Você está na página 1de 2

FELDMAN-BIANCO, B. (Org.). Antropologia das sociedades contemporâneas: métodos.

São
Paulo: Global, 1987.

Teoria da ação: “(...) privilegia a observação e reconstrução do comportamento concreto de


indivíduos específicos em situações estruturadas.” (8)

“Enquanto a 'teoria da ação' enfatiza a observação do comportamento concreto, a análise de


representações apoia-se principalmente em indagações verbais que têm como objetivo reconstruir
'visões do mundo'. Deve-se salientar que a observação do comportamento concreto e as indagações
verbais constituem dois procedimentos complementares da pesquisa de campo. Entretanto,
tendências no sentido de se privilegiar um desses procedimentos, em detrimento do outro, implicam
opções teóricas e metodológicas fundamentais, entre cujos polos os mais diversos enfoques
antropológicos têm oscilado.” (9)

“(...) uma ênfase na análise de representações implica a definição da Antropologia enquanto o


estudo da cultura.” (9)

“(...) abordagem que privilegia a análise das representações, baseada em discursos de informantes,
frequentemente procedentes de respostas às indagações formuladas pelo pesquisador sobre
situações hipotéticas ou temas abrangentes.” (10)
“Perigos metodológicos”:
Descolamento entre as visões de mundo dos informantes e seus comportamentos em determinadas
situações;
O pesquisador não separar suas abstrações das respostas dos informantes;
Não problematizar as categorias e conceitos dos informantes;
Limitar-se a descrições que não levam em consideração as “intersecções existentes entre biografia,
história e sociedade (…).” (10)

“Contrariamente às previsões mais céticas, os questionamentos realizados sobre a possível


contribuição da Antropologia para a análise de problemas e contextos similares aos estudados por
outras disciplinas ampliaram o seu campo de investigação.” (13)

“Sahlins (1976) delimita esses dois polos pela oposição de dois paradigmas da teoria antropológica,
respectivamente: um enfoque cultural (que enfatiza a análise da razão simbólica ou significativa) e
um enfoque utilitarista (que se fundamenta na análise da razão prática, ou teoria da práxis). Além
desta delimitação, estão também implícitas, no âmago da separação artificial entre análise da ação e
da representação, definições diversas sobre o foco da Antropologia: por um lado, a ênfase na
observação do comportamento concreto e nas ações e interações sociais tende a demarcar a
Antropologia enquanto micro-sociologia; por outro lado, uma ênfase na análise de representações
implica a definição da Antropologia enquanto estudo da cultura.” (9)

Distinção entre ação e ideologia, em Geertz (10)


SAHLINS, M. Cultura e razão prática: dois paradigmas da teoria antropológica. In: ______.
Cultura e razão prática. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p. 61-127.