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Aula VIII

Aula VIII
A História e o Negro

História e Humanidades com Débora Aladim 1


Aula VIII

1- (ENEM 2010) 2- (ENEM 2010)

Negro, filho de escrava e fidalgo português, o O artigo 402 do Código penal Brasileiro de 1890
baiano Luiz Gama fez da lei e das letras suas dizia: Fazer nas ruas e praças públicas exercícios
armas na luta pela liberdade. Foi vendido de agilidade e destreza corporal, conhecidos
ilegalmente como escravo pelo seu pai para pela denominação de capoeiragem: andar em
cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e escrever, correrias, com armas ou instrumentos capazes de
aos 18 anos de idade conseguiu provas de que produzir uma lesão corporal, provocando tumulto
havia nascido livre. Autodidata, advogado sem ou desordens.
diploma, fez do direito o seu ofício e
transformou-se, em pouco tempo, em Pena: Prisão de dois a seis meses.
proeminente advogado da causa abolicionista.
SOARES, C. E. L. A Negregada instituição: os capoeiras no Rio de
Janeiro: 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura,
AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de História.Ano 1,
1994 (adaptado).
n.o 3. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).

O artigo do primeiro Código Penal Republicano


A conquista da liberdade pelos afro-brasileiros na
naturaliza medidas socialmente excludentes.
segunda metade do séc. XIX foi resultado de
Nesse contexto, tal regulamento expressava
importantes lutas sociais condicionadas
historicamente. A biografia de Luiz Gama
a) a manutenção de parte da legislação do
exemplifica a
Império com vistas ao controle da criminalidade
urbana.
a) impossibilidade de ascensão social do negro
forro em uma sociedade escravocrata, mesmo
b) a defesa do retorno do cativeiro e escravidão
sendo alfabetizado.
pelos primeiros gover nos do período
republicano.
b) extrema dificuldade de projeção dos
intelectuais negros nesse contexto e a utilização
c) o caráter disciplinador de uma sociedade
do Direito como canal de luta pela liberdade.
industrializada, desejosa de um equilíbrio entre
progresso e civilização.
c) rigidez de uma sociedade, assentada na
escravidão, que inviabilizava os mecanismos de
d) a criminalização de práticas culturais e a
ascensão social.
persistência de valores que vinculavam certos
grupos ao passado de escravidão.
d) possibilidade de ascensão social, viabilizada
pelo apoio das elites dominantes, a um mestiço
e) o poder do regime escravista, que mantinha os
filho de pai português.
n e g ro s c o m o c a t e g o r i a s o c i a l i n f e r i o r,
discriminada e segregada.
e) troca de favores entre um representante negro
e a elite agrária escravista que outorgara o direito
advocatício ao mesmo.

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3- (ENEM 2010 PPL)

A imagem retrata uma cena da vida cotidiana dos escravos urbanos no início do século XIX.

Lembrando que as atividades desempenhadas por esses trabalhadores eram diversas, os escravos de
aluguel representados na pintura

a) vendiam a produção da lavoura cafeeira para os moradores das cidades.

b) trabalhavam nas casas de seus senhores e acompanhavam as donzelas na rua.

c) realizavam trabalhos temporários em troca de pagamento para os seus senhores.

d) eram autônomos, sendo contratados por outros senhores para realizarem atividades comerciais.

e) aguardavam a sua própria venda após desembarcarem no porto.

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4- (ENEM 2010 PPL)

Ó sublime pergaminho

Libertação geral

A princesa chorou ao receber

A rosa de ouro papal

Uma chuva de flores cobriu o salão

E o negro jornalista

De joelhos beijou a sua mão

Uma voz na varanda do paço ecoou:

"Meu Deus, meu Deus

Está extinta a escravidão"

MELODIA, Z.; RUSSO, N.; MADRUGADA, C. Sublime Pergaminho. 



Disponível em http:// www. letras.terra.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.

O samba–enredo de 1968 reflete e reforça uma concepção acerca do fim da escravidão ainda viva em
nossa memória, mas que não encontra respaldo nos estudos históricos mais recentes. Nessa concepção
ultrapassada, a abolição é apresentada como

a) conquista dos trabalhadores urbanos livres, que demandavam a redução da jornada de trabalho.

b) concessão do governo, que ofereceu benefícios aos negros, sem consideração pelas lutas de
escravos e abolicionistas.

c) ruptura na estrutura socioeconômica do país, sendo responsável pela otimização da inclusão social
dos libertos.

d) fruto de um pacto social, uma vez que agradaria os agentes históricos envolvidos na questão:
fazendeiros, governo e escravos.

e) forma de inclusão social, uma vez que a abolição possibilitaria a concretização de direitos civis e
sociais para os negros.


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5- (ENEM 2011) 6- (ENEM 2012)

Torna-se claro que quem descobriu a África no


Brasil, muito antes dos europeus, foram os
próprios africanos trazidos como escravos. E esta
descoberta não se restringia apenas ao reino
linguístico, estendia-se também a outras áreas
culturais, inclusive à da religião. Há razões para
pensar que os africanos, quando misturados e
transportados ao Brasil, não demoraram em
perceber a existência entre si de elos culturais
mais profundos.

SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do


Brasil. Revista USP, n. 12, dez./jan./fev. 1991-92 (adaptado).

Com base no texto, ao favorecer o contato de


indivíduos de diferentes partes da África, a
experiência da escravidão no Brasil tornou
possível a
Foto de Militão, São Paulo, 1879. ALENCASTRO, L. F. (org). História
da vida privada no Brasil. Império: a corte e a modernidade nacional.
a) formação de uma identidade cultural afro-
São Paulo: Cia. das Letras, 1997.
brasileira.
Que aspecto histórico da escravidão no Brasil do
séc. XIX pode ser identificado a partir da análise b) superação de aspectos culturais africanos por
do vestuário do casal retratado acima? antigas tradições europeias.

a) O uso de trajes simples indica a rápida c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos
incorporação dos ex-escravos ao mundo do africanos.
trabalho urbano.
d) manutenção das características culturais
b) A presença de acessórios como chapéu e específicas de cada etnia.
sombrinha aponta para a manutenção de
e) resistência à incorporação de elementos
elementos culturais de origem africana.
culturais indígenas.
c) O uso de sapatos é um importante elemento
de diferenciação social entre negros libertos ou
em melhores condições na ordem escravocrata.

d) A utilização do paletó e do vestido demonstra


a tentativa de assimilação de um estilo europeu
como forma de distinção em relação aos
brasileiros.

e) A adoção de roupas próprias para o trabalho


doméstico tinha como finalidade demarcar as
fronteiras da exclusão social naquele contexto.

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7- (ENEM 2012) 8- (ENEM 2012)

Nós nos recusamos a acreditar que o banco da Em um engenho sois imitadores de Cristo
justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar crucificado porque padeceis em um modo muito
que há capitais insuficientes de oportunidade semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na
nesta nação. Assim nós viemos trocar este sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi
cheque, um cheque que nos dará o direito de composta de dois madeiros, e a vossa em um
reclamar as riquezas de liberdade e a segurança engenho é de três. Também ali não faltaram as
da justiça. canas, porque duas vezes entraram na Paixão:
uma vez servindo para o cetro de escárnio, e
KING Jr., M. L. Eu tenho um sonho, 28 ago. 1963. Disponível em:
outra vez para a esponja em que lhe deram o fel.
www.palmares.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011 (adaptado).
A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir,
O cenário vivenciado pela população negra, no parte foi de dia sem descansar, e tais são as
sul dos Estados Unidos nos anos 1950, conduziu vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e
à mobilização social. Nessa época, surgiram vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos;
reivindicações que tinham como expoente Martin Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em
Luther King e objetivavam tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas,
os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a
a) a conquista de direitos civis para a população vossa imitação, que, se for acompanhada de
negra. paciência, também terá merecimento de martírio.

b) o apoio aos atos violentos patrocinados pelos VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951 (adaptado).

negros em espaço urbano.


O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira
c) a supremacia das instituições religiosas em estabelece uma relação entre a Paixão de Cristo
meio à comunidade negra sulista. e

d) a incorporação dos negros no mercado de a) a atividade dos comerciantes de açúcar nos


trabalho. portos brasileiros.

e) a aceitação da cultura negra como b) a função dos mestres de açúcar durante a safra
representante do modo de vida americano. de cana.

c) o sofrimento dos jesuítas na conversão dos


ameríndios.

d) o papel dos senhores na administração dos


engenhos.

e) o trabalho dos escravos na produção de


açúcar.

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7- (ENEM 2012) 8- (ENEM 2012)

Nós nos recusamos a acreditar que o banco da Em um engenho sois imitadores de Cristo
justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar crucificado porque padeceis em um modo muito
que há capitais insuficientes de oportunidade semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na
nesta nação. Assim nós viemos trocar este sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi
cheque, um cheque que nos dará o direito de composta de dois madeiros, e a vossa em um
reclamar as riquezas de liberdade e a segurança engenho é de três. Também ali não faltaram as
da justiça. canas, porque duas vezes entraram na Paixão:
uma vez servindo para o cetro de escárnio, e
KING Jr., M. L. Eu tenho um sonho, 28 ago. 1963. Disponível em:
outra vez para a esponja em que lhe deram o fel.
www.palmares.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011 (adaptado).
A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir,
O cenário vivenciado pela população negra, no parte foi de dia sem descansar, e tais são as
sul dos Estados Unidos nos anos 1950, conduziu vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e
à mobilização social. Nessa época, surgiram vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos;
reivindicações que tinham como expoente Martin Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em
Luther King e objetivavam tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas,
os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a
a) a conquista de direitos civis para a população vossa imitação, que, se for acompanhada de
negra. paciência, também terá merecimento de martírio.

b) o apoio aos atos violentos patrocinados pelos VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951 (adaptado).

negros em espaço urbano.


O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira
c) a supremacia das instituições religiosas em estabelece uma relação entre a Paixão de Cristo
meio à comunidade negra sulista. e

d) a incorporação dos negros no mercado de a) a atividade dos comerciantes de açúcar nos


trabalho. portos brasileiros.

e) a aceitação da cultura negra como b) a função dos mestres de açúcar durante a safra
representante do modo de vida americano. de cana.

c) o sofrimento dos jesuítas na conversão dos


ameríndios.

d) o papel dos senhores na administração dos


engenhos.

e) o trabalho dos escravos na produção de


açúcar.

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11- (ENEM 2013) 12- (ENEM 2013)

A África também já serviu como ponto de partida Tendo encarado a besta do passado olho no
para comédias bem vulgares, mas de muito olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo
sucesso, como Um príncipe em Nova York e Ace feito correções, viremos agora a página – não
Ventura: um maluco na África; em ambas, a África para esquecê-lo, mas para não deixá-lo
parece um lugar cheio de tribos doidas e rituais aprisionar-nos para sempre. Avancemos em
de desenho animado. A animação O rei Leão, da direção a um futuro glorioso de uma nova
Disney, o mais bem-sucedido filme americano sociedade sul-africana, em que as pessoas
ambientado na África, não chegava a contar com valham não em razão de irrelevâncias biológicas
elenco de seres humanos. ou de outros estranhos atributos, mas porque são
pessoas de valor infinito criadas à imagem de
LEIBOWITZ, E. Filmes de Hollywood sobre África ficam no clichê.
Deus.
Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em 17 abr, 2010.

Desmond Tutu, no encerramento da Comissão da Verdade na África


A produção cinematográfica referida no texto do Sul. Disponível em: http://td.camara.leg.br. Acesso em 17 dez.
contribui para a constituição de uma memória 2012 (adaptado).

sobre a África e seus habitantes. Essa memória


enfatiza e negligencia, respectivamente, os No texto, relaciona-se a consolidação da
seguintes aspectos do continente africano: democracia na África do Sul à superação de um
legado
a) A história e a natureza.
a) populista, que favorecia a cooptação de
b) O exotismo e as culturas. dissidentes políticos.

c) A sociedade e a economia. b) totalitarista, que bloqueava o diálogo com os


movimentos sociais.
d) O comércio e o ambiente.
c) segregacionista, que impedia a universalização
e) A diversidade e a política. da cidadania.

d) estagnacionista, que disseminava a


pauperização social.

e) fundamentalista, que engendrava conflitos


religiosos.

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13- (ENEM 2013) 14- (ENEM 2013)

A recuperação da herança cultural africana deve A escravidão não há de ser suprimida no Brasil
levar em conta o que é próprio do processo por uma guerra servil, muito menos por
cultural: seu movimento, pluralidade e insurreições ou atentados locais. Não deve sê-lo,
complexidade. Não se trata, portanto, do resgate tampouco, por uma guerra civil, como o foi nos
ingênuo do passado nem do seu cultivo Estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez,
nostálgico, mas de procurar perceber o próprio depois de uma revolução, como aconteceu na
rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar França, sendo essa revolução obra exclusiva da
seu movimento para melhor compreendê-lo população livre. É no Parlamento e não em
historicamente. fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas
e praças das cidades, que se há de ganhar, ou
MINAS GERAIS: Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas
perder, a causa da liberdade.
Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.

NABUCO, J. O abolicionismo (1883). Rio de Janeiro: Nova Fronteira;



Com base no texto, a análise de manifestações São Paulo: Publifolha, 2000 (adaptado).
culturais de origem africana, como a capoeira ou
o candomblé, deve considerar que elas No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto
político sobre como deveria ocorrer o fim da
a) permanecem como reprodução dos valores e escravidão no Brasil, no qual
costumes africanos.
a) copiava o modelo haitiano de emancipação
b) perderam a relação com o seu passado negra.
histórico.
b) incentivava a conquista de alforrias por meio
c) derivam da interação entre valores africanos e de ações judiciais.
a experiência histórica brasileira.
c) optava pela via legalista de libertação.
d) contribuem para o distanciamento cultural
entre negros e brancos no Brasil atual. d) priorizava a negociação em torno das
indenizações aos senhores.
e) demonstram a maior complexidade cultural
dos africanos em relação aos europeus. e) antecipava a libertação paternalista dos
cativos

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15- (ENEM 2013 PPL) 16- (ENEM 2013 PPL)

Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem A cessação do tráfico lançou sobre a escravidão
diferente. A classe média europeia não está uma sentença definitiva. Mais cedo ou mais tarde
acostumada com a moleza. Toda pessoa normal estaria extinta, tanto mais quanto os índices de
que se preze esfria a barriga no tanque e a natalidade entre os escravos eram extremamente
esquenta no fogão, caminha até a padaria para baixos e os de mortalidade, elevados. Era
comprar o seu próprio pão e enche o tanque de necessário melhorar as condições de vida da
gasolina com as próprias mãos. escravaria existente e, ao mesmo tempo, pensar
numa outra solução para o problema da mão de
SETTI, A. Disponível em: http://colunas.revistaepoca.globo.com.
obra.
Acesso em: 21 maio 2013 (fragmento).

COSTA, E. V. Da Monarquia à República: momentos decisivos. São


A diferença entre os costumes assinalados no Paulo: Unesp, 2010.
texto e os da classe média brasileira é
consequência da ocorrência no Brasil de Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós determinou a
extinção do tráfico transatlântico de cativos e
a) automação do trabalho nas fábricas, colocou em evidência o problema da falta de
relacionada à expansão tecnológica. mão de obra para a lavoura. Para os cafeicultores
paulistas, a medida que representou uma solução
b) ampliação da oferta de empregos, vinculada à efetiva desse problema foi o (a)
concessão de direitos sociais.
a) valorização dos trabalhadores nacionais livres.
c) abertura do mercado nacional, associada à
modernização conservadora. b) busca por novas fontes fornecedoras de
cativos.
d) oferta de mão de obra barata, conjugada à
herança patriarcal. c) desenvolvimento de uma economia urbano-
industrial.
e) consolidação da estabilidade econômica,
ligada à industrialização acelerada. d) incentivo à imigração europeia.

e) escravização das populações indígenas.

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17- (ENEM 2014) 18- (ENEM 2014)

Estatuto da Frente Negra Brasileira (FNB)

Art. 1.o – Fica fundada nesta cidade de São


Paulo, para se irradiar por todo o Brasil, a Frente
Negra Brasileira, união política e social da Gente
Negra Nacional, para a afirmação dos direitos
históricos da mesma, em virtude da sua atividade
material e moral no passado e para reivindicação
de seus direitos sociais e políticos, atuais, na
Comunhão Brasileira.

Diário Oficial do Estado de São Paulo. 4 novo 1931.

Quando foi fechada pela ditadura do Estado


Novo, em 1937, a FNB caracterizava-se como De volta do Paraguai
uma organização
Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter
a) política, engajada na luta por direitos sociais derramado seu sangue em defesa da pátria e
para a população negra no Brasil. libertado um povo da escravidão, o voluntário
volta ao seu país natal para ver sua mãe
b) beneficente, dedicada ao auxílio dos negros amarrada a um tronco horrível de realidade!…
pobres brasileiros depois da abolição.
AGOSTINI. A vida fluminense, ano 3, n. 128, 11 jun. 1870. In:
c) paramilitar, voltada para o alistamento de LEMOS, R. (Org.). Uma história do Brasil através da caricatura
(1840-2001). Rio de Janeiro: Letras & Expressões, 2001 (adaptado).
negros na luta contra as oligarquias regionais.
Na charge, identifica-se uma contradição no
d) democrático-liberal, envolvida na Revolução
retorno de parte dos “Voluntários da Pátria” que
Constitucionalista conduzida a partir de São
lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870),
Paulo.
evidenciada na
e) internacionalista, ligada à exaltação da
a) negação da cidadania aos familiares cativos.
identidade das populações africanas em situação
de diáspora.
b) concessão de alforrias aos militares escravos.

c) perseguição dos escravistas aos soldados


negros.

d) punição dos feitores aos recrutados


compulsoriamente.

e) suspensão das indenizações aos proprietários


prejudicados.

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19- (ENEM 2014 PPL) 20- (ENEM 2014 PPL)

Quem acompanhasse os debates na Câmara dos Em dezembro de 1945, começou uma greve de
Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de dois meses no principal porto da África Ocidental
uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro: Francesa, Dacar. As autoridades só conseguiram
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela levar os grevistas de volta ao trabalho com
escravidão, mas não há um só brasileiro que não grandes aumentos de salário e, o que é ainda
se oponha aos perigos da desorganização do mais importante, pondo em prática todo o
atual sistema de trabalho". Livres os negros, as aparato de relações industriais usado na França
cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", — em resumo, agindo como se os grevistas
"gente refratária ao trabalho e ávida de fossem modernos operários industriais.
ociosidade". A produção seria destruída e a
COOPER, F.; HOLT, T.; SCOTT, R. Além da escravidão. Rio de Janeiro:
segurança das famílias estaria ameaçada. Veio a
Civilização Brasileira, 2005 (adaptado).
Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o
Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?). Durante o neocolonialismo, o trabalho forçado −
Passados dez anos do início do debate em torno que não se confunde com a escravidão — foi
das ações afirmativas e do recurso às cotas para uma constante em diversas regiões do continente
facilitar o acesso dos negros às universidades africano até o século XX. De acordo com o texto,
públicas brasileiras, felizmente é possível conferir sua superação deriva da
a consistência dos argumentos apresentados
contra essa iniciativa. De saída, veio a a) crítica moral da intelectualidade metropolitana.
advertência de que as cotas exacerbariam a
questão racial. Essa ameaça vai completar 18 b) pressão articulada dos organismos
anos e não se registraram casos significativos de multilaterais.
exacerbação.
c) resistência organizada dos trabalhadores
GASPARI, E. As cotas e a urucubaca. Folha de S. Paulo, 3 jun. 2009. nativos.

O argumento elaborado pelo autor sugere que d ) c o n c e s s ã o p e s s o a l d o s e m p re s á r i o s


as censuras às cotas raciais são imperialistas.

a) politicamente ignoradas. e) baixa lucratividade dos empreendimentos


capitalistas.
b) socialmente justificadas.

c) culturalmente qualificadas.

d) historicamente equivocadas.

e) economicamente fundamentadas.

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21- (ENEM 2015) 22- (ENEM 2014 PPL)

Os escravos, obviamente, dispunham de poucos Passada a festa da abolição, os ex-escravos


recursos políticos, mas não desconheciam o que procuraram distanciar-se do passado de
s e p a s s a v a n o m u n d o d o s p o d e ro s o s . escravidão, negando-se a se comportar como
Aproveitaram-se das divisões entre estes, antigos cativos. Em diversos engenhos do
selecionaram temas que lhes interessavam do Nordeste, negaram-se a receber a ração diária e
ideário liberal e anticolonial, traduziram e a trabalhar sem remuneração. Quando decidiram
emprestaram significados próprios às reformas ficar, isso não significou que concordassem em se
operadas no escravismo brasileiro ao longo do submeter às mesmas condições de trabalho do
século XIX. regime anterior.

REIS, J. J. Nos achamos em campo a tratar da liberdade: a resistência FRAGA, W.; ALBUQUERQUE, W. R. Uma história da cultura afro-
negra no Brasil oitocentista. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem brasileira. São Paulo: Moderna, 2009 (adaptado).
incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac,
1999
Segundo o texto, os primeiros anos após a
abolição da escravidão no Brasil tiveram como
Ao longo do século XIX, os negros escravizados
característica o(a)
construíram variadas formas para resistir à
escravidão no Brasil. A estratégia de luta citada
a) caráter organizativo do movimento negro.
no texto baseava-se no aproveitamento das
b) equiparação racial no mercado de trabalho.
a) estruturas urbanas como ambiente para
escapar do cativeiro. c) busca pelo reconhecimento do exercício da
cidadania.
b) dimensões territoriais como elemento para
facilitar as fugas. d) estabelecimento do salário mínimo por projeto
legislativo.
c) limitações políticas como pressão para o fim
do escravismo. e) entusiasmo com a extinção das péssimas
condições de trabalho.
d) contradições políticas como brecha para a
conquista da liberdade.

e) ideologias originárias como artifício para


resgatar as raízes africanas.

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19- (ENEM 2014 PPL) 20- (ENEM 2014 PPL)

Quem acompanhasse os debates na Câmara dos Em dezembro de 1945, começou uma greve de
Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de dois meses no principal porto da África Ocidental
uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro: Francesa, Dacar. As autoridades só conseguiram
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela levar os grevistas de volta ao trabalho com
escravidão, mas não há um só brasileiro que não grandes aumentos de salário e, o que é ainda
se oponha aos perigos da desorganização do mais importante, pondo em prática todo o
atual sistema de trabalho". Livres os negros, as aparato de relações industriais usado na França
cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", — em resumo, agindo como se os grevistas
"gente refratária ao trabalho e ávida de fossem modernos operários industriais.
ociosidade". A produção seria destruída e a
COOPER, F.; HOLT, T.; SCOTT, R. Além da escravidão. Rio de Janeiro:
segurança das famílias estaria ameaçada. Veio a
Civilização Brasileira, 2005 (adaptado).
Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o
Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?). Durante o neocolonialismo, o trabalho forçado −
Passados dez anos do início do debate em torno que não se confunde com a escravidão — foi
das ações afirmativas e do recurso às cotas para uma constante em diversas regiões do continente
facilitar o acesso dos negros às universidades africano até o século XX. De acordo com o texto,
públicas brasileiras, felizmente é possível conferir sua superação deriva da
a consistência dos argumentos apresentados
contra essa iniciativa. De saída, veio a a) crítica moral da intelectualidade metropolitana.
advertência de que as cotas exacerbariam a
questão racial. Essa ameaça vai completar 18 b) pressão articulada dos organismos
anos e não se registraram casos significativos de multilaterais.
exacerbação.
c) resistência organizada dos trabalhadores
GASPARI, E. As cotas e a urucubaca. Folha de S. Paulo, 3 jun. 2009. nativos.

O argumento elaborado pelo autor sugere que d ) c o n c e s s ã o p e s s o a l d o s e m p re s á r i o s


as censuras às cotas raciais são imperialistas.

a) politicamente ignoradas. e) baixa lucratividade dos empreendimentos


capitalistas.
b) socialmente justificadas.

c) culturalmente qualificadas.

d) historicamente equivocadas.

e) economicamente fundamentadas.

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Nesse poema, o líder angolano Agostinho Neto, 25- (ENEM 2015)


na década de 1940, evoca o pan-africanismo com
o objetivo de TEXTO I

a) incitar a luta por políticas de ações afirmativas Em todo o país a lei de 13 de maio de 1888
na América e na África. libertou poucos negros em relação à população
de cor. A maioria já havia conquistado a alforria
b) reconhecer as desigualdades sociais entre os antes de 1888, por meio de estratégias possíveis.
negros de Angola e dos Estados Unidos. No entanto, a importância histórica da lei de
1888 não pode ser mensurada apenas em termos
c) descrever o quadro de pobreza após os numéricos. O impacto que a extinção da
processos de independência no continente escravidão causou numa sociedade constituída a
africano. partir da legitimidade da propriedade sobre a
pessoa não cabe em cifras.
d) solicitar o engajamento dos negros
estadunidenses na luta armada pela ALBUQUERQUE. W. O jogo da dissimulação: Abolição e cidadania
negra no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).
independência em Angola.
TEXTO II
e) conclamar as populações negras de diferentes
países a apoiar as lutas por igualdade e
Nos anos imediatamente anteriores à Abolição, a
independência.
população livre do Rio de Janeiro se tornou mais
numerosa e diversificada. Os escravos, bem
menos numerosos que antes, e com os africanos
mais aculturados, certamente não se distinguiam
muito facilmente dos libertos e dos pretos e
pardos livres habitantes da cidade. Também já
não é razoável presumir que uma pessoa de cor
seja provavelmente cativa, pois os negros libertos
e livres poderiam ser encontrados em toda parte.

CHALHOUB, S. Visões da liberdade: uma história das últimas


décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Cia. das Letras, 1990
(adaptado).

Sobre o fim da escravidão no Brasil, o elemento


destacado no Texto I que complementa os
argumentos apresentados no Texto II é o(a)

a) variedade das estratégias de resistência dos


cativos.

b) controle jurídico exercido pelos proprietários.

c) inovação social representada pela lei.

d) ineficácia prática da libertação.

e) significado político da Abolição.

História e Humanidades com Débora Aladim 15


Aula VIII

21- (ENEM 2015) 22- (ENEM 2014 PPL)

Os escravos, obviamente, dispunham de poucos Passada a festa da abolição, os ex-escravos


recursos políticos, mas não desconheciam o que procuraram distanciar-se do passado de
s e p a s s a v a n o m u n d o d o s p o d e ro s o s . escravidão, negando-se a se comportar como
Aproveitaram-se das divisões entre estes, antigos cativos. Em diversos engenhos do
selecionaram temas que lhes interessavam do Nordeste, negaram-se a receber a ração diária e
ideário liberal e anticolonial, traduziram e a trabalhar sem remuneração. Quando decidiram
emprestaram significados próprios às reformas ficar, isso não significou que concordassem em se
operadas no escravismo brasileiro ao longo do submeter às mesmas condições de trabalho do
século XIX. regime anterior.

REIS, J. J. Nos achamos em campo a tratar da liberdade: a resistência FRAGA, W.; ALBUQUERQUE, W. R. Uma história da cultura afro-
negra no Brasil oitocentista. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem brasileira. São Paulo: Moderna, 2009 (adaptado).
incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac,
1999
Segundo o texto, os primeiros anos após a
abolição da escravidão no Brasil tiveram como
Ao longo do século XIX, os negros escravizados
característica o(a)
construíram variadas formas para resistir à
escravidão no Brasil. A estratégia de luta citada
a) caráter organizativo do movimento negro.
no texto baseava-se no aproveitamento das
b) equiparação racial no mercado de trabalho.
a) estruturas urbanas como ambiente para
escapar do cativeiro. c) busca pelo reconhecimento do exercício da
cidadania.
b) dimensões territoriais como elemento para
facilitar as fugas. d) estabelecimento do salário mínimo por projeto
legislativo.
c) limitações políticas como pressão para o fim
do escravismo. e) entusiasmo com a extinção das péssimas
condições de trabalho.
d) contradições políticas como brecha para a
conquista da liberdade.

e) ideologias originárias como artifício para


resgatar as raízes africanas.

História e Humanidades com Débora Aladim 13


Aula VIII

23- (ENEM 2014 PPL) 24- (ENEM 2015)

Em busca de matérias-primas e de mercados por Voz do sangue



causa da acelerada industrialização, os europeus Palpitam-me

retalharam entre si a África. Mais do que os sons do batuque

alegações econômicas, havia justificativas e os ritmos melancólicos do blues.
políticas, científicas, ideológicas e até
filantrópicas. O rei belga Leopoldo II defendia o Ó negro esfarrapado

trabalho missionário e a civilização dos nativos do do Harlem

Congo, argumento desmascarado pelas ó dançarino de Chicago

atrocidades praticadas contra a população. ó negro servidor do South

NASCIMENTO, C. Partilha da África: o assombro do continente Ó negro da África



mutilado. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 7, n. 75,
negros de todo o mundo
dez. 2011 (adaptado).

A atuação dos países europeus contribuiu para Eu junto



ao vosso magnífico canto

que a África — entre 1880 e 1914 — se
a minha pobre voz

transformasse em uma espécie de grande
os meus humildes ritmos.
“colcha de retalhos”. Esse processo foi motivado
pelo(a)
Eu vos acompanho

pelas emaranhadas Áfricas

a) busca de acesso à infraestrutura energética
do nosso Rumo.
dos países africanos.

Eu vos sinto

b) tentativa de regulação da atividade comercial
negros de todo o mundo

com os países africanos.
eu vivo a nossa história

c) resgate humanitário das populações africanas meus irmãos.
em situação de extrema pobreza.
Disponível em: www.agostinhoneto.org. Acesso em: 30 jun. 2015.

d) domínio sobre os recursos considerados


estratégicos para o fortalecimento das nações
europeias.

e) necessidade de expandir as fronteiras culturais


da Europa pelo contato com outras civilizações.

História e Humanidades com Débora Aladim 14


Aula VIII

30- (ENEM 2016) 31- (ENEM 2016)

A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das TEXTO I


suas mulheres comerciantes, caracterizadas pela
perícia, autonomia e mobilidade. A sua presença,
que fora atestada por viajantes e por missionários
portugueses que visitaram a costa a partir do
s é c u l o X V, C o n s t a t a m b é m n a a m p l a
documentação sobre a região. A literatura é rica
em referências às grandes mulheres como as
vendedoras ambulantes, cujo jeito para o
negócio, bem como a autonomia e mobilidade, é
tão típico da região.

HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina


e representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). In:
PANTOJA, S. (Org.). Identidades, memórias e histórias em terras
africanas, Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006.

A abordagem realizada pelo autor sobre a vida


social da África Ocidental pode ser relacionada a
uma característica marcante das cidades no Brasil
escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa
Imagem de São Benedito. Disponível em: http://
pela acervo.bndigital.bn.br. Acesso em: 6 jan. 2016 (adaptado)

a) restrição à realização do comércio ambulante TEXTO II


por africanos escravizados e seus descendentes.
Os santos tornaram-se grandes aliados da Igreja
b) convivência entre homens e mulheres livres, para atrair novos devotos, pois eram obedientes
de diversas origens, no pequeno comércio. a Deus e ao poder clerical. Contando e
estimulando o conhecimento sobre a vida dos
c) presença de mulheres negras no comércio de santos, a Igreja transmitia aos fiéis os
rua de diversos produtos e alimentos. ensinamentos que julgava corretos e que deviam
ser imitados por escravos que, em geral, traziam
d) dissolução dos hábitos culturais trazidos do
outras crenças de suas terras de origem, muito
continente de origem dos escravizados.
diferentes das que preconizava a fé católica.
e) entrada de imigrantes portugueses nas OLIVEIRA, A. J. Negra devoção. Revista de História da Biblioteca
atividades ligadas ao pequeno comércio urbano. Nacional, n. 20, maio 2007 (adaptado)

História e Humanidades com Débora Aladim 18


Aula VIII

Posteriormente ressignificados no interior de 32- (ENEM 2016 PPL)


certas irmandades e no contato com outra matriz
religiosa, o ícone e a prática mencionada no O Movimento Negro Unificado (MNU) distingue-
texto estiveram desde o século XVII relacionados se do Teatro Experimental do Negro (TEN) por
a um esforço da Igreja Católica para sua crítica ao discurso nacional hegemônico. Isto
é, enquanto o TEN defende a plena integração
a) reduzir o poder das confrarias. simbólica dos negros na identidade nacional
“híbrida”, o MNU condena qualquer tipo de
b) cristianizar a população afro-brasileira. assimilação, fazendo do combate à ideologia da
democracia racial uma das suas principais
c) espoliar recursos materiais dos cativos. bandeiras de luta, visto que, aos olhos desse
movimento, a igualdade formal assegurada pela
d) recrutar libertos para seu corpo eclesiástico.
lei entre negros e brancos e a difusão do mito de
que a sociedade brasileira não é racista teriam
e) atender a demanda popular por padroeiros
locais. servido para sustentar, ideologicamente, a
opressão racial.

COSTA, S. Dois Atlânticos: teoria social, antirracismo,


cosmopolitismo. Belo Horizonte: UFMG, 2006 (adaptado).

No texto, são comparadas duas organizações do


movimento negro brasileiro, criadas em
diferentes contextos históricos: o TEN, em 1944,
e o MNU, em 1978. Ao assumir uma postura
divergente da do TEN, o MNU pretendia

a) pressionar o governo brasileiro a decretar a


igualdade racial.

b) denunciar a permanência do racismo nas


relações Sociais.

c) contestar a necessidade da igualdade entre


negros e brancos.

d) defender a assimilação do negro por meios


não democráticos.

e) divulgar a ideia da miscigenação como marca


da nacionalidade.

História e Humanidades com Débora Aladim 19


Aula VIII

33- (ENEM 2016 PPL) 34- (ENEM 2016 PPL)

As convicções religiosas dos escravos eram A imagem da relação patrão-empregado


entretanto colocadas a duras provas quando de geralmente veiculada pelas classes dominantes
sua chegada ao Novo Mundo, onde eram brasileiras na República Velha era de que esta
batizados obrigatoriamente “para a salvação de relação se assemelhava em muitos aspectos à
sua alma” e deviam curvar-se às doutrinas relação entre pais e filhos. O patrão era uma
religiosas de seus mestres. lemanjá, mãe de espécie de “juiz doméstico” que procurava guiar
numerosos outros orixás, foi sincretizada com e aconselhar o trabalhador, que, em troca, devia
Nossa Senhora da Conceição, e Nanã Buruku, a realizar suas tarefas com dedicação e respeitar o
mais idosa das divindades das águas, foi seu patrão.
comparada a Sant’Ana, mãe da Virgem Maria.
CHALHOUB, S. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos
VERGER, P. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. São trabalhadores da Rio de Janeiro da Belle Époque. Campinas:
Paulo: Corrupia, 1981. Unicamp, 2001.

O sincretismo religioso no Brasil colônia foi uma No contexto da transição do trabalho escravo
estratégia utilizada pelos negros escravizados para o trabalho livre, a construção da imagem
para descrita no texto tinha por objetivo

a) compreender o papel do sagrado para a a) esvaziar o conflito de uma relação baseada na


cultura europeia. desigualdade entre os indivíduos que dela
participavam.
b) garantir a aceitação pelas comunidades dos
convertidos. b) driblar a lentidão da nascente Justiça do
Trabalho, que não conseguia conter os conflitos
c) preservar as crenças e a sua relação com o cotidianos.
sagrado.
c) separar os âmbitos público e privado na
d) integrar as distintas culturas no Novo Mundo. organização do trabalho para aumentar a
eficiência dos funcionários.
e) possibilitar a adoração de santos católicos.
d) burlar a aplicação das leis trabalhistas
conquistadas pelos operários nos primeiros
governos civis do período republicano.

e) compensar os prejuízos econômicos sofridos


pelas elites em função da ausência de
indenização pela libertação dos escravos.

História e Humanidades com Débora Aladim 20


Aula VIII

28- (ENEM 2015 PPL) 29- (ENEM 2015 PPL)

Colonizar, afirmava, em 1912, um eminente A população negra teve que enfrentar sozinha o
jurista, “é relacionar-se com os países novos para desafio da ascensão social, e frequentemente
tirar benefícios dos recursos de qualquer procurou fazê-lo por rotas originais, como o
natureza desses países, aproveitá-los no interesse esporte, a música e a dança. Esporte, sobretudo
nacional, e ao mesmo tempo levar às populações o futebol, música, sobretudo o samba, e dança,
primitivas as vantagens da cultura intelectual, sobretudo o carnaval, foram os principais canais
social, científica, comercial e industrial, apanágio de ascensão social dos negros até recentemente.
das raças superiores. A colonização é, pois, um A libertação dos escravos não trouxe consigo a
estabelecimento fundado em país novo por uma igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada
raça de civilização avançada, para realizar o nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje,
duplo fim que acabamos de indicar.” apesar das leis, aos privilégios e arrogâncias de
poucos correspondem o desfavorecimento e a
MÉRIGNHAC. Précis de législation et d´économie coloniales. Apud
LINHARES, M. Y. A luta contra a Metrópole (Ásia e África). São Paulo:
humilhação de muitos.
Brasiliense, 1981.
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2006 (adaptado).
A definição de colonização apresentada no texto
tinha a função ideológica de: Em relação ao argumento de que no Brasil existe
uma democracia racial, o autor demonstra que:
a) dissimular a prática da exploração mediante a
ideia de civilização. a) essa ideologia equipara a nação a outros
países modernos.
b) compensar o saque das riquezas mediante a
educação formal dos colonos. b) esse modelo de democracia foi possibilitado
pela miscigenação.
c) formar uma identidade colonial mediante a
recuperação de sua ancestralidade. c) essa peculiaridade nacional garantiu
mobilidade social aos negros.
d) reparar o atraso da Colônia mediante a
incorporação dos hábitos da Metrópole. d) esse mito camuflou formas de exclusão em
relação aos afrodescendentes.
e) promover a elevação cultural da Colônia
mediante a incorporação de tradições e) essa dinâmica política depende da
metropolitanas. participação ativa de todas as etnias.

História e Humanidades com Débora Aladim 17


Aula VIII

37- (ENEM 2016 3ª aplicação)

A imagem retrata uma prática cultural brasileira cuja raiz histórica está associada à

a) liberdade religiosa.

b) migração forçada.

c) devoção ecumênica.

d) atividade missionária.

e) mobilização política.

História e Humanidades com Débora Aladim 22


Aula VIII

38- (ENEM 2017) 39- (ENEM 2017)

No império africano do Mali, no século XIV,


To m b u c t u f o i c e n t r o d e u m c o m é r c i o
internacional onde tudo era negociado — sal,
escravos, marfim etc. Havia também um grande
comércio de livros de história, medicina,
astronomia e matemática, além de grande
concentração de estudantes. A importância
cultural de Tombuctu pode ser percebida por
meio de um velho provérbio: “O sal vem do
norte, o ouro vem do sul, mas as palavras de
Deus e os tesouros da sabedoria vêm de
Tombuctu”.

ASSUMPÇÃO, J. E. África: uma história a ser reescrita. In: MACEDO,


J. R. (Org.). Desvendando a história da África. Porto Alegre: UFRGS,
2008 (adaptado).

Uma explicação para o dinamismo dessa cidade


e sua importância histórica no período
mencionado era o(a)
A fotografia, datada de 1860, é um indício da
a) isolamento geográfico do Saara ocidental. cultura escravista no Brasil, ao expressar a

b) exploração intensiva de recursos naturais. a) ambiguidade do trabalho doméstico exercido


pela ama de leite, desenvolvendo uma relação
c) posição relativa nas redes de circulação. de proximidade e subordinação em relação aos
senhores.
d) tráfico transatlântico de mão de obra servil.
b) integração dos escravos aos valores das
e) competição econômica dos reinos da região.
 classes médias, cultivando a família como pilar da
sociedade imperial.

c) melhoria das condições de vida dos escravos


observada pela roupa luxuosa, associando o
trabalho doméstico a privilégios para os cativos.

d) esfera da vida privada, centralizando a figura


feminina para afirmar o trabalho da mulher na
educação letrada dos infantes.

e) distinção étnica entre senhores e escravos,


demarcando a convivência entre estratos sociais
como meio para superar a mestiçagem.

História e Humanidades com Débora Aladim 23


Aula VIII

40- (ENEM 2017) 41- (ENEM 2017)

Muitos países se caracterizam por terem Sou filho natural de uma negra, africana livre, da
populações multiétnicas. Com frequência, Costa da Mina (Nagô de Nação), de nome Luiza
evoluíram desse modo ao longo de séculos. Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a
Outras sociedades se tornaram multiétnicas mais doutrina cristã. Minha mãe era baixa de estatura,
rapidamente, como resultado de políticas magra, bonita, a cor era de um preto retinto e
incentivando a migração, ou por conta de sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a
legados coloniais e imperiais. neve, era muito altiva, geniosa, insofrida. Dava-se
ao comércio — era quitandeira, muito laboriosa
GIDDENS,A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012 (adaptado)
e, mais de uma vez, na Bahia, foi presa como
suspeita de envolver-se em planos de insurreição
Do ponto de vista do funcionamento das
de escravos, que não tiveram efeito.
democracias contemporâneas, o modelo de
sociedade descrito demanda, simultaneamente, AZEVEDO, E. “Lá vai verso!”: Luiz Gama e as primeiras trovas
burlescas de Getulino. In: CHALHOUB, S.; PEREIRA, L. A. M. A
a) defesa do patriotismo e rejeição ao hibridismo. história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998 (adaptado).

b) universalização de direitos e respeito à


Nesse trecho de suas memórias, Luiz Gama
diversidade.
ressalta a importância dos(as)
c) segregação do território e estímulo ao
a) laços de solidariedade familiar.
autogoverno.
b) estratégias de resistência cultural.
d) políticas de compensação e homogeneização
do idioma. c) mecanismos de hierarquização tribal.

e) padronização da cultura e repressão aos


d) instrumentos de dominação religiosa.
particularismos.
e) limites da concessão de alforria.

História e Humanidades com Débora Aladim 24


Aula VIII

35- (ENEM 2016 PPL) 36- (ENEM 2016 3ª aplicação)

Flor da Negritude

Nascido numa casa antiga, pequena, com grande


quintal arborizado, localizado no subúrbio de Lins
de Vasconcelos, o Renascença Clube foi fundado
por 29 sócios, todos negros. Buscava-se instaurar,
por meio do Renascença, um campo de relações
em que os filhos de famílias negras bem-
sucedidas pudessem encontrar pessoas
consideradas do mesmo nível social e cultural,
para fins de amizade ou casamento. Os homens
usavam trajes obrigatoriamente formais, flores na
lapela, às vezes de summer ou até de fraque. As
mulheres se vestiam com muita sedas, cetins e
rendas, não esquecendo as luvas e os chapéus.

GIACOMINI, S. M. Revista de História da Biblioteca Nacional, 19 set


2007 (adaptado).

BROCOS, R. A redenção de Cam, 1895 Disponível em: http:// No início dos anos 1950, a fundação do
mnba.gov.br. Acesso em: 13 jan. 2013
Renascença Clube, como espaço de convivência,
demonstra o(a)
Na imagem, o autor procura representar as
diferentes gerações de uma família associada a a) inexperiência associativa que levou a elite
uma noção consagrada pelas elites intelectuais negra a imitar os clubes dos brancos.
da época, que era a de
b) isolamento da comunidade destacada que
a) defesa da democracia racial. ignorava a democracia racial brasileira.

b) idealização do universo rural. c) interesse de um grupo de negros na afirmação


social para se livrar do preconceito.
c) crise dos valores republicanos.
d) existência de uma elite negra imune ao
d) constatação do atraso sertanejo.
preconceito pela posição que ocupava.
e) embranquecimento da população.
e) criação de um racismo invertido que impedia a
presença de pessoas brancas nesses clubes.

História e Humanidades com Débora Aladim 21


Aula VIII

44- (ENEM 2017 PPL) 45- (ENEM 2017 PPL)

O movimento abolicionista, que levou à A luta contra o racismo, no Brasil, tomou um


libertação dos escravos pela Lei Áurea em 13 de rumo contrário ao imaginário nacional e ao
maio de 1888, foi a primeira campanha de consenso científico, formado a partir dos anos
dimensões nacionais com participação popular. 1930. Por um lado, o Movimento Negro
Nunca antes tantos brasileiros se haviam Unificado, assim como as demais organizações
mobilizado de forma tão intensa por uma causa negras, priorizaram em sua luta a desmistificação
comum, nem mesmo durante a Guerra do do credo da democracia racial, negando o
Paraguai. Envolvendo todas as regiões e classes caráter cordial das relações raciais e afirmando
sociais, carregou multidões a comícios e que, no Brasil, o racismo está entranhado nas
manifestações públicas e mudou de forma relações sociais. O movimento aprofundou, por
dramática as relações políticas e sociais que até outro lado, sua política de construção de
então vigoravam no país. identidade racial, chamando de “negros” todos
aqueles com alguma ascendência africana, e não
GOMES, L.1889. São Paulo: Globo, 2013 (adaptado).
apenas os “pretos".
O movimento social citado teve como seu GUIMARÃES, A. S. A. Classes, raças e democracia. São Paulo: Editora
principal veículo de propagação o(a) 34, 2012.

a) imprensa escrita. A estratégia utilizada por esse movimento tinha


como objetivo
b) oficialato militar.
a) eliminar privilégios de classe.
c) corte palaciana.
b) alterar injustiças econômicas.
d) clero católico.
c) alterar injustiças econômicas.
e) câmara de representantes.
d) identificar preconceitos religiosos.

e) alterar injustiças econômicas.

História e Humanidades com Débora Aladim 26


Aula VIII

46- (ENEM 2016 3ª aplicação)

Os escravos tornam-se propriedade nossa seja em virtude da lei civil, seja da lei comum dos povos; em
virtude da lei civil, se qualquer pessoa de mais de vinte anos permitir a venda de si própria com a
finalidade de lucrar conservando uma parte do preço da compra; e em virtude da lei comum dos povos,
são nossos escravos aqueles que foram capturados na guerra e aqueles que são filhos de nossas
escravas.

CARDOSO, C F. Trabalho compulsório na Antiguidade. São Paulo: Graal, 2003.

A obra Institutas, do jurista Aelius Marcianus (século III d.C.), instrui sobre a escravidão na Roma antiga.
No direito e na sociedade romana desse período, os escravos compunham uma

a) mão de obra especializada protegida pela lei.

b) força de trabalho sem a presença de ex-cidadãos.

c) categoria de trabalhadores oriundos dos mesmos povos.

d) condição legal independente da origem étnica do indivíduo.

e) comunidade criada a partir do estabelecimento das leis escritas.


História e Humanidades com Débora Aladim 27


Aula VIII

38- (ENEM 2017) 39- (ENEM 2017)

No império africano do Mali, no século XIV,


To m b u c t u f o i c e n t r o d e u m c o m é r c i o
internacional onde tudo era negociado — sal,
escravos, marfim etc. Havia também um grande
comércio de livros de história, medicina,
astronomia e matemática, além de grande
concentração de estudantes. A importância
cultural de Tombuctu pode ser percebida por
meio de um velho provérbio: “O sal vem do
norte, o ouro vem do sul, mas as palavras de
Deus e os tesouros da sabedoria vêm de
Tombuctu”.

ASSUMPÇÃO, J. E. África: uma história a ser reescrita. In: MACEDO,


J. R. (Org.). Desvendando a história da África. Porto Alegre: UFRGS,
2008 (adaptado).

Uma explicação para o dinamismo dessa cidade


e sua importância histórica no período
mencionado era o(a)
A fotografia, datada de 1860, é um indício da
a) isolamento geográfico do Saara ocidental. cultura escravista no Brasil, ao expressar a

b) exploração intensiva de recursos naturais. a) ambiguidade do trabalho doméstico exercido


pela ama de leite, desenvolvendo uma relação
c) posição relativa nas redes de circulação. de proximidade e subordinação em relação aos
senhores.
d) tráfico transatlântico de mão de obra servil.
b) integração dos escravos aos valores das
e) competição econômica dos reinos da região.
 classes médias, cultivando a família como pilar da
sociedade imperial.

c) melhoria das condições de vida dos escravos


observada pela roupa luxuosa, associando o
trabalho doméstico a privilégios para os cativos.

d) esfera da vida privada, centralizando a figura


feminina para afirmar o trabalho da mulher na
educação letrada dos infantes.

e) distinção étnica entre senhores e escravos,


demarcando a convivência entre estratos sociais
como meio para superar a mestiçagem.

História e Humanidades com Débora Aladim 23