do dinheiro ou taxa de juros ou TMA praticado
pelo mercado foi de 1,5% ao mês. Determinar o resultado financeiro(despesa
financeira ou receita financeira) desta operação, em valor aproximado.

a) $9 180,00

b) $8 880,00

c) $7 180,00

d) $6 250,40

e) $5 110,00

03) Uma determinada indústria que produz quatro modelos de um produto,


utilizando a mesma matéria-prima e o mesmo processo produtivo,
apresentou as informações descritas abaixo.

1. Custos conjuntos da produção dos modelos

Matéria-prima consumida - 225.000,00

Mão de obra direta - 75.000,00

Mão de obra indireta - 20.000,00

Gastos gerais de fabricação - 30.000,00

127
Gestão Industrial II

2. Produção dos coprodutos e preço de venda


Produção em Peço de venda
Coprodutos
unidades Unitário($)
P1 1944 6,00

P2 1656 6,50

P3 2100 6,10

P4 2300 6,80

Sabendo-se que a indústria apropria os custos conjuntos pelo método do


volume produzido, o lucro bruto total com a venda do modelo P4, é

a) 43,75

b) 50,55

c) 70,15

d) 86,25

e) 90,06

04) Determinada indústria incorreu nos seguintes gastos para produzir


seu único produto:

Custos fixos: R$ 60.000,00

Custos variáveis:

Matéria-prima: R$ 10,00/unidade

Mão de obra direta: R$ 5,00/unidade

Despesas fixas: R$ 20.000,00

Despesas variáveis: R$ 2,00/unidade

Comissões de venda: 3% do preço de venda

Informações sobre a venda do produto:

Preço de venda: R$ 100,00/unidade

Impostos sobre a Venda: 10% da receita de vendas

128
Gestão Industrial II

Se a empresa deseja obter um lucro de R$ 130.000,00 e adota o método


de custeio por absorção, o ponto de equilíbrio econômico é, em unidades,

a) 1.900

b) 3.000

c) 2.100

d) 2.625

e) 2.715

05) O custeio por absorção é permitido pela atual legislação brasileira. A


respeito desse assunto, assinale a opção correta.

a) O sistema de custeio por absorção é que apura o valor dos custos dos
bens ou serviços com base apenas nos custos diretos aplicados na produção, o que
permite determinar o ponto de equilíbrio econômico e contábil.

b) Uma das vantagens do custeio por absorção é a possibilidade de


identificar a capacidade ociosa de uma fábrica.

c) Um ponto negativo, ao se adotar o custeio por absorção, é a


impossibilidade de alocação dos custos em centros de resultado, o que só pode ser
feito ao se adotar o custeio variável.

d) O custeio por absorção é o método que consiste em atribuir aos produtos


fabricados todos os custos de produção, quer de forma direta ou indireta. Assim,
todos os custos, sejam eles fixos ou variáveis, são absorvidos pelos produtos.

e) Ao se adotar o custeio por absorção, minimizam-se os problemas


vinculados à determinação incorreta de custos de produtos. Como o custeio por
absorção é permitido pela legislação vigente, a apuração dos custos é a que reflete
mais adequadamente o custo dos produtos, evitando distorções causadas
comumente pela alocação dos custos indiretos.

129
Gestão Industrial II

06) No setor privado, a terminologia “custeio” não tem o mesmo


significado que tem no setor público. No que diz respeito ao custeio dos
produtos e considerando a realidade das empresas privadas, não é correto
afirmar o seguinte:

a) o Custeio Baseado em Atividades (ABC) é o tipo de custeio não tradicional


e sua aplicação nos relatórios contábeis não é aceita para efeitos fiscais e
societários.

b) o custeio por absorção, embora de amplo uso e aceitabilidade fiscal e


societária, para efeito de informações gerenciais, é limitado face ao tratamento
dispensado aos custos indiretos.

c) o custeio direto ou variável é de aceitação fiscal e societária face à


informação gerada, que é denominada de “Margem de Contribuição”.

d) o custeio Reichskuratoriun fur Wirtschaftlichtkeit (RKW) teve sua origem na


Alemanha em fase histórica pós-segunda guerra mundial e a intenção inicial era
formar preço.

e) quando tudo o que é produzido é também vendido, o que torna o saldo


do estoque dos produtos acabados igual a zero, os resultados apurados, tanto pelo
custeio por absorção quanto pelo custeio direto ou variável, serão iguais.

07) As seguintes informações foram extraídas do departamento de


montagem de uma Indústria, no mês de agosto de 2017, que utiliza o Sistema
de Custeio ABC:

Produtos Materiais MOD ($) Número de Unidade de


Diretos($) Pedidos Medida(kwh)

A 22 000,00 8 000,00 15 7 000


B 28 000,00 12 000,00 25 13 000
TOTAL 50 000,00 20 000,00 40 20 000

130
Gestão Industrial II

Nessa indústria, foram identificadas as seguintes atividades relevantes:


Atividade Direcionado de custo
Realizar engenharia Pedidos de alteração na engenharia
Energizar Quilowatt-hora
Os custos indiretos de manufatura para o mês foram:

Realizar engenharia: $ 84 000,00

Energizar: $ 15 000,00

Total dos custos indiretos: $ 99 000,00

Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta o


custo total do Produto “A” e do Produto “B”, respectivamente, utilizando o
método ABC.

a) $66.750,00 e $ 102.250,00.

b) $69.600,00 e $ 99.400,00.

c) $72.429,00 e $ 96.571,00.

d) $73.560,00 e R$ 95.440,00.

e) $95 44,00 e $73.560,00.

08) A perspectiva da racionalidade limitada é associada frequentemente aos


processos de decisão intuitivos. A tomada de decisão intuitiva é um(a)

a) processo cognitivo inconsciente, apoiado nas experiências vividas, em


associações holísticas ou em conexões difusas entre informações divergentes.

b) processo de tomada de decisões a partir de modelos simplificados que


extraem aspectos essenciais dos problemas sem capturar toda a sua complexidade.

c) conjunto de escolhas consistentes, feitas de forma imparcial, baseadas em


opções relevantes, para maximizar valor dentro de certos limites e restrições.

131
Gestão Industrial II

d) sequência lógica ou um raciocínio explícito usado para tomar decisões, em


vez da experiência e do discernimento.

e) tendência individual de acreditar que se pode prever e controlar o resultado


de eventos aleatórios, buscando informações que corroborem escolhas anteriores.

09) Destaque as fases de apuração de custos pelo método de custeio por


absorção e o que cada uma consiste.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

10) Comente a definição do CIF (custo indireto de fabricação) e cite pelos três
critérios de rateio utilizados para apropriação desses custos.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

132
Gestão Industrial II

5 Relações: Custo/
Volume / Lucro

133
Gestão Industrial II

Prezado(a)s aluno(a)s

Na continuidade de nossos estudos na gestão industrial, após aprofundar


conhecimentos sobre os métodos de custeio, vamos avançar analisando a relação
existente entre o custo, o volume de produção e o lucro como estratégia necessária
para que eficácia na produção e a obtenção dos lucros a que a empresa se destina.

Para isso, importante utilizar-se do método da apuração do ponto de


equilíbrio, ou seja, o break-even point que aponta a quantidade necessária de
produção em que cobrirá os custos totais. Nesse ponto, a empresa não terá lucro,
nem prejuízo e sim o ponto de partida que orientará o planejamento para todas a
decisões empresariais. Importante entender ainda que está implícita a gestão
eficiente dos custos para que sejam otimizados em todas as suas fases. Nesse,
ponto a empresa poderá utilizar de diversos métodos de apuração dos pontos de
equilíbrio, ou seja, contábil, financeiro e econômico e cada um atendendo
determinadas especificidades. Em complemento a esta etapa inclui a margem de
segurança que irá demonstrar sobre diversos aspectos os resultados dos custos
presente em cada fase de produção e ser utilizada como orientação o processo de
tomada de decisão.

Em seguida, veremos o custo-padrão que ocupa importante papel na gestão


dos custos da produção e para alocar aos seus respectivos departamentos ou
centros de custos para que sejam instrumento de gestão e tomadas de decisões, da
etapa da produção que lhe cabe. E poderá utilizar métodos de avalição estendendo
ao volume de matéria-prima, mão de obra utilizada e os custos indiretos de
fabricação.

Caberá a cada método disponibilizar as informações necessárias para uma


gestão eficaz dos fatores de produção utilizados em todas as etapas e atividades no
ambiente da empresa.

134
Gestão Industrial II

Objetivos da unidade:

 Compreender a importância da análise custo/volume\lucro no


processo de gestão dos custos na produção;

 Compreender a aplicação dos ponto de equilíbrio para identificar o


volume de produção necessária para cobrir os custos e fomentar o
lucro;

 Conhecer os métodos de gestão dos custos pelos variados pontos de


equilíbrio para atender a determinada necessidade;

 Compreender como utilizar a margem de contribuição e margem de


segurança na gestão de custos na produção industrial;

 Desenvolver competências para estabelecer o custo-padrão


necessário a alocação entre os centros de custos ou departamentos;

 Identificar as variações dos custos-padrão como auxílio à gestão


industrial.

Plano da unidade:

 Importância da análise de Custo/Volume/Lucro

 Análise do ponto de equilíbrio

Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)

Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE)

Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF)

 Margem de Segurança

 Custo Padrão e Análise das Variações.

As vantagens do custo-padrão

Custo-padrão de matéria-prima

Custo-padrão da mão de obra

Custo-padrão de Custos Indiretos de Fabricação

Bons estudos!

135
Gestão Industrial II

Importância da análise de Custo/Volume/Lucro

A análise do Custo/Volume/Lucro trata-se de uma ferramenta fundamental


para decisões gerenciais nos aspectos de preço de vendas, quantidade vendida e
produzida, área de prejuízo e lucro, e ponto de equilíbrio. A análise baseia-se
principalmente nos efeitos que irão ocorrer sobre os lucros da empresa mediante
uma alteração no volume de vendas, preço de venda, composição de vendas e
custos.

A análise de Custo /Volume /Lucro é relevante por que:

 É um dos instrumentos importantes da área de custos que pode ser


utilizado nas decisões gerenciais.

 Visa demonstrar as inter-relações existentes entre as vendas, os custos


(fixos ou variáveis) e o lucro alcançado.

 Proporciona respostas às questões relacionadas:

 O empreendimento é viável?

 Qual o produto mais rentável?

 Qual o produto mais lucrativo?

 Quais as consequências da retirada de determinado produto de


fabricação?

 Variando um tipo de custo, quais as consequências nos resultados da


empresa?

 Reduzindo a produção, quais as consequências nos resultados?

 Quais as consequências das variações de custos nos resultados?

 Produzindo vários produtos, em proporções diferentes, quais as


consequências no ponto de equilíbrio?

136
Gestão Industrial II

Análise do ponto de equilíbrio.

Ponto de equilíbrio (break-even point) é um nível de atividades em que as


receitas são iguais às despesas e, consequentemente, o lucro é igual a zero.

Break-even point: o que é?

O break-even point é o ponto de equilíbrio de uma empresa, ou seja,


é o momento em que a receita se iguala aos custos, ou seja, alcança
um valor necessário para cobrir custos fixos e variáveis. Portanto, no
balanço financeiro do negócio representa o equilíbrio entre
despesas e receita. Isso significa que ao atingir o break-even point, a
empresa ainda não possui lucro, mas atingiu a condição de para
cobrir seus custos e a partir daí poderá avançar para obter o lucro
desejado.

A análise do ponto de equilíbrio poderá assumir o papel que durante o


período considerado, as vendas sejam iguais à produção, ou seja, onde: Receitas =
Despesas.

Assume-se também, que os preços de vendas se mantenham uniformes e que


atendam as seguintes condições.

 Um único produto é vendido a um preço fixo ou o intervalo


observado permite a adoção de um preço médio fixo.

 Um grupo de produtos é vendido com uma variação fixada de preços


e mantêm um preço fixo unitário.

 Um grupo de produtos é vendido com uma variação fixada e


mantendo a relação percentual fixa com os custos variáveis.

137
Gestão Industrial II

Portanto, o a apuração do ponto de equilíbrio é importante nas seguintes


situações.

 Para lançamento de novos produtos, para determinar o volume de


vendas necessário para o ponto de equilíbrio do projeto.

 Para avaliar o potencial de alavancagem dos lucros da empresa.

 Para avaliar mudanças, tais como a subcontratação que transformam os


custos fixos em custos variáveis.

O Ponto de Equilíbrio pode ser desmembrado em pelo menos três formulas


utilizadas de acordo com o objetivo:

 PEC = Ponto de equilíbrio Contábil (com depreciações)

 PEE = Ponto de equilíbrio Econômico (com lucro desejado já incluído


no cálculo)

 PEF = Ponto de equilíbrio Financeiro (sem depreciações).

E graficamente é assim representado.

138
Gestão Industrial II

Um olhar minucioso irá demonstrar o break-even point que é ponto que a


gestão gerencial deverá perseguir no controle dos custos para encontrar a
quantidade a ser produzida ou o valor que será necessário para cobrir os custos, ou
seja, a condição em que RT =CT. Outras informações importantes orientam os
planejadores que o momento o tempo em que o break-even point irá acontecer e
orienta o capital de giro a ser utilizados, os investimentos necessários, entre outros.

Como vimos, são várias as abordagens sobre o ponto de equilíbrio que


atendem a determinadas necessidades de gestão dos custos na indústria ou
qualquer empresa.

Então vamos lá.

Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)

Define-se o Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) como o nível de vendas em que


Lucro(LT) iguala a zero, ou seja, definir a quantidade de unidades que a empresa
deverá produzir para vender para a obter a Receita Total (RT) para cobrir os custos.
É obtido pelo quociente entre os Custos Fixos Totais (CFT) e Margem de
Contribuição Unitária (MCu). Entende-se que a unidade está relacionada às
especificidades da produto(peças, metros, quilogramas).

Vê-se que à medida que o volume das operações se desloca para cima do
ponto de equilíbrio, surgem lucros crescentes, ao passo que abaixo desse ponto
ocorrem prejuízos cada vez maiores.

Logo, podemos igualar o Lajir a zero e destacar uma expressão para o ponto
de equilíbrio:

LT = RT – CT,

Assim temos:

LT = Pv x Qt – ( CFT + CVT + D), onde:

RT = Pv x Q

CVT = CV x Q

139
Gestão Industrial II

D = Depreciação

CT = CFT + CVT + D

CFT = Custos fixos + despesas fixas

PE = Ponto de Equilíbrio

MCu = P - CVu

Então:

LT = Pv x Qt – ( CFT + CVT + D) = 0

PEC = (CFT + D) / (P – CVu)

PEC = CFT / MC

Exemplo 1: Admitamos as seguintes informações sobre determinada


empresa:

CFT = $270 000,00 por ano

Produção = 1000 unidades/ano

Preço unitário de venda: $800,00 por unidade

Custo variável unitário: $200,00 por unidade

Determinar o ponto de equilíbrio.

PEC = 270 000 / (800 – 200)

PEC = 450 unidades por ano

No ponto de equilíbrio de 450 unidades não há lucro nem prejuízo, ou seja, é o


volume em que RT = CT.

Importante entender também que as informações numéricas orientam o


processo de gestão da empresa, quando de forma objetiva deverá gerir os
processos para alcançar no menor tempo possível essa condição.

Exemplo 2: Uma indústria vende cada unidade de seu produto por $ 1.000.

140
Gestão Industrial II

A margem de contribuição e sua estrutura de despesas e custos são as


seguintes:

Quadro 1 Gastos por unidade de produto e por período.

Preço unitário de venda 1.000


Despesas variáveis, para cada unidade 130

Custos variáveis, para cada unidade 470

Total das despesas e custos variáveis para unidade 600


Margem de contribuição unitária
400
Preço de venda menos total das despesas e custos variáveis
Despesas fixas, totais do mês 300.000
Custos fixos, totais do mês 1.700.000
Total das despesas e custos fixos do mês 2.000.000
Com base nesses números, o volume de atividade do Ponto de Equilíbrio
Operacional- PEC é obtido como segue:

PEC = (Custos Fixos + Despesas Fixas) / Margem de contribuição Unitária

PEC = $2.000.000 / $400,00 = 5.000 unidades

A prova de que o cálculo da quantidade está correto pode ser demonstrada no


Quadro 2 - Demonstração do resultado no ponto de equilíbrio operacional

Itens $

Total das Receitas = 5.000 unidades X $ 1.000 5.000.000

(-) Total das despesas variáveis = 5.000 unidades X $ 130 (650.000)

(-) Total dos custos variáveis = 5.000 unidades X $ 470 (2.350.000)


= Margem de contribuição total 2.000.000
(-) Total de despesas fixas (300.000)
(-) Total dos custos fixos (1.700.000)

= Resultado do mês Zero

141
Gestão Industrial II

Ponto de equilíbrio econômico(PEE)

É quando o resultado da empresa é o lucro suficiente para cobrir o retorno


financeiro que a empresa obteria sobre o seu Patrimônio Líquido. Este retorno
financeiro ou lucro desejado que a empresa perseguirá, é denominado “Custo de
Oportunidade”.

Para obter a quantidade de produto necessária (produção e venda) para obter


o Ponto de Equilíbrio Econômico, basta utilizar a fórmula abaixo:

PEE = (CFT + Lucro desejado) / Margem de Contribuição Unitária

Vimos que, se a empresa operar acima do ponto de equilíbrio contábil ou


operacional, irá satisfazer as expectativas dos acionistas em relação ao custo de
oportunidade dos recursos aplicados, porém, no cálculo do PEC contábil não inclui
esse custo de oportunidade. Ainda, vimos que no ponto de equilíbrio contábil, as
vendas cobrem os custos e as despesas fixas e variáveis(incluída a depreciação),
mas não inclui o custo de oportunidade do capital investido. Para refletir esse
custo, faz-se necessário ajustar a fórmula do PEC, substituindo-se a depreciação
pelo valor de uma anuidade uniforme equivalente (CAE ou VUL), calculada com
base no investimento inicial e no custo de oportunidade do capital. Ajustado dessa
forma, o PEC, além de cobrir os custos fixos e variáveis, dará também cobertura ao
custo de oportunidade do capital investido.

Então temos

PEE = (CF + CAE) / (P - CVu)

CF = Custo Fixo(sem depreciação)

CAE = Custo Anual Equivalente ou valor uniforme líquido

P – Cv = Margem de Contribuição

Caso se trate de um projeto de investimento, o PEE poderá ser encontrado


determinando-se o volume de vendas que torne nulo o VPL do projeto.

142
Gestão Industrial II

Exemplo 1 - O Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) é definido como o nível de


atividades necessárias para recuperar todas as despesas e custos de uma empresa.

Importante!

No PEC, o lucro líquido contábil é igual a zero

PEC = volume de vendas (ou nível de atividades) no qual a receita total (RT) é
igual às despesas totais mais os custos totais (DT + CT).

Portanto, no PEC, tem-se que RT = (DT + CT), ou seja, o lucro será zero.

Despesas totais = Despesas fixas mais despesas variáveis

Custos totais = Custos fixos mais custos variáveis

O PEC pode ser utilizado para:

 determinar o nível de atividades necessárias para cobrir todas as despesas


e custos, tanto fixos quanto variáveis;

 avaliar a lucratividade associada aos diversos níveis possíveis de vendas,


ou seja, aos vários níveis possíveis de atividade;

 facilitar a análise dos efeitos sobre a lucratividade decorrente de


alterações nas despesas e custos fixos e variáveis, no volume de vendas,
no preço de vendas e na distribuição relativa de linhas de produtos
vendidos.

Ponto de equilíbrio financeiro (PEF)

O ponto de equilíbrio calculado anteriormente é o ponto de


equilíbrio contábil (PEC), ou seja, demonstração contábil das Receitas
Totais às Despesas e Custos Totais.

143
Gestão Industrial II

No entanto, na maioria das empresas existem parcelas de despesas e


custos que não representam desembolsos de numerários no período. Por
exemplo, as despesas e os custos com a depreciação dos bens do ativo
imobilizado da empresa (prédios, máquinas, equipamentos, ferramentas,
instalações, veículos etc.).
Para a obtenção do Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF), tais despesas
e custos devem ser excluídos do total, e a fórmula seria:

RT = [(DF + CF) – (DF + CF que não representam desembolsos


financeiros] / MCu
RT = Receita Total
DF = Despesas Fixas

CF = Custos Fixos
MCu = Margem de Contribuição unitária
Nível de produção e vendas em que o saldo de caixa é igual a zero. Representa
a quantidade de vendas necessária para cobrir os gastos desembolsáveis tanto
operacionais quanto não operacionais. No PEF, a empresa apresenta prejuízo
contábil e saldo de caixa zero.

Exemplo de calculo do PEF.

Supondo que no total de $ 4.000.000 contabilizados como despesas e custos


fixos esteja incluído o montante de $ 800.000 de depreciação, ou seja, despesas e
custos não desembolsáveis e e a margem de contribuição unitária obtida de
$800,00.

PEF = $ 4.000.000 menos $ 800.000 = 4.000 unidades

$ 800,00

144
Gestão Industrial II

Quadro 3 - Exemplo de Demonstração do Resultado.

Demonstração do resultado ZERO de caixa no ponto de


equilíbrio financeiro (PEF). $
RT = 4.000 unidade X $ 1.000 4.000.000
(-) a - Despesas variáveis = 4.000 unidades X $ 130 (520.000)

(-) b - Total dos custos variáveis = 4.000 un X $ 470 (1.880.000)

= Margem de contribuição total = a menos (a+b) 1.600.000


(-) c -Total de despesas fixas (300.000)

(-) d - Total dos custos fixos (1.700.000)


(-) e - Menos despesas e custos fixos não desembolsados 400.000

(-) despesas e custos fixos desembolsados( = c + d – e) 1.600.000


= Resultado do caixa do mês ZERO

Margem de Segurança

Podemos perceber que a análise dos riscos de perda é um dos principais


objetivos da análise custo/volume/lucro, na gestão industrial e isso demonstra que
o ponto de equilíbrio deverá conduzir à determinação do que se chama margem
de segurança.

Então, o que é margem de segurança?

É a diferença existente entre as vendas normais e as vendas do


ponto de equilíbrio, de modo que, quanto maior a margem de
segurança, maior será o espaço de manobras para as estratégias e
negociações de preço.

145
Gestão Industrial II

Então, pode-se obter a margem de contribuição calculada pela quantidade,


em valor monetário ou percentual utilizando-se das seguintes fórmulas.

 Margem de Segurança em quantidade = vendas atuais (-) ponto de


equilíbrio em quantidade.

 Margem de Segurança em valor = margem de segurança em


quantidade x preço de venda.

 Margem de Segurança percentual = margem de segurança em


quantidade / vendas atuais.

Vamos utilizar dos dados hipotéticos abaixo para cálculo da margem de


segurança.

 Preço unitário de venda(Pv): $ 7,00

 Volume normal de vendas(Qt): 700 unidades

 Custos fixos totais(CFt): $1500,00

 Custos variáveis unitários(CVu): $4,00

Então vamos aos cálculos.

I. Lucro esperado.

Vendas ($7,00 x 700 unidades) $4 900,00

(-) Custos variáveis ($4,00 x 700 unidades) ( $2 800,00)

= Margem de Contribuição $2 100,00

(-) Custos fixos ( $ 1 500,00)

= Lucro $ 600,00

II. Quantidade de equilíbrio(Qe) e receita de equilíbrio(Re).

Qe = CFT / (Pv – CVu)

146
Gestão Industrial II

Qe = $1 500,00 / ($7,00 - $4,00)

Qe = 500 unidades

Re = $7,00 x 500 unidades

Re = $3 500,00

III. Margem de Segurança Operacional(MSO).

MSO = $4 900,00 - $3 500,00

MSO = $1 400,00

Ou em percentagem.

MSO = [$4900,00 / $3 500,000 – 1 ] x 100

MSO = 40%, ou seja , as vendas normais estão 40% acima do ponto de


equilíbrio o que explica o lucro de $600,00.

Vimos a diversas formas de utilizar a análise do ponto de equilíbrio, porém, é


importante observar as limitações que envolvem esses critérios que devem ser
utilizados como auxílio às funções de planejamento a curto prazo e de tomada de
decisões. Os resultados do ponto de equilíbrio devem fazer parte de um conjunto
de outras informações, pois esse instrumento sozinho não responde a todas as
necessidades de eficácia para a gestão dos custos na produção.

Custo Padrão e Análise das Variações

A análise das variações busca identificar a causa da diferença entre linha de


básica de produção e a real, a que verdadeiramente ocorreu. E após a obtenção dos
valores relacionados aos custos reais, chega o momento de realizar a comparação
com o custo padrão e identificar as diferenças com custo real e adotar as medidas
necessárias para promover as correções.

147
Gestão Industrial II

Antes, porém de avançarmos na análise das variações, vamos esclarecer o que


seja custo –padrão. Então, o custo-padrão é uma eficaz ferramenta para exercer o
controle dos custos com base em condições ideais de qualidade de matéria-prima,
mão de obra e de equipamento, bem como no volume de produção e é
determinado com fundamento em desempenho desses itens.

Portanto, o custo-padrão é uma arma de controle e pode também representar


uma arma psicológica para a melhoria de desempenho do pessoal. É também um
custo planejado para determinado período, analisando cada fator de produção em
condições normais de fabricação.

Segundo MARTINS(2003, p. 316), existem diversos tipos de custo-padrão, ele


prefere, porém, embasar-se somente em dois tipos de custo-padrão: custo-padrão
ideal e custo padrão-corrente.

Importante!

Custo-padrão ideal, originado na tentativa de se fabricar um custo em


laboratório, está quase em desuso, pois seu uso é restrito por servir apenas para
comparações realizadas anualmente, para determinar quanto se evolui de um ano
para outro.

Custo-padrão corrente. Esse é mais válido e prático, pois diz respeito ao valor
que a empresa fixa como custo de produção para o próximo período para um
determinado produto ou serviço. Buscam-se padrões de custos e produção que,
mesmo calculados cientificamente, consideram as eventuais condições de
imperfeições ambientais, empresariais e de mercado.

Portanto, vê-se que o custo-padrão corrente fixa um valor de custo para


determinado produto ou serviço, levando em conta as diferenças entre qualidade
de matéria-prima, equipamentos, mão de obra etc. e é usado como meta a ser
atingida para o período seguinte.

Ainda, é importante incluir nesse contexto outro tipo de custo: o custo-


padrão-estimado que parte da hipótese que analisa apernas os aspectos práticos
deixando de apontar defeitos ou ineficiências que poderiam ser consertados por
ele, sendo assim, menos eficiente que o custo-padrão corrente, pois este é mais
elaborado, unindo para estudo dos aspectos e práticos da produção.

148
Gestão Industrial II

Na apuração do custo-padrão deve-se levar em consideração:

 A determinação do volume da produção, a partir da estimativa e vendas e


da determinação da política de estoque.

 Na apuração do período do custo-padrão em decorrência de possíveis


reflexos de inflação e de sazonalidade.

 Na fixação dos padrões a partir dos conhecimentos específicos dos


setores envolvidos.

 No padrão das matérias-primas levando em consideração o plano de uso


dos materiais, tanto em quantidade como em qualidade, para a
confecção dos produtos finais.

 No padrão da mão de obra direta envolvendo estudo sobre sua utilização


no passado.

 Na estimativa dos itens de custos indiretos sujeitos a rateios, isto é, os


que não ´podem ser atribuídos diretamente aos produtos.

Segundo TUNG(1994, p. 324), o orçamento empresarial tem como base os


fatores operacionais que estão por vir. Custo-padrão não se diferencia do custo
orçado, pois ambos representam custo futuro estimado. Há, porém, uma diferença
no grau de refinamento dos dois sistemas.

O custo estimado ou orçado pode ser elaborado de forma global, sem grandes
preparativos; o custo-padrão, por sua vez, obedece a um processo criterioso de
elaboração e análise, capaz de fornecer as informações necessárias, de
conformidade com as exigências e sistemática da administração fabril e financeira.

As vantagens do custo-padrão

Para BACKER(1984, p. 213 - adaptado) a utilização do custo-padrão oferece as


seguintes vantagens:

 Os padrões de custo podem ser um instrumento importante par aa


avaliação do desempenho de todos os colaboradores e setores, pois, a
utilização de padrões realistas e atingíveis podem ser motivo de incentivo
para desempenhar com maior eficiência e eficácia suas atividades.

149
Gestão Industrial II

 As variações em relação ao padrão levam os gestores a adotar programas


de redução de custos, objetivo principal do custo-padrão, por focalizarem
a atenção sobre as áreas que estão fora das normas. Esses programas
podem estar relacionados ao aperfeiçoamento dos métodos, melhor
recrutamento e seleção de pessoas e materiais, melhores programas de
treinamentos, melhoria da qualidade dos produtos e corretos
investimentos em meios de produção.

 O custo-padrão auxilia os gestores no estabelecimento dos planos: da


estrutura organizacional; das divisões das responsabilidades e
atribuições; de normas de avaliação de desempenho.

 O custo-padrão é útil nas tomadas de decisão e em especial se o padrão


for a separação entre custos fixos e variáveis ou se os custos de materiais
e de mão de obra se basearem nos níveis esperados de preços durante
um grande período.

 O custo-padrão ser resultado em uma redução dos trabalhos burocráticos


e de escritório, pois, com esse sistema, no final do período, todos os itens
da mesma espécie precisam apenas ser multiplicados uma só vez o custo-
padrão.

Portanto, podemos inferir que ao custo-padrão é levantado com base em


dados reais e não somente em estudos teóricos, e podem ser fixado com base:

 Pela matéria-prima ou outros materiais;

 Pela mão de obra;

 Pelo Custo Indireto de Fabricação.

Os padrões deverão ser fixados em quantidade física e em valores, a partir


dos dados e das informações oriundos das diversas unidades da fábrica,
notadamente da Engenharia de Produção. Assim, caberá ao departamento de
custos, após recebimento dos dados físicos, a transformação dos dados e
informações em moeda e, posteriormente, a comparação com o custo efetivo ou
histórico para apuração das variações e análise.

Agora, podemos detalhar esses custos.

150
Gestão Industrial II

Custo-padrão de matéria-prima

A composição do custo-padrão do material compreende dois elementos:


quantidade e preço.

Os padrões de quantidade dos materiais devem incluir as matérias-primas e


outros materiais utilizados no processo de produção, e ela deve ser compatível com
o desempenho e a qualidade do produto. Quando o processo de produção ocorrer
com diversidade de matérias, surge a necessidade de se estabelecer fórmulas-
padrões para inferir os custos que permeiam pela existência de procedimentos
adequados de planejamento, controle e o uso de materiais cujo desenho,
qualidade e especificação sejam padronizados.

Importante, também, incluir a tolerância das perdas, refugos, defeitos


existentes no processo de produção, quando se tratar de produção normal. Esse
padrão de tolerância deverá ser inferida pela engenharia de produção com base
nos históricos e experiências observadas na empresa ou do ramo setorial, e tem
como mais comuns: fumaça em fundição; aparas de torno, de esmeril em uma
metalúrgica; evaporação em um processo químico; refugos em operação de
montagem. Por outro lado, custos melhores identificados podem ser identificados
como os fretes, manuseio, inspeção, refugos e armazenamento.

O padrão de preço da matéria-prima a ser usado poderá se basear nos preços


médios de históricos recentes, ou baseados nos preços atuais ou nos preços
esperados. Com isso, o custo real, será função dessas variáveis, ou seja, quantidade
consumida de matéria-prima e o preço real pago pela matéria-prima.

Podemos calcular as variações dos preços com base nas fórmulas a seguir:

ΔP = (Pr – Pp) x Qr,

ΔQ = (Qr – Qp) x Pp, onde:

Δ%P = variação no preço

Δ%Q = variação na quantidade

Pr = preço real

Pp = Preço-padrão

Qr = Quantidade real

Qp = Quantidade-padrão

151
Gestão Industrial II

Importante, entender que a variação do preço entre o custo-padrão e o custo


real incorrido, em grande parte, sujeita-se a componentes externos, por alteração
nos preços praticados no mercado.

Vamos a um exemplo hipotético de variações de matéria prima.

 Custo-padrão unitário para a matéria prima: $16,00

 Compras de 7 000unidadesde MP a $16,50 por unidade.

 Início de fabricação de 4000 unidades.

 Final da fabricação de 4 200 unidades.

Tem-se:

Variação no preço de $16,00 para $16,50

Variação da quantidade de 4 000 unidades para 4 500 unidades no final

Apresentando os cálculos:

ΔP = ($16,50 - $16,00) x 7000u

ΔP = $3 500,00, ou seja, esse é o custo desfavorável observado na compra com


a variação dos preços do material..

ΔQ = (4 000u – 4 200u) x $16,00

ΔQ = $ 3 200,00, como sendo custo favorável com a variação na quantidade


produzida.

Custo-padrão da mão de obra

O custo-padrão da mão de obra, também, é baseado em dois elementos:


quantidade de horas(de produção) e seu preço(de horas de trabalho), conhecido
como taxa padrão.

A tolerância-padrão da produção deve basear-se em uma determinação do


que representa um bem e atingível nível de desempenho, utilizando-se para isso,
estudos de tempo e movimento, levando–se em considerações os efeitos dos
roteiros de produção, da disposição das máquinas e dos apoios mecânicos aos
operários.

152
Gestão Industrial II

Para se implementar o custo-padrão, usa-se as médias de desempenho


passado como os custos de tempo na produção apurado. Porém dado sua
insegurança como uso de referência, a engenharia deverá adotar o estudo de
tempos e movimentos para diagnosticar padrões mais eficazes.

Para determinar os padrões de hora de salário requer um conhecimento das


operações serem executadas, da qualidade da mão de obra desejada e da taxa
horária que se pretende pagar, ou que, decorrência de contratos coletivos etc., se é
obrigado a pagar. O custo real será calculado em função de duas variáveis> o
tempo real de fabricação e o salário realmente pago aos operários.

Assim podemos perceber que as variações de mão de obra ordem ocorrer de


duas formas: variação da taxa e variação da eficiência.

E como apurar essas variações?

ΔTx = (Tr – Tp) x Hr

ΔQ = (Hr – Hp) x Tp, onde:

Tr = Taxa salarial real

Tp = Taxa salarial – padrão

Hr = horas reais

Hp = Horas-padrão

Após avaliada, a variação da taxa é atribuída a quem estabeleceu os salários-


horas e a variação a eficiência é de responsabilidade do centro de custo ou
departamento de produção.

Então, veremos um exemplo hipotético de variação do custo de mão de obra..

Horas reais: 10 000 horas

Horas-padrão: 10 500 horas

Taxa real, $5,00 por hora

Taxa padrão: $5,30 por hora.

153
Gestão Industrial II

Então, o cálculo será o seguinte:

ΔTx = ($5,00 - $5,30) x 10 000 h

ΔTx = $3000,00 de custo favorável, positivo.

ΔQ = (10 000h – 10 500h) x $5,30

ΔQ = $2 650,00 de custo favorável, positivo, em horas de trabalho.

Custo-padrão de Custos Indiretos de Fabricação

Vimos que os custos indiretos podem ser variáveis e fixos e para a parte
variável desses custos, estabelecem-se e usam-se os padrões da mesma maneira
que para mão de obra direta e para matéria-prima, pois esses custos consistem em
mão de obra indireta, água, energia elétrica, em relação aos quais podem ser
determinados padrões de consumo para uma determinada quantidade de
produção. A determinação e o uso do custo-padrão apresenta dificuldade de
apuração dos elementos fixos dos custos indiretos no processo de produção. Em
sua maior parte, correspondem aos custos absorvidos pelas máquinas, ferramentas
e instalações, cujo montante independe do nível de produção.

Assim, a taxa de absorção pode ser calculada da seguinte forma:

Taxa de absorção = CIFs orçados / Base de volume

Sendo que a base de volume a ser utilizada, dependendo do processo de


produção e do tipo do produto, poderá ser:

 produção estimada em unidades;

 valor estimado de MP;

 valor estimado da MOD;

 valor dos custos diretos de produção, ou seja, MP + MOD;

 horas estimadas de MOD;

 horas estimadas de máquinas.

154
Gestão Industrial II

Diante dos vários fatores que influenciam o padrão dos CIFs e suas
consequentes variações, surgem três tipos de variação: variação de orçamento;
variação de volume e variação de eficiência. Não podemos esquecer que as
variações do custo-padrão dos CIFs são de responsabilidades dos diversos
departamentos que fazem parte do processo de produção.

As fórmulas para cálculo dessas variações serão as seguintes:

Variação Total do CIF = CIF real – CIF padrão

Variação de volume = (HO – HR) x Taxa de absorção

Variação de eficiência = (HR – HP) x Taxa de absorção

Onde:

HO = horas orçadas

HR = horas reais

HP = horas-padrão

Na apuração das variações de CIFs é possível determinar o departamento ou


centro de custos responsáveis e realizar o custeio para orientar a eficácia no
gerenciamento.

E, quando se trata de variação de volume, há então a indicação da capacidade


disponível e não a capacidade realizada que recai sobre a responsabilidade de alta
direção.

Na análise dos custos variáveis, tem-se que a variação dos gastos é de


responsabilidade dos responsáveis pelos departamentos ou centro de custos,
quando se espera a manutenção dos custos reais de acordo com os limites
orçamentários.

Por outro lado, a variação da capacidade indica os CIF não absorvidos devido
as horas reais serem inferiores às horas normais que eram utilizadas para a
determinação da taxa de CIF que é responsabilidade da alta direção.

E, a variação de eficiência reflete a variação da mão de obra dos custos fixos e


variáveis quando os custos ou as horas de mão de obra são usadas como base para
aplicar os CIF.

155
Gestão Industrial II

Devido á sua complexidade, para identificar as causas das variações de CIF


utilizam-se diversos métodos, os quais veremos a seguir.

1 - Variação de CIFs pelo método das duas variâncias.


Por esse método, tem-se que a variação liquida das CIFs é analisada em termos
de variação controlável e variação de volume.

Vamos a um exemplo.

Horas reais de MOD: 10 000 horas.

Horas-padrão: 10 400 horas.

Capacidade normal: 12 000

CIFs reais: $ 60 000,00.

CIFs orçados para a capacidade normal.

Itens Total ($) Taxa

Custos variáveis 23 000,00 $1,92 (23 000/12 000)

Custos fixos 35 000,00 $2, 92 ( 35000 / 12 000)

Totais 58 000,00 $4,84

Diante das informações acimas, podemos avançar nos cálculos.

1.1 -Variação controlável

CIFs reais: $60 000,00

Custo orçado real:

Fixo: $ 35 000,00

Custos variáveis: 10 400 x $1,92 = 19 968,00

Total orçado = $54 968,00

Logo, a variação controlável será negativa, desfavorável de: $ 5 032,00.

156
Gestão Industrial II

1.2 - Variação de volume.

Orçado padrão: $54 968,00

Horas padrão(MOD x taxa padrão): 10 000 x 4,84 = $48 400,00

Variação de volume negativo, desfavorável = $103 368,00

2 - Variação de CIFs pelo método das três variâncias.

Por esse método, faz-se necessário envolver o cálculo das variáveis de gasto,
de capacidade e de eficiência.

2.1 – Variação nos gastos.

CIFs reais: $60 000,00

Custo orçado real:

Fixo: $ 35 000,00

Custos variáveis: 10 000 x $1,92 = 19 192,00

Total dos CIFs real = $ 54 192,00

Variação controlável negativa ou desfavorável = $ 5 808,00

2.2 – Variação da capacidade

Orçado real: $ 54 192,00

(-) Horas reais à taxa padrão ( 10 000 h x $4,84) = $ 48 400,00

= Variação de capacidade negativa, desfavorável = $ 5 792,00

157
Gestão Industrial II

2.3 - Variação da eficiência.

Horas reais à taxa padrão: 10 400 h x $4,84 = $50 336,00

Custos variáveis: 10 000 x $4,84 = $48 400,00

= Variação de eficiência positiva, favorável = $1 936,00

3 - Variação de CIFs pelo método das quatro variâncias.

Por esse método, e a partir dos dados exemplo citado nos métodos anteriores
se relacionam somente as variações de eficiências.

Temos:

Variações de gastos: $5 808,00;

Variação de capacidade: $5 792,00

3.1 - Eficiência variável

Horas reais à taxa variável(10 000 h x $1,92) = $19 200,00

Horas padrão à taxa variável ( 10 400 h x $1,92) = $ 19 968,00

= Variação de eficiência positiva variável, favorável = $768,00

3.2 - Eficiência fixa

Horas reais à taxa fixa( 10 000 h x $2,92) = $29 200,00

(-) Horas padrão à taxa fixa ( 10 400 h x $2,92) = $30 368,00

= Variação de eficiência fixa positiva, favorável = $1 168,00

Vimos nesta seção que o principal objetivo dos custos padrão é medir
diferenças entre o que os custos representam e os que deveriam representar, para
os propósitos de controle de custos, objetivo que está ligado aos conceitos de
contabilidade empresarial e fornecendo os subsídios necessários para auxiliar nas
tomadas de decisões.

158
Gestão Industrial II

Podemos perceber que a análise dos riscos de perda é um dos principais


objetivos da análise custo/volume/lucro, na gestão industrial.

Bibliografia Complementar

BACKER, Morton: JACOBSON, Lyle E. Contabilidade de Custos: uma abordagem


gerencial. Tradução de: José Carlos Marion e Mussolini Orru. 2. ed. McGraw-Hill, 1984.

TUNG, N. H.. CBA – Custeio à Base de Atividade no Brasil: estudos de casos.


Boletim IOB – Temática Contábil e Balanços. São Paulo: 1994.

Vimos a importância de analisar a relação existente entre o custo, o volume de


produção e o lucro como estratégia necessária para que eficácia na produção e a
obtenção dos lucros a que a empresa se destina. E para isso, importante utilizar-se
do método da apuração do ponto de equilíbrio, ou seja, o break-even point que
aponta a quantidade necessária de produção para que a empresa possa iniciar a
direção de seus objetivos que é a obtenção dos lucros.

Importante entender ainda que está implícita a gestão eficiente dos custos
para que sejam otimizados em todas as suas fases. Nesse, ponto a empresa poderá
utilizar de diversos métodos de apuração dos pontos de equilíbrio, ou seja,
contábil, financeiro e econômico e cada um atendendo determinadas
especificidades. Em complemento a esta etapa inclui a margem de segurança que
irá demonstrar sobre diversos aspectos os resultados dos custos presente em cada
fase de produção e ser utilizada como orientação o processo de tomada de
decisão.

Vimos também, o papel que o custo-padrão ocupa importante na gestão dos


custos da produção e para que seja possível alocar aos seus respectivos
departamentos ou centros de custos para que sejam instrumento de gestão e
tomadas de decisões, da etapa da produção que lhe cabe. E assim, poderá utilizar
métodos de avalição estendendo ao volume de matéria-prima, a mão de obra
utilizada e aos custos indiretos de fabricação.

159
Gestão Industrial II

Cada método disponibilizará as informações necessárias para uma gestão


eficaz dos fatores de produção utilizados em todas as etapas e atividades no
ambiente da empresa.

Pois bem, após compreendermos a gestão dos custos como parâmetro de


controle dos fatores de produção em suas diversas etapa e áreas, vamos avançar
para a compreensão da formação dos preços de vendas que possibilitará as
receitas que a empresa espera.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

Bons estudos e vamos para a próxima unidade.

160
Gestão Industrial II

Exercícios – Unidade 5

01) A empresa Maquinas e Materiais Ltda. tem uma linha e produção


organizada um único produto. E, no 12/20xx a produção foi e venda foi de 1.000
unidades e os custos e despesas totais totalizaram $ 95.000,00. O preço unitário de
venda foi $ 100,00 e a margem de contribuição unitária correspondia a 20% deste
valor. Diante do exposto, pode-se dizer que o Ponto de Equilíbrio Contábil do mês
12/20xx, em volume, foi
a) 4.000 unidades.
b) 188 unidades.
c) 750 unidades.
d) 4.750 unidades.
e) 950 unidades.

02) Com base nas informações disponíveis da Indústria Paloma S.A., responda
à questão.
O Departamento de Custos disponibilizou as seguintes informações:
 Capacidade total de produção: 20.000 peças por ano.
 Custos Fixos Anuais: R$ 60.000,00.
 Custos Variáveis: R$ 3,00 por unidade produzida.
 Preço de Venda: R$ 9,00 por unidade vendida.
Com base nos dados apresentados, qual é o ponto de equilíbrio econômico se
a Indústria Paloma S.A. Ltda. deseja um lucro anual de R$ 24.000,00?

a) 14.000 unidades por ano.

b) 16.000 unidades por ano.

c) 24.000 unidades por ano.

d) 26.000 unidades por ano.

e) 33.000 unidades por ano.

161
Gestão Industrial II

03) Determinada empresa industrial adota como sistema de custeamento o


método de custeio por absorção e, em 12/20xx, apresentou os seguintes
dados:

Vendas de 2.500 unidades no valor unitário de $ 400,00. Custo dos produtos


vendidos: 2.500 unidades no valor unitário de $ 296,00.

Despesas administrativas: $ 110.000,00

Despesas gerais: $ 85.000,00

Despesas financeiras: $ 25.000,00

Qual foi a margem bruta unitária, em termos percentuais, da empresa


industrial em 12/20xx?

a) 4,0%

b) 26,0%

c) 35,0%

d) 45%

e) 74,0%

04) “Margem de Contribuição ______________ é a diferença entre o


preço de venda e o Custo Variável de cada produto; é o valor que cada
unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que
de fato provocou e que lhe pode ser imputado sem erro”.

A alternativa que preenche a lacuna do texto, tornando-o verdadeiro, é:

a) por Departamento.

b) por Serviço.

c) por Unidade.

d) por atividade.

e) Por material

162
Gestão Industrial II

05) Uma indústria, que utiliza o custo planejado para os seus produtos,
fez, em janeiro/2017, as seguintes anotações referentes à produção de um
desses produtos tendo como elemento de custos a “MP):

Produção Padrão:

Quantidade: 1 100kg

Preço unitário: $200,00

Produção real:

Quantidade: 1 250 kg.

Preço unitário: $300,00

Considerando-se as informações apresentadas por essa indústria e os


procedimentos técnico-conceituais da análise das variações do custo-padrão,
a variação da quantidade da matéria-prima, em jan/2017, em reais, é

a) 15.000,00 Desfavoráveis

b) 30.000,00 Desfavoráveis

c) 110.000,00 Desfavoráveis

d) 15.000,00 Favoráveis

e) 30.000,00 Favoráveis

06) O Custo Padrão é um critério de custo planejado para os produtos


que observa eventuais modificações nas condições ambientais, empresariais e
de mercado.

Nesse contexto, um dos objetivos ou finalidades do Custo Padrão é:

a) alocar os custos fixos aos produtos, mediante direcionadores de custos.

b) atribuir o custo aos produtos, mediante aplicação de rateios sucessivos.

c) avaliar alternativas de alocação de custos para maximizar ganhos nas


restrições.

163
Gestão Industrial II

d) contribuir para a formação do custo final do estoque e respectiva


avaliação.

e) permitir aos gestores controlar e avaliar a eficiência do processo


produtivo.

07) A direção do restaurante universitário de uma Instituição de Ensino


Superior do interior de Minas Gerais decidiu adotar a metodologia de
custo-padrão para apurar os custos das refeições produzidas. Após
diversos ensaios, foi apurado que uma refeição servida em bandejão
tem o seguinte padrão de custo de matéria-prima: 0,45kg ao preço
de R$ 8,00/kg.

Ao final do mês, foram apuradas as seguintes informações:

 número de refeições fornecidas = 60.000 unidades

 custo de matéria-prima consumida = $ 240.000,00

 quilos de matérias-primas consumidas no preparo das refeições


= 25.200 kg

Com base nessas informações, é correto afirmar:

a) a variação mista verificada é favorável.

b) a variação de preço verificada é favorável.

c) a variação de quantidade verificada é desfavorável.

d) a variação de volume verificada é nula.

e) A variação no preço será a mesma do volume

08) Com relação ao custo padrão, assinale a opção correta.

a) A análise do custo padrão da mão de obra direta é feita considerando-se


variações de taxa e de eficiência.

b) Não é permitida a utilização do custo padrão pela contabilidade, estando


a sua aplicação restrita a finalidades gerenciais.

164
Gestão Industrial II

c) Uma das vantagens do custo padrão é não demandar revisões e reajustes


periódicos.

d) O custo padrão deve ser sempre comparado com o custo estimado, de


modo a permitir a identificação das causas de eventuais variações e a adoção de
correções futuras.

e) Não é recomendável a utilização do custo padrão, com finalidades


gerenciais, em produtos cujo custo seja calculado com base no custeio variável.

09) Auxiliar no controle de estoques e fornecer subsídios para a tomada


de decisões gerenciais são as duas funções primordiais da contabilidade de
custos. Com relação a essas funções, julgue os seguintes itens.

_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

165
Gestão Industrial II

10)A indústria K, que adota o custo padrão na elaboração de seu plano operacional,
apresentou as seguintes informações, ao final de um período produtivo:

Elementos Custo padrão Custo real

Matéria-prima

Quilos consumidos por 15 unidades 18 unidades


unidade
$6,00 $4,90
Preço unitário

Mão de obra direta

Horas consumidas por 12 unidades 10 unidade


unidade
$7,80 8,90
Custo hora MOD

Considerando exclusivamente as informações acima e que a indústria K adota


o cálculo das três variações, a variação da quantidade, apresente as variações em
reais.
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

166
Gestão Industrial II

6 Formação do Preço de
Vendas

167
Gestão Industrial II

Prezado(a)s aluno(a)s

Nesta última unidade da disciplina e após compreender os procedimentos que


orientam a gestão em suas diversas fases da produção e áreas na empresa, vamos
compreender os procedimentos que a empresa deverá adotar para formar os
preços de venda e gerir a produção e o financiamento do capital, da produção e
dos investimentos.

Identificar e gerir os custos da produção, das atividades, do produto ou serviço


e alocá-los de acordo com suas origens orienta a gerência operacional e identificar
os custos envolvidos em cada produto orienta a formação dos preços. Os custos e
despesas fixas serão financiadas pelo preço e os custos e despesas variáveis
orientam a gestão dos fornecedores porque eles são passivos otimização com a
boa escolha dos fornecedores. E nesse contexto veremos as diversas formas de
formação dos preços de venda.

Pelo sistema markup veremos que os tributos estão ligados aos entes da
federação e influenciam diretamente no custo e no preço final. Assim, a empresa
deverá se ocupar da gestão dos custos para a incidência dos tributos não a
coloquem em desvantagem diante da concorrência.

Veremos também os outros critérios que podem ser utilizados na formação


dos preços como baseados no concorrente o que orienta uma gestão de custos de
acordo com o potencial do concorrente. Ainda, pode ser usado o método baseado
no lucro que a empresa pretende obter, na receita líquida ou de acordo com a
relação oferta e demanda que o mercado orienta mantendo a empresa
competitiva.

E por fim, veremos os métodos de análise de alavancagem. A alavancagem


operacional mostra a relação existente entre produção e lucro e fornece
informações que orientam a gestão em suas diversas etapas. E por fim, veremos
como a empresa atua na utilização do financiamento do seu projeto e quanto
maior o endividamento, ou seja, a utilização de recursos de terceiros, maiores serão
os riscos que empresa estarão expostas em sua trajetória.

168
Gestão Industrial II

Objetivos da unidade:

 Conhecer os componentes na formação dos preços de vendas;

 Identificar os procedimentos de formação dos preços de vendas;

 Compreender os procedimentos de formação dos preços pelo


markup, com base no lucro, na receita líquida e a preço de mercado;

 Compreender os processos de apuração do grau de alavancagem


operacional;

 Compreender os critérios de apuração da alavancagem financeira;

 Desenvolver a utilização do grau de alavancagem operacional e


financeira como instrumento de tomada de decisão.

Plano da unidade:

 Conhecendo a formação dos preços

 Métodos para formação do preço de vendas

 Determinação do preço de venda pelo markup

O papel dos tributos na formação dos preços

Cálculo do custo baseado no custo do concorrente.

 Formação de Preço baseado no Lucro

 Formação de Preço com base na Receita Líquida

 Formação de Preço com Base no Mercado

 Grau de Alavancagem Operacional- GAO

 Alavancagem Financeira

Bons estudos!

169
Gestão Industrial II

Conhecendo a formação dos preços

Com a globalização das relações de mercado, o avanço do conhecimento e da


tecnologia, obrigou as organizações empresarias se ocuparem de métodos de
formação de preços de vendas para manter-se competitiva. Além desses fatores, a
influência dos organismos internacionais quanto às barreiras protecionistas, a
orientação da economia do bem-estar social que obriga o governo usar da carga
tributária, entre outros, levam as empresas a se ocuparem em definir seus preços
considerando as variáveis exógenas complementando no cotidiano na gestão dos
custos como vimos nas unidades anteriores.

Diante do exposto, vamos desenvolver um estudo para identificar os


diferentes critérios que podem ser utilizados na formação do preço de vendas,
considerando as diversas visões como de custos, tributos inseridos no preço, entre
outros.

Como vimos nas unidades anteriores, a identificação dos gastos e custos


ganha importância para sua otimização no processo de produção e composição
dos preços de vendas. Nas unidades industriais, estão incluídos os custos de
aquisição de matéria-prima, na realização de mão de obra direta e na verificação
dos CIFs. Inclui-se a esses que estão relacionados diretamente à produção, outros
gastos como as despesas variáveis, tais como os tributos diretos e indiretos,
comissões, fretes, propaganda etc. e fixas, tais como aluguéis dos imóveis, a parte
fixa dos salários dos vendedores, remuneração dos sócios-gerentes, salários
administrativos etc.

Os preços de venda, são correspondentes em valor monetário e deverá cobrir


os gastos e remunerar o investimento com o lucro que justifique o negócio. Essa
margem de lucro corresponde ao valor que a empresa entende como suficiente
para suportar os gastos, atendendo às seguintes finalidades: remuneração do
investimento, reinvestimento dos lucros, demais investimentos de curto e longo
prazos, distribuição aos sócios ou acionistas e empregados, a remuneração dos
riscos do empreendimento e também para compor o Patrimônio Líquido da
empresa.

170
Gestão Industrial II

Os métodos de custeio na formação dos preços.

Como vimos, os métodos de custeio têm por objetivo identificar os gastos e


custos relacionados ao processo produtivo, acumulando-os de forma organizado
aos produtos na busca da eficácia no gerenciamento dos negócios.

Os métodos comumente utilizados são os seguintes.

Método de custeio pleno ou integral. Tem como característica a apropriação


dos custos e despesas associados ao objeto em análise: produto, serviço, atividade.

Método do custeio por absorção. Tem como característica a apropriação dos


gastos incorridos somente no processo produtivo do produto, identificando os
custos fixos, variáveis, diretos e indiretos.

Custeio de variável ou direto. Tem como característica a alocação dos


produtos somente os custos identificados como variáveis, normalmente compostos
pela matéria-prima e a mão de obra direta, consumidas no processo produtivo.

Custeio por atividades. Tem como característica a identificação dos custos


relacionados às atividades e não aos produtos porque são as atividades que
consomem os recursos necessários à sua produção.

Método do custeio pela transferência. São aqueles utilizados nos


relacionamentos entre as áreas de responsabilidade existentes nas empresas.
Aplica-se aos custos relacionados à transferência procedida pela empresa de
produto ou serviço a outra empresa. Exemplo: transfere a outra filial.

Método do custeio a valores de mercado. Refere-se aos valores dos produtos


ou serviços praticados por outras empresas do mesmo ramo de atividade.

Métodos para formação do preço de vendas

Nos procedimentos para formação dos preços de vendas, a empresa deve-se


ocupar com realizar estudos profundos e diagnóstico que aproxima na realidade
do ambiente externo e da concorrência como forma de manter-se competitivo.

171
Gestão Industrial II

Para SANTOS(1999, p. 22), as etapas que devem ser seguidas para a


determinação dos preços são as seguintes.

 Identificação das estratégias globais e funcionais da empresa


estabelecimento das estratégias de preço.

 Projeção da estrutura de custos da empresa.

 Apuração do capital investido no negócio e do respectivo custo de


oportunidade.

 Obtenção da demonstração do resultado econômico.

 Avaliação e adequação do preço referencial às condições de


comercialização.

 Identificação dos objetivos globais e funcionais da empresa e


estabelecimento dos objetivos de preço.

 Identificação das políticas e diretrizes da empresa e estabelecimento


das políticas e diretrizes de preço.

 Avaliação estratégica das variáveis externas não controláveis.

 Caracterização do ambiente de competição de mercado.

 Projeção da demanda de mercado e do produto

 Projeção das vendas esperadas dos demais produtos da empresa.

 Aplicação do preço de simulação mais adequado.

Por outro lado COGAN(2002, p. 49), infere que existem quatro métodos para
determinar o preço de vendas.

Método do custeio direto. Também chamado de custeio variável, introduziu a


separação entre custos fixos e variáveis e realiza a análise do custo, do volume e do
lucro e se contrapõe ao Custeio por Absorção.

Método baseado no custo das mercadorias. Tem origem na Revolução


Industrial e tem seus padrões fixados pela engenharia e utilização do Custeio por
Absorção.

172
Gestão Industrial II

Método do custeio baseado em atividades. Esse método, surgido do final da


década de 80, reconhece o relacionamento causal dos direcionadores de custos
para custear as atividades através da mensuração do custo e do desempenho do
processo referente às atividades e aos objetivos de custos.

Método dos custos voltados para o mercado. Inclui também, atenção as


tendências do mercado em que a empresa atua. Surgido na década de 90 para
fornece instrumentos de análise para a gestão industrial.

O preço de venda, como se viu, é aquele que cobre os custos do produto ou


serviço e ainda proporciona o retorno desejado pela empresa.

Viu-se, também, que um mercado competitivo os preços são formados pela lei
da oferta e procura. Então, dado um determinado nível de preço no mercado para
seu produto ou serviço, a empresa avalia se seu preço ideal de venda é compatível
com aquele vigente no mercado.

Após compreender os métodos para formação dos preços e vendas, vamos


avançar um pouco e conhecer os parâmetros práticos de elaboração dos preços de
venda

Determinação do preço de venda pelo markup

Markup é um índice aplicado sobre o custo de um bem ou serviço para a


formação do preço de venda. Tem por finalidade cobrir os seguintes fatores
incidentes sobre os produtos ou serviços:

 Tributação sobre vendas (ICMS, IPI, PIS, COFINS)

 Percentuais incidentes sobre o preço de venda (comissões sobre vendas,


franquias, comissões da administradora do cartão de crédito etc.)

 Despesas administrativas fixas, custos indiretos de produção fixos e


margem de lucro.

173
Gestão Industrial II

Em pequenas e médias empresa varejistas, a técnica do markup é amplamente


usada na formação de preços. Trata-se de um índice aplica a o custo unitário para
se chegar ao preço de venda que possa cobrir os custos do produto e gerar lucro
desejado pela empresa. Sua inconveniência está, em não oferecer o ganho real
obtido no item a partir desse preço e às vezes é um pouco baseado na intuição dos
gestores. E nesse contexto, encontraremos duas situações que podem ocorrer:

 Se a rentabilidade efetiva for menor do que a calculada, haverá perda de


eficiência;

 Quando a rentabilidade efetiva for maior, a empresa experimenta algum


tempo depois, uma perda progressiva de mercado.

No segundo caso, verifica-se que o mercado reage ao markup estabelecido


acima do tolerável pelo mercado porque os princípios econômicos estabelecem
que que os preços competitivos são aqueles definidos pela relação de oferta e
demanda. Outro aspecto importante a considerar quando a empresa utiliza-se
markup para formação de preços e obter rentabilidade maior e se confrontar com
situação de oposição por outra empresa sobre o mesmo produto lhe causará
grandes dificuldades de manter-se competitiva. Explica-se por quê, um alto preço
determinado sobre os custos de um produto ou serviço poderá ser para compensar
outro produto que não tenha grandes vendas, ou seja, é subsidiado pela alta
rentabilidade daquele.

Vamos de um exemplo para clarear esse raciocínio.

Caso 1. Consideremos uma empresa que atua ramo de intermediação


comercial e adquire um produto à vista pelo valor de $55,00 a unidade e deseja
revender com uma margem de lucro de 25% sobre o preço de venda. O preço de
venda, considerando apenas a margem de lucro(MGK), será determinado da
seguinte forma.

Pv = Caq / (1 – MGK), onde:

Pv = Preço de venda do produto

Caq = Custo de aquisição

Mgk = Margem bruta em percentual.

174
Gestão Industrial II

Pv = $55,00 / (1 – 0,25)

Pv = $73, 33

Com este preço de venda a Receita Bruta de Vendas, o Lucro Bruto de Vendas
será o seguinte.

Receita Bruta de Vendas $73,33

(-) Custo das Mercadorias Vendidas $55,00

(=) Lucro Bruto Operacional $18,33

Como vimos, a dificuldade em utilizar o markup para estabelecer o preço de


venda está em atender o preço de equilíbrio de mercado que é estabelecido pela
lei da oferta e demanda.

Nessa abordagem, a empresa terá que aplicar todos os seus esforços para
conseguir comprar ou fabricar o produto no custo determinado. Por isso, pode-se
usar de duas abordagens.

I – Margem sobre o custo para determinar o preço final.

Custo de aquisição / fabricação

(+) Margem de Lucro

(=) Preço final

II – Margem determinado custo viável

Preço aceito pelo mercado

(-) Margem de lucro

(=) Custo de aquisição / fabricação

O papel dos tributos na formação dos preços

Uma das variáveis determinantes na formação de preços é a incidência dos


tributos, devido ao peso da carga tributária na PIB e influencia diretamente nos
custos de para os consumidores e produtores.

175
Gestão Industrial II

Os tributos, cobrados pelas três esferas de governo, compostos pelos


Impostos, Taxas, Contribuições Parafiscais, Contribuições de Melhoria de
Empréstimos Compulsórios e são os seguintes.

 Impostos federais.

 IR - Imposto sobre a renda e Proventos de qualquer natureza;

 IPI – Impostos sobre Operações de Produtos industrializados;

 IOF – Imposto dobre Operações de Crédito, Câmbio e seguro, ou relativas


a títulos ou valores mobiliários;

 II- Imposto sobre impostação de Produtos Estrangeiros;

 ITR – Imposto sobre Propriedade Territorial Rural;

 IE – Imposto sobre Exportação, para o Exterior, de produtos nacionais ou


nacionalizados.

 Impostos Estaduais.

 ICMS – Impostos sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e


sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal
e de Comunicação;

 IPVA – Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores;

 ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, de quaisquer


bens e direitos.

 Impostos Estaduais.

 IPTU – Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana.

 ISS – Imposto sobre Serviços de qualquer natureza.

 ITBI - Imposto sobre Transmissão inter-vivos, a qualquer título, por ato


oneroso, de Bens Imóveis.

176
Gestão Industrial II

As taxas são cobradas nas três esferas de governo e algumas delas são as
seguintes:

 Taxas portuárias.

 Taxa de conservação e limpeza.

 Taxa de coleta de lixo.

 Taxa de combate a incêndio.

 Taxa de iluminação pública.

 Taxa de emissão de documentos.

 Taxa de alvará.

 Taxa de publicidade.

 Taxa de inspeção e fiscalização, entre outras.

As contribuições parafiscais ou especiais são cobrada principalmente, por


instituições federais, tais como: INSS; FGTS; PIS/PASEP; COFINS; Contribuição
Sindical; Contribuições para órgãos de classe etc.

As Contribuições de Melhoria podem ser citadas as decorrentes de


asfaltamento, infraestrutura; rede de água, esgoto, iluminação.

Como agravante no sistema tributário brasileiro que interfere na formação dos


preços e no comportamento de produtores e consumidores é sua multincidência
sobre uma mesma operação, o que denominamos de efeito “cascata” dos tributos.

Não temos o objetivo de aprofundar sobre a estrutura o sistema tributário e


sim direcionar para nossos objetivos que a incidência dos tributos sobre a Receita
de Vendas.

177
Gestão Industrial II

Refletindo!

Então quais são os tributos que incidem sobre a Receita de Vendas?

São eles.

ICMS. Imposto não cumulativo e sua alíquota varia de 7% a 35% e matem uma
média de 17%. Também chamado de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e
Serviços.

Consideremos os dados do Caso 1, vamos admitir uma alíquota de 18% de


ICMS, o Pv(preço de venda do produto) será.

Pv = Caq (1 – ICMS) / [1 – (ICMS + Mgk)], logo:

Pv = $55,00(1 – 0,18) / [1 – (0,18 + 0,25)]

Pv = $55,00(0,82) / [1 - 0.43]

Pv = $55,00(0,82) / [0,57]

Pv = $79,12

Podemos observar que a incidência do ICMS sobre o produto, provou um


aumento de $73,33 para $79,12 para o consumidor final.

Calculando o ICMS sobre valor sem o imposto:

A) 18% sobre $55,00 = $9,90

B) 18% sobre $79,12 = $14, 24

Como o ICMS é não cumulativo teremos: B – A, logo:

Imposto = $14,24 - $9,90

= $4,34

178
Gestão Industrial II

Com a inclusão do ICMS, a estrutura da Demonstração dos Resultados do


Exercício(um único produto) será a seguinte.

Itens Valores ($)

Receita Bruta de Vendas 79, 12


(-) Impostos 4, 34
= Receita Líquida de Vendas 74,78
(-) Custo das Mercadorias vendidas 55,00
= Lucro Bruto Operacional 19,79
Tem-se o markup de 25% sobre
$79,12($19,79)

 COFINS. Tributo cobrado pela União sobre o faturamento bruto das


pessoas jurídicas para atender a programas sociais. Sua alíquota é de
7,6% e 3% para alguns casos, sendo imposto não-cumulativo.

Considerando os mesmos dados, o markup passa a ser calculado sobre o


ICMS e da Confins. Assim, admitamos uma alíquota de 7% para a COFINS.

Pv = Caq (1 – ICMS - COFINS) / [1 – (ICMS + COFINS + Mgk)], logo:

Pv = $55,00(1 – 0,18 – 0,07) / [1 – (0,18 + 0,07 + 0,25)]

Pv = $55,00(0,75) / [ 0,5]

Pv = $82,50

Calculando o ICMS mais Confins sobre valor sem o imposto:

A) ICMS - 18% sobre $82,50($14,85) menos 18% sobre $55,00($9,90) = $4,95

B) Confins - 7% sobre $82,50($5,77) menos 7% sobre $55,00($3,85) = $1,92

C) Impostos incluídos: $4,95 + $1,92 = $6,87

179
Gestão Industrial II

Com a inclusão do ICMS e COFINS, a estrutura da Demonstração dos


Resultados do Exercício(um único produto) será a seguinte.

Itens Valores ($)

Receita Bruta de Vendas 82,50


(-) Impostos 6,87
= Receita Líquida de Vendas 75,63
(-) Custo das Mercadorias vendidas 55,00
= Lucro Bruto Operacional 20,63
Tem-se o markup de 25% sobre
$82,50($20,63)
Observa-se que o preço de venda continua subindo para o consumidor final
com os impostos apontados.

 PIS. Sua alíquota varia de 0,65% a 1,65% sobre o total das receitas e é um
imposto não-cumulativo.

Vamos admitir uma alíquota de PIS de 2% e assim o markup irá considerar os


três impostos vistos até o momento.

Pv = Caq(1 – ICMS – COFINS - PIS) / [1 – (ICMS + COFINS + PIS + Mgk)],


logo:

Pv = $55,00(1 – 0,18 – 0,07 - 0,02) / [1 – (0,18 + 0,07 + 0,02 + 0,25 )]

Pv = $55,00(0,73) / [1 – (0,52 )]

Pv = $55,00(0,73) / [0,48]

Pv = $83,64

Calculando o imposto: ICMS + COFINS + PIS:

A) ICMS: 18% sobre $83,64($15,05) menos 18% sobre $55,00($9,90) = $5,15

B) Confins: 7% sobre $83,64($5,85) menos 7% sobre $55,00($3,85) = $2,00

C) IPI: 2% sobre $83,64($1,67) menos 2% sobre $55,00($1,10) = $0,57

D) Impostos incluídos: $5,15 + $2,00 + $0,57 = $7,72

180
Gestão Industrial II

Com a inclusão do ICMS, COFINS e PIS, a estrutura da Demonstração dos


Resultados do Exercício(um único produto) será a seguinte.
Itens Valores ($)
Receita Bruta de Vendas 83,64
(-) Impostos 7,72
= Receita Líquida de Vendas 75,92
(-) Custo das Mercadorias vendidas 55,00
= Lucro Bruto Operacional 20,92
Tem-se o markup de 25% sobre
$83,64($20,92)
Observa-se que o preço de venda continua subindo para o consumidor final
com os impostos apontados: ICMS; COFINS e PIS.

 IPI. Cobrado das indústrias sobre as vendas de seus produtos e das


pessoas jurídicas responsáveis pela importação de produto em geral. Sua
alíquota é variável. Para efeito de markup, é necessário considerar que em
uma empresa industrial, o IPI incide na compra das matérias primas e
pode ser compensado como IPI incidente na venda dos produtos
acabados.

Vamos admitir que a alíquota do IPI é de 18% e assim o markup irá considerar
os quatro impostos vistos até o momento para a formação do preço de venda.

Caq(1 – ICMS – COFINS - PIS)


Pv = _______________________________ + IPI logo,
[1 – (ICMS + COFINS + PIS + Mgk)]

$55,00(1 – 0,18 – 0,07 - 0,02)


Pv = __________________________ + 15%

[1 – (0,18 + 0,07 + 0,02 + 0,25 )]

Pv = $40,15 / 0,48 + 15%

Pv = $96,19

181
Gestão Industrial II

Calculando o imposto: ICMS + COFINS + PIS:

A) ICMS: 18% sobre $83,64($15,05) menos 18% sobre $55,00($9,90) = $5,15

B) Confins: 7% sobre $83,64($5,85) menos 7% sobre $55,00($3,85) = $2,00

C) IPI: 2% sobre $83,64($1,67) menos 2% sobre $55,00($1,10) = $0,57

D) IPI: 15% incidente sore $83,84 = $12,57

E) Impostos incluídos: $5,15 + $2,00 + $0,57 + $12,57= $20,29

Com a inclusão do ICMS, COFINS, PIS e IPI, a estrutura da Demonstração dos


Resultados do Exercício(um único produto) será a seguinte.
Itens Valores ($)
Receita Bruta de Vendas 96,19
(-) Impostos 20,29
= Receita Líquida de Vendas 76,00
(-) Custo das Mercadorias vendidas 55,00
= Lucro Bruto Operacional 21,00
Tem-se o markup de 25% sobre
$83,64($21,00)
Observa-se que o preço de venda continua subindo para o consumidor final
com os impostos apontados: ICMS, COFINS, PIS e IPI, porém, por ser um imposto
que pode ser recuperado com venda dos produtos, não alterou para a empresa.

Outra forma de cálculo do preço de venda pelo markup, pode ser com base no
custo do concorrente.

Cálculo do custo baseado no custo do concorrente.

Nesse caso, o markup de venda será usado com operação inversa, para que
seja obtido o custo do concorrente, em que pese as dificuldades em função de que
os impostos incidem por dentro do preço e não sobre o preço, como vimos nas
situações apresentadas anteriormente(ICMS. COFINS, PIS e IPI). A única exceção é o
IPI que é calculado sobre o preço.

182
Gestão Industrial II

Assim, tem-se que na operação inversa, primeiramente deverá listar o que se


cobra embutido no preço de venda, tais como os impostos apontados até aqui.

O passo seguinte será identificar as despesas envolvidas nas transações e que


são incluídas no preço de venda. Por exemplo: despesas financeiras 3%; overhead
5%; comissões 5%, totalizando 13%.

Importante!

Overhead: o que é?

Overhead é o custo indireto apropriado aos produtos através de rateios.

O terceiro passo será determinar a Margem de Contribuição ou Margem Bruta


de Lucros. Vamos inferir em 10% a margem de contribuição.

O quarto passo, será necessário provisionar o Imposto de Renda e a


Contribuição Social sobre o Lucro, utilizando-se de fórmula matemática.
Consideremos o IR e, 15%, a CSLL 9%.

Então a Margem de Contribuição poderá ser obtida da seguinte forma:

MCaIR = 1 – (IR + CSLL), onde:

MCaIR = Margem de Contribuição antes do Imposto de renda e CSLL

Logo,

MCaIR = 1 - (0,15 + 0,09)

McaIR = 0,76, logo:

MCaIR = 10% / 0,76

MCaIR = 13,16%

183
Gestão Industrial II

Na sequência, vamos realizar o somatório dos percentuais apresentados até


aqui.

Impostos = 20%

Despesas = 13%

MCaIR = 13,16

Somatório dos percentuais(SP): 46,16%

Agora, podemos encontrar o markup de vendas, a partir da seguinte fórmula:

Markup = 1 / (1 – SP)

Markup = 1 / (1 – 0, 4616)

Markup = 1 / 0,5384

Markup = 1, 8573

Após encontrado o markup(1,8573), basta multiplicar pelo custo de aquisição


(Caq) para encontrar o preço de venda (Pv).

Considerando o exemplo utilizado nos casos anteriores de custo de aquisição


de $55,00, para encontrar o preço de venda, basta multiplicar pelo markup
encontrado.

Então:

Pv = $55,00 x 1,8573

Pv = $102,15

Em contrapartida, para encontrar o custo do concorrente basta conhecer seu


preço de venda do concorrente, que poderá ser menor do que o da empresa em
análise, o custo poderá ser obtido mediante a realização da operação inversa do
markup multiplicador.

184
Gestão Industrial II

Nesse caso, vamos considerar que o preço de venda do concorrente praticado


no mercado é seja de $165,00, o custo do concorrente será o seguinte.

Custo do concorrente = $165,00 / 1,8573

Custo do concorrente = $88,84

Vamos ver outras formas de apurar o preço de vendas.

Formação de Preço baseado no Lucro

Antes porém, vamos relembrar as equações básicas que darão base para
apurar o preço de vendas.

I - RECEITA LÍQUIDA = Custos + Despesas + Lucro, ou

RL = CDV + CDF + L

Onde:

RL = Receita Líquida

CDV = Custos e Despesas Variáveis

CDF = Custos e Despesas Fixas

L = Lucro

CDT = Custos e despesas totais

Vamos considerar um exemplo hipotético de uma empresa hipotética em que:

 Os custos variáveis $8,60 e despesas variáveis de $1,20 por unidade.

 Custos e despesas fixas $70 000,00.

 Produção: 20 000 unidades

 Margem de lucro: 20%.

185
Gestão Industrial II

Logo:

RL = [($9,80 x 20 000) + $70 000] x (1 + 0,20)

RL = [196 000,00 + $70 000] x (1,20)

RL = $319 200,00

II - RECEITA BRUTA = Custos + Despesas + Lucro + Tributos

RB = [RL / (1 - %ICMS)] x (1 + %TF), onde:

RB = Receita Bruta

%ICMS = Alíquota do ICMS

%TF = Alíquota dos Tributos Federais

Considerando o exemplo anterior, vamos considerar a alíquota do ICMS de


18% e para os tributos federais(IPI, PIS e Confins), vamos considerar 22,65%.

A partir desses dados, vamos encontrar o preço de venda com base na Receita
Bruta.

Então temos.

RB = [319 200,00 / (1 – 0,18] x (1 + 0,2265)

RB = 389 268,29 x 1,2265

RB = $477 437,56
Itens Unitário ($) Total($)
Receita Bruta 23,87 477 437,56
(-)TF ($389 268,29) 4,41 88 169,27
= Base dos tributos 19,46 389 200,00
( -) ICMS - 18% 2,31 70 056,00
= Receita Liquida – RL 17,15 319 144,00
( ) Custos e despesas variáveis 9,80 196 000,00
= Margem de Contribuição 7,35 123 000,00
(-) Custos e despesas fixas 70 000,00
= Custos e despesas totais CDT 266 000,00
= Lucro 53 144,00

186
Gestão Industrial II

Formação de Preço com base na Receita Líquida

Vamos usar do mesmo exemplo para cálculo do preço de venda com base na
receita líquida. A exemplo da apuração pela Receita Bruta, é necessário atribuir o
percentual ao que se deseja de lucro. Vamos manter os mesmos 20%.

RL = ($9,80 x 20 000) + $70 000 + 0.20 x RL

RL – 0,20RL = $196 000,00 + $70 000,00

RL(1 – 20) = $266 000,00

RL= $332 500,00

Logo, o preço de venda será.

Pv = $332 500,00 / 20 000 unidades

Pv = $16, 62

Formação de Preço com Base no Mercado

Se o preço é determinado pelo mercado, a competitividade se dá pelo preço.


Equação (base mercado):

Lucro = (preço de venda bruto - tributos - custos - despesas – encargos


financeiros)

Principais métodos para formação de preço:

 Preço corrente.

 Com base em concorrência.

 Preços agressivos.

 Preços promocionais

187
Gestão Industrial II

Após compreender os procedimentos de elaboração dos preços de vendas e


para concluir nossos estudos da gestão industrial, vamos nos envolver com a
alavancagem operacional como conhecimentos necessários e importantes para ao
sucesso empresarial.

Então vamos lá.

Grau de Alavancagem Operacional- GAO

Representa o efeito que um aumento na quantidade de vendas provocará no


lucro de sua empresa

O grau de alavancagem operacional tem grande importância na gestão


empresarial na projeção dos resultados que poderá ser obtido nos diversos níveis e
fase da produção e das vendas, mantidas constantes as demais variáveis, tais como
a margem de contribuição, custos fixos e variáveis, investimentos etc.

É dado pela seguinte fórmula:

GAO = Δ%L / Δ%Qt

Onde:

Δ%L = Variação percentual do lucro

Δ%Qt = Variação percentual da quantidade vendida

Vamos partir de um exemplo para melhor compreender esse assunto.

Itens $

Preço unitário de venda 500,00

Despesas variáveis, para cada unidade 75,00

Custos variáveis, para cada unidade 235,00

Total das despesas e custos variáveis para unidade 300,00


Margem de contribuição unitária
200,00
Preço de venda menos total das despesas e custos variáveis
Despesas fixas, totais do mês 150 000,00

Custos fixos, totais do mês 350 000,00

188
Gestão Industrial II

Vamos considerar que uma empresa teve uma produção e venda em


determinado período de 3500 unidades do se produto.

Então o lucro do período apurado foi o seguinte.

Itens $

Receitas = 3 500 unidades x $500,00 1 750 000,00

(-) Despesas variáveis 3 500 unidade x $75,00 262 500,00

(-) Custos variáveis = 3 500 unidades x $235,00 822 500,00

= Margem de Contribuição Total 655 000,00

(-) Total das despesas fixas 150 000,00

Total dos custos fixos 350 000,00

= Resultado do mês 155 000,00

Qual seria o GAO dessa empresa, ao volume de atividades de 3 500 unidades?


Ou melhor, qual seria o reflexo no lucro se houvesse determinado aumento no
volume de atividades?

Vamos considerar que houve um acréscimo de 8% no volume de atividades e


o setor comercial da empresa aceitou encomendas novas que atingiu a 3.700
unidades, superando as 3 500 do período anterior. Qual será o novo lucro?

Itens $

Receitas = 3 700 unidades x $500,00 1 850 000,00

(-) Despesas variáveis 3 700 unidade x $75,00 277 500,00

(-) Custos variáveis = 3 700 unidades x $235,00 869 500,00

= Margem de Contribuição Total 703 000,00

(-) Total das despesas fixas 150 000,00

Total dos custos fixos 350 000,00

= Resultado do mês 203 000,00

189
Gestão Industrial II

Portanto, o lucro anterior de $155000,00 aumentou para $203000,00,


equivalente a $48 000,00 ou 31%.

Aplicando a fórmula, o GAO seria, então

GAO = Δ%L / Δ%Qt

GAO = 31% / 8%

GAO = 3,9

O GAO de 3,9 vezes significa que, no volume de atividade de 3,500 unidades,


qualquer acréscimo percentual no volume dessa atividade implicará que o lucro
aumentará proporcionalmente em 3,9 vezes.

Podemos fazer a comprovação dessa afirmação. Então, considerando que o


volume de atividades, que era de 3 500 unidades, aumente em 20%, passando para
4200 unidades.
Lucro do mês, supondo um volume de atividades de 4200 unidades.
Itens $

Receitas = 4 200 unidades x $500,00 2 100 000,00

(-) Despesas variáveis 4 200 unidade x $75,00 315 000,00

(-) Custos variáveis = 4 200 unidades x $235,00 987 000,00

= Margem de Contribuição Total 798 000,00

(-) Total das despesas fixas 150 000,00

Total dos custos fixos 350 000,00

= Resultado do mês 298 000,00

190
Gestão Industrial II

Alavancagem Financeira

A alavancagem financeira é resultado da presença de encargos financeiros


fixos no fluxo de lucro da empresa. Pode ser definida como a capacidade da
empresa usar encargos financeiros fixos, para maximizar os efeitos de variações no
Lucro Antes dos Juros e Impostos (LAJIR) sobre os Lucros Por Ação (LPA) da
empresa.

O principal objetivo da alavancagem financeira é fornecer ao gestor


empresarial, a capacidade de financiamento em que se encontra e evitar que as
operações de produção da empresa sejam financiadas com o patrimônio da
empresa Quando se diz que uma empresa tem alta alavancagem financeira,
significa que ela recorre a endividamento para financiar seus ativos e pode
comprometer seu futuro porque poderá comprometer sua capacidade de pagar
suas dívidas.

Importante!

Então podemos dizer que a Alavancagem Financeira baseia-se na


captação de recursos de terceiros: empréstimos, debêntures, ações preferenciais,
entre outros, para financiar investimentos, o que pode constituir em aumento na
produção, nas vendas e nos lucros.

Isto implica em identificar a relação existente entre o lucro antes dos juros e do
imposto de renda (LAJIR ou EBIT) e o lucro por ação (LPA), ou seja, faz-se necessário
maximizar os efeitos da variação do LAJIR sobre os lucros por ação dos
proprietários da empresa.

A dificuldade de utilização da alavancagem financeira deve-se à oscilação


existente no mundo dos negócios porque as vendas e os lucros são propensos a
flutuar de acordo com essa oscilação. Porém, pode ser utilizada quando a indústria
atua em um segmento com poucas oscilações em suas receitas e possui reservas
de caixa que suportam uma alavancagem considerável durante o processo de
produção para financiar seus negócios. Então, podemos entender que a
alavancagem financeira pode trazer bons retornos para os acionistas, mas

191
Gestão Industrial II

pode apresentar o risco de falência se o caixa ficar no vermelho e for


impossível recuperá-lo, daí a necessidade de mensurar o Grau de Alavancagem
Financeira com frequência e de acordo com a realidade da empresa e do mercado
em que atua e monitorá-lo.

Então, Como calcular o Grau de Alavancagem Financeira (GAF)?

O Grau de Alavancagem Financeira, ou simplesmente GAF, evidencia quais


os efeitos das variações ocorridas no Lucro Antes dos Juros e do Imposto de Renda
que refletem no Lucro Líquido.

As relações são as seguintes:

 Quanto maior for o GAF da organização, maior será o endividamento e o


risco financeiro.

 Se a alavancagem financeira de uma empresa for maior com relação ao


seu endividamento, maior será o seu índice de alavancagem, que implica que para
obter maiores lucros ela terá que correr maiores riscos.

Somente haverá alavancagem financeira se, dentro da estrutura de capital de


uma empresa, existir a presença de capital de terceiros que exigem uma
remuneração que pode ser chamada de juros. Para encontrar o GAF, é preciso
analisar a Demonstração do Resultado de Exercício e encontrar as seguintes
informações:

 LAJIR = Lucro antes dos juros e imposto de renda

 LAIR = Lucro antes do imposto de renda

Temos: LAIR = LAJIR – JUROS

Para exemplificar, vamos supor uma empresa cujo LAJIR seja $ 15.000,00 e que
possua despesas financeiras (juros) no valor de $ 5.000,00. Calculando o LAIR,
temos que:

LAIR = LAJIR – JUROS

LAIR = 15.000,00 – 5.000,00

LAIR = 10.000,00

192
Gestão Industrial II

Para encontrar o Grau de Alavancagem Financeira dividimos o LAJIR pelo LAIR:

GAF = LAJIR ÷ LAIR

GAF = 15.000,00 ÷ 10.000,00

GAF = 1,5

Vê-se que a existência do grau de alavancagem financeira está associado à


presença da remuneração do capital de terceiros na estrutura de capital da
empresa, ou seja, um capital que dá origem ao pagamento de juros.

Como podemos ver, o GAF é expresso em índice. Assim:

 GAF = 1: alavancagem financeira é nula.

 GAF > 1: alavancagem financeira favorável; o capital de terceiros está


contribuindo para gerar retorno adicional a favor do acionista.

 GAF < 1: alavancagem financeira desfavorável; o capital de terceiros está


consumindo o patrimônio líquido.

Sabemos que a existência do capital de terceiros também chamado de passivo


oneroso na estrutura de capital da empresa, resulta na alavancagem financeira.
Porém, deve-se saber que a GAF só será favorável quando organização obtiver em
suas atividades operacionais (mensurado pelo Retorno sobre o Investimento
(ROI) maior do que o custo de contratação do capital de terceiros.

E assim terminamos nossos estudos básicos relacionados à Gestão Industrial


que servirá de fontes de consultas no cotidiano de suas atividades laborais.

Leitura complementar!

CAMPIGLIA, Américo Oswaldo; CAMPIGLIA, Oswaldo Roberto P.


Controles de Gestão: controladoria financeira das empresas. São Paulo: Atlas, 1993.
KUHNEN, Osmar Leonardo / Bauer, Udibert Reinold. Matemática Financeira
Aplicada e Análise de Investimentos. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2001.

193
Gestão Industrial II

Nesta última unidade da disciplina, compreendemos os procedimentos que


orientam a gestão em suas diversas fases da produção e áreas na empresa, vamos
compreender os procedimentos que a empresa deverá adotar para formar os
preços de venda e gerir a produção e o financiamento do capital, da produção e
dos investimentos.

Identificar e gerir os custos da produção, das atividades, do produto ou serviço


e alocá-los de acordo com suas origens orienta a gerência operacional e identificar
os custos envolvidos em cada produto orienta a formação dos preços. Os custos e
despesas fixas serão financiadas pelo preço e os custos e despesas variáveis
orientam a gestão dos fornecedores porque eles são passivos otimização com a
boa escolha dos fornecedores. E nesse contexto veremos as diversas formas de
formação dos preços de venda.

Pelo sistema markup veremos que os tributos estão ligados aos entes da
federação e influenciam diretamente no custo e no preço final. Assim, a empresa
deverá se ocupar da gestão dos custos para a incidência dos tributos não a
coloquem em desvantagem diante da concorrência.

Vimos também os outros critérios que podem ser utilizados na formação dos
preços como baseados no concorrente o que orienta uma gestão de custos de
acordo com o potencial do concorrente. Ainda, pode ser usado o método baseado
no lucro que a empresa pretende obter, na receita líquida ou de acordo com a
relação oferta e demanda que o mercado orienta mantendo a empresa
competitiva.

E por fim, fechamos com os métodos de análise de alavancagem. A


alavancagem operacional mostra a relação existente entre produção e lucro e
fornece informações que orientam a gestão em suas diversas etapas. E por fim,
veremos como a empresa atua na utilização do financiamento do seu projeto e
quanto maior o endividamento, ou seja, a utilização de recursos de terceiros,
maiores serão os riscos que empresa estarão expostas em sua trajetória.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

194
Gestão Industrial II

Exercícios – Unidade 6

01) Os métodos de custeio têm por objetivo identificar os gastos e custos


relacionados ao processo produtivo, acumulando-os de forma organizado
aos produtos na busca da eficácia no gerenciamento dos negócios.
Marque a alternativa relacionado ao custeio por atividades.
a) Tem como característica a apropriação dos custos e despesas associados
ao objeto em análise: produto, serviço, atividade.
b) Tem como característica a apropriação dos gastos incorridos somente no
processo produtivo do produto, identificando os custos fixos, variáveis,
diretos e indiretos.
c) Tem como característica a alocação dos produtos somente os custos
identificados como variáveis, normalmente compostos pela matéria-
prima e a mão de obra direta, consumidas no processo produtivo.
d) Tem como característica a identificação dos custos relacionados às
atividades e não aos produtos porque são as atividades que consomem
os recursos necessários à sua produção.
e) São aqueles utilizados nos relacionamentos entre as áreas de
responsabilidade existentes nas empresas. Aplica-se aos custos
relacionados à transferência procedida pela empresa de produto ou
serviço a outra empresa. Exemplo: transfere a outra filial.

02) O gerente de uma empresa, para o lançamento de um novo produto,


fez a opção para formação do preço adotando a metodologia do markup e
para isso recebeu as seguintes informações.

 Despesas operacionais (administrativas e de vendas): 15% sobre a


receita bruta

 Comissões sobre vendas: 5% sobre o preço de venda bruto.

 Tributos incidentes sobre o preço de venda bruto: 25%.

 Margem de lucro desejada sobre a receita bruta: 10%.

 Custo do produto (custeio por absorção): $19,80

195
Gestão Industrial II

Com base nas informações acima, a formação de preços de venda com


base em custos e o método de cálculo do markup, o preço unitário de venda
para o produto será em unidades monetária($):

a) $21,78

b) $30,69

c) $33,00

d) $36,00

e) 44,00

03) Uma Sociedade Empresária estabelece o preço de venda de suas mercadorias


com base no custo de aquisição.

A mercadoria “A” tem custo de aquisição igual a R$12,00 por unidade.


Segundo a política de formação de preço utilizada pela Sociedade Empresária, o
preço de venda estabelecido deve proporcionar uma margem de contribuição,
líquida de tributos e despesas variáveis, de 30% sobre o preço de venda.

Os tributos incidentes sobre as vendas somam 27,25% e as despesas variáveis


de venda somam 2,75%.

Considerando-se as informações apresentadas, o preço de venda da


mercadoria “A” será de:

a) $16,80.

b) $19,20.

c) $20,00.

d) $30,00

e) $35,40

04) Um dos métodos usados para determinar o preço de venda de um


produto é a partir dos respectivos custos, acrescidos de uma margem,
ou markup, para cobrir gastos como impostos, despesas administrativas e
a margem de lucro definida pela empresa.

196
Gestão Industrial II

Considere hipoteticamente que determinado produto apresenta os dados a


seguir.

Custo unitário = $ 20

Despesas administrativas: equivalente a 10% da receita bruta

Impostos: 25% do preço de venda

Margem de lucro: 25% da receita bruta

Com base nessas informações, o preço de venda do produto será

a) $ 33,33.

b) $ 50,00

c) $ 53,50

d) $ 58,00

e) $ 60,00

05) Uma Sociedade Empresária apresenta os seguintes dados:

 Custo de Aquisição dos produtos R$10,00

 ICMS sobre a venda 18,00%

 PIS sobre a venda 0,65%

 COFINS sobre a venda 3,00%

 Comissão sobre as vendas 5,00%

 Margem líquida desejada 40,00%

Com base nos dados informados, o preço de venda mínimo do


produto deve ser de, aproximadamente:

a) $13,63.

b) $18,18.

c) $26,08.

d) $29,99.

e) $34,00

197
Gestão Industrial II

06) É o índice multiplicador que se aplica sobre o CMV, Custo de


Mercadoria Vendida, líquido para determinar o preço de venda. Esse
índice, muitas vezes, é determinado de forma empírica ou aleatória,
sem qualquer sustentação técnica:
a) Markup
b) Ponto de Equilíbrio Comercial.
c) Margem de Lucro Sobre Vendas.
d) Índice de Liquidez Imediata
e) Baseio em lucro

07) A composição relativa dos custos variáveis e fixos de uma


Companhia é medida pela alavancagem operacional. Considerando-se uma
Companhia com vendas de $ 410.000,00, custos variáveis de R$ 250.000,00 e
custos fixos de $ 80.000,00, a sua alavancagem operacional será:

a) 1,24

b) 1,32

c) 2,00

d) 3,13

e) 4,13

08) Analise a situação hipotética a seguir.

Ao final do ano de 2016, a Cia. Gaskell S.A. apresentou os seguintes


valores contábeis:

Ativo Total – R$ 10.000.000,00

Patrimônio Líquido – R$ 6.300.000,00

Ativo Imobilizado – R$ 4.800.000,00

Lucro Líquido – R$ 2.100.000,00

198
Gestão Industrial II

De acordo com essas informações, qual é o valor aproximado do


indicador de alavancagem financeira da Cia. Gaskell S.A. no ano de 2016?

a) 0,63.

b) 1,59.

c) 0,76.

d) 1,50.

e) 1,73

09) Acerca de receitas e custos e da relação entre esses elementos, julgue


o seguinte item.

Uma empresa que produza e venda um único produto e possua custos e


despesas fixas de R$ 300.000 e custos e despesas variáveis de 40% do montante de
vendas obterá lucro se vender mais de R$ 550.000.

Esta afirmativa está correta? Justifique.

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_____________________________________________________________________

199
Gestão Industrial II

10) O grau de alavancagem operacional indica o impacto que uma


variação ocorrida na receita de vendas irá provocar no resultado operacional
de uma empresa.

Nesse contexto, a indústria AZ, que pretende apurar seu grau de


alavancagem operacional, fez, em reais, as seguintes anotações referentes a
um determinado período produtivo:

Custos fixos 160.000,00

Custos variáveis 380.000,00

Despesas fixas 40.000,00

Despesas variáveis 100.000,00

Receita de vendas 780.000,00

Considerando-se as anotações realizadas pela indústria AZ, qual o seu


grau de alavancagem operacional, apurado, no período produtivo?

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
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_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

200
Gestão Industrial II

Considerações Finais

Vimos que a disciplina Gestão Industrial II tem por objetivo disponibilizar ao


aluno os conhecimentos e habilidades para a gestão dos custos no exercício de
suas atividades nos processos de produção de produção ou serviços para atingir as
metas perpetuidade no mercado em que atua.

O ponto de partida será conhecer como as práticas da contabilidade orientam


as etapas da contabilidade de custos considerando que todo processo de
produção de demanda origem e aplicação de fatores de produção (tecnologia,
material, capital, trabalho) para que possa realizar sua apropriação nas etapas do
processo e fornecer subsídios para orientar o gerenciamento dos recursos
materiais, humanos e financeiros, de atividades, capitais etc. Compreender a
composição do patrimônio empresarial quanto à sua estrutura e participação da
situação patrimonial, bem como estabelecer as diferenças entre custos despesas e
as integração das receitas no cotidiano da produção e comercialização. A clareza
das apropriações dos custos diretos e indiretos em todas etapas têm grande
importância na gestão dos materiais, na planejamento da produção, na logística e
gestão financeira.

Nesse contexto, a identificação dos métodos de custeios apropriados às


características da empresa poderá ser utilizado não só para otimizar os custos
como compreender seu papel na formação dos preços finais capaz de dar lucro e
competir no mercado. Assim, vamos compreender o método de custeio por
absorção, por departamentalização, por atividades (ABC), custeio direto e indireto.

Outro fator importante a ser analisado é a identificação dos custos quando o


processo de produção acontece em fases diversas em área ou departamentos ou
centros de custos diferentes. As apurações destes custos estão relacionadas ao
assunto conhecido como custos conjuntos e possibilitam a empresa conhecer
composição dos custos em cada etapa do processo e assim orientar as decisões.

201
Gestão Industrial II

Os custos totais compõem o preço final, orienta a recuperação do


investimento tanto financeiro como temporal, quando fornecerão subsídios
estabelecer o break-even point que indicará quantidade necessária de produção
para sua recuperação e a partir dessa quantidade a empresa terá lucros.

E para fechar os estudos, veremos a formação dos preços com todas suas
variáveis e forma apurar o equilíbrio que poderá ser o contábil, financeiro ou por
margem de contribuição e de segurança e assim compreender os procedimentos
de formação dos preços pelo markup, com base no lucro, na receita líquida e a
preço de mercado.

202
Gestão Industrial II

Conhecendo o autor

É Mestre em Administração na área de Desenvolvimento Organizacional. É


Pós Graduado em Docência Superior; Pedagogia Empresarial; Engenharia
Econômica e Administração Industrial. É graduado em Ciências Econômicas e em
Administração. É professor universitário há mais 20 anos na modalidade presencial
e 6 anos na modalidade EAD. Atua como conteudista de material para os cursos na
modalidade à distância. Atua como professor em cursos de pós-graduação.
Trabalhou 36 anos no setor privado e realizou diversas consultorias empresariais
em sua carreira profissional.

203
Gestão Industrial II

204
Gestão Industrial II

Referências

AZZOLIN, José Laudelino. Contabilidade e Análise de Custos. IESDE Brasil S.A.


Curitiba: 2008.
BACKER, Morton: JACOBSON, Lyle E. Contabilidade de Custos: uma abordagem
gerencial. Tradução de: José Carlos Marion e Mussolini Orru. 2. ed. McGraw-Hill,
1984.
CAMPIGLIA, Américo Oswaldo; CAMPIGLIA, Oswaldo Roberto P. Controles de
Gestão: controladoria financeira das empresas. São Paulo: Atlas, 1993.
_______Controle de Gestão: controladoria financeira das empresas. São Paulo:
Atlas, 1994.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário do Século XXI: o
dicionário da língua portuguesa. 3 ed, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 7, ed, Atlas , SP:
2007.
GRECO, Alvísio; AREND, Lauro. Contabilidade Teoria e Prática Básicas. 7a ed. Porto
Alegre: Sagra Luzzato, 1997.
KUHNEN, Osmar Leonardo / Bauer, Udibert Reinold. Matemática Financeira
Aplicada e Análise de Investimentos. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2001.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 7. Ed. Atlas. São Paulo: 1998.


__________ Contabilidade de Custos. 9. Ed. Atlas. São Paulo: 2003.
MARION, José Carlos. Contabilidade Rural. 2 ed. São Paulo: Atlas 1990.
SANTOS, Marcello Lopes. Finanças: fundamentos e processos. IESDE Brasil S.A.
Curitiba:2008.
SANTOS, Roberto Vatan. Planejamento do “Target-price” segundo o enfoque da
Gestão Econômica. Revista Brasileira de Custos. São Leopoldo, v. 1.1o sem. P. 21-35,
1999.
TAVARES, Hermes Magalhães. Produção Flexível: seus reflexos sobre o trabalho e
o território. Travessia. Rio de Janeiro, 1994.
TUNG, N. H.. CBA – Custeio à Base de Atividade no Brasil: estudos de casos.
Boletim IOB – Temática Contábil e Balanços. São Paulo: 1994.

205
Gestão Industrial II

206
Gestão Industrial II

A
nexos

207
Gestão Industrial II

Gabaritos

UNIDADE 1

1) B

2) D

3) D

4) D

5) D

6) E

7) A

8) C

9) Bens + Direitos – Obrigações = Patrimônio Líquido

10) A empresa poderá utilizar como fontes de recursos o capital próprio ou


capital de terceiros.

UNIDADE 2

1) C

2) A

3) D

4) A

5) E

6) B

7) D

8) C

208
Gestão Industrial II

9) A contabilidade gerencial pode ser definida como um conjunto de técnicas


e procedimentos contábeis, como a contabilidade financeira, a de custos e a
análise das demonstrações contábeis, que, quando combinados, fornecem
informações valiosas para o processo de tomada de decisão nas empresas.

A contabilidade gerencial também pode ser empregada para adequar as


ferramentas de gestão ao momento em que a empresa se encontra, já que existem
diferentes estratégias que podem ser usadas para o lançamento, expansão ou
busca de novos consumidores ou mercados

10) Os custos fixos são aqueles que ocorrem independentemente da


quantidade produzida e são decrescentes de acordo com o nível de produção,
enquanto que os custos variáveis são aqueles que ocorrem na proporção da
quantidade produzida, ou seja, varia de acordo com o volume de produção.

UNIDADE 3

1) A

2) D

3) C

4) B

5) E

6) D

7) E

8) B

9) Solução:

OP 101 => (7000 x 0.55) = $3850,00

OP 102 => (7000 x 0.45) = $3150,00.

209
Gestão Industrial II

10) Departamentalização e o procedimento de dividir ou segmentar a fábrica.


Cada segmento será conhecido como Departamento ou Centro de Custo, que
arcara com todos os gastos inerentes ao desempenho de suas atividades.

A título de exemplo uma indústria pode ser dividida nos seguintes:


departamentos ou centro de custos; departamento de corte; produção;
montagem; acabamento e embalagem.

UNIDADE 4

1) A

2) C

Solução:
CUSTO TOTAL DE PRODUÇÃO: 225.000 + 75.000 + 20.000 + 30.000 =
$350.000
QUANTIDADE TOTAL PRODUZIDA: 1944 + 1656 + 2100 + 2300 = $8.000
CUSTO UNITÁRIO DE PRODUÇÃO = 350.000 / 8.000 = $43,75
LUCRO BRUTO "EXTRA" = (6,80 - 43,75) * 2300 = $50,55
3) B

Solução:

RF = 100 000 – 100 000 x (1,015)-5

=100000 – 100000(0,9282) = $7 180,00

4) B

Solução:

Ponto de Equilíbrio Econômico

RT = CT + DT + L ( L -Margem de lucro )

RT – CT - DT = L

RT – CT - DT = 130.000

210
Gestão Industrial II

(100-3-10)X – 60.000 – 15X – 20.000 – 2X = 130.000

87 X – 80.000 – 17 X = 130.000

70 X = 130.000 + 80.000

70 x = 210.000

X = 210.000 / 70

X = 3.000

(+) Preço de venda.......................................................R$ 100,00/un

(-) Impostos sobre a Venda (10%)...............................R$ 10,00/un

(-) Comissões de venda (3%)......................................R$ 3,00/un.

(-) Despesas variáveis.................................................R$ 2,00/un

(-) Matéria-prima..........................................................R$ 10,00/un

(-) Mão de obra direta..................................................R$ 5,00/un

(=) Margem de Contribuição........................................R$ 70,00/un

Ponto de Equilíbrio Econômico=(Custo Fixo + Despesa Fixa + Lucro)/MC=(R$


60.000,00 + R$ 20.000,00 + R$ 130.000,00)/R$ 70,00/un

PEE=R$ 210.000,00/R$ 70,00/um = 3.000 un.

5) D

6) C

7) B

Solução:

Cálculo dos custos por atividades (Unitário)

Realizar Engenharia = 84.000 / 40 = 2.100,00

Energizar = 15.000 / 20.000 = 0,75

Produto A

2.100,00 * 15 = 31.500,00

211
Gestão Industrial II

0,75 * 7.000 = 5.250,00

22.000,00 + 8.000,00 + 31.500,00 + 5.250,00 = 66.750,00

Produto B

2.100,00 * 25 = 52.500,00

0,75 * 13.000 = 9.750,00

28.000,00 + 12.000,00 + 52.500,00 + 9.750,00 = 102.250,00

1º.Separação entre Custo e Despesa;

Separar os gastos com a fabricação do produto (custos) dos gastos que não
estão relacionados ao processo produtivo (despesa).

2º.Apropriação dos Custos Diretos diretamente aos produtos;

A apropriação dos custos diretos é feita pelos sistemas de requisição de


matéria-prima, apontamento de horas de mão de obra, medição de energia elétrica
p/hora máquina, etc.

3º. Rateio dos Custos Indiretos.

A apropriação dos Custos Indiretos é feito através de Rateio. Existem várias


formas de rateio, cuja utilização irá depender das estruturas produtiva e sistêmica
da empresa.

Os custos Indiretos podem ser rateados mediante a aplicação da


proporcionalidade dos Custos Diretos, Mão de obra Direta, Matéria-Prima
Consumida, Quantidade Produzida, ou outro critério mais adequado ao tipo de
mercadoria produzida.

8) A

9) São todos os custos que necessitam de alguns cálculos para serem


distribuídos aos diferentes produtos fabricados pela empresa, uma vez
que são de difícil mensuração e apropriação a cada produto fabricado.

212
Gestão Industrial II

10) Os custos Indiretos podem ser rateados mediante a aplicação da


proporcionalidade dos Custos Diretos, Mão de obra Direta, Matéria-Prima
Consumida, Quantidade Produzida, ou outro critério mais adequado ao
tipo de mercadoria produzida.

UNIDADE 5

1) C

2) A

Solução:

LT = Pv x Q – ( CFT + CVT + D),

24 000 = 9,00Q – (60 000 + 3,00 Q)

Q = 84 000/9,00

Q = 14 000 unidades

3) B
Solução:
Margem Bruta= (Lucro Bruto / Receita total) x 100

Lucro Bruto = Preço de venda x Quantidade Vendida - Custo do produto


vendido unitário x Quantidade vendida

Lucro Bruto = 400 x 2500 – 296 x 500= 260000

Receita total = 400 x 2500=1000000

Margem Bruta = ( 260000/1000000)x 100= 26%

4) C

5) B

Solução:

Q = (1250 - 1100) x 200

Q = 150 * 200

213
Gestão Industrial II

Q = 30.000,00 (DESFAVORÁVEL)

6) E

7) A

8) A

9) "O objetivo de um sistema de custo-padrão é comparar o custo real da


empresa com o padrão fixado, visando detectar variações ou desvios. E é
justamente nestes desvios que a empresa deve concentrar seus esforços.
Aí se encontra o conceito de Administração por exceção, que consiste em ter a
atenção voltada para o que não está indo de acordo com os planos, ou seja,
“fugindo” do padrão. Daí, o custo padrão e a análise de variações é um instrumento
que possibilita a administração por exceção (APE)."

10) Primeiramente, cabe uma pequena diferenciação da terminologia aplicada


na análise da variação de materiais e na análise da variação de mão de obra.
Quando estamos falando da análise da variação de materiais, estamos falando em
variação de quantidade (VQ), variação de preço (VP), variação mista (VM) e variação
total (VT). Quando estamos falando na análise da variação da mão de obra, estamos
falando de variação de eficiência (VE), variação de taxa (VTx) e, igualmente, em
variação mista e variação total (VT):

Apesar de o exercício informar que a empresa utiliza-se das três variações, ele
questiona apenas sobre a variação de quantidade; referente, portanto, à matéria-
prima. Dessa forma, temos:

VQ = variação de quantidade × PP.

VQ = (QR – QP) × PP.

VQ = (18 – 15) × $6 → $18.

A variação de quantidade é de $18 desfavorável, uma vez que se consumiu


mais que o planejado (QR>QP).

214
Gestão Industrial II

UNIDADE 6

1) D

2) E

3) D

4) B

5) D

6) A

7) C

8) B

9) Solução:

Receita: $ 550.000

Se os custos variáveis (CV) equivalem a 40% da receita então $ 550.000 x 40%


= $ 220.000 (CV)

Desta forma, o resultado fica $ 330.000 ($ 550.000 - $ 220.000)

Com esse valor, paga-se os custos fixos ($ 330.000 - $ 300.000)

Diferença positiva de $ 30.000.

10) Solução

GAO=Margem de contribuição / Lucro operacional

REC.......................................780000

(-) Custos variáveis.................380000

(-) Despesas variáveis............100000

(=) Margem contribuição...300000

(-) Custos fixos .....................160000

(-) Despesas fixas .................40000

(=)Lucro operacional ..........100000

GAO = 300000/100000 =3,0

215