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REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (Writs)

HABEAS DATA: Conhecer (CRFB/88), Retificar (CRFB/88),


Complementar/Anotar (Lei) nos assentamentos do interessado (contestação ou
explicação, isto é, da pessoa do próprio impetrante, não se estendendo a
entidades/organizações de que ele faça parte = DADOS PESSOAIS. (NÃO se
sujeita à prescrição/decadência).
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo
sigiloso, judicial ou administrativo;
CUIDADO: São isentos do pagamento de custas e taxas judiciais: O Habeas
Corpus, Habeas Data e a Ação Popular (apesar desta última exigir preparo).
CARACTERÍSTICAS:
 Conceder-se-á Habeas Data para a retificação de dados, quando não se
prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;

 Não abrange Certidão (M.S); isto é, caberá MS na hipótese de se buscar


certidão que contenha informações de interesse pessoal (que não se
confunde com informações sobre a pessoa do impetrante);

 Rito Sumário, Natureza Civil e Não cabe Liminar;

 Habeas Data tem prioridade sobre os demais atos judiciais, EXCETO HC


e MS;

 É Gratuito, mas precisa de Advogado (Não há pedido de condenação em


honorários e custas);

 CUIDADO: Dados públicos denegados (ainda que pessoais) geram M.S.


e NÃO HD (Ex: Autos de Processo Adm); = Dados PRIVADOS: NÃO
são alcançáveis por HD;

 STF: O Habeas Data não se presta para obtenção de vista em processo


administrativo. Segundo a Corte Suprema: O Habeas Data visa à proteção
da privacidade do indivíduo contra abuso no registro e/ou revelação de
dados pessoais falsos ou equivocados.

 ATENÇÃO: O Habeas Data NÃO pode ser impetrado em favor de


terceiro PORQUE visa tutelar direito à informação relativa à pessoa do
impetrante;

 CUIDADO: O Habeas Data, assim como o Mandado de Segurança, NÃO


prevê fase probatória e, portanto, não pode ser impetrado quando
controversa a matéria.

 Polo Ativo: Remédio Personalíssimo: Titular do dado (OU


herdeiro/cônjuge, no caso de falecimento): Pessoa Física ou Jurídica,
Nacional ou Estrangeira;

 Polo Passivo: Qualquer órgão do Estado, seja ele do Poder Executivo, do


Poder Legislativo ou do Poder Judiciário (Banco de dados Público) ou
Privado (responsável por banco de dados de Caráter Público); SE falar de
caráter Privado está errado;

 Súmula 02 STJ: NÃO cabe H.D. se não houve RECUSA de informações


por parte da autoridade administrativa (condicionada).
o RECUSA: (Não necessita ser expressa):
 Mais de 10 dias: Serasa, SPC (conhecimento).
 Mais de 15 dias: Retificação ou Complementação.
o OBS: Não há necessidade de esgotamento, apenas tentativa;

AÇÃO POPULAR: Direito de todos (difuso e coletivo: Somente Ação C.


Pública).
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise
a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência;
CARACTERÍSTICAS:
 Não cabe contra ato jurisdicional, membro do poder judiciário no
desempenho de sua função típica (decisões judiciais);
 Negada OU Deferida terá o duplo grau (REEXAME NECESSÁRIO);

 Não há foro por prerrogativa de função nessa ação: Vai para a 1ª


Instância: Ação C. Pública;

 Legitimidade Ativa: O Cidadão (gozo dos Direitos Políticos/Civis), MAS


precisa de ADVOGADO;

 OBJETO: Ato Lesivo = Moralidade Administrativa, Meio Ambiente e


Patrimônio Público, Histórico e Cultural. E, estendendo o objeto da Ação
Civil Pública para a proteção de todo e qualquer direito difuso ou coletivo;

 Preventiva ou Repressiva: Atos que ameaçam OU já tenham produzido


lesão, respectivamente;

 Autor é isento de custas e do ônus de sucumbência, SALVO Má-fé


comprovada;

 Prescreve em 5 anos a contar da lesão;

 MP e Pessoa Jurídica não podem ser Autor; PORÉM: MP atuará como


“Fiscal da Lei”, e, em caso de “Desistência ou Omissão” ele poderá dar
continuidade (substituto/sucessor do autor), mas, caso assuma, não
poderá mais desistir;
 OBS: O MP acompanhará a ação, cabendo-lhe apressar a produção da
prova e promover a responsabilidade civil ou criminal, dos que nela
incidirem, sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do
ato impugnado ou dos seus autores (letra de lei).

 Da sentença poderá recorrer qualquer cidadão;

 Não há necessidade de assistência materna/paterna se tem o autor 16 anos


c/ pleno D. Políticos;

 Ação Popular é proposta perante Justiça de 1º Grau, Federal OU Estadual;


HABEAS CORPUS (5º, LXVIII, Contida): Impetrado junto à autoridade
superior daquela que tomou a decisão: Garantia fundamental para defender a
liberdade de ir e vir.
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder;
CARACTERÍSTICAS:
 Natureza Penal, Procedimento Especial (sumário) e pode haver Liminar;

 Preventivo (salvo-conduto) ou Repressivo (liberatório): Já sofreu ou se


acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; OU, AINDA, fala-se em
HC Suspensivo (quando a prisão já foi decretada, mas o mandado ainda
está pendente de cumprimento;

 Gratuito e Não precisa de Advogado: Bem como para a interposição de


Recurso Ordinário;

 Legitimidade Ativa: Diz-se: Legitimidade Universal; Qualquer Pessoa:


Física ou Jurídica, Nacional ou Estrangeira, MP ou DP;

 Polo Passivo (coatora): Autoridades Públicas ou Particulares (ex:


Hospital particular);

 OBS: Não cabe HC em relação a punições disciplinares militares (quando


é válida/compatível com a legislação), SALVO se ILEGAL. (Não cabe
contra exclusão de militar, ou perda de patente ou de função pública);

 Pode ser concedido de Ofício pelo juiz;

 Só pode ser impetrado a favor de pessoa Natural, jamais em favor de


pessoa jurídica (apesar desta poder ser impetrante, NÃO pode ser
paciente);
 HC ainda é possível quando a ofensa à locomoção é indireta (ato
impugnado possa resultar em prisão. Ex: Inquérito, ou outro ato) OU para
impugnar medidas cautelares (319, CPP);
 Cabe HC para impugnar quebra de sigilo bancário, fiscal ou telefônico em
procedimento criminal; OU SE dela puder resultar condenação à pena
privativa de liberdade.

 É possível o HC Coletivo: Em favor das mulheres grávidas, por exemplo;

 A via do HC é adequada para pleitear a interrupção de gravidez fora das


hipóteses previstas no CP (128, I, II), tendo em vista a real ameaça da
constrição à liberdade ambulatorial, caso a gestante venha a interromper a
gravidez sem autorização judicial;

 HC é remédio constitucional que pode ser aplicado em situações concretas


de ato do Ministério da Justiça que não permite a saída de estrangeiro do
território nacional.

 O HC – ASSIM COMO QUALQUER AÇÃO – é meio hábil para


controle concreto de constitucionalidade.

 NÃO serve como meio de dilação probatória e necessita de prova pré-


constituída;

 Não cabe HC nos PAD ou contra decisões do STF;

 S: 693: STF: Não cabe HC contra decisão condenatória a pena de multa,


ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária
seja a única caminhada;

 Não se conhece HC cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas;

 S 695: STF: Não cabe HC quando já extinta a pena privativa de liberdade


(se o indivíduo já está solto, claro), ou contra decisões do STF;

 OBS: No caso em que HC é impetrado em favor de terceiro, presente a


dúvida sobre o real interesse do paciente da impetração do HC, deve o juiz
intimá-lo para que manifeste sua vontade em prosseguir ou não com a
impetração.
 O STF não admite HC para o trancamento de ação de improbidade
administrativa.

MANDADO DE INJUNÇÃO: Aplicável diante da falta de regulamentação de


normas (constitucional/infraconstitucional) de eficácia limitada (mesmo que
parcial, se impositiva) = Sempre que a falta de norma regulamentadora torne
inviável o exercício: A) Dos direitos e liberdades constitucionais e B) das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. = Dar
Exequibilidade – Concretista – com efeitos gerais - (Intermediária).
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania.
CARACTERÍSTICAS:
 Natureza Civil, indeclinável e imposta ao Poder Público (pode haver
controle difuso e controle concentrado);

 Não é gratuito. Não cabe Liminar. Precisa de Advogado;

 STF: Corrente CONCRETISTA-Intermediária (c/ efeitos gerais): Dar


Exequibilidade: Reconhece a natureza constitutiva da decisão do Mandado
de Injunção (e não apenas a declaratória), implicando viabilizar o
exercício do direito carente de regulamentação. Cumprindo, muitas vezes,
o papel do legislador omisso. Inclusive, já chegou a editar súmula
vinculante (ou norma geral) para combater a omissão (exercício do direito
invocado); assim, por exemplo, a decisão do STF valerá até que a norma
seja editada; e, sendo esta editada, caso seja mais benéfica, pode retroagir.

 Assim, na decisão de um Mandado de Injunção, compete ao Poder


Judiciário Garantir o Imediato Exercício do Direito Fundamental Afetado
pela Omissão do Poder Público.

 Pode ser:
o Individual: Pessoa Nacional/Estrangeira, Natural/Jurídica, cujo
direito esteja à míngua de uma norma que o regulamente.
o Coletivo (lei): MP (defesa da ordem jurídica, regime democrático
ou interesses sociais ou individuais indisponíveis), Partido Político
c/ Representação no Congresso Nacional, Organização Sindical,
Entidade de Classe ou Associação Legalmente Constituída e
Funcionando há pelo menos 1 (um) ano – total ou parcial de seus
membros – (dispensada autorização especial), D.F., D.P
(promoção dos Direitos Humanos e Individuais /Coletivos dos
Necessitados).
o OBS: QUEM JULGA ? Depende da autoridade inerte: SE
Tribunais Superiores, TCU, Presidente, Câmara do Deputados ou
do Senado, Congresso Nacional ou o próprio STF: STF.
SE Órgão, entidade/Autoridade Federal: STJ (ressalvada
competência da Justiça Eleitoral).
o OBS 2: A competência para julgamento do mandado de injunção
não é exclusiva do STF, estendendo-se ao STJ, ao TSE, aos
Tribunais de Justiça e até mesmo aos juízes de 1º Grau (quando a
omissão disser respeito a normas municipais).
o Portanto, entidade de direito privado é parte passiva ilegítima em
mandado de injunção, pois esse remédio é um instrumento de
garantia de cidadania em face de órgãos/pessoas estatais.

 Regra: Inter-Partes. PODE: Ultra-Partes ou Erga Omnes;

 OBS: Pode ser aplicado analogia para suprir a omissão enquanto não se
edita a norma;

 CABIMENTO: a) Falta da norma (infraconstitucional) que regulamente


uma norma constitucional (limitada ou parcial impositiva) + b) Nexo
Causal: Omissão do legislador e impossibilidade do exercício do direito,
liberdade, prerrogativa inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania +
c) Decurso de prazo razoável para elaboração da norma regulamentadora
(retardamento abusivo) (Cumulativos);

 NÃO CABE:
o A). Já houver a norma regulamentadora do D. Constitucional;
o B). Quando a norma regulamentadora do D. Constitucional é
Defeituosa OU se é Facultativa;
o C). Falta de regulamentação de norma de D. Infraconstitucional
(Lei);
o D). Também não cabe para discutir lacuna normativa quanto a
período anterior à edição de norma regulamentadora em vigor;
MANDADO DE SEGURANÇA: Lesão ou Ameaça = OBJETO: Proteger
direito Líquido e Certo (não há necessidade de comprovação futura; é impossível
de ser negado), quando o responsável pela ilegalidade (fora da lei) ou abuso de
poder (fora dos limites da competência/finalidade) for autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuição do Poder Público (ou
particular no exercício de função pública).
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável
pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída
e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus
membros ou associados;
ATENÇÃO: É remédio constitucional Subsidiário (Residual): Primeiro analisa-
se se não é caso de HC ou HD. Ex: Direito de Reunião (MS).

CARACTERÍSTICAS:
 Tem Custas; MAS NÃO há condenação ao ônus de Sucumbência –Adv.

 Prazo para impetração: 120 dias (contados do conhecimento da lesão – é


decadencial) = Não cabe suspensão nem interrupção.

 STF: Não pode ser utilizado com sucedâneo recursal (faz parte de Rito
sumário especial).

 É possível liminar, SALVO compensação créditos tributários,


aumento/vantagens para servidores públicos e entrega de mercadorias
vinculadas do exterior.
 Abrange Certidão; isto é, caberá MS na hipótese de se buscar certidão que
contenha informações de interesse pessoal (que não se confunde com
informações sobre a pessoa do impetrante).
 CUIDADO: O Mandado de Segurança, assim como o Habeas Data, NÃO
prevê fase probatória e, portanto, não pode ser impetrado quando
controversa a matéria.

 Pode ser Preventivo ou Repressivo (sem dilação probatória = Fato/Prova


pré-constituída).

 Pode ser:
o Individual: Titular do direito, pessoa natural/jurídica, órgãos
públicos, universidades de bens (espólio, massa falida),
nacional/estrangeira, domiciliada no Brasil ou no exterior, e MP.
o Coletivo (Direitos coletivos e individuais homogêneos): Partido
político com representação no congresso nacional (em favor de
qualquer pessoa ou coletividade), organização sindical, entidade de
classe e associação legalmente constituída e em pleno
funcionamento há pelo menos 1 (um) ano (no interesse de seus
membros ou associados – independente de autorização). São
espécies de “Substitutos Processuais (legitimidade extraordinária)”.
Obs: Os entes da federação não podem impetrar em favor da
população.
Obs: Não cabe para Direitos Difusos.
 Legitimados Passivos; Poder Público (pessoa jurídica de direito público
ou seu representante judicial) e Particulares no exercício da função pública

 NÃO CABE MS CONTRA:


o A) Lei, em tese, SALVO se produtora de efeitos concretos;
o B) Ato judicial passível de recurso ou correição;
o C) Decisão judicial com trânsito em julgado, ou da qual CAIBA
efeito suspensivo;
o D) Ato administrativo que CAIBA recurso com efeito suspensivo,
salvo omissão;
o E) Decisões do STF (salvo exceções);
OBS: 625: STF: Discussão/Controvérsia sobre a matéria do
DIREITO não impede a concessão do MS (apesar de ser
incompatível com a produção de prova oral ou pericial, por
desnaturar o direito líquido e certo que deve ser seu objeto). JÁ se
complexa quanto ao FATO, impede.

 CUIDADO: Deferido a segurança no juiz de 1ª instância, ela


NECESSARIAMENTE deverá ser reexaminada pela instância superior;
PORÉM, poderá a de 1º Grau ser executada provisoriamente, não há
necessidade de aguardar o “Reexame Necessário”.
 ATENÇÃO: IMPETRANTE DO MS pode desistir dessa ação
constitucional a qualquer tempo, ainda que proferida decisão de mérito a
ele favorável, e sem anuência da parte contrária.

 SE em uma ação de Mandado de Segurança, a segurança for concedida,


então a autoridade coatora terá direito de recorrer.

 Da sentença, concedendo ou denegando o mandado de segurança, cabe


Apelação.

 O ingresso do litisconsorte ativo NÃO será admitido APÓS o despacho da


petição inicial (10, § 2º, CRFB/88).

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