Você está na página 1de 71

História do Design

Lia Madureira

Curso Técnico em Design de Interiores


Educação a Distância
2021
História do Design
Lia Madureira

Curso Técnico em Design de Interiores

Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa

Educação a Distância

Recife

1.ed. | Fev. 2021


Professor(es) Autor(es) Catalogação e Normalização
Lia Madureira Hugo Cavalcanti (Crb-4 2129)

Revisão Diagramação
Lia Madureira Jailson Miranda

Coordenação de Curso Coordenação Executiva


Danyelle de Holanda Beltrão George Bento Catunda
Renata Marques de Otero
Coordenação Design Educacional Manoel Vanderley dos Santos Neto
Deisiane Gomes Bazante
Coordenação Geral
Design Educacional Maria de Araújo Medeiros Souza
Ana Cristina do Amaral e Silva Jaeger Maria de Lourdes Cordeiro Marques
Helisangela Maria Andrade Ferreira
Izabela Pereira Cavalcanti Secretaria Executiva de
Jailson Miranda Educação Integral e Profissional
Roberto de Freitas Morais Sobrinho
Escola Técnica Estadual
Descrição de imagens Professor Antônio Carlos Gomes da Costa
Sunnye Rose Carlos Gomes
Gerência de Educação a distância
Sumário
Introdução .............................................................................................................................................. 4

1.Competência 01 | Ler Imagens (do design e do cotidiano), Fazendo Análise Comparativa entre elas,
a Partir dos Diferentes Períodos Históricos, Movimentos Artísticos, Tendências Estéticas, Culturas,
Modalidades, Técnicas e Gêneros .......................................................................................................... 5

1.1 Contextualização Histórica ..........................................................................................................................5

1.2 Design: conceitos e origens dos movimentos artísticos aplicados ao design .............................................9

1.3 Introdução a História do Design............................................................................................................... 12

1.4 O Movimento Arts & Crafts (1850-1900) ................................................................................................. 16

2.Competência 02 | Situar no Contexto Histórico as Diversas Formas de Manifestações Artísticas e as


Diferentes Tendências Estéticas do Design e Mobiliário ..................................................................... 21

2.1 O Design no Século XX.............................................................................................................................. 21

2.2 O Art Nouveau.......................................................................................................................................... 24

2.3 O Art Déco ................................................................................................................................................ 27

2.4 O Movimento Moderno e a Bauhaus....................................................................................................... 31

2.5 A Contracultura e o Estilo Memphis ........................................................................................................ 36

2.6 O Design Contemporâneo ........................................................................................................................ 38

3.Competência 03 | Ter Percepção Crítica da Produção do Design ao Longo do Tempo, Avaliando a


Importância Histórica do Design de Interiores em Relação a sua Época ............................................. 40

3.1 Funções do Design ................................................................................................................................... 40

3.2 Design e Sociedade do Consumo ............................................................................................................. 41

3.3 Design e Arte ............................................................................................................................................ 42

3.4 O Processo Criativo e Projetual do Design ............................................................................................... 44

3.5 Design, Comunicação e Semiótica ........................................................................................................... 47

4.Competência 04 | Compreender as Diversas Tendências e Estilos do Design e sua Aplicação no


Desenvolvimento de Futuros Projetos de Design de Interiores .......................................................... 54
4.1 Compreendendo o Significado da Palavra Estilo ..................................................................................... 54

4.2 Estilo Minimalista ..................................................................................................................................... 55

4.3 Estilo Industrial......................................................................................................................................... 59

4.4 Estilo Rústico ............................................................................................................................................ 63

Conclusão ............................................................................................................................................. 66

Referências ........................................................................................................................................... 67

Minicurrículo do Professor ................................................................................................................... 68


Introdução
Seja bem-vindo (a) à disciplina de História do Design!
Nesta disciplina, você vai compreender os aspectos culturais e sociais que levaram ao
surgimento do Design. Conhecerá os movimentos artísticos e estéticos que estavam focados no
Design de Interiores ou bem o influenciaram. Entenderá o papel do Design no processo de fabricação
em massa surgido com a Revolução Industrial e verá como hoje, o Design pode ter um caráter mais
individualizado, a partir da produção em baixa escala ou mesmo da fabricação de peças únicas.
O Design possui um caráter simbólico, dado que sempre está inserido em determinado
contexto espacial e temporal, o que significa que muitas vezes apresentará traços de uma identidade
local ou carregará consigo a personalidade do seu próprio criador. É visto também como um signo e
por isso, pode ser entendido também como um artefato que vai comunicar algo.
Assim, o objetivo principal dessa disciplina é oferecer um tipo de conhecimento que está
pautado na estética, a partir dos elementos da linguagem visual, mas também na funcionalidade,
sobretudo no que diz respeito ao uso utilitário de móveis e objetos de decoração e que você poderá
levar esses conhecimentos para os seus projetos de Design de Interiores.
Nesse sentido, será tratado o desenvolvimento de uma percepção crítica da produção do
Design ao longo do tempo, avaliando a importância histórica do Design de Interiores em relação à
época atual. Você vai perceber que o tema é bastante instigante, pois, assim como a própria história
da humanidade, também está em constante transformação.

Bons estudos!

4
Competência 01

1.Competência 01 | Ler Imagens (do design e do cotidiano), Fazendo


Análise Comparativa entre elas, a Partir dos Diferentes Períodos
Históricos, Movimentos Artísticos, Tendências Estéticas, Culturas,
Modalidades, Técnicas e Gêneros
Prezado estudante, a primeira competência está dedicada a compreensão dos aspectos
históricos e culturais que levaram ao surgimento das ideias e processos que formaram o campo do
conhecimento que hoje é entendido como Design.
Zeitgeist é uma palavra de origem alemã que não tem equivalência em outro idioma;
significa “o espírito do tempo” e faz referência as tendências e aos gostos culturais que são
característicos de um momento histórico determinado.
Devido ao seu caráter visual e imediato, o design, ao qual se pode considerar seu vínculo
à vida social, política e econômica de uma cultura, pode expressar o Zeitgeist de uma determinada
época melhor que muitas outras manifestações humanas.

1.1 Contextualização Histórica

A história do Design como se conhece hoje, se funde com a história da Revolução


Industrial. Uma primeira aproximação à sua definição seria: a realização de um projeto racional
desenhado a partir da criação de um plano para ser fabricado em série. Para Rafael Cardoso, autor
do livro Design para um Mundo Complexo (2012, p. 15) “o design nasceu com o firme propósito de
pôr ordem na bagunça do mundo industrial”.
Para o autor, o período compreendido entre meados do século XVIII e finais do século XIX,
foi o momento que correspondeu ao surgimento do sistema de fábricas em grande parte da Europa
e Estados Unidos. Este fato significou um aumento considerável na oferta de bens de consumo que
foi resultado das grandes mudanças tanto da organização e tecnologia de produção, quanto dos
sistemas de distribuição.
Foi a primeira vez na história da humanidade que tantas pessoas tiveram oportunidade
de comprar uma infinidade de novos produtos. Era o início do que hoje se conhece como a sociedade
do consumo.

5
Competência 01

Para muitos observadores da época, esse processo de massificação teria levado ao


declino da qualidade e da beleza dos produtos. Mais adiante, será visto que esse é um dos
posicionamentos que o Movimento Arts & Crafts, adotou. Independentemente do que realmente
estava acontecendo a nível estético e de qualidade, o certo é esse grande aumento na oferta e na
demanda serviu como estímulo à ação, promovendo entre outros, a formalização da profissão do
designer.
Esse foi possivelmente o início de um caminho sem volta para artesões, artistas,
arquitetos, industriais, associações comerciais entre outros profissionais, que tomaram como lema
melhorar o gosto da população e a configuração das mercadorias que eram oferecidas.
As atividades de projetar e fabricar que durante tanto tempo foram exercidas de maneira
artesanal e quase sempre em silêncio, passaram a ser o centro da atenção política, econômica e
social. A ideia por trás desse grande desafio para as novas gerações, principalmente, de designers que
surgiam, era desenvolver a estrutura e aparência dos artefatos de modo que ficassem mais atraentes
e eficientes.
Nesses primeiros momentos, o lema adotado era que houvesse uma adequação dos
objetos ao seu propósito, o que na década de 1930 ficou mais conhecido como “a forma segue a
função”. Durante muito tempo “forma” e “função” seriam os dois grandes eixos de preocupação do
Design. Só por volta dos anos 1960, essa visão começa a ser questionada, paralelamente ao
surgimento da contracultura, que no Brasil esse novo olhar surge um pouco mais tarde, por volta dos
anos 1980, quando a questão da funcionalidade começa a ser repensada.
O mundo mudou bastante em todo esse tempo, é preciso compreender que os propósitos
de hoje não são os mesmos dos anos 1960, onde o paradigma da fabricação ainda era o da produção
em massa. Hoje a indústria caminha para uma produção mais flexível, adaptando seus produtos para
atender às demandas por diferenciação. Observe, por exemplo, a estrutura de uma estante modular,
adaptando-se as necessidades atuais dos usuários fazerem suas jornadas laborais em casa.

6
Competência 01

Figura 1: Estante modulada.


Fonte: https://casaclaudia.abril.com.br/, 2020.
Descrição: estante toda modulada com linhas retas, em estrutura metálica, e partes com madeira. Possui alguns objetos
e plantas em suas prateleiras.

O Design hoje volta-se para novas e complexas problemáticas que vão além de uma
resposta apenas a funcionalidade. As novas diretrizes do mundo globalizado, tais como: a unificação
de processos, de sistemas comerciais, financeiros, comunicações, costumes e ideias; e também os
aspectos relacionados a valorização das identidades nacionais, o transformaram no fenômeno mais
complexo do mundo moderno, até mesmo quando se fala de Design.

7
Competência 01

Figura 2: Poltrona Flor de Mandacaru.


Fonte: https://pt.sergiojmatos.com.br/, 2020.
Descrição: poltrona toda na cor rosa claro, imitando uma flor de mandacaru.

Observe a descrição da poltrona Flor de Mandacaru do designer Sérgio Mattos:


“A caatinga é pura poesia. Na aridez do bioma que se estende pelo Nordeste brasileiro,
o mandacaru floresce em um deleite para os espinhos e a paisagem quase sempre ressequida. A
flor que sai do casulo sob o manto da noite dura até o primeiro amanhecer. Beleza simbólica,
marcante e efêmera que floresce como inspiração da Poltrona Flor de Mandacaru. As pétalas
brancas materializadas em alumínio e preenchidas pela trama artesanal da corda naval sublimam
a delicadeza do design. Regionalidade, vínculo de pertencimento e reverência às terras nordestinas
se dão no desenho alicerçado na resistência, resiliência e esperança. Tem a alma do Sertão”.

Disponível em várias cores, com dimensões: 129cm (largura) x 99cm (profundidade) x


112,5cm (altura).

8
Competência 01

Prezado aluno, convido-o para que nesse momento, assista a videoaula proposta
para essa competência com o tema “Design de Produto na Era Digital” onde
além das suas características, será possível observar a dinâmica da Cultura Maker

1.2 Design: Conceitos e Origens dos Movimentos Artísticos Aplicados do Design

Antes de abordar o aspecto conceitual da palavra design é interessante observar como o


termo artefato foi sendo utilizado ao longo do tempo e como este se relaciona ao Design.
A palavra artefato está relacionada a materialização dos objetos, já que se refere aos
objetos produzidos pelo trabalho humano e se opõem, portanto, aos objetos naturais. Ao falar de
artefato é preciso considerar que o seu significado é bastante amplo, já que pode abranger tanto a
objetos tecnológicos e artísticos, quanto a objetos industriais e artesanais, independente da sua
função, utilidade ou valor simbólico.
A compreensão desse termo contribui para definir um conceito muito importante dentro
da História do Design, o de Cultura Material. Segundo Cardoso (2008, p. 21) “Uma cultura material se
constitui de um determinado conjunto de artefatos, relacionados por critérios de proximidade
temporal, geográfica, étnica ou de uso”.
Historicamente, esta palavra costumava ser mais utilizada para se referir aos objetos
produzidos por outras culturas diferentes da cultura ocidental moderna. Também foi utilizada nos
campos da Arqueologia e Antropologia para falar sobre arte e tecnologia alheias.
Cardoso (2008) explica que, enquanto para falar de um espelho romano antigo se utiliza
o termo “artefato”, para falar em um espelho moderno se usam as palavras “produto” ou “objeto
utilitário”. Fala-se de uma escultura africana como um “artefato”, enquanto a uma escultura europeia
como “arte”. Observe que se trata de uma distinção sem maior importância, dado que como foi visto
anteriormente, todos esses objetos são artefatos e alguns pertencem a subcategorias como arte e
tecnologia.
Ao buscar uma conceituação para o termo design pode ser útil pensá-lo como uma área
que gera artefatos, já que as possibilidades de entendimento dessa palavra são bastante amplas,
ajudando a compreender a comparação de objetos produzidos em contextos diferentes ou mesmo a
partir do emprego de meios e técnicas muito diversas entre si.

9
Competência 01

Assim, independente da sua forma, função ou da época em que foi produzido, todo objeto
produzido pelo homem é um artefato. Observe também o sentido etimológico da palavra de ter sido
“feito com arte” – do latim arte factus.
É interessante perceber que todo objeto produzido pelo esforço humano se materializa a
partir de algum processo que transforma a ideia em matéria. No Design esse processo corresponde
ao ato de projetar.
É essencialmente uma atividade prática que acompanha de teorias, e tem como tarefa
dar forma a artefatos, considerando um projeto previamente elaborado com uma finalidade
específica. Para Montenegro (2008, p. 188),

É um campo amplo de atividades especializadas, de caráter técnico e científico,


criativo e artístico, que se ocupam em organizar, classificar, planejar, conceber,
projetar, configurar, sistemas de informação, objetos bidimensionais,
tridimensionais, virtuais, ambientes ou espaços, para a produção industrial e/ou
artesanal.

Design é definido ainda como o processo prévio de configuração mental, "pré-figuração",


na busca de uma solução em qualquer campo. Normalmente, usados no contexto da indústria,
engenharia, arquitetura, comunicação e outras disciplinas criativas.
Essas atividades levam em consideração no desenvolvimento projetual não apenas a
produtividade do processo de fabricação, mas também questões de uso, produção, mercado,
utilidade, qualidade forma e estética. Busca ainda atender a fatores sociais, culturais, antropológicos,
ecológicos, ergonômicos, tecnológicos e econômicos.
Do italiano disegno, a palavra design se refere a um esboço ou esquema que é feito
mentalmente ou sobre um suporte material, antes da produção de algo. O termo também é usado
para se referir à aparência de certos produtos em termos de linhas, formato e funcionalidade.
Observe a forma do Homem Vitruviano desenho de Leonardo da Vinci, ele representa o
ideal clássico do equilíbrio, da beleza, da harmonia e da perfeição das proporções do corpo humano.

10
Competência 01

Figura 3: Homem Vitruviano


Fonte: https://www.significados.com.br/homem-vitruviano/, 2020.
Descrição: desenho do homem vitruviano, este em pé, com braços e pernas abertas em equilíbrio, em seu redor um
círculo e um quadrado.

Foi visto que as origens do design iniciaram com a Revolução Industrial no século XIX, com
o advento da produção em série de produtos que eram colocados no mercado e que deviam ser
vendidos, pelo que foi necessário, e criar também mecanismos publicitários que facilitassem a sua
inserção no mercado.
No início, a tarefa era realizada por artistas plásticos convencionais, como ilustradores e
pintores, mas não funcionou bem, já que aplicavam princípios artísticos e não princípios
comunicativos ou convincentes que provocassem uma reação no potencial comprador, o que
consequentemente fez surgir o design gráfico como área específica da comunicação visual para
trabalhar junto com a publicidade.

11
Competência 01

Caro aluno, proponho que faça uma pequena pausa para assistir ao
documentário: Designers do Brasil, com Guto Requena -
https://www.youtube.com/watch?v=unU16wDtPlw&t=2s , em seguida, retorne
ao texto para dar seguimento aos estudos a respeito da História do Design.

1.3 Introdução a História do Design

A Revolução Industrial trouxe consigo a divisão do trabalho e sua especialização, isso


significou uma ruptura com a visão tradicional da produção de objetos artesanais.
Foi também com a Revolução Industrial que se criou uma divisão entre os conceitos de
Belas Artes e Artes Aplicadas, e também quando surgiu a reflexão crítica sobre o Design. Assim, por
arte aplicada ou utilitária, se considerava um determinado tipo de arte que produziria algo que seria
útil. Ao contrário do conceito de "arte pela arte", não é apenas uma forma de expressão artística,
conceito este que é essencial às artes atualmente. A arte aplicada também costumava ser
considerada um termo antiquado para definir as atividades e profissões posteriormente ligadas ao
Design.
A origem desse fenômeno está na separação profissional entre artista e artesão e, mais
tarde, no século XIX, com a divisão entre artista e designer. A arte aplicada se diferencia da obra de
arte por ter, na maioria das vezes, como resultado, um objeto utilitário do cotidiano.
Os objetos artesanais são a consequência de um processo lento baseado na transmissão
oral de conhecimentos e processos de tentativa e erro. Os artesãos controlavam todos os processos
relacionados à criação e produção de um objeto, a partir da seleção de matéria-prima, da
configuração formal definida pela tradição, da fabricação e até mesmo, da venda.
Com o surgimento do Design aparece o projeto, existe um distanciamento entre o objeto
e o criador. Os primeiros designers apareceram nas Fábricas Reais: encarregadas de estabelecerem
as diretrizes que os artesãos deveriam seguir.
Como consequência da revolução científica e tecnológica, começaram as primeiras
transformações físicas dos materiais. O processo de produção da Fábrica Josiah Wedgwoog é baseado
nas primeiras experiências de divisão do trabalho com: torneiros, decoradores, gerentes de forno,
entre outros especialistas; cada operador se especializava, em uma fase do processo de produção.

12
Competência 01

Figura 4: Cerâmicas da Fábrica Josiah Wedgwoog.


Fonte: https://www.adamsmith.org/, 2020.
Descrição: diversas peças em cerâmica na cor azul clara e com detalhes brancos. As peças são pequenos jarros, xícara
com pires.

Uma das referências dessa época foi Joseph Paxton, ilustrador e arquiteto autodidata,
que projetou o Palácio de Cristal em Londres, construído para abrigar a Exposição Universal de 1851.
O Palácio de Cristal foi realizado em um período de oito meses a partir de unidades modulares pré-
fabricadas e padronizadas. As dimensões do edifício são surpreendentes, medindo: 563m de
comprimento e 263m de largura, com uma área de 70.000 m2. O Palácio de Cristal possui uma
arquitetura arrojada, inteiramente feito de ferro, vidro e madeira, sendo uma das mais importantes
construções do século XIX, símbolo da arquitetura do ferro e do vidro, sinônimo de modernidade.

Figura 5: Palácio de Cristal – Hyde Park, Londres.

13
Competência 01

Fonte: https://www.bn.gov.br/, 2020.


Descrição: foto do Palácio de Cristal, onde mostra sua estrutura em vidro, ferro e madeira, e um lago com jardim em
sua lateral.

No final do século XIX, a indústria muda para sempre o dia a dia do homem, já que passa
a fabricar objetos do cotidiano. A produção em série passa a combinar quantidade e qualidade
aceitáveis em um caminho sem volta.
Por volta de 1908, houve um aumento da mecanização que se deu em grande parte pelas
iniciativas de Henry Ford, ao aplicar os princípios de organização do trabalho desenvolvidos por
Taylor, na linha de produção. O Ford T foi o primeiro carro feito em grande escala e vendeu 15 milhões
de unidades entre 1909 e 1926.

Figura 6: Ford T primeiro automóvel produzido em série


Fonte: https://media.ford.com/, 2020.
Descrição: foto do carro Ford T, na cor preta, com assentos em couro.

A partir do início dos anos 1900, uma associação entre arte e indústria começou a ser
vista. Na Alemanha, em 1910, foi dado o primeiro passo em direção a um design global.
Outro importante exponente dentro da lógica da produção industrial foi o austríaco
Michael Thonet que projetou móveis de madeira curvada, incorporadas a partir de peças de
montagem aparafusadas. Foram produzidas e vendidas 30 milhões de cópias da cadeira Thonet N o
14, entre 1859 e 1930. A cadeira apresentava ainda, vantagens na padronização da produção:
processos e produtos de fabricação mais baratos e melhores, já que as peças eram facilmente
montadas e poderia haver a troca de partes, facilitando os reparos e a reposição de peças. A cadeira
Thonet é considerada um clássico do design de mobiliário e ainda hoje continua sendo produzida.

14
Competência 01

Figura 7: Cadeira Thonet No 14.


Fonte: http://i.blogs.es/140892/thonet-2/450_1000.jpg, 2020.
Descrição: a foto mostra a cadeira desmontada, ao lado a cadeira montada, e em seguida, as peças de diversas cadeiras,
desmontadas em uma caixa transparente.

Figura 8: Cadeira Thonet No 14.


Fonte: http://detalhesdoceu.blogspot.com/, 2020.
Descrição: a foto mostra uma sala de jantar com mesa retangular, lustre pendurado no teto, e quatro cadeiras Thonet
Nº 14, na cor branca.

15
Competência 01

1.4 O Movimento Arts & Crafts (1850-1900)

O Arts & Crafts, também conhecido como Artes e Ofícios, foi um movimento que surgiu
na Inglaterra e ganhou força nas últimas duas décadas do século XIX como reação a confusão social,
moral e artística provocada pela Revolução Industrial, segundo os seus seguidores.
Defendia a volta do artesanal e desconsiderava os artigos que consideravam baratos e
feios, da época Vitoriana que eram fabricados em série. Os grandes influenciadores do movimento
foram John Ruskin e William Morris, um como inspiração filosófica e outro como designer e poeta. O
seu líder Morris considerava que tanto o designer quanto o artesão deveriam se adequar a finalidade,
respeitar a natureza dos materiais e os métodos de produção, defendendo uma expressão individual
de quem estava criando.
William Morris fundou em 1861 a empresa de design Morris and Company para produzir
móveis artesanais, trabalhos em metal, joias, têxteis e papéis de parede. Seus projetos recuperaram
a beleza e a qualidade do artesanato medieval. Um dos principais motivos do fracasso do movimento
Arts & Crafts se deu a que seus objetos não podiam ser transformados em estilos modernos, não
eram produtos práticos de fazer ou adequados para uma produção em massa, ficando acessível
apenas para as classes mais poderosas economicamente.

Principais características estilísticas


De uma forma geral apresentava como características estilísticas a simplicidade de formas
e volumes planos e lineares. Na sua primeira fase se inspirou nas formas vegetais e animais. A segunda
fase foi mais abstrata inspirada em movimentos e figuras míticas.
A madeira era o material mais importante desse período, sendo, na maioria das vezes,
utilizada de forma pura, sem adição de pinturas, mas valorizando suas manchas naturais.
A paleta de cores do Arts & Crafts era sutil, carregada de tons que remetiam a natureza.
O verde e o marrom eram as cores chaves, cores que não fizessem referência a esse universo não
eram bem aceitas, pois, interferiam no clima de naturalidade.
Houve um retorno às guildas (que surgiram no período medieval) pois consideravam que
seria a única forma de garantir a dignidade dos objetos. Havia então uma rejeição à máquina e o
retorno ao artesanal. Crença na superioridade da produção artesanal sobre a mecanizada, que era
vista como algo degradante tanto para o criador, quanto para o consumidor.

16
Competência 01

O mobiliário do movimento Arts & Crafts era simples e objetivo, sem muita
ornamentação, remetendo de alguma forma, ao que hoje se conhece como “estilo clean” do design
moderno. Além disso, eram feitos para serem duráveis e confortáveis, com foco aos detalhes e ao
material.

Figura 9: Mobiliário Arts & Crafts: cômoda de Gustav Stickley e cadeira de Harvey Ellis
Fontes: https://pinterest.com, 2020; https://www.christies.com/, 2020.
Descrição: a foto apresenta uma cômoda e cadeira em madeira, sem muitos detalhes.

Morris fundou também a Kelmscott Press em 1891, onde produziu obras originais (The
Story of Sigurd the Volsung, The fall of the Nibelungs, entre outras), bem como produziu a
reimpressões de clássicos. A sua obra mais conhecida é o “The Chaucer”, ilustrada por Burne-Jones.
Morris estudou a arte medieval em detalhes e trouxe o uso das capitulares nos livros, fato que o
diferenciou de outros impressores da época.

17
Competência 01

Figura 10: Página de livro produzido e impresso pela Kelmscott Press


Fonte: http://collections.conncoll.edu/kelmscott/gothic.html, 2020.
Descrição: a figura mostra duas páginas de livros.

Tapeçaria desenhada e tecida pessoalmente por William Morris.

Figura 11: Vine and Acanthus Leaves de William Morris.


Fonte: https://artsandcraftstapestries.com/, 2020.
Descrição: a foto exibe um tapete todo florido com diversas cores.

18
Competência 01

Os papéis de parede de William Morris alcançaram grande reputação. Na imagem um de


seus desenhos florais.

Figura 12: Papel de parede de William Morris.


Fonte: https://www.pinterest.com, 2020.
Descrição: a figura mostra um papel de parede florido com fundo azul.

Os vitrais tornaram a Morris and Company bastante conhecida na época. Várias igrejas e
entidades privadas contrataram Morris para fabricar seus vitrais.

Figura 13: A Ascensão de Morris, 1861.


Fonte: https://www.meisterdrucke.pt/, 2020.
Descrição: a foto mostra um vitral todo colorido com três pessoas ajoelhadas.

19
Competência 01

Estudante, na imagem a seguir, observe os detalhes da Red House de 1859, projetada por
Philip Speakman Webb para William e Jane Morris.

Figura 14: The Red House.


Fonte: https://www.archdaily.com.br/, 2020.
Descrição: a figura apresenta o exterior da residência The Red House, e mais três fotos do seu interior: sala, quarto e
outra sala, todos com texturas, em piso, parede, móveis, e estes bem trabalhados em madeira.

Ao observar o design atual, é possível ver a influência do Arts & Crafts quando se tem o
propósito de criar produtos ou projetar interiores de fácil utilização com objetivos bem definidos e
bons materiais. Não se pode esquecer de aspectos relacionados a durabilidade dos objetos, deixada
de lado por um longo período e em diversas situações, como por exemplo com a implantação da
obsolescência programada, como fatores contrários ao que, o Arts & Crafts acreditava. Além disso,
foi um movimento que influenciou fortemente o surgimento da Bauhaus e do movimento Modernista
que ocorreram na primeira década do século XX.
Na próxima competência você irá ver como o design vai se desenvolver a partir dos anos
1900, influenciado pelas novas tecnologias e novas ideias que surgem principalmente na Europa e
nos Estados Unidos. Prezado aluno, vamos percorrer juntos esse caminho, que iniciou com a
produção em série, como consequência da Revolução Industrial e que chegará ao século XXI.

20
Competência 02

2.Competência 02 | Situar no Contexto Histórico as Diversas Formas de


Manifestações Artísticas e as Diferentes Tendências Estéticas do Design e
Mobiliário
O estudo da história do design analisa como a sociedade se manifestou por meio de suas
expressões artísticas e visuais, através dos artefatos que o homem desenvolveu ao longo do tempo.
Esse estudo se torna importante, pois, a partir dele, é possível compreender a evolução estética,
formal e conceitual dos diversos períodos até o momento atual.
Compreender os estilos anteriores e suas principais características levam a uma melhor
compreensão das definições atuais que direcionam o movimento do design. O avanço tecnológico
que veio com a Revolução Industrial possibilitou o uso de novos materiais aplicados a objetos de
decoração, mobiliário, revestimentos e até na construção de edificações. Esse fato fez com que
houvesse uma expansão do mercado situando o design em um nível de importância sem igual para a
sociedade.
Conhecer o passado é importante para entender a sociedade em que se vive. Por
exemplo, o movimento moderno trouxe quebras de padrões em uma sociedade totalmente
reformulada a partir dos ideais iluministas e pela Revolução Industrial. Uma sociedade com novas
características surgiu a partir de então, com novos valores, demandas e anseios.
A Revolução Industrial levou a necessidade de novos critérios de fabricação, e de forma
paralela, novos movimentos estéticos começaram a surgir. Nessa competência, você vai estudar os
principais movimentos estéticos que surgiram a partir do século XX e reconhecer, por meio de sua
evolução, seu papel na contribuição social, além de identificar aspectos históricos e estéticos que
influenciaram o design contemporâneo.

2.1 O Design no Século XX

O século XX foi um período de intensas transformações sociais, presente também nas


profundas modificações no mundo das artes. As novas ideias e experimentações que surgiram nas
primeiras décadas do século XX foram importantes para a definição dos novos rumos que a arte
tomou.

21
Competência 02

As vanguardas artísticas foram movimentos que trouxeram grandes transformações nas


artes, nas primeiras décadas do século XX e que influenciaram também a cultura moderna, inclusive
a arquitetura e o design.

As vanguardas artísticas na Europa


Os movimentos de vanguarda surgiram na Europa no início do século XX. Foram resultado
de um complexo cenário histórico que se formou a partir da Revolução Industrial e se estendeu até́ a
grave crise política e econômica francesa, do ano de 1848; quando houve um fortalecimento dos
movimentos em defesa da democracia e uma preocupação com os problemas sociais das grandes
cidades europeias.
A arte, através das suas linguagens de pintura, desenho, escultura e colagem, discutiu
também esse novo momento social, influenciando também o design. Surgiu, assim, uma arte
comprometida com o social rompendo com os padrões estéticos estabelecidos de representação do
belo e das formas perfeitas.
Entre os principais movimentos de vanguarda, estão o expressionismo, o fauvismo, o
cubismo, o abstracionismo, o dadaísmo e o surrealismo.

Prezado aluno, convido para que nesse momento, assista a videoaula proposta
para essa competência com o tema “Movimentos Artísticos de Vanguarda”.

O termo vanguarda se origina da palavra francesa avant-garde, que se referia o


pelotão de frente de um exército, ou seja, os soldados que avançam à frente dos
demais em uma guerra. No início do século XX, passou a ser usado como
metáfora para empreendimentos inovadores. Depois, passou a ser utilizado para
descrever os movimentos artísticos revolucionários desse período histórico.

O neoplasticismo foi um dos movimentos da vanguarda europeia que mais influenciou a


arquitetura e o design do século XX. Piet Mondrian e Gerrit Rietveld se destacaram como artistas

22
Competência 02

neoplasticistas onde Mondrian tem a pintura como principal expressão e Rietveld o design e a
arquitetura.
A Cadeira Vermelha e Azul, de Gerrit Rietveld, é um bom exemplo de como a arte e o
design se conectavam nesse período, mostrando como na década de 1920, o design foi moldado por
uma série de estilos artísticos.
As vanguardas realizavam investigações teóricas e traziam essas ideias para as suas
representações artísticas. As investigações do De Stijl, grupo de artistas holandeses onde se
desenvolveu o neoplasticismo, são indissociáveis do pintor Mondrian, que defendia o uso de uma
ordem geométrica baseada em linhas verticais e horizontais, restringindo também o uso de uma
paleta com cores básicas. Posteriormente, Rietveld, influenciado pela estética de Mondrian projeta
uma peça de mobiliário com esses mesmos ideais.

Figura 15: Composição em Vermelho, Amarelo e Azul de Piet Mondrian, 1921. Cadeira Vermelha e Azul de Gerrit
Rietveld, 1923.
Fontes: https://artsandculture.google.com/entity/piet-mondrian/m0crnb5, 2020;
https://www.kirklandmuseum.org/collections/work/red-blue-armchair/, 2020.
Descrição: a primeira foto mostra uma composição nas cores vermelha, azul, amarela, cinza e branco, em várias formas
retangulares. A segunda foto, cadeira com cores dessa composição, em seu assento na cor azul e o encosto, na cor
vermelha e estrutura na cor preta e extremidades na cor amarela.

A Cadeira Vermelha e Azul de 1923 é um dos mobiliários mais influentes e reconhecíveis


do século XX, pois redefiniu as noções tradicionais de forma e espaço dentro dos limites de um objeto
de uso do cotidiano. Este projeto confundiu os limites entre pintura, escultura e arquitetura. O uso
de cores primárias negou a forma natural do material. Este conceito é característico do
neoplasticismo e foi um dos princípios do movimento De Stijl na Holanda no início do século XX.

23
Competência 02

2.2 O Art Nouveau

O Art Nouveau foi um estilo decorativo que teve início no final do século 19 e seguiu
aproximadamente até a primeira década do século 20, principalmente na Europa e nos Estados
Unidos. Teve como referências a industrialização, o movimento das Artes e Ofícios – Arts & Crafts, a
arte oriental, as artes decorativas e as iluminuras medievais. Propôs integrar as artes à indústria e
embora tenha se desenvolvido na pintura e na escultura, suas principais manifestações foram na
arquitetura e nas artes decorativas e gráficas.
O Art Nouveau se espalhou por todo o mundo, assumindo denominações diferentes em
cada região. Na França e Espanha ficou conhecido também como estilo Modernista, na Alemanha
pelo Jugendstil e nos Estados Unidos pelo estilo Tiffany.
Tem como grande característica o trabalho de arquitetos que buscavam um estilo próprio,
principalmente relacionado a ornamentação, experimentando com novos tipos de materiais como o
ferro e o aço.
Houve uma grande inspiração nas formas da natureza, prevalecendo composições florais
e o exagero de formas curvilíneas, assim como, a assimetria para que pudesse ser explorado o efeito
das curvas sinuosas. A figura feminina foi amplamente trabalhada nas suas composições. Aparecem
variações no estilo de acordo com o local em era produzido e os materiais empregados.
A ideia de que os objetos de uso cotidiano deveriam expressar beleza sempre se
manifestou ao longo da história da humanidade nas mais diferentes regiões e culturas. A busca pela
fusão entre beleza e utilidade existiu desde os tempos mais antigos e continuou a existir mesmo
quando os objetos passaram a ser produzidos em série pelas indústrias.

Art Nouveau e as artes aplicadas


As artes aplicadas são aquelas que se dedicavam a produzir objetos para o uso cotidiano.
Na França, se destacaram os trabalhos de René Lalique e de Émile Gallé.
René Jules Lalique foi um mestre vidreiro e joalheiro francês. Teve um grande
reconhecimento pelas suas criações de joias, frascos de perfume, copos, taças, candelabros, relógios
dentro do estilo modernista, utilizando pérolas, esmaltes e cores suaves, representando flores,
plantas e animais de aspecto frágil e delicado.

24
Competência 02

O broche Libélula foi apresentado na Exposição Universal de Paris de 1900, onde o artista
ficou reconhecido como grande joalheiro do estilo Art Nouveau.

Figura 16: Broche Libélula, 1897-1898.


Fonte: https://artsandculture.google.com/asset/peitoral-%C2%ABlib%C3%A9lula%C2%BB-ren%C3%A9-
lalique/rAECp2UXTtBGeg, 2020.
Descrição: broche em formato de libélula, em estrutura dourada, e tons de azul predominantes.

Émile Gallé, vitralista e ebanista trabalhou com vidros opacos e semitransparentes. Nos
mobiliários voltou a usar a técnica tradicional de marchetaria. A principal temática de seus artefatos
são flores e folhagens, realizadas em camadas sobrepostas de vidro, técnica desenvolvida por ele.
Uma produção de fins de século XIX e início do Século XX, traz especificamente paisagens tropicais,
inspiradas no Rio de Janeiro.

Figura 17: Vasos de Émile Gallé.


Fonte: https://artsandculture.google.com/entity/%C3%A9mile-gall%C3%A9/m01gtzn?categoryId=artist, 2020.
Descrição: a foto mostra três jarros. O primeiro, nas cores bege de fundo e detalhes na cor branca de elefantes e
árvores. O segundo, mostra uma paisagem com morros e vegetação, e o terceiro, com fundo mais claro e libélulas na
cor amarela.

25
Competência 02

Art Nouveau na arquitetura


O movimento Art Nouveau procurou promover a integração entre as artes aplicadas e a
arquitetura. Na arquitetura, manteve a tendência decorativista, também empregada nos objetos do
cotidiano. Um dos méritos desse movimento foi compreender que era possível criar formas novas
com o ferro e o vidro.
Na Bélgica se destacaram os arquitetos Henri van Velde e Victor Horta, que se dedicaram
a trazer um aspecto mais moderno à arquitetura, independente de qualquer tendência anterior.
Henri van Velde projetou edifícios simples, mas que não imitavam formas preexistentes.
Victor Horta trouxe novidades à arquitetura com o uso amplo do ferro e vidro nos edifícios projetados
em Bruxelas. É o caso da Casa Tassel.
Na França, o movimento Art Nouveau também foi marcado pelo uso do ferro e do vidro,
o que levou a um excessivo floralismo decorativista. Um exemplo claro disso são as conhecidas
entradas do metrô parisiense, projetadas por Hector Guimard, um dos mais importantes arquitetos
franceses ligados a este movimento.

Figura 18: Casa Tassel e entrada de Metro em Paris.


Fontes: https://architectenweb.nl/nieuws/artikel.aspx?ID=41736, 2020; https://pinterest.com, 2020.
Descrição: primeira foto apresenta uma escada com estrutura em madeira, e corrimão e balaústre em ferro. A segunda,
a entrada de uma das estações de metrô, toda com estrutura em ferro e vidro.

26
Competência 02

Na Espanha, a arquitetura do fim do século XIX e início do século XX apresentou além do


caráter decorativista, um aspecto fantasioso, principalmente através dos projetos do arquiteto
Antonio Gaudí. São exemplos as casas Milá e Battló e o Parque Güell.

Figura 19: Casa Milá, Casa Battló e Parque Güell.


Fonte: https://archtrends.com/, 2020.
Descrição: a figura apresenta três fotos. As duas primeiras, de edificações com formas onduladas, e a terceira, a vista de
um parque, e no seu entorno edificações bem coloridas.

2.3 O Art Déco

O termo Art Déco, de origem francesa (abreviação de arts décoratifs), refere-se a um


estilo decorativo que se desenvolveu nas artes plásticas, nas artes aplicadas (mobiliário e decoração)
e na arquitetura, durante o período de entre guerras europeu. Além da Europa foi amplamente
difundido também nos Estados Unidos durante as décadas de 1920 e 1930. Era essencialmente ligado
à decoração e à busca de soluções para a produção industrial e sua principal característica foi o uso
de formas geométricas.

27
Competência 02

O estilo foi visto pela primeira vez — em projetos de decoração de interiores, estamparia,
tapeçaria, cerâmica, vidro, joias, artefatos de metal, esculturas e luminárias — na Exposição de Artes
Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris, no ano de 1925, apesar de nem tudo o que
se exibiu nesse evento pode ser qualificado como Art Déco. A princípio, o estilo era conhecido por
Style Moderne ou “Paris 1925”, só́ passando a ser chamado de Art Déco em meados dos anos 1960
quando houve um novo interesse pelo que havia sido produzido naquela época.

Figura 20: Cartaz da exposição de artes decorativas e industriais, Paris 1925.


Fonte: https://br.pinterest.com/, 2020.
Descrição: a foto exibe um cartaz de exposição, em tons rosa e borda preta.

Depois da Primeira Guerra Mundial e em função das novas possibilidades tecnológicas e


de novos valores e necessidades que surgiam, a sociedade viveu um momento em que o lazer, a
velocidade, as viagens, o luxo, as festas e a música, através do jazz auxiliavam todos a esquecer os
traumas gerados pela guerra; foi nesse cenário que se desenvolveu esse novo estilo.

28
Competência 02

Inseriu-se em um contexto que exaltava o consumismo, o estilo Art Déco se difundiu por
meio da arquitetura e de produtos como aparelhos de rádio, automóveis, transatlânticos, aviões,
cosméticos e filmes de Hollywood. Muitos dos artefatos desenvolvidos naquele momento
representavam asas de aviões, proas de barcos, motores de automóveis. O bule, de Jean Puiforcat —
é um exemplo que faz claras referências às linhas dos transatlânticos.

Figura 21: Bule de Jean Puiforcat, 1935.


Fonte: http://www.artnet.com/, 2020.
Descrição: a foto mostra um bule na cor branca e alça na cor cinza e dourada, todo em formato curvo.

O movimento apresentou como principais características a tendência à abstração e


geometrização. Assim, a forma, a cor, a linha e o volume adquiriram grande importância. Além do
bronze, do ferro, da prata, do ouro, do mármore, da cerâmica, do veludo e da seda, o Art Déco utilizou
em seus projetos novos materiais como o cromo, o alumínio, a baquelita e vários tipos de plásticos.
Como estilo, buscava representar a essência e a qualidade das coisas, a partir da simetria e do uso de
formas escalonadas — baseadas no desenho de ondas, espirais e ziguezagues estilizados.
Como sempre, os artefatos desenvolvidos refletiam as inovações tecnológicas da época,
assim, os materiais se mostraram como um fator fundamental para a inovadora configuração de
muitos objetos que apresentavam também contraste entre cores e texturas.
O estilo se destacou pelo seu ecletismo, além de se inspirar em elementos de diferentes
movimentos artísticos como o expressionismo, o cubismo, o futurismo e o surrealismo, também se
inspirou na cultura popular, assim como, na arte primitiva e em motivos egípcios e africanos. Desde
o final do século XIX, os artefatos das culturas primitivas eram amplamente valorizados pelos museus
europeus, que abriram suas portas expondo-os como obras de arte.
Na arquitetura se destaca como exemplo desse estilo, o edifício Chrysler do arquiteto
William van Alen, onde é possível observar várias características formais do Art Déco.

29
Competência 02

Figura 22: Edifício Chryler em Nova York.


Fonte: https://www.novayork.net/, 2020.
Descrição: a figura mostra duas fotos de um edifício com curvas e retas em sua estrutura.

No mobiliário, o designer americano Donald Deskey utilizou o laminado de madeira


tingida nos seus móveis no final dos anos 1920.

Figura 23: Escrivaninha de Deskey em mogno e alumínio.


Fonte: http://www.artnet.com/, 2020.
Descrição: foto de uma escrivaninha na cor marrom, estrutura na cor preta e puxadores em tons cinza.

30
Competência 02

2.4 O Movimento Moderno e a Bauhaus

O movimento Moderno conhecido também como Modern Style foi o principal movimento
do século XX, surgiu como consequência da crescente industrialização, colocando o design como
elemento democratizador. Merecem especial destaque nesse período os arquitetos: Mies van der
Rohe, Adof Loos, Peter Behrens e Le Corbusier.
Através de formas simples e isentas de decoração, acabamentos lisos e desprezo pela
decoração o design era visto como racional, explorando o que havia de mais moderno em materiais
e tecnologia.
A Bauhaus foi a mais influente escola de artes, design e arquitetura do século XX, criada
em 1919 pelo arquiteto alemão Walter Gropius, e se inseriu dentro do Movimento Moderno.
Revolucionou o design trazendo importantes contribuições para as transformações estéticas que
ocorreram no século XX. Reuniu grande número de importantes artistas e arquitetos, seu método de
ensino e as características estéticas influenciaram profundamente a produção cultural em todo o
mundo.
Gropius propôs para a Bauhaus um ensino democrático, a partir da pesquisa colaborativa
entre alunos e professores. Um dos grandes princípios da escola é que seu ensino estava centrado na
arquitetura, considerada a grande obra de arte que conectaria as demais artes. Gropius acreditava
que arquitetos, engenheiros, escultores e pintores deveriam estar integrados para o
desenvolvimento da arquitetura, unindo as artes e a técnica.
O principal fundamento da Bauhaus era resgatar a qualidade do artesanato, mas
adaptado para a sua aplicação na produção industrial. Ao unir teoria e prática, a ideia era resolver a
discussão iniciada no século XIX pelo movimento Arts & Crafts. A partir dessa união entre artesanato
e indústria, buscava-se criar projetos, nas oficinas da escola, que pudessem ser vendidos para as
empresas, tornando-a assim, autossuficiente.
Como características formais são encontradas a influência do construtivismo. Em relação
à arquitetura, algumas características eram bem demarcadas nas criações, como as formas
geométricas se adequando à simplicidade de forma bem estabelecida. A cor branca também é
atribuída as criações da Bauhaus que prezava pela construção de paredes lisas dando um aspecto
diferente aos projetos.

31
Competência 02

Figura 24: Edifício Bauhaus de Walter Gropius em Dessau, um exemplo perfeito do novo estilo, a parede de vidro
deixava entrar luz nas oficinas.
Fonte: https://conhecimentocientifico.r7.com/, 2020.
Descrição: foto do edifício da Bauhaus, todo retilíneo, na cor branca, com fachadas em vidro.

Após a Primeira Guerra Mundial, os designers se aproveitaram de novos materiais


sintéticos e técnicas de produção, experimentaram o tubo de aço, e chegou-se à primeira cadeira
Cantilever atribuída a Mart Stam, embora também seja reinterpretada posteriormente por Mies van
der Rohe e Marcel Breuer. Esta configuração de cadeira de tubo de aço não possui as duas pernas
traseiras, suportando o peso nas duas anteriores e na sua extensão horizontal.

Figura 25: Cadeira Cantilever, Mart Stam, 1931.


Fonte: https://www.archiproducts.com/, 2020.
Descrição: a foto mostra uma cadeira, em estrutura metálica e assento e encosto na cor preta.

32
Competência 02

Figura 26: Lâmpada Bauhaus de 1925 por Wilhelm Wagenfeld.


Fonte: https://conhecimentocientifico.r7.com/, 2020.
Descrição: lustre com estrutura metálica e lâmpada em meia circunferência na cor branca em cima da estrutura.

O Pavilhão Mies van der Rohe foi projetado para a feira internacional de 1929 em
Barcelona. Construído com base na grande premissa do movimento Moderno: “Menos é Mais” é
considerado um marco importante na história da arquitetura moderna, sendo conhecido pela sua
geometria e pureza formal e pelo uso inovador e extravagante de materiais tradicionais, como o
mármore, mas também, de novos materiais industrializados, como o aço e o vidro.

Figura 27: Pavilhão Mies van der Rohe e cadeira Barcelona.


Fonte: https://www.archdaily.com.br/, 2020.
Descrição: a primeira foto, mostra uma edificação em linhas retas, com alguns pilares metálicos e espelho d’água ao
lado. A segunda foto, apresenta uma cadeira com estrutura metálica e curva e assento e encosto na cor branca.

33
Competência 02

Le Corbusier projetou o que hoje é uma peça icônica do mobiliário do século XX, a Chaise
Longue LC4 de 1928, que se destaca pela sua imagem, seus materiais industriais, sua forma
ergonômica e seu conforto.

Figura 28: Chaise Longue de Le Corbusier.


Fonte: https://pt.socialdesignmagazine.com/, 2020.
Descrição: a foto mostra uma cadeira, tipo espreguiçadeira, com estrutura na cor preta na base e metálica embaixo do
assento e encosto, e estes na cor preta.

A Bauhaus trouxe um profundo aprendizado da técnica e do abandono da ornamentação.


Na Alemanha, a Bauhaus impõe formas puras e funcionais. Por volta de 1933, com a proximidade da
Segunda Guerra Mundial, a escola chegou ao seu fim e seus fundadores emigraram para os Estados
Unidos. Como resultado da crise de 1929, os industriais americanos perceberam a importância da
estética no sucesso comercial de produtos de grande consumo.
Com a inovação tecnológica decorrente da Segunda Guerra Mundial, novos materiais para
o design foram criados. Esses novos materiais, como o plástico, permitiram uma maior liberdade na
criação de formas. A cadeira Tulip 150 de Hermann Miller e Eero Saarinien, ainda faz parte do
mobiliário de muitos designers de interiores da atualidade.

34
Competência 02

Figura 29: Cadeira Tulipa de 1955.


Fonte: https://br.pinterest.com/, 2020.
Descrição: a foto exibe uma cadeira toda na cor branca e com uma almofada no assento, na cor amarela.

A partir do final dos anos 1950, produtos de design e “culto” começaram a ser fabricados.
A cadeira Eames, de Ray e Charles Eames, com apoio para os pés é um marco em produtos de design
distinto.

Figura 30: Poltrona Eames de 1956.


Fonte: https://www.hermanmiller.com/, 2020.
Descrição: a foto mostra uma cadeira e apoio para os pés, separados. As duas peças são em estrutura dos pés de ferro,
a estrutura do assento, do encosto e do apoio dos pés em madeira, e por cima couro na cor preta.

35
Competência 02

2.5 A Contracultura e o Estilo Memphis

A contracultura foi um movimento que teve seu auge na década de 1960, em razão da
mobilização e contestação social, utilizando os novos meios de comunicação em massa. Os jovens na
busca de novas formas de expressar seus valores e comportamentos e de se opor aos valores
convencionais, buscavam um espírito mais liberal, que chamaram de cultura underground, cultura
alternativa ou ainda de cultura marginal.
Como movimento artístico, o Pop Art surgido na Inglaterra e consolidado na década de
1960 nos Estados Unidos, se inspirou no consumo de massa e na cultura popular. Questionou
abertamente os preceitos do bom design e rejeitou o Movimento Moderno e seus valores.
Destacando visualmente aspectos da diversão, mudança, variedade, questionando o descarte de
produtos e a sua baixa qualidade.

Figura 31: Pintura de Andy Warhol - Latas de Sopa Campbell, 1962.


Fonte: https://artrianon.com/, 2020.
Descrição: a figura exibe uma pintura com a foto de uma lata de sopa repetida várias vezes.

O Estilo Memphis
Nos anos 1980 vários movimentos de oposição surgiram na Itália: anti-design, anti-
funcionalismo, novo design. O Memphis foi um estilo de design criado por um grupo italiano de
designers e arquitetos em 1981 sendo fundado em Milão, por Ettore Sottsass, que tinha também esse
aspecto contestador. O coletivo criou móveis, tecidos, cerâmicas, vidros e objetos metálicos com a
estética pós-moderna dos anos 1980.

36
Competência 02

Os seus integrantes buscavam uma resposta a seriedade da estética e funcionalidade da


Bauhaus. As inspirações estéticas vinham do Art Déco, do Pop Art, do estilo Kitsch dos anos 1950 e
de temas futuristas.
O grupo desenvolveu projetos de mobiliário e objetos de decoração, aplicando o uso de
policromia e cores fortes, de formas simples e únicas, de maneira experimental e excêntrica. Um
ambiente totalmente decorado com esse conceito pode deixá-lo com muita informação, o ideal é
aplicar essa profusão de cores e formas em detalhes ou em alguns objetos.
O grupo finalizou suas atividades em 1988, mas o movimento Memphis acabou se
transformando em uma das maiores expressões da cultura pop.

Figura 32: Estante Carlton de Ettore Sottsass.


Fonte: https://br.pinterest.com/pin/813744226395575244/, 2020.
Descrição: a foto apresenta uma estante em madeira, com prateleiras e estruturas retas, mas com diversas formas e
cores, e duas gavetas na cor vermelha, em uma sala de estar.

Figura 33: Decoração estilo Memphis.


Fonte: https://www.lopes.com.br/, 2020.
Descrição: a foto apresenta uma estante em madeira, com prateleiras e estruturas retas, mas com diversas formas e
cores, e duas gavetas na cor vermelha, em uma sala de estar.

37
Competência 02

2.6 O Design Contemporâneo

A arte contemporânea se caracteriza por uma pluralidade de estilos que vêm sendo
produzidos desde o pós-Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje. Rompendo com os conceitos
preestabelecidos de arte, reinventa e inova nas formas de expressão, dando liberdade total aos
artistas para explorarem todas as potencialidades de discussão e reflexão da realidade por meio da
arte.
São exemplos dessa pluralidade de estilos e formas de expressão o Minimalismo, o Op
Art, a arte cinética, a arte conceitual e a land art. O design e a arquitetura se deixam influenciar por
esses estilos, mas também pelos conceitos trazidos pelo pós-modernismo, que foi introduzido a partir
dos anos 1960 e veio acompanhado dos avanços tecnológicos da era digital, da expansão dos meios
de comunicações, da indústria cultural, bem como do sistema capitalista (lei de mercado e consumo)
e da globalização.
A arte pós-modernista é eclética, híbrida e sem hierarquizações, é considerada uma
antiarte. Explora o lúdico, o humor, a metalinguagem, a pluralidade de gêneros, as fragmentações e
desconstruções de princípios e valores.
Na arquitetura se observa o desconstrutivismo a partir de formas quebradas e cortadas,
geometrias torcidas com camadas múltiplas, e existindo uma rejeição à ornamentação. A obra do
arquiteto Frank Gehry representa bem essas características do desconstrutivismo.

Figura 34: Casa Dançante em Praga, Pavilhão Olímpico em Barcelona e Teatro Walt Disney em Los Angeles.
Fonte: https://mymodernmet.com/, 2020.
Descrição: a figura apresenta três fotos de edificações bem orgânicas e com materiais diversos em suas estruturas.

38
Competência 02

A partir dos anos 1990, o design voltou-se para os dispositivos eletrônicos, e as formas
giram em torno do biodesign, como resposta a uma crescente preocupação do impacto ambiental
causado pelo homem. O design ergonômico adaptado à relação homem-objeto começa a ganhar
grande relevância.

Figura 35: Cadeira e espremedor de laranjas de Philipe Starck.


Fonte: https://www.starck.com/, 2020.
Descrição: a figura exibe duas fotos. A primeira, de uma cadeira toda na cor preta, estrutura e assento. A segunda. Um
espremedor de laranja todo metálico e com três apoios.

O cenário atual se apresenta como um grande desafio. Para compreender o presente e


projetar para o futuro é preciso conhecer o passado.
Foi possível ver ao longo dessa competência como o design acompanhou os diversos
movimentos artísticos e culturais da sociedade caracterizando, através dos seus objetos, cada
momento e suas particularidades ao longo do século XX e início do XXI e principalmente como foi
sendo definida uma cultura voltada para as necessidades do homem em cada época.
A próxima competência apresentará as formas de compreensão do design como um
elemento que faz parte dos processos de comunicação, que se inicia com a percepção de quem está
observando algum objeto e lhe atribui certos significados.

39
Competência 03

3.Competência 03 | Ter Percepção Crítica da Produção do Design ao Longo


do Tempo, Avaliando a Importância Histórica do Design de Interiores em
Relação a sua Época

Tal qual a arte, o design produz objetos capazes de despertar uma reação estética, reação
esta que não reside, necessariamente, nem no objeto e nem no seu processo de produção, mas no
poder de quem o criou e, principalmente do espectador/usuário de atribuir a qualquer artefato
significados muitas vezes diversos daqueles constituídos pelo senso comum de uma época.
Mais do que uma simples intenção, a dimensão estética do objeto envolve a transmissão
de significados ao mesmo tempo profundos e que podem estar em constante mudança, dentro de
um contexto cultural específico, relacionando-se a conceitos bastante complexos como valor e gosto.
Enquanto o paradigma cultural e industrial da passagem do século XIX para o XX colocava
em dúvida a validade de se produzir obras únicas, em uma sociedade empenhada na construção de
uma cultura que se dizia mais democrática por ser de massa, o paradigma cultural e industrial da
passagem para o século XXI demonstra um claro esgotamento da crença nos movimentos de massa,
em favor da segmentação e produção em escala reduzida.
Em um mundo em que a homogeneização do pensamento se apresenta como um dos
perigos mais imediatos, o objeto único e o fazer artesanal se apresentam sob nova ótica, não mais
como instâncias exclusivamente de privilégio, mas antes, de resistência ao senso comum do mercado
e de sobrevivência de valores esquecidos.
Nesse sentido, será que não é interessante refletir sobre qual será a função do design
neste novo mundo que estamos construindo?

3.1 Funções do Design

Os designers desempenham um papel importante na sociedade já que exercem certa


influência sobre ela através do seu trabalho. Como designer, não se deve acreditar que a informação
é transmitida simplesmente como um mero canal ou veículo, mas que, dada a sua transcendência
discursiva e de conteúdo, os valores costumam ser transmitidos na maioria dos casos no dia a dia dos
usuários.

40
Competência 03

Normalmente aos artefatos lhes é atribuído um preço ou valor econômico; que se tornam
referências a serem seguidas e, com isso, circulam na sociedade em que estão presentes.
A publicidade tem um impacto e papel social considerável, uma vez que esses produtos
costumam estabelecer ou promover padrões de beleza e de consumo gerando uma quantidade de
estímulos que levam a um consumismo exagerado. Portanto, é necessário desenvolver estratégias
que orientem os comunicadores a gerar propostas socialmente responsáveis e conscientes dos
impactos que possam causar.

3.2 Design e Sociedade do Consumo

Nós realmente precisamos de tudo que compramos? O que você pensa sobre isso, caro
estudante?
Atualmente existem muitos itens que são projetados e fabricados para o nosso consumo,
criando uma necessidade antes mesmo que ela exista. Através da publicidade, são mostradas todas
as vantagens e facilidades de um determinado produto. Queremos ter o que há de mais moderno em
tecnologia em celulares, computadores, carros e assim por diante, com uma longa lista de produtos.
Consumir dessa forma leva a: 1. Descarte de coisas que ainda podem ser úteis para nós,
transformando-as em resíduos que na maioria das vezes não podem ser reciclados e no final vão para
aterros sanitários; 2. Gastar dinheiro com coisas que realmente não precisamos, mas que também
nos tornam consumidores conformistas, se comprarmos qualquer coisa que saibam nos vender,
qualquer produto que saibam nos apresentar.

Figura 36: Lixo eletrônico descartado de forma incorreta.


Fonte: http://g1.globo.com/, 2020.
Descrição: a foto mostra uma pessoa em cima de uma grande quantidade de lixo eletrônico, como partes de
computadores e aparelhos de som.

41
Competência 03

A obsolescência programada consiste em limitar deliberadamente a vida útil dos produtos


para forçar os consumidores a consumir mais, é um conceito chave nas estratégias de grandes
fabricantes.
Observe alguns tipos de obsolescência programada:
 Obsolescência funcional: certas peças de um produto falham em um determinado
período de tempo, o que significa que em muitos casos a substituição de todo o
aparelho é mais barata do que a substituição de peças defeituosas. Um bom exemplo
são as impressoras jato de tinta atuais;
 A obsolescência da qualidade: baseia-se na melhoria do produto, o que estimula o
público a substituí-lo por um novo; como os celulares que apresentam novas funções
incorporadas;
 A obsolescência da atratividade: mudanças na aparência do produto, moda e opinião
do consumidor. O impacto que as mudanças estéticas gerariam no mercado, já havia
sido comentada nos anos 1920, pelo presidente da General Motors, Alfred Sloan,
principalmente no mercado automobilístico.

Figura 37: Evolução de aparelhos de celulares.


Fonte: https://www.rankmyapp.com/, 2020.
Descrição: figura apresenta vários celulares que foram evoluindo com o tempo seu formato e tecnologia. A figura
mostra do ano de 1990 até 2019.

3.3 Design e Arte

Semelhanças e diferenças entre Design e Arte

42
Competência 03

A diferença entre estes dois conceitos reside no fato do Design ser uma profissão em que
necessidades ou problemas são encontrados e resolvidos através dele, a arte, por outro lado, centra-
se mais na expressão plástica e individual das ideias.
A semelhança se encontra na sensibilidade estética que pode ser vista nos objetos, sejam
eles de design ou peças artísticas.
Em relação à profissão, o designer se caracteriza como quem projeta objetos funcionais,
ferramentas ergonômicas, móveis, acessórios úteis, vestimentas, espaços físicos ou virtuais, sites,
multimídia, informações, mensagens não verbais, signos, símbolos e sistemas, desenvolvimento de
elementos gráficos e imagens, classificando tipologias e criando ou modificando fontes; são algumas
das possibilidades de trabalho do designer.
Seu campo de atuação está relacionado à indústria, ao comércio e a todas as atividades
culturais, onde é preciso satisfazer um cliente e um consumidor. O designer parte de um problema
que tenta resolver. Ele pode definir o problema, mas na maioria dos casos, este problema é proposto
por um cliente.
A arte se apresenta como uma atividade através da qual ideias, emoções ou, em geral,
uma visão de mundo são expressadas, através de vários recursos, como plástico, linguístico, sonoro
ou mesmo misturados. A arte nasce originalmente da necessidade expressiva do artista e não precisa
seguir as indicações de um cliente ou do mercado.

Figura 38: Soluções de abrigo do ponto de vista do design e arte.


Fontes: https://mac.arq.br/, 2020; https://www.pinterest.fr/, 2020; https://www.gladstonegallery.com/, 2020.
Descrição: figura apresenta três fotos. A primeira, a Clochán, uma cabana de pedras. A segunda, uma barraca de
camping. E, a terceira, o Igloo Ticino, 1990 de Mario Merz, um modelo de cabana em pedras em tons cinzas.

43
Competência 03

3.4 O Processo Criativo e Projetual do Design

A criatividade tem sido estudada e definida de diversas maneiras, o que sugere a


existência de um fenômeno complexo, com múltiplas possibilidades.
Entretanto, um ponto comum entre as diversas definições está na afirmação de que a
criatividade estabelece uma nova coerência entre os elementos, ou novas formas de relacionar os
fenômenos, bem como compreender os termos, os produtos e as ideias decorrentes de uma dada
situação que até então não haviam sido relacionados.
Pesquisas que se dedicaram à investigação de aspectos relacionados à criatividade,
demonstram que ela é algo inerente ao ser humano e pode ser desenvolvida e aprimorada através
de prática e de treino.
O desenvolvimento do potencial criativo é diretamente influenciado pelas condições
socioculturais em que o indivíduo está inserido. As capacidades de associação, organização e análise
também são influenciadas pelo meio e estão diretamente ligadas à criatividade.
A criação depende muito do repertório do designer e de seu conhecimento histórico do
contexto onde está inserido, podendo assim apresentar o melhor desenvolvimento nos seus projetos.
O trabalho do designer é de alguma forma uma espécie de discurso, portanto, reflexo de seu
conhecimento.
São inúmeras as pesquisas que descrevem o processo criativo. Para uma melhor
compreensão dos mecanismos desse processo, os autores o dividem em “momentos chave”, que
nada mais são que uma fase ou etapa do processo.
Assim como a criatividade, o processo criativo não se desenvolve em um simples “estalo”.
Na verdade, ele é resultado de experimentação e esforço do indivíduo que o realiza. Para Ostrower
(1977) o processo criativo engloba o pensar e o sentir, consciente e inconsciente, a intuição e acaso.
O processo de projeto geralmente envolve as seguintes fases:
1. Observar e analisar o ambiente em que o ser humano atua, descobrindo suas
necessidades e funções;
2. Avaliar, através da organização e priorização, as necessidades identificadas;
3. Planejar e projetar, propondo uma forma de resolver estas necessidades, através de
planos e modelos, procurando descobrir a possibilidade e viabilidade da(s) solução(ões);

44
Competência 03

4. Construir e executar levando a ideia inicial à vida real, por meio de materiais e
processos de produção.

Esses quatro atos são realizados um após o outro e, às vezes, continuamente.

Figura 39: Etapas do processo de design.


Fonte: a autora, 2020.
Descrição: figura mostra quatro círculos amarelos com dizeres em seu interior, e estes interligados a um círculo central
com o desenho de quatro cadeiras coloridas. Os dizeres na ordem são: 1. Observar e analisar; 2. Avaliar; 3. Planejar e
projetar; 4. Construir e executar.

Hoje, devido ao aprimoramento do trabalho do designer; graças a melhores processos de


produção e recursos computacionais, pode ser destacado outro ato fundamental nesse processo:
projetar como um ato cultural.
Isso implica conhecer critérios de design como a sua apresentação, produção, significado,
socialização, custos, estratégias de vendas, entre outros. Esses critérios são inúmeros e vão
aparecendo à medida que os projetos de design são definidos.

45
Competência 03

Figura 40: Luminária Taccia, 1958 de Achille Castiglione.


Fonte: https://www.archiproducts.com/, 2020.
Descrição: figura exibe a foto de uma luminária com estrutura metálica circular e local da lâmpada semicircular, e ao
lado o desenho do esboço de seu projeto.

Em outra aproximação à compreensão do processo projetual é possível destacar duas


grandes etapas:

1. Fase de gerenciamento do projeto: ESTUDO DO PROBLEMA;


2. Fase do processo de design (projeto): FORMULAÇÃO DA SOLUÇÃO.

Fase de gerenciamento do projeto (Estudo do Problema): engloba os seguintes aspectos:


a) Estudo de viabilidade: possíveis soluções para o problema, análise da viabilidade do projeto; b)
Definição do problema: lista de funções e requisitos, especificações; c) Estudo detalhado: relatório
de detalhes técnicos de funções, operacionalidade e comercialização; d) Realização ou construção:
protótipo; e) Avaliação: o protótipo é submetido a testes, físicos e testes com consumidores.
Fase do processo de design (projeto) (Formulação da Solução): engloba os seguintes
aspectos: a) Identificação do problema: incidentes no ambiente, economia, reações do usuário; b)
Análise do problema: todas as informações recebidas sobre o problema são avaliadas para extrair
dados úteis sobre fabricação e patentes; c) Síntese e soluções do problema: a fase mais criativa sujeita
o projeto a questionamentos até atingir um grau ótimo de satisfação; d) Validação e avaliação:
seleção de uma das soluções para o problema, para iniciar a criação de um modelo no qual será
avaliada sua compatibilidade com as especificações iniciais.

46
Competência 03

Figura 41: Poltrona Sanluca, 1961 de Achille Castiglione.


Fonte: https://br.pinterest.com/, 2020.
Descrição: figura mostra duas cadeiras com pés na cor preta e toda estrutura na cor marrom. Ao lado, o desenho do
esboço de suas peças separadas, e o desenho dela pronta.

Brainstorming é uma técnica utilizada para propor soluções a um problema


específico. Consiste em uma reunião também chamada de tempestade de ideias,
na qual os participantes devem ter liberdade de expor suas sugestões e debater
sobre as contribuições dos colegas.

3.5 Design, Comunicação e Semiótica

Foi visto que desde o surgimento do design, mesmo no início da produção industrial,
sempre houve uma procura pela forma esteticamente agradável. Nas primeiras décadas do século
XX, o funcionalismo foi uma das principais características propostas por alguns países, especialmente
a Alemanha, o que levou a uma forma de fazer design centrada na configuração da forma e ao
funcionamento do artefato.
Mais tarde, após a II Guerra Mundial, a ergonomia se consolidou no campo do design e
outro princípio se somou ao funcionalismo, o de adequação do produto ao usuário, o que hoje pode
ser observado tanto nos sistemas de uso quanto de informação.

47
Competência 03

Figura 42: Dormitório infantil adaptado as necessidades da faixa etária e da individualidade da criança.
Fonte: https://estadodeminas.lugarcerto.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta um quarto infantil com móveis na cor branca, e paredes e piso em tons claros. Objetos
coloridos nos móveis, e um pufe na cor azul.

Isto significa que agora o produto, o projeto além de ser funcional, agradável e ter uma
boa interface, precisa carregar também uma mensagem adequada, ou seja, precisa comunicar o que
pretende a quem interessa, ao seu público.

Cadeira – Institucional Flix.


Link: https://www.youtube.com/watch?v=tMMbpfcwFoo
No vídeo é possível observar como as cadeiras apresentam diferentes
significados, observados a partir do seu design.

Foi observado ao longo das competências anteriores que o design carrega no seu
processo de elaboração e produção, expressões da cultura e tecnologia. Ao entrar em circulação o
produto se torna um elemento comunicativo, incorporando uma função significativa a outras
previamente consolidadas como a prática, a estética e a de uso. Nesse sentido, o designer comunica
visualmente um conceito, uma ideia; propondo um ordenamento estético e formal.
A função do designer é analisar, interpretar e propor signos que solucionem as
necessidades físicas e visuais, do produto/projeto, otimizando recursos para obter um resultado
adequado, esperando com isto estabelecer um processo de comunicação e satisfazer as necessidades
tanto do fabricante do produto como do consumidor do mesmo.

48
Competência 03

Para entender mais sobre signos e significados acesso o texto: O que é semiótica
https://sites.google.com/site/estesinversos/academicos/o-que-e-semiotica

Com a evolução do design e a ampliação do seu papel, seu caráter estratégico adquire
ainda mais relevância. Além de ser responsável pela criação e consequentemente circulação de
produtos e serviços é também responsável pelo aumento da qualidade de vida tanto individual como
coletiva. São aspectos que o situam e revelam a sua importância tanto para o vetor da economia
como para o vetor social.
Os designers devem então ficar atentos a relação de comunicação que se estabelece entre
o produto e o seu destinatário. A semiótica, ciência que vai estudar os signos e as suas interpretações,
serve como ferramenta na construção de significados valorizados pelo consumidor. O significado é a
interpretação do usuário sobre um objeto de design.
O produto de design será tratado, então, como um suporte de representações e
participante do processo de comunicação. Sendo possível considerar o seguinte esquema:
O designer (mediador do processo) identifica uma necessidade e elabora um projeto
(emissor) que contém uma mensagem que deve ser decodificada pelo consumidor (receptor).
Ao entender um produto/projeto como um instrumento comunicacional e
consequentemente semiológico, ele possui, segundo Bense (1971) quatro dimensões semióticas:
 A dimensão material;
 A dimensão técnica ou construtiva (sintaxe);
 A dimensão do uso (pragmática);
 A dimensão da forma (semântica).

Embora os termos utilizados por Bense (1971) sejam os mesmos utilizados no estudo da
linguagem e encontrados na gramática, nesse momento se referem, como você verá, aos aspectos
de um artefato.

49
Competência 03

Para o autor, cada uma dessas dimensões só pode ser compreendida em função das
outras. Ou seja, não se pode compreender a dimensão pragmática de um produto se todas as outras
dimensões não forem consideradas.
A dimensão MATERIAL, diz respeito à matéria-prima escolhida para a sua fabricação,
definindo assim as suas propriedades físicas, que são consideradas quando articuladas com as outras
dimensões, já que os materiais escolhidos para um determinado produto vão influenciar nas demais.

Figura 43: Mesa em madeira e ferro.


Fonte: https://www.coroflot.com/, 2020.
Descrição: foto apresenta uma mesa retangular em madeira, e seus pés todo em ferro na cor preta.

A dimensão SINTAXE abrange a estrutura do produto e o seu funcionamento técnico. A


estrutura consiste das partes e do modo como elas estão conectas umas às outras.
A sintaxe de um produto pode ser ilustrada por meio de desenhos técnicos e modelos.
Inclui tanto a análise da construção técnica quanto à analise de detalhes visuais como dobras,
aberturas, texturas, desenhos e cores.
Estes detalhes também podem ser descritos como aspectos da composição formal, como
simplicidade, complexidade, simetria, equilíbrio, dinamismo e ritmo.

50
Competência 03

Figura 44: Desenho técnico de uma mesa.


Fonte: https://www.coroflot.com/, 2020.
Descrição: figura apresenta o desenho de um projeto de uma mesa. Mostra suas vistas separadas e o desenho da mesa
em perspectiva.

A dimensão PRAGMÁTICA de um produto é analisada desde o ponto de vista do seu uso.


Pode ser tanto do ponto de vista ergonômico como sociológico. Quem usa o produto? Em que tipo
de situação o produto é usado?
Na dimensão pragmática está incluído pensar sobre todo o ciclo de vida do produto,
desde a escolha da matéria-prima até o seu descarte, ou sua inserção em um novo ciclo de vida.
Compreende também o conhecimento sobre o designer, o fabricante, o marketing, as vendas, os
compradores, o consumo, a legislação.

Figura 45: Prancheta. Mesa apropriada a execução de desenhos.


Fonte: https://slideplayer.com.br/, 2020.

51
Competência 03

Descrição: figura apresenta um desenho de uma pessoa sentada desenhando em uma prancheta com luminária, e uma
foto de uma prancheta retangular em cor clara e pés tubulares, na cor branca.

A dimensão SEMÂNTICA está relacionada a interpretação, consequentemente ao


significado gerado. Em um projeto é o seu sentido simbólico, é o seu caráter intangível, conceitos e
emoções que são despertados no consumidor, através da linguagem visual.
As qualidades expressiva e representacional de um produto, são aspectos centrais da
dimensão semântica. O que o produto representa? Como o objetivo do produto é expresso ou
representado? A que ambiente o produto parece pertencer?
A semântica do produto pode mudar se o material dele muda. Por exemplo, um bule pode
ser de porcelana ou de aço inoxidável. A função pratica é a mesma nos dois casos, mas a qualidade
dos bules não é a mesma, pois ao serem feitos de materiais diferentes, possuem diferentes modos
de expressar as suas respectivas qualidades de bule.

Figura 46: Bules de estilo Inglês fabricados com diferentes materiais.


Fonte: https://claudia.abril.com.br/, 2020.
Descrição: figura mostra três fotos de modelos de bules, fabricados com diferentes materiais como porcelana e aço
inox.

Por fim, podemos ainda dizer que quanto mais o produto for carregado de informações,
mais forte é a sua identidade. Essa identidade pode ser vista segundo três tipos de informação: 1) A
informação sobre a existência: observada na sua própria materialidade e definição do que é o
produto; 2) A informação sobre a sua origem: informando sobre o seu designer, fabricante, país e
cultura e 3) A informação sobre a qualidade: informando sobre o seu uso e manutenção.

52
Competência 03

Depois que teve a oportunidade de compreender os aspectos relacionados a


comunicação e significados de produtos e antes de passar para a próxima
competência, convido para que faça uma pausa para assistir a análise da
Poltrona Mole de Sérgio Rodrigo.

Nessa competência foi visto como o design dar sentido as coisas, a tudo que é produzido
pelo ser humano. Ressaltando assim, a importância de soluções que tenha em si um significado
valorizado no contexto da sociedade contemporânea.
Na próxima competência você verá como os espaços projetados por designers de
interiores ganham relevância e significados a partir das escolhas feitas por estes profissionais. A
escolha de um estilo mostra de forma bastante clara a preferência por aspectos estéticos e culturais
que vão se relacionar diretamente com a vida das pessoas a partir das escolhas que vão compor um
ambiente.

53
Competência 04

4.Competência 04 | Compreender as Diversas Tendências e Estilos do


Design e sua Aplicação no Desenvolvimento de Futuros Projetos de Design
de Interiores
Prezado estudante, nessa competência você terá oportunidade de compreender de que
maneira as características visuais dos movimentos artísticos e do design, que tomaram forma ao
longo da história, se transformaram no que hoje se conhece como tendências e estilos. Para isso,
serão apresentadas soluções do design de interiores que respondem a cada um dos estilos analisados.
Nem sempre é fácil entender qual é o nosso estilo e principalmente qual o estilo do
cliente, o que ele está buscando; isto porque, o estilo revela um tipo de personalidade, de identidade
que orientam o nosso senso estético, definindo qual visual nos agrada mais ou menos.
A importância de reconhecer essa característica possivelmente impactará de forma
positiva os projetos, já que, o que mais agrada estaria mais propenso a ser escolhido como a solução
protagonista na vida das pessoas, proporcionando qualidade de vida e, assim, experiências positivas
e felizes, por meio das escolhas ambientais do design de interiores.

4.1 Compreendendo o Significado da Palavra Estilo

O estilo descreve as características que dão qualidades as coisas, através do uso


sistemático de elementos, através de uma linguagem, no caso do design de interiores,
predominantemente visual, por meio da escolha de formas, cores e materiais, que juntos vão criar
um sistema simbólico, uma produção de sentido.
É um elemento que faz parte da identidade, seja de um indivíduo ou de um grupo. Pode
se referir ainda a períodos históricos ou épocas. Pode ser caracterizado pela maneira pela qual ideias
ou elementos são expressos, definindo assim, um tipo de expressão, de emoção e sentimento.
No design de interiores o estilo compreende o uso particularizado e sistemático de
elementos da produção cultural de um objeto ou de um espaço. Portanto, o uso peculiar de
determinadas cores, texturas, contrastes, equilíbrio, entre outros aspectos, vão compor a sintaxe
visual, definindo um estilo, que é dessa maneira, resultado das escolhas feitas pelo designer.

54
Competência 04

Em design, quando se fala em estilo de um produto, se pensa inicialmente nas suas


características formais, ou seja, nos elementos visuais que lhe atribuem certa personalidade em
razões de autoria ou época. O produto passa, então, a ser identificado por tais características.
Existe outra forma de compreender o sentido de estilo em design que tem a ver com os
valores que são atribuídos a determinados produtos. Dessa forma, está relacionado ao gosta e à moda
e consequentemente, as tendências. Significa, então, que um objeto terá mais estilo quanto mais
estiver no gosto do consumidor.
O profissional de designer tem então um grande desafio ao ter que identificar, encontrar
um determinado estilo, correndo o risco de não entregar ao seu cliente a proposta mais adequada e
comprometer o seu projeto. O briefing é uma ferramenta importante nesse processo, já que, por
meio dela é possível entender o perfil, gostos e necessidades dos clientes.

Briefing é o documento elaborado para guiar um projeto específico, contendo


informações claras e objetivas das necessidades e vontades do cliente, para
embasar as soluções e escolhas de um determinado projeto, a fim de alcançar os
objetivos estipulados. Funciona como uma descrição do trabalho a ser
produzido.

O desafio de projetar impõe ao designer de interiores conhecer os estilos arquitetônicos


e as tendências de decoração. Dessa forma, será possível identificar o que encantará o cliente, além
de fazer adaptações necessárias à realidade do projeto. Observe que é indispensável, compreender
como se configuram os diferentes estilos que hoje coexistem, como por exemplo o Minimalista ou o
Industrial.

4.2 Estilo Minimalista

O Minimalismo vem do inglês Minimal Art, fazendo referência aos movimentos artísticos
e culturais surgidos em Nova York no início dos anos 1960, e que apareceu como uma reação aos
movimentos anteriores como o Pop Art e o Expressionismo Abstrato, bastante influentes na época e
que valorizavam cores fortes, a quebra das formas tradicionais e os elementos em excesso.
Para muitos artistas os excessos passaram a representar uma distração ao objetivo
principal da obra. O movimento ganhou força no fim da Segunda Guerra Mundial quando houve um

55
Competência 04

aumento excessivo da produção e consumo em massa. O Minimalismo foi influenciado por


movimentos de arte vanguardista e diferentes culturas, como a oriental e a escandinava.
Contrário ao consumismo desenfreado, o Minimalismo prega um estilo de vida funcional
onde se utiliza o mínimo para valorizar as relações, e não as coisas. Leveza e organização são aspectos
fundamentais na sua conceituação.
A nova ideia era valorizar elementos, formatos e cores de forma mais simples, a partir de
uma filosofia mais simples que se inspira em grande parte na cultura japonesa. Na decoração o
conceito adotado pelo Minimalismo foi construído encima de ambientes fluidos e simples, com linhas
limpas, espaços abertos, formas geométricas e o uso criativo de materiais modernos.
O Minimalismo vai na contramão do excesso de informação e estímulos visuais da vida
contemporânea, nos lembra a cada momento que um espaço cheio de coisas pode representar
exatamente o contrário do que se busca ao voltar para casa: um espaço de paz em meio ao caos. Esse
é o contexto que surgiu o Minimalismo, uma corrente de pensamento que passou a influenciar a arte,
o design, a moda, e tantos outros aspectos da vida moderna que buscam um estilo de vida mais
funcional e menos consumista.

Assista ao documentário “Minimalismo: Um documentário sobre as coisas


importantes”, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gBaXUU8c-
Mk

Características Estilísticas
Uma decoração que segue os seus princípios deve ser visualmente limpa e sem excessos,
prezando pela funcionalidade, deve haver o cuidado, entretanto, para não tornar o ambiente
desprovido de caráter ou que não atenda às necessidades humanas fundamentais, como o conforto
ambiental. Caracteriza-se pelo estilo clean, com cores leves e poucos móveis, e ao priorizar o essencial
e o funcional, os cômodos ficam mais espaçosos e arejados.

56
Competência 04

Figura 47: Ambiente minimalista: quarto e sala.


Fonte: https://www.madeirol.com.br/, 2020.
Descrição: figura mostra duas fotos de ambientes minimalistas com poucos móveis e objetos, e uso de algumas cores.
Apresenta um quarto e sala de estar com a cor branca predominando no piso, teto e parede, e móveis na cor preta.

As cores são muito importantes na decoração minimalista, prevalecem tons neutros e


claros, que não chamam atenção excessiva e promovem uma sensação de paz e tranquilidade. As
cores naturais do Minimalismo são o branco, preto, cinza, nude, gelo, areia, palha e outros tons
pastéis. Para dar um toque mais vibrante na decoração, pode-se utilizar pequenos detalhes como
forros de almofadas ou alguns objetos, para usar cores mais fortes.

Figura 48: Paleta cromática do estilo Minimalista.


Fonte: https://www.madeirol.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta uma paleta de cores com diversas texturas.

O mobiliário segue um design simples e focado na praticidade. A madeira, o alumínio e o


inox são muito usados. Os tecidos tendem a ser lisos, com texturas suaves, geométricas e sem
estampas. A iluminação natural deve ser bastante trabalhada dando uma sensação de amplitude.

57
Competência 04

Figura 49: Ambiente minimalista: sala e cozinha integrados.


Fonte: https://www.madeirol.com.br/, 2020.
Descrição: foto exibe os ambientes de sala e cozinha com estilo minimalista, com uso apenas da cor branca e alguns
poucos objetos coloridos, e poucos móveis.

Figura 50: Ambiente minimalista: cozinha.


Fonte: https://www.limaonagua.com.br/, 2020.
Descrição: foto mostra uma cozinha no estilo minimalista, com a cor preta predominando nos móveis e
eletrodomésticos. Piso em madeira clara e poucos móveis e objetos.

Hoje se observa que o Minimalismo se tornou não apenas uma expressão artística e de
design, mas também um estilo de vida, podendo ser classificado de duas formas: a primeira é a
estética, que observa apenas a aparência do objeto, do espaço. A segunda é o estilo de vida, que
conta com uma ideia de consumo consciente muito definida.

58
Competência 04

Figura 51: Ambiente minimalista: quarto infantil.


Fonte: https://www.casavogue.globo.com/, 2020.
Descrição: foto exibe um quarto infantil com características minimalistas, com cores predominando o branco, e poucos
móveis.

4.3 Estilo Industrial

Estilo bastante popular na atualidade. Surgiu em Nova York na década de 1950, quando
galpões começaram a ser usados como residências, sendo transformados em lofts. O conceito de loft
remete principalmente a grandes espaços com o pé-direito alto.
Em sua essência, o estilo remete às antigas fábricas que acabaram se transformando em
espaços capazes de comportar ao mesmo tempo trabalho e moradia. A ideia de “inacabado” onde
ficam visíveis: tubulações, vigas, pilares e tijolos aparentes é uma característica desse estilo.
Esses ambientes foram bastante utilizados como cenário de filmes de Hollywood, fato que
possibilitou a disseminação desse estilo para o resto do mundo.
Ao deixar à mostra instalações, sejam elétricas, hidráulicas ou de qualquer outro tipo,
tirando partido da essência e pouco acabamento dos materiais, terminou gerando uma espécie de
inclusão de gênero, sendo associado muitas vezes a um estilo mais masculino e trazendo novas
características para ambientes historicamente considerados mais femininos.
Assim, o estilo industrial está também associado a tendência Genderless (sem gênero),
onde tudo é feito para todos, permitindo que ambientes como a cozinha se tornem espaços que
caíram no gosto de consumo de homens que até́ pouco tempo enxergavam esse cômodo como o
mais feminino da casa.

59
Competência 04

Diferentemente de outros estilos de decoração originados em correntes artísticas e


filosóficas, o estilo Industrial surgiu como uma consequência do contexto histórico do século XX. Ao
final da Segunda Revolução Industrial, quando a globalização empurrou mais e mais indústrias para
países com custos de produção menores, e fábricas e armazéns locais foram abandonados. Regiões
inteiras perderam sua atividade produtiva, sendo muitas delas localizadas em pontos centrais das
cidades. Foi quando esses espaços se transformaram em lofts, lojas e apartamentos.
A oportunidade histórica não poderia ter sido mais adequada. As cidades estavam
crescendo, e a demanda por espaço era grande. Perceber e valorizar a personalidade histórica desses
espaços foi fundamental para o estabelecimento desse estilo. A ideia era criar espaço com “clima de
fábrica”, acentuando os traços originais do espaço, com parte da sua estrutura ficando aparente. O
estilo foi bem aceito em todas as partes do mundo e hoje continua sendo um dos estilos mais
referenciados por clientes e designers.

Características Estilísticas
A construção e a decoração se fundem, criando ambientes que valorizam o pé-direito, o
uso aparente de tijolos, concreto, cimento queimado, tubulações aparentes e luminárias industriais,
madeira de demolição e peças metálicas conseguem rapidamente dar o clima industrial. A escolha de
materiais rústicos é fundamental.
A sensação de frieza, que pode ser gerada em razão dos grandes espaços, pode ser
quebrada utilizando cores quentes e elementos aconchegantes como grandes sofás e poltronas, o
uso do material, como o tijolo aparente, devido a sua cor, favorece muitas vezes a sensação de calor
no ambiente deixando-o mais acolhedor.

Figura 52: Ambiente Industrial: escritório.


Fonte: https://www.weg.net/, 2020.

60
Competência 04

Descrição: foto apresenta um escritório com características de ambiente industrial, com piso em madeira, com tijolos e
instalações elétricas aparentes e o uso do ferro e vidro nas esquadrias.

O piso normalmente será de concreto ou madeira, favorecendo um ambiente clean e


funcional. Não deve ser refinado, por isso se evita o uso do mármore.

Figura 53: Ambiente Industrial: sala e cozinha.


Fonte: https://entendaantes.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta sala e cozinha com características de ambiente industrial, com piso em madeira, instalações
elétricas aparentes e o uso do ferro nas estruturas, móveis claros e de madeira.

O metal é um dos materiais mais dominantes da decoração industrial e pode aparecer


tanto na estrutura metálica das grandes janelas como no mobiliário. Os janelões são uma herança
estrutural dos armazéns e fábricas antigos, e além de permitir uma boa visualização do exterior,
também permitem a entrada de luz natural.

Figura 54: Ambiente Industrial: janelões permitem a entrada de luz natural.


Fonte: https://blog.construtoralaguna.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta uma sala de estar com características de ambiente industrial, com piso em madeira, paredes
revestidas em mármore, instalações elétricas aparentes e o uso do ferro e vidro nas esquadrias, e móveis na cor branca
predominando.

61
Competência 04

Além da iluminação natural, o uso de luminárias com fios e cúpulas metálicas trazem uma
forte personalidade ao ambiente e são outro traço característico da decoração industrial.

Figura 55: Ambiente Industrial: luminárias protagonistas dos ambientes.


Fonte: https://maism2.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta um ambiente de lanchonete com características de ambiente industrial, com piso em
madeira, paredes revestidas com fotos, instalações elétricas aparentes e o uso do ferro e vidro nas esquadrias, e móveis
em madeira.

Observe que a inserção de plantas no ambiente industrial, serve tanto para criar contraste
de cores e texturas, como para humanizar e trazer a natureza para esses espaços.

Figura 56: Ambiente Industrial: uso de plantas nos ambientes.


Fonte: https://refresher.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta uma sala de estar com características de ambiente industrial, mostrando o uso de vegetação.

62
Competência 04

4.4 Estilo Rústico

A origem da palavra rústico remete ao rude, simples, grosseiro, mas também a algo
campestre ou rural. Desta forma, fica fácil identificar o estilo Rústico. No design de interiores o seu
uso vem principalmente do estilo country americano.
Naturalidade e aconchego são as palavras que descrevem bem esse estilo, inspirado em
ambientes rurais, com elementos e formas da natureza. A princípio foi um estilo muito utilizado em
casas de campo e veraneio, mas vem sendo cada vez mais utilizado em apartamentos e casas,
contrastando com o movimento das grandes cidades.

Características Estilísticas
Um dos materiais mais utilizados nesse tipo de decoração é a madeira, seja no piso, nos
móveis ou até mesmo nos revestimentos de alguns ambientes. A madeira mostra todo o seu potencial
de versatilidade e deixa o espaço com um ar mais natural.
Além disso, pode ser utilizada a madeira antiga ou de demolição, podendo ficar a mostra
quando utilizada de forma estrutural, no caso de vigas ou colunas. Também se utiliza a pedra, o vime,
e a cerâmica que combinados com a madeira proporcionam ambientes agradáveis.

Figura 57: Cozinha estilo rústico.


Fonte: https://www.vivadecora.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta uma cozinha com características de ambiente rústico, com piso imitando a madeira, e todos
os móveis em madeira com linhas antigas.

A paleta de cores do estilo rústico apresenta tons neutros e terrosos, como os brancos,
beges e marrons, mas que são contrastados com elementos decorativos e tecidos com xadrez,

63
Competência 04

espelhos emoldurados, cestos, almofadas, colchas em patchwork, chita, algodão e estampas florais.
Os móveis de famílias antigos e mesmo detalhes feitos pelos próprios proprietários trazem diferencial
para o ambiente.

Figura 58: Banheiro estilo rústico.


Fonte: https://www.limaonagua.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta um banheiro com características de ambiente rústico, com piso marmorizado na cor branca,
uma das paredes revestidas de pedra, móveis em madeira com linhas antigas.

Ao escolher o estilo Rústico é preciso tomar cuidado para não deixar o ambiente muito
carregado, a combinação com elementos de decoração ou mesmo de mobiliário mais modernos traz
certa leveza para o ambiente.

Figura 59: Ambiente Rústico com mobiliário com toques minimalista.


Fonte: https://refresher.com.br/, 2020.
Descrição: a foto apresenta uma cozinha e sala de estar com características de ambiente rústico, com piso imitando
mármore, móveis em madeira na cor branca, estrutura de pilar e coberta, toda em madeira, e paredes em tons cinzas e
marrom claro.

64
Competência 04

O linho, couro e o algodão são outros elementos presentes nesse estilo e o uso de plantas
na decoração, além da beleza traz o campo para dentro de casa.

Figura 60: Dormitório estilo Rústico.


Fonte: https://www.limaonagua.com.br/, 2020.
Descrição: foto apresenta um quarto de casal com características de ambiente rústico, com piso imitando a madeira,
todos os móveis em madeira com linhas antigas, e paredes em tons marrom claro.

Agora que já conheceu alguns dos estilos mais usados no design de interiores,
vamos fazer uma pausa na leitura e assistir a vídeo aula sobre o Estilo
Contemporâneo.

Nesse momento, prezado estudante, acredito que a partir da análise dos elementos que
caracterizam os estilos apresentados, você já compreendeu que existem muitos outros estilos que
podem fazer parte dos seus projetos, para isso é preciso conhecê-los, estudá-los e aplicá-los da forma
que melhor se ajuste as expectativas do seu cliente. Outro aspecto muito importante a ser percebido
é que os estilos não precisam ser puros, muitas vezes a mescla de estilos, constrói ambientes ainda
mais interessantes.

65
Conclusão
Hoje o design se apresenta como uma das revoluções do século XXI o que será possível
com o desenvolvimento da educação e o estímulo para a cultura do Design. Esta revolução está
também em entender o design como um operador de significados e valores para dar aos usuários
experiências que vão fazer sentido nas suas vidas.
Para isso é preciso compreender como os valores são gerados na sociedade
contemporânea e quais são os movimentos e tendências na economia de trocas onde os produtos
estão inseridos; já que a ocorrência de um produto é resultante e expressão de um cenário político,
social e cultural, dentro das dimensões histórica e geográfica.
Ao estar presente no mundo, o produto está́ sujeito a várias interferências, determinadas
pelas circunstâncias do sistema em que participa. Em sua interação com o indivíduo entram em ação
os filtros que atuam nesse processo: filtros fisiológicos (percepção), filtros culturais (ambiente,
experiência individual) e emocionais (atenção, motivação).
O modo como o produto for sentido decorre do julgamento de percepção em que seja
submetido. A forma como o indivíduo reage ou responde a esse produto e este processo de interação
é objeto de estudo de várias áreas do conhecimento: ergonomia, antropologia e também da
semiótica e do próprio design.
Você viu ao longo da disciplina como o surgimento da produção em série e dos principais
movimentos artísticos influenciaram a concepção do que hoje se entende o design, mas também,
como historicamente, tem ficado cada vez mais evidente que as necessidades e desejos da sociedade
são os principais fatores que influenciam a criação no design.

Até breve!

66
Referências

BENSE, Max. Pequena estética. São Paulo: Perspectiva, 1971.

CARDOSO, Rafael. Artefato. In: Conceitos-chave em design. Luiz Antonio L. Coelho (Org.). p. 21-22.
Editora PUC-Rio e Editora Novas Ideias. 2008. 280p.

_______________. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

MONTENEGRO, L. Design. In: Conceitos-chave em design. Luiz Antonio L. Coelho (Org.). p. 187-188.
Editora PUC-Rio e Editora Novas Ideias. 2008. 280p.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1977.

67
Minicurrículo do Professor

Lia Madureira Ferreira

Formada em Comunicação Visual e Desenho Industrial, pela Universidade Federal de


Pernambuco, com mestrado em Comunicação e Publicidade, pela Universidade Autônoma de
Barcelona e Doutorado em Design da Informação, no programa de Pós-graduação de Design da UFPE.
Atua no mercado há 24 anos desenvolvendo funções e atividades próprias da profissão voltadas para
o mercado e para a docência. Além do curso de Design de Interiores, leciona em disciplinas dos cursos
de Design Gráfico, Publicidade, Produção Fonográfica e Cinema. Pesquisa sobre os temas: cultura
visual urbana e semiótica, identidade visual e branding.

68