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PARTE GERAL DOS CONTRATOS

Profa. Rachel Frischgesell

1. CONCEITO E REQUISITOS DE VALIDADE DO CONTRATO:

1.1.Conceito: Contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da


ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as
partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza
patrimonial. Ou de acordo com a pacificidade da doutrina, podemos definir o contrato
como um acordo de vontades, na conformidade da lei, e com a finalidade de adquirir,
resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos.

Efeito: Criação de direitos e de obrigações.

Função Social do Contrato: É possível afirmar que o atendimento à função social pode
ser enfocado sob dois aspectos: um, individual, relativo aos contratantes, que se valem
do contrato para satisfazer seus interesses próprios, e outro, público, que é o interesse da
coletividade sobre o contrato. Nessa medida, a função social do contrato somente estará
cumprida quando a sua finalidade – distribuição de riquezas – for atingida de forma
justa, ou seja, quando o contrato representar uma fonte de equilíbrio social. Em síntese,
o contrato é o veículo da circulação de riqueza.

1.2. Requisitos:
1.2.1.subjetivos:
a. existência de duas ou mais pessoas;
b. capacidade genérica para praticar os atos da vida civil;
c. aptidão específica para contratar;
d. consentimento das partes contratantes.

1.2.2. objetivos:
a. Licitude do objeto do contrato;

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b. Possibilidade física ou jurídica do objeto do negócio jurídico;
c. Determinação do objeto do contrato;
e. Economicidade de seu objeto.

1.2.3. Formais:
CC, arts. 107 e 108

2. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL:

2.1. Princípio da autonomia da vontade:


Consiste no poder das partes de estipular livremente, como melhor lhes convier,
mediante acordo de vontades, a disciplina de seus interesses, suscitando efeitos
tutelados pela ordem jurídica, envolvendo, além da liberdade de criação do contrato, a
liberdade de contratar ou não contratar, de escolher o outro contraente e de fixar o
conteúdo do contrato, limitadas pelo princípio da função social do contrato, pelas
normas de ordem pública, pelos bons costumes e pela revisão judicial dos contratos.

2.2. Princípio do consensualismo:


Segundo esse princípio, o simples acordo de duas ou mais vontades basta para
gerar contrato válido, pois a maioria dos negócios jurídicos bilaterais é consensual,
embora alguns, por serem solenes, tenham sua validade condicionada à observância de
certas formalidades legais.

2.3. Princípio da obrigatoriedade da convenção:


Por esse princípio, as estipulações feitas no contrato deverão ser fielmente
cumpridas, sob pena de execução patrimonial contra o inadimplente. O ato negocial, por
ser uma norma jurídica, constituindo lei entre as partes, é intangível, a menos que ambas
as partes o rescindam voluntariamente ou haja a escusa por caso fortuito ou força maior
(CC, art.393, parág. Único), de tal sorte que não se poderá alterar seu conteúdo, nem
mesmo judicialmente.
Entretanto, tem-se admitido, ante o princípio do equilíbrio contratual ou da
equivalência material das prestações, que a força vinculante dos contratos seja contida
pelo magistrado em certas circunstâncias excepcionais ou extraordinárias que

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impossibilitem a previsão de excessiva onerosidade no cumprimento da prestação (Lei
8078/90, arts. 6º, V e 51; CC, arts. 317, 478,479 e 480).

2.4. Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos:


Por esse princípio, a avença apenas vincula as partes que nela intervieram, não
aproveitando nem prejudicando terceiros, salvo raras exceções.

2.5. Princípio da Boa fé


Segundo esse princípio, na interpretação do contrato, é preciso ater-se mais à
intenção do que ao sentido literal da linguagem, e, em prol do interesse social de
segurança das relações jurídicas, as partes deverão agir com lealdade e confiança
recíprocas, auxiliando-se mutuamente na formação e na execução do contrato. Daí estar
ligado ao princípio da probidade.

3. FORMAÇÃO DO CONTRATO:

.Elementos indispensáveis à constituição do contrato: Oferta e Aceitação.


O acordo de vontade das partes contratantes, tácito ou expresso, que se
manifesta de um lado pela oferta e de outro pela aceitação. Entre elas gira toda
controvérsia sobre a força obrigatória do contrato, sobre o momento exato em que
ambas se fundem para produzir a relação contratual, e sobre o lugar em que se reputará
celebrado o negócio jurídico.
Dois juristas influenciaram não só o código civil argentino como também o C.C.
Brasileiro. Enquanto Vidare (jurista Italiano) fez por merecer menção perante
doutrinadores clássicos brasileiros, entendendo que para a proposta ser considerada
entre presentes, além da necessidade da aceitação imediata do oblato (policitado)
também se faz necessário a presença física do policitante e do policitado, não
admitindo, portanto a existência de espaço físico entre estes. Ao Revés, entende
GABBA que o necessário é a presença jurídica do proponente e do oblato,
desconsiderando a existência de espaço físico entre eles. Inegavelmente, tal teoria

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influenciou o legislador brasileiro na elaboração da lei 10.406/2002, a qual admite a
realização via telefone, fax, web, e-mail e afins.

3.1. Proposta: é a declaração unilateral formal dirigida à outra pessoa (o policitado) na


qual o emissor (o proponente ou policitante) se dispõe a celebrar negócio jurídico, nos
termos por ele elaborados.
O proponente (ou policitante) vincula-se aos termos da proposta, durante o
período no qual esta possui vigência; ou, na falta de prazo fixado, durante prazo
razoável, conforme a análise do caso concreto.
Regra Geral: feita a proposta, vincula o proponente – art.427 CC.

Exceção: Não prevalecerá o princípio da vinculatividade do proponente, quando:

a. O proponente expressamente afirmar que não se encontra obrigado aos termos


da proposta;

b. A natureza do caso ou as circunstâncias do negócio jurídico não permitirem tal


conclusão.

A proposta pode ser realizada entre presentes e entre ausentes.

3.1.1. PROPOSTA ENTRE PRESENTES:


É realizada com a presença física do proponente e do policitado. Considera-se
ainda, proposta entre presentes a realizada mediante meio de comunicação que torne
possível ao proponente o conhecimento da imediata resposta do policitado. Portanto,
pode-se concluir que a presença exigida pela lei não é a física, mas sim a presença
jurídica do proponente.
O atual Código Civil apenas deixa consignado que se considera entre presentes a
proposta que contrata por telefone ou por outro meio de comunicação semelhante.

EX: telefone, fax, telégrafo, videoconferência.

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Na proposta entre presentes, não havendo prazo conferido pelo proponente, o
policitado deverá IMEDIATAMENTE expedir a eventual aceitação, sob pena de
exoneração de responsabilidade do proponente.
Se a proposta for formulada entre presentes, porém concedendo-se prazo para a
sua aceitação, ela será considerada regulada como proposta entre ausentes.

3.1.2. PROPOSTA ENTRE AUSENTES:


O proponente não pode pretender uma resposta instantânea. Há de se considerar
um espaço de tempo para que sua oferta seja recebida, apreciada, e a ela dada sua
resposta.

Com prazo determinado: se a resposta não for dada dentro do prazo determinado, não
prevalece a proposta.

Sem determinação de prazo: o policitante (proponente) deverá aguardar um tempo


razoável para que o oblato dê seu pronunciamento. Considerando, portanto, a
complexidade do negócio jurídico (da oferta). Esse tempo é denominado de prazo
moral, não devendo ser longo demais, evitando que o proponente fique vinculado a
proposta por um tempo exagerado, nem tão estreito, impedindo que o oblato dê uma
resposta bem pensada.

3.1.3 DA RETRATAÇÃO:
A lei reserva ao policitante a possibilidade de retratar-se, mesmo que no
conteúdo de sua proposta não tenha feito reserva a esse respeito. Contudo, para que o
policitante não incorra em perdas e danos, este deverá fazer com que a retratação
chegue ao conhecimento do oblato, antes ou simultaneamente com a proposta. Não
importando a via ou o meio utilizado, desde que tal retratação seja de forma expressa.
Uma vez que a proposta e a retratação são contraditórias, ambas se nulificam (art.433
C.C.).

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Tempo: Em qualquer hipótese, as regras legais e doutrinárias sobre o momento de
formação dos contratos por correspondência, têm caráter supletivo. Alicam-se na falta
de estipulação especial dos interessados, aos quais é livre a adoção de sistema diferente
do legal, segundo as suas conveniências.
Tendo em vista a existência do lapso temporal na formação do contrato entre
ausentes, desperta-se o interesse para a fixação do momento em que se deve considerar
perfeito. Partindo-se de que a adesão do oblato constitui o acordo gerador do ato
contratual, ou de que a aceitação teria se positivado na mente desse, o acordo teriam
surgido, as relações jurídicas seriam estabelecidas em bases frágeis, daí a necessidade
da lei requerer a exteriorização de vontade. Acarretando nas várias teorias abaixo:

Teoria Da Informação Ou Cognição:


Considera perfeito o contrato quando o proponente toma conhecimento da
aceitação do oblato. Adotada pelo código civil e comercial da Argentina.

Teoria Da Recepção:
Entende que o contrato foi celebrado quando o proponente recebe a resposta,
mesmo que não a leia (Laurent, Arntz).

Teoria Da Declaração Ou Agnição:


Dá como concluído no momento em que o oblato escreve a resposta positiva.
(Puchta, Scheul, Baudry-Lacantinerie, Colin et Capitant, Bufnoir), tal teoria peca pela
imprecisão, por não haver um meio certo de determinar o policitante quando o fato
ocorra.

Teoria Da Expedição:
Afirma a sua realização no instante em que a aceitação é expedida. Embora não
seja perfeita, o Código Civil Brasileiro a adotou (art.434 CC) de forma mitigada, uma
vez imposta às exceções (incisos I, II, III). Tal teoria evita o arbítrio dos contratantes,
reduzindo ao mínimo a incerteza de quando os efeitos do negócio jurídico passaram a
ser produzidos. Afastando as dúvidas de natureza probatória, pois a expedição da
resposta se reveste de ato material.

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Lugar:
Embora o C.C. em seu art.435, tenha como lugar para se recusar a celebração do
contrato, o local onde esse foi celebrado, porém não há redação alguma caso as partes
contratantes estipularem expressamente o local escolhido por elas.
É imprescindível determinar o local no momento da celebração do contrato, pois
esse será o fórum eleito para dirimir qualquer litígio entre as partes contratantes (ex.
celebrado um contrato de prestação de serviços médicos e hospitalares com um plano de
saúde, as partes contratantes elegem o fórum da comarca da capital do Rio de Janeiro.
Na hipótese da propositura de ação por uma das partes, tal ação deverá ser proposta em
uma das varas da comarca da capital.

4. INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO:
Uma vez que o legislador brasileiro não reservou um capítulo especial para a
interpretação dos contratos independentemente da modalidade a que pertença, coube a
doutrina, auxiliar os instrumentadores do direito, observando sempre o princípio da boa
– fé e probidade no momento da interpretação contratual.
A interpretação pode ser feita por regras tanto subjetivas quanto objetivas. A
regra subjetiva busca auferir a vontade real das partes que concluíram o negócio,
viabilizando desta forma, a investigação da vontade real das partes, tentando impedir
desta forma o surgimento de excessiva vantagem a uma das partes devido à existência
de uma onerosidade excessiva para outra parte contratante.
Entre as inúmeras regras de interpretação dos contratos, é importante salientar as
seguintes:

a) O contrato deve ser interpretado como um todo orgânico, observando-se que


cada cláusula deve ser analisada de acordo com o contexto do negócio jurídico;

b) A cláusula contratual ambígua deve ser interpretada de acordo com o contexto,


ou seja, conforme outras cláusulas inseridas no instrumento (contrato);

c) A cláusula contratual ambígua deve ser interpretada no sentido em que ela possa
ter efeito;

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d) A cláusula contratual ambígua deve ser interpretada mais coerente com a
natureza do negócio jurídico;

e) Deve-se buscar a real intenção dos contratantes, preferindo-se esta ao sentido


gramatical das palavras empregadas no instrumento contratual;

f) A cláusula contratual deve ser interpretada a favor do devedor, quando houver


dúvida, pois o credor deve se responsabilizar por não ter inserido, de maneira
clara, o dispositivo que lhe é favorável;

g) A interpretação é contrária ao estipulante (credor), caso ele não tenha sido claro
na redação da cláusula contratual;

h) Nos contratos de adesão, a interpretação deve favorecer o aderente. Com o


surgimento dos direitos sociais, tal regra é extensiva ao empregado, no contrato
individual de trabalho e ao consumidor, regulado pela lei 8.078/90;

i) A interpretação deve se dar na execução por meio da análise da boa-fé das


partes;

j) A interpretação de uma cláusula contratual deve se dar sempre com o subsídio


do que sucede na localidade de execução do contrato;

k) Os contratos benéficos se interpretam restritivamente, o que impede a


interpretação extensiva em prol daquele que vem favorecer pela conclusão da
avença, sem ter de efetuar qualquer contra – prestação;

l) O adiantamento contratual deve ser interpretado, naquilo que não for contrário
em harmonia com o negócio jurídico;

Diante o exposto, percebe-se que a interpretação contratual tem por finalidade


fixar o conteúdo da declaração da vontade (mens declaratoris).
Para se proceder à adequada interpretação do negócio jurídico, é conveniente a
análise das condições externas da vontade. Neste sentido, há de se lembrar que a

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declaração de vontade prevalece sobre a vontade interna, a menos que se obtenha êxito
em se demonstrar que a vontade real era outra, diferente daquela que foi exteriorizada.
O Código consagra a regra segundo a qual nas manifestações de vontade se dará
mais importância à real intenção que ao sentido literal da linguagem empregada, o que
denota a consagração da teoria voluntarista, desde que se consiga demonstrar que real
intenção foi essa.
A interpretação do negócio jurídico, pode se fundar na teoria subjetiva ou na
teoria objetiva, esta última de procedência mais recente e de índole mais
principiológica.

4.1. INTERPRETAÇÃO SUBJETIVA:


A teoria subjetiva busca aferir a vontade real das partes que concluíram o
negócio. Viabiliza, destarte, a investigação da vontade real das partes.

4.2. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA:


Com o advento do atual Código Civil – Lei 10.406- houve a substituição da boa-
fé psicológica pela boa-fé, pautada ante a introdução da teoria da confiança.
A Teoria Objetiva busca esclarecer o sentido dado às declarações que integram o
negócio. Destacando-se três regras de interpretação objetiva:
a - a observância da boa-fé e eqüidade;
b - a conservação do negócio jurídico; e
c - o equilíbrio entre as prestações contratuais.

5. CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS:

5.1. Contrato Típico ou Nominado: é aquele previsto em lei, com sua regulamentação
própria; quando suas regras disciplinares são deduzidas de maneira precisa nos Códigos
ou nas leis.

5.1.2. Contrato Atípico ou Inominado: não possui previsão legal expressa, porém é
admitido pelo sistema jurídico, por não ofender a lei, a moral ou os bons costumes.

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5.1.3. Contratos consensuais: Perfaz-se mediante a convergência de vontades. Se
formam exclusivamente pelo acordo de vontades, uma vez que em nosso direito, como,
aliás, no direito moderno em geral, predomina o princípio consensualista, podendo-se
afirmar desta forma, que o contrato consensual é a regra.
EX: Compra e Venda.

5.1.4. Contrato Real: Somente gera efeitos a partir da entrega da coisa, pela tradição.
Nele, a entrega da coisa não é fase executória, porém requisito da própria constituição
do ato. Antes da entrega da coisa, pode existir promessa de contratar.
EX: Mútuo, comodato, depósito, e ainda, a doação manual de pequeno valor, arras.

5.1.6. Contrato Formal: Também denominado como solene. Para que se tenha
validade jurídica, é necessária sua adequação às formalidades legais. A mais freqüente é
a intervenção do notário, com a redução do ato a escrito.

5.1.7. Contratos Onerosos: as partes integrantes do contrato visam a obter vantagens


ou benefícios, impondo-se encargos reciprocamente em benefício uma da outra,
devendo a mesma efetuar disposição patrimonial por força do ajuste.
EX: Locação, Compra e venda

5.1.8. Contratos Gratuitos: também chamados de benéficos, somente uma das partes
aufere a vantagem, e a outra suporta, só ela, o encargo. A pessoa a quem o ato beneficia,
está livre ou isenta de qualquer retribuição, pagamento ou contraprestação.

5.1.9. Contrato Comutativo: contrato bilateral e oneroso no qual a estimativa da


prestação a ser recebida por qualquer das partes pode ser efetuada no mesmo ato em que
o contrato se aperfeiçoa. Inserindo a idéia de equivalência das prestações, uma vez que
nas prestações de intuito lucrativo, cada parte só consinta em um sacrifício se aquilo que
obtém em troca lhe for equivalente.
EX: Locação de coisa.

5.1.10. Contrato Aleatório: contrato bilateral e oneroso em que pelo menos uma das
partes não pode antecipar o montante da prestação que receberá, em troca da que
fornece. Compra-se na verdade, um risco.

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EX: Seguro de carro.

6. DO LUGAR (ART.435 C.C)


Embora o C.C. em seu art.435, tenha como lugar para se recusar a celebração do
contrato, o local onde esse foi celebrado, porém não há redação alguma caso as partes
contratantes estipularem expressamente o local escolhido por elas.
É imprescindível determinar o local no momento da celebração do contrato, pois esse
será o fórum eleito para dirimir qualquer litígio entre as partes contratantes (ex.
celebrado um contrato de prestação de serviços médicos e hospitalares com um plano de
saúde, as partes contratantes elegem o fórum da comarca da capital do Rio de Janeiro.
Na hipótese da propositura de ação por uma das partes, tal ação deverá ser proposta em
uma das varas da comarca da capital.

7. DO TEMPO
Em qualquer hipótese, as regras legais e doutrinárias sobre o momento de formação dos
contratos por correspondência, têm caráter supletivo, o que vai prevalecer é o momento
da celebração do contrato escolhido pela livre vontade das partes, passando a produzir
efeitos. Aplicam-se na falta de estipulação especial dos interessados, aos quais é livre a
doação de sistema diferente do legal, segundo as suas conveniências.
Tendo em vista a existência do lapso temporal na formação do contrato entre ausentes,
desperta-se o interesse para a fixação do momento em que se considerar perfeito.
Partindo-se de que a adesão do oblato constitui o acordo gerador do ato contratual, ou
de que a aceitação teria se positivado na mente desse, o acordo teria surgido, a relações
jurídicas seriam estabelecidas em bases frágeis, daí a necessidade da lei requerer a
exteriorização da vontade.
Em vista de tal necessidade surgiram as seguintes teorias:

a. Teoria Da Informação ou Cognição.


Considera perfeito o contrato quando o proponente toma conhecimento da aceitação do
oblato. Tal teoria foi adotada pelo Cód. Civil e o Código Comercial da Argentina.
Entende que o contrato foi celebrado quando o proponente recebe a resposta mesmo que
não a leia.
Proposta, Aceitação = Contrato Preliminar.

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b.Teoria Da Declaração.
Dar contrato como concluído no momento que o oblato escreve a resposta positiva, tal
teoria peca pela impressão, por não haver meio certo de determinar quando o fato
ocorreu.

c.Teoria Da Expedição.
Afirma a sua realização no momento em que a aceitação é expedida. Embora não seja
perfeito o Cód. Civil adotou de forma mitigada em seu art. 434, uma vez que as
exceções são elencadas em seus incisos. Tal teoria evita o arbítrio dos contratantes,
reduzindo ao mínimo a incerteza de quando os efeitos jurídicos passaram a ser
produzidos. Afastando as dúvidas de natureza probatória, pois a expedição da resposta
se reveste de ato material.

Ex.: Suponha que um contrato foi celebrado em 1999, porém em 2000 surge uma nova
lei. Pergunta-se: Esta nova lei valerá para o contrato de 1999?
De acordo com a teoria da agnição ou da expedição tem que se verificar a data e o ano
em que este foi celebrado e se os efeitos da nova lei retroagirão a data de celebração.

8. DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS - Art. 441 C.C


São os defeitos ocultos na coisa que a torna imprópria para o uso a que foi
destinada ou lhe diminua o valor econômico e financeiro. Tais vícios para serem
considerados redibitórios, não podem ser constatados a “olhos nus”, pois desta forma
estaríamos diante de um vício aparente.
Os vícios redibitórios só poderão ser argüidos
Uma vez recebida a coisa com vício ou defeito oculto, coisa essa objeto de
contrato comutativo poderá ser recusada pelo adquirente de Boa-fé.
Em relação as doações onerosas, ou seja, aquelas que impõem encargos ao
donatário poderão ser argüidos os vício redibitórios ou defeito oculto, ao revés das
doações gratuitas, tendo em vista essa não acarretar encargos para o donatário, e
consequentemente caso o objeto da doação (gratuita), vier com vícios, não há que se
falar em prejuízo.

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Convém definir ainda que a doação consiste no recebimento de determinada
coisa, seja ela fungível ou infungível, passando o donatário a ser legítimo proprietário,
sem que tenha que pagar contra-prestação alguma.

Art. 442 C.C – Na hipótese da coisa vir com vício ou defeito oculto ao invés do
adquirente recusá-la, rescindindo o contrato em decorrência de tais vícios, este poderá
ficar com a coisa no estado em que se encontra, pleiteando o abatimento de preço. Se
for necessário recorrer ao poder judiciário para obter o abatimento de tal pleito, deverá
ser através da propositura da ação quanti minoris.

Redibição Contratual = é a rescisão contratual pelo fato do objeto do contrato vir


embuído com vício ou defeito oculto.

Caso o alienante tenha conhecimento da existência dos vícios ou defeitos ocultos


na coisa em que foi alienada poderá o adquirente pleitear a restituição dessa coisa,
acrescido de perdas e danos, porém é de suma relevância que uma vez invocado a
existência dos vícios, deverá o adquirente comprovar que o alienante era sabedor, uma
vez que o ônus da prova cabe a quem alega.

A sanção para o alienante de boa-fé o qual desconhecia a existência de vícios ou


defeitos ocultos, será apenas a restituição de valor que recebeu, mas as despesas do
contrato.

PERECIMENTO DA COISA
Conforme discorre o art. 237 C.C a coisa pertence ao devedor até o momento da
transação. Podendo-se afirmar que na hipótese de perecimento da coisa, após o
momento da tradição, tal prejuízo recairá sobre o adquirente. Ocorre que, se tal
perecimento se der em decorrência de vício ou defeito oculto, já existente na época da
tradição, encontrando-se o objeto na posse do credor, o prejuízo recairá na figura do
devedor, ou seja, alienante.

PRAZO DECADÊNCIAL
Para requerer abatimento do preço ou a redibição contratual, em se tratando de:
a) Bem móvel = 30 dias

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b) Bem imóvel = 1 ano

Dar-se-à início a contagem do prazo em epígrafe a partir da efetiva entrega da coisa.


Entretanto há de se ressaltar que caso o adquirente tome conhecimento da existência de
tais vícios ou defeitos ocultos após a utilização da coisa, o prazo decadencial será
iniciado no dia em que o adquirente tomar ciência da existência dos vícios ou defeitos
ocultos, tendo como término, até 180 dias após a aludida ciência. (art.445, § 1º)

Obs.:
Conforme discorre o caput do art.2035 do C.Civil todos os contratos celebrados na
vigência do Código Civil de 1916 deverão ser regidos por este. Porém é importante
ressaltar que uma vez que tais contratos (celebrados na vigência do código civil de
1916), uma vez que vem contrariar os princípios contratuais elencados na lei 10.406 de
2002, como o princípio da boa-fé, da probidade, bem como a função social dos
contratos, deverão ser regidos pelo atual código civil.

Ps: Função social do contrato social = O objetivo é gerar riquezas, maior conforto,
gerando um maior bem-estar para uma sociedade, ou uma comunidade (ex: a abertura
de uma padaria numa comunidade, gerando emprego e consumo para esta).

7. EVICÇÃO (arts. 447 ao 457, C.C)


O instituto da evicção é aplicável aos contratos de compra e venda, permuta e da
ação em pagamento.
É importante indicar três figuras imprescindíveis:
Evictor = Real proprietário que pretende reaver a propriedade perdida;
Evicto = Aquele adquirente que tem a propriedade da coisa;
Alienante = Aquele que alienou o bem ao adquirente.
O atual código civil traz uma inovação em relação a evicção. Atualmente além
do evictor reaver o seu bem entravés de sentença judicial, o evicto poderá perder a
propriedade da coisa através do poder de polícia.
Ex: caso o evicto encontre-se na propriedade de um determinado bem, porém de forma
irregular (ausência de documentos que comprovem a propriedade do mesmo, poderá tal
bem ser apreendido por força policial, dependendo do caso, ou seja, dependendo da

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situação em que se encontre o bem , poderá o evicto perde-lo também pela polícia
alfandegária.

Obs: O poder de polícia é aplicado apenas para bens móveis, pertinente a bens imóveis
aplica-se a decisão judicial. A restituição será referente ao valor pago pelo bem. É
considerado proprietário - do bem imóvel aquele que tem o mesmo registrado perante o
RGI.

8. DO CONTRATO PRELIMINAR ( Arts.462, 463, 464, 465 e 466 todos do Código


Civil)
É o contrato mediante o qual as partes se obrigam a concluir no futuro um
ulterior contrato já inteiramente determinado em seus elementos essenciais. O que
caracteriza de forma peculiar o contrato preliminar é o fato de ele ter como objeto outro
contrato, melhor dizendo, a execução do contrato definitivo - ( Consiste no
compromisso celebrado entre as partes contratantes para garantirem a execução do
contrato definitivo).
O contrato preliminar, ou seja, esse compromisso em que as partes assumem
reciprocamente está atrelado àqueles contratos cuja execução seja mediata, ou seja, nos
contratos em que o resultado final, propriamente dito será produzido a médio ou longo
prazo.
EX: compra e venda de bens imóveis (financiado).

1º - É celebrado o compromisso de compra e venda e após o pagamento do valor total


do preço feito pelo comprador, o vendedor se compromete a lhe entregar a escritura
definitiva do imóvel.
Nos contratos de execução instantânea ou imediata, não existe um lapso temporal para a
efetivação do disposto no contrato.
Ex: Contrato de compra e venda de uma caneta.
No momento em que o comprador está pagando o preço da coisa, o vendedor já está
realizando a tradição da mesma, transmitindo dessa forma, a titularidade do bem.

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8.1 DO ARREPENDIMENTO

Quando expressamente previsto no contrato, o arrependimento autoriza qualquer


das partes a rescindir o ajuste, mediante declaração unilateral da vontade, sujeitando-se
à perda do sinal, ou à sua devolução em dobro, sem, no entanto, pagar indenização
suplementar. Configuram-se, in casu, as arras penitenciais, previstas no art. 420 do
Código Civil.
O direito de arrependimento deve ser exercido no prazo convencionado ou antes
da execução do contrato, se nada foi estipulado a esse respeito, pois o adimplemento
deste importará renúncia àquele direito.

OBS: O Código de Defesa do consumidor concede a este o direito de desistir do


contrato, no prazo de sete dias, sempre que a contratação se der fora do
estabelecimento comercial, especialmente quando por telefone ou em domicílio,
com direito de devolução do que pagou, sem obrigação de indenizar perdas e danos
(art.49 CDC). Trata-se de caso especial de arrependimento, com desfazimento do
contrato por ato unilateral do consumidor. O fundamento encontra-se na
presunção de que, por ter sido realizado fora do estabelecimento comercial, o
contrato não foi celebrado com a reflexão necessária.

8.2 REQUISITOS DE VALIDADE

Em relação aos requisitos de validade do negócio jurídico que estão elencados no art.
104 C.C, os mesmos devem ser aplicados ao contrato preliminar. Em relação a forma,
não se faz necessário que o contrato preliminar possua a mesma forma do contrato
definitivo.

8.3 DO PRAZO

Deve constar no contrato preliminar o prazo para execução do contrato definitivo.


Sendo esse estipulado pelas próprias partes ali compromissadas.
Não há determinação legal para a efetivação do contrato em tela, entretanto é pertinente
observar que tal prazo não venha causar prejuízo para as partes, devendo observar ainda
o princípio da boa-fé e probidade.

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EX: É celebrado um compromisso de compra e venda, por instrumento particular cujo o
objeto é um carro no valor de R$ 30.000,00. A forma de pagamento será: 100
prestações de R$ 300,00.
Observa-se que o comprador terá uma vantagem excessiva em decorrência do presente
contrato, não havendo um equilíbrio entre prestações e contraprestação.

9. DA EXTINÇÃO DO CONTRATO

Entende-se por extinção contratual o momento em que o contrato deixará de produzir


seus efeitos, ou seja deixará de gerar direitos e obrigações para as partes contratantes.
A extinção contratual poderá ser dada por espécies distintas, algumas por intermédio da
força estatal (propositura de ação, outras pela simples notificação das partes). Vejamos:

9.1. Distrato (art. 472 C.C)

O distrato é um negócio jurídico que rompe o vínculo contratual, mediante declaração


de vontade de ambos os contratantes de pôr fim ao contrato que firmaram. Submetem-se
às mesmas normas e formas relativas aos contratos. O art.472 só é aplicável, porém ao
caso de distrato de contratos cuja forma é prescrita em lei. O distrato produz efeitos ex
nunc.
Entende-se por resilição a dissolução do contrato pela simples declaração de uma das
partes; opera-se mediante denúncia notificada à outra parte. Assume, em certos casos, a
feição especial de revogação, renúncia e resgate.
Há que se observar que para a execução do contrato foi necessário o investimento de
uma das partes, a denúncia unilateral (notificação extrajudicial) só produzirá efeito após
a parte investidora tiver auferido o equivalente ao que investiu.

EX: Comodato, depósito, comodato.

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10.DA CLÁUSULA RESOLUTIVA (art. 474 C.C)

A cláusula resolutiva pode ser dividida em:

10.1. Expressa
Consta no contrato manifestando a vontade das partes, indicando taxativamente em
quais hipóteses o contrato poderá ser extinto.
Nessa hipótese não haverá necessidade das partes recorrerem ao poder judiciário para
efetivarem a extinção contratual, ou seja, não haverá necessidade de interpelação
judicial.

EX: contrato de locação cujo prazo de validade é de 36 meses. Fim do prazo avençado
entre as partes não haverá a necessidade de propositura de nenhuma ação para extinguir
o presente contrato.

10.2. Tácita
Também imposta no contrato em decorrência da manifestação das partes, porém
fica determinada de forma obscura, suscitando dúvidas, sendo necessário portanto, uma
interpretação judicial.
Na hipótese de inadimplemento contratual caso uma das partes venha a ser
considerada lesada, tendo que arcar com os prejuízos em decorrência de tal
inadimplemento, poderá requerer a resolução do contrato.
Nas duas hipóteses mencionadas, poderá a parte lesada cumular o pedido de
indenização por perdas e danos.

OBS: é uma exceção ao contrato não cumprido.

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11. DA EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO
EXCEPTIO NON ADIMPLENTI CONTRATUS

Em regra geral, ocorrendo a inadimplência contratual, o credor deverá recorrer ao


poder judiciário para a execução do contrato, uma vez que esse serve como título
executivo judicial.
Podemos observar nos arts. 476 e 477, C.C a exceção a regra acima disposta. No
momento em que uma das partes vislumbre a possibilidade do inadimplemento
contratual, em decorrência do esvaziamento patrimonial, poderá se recusar a receber
a prestação avençada resilidindo assim o presente contrato, ao invés de aguardar o
inadimplemento contratual, devendo portanto recorrer ao poder judiciário para
satisfação do seu crédito.
Pode-se ainda, ao vislumbrar a possibilidade de inadimplemento contratual, o credor
(seja ele o contratante ou contratado) exigir a disponibilidade de algum bem a seu
favor, para servir de garantia.

11.1. Propositura da Ação

b. PI = conclusão = citação = contestação = volta a conclusão= réplica = em provas


= audiência de conciliação;
c. Audiência de int. conciliação e julgamento ou AJJ (Audiência de instrução e
julgamento);
d. Conciliação frustrada;
e. sentença .

O efeito da sentença é retroativo a data da citação ( momento em que o réu toma


ciência de que uma determinada ação corre em face dele/ contra ele).

12.DA RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA (art. 478 C.C)

Tal hipótese é cabível quando se trata de prestações continuadas ou diferidas,


acarretando vantagem excessiva para uma das partes contratantes suportando assim
a outra parte com os prejuízos oriundos dessa desigualdade contratual, ou seja,
inexiste o equilíbrio entre prestação e contra – prestação. Tal vantagem não é

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conseqüência de um ato premeditado das partes que celebraram o contrato. Indica-se
fator externo, sendo de ordem econômica, bem como a possibilidade de majoração
de juros sobre as prestações.
O devedor ao verificar que não será possível dar continuidade ao pagamento das
prestações deverá propor uma ação de desfazimento de negócio jurídico, tendo
como fundamento a existência de uma onerosidade excessiva efetiva, se esquivando
assim das sanções existentes na cláusula penal do contrato. É importante ressaltar
que a sentença proferida na ação em epígrafe retroagirá a data da citação.
Ao revés da medida acima elencada, ou seja, a propositura da ação para a
conseqüente extinção do contrato, poderá o devedor requerer a equidade das
obrigações (prestação e contra-prestação).
Caso o contrato celebrado gere efeitos para apenas uma das partes contratantes, esta
ao invés de requerer a extinção do contrato por via judicial, poderá requerer o
cumprimento de sua prestação de acordo com sua possibilidade econômica e
financeira.

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