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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

GESTÃO PÚBLICA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL


INSTITUIÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS
DOCENTE: LUIZ ISMAEL
DISCENTE: JAQUELINE DO NASCIMENTO ROSA
2016.2 – TURMA: 152

AVALIAÇÃO DA DISCIPLINA

Rio de Janeiro / 2016


A Globalização Exposta

O capitalismo começa a mostrar sinais na era colonial, a partir da exploração de novas


terras pelos conquistadores europeus, disseminando a visão da Europa como centro do mundo
e esta, por sua vez, valendo-se do papel de potência mundial na época, determinava suas
regras para os outros países. Atualmente, estas regras são ditadas pelos Estados Unidos da
América, que a partir dos acordos de Bretton Woods (1944), que estabeleceram padrões para
as relações comerciais e financeiras entre os países industrializados e do Consenso de
Washington (1989), que propunha uma série de reformas para estimular o crescimento dos
países em desenvolvimento, assim como a Europa no período colonial, os EUA marcam sua
posição como potência, determinando os rumos do planeta, de acordo com os seus interesses
políticos e financeiros.
A leitura do texto “Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência
universal”, do geógrafo e intelectual Milton Santos, propõe uma desconstrução da ideia de
globalização como algo essencialmente positivo para a sociedade, concepção esta que é
erroneamente relacionada ao termo, com apoio da mídia para fortalecer esta visão.
Para desconstruir tal imagem, Milton Santos considera que a globalização pode ser
vista sob três perspectivas. A primeira delas mostra o fenômeno como fábula, ou seja, como
fazem acreditar que é: ela é apresentada como sistema onde a informação circula em grande
velocidade, gerando assim uma diminuição nas distâncias e modificação das noções de tempo
e espaço. O mercado é apresentado como elemento suficiente para homogeneizar as
desigualdades, quando este, na verdade é o responsável pelo aumento das mesmas. Outros
pontos de importante destaque nesta visão são o forte estímulo ao consumo e a ideia de
“morte do Estado”, quando o que se percebe é a consolidação deste, junto aos interesses
financeiros internacionais, negando assim sua função essencial no que diz respeito às
garantias dos direitos dos cidadãos.
A segunda perspectiva apontada mostra a globalização como perversidade, maneira
como ela realmente é: taxas cada vez maiores de desemprego, sucateamento da educação
pública, aumento da pobreza, perda de qualidade de vida na classe média, a fome e as pessoas
em situação de rua presentes em número cada vez maior, surgimento de epidemias, índices de
mortalidade infantis permanentes, apesar dos avanços tecnológicos medicinais e da circulação
da informação. A competitividade, estimulada por esse sistema para a obtenção do lucro, é a
base de sustentação deste processo perverso.
A terceira perspectiva apresentada no estudo de Milton Santos, mostra o mundo como
pode ser – uma outra globalização – onde esta buscará uma visão mais humana, fazendo com
que as bases técnicas que fundamentam a perversidade da globalização, tenham também
propósitos políticos e sociais.
Confirmando a visão de Milton Santos sobre a atuação do Estado a favor do capital,
observamos no estudo de Alysson Leandro Mascaro no livro “Estado e forma política”, como
a relação entre estes está diretamente ligada: o Estado e a política são derivações das relações
de produção capitalistas, que determina uma vinculação entre economia e política. Quem
origina o Estado é o capitalismo, uma vez que este é necessário para o funcionamento desta
economia, atuando como um terceiro nas relações entre trabalhadores e capitalistas,
garantindo a consolidação e manutenção desse sistema.
De acordo com as discussões abordadas em sala, assim como na leitura dos textos
sobre globalização, percebe-se que esta assume caráter desumano, uma vez que é um processo
do capitalismo e este sobrevive através da produção e do acúmulo de capital, instituindo assim
o poder nas mãos de quem o detém – uma pequena parcela da população – enquanto a
maioria, que move esta engrenagem cruel, vive de miséria e servidão moderna, inclusive, com
apoio do Estado, que deveria assegurar e proteger os direitos dos cidadãos. Contudo, o
fenômeno da globalização pode ser positivo para todos, desde que os aspectos que a
caracterizam como perversa, tomem uma condição mais humana, visando o bem estar da
população como um todo, ao menos no que diz respeito às suas necessidades mais básicas, e
não somente objetivando o lucro.