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Cláudio Santoro

Cláudio Franco de Sá Santoro (Manaus, Amazonas, 1919 - Brasília, Distrito Federal, 1989). Compositor, regente,
violinista e professor. Em uma obra profícua e variada, experimenta diversos estilos e técnicas de composição. Sua
carreira artística reflete os embates estéticos e políticos que marcam a música do século XX, opondo a vanguarda dita
"burguesa" ao realismo socialista e a técnica dodecafônica ao nacionalismo folclórico.
Sem afiliar-se cegamente a nenhuma tendência, aproxima-se de várias delas no decorrer da vida, sempre mantendo um
estilo próprio, caracterizado pela prevalência da linha melódica (atribuída pelos críticos a sua ascendência italiana e à
formação violinística) e pela riqueza timbrística (fruto, segundo o próprio Santoro, de seu trabalho como orquestrador
de rádio e cinema).
Em 1940, participa da fundação da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), em que atua como primeiro violinista. No
mesmo ano, passa a ter aulas com o compositor e professor alemão naturalizado brasileiro Hans-Joachim Koellreutter
(1915-2005), introdutor do dodecafonismo no Brasil. Esse sistema de composição influencia a música de Santoro entre
os anos 1940 e 1942, época em que adere ao grupo Música Viva, formado por compositores vanguardistas, como César
Guerra-Peixe (1914-1993), Edino Krieger (1928) e Eunice Katunda (1915-1990), liderados por Koellreutter. Adeptos
do sistema dodecafônico, esses músicos combatem os nacionalistas seguidores das ideias de Mário de Andrade (1893-
1945), cultores do folclore como matéria-prima e do contraponto como técnica de composição.
Com bolsa do governo francês, estuda composição e regência, em 1947, no Conservatório de Paris. Durante sua estada
na Europa, participa como delegado brasileiro do Congresso dos Compositores Progressistas, ocorrido em Praga, em
1948. O evento, marcado pela polarização política da Guerra Fria, tem profundas consequências em sua obra. Seguindo
à risca as determinações do Informe Jdanov, os congressistas condenam a música dodecafônica, considerada "burguesa
e decadente" e propõem a utilização de técnicas simples de composição, de modo a aproximar a arte das massas. Isso
afasta Santoro da vanguarda e o aproxima do nacionalismo – caminho seguido por outros compositores do Música Viva,
como Guerra-Peixe e Eunice Katunda.
Conhecido, sobretudo, pela escrita orquestral, com suas 14 sinfonias e inúmeras outras peças para formação orquestral,
também compõe importante obra vocal, tendo escrito em várias línguas e em parceria com diversos poetas brasileiros,
como Oneyda Alvarenga (1911-1984), Jorge Amado (1912-2001) e Vinicius de Moraes (1913-1980). Com Vinicius,
aproxima-se da música popular.
Ao longo da carreira, recebe vários prêmios e condecorações nacionais e internacionais, entre eles o Lili Boulanger e o
Berkshire Music Center, ambos em Boston, EUA. O Teatro Nacional de Brasília é batizado com seu nome, assim como
o auditório da cidade de Campos do Jordão, São Paulo, em que ocorre anualmente o Festival de Inverno.
Brasiliana
Compositor: Cláudio Santoro
Período: 1949
É uma música erudita, instrumental sinfônica, que demonstra alguns aspectos musicais do nacionalismo folclórico, com
inclusão de ritmos e melodias de caráter regionalista, que aproximam a música erudita da cultura e do gosto popular.
Fonte sonora: a orquestra sinfônica.
A composição Brasiliana faz parte de uma fase “nacionalista folclórica”, quase oposta à anterior, na qual predominara
a técnica “dodecafônica”. Foi no Congresso de Compositores Progressistas, em Praga, 1948, que Santoro, comunista
declarado, decidiu abandonar a técnica dodecafônica, considerada pelos soviéticos como “burguesa e decadente”, e
abraçar esse tipo de “nacionalismo folclórico” que aproximaria a arte das massas, do povo, seguindo a linha do “realismo
socialista”.
Por conseguinte, na obra Brasiliana, Santoro recorre à utilização explícita de ritmos regionais e linhas melódicas que
fazem referência a gêneros musicais populares (ao baião, por exemplo). A peça, composta por três movimentos (I –
Allegro moderato e deciso; II – Andante; III – Allegro), é eivada de “brasilidade”, desde o seu título; mas o terceiro
movimento é mais escancaradamente brasileiro, nesse sentido.
I. Allegro moderato e deciso (ritmo um pouco rápido)
• Entrada com os instrumentos de metais e percussão;
• Solo de violoncelo;
• Dinâmica e timbres dentre os instrumentos de sopro e cordas;
• Solo de fagote;

I. Adagio (ritmo mais lento)


• Entrada das cordas com o solo de oboé;
• Solo de trompa;
• Solo de flauta;

II. Allegro (ritmo um pouco mais rápido do que o alegro moderato)


• Melodia feita pelos sopros acompanhada pela percussão/ cordas;
• Aspectos musicais do baião;
• Diversos solos de instrumentos de madeira: dinâmica de intensidade e timbre.

Durante toda a música Brasiliana:


• Há dinâmica na utilização dos timbres dos instrumentos;
• Muitos solos de instrumentos de madeira: flauta, oboé, fagote, etc;
• Não há a presença do instrumento tuba como parte da música.
Ligia Amadio

Atual diretora titular da Orquestra Filarmônica de Bogotá (OFB) Ligia Amadio é uma das mais destacadas regentes
brasileiras da atualidade. Notabilizou-se internacionalmente por sua reconhecida exigência artística, seu carisma e suas
vibrantes performances. Sua atuação estende-se por: Alemanha, Argentina, Áustria, Bolívia, Chile, Colômbia, Croácia,
Cuba, Eslovênia, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Holanda, Hungria, Peru, Portugal, República Tcheca, Rússia,
Sérvia e Venezuela. Realizou o Bacharelado em Música – com habilitação em regência – e o Mestrado em Artes na
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), após haver concluído o curso de Engenharia de Produção na Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Ligia, a primeira mulher a ganhar o concurso de direção orquestral de Tóquio, em 1997, também foi diretora titular da
Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (OSUSP) e da Orquestra Filarmónica de Mendoza (Argentina), além
de diretora convidada de muitas orquestras de outros países.

REFERÊNCIAS:

Enciclopédia Itaú Cultural: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359497/claudio-santoro

Sinfônica de Campinas: http://www.osmc.com.br/informativo/018/noticia_1.html

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