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Eficiência Energética e Qualidade

de energia em Instalações

Eng. Jose Starosta; MSc.


jstarosta@acaoenge.com.br
Matéria prima

kWh
Produto final
+
Perdas
$$$

HM+HH

Sucata
kWh
Matéria
Qualidade da Energia Elétrica - Starosta prima 2a4
AGENDA “ITINERANTE”

• Qualidade de energia (VTCD´s; transientes;


Flutuações de tensão, harmônicas, desequilíbrio .......)
• Eficiência Energética
• Compensação Reativa
• Harmônicas
Será possível tratar os temas de forma isolada?
Ou as soluções devem ser integradas?
QUALIDADE DE ENERGIA:
• Está associada a uma grande variedade de
fenômenos eletromagnéticos que caracterizam a
tensão e corrente num determinado instante,
num determinado local, num sistema de
potência(*)
• Qualquer problema no suprimento da energia,
verificado por desvios de tensão, corrente ou
frequência, que resulta em falha ou má
operação da carga/equipamento alimentado
(**)
(*) IEEE Std1159 (**)Adaptação de Dugan e outros

Qualidade da Energia Elétrica - Starosta 6


• num determinado instante
• num determinado local
• num sistema de potência
Distr. U0

U1

U2 U3

carga carga carga carga carga carga

IEEE 1110
Alguns Indicadores Propostos a serem avaliados
A. Regulação de tensão (regime permanente) e aspectos de
eficiência energética
B. Fator de Potência
C. Harmônicos de Tensão (DTT)
D. Desequilíbrio de tensão: FD% (V-/V+)
E. Flutuação de tensão. PltS95%
F. Variação de tensão de curta duração (VTCD)
G. Transientes
H. Frequência
E como avaliar?

Medições Elétricas
de USD 20 a USD 70,000

Qualidade da Energia Elétrica - Starosta 11


Medições – O que se deseja medir?
“Metros ou micra”?

12

Qualidade da Energia Elétrica - Starosta


“SÓ SE GERENCIA AQUILO QUE SE PODE MEDIR”

• Qual o comportamento da carga e fonte


• Existem filtros? Como? Quais?
• O que fazer?
• Medição é adequada? Você esta medindo o que?
Qualidade da Energia Elétrica - Starosta 13
Começando pelo final
Capacitores fixos desligados

Case: sistema de pintura - ressonância


Starosta - Qualidade da Energia Elétrica Parte II 14
Starosta - Qualidade da Energia Elétrica Parte II 15
A
A B C
Perfil de carga “nervoso” – energia reativa + Harmônicas

Espectro das Harmônicas da carga

Av aliação de P e Q P
Q1
Qinj
5000
Q2
4500

4000 60 segundos
3500

3000
kW/kVAr

2500

2000

1500

1000

500

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
hora
O que medir?
Como medir
Que resolução
Que integração
Que Memória?
O que medir? Como medir?
VARIAVEIS ELÉTRI CAS

COMPORTAMENTO
CICLO A CICLO
VTCD - AFUNDAMENTOS:
INTERNOS OU EXTERNOS? É SEMPRE A CONCESSIONÁRIA?
Voltage

100%

90%

Primeiro Evento
Primeiro Evento Segundo Evento
80%

Segundo Evento
Análise multiponto
Análise temporal e de propagação

•Voltage
Time synchronization allows time delay analysis

100%

90%

First Event
80%
0.1 Sec/Div
As variáveis elétricas são interdependentes
Vh Q

V FP

Ih f

I THDV
P
.... e as intervenções interferem em todas
Projeto de compensação reativa
• Qual a potência reativa necessária?
• O que mais é necessário? Qual a especificação do sistema?
Primeiros
passos • Evitar excedentes ou qualidade de energia? É possível ?

• Há influências do consumo de potencia reativa na tensão? Que


sistema é necessário? (afundamento com pico de potencia reativa?)
Que
Medições • Que tipo de medição é necessária? Amostras e integração

• Como as harmônicas podem influenciar na compensação reativa?


Aspectos das
• O que seria a ressonância harmônica?
Harmônicas • Filtros? ativos ou passivos?

• Só capacitores? Filtros? Ativos ou Passivos?


• Se passivos antirressonantes ou sintonizados?
Especificação
do Sistema de • Geradores? Qual o comportamento?
compensação
• Garantias e outros efeitos
Aspectos das harmônicas nas Instalações Elétricas
• Cargas não lineares são necessárias à operação confiável e econômica das instalações elétricas e
automação dos processos.
• Por sua característica de operação estas cargas (inversores de 6 pulsos/12 pulsos/etc) produzem
correntes harmônicas.
• A circulação das correntes harmônicas nos componentes das instalações elétricas produzem tensões
harmônicas e outros impactos/perdas.
• Compensação de energia reativa com a inserção de capacitores definem uma frequência de
ressonância, que se estiver próxima as frequências das correntes típicas das cargas não lineares, causará
ressonância harmônica.
• A ressonância harmônica é caracterizada pelo aumento da circulação de corrente na rede e nos
capacitores, e por consequência no aumento da distorção de tensão a valores não aceitáveis causando
má operação, queima de componentes e acidentes. (*)
(*) ver: O milagre da multiplicação dos amperes – O Setor Elétrico – Nov/2010
http://www.osetoreletrico.com.br/web/colunistas/jose-starosta/483-o-milagre-da-multiplicacao-dos-amperes-aspectos-de-ressonancia-harmonica-
parte-i.html
Distr.
Fator de Potência -E o fluxo
da potência reativa??
U1

U2 U3

carga carga carga carga carga carga

“Quanto mais próximo for a compensação reativa da carga;


menores serão as perdas”
Harmônicas - Como surgem as tensões harmônicas?
Distr. U0
U0 zd Ih0

ztr Ih1
U1

U1 zcirc Ihtr
U1.1

ztr ztr

U2 U3 U2 U3

carga carga carga carga carga carga Ih Ih

Uh0=Zd*Ih0 Uh1=Uh0+ztr*Ih1 Uh1.1=Uh1+zcirc*Ihtr Uh2=Uh1.1+ztr*Ih

“Pela circulação das correntes harmônicas através das impedâncias das instalações”
Filtros Ativos e Passivos
• Filtros passivos compensam energia reativa e fator de potência e também podem
filtrar as correntes harmônicas, enquanto filtros ativos filtram as harmônicas e
também podem compensam o fator de potência.
• A especificação dos filtros passivos é normalmente feita pela potência reativa
(kvar) e a dos filtros ativos em corrente (A).
• Solução econômica: Uso misto, com compensação de energia reativa efetuada
com o uso de filtros passivos (reatores antirressonantes) e filtros ativos aplicado ás
correntes harmônicas.
• Nota: uso de reatores antirressonantes (filtros antirressonante) na compensação reativa é
importante, uma vez que caso o filtro ativo venha a falhar por alguma razão, o sistema estaria
sujeito á ocorrência de ressonância provocada pelos capacitores sem reatores.
Filtro ativo
A SOLUÇÃO COM REATORES SINTONIZADOS E ANTI-RESSONANTES

Filtro passivo • Um Reator XL1 em série com o capacitor


move a frequência de ressonância para
valores menores.
• A nova frequência de ressonância se modifica
onde para: XL=XC+XL1
• A nova frequência de ressonância é
deslocada para valores menores da menor
harmônica predominante.
• Filtros passivos injetam potência reativa
enquanto absorvem as harmônicas em
ações simultâneas
Comportamento com a antirressonância
Avaliação das impedâncias de dessintonia

1,00
0,90
0,80
0,70
Impedâncias

0,60 Zc+ZL2
0,50 ZL1
0,40 Ztot
0,30
0,20
0,10
-
20

80

140

210

270

330

390

450

510

570

630

690

750
fre qüência
Solução Antirressonante - 7%
0.25

1Paso
Step1
0.2
2Paso 2
Steps
3Paso 3
(Ohm)

Steps
Impedance (Ohm)

Paso
4 4
Steps
0.15
5Paso
Steps
5
Impedancia

6Paso
Steps
6

0.1

0.05

0
50

100

150

200

250

300

350

400

450

500

550
Frequency
Frecuencia
31
Soluções Sintonizadas - Filtros
• Os filtros passivos são “sintonizados” próximo a frequência harmônica.
0,25

1 Step 2 Steps
3 Steps 4 Steps
0,2 5 Steps 6 Steps
7 Steps 8 Steps
Frequencia do filtro; pouco abaixo da 9 Steps
11 Steps
10 Steps
12 Steps
0,15 frequencia de sintonia .Em 50 Hz: 250 Hz 13 Steps
Paso1 Paso3 14 Steps
Paso2 Paso4
15 Steps
Paso 5 Paso 7 Paso 6 Paso 2
(5ª harm)
Impedance (Ohm)

Paso 9 Paso 11 Paso 10 Paso 12


Paso 13 Paso Paso 14
0,1 15

0,05

0
100

150

200

250

300
50

Frequency

32
Reatores Antirressonantes/Sintonizados
• A frequência de ressonância se define pelo ponto de ressonância serie.
• Os reatores conectados em série se definem por valores percentuais,
definidos pela relação de sua impedância na frequência fundamental
em relação a impedância dos capacitores na mesma frequencia.
Reator (p) 60Hz Harmônica
7% 227Hz H3.78
6% 245Hz H4.08
14% 160Hz H2.67
5.67% 252Hz H4.2
ALGUNS PROJETOS COMPENSAÇÃO TEMPO REAL E
FILTRO HARMÔNICAS COM MANOBRA ESTÁTICA

Qualidade da Energia Elétrica - Starosta 34


kvar consumido rede @PF96%

kvar INJETADO
kvar solicitado pela carga

kvar injetado pelo Equalizer


SEM COMPENSAÇÃO

COM COMPENSAÇÃO
http://www.youtube.com/watch?v=KNti_8hO4qg
PRENSAS

Sistema desligado
Sem compensação de energia reativa

Sistema ligado
Com compensação de energia reativa
PRENSAS
Elevação do
fator de potência

Sistema desligado
Sem compensação de
energia reativa

Regulação de tensão
Sistema ligado
Com compensação de
energia reativa

Redução da corrente
nominal
PRENSAS

Regulação de tensão
Sistema desligado
Sem compensação de Sistema ligado
energia reativa Com compensação de
energia reativa Redução na Potência
Aparente

Redução da Distorção
Harmônica na Tensão
kW=kVA FP =100%

d de capacitores
Banco
• Ver “OSE”
Referências
• MITIGAÇÃO DOS PROBLEMAS DE QUALIDADE DA ENERGIA - AÇÕES CORRETIVAS
Edição 110 - Março de 2015:
• http://www.osetoreletrico.com.br/web/colunistas/jose-starosta/1625-mitigacao-dos-
problemas-de-qualidade-da-energiaacoes-corretivas.html
16 soluções passando por filtros, trafos e UPS
• O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS AMPERES (PARTE I e II).
• http://www.osetoreletrico.com.br/web/colunistas/jose-starosta/483-o-milagre-da-
multiplicacao-dos-amperes-aspectos-de-ressonancia-harmonica-parte-i.html
• http://www.osetoreletrico.com.br/web/colunistas/jose-starosta/507-o-milagre-da-
multiplicacao-dos-amperes-aspectos-de-ressonancia-harmonica-parte-ii-ressonancia-serie-e-
ressonancia-paralela-.html
• A revisão do modulo 8 - critérios de avaliação das variações de tensão de curta
duração - VTCDs
• http://www.osetoreletrico.com.br/2016/2017/01/19/a-revisao-do-modulo-8-criterios-de-
avaliacao-das-variacoes-de-tensao-de-curta-duracao-vtcds-parte-1/
Siiiiim !
Continuam valendo as leis de OHM!!!!!
• Retificadores de frequência
• Eliminadores de harmônicas
• Filtros baseados em nanotecnologias
• Circuitos de aterramento de harmônicas
• Impedância zero entre rede e aterramento
• ....................................................

Ver: “A eletrotécnica Aviltada” – Revista o Setor Elétrico – Janeiro 2016


http://www.osetoreletrico.com.br/web/colunistas/jose-starosta/1906-a-eletrotecnica-aviltada.html
Regulação de tensão e Eficiência Energética
𝑅𝑡 = (𝑉0 −𝑉𝐿 )/𝑉𝐿 (𝑉𝑟𝑒𝑓)
𝑉0 é a tensão de operação “sem carga”
𝑉𝐿 é a tensão de operação “em carga”
• IEC 61000-3 recomenda 𝑉𝑟𝑒𝑓 como Vnom
• IEEE 1100: O grau de controle ou estabilidade da tensão eficaz em situação de
carga (normalmente especificado a outros parâmetros como variações de tensão
na entrada, variações de carga, etc)
• Instalações atuais possuem cargas variáveis e comportamento da tensão da
mesma forma.
• E a eficiência da instalação? Qual o comportamento geral?
Modelagem das cargas
Carga resistiva com V=1,05V0
P=P0 x 1,052=1,1025.P0

Ref:Marcelo Silva Neves


UFJF
QUALIDADE DE ENERGIA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

• V=f(Q):
• Pico de potencia reativa - afundamento de tensão.
• TAP dos trafos são ajustados para tensões acima das nominais; pelas situações transitórias.
• P=f(V):
• se Vregime>>Videal Pconsumida>>VPótima
• Compensação reativa adequada pode:
I. Evitar afundamentos evitando ajuste de TAPs em tensões superiores
II. Reduzir a circulação de correntes (fundamentais e harmônicas) reduzindo as perdas no cobre
na proporção do quadrado da redução destas correntes
• Em outras palavras: Obtenção de EE devido a operação em tensões adequadas (I) e redução da
circulação das correntes (II)
E O QUE ISSO TEM A VER COM A EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA?
CVR – “conservative voltage reduction”
• Relação entre a variação da potência ativa com a tensão.
• Equacionada como: CVR=Δ% E / Δ% U
• Δ%E: variação da energia; Δ%U é a variação da tensão.
• CVR como parte integrante de um modelo sustentável de “smart grid”
• Diferentes valores para o CVR convergência para CVR=1; em outras palavras a
cada variação de tensão de 1%, seria obtido uma redução no consumo de energia
de também 1%
• Estratégia de redução de 2,5% a 5% da tensão de operação com manobra nos
TAP´s. O resultado dependerá do “mix de cargas” e da dependência da variação
de tensão conforme o modelo preponderante (quanto mais próximo do modelo
de impedância constante for a carga resultante, melhor será o resultado).
• Em aplicação de redução de TAP em 5% seria então obtido uma redução de 5%
do consumo de energia em um modelo geral, valor mais conservador que o
projeto apresentado na tabela II.
REAL SIMULAÇÃO

Redução do TAP em 10 % com compensação estática de energia reativa – Medições e simulações


Comportamento da Potência Ativa em função do ajuste de tensão em
projeto
DESCRIÇÃO POTÊNCIA DIFERENÇA

SEM COMPENSAÇÃO E ANTES DA REDUÇÃO DOS TAPS 9.706MW

9.965MW +2.67%
COM EQ55MVAR E DEPOIS DA REDUÇÃO DO TAP (-2.5%)

9.447MW -2.67%
COM EQ55MVAR E DEPOIS DA REDUÇÃO DO TAP(-5%)

8.969MW -7.59%
COM EQ55MVAR E DEPOIS DA REDUÇÃO DO TAP (-7.5%)

8.378MW -13.68%
COM EQ55MVAR E DEPOIS DA REDUÇÃO DO TAP (-10%)
Potência e Tensão – Simulação Dinâmica

Qualidade da Energia Elétrica - Starosta 56


Resultados da Simulação

Qualidade da Energia Elétrica - Starosta 57


Aspectos sobre algumas
variáveis elétricas
As VTCD´S Revisão 8 do modulo 8 – ANEEL-Prodist
• Vigorando a partir de 2017,
• oportunidade de melhoria dos padrões de fornecimento de energia
baseado no modelo que considera a aplicação do “fator de impacto” –
FI
• tabela 10: classificação das variações de tensão de curta duração -
VTCD
• Anteriormente a legislação tinha limites de fornecimento para as
distribuidoras com valores de tensões eficazes em regime
permanente relacionadas apenas a interrupções a partir de 3 minutos.
• Portanto a avaliação das VTCDs é a quebra de um importante
paradigma por parte do poder regulador.
VTCD (Tabela 10 do modulo 8)
Equacionamento e cálculo do fator de impacto

• Ve=Vres/Vref x 100
• Δte=tf-ti
• onde:
• Ve = amplitude do evento de VTCD em %
• Vres= tensão residual do evento de VTCD em Volt
• Vref= tensão de referencia em Volt
• Δte= duração do evento de VTCD em milissegundos
• tf = instante final do evento de VTCD
• ti = instante inicial do evento de VTCD
• Considerando que as VTCD´s são definidas como “desvios
significativos na amplitude do valor eficaz de tensão” (de 10% a 90%)
e a partir de 110%. As VTCDs que ocorram a partir de 1 ciclo, devem
ter suas tensões eficaz residual avaliadas e medidas durante este
período de transgressão; constituindo-se cada evento.
• A frequência de ocorrência de eventos é definida como “fe” ou “n”;
(número de eventos de VTCD registrados no período de avaliação). O
modelo considera a estratificação dos parâmetros obtidos nas
medições através dos valores das variações de tensão e tempo de
duração destas ocorrências. Procede-se então a classificação proposta
dos nas tabelas 12 e 13 do documento
amplitude (pu) Duração

limite min limite max 16,67 - 100 ms 100-300ms 300-600ms 600ms-1seg 1-3seg 3seg-1min 1min-3min
>1,15 região H região I
1,1 1,15
0,85 0,9 região A
0,8 0,85 região G
0,7 0,8 região B região D
0,6 0,7 Região F
0,5 0,6 região C
0,4 0,5
0,3 0,4 Região E
0,2 0,3
0,1 0,2
<0,10

tabela 13 - estratificação das VTCDs com base nos níveis de sensibilidade das diversas cargas
Fatores de ponderação em função das regiões
Região de Fator de Fator de Impacto Base (FI BASE )
Sensibilidade Ponderação
(fp ) 1kV<Vn<69kV 69kV<Vn<230kV
A 0
B 0,04
C 0,07
D 0,15
E 0,25
F 0,36
G 0,07
H 0,02
I 0,04 2,13 1,42

tabela 14- Fatores de ponderação e Fator de Impacto de Base


de acordo com a tensão nominal do barramento de dsitribuição
Calculo do FI
• FI= 𝐼𝑖=𝐴 (𝑓𝑒𝑖 . 𝑓𝑝𝑖) / FI BASE
• fei é a frequência de ocorrência de eventos de VTCD apuradas por meio de
medição apropriada em 30 dias consecutivos, para as regiões de
sensibilidade “i” , sendo que i varia de A até I, ver figura 3.
• fpi é o fator de ponderação para as regiões de sensibilidade i, ver figura 2.
• FI BASE é o fator de impacto de base, um indicador definido em função dos
fatores de ponderação e associado a frequência limite de ocorrência dos
VTCDs nas regiões. O valor é constante, e representa o grau de tolerância
admitido, uma vez que o somatório dos produtos fei pelos fpi será dividido
por este coeficiente na definição do fator de impacto em “pu”. Caso esta
relação seja superior a 1, indicará que os limites foram ultrapassados com a
ocorrência de transgressão pela distribuidora.
comentários
• A medição das VTCD deve utilizar instrumento com capacidade para registrar e
memorizar os eventos com o comportamento das tensões e períodos relativos.
• Como por definição as VTCDs são definidas entre 10%e 90%, ou acima de 110% da
tensão nominal, a “contabilização” da frequência de eventos é aplicável somente neste
intervalo.
• Os fatores de ponderação enfatizam situações em que as cargas tendem a desligar,
caracterizando-se um problema com impacto de perda de carga pelo fornecimento.
• Não há discussão se a causa do VTCD teria sido interna pela própria carga ou externa, no
caso pela companhia distribuidora.
• Necessária uma análise em relação ao sistema de transmissão como possível causa do
evento.
• O fator de impacto de base define a tolerância a partir da qual a situação passa a ser
tratada como transgressão com possível pagamento de multa pela distribuidora.
exemplo
• circuito alimentador com medição próximo ao ponto de conexão
(PAC) em 34,5 kV. A medição foi tomada com instrumento com
resolução de 1024 amostras por ciclo e integração em valores rms a
cada ciclo.
• Foram identificados inicialmente 21 eventos de VTCDs representadas
na tabela junto ao gráfico, posteriormente foram descartados 3
registros (pontos 7,13 e 15) pois a tensão registrada era maior que 0,9
pu, não se caracterizando como VTCD. Portanto 18 pontos foram
utilizados para o calculo do fator de impacto.
Medições de tensão rms
Estratificação
amplitude (pu) Duração

limite min limite max 16,67 - 100 ms 100-300ms 300-600ms 600ms-1seg 1-3seg 3seg-1min 1min-3min
>1,15 região H região I
1,1 1,15
0,85 0,9 região A 21
0,8 0,85 4; 8; 12 9;10 região G
0,7 0,8 região B 5;19 região D 20
0,6 0,7 Região F
0,5 0,6 região C
0,4 0,5 18
0,3 0,4 Região E 11 16 17
0,2 0,3 6
0,1 0,2 1 3 2
<0,10 14
Estratificação dos 18 pontos registrados na medição de acordo com a tabela 13 da
resolução, esta análise permite que se construa a tabela de frequências de ocorrências,
fatores de ponderação e calculo do fator de impacto “absoluto” FI(abs) e em “pu”: FI pu,

fei (fp ) f ei x fp
A 4 0 0
B 0 0,04 0
C 0 0,07 0
D 2 0,15 0,3
E 3 0,25 0,75
F 6 0,36 2,16
G 3 0,07 0,21
H 0 0,02 0
I 0 0,04 0
soma 18 FI (abs) 3,42
FIBASE 2,13
FI pu 1,61
Algumas conclusões e pontos para discussão:
• Será necessário a instalação nos pontos de conexão, ou de interesse, sistemas de medição de
qualidade de energia que permitam avaliar o impacto e transgressão das distribuidoras.
• Há de se discutir se as VTCDs se originam na própria rede da distribuidora ou é função de
comportamento das cargas ou mesmo da fonte (transmissão).
• Aspectos de justiça, isto é, éticos (e não judiciais) sobre a penalização. Efetivamente o prejuízo
causado por parada de produção é muito superior a qualquer penalidade que venha a se
definida
• A medição deve ser utilizada como instrumento de ação corretiva, fundamentalmente. Este
ponto é mais importante que qualquer multa ou penalização.
• De acordo com a IEC61000-4-30; os instrumentos classe A são aplicados onde medições
precisas são necessárias. Como na avaliação de cumprimentos contratuais, verificação de
concordância com normas e mesmo disputas.
Soluções para VTCD´s – “storage”
•Baterias conectadas por inversores junto ao PAC
•UPS estáticos (baterias)
•UPS rotativos (baterias ou volantes de inércia)
•UPS rotativos associados a geradores (DRUPS)
•DVR ( curto intervalo, típico até 3 segundos)
DVR- Dynamic Voltage Restoration
Principio de operação
Tensão residual: 0.2 p.u, Afundamento 80%, Duração: 0.6 sec
zoom
Visão Holística da QE
• “relativo a holismo; ou que busca um entendimento integral dos fenômenos”.
• “(do grego holos que significa inteiro ou todo) é a ideia de que as propriedades de
um sistema, quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não podem ser
explicadas apenas pela soma dos seus componentes. O sistema como um todo
determina como se comportam as partes.”
• “O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles, na sua Metafísica,
quando afirma: O todo é maior do que a simples soma das suas partes.”
• “A palavra foi criada por Jan Smuts, primeiro-ministro da África do Sul, no seu livro
de 1926, Holism and Evolution, que a definiu assim: "A tendência da Natureza,
através de evolução criativa, é a de formar qualquer "todo" como sendo maior do
que a soma de suas partes". [1]”
• Alguns tratam o assunto como: “1+1>2”
Visão Holística da QE
• Nem sempre (ou quase nunca) o comportamento das V.E. no “QGBT” é
semelhante aos dos quadros de distribuição ou terminais; da mesma forma e
evidentemente em transformadores que alimentem distintas cargas.
• A proposta considera a avaliação de não somente quais seriam os limites
aceitáveis e não aceitáveis, mas também os de valores relativos entre estes
limites de forma a se ranquear o comportamento destes indicadores em graus
de qualidade, conferindo a cada barramento analisado uma visão geral de
comportamento e a qualidade de alimentação das cargas em período a ser
definido conforme a conveniência.
• A proposta considera:
• Definir a monitoração contínua de variáveis elegíveis nos diversos barramentos da
instalação
• Definir escala de valores relativos entre os aceitáveis e os não aceitáveis como
ponderadores da qualidade e variáveis elétricas; e como foco principal.
• Definir uma metodologia de avaliação e gestão das variáveis elétricas (V.E.) dos
barramentos das instalações; perseguindo a melhoria continua nos moldes da ISO
50.001
PROPOSTA:
• Avaliar as condições de operação, variáveis elétricas e principais
indicadores de Qualidade de Energia de TODOS os barramentos de
uma instalação.
• Aspectos a serem avaliados: variáveis relativas à qualidade de
energia e eficiência energética.
• Avaliação dos aspectos qualitativos (da qualidade da energia) com
atribuição de notas e ponderações a estes aspectos de qualidade
de energia nos barramentos.
• A proposta considera pode ainda avaliar soluções corretivas ou de
melhorias possíveis.
Alguns Benefícios
• Identificação de efeitos devido às intervenções em determinado
barramento da instalação que esteja impactando o comportamento de
outros.
• Compatibilidade entre fontes, cargas e filtros em analise qualitativa.
• Análise de confiabilidade operacional e recorrência de paradas.
• Aspectos de manutenção preditiva, identificando desvios de
comportamento das variáveis.
• Garantias de operação das cargas com alimentação em limites
adequados sob os aspectos de eficiência energética.
• Melhor entendimento sobre as responsabilidades das fontes
(distribuidoras) e interferências internas
• Traduzir as ocorrências em métricas normalizadas (0 a 100%).
Ponderações propostas
regulação de tensão Ponderação:
0,93.Uref<=Umed<=1,05.Uref: 10
Alternativa: Avaliação de EE em relação a
0,9.Uref<=Umed<0,93.Uref: 7,5 tensão; neste caso
Umed<0,9Uref ou Umed>1,05Uref: 5 Uideal<Umed<Uideal*1,02
Umed<0,85Uref ou Umed>1,07Uref: 2,5

fator de potência Ponderação:


100%>FP>99%: 10
98%>FP>95%: 7,5
95%>FP>92%: 5
FP<92% 2,5

THDV ou DTT Ponderação: frequência Ponderação:


DTT<3% 10 60,1> f >59,9 10
3%<DTT<6% 7,5 60,5> f >59,5 7,5
6%<DTT<10% 5 56,5> f > 66 5
DTT>10% 2,5 fora dos intervalos 2,5
A discutir casos e especiais ou THDI
Ponderações propostas (II)
Flutuação de Tensão Ponderação
PltS95%<0,8 pu 10
0,8<PltS95%<1,6 pu 7,5
1,6pu<PltS95%<2 pu 5
PltS95%>2 pu 2,5

VTCD Ponderação Pode ser


Sem registro de VTCD 10 modificado para
VTCD < 1 ciclo 7,5
relação direta
1 ciclo<VTCD<3 segundos – momentâneas 5
VTCD> 3 segundos - temporárias ou Interrupção 2,5 com o Fator de
Impacto
Transientes Ponderação:
Sem transientes 10
Transientes de pouca importância 7,5
Transientes acima de 3 pu (forma de onda) 5
Transientes que causam falha na operação 2,5
Aplicação
indicador valor típico medido ponderação
RT 0,92 7,5
FP 0,85 2,5
DTT 2,5% 10
FD 2,2% 5
PltS 2 5
VTCD Sem registro 10
Ações corretivas:
Transientes Sem registro 10
• É possível se aplicar uma só ação
ponderação corretiva para soluções de Fator de
RT potencia; regulação de tensão,
10 desequilíbrio e cintilação.
7,5
Transientes FP • Contudo a correção pode interferir
5
na distorção de tensão e mesmo nos
2,5 transientes.
0

VTCD DTT

PltS FD
AÇÕES CORRETIVAS
As ações corretivas podem especificar um ou mais equipamentos
para a correção dos indicadores em função das avaliações
(medições) e da própria instalação. Foi desenvolvida lista de
aplicações de equipamentos aplicados em instalações industriais e
grandes prédios comerciais para a mitigação de problemas de
qualidade da energia.

Ver mitigação dos problemas de QE – revista O Setor Elétrico


http://www.osetoreletrico.com.br/web/colunistas/jose-starosta/1625-mitigacao-dos-problemas-de-qualidade-
da-energiaacoes-corretivas.html
soluções

Dispositivo/Descrição Aplicação Trans. Ruídos Corte de .............


tensão

1-Transformadores Redução de ruído de modo comum A A PA


Isoladores
2-Filtros de alta frequência Atenuação de interferência eltmg PA A NA
cond. e ruídos de alta freq (modos
comum ou diferencial)

16-.................................
RT 0,92
aplicação Transientes Sem
10
7,5
FP 0,85
Distr. U0
registro 5
2,5
0
VTCD Sem registro DTT 2,5%

PltS 2 FD 2,2%
U1

RT 0,89
10
Transientes sem 7,5
FP 0,85
registro 5

U2 U3 2,5
0
VTCD 1 DTT 4,0%

carga carga carga carga carga PltS 2 FD 2,2%


RT 0,94
Após Distr. U0
Transientes Sem
registro
10
7,5
5
FP 0,92

intervenção VTCD Sem registro


2,5
0
DTT 2,0%

PltS 1 FD 1,0%
U1

RT 0,95
10
Transientes sem 7,5
U2 U3 registro 5
FP 0,96
2,5
0
VTCD sem registro DTT 3,0%

PltS 1 FD 1,0%
carga carga carga carga carga
AJUSTE FINO NA ESPECIFICAÇÃO DE SISTEMAS DE
COMPENSAÇÃO REATIVA E FILTRO DE HARMÔNICAS

solução FP T resp. filtro ativo


COMP REAT
1 95% 3 segundos não
COMP REAT
2 95% 3 segundos Sim
COMP REAT
3 99% 3 segundos não
COMP REAT
4 99% 3 segundos Sim
COMP REAT
5 99% 1 ciclo não
COMP REAT
6 99% 1 ciclo Sim
soluç ão FP T resp. filtro ativo indicador valor típico medido ponderação
1 95% 3 segundos RT-regime permanente 0,90 7,5
FP - regime permanente 95% 5
THDV 5,0% 5
afundamentos (int.) possiveis 5
Transientes man. estática 10
Eficiência Energética parcial 2,5

ponderação
solução 1
RT-regime permanente 0,90
10

7,5
FP - regime permanente
Eficiência Energética parcial 5

2,5
95%
0

Transientes man. estática THDV 5,0%

afundamentos (int.)
possiveis
indicador valor típico medido ponderação
RT-regime permanente 0,90 7,5
solução FP T resp. filtro ativo FP - regime permanente 95% 5
2 95% 3 segundos sim THDV 2,0% 10
afundamentos (int.) possiveis 5
Transientes man. estática 10
Eficiência Energética parcial 2,5
valor típico
indicador medido ponderação
RT-regime permanente 0,95 10
soluç ão FP T resp. filtro ativo FP - regime permanente 99% 10
3 99% 3 segundos THDV 5,0% 5
afundamentos (int.) possiveis 5
Transientes man. estatica 10
Eficiência Energética parcial 5
ponderação
solução 3
RT-regime permanente
0,95
10

7,5
Eficiência Energética FP - regime
5
parcial permanente 99%
2,5

Transientes man.
THDV 5,0%
estatica

afundamentos (int.)
possiveis
valor típico
solução FP T resp. filtro ativo indicador medido ponderação
RT-regime permanente 0,95 10
4 99% 3 segundos sim FP - regime permanente 99% 10
THDV 2,0% 10
ponderação afundamentos (int.) possiveis 5
solução 4 Transientes man. estatica 10
Eficiência Energética parcial 7,5
RT-regime
permanente 0,95
10
7,5
Eficiência Energética FP - regime
5
parcial 2,5
permanente 99%
0

Transientes man.
THDV 2,0%
estatica

afundamentos (int.)
possiveis
indicador valor típico medido ponderação
RT-regime permanente 0,97 10
soluç ão FP T resp. filtro ativo FP - regime permanente 99% 10
THDV 4,0% 7,5
5 99% 1 ciclo afundamentos (int.) mitigado 10
Transientes man. estatica 10
ponderação Eficiência Energética mundanca de TAP 10
solução 5
RT-regime
permanente 0,97
10
7,5
Eficiência Energética FP - regime
5
mundanca de TAP 2,5
permanente 99%
0

Transientes man.
THDV 4,0%
estatica

afundamentos (int.)
mitigado
indicador valor típico medido ponderação
RT-regime permanente 0,97 10
FP - regime permanente 99% 10
solução FP T resp. filtro ativo
THDV 2,0% 10
6 99% 1 ciclo sim afundamentos (int.) mitigado 10
Transientes man. estatica 10
Eficiência Energética mundanca de TAP 10
ponderação
solução 6 RT-regime
permanente 0,97
10
7,5
Eficiência Energética FP - regime
5
mundanca de TAP 2,5
permanente 99%
0

Transientes man.
THDV 2,0%
estatica

afundamentos (int.)
mitigado
Conclusões:
• Os indicadores de qualidade de energia em instalações elétricas não podem
ser avaliados independentemente, mas sim de forma inter-relacionada e ao
longo da instalação (analise horizontal e vertical).
• As ações corretivas podem incrementar a ponderação de mais de um
indicador simultaneamente, ou de forma inversa a melhoria de uma variável
pode incorrer em prejuízo a outras, (correção de fator de potencia e
ressonância harmônica)
• Foi apresentado um modelo de avaliação simultânea de diversos indicadores
de qualidade de energia, adequado às necessidades de diversos tipos de
instalações. A situação desejável considera os indicadores todos acima da
ponderação 5 e análise de ações corretivas.
MUITO OBRIGADO
Eng José Starosta
site: www.acaoenge.com.br
email: jstarosta@acaoenge.com.br
Ação Engenharia e Instalações Ltda
11-38836050

TFA

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