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EMPREENDEDORISMO

Nº 28 | DEZEMBRO | 2019

Agroalimentar
no Alentejo

TEMA DE CAPA – AGROALIMENTAR NO ALENTEJO VENDAS


• Alentejo tem crescido acima da média nacional P. 3 • Como ter maus resultados
nas vendas – 7 táticas
• Queijaria Sapata P. 8 a evitar! P. 21
• Mel Serra de Portel P. 9
MARKETING DIGITAL
• Herdade do Vau P. 11
• Blogs de viagem como
• Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos P. 12 uma eficaz estratégia
de marketing P. 23
ABERTURA

Índice
TEMA DE CAPA
Editorial
• Alentejo tem crescido acima da média nacional P. 3
• Queijaria Sapata P. 8 Mónica Monteiro
• Mel Serra de Portel P. 9 monicamonteiro@startandgo.pt
• Herdade do Vau P. 11
• Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos P. 12

S
ol, calor, uma paisagem a perder de vista é
GESTÃO DE QUALIDADE
que que me vem à mente quando ouço a pa-
• Registos do Alentejo P. 14
lavra Alentejo. Mas o Alentejo é isso e muito
INOVAÇÃO mais. Os últimos dados económicos são bastante
• As potencialidades das experiências imersivas P. 15 animadores para esta região – um crescimento aci-
• Os Rebeldes Corporativos P. 17 ma da média em vários setores de atividade! Este
facto é também explicado por Roberto Grilo, pre-
ESTRATÉGIA sidente da CCDR Alentejo, na entrevista que gentil-
• O futuro não é mais como era antigamente P. 19 mente nos concedeu.
• From Silos – to Systems P. 20 Assim, e dando corpo à nossa missão, trazemos
alguns exemplos de projetos inovadores e diferen-
VENDAS
• Como ter maus resultados nas vendas – 7 táticas a evitar! P. 21 ciadores que estão a contribuir ativamente para a
dinâmica da economia alentejana.
MARKETING DIGITAL Fechamos o ano com esta edição e não podia de
• Blogs de viagem como uma eficaz estratégia de marketing P. 23 deixar de dar uma palavra de reconhecimento a to-
dos os autores que desde o primeiro número acre-
EMPRESAS FAMILIARES ditaram no projeto e o tornaram mais rico pela qua-
• Da ideia ao modelo de negócio e sua implementação P. 24 lidade e excelência dos seus artigos. Obrigada, Rui
Pedro, José Carlos Pereira e prof. Luis lobão, pois es-
GAMING
tão connosco desde o princípio! A todos os outros,
• Sistema gamificado para avaliação de desempenho! P. 25
agradecemos por se juntarem a nós neste propósito
RECURSOS HUMANOS de contribuir ativamente para o desenvolvimento
• Uma gestão de empresas fit P. 26 do tecido empresarial português.
• Evite o greenwashing P. 27 Neste ano que agora finda, lançamos as bases de
• Dicas Spring para encontrar e reter "Critical Thinkers" P. 28 um trabalho que desejamos que continue a cres-
• O lado negro do Powerpoint P. 29 cer em 2020, com novos conteúdos, novos eventos
• Contributo para reforçar a sustentabilidade das empresas P. 30 e fundamentalmente novas parcerias, pois, num
• Sabe quais são as profissões do futuro? P. 31 mundo global e conectado, o sucesso depende da
• Gratitude & Acknowledgement P. 32
nossa rede de parceiros. “Se quer ir rápido, vá sozi-
• 4 dicas essenciais para transformar os RH para 2020 P. 33
nho, se quer ir longe, vá acompanhado”, diz-nos o
FINANCIAMENTO provérbio africano. E nós queremos ir longe, acom-
• Portugal Ventures apresenta cinco novos investimentos P. 35 panhados dos nossos autores, dos nossos formado-
res, dos nossos parceiros e fundamentalmente dos
O QUE APRENDI COM AS MINHAS VIAGENS nossos leitores. Grata por vos ter desse lado, é para
• Índia: o medo de perder P. 37 vós que pensamos cada iniciativa.
Despeço-me desejando a todos um ótimo 2020,
FORA DA CAIXA Só precisam de
• Deepfakenews P. 39
Start & Go!
TI
• Como o Data Science ajuda as empresas a tomar decisões P. 40
REVISTA EM FORMATO DIGITAL | Nº 28 – dezembro 2019
• Controlo de acessos melhora a segurança das empresas P. 41
• Scrum desde as trincheiras P. 42 COORDENADORA
Mónica Monteiro (monicamonteiro@startandgo.pt)
PAGINAÇÃO Flávia Leitão (flavialeitao@vidaeconomica.pt)
DICAS P. 43 PARTICIPAM NESTE NÚMERO Addeco; Adriana Gonçalves; Ana
• A sua empresa é feliz? Trabalho a mais e família a menos? Isabel Lucas; André Pinheiro; Bi4all; Daniela Areal; Daniela Moreira;
Elisabeth Kingsley; Fernanda Teixeira; Gateway; Goreti Silva; Helder
• Aprender numa equipa com alto rendimento Barbosa; High Play; Hugo Gonçalves; Ilidio Faria; José Carlos Pereira;
Luis Lobão; Manuela Ribeiro; Maria de Jesus Fonseca; Mário Couto;
PRODUTIVIDADE E BEM-ESTAR Mónica Monteiro; Pedro Amendoeira; Portugal Ventures; Rui Pedro
Oliveira; Teresa Ribeiro; Vitor Briga PUBLICIDADE PORTO
• Quer disparar a sua produtividade? P. 44 Rua Gonçalo Cristóvão, 14 R/C, 4000-263 Porto
• Como manter hábitos com consistência: 6 ideias importantes P. 46 Tel: 223 399 400 • Fax: 222 058 098 E-mail: Geral@startandgo.pt

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TEMA DE CAPA

ROBERTO GRILO, PRESIDENTE DA CCDR ALENTEJO, INDICA

Alentejo tem crescido


acima da média nacional
Possuidora de um capital
simbólico, de uma
identidade distintiva e
de um território dotado
de recursos, a região do
Alentejo tem vindo a crescer
acima da média nacional
desde o início deste século.
Em entrevista à ‘Start&Go’,
Roberto Pereira Grilo
destaca as significativas
“transformações do tecido
económico regional”, em
que a “perda de peso da
Agricultura, Florestas e
Pescas (15,4 para 9,8%), a
favor do setor dos Serviços
(de 54,6 para 62,9%), é Alentejo tem todas
acompanhada pela quebra as condições para pelas empresas tem essencialmente ori-
ligeira do peso da Indústria responder aos gem na indústria transformadora, e nes-
na estrutura económica desafios do futuro ta conta o predominante contributo das
regional (de 30,1 para em termos de indústrias alimentares e da fabricação de
27,3%)”. sustentabilidade, produtos químicos, bem como a participa-
Salientando que a “escassez ção significativa do comércio.
circularidade e A vertente industrial integra algumas mé-
de mão de obra é já um responsabilidade dias e grandes empresas, nomeadamente
grande constrangimento”, social, assume com atividades na envolvente do Porto de
o presidente da Comissão Roberto Grilo Sines, nas áreas de extração de minérios,
de Coordenação e na transformação do café, na agricultura e
Desenvolvimento Regional agroindústria, na energia e, mais recente-
do Alentejo sublinha que mente, na aeronáutica.
Start&Go – Antes de mais, como descre- As empresas evidenciam um nível de in-
a região tem, ainda assim, veria o tecido económico do Alentejo no vestimento em Investigação e Desenvolvi-
acompanhado a trajetória da seu todo? mento (I&D) ligeiramente superior à mé-
economia portuguesa, com Roberto Grilo – O tecido económico do dia europeia e nacional, com trajetória de
recuperação do ritmo de Alentejo assenta numa estrutura em- crescimento acentuado nos últimos anos.
crescimento nos anos mais presarial dominada por pequenas e mi- Destacam-se as áreas associadas à Mobili-
croempresas maioritariamente associadas dade, Espaço e Logística, seguidas dos Re-
recentes”, tendo registado à agricultura e ao comércio, garante das cursos Naturais e Ambiente.
entre 2013 e 2017 uma necessidades básicas da população. Estes A riqueza produzida supera os 12,7 mil mi-
variação positiva do PIB mesmos setores, bem como a indústria lhões de euros e, em 2017, o Alentejo ex-
regional de 16,9%, face aos transformadora, são responsáveis por portou mais de 3 mil milhões de euros, dos
14,3% nacionais. mais de metade do pessoal ao serviço das quais cerca de 80% destinados ao merca-
empresas do Alentejo. do comunitário, principalmente Espanha,
FERNANDA SILVA TEIXEIRA O valor acrescentado gerado no Alentejo França, Alemanha e Holanda, com uma

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TEMA DE CAPA

tendência geral de crescimento nos últi- de alteração e diversificação da base eco- RG – A água do Empreendimento de Fins
mos anos. O Alentejo tem uma dinâmica nómica do Alentejo para atividades mais Múltiplos de Alqueva (EFMA) alterou o
produtiva agrícola e industrial expressiva qualificadas e exigentes, como as ativida- perfil produtivo da região e são visíveis as
(quando comparada com a estrutura pro- des aeronáuticas, de que Ponte de Sor é alterações no padrão cultural do Alentejo
dutiva nacional), centrada na agricultura, um bom exemplo. para culturas mais competitivas e de maior
produção animal, caça, floresta e pesca e O cluster aeronáutico colocou o Alentejo valor acrescentado. Alqueva trouxe novas
nas indústrias extrativas, setores com evo- no mapa internacional das indústrias tec- produções, algumas delas para exporta-
lução positiva nos anos mais recentes. nologicamente mais avançadas e, atual- ção, nomeadamente, cebola, milho, toma-
O perfil da Região nas componentes do mente, o Alentejo integra o grupo restrito te, pimentos, brócolos, melão, melancia,
Índice Sintético de Desenvolvimento Re- de regiões no mundo que registam a pre- abóbora, aromáticas e medicinais, citrinos,
gional evidencia uma qualidade ambiental sença de empresas de fabricação de aero- pera rocha, nectarinas, damascos, uva de
superior à média nacional, porém, parâ- naves, com expressão territorial em Évora, mesa, nozes, amêndoas, pistachos, moran-
metros de competitividade e de coesão Ponte de Sor e Grândola. gos, papoila, romãs, entre outros.
abaixo dos valores médios nacionais. Neste processo de transformação da base Nos vinhos, o Alentejo tem vinhas novas e
económica, a Região tem outros vetores de adegas modernas, tecnologicamente avan-
Start&Go – Neste contexto, como tem sustentação, neles se incluindo o Parque do çadas, planeadas de raiz, ligando a produ-
evoluído a atividade económica na região Alentejo de Ciência e Tecnologia e a capaci- ção à prova, a uva e o vinho, o turismo e o
nos últimos anos?
RG - A evolução de década e meia, no
período após o ano 2000, mostra que a
Região tem acompanhado a trajetória da

O cluster
aeronáutico colocou
o Alentejo no
mapa internacional
das indústrias
tecnologicamente
mais avançadas

economia portuguesa, com recuperação


do ritmo de crescimento nos anos mais re-
centes (entre 2013 e 2017, o PIB do Alen-
tejo aumentou 16,9%, enquanto o PIB na-
cional aumentava 14,3%). dade e vontade de atração de investimen- lazer. De uma forma harmoniosa, o Alente-
A evolução da estrutura setorial do VAB to, como mostra a recente decisão de am- jo conseguiu juntar tradição e modernida-
(2000-2017) reflete as transformações do pliar os espaços para acolher empresas de de, produz vinho em talhas de barro e com
tecido económico regional em que a perda outros países e com atividades nos domí- nova tecnologia. O Alentejo vende vinhos
de peso da Agricultura, Florestas e Pescas nios das tecnologias, saúde e aeronáutica. para cerca de 120 mercados e é a Região
(15,4 para 9,8%), a favor do setor dos Ser- Em termos de competitividade empresa- portuguesa que exporta mais para fora da
viços (de 54,6 para 62,9%), é acompanha- rial, a ligação do Porto de Sines a Évora e Europa.
da pela quebra ligeira do peso da Indústria à fronteira do Caia será estratégica para o Esta Região representa mais de metade da
na estrutura económica regional (de 30,1 Alentejo porque abre portas à maior inter- superfície nacional de olival e produz mais
para 27,3%), mas em que o VAB Industrial nacionalização de atividades, permitindo de 75% do azeite nacional. Neste contexto,
cresce em vários períodos mais rapida- reforçar a ligação com os clusters regionais. é evidente a evolução do mercado do azei-
mente no Alentejo que no total nacional. te, através da instalação de novos olivais
Também nos anos mais recentes, a Região Falta de recursos humanos de regadio, com um perfil mais produtivo,
conseguiu acelerar a valorização de recur- é o maior desafio do Alentejo melhorias tecnológicas dos lagares e siste-
sos e ativos relevantes, relacionados com mas e processos de processamento.
a terra (agricultura), com o património, a Start&Go – E relativamente aos setores Já no turismo e lazer, a atividade turística
cultura e a paisagem (turismo), entre ou- mais tradicionais, como a agricultura e o tem registado uma dinâmica positiva e a
tros. São evidentes as dinâmicas recentes turismo? Região dispõe de ofertas turísticas diferen-

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TEMA DE CAPA

ciadas, nas vertentes da fruição da nature- com o potencial científico e tecnológico da neamento e de programação dos princi-
za, cultura, gastronomia, saúde e bem-es- região de Lisboa (capitalizando relações de pais instrumentos de suporte à estratégia
tar, entre outras. É evidente o crescimento proximidade), seja ainda com instituições regional, a CCDR é um "player" relevante
do turismo alicerçado num perfil compó- espanholas com disponibilidade e expe- para o desenvolvimento da Região. Des-
sito de recursos que evolui para produtos riência de relacionamento transfronteiri- de a dinamização de processos, iniciativas
turísticos inimitáveis na capacidade dife- ço. Esta questão é transversal a todos os e ações de envolvimento dos principais
renciadora, com atração de “players” de setores. "stakeholders" regionais até à participação
investimento. Procurando fazer o "match" entre as po- direta no acompanhamento de projetos
Entre 2014 e 2018 o Alentejo passou de tencialidades e os desafios, é bom termos relevantes para a Região. No passado mais
1,9 milhões para 2,7 milhões de dormidas, presentes a relevância da qualidade am- recente a CCDR dinamizou o processo de
numa trajetória sempre ascendente e com biental da região e o potencial de apro- elaboração do Plano de Ação Regional no
taxas de crescimento acima da média na- veitamento relacionado com o capital na- horizonte 2020, documento estratégico de
cional. Entre janeiro e setembro de 2019 o tural, com a biodiversidade e a paisagem, suporte aos instrumentos de financiamen-
Alentejo registou 2,3 milhões de dormidas com os recursos endógenos e o património to, com destaque para o Programa Opera-
nos estabelecimentos de alojamento turís- natural. Também podemos acrescentar a cional Regional.
tico e foi a segunda região nacional com dinâmica territorial e a expressão de van-
maior taxa de variação. tagens competitivas impulsionadas pelo Start&Go - Neste contexto, como está a
EFMA, os progressos no aproveitamento ser dinamizado o empreendedorismo ao
Start&Go – Perante este cenário, quais mais sustentável dos recursos naturais e a nível da região e qual tem sido o papel da
CCDR Alentejo nesta vertente?
RG - A CCDR é um facilitador do processo
de desenvolvimento e, como tal, participa
O contributo dos Fundos Europeus ativamente nas fases de planeamento es-
para o apoio aos fatores de modernização tratégico e de programação, em estreita
empresarial, nomeadamente nos processos de colaboração com os "stakeholders" regio-
inovação e empreendedorismo são essenciais nais. Trata-se de duas vertentes comple-
mentares assumidas mais diretamente
pela CCDR na fase do planeamento e pro-
gramação e pelo Programa Operacional
considera serem os maiores desafios que incorporação de aspetos ligados à eficiên- Regional na fase de implementação e ope-
o tecido económico alentejano enfrenta? cia no seu uso e reaproveitamento numa racionalização. Neste contexto, o Alente-
RG - O maior desafio das empresas e da lógica de circularidade. jo 2020 dinamiza e apoia a inovação e o
Região é a falta de recursos humanos, não No entanto, muitos destes argumentos de empreendedorismo através dos recursos
apenas qualificados, mas no sentido mais afirmação competitiva poderão estar con- financeiros dos Fundos Comunitários.
global da falta de pessoas. A evolução e a dicionados pelo desafio identificado com No Alentejo, são relevantes os contribu-
estrutura da demografia regional apontam as mudanças climáticas. A representação tos dos Fundos Europeus para o apoio aos
para a grande dificuldade de dar respos- que o Alentejo tem no mapa dos territó- fatores de modernização empresarial, no-
ta às necessidades da economia e, neste rios com situação de seca extrema exige meadamente nos processos de inovação e
caso, a captação de pessoas assume um atenção, pode ser mitigada, mas deve ser empreendedorismo. Como principais ins-
carater fundamental no desenvolvimento considerada dada a provável repercussão trumentos de suporte à operacionalização
da Região. A debilidade demográfica tem na agricultura regional. A começar pela dos documentos estratégicos regionais, es-
implicações negativas no desenvolvimen- questão da água, entre as alterações cli- tes contribuem de forma significativa para
to do tecido económico-empresarial e a máticas e as dinâmicas do regadio e da a especialização da economia do Alentejo,
escassez de mão-de-obra é já um grande agro-transformação, que tem associados por via de apoios diretos às empresas para
constrangimento. desafios relacionados com a eficiência da a inovação, qualificação empresarial e in-
A Região apresenta ainda algumas limita- utilização do recurso (incluindo recicla- ternacionalização, ou atuando de forma
ções dos sistemas e redes com potencial gem), a erosão dos solos e a perda de bio- indireta na envolvente à atividade empre-
de transferência de tecnologia e de apli- diversidade. sarial.
cação económica do conhecimento. Ape- Contribuindo para uma economia mais
sar dos progressos observados, o Sistema Alentejo é uma região competitiva e integrada, foram e conti-
Regional de Transferência de Tecnologia de oportunidades nuam a ser importantes os contributos dos
(SRTT) ainda é frágil. É essencial consoli- Fundos Europeus, nomeadamente asso-
dar a desejável estratégia de colaboração/ Start&Go – Quais têm sido as principais ciados aos centros e unidades de I&D, aos
cooperação das instituições universitárias linhas estratégicas de atuação da CCDR setores agrícola, agroalimentar e aeronáu-
e politécnicas da Região e dos centros de Alentejo para a promoção do desenvolvi- tico, aos espelhos de água e perímetros de
investigação e de transferência de conhe- mento económico da região? rega.
cimento que gravitam em seu redor seja RG - Com papel ativo em termos de pla- A importância do Sistema Regional de

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TEMA DE CAPA

Transferência de Tecnologia (SRTT) nos Naturais e Ambientais” e “Património, In- efeito na expansão desta infraestrutura
processos de descoberta empresarial/em- dústrias Culturais e Criativas e Serviços de hidroagrícola de suporte à modernização
preendedora e da RIS3 como instrumentos Turismo”) ou emergentes (“Tecnologias da agricultura da sub-região, quer pela sua
de focagem dos investimentos apoiados Críticas, Energia e Mobilidade Inteligente” atratividade sobre as atividades turísticas,
nos domínios estratégicos da Região. e “Tecnologias e Serviços Especializados da quer ainda pelas diversas potencialidades
Economia Social”). criadas pelo novo lago e pela sua relação
Start&Go - Qual a importância da dina- O Programa Operacional Regional Alentejo de proximidade com as cidades de Évora
mização do empreendedorismo enquan- 2020 apoia as iniciativas e os projetos de e Beja.
to solução para potenciar o crescimento empreendedorismo, considerando esta Destaque também para alguns recursos
económico e inverter os baixos indicado- vertente uma das apostas no domínio da únicos, incluindo a pedra natural e os mi-
res de desenvolvimento económico e so- competitividade, integrados nos Eixo 1 nerais metálicos que constituem oportuni-
cial que afetam o Alentejo? – Competitividade e Internacionalização dades económicas a aprofundar.
RG - A transferência de tecnologia e de
conhecimento do sistema científico para
as empresas é o suporte da inovação e
desenvolvimento nos vários setores. Tem
impulsionado a agricultura com novos pro-
dutos e novos processos produtivos, onde
se incluem a vitivinicultura e o olival, entre
outros, a agroindústria e indústrias alimen-
tares ou as atividades do sistema de mon-
tado, em particular a produção de cortiça e
as pequenas fileiras produtivas.
Nestas vertentes de capacitação regional e
de dinamização, direta e indireta, do em-

Em 2017 a Região do Alentejo foi responsável


por 35% da produção fotovoltaica nacional
Alentejo tem margem
de progressão e de negócios
no setor do turismo
preendedorismo, destaque para a imple- das PME e no Eixo 3 – Investigação, Desen-
mentação do PACT – Parque do Alentejo volvimento Tecnológico e Inovação, nos Start&Go – E para além do setor primário?
de Ciência e Tecnologia, enquanto infraes- vetores-chave relacionados com a compe- RG – O Alentejo tem também potencial
trutura de acolhimento e suporte às inicia- titividade e internacionalização, direciona- para responder ao crescimento esperado
tivas de promoção e transferência de I&DT das para atividades e setores com fortes da procura de energias renováveis por mo-
no quadro do sistema regional de transfe- dinâmicas de crescimento. tivos de limitação de oferta de combustí-
rência de tecnologia (SRTT) e da rede de veis fósseis e por razões ambientais. Nesse
incubadoras que integram também o SRTT. Start&Go - E que áreas de atividade apre- contexto, é de notar que em 2017 a Região
Em termos de enquadramento das inicia- sentam maior potencial para a criação de do Alentejo foi responsável por 35% da
tivas empresariais, o Alentejo definiu uma novas empresas de base regional? produção fotovoltaica nacional.
Estratégia Regional de Especialização In- RG - O Empreendimento de Fins Múltiplos Com padrões de qualidade ambiental
teligente (RIS3) que pretende promover de Alqueva como catalisador da modifica- inimitáveis e recursos diferenciados, o
a transformação económica do território ção do modelo agrícola regional fortaleceu Alentejo tem todas as condições para res-
sustentada no potencial diferenciador e e diversificou o setor agrícola e acrescen- ponder aos desafios do futuro em termos
especializado através da canalização de tou inovação e valor aos produtos regio- de maior sustentabilidade, circularidade
esforços de desenvolvimento económico e nais. O aumento considerável da área de e responsabilidade social. Pela disponibi-
de investimentos para os fatores e setores regadio proporciona condições favoráveis lidade de recursos, o Alentejo tem van-
distintivos da Região. para reforçar o peso da agricultura, com tagens competitivas para a instalação de
A RIS3 do Alentejo abrange um conjunto destaque para a valorização das capacida- unidades de geração de energia baseadas
de domínios nos quais o Alentejo tem ca- des de transformação agroalimentar ge- em fontes renováveis (energia hídrica, de
pacidade produtiva e/ou de produção de radas pelo aproveitamento produtivo dos energia solar térmica, de energia solar
conhecimento científico e tecnológico, de Perímetros de Rega. foto voltaica, dos biocombustíveis), pro-
forma consolidada (“Alimentação e Flo- Nesse sentido, a envolvente de Alqueva movendo a produção de energia elétrica
resta”, “Economia dos Recursos Minerais, constitui um espaço destacado, quer pelo limpa, sem emissões de CO2.

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E também com potencial de desenvolvi- desenvolver atividades novas e emergen- ções objetivas ao Alentejo para assumir
mento futuro, os investimentos na ener- tes e socialmente necessárias a nível mun- uma posição relevante no âmbito das re-
gia fotovoltaica e nos domínios agrícola dial como a produção de energia, a bio- lações económicas à escala global, para as
e agroalimentar para os quais o Alentejo tecnologia, bem como na investigação e quais muito contribui também a moderni-
tem os recursos e ativos que podem fazer exploração de novas alternativas no mun- zação da ligação ferroviária a Madrid e ao
a diferença no momento de decidir o local do da alimentação, medicina, transportes, centro da Europa.
do investimento. turismo, saúde, entre muitos outros. Em Sines a Região dispõe de uma plata-
Nestas vertentes de maior atratividade, forma industrial e logística no cruzamento
igualmente importante a estruturação do Start&Go – Perante este contexto, que ar- de grandes rotas mundiais do transporte
Cluster Aeronáutica, Espaço e Defesa com gumentos utilizaria para demonstrar a um marítimo. A componente de acolhimen-
componentes produtivas (aeronaves tri- potencial empreendedor que vale a pena to e instalação de empresas integra uma
puladas e não tripuladas – drones e peças arriscar e apostar no Alentejo? rede de estruturas logísticas e de desen-
acessórias) e de formação de vários seg- RG – Com uma posição de charneira no volvimento empresarial, numa lógica de
mentos profissionais com procura crescen- espaço nacional, ibérico, europeu e mun- proximidade com as instituições de En-
te. O aeroporto de Beja tem potencial e dial, o Alentejo é um território desconges- sino Superior, o que permite aumentar
perspetivas para funções diretamente as-
sociadas à mobilidade aérea e atividades
complementares orientadas para as ver-
tentes de manutenção e outros serviços
de apoio.

Start&Go – O turismo é já um setor de


grande relevância para a região. Que
oportunidades ainda podem ser explora-
das a este nível?

Alentejo é um território descongestionado, os recursos regionais de investigação e


preservado e seguro desenvolvimento tecnológico, responder
às necessidades tecnológicas e estimular
oportunidades de inovação.
Nos fatores de afirmação, destaque para a
RG – No turismo, o Alentejo tem margem tionado, preservado e seguro, com uma existência de recursos endógenos diferen-
de progressão e de negócios, relaciona- história marcada pelo rico património e ciadores, valores naturais e paisagísticos
dos com a complementaridade da oferta, cultura que lhe conferem identidade e au- que suportam uma qualidade ambiental
a incorporação dos ativos diferenciadores tenticidade. de excelência e, com uma relevância cada
nos pacotes de ofertas turísticas, a orien- Território com história e em processo de vez maior a nível global, o facto do Alente-
tação das atividades para a experiência lo- transformação, o Alentejo é uma região de jo ser um território seguro.
cal, juntando a cultura com o património, oportunidades, devido ao posicionamento No Alentejo, merece referência principal a
com as indústrias culturais e criativas, a geoestratégico na relação entre a fachada existência de recursos e ativos naturais do
animação turística e a fruição do território atlântica e a fronteira, com proximidade à solo e subsolo, com tradição renovada de
(o Alentejo tem o céu mais escuro com as AM Lisboa, à dotação de infraestruturas aproveitamento económico, relacionados
estrelas mais brilhantes). de logística e transporte marítimo de es- com o aproveitamento agrícola e agroali-
As amenidades dos espaços rurais, que cala internacional, às amenidades urbano- mentar, de recursos geológicos e minerais.
relevam um conjunto de recursos e opor- -ambientais do território, incluindo uma A maior disponibilidade de água veio po-
tunidades da sua fruição, podem impulsio- rede de cidades médias com centros his- tenciar novas dinâmicas relacionadas com
nar novas atividades de desenvolvimento tóricos de qualidade, aos recursos naturais os sectores da agricultura, da energia e do
territorial e de criação de emprego, seja no do solo e subsolo, com tradição renovada turismo e lazer.
domínio agrícola, seja em qualquer outra de aproveitamento económico e às fileiras Para terminar, e em termos de enquadra-
atividade económica, mesmo nas relacio- de especialização económico-produtiva mento e apoio a projetos de investimento,
nadas com as tecnologias de informação e com capacidade exportadora (recursos mi- o Alentejo tem uma Estratégia Regional de
comunicação. nerais, montado de sobro, agroalimentar, Especialização Inteligente (RIS3) e o Pro-
Para além disso, o Alentejo conta com 170 aeronáutica, produtos turísticos). grama Operacional Alentejo 2020 dispõe
km de zona costeira das mais preservadas Em termos de posicionamento geoestraté- de incentivos para as iniciativas relaciona-
da Europa e esta frente marítima tem um gico, a relação de proximidade com Área das com a inovação e o empreendedoris-
significativo e diversificado potencial para Metropolitana de Lisboa (AML) dá condi- mo.

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TEMA DE CAPA

Queijaria Sapata regista crescimento


anual de 40% nos últimos cinco anos
FERNANDA SILVA TEIXEIRA

5
0 anos de experiência conferem à
Queijaria Sapata uma responsabi-
lidade acrescida na transformação
do leite e seus derivados. A experiência
adquirida ao longo de todos estes anos
permite à empresa conjugar, de uma for-
ma única, tradição e inovação.
Apostando no controlo e seleção de ma-
téria-prima, assim como no processo de
fabrico/cura, a empresa procura assegurar
os mais elevados padrões de qualidade,
obedecendo às mais exigentes normas de
Higiene e Segurança Alimentar e garan-
tindo que todo o produto expedido chega
nas melhores condições ao consumidor
final e com a qualidade que os carateriza.
Gerida por Luís Melo e sua esposa, São Sa-
pata, desde há cerca de nove anos, a Quei-
jaria Sapata foi fundada há cerca de cinco que, sendo esta “uma zona desfavoreci- Relativamente aos mercados externos, a
décadas pelos sogros do atual proprietá- da por se encontrar no interior do país”, marca está igualmente presente, através
rio. A “implementação de novas dinâmicas o papel desempenhado por este tipo de do mercado da ‘saudade’, em países como
e a aposta forte na diversificação da oferta empresas na economia local “é muito im- a Bélgica, França, Alemanha, Suíça, Ho-
permitiu-nos ter outro posicionamento no portante”. landa, muito embora estes representem
mercado e contribuiu para o forte cresci- Contudo, o responsável admite que este ainda uma “pequena fatia” do volume de
mento que se tem verificado nos últimos “poderia ser ainda maior se houvesse in- vendas.
5 anos, que chega a ultrapassar os 40% ao vestimento interno/externo no que toca à Quanto aos objetivos a curto/médio pra-
ano”, assegura Luís Melo. produção de leite de ovelha, sendo que, zo, estes passam por consolidar a posição
Salientando que a prioridade da produção neste momento, para suprir as nossas no mercado ao nível nacional e apostar
pela manutenção da “receita-mãe”, o em- necessidades temos de recorrer a outras no crescimento ao nível das exportações,
presário refere ainda que “não confundir zonas e até mesmo a outros países, no- com a introdução de novos produtos que
quantidade com qualidade é uma das pre- meadamente a nossa vizinha Espanha”. permitirá à Queijaria Sapata ter “outra vi-
missas do sucesso”. Se a isto juntarmos a Por isso, Luís Melo considera que um dos sibilidade e consequente procura”.
“relação de proximidade com o cliente” e principais desafios que o setor enfrenta é Tendo registado em 2018 um volume de
a “humildade com que trabalhamos todos a “desertificação do interior, aliada à ine- negócios de cerca de 650 mil euros, a
os dias”, é assim que a Queijaria Sapata se xistência de apoios para o investimento Queijaria Sapata prevê encerrar o ano em
distingue da concorrência. no setor primário” (produção de leite) curso com cerca de 850 mil euros. Neste
“90% das nossas vendas são feitas de for- que condicionam muito este negócio quer sentido, o grande objetivo passa por atin-
ma direta, onde a interação diária com o ao nível do investimento quer ao nível da gir a meta de milhão de euros de fatura-
cliente/consumidor permite a valorização inovação. ção já em 2020.
dos nossos produtos, desde a forma com Apesar de todas estas condicionantes, a
que recebemos a crítica até ao compro- Queijaria Sapata já consegue fazer chegar
misso e preocupação na melhoria”, afirma os seus produtos, de forma direta e com
Luís Melo. periodicidade semanal, a quase todo o
país. “Temos um entreposto em Estarreja
Periodicidade semanal que garante o fornecimento de Coimbra
chega a quase todo o país até ao Porto e algumas regiões mais a nor-
te. Temos também um entreposto em Lis-
Questionado pela ‘Start&Go’ sobre qual a boa que abrange a área da grande Lisboa e
relevância deste setor para a economia lo- margem Sul e temos ainda uma distribui-
cal, o gerente da Queijaria Sapata adianta ção para todo o Alentejo e Algarve”.

8 | START&GO | dezembro 2019


TEMA DE CAPA

Mel Serra de Portel, a experiência


de quatro gerações dedicadas à apicultura

FERNANDA SILVA TEIXEIRA


com favo, mel com propólis e uma gama de pontânea e variada, tipicamente silvestre,
várias embalagens”. Prova disso mesmo, o de características mediterrâneas, onde
Sedeada na centenária aldeia ribeirinha da responsável destaca o facto de este mel, ao predominam o rosmaninho e a esteva, en-
Amieira, nas margens do grande lago do Al- longo das décadas, ser distinguido e pre- tre outros, de grande riqueza nectarífera e
queva, a Mel Serra de Portel é uma peque- miado em muitos certames, comprovando polínica, responsáveis pelas características
na empresa familiar, dedicada à produção a qualidade do mesmo. dos nossos produtos”.
e comercialização de produtos apícolas, As caraterísticas deste mel são determi-
nomeadamente mel e pólen. nadas por uma flora variada existente na Pequenas empresas são
Contando com a experiência de quatro ge- serra, tipicamente mediterrânica, que lhe alicerce da economia local
rações exclusivamente dedicadas ao fasci- confere uma qualidade única. “As nossas
nante mundo da apicultura, a empresa tem Questionado pela ‘Start&Go’ acerca da
evoluindo numa contínua aprendizagem relevância deste setor para a economia lo-
resultante da simbiose entre o homem e cal, o gestor salienta que esta “é cada vez
a abelha desde que foi fundada pelo bisa- maior. A nossa produção advém da Serra
vô de Pedro Malhadas, que por entreteni- Mel Serra de Portel, de Portel, no distrito de Évora, inserida em
mento já cultivava o gosto pelas abelhas, ao longo pleno ecossistema do montado, que, ape-
exercendo uma atividade ainda bastante das décadas, sar de se tratar de uma zona pobre e que
artesanal, baseada em cortiços. tem sido distinguido tem perdido muita população, essencial-
“O meu avô prosseguiu esse gosto, efe- e premiado mente jovem, fornece produtos de elevada
tuando a passagem para uma apicultura qualidade, tais como o mel, azeite, vinhos,
mais moderna, à base de caixas. O meu pai
em muitos certames enchidos e queijos. Estas empresas produ-
e atual sócio-gerente teve a visão, perante toras são um dos alicerces da economia
um produto de alta qualidade, de transpor- local, permitindo a oferta de emprego e
tar esse mesmo produto de consumo inter- exponenciar o nome da região como forne-
no familiar para o mercado, profissionali- colmeias estão inseridas numa vasta área, cedora de produtos de marca”.
zando esta atividade e criando a empresa, não agrícola, onde o uso de pesticidas e A nível nacional, o mel do Alentejo e par-
há cerca de 45 anos”, explica o atual gestor fitofármacos está ausente, bem como a ticularmente da Serra de Portel “é sinóni-
da empresa. poluição de origem industrial ou urbana”, mo de qualidade, atraindo, ano após ano,
Malhadas acrescenta ainda que, neste mo- relembra Pedro Malhadas. novos clientes e parcerias com empresas
mento, a marca é “altamente reconhecida Em termos florestais, a Serra de Portel é que reconhecem a mais-valia deste mel de
no mercado” e que, “apesar de o mel ser dominada pelo montado, onde predomina rosmaninho, contribuindo decisivamente
o nosso produto core, temos um leque de o azinho e o sobro. É, pois, sob esse ecos- para a elevação e importância do mel por-
produtos no mercado, tais como pólen, mel sistema que se “desenvolve uma flora es- tuguês, comprovando-se pelo aumento de

9 | START&GO | dezembro 2019


TEMA DE CAPA

produção anual do mel do Alentejo que te- terem um grande défice de qualidade, são as margens das empresas. Esses incentivos
mos verificado”, adianta Pedro Malhadas. “escoados a preços incomparavelmente passariam também por privilegiar o consu-
Para além da qualidade dos produtos pro- inferiores, dado que têm graves falhas de mo de mel português”.
venientes das caraterísticas únicas da Serra legislação e de monotorização”. Para além do reconhecimento já alcançado
de Portel, a marca aposta numa estratégia Por último, aponta Pedro Malhadas, existe a nível nacional, a Mel Serra de Portel mar-
de marketing e de imagem moderna, apro- ainda a “necessidade de os produtores te- ca igualmente presença nos mercados ex-
veitando da melhor forma as plataformas rem maiores incentivos face a outros seto- ternos, nomeadamente em alguns países
digitais. Nesse sentido, procuram ainda res na agricultura, dado que os custos fixos europeus, como a França, Inglaterra, além
estabelecer uma “relação forte, duradou- que existem atualmente neste setor são de Angola.
ra e de confiança com os clientes, zelando muito elevados, esmagando cada vez mais Assumindo como principais objetivos a
sempre pelo cumprimento dos contratos e “manutenção da elevada qualidade dos
níveis de serviço acordados, tentando sem- produtos” e do “profissionalismo na rela-
pre ter o máximo de disponibilidade e flexi- Este setor tem uma ção com os clientes”, a Mel Serra de Portel
bilidade para as suas necessidades”. elevada dependência pretende alargar o portfolio de produtos,
O mercado alvo é o retalho e empresas de do clima, em especial mais direcionados para mercados especí-
distribuição, estando estes produtos à ven- ficos. Estão, adicionalmente, a “investir e
da nas melhores charcutarias, cadeias de
da estação da dotar a unidade de produção de maqui-
supermercados e algumas grandes superfí- Primavera naria mais moderna, a efetuar obras de
cies em Portugal Continental e ilhas. alargamento das instalações, incrementar
o número de estufas da melaria para arma-
Alterações climáticas são zenamento de maior quantidade de mel
um dos desafios que o setor e em processo de substituição da energia
enfrenta utilizada atualmente para manutenção da
temperatura da melaria para energia reno-
Contudo, existem diversos desafios com vável”. Tudo isto, de forma a modernizar e
os quais o setor se confronta atualmente melhorar toda a “nossa cadeia de proces-
e que poderão ter significativos impactos sos, desde a produção, armazenamento,
num futuro próximo. O primeiro desafio embalamento e escoamento dos nossos
prende-se com os impactos provocados pe- produtos”, frisa o responsável.
las alterações climáticas, nomeadamente Em 2018 o volume de negócios cifrou-se
na “degradação do ecossistema do monta- próximo dos 750 mil euros, sendo que
do” e na “substituição de zonas nectíferas para este ano as expectativas são de cres-
por campos de cultura intensiva”, existindo cimento. Para o próximo ano, os objetivos
gradualmente um menor espaço para as são de continuar a crescer em volume de
abelhas trabalharem e produzirem. negócios, mas “tendo sempre presente
Depois surge a crescente “concorrência que este setor tem uma elevada depen-
que o mel português enfrenta de produ- dência do clima, em especial da estação
tos de outras regiões do planeta”, que, por da Primavera.

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TEMA DE CAPA

Mercados externos representam mais


de 50% da faturação da Herdade do Vau
FERNANDA SILVA TEIXEIRA

N
o centro de um triângulo formado
por três cidades históricas, Beja,
Serpa e Mértola, a Herdade do Vau
é uma propriedade produtora de vinho si-
tuada na margem direita do Rio Guadiana.
Para além da produção vinícola, o espaço
organiza sessões de degustação de vinhos,
numa sala única com vista para as vinhas e
para o lago, e funciona como alojamento.
A casa da antiga quinta foi remodelada res-
peitando a arquitetura tradicional alenteja-
na dispondo, hoje em dia, de um total de 9
quartos e 3 apartamentos. Além da produção
Miguel de Sousa Otto, economista de for- vinícola, o espaço
mação, tem tido diversos projetos, mas a
Herdade do Vau é, “sem dúvida, o mais
organiza sessões de
desafiante”, tendo nascido da “vontade de degustação de vinhos pela consolidação das áreas de negócio
aceitar um desafio pessoal e, com a família atuais, o vinho e o turismo rural, mas tam-
e amigos, fazer um vinho de grande quali- bém pelo arranque da produção de azeite,
dade no Sul do Alentejo. A vontade de fazer muito alentejana de receber, natural e de pela ampliação do projeto turístico e pela
um grande vinho, seguindo princípios de grande simplicidade traduzida na decora- reabilitação da área de floresta, com espe-
sustentabilidade, integrou-se o desenvol- ção despojada, na familiaridade do contato cial proteção do sobreiro.
vimento do turismo rural e mais tarde na e na atitude de serviço”. Por esse motivo, Na opinião de Miguel de Sousa Otto, o
exploração do olival”. No entanto, empre- os mercados externos têm uma importân- maior desafio que o tecido económico
sário promete que não irá “ficar por aqui” cia muito significativa para a Herdade do alentejano enfrenta, é sem qualquer dúvi-
e adianta que “há mais projetos na calha”. Vau, sendo o seu peso de quase 50% no da a “urgência de se criar uma atitude mais
Quando questionado pela ‘Start&Go’ sobre alojamento e de cerca de 60% no vinho. colaborativa e, desta forma, desenvolver as
em que medida esta unidade se diferencia Quanto aos mercados de proveniência redes que deem mais densidade e profun-
da concorrência, Miguel de Sousa Otto as- França, Espanha, Alemanha e Escandinávia didade ao desenvolvimento económico da
região. “O Alentejo em geral, em especial o
baixo Alentejo, está a viver uma fase cheia
de oportunidades que obrigam a uma visão
concertada entre os vários agentes: muni-
cípios, universidade e associações empre-
sariais”, afirma.
Por isso, o empresário considera de uma
“importância central” a dinamização do
empreendedorismo enquanto solução

segura que esta é antes de mais “consegui-


O Alentejo em geral está a viver uma fase cheia
da pelo espaço quase ‘mágico’ onde se in- de oportunidades que obrigam a uma visão
sere, a margem direita do Guadiana, numa concertada entre os vários agentes: municípios,
zona quase selvagem. E, depois, pelo tipo universidade e associações empresariais
de acolhimento verdadeiramente familiar e
muito natural que oferece”.
Quanto ao posicionamento assumido, o destacam-se no alojamento e a Holanda e para potenciar o crescimento económico e
responsável explica que este está direcio- a Suíça no vinho. inverter os baixos indicadores de desenvol-
nado para o segmento “biochic”. “Quere- Perante este contexto, os grandes objetivos vimento económico e social que afetam o
mos que seja percebido como uma forma estratégicos da Herdade do Vau passam Alentejo.

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TEMA DE CAPA

HENRIQUE HERCULANO, DIRETOR DE MARKETING DA COOPERATIVA AGRÍCOLA DE MOURA E BARRANCOS, AFIRMA

“Somos a maior cooperativa


de olivicultores do país”
Criada em 1954, a
Cooperativa Agrícola de
Moura e Barrancos conta com
mais de 1300 olivicultores
associados e assegura uma
produção média anual
superior a 35 mil toneladas
de azeitona, provenientes de
22 mil hetares de olival e de
mais de 7 milhões de quilos
de azeites virgens.
Em declarações à ‘Start&Go’,
Henrique Herculano, diretor
de marketing da cooperativa,
salienta que a “genuinidade
e alta qualidade” são
os principais traços na
definição da identidade
de uma marca, fala-nos
margem de crescimento de produção por
da importância da mesma Henrique Herculano via da modernização das áreas já existen-
para a economia alentejana na apresentação tes. Ao nível do volume de produção, os
e revela que a marca tem do Azeite de Moura investimentos dos últimos anos deverão
em curso um “projeto de DOP BIO de 750 motivar um crescimento gradual e contí-
internacionalização com foco ml que passará a nuo durante os próximos 5 a 10 anos.
nos mercados brasileiro, ser apresentado Start&Go - E quais os principais desafios
norte-americano e centro- na primeira garrafa que o setor enfrenta a curto e médio pra-
europeu”. do mercado 100% zo?
FERNANDA SILVA TEIXEIRA
reciclada e reciclável HH - Um dos maiores desafios é claramen-
te a adaptação à nova realidade produti-
Start&Go – Quem é e como surgiu a Coo- va, visando o crescimento sustentado sem
perativa Agrícola de Moura e Barrancos? sacrifício da identidade do azeite nacional.
Henrique Herculano - A Cooperativa mento delicado, em que as cotações estão Nesta perspetiva, a resposta passará pela
Agrícola de Moura e Barrancos é a maior muito baixas e em que existe um consi- conquista de novos mercados, com poder
cooperativa de olivicultores do país, ten- derável grau de incerteza em relação ao de compra para remunerar a qualidade di-
do surgido em 1954 por vontade de um futuro próximo. Esta situação levou inclu- ferenciada do azeite português.
pequeno conjunto de sócios, cerca de 50, sivamente à ativação de medidas especí-
com o intuito de dar destino às suas pro- ficas por parte da comissão Europeia, no- Start&Go - Qual a relevância do setor
duções de azeitona. Atualmente, conta meadamente o Apoio ao Armazenamento para a economia nacional?
com mais de 1300 olivicultores associa- Privado. HH - Este é, sem dúvida, um dos setores
dos. estrela do agroalimentar nacional, que
Start&Go - Qual o potencial de cresci- esteve na linha da frente das exporta-
Start&Go - Como avalia o atual momento mento do olival em Portugal? ções durante a crise económica e que
do setor do azeite? HH - O pico de crescimento da área de continua a manter atualmente a mesma
HH - O setor do azeite atravessa um mo- olival já foi ultrapassado, existindo ainda dinâmica.

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TEMA DE CAPA

HH - O nosso produto, por ser de coope-


Azeite de Moura DOP BIO passará rativa, é obtido exclusivamente a partir
a ser apresentado na primeira garrafa da matéria-prima dos sócios, o que sig-
100% reciclada nifica que tem uma garantia de origem
automática, que comprovamos através
Tendo acabado de comemorar o seu 65º aniversário, a Coopera- da qualificação como Azeite de Moura
tiva Agrícola de Moura e Barrancos aproveitou a data para lan- DOP. Genuinidade e alta qualidade am-
çar a sua mais recente e inovadora novidade: o Azeite de Moura plamente reconhecidas poderiam ser
DOP BIO de 750 ml, que passará a ser apresentado na primeira considerados como os principais traços
garrafa do mercado 100% reciclada e reciclável. na definição da identidade da nossa
Segundo Henrique Herculano, a iniciativa, uma novidade a nível marca.
mundial, tem por base a “genuinidade e sustentabilidade”, dois
dos principais valores da identidade da marca, e significam um Start&Go - Qual o volume de negócios
passo na direção daquela que, “até à data, parecia uma verda- registado no último ano e quais as expec-
deira utopia: a inexistência de embalagem”, remata o diretor de tativas para 2019?
Marketing da Cooperativa. HH - No último ano, o volume de negócios
rondou os 22 milhões de euros, sendo que
as perspetivas para 2019 são de um cres-
cimento na ordem dos 3%.
Projeto de internacionalização to pontuais. Com exceção do mercado
está em curso brasileiro, o reconhecimento do azeite Start&Go –Quais os objetivos estraté-
nacional nos mercados externos é ainda gicos da empresa a curto/médio pra-
Start&Go - Qual a importância relativa residual. Por isso, temos em curso um pro- zo?
dos mercados externos para a vossa ativi- jeto de internacionalização com foco nos HH – Os objetivos passam pela consoli-
dade? E até que ponto o azeite nacional mercados brasileiro, norte-americano e dação da posição no mercado nacional e
é já reconhecido nos mercados externos? centro-europeu. abertura gradual e seletiva de novos mer-
HH - A Cooperativa Agrícola de Moura e cados de exportação, para um crescimen-
Barrancos tem operado sobretudo no Start&Go - Como definiria o posiciona- to sustentado do volume de vendas de
mercado nacional, com exportações mui- mento da vossa marca? azeite embalado.

13 | START&GO | dezembro 2019


GESTÃO DE QUALIDADE

Registos do Alentejo
André Pinheiro Grândola passou a ser apenas uma refe- registos de transações, de produções,
Direção de Qualidade
afpinheiro75@gmail.com rência a uma revolução, ocorrida quando de resultados de teste, de quem estava,
eu nem era nascido. se não quisermos. Mesmo uma startup
Hoje é fácil termos registos de todos os pode facilmente ter todos os principais
locais por onde passamos. Todos temos passos que descrevem o seu crescimen-
telemóveis capazes de tirar fotos fantás- to registados informaticamente. Seja em
ticas e que registam tudo o que fazemos. diários de bordo, ferramentas de gestão

D
esde que me conheço que me O sr. Google diz-me todos os meses quais de projeto, registos de vendas, etc. Se
lembro de ir para o Algarve nas os locais onde passei mais tempo, quais fornecemos um serviço, devemos ter re-
férias de verão. Na altura, no iní- os percursos que fiz. Temos registos auto- gistos do que foi acordado com o cliente,
cio dos anos 80, a autoestrada A2 ainda máticos, e na maior parte das vezes sem prazos e resultados esperados, datas de
não existia, pelo que a via mais rápida para sequer darmos por isso. entrega.
chegar à vila de Altura que os meus pais Na altura não era assim. Não havia tele- Um exemplo simples: são cada vez mais
elegiam como destino todos os anos era móveis, e uma fotografia ia gastar rolo, as empresas, nomeadamente na indús-
pelas estradas nacionais e atravessando o pelo que não se podiam tirar 20 ou 30 e tria de produtos alimentares, que obrigam
tórrido Alentejo que, se bem me lembro, esperar que uma delas ficasse razoável e os seus fornecedores a conseguir reunir
era cruzado pela EN106. Uma das recor- pouco tremida. Este tipo de registos tinha a informação de uma dada encomenda
dações mais fortes dessas viagens, tirando que ser utilizado de forma muito racional. (quantidades, data e hora dos passos do
os enjoos, era a passagem pela ponte de De resto, sobrava o que ficava guardado processo produtivo, matéria prima), num
Alcácer do Sal. na memória, e essa, todos sabemos que prazo máximo de 2 horas (simulando uma
Para reduzir o aborrecimento das viagens, e tem uma capacidade de armazenamento necessidade de recolha). E isto só é pos-
à medida que ia crescendo e apercebendo-
-me melhor do percurso, eu criava pontos
de referência, como se fossem metas inter-
médias numa corrida de ciclismo. Ou “ga-
tes” de um projeto, se quisermos. E aquela
ponte característica marcava um ponto já
a mais de metade do caminho. Apesar de
não haver autoestrada, tinha a ideia que a
partir dali a estrada era mais reta, mais fá-
cil, e por isso parecia até mais rápida.
Se a viagem tivesse começado de manhã,
seria por ali que parávamos para almoçar,
algures entre Alcácer e Grândola. Desde
cedo que me recordo de ouvir os meus
pais comentar sobre os restaurantes de
beira de estrada, “este não, que não tem
ninguém, não deve ser grande coisa”. Os
restaurantes de Mimosa estavam sempre
cheios de carros.
Entretanto, veio “o progresso”, e comple-
tou-se a autoestrada A2. algo limitada. Hoje, tenho pena de não ter sível se tivermos a informação organizada
Deixei de passar pelos restaurantes da Mi- mais registos dos locais onde parávamos e os registos atualizados, e de preferência
mosa ou por Alcácer do Sal. para almoçar, das pessoas que conhecía- de forma automática e “online”. A indús-
Deixei de ver a ponte e deixámos de fazer mos. Tenho pena de não ter mais registos tria 4.0 veio ajudar a automatizar este tipo
percursos de 2 dias, porque se saíssemos das pessoas com quem fazia a viagem, ain- de registos, mas, antes de informatizar o
do Porto já tarde, tornava-se uma viagem da mais porque algumas delas já cá não que quer que seja, convém saber o que
desconfortável para fazer de uma assen- estão. queremos registar, quando e quem os faz.
tada. Parávamos a meio, o que permitia Hoje em dia, é fácil criar registos, na vida Tal como nas minhas viagens pelo Alente-
conhecer um pouco da zona do Alentejo ou na empresa. A desculpa da papelada jo até chegar ao Algarve, muitas vezes só
ou Ribatejo. Foi assim, por exemplo, que em excesso já não é válida, com as fer- nos damos conta da importância de regis-
fiquei a conhecer o lugar mágico que é o ramentas de informatização e automação tar as coisas quando percebemos a falta
Castelo de Almourol, no Tejo. disponíveis atualmente. Só não temos que elas nos fazem.

14 | START&GO | dezembro 2019


INOVAÇÃO

As potencialidades
das experiências imersivas
Ana Isabel Lucas vo, as suas necessidades e desejos. Só de- rotoscopia, é uma demonstração imersiva
Consultora & Formadora
Comunicação & Gestão da Qualidade pois é desenvolvido conteúdo personaliza- no sentido literal das cenas. A protago-
annalukkas@hotmail.com
do que, naturalmente, envolva as pessoas. nista Bunty Baily é convidada pelo cantor
As experiências imersivas têm ganho ter- Morten Harket a entrar num mundo para-
reno nos últimos anos, através do recurso lelo onde se desenrola toda a ação.
à realidade virtual, realidade aumentada e Este single foi número 1 em 27 países e o

D
e acordo com o relatório digital vídeo 360º. videoclip ganhou 6 prémios Video Music
da Hootsuite, uma plataforma Colocar carácter imersivo em ações de fic- Awards da MTV.
especializada na gestão de redes ção é um mergulho convidativo para en- O instrumento usado para fazer chegar a
sociais, metade da população mundial trar num mundo paralelo, capaz de despo- mensagem ao público-alvo pode fazer a
tem acesso à internet. Estamos a falar de letar sensações e sentimentos de prazer. diferença, quando se pretende que as pes-
cerca de 4 mil milhões de pessoas, sendo É isto que torna as experiências imersivas soas imerjam num determinado contexto.
que 3,2 mil milhões utilizam redes sociais. únicas. Mas elas não se limitam ao uso de Apesar de as experiências imersivas não
Quando se estrutura um negócio num tecnologia! estarem limitadas ao uso de tecnologias
plano formal, é impossível deixar de fora
as redes sociais. Com a possibilidade de
chegar a um público tão vasto, a presença
numa rede social é quase imperativa.
De igual modo, afigura-se uma obrigação
imperiosa estruturar uma boa estratégia
de comunicação, tanto do ponto de vista
comercial como institucional.
O referido relatório é baseado numa pes-
quisa que contou com mais de 3000 clien-
tes da Hootsuite (de grandes empresas a
pequenas agências) realizada no final de
2018. Foram incluídas informações de
entrevistas com dezenas de analistas do
setor, além de relatórios e dados da Edel-
man, Gartner, GlobalWebIndex, Forrester,
Econsultancy, Kleiner Perkins, We Are So-
cial e outros.
Este relatório serviu de base para ditar as
tendências mais importantes na gestão de
redes sociais das marcas e dos negócios.
As tendências apontam para novos forma-
tos, desafios e maneiras de interação. Se tivermos em conta a escrita, o princí- eletrónicas ou digitais, o potencial destas
Metade dos respondentes concorda que a pio da imersão sempre esteve presente pode ampliar a forma do que se pretende
necessidade de personalizar o conteúdo e em grandes obras da literatura universal, comunicar.
experiências são a chave do desafio. Entre onde existe um grande envolvimento com Nos últimos anos, a indústria de tecnolo-
as muitas sugestões apresentadas, salien- a mente do leitor. Existem narrativas que gias tem desenvolvido uma série de apli-
tam-se as transmissões em direto, criação se perpetuaram ao longo da história, ins- cações em diferentes áreas, inclusivamen-
de grupos fechados no Facebook, criação piraram outros autores e esgotaram bilhe- te na criação de experiências imersivas,
de histórias (storytelling) e experiências teiras de cinema. Houve até quem criasse com recurso à realidade virtual.
imersivas. géneros literários, como Júlio Verne, o A realidade virtual é uma tecnologia de in-
A aposta é no investimento em conteúdo criador da ficção científica. terface entre um utilizador e um sistema
de alta qualidade, capaz de criar uma rela- O mesmo aconteceu com a música quando operativo, com o objetivo de criar sensa-
ção próxima e de confiança com os clien- em 1985 os A-ha lançaram o single “Take ções de presença em ambientes virtuais.
tes. on me”. O videoclip desta música, que São englobados erradamente neste con-
O primeiro passo é conhecer o público-al- utilizou tecnologia avançada na época, a ceito a realidade aumentada e o vídeo

15 | START&GO | dezembro 2019


INOVAÇÃO

360º, embora estes recursos sejam utiliza- para envolver os utilizadores e permitem nha num futuro próximo. A realidade
dos pela realidade virtual. explorar novas formas criativas de educar, virtual vai ser um excelente parceiro do
A diferença entre eles é que a realidade formar, entreter, promover e muito mais. marketing! Permite criar conteúdos mais
virtual permite a interação do utilizador A conhecida marca de automóveis Pors- apelativos que desencadeiam estímulos
com o ambiente virtual. O vídeo 360º che, na altura do lançamento do Porsche sensoriais, e, que por sua vez, ajudam na
recorre a uma camara para gravar em Taycan (o protótipo chamava-se Mission consolidação das marcas, envolvendo os
todas as direções (360º) a partir de um E) recorreu à realidade virtual. Criou uma consumidores e criando relacionamentos
ponto real. A realidade aumentada recor- aplicação para mostrar aos seus clientes o mais estáveis e duradoiros.
re a aplicações para ampliar experiências novo Porsche. Usando um smartphone, o Também na educação e formação esta
reais, isto é, cria elementos e informa- cliente via a animação que mostrava deta- tecnologia vai revolucionar o modo de en-
ções virtuais que se sobrepõem à reali- lhes do interior e exterior, e a aerodinâmi- sinar e de aprender. O papel do ensinante
dade. ca do carro. cai e emerge o aluno aprendente.
Na prática, estes recursos, quando combi- Esta mesma tecnologia serviu para dar Na apresentação do lançamento do hea-
nados, são um convite para o nosso corpo formação aos seus colaboradores através dset da Samsung, Mark Zuckerberg disse,
entrar num mundo imersivo, ativando os do recurso a óculos de realidade virtual. em relação à realidade virtual, que “o me-
nossos sentidos, a visão e a audição, blo- Os colaboradores interagiam virtualmente lhor está para vir”.
queando completamente sugestões e estí- com o carro e o próprio sistema ensinava- Para já, as potencialidades da realidade
mulos do mundo real. -lhes a melhor forma de atuar com este virtual são imensas e estendem-se a qual-
A riqueza e profundidade destas expe- veículo. quer área de negócio. É necessária uma
riências imersivas são uma oportunidade É fácil prever a revolução que se avizi- estratégia e investimento.

www.startandgo.pt

Revista Digital Start&Go


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16 | START&GO | dezembro 2019


INOVAÇÃO

Os Rebeldes Corporativos
Hugo Gonçalves
Executive Coach | Senior reconhecer as aspirações, necessidades e cracia e egos e facilita a transformação do
Organizational Engineer | Blogger @ equilíbrios desejados por clientes, utiliza- potencial das pessoas em performance.
www.knowmad.pt
dores e beneficiários. Depois, com o propósito chegam também
Além disso, já existem evidências mais do os valores, os comportamentos e as com-
que suficientes de que as organizações petências técnicas, relacionais e emocio-
que trabalham para criar ecossistemas nais necessárias. Muitas vezes substituir

R
eza a lenda que em 1985 Muham- de trabalho inspiradores e equilibrados protocolos e procedimentos por um con-
mad Ali estava na Universidade colocam-se automaticamente numa po- junto claro de valores e comportamentos
de Harvard, numa tertúlia com sição de florescer e de evoluir. Isso impli- faz maravilhas pela organização.
um conjunto de estudantes, e de repente cou para quase todas elas desapegar das
além gritou: “Diz aí um poema, Muham- formas normais de trabalhar e “arejar” Da hierarquia para o
mad’. Ele ficou algum tempo a olhar para a mente relativamente ao que é ou não ecossistema
o horizonte e saiu-se com esta: ‘Me. We’. É “correto” ou expetável a nível de com- O trabalho tem hoje em dia uma matriz
considerado o poema mais curto da língua mand-and-control. celular diferente. As empresas são cada
inglesa. Mas existe um outro candidato ao vez mais clusters e projetos do que pro-
poema mais curto. Não consegui identifi- priamente estruturas hierárquicas. Work-
car o autor e segue assim: ‘I!Why?’ flows e responsabilidades deverão ter um
Ambos os poemas parecem-me podero- formato fluído. Então, faz todo o sentido
sos e até considero que mais do que poe- As empresas são que múltiplas equipas possam interagir
sia, são manifestos. em múltiplos contextos e desafios. É a me-
Levando isto para a parte profissional e
cada vez mais lhor formação interna que uma empresa
das organizações, questões como forças clusters e projetos pode proporcionar. Pois irá estar a desen-
e limitações, valores e objetivos, qual a do que propriamente volver consultores colaborativos internos.
performance com motivação e sob stress, estruturas Que irão estar a trabalhar de forma a atin-
individual e em equipa estão presentes de hierárquicas. girem algo aparentemente paradoxal – re-
forma regular como de uma viagem de au- Workflows e sultados, business e alinhamento com os
todescoberta se tratasse. valores "human centric".
Considero que hoje é mais fácil responder
responsabilidades
à questão “Quem Sou Eu” do que a “Quem deverão ter um Da autoridade para o suporte
Somos Nós”, no âmbito organizacional. formato fluído Certamente que faz cada vez mais sentido
Hoje em dia temos acesso / consciência da “empurrar” decisões pela cadeia de co-
inteligência emocional, assessments 360°, mando abaixo. Pelo facto de uma cadeia
two-way appraisals. Temos o mindfulness de comando vertical ser neste momento o
e o feedback em sandwich. Em parte, vive- maior obstáculo à transformação e evolu-
mos na Era do Eu. Pesquisando um pouco sobre as visões e ção das empresas. Esta abordagem negli-
Mas quantas vezes é que refletimos sobre ideias de várias pessoas sobre esta temáti- gencia a sabedoria da tribo organizacional
“Quem Somos Nós”, numa equipa, numa ca e até mesmo relendo alguns dos meus e desconecta quem está mais próximo do
organização, numa holding? Quantas ve- artigos anteriores, acabei por “colar” uma terreno e dos clientes. Sem dúvida, os lí-
zes é que realmente focamos o “Nós”? macroestrutura que poderá resumir como deres e gestores mais alinhados com a
Quem é o meu grupo, quem é a minha tri- podemos saudavelmente implementar abordagem do suporte funcionam mais
bo, quem é a minha organização? E o que uma revolução corporativa equilibrada e como exploradores externos e “vendedo-
nos define, como nos relacionamos, como consistente. res” internos da mudança e da evolução.
interagimos? Como vamos criar impacto? Isto implica sermos Rebeldes Corporativos A autoridade no contexto profissional não
E qual o legado que queremos construir, (considero-me um) e abraçar estes possí- advém da hierarquia mas do respeito, em-
mais do que deixar para os que vêm a se- veis caminhos que aqui sugiro: patia e equanimidade. De facto, estes lí-
guir? deres e gestores aceitam que não sabem
Em resumo, acho que neste momento es- Do lucro para o propósito tudo sobre tudo e veem os seus colabo-
tamos num ponto crucial de singularidade e valores radores como conselheiros, não só como
e interseção entre o individual e o coletivo. Em primeiro lugar, definir e trabalhar se- executantes.
O propósito e respetiva desmultiplicação gundo um propósito ou significado pro-
para produtos, serviços e features de uma porciona energia, motivação, paixão e ali- Da previsão para a mudança
organização e dos seus colaboradores se- nhamento. Uma construção colaborativa Sem dúvida que planos estratégicos de
rão determinados pela sua capacidade de da Missão permite ultrapassar silos, buro- 2/3/4 anos e budgets análogos cada vez

17 | START&GO | dezembro 2019


INOVAÇÃO

mais são expostos e desmontados pelo vel permitir que as pessoas decidam elas mos de competências e inteligências múl-
VUCA. Já não são formas de prever o futuro. próprias como fazer, onde o fazer e quan- tiplas. Saber identificá-las e fazer o melhor
As melhores opções para lidar com o futu- do. Chama-se Holocracia. uso e distribuição das mesmas é a melhor
ro são criá-lo, identifica-lo enquanto ainda forma de manter as equipas preparadas,
está longe e aceitá-lo e adaptarmo-nos da Do segredo motivadas, curiosas e ansiosas por novos
melhor forma. Assim sendo, a experimenta- para a transparência desafios. Quase que arrisco a dizer que
ção, a prototipagem, os testes, os projetos- Quando existem muitos “segredos” numa 80% dos descritivos de funções que exis-
-piloto, as iterações são a melhor prática. organização, a tendência natural das pes- tem atualmente nas organizações já estão
Experimentar, aprender, adaptar. Sem medo soas é, na falta de transparência e infor- desatualizados relativamente às reais ne-
de falhar, porque iremos estar a ter medo de mação concreta, especular. E não o fazem cessidades da mesma, dos seus clientes
aprender. Tudo isto deve ficar visível, deve por mal, apenas usam a lógica ou imagi- e da sua área de negócio. Vamos permitir
ser recompensado, deve ser desmultiplica- nação delas para poderem ter algo o mais que as pessoas, dentro do possível, possam
do como uma parte da cultura. semelhante possível a uma resposta ou trabalhar em algo que seja o melhor fit en-
contextualização. E se cada um de nós for tre os seus interesses, talentos e forças.
Das regras para a confiança criando de forma regular estas fake news
A autonomia, a delegação e preparação individualmente, então a cultura coletiva Integração plena
das pessoas para as assumirem são um será trucidada. Muitas organizações já Acima de tudo, concretizar de forma mais
dos “segredos” menos bem escondidos aplicam a abordagem de “abertura por profunda e equilibrada o Capital Humano
para o desenvolvimento organizacional. defeito” e “é possível perguntar tudo”. terá que ser a nossa prioridade como Pes-
Mas como todos os segredos mal escondi- Outras formas de transparência são a par- soas e Profissionais. A era moderna dos
dos, existe algo muito bem escondido que tilha de informação, dados, lições apren- negócios necessita de ser inspirada por
quase sempre impede que isto seja reali- didas, boas práticas e benchmarking. A uma abordagem abrangente, integrada e
zado da melhor forma. Um maior grau de informação certa, na altura certa, permite despertadora da curiosidade através de
liberdade não é uma estrada de um sen- a tomada de melhores decisões e a rápida uma abordagem mais holística, humilde e
tido só. Deve também ser acompanhada implementação de ações. apaixonada por partes dos líderes e ges-
de um maior grau de responsabilidade e tores.
accountability. Em muitos casos, áreas de Das funções para o talento Por outras palavras:
negócio e organizações, já é mesmo possí- Cada pessoa na sua organização é um cos- ‘Me. We.’

Só precisa de libertar
o seu palhaço interior! Joga?
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18 | START&GO | dezembro 2019


ESTRATÉGIA

O futuro não é mais


como era antigamente
desafiadas a melhorar seu modelo de tem muito pouco tempo para reagir e so-
Prof. Luís Augusto Lobão negócio de forma radical. Não se trata breviver. Inovação disruptiva! São inova-
Mendes somente de interligar os clientes e o seu ções que introduzem novos benefícios ao
Professor e consultor HSM
negócio através de e-commerce, redes mercado, com maior simplicidade e con-
sociais ou uso de chatbots, mas também veniência de uso, e também menor cus-
utilizar informação das “coisas” (dispo- to. Estas inovações colidem diretamente

É
surpreendente saber que esta é sitivos, sensores, etc.) em seu benefício, com os produtos e serviços existentes,
uma afirmação feita pelo poeta e melhorando a fórmula das suas receitas pois a maioria das empresas não está
pensador francês Paul Valery, que (incluindo serviço, personalização e inte- preparada para enfrentar modelos de ne-
viveu na década de 20. É isto mesmo, já ligência) e obtendo uma maior eficiência gócio diferentes do que a consolidou ao
tem um século que foi publicada. Para operacional. Quando falamos da Internet longo de décadas de sucesso. Em menos
aqueles que da minha geração curtiram o das Coisas (IoT), estamos falando das de 3 anos a UBER mudou a matriz de mo-
gênio Renato Russo cantando trechos da “coisas” falando com as “coisas”! Um bilidade urbana no mundo. Foi um mo-
música Índios e achavam ser uma visão, exemplo simples: um sensor colocado na vimento rápido e transformador. Mudou
uma premonição sobre o futuro, escrita a tampa de um refrigerante vai avisar a sua hábitos e conquistou um grande número
cerca de 30 anos, imagine o meu espanto
em saber que ela tem quase 100 anos, e,
o mais instigante, é a melhor expressão
para desenhar o futuro hoje! Alguns da
minha geração também irão lembrar-se Muito do que vivemos hoje, como o telefone
com saudades da série de desenhos ani- celular e a videochamada, estão presentes
mados dos Jetsons, carros voadores, alta no nosso dia a dia e temos a sensação que
tecnologia e empregadas e cachorros ro-
bôs. A divertida família de Orbit City, lan-
eles sempre existiram, diferente de quando
çado na década de 1960, sem dúvida dei- assistíamos como uma obra de pura ficção
xa saudades! Muito do que vivemos hoje, científica
como o telefone celular e a videochama-
da, estão presentes no nosso dia a dia e
temos a sensação que eles sempre exis-
tiram, diferente de quando assistíamos
como uma obra de pura ficção científica. geladeira que ele foi retirado e aberto, de usuários. Tem valor de mercado maior
O que posso afirmar é que, nos últimos por sua vez a sua geladeira vai avisar ao que a da veterana GM. A imensa base de
anos, o que era pura abstração tem-se supermercado que está na hora de fazer clientes do WhatsApp ativos é maior do
tornado realidade. As transformações o abastecimento da sua dispensa, por que qualquer operadora de telefonia mó-
pelas quais passa a sociedade estão tão sua vez o sistema de entregas é aciona- vel do mundo e tirou milhões de fatura-
velozes que as pessoas não conseguem do e também o fornecedor para entregar mento das empresas estabelecidas.
perceber racionalmente o processo de e produzir, e assim toda cadeia ativada. É necessário rodar um novo sistema ope-
mudança. Uma interessante transfor- A grande questão é que estamos combi- racional para entender esse novo mundo.
mação que está em curso e que mudará nando tecnologias, nestes casos pode- Note que esse sistema não é uma melho-
radicalmente o mundo. Praticamente to- mos combinar, Internet das Coisas, Inte- ria incremental do anterior. As mudanças
dos os setores serão arrasados e recons- ligência Artificial e quem sabe veículos são estruturais e demandam um novo
truídos. Não é somente uma mudança autónomos para entregar até a sua casa. modelo. Assustador! Mas lhe garanto
tecnológica, mas é principalmente uma Veja neste exemplo simples que todo o que é fascinante e estimulante. Não exis-
mudança de comportamento baseado trabalho humano tende a ser reduzido ou te outro momento tão vibrante e empol-
na tecnologia. Criamos as tecnologias e a eliminado! gante na história como o que estamos
tecnologia munda nossos hábitos e com- A inovação rápida passa a ser uma vanta- vivendo. Está cheio de oportunidades
portamentos. gem competitiva daqui para frente, pois para qualquer pessoa em qualquer lugar
Estamos vivendo uma transformação di- teremos um aumento das inovações dis- do planeta! Bem-vindo à mudança... bem
gital, que é um processo onde as novas ruptivas! E quando um “disruptor” entra vindo à transformação digital!
organizações ou as já estabelecidas serão no mercado, uma empresa estabelecida *artigo escrito em Português do Brasil

19 | START&GO | dezembro 2019


ESTRATÉGIA

"From Silos to Systems "


Manuela Ribeiro
Consultora e criadora da voz, propósito e ação? Que os vários de- - Colaboram para criar impacto;
metodologia THE CHOICE partamentos se alinham na mesma dire- 3 - Os que praticam as mudanças de siste-
– service awareness
ção? Que os vários colegas do mesmo de- ma atuam em 3 dimensões:
partamento se alinham na mesma direção? - O Self – usam a empatia para encontrar
Que os objetivos anuais contemplam esta um terreno comum e criarem soluções
mesma complementaridade? em que todos ganham;

D
e acordo com o programa MITx U Infelizmente, num número significativo de - Os Outros – aceitando mudar o seu
Lab – criado pelo Professor Otto casos não é exatamente isto que acontece, mindset habitual, agindo como "role
Scharmer, do Massachusetts Insti- por vezes, a visão sobre o “meu departa- model" nas atividades e decisões
tute of Technology –, a mudança de siste- mento” sobrepõe-se ao “departamento de diárias e perguntando a si próprio “e
mas organizacionais baseados na consciên- …” e mesmo “à empresa onde trabalho”. se?"… aquela ideia, diferente da mi-
cia pode ser resumida em três frases: Como mudar este mindset? É possível mu- nha, for mesmo melhor? – … aquela
“1. “Não se pode entender um sistema, a dar este mindset? hipótese, na qual nunca pensei, funcio-
menos que o mude.” (Kurt Lewin) De acordo com uma pesquisa elaborada nar bem?”;
2. Não pode mudar um sistema, a menos pela Mckinsey & Company e a Ashoka so- - O Sistema – criando uma visão mais
que transforme o nível de consciência de bre os recursos necessários a uma mudan- alargada que aponta na direção da
quem opera nesse sistema. ça de sistema: construção de mais sentido, mais pro-
3. Não pode transformar a consciência, a 1. Os pioneiros em mudança de sistemas par- pósito e mais realização para todos.
menos que as pessoas consigam ver o sis- tilham certas crenças e comportamentos: Chegados aqui, podemos colocar novas
tema e a si próprias.” - Qualquer problema é solucionável; perguntas:
Esta visão tem vindo a ser aplicada em pro- - Qualquer indivíduo dentro da organiza- - O que nos impede de agir desta forma?
tótipos em ambientes sociais, como esco- ção pode contribuir para a sociedade, - Podemos definir desde já um objetivo
las e sistemas de saúde, em vários países quando empoderado para o fazer; de diminuir as diferenças entre os de-
do globo, sendo que esta mesma visão é - As pessoas são bem-intencionadas. partamentos (Silos) A e B e construir
passível de aplicação no mundo corporati- 2 - Os que praticam as mudanças de siste- um plano de mudança para ir reali-

vo, porque o ponto fulcral é a forma como ma também se comportam de forma dife- nhando e construindo uma forma de
o sistema é visto e percecionado pelos ele- rente: atuar mais integrada (System)?
mentos que o compõem. - Constroem o propósito através da em- - O que preciso de mudar em mim, na mi-
Transpondo esta visão para o dia a dia das patia; nha forma de percecionar e agir, para
nossas organizações: - Abraçam as mudanças constantes; ser parte ativa desta construção de
Como vemos a empresa em que trabalha- - Têm coragem para assumir diferenças; uma visão sistémica?
mos? Percebemos que existe uma única - Mantém o foco na ação; Muito obrigada e bom trabalho.

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VENDAS

Como ter maus resultados


nas vendas – 7 táticas a evitar!
José Carlos F. Pereira tas táticas abaixo, pare imediatamente de muito importante. Todos queremos ser
Expert em vendas e desenvolvimento
de negócios as utilizar, ou pense nelas. tratados como únicos, pelo nosso nome.
E quantos emails recebemos e facilmente
Tática 1 - Nunca aceitar um “não" como os consideramos “spam” ou massificados?
resposta - isto vem da escola antiga, em Basta estar atento ao formato do texto. E
que a qualificação a todo custo era um julgo não ser desculpa a falta de tempo

N
ormalmente, os meus tópicos caminho. Não é! É bem mais interessante para o utilizar com tantas soluções que
aqui na revista falam de “como ter estratégias e táticas para desqualificar. permitem, hoje, personalizar o nome e
fazer nas vendas”, alicerçadas na A fronteira entre ser persistente e desa- a empresa no email marketing. Uma boa
minha visão e experiência com dezenas guar em intromissão desmedida é muito base de dados segmentada, com alguns
de equipas com quem tenho o privilegio ténue. Quando ouvimos um “não”, é um atributos de leads ou clientes, é suficiente
de trabalhar, e acima de tudo aprender. E “não”. Pode ser apenas por hoje ou limi- para depois um boa ferramenta de email
porque não fazer diferente e falar sobre tado no tempo, dependendo da objeção marketing dar resposta com unicidade no
“o que não fazer nas vendas”? Foi o de- em causa. Parar é uma virtude; paciência, "tratamento".
safio que coloquei a mim mesmo neste
artigo.
O insucesso nas vendas está muito relacio-
nado com um conjunto de maus hábitos
repetidos diariamente. Pelo contrário, um
conjunto de bons juízos de valor repetidos
diariamente vão com certeza trazer bons
resultados. É simples, mas não é fácil! E
julgo que aprendemos bem mais com os
erros do que com as "coisas" que supos-
tamente estamos a fazer bem.
Este artigo aponta para alguns erros, ape-
nas 7, embora pudessem ser apresenta-
dos mais. Eu também erro; tento é, cada
dia que passa, errar menos, e isso já consi-
dero uma vitória e progressão. Fazer bem
feito (eficiência) e o que tem de ser feito
(eficácia) nas vendas são propósitos deste
artigo.
Há mesmo algumas táticas que no curto
prazo parecem interessantes, sendo até
copiadas por muitos, embora no médio/
longo prazo se possam tornar desastro- também; no limite, passar o contacto para Tática 3 - Insistir nas “cold calls” - vários
sas. E quem anda nas vendas não deverá o marketing, que, com o tempo, trabalha- estudos mostram que as pessoas são 7/8
ser um comercial “toca e foge” (de curto rá, com toda certeza, a consciencialização vezes mais propensas a partilhar com os
prazo); tem, antes, de ser alguém que de uma potencial solução que não esteja amigos, família e colegas uma experiência
aponta para um incremento de resultados a ser vislumbrada no caminho da compra. negativa do que uma experiência positiva.
em crescimento gradual, aumento do LTV Hoje, o processo de compra não cumpre Sofre com regularidade chamadas de in-
(Life Time Value) do cliente, da capacidade com o caminho sequencial do funil (pros- tromissão a frio sem o conhecerem? Estou
de o influenciar e da discriminação positi- peção, qualificação, apresentação, pro- certo que sim. O mercado das “cold calls”
va a seu favor. posta e fecho); pode mesmo viajar por vá- no B2C, e mesmo em parte no B2B, ainda
Logo, a reputação, o carácter e a confiança rios estádios (acima e abaixo) até que seja é assim, infelizmente, mas poucas marcas
que ambicionamos é quase tudo! E como tomada uma decisão. se preocupam com os "tiros nos pés" que
o objetivo deste artigo é não beliscar essa todos os dias dão ao “martelarem” neste
mesma “ligação” com o cliente, a minha Tática 2 - Enviar informação via email formato (falo de fornecedores desconhe-
sugestão é: se está a praticar algumas des- massificado - a personalização hoje é cidos e não de empresas que, por algum

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VENDAS

canal, já mantêm uma relação com o seu das vendas, não será assim, caro “amigo”? gação e confiança, mas por favor não a
cliente). Ou seja, abusam do marketing de Outra situação é a repetição constante do utilizar se não for realmente verdadeira.
intromissão e, mais à frente, não enten- nome do interlocutor. Claro que é impor- Facilmente somos descobertos se entrar-
dem porque é que a perceção da marca tante fixá-lo desde logo, “amigo”, mas não mos em detalhe no tema com o interlo-
é tão baixa ou tão negativa para certos insistir, repetidamente, é um bom hábito. cutor. Ou seja, não posso assumir que
segmentos de potenciais clientes. Nem se Quem está do outro lado apercebe-se do faço “jogging” (não o fazendo) porque
dão ao trabalho de avaliar o impacto no exagero e poder-se-á sentir manipulado, me apercebo que o “comprador” tam-
seu “branding” destas estratégias obsole- prejudicando uma potencial negociação bém o faz. Pode ser a morte do “artista”
tas. ou fecho. A distração que eventualmente no processo de influência. Lembro sem-
se provoca pode ser contraproducente, pre que é melhor cair em graça do que
Tática 4 - Dizer sempre que “sim” ao estando eu certo que o meu “amigo” per- ser “engraçado”. Muitos dos melhores
cliente - o nosso produto ou serviço não cebeu a mensagem. vendedores com quem já me cruzei são
encaixa em todos os clientes, e ainda bem. mesmo pessoas introvertidas, que sabem
Há duas décadas, a função de um comer- Tática 6 - O “vou passar por aí nem que controlar e dominar essa introversão, es-
cial era fornecer informação e esclarecer seja apenas para um café” - acredita que tando sempre focados em encontrar so-
características, mas hoje isso pura e sim- nos achamos fantásticos quando utiliza- luções e oferecer propostas de valor ao
plesmente desapareceu (eles, os clientes, mos o excesso de intromissão? Penso que seu cliente. Ser genuíno vende, ou, me-
se desejarem, sabem quase tudo da nos- não, ninguém gosta de ser o “chato” e lhor, faz com que nos comprem!
sa empresa e dos nossos produtos antes inoportuno na relação. O número de po- Táticas-bónus, e estas, certeiras - em nota
mesmo de reunir…). Hoje, um vendedor é tenciais reuniões “apenas para um café” de rodapé, e como bónus, ficam aqui al-
um consultor de compras, é alguém que até pode aumentar, mas terá grandes guns bons hábitos de um verdadeiro con-
tem de ajudar um cliente a avaliar se está resultados de fecho? E sabem porquê? sultor de vendas: conhecer bem o nosso
ou não ajustado a um determinado produ- Porque, nessas reuniões “para café e so- produto e serviço; ter um bom e sistema-
to ou serviço, que ajuda e orienta no "ca- cializar”, somos quase sempre tentados a tizado modelo de venda; saber fazer per-
minho" da compra. E se a nossa solução introduzir informação comercial, um novo guntas, abertas e fechadas; não subesti-
não se ajustar a todas as necessidades de produto e uma nova solução. E lá estare- mar o conhecimento que o cliente tem da
quem compra, qual é o problema? Julgo mos a utilizar o subterfúgio do “café” para nossa empresa e soluções; não fazer juízos
que nenhum. Nunca fazer uma promes- vender. As reuniões comerciais devem ser de valor precipitados sobre os problemas
sa em vão é uma boa prática; saber dizer marcadas com um propósito e com uma do cliente; não falar só do que o produ-
“não” também o é! A honestidade e o ca- agenda. Inventar e tentar ser popular no to/serviço é e faz, mas também apontar
rácter são indutores naturais da decisão curto prazo pode levar à impopularidade e partilhar soluções; demonstrar valor e
de compra. no médio prazo. saber focar nos benefícios; vender num
formato customizado e numa relação de
Tática 5 - Utilizar o termo “amigo” insis- Tática 7 - Encontrar “assuntos pessoais” longo prazo; conhecer muito bem a “via-
tentemente - “amigo”, acredita que esta ou de potencial sintonia para estabele- gem” do comprador e potenciais “buyers
tática é utilizada muitas vezes? E com mui- cer gratuitamente uma “ligação” - em personas”; ser exímio no fecho e na capa-
ta insistência por quem anda no mundo parte, pode ser uma forma de criar li- cidade de negociar.

DIREÇÃO E GESTÃO DA FORÇA DE VENDAS


Um manual especializado, dotado de elevado potencial de inovação e
adesão à realidade empresarial.
Uma obra prática sobre o desenvolvimento e gestão de equipas de vendas,
que irá ajudar os responsáveis empresariais a ajustar as suas decisões
comerciais e identificar novas táticas para satisfazer os seus clientes.

Autor: Elisabeth de Magalhães Serra Páginas: 208 P.V.P.: € 14

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22 | START&GO | dezembro 2019


MARKETING DIGITAL

Os blogs de viagem como uma eficaz


estratégia de marketing de conteúdo
na divulgação de um local
Goreti Silva
Gestora de projeto
grande autoridade sobre as temáticas que Alavancadas pela “onda” de crescimento
Workbrands apresentam. do turismo em Portugal, as regiões que se
Perante as tendências do marketing de encontram num processo de moderniza-
conteúdo, um bom conteúdo será aque- ção e desenvolvimento têm aqui uma via
le com o qual o utilizador se identifica. As promocional para explorar. Esta é a era de
histórias fazem mais sentido e são mais conexão digital. Segundo dados da IPK In-

O
desejo de viajar tem concedido estimulantes se oriundas de experiências ternacional, 82% das pessoas que viajam
aos mais ávidos aventureiros ex- reais. A conveniência de uma história de recorrem à internet para obterem infor-
periências, conhecimento e his- narração hábil remete-nos para fatores mações.
tórias dignas de serem partilhadas. Defi- de aproximação e identificação, o leitor O que verificamos neste contexto é que
nem-se, normalmente, como amantes de conecta-se e cria uma ligação. aqueles que estão a aproveitar estes
viagens e descrevem os seus destinos com Numa perspetiva comercial, este mode- meios como fortes veículos de difusão
cuidado e minúcia.
Estes narradores das suas jornadas turísti-
cas aguçam a vontade alheia com belas fo-
tos que ilustram descrições com mérito de
um trabalho de copywriters profissionais.
São, deste modo, a melhor publicidade,
boa ou má, uma vez que descrevem o que
vivenciam fornecendo uma informação
bastante detalhada.
A experiência do Hotel, o melhor restau-
rante, sugestões de locais a visitar, bem
como dicas para preparar uma viagem ou
férias, tudo é descrito ao pormenor. São
verdadeiros guias de viagem, que no seu
formato digital substituem os obsoletos
roteiros impressos que listavam as infor-
mações sem o cunho de experiência pes- lo de abordagem através de conteúdos cujos que interesses de uns poderão ser
soal. elaborados para captar o público tem-se os interesses de outros e que deste modo
Os bloggers de viagem iniciam este exer- manifestado pertinente na conquista do agregam um elevado número de pessoas
cício de registo como um diário de memó- consumidor. são bons exemplos que devemos analisar.
rias e tornam-se, à posteriori, profissio- Muitas empresas já reconhecem que exis- E equacionar de que forma podemos re-
nais do travel. A abrangente informação te um novo padrão de consumidores e plicar o modelo ou a sua integração num
representa uma preciosa ajuda num plano que é necessário adaptar procedimentos sistema de parceria como agente promo-
de viagem. Conteúdos como vídeos, guias, e metodologias ao nível de marketing e tor da região, da marca, ou mesmo do
roteiros, kits de viagem, ou até mesmo vendas. produto.
uma introdução histórica dos países visita- No âmbito dos bloggers de viagens, estas O marketing de Conteúdo tem tido um
dos, fazem parte do complexo elucidativo utilizam-nos como meios de publicidade e papel preponderante no seio digital. Este
destinado ao aspirante viajador, nada sen- promoção de destinos turísticos, uma vez tem sido estudado e moldado à feição dos
do deixado ao acaso. que estes são bons criadores de roteiros critérios que os gigantes do negócio da in-
São, efetivamente, exemplos de um bom e exercem um excelente papel de guias. ternet ditam para que se chegue ao topo
marketing de conteúdo, dado que com- Antes da experiência de uma viagem fí- da lista nos motores de busca.
preendem os seus princípios. Com con- sica, tais meios promocionais concedem Seja qual for a estratégia, incluir nos
teúdos relevantes tendo como base o um tour virtual, apelando às emoções, planos de marketing das empresas o
storytelling, que geram envolvência, uma elevando o desejo e a vontade de adicio- marketing digital é já um imperativo e
vez que conseguem ter muitos seguido- nar destinos à “caixinha” de sonhos de via- boa parte passa pelo conteúdo objetivo
res, é meritório o reconhecimento de uma gens do leitor. e criativo.

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EMPRESAS FAMILIARES

Da ideia ao modelo de negócio e sua implementação.


Pensar e não sistematizar é o primeiro passo para falhar
António Nogueira da Costa
(antonio.costa@efconsulting.pt) antigo ou oportunidade há muito identi- tributivos para estes resultados, existem
CEO da efconsulting e docente e ficada; alguns para os quais se aconselha especial
membro do N2i do IPMaia.
Especialista em empresas familiares • de desempregados que desejam aprovei- atenção:
e famílias empresárias. tar a situação para se tornarem indepen- 1. Enorme otimismo pessoal reforçado pe-
dentes. los incentivos das pessoas mais próximas
Uma análise mais profunda permite identi- do empreendedor (amigos e familiares);

O
espírito criativo dos portugueses ficar algumas características comuns nestas 2. Falta de aplicação de algumas metodologias
é deveras significativo. Se escutar- pessoas: simples de validação prévia de alguns pon-
mos a conversa de duas ou mais • um determinado nível de insatisfação tos essenciais à viabilidade de um negócio
pessoas numa esplanada, se não estiveram com a situação atual, (aconselha-se vivamente o recurso à matriz
a falar de trivialidades ligados ao mundo do • uma rede de contactos que consideram canvas expressa no livro “geração de mode-
futebol, da moda ou das férias, é porque já interessante, los de negócio”, de Alexander Osterwalder
estão a explanar uma ideia de negócio que, • uma ideia ou paixão que gostariam de e Yves Peigner, https://www.strategyzer.
por sua vez, puxa outra ideia, a qual… testar, com/ e ao “empreendedorismo disciplina-
O empreendedorismo é uma atividade que • um certo gosto pelo risco, do: 24 passos para uma startup de sucesso”
está na moda junto: • uns amigos ou familiares incentivadores de Bill Aulet, https://www.d-eship.com/);
• dos jovens que sonham ter o seu próprio (“fantástica ideia…”), 3. Desconhecimento das implicações e obri-
negócio e um futuro unicórnio; • uma certa dose de loucura, gações inerentes à posse de uma socieda-
• de pessoas a trabalhar que possuem algu- que podem originar milhares de distin- de comercial;
ma disponibilidade de tempo e vontade tas combinações geradoras de “negócios 4. Acesso fácil ao financiamento FFF (Fami-
para abraçar algo mais; únicos”. A corporização desses negócios é ly, Friends and Fools).
• de pessoas de meia-idade, normalmente normalmente suportada numa sociedade O contexto apresentado não pretende de-
quadros médios ou superiores, que pro- comercial que, segundo os dados do INE re- sincentivar as pessoas de empreender; an-
curam um desafio diferente no qual pos- ferentes a 2017 para as empresas nascidas tes pelo contrário, tem por objetivo salien-
sam colocar o seu conhecimento e capa- 2 anos antes, possuem uma taxa de morta- tar que esta atividade é arriscada e, como
cidade de liderança à prova; lidade de 43,3%. tal, deve ser acompanhada de uma boa
• de pré-reformados ou reformados que A que se deverá esta enorme taxa de mor- dose de prevenção e racionalidade para
desejam manter-se ativos e aproveitam talidade? que a emotividade não as conduza direta e
o momento para avançar com um sonho Podendo identificar-se muitos fatores con- rapidamente para um abismo.

E
m 2016, Isabel Gonçalves e o filho senvolvida pela empresa suportada nos
Felipe Conceição, suportando-se conhecimentos e experiência da equipa
nas experiências nas áreas de pro- em hidráulica sensórica e automação.
gramação, eletrotecnia, hidráulica, me- Em outubro de 2019, o Filipe teve opor-
tunidade de participar na terceira edição
ser desenvolvido em qualquer momento, do bootcamp Road 2 Web Summit, onde
por uma ou mais pessoas que possuam apresentou as inovadoras soluções tecno-
uma convergência de ideias e uma estra- lógicas da empresa e tirou a devida sel-
tégia para as modelizar e implementar. fie com o presidente Marcelo Rebelo de
A Fulgur IT surge para conceber e dis- Sousa.
ponibilizar aos clientes as vantagens do

mundo smart às suas instalações, melho-
cânica e automação industrial, decidiram rando a sua produtividade e fiabilidade e
enfrentar o desafio de pensar para além diminuindo custos e outros recursos. As
das soluções convencionais. soluções suportam-se na automatização
Em conjunto lançaram uma empresa de- e telegestão de equipamentos, sensores
dicada ao desenvolvimento de produtos e instalações eletromecânicas para explo-
e soluções high-tech para automação, co- rações agrícolas, instalações municipais,
municação e Internet of Things, demons- industriais ou hoteleiras. A HPLUS® é o
trando que o empreendedorismo pode exemplo de uma central de fertirrega de-

24 | START&GO | dezembro 2019


GAMMING

Sistema gamificado para avaliação


de desempenho!
Helder Barbosa sem uma avaliação transparente, isenta, que sem um sistema de avaliação válido,
Licenciado em Gestão e Mestre em
Marketing imparcial, holística e credível. sem um padrão claro de comparação, não
Chegados aqui, que sistemas de avalia- se efetivam melhorias de desempenho e
ção existem? Com que periodicidade se por conseguinte não se produz desenvol-
aplicam e executam? O que avaliam? Os vimento. E isso é aterrador!
avaliados compreendem a sua avaliação? Posto isto, um ‘sistema gamificado’ inte-

A
seguinte ‘interação’ revela muito Esses sistemas permitem objetivamente rativo pode dar resposta às questões infra
do que se passa no mundo orga- melhorias pessoais e profissionais? Permi- mencionadas, constituindo-se não apenas
nizacional! tem um acompanhamento da avaliação, como um mero sistema de avaliação, mas
“Escutei, por acaso, e deixei-me estar! de comportamentos e resultados? Permi- como uma ferramenta de gestão e repor-
Dois jovens (com nomes fictícios) comen- tem comparação? Estarão as organizações ting de desempenho, assente em evidên-
tavam entre si: como está a correr o teu preparadas para adotar modelos transpa- cias, factos e resultados.

novo emprego?, perguntou Manuel. Está Neste sentido, um sistema de desempe-


a correr muito bem, respondeu António. Um ‘sistema nho e desenvolvimento de pessoas que
Tem um bom clima e sinto que estou a procure evitar avaliações erróneas, in-
aprender todos os dias. Manuel, com ar
gamificado’ interativo fundadas, políticas e preferenciais deve
satisfeito, respondeu: desde que te pro- pode dar resposta considerar os seguintes propósitos: (1)
porcionem desenvolvimento, deixa-te es- às questões infra estratégico, (2) administrativo/organi-
tar. As empresas que ‘andam por aí’ não mencionadas, zacional, (3) comunicacional (4) e docu-
estão preocupadas com isso.” constituindo-se não mental.
De facto, uma organização não evolui, apenas como um Aliás, a possibilidade de monitorar o pró-
pelo menos até um determinado ponto, prio avaliador na forma como conduz a(s)
sem que se proporcione desenvolvimen-
mero sistema de sua(s) equipa(s) e alinha a estratégia orga-
to pessoal e profissional às pessoas que a avaliação, mas como nizacional é, desde logo, uma extraordi-
compõe. uma ferramenta de nária e nova abordagem, a qual contribui
Na verdade, para que as organizações pos- gestão e reporting de para a transparência e ética organizacio-
sam melhorar continuamente e, sobretu- desempenho, assente nal.
do a longo prazo, as organizações devem em evidências, factos Finalmente, para eficácia de qualquer sis-
munir-se de ferramentas de avaliação que tema de avaliação, reconhecimento e re-
compreendam a globalidade de uma fun-
e resultados compensas, é necessário definir que mé-
ção, das suas diferentes tarefas, responsa- tricas de desempenho estão em jogo, de
bilidades, potencial de desempenho e que forma objetiva e fiável, e que se meça o
construam história, i.e., informação, valor, rentes, colaborativos e competitivos? que é suposto medir!
capital intelectual, experiência. Inúmeras questões, pertinentes por sinal, Vamos lá Gamificar para Avaliar! Avaliar
Contudo, a melhoria contínua não ocorre ficam por enunciar. Contudo, a verdade é para Melhorar! Melhorar para evoluir!

25 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

Uma gestão de empresas fit


Daniela Moreira
Managing Director res ao longo de todo o processo fomentará der negociar descontos importantes nos
BWS Consulting
dfmoreira@bws-consulting.pt a sua motivação e empenho na execução do produtos ou prestação de serviços. Peça
mesmo. Como refere um autor bem conhe- orçamentos / propostas alternativas, para
cido, da área de desenvolvimento pessoal, as ter uma noção mais real de estar ou não
pessoas apoiam o mundo que ajudam a criar. a comprar bem. Se for possível, negoceie
Esta inclusão dos colaboradores poderá pos- a vantagem de pagar a pronto. As outras

A
competitividade crescente e global, sibilitar ainda a criação de microprogramas empresas (Sim! Não é só a nossa!!!) tam-
acrescida de períodos de desacele- de redução de custos por departamento. bém têm interesse em receber o dinheiro
ração de crescimento e de regres- o quanto antes, pelo que poderão estar
são económica, fazem com que, salvo raras 3. Liste os contratos e evite disponíveis a conceder um desconto adi-
excepções, a necessidade de racionalizar as pagar a não utilização cional.
“gorduras” (custos) seja uma obrigação. Analise se faz sentido manter os contratos
As empresas têm habitualmente os seus atuais, ou os contratos com aquelas condi- 6. Repense as instalações
custos “core” controlados, mas existem ções. Por exemplo, os gastos com eletrici- Os custos de arrendamento têm, muitas ve-
muitos outros que são negligenciados e que dade, água, telefone, telemóveis e internet, zes, um peso considerável na estrutura de
a vão engordando paulatinamente. Imple- ainda que inevitáveis para a maioria das custos fixos. Pondere que alterações pode
mentar um programa de fitness empresa- empresas, nem sempre refletem o nível de fazer. Procure alternativas mais económi-
rial, ou seja, programa de redução de cus- serviço adequado à necessidade, correndo- cas, avalie a possibilidade de um escritório
tos, é provavelmente o meio mais eficiente -se o risco de se pagar por serviços que não virtual ou partilhado, e a possibilidade do
para reduzir as despesas dispensáveis numa se usufruem. Porquê pagar por mais velo- teletrabalho.
empresa, dado que passam a existir indica- cidade de internet se não tem essa neces- Os escritórios virtuais e partilhados são uma
dores, métricas e responsáveis. sidade? Lembre-se que os fornecedores solução cada vez mais popular, dado que
O que se pode fazer para tornar uma em- apresentam muitas vezes ofertas tentado- por valores muito atrativos é possível obter-
presa fit? ras, ainda que muitas vezes desadequadas -se acesso a escritório, salas de reunião e
à realidade específica de cada organização. formação, internet, atendimento telefónico,
1. Formalize uma estratégia Avalie regularmente os seus fornecedores e encaminhamento de correspondência, etc.
Ainda que a definição da orientação, es- negoceie as condições. Nem sempre a pri-
tratégias, prioridades e objetivos possa meira oferta é a melhor. 7. Agilize a comunicação
parecer básica, é essencial para que a im- Considere a possibilidade de realização de
plementação do programa seja coerente, 4. Foque-se no "core business" menos reuniões presenciais com clientes e
com constância de propósito, em vez de um A maioria das despesas fixas de qualquer colaboradores.
conjunto de medidas avulso, de impacto re- empresa devem estar diretamente relacio- Avalie a possibilidade de utilização mais sis-
duzido ou mesmo duvidoso. nadas com a atividade principal da empre- temática de e-mail marketing, redes sociais
Nesta formalização, é fundamental a defini- sa. É nessa atividade que estão ou devem como canais de comunicação e divulgação,
ção de um orçamento, que inclua os custos estar os seus colaboradores mais valiosos. dado o baixo nível de investimento que é
fixos e as medidas a implementar. Tratando- Analise a possibilidade de externalizar ser- exigido para chegar a um grande número
-se de um plano, é também importante que viços e subcontratar. Por exemplo, subcon- de potenciais clientes.
defina uma periodicidade para a avaliação trate uma empresa de contabilidade, uma
do orçamento e da própria estratégia. empresa de limpeza e uma empresa de ma- 8. Reveja a política de compras
Um dos principais erros na definição es- rketing, esvaziando a necessidade de con- Verifique os ganhos fiscais e de eficiência
tratégica é querermos “copiar” programas tratar colaboradores para essas áreas e sua- em considerar soluções de renting ou alu-
e medidas de outras empresas, sem o cui- vizando a estrutura de custos fixos e encar- guer operacional de viaturas e equipamen-
dado de o adaptar à realidade da empresa. gos com a Segurança Social. Lembre-se que tos. Este tipo de soluções permitir-lhe-á
O programa deve ser desenhado especifi- principalmente em épocas de redução da dispor mais rapidamente da tecnologia mais
camente para cada empresa, dado que as atividade é mais fácil emagrecer os custos atual e adequada ao seu negócio, deixando
necessidades e objetivos, mesmo em em- variáveis do que os custos fixos, pelo que de ter de se preocupar com a obsolescência.
presas do mesmo setor, ou de dimensões esta externalização, ainda que nem sempre
semelhantes, são sempre diferentes. possa parecer uma poupança imediata, é 9. Aproveite os incentivos
pelo menos um seguro a médio prazo. nacionais e comunitários
2. Envolva os colaboradores Verifique que tipo de apoios pode obter
O envolvimento dos colaboradores no pro- 5. Centralize as compras para impulsionar o seu negócio, aproveitan-
grama de redução de custos deve ser conse- e pague a pronto do os incentivos reembolsáveis e não reem-
guido desde a criação. Incluir os colaborado- Compre de forma centralizada, para po- bolsáveis.

26 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

Evite o greenwashing: a atração e a retenção


serão prejudicadas se as práticas de
sustentabilidade não forem autênticas

U
ma empresa sustentável pode
beneficiar da atração e retenção
dos profissionais, mas as orga-
nizações devem demonstrar um com-
promisso real. De acordo com os espe-
cialistas em recrutamento da Hays, se a
atração de talentos e os benefícios de re-
tenção devem ser concretizados, os em-
pregadores precisam de garantir que os
seus esforços de sustentabilidade sejam
autênticos.
"A motivação para um modo de vida mais
sustentável e de baixo carbono para en-
frentar as ameaça das mudanças climá-
ticas continua a gerar um enorme dina-
mismo", Joana Santos, People & Culture
Manager da Hays Portugal."Em todos os
setores, as organizações estão a respon-
der ao transformar os locais de trabalho
em ambientes mais ecológicos. Enquanto
muitos estão a fazê-lo por razões morais,
há outros que o fazem por vantagens co-
merciais", acrescenta.
Embora estes incluam a necessidade de
evitar alienar os clientes e atingir um me-
lhor resultado através de diferentes abor- profissionais, levando a benefícios de pro- de ter a certeza de que a sua organização
dagens para o uso de energia, reciclagem dutividade". está a ir ao encontro e a acomodar-se às
e gestão de água e resíduos, a Hays des- 2. Atração de colaboradores: Os poten- necessidades da força de trabalho mo-
taca três outras vantagens que os empre- ciais colaboradores têm cada vez mais derna", Joana Santos, People & Culture
gadores e os profissionais de RH devem interesses morais sobre como quão sus- Manager da Hays Portugal. "Isso pode
considerar: tentável e amiga do ambiente uma or- ajudá-los a evitar perder o recrutamento
1. Bem-estar e produtividade dos cola- ganização é. De acordo com o Deloitte de talentos de topo.”
boradores: Um local de trabalho susten- Millennial Survey 2019, que questionou "A chave é ser autêntico. Qualquer or-
tável pode melhorar o desempenho dos a geração "Millennial" em todo o mundo, ganização que sobrevaloriza as suas cre-
profissionais. O design biofílico – ao im- as mudanças climáticas e a proteção do denciais ecológicas deixa-se vulnerável
plementar mais plantas no local de traba- meio ambiente são as principais preocu- a acusações de ‘greenwashing’, que terá
lho para ajudar as pessoas a sentirem-se pações. Dado isto, a procura de políticas um enorme impacto sobre o seu employer
mais conectados com o ambiente natural ecológicas está a começar a tornar-se brand e também na capacidade de atrair
– tem sido provado que melhora o bem- obrigatória no discurso de recrutamento os melhores talentos ", aconselha ainda.
-estar e a produtividade dos colaborado- de uma organização. Também é importante obter o apoio dos
res. Por exemplo, um estudo da Universi- 3. Retenção de colaboradores: Os resul- colaboradores em todos os níveis. De
dade de Cornell descobriu que a luz natu- tados da Deloitte também sugerem que acordo com a Joana Santos, "Muitas das
ral no escritório, em vez da dependência os trabalhadores mais jovens estão a pro- pequenas ações que criam uma cultura
excessiva de iluminação artificial, leva a curar mais do que apenas um bom salário, de sustentabilidade no local de trabalho
uma queda de 84% de sintomas de fadiga e "mostram uma lealdade mais profunda – como desligar luzes e computadores no
ocular, dores de cabeça e visão turva. O aos empregadores que corajosamente final do dia ou fazer reciclagem – resu-
autor do relatório, Professor Alan Hedge, abordam questões como, por exemplo, mem-se ao comportamento do colabora-
acredita que a otimização da luz natural como proteger o meio ambiente". dor, por isso, é crucial que o colaborador
nos locais de trabalho "melhora significa- "Os indícios certamente apontam para o aprove, para obter o sucesso das ações
tivamente a saúde e o bem-estar entre os facto de que os empregadores precisam ecológicas dentro da empresa."

27 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

Dicas Spring para encontrar


e reter Critical Thinkers
escrita eficaz, acesso e análise de informa- stressante e raramente é direto e fácil
ção, curiosidade e imaginação. de resolver. Essas questões são ótimas
• Hoje, a média de Quase todas as entrevistas incluem per- para determinar quem pode pensar por
retenção de um guntas relacionadas com a deteção de conta própria e como se encaixa na sua
funcionário numa "hard skills", experiência tangível e proe- organização.
empresa é de 4, 5 anos ficiência em programas. Porém, hoje, os Pode assim encontrar o funcionário com
melhores entrevistadores tentam discer- pensamento crítico que pretende, mas
• Um "millennial" fica nir hoje se um candidato possui também não se esqueça, mantê-lo é igualmente ou
numa empresa uma as chamadas "soft skills", como a resolu- mais importante. A retenção pode ser um
média inferior a 3 anos ção de problemas e inovação e criativida- grande desafio para os empregadores –
de. especialmente quando se lida com os "mi-
• Em breve a maior
percentagem de
funcionários numa
empresa será da
geração "millennials"

A
Spring Professional, empresa es-
pecialista em Recursos Humanos
do Grupo Adecco, destaca a ne-
cessidade de ter os chamados “pensado-
res críticos” ("critical thinkers"), com ex-
celentes habilidades de comunicação, ao
seu lado, quando está a criar a sua equipa.
A consultora sublinha que, de acordo com
alguns dados globais do mercado, a média
de retenção de um colaborador numa em-
presa ronda os 4, 5 anos, valor que reduz
se pensarmos na geração "millennials"
que não chega a ficar 3 anos numa em-
presa. Mais importante pode ser se pen-
sarmos que, em alguns anos mais, a maior Assim, será recomendado identificar as llennials" que procuram emprego e sabem
percentagem dos colaboradores serão os perguntas certas para colocar aos seus muito sobre tecnologia. 91% dos "millen-
da geração "millennials". candidatos. Em muitos campos criativos, nials" esperam permanecer nos seus em-
Por isso, é fundamental encontrar e reter como o marketing, o tecnológico e o das pregos por menos de três anos – um fator
os colaboradores que maiores benefícios artes, os empregadores avaliam os seus importante para os empregadores terem
oferecem às empresas, os chamados ta- candidatos por meio de questões onde em mente.
lentos com capacidade de pensamento é necessária a resolução de problemas. Para manter os funcionários envolvidos,
crítico. Eleve esse passo acrescentando pergun- produtivos e valorizados, deve recompen-
Para tal, e antes de mais, é importante ter tas desafiantes e que testam a capaci- sá-los por trabalhos bem-feitos, respeitá-
em mente as sete qualidades base para dade criativa e a rapidez de pensamen- -los e manter uma comunicação aberta.
os colaboradores com maior valor para to, como “quantas bolas de golf cabem Quando encontrar o funcionário adequa-
as empresas, entre as quais temos: capa- num autocarro?” ou “desenhe um plano do, faça um esforço para garantir que ele
cidade de pensamento crítico e resolução de evacuação de Lisboa”. Este tipo de permanece. Descubra o que o motiva, o
de problemas, como o primeiro, seguido perguntas permite que o empregador que pretende de uma empresa e de uma
de colaboração e liderança pela influên- veja o processo intelectual e criativo direção e aprenda a motivá-lo. Se ele ficar
cia, agilidade e adaptação, iniciativa e pelo qual o candidato passa ao resolver motivado e fidelizado, será porque o seu
empreendedorismo, comunicação oral e uma problemática. O trabalho pode ser esforço está a resultar.

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RECURSOS HUMANOS

O lado negro do Powerpoint


Pedro Amendoeira diência ler, entregue-lhes um livro e já 7. Pouco contraste entre o fundo e as
Partner na Expense Reduction
Analysts está. Se a ideia é ser ouvido, então quanto palavras – idealmente deverá usar letras
menos texto melhor. brancas sobre fundo negro (o inverso tam-
2. Letras muito pequenas – ainda se lem- bém pode funcionar).
bra do ponto anterior? Com menos texto Quem faz apresentações em público e nun-
poderá usar letras de maior dimensão. ca cometeu pelo menos um dos Pecados

É
rara a apresentação em público 3. Animações – texto a entrar aos saltos Capitais do Powerpoint, que atire a pri-
que não se apoia no Powerpoint ou a explodir no ecrã distrai o público da meira pedra. Eu não o farei. Sei bem que
ou outro software semelhante. mensagem que quer passar. Quer anima- é difícil conciliar a complexidade de alguns
Ainda mais raras são as ocasiões em que ção? Sintonize um canal infantil. assuntos com apresentar slides escorreitos.
esta ferramenta é bem usada. Na maioria 4. Gráficos e ou quadros complexos – o Já cometi algum dos pecados acima mais
vezes do que gostaria de admitir.
A frase “Tudo deve ser o mais simples
possível, nunca mais simples do que isso”,
A frase “Tudo deve ser o mais simples possível, atribuída a Einstein, ilustra bem qual de-
nunca mais simples do que isso”, atribuída a veria ser o objetivo de uma apresentação
gráfica. Isso é facilitado por uma consta-
Einstein, ilustra bem qual deveria ser o objetivo tação: quanto custa um slide adicional?
de uma apresentação gráfica Zero. Não custa nada. É grátis e fácil de
acrescentar. Porquê elaborar slides muito
preenchidos se pode dividir a mensagem
em partes mais simples e entendíveis?
das vezes parece fazer parte do arsenal nosso cérebro não consegue ouvir, ler e Quando se trata de apresentações, a re-
que os oradores usam para torturar a as- interpretar informação complicada ao ceita para passar do lado negro para o
sistência, sejam colegas de trabalho, des- mesmo tempo. lado luminoso da Força tem poucos ele-
conhecidos, ou até mesmo clientes. 5. Títulos longos – duas palavras deverão mentos, mas poderosos: mensagens tele-
Estará a usar o lado negro desta ferra- bastar. gráficas de fácil leitura, fundos uniformes,
menta tão potente se cometer alguns (ou 6. Demasiados elementos gráficos – imagens de qualidade, contraste elevado,
todos!) os 7 Pecados Capitais do Power- além da mensagem, acrescentar logos, transições sem animação.
point: número do slide, data, copyright,… É de- Jedi das apresentações, seja bem-vin-
1. Demasiado texto – se a ideia é a au- masiado. do!

EMPREENDEDORISMO SOCIAL
A prespetiva do turismo comunitário
O turismo tem vindo gradualmente a assumir-se como uma importante força motriz
da economia dos países, estimulando o aparecimento de novos modelos de negócio
associados à atividade turística.
Esta obra tem por objeto uma associação que promove atividades de turismo comunitá-
rio. Trata-se de um trabalho que tem em vista analisar a viabilidade de se empreender no
setor do turismo, tendo como premissa o Plano Estratégico Nacional do Turismo 2020.
Inclui um detalhado plano de negócio de turismo comunitário.
Uma obra de interesse para profissionais, alunos e professores que visa dar a conhecer e
compreender o Empreendedorismo Social.

Autores Ana João Reis e Orlando Lima Rua Págs. 128 PVP € 11.90

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29 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

GREEN HUMAN RESOURCES MANAGEMENT

Um importante contributo para reforçar


a sustentabilidade das empresas
MAria de Jesus Fonseca
Consultora em GRH e
Comportamento Organizacional

G
reen Human Resources Manage-
ment (GHRM) refere-se ao uso
de práticas de Gestão de Recur-
sos Humanos (RH) para reforçar as práti-
cas ambientais sustentáveis e aumentar o
compromisso dos colaboradores para com
os objetivos de um crescimento sustentá-
vel. Trata-se de adotar iniciativas que ge-
rem maior eficiência, melhor desempenho
ambiental e redução da pegada ecológica como Recursos Humanos, considerados na adoção e manutenção de práticas de
da empresa. como um fator-chave na concretização dos preservação do ambiente, alinhadas com
Como resultado da crescente preocupação objetivos, estratégia e políticas da organi- os três pilares do crescimento sustentável:
com a importância das questões ambien- zação. ambiental, social e financeiro.
tais e do desenvolvimento sustentável, as O GHRM enfatiza a importância das ativi- A noção de GHRM está relacionada com a
empresas têm vindo a colocar maior foco dades verdes dos colaboradores no local função RH como o principal motor da orga-
organizacional no seu impacto ambiental, de trabalho e visa ajudar as organizações nização para assumir as iniciativas verdes e
incorporando práticas mais sustentáveis a melhorar o desempenho ambiental atra- estimular o comportamento ambiental-
em vários departamentos, designadamen- vés do aumento do envolvimento e do mente sustentável dos colaboradores, sen-
te o Marketing, Produção, Financeiro, bem compromisso positivo dos colaboradores do igualmente um guia claro para ajudar os
Gestores de RH na aplicação e desenvol-
vimento de Práticas Verdes nos processos
Processo Boas Práticas críticos da Gestão de Recursos Humanos.
• Incluir nas mensagens de recrutamento critérios de Vale a pena realçar que estudos recentes
Recrutamento comportamento e compromisso ambiental ilustram a “fertilização cruzada” entre a
e Seleção verde • Selecionar os candidatos que revelam consciência Gestão Ambiental e a Gestão de RH, no-
ambiental meadamente no que concerne à imple-
• Ter em conta as questões ambientais aquando do mentação de um Sistema de Gestão Am-
Formação biental através das Normas ISO 14001.
Diagnóstico de Necessidades de Formação
e Desenvolvimento O que significa, então, GHRM? De que fala-
• Disponibilizar online todos os materiais de formação
verde
para reduzir o custo do papel mos, exatamente? O quadro seguinte suge-
re algumas linhas de orientação sobre esta
Gestão e Avaliação • Incorporar objetivos e metas de Gestão Ambiental com temática, que poderão servir de guia para
de Desempenho verde o Sistema de Avaliação de Desempenho da empresa empresários e Gestores de RH interessados
em maximizar o elemento humano da ges-
Sistema Remuneração • Oferecer recompensas não monetárias e monetárias tão ambiental e fornece uma base para a
e Recompensas verde com base na realização das metas ambientais conceção de sistemas GHRM sustentáveis:
Empowerment • Organizar workshops e fóruns para melhorar a as Boas Práticas Verdes compreendem
e participação verde consciência e o comportamento ambientais o desenvolvimento de varias dimensões
como o conhecimento verde, as compe-
• Garantir o suporte da Gestão de Topo
tências verdes, as capacidades verdes, as
• Incluir nas declarações de Visão e Missão
Gestão da Cultura atitudes verdes, o comportamento verde e
organizacionais a preocupação ambiental
Organizacional verde a consciência verde e estão direta e positi-
• Exemplos de Boas Práticas Verdes associadas aos
Processos Críticos da GRH vamente relacionadas com um melhor de-
sempenho ambiental das organizações.

30 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

Sabe quais são as


profissões do futuro?
A
té 2030, 75% a 85% das profis- disciplinas. Assim, devem submeter-se a e veículos sem motorista: engenheiros
sões que serão mais procuradas um método educacional que enfatize o especializados capazes de projetar veí-
ainda não existem uso de material tecnológico. Além disso, culos de nanotubo de carbono leve ou
De acordo com o Fórum Económico Mun- o trabalho em equipa será incentivado e modelos básicos de transporte, como bi-
dial, até 2030, muitas das competências intensificado. cicletas sem pedais, assim como criadores
que os funcionários trazem para as em- As seis novas profissões: de experiência para viajantes. O mundo
presas, hoje, terão mudado. De facto, vá- • Especialistas em clima e meio ambien- dos transportes passará por uma grande
rios estudos revelam que, até 2030, entre te: devemos cuidar dos recursos naturais. transformação.
75% e 85% das profissões mais procuradas
ainda não existam hoje. A Adecco fez a sua
análise e divulgou alguns dos que são os
possíveis empregos do futuro e alguns
conselhos de como se manter competiti-
vo.
O trabalho, tal como o conhecemos hoje,
sofrerá uma grande mudança em menos
de uma década. Se for uma pessoa ativa
profissionalmente, deve ser proativo em
relação à reciclagem dos seus conheci-
mentos e começar a trabalhar para o seu
futuro. Caso esteja ainda a estudar, anali-

O trabalho, tal como o conhecemos hoje, sofrerá uma


grande mudança em menos de uma década. Se for
uma pessoa ativa profissionalmente, deve ser proativo
em relação à reciclagem dos seus conhecimentos e
começar a trabalhar para o seu futuro

se a área em que se quer especializar para Não há planeta B. Novos negócios serão • Intérpretes de Big Data: existem atual-
ajustar-se ao máximo às profissões do fu- projetados, tais como controladores da mente mais de 5,5 milhões de máquinas
turo. pegada de carbono, agricultores verticais interconectadas. Até 2030, espera-se que
Competências necessárias para as profis- de culturas hidropónicas, forças de segu- existam mais de 50 milhões. Controlar tudo
sões do futuro: rança contra ecodelinquentes ... isso exigirá especialistas multidisciplinares
A análise do Big Data, da Internet das Coi- • Piloto e controlador aéreo de drones: com capacidade de trabalhar em equipa e
sas, da Realidade Virtual, da Realidade Au- atualmente usamos drones para tarefas com conhecimento na análise de Big Data.
mentada, da Inteligência Artificial e a ca- de pesquisa e manutenção, estamos a dar • Especialistas em criptomoedas: dos
pacidade de resolver problemas comple- os primeiros passos no uso comercial com aspetos legais à segurança através de in-
xos exigirá mão de obra qualificada com tarefas de distribuição e transporte... o vestidores ou credores. O mundo das crip-
formação especializada e uma base muito que abre uma ampla gama de possibilida- tomoedas irá assumir uma elevada impor-
prática. Aqueles que optam por carreiras des para uso futuro. tância no futuro próximo.
STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e • Especialistas em Impressão 3D: A ges- Haverá uma grande variedade na oferta
Matemática) terão sucesso. Ou seja, bus- tão de impressoras 3D não será exclusiva de emprego no futuro. No entanto, não
cam-se perfis que integrem conhecimento do mundo da construção e arquitetura ou precisará es-
científico, tecnológico, matemático e de indústria. Os avanços na medicina bene- perar algu-
engenharia. ficiarão da ajuda de profissionais de im- mas décadas
As salas de aula devem começar a pre- pressão 3D. para começar
parar alunos para combinar essas quatro • Especialistas em tráfego automatizado a evoluir.

31 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

Gratitude & Acknowledgement: Powerful Ways


to Shift Perspective & Build Satisfying Workplaces
Elisabeth Kingsley
Professional coach certified with the tention Report, since 2010 costs associa- It’s those increments of change that are
International Coach Federation ted with voluntary employee turnover due the building blocks of success and there’s
to toxic workplaces (where appreciation is no better way to keep someone motivated
not the norm!) have nearly doubled from (and learning about themselves!) then to
$331 billion to $617 billion. People leave acknowledge those little changes that are
when they aren’t appreciated and it’s ex- amounting to a big win.

I
f it’s true that we teach (or in this case pensive. 3. Be tailored in your delivery - Make it
write) what we are learning than I have Additionally, only 39% of Millennials have meaningful! How do we know what’s
been on a year-long journey of learning a boss that recognizes their accomplish- meaningful? I suggest ASK! When was the
about Gratitude --- specifically I’ve been ments. That’s more than 60% who aren’t last time you asked someone what makes
learning that gratitude is always available getting what they want. them feel most appreciated at work?
and that in any given moment or circums- Across all generations of employees un- Some people want you to buy them a co-
tance we can choose it. When we choose derperformance is rampant due to lack of ffee, others want to be praised in front of
it, our perspectives shift and new possibi- acknowledgement. the team and others prefer acknowledge-
lities open. With the holiday season upon us it’s a fit- ment in a small group or 1:1 setting. What
That said, I’m not always the most graceful ting time to pause and be grateful. It’s also better way to start off on the right foot by
chooser of gratitude. For some reason, at appropriate to shine some light and share asking your people what would be mea-
least in my experience, it seems that some some tips for giving meaningful and affec- ningful and useful to them? In an of itself,
of the most powerful things are concep- tive appreciation. These examples are it’s a way of acknowledging them and
tually simple and in practice a bit more focused on the workplace, but make no saying you care.
complex or more accurately, require ex- mistake these can also be applied with the Acknowledgement is about seeing peo-
tra doses of our intention and attention. people you love and who gather around ple. To really see people, you are going to
Of course, they are also usually worth our your table. I encourage you as you read have to put some extra effort into noticing
efforts! through these to think of a time, place them. You’ll especially want to pay atten-
As a sister of Gratitude, Acknowledgement and person with whom you could try each tion to what they may not be seeing in
is simple in concept, powerful to change of these out with this week. Let’s not just themselves as they take steps towards the
perspective, and completely worth the ex- know this stuff, let’s BE it. bigger goal. Those small steps are where
tra effort. It’s also a choice that is within Tips for thoughtful, effective, impactful the real change happens and they are also
our power to make every day towards our- appreciation: your opportunity to create learning and
selves and others. 1. Be Specific - This is where we go beyond motivation and build a culture of acknow-
There are countless applications in our “Hey, great job this week” to “Hey, I’ve ledgement. “Acknowledgement Cultures”
work and life to show gratitude and ack- noticed your resourcefulness and persis- are places where morale is high, people
nowledgement. Here, we’ll focus on our tence this week with that tough client. It’s are satisfied with their jobs and loyal to
workplaces as they are one of the places great to see you managing it with such in- their bosses and organizations.
that stand to benefit the most from an in- tegrity. Integrity in our relationships is key We all want acknowledgement for our
jection of meaningful acknowledgement. to our team and company success.” Bonus work and to be appreciated for it – It helps
Regular, consistent practice of acknowled- points when you can link a specific beha- us learn about ourselves, connect our ac-
gement combined with some attention to- vior to a company value. In this example tions to what’s working and keeps us in-
wards how to give it genuinely will benefit integrity is a company value. trinsically motivated to contribute in new
those we lead, manage and generally care 2. Be Consistent - Catch people in the act ways that benefit us, our team and the
about it. Beyond that, acts of acknowled- of doing something great and tell them workplace.
gement and appreciation are contagious that it’s great! Give acknowledgment re- Here’s to choosing gratitude and acknow-
and teams and organizations that cultiva- gularly not just at an annual review. This ledgement and putting some extra atten-
te them will inevitably be filled with more means you’re going to have to pay close tion towards how we are doing it so that
courageous, innovative and fulfilled tea- attention to what people are doing well on we build teamwork, belonging, retention
ms. That is, happier, motivated employees a daily and weekly basis. How great does it and generate new perspective and possi-
that want to stick around and continue feel when you know your daily and weekly bilities!
bringing their brilliance to work --- some- efforts are being seen?
Elisabeth works with teams and leaders to expand self-
thing our workplaces and the people that Part of being consistent is acknowledging awareness, navigate transition, and become more effective
fill them are seriously craving right now. incremental changes. As a coaching pro- leaders and managers. She helps clients find inspiring ways
forward in “stuck” situations and live + lead with purpose.
fessional, I know that change doesn’t ha- She lives in Porto and is originally from Seattle, WA. You can
According to the Work Institute’s 2019 Re- ppen all at once but rather step by step. read more about her at: www.elisabethkingsley.com

32 | START&GO | dezembro 2019


RECURSOS HUMANOS

Quatro dicas essenciais para transformar


– digitalizar e agilizar – os RH para 2020

Teresa Ribeiro
Marketing & Customer Relations as áreas de melhoria com potencial para de transformação nas empresas. Trans-
manager bwd
incrementar a produtividade e a eficiên- parência e comunicação dos benefí-
cia dentro da organização. Assim, este cios diretos para os colaboradores são
é o passo número um da sua jornada de os fatores-chave que permitem levar a
transformação de RH. bom porto a mudança pretendida. Tra-
balhar em qualidade, e não quantida-

2
Mário Couto
Board advisor & Technology . A tecnologia tem um papel rele- de, será um objetivo comum a todos os
Manager bwd vante na chamada workplace trans- "stakeholders" envolvidos e apenas al-
formation mas sem a execução de cançável se todos trabalharem em con-
um eficiente levantamento de requisitos e junto para o concretizar.
redesenho de processos, pedras basilares

4
na transformação de RH, o potencial da . Com 70% dos profissionais a tra-

A
transformação digital pode ser a utilização de ferramentas de automatiza- balharem remotamente pelo me-
"buzz word" da moda, mas é um ção de processos e fluxos ou de gestão do- nos uma vez por semana e 53% em
desafio que, em grande parte das cumental e arquivo digital, entre outras, pelo menos metade da semana (forbes,
empresas, acaba preterido em relação a não será alcançado na sua totalidade. 2019), é cada vez mais urgente munir as
outros. Como consequência, tanto gesto- organizações de soluções que promovam

3
res como as suas equipas são expostos, . No processo de implementação a comunicação e a colaboração, tornando
dia após dia, à ineficiência dos processos e de uma mudança, as organiza- as organizações operativamente eficientes
sistemas (muitas vezes ultrapassados) que ções, direta ou indiretamente, e ágeis, não apenas no longo prazo, mas
utilizam e a ambicionada flexibilidade no solicitam aos seus colaboradores que no seu dia-a-dia. São exemplos a digita-
trabalho sempre no horizonte, mas nunca enfrentem ciclos que geram maior ou lização e mobilidade associadas a aplica-
uma realidade. menor incerteza e frustração no modo ções móveis com serviços da empresa,
como executam as suas tarefas diárias. que permitam a marcação de férias e sub-

1
. Uma verdadeira transformação de- Não é por isso de supreender que al- missão de despesas dos colaboradores e
preende a avaliação de todos os sis- guma resistência à mudança seja sen- que beneficiarão em larga escala as orga-
temas de negócio para determinar tida de cada vez que se inicia um ciclo nizações como um todo.

33 | START&GO | dezembro 2019


FORMADORES

DANIELA AREAL

FORMAÇÃO Licenciada em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade


Católica Portuguesa e pós-graduada pela UNED (Valência, Espanha).
Em 2010, torna-se professora certificada em High Performance
pelo DeROSE Method. Desde 2010, em regime personalizado ou
em formações empresariais, dedica-se integralmente a ensinar
empresários, empreendedores e profissionais liberais a alcançarem o
> LIDERANDO A MUDANÇA EM PME’S máximo potencial nas várias áreas das suas vidas e a construírem a
melhor versão de si mesmos.
CICLO DE WORKSHOPS
Hoje, para sobreviver no mercado global fortemente competitivo, as
empresas e os seus líderes necessitam de se actualizar constantemente.

FERNANDO BELÉM
TEMAS

23 de janeiro: Blue print para uma organização mais eficiente. Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade
do Porto, em 2005. Revisor Oficial de Contas inscrito na Ordem dos
Revisores Oficiais de Contas e Contabilista Certificado, inscrito na
20 de fevereiro: Melhorar a rentabilidade da sua empresa pela gestão de Custos
Ordem dos Contabilistas Certificados. Participou em diversos cursos
de formação, seminários, colóquios, etc., destacando-se, entre
19 de março: Produtividade e Gestão das Emoções – Que relação? outros, os seguintes: “PDE” (Programa de Direção de Empresas pela
AESE Business School),  “Programa Future Leaders” (pelo BCSD –
21 de maio: Gestão e Retenção de Talento em PME’s – é Possível? Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável). Desde
outubro de 2016 encontra-se a desempenhar funções de Chefe de
Divisão Aprovisionamento e Contabilidade da Lipor. Consultor de
18 de junho: Digitalização – o que fazer na sua empresa? empresas nas áreas da contabilidade e fiscalidade.

24 de setembro: Como potenciar o seu negócio on line?

19 de novembro: Otimizar o seu negócio pela Fiscalidade.

MANUELA RIBEIRO
PORQUÊ FREQUENTAR ESTES WORKSHOPS?
Num contexto descontraído, de partilha e networking os participantes Economista, licenciada pela Faculdade de Economia da Universidade
tomarão contato com os temas mais recentes temas da gestão, identificando do Porto. Criadora da Metodologia THE CHOICE – Service awareness
– A melhoria da qualidade de serviço a partir da mudança de
área especificas a melhorar, nas suas empresas, tendo por base um relatório consciência de cada elemento da organização. Consultora e
formadora junto de associações setoriais e de agentes económicos
de diagnóstico elaborado*. de vários setores de atividade, nas áreas de internacionalização,
organização de processos e qualidade de serviço.

A QUEM SE DESTINA?
Empresários, Gestores e quadros intermédios de pequenas e médias
empresas que pretendam fazer crescer o seu negócio e as suas equipas.
DANIELA MOREIRA

Licenciada em Economia, MBA em Finanças Empresariais, Mestre


OUTRAS INFORMAÇÕES em Gestão de Serviços e com Formação internacional nas áreas de
Duração: 21 horas | Horário: Qui: 9:30/12:30 | Local – Porto Inicio: jan. 2020 | Fim: dez. 2020 Liderança e Gestão, Comunicação e Relacionamentos interpessoais.
É desde 2016 Managing Director de uma empresa de consultoria e
Investimento ciclo de Workshops (7 workshops) – 150€* | Investimento por Workshop – 25€* formação, tendo iniciado sua atividade profissional em 2001, como
Nota: Inclui relatório de diagnóstico para algumas temáticas. Poderá haver temáticas às quais consultora de gestão numa outra empresa. Entre 2008 e 2016 foi
não se aplica a realização de diagnóstico. Executive Director da Dale Carnegie Training Portugal. Escreve
regularmente para revistas de gestão e recursos humanos.

Condições de realização:
(1) O curso realizar-se-á com a inscrição mínima de 9 formandos; 
(2) As datas poderão sofrer alterações.
*acresce iva a 23%
PEDRO AMENDOEIRA

Dedica-se a ajudar as organizações a serem mais rentáveis, tendo


implementado com  sucesso mais de 200 projectos em grandes e
médias empresas. Antes de se juntar à equipa da Expense Reduction
Analysts, Pedro Amendoeira acumulou  experiência em cargos
APRENDIZAGEM CULTURA directivos nas áreas financeira e comercial  na  AMC Entertainment,
FORMAL E NÃO DE INOVAÇÃO Parfois, Vicaima e Grupo Catarino. É licenciado em Gestão pela
FORMAL É ENSINADO Faculdade de Economia do Porto e tem um Master em Finanças pela
FORMAÇÃO O QUE É Universidade Complutense de Madrid.
INDIVIDUALIZADA COMPETÊNCIAS PRATICADO
PERSONALIZADA REAIS DE E É PRATICADO
SECTORIAL TRABALHO O QUE É
ENSINADO

RUI RAPOSO

CONTACTOS: Com 34 anos de atividade na área financeira, tendo passado pela


T. +351 919 759 761 · Porto - Portugal administração de várias empresas, possui um conhecimento
detalhado do tecido empresarial português e das suas características
geral@startandgo.pt · monicamonteiro@startandgo.pt
organizacionais. Comprovada experiência na avaliação estratégica e
www.startandgo.pt acompanhamento de projetos de investimento.
FINANCIAMENTO

Portugal Ventures apresenta cinco


novos investimentos no setor mais
dinâmico da economia nacional
trabalho em conjunto com o Turismo de
Portugal reflete-se agora com o cresci-
• Call Fostering Innovation mento do nosso portefólio, com startups
in Tourism (FIT) resulta e projetos que vão ajudar a impulsionar
no investimento em 3 o setor. As empresas que resultam do
novas startups finalistas programa FIT representam também uma
dos programas de aposta nossa em colmatar a falta de in-
aceleração do Turismo vestimento nesta fase dos projetos, o que
de Portugal. empresas do portefólio de turismo da nos dá a oportunidade de contribuir para
Portugal Ventures. posicionar Portugal como um polo de re-
• 2 startups e um milhão
Sendo o Turismo o setor mais dinâmico ferência na inovação, no empreendedo-
de euros de investimento
da economia nacional, a Portugal Ventu- rismo e na produção de bens e serviços
que resultam da iniciativa
res, alinhada com o seu parceiro e acio- para a indústria do turismo. A Portugal
Call Tourism com
nista Turismo de Portugal, reforça desta Ventures ambiciona mais investimentos
candidaturas abertas até
forma a aposta no setor com a criação no setor do Turismo para estimular a ino-
31 de dezembro.
de mais oportunidades para melhorar as vação, o empreendedorismo e a interna-
• Em 2019 a Portugal condições e experiências dos turistas que cionalização das empresas, com vista à
Ventures já investiu 11,8 visitam o nosso país. dinamização do investimento.”
milhões de euros em 21
startups.

A
Portugal Ventures, em parceria
com o Turismo de Portugal e o
Nest – Centro de inovação do Tu-
rismo, lançou em junho a Call Fostering
Innovation in Tourism, com o objetivo de
responder a uma falha de mercado, para
financiar projetos de turismo em fase
pré-seed que, pelas suas características
e um grau de risco mais elevado, enfren-
tam maiores dificuldades no acesso ao
financiamento. Nesta iniciativa participa-
ram os projetos finalistas dos programas
de aceleração do Turismo de Portugal
Fostering Innovation in Tourism, conclui-
dos nos anos de 2017 e 2018.
Resultado da Call FIT, a Portugal Ventures
investiu nos projetos Bag4Days, Classihy
e Sailside. Em 2020 iremos lançar a 2ª Estes investimentos refletem igualmente A Portugal Ventures tem atualmente qua-
edição desta call, à qual se podem can- a preocupação em colmatar uma falha de tro Calls abertas para projetos inovadores,
didatar os projetos finalistas dos progra- mercado no apoio aos projetos finalistas de base científica e tecnológica, nas áreas
mas de aceleração do Turismo de Portu- dos programas de aceleração, sendo uma da economia do mar, economia circular e
gal 2019/2020. mais-valia para o setor. energia e tecnologia aplicada à agricultu-
Da Call Tourism resultam os novos inves- Para Pedro de Mello Breyner, Executive ra, que têm como objetivo colmatar uma
timentos na Try Portugal e na X-Plora Board Member da Portugal Ventures, falha de mercado e alavancar soluções
aumentando assim para 20 o número de responsável pela área do Turismo, “O para problemas ambientais e sociais. E

35 | START&GO | dezembro 2019


FINANCIAMENTO

ainda na área do turismo que pretende Melo, a Classihy reinventa os atuais siste- Breve descrição das novas startups
dinamizar o setor mais dinâmico da eco- mas de avaliação de desempenho, crian- no âmbito da Call Tourism
nomia nacional. A data limite para a sub- do uma comunidade e uma ferramenta
missão de candidaturas a estas Calls vai de performance inteligente e revolucio- A Try Portugal, liderada por Catherine
ser prolongada até 31 de dezembro. nária, em tempo real, valiosa para todos. de Freitas e com sede no Fundão, é uma
A Sailside é um marketplace para aluguer plataforma e operador turístico que
Breve descrição das novas startups promove programas e experiências per-
no âmbito da Call Fostering Innovation sonalizadas de turismo ativo, cultural e
in Tourism A Portugal Ventures desportivo, explorando o património
ambiciona mais natural e cultural do nosso país. Com
A Bag4days, liderada por Rúben Marques, o principal enfoque no interior do país,
é uma empresa pioneira em Portugal no
investimentos no apresenta aos operadores turísticos in-
aluguer de malas de viagem, permitindo ao setor do Turismo ternacionais programas temáticos, op-
viajante alugar de forma simples, rápida e para estimular ções de alojamento e eventos diferen-
eficaz, malas de alta qualidade a um preço a inovação, o ciadores.
justo. Entregam e recolhem a mala em qual- empreendedorismo e A X-Plora é uma app que guia os utiliza-
quer morada europeia indicada pelo cliente. a internacionalização dores através de museus, estádios, caste-
Incentivam a prática sustentável de recur- los ou mesmo cidades de uma forma in-
sos através da partilha de bens duráveis,
das empresas teractiva e imersiva, através de conteúdo
contribuindo para a sustentabilidade do contextualizado: realidade aumentada e
meio ambiente. virtual, vídeos 360°, som binaural, entre
A Classihy é uma plataforma que permi- de barcos em marinas que está a revolu- outros. Liderada por Mafalda Ricca, a
te aos gestores das unidades hoteleiras/ cionar a relação das pessoas com o mun- startup visa enriquecer a experiência dos
restauração gerir os seus funcionários de do náutico. Liderada por João Vilas-Boas, visitantes, oferecendo aquilo que pode
acordo com as valências necessárias para conta com presença em Portugal, Espa- ser descrito como "a evolução do audio-
as várias funções. Liderada por Ariane de nha, Brasil e Emirados Árabes Unidos. guia".

CÁLCULO FINANCEIRO
Esta obra tem por objectivo apresentar a lógica do raciocínio matemático
na análise das operações financeiras de curto, médio ou longo prazo.
As diversas matérias abordadas no livro são tratadas com a adequada
profundidade teórica exigida à leccionação destas matérias no ensino su-
perior, sem no entanto descuidar a vertente prática, tendo em atenção a
sua utilização por um público menos exigente no desenvolvimento dos
aspectos teóricos da matéria.
Trata-se de uma obra didáctica que cobre as matérias fundamentais da
disciplina de Cálculo Financeiro, o que a torna útil para a aprendizagem
ou aprofundamento de conhecimentos dos responsáveis pela gestão fi-
nanceira das organizações.

Autores Joao Verissimo Lisboa, Mario Gomes Augusto


Páginas 400 PVP € 24

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encomendas@vidaeconomica.pt 223 399 400

36 | START&GO | dezembro 2019


O QUE APRENDI NAS MINHAS VIAGENS

Índia: o medo de perder


Vítor Briga
Formador de Criatividade
e Comunicação
www.vitorbriga.eu

A
Índia foi uma das viagens mais
significativas da minha vida. Ain-
da é difícil para mim sintetizar em
palavras todo o impacto que a energia in-
crível deste país teve nos meus sentidos.
Na verdade, a viagem não começou muito
bem. Cheguei a Nova Deli ao final da tarde,
depois de uma longa viagem, e cansado.
Deixei as bagagens no hotel e saí para pro-
curar um lugar para jantar. Estava alojado
junto a uma das praças mais antigas, onde
havia um mercado com lojas e arcadas a
toda a volta e onde somos invadidos pela
imprevisibilidade e barulhos do trânsito,
pelas vozes das pessoas que serpenteiam
as ruas com a pressa do fim do dia, pelos
cheiros, nem sempre agradáveis, da pró-
pria cidade e dos muitos sem-abrigo que
dormiam ou descansavam debaixo destas
arcadas. Apesar de gostar deste turbilhão
sensorial, como estava muito cansado, de-
cidi afastar-me desta zona e procurar um
lugar mais calmo.
No fim do jantar, quando voltava para o
hotel, já de noite, dei por mim numa es- Verifiquei que a única coisa que me tira- tendo em conta aquilo que podemos per-
trada sem iluminação, que teria mesmo ram foi o mapa da cidade, que estava no der do que aquilo que podemos ganhar. O
de atravessar para chegar à praça princi- bolso de trás das calças, mas este episó- foco apenas no que temos a perder é um
pal. Foi nesta estrada isolada e escura que dio deixou-me a pensar sobre as razões dos grandes obstáculos a uma tomada de
fui abordado por um grupo de crianças e desta sensação de medo. O meu erro foi decisão esclarecida, e pior do que tudo,
adolescentes que começaram por me pe- ter saído com algo que podia perder. Se pode paralisar a ação, bloqueando a nossa
dir dinheiro, mas que rapidamente come- apenas tivesse comigo o dinheiro para o realização pessoal e profissional.
çaram a ter uma abordagem mais hostil, jantar e tivesse deixado tudo o resto no Aldous Huxley escreveu que "o medo não
tentando cercar-me e tirar o que conse- cofre do hotel, a história desta noite teria só expulsa o amor; mas também a inteli-
guissem dos meus bolsos. Estavam reuni- sido muito diferente. Aqueles jovens não gência, a bondade, e todo o pensamento
das todas as condições para se instalar em me queriam atacar fisicamente, "só" que- de beleza e verdade, e fica apenas o mudo
mim uma emoção de medo: o cansaço, riam algo. Se eu não tivesse nada comigo, desespero; e no final, o medo chega a ex-
que nos tira a clareza de raciocínio, estar provavelmente estaria mais relaxado, pois pulsar do homem a própria humanidade".
num país muito diferente, a escuridão não tinha nada a perder. A partir desse Verifico muitas vezes, nas empresas onde
cerrada, a invasão do meu espaço pes- acontecimento, em todas as viagens em dou formação, que os comportamentos
soal ao sentir várias mãos a tocar-me e, que saio sozinho, ou para lugares desco- mais agressivos nas equipas têm na sua
para piorar, saber que tinha comigo, além nhecidos, tento levar-me só a mim, e não base os medos pessoais dos seus elemen-
do dinheiro para a viagem, o passaporte, os pertences, para que possa usufruir da tos.
aquilo que nunca se deve perder nestas experiência sem medos. O medo de não ser aceite, o medo de não
situações... Com o coração acelerado, dei Tenho verificado que, à medida que vamos ser amado, o medo de não ser suficiente,
por mim a correr para alcançar o primeiro ficando mais velhos, tendemos a tomar as o medo de perder o emprego, o medo de
ponto de luz que via ao fundo. nossas decisões (ou a não tomar) mais ser roubado, o medo de não ser respei-

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O QUE APRENDI NAS MINHAS VIAGENS

tado, o medo de envelhecer, o medo de guir os padrões convencionais que fazem cadeiras, com o nariz vermelho posto,
não ser igual, o medo do que é diferente, parte do "guião" e que evita a esponta- interagindo com as pessoas com quem
o medo, o medo.... neidade pessoal, com medo do ridículo me ia cruzando. Por exemplo, nas esta-
É óbvio que precisamos do medo, pois e de falhar. E por "modo clown", o nos- ções de comboio, colocava de repente o
é esta emoção que nos dá a prudência so lado aberto de estar nas coisas, que nariz e via as pessoas a aproximarem-se e
necessária para não cometermos alguns arrisca, que tem uma curiosidade sem a rirem comigo. Foi particularmente sur-
erros graves ou fazermos coisas impen- limites, um otimismo e prazer entusias- preendente ver as crianças pedintes que,
sadas que podem ter consequências dra- mantes na ação. Aquele que brinca, que quando viam a minha transformação com
máticas. No entanto, como sugere a au- tem coragem de seguir os seus próprios a mais pequena máscara do teatro, rapi-
tora Pilar Jericó no seu livro "Medo Zero", pensamentos e intuições, mesmo quan- damente passavam de uma cara triste
temos de distinguir entre o medo equili- do são distintos dos da maioria, e de os para uma cara de surpresa e risonha. Ti-
brado (que é positivo para os nossos inte- partilhar mobilizando positivamente as rei fotografias em "modo clown” com os
resses, protege-nos contra o perigo e tem emoções dos outros. Ou seja, o nosso locais em diversos lugares públicos, pra-
uma duração pontual) do medo tóxico "modo clown" opera numa lógica de do- ças e monumentos e, de repente, dei por
(que é destrutivo para os nossos interes- mínio e vai para o desconhecido a pensar mim conectado com amor e humanida-
ses, não contribui para a nossa evolução, no que é que pode ganhar, enquanto que de. Na primeira noite estava-me a faltar
esvazia o nosso talento e se prolonga o nosso "modo clone" opera numa lógica essa liberdade.
no tempo). Para o tornar equilibrado, é de medo, pois vai para o desconhecido a A partir daqui tive uma das viagens mais
importante ter presente que, se o medo pensar no que é que pode perder. maravilhosas da minha vida, porque a
nasce da ameaça de perdermos aquilo Voltando a Nova Deli, na manhã seguin- energia que estava a dar, voltava para
que temos, a dita ameaça depende da te, acordei cedo para iniciar um périplo mim em dobro, porque se medo atrai
segurança e da confiança que temos em que me iria levar ao Rajastão, Agra, Vara- medo, bondade e alegria tendem a atrair
nós mesmos. nasi e Goa. Estava uma manhã chuvosa, o melhor dos outros.
No meu livro "De Clone a Clown - a arte mas bonita. Ia num táxi e vi pela janela, Em qual dos modos, "clone" ou "clown",
de ter (e vender) ideias criativas" refiro perto do local onde tinha estado na noite está a viajar na sua vida? O seu medo é
que no nosso dia-a-dia podemos optar anterior, um grupo de crianças a dançar equilibrado ou tóxico? E na sua empresa,
por hábitos que mobilizem o nosso modo à chuva. Estavam luminosos e felizes no é o medo que lidera? O que pode fazer
de agir "clone" ou por hábitos que mo- seu "modo clown", com uma alegria que para não se deixar contagiar? Importa
bilizem o nosso modo de agir "clown". raramente senti ou vi nas nossas cidades. lembrar que podemos parar uma espiral
Ao fazer este jogo de palavras, entendo Depois do medo da noite anterior, sen- de medo a qualquer momento, começan-
por "modo clone" o nosso lado fecha- ti falta de também eu me conectar com do por aceitar que muitos dos medos são
do. Aquele que está conformado e que, esse meu lado. mais produto do pensamento e da inse-
quando confrontado com um desafio, Por acaso, levava comigo um nariz ver- gurança pessoal do que da realidade.
tende a optar pelas soluções mais tradi- melho e, a partir desse dia, em todos Uma última pergunta: o que faria agora
cionais e seguras. É o lado que prefere se- os locais por onde passei promovi brin- se não tivesse medo?

VIAGENS SEM JULGAMENTOS


Este livro reúne um conjunto de 31 crónicas com o relato de detalhes e episódios
reais vividos pelo autor em viagens por si efetuadas nos cinco continentes.
Apesar das referências a diferentes geografias, as personagens principais são as
pessoas com que o autor se cruzou e procurou observar sem quaisquer julgamentos.

“Era inevitável que, em algum tempo da sua vida, o Rafael publicasse um livro. Mas
tinha de ser um livro como este. Um livro em que consegue conciliar precisamente
as 3 coisas que mais o encantam na vida: as viagens, a literatura e as pessoas.”
Mariana Campos Pereira, in prefácio

Autor Rafael Campos Pereira Págs. 160 PVP € 11.90

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38 | START&GO | dezembro 2019


FORA DA CAIXA

Deepfakenews
Rui Pedro Oliveira
Gestor genuidade, outras com carácter político ou viciados em tirar o smartphone do bolso as
rpo@imaginew.pt judicial. São estas mesmas que nos chegam tais 200 vezes por dia.
cada vez mais e monitorizadas ao “target” A informação e a contrainformação não é
certo. Ao nosso smartphone, claro está, a um registo dos nossos dias. A História está
nós próprios. repleta disso. O nosso país começou com “O
Se antigamente o “diz que disse” chegava, Conquistador” a bater na mãe, mas histo-

O
smartphone é possivelmente o principalmente a quem facilmente empre- riadores referem que afinal Teresa de Leão,
objeto mais viciante já produzi- nha de ouvidos, hoje já não é suficiente. esposa de Henrique de Borgonha, provavel-
do. 4,000,000,000 (números para Se recorrer a uma aplicação chamada Dee- mente não seria a mãe do nosso primeiro
evitar questões se é o bi português ou o bi pFaceLab, com vários tutoriais na internet, Rei, aliás passados mais de 900 anos da
americano) de pessoas que têm pelo menos pode facilmente com uma fotografia sua e morte de D. Afonso Henriques a vida dele
um e por mais de 200 vezes o tiram do bolso de outra pessoa qualquer fazer um vídeo continua cheia de mitos e mistérios por es-
por dia. seu, com as expressões e o tom de voz da clarecer. Há quem lecione em Espanha que
Nenhum fumador fuma mais que 200 cigar- pessoa que por quem se quer passar, pode a batalha de Aljubarrota não foi ganha por
ros, ou algum alcoólico bebe mais que 200 ser um amigo ou uma celebridade. Um ví- nós, mas esta é a História que aprendemos
cervejas por dia. Se o faz, desde que escrevi
estas linhas até ser editado, provavelmente
já não o lerá.
É através deste indispensável aparelho que
falamos com as pessoas à distância, mas
diria que “o falar com alguém” pelo smar-
tphone não deve estar no top 10 do uso que
damos ao mesmo.
Recebemos, em média, 64 notificações de
aplicações por dia. Sejam elas noticiosas,
sejam elas de apps que está provado provo-
carem emoções negativas após 10 a 30 mi-
nutos diários, umas que controlam o nosso
descanso, outras ajudam a atingir o auge em
meditação, há para tudo. Já poderemos em
breve usar uma app (em desenvolvimento
Eterni.me) para falar com mortos que dei-
xam uma série de histórias contadas, e po-
demos perguntar por exemplo. “- Avô, diz- deo claramente manipulado e que funciona na escola desde pequenos e que há poucos
-me como foi a primeira vez que foste ao em “open source” gratuito e que só com al- registos da veracidade de quem tem a ra-
futebol?” Sem ter essa gravação é fácil fazer gum conhecimento da matéria se consegue zão do seu lado. Se aparecer um vídeo na
o algoritmo para tal, envie por texto ou por detetar ser falso. internet com o próprio D. Afonso Henriques
voz para a app que alguém sintetizará a voz Imagine agora plataformas profissionais, a dizer que realmente bateu na mãe e deu
do seu avô até o utilizador achar estar pró- agências de comunicação de alto alcance, origem ao Condado Portucalense, duvide e
ximo do que era real, e usar a app sempre governos e outros que têm acesso a todo o não partilhe, apesar de parecer muito culto
que sinta saudades da voz do seu saudoso topo dessa tecnologia, o que podem fazer na “sua sociedade”, perdoe-me a expressão,
familiar. na perfeição para descredibilizar alguém em caro leitor, se passou por isto, mentecapto.
Julgo termos aqui o tónico para entrarmos poucos segundos. Já Abraham Lincoln, 15º Presidente dos
no tema propriamente dito. As “deepfake- Se antigamente dizíamos “ver para crer”, EUA, publicou há anos: “Não acredite em
news”. claramente lembre-se que o que lê pouco tudo que lê ou vê na Internet ou nas redes
Antigamente alguém colocava a rolar um importa, o que ouvia sempre pouco impor- sociais”. Talvez por ser tão visionário, foi as-
boato numa rede social, e facilmente mui- tou (se não fosse o próprio), hoje pense que sassinado em Washington a 15 de Abril de
tos acreditavam. Em quantos anos diferen- mesmo quando ouve a voz e a conhece, e vê 1865.
tes faleceu o Grande Vasco Granja, entre um vídeo e reconhece a pessoa em causa, Touché, President Lincoln.
muitas outras chamadas “fakenews” ali- pense sempre se será a própria ou não.
mentadas por mentiras que se tornaram vi- Estas são algumas das situações em que as PS: Original photo credits: When a compu-
rais, com variados intuitos, geralmente para notícias, independentemente da fonte, vêm ter puts Nicolas Cage’s face on Elon Musk’s
denegrir alguém, muitas vezes por pura in- ter connosco e nos leva a ser uns autênticos head. Siwei Lyu CCBY-ND.

39 | START&GO | dezembro 2019


TI

Como o Data Science ajuda as empresas


a tomar decisões mais inteligentes?

O
grande volume de dados hoje benefícios à sua empresa, uma vez que
gerado cria dificuldades às or- transforma as formas tradicionais de re-
ganizações que necessitam de solver os desafios e cria novas soluções Até 2020, mais
entender e potenciar a grande quantida- poderosas, aumentando a eficiência do de 40% das tarefas
de de dados gerada. Seguramente que negócio com decisões sólidas baseadas de Data Science
já recebeu no seu e-mail a oferta de um em conhecimento real e exato com recur- serão executadas
produto alinhado com o seu perfil ou a so à matemática e à tecnologia para a ex- por máquinas e essa
divulgação de um produto ou serviço que ploração dos dados e análises preditivas.
vai de encontro a uma pesquisa que fez Com a ajuda do Machine Learning, um
já é uma realidade
na internet. Nada disto seria possível sem método de análise de dados que auto- nos dias de hoje
o Data Science, uma ciência que possibili- matiza o desenvolvimento de modelos
ta que as empresas conheçam melhor os
seus clientes e potenciais clientes, dando
assim uma resposta comercial mais eficaz.

Data Science, uma


ciência que possibilita
que as empresas
conheçam melhor
os seus clientes e
potenciais clientes,
dando assim uma
resposta comercial
mais eficaz

O Data Science permite recorrer a algorit-


mos complexos e análises que organizam
os dados, estabelecem padrões, e fazem
previsões de forma a auxiliar os gesto-
res nas tomadas de decisão com maior
precisão. A tecnologia possibilita extrair
conhecimento dos dados, de forma a en-
tender os seus clientes, produtos e pro- analíticos, é possível automatizar a trans- menos e a melhor maneira de reduzir o
cessos. Além disso, através da estatística, formação de dados em informação. Como tempo é através da automação.
pode obter hipóteses concretas, anteci- sabemos, a quantidade de dados é cada As informações obtidas permitem auxiliá-
pando assim cenários futuros. vez mais e as oportunidades geradas com -lo a otimizar muitas áreas do seu negó-
Sendo uma profissão com um crescimen- recurso aos insights obtidos também. cio, personalizar as campanhas de marke-
to exponencial, o Data Scientist é o pro- Segundo a Gartner, até 2020, mais de ting, e direcionar o futuro com base em
fissional responsável pela extração de 40% das tarefas de Data Science serão decisões mais inteligentes e eficazes.
dados e o fornecimento de insights que executadas por máquinas e essa já é uma Hoje, as empresas não podem ignorar as
trarão inteligência para o negócio e dará realidade nos dias de hoje. A tecnologia enormes vantagens obtidas com recurso
aos decisores um conjunto de ferramen- permite hoje automatizar qualquer parte ao Data Science num mercado que se
tas estratégicas, que possibilitam prever do processo em que os seres humanos torna a cada
acontecimentos, identificar novas opor- estão envolvidos, desde a preparação dos dia mais rápi-
tunidades de negócio e antever riscos. dados até à entrega. As organizações per- do e competi-
O Data Science pode trazer inúmeros cebem que precisam de fazer mais com tivo.

40 | START&GO | dezembro 2019


TI

Cinco formas sobre como o controlo


de acessos melhora
a segurança das empresas
N
a realidade nacional, onde a es- formação até artigos expostos com maior tro das suas instalações, 24 horas por dia,
magadora maioria do tecido em- procura, passando por aqueles pequenos 7 dias por semana, 365 dias por ano. Os
presarial português é composto objetos que podem ser facilmente guar- colaboradores regulares acedem normal-
por pequenas e médias empresas, grande dados no bolso à passagem sem ninguém mente às instalações durante o seu ho-
parte das organizações encaixa no perfil reparar, nomeadamente dinheiro ou bens. rário de trabalho usando uma forma de
de vulnerabilidade associado aos tipos de acesso não tradicional (sem chave, por
ameaças mais comuns, nomeadamente 2. Reduz as oportunidades de fraude ou exemplo), sendo possível restringir o aces-
perdas causadas por roubos e incidentes roubo interno por colaboradores. A falta so fora de expediente. Por outro lado, se
e até altercações físicas de caráter inter- de supervisão e o trabalho isolado são fa- uma empresa funcionar em regime de 24
no no local de trabalho. Além disso, estão tores que contribuem para a fraude ocu- horas permite também aumentar a segu-
sempre presentes os riscos externos asso- pacional e o roubo por parte de colabo- rança adicionando uma camada extra de
ciados a possíveis ameaças cometidas por radores, que infelizmente não são casos proteção aos colaboradores que fizerem o
ladrões e até criminosos. Caso não exista pontuais. O controlo de acessos ajuda a turno da tarde.
uma política ou estratégia de segurança reduzir essas oportunidades, oferecendo
implementada, os riscos gerais de uma supervisão extra que garante a monito- 5. Permite a aplicação na hora de medi-
empresa de pequena e média dimensão rização dos colaboradores e duas suas das de segurança de emergência. Numa
aumentam drasticamente. atividades dentro da empresa. Além de situação de emergência, uma solução de
Tudo isto pode ser minimizado e devida- permitir controlar o acesso a áreas-chave controlo de acessos permite aplicar um
mente gerido com o auxílio de um sistema da empresa, também permite seguir a controlo administrativo com o objetivo de
de controlo de acessos. Trata-se, aliás, de movimentação das pessoas no seu inte- acionar medidas de segurança à medida
uma das formas mais simples e económi- rior ao longo do dia. E caso se verifique a da urgência da situação – e isto implica um
cas que as empresas têm à sua disposição existência de alguém insatisfeito, permite âmbito tão abrangente que pode ir desde
para aumentarem os níveis de segurança alterar ou restringir facilmente os respeti- impedir todo o acesso dentro ou fora de
geral, quer se trate de uma superfície co- vos níveis de acesso. um edifício através da recusa em sistema
mercial de uma pequena loja ou até de um do acesso por IDs, ou tão simples como re-
escritório. 3. Diminui o risco geral de alguém entrar gular o acesso administrativo a uma área
Um sistema de controlo de acessos é uma no espaço da empresa sem autorização. específica. Aliás, muitos dos sistemas de
forma de garantir maior tranquilidade e Infelizmente, existe muita gente alta- controlo de acessos podem ser persona-
continuidade dos negócios, dando às em- mente motivada para cometer roubos, e lizados a ponto de garantirem a quantida-
presas a tranquilidade de que precisam cada vez mais profissional na forma como de de controlo desejada, sendo que isso
para fazerem o seu negócio crescer sem o tenta fazer. Mas, na verdade, a maio- passa por requerem o mínimo de trabalho
sobressaltos, permitindo também uma ria das pessoas que cometem estes atos possível da parte de quem a gere ou usa.
redução imediata nos riscos de segurança. apenas procuram a oportunidade certa
Eis cinco dicas para usar o controlo de que envolva pouco risco e elevada recom- “A área do controlo de acessos é algo a
acessos como forma de melhorar a segu- pensa –como por exemplo alguém entrar que a Gateway tem procurado dar repos-
rança das empresas. num escritório e roubar objetos de valor ta através de soluções integradas e esca-
das mesas dos funcionários, ou conseguir láveis, baseadas em tecnologia cada vez
1. Impede o acesso de pessoas não auto- entrar no armazém e apropriar-se de mer- mais recente, capaz e segura, mas tam-
rizadas a determinadas áreas. Um siste- cadorias e artigos preciosos. A implemen- bém mais acessível e de fácil utilização.
ma de controlo de acessos permite natu- tação de um sistema de controlo de aces- É o caso do controlo de acessos por car-
ralmente não só definir o nível de acesso sos reduz a oportunidade desse chamado tões mãos livres e até cartões inteligentes,
de cada um dos colaboradores dentro de roubo de ocasião, ajudando a reduzir o de todos os tipos de biometria avançada
um determinado espaço físico como tam- risco de furto na sua globalidade. como impressão digital ou leitura da íris,
bém restringir o acesso de pessoal estra- ou até de soluções mais tradicionais as-
nho ao serviço. Isto significa menos pes- 4. Permite controlar os pontos de en- sociadas à segurança física, como os tor-
soas conhecidas ou desconhecidas a cir- trada e saída num determinado espaço. niquetes, speed gates ou as barreiras”,
cular pelas áreas da empresa, reduzindo o Um sistema de controlo de acessos ajuda afirma Ricardo Mestre,
risco de roubo ou vandalismo. Isto é parti- a monitorizar quem entra e quem sai da Diretor de Marketing da
cularmente eficaz para proteger desde in- empresa ou em determinadas áreas den- Gateway Portugal.

41 | START&GO | dezembro 2019


TI

Scrum desde as trincheiras


Ilídio Faria
Agile Project Manager, PMP®, ACP® pa a todo o momento sabe o que cada um ou a gestão de topo a irem de encontro
dos elementos está a fazer. A inspeção é às expectativas de cada membro da equi-
um momento onde o próprio ou alguém pa.
externo dá feedback sobre aquilo em que Nas motivações intrínsecas, temos moti-
está a trabalhar, e por último a adaptação vadores como formação, progressão na
é a capacidade de alterar rapidamente o carreira e desafios profissionais aliciantes.

S
crum é fácil de entender, mas difícil rumo do seu comportamento ou do pro- Embora o ScrumMaster possa influenciar
de implementar e manter. duto/serviço/resultado. Se todos os ele- positivamente os RH nos dois primeiros, já
A framework mais famosa da fi- mentos da equipa não partilharem estes na seleção do trabalho a realizar por cada
losofia Agile é o Scrum! Com 3 papéis, 5 valores, o trabalho do ScrumMaster está elemento, o máximo que poderá fazer é
eventos e 2 artefactos, é possível em um condenado ao fracasso! colocar desafios cada vez maiores, espe-
par de horas ter o conhecimento do fun- Vamos assumir que lideramos a equipa rando que constantemente cada elemen-
cionamento da mesma. A implementação perfeita, completamente alinhada com to da equipa evolua.
desde que feita de forma faseada e sem- os pilares de Scrum e os valores e princí- Por último, nas motivações transcenden-
pre com o envolvimento de toda a equipa, pios Agile, mesmo assim o ScrumMaster tes, aqui o ScrumMaster é um dos princi-
também é possível de ser feita em algu- tem capacidade de manter constante- pais responsáveis por criar um bom espí-
mas poucas semanas ou meses. mente a equipa motivada? A resposta rito de equipa, colocando assim todos os
No entanto, à medida que a equipa vai deveria ser sim, mas, na realidade, ou elementos a trabalhar por um valor ou
crescendo ou havendo alguma rotativi- o ScrumMaster é um alto dirigente den- causa superior. A título de exemplo, como
dade de elementos na mesma, é quando tro da empresa onde trabalha, ou terá é possível durante a existência humana,
mais é exigido ao ScrumMaster, para além sempre vários impedimentos difíceis de tantos e tantos homens terem ido para a
das suas funções naturais de facilitador, remover. guerra motivados? Ou como e que todos
desbloqueador, protetor e treinador, ele As pessoas são motivadas por três tipos os dias temos tantas pessoas a fazerem
deve também ser um motivador. de motivações: extrínsecas, intrínsecas e voluntariado?
Mas para o ScrumMaster poder trabalhar transcendentes. As motivações extrínse- Resumindo, um bom ScrumMaster, sem
com as motivações da equipa, existe ne- cas estão diretamente ligadas a retribui- uma equipa alinhada com os valores e
cessidade de que todos os elementos da ções, tais como salário, prémios e outras princípios de Agile, ou trabalhando para
mesma respirem os três pilares base de regalias. São poucas as empresas onde o uma empresa ágil no papel e burocrática
Scrum: transparência, inspeção e adapta- ScrumMaster terá possibilidade de alte- na prática terá sempre a sua vida dificul-
ção. Por transparência, leia-se que a equi- rar algo, ou até mesmo influenciar os RH tada.

Registe-se e acompanhe as
novidades, lançamentos,
campanhas e outras iniciativas.

Publicações especializadas Edições técnicas Formação e eventos

42 | START&GO | dezembro 2019


DICAS

A sua empresa é feliz? Stress a mais?


Trabalho a mais e família a menos?

E
star feliz no trabalho tem sérias
consequências para a sua empre-
sa. Isto porque as pessoas mais
felizes são, também, mais produtivas. Mas
como é que isso se faz? Construa bons "A felicidade acontece
sentimentos no trabalho, isso ajudará as quando aquilo que tu pensas,
pessoas a serem melhores naquilo que aquilo que tu dizes e
fazem em conjunto. Procure ser criativo aquilo que fazes estão em
para que o trabalho seja divertido! Não harmonia."
esqueça, as pessoas que conseguem ob-
Mahatma Gandhi
ter uma valorização genuína do trabalho
que fazem e um bom nível de satisfação
pessoal, o trabalho, em si mesmo, acaba
por representar uma recompensa.
Permita que cada um seja capaz de di-
zer o que pensa. Reforce a necessidade mais as pessoas gostam de trabalhar em ligados a empresas felizes. Preste atenção
e liberdade para cada um ser ele mesmo empresas que estão focadas no bem co- ao ambiente que rodeia as pessoas, use
na empresa. Treine a capacidade para se mum, para além do tradicional interesse novas pinturas, faça decoração, integre
construir relações de trabalho positivas nos números. Invista na sensibilidade da elementos que sejam valorizados e úteis,
e saudáveis. Isso alimenta a colaboração sua empresa para o lado pessoal e fami- puxe pela alegria das condições físicas que
e bem-estar coletivo. Oriente a sua em- liar. Ritmos de trabalho que destroem o envolvem o local de trabalho de todos. No
presa para o negócio ‘social’. Cada vez espaço da vida pessoal não podem estar fim? Faça favor de ser feliz. Isso contagia!

Aprender numa equipa


com alto rendimento
Aprender = Performance
Aprender + muito + rápido
= Alto rendimento

Q
uem está focado em aprender
não procura somente resulta-
"A mudança é o
dos melhores e mais rápidos do
resultado final de
que a concorrência. Procura, também,
uma
aprender mais e mais depressa. Tem um
verdadeira
duplo objetivo, executa enquanto apren-
aprendizagem."
de. Isto é, percorre um caminho onde se Leo Buscaglia
liga a melhoria contínua com o alto rendi-
mento. Num ambiente de equipa isso re-
quer uma liderança que estimula compe-
tências interpessoais, porque aprender As grandes performances nascem da em resultados, mas olhando para a ca-
exige colaborar, ajustar e melhorar num capacidade de tentarmos, falharmos e pacidade de transformar erros em lições
clima que transforma contributos indi- tentarmos melhor novamente. Isso exige que suportem a performance futura. É
viduais em ganhos para a equipa. Assim que uma equipa crie conforto no diálogo usual dizermos que é necessário apren-
como complementar perfis opostos, por entre os seus elementos sobre os suces- der com o que fazemos. Mas uma equipa
exemplo – os experimentais e os analis- sos e os erros. Implica que a medição da de alto rendimento tem de treinar a for-
tas. performance não seja feita só com base ma como aprende antes de fazer.

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PRODUTIVIDADE E BEM-ESTAR

Quer disparar a sua produtividade?


Daniela Areal mante. Quando treina a mente para pres- no Facebook, está a colocar-se num esta-
High Performance Expert
Life Mentor tar atenção a tudo menos ao que está a do reativo, em vez de num estado de ação,
CEO DeRose Douro Foz acontecer realmente neste instante, per- de criação. Dessa forma, está a treinar o
www.DeRoseDouroFoz.pt
de totalmente a noção do que o presen- seu cérebro não para ser criativo e produ-
te tem para lhe oferecer, da realidade e tivo, mas para ser passivo e para respon-
passa a viver num hipotético futuro que der à agenda dos demais, em vez de criar
pode nunca acontecer. Assim, não será de a sua própria agenda.

G
ostaria de realizar muito mais e estranhar que, quando tem uma reunião Já lhe aconteceu começar o dia com uma
manter simultaneamente uma ou participa de algum evento, não consi- mensagem com más notícias que lhe es-
excelente qualidade de vida? ga focar-se, porque esteve a treinar o seu tragaram todo o seu dia? Alguma vez leu
Se respondeu afirmativamente a estas cérebro para se entediar com o presente e um e-mail ao acordar que o deixou ime-
questões, então vai gostar deste artigo! dispersar na ilusão do futuro. diatamente estressado e ficou nesse esta-
Quando desejamos ir mais além e obter do emocional horas a fio?
resultados que nunca obtivemos antes, a 2 - Está a programar-se para ser reativo e O problema, quando está no modo reati-
primeira coisa que temos de compreender não ativo! vo, é que não consegue ter qualidade de
é que, necessariamente, temos que fazer Quando a primeira coisa que faz é ler e- vida e viver a sua melhor versão; quando
coisas que nunca fizemos. Os hábitos e ro-
tinas que tem conduziram-no até ao seu
nível atual de produtividade e realização;
mas o que o trouxe até este ponto não é
o que o vai levar até ao ponto lá à frente,
ao nível de produtividade e realização que
pensou quando lhe coloquei as questões
iniciais.
Faz sentido? Então prepare-se, pois vou
desafiá-lo neste artigo!
Observe as suas rotinas diárias e veja
como as pode otimizar! As suas rotinas
matinais vão determinar a qualidade dos
seus dias; as suas rotinas noturnas, a qua-
lidade do seu sono, da sua recuperação do
desgaste diário e o seu nível de retenção
e aprendizagem das experiências vividas!
está em modo de resposta às necessida-
Qual é a primeira coisa que faz ao acor- des de todos os demais, simplesmente
dar?
Quando a primeira não consegue ter o poder sobre a criação
Se respondeu “pegar no telemóvel”, saiba coisa que faz é ler da sua vida, sobre aquilo que quer cons-
que isso está a programar o seu cérebro e-mails, sms ou ouvir truir e realizar… E isso é um preço dema-
para duas coisas que são perigosas e que o seu voicemail, siado alto a pagar… Concorda?
vão reduzir drasticamente o seu desempe- quando mergulha A produtividade está intimamente relacio-
nho: de imediato no nada com a capacidade de estarmos abso-
lutamente presentes naquilo que nos pro-
1 - Está a treinar o seu cérebro para ficar
Instagram ou no pomos fazer e de eliminar as dispersões
disperso Facebook, está a (ou pelo menos reduzir drasticamente).
Estudos indicam que, em média, as pes- colocar-se num É preciso criar as condições para estar no
soas abrem as redes sociais 150 vezes ao estado reativo, em seu máximo e isso envolve:
dia! Se começa o seu dia dessa forma, sai- vez de num estado • o ambiente à sua volta - evitando inter-
ba que a primeira coisa que está a fazer no de ação, de criação rupções (definindo, por exemplo, horas
seu dia é treinar a sua mente a procurar para ler os e-mails, momentos específicos
o próximo comentário, a próxima story, a do seu dia em que recebe a equipa ou rea-
próxima partilha, ou seja, a deixar de fi- liza reuniões, ir para lugares mais calmos
car presente e a buscar incansavelmente -mails, sms ou ouvir o seu voicemail, quan- quando precisa de 100% de foco, entre
um futuro supostamente mais entusias- do mergulha de imediato no Instagram ou outros); e preparando os recursos neces-

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PRODUTIVIDADE E BEM-ESTAR

sários para a execução das tarefas progra-


madas.
• o ambiente que cria dentro de si - so- Estudos mostram que demora entre 21 e 66 dias
bretudo, ter a mente limpa, ter muita vita- a criar um novo hábito e, para sentir os seus
lidade e gerar o nível de entusiasmo certo efeitos, precisa de treiná--los diariamente; mas
que lhe permita não procrastinar (normal-
mente relacionado com ter bem claro o
posso dizer-lhe que, passados os 4 dias iniciais
motivo para fazer o que está a fazer). em que precisará de muita força de vontade, a
partir do 5º dia, sentirá os seus efeitos
Então o que fazer?
Deixar de mergulhar no telemóvel na pri-
meira hora da manhã é a conclusão óbvia
dos pontos acima. Mas pode ir mais além, mesmas que utilizo e ensino aos meus alu- e 66 dias a criar um novo hábito e, para
para tornar o seu cérebro mais presente, nos. Fique atento! sentir os seus efeitos, precisa de treiná-
mais ativo, mais produtivo. Um dos segre- Por agora, e para que possa fazer disparar -los diariamente; mas posso dizer-lhe que,
dos dos TOP Performers é construir po- desde já a sua produtividade, deixo-lhe passados os 4 dias iniciais em que precisa-
derosas rotinas matinais e noturnas que uma dica bem simples mas que irá au- rá de muita força de vontade, a partir do
chamem para si o poder da primeira e da mentar substancialmente a sua vitalida- 5º dia, sentirá os seus efeitos e já colherá
última hora do dia. Estas horas devem ser de, o seu foco , a sua resiliência , a sua excelentes resultados… Preparado?
sobre si e não sobre os outros e devem ser realização , a sua capacidade de gestão de Aqui vai: inicie todos os seus dias com um
usadas para construir e potenciar as suas stress, o seu estado de atenção e alerta! banho frio!
capacidades físicas, emocionais, mentais e E tudo isto em menos de 5 minutos por Pode começar com um banho morno e no
cerebrais! dia… Interessado? final colocar a água no frio durante 30 se-
Dedique a sua primeira hora a trabalhar Preciso agora que tenha mente aberta, e gundos.
sobre os seus sonhos e projetos, a ler e que se comprometa a testar em si antes Gradualmente, aumente para 1 minuto e
a aprender criando novas sinapses e es- de rejeitar. depois vá aumentando até chegar a 5 mi-
timulando o seu cérebro com novidade Posso dizer-lhe que não é por acaso que nutos!
constante, e cuide do seu corpo que é o Top Performers de diferentes áreas como Aceita o desafio? Eu sei que é apenas para
seu veículo de ação, é o que lhe permite Cristiano Ronaldo, Tim Kendall, Tim Ferris, vencedores, para quem realmente quer
realizar! Tony Robbins, Aubrey Marcus, entre mui- construir uma vida incrível de alta per-
Em próximas edições partilharei consigo tos outros, são fervorosos adeptos deste formance! Mas, se é leitor desta revista e
rotinas poderosas para otimizar o seu cor- hábito que vou partilhar consigo. se leu este artigo até ao fim, acredito que
po e cérebro para o alto desempenho, as Estudos mostram que demora entre 21 será um deles!

Se a vida te dá limões, faz limonada!

LEMON – Uma viagem para a felicidade faz uma abordagem fresca e profunda sobre
o desenvolvimento pessoal e a felicidade individual, num contexto de mudança
tecnológica e global. Através de exemplos, dinâmicas, histórias pessoais e ciência, o
leitor é desafiado a refletir se vencer ou fracassar depende mais da sua atitude interna
ou de fatores externos.
Enquanto seres humanos nascemos para sermos felizes. O que pode então levar, tantos
de nós a seguir mais o software cultural do que o líder interior? Ter sucesso é uma
consequência, ser feliz é uma decisão.
As respostas aparecem quando colocamos as perguntas certas: como posso alcançar
a felicidade e o equilíbrio? Estará o nosso cérebro preparado para os desafios atuais?
Existe algum método que nos permita alcançar uma felicidade sustentável?

Autor Sérgio Almeida Páginas 160 PVP normal € 13.90

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PRODUTIVIDADE E BEM-ESTAR

Como manter hábitos com consistência


6 ideias importantes
Adriana Gonçalves
Digital Strategist depende de ti, da tua motivação e daquilo Com papel e caneta na mão, escreve os há-
que tu pensas diariamente! bitos que mais gostarias de implementar na
tua rotina agora e com todos os detalhes
1. Escolhe um hábito de cada possíveis responde às seguintes questões:
vez • Qual é o motivo que te leva a querer im-
Emagrecer, ter uma alimentação mais sau- plementar este hábito?


Não consigo manter os meus hábitos, dável, ler mais, acordar mais cedo e a lista • O quanto este hábito vai impactar a tua
até dou início às coisas mas não con- continua. Quantas vezes já prometeste cum- vida?
sigo manter. Começo a ler um livro, prir estas metas com a chegada de um novo • Qual é o teu nível de comprometimento
mas não termino. Começo a ir ao ginásio, ano? Pois, é provável que sejas repetente. com o hábito?
mas não dou continuidade. Defino que que- Sempre que começa um novo ano, fazemos De 1 a 10, enumera a importância que cada
ro acordar mais cedo, mas nunca consigo. estas listas de desejos, que na realidade aca- um desses hábitos tem para ti.
Quero estudar mais, mas desisto a meio.” bam por não passar disso: apenas desejos. E Os hábitos com a pontuação mais elevada
Identificas-te com este cenário? porquê? Porque vivemos cada vez mais na são aqueles com que te deves comprometer
Nem sempre conseguimos ver o nosso pro- era do imediatismo. primeiro.
gresso nas atividades que fazemos todos os
dias, mas é assim que ele acontece: diaria-
mente. É com consistência, é com repeti-
ção.

“A repetição é a mãe de todos


os dons.” – Tony Robbins
Muitas pessoas começam a realizar mudan-
ças nas suas rotinas mas desistem em deter-
minado momento, seja por dificuldade na
adaptação ou por preguiça. Afinal de contas,
ir ao ginásio todos os dias e não ver nenhu-
ma diferença é desmotivador.
Quem não gostaria de viver a aproveitar
todo o seu potencial diariamente? Mas
o nosso progresso precisa de tempo e de
adaptação.
Se queres mesmo mudar, criar e manter
um hábito, é necessário que faças uma pro-
funda auto-reflexão, porque a maioria das Não somos pacientes, queremos resultados Porque, quanto mais motivado estás, mais
coisas que fazemos e queremos mudar já rápidos e tudo para agora. Até damos início resultados práticos vais obter.
estão intrínsecas no nosso ser. em Janeiro, mas em Fevereiro a força já não
Ou seja, é importante compreender quais é a mesma e em Março desistimos. E afinal 2. Descobre a tua motivação
são os gatilhos que te fazem entrar na ro- o que nos falta? Foco. Ninguém começa a perseguir os seus objeti-
tina e qual é, na realidade, a recompensa Artigo relacionado: Como definir prioridades vos com a ideia de que quer desistir. Quan-
que queres obter disso. quando tudo parece ser uma prioridade? do dás início a algo novo, parece sempre
Quebrar ciclos e sair da nossa zona de con- É mais eficiente fazer um pouco todos os incrível. Sentes uma onda de energia que
forto é uma tarefa difícil, especialmente dias do que muito uma vez por mês. Come- molda a tua visão.
para o nosso cérebro que deseja poupar ça lentamente, passo a passo, e acelera o Mas, à medida que os dias passam, o desa-
energia. Quebrar barreiras/crenças, como processo de transformação conforme gan- fio torna-se mais difícil e o esforço diminui
o medo e a insegurança, pode ser doloroso has mais confiança em ti. A lógica é antiga por várias razões (ou desculpas) – novas res-
mas é possível. mas o resultado é incrível. ponsabilidades, falta de tempo, é difícil... E
Separei para ti 6 ideias importantes que me todas estas dificuldades resumem-se a uma
ajudam diariamente a criar e a manter os “Aquele que persegue dois coisa: aversão ao desconforto.
meus hábitos e que eu acredito que te vão coelhos não apanha nenhum.” – Então é importante responder à pergunta
ajudar também. Mas não te esqueças: tudo Confúcio primordial: Qual é o motivo que te compro-

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PRODUTIVIDADE E BEM-ESTAR

go prazo no que toca à realização de obje-


tivos.
Artigo relacionado: 7 hábitos diários que
vão mudar a tua vida

6. Arranja alternativas
para os imprevistos e prepara
um plano B
Às vezes a razão pela qual as pessoas não
conseguem manter hábitos com consistên-
cia é porque não se preparam para possí-
veis falhas. Mas é importante lembrar que
somos humanos e, como tal, falhamos e
erramos.
Para manter um hábito de forma consisten-
mete com este hábito? Porque é importan- que te dão essa visão, mas se és fã do pa- te, também é importante pensar nas alter-
te para ti? pel, nada melhor do que desenhar um Ha- nativas aos imprevistos.
Aponta a resposta num caderno, sê espe- bit Tracker num caderno e todas as vezes Imagina que o teu hábito é ler o livro x pelo
cífico e relê várias vezes. Encontra em ti que cumprires um hábito, dás um check. menos 15 minutos por dia, antes de ir dor-
as causas que te fazem realmente querer (sensação boa!) mir. Chegaste tarde a casa, cansado e ainda
conquistar este hábito. Não o faças só por- Reserva algum do teu tempo para fazer uma vais preparar um discurso para uma apre-
que os outros fazem. Faz porque tem valor visualização realista dos obstáculos e con- sentação que tens agendada para amanhã.
para ti. tratempos que surgem no processo de con- O teu corpo e a tua mente pedem descanso.
quista. Isto pode ajudar-te a processar e a Mas tinhas-te comprometido em ler o livro
3. Sê realista e específico manter a consistência. pelo menos 15 minutos por dia e ainda não
Quando já tiveres decidido qual é o hábito conseguiste.
que queres instalar e qual é a tua motivação 5. Cria a tua própria rotina É nestes momentos que deves respeitar-te
para o fazer, divide o processo em pedaços produtiva como ser humano e abraçar a tua humani-
mais pequenos. Para ser consistente, é importante que cries dade. Não te cobres também em demasia-
Se o hábito que queres instalar é ir ao gi- um plano mensal, semanal e/ou diário, do. Nada te impede de acordares 15 mi-
násio mais vezes, começa com a meta de ir onde agendas com detalhe os dias, as horas nutos mais cedo para ler logo pela manhã.
ao ginásio uma vez por semana. Sim, uma e o local a realizar os teus hábitos. Essa é a beleza de um novo dia, de um novo
vez! (Adriana, mas o recomendado é ir pelo Tudo isto porque quando escreves o que amanhecer e de um novo recomeço.
menos três vezes por semana.) Sim, mas tu vais fazer e a que horas o vais fazer, a tua Cria o hábito de valorizar o teu progresso e
estás a começar um novo hábito. Primeiro mente assume estas informações como algo comemora cada conquista, cada pequena
ganha confiança e depois aumenta o nú- prioritário, o que faz com que te tornes mais mudança rumo aos teus objetivos.
mero de vezes. Parece-te bem? rigoroso com o teu tempo e não te deixes Ter uma vida mais saudável, organizada e
Lembra-te: O importante é não desistir e desviar do teu caminho por outras eventua- dentro dos teus próprios termos depen-
quanto mais fácil for de cumprir no início, lidades. de de ti e das tuas escolhas. Qualquer um
maior é a probabilidade de dar continuida- Agendar as tuas atividades vai permitir-te pode escolher ser consistente. Mas poucos
de ao hábito. ter ainda outro ganho. Vai desenvolver o o fazem. Tu podes sempre escolher fazer
que é considerado o mais importante a lon- acontecer.
4. Acompanha e visualiza o teu
progresso
As personalidades mais eficazes, produtivas
e talentosas viveram sempre pelo mesmo
código: pequenos progressos, todos os
dias.
Como não é fácil para o nosso cérebro per-
ceber se estamos a evoluir, é muito impor-
tante que faças diariamente o registo do teu
progresso.
Com um Habit Tracker é possível acompa-
nhar melhor o que tens feito e, com isso,
perceber se há melhorias ou não. Existem
algumas apps como Momentum, Way of
Life (uso e recomendo), Streaks, Habit List

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