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Modelo

Pedagógico
Metodologias de Êxito da
Parte Diversificada do Currículo

Componentes Curriculares
Ensino Médio
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Modelo
Pedagógico
Metodologias de Êxito da
Parte Diversificada do Currículo

Componentes Curriculares
Ensino Médio
3

Olá Educador

Neste Caderno você conhecerá as Metodologias de Êxito da


Escola da Escolha, o que são, para que servem e uma introdu-
ção sobre como colocá-las em prática.

Os componentes curriculares deste caderno estão organiza-


dos da seguinte forma:

• Projeto de Vida
• Práticas e Vivências em Protagonismo
• Disciplinas Eletivas
• Estudo Orientado

Bom trabalho!
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Metodologias de Êxito da Parte
Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

O que são as Metodologias de Êxito


da Parte Diversificada do currículo?
O Modelo Pedagógico juntamente com lação das Metodologias de Êxito do
o Modelo de Gestão são a base do Mo- Modelo será sempre a Base Nacional
delo Escola da Escolha. Esse último Comum e o Plano de Ação da Escola. É
modelo foi concebido para responder à nesse documento que se encontram as
formação do jovem para que ao final da metas a serem atingidas pela escola,
Educação Básica reúna as condições pactuadas entre a equipe escolar e a
para executar o seu Projeto de Vida, Secretaria de Educação.
idealizado e gestado ao longo do Ensi- As Metodologias de Êxito funcio-
no Fundamental e do Ensino Médio. nam no currículo por meio de proce-
A articulação entre Modelo Peda- dimentos teórico-metodológicos que
gógico e de Gestão cria no ambiente favorecem a experimentação de ativi-
escolar as condições para que a escola dades dinâmicas, contextualizadas e
ofereça excelência acadêmica, forma- significativas nos diversos campos das
ção para a vida através da consolidação ciências, das artes, das linguagens e da
de valores e competências necessárias cultura corporal. Exercem o papel de arti-
para o Século XXI. A partir dessa arti- culadores entre o mundo acadêmico, as
culação, as Metodologias de Êxito da práticas sociais e a realização dos Proje-
Parte Diversificada do currículo com- tos de Vida dos estudantes. Sua prática
põem a tecedura do fazer pedagógico. cotidiana, planejada e apoiada pela equipe
Elas não são elementos à parte ou com- escolar conduzirá os estudantes ao exercí-
plementares do currículo escolar. cio das competências fundamentais para a
A base para a mobilização e articu- construção dos seus Projetos de Vida.

Como operam as metodologias de êxito


da Parte Diversificada do currículo?
As Metodologias de Êxito serão apre- e Modelo de Gestão, que garantirá o
sentadas a seguir, em sua individuali- foco no que se deseja e em como cada
dade, neste Caderno. É imprescindível Metodologia de Êxito poderá contribuir
que a equipe escolar as conheça e que com o sucesso da escola.
dedique tempo de estudo a cada uma, Uma proposta educativa formulada
tendo como norte a identidade e o a partir dessa perspectiva expõe a
contexto de sua escola. urgência de uma revisão da prática pe-
O sucesso deste trabalho existirá dagógica com mudanças em conteúdo
somente se as Metodologias de Êxi- (o que ensinar enquanto aquilo que
to estiverem articuladas com a Base tem sentido e valor), método (como
Nacional Comum em seus desdobra- ensinar) e gestão (condução dos pro-
mentos diretos ou indiretos e se forem cessos de ensino e de aprendizagem
implementadas considerando o Plano tratando do conhecimento a serviço da
de Ação da Escola, que sinalizará o que vida), profundamente alinhadas com o
se quer/precisa atingir. É fundamental ideal de formação de uma pessoa autô-
a articulação entre Modelo Pedagógico noma, solidária e competente.
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Componentes Curriculares:

AULAS DE PROJETO DE VIDA

Uma leitura crítica sobre a história des- ‘’Diante das manifestações inquie-
venda que nenhuma sociedade se torna tantes do educando – impulsos agres-
exitosa se não investir em todas as áre- sivos, revoltas, inibições, intolerância
as da convivência humana. Tampouco a qualquer tipo de norma, apatia, cinis-
um país atinge pleno desenvolvimento mo, alheamento e indiferença – deve
se não promover condições para uma o educador situar-se num ângulo que
vida digna e de qualidade para todos. lhe permita ver, além dos aspectos ne-
Nesse cenário, a educação tem papel gativos, o pedido de auxílio de alguém
fundamental. A escola é o espaço no que, de forma confusa, se procura e
qual se deve favorecer o acesso para a se experimenta em face de um mun-
construção do conhecimento e o desen- do, a seus olhos, cada vez mais hostil
volvimento de competências a todos. e ininteligível”. – Antonio Carlos Comes
É no dia-a-dia escolar que crianças e de Costa.
jovens têm acesso aos diferentes con- No entanto, não basta assegurar o
teúdos curriculares da Base Nacional acesso e a permanência do estudante
Comum, que devem ser organizados na escola. Antes, esse lugar tem que
de forma a efetivar a aprendizagem. se revelar dotado de sentido e signifi-
(Ministério da Educação, Secretaria de cado para a sua vida. O educando pre-
Educação Especial, 2004. p.7) cisa reconhecer na escola o lugar onde
O Brasil é um dos países que mais encontrará as condições, as pessoas e
garantem o acesso às escolas para as as formas através das quais se consti-
crianças, adolescentes e jovens, po- tuirá como alguém capaz de atuar no
rém ainda está longe de ser o ideal em mundo a partir do seu próprio repertó-
assegurar sua permanência. Alguns rio, enriquecido pelo que a escola lhe
sintomas desse contexto são os altos assegurar sob a forma de oportunida-
índices de abandono escolar de uma des e escolhas.
população que se exibe com cada vez A escola deve apostar no direito ao
mais acentuada baixa autoestima, desenvolvimento das potencialidades
declínio de expectativa em relação ao do estudante, no seu sonho, e apoiá-lo
futuro e a inexistência de autonomia na na construção de uma visão dele pró-
capacidade para tomar decisões ade- prio no futuro, numa perspectiva inter-
quadas sobre a própria vida. A escola dimensional porque ele vive e atua num
não tem conseguido reverter comple- mundo em permanente e acelerado
tamente esse quadro. processo de transformações.
8 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
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Afinal de Contas, o que é Projeto de Vida?

O Projeto de Vida é uma das Metodologias de Êxito da Escola da Escolha ofereci-


das aos estudantes e compõe a parte diversificada do currículo, tanto nos anos
finais do Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio.
Ele é o caminho traçado entre aquele que “eu sou” e aquele que “eu quero ser”.

O PROJETO DE VIDA
É o traçado entre o “ser” e o “querer ser”
MODELO PEDAGÓGICO 9

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


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Durante séculos, as escolas têm tido tir da apropriação da história de vida


a missão de formar crianças, adoles- pessoal e do que já é no presente,
centes e jovens para “ser alguém na podendo traçar roteiros sobre os
vida”. Partem do pressuposto de que próprios desejos de atuação no
os estudantes “ainda não sejam al- mundo. Desse ponto de vista, o
guém”, mas que sejam apenas uma desejo não é um atestado do que não
tábula rasa ou uma página em branco se é, não é o lugar de uma falta, mas
na qual o professor escreve o que julga a manifestação de uma sede criativa
adequado e suprime o que for inconve- de ser mais.
niente, o que resulta, na impressão dos O lugar onde se fala e se age está
dias de hoje, que se educa para suprir sempre no tempo presente. Por isso,
uma suposta falta, ou seja, partem da um Projeto de Vida parte da percep-
ideia de que o estudante “ainda não é ção de onde se está para onde se quer
alguém” e que deve ser educado em chegar. Isso envolve uma reflexão cui-
conformidade com aquilo que a escola dadosa da bagagem que é preciso levar
define “para finalmente ser alguém”. e como adquiri-la: os valores que serão
As práticas pedagógicas são proje- fundamentais nessa travessia permea-
tadas para o tempo futuro, descon- da de escolhas, os conhecimentos, re-
siderando o presente, o lugar onde o pertórios culturais e morais que serão
jovem está e onde de fato já é necessários para a tomada de decisões
alguém, com a sua história, seus sonhos, nas três dimensões da vida humana
suas possibilidades e seus limites. (pessoal, social e produtiva) e, final-
O que se faz nesse tempo presente? mente, o sentido da própria existência
O que se faz com o estudante que já é quando se pensa na autorrealização.
ou ainda nem sabe que é, mas poten- Projeto de Vida não é um “projeto
cialmente poderá ser? E o que se faz de carreira” ou o resultado de um tes-
dele para projetá-lo como uma chance te de vocações. A vida se realiza em
de futuro – que não seja fruto das ex- dimensões onde a carreira profissio-
pectativas e decisões de outra pessoa nal é um dos elementos fundamentais
que não o próprio jovem? pelos quais é necessário decidir, assim
Uma educação alinhada com a con- como o estilo de vida que se quer ter,
temporaneidade compreende que se os valores que nortearão os relaciona-
educa para o estudante se tornar aquilo mentos que se estabelecerão ao longo
que se é, ou seja, uma educação focada da vida pessoal e social, dentre tantos
na potência de cada indivíduo, que cui- outros, que se ordenam e reordenam
da autonomamente dos próprios atri- nos cenários de cada um e que requer
butos, observa a excelência de si e se uma margem para rever roteiros, mu-
autorrealiza “no encontro entre “aquele dar estratégias, acrescentar ou supri-
que é” com “aquele que quer ser”. mir metas, atentar ao que aumenta ou
O que dá sentido ao futuro é a proje- diminui a potência de si, questionar
ção que o ser humano faz de si, a par- as formas de viver e decidir por quais
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COMPETÊNCIAS TRABALHADAS NAS


AULAS DE PROJETO DE VIDA

Autodetermi- Planejamento Otimismo Autonomia


nação

Espírito Responsabili-
Perseverança
Gregário dade

Respeito
Projeto Solidariedade
de Vida

Autoconheci- Autoconfiança Iniciativa Capacidade de


mento fazer escolhas

Outros
Outros
Outros
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Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


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vias seguir para a plenitude e a alegria projeto da sua vida.


de viver. Um projeto é a representação daqui-
Por isso, a sua elaboração exige uma lo que é diante daquilo que potencial-
formação em que os elementos cogniti- mente será. E Projeto de Vida na Escola
vos, socioemocionais e as experiências da Escolha é uma espécie de “primeiro
pessoais devem constituir uma base a projeto para uma vida toda”. É uma
partir da qual o jovem consolide seus tarefa para a vida inteira, certamente a
valores, conhecimentos e competên- mais sofisticada e elaborada narrativa
cias para apoiar-se na construção do de si, que se inicia nesta escola.

Por que desenvolver Projeto de Vida na escola?

É preciso cuidado para não repetir os num curto, médio e longo prazo.
padrões, dizer para o jovem “o que Isso deve ser fruto de um processo
ele deve ser” ou o que ele “deve fazer no qual o jovem aprende a projetar no
para ser alguém”. futuro os seus sonhos e ambições e a
Mas há a necessidade de incentivá- traduzi-los sob a forma de objetivos,
-lo e apoiá-lo no processo de reflexão de metas traçadas, de prazos definidos
sobre “quem ele sabe que é” e “quem para a sua realização.
gostaria de vir a ser” e ajudá-lo a pla- A escola oferece, então, a partir do
nejar o caminho que precisa construir e seu projeto escolar, um conjunto de
seguir para realizar esse encontro. ações educativas alinhadas com a fa-
Ao final do Ensino Médio, cada jovem mília, mas cabe ao jovem empregar
deverá ter minimamente traçado aqui- uma boa dose de cuidados, determi-
lo que deseja construir nas dimensões nação e obstinação pessoal para a
pessoal, social e produtiva da vida, sua realização.
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A CENTRALIDADE DO MODELO É
O JOVEM E SEU PROJETO DE VIDA

ESCOLA DA ESCOLHA

TECNOLOGIA DE GESTÃO
EDUCACIONAL (TGE)

MODELO PEDAGÓGICO

FORMAÇÃO FORMAÇÃO
ACADÊMICA DE PARA A VIDA
EXCELÊNCIA

O JOVEM E SEU
PROJETO DE VIDA

FORMAÇÃO DE COMPETÊNCIAS
PARA O SÉCULO XXI

E como se transforma sonho em realidade?

No Modelo Escola da Escolha o foco é suas vidas e no desenvolvimento de


o jovem e o seu Projeto de Vida. Isso competências, que os permitirão tran-
significa que todos reúnem os esfor- sitar e atuar diante dos imensos desa-
ços para a sua realização por meio do fios e possibilidades que encontrarão.
Projeto Escolar, que se estrutura para Esse conjunto deverá criar as condi-
esse fim, porque a escola provê as con- ções e apoiar o estudante nas decisões
dições para a oferta de uma formação relativas à continuidade dos seus
acadêmica de excelência associada a estudos, reconhecendo a imprescin-
uma sólida formação em valores fun- dibilidade dos processos educativos
damentais para apoiar os estudantes para a construção de um projeto para
nas decisões que tomarão ao longo das a sua vida.
MODELO PEDAGÓGICO 13

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


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O fato de existir no currículo uma dimensões e circunstâncias da vida.


metodologia específica não prescinde O trabalho ao longo desses anos
toda a equipe de educadores de se en- deve levar o jovem à crença no seu
volver com a sua realização, na medida potencial e que ele se sinta motiva-
em que o Projeto de Vida do jovem é o do e capaz de atribuir sentido à cria-
foco do projeto escolar. ção do projeto que da perspectiva ao
As aulas estruturadas, minis- seu futuro.
tradas nos dois primeiros anos dos Esse processo, realizado na especi-
anos do Ensino Médio, oferecem ficidade dessa metodologia, mas pre-
subsídios para que os jovens ini- sente na prática pedagógica de todos
ciem um processo gradual, lógico os educadores, existe para apoiar
e reflexivo por meio de temáticas o jovem:
fundamentais, que se relacionam - no reconhecimento da importância
e se complementam entre si, auxi- e da imprescindibilidade da educação
liando na construção da sua iden- ao longo de todas as etapas da vida;
tidade (o ponto de partida) e o seu - na construção de valores que pro-
posicionamento diante das distintas movam atitudes de não indiferença em

REPRESENTAÇÃO DA ESTRUTURA DAS AULAS DE


PROJETO DE VIDA NOS DOIS ANOS DO ENSINO MÉDIO

1º ano 2º ano
“O autoconhecimento, eu no mundo” “O Futuro: os planos e as decisões”

As Bases do Construção/
Introdução Revisão
Conhecimento Vivência

a. Autoconhecimento a. As competências dos 4 Introdução ao planeja- Introdução ao planeja-


b. Reconhecer as suas po- Pilares do Conhecimento mento do Projeto de Vida; mento do Projeto de Vida;
tencialidades e fragilidades b. A presença das com- A criação: A elaboração:
c. Identificar, desenvolver e petências socioemocionais – da visão – do cronograma
integrar as competências na vida pessoal, social – das premissas – do acompanhamento
para a vida pessoal, social e produtiva A definição: e revisão
e produtiva c. A integração das com- – das metas
d. Relacionar valores às ati- petências na vida pessoal, – das ações
tudes e decisões de social e produtiva
sua vida
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relação a si próprio, ao outro e ao seu de Vida ganham sentido porque são


entorno social; estruturadas com base na Tecnologia
- na sistematização do produto dos de Gestão Educacional – TGE e é por
seus aprendizados e reflexões, que meio de suas metodologias que o
deverão subsidiar a elaboração do pro- jovem aprende sobre a criação de ob-
jeto de sua vida; jetivos, definição de metas, prazos etc.
As aulas se estruturam a partir de Tomando decisões e planejando mi-
três eixos essenciais: nhas ações: Escolhe-se sempre a partir
• 1º ano: dedica-se ao eixo “O auto- do contingente e provisório. É um jogo
conhecimento, eu no mundo”, ao vivo em que virtualização e atualização se
reconhecimento da importância dos tensionam incessantemente, movendo o
valores, à existência de competências sujeito a encontrar respostas ou, mais
fundamentais que se relacionam e se importante, formular novas perguntas,
integram etc. sempre em perspectiva, participando
Autoconhecimento: Conhecer a si ativamente da narrativa do mundo, aber-
mesmo não significa fazer um “mergulho to ao ineditismo e à imprevisibilidade
interior”, rendendo-se a especulações dos encontros que o afetam, mobilizan-
subjetivas, o que é uma tarefa sem fim. do e propondo novos posicionamentos.
Conhecer-se é algo que se dá na medi- Não é, portanto, a perspectiva de em-
da em que o sujeito se modifica, agindo pregabilidade ou desemprego o que
no mundo, se posicionando diante das deve orientar, sobretudo num mundo
questões em que é convocado a se ma- em que, ao valorizar o trabalho inte-
nifestar, interagindo com o diverso, em lectual e criativo, como ocorre nas so-
situações inéditas. Conhecer-se é impos- ciedades pós-industriais, convoca-se e
sível sem as relações de alteridade e é na desafia-se a atuar em dimensões inter-
medida em que se age que se elabora a disciplinares. Escolhe-se não a partir de
si mesmo, uma vez que é uma ocasião um dever ser exterior, mas de um querer
de se manifestar como se é ou como se ser manifestado no agora.
deseja ser. Muitas vezes, é o outro que • 3º ano: dedica-se ao Acompanha-
nos revela a nós mesmos. mento do seu Projeto de Vida. Os
• 2º ano: dedica-se ao eixo “O Futuro: estudantes não recebem aulas estru-
os planos e as decisões”. Nessa etapa, turadas, mas se dedicam inteiramente
os jovens documentam suas reflexões e à vida escolar e ao acompanhamento
tomadas de decisões no Guia Prático para do seu Projeto de Vida, suas metas e
a Elaboração do Projeto de vida. objetivos estabelecidos no ano anterior.
Futuro: os planos e as decisões. O material de registro do estudante
Trata-se de desenvolver quais os dese- se intitula Guia Prático para a Elabo-
jos que o jovem tem hoje e elaborá-los ração do Projeto de Vida e é de uso
de maneira concreta, planejando as exclusivo do adolescente, ou seja, é
formas de realizá-los. É pela perspec- fundamental que o educador tenha
tiva do que se almeja agora, porque os acesso apenas mediante a sua concor-
desejos e aspirações são passíveis de dância e permissão. Ali existirão regis-
serem modificados ao longo do tempo. tros pessoais e sua privacidade deve
As ações do Planejamento do Projeto ser respeitada.
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Professor de Projeto de vida

Não existe um “perfil perfeito” para professores das aulas de Projeto


de Vida, entretanto esses docentes devem possuir a capacidade de
inspirar o jovem, de fazer corpo através da Pedagogia da Presença,
sendo afirmativos em suas vidas. Também devem estar dispostos
a mergulhar num processo transformador, que lidará com muita
subjetividade e objetividade, pois, ao mesmo tempo em que deverão
provocar nos jovens o despertar sobre os seus sonhos, suas ambi-
ções, aquilo que desejam para as suas vidas, onde almejam chegar
e que pessoas que pretendem ser, deverão levá-los a refletir sobre a
ação, sobre as etapas que deverão atravessar e sobre os mecanismos
necessários para chegar lá. O foco é o estudante, independente de
suas circunstâncias.
Professores de Projeto de Vida sabem que essa é uma experiência
única, que certamente também os transformará, porque significa se
encontrar com dimensões do adolescente que foi e acolher o jovem que
está diante dele, cheio de sonhos, de desejos, de planos, de vida e de suas
múltiplas juventudes.
Professores de Projeto de Vida são parceiros de uma construção
única, de uma tarefa a realizar junto ao jovem que deve ser encarado
como a nossa rara “chance de futuro”.

O QUE É O QUE NÃO É


• Apoio para a construção da identidade do adolescente como • Direcionar e influenciar unicamente para
ponto de partida para a elaboração do seu Projeto de Vida. a escolha da carreira profissional
• Estímulo àqueles que nem ousam sonhar. do jovem.
• Aquisição, ampliação e consolidação de valores e princípios • Determinar o que o jovem tem ou não tem
necessários à vida pessoal, social e produtiva dos estudantes. que realizar na sua vida pessoal, social
• Oferta de condições para que o estudante crie expectativas e produtiva.
em relação ao futuro e construa uma visão de si próprio. •Realização de testes vocacionais
• Fomento à responsabilidade pessoal de cada estudante para e psicológicos.
que desenvolvam suas potencialidades e tomem a decisão de • Preparação para o mundo do trabalho.
serem os principais condutores dos seus Projetos de Vida. • Elaboração de um projeto coletivo.
Romilda Santana – 28 anos

Sou ex-aluna da primeira Escola de Tempo Integral de Pernambuco, o Ginásio Pernambucano


(2004-2006). Nasci em Nazaré da Mata, pequeno município da zona da Mata de Pernambuco.
Aos dois anos, fui com a minha família morar em Recife, pois naquele momento buscávamos me-
lhores condições de vida. Filha de mãe solteira, empregada doméstica e analfabeta, desde muito
cedo eu ouvia minha mãe dizer “estude para não ter o mesmo futuro que eu”. Essa foi a frase que
mais me motivou a querer ter um futuro diferente, pois algo deveria estar errado na vida da minha
mãe, que trabalhava de domingo a domingo e ainda assim, nos faltava o básico para viver (casa,
alimentação, vestimenta, lazer...).
Com extrema dificuldade, cursei todo o Ensino Fundamental em escolas públicas das periferias
da cidade do Recife e apenas aos 12 anos fui alfabetizada, fruto, obviamente, das inúmeras vezes
em que me faltaram as aulas das disciplinas de Português, Matemática, Ciências etc. Quando
estava na 8ª série (atual 9º ano), ouvi no noticiário que iria abrir no centro da cidade uma escola em
que os estudantes passariam o dia inteiro. Prontamente eu quis me integrar, embora não soubesse
ao certo qual era a proposta da escola, mas sabia que teriam três refeições e isso me ajudaria
muito, pois eu seria um custo a menos na minha casa, além do fato de estudar no centro da cidade
que já é, por si, uma mudança de status para quem mora na periferia.
Me inscrevi sem muitas esperanças e ingressei na escola pelo mérito das minhas notas do
histórico escolar dos anos anteriores, o que parecia uma contradição, pois elas não correspondiam,
em nada, ao conhecimento que eu dominava.
Ao entrar no Ginásio Pernambucano, o porte de sua estrutura física já me dizia que eu não
pertencia àquele mundo. No alto dos meus quase 18 anos, me encontrava com autoestima zerada
e baixa perspectiva de futuro. Quando começaram as aulas pensei em desistir na primeira semana,
pois não entendia nenhum conteúdo ministrado nas aulas.
Mas algo de diferente aconteceu já no primeiro dia, pois fui acolhida por uma equipe sorridente,
que falava em sonhos o tempo inteiro, que me dizia que eu seria aquilo que eu quisesse ser! De início
achei que todos estavam loucos e que era tudo combinado só para atrair os novos estudantes,
dada a minha incredulidade em relação à escola.
Com o apoio e incentivo dos educadores daquela escola, após um longo e doloroso processo
de mudança, decidi ser alguém e fiz a escolha de permanecer, não saindo para trabalhar
naquele momento.
Não fui uma estudante brilhante, tipo nota 10. Não contribuí positivamente com as metas
acadêmicas da escola, nem fui aprovada nos vestibulares das universidades públicas. No entanto,
durante os três anos em que fiquei na escola, me tornei competente em outras áreas, pois participei
de vários projetos por meio dos quais desenvolvi meu espírito de trabalho em equipe e minhas
características de liderança. Por meio disso, recuperei a minha autoestima e projetei a minha vida.
Ingressei em uma faculdade privada do Recife e me graduei em Pedagogia, profissão da qual me
orgulho. Em 2011, fiz um Mestrado em Comunicação com Fins Sociais na Universidade de Valladolid,
na Espanha, e exerço a minha profissão, por meio da qual me mantenho satisfatoriamente.
Hoje eu acredito no poder de transformação que a educação tem na vida dos estudantes. Não
bastou eu querer ter um futuro diferente, isso muitos também querem. O que mudou o jogo foi a
escola estar preparada, não apenas do ponto de vista de estrutura física, mas para atuar de
maneira efetiva, garantindo a minha formação integral.
Me orgulho muito da minha história e sou eternamente grata a todos que me incentivaram
a acreditar que eu poderia ter um Projeto de Vida bem sucedido.
18 MODELO PEDAGÓGICO
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PRÁTICAS E VIVÊNCIAS EM PROTAGONISMO

Abordamos, nos capítulos que tra- e socioemocionais.


tam sobre Protagonismo, Biblioteca, Uma educação alinhada com a con-
Espaços de Convivência e Projeto de temporaneidade compreende que se
Vida, os diversos aspectos em que educa para um tornar-se aquilo que se
está implicado o conceito de Pro- é, ou seja, para o cuidado com a potên-
tagonismo (construção de valores, cia de cada indivíduo, seus próprios
responsabilidade, autonomia, cria- atributos e excelência. O que confere
tividade, aumento da potência de si, sentido ao futuro é a perspectiva que
criação de novas formas de sociabili- se tem de si a partir da apropriação da
dade etc.) e as múltiplas formas como história de vida pessoal e do que já se
os espaços escolares e o seu entorno é no presente momento, podendo-se
social podem ser palcos abertos para assim traçar possíveis roteiros, respei-
gestos compatíveis com o vigor e a tando os próprios desejos de atuação,
potência dos estudantes. Nessa pers- de protagonismo, no mundo. Desse
pectiva, a escola é o lugar preparado ponto de vista, o desejo não é um ates-
para a emergência e a excelência de tado do que não se é, não é o lugar de
si. O que implica o trabalho e o refi- uma falta, mas a manifestação de uma
namento de competências cognitivas sede criativa de mais ser.

Afinal de contas, o que são Práticas


e Vivências em Protagonismo?

São práticas educativas providas pela tes no espaço escolar e no seu entorno
própria escola e/ou por algumas de social. Isso significa que um aspecto
suas instituições parceiras, bem como essencial do Protagonismo, a ação que
pelos próprios estudantes que objeti- se empreende para buscar soluções
vam, por meio de oportunidades edu- concretas para os problemas identifi-
cativas, o desenvolvimento de valores e cados, é algo que a docência por si só
competências pessoais e sociais, bem não comporta. Cabe à escola propiciar
como a ampliação do repertório de oportunidades e espaços para essas
conhecimento e valores necessários ao atitudes e criar condições para os estu-
processo de formação do ser autôno- dantes mobilizarem saberes para suas
mo, solidário e competente - elementos práticas. Com isso, os estudantes podem
fundamentais para a construção de um extrair dessas práticas mais conheci-
Projeto de Vida. mento e qualificar o meio social com
São ações concretas e intencionais suas contribuições para o mundo,
empreendidas por toda equipe escolar desenvolvendo atitudes que mobilizem
considerando a presença dos estudan- saberes necessários à vida em socie-
MODELO PEDAGÓGICO 19

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

Fonte de Iniciativa significa


dade, a sua qualificação profissional que o educando deve agir,
futura e ao pleno desenvolvimento de ou seja, não deve ser apenas
suas potencialidades. um espectador do processo
Tendo em vista esses resultados é educativo. Ele deve situar-se
que se fomentam as características
na raiz dos acontecimentos,
essenciais para as práticas de Prota-
envolvendo-se na sua produção.
gonismo, como perfil empreendedor,
capacidade de liderança, atitude pro-
ativa, responsabilidade, habilidades na Fonte de liberdade significa
resolução de problemas, entre outras. que o educando deve ter diante
É por meio das práticas e vivências de si cursos alternativos de
que o estudante tem a possibilidade de ação, deve decidir, fazer
experimentar novas experiências, de
opções, como parte do seu
crescer como sujeito mais competente
processo de crescimento
e seguro de si mesmo, de intensificar
suas relações com a escola e seu en- como pessoa e cidadão.
torno e de desenvolver uma autonomia
mais responsável, deixando de ser um Fonte de compromisso
receptor passivo para ser uma fonte significa que o educando deve
autêntica de iniciativa, compromisso e
responder pelos seus atos,
liberdade. Ou seja, a partir de algumas
deve ser consequente nas suas
experiências, os estudantes criam no-
vas necessidades de aprendizagem, ações, assumindo a responsa-
tão essênciais para a construção dos bilidade pelo que faz ou deixa
seus Projetos Vida. de fazer.(...).”
Quando a escola abre espaço para
que o estudante problematize e inter-
fira em questões da própria escola,
ela está fazendo com que ele adquira
compromisso, não só com a escola, Quais práticas e vivências seriam
mas com a própria vida. Isso ajuda na
formação de sua identidade, na capa- perfeitas para a minha escola?
cidade de compartilhar e comunicar
seus sonhos e em uma experiência
de aprendizagem que está intima-
mente ligada à construção do Projeto
de Vida.
20 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

E como criar condições para que as


Práticas e Vivências em Protagonismo
sejam significativas para os estudantes?

As práticas e vivências dependem do


engajamento dos estudantes em sua Um exemplo de ação protago-
dinâmica diária e do apoio dos educa- nista realizada por estudantes
dores. Elas surgem da ação dos estu-
foi a criação de um Clube de
dantes no ambiente interno e externo
da escola, executadas conjuntamente
Protagonismo intitulado JAP –
com os professores e equipe escolar. Jovens em Ação pelo Patrimô-
Geralmente algumas dessas ações nio. Esse Clube nasceu a partir
partem da atitude dos estudantes na da explosão de um artefato
solução de problemas da escola e se caseiro que, ao contrário de
tornam projetos escolares.
causar danos ao patrimônio,
Estudantes dos Anos Finais do Ensi-
fez brotar o desejo de um
no Fundamental têm em seu currículo
a disciplina Protagonismo, na qual são grupo de jovens para proteção
abordadas e discutidas histórias exem- dos ambientes físicos da
plares que suscitam o entendimento escola, combate ao mau uso dos
e o interesse por essas práticas, além mobiliários e equipamentos e
dos elementos conceituais, teóricos e pela cultura de paz no am-
históricos das atividades protagonis-
biente escolar, considerando
tas. Isso é reforçado com orientação,
apoio e experiências em Clubes e/ou
aí o patrimônio humano e não
outras vivências durante o período mais apenas a defesa do patri-
escolar. Desde esse período, os estu- mônio físico. O Clube se tornou
dantes poderão propor soluções para responsável por desenvolver
problemas identificados na escola ou campanhas e ações para
ações que acrescentem qualidade para
conscientização dos estudantes,
a vida da comunidade escolar.
educadores e visitantes quanto
Para que essas práticas não se con-
fundam com situações de lazer e não à conservação e utilização dos
se desvinculem do currículo como ati- espaços e recursos da escola.
vidades acessórias, cabe ao professor De acordo com o Plano de Ação
orientar o estudante no planejamento do Clube, os estudantes se
e na execução, oferecendo o máximo reuniam semanalmente para
de apoio conforme a sua posição de
executar as ações relativas
adulto responsável. Mas é importan-
te que os desejos do estudante e suas
ao trabalho pelo qual se consi-
perspectivas sejam as molas propulsoras deravam corresponsáveis.
dessas ações. As práticas devem asse-
MODELO PEDAGÓGICO 21

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

gurar uma participação autêntica dos


estudantes desde a concepção, plane-
As situações de Protagonismo
jamento, execução, avaliação e apro- devem atender a todos os estudantes
priação dos resultados das práticas e da escola. Para tanto é recomendável
vivências apreendidas. garantir que as ações considerem
Na escola, as Práticas e Vivências a possível presença de estudantes
podem se estruturar a partir de organi-
com deficiência por meio de acesso
zações como os Clubes de Protagonis-
ao conteúdo de reuniões ou traba-
mo, o Conselho de Líderes e o Grêmio
Estudantil ou ainda por meio de ações lho via presença de intérprete de
de mobilização de estudantes em torno libras, textos em Braille ou acessíveis
de situações específicas do cotidiano em sistemas digitais como Jaws
escolar, como campanhas contra o ou Dos Vox. O emprego de recursos
desperdício de alimentos ou pela pre- de comunicação suplementar e
servação do patrimônio, dentre outras.
alternativa podem ser importantes
Uma vez no Ensino Médio, tendo o
estudante se tornado mais autônomo,
formas de garantir a participação
a tutela do professor será cada vez me- de todos nas ações protagonistas.
nos desejada, respeitando naturalmen- A ação de inclusão de todos colocará
te os limites do papel de cada docente, em circulação uma série de
desempenhado na comunidade esco- habilidades e competências socio-
lar. Nesse estágio, são preservadas to-
emocionais, tanto junto aos estu-
das as condições para a construção
dantes com deficiência quanto aos
das práticas em Protagonismo, mas
não são necessárias as aulas específi- estudantes sem deficiência.
cas, como no Ensino Fundamental.

O QUE É O QUE NÃO É


• Atuação dos estudantes no cotidiano • Tempo destinado ao lazer e recreação
escolar e não escolar provocando no- dos estudantes.
vas questões, situações de aprendiza- • Componente curricular de menor
gem e desafios para a participação na importância por não implicar em apro-
resolução de problemas. vação ou reprovação do estudante ou
• Construção de processos de aprendi- acessórios das práticas educativas.
zagem significativa, conectando a expe- • Exercício da ausência de disciplina e
riência dos estudantes e os seus reper- organização nos espações escolares em
tórios com questões e experiências que nome da autonomia em protagonismo
possam gerar novos conceitos e signifi- dos estudantes.
cados para atuação no mundo.
• Trabalho integrado de educadores
e estudantes com o objetivo de gerar
conhecimento articulado à mudança
de atitudes e a uma prática educativa
transformadora.
22 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

DISCIPLINAS ELETIVAS
Afinal de contas, o que são as Disciplinas Eletivas?

São disciplinas temáticas, oferecidas semestralmente, propostas pelos professores


e/ou pelos estudantes e objetivam diversificar, aprofundar e/ou enriquecer os conte-
údos e temas trabalhados nas disciplinas da Base Nacional Comum do currículo.

Os currículos do Ensino Fundamental e Médio devem ter uma base


nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino
e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas
características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia
e da clientela (Art. 26 da LDB).

Por que oferecer Disciplinas Eletivas na escola?

A base curricular organizada por áreas tudante aprofunde conceitos ao longo


de conhecimento exige um processo do Ensino Médio, diversifique e amplie
mais global de aprendizagem, articu- o seu repertório de conhecimentos e
lado com várias dimensões do desen- descubra o prazer de seguir em busca
volvimento pessoal do estudante. A de mais conhecimentos ao longo da
Escola da Escolha incorpora ao seu vida. Sempre numa perspectiva ampla,
currículo as Disciplinas Eletivas. Atra- considerando as diversas áreas da
vés da sua oferta, objetiva-se que o es- produção humana.
MODELO PEDAGÓGICO 23

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

Como se dá a associação
com Projeto de Vida?

As Disciplinas Eletivas são escolhidas porque não se reconhecem capazes de


pelos estudantes, a partir do interesse tomar decisões sobre o próprio futu-
demonstrado na apresentação dos te- ro, pois sequer enxergam o presente.
mas pelos professores. Na Escola da Es- Oferecer Eletivas que apenas se rela-
colha, os componentes curriculares são cionem aos seus declarados interesses
elementos fundamentais do processo é limitar a possibilidade de ampliar e
de formação e de construção do Projeto diversificar suas experiências e refe-
de Vida e as Eletivas são uma oportuni- rências, restringindo o seu repertório e
dade para a ampliação do seu repertó- encurtando, portanto, seu horizonte
rio de conhecimentos. O diálogo que se de escolhas.
pretende entre as Eletivas e o Projeto de A diversificação se aplica também
Vida está na possibilidade de ampliação ao aspecto metodológico utilizado pelo
do menu, de “coisas para se pensar a professor, pois nas Disciplinas Eletivas
respeito”, “de coisas para se desco- há a oportunidade de aplicar uma grande
brir” e, assim, iniciar um processo de variedade de opções e recursos didáticos.
enriquecimento e diversificação do
repertório de conhecimento e vivências
culturais, artísticas, esportivas, científi- COMPETÊNCIAS TRABALHADAS
cas, estéticas, linguísticas etc. NAS DISCIPLINAS ELETIVAS
No Ensino Médio, os estudantes ini-
ciam um processo que deverá ajudá-los
na construção de definições mais con-
cretas e robustas em relação à visão
Capacidade de Espírito Entusiasmo
que têm de si próprios no futuro. Ma-
Planejamento Gregário
nifestam muitos interesses em rela-
ção aos seus Projetos de Vida, mas
ainda há muita dificuldade em termos
de foco. Para muitos, as escolhas que
naturalmente fazem parte dessa fase Capacidade Disciplinas Foco
da vida dizem respeito aos trajetos pro- de iniciativa
fissionais, via de regra marcados pela
Eletivas
condição financeira prévia que trazem,
o que termina por antecipar fases e tor-
nar precoces um conjunto de decisões.
Outros decidem com base num reper- Autoconheci- Curiosidade Esforço
mento
tório muito restrito de opções, certa-
mente em função das suas próprias
trajetórias pessoais ou mesmo pela
insuficiência de dados e informações.
Mas há muitos que tomam decisões,
Autodidatismo Resolutividade Outros
Outros
Outros
24 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

E como se organizam as Disciplinas Eletivas na escola?

O planejamento Culminância (sobre a qual trataremos


a seguir). A metodologia de projetos é
As Disciplinas Eletivas são executadas uma recomendação, não uma regra. O
semanalmente, em duas horas de aulas estímulo à atuação protagonista deve
sequenciadas. São oferecidas a cada ser uma constante em qualquer que
semestre a partir de um “cardápio” seja a opção metodológica, uma vez
de temas propostos pelos professores que a Escola da Escolha trata o edu-
e/ou pelos estudantes. cando como fonte de iniciativa, capaz
Ao considerar as proposições dos de ações afirmativas em direção do
estudantes, a equipe escolar deve as- autodidatismo.
segurar que eles compreendam o que O título da Eletiva deve ser atraente,
são as Eletivas, conceitual e opera- que chame a atenção do estudante,
cionalmente (para que são, quais os provoque a curiosidade em torno do
objetivos e como funcionarão). Elas tema e desperte o desejo de “começar
também podem ser propostas a partir a conhecer” ou de “conhecer mais” so-
de temas alinhados às necessidades de bre o que está sendo proposto.
aprendizagem dos estudantes, sobre- A oferta de Eletivas com os seus
tudo aquelas identificadas nas avalia-
ções diagnósticas realizadas no início Como em qualquer situação
do ano letivo. didática, ao se planejar uma
Durante a semana de planejamento,
Disciplina Eletiva, os professo-
os professores iniciam as suas dis-
res devem considerar a
cussões em torno das áreas/temas/
conteúdos exploradas, das metodolo- diversidade de estudantes que
gias utilizadas, dos recursos didáticos compõe a turma. Seus diferentes
requeridos etc. perfis são a maior riqueza
A abordagem interdisciplinar pro- que este encontro singular,
porcionará um momento rico, permeado
mediado pelo professor,
pelo debate das diferentes percepções
pode proporcionar.
das áreas sob os mesmos temas, tendo
um objetivo comum: o estudante.
No aspecto metodológico, a reco- Esses perfis de aprendizagem
mendação é optar por uma dimen- podem revelar, inclusive, dife-
são prática, onde o estudante “viva” rentes dificuldades que podem
literalmente a aplicação do conheci- ser superadas ou minimizadas
mento que produziu.
a partir de estratégias de
Um produto final como resultado
trabalho (pela escola e na sala
material que expresse a síntese da Ele-
tiva ao final do semestre deve ser con- de aula, particularmente, pelo
siderado no planejamento. Isso será professor). Tal cuidado oferece
valioso para as exposições durante a a condição para todos possam
MODELO PEDAGÓGICO 25

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

professores de áreas/disciplinas dife-


Exemplo
rentes formados em duplas (professo-
Título: O que Einstein disse ao
res de áreas/disciplinas diferentes), é
seu cozinheiro?
um desenho que enriquece, mas não é
Disciplinas envolvidas:
uma exigência. Para o planejamento,
Física, Química e Português.
é essencial que professores das distin-
Produto Final: Dramatização
tas áreas que se relacionam ao tema
cujos roteiros terão como ob-
estejam envolvidos, mas para a sua
jeto os diálogos entre Einstein
execução isso não é uma exigência
e o seu cozinheiro sobre os
mandatória. Ou seja, podem ser pla-
fenômenos físicos e químicos
nejadas pelos vários professores (que
no cotidiano, numa ótica muito
se relacionam com aquela Eletiva) e
peculiar de um “gênio”.
executada por apenas um professor,
que eventualmente contará com a pre-
sença do seu colega em determinado E, então, tem nota?
dia que fora planejado, conforme cro-
nograma. Para isso, a Coordenação E o controle de frequência
Pedagógica deverá assegurar que as do estudante?
atividades do professor sejam atendi-
das sem prejuízo. As Disciplinas Eletivas são compo-
nentes previstos na matriz curricular
aprender respeitando seus e se submetem, portanto, aos regi-
estilos e suas possibilidades mentos legais. A frequência deve ser
registrada e contabilizada para efeito
de aprendizagem, sem rotular
da frequência geral do estudante.
ninguém no espaço escolar,
A parte diversificada não implica em
valorizando a potencialidade reprovação do estudante, conforme
de todos os estudantes. prevê a legislação, mas isso não signi-
fica que não devam existir mecanismos
Nessa direção, recomenda-se de avaliação. Uma ponderação: como
há o objetivo de assegurar a integra-
que o currículo das Disciplinas
lização entre a Parte Diversificada e o
Eletivas, permita que todos
Núcleo Comum, recomenda-se que o
os estudantes da turma desenvolvimento dos estudantes nas
sejam capazes de participar Eletivas deva ser considerado na ava-
ativamente de seu processo liação das disciplinas com as quais ele
de ensino-aprendizagem, por está mais diretamente ligado. Ou seja,
meio de atividades que pro- que o desempenho do estudante na
Eletiva durante o semestre possa in-
porcionem múltiplos meios de
fluenciar o resultado da avaliação das
representação, ação, expressão
disciplinas X ou Y.
e de envolvimento. Assim, todos Por exemplo, “A farsa metadramática
aprenderão com todos, de modo e a ode ao absurdo” é uma eletiva que
verdadeiramente inclusivo. reúne Filosofia, Sociologia, Português
26 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

e História. Os estudantes criam pe- Os registros semanais dos professores e


quenos filmes cujos personagens são a adoção de um caderno/diário persona-
Eugene Ionesco, Luigi Pirandello, Bertold lizado para as Eletivas é recomendável.
Brecht participando de um talk-show
mediado por Salvador Dali. Eles discu-
tirão temas contemporâneos na ótica e
na perspectiva que esses dramaturgos A Divulgação
conceberam suas obras. Nessa Eletiva,
o desempenho dos estudantes poderá Definidas as Eletivas, inicia-se a fase de
ser considerado nas três disciplinas a divulgação para a comunidade escolar,
partir de critérios estabelecidos e pac- que consiste em expor uma lista com
tuados entre os professores, estudan- os temas em local de ampla visibilidade
tes e coordenação pedagógica, obser- na escola e na “propaganda” individual
vado o sistema de avaliação vigente na feita pelos professores nos intervalos e
Secretaria. Alguns critérios comumen- nas salas de aula durante a semana de
te utilizados são: qualidade da partici- inscrição, conforme previsto no planeja-
pação do estudante nos processos de mento. Há muitas maneiras de realizar
planejamento, execução e avaliação essa divulgação e algumas muito criati-
das atividades, envolvimento pessoal e vas como o recurso da “mídia humana”,
disposição em contribuir com o grupo, no qual os professores encarnam os per-
pontualidade, domínio do conteúdo e, sonagens relativos às Eletivas que ofere-
principalmente, a aplicação prática da cerão (já imaginou o Bono Vox, líder da
aprendizagem sobre o que aprendeu. banda U2, conversando sobre a paz com
Barack Obama, presidente dos EUA, em
pleno pátio da escola?). Outra forma é a
Para a elaboração da Eletiva “Feira das Eletivas”, onde os professo-
res organizam no pátio da escola suas me-
1. TÍTULO (Deve ser atraente e despertar
sas, expõem materiais ilustrativos (folders,
o interesse dos estudantes) cartazes etc.) e apresentam aos estudan-
2. DISCIPLINAS (áreas do conhecimento tes os conteúdos e objetivos propostos.
envolvidas)
3. PROFESSORES
As Inscrições
4. JUSTIFICATIVA
5. OBJETIVO
Após o processo de divulgação, ocorre
6. HABILIDADES E COMPETÊNCIAS A o período de inscrições, no qual os
SEREM DESENVOLVIDAS estudantes se inscrevem em até três
7. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO eletivas de livre escolha. A coordena-
8. METODOLOGIA ção pedagógica é responsável por or-
9. RECURSOS DIDÁTICOS NECESSÁRIOS ganizar e distribuir os estudantes de
acordo com os seus interesses e a dis-
10. PROPOSTA PARA A CULMINÂNCIA
ponibilidade de vagas.
11. AVALIAÇÃO
Os estudantes não são organiza-
12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS dos em séries ou turmas, mas pelas
MODELO PEDAGÓGICO 27

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

Eletivas que definiram. Isso significa estudantes são orientados a esco-


que os grupos serão formados por lher entre outras opções apontadas
estudantes de várias turmas e de várias na inscrição. O importante é que,
séries, indistintamente. Aí reside mais ao final, todos participem de uma
um elemento de extrema riqueza desta Eletiva e tomem conhecimento pela
Metodologia de Êxito: possibilitar a divulgação dos resultados.
multiplicidade de convivência de perfis A cada semestre, o processo se
em termos de maturidade, de histórias repete e os estudantes devem optar
de vida, de experiências, de repertó- por Eletivas diferentes das que viven-
rios, de perspectivas, de limites e de ciaram no semestre anterior, mesmo
possibilidades em torno de um objeto que algumas delas sejam oferecidas
em comum. novamente, sobretudo quando elas
Se o número de inscrições for foram muito procuradas no semestre
superior ao de vagas oferecidas, os anterior.

Casos – O sucesso de fecção de maquetes dos ambientes


uma Eletiva que agrega onde passam a maior parte do seu
Matemática e Artes tempo, como suas casas, a escola etc.
Eletiva: “O mundo que cabe A Eletiva foi muito bem sucedida e,
na palma da minha mão” no semestre seguinte, aprofundou
conhecimentos levando os estudan-
tes a trabalharem com conteúdos
e objetos gráficos em geometria
Logo após a divulgação do resultado computacional. Esse é um exemplo
da avaliação diagnóstica (que de Eletiva que apoiou o nivelamento
revelou o baixo desempenho em das aprendizagens não adquiridas
Matemática), os professores e a nas séries anteriores e identificadas
Coordenação Pedagógica identifi- na avaliação diagnóstica, levou
caram nos estudantes a ausência ao domínio dos conteúdos e das
de conhecimento em Geometria. competências exigidas para aquela
A partir disso, foi proposta, pelos série e, posteriormente, enriqueceu
professores de Matemática e de e aprofundou o conhecimento que
Artes, uma Eletiva cujo objetivo era os educandos traziam. Nessa escola
estudar estética, relações métricas, havia 200 estudantes dos quais 80 se
proporcionalidade, espaço, figuras inscreveram na primeira vez em que
planas e sólidas por meio da con- a Eletiva fora oferecida.
28 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

A Culminância rada, compartilhando conhecimentos,


valores, atitudes e habilidades que lhes
A finalização da Eletiva ocorre num mo- permitam transformar o seu “querer
mento que se chama “Culminância”. ser” em “ser”.
É um dia, no final do semestre, no qual
a escola se prepara para expor para
toda a comunidade escolar o que foi Perfil do educador
produzido, em clima de compartilha-
mento de conhecimentos, de experi- • É curioso, idealista, criativo, pró-ativo,
ências, de aprendizados e de propo- apaixonado pela construção do conhe-
sições de desafios para avançar nos cimento e anseia por novidades;
próximos períodos. • Gosta de inovações, de pesquisa, de
Os produtos, sob a forma de rela- colocar em prática ideias diferentes.
tórios de projetos de pesquisa, jogos, Profissionalmente está sempre aberto
robôs, experiências cientificas, jornais, a novas perspectivas e novas experi-
dramatizações, músicas, reportagens, ências, enxergando-se como um eter-
HQ, curta-metragem etc., não são ape- no aprendiz;
nas apresentados, mas expostos à crí- • É capaz de estimular a curiosidade
tica pública. Todos têm a oportunidade dos estudantes, cria oportunidades de
de falar sobre o que aprenderam, as aprendizagem variadas, possibilitan-
bases acadêmicas que construíram, as do descobertas e novas experiências;
escolhas que fizeram e os valores que • Entende que seu papel é de educar o
consolidaram. É um exercício rico de estudante como um todo, em todas as
competências, que deverá ter sentido e suas dimensões, estimulando o conhe-
significado por meio do conhecimento cimento teórico e prático, o pensamen-
gerado pelo e para os estudantes, nas to crítico, analítico e propositivo, a inicia-
diversas dimensões da vida. tiva, o foco no futuro e desenvolvendo
inclusive as habilidades não-cognitivas;
• É sensível às necessidades variadas
O Papel do Educador dos estudantes e suas diferentes ba-
gagens e está comprometido com o
O papel do professor nas aulas das sucesso de todos;
Eletivas é desafiar e estimular os estu- • Acredita que a troca de conhecimen-
dantes. Assim, planejar a aula significa to entre professores, professores e
buscar formas criativas e estimulantes estudantes e entre estudantes é funda-
de criar novas estruturas conceituais. mental para o enriquecimento do pro-
A metodologia deve ter como foco cesso de aprendizagem;
gerar questionamentos, dúvidas e cer- • Está ciente de que a parceria com
tezas temporárias, criar a necessidade a família maximiza o aprendizado
nos estudantes pela busca de respos- dos estudantes;
tas, sendo ele o próprio empreendedor • Tem uma visão otimista do mundo,
dessa busca. tolera incertezas e ambiguidades;
O professor contribui no desenvolvi- • É entusiasta do trabalho em uma comu-
mento dos estudantes de forma delibe- nidade de aprendizagem colaborativa;
MODELO PEDAGÓGICO 29

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

• Acredita que a escola deve utilizar as no- • É capaz de trabalhar de um modo


vas tecnologias como ferramentas para integrado com outras disciplinas por
melhorar a qualidade da aprendizagem; meio do planejamento e da realização
• É capaz de planejar atividades e itine- de atividades compartilhadas ou pela
rários formativos que exploram elos e integração de conteúdos afins.
possibilidades de trocas entre conteú-
dos disciplinares;
• Reconhece a importância de avalia- Atuação do educador
ções constantes do desempenho dos
estudantes e professores com o objetivo O Educador atua como um arquiteto
de ajustar o processo de aprendizagem da aprendizagem, um líder, um orga-
e de alcançar as metas estabelecidas; nizador e um coautor de acontecimen-
• A partir de diferentes interpretações tos, atuando junto aos jovens, ofere-
e críticas, se interessa por outras pers- cendo-lhes espaços e condições para o
pectivas além da sua e é capaz de rever desenvolvimento pleno de seu poten-
e expandir sua própria visão; cial nas dimensões da racionalidade,
• Proporciona ampliação na visão de da afetividade, da corporeidade e da
mundo dos estudantes, auxiliando-os espiritualidade.
no processo de se tornarem indivídu-
os autônomos;

O QUE É? O QUE NÃO É?


• Proposição de desafios ao alcance • Espaço de continuidade dos traba-
dos estudantes. lhos já desenvolvidos em sala de aula.
• Possui temáticas de estudo que dia- • Ambiente individualizado de aprendiza-
logam com os resultados assumidos gem ou fechado em pequenos grupos.
pela escola. • Desenvolvimento dos conteúdos de
• Explora a liberdade metodológica de forma descontextualizada das demais
ensino dos professores – Inovação. áreas de conhecimento.
• Espaço de estímulo à ampliação de • Metodologia de ensino sem corres-
ideias, experimentação e desenvolvi- pondência com as necessidades dos
mento de projetos. estudantes.
• O professor, assim como os estudan-
tes, torna-se pesquisador.
• Espaço de práticas pedagógicas
interdisciplinares.

O que me faz ser um bom candidato para


educador de Projeto de Vida?
30 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

ESTUDO ORIENTADO
Afinal de contas, o que é Estudo Orientado?

O Estudo Orientado é uma Metodologia bilidade pessoal. Não deve ser con-
de Êxito que objetiva oferecer um tem- fundido com “tempo para realizar as
po qualificado destinado à realização tarefas”, mas para realizar quaisquer
de atividades pertinentes aos diversos atividades relativas às necessidades
estudos. Inicialmente orientado por um exigidas pelos estudos, entre elas as
professor, o estudante aprende méto- próprias tarefas.
dos, técnicas e procedimentos para O Estudo Orientado surgiu da ne-
organizar, planejar e executar os seus cessidade de ensinar os estudantes a
processos de estudo visando ao auto- estudar por meio de técnicas de estu-
didatismo, à autonomia, à capacidade do e da importância de criar uma ro-
de auto-organização e de responsa- tina na escola que contribuísse para a

ESTUDO ORIENTADO:
Estímulo ao desenvolvimento de competências cognitivas

Esta metodologia estimula o desen- didáticas. Hoje, na era do conheci-


volvimento de competências cogni- mento, é vital, por exemplo, formar
tivas, a exemplo da capacidade de substitutos nas organizações de
compreensão, análise e síntese e da trabalho, repassando conhecimen-
capacidade de trabalho metódico tos e habilidades para as equipes de
e sistematizado. Pode ser ilustra- profissionais, instigando-os a enri-
da nas aprendizagens do Pilar do quecer seus horizontes vitais
Aprender a Aprender e suas respec- e estimulando-os ao desenvolvimento
tivas habilidades metacognitivas: contínuo de seus potenciais ao longo
da vida.
• Aprender a aprender (autodidatismo)
- diz respeito à busca permanente e •Conhecer o conhecer (construtivis-
insaciável de conhecimento mo) – Trata-se de preparar o ser hu-
pelo homem. Relaciona-se, por mano para produzir conhecimentos,
exemplo, com aprendizagem para, não apenas para assimilá-los, tirá-lo
pelo e no trabalho. da reduzida e fragmentada dimensão
de aplicador de conhecimentos, con-
• Aprender o ensinar (didatismo) vidando-o a dar um salto qualitativo
– relaciona-se com as habilidades para produtor de conhecimentos. (...)
MODELO PEDAGÓGICO 31

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

melhoria da aprendizagem. Quando o centiva-se também a cooperação, so-


educando estuda, está criando outras cialização e solidariedade entre os es-
oportunidades de aprender, desenvol- tudantes. Como o ambiente de estudo,
vendo novas habilidades e praticando a sala de aula, é comum a todos, isso
o exercício do “aprender a aprender”, possibilita a troca de conhecimento e
fundamental para o cultivo do dese- experiências. É uma oportunidade para
jo de continuar a aprender ao longo estimular uma das mais genuínas práti-
da sua vida. cas do jovem solidário e do jovem pro-
É necessário facultar um tempo tagonista: as atividades de monitoria.
específico para o educando estudar e Quando um jovem é estimulado e co-
fazer suas tarefas, que regularmente loca à disposição de um colega aquilo
faria em casa, como demonstração que sabe, aliado ao seu tempo e talen-
que o hábito de estudar deve estar to, está se dispondo a fazer parte (com
presente tanto na escola como em o que sabe) da solução do problema do
outros ambientes, admitindo que essa seu colega (que ainda não sabe). Por-
postura é requisito importante para o tanto, são desenvolvidas não apenas
seu autodesenvolvimento. competências cognitivas, mas também
Por meio do Estudo Orientado, in- competências socioemocionais.

COMPETÊNCIAS TRABALHADAS
NAS AULAS DE ESTUDO ORIENTADO

Autonomia Espírito Entusiasmo


Gregário

Orientação
Autogestão Foco
para o Estudo

Planejamento Autodidatismo Esforço

Responsabi-
Outros
lidade
Outros
Outros
32 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

Por que oferecer este previamente determinados pela esco-


espaço para Estudo la, sendo recomendado um mínimo de
Orientado na escola? quatro aulas semanais para cada tur-
ma. Um conjunto de aulas é regido por
Estudo Orientado apoia o Projeto de um professor e objetiva instalar a roti-
Vida porque desenvolve competências na de organização e planejamento de
que permitem ao estudante aprender estudos na vida dos estudantes pelo
a fazer escolhas, priorizar ou direcionar domínio de algumas competências.
sua aprendizagem de acordo com os As aulas podem ocorrer fora da
seus interesses e necessidades. sala de aula, em diferentes espaços
Além de organizar a rotina de estudo da escola (biblioteca, laboratórios,
e ensinar o estudante a estudar, o Estu- pátios etc.) desde que asseguradas
do Orientado permite, a partir do exer- as condições adequadas para a sua
cício do planejamento, da organização realização, ajustadas de acordo com
e da execução de atividades, condições as necessidades de cada turma. Orien-
que contribuem para a elaboração do tamos que o professor fique atento às
Projeto de Vida. Por meio disso, o es- dificuldades dos estudantes para que
tudante conhece melhor suas dificul- possa fornecer sempre o apoio neces-
dades e pode encontrar apoio para a sário. Ao final das aulas, espera-se que
realização dos seus ideais. os estudantes consigam aperfeiçoar
seus horários de estudos a partir do
que aprenderam e consigam estudar
de forma autônoma.
E como o Estudo Orientado
Para que as aulas de Estudo Orienta-
acontece na escola? do apoiem cada aluno em suas neces-
sidades, é preciso que os professores
O Estudo Orientado se realiza, sema- conheçam, ainda que minimamente,
nalmente, em cada série em horários os estilos de aprendizagem de seus
MODELO PEDAGÓGICO 33

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

estudantes. É preciso buscar de forma professor incentivar a atividade intelec-


criativa modos de atender a todos sem tual deles, estimulando-os a descober-
que com isso alguns possam ser estig- tas dentro dos seus próprios recursos
matizados no processo. Propor ativida- mentais e ritmo pessoal.
des baseadas no desenho universal da
aprendizagem é um caminho para isso,
por meio de atividades que considerem Estratégias de sala de aula
os perfis de como cada um aprende.
Para tanto, é interessante que as ati- A cooperação em sala de aula pode
vidades propostas pelos professores ser um fator importante para a inclu-
possibilitem: múltiplos meios de repre- são das pessoas com deficiência, pois
sentação, de ação e expressão e de permite interação e troca entre os
envolvimento dos estudantes. estudantes. O desenvolvimento de es-
A organização dos horários de estu- tratégias pode ser decisivo para criar
do de cada turma, sob a orientação de esse ambiente de cooperação em que os
um mesmo professor ou mais de um, é estudantes que têm mais habilidades
determinada pela distribuição de carga em alguma matéria possam ajudar
horária feita pela escola. Assim, uma aqueles com menos habilidades.
turma pode ter vários professores de
Estudo Orientado e outras apenas um.
Caso seja necessário, o professor de
Estudo Orientado pode encaminhar um Uma dificuldade comum aos
estudante para outro professor para jovens é não saber como
que este possa esclarecer suas dúvidas administrar o próprio tempo,
referentes a outras disciplinas, desde
de entender e aceitar a necessi-
que ele esteja disponível no mesmo ho-
rário. Além disso, pode também permi-
dade de estabelecer rotinas em
tir que os estudantes acessem outros sua vida. Assim, sempre que o
espaços da escola para pesquisa (bi- professor achar necessário,
blioteca e laboratórios). Por isso, antes é importante criar espaços nos
do início das aulas de Estudo Orienta- horários de estudo para que
do, é importante que os estudantes
todos falem sobre o seu tempo:
conheçam os espaços da escola e as
se faltou tempo para fazer o que
condições de uso de cada um deles,
ou seja, como funcionam e qual o ho- foi pedido, se alguma matéria
rário que podem ter acesso. Além das tomou muito tempo, se conse-
condições físicas, é necessário explicar guiram fazer todas as tarefas
como todas as pessoas que trabalham da semana, se foi fácil dar conta
na escola podem apoiá-las nas condi- das tarefas, como estudou, se o
ções de estudo adequadas (professo-
estudo foi produtivo e, princi-
res, Coordenador, Gestor, etc.).
O foco principal da aplicação do Estudo
palmente, se eles conseguiram
Orientado neste projeto é a aprendiza- perceber o que aprenderam.
gem dos estudantes. Portanto, cabe ao
34 MODELO PEDAGÓGICO
Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo
Componentes Curriculares – Ensino Médio

Atuação dos Líderes de Turma


nos horários de Estudo Orientado

Nos horários de Estudo Orientado, de favorecer o desenvolvimento de


de sua turma, o Líder pode assumir, competências como planejamento,
com apoio e supervisão do profes- flexibilidade, organização etc. Ao final
sor, a condução de uma atividade de do horário de estudo, o líder entrega
extrema importância, caracterizada a pasta à Coordenação Pedagógica,
pelo alto nível de corresponsabilidade encarregada de fazer os encaminha-
e compromisso: a liderança do Plano mentos posteriores necessários.
de Atividades ou Plano de Estudos Assim, com o apoio do professor,
da Turma. Trata-se de uma pasta com o líder deve se encarregar de fazer o
o nome de todos os estudantes para o registro de todas as demandas das
registro da frequência. Além de salien- disciplinas (trabalhos, provas, pesqui-
tar aos colegas a responsabilidade do sas etc.) para assegurar que os profes-
uso adequado do horário de estudo, sores preservem o devido equilíbrio ao
os líderes de turma comunicam aos prescreverem as atividades, sem so-
professores desses horários a agen- brecarregar os estudantes. O Plano de
da de atividades de sua turma e sobre Estudo é um importante instrumento
a distribuição das tarefas/provas e de diálogo/negociação entre os pro-
trabalhos da semana. É uma maneira fessores e estudantes.

DIAS DA SEMANA

DISCIPLINAS 2a 3a 4a 5a 6a

Responder
Português questionário
da pág. 10

Resolver
Matemática Prova Bloco I exercícios do
capítulo II

Ler e resu-
História Prova Bloco I mir texto do
capítulo V

Fazer pesqui-
Biologia Prova Bloco I sa sobre os
seres vivos.
MODELO PEDAGÓGICO 35

Metodologias de Êxito da Parte Diversificada do Currículo


Componentes Curriculares – Ensino Médio

O QUE É? O QUE NÃO É?


• É suporte didático para a compreen- • Não é um momento em que estudar
são dos conteúdos e para a progressão se resume a fazer tarefas, ler ou copiar.
dos estudos dos estudantes. • Não é permitir que os estudantes se
• É momento em que aprender a estu- mantenham “soltos” nas atividades de
dar deve ser o centro da prática de en- estudo.
sino do professor orientador de estudo. • Não é orientar os estudantes sem se
• É criação, por parte dos estudantes, basear no Plano de Estudo ou de Ativi-
de hábitos de estudo de forma inde- dades da turma.
pendente e criativa. • Não é trabalhar sem se alinhar com as
• É oportunidade de acompanhamento demandas das outras disciplinas.
sistemático por parte do professor so- • Não é permitir que os estudantes
bre o processo de aprendizagem dos descansem, brinquem ou destinem o
estudantes. tempo ao lazer.
• É condição para o estudante estabe- • Não é para o professor fazer outras
lecer relações entre o conhecimento e tarefas que não seja apoiar o estudo
sua aplicação na vida cotidiana. dos estudantes.
• É oportunidade para o professor veri- • Não é aceitar que as aulas terminem
ficar a eficácia do seu próprio trabalho sem a entrega de um produto final
na condução do ensino e trabalhar arti- (resultado do trabalho de estudo).
culando sua prática com as demandas • Não é propor atividades pedagógicas
das outras disciplinas. descoladas dos resultados pactuados
• É uma metodologia que deve favore- pela escola em seu Plano de Ação.
cer o desenvolvimento da autoconfian-
ça dos estudantes.
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EXPEDIENTE
REALIZAÇÃO
Instituto de Corresponsabilidade pela Educação

PRESIDENTE
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EQUIPE DE DIREÇÃO
Alberto Chinen
Juliana Zimmerman
Thereza Barreto

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Organização: Juliana Zimmerman
Coordenação: Liane Muniz Assessoria e Consultoria
Supervisão de Conteúdo: Thereza Barreto
Redação: José Gayoso, Juliana Zimmerman, Maria Betânia
Ferreira, Maria Helena Braga, Regina Lima, Reni Adriano,
Romilda Santana, Thereza Barreto
Leitura crítica: Alberto Chinen, Elizane Mecena,
Reni Adriano, Maria Helena Braga
Edição de texto: Leandro Nomura
Revisão ortográfica: Dulce Maria Fernandes Carvalho,
Álvaro Vinícius Duarte e Danielle Nascimento
Projeto Gráfico: Axis Idea
Diagramação: Axis Idea e Kora Design
Fotógrafa: Kriz Knack
Agradecimento pelas imagens cedidas: Thereza Barreto;
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1ª Edição | 2015

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