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2. MOVIMENTO UNIDIMENSIONAL

2.1. Movimento

cinemática  parte da Física que estuda os movimentos sem levar em consideração as


suas causas

Movimento é um conceito relativo, somente faz sentido falar do movimento de um corpo


em relação a outro corpo. Pode se dizer que um corpo está em movimento se sua posição, em
relação a um determinado corpo de referência, varia com o tempo.

trajetória  linha determinada pelas diversas posições que um corpo ocupa ao longo do
tempo

movimento retilíneo  movimento em linha reta (trajetória retilínea)

A trajetória do movimento retilíneo pode ser horizontal (carro se deslocando em uma


rodovia retilínea), vertical (pedra caindo do alto de um prédio) ou outra qualquer, mas sempre
sendo uma reta.

 Exemplos de movimento retilíneo:


- um trem que anda com velocidade constante;
- um carro que freia;
- um disco de hóquei que escorrega sobre o gelo;
- um caixote que é puxado para cima em uma rampa;
- um elétron se movendo em um tubo de raio X.

Para se descrever o movimento de um objeto é necessário estabelecer um referencial


(sistema de referência). No caso do movimento retilíneo, é necessário que seja estabelecido uma
origem e um sentido positivo.

referencial  sistema de coordenadas em relação ao qual se especifica a posição do


objeto

Todo o movimento é relativo, ou seja, observadores diferentes verão o movimento de


formas diferentes. Portanto, o movimento de um corpo, visto por um observador, depende do
referencial no qual ele está situado.

O movimento de um corpo pode ser descrito através de equações matemáticas (maior


precisão) e de gráficos (melhor compreensão física).
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Com o objetivo de simplificar o estudo dos movimentos, muitas vezes um objeto


complexo é considerado como uma partícula (um único ponto com massa). Esta simplificação é
válida se o tamanho do objeto é irrelevante para o problema considerado.

2.2. Posição e deslocamento

posição  localização de uma partícula em relação a um referencial adotado

 Exemplos de posições:

x1 = −2 , x2 = 0 e x3 = 4  posições em relação ao referencial adotado

 Unidade da posição no SI: m

posição  grandeza vetorial

x(t)  posição da partícula em relação ao tempo

 Exemplos de gráficos x×t (posição por tempo):


a) Ausência de movimento  uma pessoa permanece parada no quilômetro 40

b) Velocidade constante  um carro se move à velocidade constante de 100 km/h


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c) Queda livre  uma pedra cai de uma altura de 200 m e depois permanece parada no chão

d) Lançamento vertical  uma bola, que está inicialmente na altura de 1,5 m, é lançada
verticalmente para cima, sobe até uma altura de 50 m e depois
cai até ser aparada na altura do lançamento

e) Movimento complexo  um carro, inicialmente parado, acelera, depois mantém sua


velocidade constante e, finalmente, freia até parar

Os gráficos são representações do movimento e não desenhos das trajetórias.

deslocamento  mudança da posição de uma partícula


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∆x = xf − xi

∆x  deslocamento da partícula
xf  posição final da partícula
xi  posição inicial da partícula

 Exemplos de deslocamentos:
a)

∆x = 3 − 0 = 3

b)

∆x = −2 − 2 = −4

c)

∆x = −1 − (−3) = 2

 Unidade do deslocamento no SI: m

deslocamento  grandeza vetorial

2.3. Velocidade

velocidade  indica a rapidez da variação da posição de uma partícula


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x f − x i ∆x
v= =
tf − ti ∆t

v  velocidade média da partícula


∆x = xf − xi  deslocamento da partícula no intervalo de tempo considerado
xf  posição final da partícula
xi  posição inicial da partícula
∆t = t f − t i  intervalo de tempo considerado
tf  instante de tempo final
ti  instante de tempo inicial

 Unidade da velocidade média no SI: m/s

velocidade média  grandeza vetorial

A velocidade média refere-se ao comportamento médio do movimento de uma partícula


durante um intervalo de tempo considerado, ou seja, a trajetória não é levada em consideração
nos cálculos.

A velocidade média de uma partícula é igual a inclinação da reta, no gráfico x×t, que
liga os extremos (posições inicial e final) do intervalo de tempo considerado. Se a curva x(t) é
uma reta, a velocidade é constante e igual a inclinação desta reta.

O sinal da velocidade média indica o sentido do movimento da partícula. Se a velocidade


média for positiva (xf > xi), o movimento ocorre no mesmo sentido do eixo tomado como
referencial. Se ela for negativa (xf < xi), o movimento ocorre no sentido contrário ao do eixo.

Em qualquer trajeto no qual uma partícula volte ao seu ponto de partida, ou seja, a sua
posição final for igual a sua posição inicial, o seu deslocamento será nulo, resultando em uma
velocidade média nula.

∆e
vesc =
∆t

vesc  velocidade escalar média da partícula


∆e  espaço (distância) total percorrido pela partícula no intervalo de tempo
considerado
∆t  intervalo de tempo considerado

 Unidade da velocidade escalar média no SI: m/s


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velocidade escalar média  grandeza escalar

A velocidade escalar média refere-se ao comportamento efetivo do movimento de uma


partícula durante o intervalo de tempo considerado, ou seja, a trajetória é levada em
consideração nos cálculos.

∆x dx
v = lim =
∆ t → 0 ∆t dt

v  velocidade instantânea da partícula

 Unidade da velocidade instantânea no SI: m/s

velocidade instantânea  grandeza vetorial

A velocidade instantânea de uma partícula é o valor do qual a velocidade média se


aproxima à medida que o intervalo de tempo, considerado para determiná-la, fica cada vez
menor (tendendo a zero).

A velocidade instantânea de uma partícula é igual a inclinação da tangente à curva x(t) no


instante de tempo considerado.

O sinal da velocidade instantânea indica o sentido do movimento da partícula. Se a


velocidade instantânea for positiva, o movimento ocorre no mesmo sentido do eixo tomado
como referencial. Se ela for negativa, o movimento ocorre no sentido contrário ao do eixo.

v(t)  velocidade da partícula em relação ao tempo


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 Exemplos de gráficos v×t (velocidade por tempo):


a) Ausência de movimento  uma pessoa permanece parada no quilômetro 40

b) Velocidade constante  um carro se move à velocidade constante de 100 km/h


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c) Queda livre  uma pedra cai de uma altura de 200 m e depois permanece parada no chão

d) Lançamento vertical  uma bola, que está inicialmente na altura de 1,5 m, é lançada
verticalmente para cima, sobe até uma altura de 50 m e depois
cai até ser aparada na altura do lançamento
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e) Movimento complexo  um carro, inicialmente parado, acelera, depois mantém sua


velocidade constante e, finalmente, freia até parar

A partir de agora será utilizado apenas o termo “velocidade” para indicar velocidade
instantânea.

vesc = v

vesc  velocidade escalar da partícula

 Unidade da velocidade escalar no SI: m/s

velocidade escalar  grandeza escalar

A velocidade escalar é a grandeza indicada pelo velocímetro do carro.

2.4. Aceleração

aceleração  indica a rapidez da variação da velocidade de uma partícula


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v f − v i ∆v
a= =
t f − ti ∆t

a  aceleração média da partícula


∆v = vf − vi  variação da velocidade da partícula no intervalo de tempo
considerado
vf  velocidade final da partícula
vi  velocidade inicial da partícula
∆t = t f − t i  intervalo de tempo considerado
tf  instante de tempo final
ti  instante de tempo inicial

 Unidade da aceleração média no SI: m/s2

aceleração média  grandeza vetorial

A aceleração média nada informa sobre a variação da velocidade com o tempo, ela
depende apenas da variação final da velocidade durante o intervalo de tempo considerado.

A aceleração média de uma partícula é igual a inclinação da reta, no gráfico v×t, que
liga os extremos (velocidades inicial e final) do intervalo de tempo considerado. Se a curva v(t) é
uma reta, a aceleração é constante e igual a inclinação desta reta.

A aceleração média pode ser positiva ou negativa, independentemente da velocidade ser


positiva ou negativa. O sinal da aceleração média, analisado em conjunto com o sinal da
velocidade, indica se a velocidade da partícula aumenta ou diminui em um determinado intervalo
de tempo.
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∆v dv
a = lim =
∆t → 0 ∆t dt

a  aceleração instantânea da partícula

 Unidade da aceleração instantânea no SI: m/s2

aceleração instantânea  grandeza vetorial

A aceleração instantânea de uma partícula é o valor do qual a aceleração média se


aproxima à medida que o intervalo de tempo, considerado para determiná-la, fica cada vez
menor (tendendo a zero).

A aceleração instantânea de uma partícula é igual a inclinação da tangente à curva v(t) no


instante de tempo considerado.

A aceleração instantânea pode ser positiva ou negativa, independentemente da velocidade


ser positiva ou negativa. O sinal da aceleração instantânea, analisado em conjunto com o sinal da
velocidade, indica se a velocidade da partícula aumenta ou diminui em um determinado instante
de tempo.

a(t)  aceleração da partícula em relação ao tempo

 Exemplo de gráfico a×t (aceleração por tempo):


Movimento complexo  um carro, inicialmente parado, acelera, depois mantém sua
velocidade constante e, finalmente, freia até parar
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A partir de agora será utilizado apenas o termo “aceleração” para indicar aceleração
instantânea.

O sentido cinestésico é a capacidade que o nosso corpo tem de perceber os movimentos.


Contudo, podemos perceber apenas mudanças de velocidade, ou seja, aceleração, e não a
velocidade propriamente dita. O nosso corpo é um bom acelerômetro, mas um mau velocímetro.

2.5. Movimento retilíneo uniforme (MRU)

MRU  movimento em trajetória retilínea com velocidade constante

 Exemplos de MRU:
- um carro se deslocando horizontalmente sobre um colchão de ar;
- uma gota de água se deslocando dentro de um tubo vertical cheio de óleo.

 Características do MRU:
a posição varia com o tempo  x(t)
a velocidade não varia com o tempo  v = v = constante
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a aceleração é nula  a = 0

 Equação do MRU:

x = x0 + vt  x(t)

x  posição da partícula em um instante de tempo qualquer


x0  posição da partícula no instante de tempo inicial (t0 = 0)
v  velocidade da partícula
t  instante de tempo qualquer

2.6. Movimento retilíneo uniformemente variado (MRUV)

MRUV  movimento em trajetória retilínea com aceleração constante

 Exemplos de MRUV:
- um carro freando uniformemente;
- uma pedra caindo nas proximidades da Terra.

 Características do MRUV:
a posição varia com o tempo  x(t)
a velocidade varia com o tempo  v(t)
a aceleração não varia com o tempo  a = a = constante

 Equações do MRUV:

x = x0 + v0 t + 12 at 2  x(t)

v = v0 + at  v(t)

v 2 = v02 + 2a ( x − x0 )

x = x0 + 12 (v0 + v ) t

x = x0 + vt − 12 at 2
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x  posição da partícula em um instante de tempo qualquer


x0  posição da partícula no instante de tempo inicial (t0 = 0)
v  velocidade da partícula em um instante de tempo qualquer
v0  velocidade da partícula no instante de tempo inicial (t0 = 0)
a  aceleração da partícula
t  instante de tempo qualquer

Na equação do MRU ou nas equações do MRUV onde aparece x também aparece x0, de
fato elas envolvem ∆x (x − x0).

Quando se usa a equação do MRU ou as equações do MRUV na resolução de problemas,


é possível escolher como origem do sistema de coordenadas a posição mais adequada. Também
pode ser escolhido qual o sentido positivo do eixo de coordenadas. Contudo, uma vez escolhido
determinado sentido como positivo, todas as grandezas (posição, deslocamento, velocidade e
aceleração) envolvidas nos cálculos devem respeitar este sentido.

2.7. Queda livre

queda livre  movimento vertical onde só atua a força gravitacional (sem a resistência
do ar)

 Exemplos de queda livre:


- uma pedra caindo do alto de um prédio;
- uma bola arremessada verticalmente para cima.

Todo o corpo, independentemente da sua massa, densidade ou forma, sofre a mesma


aceleração da gravidade (g). O valor da aceleração da gravidade varia em função do local
(longitude, latitude e altitude). Ao nível do mar tem-se como valor médio g = 9,80 m/s2.

 Características da queda livre:


a posição varia com o tempo  y(t)
a velocidade varia com o tempo  v(t)
a aceleração não varia com o tempo  a = a = −g

 Equações da queda livre:


direção adotada  eixo y (x  y)
sentido positivo adotado  para cima (a  −g)

y = y 0 + v0 t − 12 gt 2  y(t)

v = v0 − gt  v(t)
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v 2 = v02 − 2 g ( y − y 0 )

y = y 0 + 12 (v0 + v ) t

y = y 0 + vt + 12 gt 2

y  posição da partícula em um instante de tempo qualquer


y0  posição da partícula no instante de tempo inicial (t0 = 0)
v  velocidade da partícula em um instante de tempo qualquer
v0  velocidade da partícula no instante de tempo inicial (t0 = 0)
g  aceleração da partícula (aceleração da gravidade)
t  instante de tempo qualquer

As equações acima podem ser aplicadas tanto para os corpos que sobem, como para os
que descem.

Nas equações da queda livre onde aparece y também aparece y0, de fato elas envolvem ∆y
(y − y0).

2.8. Bibliografia

GASPAR, Alberto. Física: Mecânica. São Paulo: Ática, 2001. v. 1.

HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física: Mecânica.


4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. v. 1.

KELLER, Frederick J.; GETTYS, W. Edward; SKOVE, Malcolm J. Física. São Paulo: Makron
Books, 1997. v. 1.

MÁXIMO, Antônio; ALVARENGA, Beatriz. Curso de Física. São Paulo: Scipione, 2000. v.
1.

RESNICK, Robert; HALLIDAY, David; KRANE, Kenneth S. Física. 4. ed. Rio de Janeiro:
LTC, 1996. v. 1.

SEARS, Francis; ZEMANSKY, Mark W.; Young, Hugh D. Física: Mecânica da partícula e
dos corpos rígidos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1983. v. 1.

TIPLER, Paul A. Física para cientistas e engenheiros. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000. v. 1.

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