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Relatório Técnico Final

Sandra Martins Farias – Diretora do Museu do Diamante/Ibram, Doutora em Integração na


América Latina pelo Programa de Integração na América Latina/USP

Co-orientadora:
Marcela Mazzilli Fassy – Técnica em Assuntos Educacionais do Museu do Diamante/Ibram,
Mestre em Ciências Humanas pela UFVJM

Bolsista PIBIC/CNPQ/IBRAM:

Paulo Henrique de Lacerda Cardoso – Licenciando em História/ UFVJM

Introdução:

Esse relatório tem como propósito fazer um breve registro dos últimos achados da pesquisa
dentro do Museu do Diamante, tendo como foco, o garimpo das informações que indiquem as
origens das peças do acervo. Para além da pesquisa com arquivos e documentos oficiais este
trabalho teve como fundamentos a compilação de narrativas que forjaram a sociedade
diamantinense. As principais atividades que vão ser registradas nesse relatório são: a elaboração
de uma tabela baseada no levantamento de objetos registrados no Inventário de Bens móveis de
31/12/1952, o análise de uma obra literária que remonta o período colônia da exploração do
diamante no século XIX, por último, uma entrevista oral com o responsável pelos cuidados da
Igreja de São Francisco. Com isso, o propósito da pesquisa vem com o intuito de expandir o
acesso às informações sobre os diferentes conteúdos, que estão presentes no extenso acervo da
Instituição. Além disso, o aprofundamento da pesquisa permite a valorização e o fortalecimento
de uma memória local, como também vai trabalhar a questão pedagógica do objeto exposto.

O Museu do Diamante, localizado no centro histórico de Diamantina, possui um vasto acervo


que foi adquirido por meio de compra, permuta ou doações de diversas Instituições, profissionais
ligados ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e personalidades
influentes da sociedade diamantinense. Dentro desse contexto, existe uma lacuna no que diz
respeito à procedência e origem de seu acervo. Em meados da década de 1940 e 1950, houve um
processo de procura de diversas peças para a composição de bens museológicos, que compõe
uma cultura material condizente com uma sociedade do século XVIII e XIX. De acordo com o
entendimento que se tinha sobre o papel dos Museus nesse período, fica claro que se pretendeu
forjar uma identidade de acordo com uma narrativa fundamentada na história, memória e
patrimônio concebidos pelo SPHAN.
Dadas as circunstâncias que permitem fazer uma análise sobre a importância desse acervo, é
preciso salientar que o projeto possui como foco compreender como se deu a aquisição desses
objetos. Por meio disso, foram primordiais para a investigação fontes primárias, sendo elas:
recibos, notas de compra, acordos formais, entre outros documentos que comprovem o
recebimento de peças com informações que indiquem a origem das peças adquiridas. Outro
aspecto que possui relevância para esta pesquisa diz respeito à Coleção Coimbra que constitui
grande parte dos pertences que hoje compõem o acervo, sendo necessário investigar de forma
mais profunda os objetos que foram comprados com a intenção de complementar as informações
que dizem respeito à história desses artefatos.
Diante dessa proposta de coletar descrições sobre a origem das peças, o projeto passa a assumir
uma relevância no sentido de acrescentar detalhes condizentes com aspectos significativos que
irão incrementar as informações sobre o acervo. A partir do propósito de ampliação dos dados
sobre as peças, a incorporação de fatos referentes à história dos artefatos compreende também a
proposta de inserir o Museu do Diamante como instituição capaz de propiciar à população local
um maior aporte de informações que contribuam para a construção de uma memória local.

Objetivos:

 Obse

 Fortalecimento de uma memória local, através do estudo dos fatos históricos que
remontam a um contexto de época.

 Análise da memória que foi concebida pelo contexto da mineração do século XIX, em
Diamantina, de acordo com as informações adquiridas referentes ao acervo.
 Adquirir informações referentes ao acervo de Antônio Coimbra, que foi vendido para a
estruturação do Museu.

 Enriquecimento das informações relativas aos bens culturais que compõem o acervo no
sentido de propiciar uma maior fundamentação histórica para atender de forma mais
completa as estruturas sociais do período.

Justificativa:

As narrativas que são contadas sobre a mobília, a arte sacra e diversos outros artefatos que são
expostos aos visitantes do Museu, devem condizer com o mais próximo do real significado que
aquele determinado objeto possui. De acordo com a autora Lilian Oliveira (2016), os museus
possuem um propósito social de recuperar uma história a partir do seu acervo. No entanto, os
preceitos de uma sociedade católica, conservadora e elitista que dava ênfase aos aspectos
tradicionais da sociedade do século XIX, faziam com que fossem suprimidas a expressão de uma
diversidade étnica cultural que está presente na cultural popular. Segundo o trecho abaixo, os
propósitos museológicos da época ratificavam a permanência de uma história única priorizando
sua finalidade estética.
“Todo este longo preâmbulo consegue contextualizar uma noção de museu própria do
período, qual seja: um edifício com alguma importância histórica e/ou arquitetônica
adaptado para a guarda e exposição, para fins didáticos ou de apreciação estética, de
objetos “antigos” (de um período anterior) representativos da História, das 51 artes
tradicionais, de personalidades e de práticas e modos de vida ancestrais. Estes objetos
são, desta maneira, fetichizados e separados das funções para as quais foram criados ou
adquiridos, tornando-se descontextualizados e isolados, representando uma parcela
“idealizada” da população; dai emana a visão popular dos museus como “depósitos de
coisas velhas” e, neste sentido, não passavam disso realmente. Eram escolhidas as peças
raras ou únicas, que pertenceram ou foram usadas por este ou aquele personagem
histórico (mesmo que mítico), com valores e idades atribuídos a elas.” (OLIVEIRA,
2015, p.50)

Segundo essa passagem, não existe apenas uma história de uma sociedade local hegemônica que
se define apenas pelos moldes de uma única cultura. A partir disso, há uma necessidade em
discorrer narrativas de uma memória que relembra a cultura popular escondida pela alta
sociedade diamantinense. Com isso, a obtenção de elementos que compõe uma história popular
associada a classes marginalizados da época também devem ser trabalhadas nessa pesquisa.

Metodologia da pesquisa:

Dentro da pesquisa optou-se por dividir os arquivos de acordo com o local em que foi verificado.
Sendo eles, Documentação museológica do M.D, Arquidiocese de Diamantina, periódicos
referentes ao período de 1954 a 1964 e acervo documental do Museu de Tipografia do Pão de
Santo Antônio.

Resultados e discussões:

Em cima do foco da pesquisa, das diversas fontes analisadas, as informações adquiridas vêm
com o papel de agregar um valor histórico do acervo. Dessa forma, dos diversos dados que serão
incluídos nesse relatório, aqueles que foram expostos visam demonstrar elementos que condizem
com doações, vendas e permutas das peças. A partir disso, se estabelece um recorte temporal que
perpassa no ano de 1941, período em que se inicia a procura de peças para o acervo. No que diz
respeito aos acervos particulares, é possível notar que a maioria das peças adquiridas pertenciam
às famílias de maior poder aquisitivo da região. É de notável relevância apontar que diversos
objetos históricos compunham o acervo das igrejas de diamantina. Dos diversos acordos
realizados pelos responsáveis pela diretoria do Museu, o processo de garimpagem desses
artefatos começa a partir de 1941 com a condução de Rodrigo Melo Franco de Andrade que
tinha o cargo de diretor geral do SPHAN na época.
Dos documentos analisados que se encontram guardados no arquivo do M.D, a maioria deles vão
relatar acordos feitos com Igrejas da cidade e das proximidades de diamantina, famílias
influentes nas localidades, Instituições variadas que estavam aptas a realizar acordos com peças
de interesse para a composição do acervo e Museus que estavam dispostos a negociar artefatos
na forma de permuta ou venda.
Dos documentos museológicos que foram acessados, a maioria deles podem ser definidos como
correspondências trocadas entre Rodrigo Melo Franco de Andrade e demais pessoas ou
Instituições que representavam os negociantes interessados em realizar propostas de negócio.
Das cartas analisadas, a correspondência datada em 3 de Novembro de 1941, foi registrada como
a mais antiga (do acervo museológico). No conteúdo da carta informa-se sobre peças de interesse
do diretor do SPHAN, sendo estes, artefatos de diferentes proprietários como: Nica Ferreira, José
Avelino e Hospital de Diamantina. Dos detalhes relatados, muitos são atribuídos às
ornamentações das peças, vinculando a arte desses objetos com obras feitas em Portugal.

Figura 1. Documento que aborda o assunto de objetos oferecidos ao Museu. Fonte: Acervo Museu do
Diamante/Ibram.

Em relação à figura 1, pode-se notar que não há uma conclusão de que forma foi feita essa
transação, pode-se apenas afirmar que as informações registram o desejo de que estas peças
permaneçam em Diamantina e integrem o futuro acervo que estava sendo garimpado por
profissionais designados a fazerem um levantamento de peças que estariam localizadas em
Diamantina e seus arredores.

Figuras 2 e 3. Recibos oficializando a compra de peças que pertenceram a Anna Rolim Sampaio. Fonte: Acervo
Museu do Diamante/Ibram.

Nas figuras anteriores estão registrados os recibos respectivos a cada peça adquirida para o
Museu. Na figura 1, podemos notar que o valor total adquirido pelo conjunto (sendo a detentora
dos artefatos Nica Ferreira) de peças foi de 4 mil contos de réis, de um modo que nas figuras
seguintes cada objeto possui um respectivo valor.
Numa carta escrita por Assis Horta para Rodrigo Melo Franco de Andrade, o então funcionário
contratado pelo SPHAN, trata de reportar ao seu diretor, a existência de três objetos que
pertenceram ao Barão de Paraúna. O conteúdo dessa carta compreende a intenção de que seria de
grande valor, a obtenção desses artefatos por uma questão de que pertenceu a Barão Paraúna,
sendo ele um sujeito de grande destaque nas localidades de Diamantina no século XIX. No
entanto, essa carta seria apenas uma forma de demonstração de interesse por parte de Assis Horta
em adquirir essas peças, o que vai ao encontro com a dificuldade de arrecadação de recursos
financeiros suficientes para adquirirem peças de alto valor, tanto financeiro como histórico. O
conteúdo vincula-se ao interesse de integrar a peças da Antiga Sé de Diamantina; ao acervo do
Museu que estava sendo arquitetado.
Podemos notar um interesse por parte de Antônio Joaquim de Andrade (Representante do Museu
do Ouro em Sabará), em adquirir uma mobília que estava localizada em Diamantina,
especificamente na casa do Padre Rolim. Nessa negociação fica evidente que não há dados que
descrevem o objeto em relação a sua procedência e origem, impossibilitando o levantamento de
informações que permitam contextualizar a peça a um determinado período. Também foram
encontradas outras cartas que também remetem a mais acordos, envolvendo os dois museus
envolvidos na transação anterior. No entanto, nestas cartas as peças de dada importância,
incluem objetos de arte sacra e mobílias variadas, tendo uma procedência confirmada.
Operações de permuta de peças envolvendo o Museu do Ouro de Sabará e o M.D:

“Observa-se inclusive uma prática de intercâmbio de objetos entre os museus criados


como se depreende de um ofício anexo ao inventário do Museu do Diamante: em 1950,
por exemplo foram remetidas ao Museu do Diamante uma cômoda de jacarandá em
estilo de transição Dom José I e Dona Maria I, além de uma mesa de encostar estilo
Dona Maria I procedentes do Museu do Ouro em Sabará. O Inventário também indica
que um leito de casal estilo Dona Maria I foi adquirido do museu do Ouro por meio de
permuta, e uma Sant’Ana foi remetida do Rio de Janeiro, da Diretoria Geral do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, porém não constam datas. Dentre os lugares
de origem estão a cidade do Serro e Diamantina como locais que remetem a origem dos
artefatos. (FASSY, 2016, p.64).
Outra negociação que foi feita por meio de correspondências, trata sobre a compra da coleção
que pertenceu a Antônio da Silva Coimbra. Este acervo que pertencia ao antiquário que estava
localizado na cidade de Diamantina foi bastante desejado pelo diretor do DPHAN (antigo
SPHAN). Segundo Coimbra, os artefatos deveriam permanecer na cidade, o que era de seu
agrado, e por isso, iniciaram as negociações para efetuar a venda de seus bens. No entanto, o
conteúdo dessas conversas não tratam especificamente de quais seriam as peças remetidas ao
futuro Museu. O acompanhamento dessa tratativa foi mediado por João Brandão (funcionário do
SPHAN e futuro diretor do Museu do Diamante) e as peças foram avaliadas por Assis Horta
(fotógrafo e funcionário do SPHAN). No documento fica claro que a partir da análise do lote que
estava sendo negociado, Coimbra inviabilizou a discriminação do preço individual de cada
artefato negociado. Dos objetos que estavam sendo acordados, estavam inclusos mobílias do
século XIX, juntamente com peças de arte sacra, armas de diferentes tipos, dentre outros
artefatos que compunham um vasto material de valor histórico. Abaixo os registros que foram
incluídos, representam algumas cartas que fazem menção a essa aquisição dos artefatos
mencionados acima. A negociação ocorreu entre março e agosto do ano de 1947.

Figuras 4, 5 e 6. Cartas trocadas entre o Diretor geral do SPHAN, com Antônio da Silva Coimbra, proprietário
Antiquário local “Cabana de pai Tomás” no ano de 1947, na primeira sede do museu antes de sua criação pela Lei
2.200 de 12 de abril de 1954. Fonte: Acervo Museu do Diamante/Ibram.

No dia 6 de Novembro de 1956 foi enviada ao Museu uma nota da Delegação do Tesouro
Nacional, que comprova a aquisição de 14 quilates e meio de diamantes de cor e formas
diferentes, o valor gasto para a compra desses diamantes foi de 49.300,00 cruzeiros.
Uma peça de valor que foi incorporada para o acervo do Museu, foi o pano de boca do Antigo
Teatro Santa Izabel, sendo considerada peça de grande relevância. Na carta enviada pelo então
diretor do Museu do Diamante, Geraldo E. Nascimento para José Gómez Sicre, Chefe da Sessão
de Artes Visuais da Secretaria Geral da União Pan-Americana, retratando detalhes da peça que
foi adquirida para a constituição do acervo. As informações do artefato compreendem uma
abordagem histórica sobre a procedência, origem e artista que confeccionou o pano de boca.
Em Novembro de 1962, a Santa Casa de Caridade de Diamantina realiza uma doação de peças ao
Museu. Sendo elas: um oratório de madeira, um quadro do Sagrado Coração, datado de 1866,
Tratou-se de um acordo realizado entre José Aristeu de Andrade, provedor da Santa Casa e o
Museu do Diamante. Outra nota de empenho analisada, retrata o fornecimento de 6 quilates de
Diamante, no dia 10 de Dezembro de 1967. Essa nota ratifica a aquisição desses diamantes para
o acervo do Museu. Outra aquisição de valor para o acervo do M.D. diz respeito aos bens
arrecadados de François Briffault, Cônsul francês que residia em Belo Horizonte. Dos bens
adquiridos, estão inclusos objetos referentes a peças de roupas.
A seguir, a análise irá se ater a um conjunto de escritos que vincula-se ao levantamento de
objetos que foram feitos em momentos anteriores à construção do Museu e que vão abordar as
variedades de objetos que foram adquiridos ou despertaram interesse por parte do SPHAN. Em
Janeiro de 1948, sem uma datação específica, a casa que vai dar lugar ao museu foi inventariada,
constando todos os objetos que nela estavam (sendo ela a primeira sede, que hoje se encontra a
Biblioteca Antônio Torres). Outro levantamento realizado pelo DPHAN, também vincula-se com
objetos que se encontravam na casa do Padre Rolim. Esse documento foi datado em 10 de
Setembro de 1952. Dos diversos objetos listados, muitos deles contém detalhes superficiais sobre
as peças, o que dificulta de forma concreta a identificação da peça que estava na casa
comparando-a com peças que atualmente compõem o acervo do M.D. Dentre as descrições,
várias lacunas são encontradas a respeito da origem e também do ano em que foi concebido cada
artefato.
Do material analisado também foi encontrado uma lista de objetos que estavam sendo apontados
como bens históricos de valor para fazerem parte do futuro acervo do Museu do Diamante. Das
peças citadas, muitas delas faziam parte de artefatos particulares de propriedade de famílias
tradicionais da cidade de Diamantina. Porém, dos bens desejados, não existe a efetivação dos
acordos que comprovem a realização de propostas concretas a essas famílias mencionadas na
lista.
Outro local de pesquisa que contém fontes primárias sobre o acervo do Museu do Diamante é a
Mitra Arquidiocesana de Diamantina. Dos diversos materiais pesquisados, muitos deles têm
semelhança com o que foi encontrado no acervo do Museu, ou seja, correspondências trocadas
que abordam objetos de interesse para a composição do acervo do M.D.. A correspondência mais
antiga que foi encontrada remete às questões do levantamento dos bens históricos da cidade. A
função de fotografar esses monumentos e objetos históricos foi direcionada ao alemão Erich
Hess. A vinda desse fotógrafo à Diamantina, em nome do SPHAN, no dia 16 de março de 1938
foi comunicada pelo diretor geral Rodrigo Melo Franco de Andrade por meio de uma mensagem
ao Arcebispo de Diamantina Dom Serafim Gomes, comunicando a chegada desse profissional à
cidade. Seu papel seria realizar o recolhimento de um material fotográfico dos bens listados pela
diretoria para serem feitos os registros em imagem pelo sr. Erich Hess. Nessa correspondência,
não existem detalhes à respeito do que seria retratado alegando apenas a necessidade de se
realizar esse trabalho.
Em meados de outubro e novembro do ano de 1944, foi encontrado um conjunto de cartas que
abordam o interesse do SPHAN em um oratório que se encontrava na cidade do Serro. Essa peça
foi descrita como objeto que não possuía nenhum detalhe artístico e representava Nossa Senhora
da Conceição que estava sob guarda da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, da cidade de
Serro.
No dia 24 de Outubro de 1946, Rodrigo Melo Franco de Andrade entra em contato com o
Arcebispo de Diamantina, Dom Serafim Gomes, para que as obras de Arte da Antiga Sé de
Diamantina sejam exibidas no futuro museu. Esse acervo de arte sacra requisitado não entra em
detalhes sobre as peças que fariam parte do conjunto de artefatos que seriam garimpados para o
Museu. Além disso, o Diretor do DPHAN, ressalta que esses objetos mencionados seriam
aqueles que não são expostos na Igreja, isto é, não são de acesso público.
Em relação ao levantamento de informações encontradas nos Jornais da localidade de
Diamantina, A Estrela Polar e Voz de Diamantina, são periódicos existentes do período de 1954
a 1964. Esse período escolhido para a análise, está associado à época em que ocorreu a
inauguração do Museu. Dentre os elementos contidos nos anúncios e reportagens averiguadas,
constata-se que a carência de detalhes a respeito do acervo dificulta o levantamento de
informações históricas. O intuito de se investigar esses documentos, vincula-se à ideia de que as
doações de peças de arte sacra das Igrejas locais ou bens particulares pertencentes a famílias
tradicionais fossem informados nos jornais de época.

Principais obstáculos e dificuldades encontradas:


Diante do levantamento dos documentos pesquisados, o conteúdo analisado carece de
informações no quesito de identificação exata das peças, devido a ausências de documentos mais
elaborados no quesito descritivo, o que dificulta expor de uma forma mais precisa como se deu o
processo de aquisição de determinadas peças. Dentro dessa análise, a incapacidade de determinar
de forma precisa como se deram os acordos, a fonte primária, não consta como a opção mais
eficiente para o resgate da memória histórica do acervo.

“De outra parte, o governo de Getúlio Vargas procurava dar uma unicidade ao país,
criando um sentido e um sentimento de “brasilidade” às diversas culturas de nosso
imenso território. Por trás deste projeto nacionalista havia o imperativo político de
fortalecer o poder central, transformando os poderes estaduais e locais em meros
coadjuvantes, o que podia ser percebido nas queimas das bandeiras dos Estados, em
piras públicas e o posterior hasteamento do pavilhão nacional. Este “Brasil Novo” tinha
de buscar uma História comum, inteligível e acessível, capaz de amalgamar a população
num “ideal comum”, prática comum aos regimes totalitários.”(OLIVEIRA, 2015,p.49)

Diante dessa passagem, fica claro que a finalidade última para a criação de museus no período
não possui a função de preservar uma história cultural, social, política e econômica à medida que
a população local se desenvolve. Sendo assim, procurar respostas mais completas e concretas em
relação à origem histórica desse acervo, necessita de um olhar que vai além da pesquisa em
fontes primárias.

Conclusão:

A partir das diversas fontes primárias pesquisadas, constatou-se que os diferentes documentos
analisados, em sua grande maioria, contém detalhes que abordam os aspectos descritivos de cada
peça do acervo. Esses atributos, não condizem com a origem certa do acervo, e essa ausência de
elementos relacionados ao histórico das peças se dá pelo propósito ideológico que à época
fundamentou a estruturação e constituição do Museu do Diamante. Com isso, as fontes primárias
servem de suporte para reafirmar o propósito de uma Instituição que foi concebida para atender
outras ideias e que traz pouco detalhe sobre a procedência e história de seu acervo, o que implica
na necessidade de continuação da pesquisa partindo para outras fontes de pesquisa que
complementem de forma mais ampla as informações sobre a relevância histórica das peças
adquiridas pelo Museu do Diamante ao longo do tempo.

Fontes Pesquisadas:

Arquivo Documental do Museu do Diamante/IBRAM.


Documentação Administrativa e Documentação Museológica

Acervo digitalizado do Museu de Tipografia Pão de Santo Antônio/UFMG


Acervo do Jornal, Voz de Diamantina dos anos de 1950-60.

Acervo documental da Mitra Arquidiocesana de Diamantina


Documentação administrativa

Referência Bibliográfica:

FASSY, Marcela Mazzili. MUSEU DO DIAMANTE, DIAMANTINA, MG: o projeto de


construção de uma identidade nacional por meio da criação de museus em Minas Gerais pelo
SPHAN nas décadas de 1940-1950. Dissertação de Mestrado. UFVJM, Diamantina, 2016.

OLIVEIRA, Lilian. Antiquário Coleções Particulares e religiosa na origem da Instituição do


Museu do Diamante, Diamantina, MG. Dissertação de Mestrado. UFVJM, Diamantina, 2016

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