Você está na página 1de 4

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalistaca

Durkheim e a análise do direito na


complexidade da sociedade capitalista Funcionalismo e direito: exemplo de “causa
eficiente” existente entre o crime e a punição 
a função desta está vinculada à resposta à
Texto-Base: : DURKHEIM, Émile. “A Solidariedade devida à divisão do
trabalho ou orgânica”. A Divisão do Trabalho Social (1893). Vol. I. 2ª
consciência coletiva, não ao delito em si, [RMS, p. 84]
Edição. Lisboa: Editorial Presença (p. 131-153).  “a reação social constituída pelo castigo é
devida à intensidade dos sentimentos coletivos
Leitura complementar: Capítulo II: “Solidariedade mecânica ou por que o crime ofende; mas por outro lado, ela tem
similitudes”, p. 87-130. por função útil manter tais sentimentos no
mesmo grau de intensidade, pois estes não
Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa tardariam a se excitar se as ofensas que sofre
INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA não fossem castigadas”.[RMS, p. 84]
FUNÇÃO DO FENÔMENO SOCIAL = Manutenção da causa da qual deriva

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

SOCIEDADES PRÉ-MODERNAS Norma penal reprime os atos que


 QUAL A ESSÊNCIA DO CRIME? parecem nocivos ao grupo social
Pena aplicada não necessariamente de
Ato é criminoso quando ofende a consciência acordo com seu impacto social
coletiva  a natureza do crime por si mesma não explica a pena

UNIDADE DA CAUSA/UNIDADE DO EFEITO “Em que é que o fato de tocar um objeto


 “crime ofende sentimentos que, para tabu, um animal ou um homem impuro
um mesmo tipo social, se encontram em ou consagrado, (...) de não celebrar
todas as consciências sãs” [p. 91] certas festas, etc., pôde alguma vez
constituir um perigo social?” [p. 89]

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

Ideia do crime com atos universalmente SOCIEDADES MENOS COMPLEXAS


reprovados pelos membros de cada Pena consiste numa reação passional
sociedade
(por isso pode ultrapassar o criminoso
Norma é conhecida de toda a gente em si, atingindo sua família, seu clã, seus
Está inscrita nas consciências companheiros)
Sentimento é imanente a todas as Acrescenta-se a isso o agravamento da
consciências  daí, a justiça repressiva pena pela vergonha (suplício
ter funcionamento difuso (não se exerce
por intermédio do magistrado, mas de suplementar movido pelo impulso
toda a sociedade)... [pp. 94-95] passional)[p. 104; 108] [não tem função alguma
na aplicabilidade da pena a não ser a difamação]
Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

DUPLO SENTIDO DA PENA MODERNIDADE: indivíduos estão unidos


 Destruição do que nos faz mal, mas não por conta de crenças comuns, mas
também instinto de conservação pela individualidade de seus ofícios, de
DURKHEIM: “Não nos vingamos senão do seu trabalho
que nos fez mal, e o que nos fez mal é SOLIDARIEDADE se dá pela
sempre um perigo. Em suma, o instinto complementaridade das funções
de vingança não é senão o instinto de * Ao contrário das sociedades pré-
conservação exasperado em face ao modernas, a presença de um elemento
perigo” [p. 106] estranho não desagrega, mas fortalece a
sociedade

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

Há fatores que desorganizam a sociedade Solidariedade orgânica: diferença se


de forma mais contundente e não impõe
incorrem em repressão (crise econômica,
Cada órgão tem sua fisionomia especial
falências, etc.)
 Pena é desproporcional ao mal ESFERAS ESPECÍFICAS: Dependência cresce
causado quanto mais dividido estiver o trabalho
Cabe ao sociólogo indagar: por que tal Direito restitutivo  analogia com sistema
sociedade julga assim? [pp. 90-91] nervoso = tarefa é regular harmonicamente
as funções do corpo (p. 150)

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

Especialização característica da divisão Os círculos aos quais se aplica são


do trabalho exige sanções especializadas reduzidos, por isso a normatividade não
está presente nas consciências
Natureza especial das tarefas escapam à
consciência coletiva Direito expressa técnica, não um estado
Modernização reduz a consciência que as emocional
pessoas têm das matérias: “(...) enquanto as “A violação destas normas não atinge assim
funções têm uma certa generalidade, toda nas suas partes vivas nem a alma comum da
gente pode ter delas alguma sensibilidade” sociedade, (...) e por conseqüência não
[p. 148] pode determinar senão uma reação muito
moderada” [p. 149]
Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

Mesmo nos casos de homicídio o Direito Formas predominantes do Direito na


moderno se utiliza da técnica e não da modernidade tem conotação negativa para a
emoção para caracterizá-lo questão da solidariedade (p. 136)
 DIREITO REAL= Solidariedade com as coisas
Homicído pode ser DOLOSO ou CULPOSO Não contribui para a unidade do corpo social
* Na esfera do primeiro pode ainda haver as Coisas gravitam em torno das vontades
distinções “técnicas” entre privilegiado e mediante condicionamento universal imposto pela lei
qualificado (cabendo, neste caso, ainda a  Direito de propriedade é o principal exemplo
discriminação dos níveis de qualificação do
Relação jurídica por meio da qual o titular pode tirar
crime: se dupla ou triplamente, etc.) da coisa as utilidades que ela é capaz de produzir

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

DIREITO PESSOAL= vincula um indivíduo a Normas relativas aos direitos reais e


outro e não ao objeto em si (relação contratual) pessoais assinalam os limites, separam as
Da mesma forma, solidariedade expressa pessoas
por tais relações não caracteriza nenhuma
relação de cooperação (obrigação) Definição dos espaços é essencial para
Apenas reparam ou previnem danos, que se produza coesão
restabelecem limites: “bem longe de unir, elas “a primeira condição para que um todo seja
não têm lugar senão para melhor separar o coerente é que as partes que o compõem
que está unido pela força das coisas” [p. 139] não se choquem em movimentos
 NORMATIVIDADE: “Não consiste em servir, discordantes” [p. 140]
mas em não prejudicar” (p. 140)

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

Direito dos indivíduos só pode ser obtido Reconhecimento do Direito como


por concessão mútua  limite aos expressão do amor, da solidariedade
próprios direitos entre os homens
 “(...) essa limitação mútua não pôde ser Solidariedade negativa como emanação
feita senão num espírito de entendimento e de outra positiva
concórdia. Ora, se se suposer uma DURKHEIM: “é a repercussão na esfera dos
infinidade de indivíduos sem ligações direitos reais de sentimentos sociais que
prévias entre si, que razão teria podido provêm de outra fonte” [p. 142]
levá-los a estes sacrifícios recíprocos?” [p.
141]
Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

SANÇÃO RESTITUTIVA = Reposição da Direito restitutivo concebe o


ordem questionamento, a possibilidade de
modificação
Não há imposição de sofrimento
proporcional ao dano  não há desonra Por não estar impresso nas consciências é
passível de discussão
“Ele [o juiz] dita o direito, não dita penas.
As perdas e os danos não têm caráter “A idéia de que o assassínio possa ser
penal; é apenas um meio de voltar ao tolerado indigna-nos, mas aceitamos muito
passado para restituir tanto quanto bem que o direito sucessório seja modificado
possível à sua forma normal” [p. 131] e muitos concebem mesmo que possa ser
suprimido” [p. 132]

Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista Durkheim e a análise do direito na sociedade capitalista

As normas de sanção restitutiva não Todavia, mantém-se a concepção do


atingem a todos, mas partes restritas DIREITO como COISA SOCIAL e não mera
especiais defesa de interesses individuais
Partes da sociedade que se ligam entre si Ainda que o contrato se dê entre
particulares, responde a injunções sociais
“Estas relações são assim bem diferentes
estabelecidas
daquelas que o direito repressivo regula, pois
estas ligam diretamente, e sem DIREITO é força da SOCIEDADE que intervém
intermediários, a consciência particular à para fazer com que os compromissos se
consciência coletiva, quer dizer, o indivíduo à cumpram [p. 134]
sociedade”[p. 135]

Você também pode gostar