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Manutenção Industrial

Prof. MSc. Marcos Vieira de Souza

9º período
Engenharia de Produção

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MANUTENÇÃO INDUSTRIAL

Tribologia e Lubrificação

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TRIBOLOGIA
Ciência focada no estudo do atrito, desgaste, lubrificação e
interação entre superfícies com movimento relativo, é um campo
relativamente novo, sendo que a maior parte dos conhecimentos atuais
foram desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial.

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TRIBOLOGIA

• A palavra Tribologia origina-se de palavras gregas:

Tribos = atrito;

Logia = estudo.

• É a matéria que abrange o atrito, desgaste e lubrificação.

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TRIBOLOGIA

A primeira ideia é a de que a Tribologia se ocupa essencialmente na


redução do atrito entre duas superfícies em movimento relativo entre
si.

Porém a Tribologia está também numa área totalmente oposta: a de


garantir atrito elevado para permitir a aceleração, manutenção da
velocidade e a desaceleração.

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TRIBOLOGIA

A indústria de pneumáticos investe nisso para garantir a


movimentação segura de veículos: evitar derrapadas e
acidentes. Sem atrito suficiente entre os nossos pés e o chão,
não andaríamos.

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TRIBOLOGIA

Tribossistema

De acordo com a norma DIN 50320, um tribossistema é


composto de basicamente 4 elementos:

• Corpo sólido Meio


Elemento
Interfacial
• Contracorpo

• Elemento interfacial

• Meio

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TRIBOLOGIA - TRIBOSSISTEMA

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TRIBOLOGIA

O contracorpo pode ser um sólido, líquido ou gasoso, ou ainda


uma mistura deles.

Lubrificantes, poeira, elementos sólidos em geral, um líquido


gás ou mistura deles, podem existir como elementos
interfaciais.

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TRIBOLOGIA

A ação dos elementos ou a interação entre eles varia


amplamente dependendo da estrutura do tribossistema.

Podem ocorrer entre esses elementos interações físicas e


químicas, resultando em destacamento de material da
superfície do contracorpo e/ou da superfície do corpo sólido.

A formação desses detritos de desgaste é função dos


mecanismos de desgaste atuantes.

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FUNDAMENTOS DA TRIBOLOGIA
ENSAIOS TRIBOLÓGICOS:

Principais equipamentos de ensaio tribológicos de desgaste:

(a) Four-Ball;

(b) Pino-disco;

(c) Timken Test;

(d) Cilindro-lâmina;

(e) Falex;

(f) 2 metades cilindro-pino central;

(g) Disco girante-superfície plana;

(h) Dois cilindros concêntricos.


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TRIBOLOGIA - RUGOSIDADE

Embora as operações de usinagem possam promover


superfícies com ótimos acabamentos, irregularidades
microscópicas inevitavelmente estarão presentes.

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TRIBOLOGIA - RUGOSIDADE

Exames acurados do contorno de superfícies sólidas, feitas no


microscópio eletrônico e por outros métodos de precisão,
mostraram que é quase impossível, mesmo com os mais
modernos processos de
espelhamento, produzir
uma superfície verdadeiramente
lisa ou plana.

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TRIBOLOGIA - RUGOSIDADE

Essas imperfeições são chamadas de asperidades e, quando 2


sólidos estão em contato movendo-se um contra o outro,
haverá interferência entre as asperidades opostas, levando ao
atrito.

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TRIBOLOGIA – ATRITO
• Atrito é uma designação genérica da resistência que se opõe ao
movimento.

• Esta resistência é medida pela força de atrito. Encontramos o atrito


em qualquer tipo de movimento entre sólidos, líquidos ou gases.

• No caso de movimento entre sólidos, o atrito

pode ser definido como a resistência que se

manifesta ao movimentar-se um corpo sobre outro

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TRIBOLOGIA – ATRITO

O atrito causa diversos problemas, tais como:

• Desgaste dos elementos de máquina;

• Ruído e vibração;

• Aumento de temperatura (perda de energia);

• Perda de movimento.

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TRIBOLOGIA – ATRITO

Supondo duas barras de aço com superfícies aparentemente


lisas, uma sobre a outra, tais superfícies estarão em contato
nos pontos salientes.

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TRIBOLOGIA – ATRITO
Quanto maior for a carga, maior será o número de pontos em contato.

Carga Carga Maior Carga Maior Carga


2Kg 2Kg 9Kg 9Kg

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TRIBOLOGIA – ATRITO
Ao movimentar-se uma barra de aço sobre a outra haverá um
desprendimento interno de calor nos pontos de contato. Devido à
ação da pressão e da temperatura, estes pontos se soldam.

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TRIBOLOGIA – ATRITO

Para que o movimento continue, é necessário fazer uma força


maior, a fim de romper estas pequeníssimas soldas (micro-soldas).

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TRIBOLOGIA – ATRITO

Com o rompimento das micro-soldas, temos o desgaste


metálico, pois algumas partículas de metal são arrastadas das
superfícies das peças.
Quando os pontos de contato formam soldas mais profundas,
pode ocorrer a grimpagem ou ruptura das peças.

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TRIBOLOGIA – ATRITO

Uma vez que o atrito e o desgaste provêm do contato das


superfícies, o melhor método para reduzi-los é manter as
superfícies separadas, intercalando-se entre elas uma camada
de lubrificante. Isto, fundamentalmente, constitui a lubrificação.

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TRIBOLOGIA – ATRITO

Portanto, lubrificante é qualquer material que, interposto entre


duas superfícies atritantes, reduza o atrito.

Atrito 3D

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TRIBOLOGIA – ATRITO
O atrito sólido pode se manifestar de duas maneiras:

• Atrito de deslizamento

• Atrito de rolamento

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TRIBOLOGIA – ATRITO

As leis que regem o atrito de deslizamento são as seguintes:

• 1ª Lei - o atrito é diretamente proporcional à carga aplicada.


Portanto, o coeficiente de atrito se mantém constante e,
aumentando-se a carga, a força de atrito aumenta na mesma
proporção.

• Fs = μ x P

Sendo:
Fs = atrito sólido / μ = coeficiente de atrito / P = carga aplicada

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TRIBOLOGIA – ATRITO
1ª Lei - o atrito é diretamente proporcional à carga aplicada

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TRIBOLOGIA – ATRITO

2ª Lei
O atrito, bem como o
coeficiente de atrito,
independem da área de
contato aparente entre
superfícies em movimento.

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TRIBOLOGIA – ATRITO

3ª Lei
O atrito cinético
(corpos em movimento) é
menor do que o atrito estático
(corpos sem movimento),
devido ao coeficiente de atrito
cinético ser inferior ao estático.

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TRIBOLOGIA – ATRITO

4ª Lei
O atrito diminui com a lubrificação
e o polimento das superfícies,
pois reduzem o coeficiente de
atrito.

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TRIBOLOGIA – ATRITO DE ROLAMENTO

No atrito de rolamento, a resistência é devida sobretudo às


deformações.
As superfícies elásticas (que sofrem deformações temporárias)
oferecem menor resistência ao rolamento do que as superfícies
plásticas (que sofrem deformações permanentes).
Em alguns casos, o atrito de rolamento aumenta devido à
deformação da roda (por exemplo, pneus com baixa pressão).

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TRIBOLOGIA – ATRITO DE ROLAMENTO


1ª Lei
A resistência ao rolamento é diretamente proporcional à carga aplica.

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TRIBOLOGIA – ATRITO DE ROLAMENTO

2ª Lei
O atrito de rolamento é
inversamente proporcional
ao raio do cilindro ou esfera.

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TRIBOLOGIA – DESGASTE

Muito embora o objetivo imediato do lubrificante seja reduzir o


atrito, pode-se considerar que sua finalidade última seja diminuir
o desgaste
Todos os corpos sofrem desgaste;
O conhecimento dos diversos tipos de desgastes é importante
para averiguar suas origens e procurar a melhor forma de evitá-
los.

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TRIBOLOGIA – LEIS DO DESGASTE

• A quantidade de desgaste é diretamente proporcional a carga.


• A quantidade de desgaste é diretamente proporcional a distância
deslizante.
• A quantidade de desgaste é inversamente proporcional a dureza da
superfície.

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