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R DO GUATUPÊ – 1998

CAD 1º PM FERREIRA
POLICIA MILITAR DO PARANÁ
DIRETORIA DE ENSINO
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ

DROGA - Qualquer substância natural ou química, que administrada num


organismo vivo é capaz de provocar dependência * física e/ou *psíquica podendo ser
letal.

COMBATE AO COMÉRCIO E USO DE DROGAS

* física - organismo necessita (alcoólatra)

* psíquica - vício propriamente dito.

TÓXICOS: “Qualquer substância de origem animal, vegetal ou mineral, que


introduzida em quantidade suficiente num organismo vivo, produz efeitos maléficos,
podendo ocasionar a morte ”.

Nestas condições, pode ser “Tóxico” qualquer droga, mesmo um simples


medicamento que, tomado em dose excessiva, poderá provocar uma intoxicação de
efeito letal. Tóxico portanto, é mais sinônimo de veneno do que substância que
altere a normalidade mental ou psíquica, quando ingerida.

Os jornais, se referem constantemente aos psicotrópicos como drogas tóxicas,


cuja definição é a seguinte:

“Substâncias químicas ou sintéticas, que têm a faculdade de agir sobre o


sistema nervoso central, com tendência ao tropismo pelo cérebro que comanda o
corpo, alterando a normalidade física ou psíquica, desequilibrando a conduta e a
personalidade”.

Para a toxicomania, usa-se a expressão “hábito” para designar a subordinação


que causa, assim como acontece com o fumo, que na sua falta, impõem, enorme
frustração pela insatisfação psíquica temporária que acarreta, incapaz, no entanto, de
gerar desespero ou prática de ato desatinado.
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O vício, porém, impõem jugo físico irresistível, imposto pelas drogas pois após
alguma porção de heroína ou morfina circular pelo organismo por algum tempo,
transforma a química corporal de tal forma que fica impossível o funcionamento
normal sem a presença da droga.

A palavra droga, vem de DROOG, que no holandês antigo significava folha


seca, vegetal seco. Isso porque antigamente todos os medicamentos eram feitos à
base de vegetais que, depois secos, eram triturados e colocados em algum líquido,
tipo óleo, água ou álcool. Até hoje, os cientistas usam a palavra como sinônimo de
medicamento. Para ser mais exata, a medicina define DROGA como uma
substância (qualquer uma) capaz de provocar mudanças num organismo vivo,
quer seja física ou psíquica.

Drogas *PSICO/TRÓPICAS são substâncias que agem em nosso cérebro e


modificam o modo do ser vivo ser, pensar, ou agir, mesmo que seja por pouco tempo.

* psico - relativo a mente

* trópicos - é ter atração por ... (vontade)

Lei de Tóxicos

LEI 6.368/76 - Dispõe sobre medidas de prevenção e repressão ao


tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes ou que
determinem dependência física ou psíquica, e dá outras providências.

Da Prevenção

Art. 1º - É dever de toda pessoa física possuir CIC ou jurídica CGC, e


colaborar na prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de
substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.

Art. 2º - Ficam proibidos em todo o território brasileiro o plantio, a cultura,


a colheita e a exploração, por particulares, de todas as plantas das quais
possa ser extraída substância entorpecente ou que determine dependência
física ou psíquica.

§1º - As plantas dessa natureza, nativas ou cultivadas, existentes no território


nacional, serão destruídas pelas autoridades policiais, ressalvados os casos previstos
no parágrafo seguinte.
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§2º - A cultura dessas plantas com fins terapêuticos ou científicos só será


permitida mediante prévia autorização das autoridades competentes. (Ministério da
Saúde e Justiça)

§3º - Para extrair, produzir, fabricar, transformar, preparar, possuir, importar,


exportar, reexportar, remeter, transportar, expor, oferecer, vender, comprar, trocar,
ceder ou adquirir para qualquer fim substância entorpecente ou que determine
dependência física ou psíquica, ou matéria-prima destinada à sua preparação, é
indispensável licença da autoridade sanitária competente, observadas as demais
exigências legais.

§4º - Fica dispensada da exigência prevista no parágrafo anterior a aquisição


de medicamentos mediante prescrição médica, de acordo com os preceitos legais ou
regulamentares.

Art. 3º - As atividades de prevenção, fiscalização e repressão ao tráfico e uso


de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica
serão integradas num Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão,
constituído pelo conjunto de órgãos que exerçam essas atribuições nos âmbitos
federal, estadual e municipal.

Parágrafo Único - O sistema de que trata este artigo será formalmente


estruturado por decreto do Poder Executivo, que disporá sobre os mecanismos de
coordenação e controle globais de atividades, e sobre os mecanismos de coordenação
e controle incluídos especificamente nas áreas de atuação dos governos federal,
estaduais e municipais.

Art. 4º - Os dirigentes de estabelecimentos de ensino ou hospitalares, ou de


entidades sociais, culturais, recreativas, esportivas ou beneficentes, adotarão, de
comum acordo e sob a orientação técnica de autoridades especializadas, todas as
medidas necessárias à prevenção do tráfico ilícito e do uso indevido de substância
entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, nos recintos ou
imediações de suas atividades.

Parágrafo Único - A não observância do disposto neste artigo implicará a


responsabilidade penal e administrativa dos referidos dirigentes.

Dos Crimes e das Penas

*TRÁFICO - mais de 50 gramas


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Art. 12 - Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir,


vender, expor à venda ou oferecer, fornecer ainda que gratuitamente, ter em
depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar ou entregar, de
qualquer forma, a consumo substância entorpecente ou que determine dependência
física ou psíquica, sem autorização ou desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Pena: Reclusão, de 03 (três) a 15 (quinze) anos, e pagamento de multa.

§1º - Nas mesmas penas incorre quem, indevidamente:

I - importa ou exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda


ou oferece, fornece ainda que gratuitamente, tem em depósito, transporta, traz
consigo ou guarda matéria-prima destinada à preparação de substância entorpecente
ou que determine dependência física ou psíquica;

II - semeia, cultiva ou faz a colheita de plantas destinadas à preparação de


entorpecente ou substância que determine dependência física ou psíquica.

§2º - Nas mesmas penas incorre, ainda, quem:

I - induz, instiga ou auxilia alguém a usar entorpecente ou substância que


determine dependência física ou psíquica;

II - utiliza local de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou


vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, para uso
indevido ou tráfico ilícito de entorpecente ou substância que determine dependência
física ou psíquica;

III - contribui de qualquer forma para incentivar ou difundir o uso indevido ou


tráfico ilícito de substância entorpecente ou que determine dependência física ou
psíquica.

Art. 13 - Fabricar, adquirir, vender, fornecer ainda que gratuitamente, possuir


ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à
fabricação, preparação, produção ou transformação de substância entorpecente ou
que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar;

Pena: Reclusão, de 03 (três) a 10 ( dez) anos, e pagamento de multa.

Art. 15 - Prescrever ou ministrar culposamente, o médico, dentista,


farmacêutico ou profissional de enfermagem substância entorpecente ou que
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determine dependência física ou psíquica, em dose evidentemente maior que a


necessária ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena: Detenção, de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos, e pagamento de multa.

* USO - menos de 50 gramas

Art. 16 - Adquirir, guardar ou trazer consigo, para uso próprio, substância


entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena: Detenção, de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos, e pagamento de multa.

Analisa-se:

1 - Local - grandes concentrações de pessoas (tráfico)

2 - circunstâncias (como?)

3 - antecedentes (história do elemento)

4 - Quantidade +50g(tráfico) ou -50g(uso).

*ABUSO - ultrapassar do limite

ABUSO DE DROGAS

Conceituação - A expressão abuso de droga requer a compreensão da


definição desses vocábulos separadamente. A palavra “DROGA” - pode ser definida
como qualquer substância, natural ou artificial, que pela sua natureza
química altera a estrutura ou função do organismo. “ABUSO” compreende o
uso, geralmente por auto-administração, de qualquer droga de uma maneira
que se desvie dos padrões médicos ou sociais aprovados dentro de uma
dada cultura, chegar a uma farmácia com intuito de entorpecer. A expressão contém
a noção de desaprovação social e não é necessariamente descritiva de nenhum
padrão particular de uso de drogas ou de suas conseqüências adversas potenciais.
Como desaprovação social implica em problemas de saúde(lesões no organismo), em
problemas individuais (falta de motivação ou dependência), em problemas familiares
( transtornos no lar) e em problemas sociais (delinqüência e outros comportamentos
anti-sociais).

As pessoas tomam drogas por várias razões. Curiosidade (quando a pessoa


imagina), disponibilidade ( estar com a curiosidade e alguém lhe oferece),
pressões de grupos (pessoas caretas - modismo), uso anterior e dependência,
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são consideradas as principais causas que levam uma pessoa a se drogar.


Curiosidade - anualmente muito se tem falado e escrito sobre drogas. Sendo a
curiosidade um aspecto comum do comportamento humano, não é surpreendente que
muitas pessoas, especialmente adolescentes, sejam induzidas a experimentar
entorpecentes. Disponibilidade - drogas, sejam lícitas ou ilícitas, estão mais
acessíveis presentemente; em conseqüência, muitas pessoas ficam direta ou
indiretamente expostas a elas. Pressões de grupos - em muitos grupos o uso de
drogas é tido como elegante. É um distintivo de relacionamento e a chave para
aceitação na sociedade. Abstêmios são rejeitados. Torna-se difícil ser diferente de
forma que as pessoas aderem. Problemas emocionais - algumas pessoas usam
drogas para aliviar vários problemas emocionais, tais como: ansiedade, nervosismo,
depressão, etc. Outras tornam drogas simplesmente porque estão entediadas.
Adolescentes podem usar drogas como uma expressão de alienação ou de revolta.
Pressões sociais - adolescentes muitas vezes são influenciados por populares
glorificando as drogas ou por cantores, músicos ou atletas famosos que são adeptos
das drogas. Uso anterior - para a maioria das pessoas, o uso da droga pela primeira
vez é o passo principal. Uma simples experiência não significa que a pessoa se
tornará usuário, mas isso pode remover algumas barreiras contra novas tentativas
para o uso. Dependência - algumas pessoas usam drogas porque se tornaram física e
psiquicamente dependentes dela, não interessando se a droga é lícita ou ilícita, leve
ou pesada ou se a mesma foi usada com finalidades terapêuticas ou não.
-SOCIAL - Família
-SAÚDE - Auto - destruição
-FINANCEIRO - Arcar os custos

Superdose (overdose) - Dosagem excessiva de qualquer droga, além


daquilo que o organismo pode suportar, é uma dose que pode causar sério e súbito
dano físico ou mental. Pode ser fatal ou não, dependendo da droga e da quantidade
usada. Dosagens excessivas perigosas podem ocorrer em usuários que tenham
desenvolvido tolerância a uma droga ou até mesmo em usuários iniciantes de rua que
não tenham condições de conhecer a potência da droga que estão tomando.

Vias de administração mais usados: - Oral, - Injetável, - Inalação,


-Absorção (não cai em prova). Existem várias maneiras pelas quais um usuário pode
administrar uma droga dependendo da fase em que ele se encontra, a natureza da
droga e do ambiente no qual é usada. As três vias comuns pelas quais as drogas
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podem penetrar no organismo são: Oralmente - quando o usuário ingere pílulas,


tabletes ou cápsulas, a droga passa através do esôfago e estômago para o intestino
delgado, onde é absorvida pelos pequenos vasos sangüíneos. As drogas usadas por
essa via passam através das enzimas bucais e ácidos estomacais de modo que os
efeitos são demorados e mais fracos do que outras vias de administração (tempo de
reação: 20 a 30 minutos). Injeção - algumas substâncias, tais como cocaína, heroína
e barbitúricos, podem ser injetadas diretamente no organismo por meio de agulhas.
As drogas podem ser injetadas na corrente sangüínea, na massa muscular ou sob a
pele. Essas vias conduzem à absorção mais rápida e efeitos mais intensos do que
outras formas de administração de droga. Por outro lado, acarretam infeções mais
séria e outros riscos (tempo de reação: 15 a 30 segundos, na veia; 3 a 5 minutos, no
músculo ou sob a pele). Inalação - quando usuários inalam cocaína, a droga
vaporizada penetra nos pulmões e é rapidamente absorvida pelos pequenos vasos
sangüíneos que guarnecem as cavidades dos brônquios. Dos pulmões, a droga
carregada pelo sangue é bombardeada de volta para o coração e então diretamente
para o organismo e cérebro, agindo assim mais rapidamente do que quaisquer outros
meios (tempo de reação: 7 a 10 segundos).

Tipos de Drogas -

1. Cannabis : incluindo maconha, haxixe, óleo de haxixe e THC - refere-se


preparações da planta cannabis sativa (latin - cânhamo cultivado).

2. Narcóticos : narcótico vem da palavra grega narke, significando


“torpor”. Drogas agrupadas nesta categoria: ópio, morfina, heroína e outros
produtos sintéticos.

3. Sedativos/ hipnóticos (depressores) : O vocábulo latino sedatus


significa “calma” e a palavra grega hypnos “sono”. Sedativos/hipnóticos são drogas
que provocam estado de sonolência. LSD - chá de fita.

4. Alucinógenos : O termo alucinógeno (do latim allucinari, significando


fantasiar, flutuar a mente) aplica-se a qualquer substância usada para produzir
distorções da realidade e alucinações.

5. Estimulantes : Estimulantes (do vocábulo latino stimulare, significando


estimular, atormentar, incitar) são drogas que provocam um rápido vigor no usuário.
Anfetamina, crack, cocaína.
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Inalantes : Inalantes são substâncias líquidas ou gasosas que são inaladas e


absorvidas através dos pulmões. Os mais comumente usados são: colas, acetona,
gasolina e clorofôrmio.

As drogas provêm de três fontes principais: naturais, sintéticas e semi-


sintéticas. Naturais são aquelas substâncias originadas diretamente de certas plantas,
como o ópio (extraído da papoula) e maconha (obtida da cannabis). Sintéticas são
substâncias derivadas inteiramente de manipulações em laboratórios (anfetaminas,
barbitúricos, etc.). Semi-sintéticas são produtos obtidos através de modificações
químicas das drogas naturais (heroína, codeína, etc.). Esta e outras classificações de
drogas estão sujeitas a muitas controvérsias, principalmente, porque nenhum sistema
único é completamente satisfatório. De fato, as drogas podem ser classificadas de
acordo com muitos sistemas, dentre os quais, o uso terapêutico, a estrutura química,
o mecanismo de ação, esquemas legais, etc. Para o propósito deste trabalho, a
classificação escolhida representa um grupo genético ou família de drogas. Cada
droga específica, dentro desse grupo, está baseada na forma de como ela produz seus
efeitos. Assim, as drogas que resultam em dependência física ou psíquica podem ser
agrupadas em seis categorias principais, como segue: cannabis, alucinógenos,
narcóticos, estimulantes, depressores e inalantes. Embora as substâncias
dentro de cada classe tenham muitas ações em comum, existem também diferenças,
sendo esta classificação apresentada meramente por sua conveniência didática.

Cannabis - Cannabis se refere as preparações da planta cannabis sativa, um


cânhamo que cresce tanto em climas tropicais como temperados. O principal
constituinte psicoativo desta planta é o tetrahidrocanabinol (THC) uma substância
alucinógena. Além do THC, a planta contém outros canabinóides e químicos, cujos
efeitos biológicos ainda não foram determinados. THC exerce efeitos sobre o humor, a
memória, a coordenação motora, a capacidade cognitiva, o sentido de tempo e a
autopercepção. Três formas de cannabissão atualmente encontradas no mercado
ilícito. São elas: a maconha, o haxixe e o óleo de haxixe. A primeira - maconha - é
composta das sumidades floridas e folhas de planta seca e freqüentemente contém
sementes, talos e outros materiais. Esta variedade pode conter acima de 5% (cinco
por cento) de concentração de THC. A maconha pode ser fumada tanto em cigarros
como em cachimbos especial. Como a maioria dos psicodélicos, os efeitos mentais da
maconha estão muito relacionados com o humor do fumador. Ela pode agir também
como estimulante ou depressor, dependendo da variedade e quantidade de químicos
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que são absorvidos no cérebro, porém, muito freqüentemente, ela age como
relaxante, tornando os usuários sonolentos e introvertidos de maneira que ficam
menos interativos socialmente. A segunda - haxixe - uma rica secreção resinosa das
flores da planta, é uma substância mais potente que a maconha. A resina das flores é
mais rica em canabinóides do que as folhas e extremidades, variando em conteúdo de
THC, de 6% (seis por cento) para 12% (doze por cento). A terceira - óleo de haxixe -
pode ser extraída da planta (usando solventes) e é usada para realçar o conteúdo
psicoativo de cigarros de maconha. Pode conter mais de 60% (sessenta por cento) de
THC. Uma ou duas gotas desse líquido num cigarro é igual, em efeitos psicoativos, a
um cigarro completo de maconha.

Alucinógenos - São drogas que afetam completamente a percepção, as


emoções e os processos mentais. Distorcem os sentidos e podem causar alucinações
(percepção dos fenômenos que não tem realidade objetiva, como sonhos ou
pesadelos). Essas drogas também são rotuladas de psicodélicas. São mais
freqüentemente conhecidas pelos seus chamados efeitos “expansão da mente”.
Algumas das drogas neste grupo são químicos sintéticos produzidos em laboratórios
particulares especialmente para o mercado ilícito de drogas. Os alucinógenos mais
conhecidos são LSD (Dietilamida do Ácido lisérgico) - um alcalóide semi-sintético
derivado do ácido lisérgico. É também encontrado na ergotina, um fungo que cresce
no centeio e vários cereais. Psilocibina - o ingrediente ativo encontrado no cogumelo
mexicano psilocibe e outras espécies. Psilocina é um alcalóide acompanhante,
geralmente presente em pequenas quantidades. Na linguagem dos usuários DOM é
chamado STP (iniciais de Serenidade, Tranqüilidade e Paz). Suas ações e efeitos são
similares aqueles da mecalina e LSD.

Narcóticos - São os principais depressores do sistema nervoso central. São


drogas analgésicas, altamente aditivas que podem, também, provocar um sentimento
eufórico de bem-estar. Seu uso repetido, mesmo num período curto, como dois
meses, pode conduzir à uma grave dependência psíquica e física. Alguns narcóticos
são drogas naturais obtidas do ópio da papoula e outras são sintéticas produzidas em
laboratórios. As drogas listadas nesta categoria, compreendem: Ópio - o termo ópio
refere-se a certos alcalóides ou compostos químicos encontrados no ópio da papoula,
papaver somniferum. Existem mais de 25 (vinte e cinco) alcalóides conhecidos na
papoula, porém os mais importantes são a morfina e a codeína, bem como seus
derivados, como a heroína e outras drogas sintéticas (metadona, dilaudid, demerol,
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percodan, etc.). Morfina - foi o primeiro agente ativo isolado do ópio por Frederich
Sertüner, em 1.806, que a denominou morfium (de morféu, o deus dos sonhos). Esta
droga tem valioso valor terapêutico, porém é altamente perigosa quando
administrada sem supervisão médica. Heroína - é uma droga semi-sintética
produzida através de modificações químicas do alcalóide natural morfina, pela
exposição desta ao ácido acético. Foi antigamente utilizada como poderoso
analgésico, mas devido ao seu alto risco de dependência, atualmente tem sido
substituída por outros analgésicos narcóticos. Codeína - é outra droga processada da
morfina. É comumente administrada para o alívio de dores menores.

Estimulantes - (O crack também é estimulante). São drogas que excitam o


sistema nervoso central. Essas drogas são geralmente usadas em razão da sua
capacidade para aumentar a agilidade e a resistência, para manter os usuários
acordados por longo tempo, para diminuir o apetite e para produzir sentimentos de
bem-estar e euforia. Podem produzir grave dependência psicológica. Os principais
estimulantes são a cocaína e as anfetaminas. Cocaína - é uma droga preparada
das folhas da coca (Erythraxylon coca), planta encontrada nas regiões dos Andes,
onde tem sido cultivada desde tempos pré-históricos. Originalmente isolada em
1.860, a droga foi introduzida como elixir tônico para o tratamento de um quadro de
doenças reais e imaginárias. Mais tarde, foi tida como útil em anestesias locais para a
cirurgia dos olhos, ouvidos e garganta e ainda continua tendo certas aplicações
cirúrgicas limitadas. Atualmente, não tem nenhum outro caso clínico, sendo
largamente substituída por outros anestésicos sintéticos locais. Outra forma de
cocaína recentemente conhecida é “CRACK”, mistura de cocaína com uma outra
substância - bicarbonato de sódio ou de amônia - faz com que a droga se cristalize.
Portanto como o crack não se dissolve em água e se voltiza quando aquecido, é
fumado em cachimbos) cujos efeitos são rápidos, potentes e breves. A dependência
se desenvolve rapidamente com esta nova droga. Anfetaminas - são drogas sintéticas
que foram desenvolvidas para combater congestões nasais e prevenir a narcolepsia.
Têm sido usadas ilicitamente desde a sua introdução, em 1.932. Essas drogas
atualmente são administradas para controlar a hiperatividade em crianças e em
programas de redução de peso de curta duração. Em altas doses, essas drogas podem
estabelecer psicoses caracterizadas. por ilusões paranóicas, alucinações e,
freqüentemente, comportamentos agressivos ou até mesmo violentos.
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Depressões - São drogas que causam lentidão do sistema nervoso central.


Dentro dessa categoria, existem dois importantes grupos de drogas: (os
hipnóticos/sedativos e os tranqüilizantes). Os primeiros são drogas que produzem um
estado de calma ou sonolência. A maioria das drogas neste é constituído de
BARBITÚRICOS ( seconal, nembutal, amital, metaqualona, mandray e outras drogas
sintéticas). Existem muitos outros barbitúricos em uso clínico, prescritos por médicos
para finalidades diversas. A escolha de uma droga para um uso clínico específico é,
em parte, baseada no seu tempo de ação: Barbitúricos de ação ultra-curta apenas
para indução de anestesia; agentes de ação intermediária/curta para sedação e
indução ao sono; e agentes de ação longa para controlar ataques epilépticos e para
sedação prolongada, e ocasionalmente, para indução de sono. Tranqüilizantes (à
semelhança das drogas hipnóticas/sedativas) produzem uma sensação de calma e
bem-estar com doses menores, porém, são muito mais suaves. As classes dessas
drogas inclui: librium, valium, serax e outros tranqüilizantes menores. Esta categoria
de drogas divide muitas peculiaridades com os hipnóticos/sedativos. Foram
introduzidos com a denominação de tranqüilizante, ao invés de sedativos, em virtude
de serem considerados capazes de provocar tranqüilidade sem sonolência e por
estarem livres do risco da séria dependência do tipo sedativo/barbitúrico.

Inalantes - São substâncias gasosas ou líquidas que são inaladas e


absorvidas através dos pulmões. Os principais tipos de inalantes incluem: colas,
fluídos de isqueiros, líquidos de limpeza, acetona, éter, gasolina, querosene,
clorofôrmio e álcool. Outros produtos contendo solventes de abuso incluem: tintas,
removedores, tinta para pincéis, graxas domésticas e fluídos de conectores
de máquina de escrever. Essas e outras substâncias são geralmente inaladas de
garrafas, panos ensopados, sacos balões ou reservatórios de gás. A inalação dessas
substâncias produz estimulação temporária e inibições antes dos efeitos depressivos
atingirem o sistema nervoso central. Tonturas, ininteligibilidade da fala, andar instável
e sonolência estão presentes nos usuários. Impulsividade, excitação e irritabilidade
também podem ocorrer. O abuso de inalantes é encontrado principalmente entre
adolescentes. O uso repetido conduz à grave dependência psíquica. A tolerância é alta
e há possibilidade de significante lesões nos pulmões, fígado, rins e aparelho
respiratório.

CANNABIS - informação geral :


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A maconha (ou marijuana), o haxixe e o óleo de haxixe são obtidos da planta


CANNABIS SATIVA, também conhecida como CÂNHAMO. Embora originária da
Ásia, a cannabis atualmente cresce de forma nativa ou cultivada em todas as regiões
temperadas e tropicais do mundo. A planta é largamente cultivada no Brasil,
Colômbia, México e Oriente Médio. O cânhamo é conhecido por conter mais de 400
(quatrocentos) constituintes químicos diferentes, muitos dos quais também ocorrem
em outras plantas. Entretanto, 60 (sessenta) deles, aproximadamente, são
encontrados apenas na cannabis.

Aparência, vias de administração:

Embora a maconha, o haxixe e o óleo de haxixe provenham todos da planta


cannabis, cada um tem aparência diferente e podem ser usados formas diferenciadas.
A maconha - que consiste das subunidades floridas e folhas secas da planta - varia
numa cor de verde-cinzenta para marrom-esverdeada, podendo ser fumada em
cachimbos ou cigarros comuns. O haxixe - preparado da resina viscosa da cannabis -
varia numa cor de marrom clara para preta, incluindo aspectos esverdeados e
avermelhados. Ambos, a maconha e o haxixe, são também fumados freqüentemente
através de cachimbos e cigarros. O haxixe é encontrado em fragmentos sólidos e
pode ser cozido dentro de bolos. Óleo de haxixe - obtido pela concentração de haxixe
com álcool ou outro solvente orgânico - é um denso óleo marrom-avermelhado ou
preto-esverdeado. É geralmente secado em cigarros ou friccionado em tabaco para
ser fumado. É mais potente e mais caro que a maconha ou o haxixe. Extratos cru
dessa substância, ocasionalmente, tem sido injetados. Esta via é raramente usada,
todavia, em razão dos desagradáveis efeitos colaterais, como forte dor e inflamação
no local da injeção.

Efeitos:

Os efeitos da cannabis dependem das circunstâncias, incluindo o tamanho da


dose, o método de uso e o ambiente, bem como, a personalidade do usuário e a
primeira experiência com a droga. Em geral, os efeitos podem ser divididos em três
fases: (1) uso em curto-prazo, com doses baixas para moderadas; (2) uso em curto-
prazo, com altas doses; e (3) uso a longo-prazo. Efeitos do uso em curto-prazo (com
dosagem baixa para moderada) são aquelas que aparecem rapidamente após uma
única dose e desaparecem dentro de poucas horas ou dias. Os efeitos mais comuns
da cannabis (incluindo as duas primeiras fases) compreendem:
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• Os primeiros efeitos incluem desinibição e loquacidade. Muitas usuários


experimentam também sonolência;

• Um sentimento geral de bem-estar, que pode se manifestar por


animação e euforia;

• Distorções da percepção de tempo, imagem do corpo e espaço ocorrem


freqüentemente. Os usuários podem também experimentar o aumento da acuidade
visual e auditiva e assim percebem objetos comuns como de magnífica importância;

• Os sentidos gustativo, olfativo e do tato são freqüentemente realçados;

• Risos espontâneos ocorrem com freqüência;

• O ciclo da atenção pode ser reduzido e a habilidade do usuário para


processar informações pode ser diminuída;

• Pode ocorrer leve enfraquecimento da memória recente e da


concentração, bem como leve embaraço e desorientação;

• Alguns usuário experimentam reações adversas, como medo, ansiedade


ou mesmo pânico, bem como leve apatia;

• Dilatação das pupilas;

• Vermelhidão dos olhos, secura na boca e garganta são sinais geralmente


notados ao tempo de uso;

• Aumento da pulsação e do apetite e um estágio posterior no qual o


usuário torna-se calmo, reflexivo e sonolento;

• Um período de grande hilaridade pode ser seguido por um silêncio


contemplativo;

• Reações de pânico caracterizadas por ansiedade e medo da morte;

• Ilusões e alucinações;

• Nervosismo e irritabilidade;

• Dissociação das idéias e incoordenação dos movimentos do corpo;

• A probabilidade de conseqüências psicológicas adversas tende a


aumentar com o aumento das doses;

• Pode haver confusão do presente, passado e futuro.


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Aspectos legais:

No Brasil a posse de qualquer quantidade de cannabis é ilegal. O tráfico ilícito,


incluindo modalidades diversas, configura crime. Da mesma forma, são proibidos em
todo território nacional o plantio, a cultura, a colheita e a exploração da cannabis e de
todas as plantas das quais possa ser extraída substância que determine dependência
física ou psíquica.

- Informação Geral :

É uma abreviatura da expressão alemã “lyserg säure Diäthylamid “


(Dietilamida do Ácido Lisérgico). É um composto semi-sintético produzido do ácido
lisérgico, uma substância natural encontrada num fungo (conhecido por Claviceps
purpurea) que dá no centeio. O LSD foi sintetizado em 1.938 por Albert Hofmann. Esse
poderoso alucinógeno é capaz de alterar os processos da percepção e realçar a
emotividade, de modo que o mundo real é visto diferente e correspondido com grande
emoção. A droga pode produzir significantes mudanças na percepção, no humor e no
pensamento. Essas mudanças incluem alucinações e distorções visuais, as quais o
usuário geralmente reconhece como irreais. A sinestesia (uma paradoxal percepção
dos sentidos se confundindo) pode ser experimentada de tal maneira que, por
exemplo, os usuários podem acreditar que estão “vendo” música ou “ouvindo” formas
visuais. As fronteiras normais de identificação entre o indivíduo e o meio
freqüentemente desaparecem com a influência do LSD, podendo ocorrer distorções da
imagem do corpo, do espaço e do tempo. A droga pode desencadear fortes episódios
psicóticos em usuários que ainda não manifestaram esses sintomas anteriormente.
Esses sintomas podem persistir por um longo período após a droga ter sido eliminada
do organismo. Um episódio adverso - conhecido como “viagem ruim” - pode ser
caracterizado por um comportamento bizarro, imaginação, ansiedade, medo ou
mesmo pânico e terror.

Aparência e Vias de Administração :

Quando puro, o LSD é um pó branco, inodoro, cristalino. Preparações


encontradas nas ruas, entretanto, são geralmente misturadas com substâncias
coloridas. O LSD, freqüentemente, é vendido em tabletes, cápsulas, forma líquida ou
em papel impregnado com a droga. Para facilitar o manuseio, o LSD é freqüentemente
diluído em substância inativa, como açúcar ou acrescido à camadas de gelatina ou
mata-borrão. Ocasionalmente, tem sido adicionado à bebidas alcoólicas. Em geral, é
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 15

ingerido oralmente, mas pode ser aspirado ou injetado. Doses comuns podem variar
de 100 a 250 microgramas, o que é bastante para experimentar uma “viagem” com
episódio psicodélicos (ilusões e alucinações).

Efeitos:

Os efeitos de uma única dose de LSD, quando tomado oralmente, são,


geralmente, experimentados em menos de meia hora, atingindo o máximo, de três
para cinco horas; a cessação gradual dos efeitos, comumente, acaba dentro de doze
horas. A natureza e a extensão dos efeitos experimentados dependem da pureza da
droga e da estabilidade emocional e psicológica do usuário. De fato, os efeitos do LSD
em qualquer usuário particular ou até no mesmo usuário, em diferentes vezes, são
difíceis de se prever. Existe uma extensa variação entre usuários nas possíveis
experiências emocionais, cognitivas e perceptivas produzidas pelo LSD. Uma dose
efetiva de LSD produz efeitos de curto prazo associados quase inteiramente ao
sistema nervoso autônomo e central. Ocorre aumento da pressão arterial, elevação da
temperatura do corpo, dilatação das pupilas e uma rápida taquicardia. Fraqueza
muscular, tremor, náusea, calafrios, perda de interesse na alimentação e diminuição
das habilidades motrizes e da coordenação, provavelmente ocorrem. Logo após,
efeitos na percepção, no pensamento e no humor são experimentados. Em geral, os
efeitos do LSD podem incluir o seguinte:

• Podem ocorrer vívidas distorções perceptivas, geralmente visuais, como


“pseudo-alucinações” e “pseudo-ilusões” (o usuário fica ciente de que a experiência
não é real);

• Tempo pode ser distorcido (os minutos podem parecer passar


vagarosamente como as horas);

• Podem ocorrer distorções do espaço, significando perigo se o usuário


está dirigindo ou está em alguma outra situação potencialmente perigosa;

• Podem ocorrer distorções da imagem do corpo. Alguns usuários se


sentem pesados e “puxados para baixo” pela gravidade, enquanto outros
experimentam sensações de leveza e flutuação;

• A percepção das fronteiras conhecidas entre o indivíduo e o meio é


diminuída e ele pode sentir-se completamente confuso;
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 16

• O controle sobre os processos mentais e a concentração podem ser


diminuídos significativamente ;

• Sinestesias ocorrem com freqüência. Uma modalidade sensorial é


confundida com outra, como se música fosse “vista” e cor fosse “ouvida”;

• Memórias recentes ou até mesmo remotas podem ressurgir vividamente,


misturando-se com experiências atuais;

• Todas as experiências sensoriais tendem a aumentar ( o usuário percebe


cores mais brilhantes, definições mais distintas dos objetivos, maior acuidade
auditiva, paladar mais diferenciado);

• Usuários podem sentir que estão passando por uma profunda experiência
“cósmica”, religiosa ou mística (para muitos usuários, talvez o mais desejado efeito);

• Diminuição da motivação e interesse ou prolonga depressão e ansiedade


associadas com gestos suicidas;

• Existe um alto risco de aborto e anormalidades nos descendentes de


mulheres que regularmente usam LSD durante a gravidez;

• Podem ocorrer casos de comportamentos perigosos ou violentos


incluindo homicídios e auto-mutilação (algumas vezes bizarras);

• Outro possível pós-efeito do uso do LSD, é o “fenômeno do


retorno”(reaparição espontânea da experiência original do LSD. sem o novo uso da
droga).

Aspectos legais:

A legislação Brasileira sobre drogas - Lei Federal - dispõe sobre medidas de


prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido do LSD, que é enquadrado
como droga ilegal. Penalidades graves (reclusão e pagamento de altas multas) são
aplicadas aqueles que, indevidamente, importam ou exportam, remetem, produzem,
fabricam, adquirem, vendem, transportam, expõem a venda ou oferecem, têm em
depósito, guardam ou entregam LSD para o consumo. De igual forma, outras
penalidades severas são impostas a quem induz, instiga ou auxilia alguém a usar LSD
ou outra substância que determine dependência física ou psíquica, e contribui de
qualquer forma para incentivar ou difundir o uso indevido ou tráfico ilícito dessa
droga.

MORFINA - informação geral


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 17

Principal constituinte do ópio, a morfina é uma das mais efetivas drogas


conhecidas no combate à dor. A droga - isolada do ópio cru - tem sido usada tanto em
casos terapêuticos, como em entretenimento, há séculos. No início do século XIX, a
morfina foi obtida em forma pura, apropriada par soluções. Com a introdução da
agulha hipodérmica, nos meados do mesmo século, a injeção da solução tornou-se um
método comum de uso. A morfina funciona como um potente narcótico analgésico e
seu uso terapêutico ocorre nos casos de combate à dor moderada ou aguda. Após a
heroína, a morfina oferece, com seu uso regular, a maiores suceptilidade de
dependência entre os narcóticos. O seu consumo moderado pode resultar rápido
desenvolvimento de dependência. Profunda dependência física ou psíquica podem
também surgir rapidamente, A morfina freqüentemente, é encontrada em hospitais e,
em razão entre profissionais da área de saúde.

Aparência e Vias de administração:

A morfina é encontrada legalmente apenas em forma de sais solúveis em


água. Entre eles, o sulfato de morfina e o hidrocloridrato, que apresentam, ambos, em
forma de finos pós brancos cristalinos, solúveis em água e ligeiramente solúveis em
álcool. A morfina é inodora, de sabor amargo e escurece com o tempo. A maior parte
da morfina extraída do ópio pela indústria farmacêutica é convertida em codeína e
outros narcóticos analgésicos semi-sintéticos, os quais são adquiridos numa variedade
de formas, como cápsulas, tabletes, xaropes, elixires e soluções. A morfina pode ser
administrada oralmente, em forma de tablete e também pode ser injetada de forma
cutânea, intramuscular ou intravenosamente. Esta última é a via preferida por
aqueles já dependentes da droga.

Efeitos:

A morfina é um depressor do sistema nervoso central. Seu uso repetido, até


mesmo num curto período de tempo, pode levar à grave dependência física ou
psíquica. Os principais efeitos da droga, em curto período de uso (pequenas doses),
compreendem:

• Supressão da sensação e da reação emocional à dor;

• Euforia;

• Sonolência;

• Relaxamento e dificuldade na concentração;


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 18

• Diminuição da atividade física em alguns usuários e aumento em outros;

• Leve ansiedade ou medo;

• Contração pupilar;

• Visão obscurecida a fraca acuidade visual à noite;

• Supressão dos reflexos;

• Diminuição da libido;

• Picada ou formigamento na pele (particularmente após injeção


intravenosa);

• Náusea e vômitos;

• Perda do apetite;

• Respiração ligeiramente diminuída.

• Efeitos em curto período de uso ( com doses mais altas) incluem:

• Reduzida reação à dor física e emocional;

• Psicose tóxica;

• Veias ulceradas;

• Pálpebras caída e sonolência;

• cãibras abdominais e febre;

• Respiração torna-se progressivamente mais lenta e mais baixa;

• Freqüência diminui gradualmente e a pressão arterial decresce.

Aspectos Legais:

De acordo com a legislação brasileira sobre drogas, a morfina e outros


analgésicos narcóticos são drogas controladas. O uso lícito da morfina é restrito à
rede hospitalar Médicos, dentistas e farmacêuticos deverão observar, rigorosamente,
os preceitos legais e regulamentares sobre a prescrição da morfina e outras
especialidades farmacêuticas que determinem dependência física ou psíquica. A não
observância do disposto na lei configura uma infração sanitária e implica na
responsabilidade penal dos referidos profissionais. A posse ilegal da morfina tipifica
delito penal.

COCAÍNA - informação geral


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 19

Principal ingrediente ativo da Erythroxylon coca, a cocaína é o mais poderoso


estimulante de origem natural. Civilizações nativas, em particular índios do Perú e da
Bolívia, usam as folhas da coca para diminuir a fome e aliviar a fadiga. A folha da coca
exerceu um importante papel na cultura dos Incas, e embora o hábito primitivo
integrasse, primeiramente, as cerimônias religiosas, foi utilizada como dinheiro à
época da chegada dos conquistadores. Àquela época, como hoje, os montanheses
mascavam as folhas da coca quase que continuamente mantendo-as enfiadas na
bochecha enquanto trabalhavam. O hábito era tão comum que as distâncias eram
medidas pelo itinerário que alguém poderia percorrer antes de parar para
reabastecer-se de folhas. O processo de mascar folhas de coca permaneceu entre os
nativos e hoje é uma das maneiras mais populares de uso de cocaína no Perú e na
Bolívia. Oficialmente, folhas de coca figuram nos brasões desses dois Países. Em
1.860, a cocaína foi isolada de outros químicos contidos na folha da coca e extraído o
sal de cloridrato - cloridrato de cocaína. A droga foi considerada útil como anestésico
local para cirurgia na vista, ouvido e garganta. Presentemente, a cocaína não
apresenta nenhum outro uso clínico, sendo substituída por outros anestésicos locais
sintéticos, como a lidocaína e a procaína. Por causa de suas potentes propriedades
eufóricas e estimulantes, a cocaína foi bastante abusada no final do século XIX. Por
volta da virada do século, normas foram introduzidas para limitar rigorosamente o seu
uso. Atualmente, toda cocaína disponível no mercado é de origem ilícita. Devido à
intensidade de seus efeitos agradáveis, uma grave dependência psíquica pode se
desenvolver.

Aparência e Vias de Administração:

O Cloridrato de cocaína é um pó cristalino branco, inodoro, com um sabor


amargo paralizante, muito solúvel em água e solúvel em álcool. A cocaína encontrada
na rua é, freqüentemente, adulterada com substâncias relacionadas (não-psicoativas)
como lidocaína ou benzocaína, as quais, quando aspiradas provocam um efeito
paralizante nas vias nasais, semelhante ao da cocaína. Outros adulterantes (incluindo
o talco, amido de milho, açúcar, aspirina e diversos outros produtos) podem alterar o
sabor ou a aparência da droga. Os usuários algumas vezes tentam remover impurezas
e intensificar os efeitos da droga através de uma manipulação química (free basing)
que inclui extração com solventes apropriados. A droga é administrada por inalação,
aspiração (fungação) e, para aumentar os efeitos, injeção que produz intensa euforia
com aumento das batidas cardíacas, pressão arterial e temperatura do corpo. Outra
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 20

forma purificada da cocaína - o “CRACK” - pode ser transformado num naco e fumado.
Esta forma fumável é muito mais rápida e intensa em seus efeitos do que a cocaína
aspirada. Doses típicas de cocaína: 30 - 100 mg (quando aspirada) e 10 - 25 mg
(quando injetada). A administração pode ser repetida duas ou três vezes por horas.
Usuários habituais podem aspirar mais de 10 gramas puras (10.000 mg) por dia,
embora a maioria tome substancialmente menos.

Efeitos:

Os efeitos da cocaína (e qualquer outra droga) dependem da quantidade


consumida de cada vez, da experiência passada com a droga, das circunstâncias em
que a droga é usada (o uso simultâneo com álcool ou outras drogas) e da maneira
pela qual a droga é consumida. Enquanto os efeitos da cocaína são muito
semelhantes aos da anfetaminas, usuários principiantes não tem condições de,
inicialmente, diferenciar seus sintomas em termos de efeitos eufóricos. De qualquer
maneira, os efeitos da cocaína diminuem, geralmente, dentro de 30 - 40 minutos, ao
passo que, os das anfetaminas (metanfetamina), podem durar por horas ou dias. Os
usuários de cocaína relatam os seguintes efeitos:

• Euforia, com uma sensação de bem-estar;

• Inibição do apetite e necessidade de dormir;

• Aumento da auto-confiança;

• Sentimento de domínio sobre o meio (ou paradoxalmente, ansiedade ou


mesmo pânico);

• Excitabilidade e comportamento agressivo;

• Fluxo desconexo das idéias;

• Marcas de agulha;

• Olhar embaciado;

• Aumento da pressão arterial;

• Aumento da respiração;

• Distúrbio na memória, agitação e impotência;

• Dilatação pupilar;

• Aumento dos reflexos;


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 21

• Sintomas paranóicos;

• Alucinações;

• Confusão e esgotamento, em reação a extensos períodos de insônia;

• Perda do apetite é comum.

Aspectos legais:

De conformidade com a legislação brasileira sobre drogas - lei federal - a


cocaína é classificada como uma droga ilícita. Na forma da lei, são proibidos em todo
o território brasileiro o plantio, a cultura, a colheita e a exploração da planta coca e
seu similar botânico, epadu. Tais plantas, nativas ou cultivadas, existentes no
território nacional devem ser destruídas pelas autoridades policiais federais. A cultura
das plantas dessa natureza para fins terapêuticos ou científicos só será permitida
mediante prévia autorização legal.

ANFETAMINAS - Informação geral

As anfetaminas - e seus congêneres químicos, dextroanfetamina e


metanfetamina - são estimulantes do sistema nervoso central. Essas drogas
produzem vários efeitos transitórios, sendo de maior importância a vigília, a agilidade,
o aumento de energia, a diminuição da fome e um sentimento geral de bem-estar. As
anfetaminas foram introduzidas em 1.932 para combater a congestão nasal.
Subseqüentemente, as três drogas mencionadas mostraram-se efetivas na prevenção
de outros estados psicológicos, incluindo a hipercinesia (hiperatividade) em crianças e
a narcolepsia (episódios de sono incontrolável). Após a introdução das anfetaminas na
prática médica, o número de estados para os quais eram prescritas multiplicou-se,
aumentando a quantidade dos fármacos disponíveis. Os tipos tradicionais de
anfetaminas que foram ou ainda são desviadas para o uso indevido ou que são
manufaturadas ilegalmente incluem: pequenos tabletes de anfetamina ou
metanfetamina (“velocidade”), originalmente fabricadas no México; bifetaminas
(“belezas negras”) uma combinação de vários compostos anfetamínicos; metadrina
(ambar), uma metanfetamina; metifenidrato (ritalin); fenmetrazina (preludiun); e
benzedrina (própria anfetamina), uma das clássicas pílulas (boletas) “fique alerta”.
Outras duas conhecidas combinações de produtos clandestinos incluem “goofballs”
(anfetaminas e barbitúricos) e “speedballs” (metanfetamina ou cocaína e heroína).
Enquanto o LSD ou o PCP (fenciclidina) é, por vezes, combinado com as anfetaminas,
geralmente o comprador não tem ciência da presença dessas drogas adicionais. As
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 22

anfetaminas tem sido amplamente consumidas por seus efeitos eufóricos e


estimulantes. Motoristas de caminhões, estudantes, donas de casa e atletas estão
entre os grupos que as usam indevidamente em virtude da capacidade que tem de
estender consideravelmente os períodos normais de vigilância e resistência. O uso
clínico geral das anfetaminas, atualmente, é restrito à narcolepsia, controle de apetite
em casos de obesidade e hipercinesia em crianças. Apesar da recente reavaliação das
anfetaminas, que se assemelham à cocaína tanto nos efeitos quanto no potencial de
dependência, elas continuam em larga distribuição no mercado ilícito.

Aparência e Vias de Administração:

Preparações legais de anfetaminas e dextroanfetaminas aparecem em forma


de pós brancos, cristalinos, inodoros, com um sabor amargo, solúveis em água e
ligeiramente solúveis em álcool; as metanfetaminas também aparecem em forma de
um pó cristalino, solúvel em água e em álcool. Preparações ilícitas incluem pós finos a
ásperos e cápsulas ou tabletes de vários tamanhos e cores (muitas vezes, imitando
compostos produzidos comercialmente). Anfetaminas produzidas ilicitamente, com
freqüência, apresentam um forte odor, resultante da limpeza incompleta de reagentes
e/ou solventes usados na fabricação. O cheiro pode ser de peixe, amônia e quase
sempre, forte e desagradável. As anfetaminas podem ser administradas por várias
vias, mais comumente, por forma oral ou injeção intravenosa, sendo esta última a via
preferida pelos usuários crônicos de altas doses. Quando administrada oralmente, o
máximo dos efeitos é sentido de 2 a 3 horas após a ingestão. Através de injeção o
pico se torna muito mais rápido. As anfetaminas são comumente aspiradas por
usuários iniciantes ou ocasionais. Infeções podem resultar do uso de aplicações
repetidas no mesmo local. Algumas infeções são transmitidas de usuário para usuário,
através de agulhas em comum. Hepatite é comum entre usuários que regularmente
utilizam a mesma agulha. Impurezas em anfetaminas clandestinas freqüentemente
contém partículas, não imediatamente solúveis em água. Essas partículas podem
penetrar no organismo e bloquear pequenos vasos sangüíneos ou enfraquecer seus
tecidos. Lesões nos rins, problemas pulmonares, derrame cerebral ou outros danos
podem ocorrer.

Efeitos:

Os efeitos das anfetaminas são exercidos não apenas no cérebro mas também
no coração, pulmões, fígado, baço e diversos outros órgãos. Com doses baixas, em
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 23

geral prescritas clinicamente, os efeitos somatórios incluem a redução do apetite,


aumento da respiração e da freqüência cardíaca, elevação da pressão arterial e
dilatação das pupilas. Se doses maiores forem administradas, secura na boca, febre,
sudorese, dor de cabeça, visão obscurecida, tontura e diarréia podem surgir. Doses
altíssimas podem provocar ruborização, tremores, perda da coordenação, batidas
cardíacas irregulares, dor anginal, febre alta e convulsões. As anfetaminas geralmente
provocam dor nos vasos sangüíneos quando administradas intravenosamente.
Também, com injeção os usuários correm todos os riscos decorrentes de agulhas
contaminadas. Em geral, os efeitos principais motivados pelas anfetaminas,
compreendem:

• Pronunciada euforia e um sentimento de bem-estar muito semelhante ao


“pico” da cocaína;

• Privação do sono e extrema loquacidade;

• Aumento da agilidade e energia;

• Aumento da atividade psicomotora e redução da fatiga;

• Sabor desagradável e erupção cutânea;

• Excitabilidade, comportamento agressivo e fluxo desconexo das idéias;

• Transpiração pesada e aumento da micção;

• Aumento ou diminuição na libido (ou possível impotência temporária);

• Uma sensação de poder e superioridade;

• Infeções originárias de agulhas não esterilizadas ou de uso repetido no


mesmo local;

• Várias doenças relacionadas a deficiência de vitaminas e desnutrição;

• Confusão mental, visual e alucinações auditivas;

• Atos imprevisíveis e violentos de natureza irracional;

• Excitação, agitação e algumas vezes pânico, ou em alguns casos, estado


de depressão;

• Dependentes crônicos podem desenvolver psicose anfetamínica (uma


perturbação mental muito similar à esquizofrenia paranóica);

• Prolongado uso da droga leva à extrema depressão e letargia.


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 24

Aspectos legais:

As anfetaminas são fármacos controlados. Sua aquisição pelo público somente


pode ser feita mediante prescrição médica. Como especialidades farmacêuticas
controladas só podem ser manipuladas e distribuídas por laboratórios legalmente
autorizados. Os médicos, dentistas e farmacêuticos deverão observar, rigorosamente,
os preceitos legais e regulamentares sobre a prescrição de anfetaminas (ou outros
fármacoa controlados), as quais devem ser prescritas na conformidade das instruções
oficiais. Compete privativamente ao Ministério da Saúde, através dos órgãos
sanitários estaduais, estabelecer instruções de caráter geral ou especial sobre
modelos de receituários oficiais para a prescrição de anfetaminas e outras
especialidades farmacêuticas, que determinem dependência física ou psíquica.

BARBITÚRICOS - Informação geral

Os barbitúricos são potentes depressores do sistema nervoso central. São


exemplos mais comuns da categoria de drogas conhecidas por sedativos-
hipnóticos. Sintetizados em 1.868, essas drogas foram desenvolvidas para o
tratamento de insônia, ansiedade, tensão, pressão arterial alta, convulsões e
epilepsia. Alguns são utilizados como anestésicos. Cerca de 2.500 derivados do ácido
barbitúrico já foram sintetizados, porém, desses, cerca de apenas 15 permanecem
inteiramente em uso. Esses fármacos barbitúricos são agrupados tipicamente nas
bases da duração de suas ações farmacológicas. Em geral, as drogas que tem maior
lipossolubilidade são as que apresentam menor tempo de início (são absorvidas e
entram no cérebro rapidamente) e menor duração de ação (deixam o cérebro
rapidamente e tendem a ser metabolizadas com maior velocidade). Existem mais de
uma dúzia de barbitúricos em uso clínico, prescritos por médicos para uma variedade
de finalidades. Pequenas doses terapêuticas tendem a acalmar estados de
nervosismo. Em baixa dosagem, esses fármacos geralmente induzem a um estado de
relaxamento e tranqüilidade, podendo diminuir levemente as funções cognitivas e
motrizes. Com doses moderadas, podem induzir ao sono e aumentar quantidade do
período de sono ininterrupto. Contudo, antes do início do sono, ou em ocasiões em
que o sono não se manifesta, as funções cognitivas e motrizes podem ser
moderadamente diminuídas, levando muitos usuários a experimentar um estado de
intoxicação agradável. Com doses mais altas, os barbitúricos induzem anestesia.
Nesses estágios, um estado mais severo de debilitação e intoxicação (similar aquele
provocado por grandes quantidades de álcool) tipicamente precede a inconsciência. À
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 25

medida que o tamanho da dose aumenta, os barbitúricos, também, provocam maior


depressão dos centros de controle respiratório do cérebro. Esta última ação constitui o
principal efeito tóxico dos barbitúricos; na verdade, muitas doses excessivas fatais
tem resultado de insuficiência respiratória. Os barbitúricos são classificados como de
ação ultra-curta, curta, intermediária e longa. Os barbitúricos de ação ultra-curta
produzem anestesia dentro de um minuto após a administração intravenosa. O rápido
início e a breve duração da ação, praticamente, impede o abuso dessas drogas. Entre
aqueles de uso corrente na medicina, estão: butalital (transital), hexobarbital (evipal),
metitural (neraval), metohexital (brevital), tiamital (surital) e tiopental (pentotal). Os
barbitúricos de ação curto/intermediária são prescritos para fins de sedação e indução
ao sono. O tempo de início da ação é de 15 para 40 minutos e a duração da ação, é de
mais de 6 horas. Entre esses fármacos, estão: pentobarbital (nembutal), secobarbital
(seconal) e amobarbital (amital), os quais são os fármacos mais usados e abusados
na categoria dos depressores.

Aparência e vias de administração:

Os barbitúricos são distribuídos no mercado lícito em cápsulas ou tabletes de


vários tamanhos e cores. São, também, disponíveis em preparações líquidas para
injeção, ou em supositórios. No uso médico, os barbitúricos são administrados
oralmente em tabletes, cápsulas ou em solução líquida, retalmente em supositórios e
em injeção subcutânea, intramuscular ou intravenosa. A administração por injeção é
limitada quase que exclusivamente ao meio médico, devendo ser empregada com o
devido cuidado em virtude dos efeitos potencialmente ameaçadores. A injeção é,
algumas vezes, utilizada para controlar ataques em situações de emergência. Alguns
usuários de drogas de rua injetam barbitúricos apesar dos riscos presentes.

Efeitos:

Os efeitos dos barbitúricos, em geral, são muito similares aos do álcool.


Pequenas doses causam euforia e aliviam a tensão. Grandes doses provocam
cambaleios, visão obscurecida, pensamento confuso, fala embolada, debilitação da
percepção de tempo e espaço, lentidão nos reflexos e na respiração e reduzida
sensibilidade à dor. Doses excessivas causam inconsciência, coma e morte. Outros
efeitos particulares produzidos pelos barbitúricos, dependendo da quantidade
consumida, compreendem:

Efeitos de uso a curto-prazo/doses baixas:


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 26

• Tranqüilidade, relaxamento e euforia suave;

• Reduzido interesse pelo ambiente externo;

• Tontura, sonolência (em alguns casos suficiente para induzir ao sono);

• Suave debilitação da coordenação motora, particularmente nas funções


de destreza;

• Suave debilitação das idéias e da memória recente;

• Ocasionalmente, suave liberação da inibição e do humor;

• Ocasionalmente, náusea, vômitos e dor abdominal.

Efeitos de uso a curto-prazo/doses moderadas:

• Um breve período de atividade intensificada;

• Agradável estado de euforia em alguns, embora outros possam


experimentar hostilidade, depressão e/ou ansiedade;

• Moderada liberação das inibições;

• Sintomas de embriaguez e instabilidade emocional;

• Maior debilitação de função motriz superior e inferior, bem como da


memória e das idéias;

• Fala embolada, visão perturbada e confusão;

• Possivelmente, raciocínio enfraquecido;

• Leve descida na pressão arterial e na freqüência cardíaca;

• Depressão respiratória progressiva;

• Baixa temperatura do corpo.

Efeitos de uso a longo prazo incluem:

• Perda de peso e impotência;

• Sudorese, irritabilidade e febre;

• Confusão mental e episódios psicóticos;

• Ansiedade, inquietude e depressão profunda;

• Anemia e diminuição da função hepática;


ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 27

• Hostilidade e exacerbação de distúrbios emocionais pré-existentes, os


quais resultam em paranóia ou idéias suicidas;

• Fadiga crônica associada a sono escasso ou insônia freqüente;

• Distúrbios visuais e oculares (diplopia);

• Mudanças na personalidade;

• Grave intoxicação, inconsciência, coma e morte.

Aspectos legais:

Barbitúricos são fármacos controlados. Sua aquisição pelo público depende de


prescrição médica. Como outras drogas controladas - anfetaminas e tranqüilizantes -
só podem ser manipuladas e distribuídas por laboratórios legalmente autorizados. Na
forma da legislação brasileira sobre drogas, compete privativamente ao Ministério da
Saúde, através de seus órgãos especializados, baixar instruções de caráter geral ou
especial sobre a fabricação, distribuição, comércio e uso de barbitúricos ou outras
especialidades farmacêuticas que determinem dependência física ou psíquica. Tais
instruções e outras normas legais sobre fiscalização, controle, prescrição e limitação
do uso de barbitúricos devem ser devidamente observadas pelos farmacêuticos,
médicos, dentistas e todos os profissionais que lidam com drogas controladas, bem
como, hospitais e clínicas, públicas ou privadas, que recebem dependentes para
tratamento.

TRANQÜILIZANTES - Informação geral

Tranqüilizantes (do vocábulo latino tranquilius, significando calma, sereno) são


drogas que produzem calma, sem a sonolência dos enérgicos sedativos-hipnóticos. Os
tranqüilizantes foram desenvolvidos nos anos de 1.950, como uma inovação no
tratamento dos distúrbios da ansiedade, em substituição aos barbitúricos e outros
fármacos que apresentavam maior toxidade e diversos efeitos colaterais. Esses
medicamentos tiveram largo uso clínico nos anos de 1.960 e, na década de 70,
aumentaram suas indicações terapêuticas. Os termos tranqüilizantes “maior” e
“menor” tem larga utilização. Os tranqüilizantes “maiores” - também conhecidos
como neurolépticos - tem pouca ou nenhuma tendência para produzir tolerância ou
dependência. Os compostos de fenotiazina apresentam vários efeitos colaterais
associados com o seu uso, mas sintomas claros de abstinência não ocorrem quando
pacientes interrompem a medicação. O grupo de fármacos conhecidos por
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 28

tranqüilizantes “menores” tem muitas propriedades em comum com os sedativos-


hipnóticos. Foram introduzidos com a denominação de tranqüilizante ao invés de
sedativo em virtude de serem considerados capazes de provocar tranqüilidade sem
sonolência e por estarem livres do risco da séria dependência do tipo sedativo-
barbitúrico. A experiência tem demonstrado, contudo, que o grau de tranqüilidade
induzida está relacionada com a dosagem. Não obstante, por causa de sua relativa
baixa incidência de toxidade e maior margem de segurança, tem, eficazmente,
substituído os barbitúricos no tratamento de muitos distúrbios. Entre esses
tranqüilizantes se encontram os benzodiazepínicos, cuja classe inclui: cloridiazepóxido
(nome comercial, libriumI ), diazepan (valium), oxezapan (serax), lorazepan (ativan),
temazepan (restoril ), clorazepato (tranxane), flurazepam (dalmane) e prazepam
(verstran). Estes tranqüilizantes representam os fármacos mais usualmente prescritos
para o tratamento da ansiedade. Alguns deles (diazepan é um exemplo) podem se
acumular nos tecidos do organismo durante a manutenção do uso. O uso prolongado
desses tranqüilizantes, particularmente, durante os três primeiros meses pode
aumentar os riscos de certas malformações congênitas do corpo. A condução de
veículos e a operação com maquinaria devem ser evitadas por aqueles que
consomem tranqüilizantes. É particularmente arriscado consumir tranqüilizantes
misturados com álcool ou outras drogas.

Aparência, vias de administração:

Os tranqüilizantes são fabricados em forma de cápsulas ou tabletes de vários


tamanhos, formas e cores. São também disponíveis em soluções. Esses
medicamentos podem ser administrados oralmente ou por injeção. Sendo os
tranqüilizantes os fármacos mais prescritos de todos os medicamentos, é importante
ressaltar que, apesar de sua utilização como “tranqüilizantes” ou “pílulas do sono”,
quase todos os benzodiazepínicos tem uma “meia-vida” ou presença extremamente
longa no organismo. Desta forma, ainda que consumidos aos dormir ou à cada quatro
ou seis horas, podem se acumular no organismo, motivando dependência e outros
efeitos decorrentes. Além disso, a longa persistência dessas drogas no organismo em
dosagem baixa ou regular consumidas durante um longo período de tempo, resulta
não apenas em síndrome de abstinência como também em sintomas que
irregularmente se manifestam em círculos com intervalos de 2 para 10 dias.
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Efeitos:

• Alívio da ansiedade e tensão;

• Leve incoordenação motriz;

• Memória recente enfraquecida;

• Irritabilidade e agressividade;

• Depressão e tremores;

• Diplopia;

• Tontura;

• Gagueira;

• Transpiração pesada, em casos mais graves;

• Rubor da pele;

• Dor abdominal;

Aspectos legais:

De acordo com a legislação brasileira sobre drogas, os tranqüilizantes são


fármacos controlados; conseqüentemente, só poderão ser adquiridos pelo público
mediante prescrição médica. A ministração ou prescrição dessas especialidades
farmacêuticas, em dose evidentemente maior que a necessária ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, tipifica ilícito penal. Na forma a lei, é dever de
toda pessoa, física ou jurídica, colaborar com a prevenção e repressão do uso indevido
e tráfico ilícito de tranqüilizantes ou outras drogas controladas que determinem
dependência física ou psíquica. As pessoa jurídicas que, quando solicitadas não
prestarem colaboração com a polícia ou outros órgãos governamentais, na prevenção
ou repressão do tráfico ilícito e uso indevido de drogas controladas, perderão todas as
subvenções e benefícios que venham recebendo do governo federal. Por outro lado,
configurando o caso desobediência à lei o agente será responsabilizado penalmente.

INALANTES - Informação geral


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O abuso de produtos a base de solventes e outras substâncias voláteis para


provocar alucinações surgiu, ao lado da problemática das drogas, como um sério fator
de preocupação social nos últimos anos. A vasa classe dessas substâncias que
atualmente estão sujeitas ao uso indevido, inclui: colas, fluído de isqueiro,
limpeza (polidor de sapato), acetona, éter, gasolina, querosene, clorofôrmio,
aerosol, álcool hidratado e uma variedade de outros produtos de uso industrial,
comercial e doméstico. Esses produtos, geralmente, provocam vários efeitos
semelhantes aos das substâncias sedativas-hipnóticas. Contudo, enquanto pequenas
doses de inalantes possam produzir intoxicação similar à alcoólica, tendem também a
provocar distorções sensoriais e perceptivas temporárias, acompanhadas
freqüentemente de ilusões de grandeza. Os últimos efeitos podem progredir para um
comportamento bizarro, podendo ser nocivo ao usuário e a terceiros. Com doses de
níveis progressivamente mais altas, os inalantes provocam tontura, fala embolada,
andar instável, sonolência e anestesia. Muitas mortes já ocorreram devido ao uso
crônico, com maior proeminência, mortes em razão de aspiração súbita é motivada
por insuficiência cardíaca resultante de freqüência cardíaca irregular. A irregularidade
cardíaca é precedida por uma estrênua atividade ou tensão abrupta seguida
imediatamente de várias inalações profundas. O uso persistente de determinados
solventes pode levar a atos de violência e comportamento anti-social, sendo o hábito
motivo freqüente de preocupação para o usuário, sua família e amigos. Embora haja
um pequeno número de usuários adultos, o abuso é um problema de larga proporção
entre jovens - adolescentes na faixa etária de 10 a 16 anos, em virtude de grande
disponibilidade dos inalantes e de sua fácil obtenção. Causas que levam ao uso de
inalantes: Curiosidade, pressões de grupos de amigos e colegas e sentimentos de
anti-autoritarismo são fatores principais.

Tipos, vias de administração:

Os inalantes mais comumente abusados são os compostos de hidrocarbonetos


voláteis produzidos de petróleo e gás natural através de síntese química pela indústria
química. Determinados hidrocarbonetos halogenados, principalmente os
hidrocarbonetos fluorados (também chamados freons ou fluorcarbonos) tiveram,
outrora, largo abuso como inalantes naqueles produtos em que funcionavam como
aerosóis propelentes. As vias de administração desses produtos incluem quase
sempre a inalação, que é freqüentemente feita em grupo, onde cada indivíduo
ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ – 1998 31

geralmente inala a substância usando um saco plástico ou um pano impregnado até


conseguir o nível de alucinação (ou intoxicação) desejado. Seguem outros conhecidos
meios de administração de solventes: um dos meios mais comuns para a inalação de
solventes semi-líquidos consiste no esvaziamento do conteúdo do recipiente,
colocando-o num saco plástico ou de papel com a sua abertura mantida firmemente
sobre a boca e nariz, para então os vapores serem inalados profundamente; quando
são usados solventes líquidos, este podem ser cheirados diretamente do recipiente;
solventes líquidos também podem ser derramados sobre um pano ou algum outro
material absorvente - o material impregnado é segurado nas mãos em forma de
concha sobre a boca ou colocado num saco e então inalado; às vezes, os solventes
são aquecidos a fim de adquirirem concentrações mais altas de vapores; alguns
outros meios menos comuns envolvem o uso de pulverizadores de perfume.
Igualmente, os solventes são, em cretas ocasiões, injetados ou misturados com
bebidas alcoólicas. Freons e outros propelentes podem ser separados de outros
conteúdos de recipientes pressurisados por diversos meios, como segue: o recipiente
pode ser segurado e a válvula apertada de forma a permitir apenas a saída do gás
para inalação direta; o conteúdo pode ser filtrado através de um trapo ou pano
mantido firmemente sobre a boca e o nariz de modo que principalmente o gás seja
inalado; os propelentes e outros conteúdos de recipientes podem ser pulverizados
dentro de saco plástico ou de papel, ou às vezes, num balão e então inalados
diretamente - um método comum entre os “cheiradores de cola”; às vezes, os
usuários pulverizam propelentes e outros conteúdos diretamente dentro da boca.

Efeitos:

O efeito inicial da inalação é um sentimento de euforia caracterizada por


leveza na cabeça agradável animação, fantasias intensas e excitação. Náuseas,
espirros e tosses, alucinações, aumento da saliva e sensibilidade à luz também podem
ocorrer. Em alguns indivíduos, sentimentos de intranqüilidade e invencibilidade
podem levar a comportamentos bizarros. A inalação profunda ou aspiração repetida
em pequenos espaços de tempo pode resultar em desorientação e perda do auto-
controle, inconsciência ou convulsões. Incoordenação motora, reflexos diminuídos,
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entorpecimento, leveza e dissociação do ambiente são características dessa fase. Os


usuários podem também experimentar uma variedade de distorções perceptivas, as
quais incluem variações na forma, tamanho e cor dos objetos e alterações do tempo e
espaço. Comumente ocorrem pseudo-alucinações visuais e auditiva. Ocasionalmente,
usuários causam de maneira acidental, a própria morte, por exemplo, pulando de
lugares altos. Alguns produtos específicos podem provocar outros efeitos diferentes,
como segue:

Acetona: encontrada em removedores de esmalte de unha e inúmeros


produtos domésticos - causa significante lesão nas membranas mucosas do aparelho
respiratório;

Benzeno: constituinte natural de combustível de automotores (gasolina e


álcool), é um dos mais tóxicos solventes de abuso. Seu uso crônico pode causar
deteriorização óssea e grave lesão no coração, fígado e glândulas supra-renais;

Tolueno: amplamente empregado como solvente em pinturas, vernizes, colas


e esmaltes, é um depressor do sistema nervoso central. Quando em baixa
concentração produz fadiga, fraqueza e confusão. Altas concentrações levam à graves
efeitos tóxicos, incluindo anemia e lesão no fígado e rins. É pelos efeitos desse
solvente no sistema nervoso central que “cheirados de cola” inalam os vapores da
cola;

Hidrocarbonetos halogenados: principalmente os hidrocarbonetos fluorados,


freons e aerosóis, podem resultar em distribuição emocional, náuseas e vômitos,
distorções perspectivas, apatia, pensamentos paranóicos e irritação dos olhos,
garganta e conduto nasal;

Isopropanol : usado para álcool de limpeza, loção para as mãos e em


preparações descongelantes, provoca gastrite, a qual pode ser acompanhada de dor,
náusea vômitos e hemorragia;

Clorofôrmio: que representa a mais antiga e popular substância entre


compostos halogênados, causa bradicardia e taquipnéia com respirações breves. Seu
uso em combinação como éter e agentes aromáticos pode levar à parada cardíaca,
quando inalado profundamente;

Gasolina e querosene: derivados do petróleo, estas substâncias são utilizadas


como combustíveis para a iluminação, aquecimento, motores, veículos, e como
agentes de limpeza, polidores de pintura, etc., a inalação crônica de gasolina pode
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resultar em complicações sérias, como acumulação de níveis tóxicos de chumbo no


organismo. Altas concentrações de vapor de gasolina podem, também, levar à rápida
depressão do sistema nervoso central e à morte, por insuficiência respiratória.

Aspectos legais:

A posse, o uso e a venda de hidorcarbonetos voláteis e outros solventes não


tem controle perante a legislação Brasileira. Devido ao largo uso desses produtos no
comércio e na indústria, uma fórmula genérica para limitar o uso indevido entre a
população jovem é praticamente impossível. A corporação voluntária entre fabricantes
e varejistas no sentido de limitar o fácil acesso de usuários em potencial a essas
substâncias parece ser viável. Ao lado dessa alternativa, recomendam-se maiores
informações sobre os efeitos nocivos dessas substâncias e orientação para os pais,
educadores e adolescentes. Nesse sentido, a legislação brasileira sobre drogas
determina que nos programas de cursos de formação de professores deverão ser
incluídos ensinamentos referentes a substâncias entorpecentes com o propósito de
mostrar seus efeitos deletérios e males causados no organismo humano.

PERÍODO EM QUE AS DROGAS DE USO MAIS COMUNS PODEM SER


DETECTADAS NA URINA DO USUÁRIO:
Álcool ½ hora para 1 dia;
Barbitúricos
Amobarbital, Pentobarbital - 2 a 4 dias;
Fenobarbital - mais de 30 dias;
Secobarbital - 2 a 4 dias;

Tranqüilizantes
Valium, Sanax, etc. - mais de 30 dias;

Cocaína - 12 a 72 horas;

Maconha
Uso eventual (4 cigarros por semana) - 5 a 7 horas;
Uso diário - 10 a 15 dias;
Uso crônico - 1 a 2 meses;
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Opiáceos
Dilaudid - 2 a 4 dias;
Heroína - 2 a 4 dias;
Morfina - 2 a 4 dias.

BIBLIOGRAFIA

Apostila - Entorpecente e Drogas afins - Departamento de


Polícia Federal - 1.983;

Manual de Polícia de Repressão e Entorpecentes -


Departamento de Polícia Federal - 1.983;

Tóxicos - Lei nº 6368/76 - Luiz Gonzaga Vieira - 1.992.