Você está na página 1de 33

Um manual para estoicos do século 21

Tradutor : DOJAS nietzschinho (nome de usuário do youtube)


https://www.youtube.com/channel/UCglJ6OnHv3gWWoE1ufaShGQ
AGRADECIMENTOS AO COLEGA Tô no Shape POR DISPONIBILIZAR O LIVRO EM PDF

1
Um manual para estoicos do século 21

Rudyard Kipling – Estoicismo Vitoriano

2
Um manual para estoicos do século 21

UM MANUAL PARA ESTOICOS DO


SÉCULO 21

“Em lições vigorosas e práticas, Pigliucci e Lopez explicam como as lições tiradas de uma antiga filosofia greco-romana podem
remodelar a pessoa ... esta combinação bem-sucedida de conhecimento e itens de ação vai atrair leitores que procuram sugestões
atenciosas para a autorreflexão”
-Editores

“Em uma época que iguala a virtude ao frenesi de indignação e uma explosão sentimentalista de descontrole emocional, um manual
para novos estoicos serve como uma cura de autoajuda inspirada, que com discernimento e simpatia, o empurrará na direção da
felicidade e equanimidade nascidas de força de caráter e sabedoria”
- Rebecca Newberger Goldstein

“Uma abordagem maravilhosamente simples para os principais conceitos e técnicas de estoicismo, um manual para novos estoicos
oferece aos leitores uma maneira fácil de se treinar em práticas estoicas, divididas em exercícios semanais que abrangem um ano
inteiro. Com este livro, Pigliucci e Lopez conseguiram tornar o estoicismo acessível a todos”.
-Donald Robertson

“Uma maneira maravilhosa e potencialmente transformadora de encontrar a sabedoria dos estoicos, um manual para novos estoicos
fornece aos leitores lições estruturadas e exercícios para explorar a filosofia estoica ao lado da vida que eles próprios estão vivendo”
-Professor William B.Irvine

“Neste livro, Pigliucci e Lopez oferecem uma excelente introdução prática à filosofia e prática estoica, ao mesmo tempo que
fornecem ideias valiosas para estudantes de estoicismo de longa data. Bem pesquisado e cuidadosamente estruturado, com exercícios
práticos que complementam textos antigos, um manual para novos estoicos irá guiá-lo passo a passo através da prática estoica ao
longo do ano”.
-Gregory Sadler

3
Um manual para estoicos do século 21

SUMÁRIO
Introdução........................................................................................................................................................................6
Capitulo 1 -Parte 1 - 17 aulas/tarefas para disciplinar os desejos..........................................................................................10
1- Semana - descubra o que realmente está sob seu controle e o que não está............................................................................12
2- Semana 2- concentre-se no que está totalmente sob seu controle.......................................................................................16
3- Semana 3 Adquira uma visão externa ............................................................................................................................20
4- Semana 4- Assuma a perspectiva de outra pessoa...........................................................................................................23
5- Semana 5 Fortaleça-se através de pequenas dificuldades físicas.......................................................................................26
6- Semana 6 Premeditação de adversidades futuras..............................................................................................................29
7-Semana 7.........................................................................................................................
8- Semana 8.........................................................................................................................
9-Semana 9.........................................................................................................................
10-Semana 10......................................................................................................................
11-Semana 11......................................................................................................................
12-Semana 12......................................................................................................................
13-Semana 13......................................................................................................................
14-Semana 14......................................................................................................................
15- Semana 15- lembre-se da impermanência...........................................................................................................................
16- Semana 16- mantenha sua paz de espírito em mente............................................................................................................
17 Semana 17 .....................................................................................................................
Capitulo 2 -Parte 2- 18 aulas/tarefas disciplinando a ação.......................................................................................................
1-Semana 18.....................................................................................................................
2- Semana 19.....................................................................................................................
3- Semana 20.....................................................................................................................
4-Semana 21 .....................................................................................................................
5-Semana 22 .....................................................................................................................
6- Semana 23 .....................................................................................................................
7-Semana 24- premeditar em encontrar pessoas difíceis.....................................................
8- Semana 25 .....................................................................................................................
9-Semana 26 .....................................................................................................................
10 Semana 27 .....................................................................................................................
11- Semana 28 ....................................................................................................................
12- Semana 29- reveja suas ações todas as noites.....................................................................
13-Semana 30....................................................................................................................

4
Um manual para estoicos do século 21

14- Semana 31....................................................................................................................


15- Semana 32....................................................................................................................
16- Semana 33....................................................................................................................
17- Semana 34....................................................................................................................
18- Semana 35....................................................................................................................
Capitulo 3 -Parte 3- 17 aulas/tarefas disciplinando o assentimento...........................................................................................
1-Semana 36- capturar e contrariar as suas impressões iniciais..................................................................................................
2- Semana 37- trabalhe com suas impressões e impulsos com mais detalhes.................................................................................
3- Semana 38.......................................................................................................................
4-Semana 39- mantenha os conceitos básicos estoicos sempre à mão..........................................................................................
5-Semana 40 .....................................................................................................................
6- Semana 41 .....................................................................................................................
7-Semana 42 .....................................................................................................................
8- Semana 43 .....................................................................................................................
9-Semana 44 .....................................................................................................................
10 Semana 45 .....................................................................................................................
11- Semana 46 ....................................................................................................................
12- Semana 47 ....................................................................................................................
13-Semana 48....................................................................................................................
14- Semana 49....................................................................................................................
15- Semana 50....................................................................................................................
16- Semana 51....................................................................................................................
17- Semana 52....................................................................................................................
Epílogo ..............................................................................................................................
Finalização da obra..........................................................................................................

5
Um manual para estoicos do século 21

Introdução

COMEÇANDO
A reunião da faculdade de Lucille, de VINTE E CINCO ANOS, supostamente era para ser divertida. Em
vez disso, tornou-se um exercício de inadequação. Seus colegas de classe Auslander e Claudia ainda estão juntos, desde o primeiro
encontro no segundo colegial, o casamento de Lucille durou menos de cinco anos, levado a problemas financeiros e uma insegurança
em relação aos relacionamentos amorosos que persiste até hoje. O ex-companheiro de quarto de Lucille, manteve seu físico atlético
enquanto a barriga de Lucille só cresceu e o seu cabelo diminui. O curso de negócios de seu colega de quarto o impulsionou para a
diretoria, enquanto Lucille estagnou na gerência intermediária de uma empresa cujos produtos ele nem mesmo compraria. Para onde
quer que olhe, Lucille vê sucesso, mas quando se vê no espelho do banheiro após a hora do coquetel, ele não consegue evitar a se
enxergar como um perdedor, um fracasso. Não admira que eu esteja infeliz, pensa ele. É porque minha vida é ruim. Tudo é horrível.

A melhor aposta para a felicidade


Há muitas coisas que desejamos e eventos que queremos que aconteçam. Queremos perder peso, conseguir
um aumento, sermos amados e bem quistos pelas pessoas ao nosso redor. No entanto, para muitos de nós, incluindo Lucille, esses
desejos nunca se materializarão e nos sentiremos inadequados, frustrados e perdidos. E pode piorar - para todos nós. As Coisas que
especificamente não queremos podem realmente acontecer, variando de trivialidades (ficar preso no trânsito) a eventos mais sérios
(doença e envelhecimento). Conseguir o que não queremos pode ser tão doloroso quanto não conseguir o que queremos, e muitas
vezes por mais doloroso que isso seja, continuamos fazendo as mesmas apostas ruins, apostando nossa felicidade e bem-estar em
coisas fora de nosso controle por meio de uma jogada cósmica de dados.
E se pudéssemos nos treinar para desejar apenas coisas que estão firmemente sob nosso controle? Então,
em um sentido muito real, e se sempre obtivermos o que queremos e nunca o que não queremos. Nossa felicidade nunca irá despencar,
já que a xícara de nossos desejos é realizável segura e constante.
A questão fundamental, então, é: o que está em nosso controle completo? Qual é a aposta certa?

Apostar no caráter: por que apostar no estoicismo?


A falta de confiabilidade na obtenção de certos objetivos - como riqueza, saúde e elogios de outras pessoas
- é um dos muitos problemas mais comuns. Frequentemente, mesmo quando temos sorte e alcançamos esses objetivos, ainda assim
ficamos sem esperança. Se Lucille tivesse ido a sua reunião como um executivo de sucesso com uma família e filhos, ele
provavelmente ainda teria encontrado espaço para reclamar.
Muitos de nós podemos ver isso em nossa própria vida. Comemos uma comida excelente, mesmo sem notar
o sabor. Quando o saboreamos, o prazer desaparece rapidamente no esquecimento. Precisamos mudar de posição para permanecermos
confortáveis em um sofá novo e bonito, que ficará manchado e gasto com o tempo. O status é bom quando o conseguimos, mas muitas
vezes ficamos querendo mais. Compramos um carro novo que amamos no início, mas ganhar dinheiro e fazer a empresa crescer, nos
fez perder o sono. Podemos estar apaixonados romanticamente hoje, mas podemos ficar irritados com os hábitos da amada com o
passar do tempo. Muitas das coisas que buscamos hoje, não nos satisfará amanhã e não irá nos proporcionar uma felicidade duradoura.

6
Um manual para estoicos do século 21

Mesmo que alcancemos os êxitos de nossos desejos transitórios, isso não garante que usaremos bem aquilo
que conquistamos. O que determina seu bom uso é a pessoa abdicar de coisas externas tais como- dinheiro, fama, a presidência do do
Brasil. Aqueles com bom caráter usarão o que têm, não importa quão limitado seja, para o benefício de si próprios e de outros (sua
família, sua vizinhança, sua cidade para o Brasil, para o mundo). Se eles suportarem a guerra, ou se os dados cósmicos rolarem
tragédias para eles, um bom caráter os ajudará a perseverar a sua personalidade e o bem que há dentro deles.
Aqui está o grande insight da antiga filosofia do estoicismo: Moldar sua personalidade é, em última análise,
a única coisa sob seu controle. Portanto, para explorar sua boa sorte e enfrentar a má sorte, é necessário ser uma boa pessoa.
Através de uma combinação de introspecção racional e prática repetida, você pode moldar seu caráter a longo prazo.
Apostar no seu próprio progresso é uma vitória garantida e com o maior retorno para si mesmo. O objetivo
deste livro é ajudá-lo a concretiza-lo.

Conheça os estoicos

O estoicismo é uma filosofia greco-romana que começou por volta de 300 AC (antes de cristo) com o
Zenão de Cítio (Cítio -chipre moderno). Zenão era um comerciante que perdeu todas as suas mercadorias em um naufrágio e chegou
a Atenas com alguns dracmas (moedas, hoje seriam centavos) no bolso.
Ele ouviu o dono de uma livraria lendo um pouco de filosofia em voz alta e ficou intrigado com o assunto,
então perguntou ao dono da livraria onde poderia encontrar um filósofo. O vendedor lhe disse para seguir um homem que por acaso
estava passando, Crates de Tebas (discípulo de Diógenes, o cão). Zenão o seguiu e tornou-se aluno de Crates. Por fim, anos depois
Zenão fundou sua própria escola, que passou a ser conhecida como Stoa, porque seus membros discutiam filosofia sob uma colunata
pública chamada stoa poikile, ou alpendre pintado.

Durante o último século AC (antes de cristo), Atenas declinou (perdeu) o seu poder político e, de capital
da cultura do mundo antigo, e Roma assumiu os dois mantos. Pouco depois, muitos dos filósofos estoicos proeminentes tornaram-se
ativos na capital do Império Romano. Os quatro principais, cujos escritos sobreviveram até hoje, são Sêneca, um senador romano e
conselheiro do imperador Nero; Musonius Rufus, um professor renomado; Epicteto, um escravo transformado em professor que era
aluno de Musonius; e Marco Aurélio, um dos poucos reis-filósofos da história. É de seus escritos que iremos buscar inspiração ao
longo deste livro.
O estoicismo minguou como escola formal de filosofia no século III DC (depois de cristo), mas as idéias
estóicas continuaram a influenciar uma série de pensadores importantes ao longo da história do mundo ocidental, tais como Paulo de
Tarso (apostolo Paulo), Agostinho de Hipona (santo agostinho), Thomas Aquino (são Thomas de Aquino), Descartes, influenciou de
Montaigne a Spinoza. No século XX, o estoicismo inspirou uma família de escolas de psicoterapia eficaz, denominada terapia
cognitivo-comportamental (TCC), começando com o comportamento racional emotivo de Albert Ellis na década de 1950. As ideias

7
Um manual para estoicos do século 21

de Zenão, Sêneca, Epiteto e outros, também inspiraram um movimento vibrante de novo estoicismo nos dias modernos, atraindo
pessoas de todo o mundo, como os leitores deste livro, que querem encontrar uma maneira melhor de viver suas vidas e se tornarem
membros plenos da comunidade humana.

O básico do básico
Embora exploremos a filosofia do estoicismo por meio dos cinquenta e dois exercícios semanais neste livro,
apresentamos aqui uma breve visão geral para nos orientar. Os princípios básicos do estoicismo podem ser destilados em três tópicos
principais:
1-Viver de acordo com a natureza (somos animais sociais/ somos capazes de resolver problemas com base no raciocínio profundo);
2-Prática tri disciplinar (desejo, ação, assentimento);
3- A dicotomia do controle ou corte estoico (devemos concentrar nossa energia e recursos em afetar o que podemos controlar e nos
afastar tanto quanto possível do que não podemos controlar)

Viver de acordo com a natureza


"O que devemos fazer então? Fazer o melhor uso do que está ao nosso alcance e tratar o resto de acordo
com a sua natureza”.
Epictetus, Discurso I, 1.17

Os estoicos pensavam que a melhor maneira de viver a nossa vida, de fazê-la valer apena e dela extrair
sentido, é viver de acordo com a natureza, particularmente de acordo com a natureza humana. Como determinamos o que isso
significa, na prática? Ao estudar três tópicos inter-relacionados: "física", "lógica" e "ética". Cada um desses três termos tinha um
significado muito mais amplo nos tempos antigos do que hoje (daí as aspas assustadoras).
Pela física, os estóicos referiam-se ao estudo de todas as ciências naturais, bem como à metafísica - a
compreensão de como o mundo se encaixa. A lógica incluía o que faz hoje, ou seja, o estudo formal do raciocínio, bem como a
psicologia e até a retórica de forma mais ampla - tudo de que você precisa para pensar e se comunicar bem. A ética não se limitou
a compreender o certo e o errado, como em grande parte se destina hoje, mas foi mais amplamente interpretada como o estudo de
como viver com sentido.
Para decidir a melhor forma de viver (ética), é preciso entender como o mundo funciona (física) e raciocinar
adequadamente sobre isso (lógica). O que nos traz a ideia de viver de acordo com a natureza. O aspecto mais importante da natureza
humana, o pensamento estoico, é duplo: que somos animais sociais (e então somos profundamente interdependentes com outras
pessoas) e que somos capazes de resolver problemas com base no raciocínio. Portanto, viver de acordo com a natureza significa
usar a razão para melhorar a vida social. Ou, como disse Sêneca: "Traga a mente para lidar com seus problemas” (medite
profundamente sobre os problemas para poder resolve-los). Esse aspecto do estoicismo o diferencia de outras formas de autoajuda,
que se concentram mais em fazer você se sentir melhor. O estoicismo aborda isso e vai além, ajudando o praticante do estoicismo e
o mundo ao seu redor a ser melhor.

As três disciplinas
Como, então, vivemos de acordo com a natureza? Os estóicos, e Epicteto em particular, traduzem isso em
viver praticando três disciplinas: desejo, ação e o assentimento.
Este livro está organizado em torno dessas três disciplinas, com exercícios semanais que o ajudarão a
dominar cada uma delas. A disciplina do desejo nos ensina o que é melhor desejar (ou evitar): Quais devem ser nossos objetivos?
Para onde canalizamos nossa energia, tempo e recursos?
A disciplina de ação nos mostra como agir na esfera social. Como devemos nos comportar com os outros?
E a disciplina de assentimento nos ajuda a chegar a julgamentos corretos sobre os obstáculos que a vida nos lança: devemos ficar
com raiva dessa pessoa?

8
Um manual para estoicos do século 21

Nós devemos nos entregar a esse prazer?

A dicotomia do controle (ou corte estoico)


Nota de Dojas: Sem dicotomia do controle, o corte estoico, não há estoicismo.

A dicotomia de controle é o conceito central no estoicismo. Devido à sua importância, é o primeiro exercício
deste livro. O que é isso?
Simplificando, é a ideia de que certas coisas estão sob seu controle, enquanto outras não. Isso pode parecer
óbvio – e, é - mas dessa observação deriva o fundamento de nossa prática: que devemos concentrar nossa energia e recursos em
afetar o que podemos controlar e nos afastar tanto quanto possível do que não podemos.
Como você pode suspeitar, isso é muito mais fácil de dizer do que fazer. Há uma diferença crucial entre
entender algo, o que podemos fazer lendo e refletindo sobre isso, e internalizar essa mesma coisa, o que só pode ser feito com a
prática repetida.
E é exatamente para isso que serve este livro.

Como usar este livro


O livro que você está segurando (física ou virtualmente) foi projetado para que você possa praticar um
exercício estóico moderno, extraído de uma fonte antiga, todas as semanas durante um ano inteiro. Nós o dividimos em cinquenta e
dois capítulos, agrupados em três partes. Para ajudá-lo a acompanhar seu progresso, cada parte inclui um questionário que você
pode preencher antes e depois de terminar a seção, para acompanhar o progresso que você fez nas três disciplinas de treinamento
estóico.
Cada semana começa com uma aula e continua com um exercício prático relacionado à aula. No início de
cada lição, você encontrará um cenário do mundo real, seguido por um texto antigo relevante para o cenário e uma explicação. O
exercício de cada semana é baseado na lição e deve ser praticado ao longo de toda a semana. Também fornecemos uma razão (motivo)
para fazer o exercício e, finalmente, um espaço para refletir sobre sua experiência de cada semana. No início de cada semana,
primeiro leia todo o capítulo para aprender sobre o exercício; em sequência, comece a praticar no dia seguinte. No início da semana
seguinte, tire algum tempo para refletir sobre sua prática durante a semana anterior, fazendo uma revisão semanal antes de passar
para o próximo capítulo para se preparar para a semana que se inicia. Optamos por começar no domingo, mas você pode escolher
qualquer dia que funcione para você. No final do ano, você pode prosseguir para a seção final do livro, onde reunirá seu próprio
conjunto de exercícios estoicos para continuar fazendo-os pelo tempo que desejar. Isso fornecerá a você um currículo estoico
exclusivo e personalizado para uma vida inteira de prática.

A seguir está um diagrama que resume como trabalhar com o livro ao longo de um ano. Para este exemplo,
optamos por iniciar cada capítulo em um domingo.
Começando a lição no domingo de cada semana.

No domingo, leia todas as seções do capítulo correspondente a semana.

Pratique o exercício todos os dias de segunda a sábado.

No domingo seguinte, faça a revisão semanal do exercício que tem praticado e, leia o próximo capítulo.
repetir para todos os exercícios

Pratique o próximo exercício de segunda a sábado.

9
Um manual para estoicos do século 21

Quando o exercício final estiver concluído, vá para a seção final do livro para criar um currículo de prática estoica personalizado
para você.

Percebemos que nem todo mundo está pronto para se comprometer com um esforço de um ano de forma
imediata. Se for esse o seu caso, sugerimos que experimente alguns dos capítulos e exercícios de cada uma das três partes e veja
como é. Se um compromisso mais profundo com o estoicismo lhe intriga, volte ao início e siga a série completa na ordem apresentada.
Aqui estão alguns exercícios que você pode experimentar em cada seção se ainda não estiver pronto para se comprometer com um
ano inteiro.

A disciplina do desejo
Semana 1- descubra o que realmente está sob seu controle e o que não está;
Semana 2- concentre-se no que está sob seu controle;
Semana 15- lembre-se da impermanência;

A disciplina da ação
Semana 16- mantenha sua paz de espírito em mente;
Semana 24- premeditar em encontrar pessoas difíceis;
Semana 29- reveja suas ações todas as noites;

A disciplina de assentimento
Semana 36- capturar e contrariar as suas impressões iniciais;
Semana 37- trabalhe com suas impressões e impulsos com mais detalhes;
Semana 39- mantenha os conceitos básicos estoicos sempre à mão;

Esperançosamente, isso lhe dará uma boa ideia de como colocar este livro em prática. A próxima etapa é
começar imediatamente! Escolha um dia em que gostaria de começar seu ano de prática estoica (pode ser hoje!) E anote-o.
Recomendamos o uso de um diário para os exercícios deste livro, mas você também pode acessar vários recursos, questionários e
tabelas em branco do livro em um PDF para impressão em nossa página da web
theexperimentpublishing.com?isbn=9781615195336.
Folhas para realizar os exercícios estão em:
https://theexperimentpublishing.com/wp-content/uploads/9781615195343_suppl.pdf
Você também pode definir um lembrete ou colocar a data escolhida em seu calendário neste momento.
Quando o dia chegar, prossiga para o próximo capítulo e comece.
Boas Práticas! Esperamos que este livro o oriente em direção a uma vida mais satisfatória para todas as
vidas que você toca.

Capitulo 1 -Parte 1 - 17 aulas/tarefas


para disciplinar os desejos
10
Um manual para estoicos do século 21

Do objetivo
Há três coisas em que um homem deve exercitar para ser sábio e bom. A primeira diz respeito aos desejos
e às aversões, para que o homem não deixe de obter o que deseja e, não realize o que ele não deseja. O
segundo diz respeito aos movimentos (em direção a um objeto) e aos movimentos de um objeto, é
geralmente fazer o que um homem deve fazer, para que ele possa agir de acordo com a ordem, a razão e
não descuidadamente pelo fulgor das emoções que estão atreladas ao engano, ao pré-conceito e a
precipitação no julgamento.
Destes tópicos, o principal e o mais urgente é aquele que se relaciona com os afetos [a disciplina do
desejo]; pois um afeto não é produzido de outra maneira senão por uma falha em obter o que um homem
deseja ou ao decair naquilo que o homem deseja evitar. Isso é o que traz perturbações, desordens, má
sorte, infortúnios, tristezas, lamentações e inveja; o que torna os homens invejosos e ciumentos; e por
essas causas somos incapazes mesmo de ouvir os preceitos da razão "
Epictetus, discurso III, 2.1-3

Questionário
Antes de começar, reserve um momento para se avaliar brevemente nos itens a seguir, que avaliam os
principais objetivos da disciplina do desejo. Depois de concluir todos os exercícios do capitulo 1(semana 1 a 17), você pode responder
a essas perguntas novamente para ver se progrediu.
Avalie o quanto as afirmações a seguir o descrevem como você está atualmente em uma escala de 1 a 10,
com 1 significando que não o descreve de forma alguma e 10 significando que o descreve perfeitamente.
Folhas para realizar os exercícios estão em:
https://theexperimentpublishing.com/wp-content/uploads/9781615195343_suppl.pdf
?Fico muito chateado quando não consigo o que quero ou quando as coisas não acontecem do jeito que desejo ??:
1-------------------------------------------------------------------------------------------10
Esse não sou eu esse sou eu
Nota: _________________________________

?Me esforço muito para evitar coisas que não gosto ou para evitar as coisas pelas quais tenho medo?
1-------------------------------------------------------------------------------------------10
Esse não sou eu esse sou eu
Nota: ___________________________________

? Eu passo muito tempo buscando conforto e prazer?


1-------------------------------------------------------------------------------------------10
Esse não sou eu esse sou eu
Nota: ___________________________________

11
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 1
Descubra o que realmente está sob seu
controle e o que não está
É fácil pensar que temos controle sobre nossas vidas quando as coisas estão acontecendo da maneira que
desejamos. Mas o que acontece quando experimentamos a incerteza? Considere nossa amiga Claudia, que enfrenta essas questões em
seu trabalho. Sua avaliação de desempenho trimestral está chegando e, embora ela esteja indo bem, uma ansiedade familiar inunda
seu corpo quando cenários negativos de hipóteses ruins passam por sua mente. Será que aprender mais sobre o que realmente está
em seu controle pode ajudar Claudia? Que efeito isso teria em sua psique?

“ Das coisas, algumas estão sob nosso controle, outras não. Estão sob nosso controle o juízo, o impulso,
o desejo a repulsa – em suma: o quanto for tarefa nossa. Mas não estão sob nosso controle o corpo, as
posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: o quanto não for tarefa nossa. ”
Epictetus, Enchiridion, I

As palavras de Epiteto podem ser mais familiares para você na forma da famosa oração da serenidade
adotada por vários programas de doze passos (tipo alcoólicos anônimos):

Deus
Conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar
E a coragem para mudar o que me for possível mudar
E a sabedoria para saber discernir entre as duas.

A oração foi escrita pelo teólogo Reinhold Niebuhr em 1934, mas reflete a sabedoria que é comum às
tradições judaica, cristã e budista e, claro, também o estoicismo. Na verdade, o conceito subjacente é central para a prática estoica
e, é frequentemente referido como a "dicotomia de controle". Epiteto inicia o Enchiridion - seu manual sobre o estoicismo – com ele,
é um dos ditados estoicos mais citados, tendo inúmeras aplicações na vida diária. Assim, também, começamos nossa prática e nosso
estudo da disciplina do desejo com o estudo da dicotomia do controle.
Vamos primeiro entender exatamente o que Epiteto quis dizer com suas sábias palavras. Ele está dividindo
as palavras. Ele está dividindo o mundo em dois grandes blocos: o conjunto de coisas sob nosso controle (completo) e o conjunto de
coisas que não está (completamente) sob nosso controle. Se lhe ocorreu que deve haver um terceiro conjunto, de coisas sobre as
quais temos controle parcial, não se preocupe - chegaremos a esse conceito na próxima semana.
A ideia básica é de que é imperativo usar nossa energia mental para focar no que está sob nosso controle
completo, enquanto admitimos todo o resto como indiferente. Para aquelas coisas que não estão sob nosso controle total, não é que
deixemos de nos preocupar com elas, mas sim que chegamos a um profundo entendimento de sua relevância ou irrelevância através
da prática constante. Essa prática é o caminho para a ATARAXIA, palavra grega que significa serenidade. Nós nos tornamos serenos
ao nos tranquilizarmos para que apenas o desejo esteja completamente sob nosso controle - então, em um sentido muito real, seremos
serenos porque sempre conseguiremos o que queremos! Esta é a promessa da disciplina do desejo.
Vislumbre mais de perto as categorias de epíteto, o que ele diz que está em nosso controle e o que não
está? Sob nosso controle, de acordo com ele, estão "o pensamento, o impulso, a vontade de obter e a vontade de evitar, e, em uma
palavra, tudo o que é do nosso próprio agir". Precisamos ter cuidado aqui, porque essas palavras em inglês (português) não carregam
necessariamente as mesmas conotações que suas contrapartes gregas originais. Além disso, os estoicos modernos (como nós!) Podem
querer levar em consideração os avanços nas ciências cognitivas que não estavam disponíveis para epiteto, e assim podemos chegar
a uma lista um tanto modificada do que realmente está sob nosso controle. Para entender aonde Epiteto está versando, vamos dividir
o processo ainda mais, começando com seu "pensamento", já que ele é listado primeiro (por um bom motivo, como veremos em
breve).
12
Um manual para estoicos do século 21

"Pensamento" aqui é a tradução em inglês de hypolepsis, literalmente "agarrando" ou "pegando". Mais


figurativamente, isso significa "julgamento" ou "opinião" (semelhante a recolher uma ideia ou ponto de vista - você está agarrando-
o para agarrá-lo ou embalá-lo). Podem ser tipos de pensamentos e não são necessariamente pensamentos totalmente conscientes.
Epiteto pode ter listado o "pensamento" primeiro, pois é o primeiro passo para nos perturbarmos: julgamos as coisas como
inerentemente boas ou más. Às vezes, esses julgamentos são explícitos (pensando consigo mesmo que esse cara é um idiota!). Mas
eles não precisam ser. Por exemplo, se você ficar com raiva de uma pessoa, estará implicitamente julgando as ações dessa pessoa
como más, mesmo que as palavras "essa pessoa está fazendo um coisa ruim" nunca passem por sua mente.
Em seguida, vem "impulso" (horme em grego). Este é um impulso para agir, mas não necessariamente de
forma rápida ou automática (o que podemos chamar de impulso-volição). Puxar a mão de um fogão quente e gritar não é um impulso
da forma como epiteto usa o termo. Em vez disso, os impulsos surgem da primeira etapa de "pensamento" ou "julgamento". Se você
julga que algo é bom, você o desejará. Se você julgar que é ruim, você vai querer evitá-lo. Os impulsos são, então, impulsos para
agir com base em julgamentos de valor.
Do pensamento (o julgamento) e do impulso (o desejo de agir) vem a "vontade de obter e evitar". Decidimos
se vale a pena gastar energia, tempo e dinheiro. Por exemplo, consideramos essas despesas ao comprar um carro novo, refletindo o
julgamento de valor de que possuí-lo é bom. Em seguida, fazemos planos complexos para adquirir o novo carro. Portanto, nossas
ações complexas e conscientes surgem de julgamentos de valor e impulsos para agir.
Epiteto afirma que todas essas três coisas (pensamentos, impulsos e a vontade de evitar e obter) estão
parcialmente sob nosso controle. Não é por acaso que essas três áreas de controle completo correspondem para epíteto a três
disciplinas: você trabalha com pensamentos na disciplina do assentimento, impulsos na disciplina da ação e a vontade de evitar e agir
na disciplina do desejo. Desse modo, a prática estoica lhe treina para dominar todas as áreas do que, em teoria, você pode controlar.
Em poucas palavras, isso é treinamento estoico.
Só porque essas coisas estão sob seu controle, não significa que às vezes não sejam influenciadas por
fatores externos (como as opiniões de outras pessoas) ou internos (como suas sensações físicas ou impulsos mais automáticos, como
um desejo por um lanche). Mas, em última análise, eles estão sob seu controle porque você pode tomar uma decisão consciente de
ignorar seus desejos ou ignorar as opiniões dos outros quando se trata das suas próprias escolhas.
E quanto ao tipo de coisas que Epiteto diz que não estão sob nosso controle? Incluem "o corpo, a propriedade, a
reputação, o cargo e, em uma só palavra, tudo o que não é obra nossa". Este é um conjunto muito grande que compreende
essencialmente todas as coisas externas à nossa mente consciente. Nosso corpo pode ficar doente a despeito de nossos melhores
esforços em cuidar dele; podemos perder nossa propriedade por causa de acidente ou roubo; nossa reputação pode ser arruinada
devido a circunstâncias que não podemos influenciar; e podemos perder nosso emprego sem que seja nossa culpa.
Você pode objetar (contrariar) que o tipo de coisas que acabamos de mencionar estão, entretanto, sob nosso controle
parcial, eles não são semelhantes, digamos, ao clima, sobre o qual realmente não podemos fazer nada. Claro, epiteto sabia disso! O
que ele está dizendo aqui é semelhante ao "argumento da melhor aposta": Se você apostar sua paz de espírito em coisas que não
estão totalmente sob seu controle, estará voluntariamente perdendo parte de sua felicidade para o acaso, para sorte ou o azar.
Nota de Dojas: Os Estoicos chamavam o acaso a sorte e o azar de fortuna. Uma deusa grega que rolava dados e o
resultado do rolar de dados determinava o que aconteceria.
Exploraremos mais este tópico na próxima semana. Por enquanto, vamos passar para o primeiro exercício.

O que fazer
O exercício desta semana o ajudará a explorar a dicotomia do controle. Reserve um tempo agora para
escolher quando você fará esse exercício todos os dias, durante toda a semana. Tente colocar o exercício no final do dia. Você pode
programar para fazê-lo em um horário específico (às 21 horas ou 9 da noite) ou após uma atividade que você faz sempre (como a de
escovar os dentes antes de dormir). Anote quando você fará este exercício.
Sente-se na mesma hora (9 da noite) de segunda a sábado desta semana e escolha algo que aconteceu
naquele dia para escrever. Pode ser qualquer coisa, desde ver um amigo para almoçar até uma reunião no trabalho. Sugerimos que
você escolha um evento que não seja muito perturbador emocionalmente, o que pode tornar o exercício mais difícil, e você está
apenas começando! Liste quais aspectos do evento estavam totalmente sob seu controle e quais não estavam. Pode ser útil adicionar
alguns motivos rápidos pelos quais a coisa estava ou não sob seu completo controle.
Se tiver problemas com o exercício, você pode usar as sugestões do Epiteto para separar julgamentos de
valor, impulsos e o que você deseja evitar ou obter como coisas sob seu controle completo. Você também pode tentar separar
aspectos do evento por fatores "internos" (pensamentos, desejos, coisas indesejadas) e fatores "externos" (resultados), uma vez que
podemos controlar principalmente o que se passa dentro de nossas cabeças e muito do que não podemos controlar acontece no mundo

13
Um manual para estoicos do século 21

exterior. Não se sinta acorrentado a essas categorias. Parte do objetivo deste exercício é verificar se as sugestões do MESTRE
Epiteto se aplicam à sua experiência. Talvez você descubra que ele estava certo, talvez não.
Vejamos um exemplo de como isso funcionaria. Suponha que Claudia opte por fazer este exercício todos
os dias após sua corrida noturna diária. Depois que ela corre, ela opta por escolher refletir sobre uma reunião que teve com seu
chefe e nesse evento será o qual ela se concentrará. Aqui está o que ela escreve.
Encontrei-me com o chefe às 14 horas para discutir sobre as vendas da emprese. Eu estava um pouco nervosa ao entrar, já que
ainda não estou logrei atingir a quota. Sentamos e discutimos quais ações eu poderia tomar para atingir a cota até o final do
trimestre. Muitas das sugestões foram úteis.
Observe que Claudia escolheu um evento que a deixou um pouco nervosa, mas que não foi extremamente
angustiante para ela. Depois de Claudia escrever sobre o evento, ela releu a narrativa, procurando coisas que estavam completamente
sob seu controle. Ela vem com a seguinte lista.

Controle total Controle parcial


a intenção de chegar a tempo para a reunião Chegar na hora marcada (eu poderia ter atrasado por causa
daquela ligação de negócios que correu antes da reunião!)
Ouvir a opinião do meu chefe sobre mim e meu trabalho opinião real que meu chefe tem sobre mim e sobre meu
trabalho
o desejo de cumprir minha cota atingir minha cota (não posso forçar as pessoas a comprarem
de mim)
o desejo de obter dicas valorosas do meu chefe (isso ajudaria realmente receber dicas úteis
a cumprir a maioria dos meus objetivos acima!)
Controlar os pensamentos nervosos conscientes e o que eu pensamentos nervosos autônomos e os sentimentos físicos de
digo a mim mesma nervosismo

Claudia repete esse exercício diariamente, após a sua corrida.


Observe que a coluna da esquerda está principalmente preenchida com coisas internas, como vontades,
desejos, vontades e pensamentos intencionais conscientes. A coluna da direita é preenchida principalmente com resultados externos.
A exceção é a linha final, que tem pensamentos automáticos e sensações físicas que não estão sob controle completo. Isso destaca o
ponto importante de que nem tudo o que se passa em nossos corpos e mentes é desejado. Claudia não escolheu que sua frequência
cardíaca aumentasse, nem decidiu racionalmente pensar na pior das hipóteses. No entanto, uma vez que isso tenha ocorrido, ela pode
escolher conscientemente o que dizer a si mesma e como agir, apesar dessas respostas automáticas.
Agora é a sua vez. Nessa primeira semana de exercícios, use o seguinte gradiente para realizar este
exercício (use as tabelas a seguir).

Folhas para realizar os exercícios estão em:


https://theexperimentpublishing.com/wp-content/uploads/9781615195343_suppl.pdf

Segunda-feira
Controle total Controle parcial

Terça-feira feira
Controle total Controle parcial

14
Um manual para estoicos do século 21

Quarta-feira
Controle total Controle parcial

Quinta-feira
Controle total Controle parcial

Sexta-feira
Controle total Controle parcial

Sábado
Controle total Controle parcial

Por que fazer esse exercício


Ao fazer esse exercício diariamente, observando eventos específicos em sua vida, você começará a
internalizar o que realmente está sob seu controle total e o que não está. À medida que este princípio se desenvolve, você estará
equipado para praticar a disciplina do desejo em exercícios futuros. Este exercício também lhe dará uma imagem mais clara do que
exatamente você deve focalizar em seus desejos e aversões (coisas que tu não desejas) para alcançar a paz de espírito.

Revisão da primeira semana


No sétimo dia da semana, após praticar explorando a dicotomia, ajuste o cronômetro de 5 a 10 minutos e
escreva suas impressões em nosso diário.
Folhas para realizar os exercícios estão em:
https://theexperimentpublishing.com/wp-content/uploads/9781615195343_suppl.pdf
O exercício desta semana foi útil para você? O quão útil foi?
Você descobriu algo sobre você ou sobre seu mundo? Você achou inútil?
Existe alguma maneira de ajustar a abordagem para torná-la mais fácil ou mais útil no futuro?

PARABENS! ...Agora você está pronto para ler o próximo capítulo e se preparar para a próxima semana.

15
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 2
Concentre-se no que está completamente e
totalmente sobre seu controle
Em algum momento da sua vida, você provavelmente tentou evitar que algo acontecesse, mas essa coisa
aconteceu mesmo assim. Você se lembra de como você estava chateado com isso? Se você fez tudo ao seu alcance para evitá-lo,
por que ficou chateado? Esta pergunta assombrou Claudia depois de seu exame físico anual. Embora ela sempre tenha sido um modelo
de saúde, seu médico a encaminhou a um cardiologista após uma crise de overtraning (treino em excesso) na academia, e ela está
apavorada. Vamos explorar por que Claudia está chateada e o mais importante, o que pode ser feito a respeito.

“Lembra-te que o propósito do desejo é obter o que se deseja, o propósito da repulsa é evitar aquilo que
lhe é avesso. No entanto, aquele que falha em obter o objeto de seu desejo fica desapontado, e aquele que
incorre no objeto de sua aversão, é um miserável desafortunado. Se, então, você confia sua aversão
àqueles objetos que são contrários ao uso natural de suas faculdades, que você tem sob seu próprio
controle, você nunca incorrerá em nada aos quais você é avesso. Mas se você é avesso à doença, ou morte,
ou pobreza, você será um miserável.
Remova a aversão, então, de todas as coisas que estão sob seu controle, e transfira-a para coisas que não
estão sob o seu controle”.
Epictetus, Enchiridion, 2.1-2

Outra tradução do Enchiridion , 2.1-2

[2.1]Lembra que o propósito do desejo é obter o que se deseja, <e>o propósito da repulsa é não se
deparar com o que se evita. Quem falha no desejo é não-afortunado. Quem se depara com o que evita é
desafortunado. Caso, entre as coisas que são teus encargos, somente rejeites as contrárias à natureza,
não te depararás com nenhuma coisa que evitas. Caso rejeites a doença, a morte ou a pobreza, serás
desafortunado. [2.2] Então retira a repulsa de todas as coisas que não sejam encargos nossos e
transfere-a para as coisas que, sendo encargos nossos, são contrárias à natureza. Por ora, suspende por
completo o desejo, pois se desejares alguma das coisas que não sejam encargos nossos, necessariamente
não serás afortunado. Das coisas que são encargos nossos, todas quantas seria belo desejar, nenhuma está
ao teu alcance ainda. Assim, faz uso somente do impulso e do refreamento, sem excesso, com reserva e
sem constrangimento.
-Nota de Dojas –
Em suma somente deseje o que está sobre o seu controle, aquilo que dependa de uma ação sua. O que não está sobre o seu controle não pode lhe causar mais aversão.
A felicidade está em se focar no que você controla.
A infelicidade está em se focar naquilo que você não controla ou somente influencia.

Não importa o quanto planejemos, nos preocupemos e tentemos evitar que ocorram infortúnios, às vezes
eles acontecem. As pessoas têm reações muito diferentes a infortúnios semelhantes. Alguns dão de ombros, alguns ficam entorpecidos
e alguns, como Claudia, desenvolvem ansiedade e medo. Por que reagimos de maneiras diferentes? Epiteto sugere que aqueles que
caem nas circunstâncias que desejam evitar são aqueles que sofrem infortúnios, com isso ele quer dizer que muito sofrimento vem
de uma desconexão entre o que você deseja que aconteça e, o que realmente acontece. Ou, como diriam os estoicos, o que está de
acordo com a natureza e o que está em oposição à natureza.

16
Um manual para estoicos do século 21
-Nota do tradutor Dojas–
Natureza é aquilo que acontece
Oposição a natureza é aquilo que você deseja, mas que não acontece ou aquilo que você repudia (não quer que aconteça), mas acontece.
Epiteto versa sobre os infortúnios: não faz sentido a aversão(repulsa) da natureza à pobreza, à doença ou
à morte, porque essas coisas estão fora do nosso (completo) controle. Afinal, a doença e a morte são aspectos naturais e inevitáveis
da existência humana e, embora algumas pessoas consigam evitar a pobreza, ela também pode atacar a qualquer momento,
independentemente dos esforços de alguém para evitá-la. Da mesma forma, são os desejos. Se desejamos grande riqueza, saúde
perfeita ou uma reputação duradoura, estamos lutando por coisas que não podemos controlar (embora possamos influenciá-las), o
que inevitavelmente nos tornará infelizes.
Você deve ter notado que estamos nos concentrando na aversão (repudia), no âmbito da Disciplina do
Desejo. Isso porque a aversão pode ser vista como uma espécie de desejo: o desejo de evitar o infortúnio. Denominamos a disciplina
do desejo de como forma abreviada para a Disciplina do Desejo e da aversão, nome abreviado dado a essa disciplina pelo acadêmico
francês Pierre Hadot. A ideia crucial aqui é redirecionar nossa aversão para longe de coisas que não gostamos, mas não estão em
nosso poder, e transferi-la para coisas que podemos controlar completamente. Você tem uma lista delas da semana passada. Da
mesma forma, precisamos parar de desejar coisas que não podemos controlar e, em vez disso, desenvolver um desejo pelo que
podemos garantir a alcançar.
Vejamos um exemplo: suponha que você esteja concorrendo a uma possível promoção em seu trabalho.
Seu desejo natural é conseguir a promoção, mas isso não está sob seu controle total. A promoção depende de uma possível competição
entre você e seus colegas, de um relacionamento que você desenvolveu com seu chefe e até de acontecimentos aleatórios, como o
humor do seu chefe ou o clima. No entanto, o que está em seu poder, e o que você deve desejar, que é apresentar a melhor situação
possível para uma promoção, a base é melhorar seus esforços para fazer bem o seu trabalho nos meses que antecedem a promoção.
-Nota do tradutor –
-No caso sua função é realizar o melhor trabalho possível, demonstrar os resultados do seu trabalho, o que o patrão deixou de perder ou ganhou com o seu serviço
- Trabalhar mais e fazer um serviço melhor, mostrar o que o patrão deixou de perder ou ganhou com seu trabalho, está sobre o seu controle; ser promovido não está.
Se você tem uma forte aversão ao fracasso, poderás ficar infeliz se não conseguires a promoção - como
ao tentar evitar a pobreza ou a doença. Mas se o seu desejo for direcionado de maneira apropriada, para fazer o melhor trabalho que
você é capaz de fazer, então você não pode falhar. Na verdade, se você fizer o melhor trabalho que pode a cada momento, você já
conseguiu! Além disso, visto que existe, presumivelmente, uma correlação entre fazer um bom trabalho e conseguir uma promoção,
assim você aumentará as chances de ser, de fato, promovido. Quando seus desejos e aversões estão "alinhados com a natureza" (ou
seja, com o que está em seu controle completo), você tem a garantia de não ficar infeliz, independentemente do resultado.
Existem inúmeros outros exemplos desse princípio. Você não deve desejar ser amado por seu parceiro (a)
(sexual), mas apenas ser a pessoa mais adorável que você pode ser. Você não deve ter aversão a perder uma partida quando joga
um jogo ou compete em um esporte, mas sim se concentrar em jogar o melhor que puder. Depois de internalizar a distinção entre
desejos e aversões adequados e impróprios, o mundo se tornará muito diferente para você. Você encontrará serenidade que brota de
uma atitude magnânima em relação a tudo o que o universo irá lançar no seu caminho.
Finalmente, observe que isso resolve um problema que encontramos na semana passada: a aparente
negligência, feita pelos estoicos, sobre a grande categoria de coisas que podemos influenciar, mas não controlar completamente.
Essa terceira categoria, na filosofia estoica, é dividida em duas: a parte que você não pode controlar, mas pode influenciar (por
exemplo, a decisão de seu patrão, o amor do seu parceiro, suas chances de ganhar uma partida) e a parte que você pode controlar
(por exemplo, trabalhando muito e bem, sendo adorável, jogando o seu melhor), e que podem influenciar no resultado final.
- Dojas pergunta ao leitor –
?Qual a parte que você não controla e que pode influenciar no resultado?
?Qual parte você controla e que pode influenciar no resultado?

O que fazer
Esta semana, começamos com base no exercício da semana passada. Você fará esse exercício em duas
grandes etapas
1. Procure os padrões da semana passada para ver como as aversões a coisas fora de seu controle podem
ter sido influenciadas por coisas que estão sobre seu completo controle.
2. Explore como transferir suas aversões(aquilo que você deseja que não aconteça) daquelas coisas que
não estão sob seu controle completo para aquelas coisas que estão no seu controle completo.

17
Um manual para estoicos do século 21

Primeiro, volte para o que você escreveu no exercício da semana passada e escreva coisas em sua
coluna de "controle incompleto" que demonstre algo a que você era avesso. No caso de Claudia, são os resultados do exame do
cardiologista.
?Das coisas que estavam fora do seu controle, quais você sentiu temeridade, ansiedade medo etc ? - Pergunta Dojas
Em seguida, observe a coluna "controle completo" para cada um dos itens listados acima. O que estava
em seu controle total, mas mesmo assim lhe trouxe pensamentos de temeridade, ansiedade e medo sobre a coisa que estava sobre
seu completo controle.
Anote suas respostas.
Agora defina um cronômetro para 3 minutos e pense em como os itens que estavam sob seu controle
podem ter causado sua aversão sobre aqueles que não estavam. Certifique-se de contar explicitamente a história de como as coisas
sob seu controle podem ter lhe causado a aversão (repulsa).
Finalmente, defina o cronômetro para mais 3 minutos e, tente encontrar maneiras de transferir a aversão
de coisas externas que não estão sob seu controle para coisas que você pode controlar completamente. Claudia descobriu que os
passos acima a ajudaram a perceber que seus pensamentos sobre a situação causaram a aversão. Então, ela decidiu se lembrar
explicitamente de quais dos seus pensamentos estavam causando a perturbação e examinar seus pensamentos mais de perto. De que
maneira funcionaria para você, ao transferir a aversão de coisas que não pode controlar completamente para coisas que pode?
Escreva-os.
Agora, você deve ter uma pequena lista de coisas que você pode praticar na próxima semana e que está
sob seu controle total. A cada dia, escolha um horário específico no qual você definirá no cronômetro o período de 3 minutos e
revisará esta lista, e escolha uma das coisas que estão sobre o seu controle, para praticar naquele dia. Todos os dias anote quando
você fez este exercício e como (circunstancialmente) o fez (o realizou).
-Nota do tradutor –
-Se ainda não fez... faça uma lista daquilo que você controla completamente;
-Revise essa lista todos os dias (Dojas faz isso quando acorda relembrando o dia anterior geralmente)
A cada dia escolha uma coisa que está totalmente no seu controle e a realize (pratique), depois escreva no seu diário (ou caderno) como você realizou tal ato, a que horas, as
sensações emocionais e tudo que tu quiseres anotar sobre tal ato.
O item escolhido pode variar de um dia para o outro, pois algumas técnicas que você criou podem ser
específicas para determinados dias da semana. Claudia vai ver seu cardiologista na terça-feira, ela pode optar por visualizar sua
visita ao cardiologista na segunda-feira à noite para se preparar, mas ela não vai fazer isso todos os dias.

Por que fazer esse exercício


Os estoicos têm muitos exercícios dentro da disciplina do Desejo que podem ajudar a trabalhar com a
transferência de desejo e aversão de coisas externas para coisas sob seu controle, que você aprenderá ao longo da Parte I desse
livro. O objetivo deste exercício é demonstrar que alguns dos seus próprios desejos e aversões podem trabalhar para você! Ao
transferir suas aversões de coisas que você não pode controlar completamente para coisas que você pode, no final das contas você
"nunca incorrerá em nada que seja adverso” (não quisto ou que você tem aversão).
-Nota do tradutor –
-Nada que está fora do seu controle merece seu ódio ou o seu amor, nada mesmo;
-Tudo que está fora do seu controle não merece emoção alguma advinda de ti.
-Assim não deves desejar que algo fora do seu controle aconteça. E desejar que algo que você não controla não aconteça.
- Seria a APTHEIA o não desejar e nem desejar ao mesmo tempo. É um niilismo perante aquilo que você não controla
Agora você jamais pode ser niilista com aquilo que está sobre o seu total controle, senão tu serás um peão (um zumbi) sendo controlado pela sociedade ou por outra pessoa.
Exemplo não deseje que o candidato X, perca a eleição ou ganhe a eleição, pois o fato dele ganhar ou perder da eleição não está sobre o seu controle. Ajudar na campanha dele
está sobre o seu controle, agora o resultado não.
É sempre assim, não controlamos os resultados no máximo influenciamo-los
Niilismo como termo, surgiu na Rússia do século 18(entre 1860 e 1862) cunhada pela primeira vez no livro Pais e filhos de Ivan
Turgueniev. Porém a mil ou 2 mil anos atras, o taoismo já’ falava de niilismo, mas usava a palavra vazio.
-Nota do tradutor –
Resumo das tarefas da semana 2
Essa semana foque-se naquilo que você quer que não aconteça (aversão)
?Daquilo que você quer que não aconteça (aversão) o que você controla totalmente?
?Daquilo que você quer que não aconteça (aversão) o que você controla parcialmente?
?Daquilo que você quer que não aconteça (aversão) o que você não tem controle nenhum?

18
Um manual para estoicos do século 21

Exercício (s) para ser feito na semana todos os dias.


Divida a tabela em 4
Naquilo que você tem controle total.
Naquilo que você tem nenhum controle
Naquilo que você influencia, mas não controla

1-Retire tudo que você não quer que aconteça daquilo que você não controla;
2-Retire tudo que você quer que aconteça daquilo que você não controla;
3-Coleque tudo o que você quer que não aconteça naquilo que você tem controle total;
4- Coloque tudo o que você quer que aconteça naquilo que você tem controle total;
5-Pratique todo dia algo que está sobre o seu controle total.

Controle total Nenhum controle Influencio mas não controlo Influencio e controla
-Traduzir o livro e os Alguém que leu fazer os Alguém a ler isso. -enviar os exercícios para as
exercidos exercidos propostos pessoas
-Fazer os exercícios eu mesmo

Revisão da segunda semana


No domingo, depois de praticar a transferência de suas aversões, defina um cronômetro de 5 a 10 minutos
e escreva suas impressões sobre este exercício. Foi útil para você? Quão útil lhe foi? Existe alguma maneira de ajustar este exercício
para torná-lo mais fácil de fazê-lo ou torná-lo mais útil no futuro?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
___________________________________________________________________

PARABENS ! ...Agora você está pronto para ler o próximo capítulo e se preparar para a próxima semana.

19
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 3
Adquira uma visão externa
Você pode se destacar em fornecer conforto aos necessitados, mas você e’ igualmente bom em se consolar?
Lucille acabou de perceber que ele não é. Ele sempre foi a pessoa a quem todos recorrem em busca de conforto, e ele raramente
falha em ajudar os outros a ter uma perspectiva positiva sobre suas situações. Mas como as coisas se tornaram estressantes em sua
própria vida, foi difícil para ele obter uma perspectiva semelhante. Este exercício estóico pode ajudar Lucielle - e o resto de nós -
a ganhar equanimidade por meio adotando uma nova perspectiva sobre nossos próprios problemas.
"Está em nosso poder descobrir a vontade da natureza a partir daqueles assuntos sobre os quais não temos nenhuma diferença
de opinião. Por exemplo, quando o escravo que outro homem quebra a taça de vinho, estamos prontos para dizer imediatamente,
'Essas coisas podem acontecer. "Saiba então que, quando sua própria xícara é quebrada, você deve se comportar da mesma
maneira que quando a do seu vizinho foi quebrada. Aplique o mesmo princípio a assuntos mais elevados. O filho ou a esposa de
outro está morto? Não um de nós, mas diria, 'Tal é o destino do homem'; mas quando um deles morre, imediatamente grita-se:'
Ai de mim, sou miserável '. Mas devemos lembrar quais são nossos sentimentos quando ouvimos isso de outra pessoa. "
Epicteto, Enchiridion, 26
Outra tradução para Epicteto, Enchiridion, 26:
[26]. Aprende-se o propósito da natureza a partir do que não discordamos uns dos outros. Por exemplo: quando o servo
de outrem quebra um copo, tem-se prontamente à mão que “Isso acontece”. Então, se o teu copo se quebrar, sabe que é preciso
que ajas tal como quando o copo de outro se quebra. Do mesmo modo, transfere isso também para as coisas mais importantes.
Morre o filho ou a mulher de outro? Não há quem não diga: “É humano”. Mas, quando morre o próprio ]filho ou a própria
mulher[, diz-se prontamente: “Ó desafortunado que sou! “É preciso que lembremos como nos sentimos quando ouvimos a
mesma coisa acerca dos outros.

Este é Epicteto em sua forma mais franca. Parece que o estoico filósofo está nos encorajando a adotar
uma atitude propositalmente insensível em relação ao nosso próprio azar, vendo-o como se tivesse acontecido a alguém. De uma
perspectiva moderna, este não é um conselho fácil de engolir à medida que nos esforçamos para cultivar empatia pelas situações de
outras pessoas. Na verdade, os estóicos, incluindo Epicteto, não são tão insensíveis - eles foram muito claros que o objetivo da
prática estóica não é nos transformar em robôs desajeitados incapaz de respostas emocionais, porque isso nos privaria de nossa
humanidade. Como o filósofo estóico Sêneca escreve a seu amigo Lucílio: “A primeira coisa que a filosofia se compromete a dar é o
sentimento de solidariedade com todos os homens; em outras palavras, simpatia e sociabilidade”. 1 Se os estóicos promovem esse
sentimento de sentimento compartilhado, o que, então, Epicteto está tentando dizer? Para começar, vamos falar sobre a diferença
entre simpatia e empatia. Ambas as palavras entraram em nosso vocabulário muito mais tarde do que nos tempos de Epicteto: em
1579 e 1850, respectivamente. Curiosamente, ambos carregam o A raiz grega pathos , que significa "emoção", mas eles a modificam
em diferentes instruções. Ter simpatia pela angústia do outro, de acordo com Merriam-Webster's Collegiate Dictionary, é cuidar e
sentir pena sobre tristeza ou infortúnio da outra pessoa. Em contraste, ter empatia significa que - na medida do possível - você
compartilha as experiências de outra pessoa em um nível emocional. Os estóicos sugerem que devemos cultivar simpatia mais do que
empatia. Tanto a psicologia quanto a filosofia moderna fornecem algum suporte para esta visão antiga. Psicólogo da Universidade
de Yale, Paul Bloom 2 e City O filósofo da Universidade de Nova York Jesse Prinz 3 tornou atraente casos em que a empatia é
eticamente problemática porque, como acontece com todos, são carregadas de imensas respostas emocionais, onde e’ fácil para os
outros manipularem. Empatia também tende ser desproporcional à situação (sentimos mais empatia pelas pessoas que conhecemos
ou convivemos diretamente), e não aumentar (é impossível sentir empatia por milhares ou até milhões de pessoas anônimas,
independentemente de como eles são merecedoras). Em contraste, a simpatia é informada pela razão e é, portanto, mais abrangente.
Podemos simpatizar mesmo com as pessoas que não conhecemos, ou cuja situação específica nunca experimentamos, porque somos
capazes de reconhecer que situações semelhantes seriam angustiantes para nós, e que seria injusto para nós e para qualquer outra
pessoa ter que sofrer por elas.

20
Um manual para estoicos do século 21

Em certo sentido, então, o que Epicteto está observando é que, no curso normal dos eventos, tendemos a
ter empatia conosco ("Ai de mim! Miserável sou eu") enquanto simpatizamos com os outros ("tal é o destino do homem") a diferença
decorre de nossa capacidade de julgamento mais equilibrado quando o evento não nos atinge diretamente. Tentar retificar esse
desequilíbrio não nos torna insensíveis; simplesmente nos torna mais razoáveis.
Agora vejamos este insight ao redor para ajudar a nós mesmos e a Lucille. Assim que reconhecermos que
ajudar nossos amigos a ter uma perspectiva mais ampla sobre seus problemas os ajuda a lidar com sua situação, podemos então
aceitar e internalizar o mesmo insight e aplicá-lo em nossas próprias vidas. Lucille pode ajudar seus amigos, ajudando-os a se
distanciarem de suas reações emocionais naturais e imediatas. Lembrarmos a nós mesmos que coisas difíceis acontecem ] e não
apenas para nós [ é reconfortante. Podemos começar a desenvolver equanimidade em relação às coisas que não controlamos
totalmente. Da mesma forma, podemos ser gratos quando as coisas acontecem do nosso jeito, mas não nos apegar demais a elas, pois
podem facilmente ser eliminadas (retiradas de nós pelo destino). E quando acontecem coisas difíceis, a gente consegue encontrar
coragem para enfrentá-las da melhor maneira possível, porque essa é a condição humana.

O que fazer
Esta semana, você fará um breve exercício de redação em que explorará algumas lutas ou preocupações,
mas com um toque diferente. Sugerimos que você encontre um horário para escrever à noite, mas fique à vontade para escolher um
horário que seja melhor para você. Defina um horário todos os dias em que gostaria de fazer o exercício.
Quando você se sentar todos os dias desta semana, defina um cronômetro para 5 minutos e escreva sobre
um ou os dois tópicos: um problema que você encontrou naquele dia e/ou uma preocupação que você tem no dia seguinte. Escolha o
que estiver mais latente em sua mente. Se o dia correu bem e você não está preocupado com o amanhã, escolha um problema do dia
anterior para trabalhar.
A cada dia, escreva sobre o que você sente em resposta ao problema ou preocupação e faça um
brainstorming (reflexão, meditação) de possíveis maneiras de lidar com isso, mas de uma perspectiva diferente. Em vez de escrever
na primeira pessoa, use pronomes de segunda pessoa ou seu nome para se aconselhar. Por exemplo, em vez de escrever "Estou
nervoso com ...", comece escrevendo "Você está nervoso com ..." Escreva até o cronômetro desligar.
Eu sei que você se sente sobrecarregado no trabalho agora, Lucille. Você está fazendo malabarismos com muitos projetos ao
mesmo tempo, e há um monte de coisas competindo por sua atenção. Não é de admirar que você se sinta estressado. Mas não é
como se isso fosse algo novo. Você já se sentiu assim no passado e, sim, é desagradável. Mas você ainda está em seu trabalho
e as coisas estão indo bem no geral. Esta semana será desagradável, mas você supera todas as vezes e faz seu trabalho bem -
ou pelo menos bem o suficiente! Portanto, durma um pouco agora. Vai te fazer bem.

Lucille descobriu que dar a si mesmo conselhos e palavras de conforto usando a perspectiva da segunda
pessoa funcionava bem para ele. Veja como isso funciona para você escrevendo sobre um problema ou preocupação e, a seguir,
oferecendo a si mesmo alguns conselhos de uma perspectiva externa todas as noites desta semana.
Nota do tradutor – prefiro fazer o exercício na terceira pessoa ...como se o Epiteto/Seneca/Marco Aurelio/mussonio rufus/
diogenes/ala/jesus/buda/deus etc estivesse falando comigo.
Segunda feira
Você sabe que a aversão, o não desejar, aquilo que você não controla e’ uma tolice, mas essa e’ uma tolice que quase todo mundo
faz. Desejes o que tu controlas. So’ repudie o que você controla. Repudie engordar pois você controla o que você come, deseje
ficar forte e esbelto porque isso você pode controlar ...etc

Terça feira

quarta feira

Quinta feira

Sexta feira

21
Um manual para estoicos do século 21

sabado

domingo

Por que fazer esse exercício


Recuando um pouco, você agora, pode tirar os grilhões( bola de ferro presa na perna) emocionais de
situações dolorosas e ser capaz de vê-las com mais clareza racional. Você será um guia melhor para si mesmo ao oferecer auto-
empatia e auto-simpatia. Esse tipo de exercício também tem evidências científicas modernas por trás dele, mas os estóicos estavam
2.000 anos à frente de seu tempo. Se você folhear as meditações do diário pessoal de Marco Aurélio, notará que ele quase sempre
escreve para si mesmo na segunda pessoal

Revisão da terceira semana


No domingo, depois de ter praticado a visão externa, ajuste um cronômetro de 5 a 10 minutos e anote
suas impressões sobre este exercício.
? Foi útil para você?
? Os comandos de escrita (aquilo que você escreveu em segunda pessoa ou terceira) foram transportados espontaneamente para o
seu pensamento ao longo do dia?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

22
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 4
Assuma a perspectiva do outro
É fácil para nós justificar nossos próprios sentimentos, mas não entendemos os dos outros. Veja o caso
de Lucille, que está esperando na fila do banco há uma eternidade. Quando ele finalmente chega ao caixa do banco, o caixa o informa
deselegantemente que o sistema do computador está fora do ar e que não há muito que ele possa fazer a respeito. Por que diabos ele
falou assim comigo?! O que nunca! Lucille pensa e pensa e resmunga, sentindo sua raiva aumentar. O que Lucille não considera é
que o caixa passou a manhã inteira lidando com suas próprias frustrações e, atingiu o limite. Se Lucille estivesse praticando o
exercício desta semana, ele teria uma chance melhor de diminuir sua raiva atual.
“Quando alguém te ofende, que o teu primeiro pensamento seja este: Com base em que conceito de bem e
mal é que isto foi feito? Uma vez isto sabido, o espanto e a cólera darão lugar à piedade. Porque, ou as
tuas próprias ideias sobre o que é bom não são mais avançadas do que as dele, ou pelo menos têm alguma
semelhança com elas, e, neste caso, é teu dever, evidentemente, perdoar-lhe; ou então, por outro lado,
evoluíste para além da suposição de que tais atos são bons ou maus e, portanto, será tanto mais fácil
seres tolerante em relação à cegueira de outrem”.
Marcus Aurelius,Meditations, 7.26

É fácil nos sentirmos justos quando percebemos que os outros estão errados. Nossa retidão nos leva
sentirmos justificados em retaliar (criticar) outra pessoa, uma vez que nos vemos como puni-los por suas más ações - que decorrem
de seu mau caráter. Estamos cegos para a realidade de que a outra pessoa não verá do nosso jeito. Eles provavelmente verão suas
ações também como justificadas, dadas as circunstâncias, e nossas ações como decorrentes de nosso mau caráter!
Esta tendência de pensar que as ações de outras pessoas refletem seu caráter enquanto nossas próprias
ações dependem das circunstâncias é chamada de erro de atribuição fundamental, um termo cunhado pela primeira vez por psicólogos,
confundindo-as com verdades objetivas, enquanto ao mesmo tempo minimiza como e por que os outros seres humanos podem ter uma
percepção diferente. Nós facilmente nos convencemos de que a assimetria entre como nos comportamos é, afinal, perfeitamente
justificada.
Só que não se justifica, como Marco Aurélio se lembra. É provável que ele também tenha sofrido o mesmo
erro. O imperador-filósofo, ao contrário da maioria de nós, se dedica a uma notável dissecação do problema, permitindo-lhe ver com
mais clareza. Temos muito que aprender com ele.
Quando percebemos que outra pessoa se comportou de maneira errada em relação a nós, o primeiro passo
é descobrir que noção incorreta a levou a agir como agiu. Podemos nos imaginar na situação da outra pessoa e, por suas ações -
mesmo que não concordemos com elas - imediatamente esmagando o crescente sentimento de raiva justificada que podemos
experimentar.
O que nos leva à próxima etapa: agora que sabemos o que eles valorizam, devemos nos perguntar se às
vezes temos os mesmos valores. Se não o fizermos - e estamos razoavelmente confiantes de que nosso julgamento está certo - então
sabemos que eles estavam agindo com base em um julgamento errado e devemos ter pena deles, assim como sentiríamos por alguém
que fez um erro elementar de lógica ou matemática.
E se tivermos ideias (pensamentos) igualmente equivocadas sobre o que é bom ou ruim, devemos considerar
por que estamos culpando a outra pessoa em vez de trabalhar em nós mesmos. Isso pode nos motivar a perdoá-los, pois também
cometemos erros no passado - e podemos cometê-los no futuro.
? Como isso poderia ter ajudado Lucille? ... Lucille sabia que estava mal-humorado e frustrado porque teve
que esperar em uma longa fila. Da mesma forma, o caixa respondeu de maneira curta porque também estava frustrado porque o
sistema estava fora do ar! Todos nós ficamos rabugentos às vezes quando as coisas não acontecem do nosso jeito. Se Lucille tivesse
percebido isso, poderia ter ficado menos zangado com a resposta do caixa o banco.

23
Um manual para estoicos do século 21

Por último, como Marco Aurélio sugere, nossas próprias visões do que é bom e mau podem ter mudado,
porque aprendemos com nossos erros e somos um pouco menos imprudentes do que costumávamos ser. Podemos, então, ser caridosos
com alguém que não teve o mesmo avanço, assim como faríamos com alguém que ainda não domina a lógica ou a realidade (as pessoas
e a si mesmo) tão bem quanto nós.
Uma técnica semelhante aparece na psicologia moderna, baseada na ideia empiricamente sustentada de que
as pessoas se tornam mais compassivas com os outros quando assumem a perspectiva de outra pessoa. Como Sara Hodges, da
Universidade de Oregon e seus colegas propuseram:
As pessoas se comportam melhor - de forma mais aceitável, mais admirável, mais pró-social - após uma
tomada de perspectiva. Primeiro, constatou-se que a tomada de perspectiva aumenta consistentemente as
emoções compassivas ... em relação à pessoa cuja perspectiva foi assumida. Em segundo lugar, a tomada
de perspectiva leva as pessoas a ver e tratar outras pessoas mais como tratam a si mesmas, vendo-as
como possuindo mais traços em comum com o eu e simbolicamente tendo "fundido", pelo menos
parcialmente, com o self em termos de representações cognitivas e descrições da personalidade e
explicações do comportamento.

Assim como afirmavam os estoicos, forçar-nos a levar a sério o ponto de vista do outro amplia nosso
entendimento. Isso reduz a probabilidade de nos sentirmos tão ligados emocionalmente a uma perspectiva particular a ponto de
ficarmos com raiva quando essa visão for contestada. Crucialmente, os estoicos não estão sugerindo que concordemos necessariamente
com a outra pessoa; apenas que lhes demos oportunidade de apresentar seu ponto de vista, com espírito de compaixão e com toda
vossa compreensão humana.
Um princípio básico do estoicismo é que ninguém quer cometer erros de propósito e todos pensam que têm
boas razões para suas ações. Mas cabe a nós se entregarmos à nossa raiva (rage), que os estoicos chamam de "loucura temporária",
e provavelmente tornar as coisas ainda piores para ambas as partes, ou ser caridoso e ter a mente aberta em vez disso, acabando
concordando com nosso interlocutor se estão certos, ou apenas sentindo pena deles se descobrirem que, afinal, estão enganados.

O que fazer
Para a próxima semana, escolha um momento no final de cada dia para pensar sobre alguém que você
encontrou e que o frustrou ou que você percebeu que fez algo errado. A que horas cada dia funciona melhor para você? Pode ser no
mesmo horário do exercício da semana passada ou em um horário diferente. Escreva quando você fará este exercício todos os dias.
Nota do tradutor faço os exercícios todos os dias numa dessas situações, dependendo de quanto tempo disponho naquele momento:
- Depois que acordo;
-Depois Do almoço;
-Depois Da janta.
Hoje abril de 2021 faço os exercícios na hora que acordo, lembrando do dia anterior ou de uma situação passada

Considere cada uma das seguintes instruções a cada dia. Se você não estava frustrado com ninguém
(naquele dia), tente pensar em alguém no passado que você acha que lhe fez mal.

1. Quem era? O que eles fizeram? Por que você se sente injustiçado? Como você se sente em relação a
essa pessoa agora?
2. Por que você acha que eles agiram da maneira que agiram? Que valores eles podem ter para dar
sentido às suas ações? (Dica: do ponto de vista estoico, esses geralmente são valores relacionados a
coisas externas, além de seu controle completo.)
3. Você, ou alguma vez, defendeu algum desses valores também? Se sim, escreva sobre uma vez em
que você agiu de acordo com eles e talvez tenha frustrado ou injustiçado outra pessoa. Se não, quais
traços de caráter interno você valoriza? Liste-os, escreva sobre como você pode exercitar essas
características para diminuir sua frustração com essa pessoa.
4. 4. Reserve um momento final para expressar como você se sente em relação a essa pessoa, agora
que fez o exercício.

24
Um manual para estoicos do século 21

Segunda feira

Terça feira

quarta feira

Quinta feira

Sexta feira

Sábado

domingo

Por que fazer esse exercício


Na semana passada, você praticou o enfoque em uma visão externa a fim de reprimir seus desejos de que
as coisas ocorram como você quer. Esta semana é semelhante. Você agora está se opondo a desejos sobre o comportamento de
outras pessoas. Em vez de adotar uma visão externa de suas próprias lutas, você está adotando uma visão interna das ações de
outras pessoas. Ao realizar este exercício, você terá uma perspectiva de por que as ações das pessoas podem parecer razoáveis
para elas e, por meio disso, desenvolverá simpatia e empatia.

Revisão da quarta semana


No domingo, depois de ter praticado uma visão interna, ajuste um cronômetro de 5 a 10 minutos e escreva
suas impressões sobre este exercício. Como isso afetou sua compreensão das ações de outras pessoas? Isso levou a mais simpatia e
menos julgamentos? Que semelhanças e diferenças você descobriu com as pessoas que mais o frustram? Escreva sobre suas
experiências.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
25
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 5
Fortaleça-se através de pequenas
dificuldades físicas
É muito difícil manter a compostura quando você se sente fisicamente desconfortável, seja de dor, cansaço
ou fome. A fome é aquela dificuldade contra a qual Lucille está lutando. Lucille costumava trabalhar durante o almoço, pensando
que continuaria a ser produtivo. Tudo o que acaba produzindo é mau humor aliado a visões de pizza. Não importa, passar fome ou
sede estragam seu humor pelo resto do dia. Os estoicos compreenderam que o desconforto físico às vezes pode levar a transtornos
emocionais O exercício desta semana oferece uma técnica simples: prática intencional e repetida.
"Agora, existem dois tipos de treinamento estóico, um que é apropriado apenas para a alma e outro que é
comum à alma e ao corpo. Usamos o treinamento comum a ambos quando nos disciplinamos para o frio,
calor, sede, fome, rações escassas, camas duras, evitação de prazeres e paciência sob o sofrimento. Pois
por essas coisas e outras como elas o corpo é fortalecido e torna-se capaz de suportar as dificuldades,
resistente e pronto para qualquer tarefa; a alma também é fortalecida, pois é treinado para a coragem
pela paciência sob o coração e para o autocontrole pela abstinência de prazeres. "
Musonius Rufus, palestra,6
Observação de Dojas: não foram encontradas obras de Musonius Rufus em português brasileiro.
Embora os estoicos pensassem que a mente era nosso bem mais valioso - ela, é a ferramenta mais
sofisticada e importante que temos à nossa disposição -, eles não negligenciaram o corpo. Na verdade, como sugere o professor de
Epicteto, Musonius Rufus, a mente (ou "alma") e o corpo trabalham juntos, cada um influenciando o outro, para o bem ou para o
mal.
Podemos e devemos treinar nossa mente, e é por isso que estudamos filosofia para começo de conversa.
Afinal, este livro é uma série de exercícios para treinar sua mente pensando mais precisamente sobre o que vale a pena buscar, o
que você deve evitar e, o que significa ter uma vida que valha a pena ser vivida. Mas na filosofia, os estoicos insistiam que a razão,
não pode ser apenas uma questão de teoria. Assim como não podemos aprender a andar de bicicleta simplesmente ouvindo as instruções
de alguém sobre como fazê-lo, também não nos tornamos virtuosos apenas lendo Epiteto ou Sêneca. Precisamos praticar.
Você pode praticar exercícios relativamente suaves de desconforto auto-imposto, seguindo os exemplos
listados por Musonius: Tente sair no frio sem casaco, ou no calor enquanto está vestido demais; abstenha-se de beber água quando
tiver sede (dentro do razoável); jejuar por um ou dois dias (a menos que você tenha uma condição médica que o impeça - verifique
com seu médico); durma no sacode dormir ( ou no chão) em vez de dormir na sua cama, por uma ou duas noites; pule aquela sobremesa
saborosa após o jantar ou recuse o sabor daquele vinho tinto maravilhoso que você tanto aprecia; ou escolha a fila mais longa ao
invés da fila mais curta para testar sua paciência.
Por que alguém iria querer se auto infligir qualquer um desses desconfortos? A questão não é se entregar
à autoflagelação para se tornar infeliz. Todos esses são exemplos de autoprivação moderada. Os estoicos fizeram isso para fortalecer
seu caráter e determinação, e sua capacidade de lidar com os tempos difíceis de maneira virtuosa. A ideia central é que a mente nos
permita-nos passar por essas situações ilesos.
Observação de Dojas: Sêneca apesar de ser um dos 10 homens mais ricos do mundo na sua época, uma vez por semana dormia no
chão e uma vez por ano dormia no banco da praça no relento.
Aqui, é nossa escolha fazer os exercícios; então, quando nos é imposto pelas circunstâncias, já estamos
acostumados com a ideia de que o desconforto não é grande coisa. Se outras pessoas passam por situações semelhantes muito bem,
por que reclamar e ficar frustrado quando é a nossa vez?
O problema de Lucille não é que ele seja incapaz de pular o almoço para se concentrar no trabalho, mas
sim que ele não se treinou para isso. Parte de sua mente resiste ativamente à ideia, fazendo-o sentir-se ressentido consigo mesmo,
frustrado tanto pela sensação de fome quanto pelo fato de que ele não está conseguindo fazer o que queria de qualquer maneira.

26
Um manual para estoicos do século 21

Aprendemos com a filosofia estoica, bem como com a pesquisa empírica moderna em ciência cognitiva, que,
a menos que sejamos bem treinados, devemos evitar tarefas ou situações difíceis de lidar quando estamos cansados, famintos, doentes
ou fisicamente distraídos. Quando nosso corpo está tenso, nossa mente também fica impedindo-nos de lidar, digamos, com uma
discussão delicada com nosso chefe no trabalho ou com nosso parceiro em casa. Nesse caso, conheça a si mesmo, peça gentilmente
um adiamento e pratique!

O que fazer
O exercício desta semana é se expor a pequenas dificuldades físicas. Você será orientado em como escolher
as adversidades com segurança e de uma forma que expanda sua zona de conforto, ao mesmo tempo que o prepara para o sucesso.
Para o primeiro passo, vamos fazer um brainstorming: pense em áreas de sua vida em que o desconforto
físico tende a agravar o sofrimento emocional. Pode ser útil lembrar as áreas que Musonius listou. Você tende a ficar chateado
quando tem fome? Quando está desconfortável? Em caso afirmativo, em que circunstâncias específicas? Quando está frio? Quando
não consegue obter certos prazeres? Reserve um ou dois minutos e liste os tipos de desconforto que o incomodam.
Agora que você listou algumas possibilidades, escolha um tipo de desconforto no qual gostaria de se
concentrar durante a semana. Aqui estão algumas dicas: Concentre-se em algo que acontece com frequência. Pergunte a si mesmo:
se você fosse capaz de agitar uma varinha mágica para se tornar completamente resiliente(confortável) a esse desconforto, sua vida
melhoraria drasticamente? Se sim, você provavelmente escolheu um bom desconforto para trabalhar.
Antes de decidir sobre sua escolha, você também deve se certificar de que a exposição é viável para você.
Pergunte a si mesmo: Quão difícil será 1 sendo muito fácil e 10 sendo quase impossível? Se sua resposta foi 3 a 5, ótimo! Este
parece ser um exercício que você provavelmente realizará enquanto ainda ultrapassa seus limites. Se sua resposta foi 1 ou 2, pode
ser muito fácil. E se foi de 6 a 10, provavelmente é muito difícil para você, volte para sua resposta anterior e escolha uma entrada
que você estima ter uma dificuldade entre 3 e 5.
Depois de escolher algo específico, a próxima etapa é elaborar um plano de ação para uma exposição
consistente durante a próxima semana. Por exemplo, para lidar com o mau humor quando está com fome, Lucille planejava se expor
à fome com o tempo, para ter uma chance decente de sucesso enquanto ainda ultrapassa seus limites. Depois de pensar sobre isso,
Lucille pode perceber que pular o almoço por completo por uma semana inteira será demais para ele - apenas aumentaria as chances
de ele atacar seus colegas de trabalho. Em vez disso, ele pode decidir comer almoços menores nos próximos dias. Assim, ele ainda
estaria com um pouco de fome, mas não seria incontrolável.
Agora é a sua vez: escolha um desconforto da sua lista que você gostaria de praticar na próxima semana
e anote-o.
NOTA do Dojas §- Exemplos: deixar de tomar café durante uma semana ... só comer carne e tomar só agua durante uma semana...
fazer a dieta do guerreiro (jejum intermitente de 20 horas dia), durante uma semana ... fazer dieta lowcarb... não usar ventilador,
ar condicionado ou aquecedor, durante 1 semana... treinar musculação 2 vezes ao dia, durante 7 dias seguidos ... fazer celibato
voluntario por 7 dias... banho só na agua fria, durante 7 dias ... etc.
Agora certifique-se de que seu plano está seguro. Existem muitas condições que podem causar desconfortos
inseguros. Se você tiver alguma dúvida, agora é a hora de levá-la ao seu médico sobre o plano que você definiu acima e garantir
que seja seguro para você. Caso contrário, volte à primeira etapa e repita o processo.
A etapa final é criar algumas frases "à mão" que você possa dizer a si mesmo ao praticar intencionalmente
o desconforto. Frases à mão são uma parte importante da prática estoica; vamos encontrá-los mais ao longo deste livro. Eles
geralmente são usados como lembretes dos princípios estoicos básicos. Aqui, o objetivo dessas frases é lembrar a você por que está
fazendo isso, o que o motivará a continuar, por exemplo, "Estou fazendo isso para me tornar mais resiliente" ou "Isso é para me
tornar uma pessoa melhor. " Reserve algum tempo para escrever de uma a três frases que você possa dizer a si mesmo antes de
iniciar o exercício.
I- Você está fazendo isso para controlar seu corpo ao invés de ser controlado por ele.
II- Você está fazendo isso para controlar sua vontade ao invés de ser controlada por ela.
III- Você está fazendo isso para treinar sua mente deixando-a pronta, para lidar com as adversidades.
Frases de Dojas- crie as suas.
I-
II-
III-

27
Um manual para estoicos do século 21

Com suas frases em mãos (tenha essas frases salvas no celular) você está pronto para começar a praticar
amanhã.

Por que fazer esse exercício


Nossa aversão ao desconforto físico muitas vezes nos leva a perder o controle de nosso humor e
pensamentos, sendo a fome de Lucille apenas um dos muitos exemplos. O propósito do treinamento físico não é um castigo, mas sim,
como diz Musonius, treinar sua mente para lidar com as adversidades. Expondo-se voluntariamente às adversidades físicas, você
desenvolverá resiliência e força de caráter, se puder agir virtuosamente enquanto as suporta. Como resultado, você estará preparado
sua mente estará mais firme, caso essas dificuldades surjam por acaso em outras ocasiões de sua vida.

Revisão da quinta semana


Agora que você está praticando a resistência de um pequeno desconforto físico o sofrimento dessa semana,
defina um cronômetro para 5 a 10 minutos e escreva sobre a sua experiência dessa semana.
Você conseguiu praticar todos os dias?
Se não, quais obstáculos fizeram que você enfrenta e como você poderia superá-los?
As dificuldades diminuíram hora extra?
Quão úteis foram as frases que você usou, e elas poderiam foram melhorados?
E, o mais importante, quão útil você achou este exercício na construção de força de caráter?
Escreva sobre sua experiência.

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
28
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 6
Premeditação de adversidades futuras
Quando você experimentou um inconveniente ou infortúnio, você já pensou consigo mesmo, eu não posso
acreditar! ? ...Lucille tem exatamente este pensamento enquanto ele está sentado em seu carro imóvel, atrasado para uma promissora
entrevista de emprego, estando desempregado há mais tempo do que o ideal. Isto passa pela cabeça de Lucille: ligar para o
entrevistador para que ele saiba que do atrasado, mas ele está muito chateado e, não o faz. Os estoicos diriam muito da angústia de
Lucille é causada por sua falha em prever como as coisas pode dar errado. O exercício desta semana é para suavizar o golpe dos
infortúnios, antecipando-os.
"Se um mal foi pensado de antemão, o golpe é suave quando chega. Para o tolo, no entanto, e para aquele
que confia na fortuna, cada evento como ele chega 'vem de uma forma nova e repentina', e uma grande
parte do mal, para o inexperiente, consiste na sua novidade. Isso é provado pelo fato de que os homens
perseverarão com maior coragem, quando uma vez se acostumaram a elas, as coisas que a princípio
consideraram como dificuldades. Consequentemente, o homem sábio se acostuma com problemas que se
aproximam, iluminando por uma longa reflexão dos males que outros aliviam por longa resistência. Às
vezes ouvimos os inexperientes dizerem: 'Eu sabia que isso estava reservado para mim.' Mas o sábio sabe
que todas as coisas estão reservadas para ele. Aconteça o que acontecer, ele diz: 'Eu sabia.'"
Seneca, cartas para Lucilius, 76.34–35

Alguns estoicos modernos referem-se a este exercício pelo termo latino premeditatio malorum, a
premeditação de coisas ruins acontecendo. Isso não significa que os estoicos são pessimistas; pelo contrário, eles estão entre as
pessoas mais realistas - eles sabem que às vezes as coisas não acontecem do jeito que querem, e sempre são mentalmente preparados
para essa ocorrência.
Claro, ter uma mente preparada não é como ter uma varinha mágica; não importa o quão preparado Lucille
esteja, ainda haverá tráfego e ele provavelmente perdera’ a entrevista. Mas existem dois aspectos adicionais de seu despreparo que
fazem a diferença. Primeiro, uma vez que é inevitável que Lucille vai se atrasar e perder a entrevista, perdendo assim o emprego,
torna-se o que os estoicos chamariam de desgostoso, ou algo que preferiríamos não fazer ou acontecer. Ficar chateado neste ponto
não vai resolver nada, mas é garantido para torná-lo mais infeliz, adicionando um ferimento auto infligido a um advindo de fora. Em
segundo lugar, Lucille decidiu não ligar para o entrevistador para alertá-lo do problema, porque ele estava muito chateado com a
sua circunstância. Esta é uma marca do que os estoicos [e os Cínicos] chamam de paixão [páthos]- nuvens de fumaça na
sua mente, impedindo você de fazer ou pensar o que é razoável. (De jeito nenhum todas as emoções são paixões[páthos], apenas
aquelas que tomam conta da sua mente são) capaz de abraçar a situação com equanimidade, ele pode ter percebido que não tinha nada
a perder ligando para o entrevistador. A decisão de ligar com antecedência ou não estava sob seu controle; no entanto, por causa de
sua angústia, Lucille não poderia agir em seu próprio interesse. O filósofo estoico Crisipo de Soli, o terceiro chefe do antigo Stoa
(como a escola estoica era chamada) veio com uma boa metáfora para situações desgostosas e, realmente, para a vida em geral.
Imagine um cachorro que é amarrado a uma carroça por meio de uma guia(coleira). O cachorro está cuidando da própria vida, talvez
latindo de brincadeira para outro cachorro próximo, apenas por diversão. Tudo de um de repente, a carroça começa a se mover. O
cachorro prefere ficar um pouco mais e continuar latindo para o outro cara, mas ele não tem escolha. A coleira garante que ele terá

29
Um manual para estoicos do século 21

que seguir o carrinho. Neste ponto, o cão poderia fazer uma ou duas coisas: ele poderia tomar nota da situação, aceitar o que ele não
tem controle, e cuidadosamente começar a seguir a carroça, talvez até esperando para conhecer outros cães na estrada. Ou, ele pode
ficar chateado, arrastar-se no pavimento, e tente resistir a carroça puxando-o. Qual você acha que seria o mais sábio curso de ação?
Como o cachorro e a carroça, somos nós e o universo. Coisas vão acontecer que tornarão impossível para
nós fazer o que pretendemos fazer. Nós podemos abordar a situação indesejada com tranquilidade e fazer o melhor que pudermos
dadas as circunstâncias, ou podemos nos arrastar e ser arrastados, chutando e gritando. O resultado final será o mesmo, mas podemos
nos poupar de muitos Sofrimentos.

O que fazer
Na semana passada, praticamos como lidar com as dificuldades do momento presente; essa semana estamos
nos concentrando em possíveis adversidades futuras. Enquanto premeditatio malorum é um exercício estóico fundamental, há um
problema: nenhum filósofo estóico descreveu como fazê-lo. No verdadeiro estilo estóico, estamos superando essa falta de detalhe a
nosso favor. Em vez de dar a você uma técnica, ofereceremos três abordagens. Ao completar as instruções desta semana, você vai
ganhar experiência premeditando em adversidades futuras de curto e longo prazo.
Sugerimos que você faça este exercício todas as manhãs, a fim de ajudar a se preparar para o seu dia.
Anote o tempo em que você fará o exercício.

Método 1: Planeje para que as coisas deem errado:


Começaremos este exercício escrevendo alguns planos para o dia. Então nós vamos supor que o que pode
dar errado irá dar errado. Em seguida, relembrando o que aprendemos da semana 1 e da semana 2 sobre o que está sob nosso
controle completo, vamos escreva como poderíamos responder à situação. Se você precisar de uma atualização, vá volte e revise
esses capítulos agora. Este exercício, como muitos exercícios futuros neste livro, é apoiado por uma técnica chamada de intenções
de implementação, que são bem estudadas, maneira eficaz de aumentar as chances de você se lembrar de fazer algo em uma situação
específica.1 Em vez de ter a intenção de fazer algo, diga você mesmo, em que circunstâncias o fará. Por exemplo, em vez de dizendo:
“Vou me lembrar do que está sob meu controle completo”, você pode dizer: “Se meu plano dá errado, direi a mim mesmo que meus
pensamentos, não o resultado, são sob meu controle.” Use esta tabela para traçar estratégias como você pode responder
estoicamente se as coisas correrem errado. Experimente fazer isso em até três de seus planos para o dia.
Objetivo você tem para hoje Como poderia dar errado? Se der errado o que estaria sob seu O que você poderia fazer ou dizer Escrever uma implementação um
completo controle? para você mesmo se isso der mantra para lembrar se o plano
errado? der errado.
Exemplo: fazer o imposto de renda Não ter todas as informações Meu pensamento sobre os Eu poderia dizer a mim mesmo que Quando eu começar a ficar
necessárias resultados e planejar as ações o pior que pode acontecer é uma chateado, vou dizer a mim mesmo
posteriores se o leão me pegar. penalidade financeira que uma penalidade financeira não
é o fim do mundo

Bom trabalho! Agora você está pronto para começar o seu dia. Volte esta noite para seu diário estoico e
escreva sobre como foi o exercício para você.
Você foi mais capaz de lidar com adversidades durante o dia?
Você se lembrou de como queria agir quando seus planos foram descarrilados?
Você acha isso exercício pode ser útil para você no futuro?

30
Um manual para estoicos do século 21

Método 2: premeditar a adversidade dos outros:


Agora estamos mudando de marcha. Até agora você se concentrou em suas próprias experiências. Hoje
estamos expandindo o poder do premeditatio malorum para internalizar a realidade de que você pode estar sujeito a infortúnios
inesperados que acontecem com os outros. O exercício de hoje é simples: sempre que você encontrar algo infeliz acontecendo a outra
pessoa, seja pessoalmente, nas notícias ou nas redes sociais, reserve um momento para se lembrar de que poderia acontecer com
você também. Abaixo, defina uma intenção de implementação para se lembrar de fazer isso ao longo do dia. É tudo por agora.
Volte no final do dia para escrever sobre a sua experiência.
Como você se sentiu ao se lembrar repetidamente de que poderia ser suscetível a esses infortúnios? Sua
reação mudou? o curso do dia mudou? Que uso, se houver, você encontrou no exercício?
Amanhã, você praticará este exercício novamente. De manhã, reveja as intenções de
implementação(mantras) que você definiu para si mesmo e revise-as se elas funcionaram ou não para você. Então volte aqui no final
do dia para escrever sobre como este exercício foi para você.

Método 3: Pratique a premeditação imaginativa


A abordagem final da premeditatio malorum é imaginar uma situação que você não gostaria que acontecesse
como se estivesse realmente acontecendo. Esta abordagem é semelhante à exposição imaginativa, um tipo de terapia de exposição
usada para ajudar as pessoas superar suas ansiedades. No entanto, embora a exposição imaginativa esteja acostumada a tratar
condições clínicas, o objetivo da premeditação estóica é afrouxar nosso apego a eventos externos em geral, de algo tão simples como
quebrar sua xícara favorita (para usar o exemplo de Epicteto da Semana) até a morte de um ente querido. Já que você está fazendo
isso apenas por um dia, nós não recomendo começar com uma situação séria. Para começar, liste cinco situações que não estão sob
seu controle completo. Em uma escala de 1 a 10, sendo 1 muito fácil e 10 muito difícil, avalie quão difícil seria para você gerenciar
cada um se acontecesse com você. Estar certifique-se de incluir pelo menos uma situação fácil e uma difícil, embora a maioria deva
caem na faixa de 2 a 5
Situação externa Quão difícil seria difícil
lidar comisso, em uma escala de 1 a 10?

Agora escolha o item mais fácil da lista para trabalhar hoje. Pegue um cronômetro e reserve 10 minutos
para completar o exercício. Pelo menos 10 minutos são necessários parra treinar sua mente para se familiarizar com o evento -
talvez até entediado - como Sêneca sugere no início deste capítulo. Nota: você pode sentir desconforto emocional durante este
exercício. Tudo bem! Faça o possível para continuar o exercício e sentir o desconforto. Pode ajuda a ter uma frase à mão para
lembrá-lo por que você está engajado no premediatio, ou simplesmente para descrever o desconforto de forma objetiva. Algumas
possíveis frases à mão são "Estou fazendo isso para criar coragem", "Isto é para superar a ansiedade” ou “Isto é para meu benefício”.
Reserve um momento para gerar sua própria frase em mãos. Agora leia e internalize essas etapas, defina o cronômetro para 10
minutos e comece imaginando!
1. Feche os olhos e imagine o evento do seu ponto de vista, como se estivesse acontecendo em tempo real.
Passe por isso passo a passo, pensando no que você ouve, cheira e sente. Se você usar palavras para
ajudá-lo, certifique-se de usar o tempo presente e as descrições em primeira pessoa.
2. Jogue a cena até que esteja completa. Uma vez feito isso, faça uma rápida anotação mental de quão
intenso suas emoções negativas estão em uma escala de 1 a 10.
3. Repita a mesma visualização da situação como se ela realmente estivesse acontecendo com você no
presente momento, e novamente avalie a intensidade de suas emoções no final da visualização.
4. Repita até o cronômetro desligar

Parabéns - você concluiu sua primeira premeditação imaginativa! Agora vamos ver como você se saiu.
Você percebeu que seu desconforto emocional diminuiu? Caso contrário, não se preocupe - esse processo leva tempo. Você pode ter
encontrado alguns problemas comuns que podem atrapalhar este exercício a funcionar bem. Obstáculos comuns incluem tempo

31
Um manual para estoicos do século 21

insuficiente para a premeditação, dificuldade em imaginar a situação e falta de foco na imagem. Descreva como o desconforto
emocional mudou para você ao longo do tempo, ou quais problemas você pode ter tido.

Isso é tudo por hoje!

Sábado
Hoje, você tentará novamente a premeditação imaginativa. Pegue alguns momentos para rever suas
experiências dessa semana antes de começar. Houve algum problema que você acha que pode resolver? Se sim, escreva como você
pode lidar com as coisas de forma diferente hoje. Agora escolha outra situação da lista de ontem para praticar hoje. Se a prática de
ontem foi muito fácil para você, escolha o próximo item mais difícil em sua lista. No entanto, se você achou difícil ontem, sugerimos
meditando sobre o mesmo assunto. Depois de escolher um tópico, releia as etapas imaginativas de premeditação mais uma vez, ajuste
um cronômetro para 10 minutos e pratique a meditação. Quando terminar, escreva sobre como funcionou para você desta vez. Foi
mais fácil com o tempo? Você encontrou alguma técnica específica que funcionou bem para você? Se você continuar trabalhando
nisso todos os dias, você acabará por se encontrar entediado no início de sua premeditação - e então você está pronto para avançar
para uma entrada mais difícil em sua lista.

Por que fazer esse exercício


Existem três métodos diferentes de premeditatio malorum apresentados neste capítulo, mas todos eles
visam a um objetivo: treinar-se para enfrentar quando coisas fora de seu controle não acontecerem como você deseja.

Revisão da sexta semana


Agora que você passou por três tipos de premeditação, tome algum tempo hoje para revisar suas
experiências durante a semana passada. Escreva sobre quais métodos funcionaram para você, quais não funcionaram e o que você
gostou mais sobre alguns e sobre outros.

Continue lendo para saber mais sobre o que você fará na próxima semana.

32
Um manual para estoicos do século 21

SEMANA 7
Tenha uma perspectiva (muito) mais ampla

33