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Aluna | Ana Beatriz Soares de Oliveira

Professor | Remo Mannarino Filho


Introdução à filosofia, 2020.1

Tarefa de G2
Primeira tarefa - Karl Popper
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a) Diga qual sua área de estudos, e se Popper a consideraria uma das ciências
empíricas, e justifique a resposta com a suficiente conceituação das ideias do filósofo,
assim como com a descrição do modo de funcionamento da sua área;

No próximo período vou me formar em desenho industrial, com habilitação em mídias


digitais. Estou estagiando em experiência do usuário a um ano e meio e espero seguir
carreira nessa área, especialmente no nicho de criação de assistentes de voz.

A área de estudos de design com certeza seria reconhecida por Popper com uma das
ciências empíricas. É uma área totalmente baseada em experiência, testes e hipóteses.
Assim como na concepção de Popper, é uma ciência que pode ser constantemente
testada, refutada e aprimorada.

Em design, não existe a ideia de verdade absoluta e todas nossas teorias são
conjecturais e estão sendo constantemente postas à prova. Nesse sentido, o
falseamento é o nosso motor de criatividade e trabalho, tornando o design uma das
áreas que mais procura errar para evoluir, buscando o conceito de falseabilidade
proposto por Popper.

Trabalhamos apenas com o método dedutivo hipotético, quando elaboramos todas as


etapas dos nossos projetos. É vital a importância dos nossos testes com usuários e
pesquisas, pois são fundamentais para nos fazerem aprender com os erros e assim
poder aprimorar cada vez mais o projeto.

Ao contrário das pseudociências, que se blindam contra a refutação de suas teorias, o


design busca ativamente descobrir e trabalhar seus erros, pois é isso que traz
crescimento para essa área.

b) Em caso de resposta afirmativa, apresente um caso de refutação de teoria científica


dentro da sua área de estudos que ilustre a resposta dada;

Tenho inúmeros casos de refutação de teoria científica que aconteceram durantes meus
projetos e pesquisas durante os últimos anos. Entre eles, escolhi o que mais tem me
feito refletir e aprender com os erros que cometi.
Atualmente, estou concluindo meu projeto de trabalho de conclusão de curso. Ele
consiste em um jogo de cartas sobre alinhamento de chakras em que o objetivo é
despertar o interesse do público pelo hinduísmo e cultura indiana.

Desde o princípio, o meu objetivo era passar os ensinamentos hindus por meio da
dinâmica do jogo. Para isso, fiz uma longa pesquisa para decidir quais conceitos eram
mais adequados para serem transmitidos de uma forma simples e lúdica para o público
ocidental.

Inicialmente, o objetivo do jogo era que cada jogador equilibrasse os sete chakras para
alcançar o moksha (libertação do ciclo de reencarnação), e para isso seria necessário
juntar três cartas de cada tipo, formando o conjunto completo. A mecânica era
extremamente competitiva e foi testada inúmeras vezes até alcançar o número de
jogadores, cartas e turnos ideais.

A minha teoria era que toda essa velocidade e competitividade fariam o jogador
perceber como é frágil o equilíbrio dos chakras, compreendendo melhor assim sua
essência e vendo como é difícil manter o autodomínio. Dessa forma, ele estaria um
passo mais próximo de entender a filosofia hindu e de se interessar pelo tema.

No dia da apresentação final do primeiro semestre do projeto, minha teoria foi


rapidamente refutada. Os professores alertaram que eu havia cometido um erro quanto
ao objetivo do meu jogo, pois os jogadores estavam se apegando mais à ideia de
competirem entre si do que com a busca pelo equilíbrio. Logo entendi que nesse projeto
era mais importante instigar a colaboração para a compreensão da importância do
equilíbrio do que a competitividade para entender a dificuldade de mantê-lo.

Desta forma, foi necessário criar novas hipóteses, refazer toda a mecânica, testar
novamente com os usuários e enfim chegar a uma versão mais adequada em relação à
verdadeira proposta do jogo.

Sendo assim, acredito que esse é um bom exemplo de um caso de refutação de teoria
científica, assim como Popper a define, pois ela foi facilmente refutada e por conta
disso posteriormente aprimorada, aumentado seu grau de confiabilidade.