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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

GESTÃO PÚBLICA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL


FORMAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL BRASILEIRA
DOCENTE: LUIS RÉGIS COLI
DISCENTE: JAQUELINE DO NASCIMENTO ROSA
2016.2 – TURMA: 152

AVALIAÇÃO FINAL DA DISCIPLINA

Rio de Janeiro / 2016


TEMA: UNIDADE 4 – Economia Escravista Mineira do Século XVIII

O acirramento da concorrência no mercado de produtos tropicais levava o Brasil a um


cenário econômico nada favorável a Portugal, que lidava com a pobreza cada vez maior,
assim como os custos de manutenção da colônia também aumentavam cada vez mais.
Partindo desta situação, a Coroa portuguesa viu como única saída para a crise da economia
açucareira a exploração de metais preciosos, visto que dificilmente outro tipo de agricultura
poderia atingir o mesmo nível de produção e lucro tal como a produção do açúcar havia
proporcionado.
A situação de pobreza pela qual a Metrópole e a colônia passavam fez com que a
economia mineira se desenvolvesse rapidamente, contando com conhecimentos técnicos
provenientes da Metrópole, emigração da população proveniente de Piratininga assim como
de portugueses para o Brasil, alocação de recursos proveniente da região Nordeste,
principalmente no fornecimento de mão-de-obra escrava.
Diferente da economia açucareira, onde a emigração não era economicamente
vantajosa para pessoas comuns com poucos recursos, a economia mineira proporcionou o
início de um ciclo migratório europeu para a colônia, pois esta explorava o metal de aluvião
(metal encontrado no fundo dos rios), sendo assim, passível de exploração por pessoas
carentes de recursos.
Apesar de também fazer uso de mão-de-obra escrava, a atividade mineira difere em
muitos aspectos da atividade açucareira. A presença do trabalhador escravo não era tão
marcante na economia mineira como na economia açucareira e a forma de organização desta
nova atividade permitia ao escravo maior iniciativa, possibilitando inclusive que alguns
comprassem sua liberdade, visto que muitos trabalhavam por conta própria, pagando uma taxa
fixa ao seu dono. Essa nova dinâmica também o inseria num outro tipo de convívio social.
As chances de um homem livre, não fosse este senhor de engenho ou proprietário de
terras, ascender socialmente eram muito baixas na economia açucareira e com a estagnação
desta, esta condição veio a reduzir ainda mais. A economia mineira apresentava maiores
possibilidades de ascensão aos homens livres, fossem possuidores de recursos ou não.
Outro fator que difere uma atividade da outra também pode ser observado na relação
com o local onde a mesma é praticada: enquanto a atividade açucareira estava diretamente
ligada à terra, a atividade mineira não permitia esta ligação, pois neste tipo de exploração era
necessário mobilidade para cada região a ser explorada, de acordo com a lavra.
A incerteza da exploração de minérios em cada local e sendo o lucro extraído desta
atividade muito maior na sua fase inicial, ocorria uma concentração de recursos em demasia,
o que acabava por favorecer obstáculos ao abastecimento dessas regiões com alimentos e
outros itens de necessidade dos trabalhadores. Tal concentração também promoveu um
aumento vertiginoso nos preços dos alimentos e dos animais necessários como parte do
sistema de transporte das regiões vizinhas às áreas de extração.
O início da exploração de minérios também favoreceu o comércio de gado das regiões
Sul e Nordeste do Brasil, que se apresentavam desvalorizados no mercado e atingiram preços
consideravelmente altos após o advento desta. As complexidades desta atividade, relativas à
geografia das regiões de exploração, dificuldades na provisão de alimentos e o deslocamento
dos trabalhadores até o local de trabalho dependia de um eficiente sistema de transporte,
consistido basicamente por animais de carga, favorecendo assim o surgimento de mais uma
categoria lucrativa de mercado, visto que o gado era fonte tanto de alimentação quanto de
transporte e dessa forma, a pecuária se desenvolve numa dimensão muito maior que a obtida
na economia açucareira.
A economia mineira se desenvolveu basicamente nas regiões de Minas Gerais, Mato
Grosso e Goiás. A exportação de ouro foi crescente em toda metade do século, atingindo seu
ápice em 1760. Embora a renda média desta economia fosse menor quando comparada à
renda média da economia do açúcar, a atividade mineradora apresentava potencialidades
superiores às da atividade açucareira. Se de um lado os gastos com importações eram
substancialmente menores, de outro a renda estava muito menos concentrada, enquanto que a
população livre era cada vez maior. A população dispersa em um grande território, reunida
em grupos urbanos e semi-urbanos e a grande distância entre a região mineradora e os portos
foram fatores determinantes para o encarecimento de produtos importados, tornando assim
mais favorável o desenvolvimento das atividades ligadas ao mercado interno da região. O
desenvolvimento endógeno (com base no seu próprio mercado) foi quase inexistente, assim
como também não ocorreu o desenvolvimento em atividades manufatureiras muito
provavelmente pela desqualificação técnica dos imigrantes para iniciar tais atividades, uma
vez que a colônia não realizou uma transferência de técnicas, que eram desconhecidas por
estes.
A condição essencial para que o Brasil obtivesse algum desenvolvimento
manufatureiro, se daria através do próprio desenvolvimento manufatureiro de Portugal, afinal,
cabe ao ouro do Brasil uma parcela da responsabilidade pelo atraso circunstancial que teve
Portugal naquele período. Se por um lado o ouro criou condições propícias ao
desenvolvimento endógeno da colônia, por outro dificultou o aproveitamento dessas
condições ao enfraquecer o desenvolvimento manufatureiro da Metrópole.
O Tratado de Methuen, de 1703, é fundamental na análise do desenvolvimento
econômico de Portugal e do Brasil. Este acordo foi firmado ao término de um período
economicamente conturbado para Portugal, no mesmo período do declínio das exportações de
açúcar do Brasil. Com o distendimento desta decadência e ao reduzir a capacidade de
importação, tem início um período de incremento de instalações de manufaturas em Portugal.
A partir de 1684, o país conseguiu quase que extinguir as importações de tecidos. Entretanto,
os grandes produtores e exportadores de vinho de Portugal não ficaram satisfeitos com a nova
política, pois a não importação de produtos por parte dos portugueses dificultava a exportação
destes produtores.
Sendo assim, este grupo uniu-se aos ingleses para suprimir a política protecionista
portuguesa. Desta forma, o acordo de Methuen concedia aos vinhos portugueses, no mercado
inglês, uma redução de 1/3 do imposto pago pelos vinhos franceses. Em compensação,
Portugal retirava o embargo às importações de tecidos ingleses. Caso Portugal enfrentasse as
mesmas dificuldades vividas neste período meio século antes, o acordo teria assumido caráter
limitado em sua história. Com a redução do valor das exportações de vinhos, o desequilíbrio
da sua balança comercial com a Inglaterra penderia a um agravo, ocasionando assim
desvalorização da moeda, assim como outros entraves ao país, o que provavelmente traria o
retorno das políticas protecionistas portuguesas, pois é evidente que Portugal não poderia
pagar com vinhos os tecidos que eram consumidos dos ingleses.
Contudo, o ouro do Brasil surge justamente quando o Tratado de Methuen entra em
vigor e a partir daí, criam-se condições para que o acordo funcione, permitindo-lhe operar
como mecanismo de redução do efeito multiplicador do ouro sobre o nível de atividade
econômica em Portugal. O ouro do Brasil teve um efeito tanto proveitoso quanto o incentivo
criado por ele se concentrou no país que estava mais bem aparelhado para exigir dele o
máximo de aproveitamento. Devido às transformações estruturais da sua agricultura e ao
aperfeiçoamento de suas instituições políticas, a Inglaterra foi o único país da Europa que
antes mesmo da revolução industrial, incentivou políticas de estímulo manufatureiro.
A Inglaterra encontrou na economia luso-brasileira um mercado promissor em rápido
crescimento. O saldo das exportações em ouro permitia à economia inglesa uma maior
flexibilidade para operar no mercado europeu, favorecendo assim o desenvolvimento dos
setores manufatureiros do país, objetivando uma veloz evolução tecnológica.
Arrecadando parte significante e expressiva do ouro que era produzido no mundo, os
bancos ingleses reforçaram sua posição, acarretando na transferência do centro financeiro da
Europa de Amsterdã para Londres. O acúmulo de ouro proveniente do Brasil em Londres foi
tamanho que permitiu um estoque considerável de reservas de metal, sem os quais os ingleses
dificilmente poderiam ter enfrentado o exército de Napoleão.
Os obstáculos geográficos existentes nas regiões mineradoras não favoreciam o
surgimento de atividades econômicas permanentes. A queda na produção de ouro ocasionava
uma rápida decadência local. Diante da impossibilidade de reposição da mão-de-obra escrava,
tornou-se comum que os empresários das lavras assumissem papel de faiscadores e,
posteriormente, reverteriam à economia de subsistência, caracterizando assim o
processamento da decadência mediante uma vagarosa diminuição do capital injetado na
economia mineradora.
Conforme a produção do ouro diminuía cada vez mais, aumentava-se a necessidade de
absorver a mão-de-obra excedente desta atividade, situação que foi agravada pela introdução
de métodos que dispensavam a obrigação de mão-de-obra nos setores agrícola e lanífero.
De modo geral, conforme a produção do ouro diminuía, os empreendedores perdiam
seus investimentos, sobretudo os que investiram em mão-de-obra escrava, visto que a
rentabilidade destes reduzia a cada dia. A capacidade de rendimento da atividade mineradora
tendia a zero e a fragmentação das empresas produtivas era integral. Poucas décadas foram
suficientes para promover a desarticulação de toda economia mineira, ocasionando a queda
dos núcleos urbanos que sobreviviam através da economia de subsistência, alocados numa
vasta região onde a comunicação era insuficiente, promovendo assim o isolamento de grupos
pequenos. A expansão demográfica aumenta ao passo que a economia se retrai, provocando
desta forma uma involução da população extremamente desarticulada, trabalhando com baixa
produtividade na economia de subsistência.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

FURTADO, Celso (1985). Formação Econômica do Brasil. 18ª edição. São Paulo:
Companhia Editora Nacional. Capítulos 13, 14 e 15.

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