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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

FACULDADE DE DIREITO

DANIELE MELONI MOUALLEM – RA 00299117

ERALDO XAVIER PIMENTEL NETTO – RA 00303853

GUSTAVO DA SILVA ARIENZO – RA 00299190

MYRELLA FERREIRA DA SILVA – RA 00302602

THAYNA RAMOS DE ALCANTARA SILVA – RA 00303841

ANÁLISE SOCIOLÓGICA DA

INSTITUIÇÃO BANCO DO BRASIL

SÃO PAULO

24 DE MARÇO DE 2021
INTRODUÇÃO

As breves explicações a seguir visam ilustrar o Banco do Brasil como além de


uma organização financeira que trata de promover metas de financiamento. É também
uma instituição, ou seja, um padrão organizado de comportamento de um determinado
grupo social, profundamente enraizado e aceito como parte básica de uma cultura,
incluindo hábitos, costumes sociais, leis, modos de pensar e formas de vida na economia
nacional.
O Banco do Brasil é o maior banco estatal brasileiro e 50% de suas ações
pertencem ao Estado. Ele apresenta 4.368 agências e 49.248 pontos de atendimento
espalhados pelo país, estando presente em 94,8% dos municípios brasileiros. Além
disso, a instituição também possui presença externa, apresentando, até dezembro de
2020, 23 dependências em 15 países diferentes e mais 706 bancos que operam como
correspondentes em 92 países. Nesse sentido, o banco possui grande relevância nacional
e internacional, que está para além do campo estritamente econômico, mas para o
cultural.

1 ESTRUTURA

A instituição do Banco do Brasil possui uma estrutura organizacional linha-staff,


que é construída a partir da soma das organizações linear e funcional. O diferencial
desse modelo se dá pela existência de órgãos de consulta, que levam seu conhecimento
técnico em prol das metas da empresa. Em todos os setores do banco, os assuntos são
decididos de forma colegiada, com o propósito de incluir os executivos na definição de
estratégias e na aprovação de propostas para os diversos negócios da organização. Para
isso, a administração faz uso de comitês, subcomitês e comissões de nível estratégico,
garantindo agilidade e segurança ao processo. Portanto, as estruturas formal e vertical
são garantidas, significando que as tomadas de decisões ocorrem de cima para baixo.
Mesmo com uma hierarquia e certa autoridade dentro do processo, toda a estrutura
consegue interagir durante a realização dos trabalhos, o que garante o controle de
qualidade da empresa.
Outro diferencial na estrutura do banco, está no fato deste se tratar de um órgão
estatal, sendo assim, cabe ao governo federal decidir seu comando e presidência.
Consequentemente, o banco tende à um viés mais social, com grandes investimentos em
projetos culturais, educacionais, sustentáveis e esportivos, fazendo com que seja uma
empresa diretamente ligada também ao público.
A estrutura de governança corporativa do Banco do Brasil é composta pelo
Conselho de Administração, com 8 membros, assistidos pelos Comitês de Auditoria, de
Remuneração e Elegibilidade, Comitê de Riscos e Capital, além da Auditoria Interna.
Também está incluso no corporativo a Diretoria Executiva, que conta com o Conselho
Diretor, na qual fazem parte o Presidente e mais nove Vice-Presidentes, e mais 27
Diretores Estatuários. O banco ainda mantém um Conselho Fiscal permanente, que é
composto por 5 membros titulares e 5 suplentes.
A seguir têm-se o organograma da alta administração do Banco do Brasil.

Figura 1 – Organograma organizacional do Banco do Brasil

Fonte: https://www.bb.com.br/docs/pub/siteEsp/ri/pt/dce/dwn/4T17AnaliseDesempCS.pdf

Para um melhor entendimento das divisões do trabalho, segue abaixo um resumo


das funções de cada setor dentro da empresa, de acordo com arquivo publicado pelo
próprio banco no site oficial da empresa.
Conselho de Administração:

O Conselho de Administração é o órgão mais alto da Governança da empresa,


cumprindo atribuições estratégicas, orientadoras, eletivas e fiscalizadoras, incluindo
aprovações de políticas e planos corporativos.

Conselho Fiscal:

Sua função é a de fiscalização dos administradores em relação à legalidade e


regularidade gestora, em especial aos financeiros e contábeis.

Comitê de Auditoria:

Atua no assessoramento do Conselho de Administração, avaliando a efetividade


da Auditoria Interna e da Independente, entre outras atribuições.

Auditoria Interna:

Subordinada ao Conselho de Administração, possui a responsabilidade de


promover auditorias com foco nos riscos e assessorar os Conselhos de Administração e
o Fiscal, além da Diretoria Executiva e as subsidiárias.

Conselho Diretor:

Órgão colegiado, formado pelo Presidente e pelos Vice-Presidentes da


Instituição. Entre as diversas atribuições, as principais são propor e executar as
políticas, as estratégias corporativas, o plano de investimento, o plano diretor, o
orçamento geral do banco, o plano de mercados e o acordo de trabalho. Ademais,
devem decidir sobre a organização interna do banco e sua estrutura administrativa, além
de distribuir e aplicar os lucros apurados.

Diretoria Executiva:

A Diretoria Executiva administra os negócios, e tem como função cumprir e


fazer cumprir o Estatuto Social, as deliberações da Assembleia Geral de acionistas e do
Conselho de Administração, além das decisões colegiadas próprias e do Conselho
Diretor.
Unidades Estratégicas:

São responsáveis pelo comando dos processos e servem de apoio aos negócios e
à gestão empresarial.

2 HISTÓRIA

O Banco do Brasil é a primeira instituição financeira do Brasil, fundada por D.


João VI no início do século XIX e tinha como objetivo financiar o estabelecimento de
empresas manufatureiras no país durante o período colonial. Dessa forma, as empresas
importariam matérias-primas e exportariam produtos industrializados, dinamizando,
assim, o comércio brasileiro. Mas, devido aos roubos de alto valor e ao retorno do rei
João VI a Portugal, a instituição faliu.
O fim do tráfico internacional de escravos, a firmada da ratificação do Código
Comercial de 1850 e o fim da turbulência política nos estados do sul criaram um
ambiente econômico que trouxe um certo grau de alegria para a economia: importações
legais e aumento da quantidade de café a preços internacionais aumentaram a receita
tributária. O banco passa a ser visto como nova fonte de rendimento, resultando o
surgimento de bancos de plano privado.
O novo Banco do Brasil é então fundado em 1853, por iniciativa do ministro
Joaquim José Rodrigues Torres, a partir de uma fusão de dois bancos privados, o Banco
do Brasil de Mauá com o Banco Comercial do Rio de Janeiro. Com isso, desde sua
criação, o banco já possuía um vasto capital, com suas reuniões acontecendo no salão da
bolsa de valores do Rio de Janeiro.
Além disso, a empresa desempenhou um papel importante no desenvolvimento
brasileiro. Visto que foi a primeira a abrir linhas de créditos acessíveis para fazendeiros
que trocavam a sua mão-de-obra escrava por assalariada.
A instituição também detinha, desde 1863, o poder de emitir papel-moeda,
agindo como uma espécie de banco central. Essa prerrogativa iria, futuramente, causar
crises inflacionárias devido a um indevido aumento da base monetária, um exemplo de
crise é a do encilhamento, executada pelo ministro Rui Barbosa.
O banco, diferentemente do regime político, não mudou muito durante a
república velha. A única ação importante, além da sua já comentada participação na
crise do encilhamento, foi sua fusão com o estatal “Banco dos Estados Unidos do
Brasil” que o fortaleceu ainda mais.
Dentre os diversos cenários de instabilidade econômica, social e política vividos
pela instituição ao longo de 200 anos, chegamos à Democratização do acesso ao banco e
ao crédito, em meados do século XX. Ao implementar os ajustes fiscais, o governo vem
atuado fortemente na esfera social. Assim, o Banco do Brasil fortaleceu sua atuação
como banco público orientado para o desenvolvimento econômico e social do país.
Exemplo disso é sua presença no agronegócio, ao financiar a maior parte das
exportações e conceder crédito a uma taxa de juros de fácil acesso às micro e pequenas
empresas, além de capital de giro e opções de investimentos, tornando o Banco do
Brasil a escolha mais procurada pelos interessados em constituir tais negócios.
Atualmente é classificado como um dos maiores bancos do país em termos de
agências, ações e lucro líquido. O Banco do Brasil é considerado uma empresa pública
de economia mista, ou seja, o governo detém a maioria das ações, e seu principal
objetivo é contribuir ativamente para o desenvolvimento econômico, industrial,
comercial e social do Brasil.
Com a criação do BPB (Banco Popular do Brasil) em 2003, passou a atender
precisamente pessoas de baixa renda, oferecendo contas correntes simplificadas,
empréstimos a juros baixos, cartões de débito, cartões de poupança e de crédito.
Está presente em diversos campos culturais e artísticos, incluindo as Olimpíadas
Brasileiras, vôlei de salão e de praia, futebol de futsal e outros esportes, o que confirma
o propósito de participar do desenvolvimento do Brasil em diversos campos.

3 INDIVÍDUOS

De acordo com uma pesquisa realizada pela ANABB, Associação Nacional dos
Funcionários do Banco do Brasil, em 2014, o funcionário do Banco do Brasil era
predominantemente um homem branco, com idade entre 31 a 50 anos, chefe de família
e com curso superior completo. Esse perfil permanece predominante dentro da empresa,
sendo a presença masculina representante de 58,44% dos indivíduos contra 41,56% de
mulheres. Porém, a participação feminina nesse grupo tende a aumentar, pois elas
possuem maior representatividade nos grupos mais jovens, enquanto os homens são
mais numerosos nas faixas com idade mais elevada (acima de 41 anos).
Ainda segundo a pesquisa da ANABB, com relação a etnias, o banco demonstra-
se não muito diversificado, já que quase 75% de seus funcionários, em 2014, eram
brancos. O percentual das raças também demonstrou que a presença de negros e pardos
entre os funcionários do banco, que era de 22,31% em 2014, era inferior à metade da
participação de pretos e pardos na população brasileira, de 50,7%, conforme o Censo
Demográfico de 2010. Já a participação de outras etnias como amarelos e indígenas,
somavam inferiores a 5% do total de funcionários.
A condição do estado civil está em concordância com a faixa etária, sendo os
casados portando maioria, assim como os acima de 30 anos, em que quase 70% dos
funcionários são chefes de família.
A respeito do tempo de trabalho no banco, este apresenta uma dualidade quanto
aos funcionários, tendo metade deles começado sua jornada antes dos anos 2000, e
metade depois. Os funcionários que trabalhavam entre menos de um ano até seis anos,
somavam 26,96%, os que exerciam a função entre os últimos 6 a 16 anos eram 43,30%,
e por fim, os que estavam lá a pelo menos 16 anos ou mais, formavam 29,74%.
A pesquisa também mostra que os funcionários da instituição apresentam
elevada escolaridade, sendo quase 90% dos trabalhadores formados em nível superior.
Destes, 45,83% são pós-graduados, 36,03% possuem curso superior completo e 3,84%
concluíram o mestrado ou doutorado. Esse elevado nível de escolaridade dos
funcionários indica que o grupo acredita na formação continuada como forma de
garantir a eles vantagens ao longo de sua carreira profissional. Fica evidente que é
mínima a presença de não graduados.
Ademais, a partir dos dados da pesquisa, conclui-se que o banco demonstra
diversa abrangência quanto à classe socioeconômica de seus funcionários. Segundo
estes dados, 21,51% deles recebiam entre um e quatro salários-mínimos vigentes em
2014, a maioria, 48,12% entre quatro e dez salários-mínimos, e por fim, 30,29%
representavam os que recebiam proventos a partir de dez salários-mínimos.
Em um panorama macro, os indivíduos que se relacionam com o banco não
estão restritos à funcionários, mas também, clientes e empresas que possuem vínculos
jurídicos, e para além desses. Por se tratar de uma instituição onipresente, sua marca
está vinculada ao patrocínio em setores de sustentabilidade, esporte, entre outros,
confirmando seu contato com diferentes grupos sociais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho buscou analisar as origens do Banco do Brasil, a evolução do


sistema histórico e as particularidades que acompanham seu papel sociológico. Desse
modo, foi possível comprovar que a instituição possui tanto regras formais quanto
informais, tendo que sua função institucional não é apenas uma função definida por leis
ou regulamentos, como a concessão de recursos rurais por exemplo, mas também uma
instituição que se consolida informalmente: atuando como um regulador de mercado de
acordo com a determinação das condições sociais existentes.
A história estilizada da ocorrência e desenvolvimento demonstra que as
instituições financeiras não são criadas pelo estado ou causa apenas de regras do
mercado, mas sua base provém da necessidade e vontade social de instituí-lo. Esse fato
mostra que o banco central não é apenas um departamento do governo, mas também um
sistema financeiro, um componente e uma instituição semiautônoma, havendo
contradições e racionalidade entre os dois. Sua existência e seu status de mediação
estratégica representam uma solução institucional para o conflito entre o Estado, os
bancos privados e a sociedade no controle do poder de emissão de moeda.
Como resultado desse conflito, o poder monetário é, em última análise,
compartilhado entre as instituições (governo, banco central e banco privado) que
constituem o tripé do qual depende o sistema monetário moderno, e a relação formal
entre eles constitui a estrutura institucional. Permite a gestão de dinheiro e crédito em
uma economia capitalista. Portanto, não são simples agências governamentais, mas
instituições complexas, contraditórias e semipúblicas inseridas na estrutura nacional.
Por fim, identificamos o econômico diretamente subordinado ao social,
transcendendo o fato razoável, óbvio e superficial de que o ambiente social afetará os
objetivos perseguidos pelos agentes econômicos, mas estando este intrínseco como
fundadores de toda a razão existente na criação e definição dos indivíduos, da estrutura
e do desenvolver histórico existente na fundamentação da existência de um Banco
nacional, especificamente ao caso, o Banco do Brasil.
REFERÊNCIAS

ANABB. Quem são os funcionários do Banco do Brasil? Perfil sociodemográfico,


político e do trabalho. 2014. Disponível em: < https://bit.ly/3tyOlui >. Acesso em: 16
de mar. 2021.

BANCO do Brasil S.A. Análise do Desempenho 4º Trimestre/2017. 2017. Disponível


em: < https://bit.ly/3f3kXrZ> Acesso em: 18 mar. 2021.

BANCO do Brasil S.A. Análise do Desempenho 4º Trimestre/2020. 2020. Disponível


em: < https://bit.ly/3tEaBTu> Acesso em: 17 mar. 2021.

BANCO do Brasil S.A. Governança Corporativa: Estrutura Organizacional. 2011.


Disponível em: < http://bit.ly/3d6C75F> Acesso em: 18 mar. 2021.

SCHULZ, John. A Crise Financeira da Abolição. São Paulo: Instituto Fernand


Braudel, 1996.

SIQUEIRA, Alexis Cavicchini Teixeira de. A história dos bancos no Brasil: das casas
bancárias aos conglomerados financeiros. COP Editora, 2007.

SOUZA FRANCO, Bernardo de. Os Banco do Brasil. Rio de Janeiro: Tipografia


Nacional, 1848.

TAUNAY, Visconde de. O Encilhamento. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos,


s.d.

VIANA, Victor. O Banco do Brasil: sua formação, seu engrandecimento, sua


missão nacional. Rio de Janeiro, Typ. do Jornal do Commercio, de Rodrigues & Cia.,
1926.

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