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INDIVÍDUO, CULTURA E

SOCIEDADE
Prof. Daniel Lisboa Soares
@danielsoarespsico
Roda da Vida:
Quais as referências que você usou para
preencher o gráfico de sua Roda da Vida?

Para compreender o ser humano, além de estudar seu corpo e sua


origem animal, é necessário pesquisar, principalmente, como ele se
constitui em um contexto sociocultural.

Cada indivíduo, ao nascer, encontra um sistema social criado através de


gerações já existente e que é assimilado por meio de inter-relações
sociais. A sociedade com suas instituições, crenças e costumes, não
paira acima dos indivíduos, mas sim ela é constituída por indivíduos
(Luiz Fernando Rolim Bonin)
INDIVÍDUO SOCIEDADE

O indivíduo é, ao mesmo tempo, produto e produtor da


sociedade. É um ser histórico-social.
O indivíduo histórico-social, que é também um ser
biológico, se constitui através da rede de inter-relações
sociais.
O ser humano desenvolve, através dessas relações, um “eu”
ou pessoa (self) que é um aspecto do “eu” no qual o indivíduo
se controla pela autoinstrução falada, de acordo com sua
autoimagem ou imagem de si próprio.

É um ser que, tendo “instintos” ou comportamentos pré-


programados, passa através da vida social a adquirir a fala e
planejar e controlar sua atividade e de outrem, através de
representações mentais.
(Luiz Fernando Rolim Bonin)
A noção de “eu” supõe dois aspectos fundamentais:

1. a do sujeito ativo que toma decisões e se orienta no


mundo;
2. uma autoimagem e uma autoestima que, para alguns
autores, estão relacionadas ao conceito de identidade e
constituem o que George Mead denominou de “me” ou
“mim” (MEAD, 1953).

(Luiz Fernando Rolim Bonin)


O desenvolvimento do controle da fala sobre o
comportamento é realizado a partir dos comandos da mãe
sobre a criança (relação interpessoal), que passa a se
autoinstruir sobre como deve se comportar (controle
intrapessoal). Isto é, o indivíduo passa de uma relação
interpessoal para um controle e planejamento intrapessoal da
sua própria atividade.

(Luiz Fernando Rolim Bonin)


O “verdadeiro” eu não está enclausurado e isolado dessa
sociedade. É somente uma ilusão. O indivíduo não é estranho
à sociedade. A vida social supõe entrelaçamento entre
necessidades e desejos em uma alternância entre dar e
receber. A razão e a mente não são substâncias, mas produtos
de relações em constantes transformações. Os “instintos” e as
emoções sofrem transformações no decorrer da vida social.

(Luiz Fernando Rolim Bonin)


Cultura: O termo cultura pode ser definido
inicialmente de maneira simples, como um
conjunto de hábitos, instrumentos, objetos de
arte, tipos de relações interpessoais, regras sociais
e instituições em um dado grupo.
As pessoas se constituem em um sistema cultural dado
previamente, formando uma rede de inter-relações, mas são
sujeitos ativos e não constituídos passivamente pelo meio.
Isto quer dizer que não são constituídos automaticamente
pelo processo narrativo cultural estabelecido.

As pessoas tomam posições fazendo novas interpretações, ou


seja, recebendo e construindo criativamente e coletivamente
um processo cultural em determinada época histórica.

(Luiz Fernando Rolim Bonin)


Uma questão interessante é verificar como a construção do
“eu” em diferentes grupos ou culturas afeta as atividades dos
indivíduos.

“Eus” independentes X “Eus” interdependentes

Pesquisas apontam que “eus” interdependentes sejam mais atentos e


mais sensíveis aos outros do que “eus” independentes. Isto produziria
uma cognição mais elaborada em relação aos outros do que em relação
a si. Em segundo lugar, os “eus” interdependentes representariam a si e
aos outros em contextos sociais específicos, enquanto que os “eus”
independentes produziriam representações mais abstratas e
generalizadas
(Luiz Fernando Rolim Bonin)
As emoções complexas (tipo emoção-sentimento) dependem
do tipo de sistemas de “eu”, já que são organizadas através de
significados culturais envolvendo ações interpessoais que
supõem justificação e persuasão. As emoções podem reforçar
uma construção dependente ou interdependente do “eu”.

Nas culturas que enfatizam o “eu” independente, as motivações estão


ligadas a necessidades de expressar realização individual. Assim, o
indivíduo procura ser bem-sucedido, realçar sua autoestima e
aumentar a autorealização. Por outro lado, os “eus” interdependentes
consideram mais importante demonstrar e desenvolver motivações
sociais, como é o caso de socorrer e proteger os outros, afiliar-se,
procurar ser modesto e agir segundo expectativas de seus pares
(Luiz Fernando Rolim Bonin)
https://www.youtube.com/watch?v=TnGEclg2hjg