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Pratica Pedagógica I

Lição No 1

Sumàrio: Observação como técnica de recolha de dados


A técnica de observação, uma forma de levantamento naturalista, permite a investigação de fenómenos nos seus contextos
de ocorrência natural. A observação participante implica a inserção do investigador na população ou na sua organização
ou comunidade, para registar comportamentos, interacções ou acontecimentos. Este envolve-se nas actividades que está a
estudar, mas tem como prioridade primária a observação.

A participação é uma forma de se aproximar da acção e de se sensibilizar em relação ao que as coisas significam para os
actores. Como participante, o avaliador está em posição de obter pontos de vista adicionais através da experiência directa
dos fenómenos. A observação participante pode ser usada como técnica de curto ou longo prazo. O avaliador/investigador
tem de permanecer o tempo necessário para se integrar no ambiente e na cultura local e ganhar a aceitação e confiança dos
actores locais regulares.

A observação consiste em observar o comportamento e as interacções à medida que vão acontecendo, mas presenciados
pelo próprio investigador. Não existe qualquer tentativa de participar como membro do grupo ou do contexto em se
enquadra, embora, em geral, o avaliador tenha de negociar o acesso a esse contexto e os termos da actividade de
investigação. A intenção consiste em “passar despercebido”, para que a presença de um elemento externo não exerça uma
influência directa sobre os fenómenos em estudo. As técnicas de observação podem ser usadas para recolher informação
aprofundada sobre algumas situações típicas na implementação de uma intervenção.

1.1. Observação: conceito e formas


Do latim observatĭo, a observação é a acção e o efeito de observar (examinar com atenção, olhar com pormenor,
constatar). Trata-se de uma actividade realizada pelos seres vivos para detectar e assimilar informação. O termo também
faz referência ao registo de certos factos (ou ocorrências) através da utilização de instrumentos.

A observação faz parte do método científico, pois, à semelhança da experimentação, permite realizar a verificação
empírica dos fenómenos. A maior parte das ciências recorrem à observação e à experimentação como forma
complementar.

A astronomia costuma ser dada como exemplo das ciências que têm por base a observação. Neste caso, a experimentação
não é possível pelo facto de não se poder levar o objecto de estudo até a um laboratório. A observação científica consiste
na medição/examinação e no registo dos factos observáveis. Esta actividade deve ser realizada de forma objectiva, sem
deixar que as opiniões, os sentimentos e as emoções influenciem no trabalho científico.

Depois de realizar a observação, o científico (ou cientista) deve elaborar uma hipótese como explicação tentativa do
fenómeno observado. Na etapa seguinte do método científico, é realizada uma predição (como consequência lógica da
observação), a qual costuma ser experimentada a partir dessas ideias. Por fim, o científico reúne condições para chegar a
uma conclusão e, por conseguinte, para contribuir para o conhecimento.

A observação não estruturada, também denominada assistemática, simples, espontânea, informal ou não planificada,
conduz a função do pesquisador atuando como mero expectador. Em face dessa realidade, podemos afirmar que tal
modalidade não é indicada para testar hipóteses, bem como descrever de forma precisa as características e os aspectos
relacionados a uma dada amostragem. O intuito a ela atribuído se revela pelo conhecimento de uma situação cuja natureza
se revela como pública, tais como hábitos de compra, vestuário, frequência a determinados locais públicos, dentre outras
circunstâncias. Apenas lembrando que para o registro dos dados colhidos, podem-se utilizar distintos recursos, como
gravadores, câmeras fotográficas, filmadoras, além de outros, aqui não especificados.

Observação É a técnica de investigação de base, que sustentam todas as outras, uma vez que estabelece a relação básica
entre o sujeito que observa e o objecto que é observado, que é o início de todo o entendimento da realidade.

Os comentários são a método de recolha de informação mais directa, mais útil e mais velha. Como uma técnica de
pesquisa, tem aceitação larga científica. Sociólogos, psicólogos e engenheiros industriais amplamente usar essa técnica
para estudar as pessoas nas suas actividades de grupo e como membro da organização. O objetivo da organização é
múltipla: permite que o analista determinar o que está sendo feito, como está sendo feito, quanto tempo demora, onde
torna-se e torna-se quem o faz, quando realizado.

Observação é a técnica de colecta de informações, que é basicamente, observar, colectar e interpretar, acções,
comportamentos e actos de pessoas ou objectos. Este processo visa a contemplar como ele se desenvolve estas
características em um determinado contexto, sem intervir no-los ou manipulá-los em uma cuidadosa e sistemática.

No ato de observação podem ser distinguidos: o observador, o objecto de observação, os meios de comunicação para
observar as condições de observação e o sistema de conhecimento relacionados com a finalidade das observações e
interpretações dele resultante.

Observação é o mais antigo e o mais utilizado na pesquisa, é o processo inicial e fundamental do método científico. A
observação científica consiste no estudo de um fenómeno específico ou um evento específico que ocorre em sua condição
natural. Permite para compreender os fenómenos que ocorrem em nosso próximo através dos sentidos.

A observação de aulas, é usado como um método de qualificação de um professor ou futuro de ensino, que analisa a sua
postura, sua imagem, sua qualidade profissional, modulação de sua voz, expostos, ferramentas pedagógicas, conteúdas,
etc. Observação cumpre papéis importantes, não só no campo científico, mas também em outras áreas, como na arte.

1.2. Elementos básicos do processo de observação


1 Assunto ou observador, no qual estão incluídos os elementos constitutivos deste, tanto o sociológico e cultural, bem
como as experiências específicas do pesquisador.

2.Objecto de observação: isto é a realidade, mas sempre que introduziu procedimentos de selecção e discriminação, para
separá-lo de outras sensações.

3. Circunstâncias de observação: são as condições que cercam o fato de observar e extremidade acima como parte da
própria observação.

4. Os meios de observação: são os sentidos e instrumentos desenvolvidos por seres humanos para estender os sentidos ou
inventar novas formas e campos de observação.

5 Corpo do conhecimento: é o conjunto de conhecimentos devidamente estruturados em campos científicos que permitem
que haja um comentário e que os resultados desta são integrados em um corpo de conhecimento mais amplo.

1.3. Tipos de observação


• Estruturada Observação: realizado através da criação de um sistema que orienta a observação, passo a passo, e
relacionando-a com o conjunto de pesquisa que é realizada.
A observação estruturada, como bem nos revela a própria denominação, caracteriza-se por ser uma acção minuciosamente
planejada, com vista a atender critérios preestabelecidos. Assim, cabe ao pesquisador se manter o mais objectivo possível,
eliminando por completo sua influência sobre os fenómenos em estudo e se limitando a somente descrever informações
precisas acerca do fato em questão. Cabe ressaltar que, mediante os tais aspectos, faz-se necessário, como anteriormente
expresso, um plano previamente elaborado, que forneça os subsídios necessários à análise da situação, cuja natureza se
manifesta por um aspecto iminentemente exploratório.

• Observação aberta: carece de um sistema organizado e realizado livremente; Ela é usada quando você deseja capturar
o movimento espontâneo de um determinado grupo de pessoas, por exemplo, em estudos antropológicos.

• Observação semi-estruturada: este tipo de observação é baseado em um padrão estruturado, mas aplicado de forma
flexível, de acordo com a maneira que adopta o processo de observação.

• Observação participante: em formas anteriores de observação, tem sido implícita para o observador se comporta da
maneira mais neutra possível em relação a eventos que você está observando. No caso da observação participante, o
sujeito que observa é aceito como membro do grupo humano que é observado, ainda que provisoriamente.

Observação participante tem mérito não só para tentar explicar fenómenos sociais, mas tentar compreendê-los a partir do
interior, o que implica trazer à luz os processos racionais que estão escondidos atrás de comportamentos que
aparentemente podem não ter significado para o observador externo.

Consoante à participação do observador, a observação tende a se caracterizar como participante enão participante. Essa
última pode também ser compreendida como passiva, haja vista que quem observa apenas se limita a fazê-lo de forma
neutra, ou seja, permanecendo alheio aos dados colhidos, posicionando-se do lado de fora e se mantendo como mero
expectador.

Já na observação participante, o observador assume uma posição totalmente activa, envolvendo-se com o fenómeno
analisado. Tal participação pode assumir duas formas distintas: a natural, demarcada pelo fato de ele já pertencer à mesma
comunidade; ou artificial, quando ele passa a integrar o grupo em análise. Tendo em vista a forma como ele se envolve
com a situação, o observador pode assumir distintos papéis: o de participante total (não revelando a verdadeira
identidade); o de participante observador (revelando a identidade e objectivos a que se presta) e o de observador total, cuja
actuação se revela pelo fato de não interagir com o grupo, realizando todo o procedimento sem ser visto.

Conforme o número de observadores, há de se afirmar que uma dada realidade pode contar com somente um, considerado
um observador individual. Nesse tipo de actuação, é possível que a objectividade das informações seja intensificada. Já na
observação em equipe, o grupo de observadores pode analisar o fato sob vários ângulos, fato que descarta o carácter assim
tão objectivo, pois cada um deles pode observar um aspecto distinto e chegar a conclusões também divergentes.
Pratica Pedagógica I

Lição No 2

Sumàrio: Dilemas da Educação e do Ensino de Biologia

Muito se tem discutido a respeito dos desafios da educação, desde a formação dos professores, até mesmo as dificuldades
encontradas no percurso da sua formação e carreira em sala de aula. Essas dificuldades vão desde a relação do professor
com os alunos, passando pela capacitação e da sua própria actuação como docente. No que diz respeito à relação
professor/aluno, Abreu e Masetto (1990, p. 115) afirmam que : [...] é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do
que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa
determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflecte valores e padrões da sociedade.

A relação entre professores e alunos é um dos aspectos fundamentais do processo de ensino e aprendizagem, não havendo
como desvincular a importância do papel do professor em integrar a vida escolar dos alunos ao cotidiano vivenciado por
eles, proporcionando-lhes aprender de forma efectiva. Portanto, a aprendizagem é resultante das acções do sujeito com a
interacção entre o meio social em que ele se encontra (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2002).

A actuação dos professores de Biologia, da mesma forma dos demais, constitui-se de saberes e práticas que não se
resumem apenas ao domínio do conteúdo, das teorias, dos conceitos e dos procedimentos disseminados no espaço escolar.
Para França (2011, p. 14): “as exigências da sociedade actual indicam a necessidade de um novo modelo de professor,
muito embora, historicamente, bastasse possuir certo conhecimento formal para se assumir a função de ensinar‟‟, as
mudanças sofridas pela sociedade exige uma ressignificação do papel docente, o que por muitas vezes faz com que o
professor seja interpretado como o principal instrumento da formação escolar e cidadã, tornando-se necessários os debates
que incidem sobre a reflexão das possíveis transformações no contexto de formação e actuação dos docentes.

Campelo (2001, p. 49) enfatiza que “é notório que as instituições e a sociedade em geral estão a requerer muito do
trabalho do professor, embora nem sempre se questionem as possibilidades e condições de se efectivarem as inúmeras
responsabilidades a ele atribuídas, (pois) essas responsabilidades, geralmente de difícil consecução, nem sempre estão
definidas com clareza”. Nesse sentido, torna-se importante o fortalecimento das práticas pedagógicas que influenciam
directamente o desenvolvimento da formação docente.

A partir do entendimento de que o professor tem um papel central a desempenhar na educação, ele deixa de ser um
simples e mero aplicador de conteúdos prontos e programáticos, mas sim um sujeito que precisa estabelecer sua prática de
acordo com suas experiências (MARTINS, 2009). Tardif, Lessard e Lahaye (1991, p. 218) reforçam esse entendimento
quando apontam que “a relação dos docentes com os saberes não se reduz a uma função de transmissão dos
conhecimentos já constituídos, pois sua prática integra diferente saberes, com os quais o corpo docente mantém diferentes
relações”. Cabendo a ele a possibilidade de mediar, criar condições, facilitar a acção do aluno em aprender, ao veicular
um conhecimento como seu porta-voz (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2002).

Dessa forma, as mudanças na conduta ou acção do educador contribuem para a transformação qualitativa da educação.
Levando em conta que, tudo que o aluno aprende não se limita a sala de aula, mas a todos os processos formativos de sua
vida social, atribuindo ao trabalho do professor o peso de sua contribuição na formação discente, o que o torna
responsável pela sua acção e função, a partir das necessidades dos diferentes alunos.

Logo, sua actuação deve favorecer uma aprendizagem crítica e transformadora, fundamentada em conceitos inovadores. E
não somente centralizada em conceitos que caracterizam a educação tradicional e conservadora.
A formação do professor de Biologia deve estar alicerçada no sentindo amplo de „saber‟ e „saber fazer‟. Tardif (2007, p.
36) afirma que o saber docente: “[...] se constitui em um „saber plural‟, formado pelo amálgama mais ou menos coerente
de saberes oriundos da formação profissional e de saberes curriculares: experienciais e disciplinares”.

Existem ainda outros dilemas enfrentados na prática docente, que vão além das salas de aulas, como o fracasso, a
desvalorização e falta de credibilidade, que impostas a esses profissionais, trazem sérios prejuízos à sua práxis (conduta
ou acção).

A docência precisa ser vista como uma profissão necessária e grandiosa na sociedade, tendo em vista que a educação é um
direito de todos, não somente por ser responsável pela mediação do conhecimento sistematizado, mas também pela
inserção de valores políticos, sociais, e valores de cidadania. Nesse sentindo, a complexidade do exercício docente deixa
de serem barreiras de desânimo e passa a ser um convite para sair da inércia, da monotonia. (GIL-PÉREZ; CARVALHO,
1995)

Diante desse cenário, no qual o docente deve assumir sua prática como um construtor da aprendizagem do aluno, é
necessário que se indague até que ponto os factores vivenciados por eles em sala de aula como: a indisciplina dos alunos,
a escassez de recursos didácticos, alunos desmotivados ou desinteressados, sobrecarga de aulas e a desvalorização do
profissional no ambiente escolar, podem influenciar na actuação docente.

1.5. Problemas da Educação em Moçambique


Em Moçambique existem três problemas de Educação, nomeadamente: problema da planificação, problema da
consideração do aluno e problema de consideração de métodos didácticos.

a) Problema da Planificação
Os dois grandes males que debilitam o ensino e restringem o seu rendimento são a rotina sem inspiração nem objectivos e
a improvisação dispersiva, confusa e sem ordem dos conteúdos (Müller, 2005). Isto significa, que é preciso organizar o
processo de ensino-aprendizagem, planificando todas as actividades inerentes a este.

b) Problema da Consideração do aluno


Muitas vezes os alunos não são considerados como sujeitos mas sim como objectos (Müller, 2005). Da sua prática
pedagógica já deve saber, que o professor deve conhecer os seus alunos, de forma que possa chamá-los pelos nomes, e
não pelos atributos que muitas vezes resultam da situação momentânea em que estes se encontram. Isso pode ser
considerado por parte do aluno como um “insulto”, fugindo totalmente das regras disciplinares de um educador.

c) Problema de Consideração de métodos didácticos


Se a aula for dada apenas com regras fixas e com processos já provados, comportámo-nos como operários em frente de
máquinas cujo funcionamento não compreendemos (Müller, 2005). Com certeza concorda, que existem vários métodos para
atingir um certo objectivo. Mas, não existe um só método que tenha dado o mesmo resultado com todos os alunos. O
ensino torna-se mais eficaz quando o professor conhece a natureza das diferenças entre os diferentes alunos.

De todas as deficiências, a pior é a tendência do professor ao monólogo, a salivação sem diálogo, o que traduz a sua falta
de interesse pela participação activa dos alunos. Quanto mais passivos e bem disciplinados forem os alunos, mais felizes
são alguns professores (Müller, 2005).

* Prática Pedagógica para as primeiras aulas


 Assiste duas aulas de Biologia da 8ª e 9ª classe e indique as dificuldades actuais do ensino de Biologia que for a
constatar.
 Identifique na aula assistida os problemas relacionados com a planificação das aulas de Biologia.
 Indique os conteúdos biológicos abordados na aula, possíveis de ser aprendidos fora das aulas de Biologia e a sua
importância para o desenvolvimento de competências no aluno.
 Durante a assistência das aulas utilize o modelo de assistência de aulas que a seguir se apresenta:

FICHA DE OBSERVAÇÃO E AVALIAÇÃO DE AULA (para cada classe)

Escola: __________________________________ Classe: ______


Estudante: _______________________________
Tema da aula: _________________________________________________
Aspectos a considerar durante o desenvolvimento da aula pelo Sim Não
professor
Demonstra domínio do assunto da aula?
Selecciona técnicas de acordo com os objectivos e o conteúdo do
programa?
Maneja com habilidade os métodos de ensino?
Demonstra naturalidade e confiança na sua abordagem?
Esclarece o aluno no momento em que ele apresenta dúvida?
Utiliza recursos didácticos adequadamente?
Desenvolve o assunto de maneira equilibrada e no tempo
previsto?
Avalia o rendimento da aprendizagem de acordo com os
objectivos propostos?
Proporciona a participação activa dos alunos, estimulando o
desenvolvimento do pensamento e atitudes?
Comunica-se com precisão, clareza e sem reproduzir os conteúdos
do livro?
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Lição No 3

Sumàrio: Funções das aulas de Biologia

Sem dúvida concorda connosco que a Biologia se tornou na actualidade um factor primordial para o processo do ensino e
da aprendizagem, tomando em consideração o facto de que a disciplina em questão está relacionada com a vida do
Homem e com a preservação ambiental e do mundo. Os professores e a sociedade devem estar sempre em busca de novos
conhecimentos e actualidade com base nos avanços tecnológicos, para poderem diversificar a sua praxis educativa. A
Educação pode ser definida como uma metodologia porque investiga e fundamenta teoricamente a interligação entre a
actividade pedagógica do aluno e do professor.

As funções gerais das aulas de Biologia são:


 Formação de uma concepção geral.
 Contribuição para a compreensão dos problemas característicos da espécie humana.
 Compreensão do facto de que a produção é a base para a satisfação das necessidades materiais e ideais do Homem.
 Contribuição para a criação de condições para a formação contínua.
No entanto, prezado estudante, as aulas semi obrigatórias-facultativas e as aulas facultativas possuem certas funções
gerais que podemos adicionar as funções que já mencionamos acima.

* Prática Pedagógica para esta aula


Identificar os problemas característicos da espécie humana possíveis de ser compreendidos pela biologia (ecológicos,
sócio-culturais, antropológicos, genéticos, fisiológicos, etc.).
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Lição No 4

Sumàrio: Objectivos das aulas de Biologia

Os objectivos são o ponto de partida e constituem premissas gerais do processo pedagógico. Representam as exigências da
sociedade em relação à escola, ao ensino, aos alunos e, ao mesmo tempo, reflectem as opções políticas e pedagógicas dos
agentes educativos em face das condições sociais existentes na comunidade. Dessa forma, para definir o conceito
“objectivo” deve-se pensar primeiro numa questão - se não sei para onde vou, como posso lá chegar?

3.1. Classificação dos objectivos


Dos seus estudos anteriores, caro estudante, já deve ser do seu conhecimento que os objectivos podem ser classificados de
várias maneiras. No entanto, cada classificação utiliza um certo critério de classificação.

a) Classificação de Möller
Esta classificação utiliza como critério a projecção (ou o tempo para que um certo objectivo está projectado) e
compreende três subgrupos:

 Objectivos gerais – projecção de um ou vários anos escolares.


 Objectivos específicos – projecção de unidades didácticas ou várias aulas.
 Objectivos mais específicos – projecção de uma aula ou fases da aula.

b) Classificação de Bloom
Esta classificação refere-se a níveis de complexidade de operações a realizar pelo sujeito (aluno) de aprendizagem:
Nível cognitivo (âmbito de conhecimento)
Nível psicomotor (âmbito de habilidades e capacidades)
Nível afectivo (âmbito de convicções e atitudes)

*Prática Pedagógica

Os objectivos para as aulas de Biologia devem ser elaborados considerando os três âmbitos (saber,
capacidades/habilidades e atitudes/convicções) ou níveis (cognitivo, psicomotor e afectivo). No entanto, caro estudante, o
ensino baseado em competências é também uma exigência da actualidade no ramo da educação de que já deve ter ouvido.

Com base nos programas de ensino da 8ª, 9ª e 10ª classes em uso nas escolas moçambicanas quantifique e analise os
objectivos tendo em conta o impacto da predominância de uns em detrimento dos outros. Construa diagramas que podem
facilitar a sua análise.
Tabela modelo de análise para cada classe:

Nível de objectivos/ competências Frequência Percentagem (%)


Cognitivos/Saber
Psico-motor/Capacidades e
habilidades
Afectivo/Atitudes e convicções
Total de objectivos
Competências
Total

Nota: Deve elaborar o gráfico comparativo correspondente aos dados tabelados. Utilize para isso os seus conhecimentos
aprendidos na disciplina de MIC.
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Lição No 5

Sumàrio: Conteúdos das aulas de Biologia

Os conteúdos de ensino podem ser definidos como um conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos
valorativos e atitudinais de actuação social, organizados pedagógica e didacticamente, tendo em vista a assimilação activa
e aplicação pelos alunos na sua prática de vida. Os conteúdos englobam conceitos, ideias, factos, processos, princípios,
leis científicas, regras, habilidades cognoscitivas, modos de actividade, métodos de compreensão e aplicação, hábitos de
estudo, de trabalho e de convivência social; valores, convicções, atitudes. São expressos nos programas de ensino oficiais,
nos livros didácticos, nos planos curriculares e de aula, nas aulas, nas atitudes e convicções do professor, nos exercícios,
nos métodos e formas de organização de ensino. Os conteúdos são organizados em matérias de ensino e articulados pelos
objectivos e métodos incluindo normas de organização do ensino, nas condições reais donde ocorre o Processo de Ensino-
aprendizagem tal como no meio social, escolar, familiar, etc.

4.1. Critérios de selecção dos conteúdos de para as aulas de Biologia


A escolha do conteúdo deve satisfazer as seguintes questões:
1. Como ligar a exigência do domínio dos conhecimentos com a vida real do aluno?
2. Que conhecimentos precisam ser introduzidos face a exigências do contexto social, embora não façam parte da
experiência quotidiana do aluno?

Para satisfazer as questões, deve-se aplicar os sistemas de critérios como apresentamos na tabela que se segue.
Tabela 1: Critérios possíveis de ser utilizados na escolha de conteúdos e respectivas características.
Sistemas de Características
critérios
1º Sistema de Parâmetros: o aluno, a sociedade e a disciplina científica.
critérios
2º Sistema de Parâmetros: Características e funções da vida.
critérios

Quanto aos parâmetros aluno, sociedade e disciplina científica, os conteúdos escolhidos devem:
a. corresponder aos interesses, necessidades educativas e ao nível de desenvolvimento da personalidade dos alunos;
b. tomar em consideração as exigências da sociedade, na actualidade e no futuro;
c. representar o conhecimento transmitido, recolhido e preparado pela ciência.

Fig. 1 Parâmetros do 1° sistema de critérios da escolha do conteúdo.


Quanto ao parâmetro de característricas e funões da vida é importante saber que inclui quatro aspectos, nomeadamente:

- Estrutura da vida que inclui aspectos da estruturação biológica (por exemplo: célula – tecido – órgão – sistema –
organismo como níveis da organização da matéria viva).
- Conservação da vida de que fazem parte a troca da matéria e energia (por exemplo: metabolismo), a regulação dos
sistemas e mobilidade activa (por exemplo: movimentos plasmáticos).
- Reprodução da vida que compreende a reprodução, replicação, multiplicação vegetativa e sociabilidade.
- Desenvolvimento da vida que pode inclui a ontogenia, evolução, filogenia.

Para todos os casos é necessário considerar o facto de que o Homem como sujeito e objecto das aulas de Biologia é o
ponto de partida e ponto final de todas as questões biológicas que ajudam na escolha dos conteúdos para as aulas. Por isso,
na escolha dos conteúdos deve-se ter em conta questões como questão morfológica, questão histórica, questão fisiológica,
questões económicas, questões sociológicas e questões sintéticas.

Tabela 2: Relação entre as características e função da vida e as questões biológicas.

Questões biológicas Características e funções da vida

Questão morfológica Estruturação biológica

Questão fisiológica Troca de matéria e energia

Questão sintética Regulação das substâncias, metabolismo

Questão económica Desenvolvimento da vida

Questão histórica Evolução, ontogenia, reprodução

O 1º sistema de critérios é mais aplicado, utilizando as linhas principais.

4.2. Escolha e estruturação de conteúdos para as aulas de Biologia - Linhas Principais


- Conceito de Linha Principal

Linha principal é uma acentuação do conteúdo da matéria nova que, dependendo das funções e dos objectivos, serve de
suporte das aulas de Biologia.

- Funções das linhas principais

As linhas principais ajudam ao professor a interpretar os programas de ensino, de igual forma, ajudam a compreender a
distinção entre o geral, o principal e o essencial.
Continuando o nosso estudo sobre o conteúdo escolar, é também importante obter conhecimentos sobre a sua
classificação. Como podemos verificar na tabela 3, o conteúdo pode ser dividido em conteúdo do programa de ensino
(chamado conteúdo programático) e o conteúdo do processo de aquisição.

Tabela 3: Classificação dos Conteúdos (Müller, 2005)


Conteúdo
Do programa de ensino (conteúdos Do processo de aquisição
programáticos)
Conteúdo da Introdução, Matéria Aquisição emocional
Nova, Consolidação, Controle e
Avaliação
Informações organizativas Aquisição cognitiva
(através de)
Conceitos didácticos- pedagógicos
Orientações metodológicas
Outras informações Imagens Imagens
sensoriais racionais
(percepções) (conceitos e
teorias)
O conteúdo mais importante sobre que temos falar na Didáctica de Biologia é o conteúdo sobre a Matéria Nova. Esse
conteúdo, então, pode ser classificado como ilustram as tabelas logo a seguir.

Tab. 4 Classificação dos conteúdos da Matéria Nova.


1ª Classificação - Conceitos, declarações, factos, teorias,
hipóteses, métodos de actividades intelectuais e
Conteúdo da Matéria semi intelectuais
Nova - Principais regras, valores e normas

2ª Classificação - Imagens, objectos, fenómenos

Conteúdo da Matéria - Acções e atitudes


Nova

* Prática Pedagógica
Os conteúdos para as aulas de Biologia devem ser seleccionados considerando dois critérios fundamentais,
nomeadamente:
 1º critério – consideração das necessidades educativas do aluno, consideração das exigências actuais da sociedade e
consideração da natureza da disciplina científica;
 2º critério – consideração da características e funções da vida.
Com base nos programas de ensino da 8ª, 9ª e 10ª classes em uso nas escolas moçambicanas analise os
conteúdos do plano temático tendo em conta a sua sequência e organização no que respeita os dois critérios de
selecção e organização. Considere o modelo de análise que se apresenta a seguir:

Modelo de análise do critério de selecção, organização dos conteúdos para as aulas de


Biologia.

Aspectos a considerar Sim Não


O plano temático apresenta uma sequência lógica dos
conteúdos?
Os conteúdos correspondem aos objetivos do
programa?
Os conteúdos respondem as exigências da sociedade
em que o aluno se encontra?
Os conteúdos correspondem ao que o aluno deve
aprender e aplicar no seu dia-a-dia?
A sequência dos conteúdos obedece a hierarquia da
matéria viva?
Os conteúdos contemplam uma abordagem que
relaciona características e funções da matéria viva?
Nota: Deve elaborar o gráfico comparativo correspondente aos dados tabelados como aprendeu na disciplina de
MIC.
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Lição No 6

Sumàrio: Princípios didácticos das aulas de Biologia

Existem vários princípios didácticos aplicáveis de acordo com a natureza metodológica seleccionada pelo professor
durante o processo de planificação da sua aula. Nesta lição apresenta-se alguns dos princípios didácticos que podem ter
um impacto significativo quando aplicados para as aulas de Biologia.

a) Procedimento exemplar nas aulas de Biologia


O procedimento exemplar é o princípio didáctico mais tradicional, mas muito usado nas aulas de Biologia. Baseia-se na
escolha de conteúdos para uma aula. O professor escolhe pontos principais e exemplos adequados para transmitir certo
conteúdo e com isso, limita de certa maneira o conteúdo utilizando exemplos concretos; o professor aprofunda a questão a
partir desses exemplos.

O professor deve transmitir aos seus alunos regras, convicções, conceitos a partir de um exemplo concreto sobre
processos, fenómenos e objectos biológicos.

Para a escolha dos exemplos, o professor deve colocar as seguintes questões:


 Se os exemplos escolhidos são típicos;
 Se os exemplos escolhidos relacionam-se ou correspondem ao ambiente dos alunos;
 Se os exemplos escolhidos correspondem aos interesses dos alunos;
 Se os exemplos escolhidos possibilitam uma ocupação nos alunos através dos métodos biológicos assim
como métodos de pensamento.

b) Princípio de Interdisciplinaridade
O princípio de interdisciplinaridade é um princípio alternativo e é importante para as aulas de Biologia porque aparece
com a crítica de que numa certa disciplina trata-se os aspectos de forma isolada, isto é, critica o pensamento linear. O
princípio da interdisciplinaridade é vantajoso para as aulas de Biologia porque economiza o tempo e contribui para a
motivação e efectivação do PEA.

Aspectos gerais do Princípio da Interdisciplinaridade


Durante a materialização do processo da interdisciplinaridade é possível notar certos elementos que se interrelacionam
permitindo o cruzamento de conteúdos de diferentes disciplinas relacionadas com a Biologia. O esquema a seguir mostra
um exemplo de como essa relação pode ser possível:

Fig. 1 Alguns aspectos do Princípio da interdisciplinaridade.


Materialização do Princípio da interdisciplinaridade
Para materializar o princípio didáctico da interdisciplinaridade nas aulas de Biologia, o professor pode utilizar vários
métodos para orientar as actividades do aluno. Existem quatro formas pelas quais o professor pode orientar os alunos:
 Orientação no objecto – a partir do objecto vão se abordar vários assuntos a ele relacionados.

 Orientação no problema ou na situação – existe um determinado problema central importante para os alunos ou a
sociedade que o professor utiliza como ponto focal para a aula (Por exemplo: problema relacionado com a
sexualidade ou densidade da população). Esta orientação realiza-se na sala de aulas.

 Orientação no âmbito – o professor pode orientar os alunos a obter informação científica através da interpretação de
textos das revistas, jornais e outros meios de informação baseados na cultura geral (Por exemplo: nas aulas
relacionadas com a saúde, meio ambiente). Esta orientação realiza-se fora da sala de aulas.

 Orientação no método – trata de alguns métodos gerais e específicos importantes para a vida que a partir deles o
aluno pode se informar sob forma de uma aprendizagem social. (Por exemplo: comunicação, planificação de
projectos, actividades em grupo, análise e interpretação dos textos, jogos, teatro etc.).

c) Princípio da centralização no Homem


O ponto central para a escolha e legitimação dos conteúdos de Biologia é o Homem. Para estruturar as aulas existem
várias questões que se têm de colocar:
 Quais são as bases e as condições para a existência do Homem?
 Quais são as potencialidades do Homem?
 Qual e a importância da variabilidade do Homem?
É necessário organizar os conteúdos em três níveis, nomeadamente, biosfera, população e organismo.

O Principio de centralização do Homem tende a combinar as várias disciplinas biológicas através da escolha e
estruturação dos conteúdos sobre o Homem como a tabela logo a seguir mostra.
Tabela 1: Combinação das várias disciplinas de Biologia através da escolha e estruturação dos conteúdos sobre o
Homem.
Questões Quais são as bases e as Qual é a particularidade do Qual é a
condições para a existência Homem? importância que
Níveis de do Homem? tem a
Organização variabilidade do
da Biologia Homem?
Biosfera Evolução do Homem, relação O Homem como uma parte da Evolução futura do
entre o meio ambiente e o biosfera; Homem
organismo (aspectos Alteração do meio ambiente
ecológicos)
População Comportamento, Formas da sociedade do Homem; Raça humana,
variabilidade, hereditariedade, Desenvolvimento do Homem; grupos sociais,
sexualidade e reprodução Comunicação do Homem; diferença no sexo
Características da sexualidade
Organismo Estruturação do corpo Posição do corpo humano, trabalho Diferenças
humano, sensibilidade, metódico e sistemático, linguagem individuais entre os
regulação, troca de matéria e conceptual; Homens
energia, mobilidade activa. Pensamento lógico;
Criador da arte da ciência e da
técnica

d) Princípio da ecologia
Deve concordar connosco, caro estudante, se afirmamos que este princípio didáctico surgiu por causa dos problemas
globais do meio ambiente.

Existem duas possibilidades para a materialização desse princípio:


 Estruturação segundo a interdisciplinaridade;
 Estruturação segundo o ecossistema.
Ao materializar o princípio da ecologia considerando a primeira possibilidade, tenta-se combinar os componentes
individuais, sociais e ecológicos. Neste contexto trata-se as relações ecológicas com a sociedade (relações entre a ecologia
e a sociedade). Abordando as relações entre o Homem e o meio ambiente, colocam-se vários problemas e com esses
problemas colocados discutem-se os respectivos conteúdos.

Ao materializar o princípio da ecologia considerando a segunda possibilidade, aborda-se as relações existentes num
ecossistema.

e) Princípio da situação
Neste princípio utilizam-se três aspectos principais, nomeadamente:
 O Homem como ser vivo e submetido a regras biológicas;
 O Homem como ser vivo e uma parte da sociedade;
 O Homem e a sociedade são dependentes do mundo animal.

Fig. 2 Aspectos a considerar no princípio da situação.

Com a união dos três aspectos o professor pode descrever uma determinada situação da vida (por exemplo: relações
sexuais entre adolescentes de 15 a 16 anos de idade). Considerando o exemplo indicado, pode se discutir os seguintes
assuntos: gravidez precoce/indesejada, DTS ou ITS, métodos contraceptivos, planeamento familiar, etc.
Tabela 2: Ligação existente entre os 3 âmbitos com a situação e disciplina.

Âmbito da Situação Disciplina da Biologia Temas possíveis


Classificação do Morfologia, fisiologia, Activação do mundo animal pelo Homem
mundo animal ecologia, taxonomia e Conceitos básicos da ecologia
genética
Retroactividade da Morfologia, fisiologia, Consequências negativas e positivas
técnica ecologia, genética e resultantes da civilização do Homem
filogenética
Civilização e Morfologia, fisiologia, Evolução do Homem e dos animais
desenvolvimento da ecologia, taxonomia e Criação das plantas e dos animais
humanidade genética
Relação entre os Genética e ética Semelhanças e diferenças no comportamento
Homens do Homem e dos animais
Bases genéticas do comportamento
Sexualidade Morfologia, fisiologia, Comportamento sexual do Homem e dos
anatomia e genética animais
Causas de um determinado comportamento
sexual
Saúde do corpo Morfologia, fisiologia, Doenças, sistema de órgãos, educação sanitária
ecologia, taxonomia e e base celular e molecular da hereditariedade
genética
Tempos livres Todas as disciplinas Como se pode usar o tempo livre para se
ocupar com plantas e animais?
Actividade de protecção da natureza e do
mundo animal

f) Princípio de aplicação
Este princípio didáctico procura combinar os aspectos biológicos e importantes questões individuais e sociais que podem
existir.

Citamos como exemplos os seguintes:


 Na ecologia trata-se da protecção da natureza e meio ambiente.
 Na Biologia humana e educação sanitária trata-se os aspectos da higiene dos órgãos e das doenças do corpo.
 Na genética aborda-se temas relacionados com a manipulação genética, aspectos e factores que podem influenciar a
hereditariedade.
 Na zoologia e na botânica discutem-se aspectos como a aplicação dos insecticidas, domesticação dos animais.
 Na medicina considera-se o tratamento das doenças como um foco principal.

g) Princípio da consideração dos factos históricos


Para caracterizamos resumidamente este princípio didáctico mencionamos seguidamente duas citações de Mintzes,
Wandersee e Novak (2000) Fica para você, caro estudante, a tarefa de procurar na bibliografia científica mais
importâncias da consideração deste princípio para as aulas de Biologia.
“... podemos, no nosso tempo e espaço, ser confrontados pelos mesmos questões com que Galileu ou Torricelli ou Stahl
se confrontaram. Podemos de uma forma bastante literal repetir as suas investigações tal como eles as descreveram.”
“Precisam (os alunos) também de aprender como funciona a ciência e como é que os cientistas criam o novo
conhecimento. A história da ciência é uma componente necessária da aprendizagem para compreender a ciência.”
h) Princípio da consideração da hierarquia da matéria viva
Como já sabe dos seus estudos das disciplinas biológicas gerais, a matéria viva está estruturada hierarquicamente. Para
refrescar o seu conhecimento, apresentamos a seguinte figura que mostra esta respectiva estruturação.

Fig. 1 Níveis da organização da matéria viva.

Considerando este princípio nas aulas, facilita bastante tanto o processo de transmissão de um certo conhecimento pelo
professor assim como a obtenção desse conhecimento pelo aluno.

a) Princípio da espiral
O princípio da espiral inclui uma abordagem de um certo conteúdo em várias classes, cada vez mais aprofundado. O
professor inicia com um esclarecimento de conceitos básicos e relações básicas que são abordados mais tarde com mais
profundidade, noutras relações.

Fig. 2 Representação esquemática do princípio da espiral.

*Prática pedagógica
Na orientação didáctica o professor utiliza vários métodos para orientar as actividades do aluno. Existem quatro formas
pelas quais o professor pode orientar os alunos: Orientação no objecto, orientação no problema ou na situação,
orientação no âmbito e orientação no método.

Considere o princípio da orientação no método e organize o seu grupo de estudos para:

 planificar um projecto educativo sobre higiene e saúde escolar (escolher uma escola de referência);
 elaborar um jogo educativo (considerar um tema específico de biologia);
 planificar e realizar um role playing (considerar um problema ambiental relacionado com um tema específico das
aulas de biologia).
Nota: Deve pedir orientações ao seu docente para esclarecer as dúvidas que tiver sobre as terminologias aqui colocadas.
Pratica Pedagógica I

Lição No 7

Sumàrio: Formas sociais das aulas de Biologia

Ao longo do século XX pensadores como Piaget, Vigotsky e Freire, mostraram que a aprendizagem depende de uma
acção grupal. Dessa forma, trabalhando em equipe, o aluno exercita uma série de habilidades. Ao mesmo tempo em que
estuda o conteúdo das disciplinas, ele aprende a escolher, a avaliar e a decidir. Nesse tipo de tarefa, treina-se a capacidade
de ouvir e respeitar opiniões diferentes, saber argumentar e dividir tarefas. Desta forma, um bom trabalho em equipe
requer:

 projecto comum compartilhado;


 senso de compromisso colectivo;
 visão de cooperação e interdependência;
 consciência do papel individual;
 capacidade de ouvir, reconhecer e respeitar diferenças;
 autocrítica contínua;
 ousadia e disposição para responder por acertos e erros.

6.1. Formas de cooperação nas aulas de Biologia


Para realizar as diferentes formas sociais existem várias possibilidades.

a) Actividade entre dois alunos


Usa-se esta forma com o objectivo de adquirir uma autonomia. Os alunos devem aprender a dividir os seus trabalhos e
sintetizar os resultados.

b) Actividade em grupo
Este tipo em que se realizam as formas sociais, inclui mais de dois alunos e tem seus objectivos como os que a seguir se
apresentam:
 Objectivos que dizem respeito a interdisciplinaridade:
 Desenvolver a autonomia dos estudantes;
 Desenvolver capacidades e habilidades para a aplicação do método de trabalho;
 Desenvolver capacidades e habilidades para a cooperação, responsabilidade e trabalhar com precisão.

 Objectivos que dizem respeito a disciplina:


 Objectivos de manipular certos objectos biológicos;
 Aprender métodos biológicos e técnicos biológicos (por exemplo: construir modelos simples que o professor pode
usar nas aulas);
 Realizar certas experiências.
Embora a actividade independente dos alunos é maior nos trabalhos em grupo, o professor continua exercer certas
funções.

6.2. Funções do professor durante a actividade em grupo


Durante a actividade em grupo o professor tem as suas funções das quais destacam-se as seguintes:

 Função de planificador: torna-se necessário que o professor planifica com antecedência as tarefas que os alunos
devem resolver (inclui motivação, organização do material do trabalho, a segurança das condições do trabalho etc.);
 Função de orientar e aconselhar: durante o trabalho o professor deve encaminhar os estudantes para chegar a solução
correcta. Embora os alunos possam errar, o professor deve dar conselhos para repensar.
 Função de formação: o professor deve ajudar os alunos a aplicar certos métodos de trabalho.
 Função de integração: é de extrema importância que o professor possibilita aos alunos que possam estabelecer
ligações entre o conhecimento já adquirido e o novo conhecimento.

6.3. Formas de realização da actividade em grupo


A actividade em grupo pode ser realizada de duas maneiras:
 Actividades em grupo em que todos os grupos tem de realizar a mesma tarefa;
 Actividades em grupo em que cada grupo tem uma tarefa específica.

Ao planificar a actividade em grupo, o professor deve considerar várias fases tais como:

a) Fase de preparação
Fazem parte desta primeira fase:
 Motivação dos alunos
 Colocação de tarefas
 Formulação das perguntas
 Formação dos grupos
 Disposição da utilização dos meios didácticos
 Indicação do tempo necessário para realizar a actividade
 Distribuição dos meios didácticos
b) Fase da Realização
Nesta fase decorre a própria actividade no grupo. O professor orienta, aconselha e os alunos coleccionam factos,
experimentam, observam e formam resultados.

c) Fase da Valorização
É necessário valorizar os resultados de cada grupo. Por exemplo: fazer uma tabela que reflecte os resultados apresentados
por cada grupo. O professor também tem a possibilidade de atribuir valores para cada membro de grupo, avaliando assim
o trabalho feito.
Tarefas a ser realizadas.

Tarefe 1
Descreva as formas de observação

Tarefa 2
Em grupos identificar os problemas característicos da espécie humana possíveis de ser compreendidos pela biologia
(ecológicos, sócio-culturais, antropológicos, genéticos, fisiológicos, etc.). Nota: enviar o relatório na plataforma.

Tarefa 3
Com base num programa de ensino, em grupo, identificar e classificar os objectivos de acordo com os critérios projecção
e da taxonomia de Bloom.

Tarefa 4
Em grupos:
1.Estudar e analisar os critérios de selecção e organização dos conteúdos dos programas e dos livros escolares ESG (1º e
2º ciclo);

2.Indentificar conteúdos possíveis de ser realizados fora das aulas de biologia e a sua importância para o desenvolvimento
de competências no aluno.

Tarefa 5
Preparar e simular aulas aplicando os princípios didácticos

Tarefa 6
Individualmente, planifique 2 trabalhos em grupo obedecendo as fases e as diferentes formas de actividade em grupo.