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Colonização Portuguesa: experiências e jeitinhos nas terras brasileiras

Carolina Ribeiro Julio

Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar a experiência portuguesa na colonização do


Brasil por um viés econômico e político, porém abordando uma questão cultural que esteve
sempre presente paralelamente neste processo: o cordialismo. Neste sentido, realizamos
um panorama da história de colonização desde seu “descobrimento”, até os movimentos de
contestação ao sistema português, às inconfidências, que marcarão o fim desta experiência
colonizadora.

Palavras chave: Brasil Colônia, cordialismo, política.

Introdução

Compreender o processo de colonização do Brasil possibilita uma análise sobre


muitas características do povo brasileiro, não só politicamente e economicamente, como
principalmente em questões culturais.
O brasileiro surgiu desta miscigenação étnica de portugueses, índios e negros, que
consequentemente originou também uma miscigenação cultural percebida na linguagem,
na culinária, na religião, na política, muito presentes no nosso cotidiano.

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Somos mundialmente conhecidos pelo “jeitinho” brasileiro, característica que gera
polêmicas, pois afinal, até que ponto isto é bom? Abordamos neste artigo o período de
compreendido entre 1530 a 1808, e neste sentindo, através deste panorama da colonização
portuguesa, daremos ênfase a questão do cordialismo que teve suas origens no Brasil neste
período histórico trazido pelos portugueses.
Sendo assim, o primeiro tópico “O achamento do Brasil e as primeiras investidas
portuguesas” irá abordar as teorias de “descobrimento” do Brasil, e as primeiras tentativas
de colonização, que visavam garantir a posse do território e explorar ao máximo as riquezas
da nova terra, bem como uma análise de Alencastro (2000) sobre a experiência portuguesa,
e a ideia de colonizar os colonos. No segundo item, “Ciclos econômicos e a administração
portuguesa do “jeitinho”, serão abordados os principais ciclos econômicos brasileiros no
período de colonização, a cana e o ouro, diferenciando as formas de administração em
ambos, bem como a origem do clientelismo, onde analisamos através de Araújo, não
somente sua influência na forma de administração portuguesa, mas também na forma como
se difundiu entre a população e até que ponto ele foi favorável na formação da sociedade
brasileira.
No último item, “Contestações ao regime” veremos os movimentos de contestação ao
sistema português, conhecido por inconfidências. Será feita uma diferenciação entre a
Inconfidência Mineira, Carioca e Baiana, abordando seus diferentes ideais. É devido aos

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ideais destes movimentos, mesmo que tenham sido contidos, que a experiência de
colonização irá acabar em 1808, dando início a uma nova fase para o país.

1 O achamento do Brasil e as primeiras investidas portuguesas

A versão mais popular ensinada nas escolas sobre o descobrimento do Brasil é de


que ele foi descoberto em 1500 por Pedro Álvares Cabral. Porém esta versão além de
simplista acoberta uma série que questões interessantes que possibilitam o entendimento
da sociedade ainda hoje.
A primeira questão que devemos compreender é que o Brasil não foi descoberto, e
sim, segundo Mota (1999), “achado”, pois descobrir é causalidade, e já havia relatos sobre a
existência destas terras, inclusive mapas no qual o “Brasil” já estava inserido. Além disso,
apesar do século XIV ser a época nas grandes navegações, estas ainda eram perigosas, e se
Portugal não tinha ideia da existência e possível localização das terras, por que mandaria na
esquadra seus melhores funcionários? Outro fator trazido por Mota é a contestação do ano
de achamento do Brasil, onde coloca que o Brasil teria sido apresentado ao mundo em
1500, porém achado antes deste período e mantido em segredo por ordem de D. Manuel I

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até que Portugal tivesse condições de iniciar e manter o direito de posse das terras, que
segundo o Tratado de Tordesilhas pertencia a quem colonizava e não somente descobrisse.
Neste primeiro momento de 1500 a 1530 Portugal estabeleceu com a nova terra uma
relação de exploração tanto do pau-brasil quanto da mão de obra indígena inicialmente
através do escambo, afinal não havia uma moeda única, uma parâmetro de comparação de
valores, e posteriormente esta exploração viria através da tentativa de escravização do
indígena.
Junto com os portugueses vieram também os Jesuítas, figuras importantes neste
processo de colonização do Brasil, pois além de expandirem a fé católica gerando um
processo de aculturação nos indígenas, contribuía para os tornarem mais dóceis e
domesticáveis. Serão eles também a introduzirem no Brasil a mão de obra africana dando
início ao longo e vergonhoso período da escravidão.
Porém, Portugal neste período já sofria com a queda no comércio das índias, e
sofrendo também ameaças de invasão espanhola com a descoberta de metais, decide iniciar
o processo de colonização das terras.
Segundo Mota (1999) foram feitas três tentativas de colonização diferentes sendo
através do modelo de exclusividade régia, com investimentos da Coroa, o modelo de
exclusividade particular, sistema falho, pois a Coroa não tinha controle das atividades, e o
mais bem sucedido foi o sistema misto, pois integrava os investimentos particulares, porém
com a presença judicial da coroa portuguesa. Este sistema chamado de Capitanias

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Hereditárias visava o estabelecimento militar e econômico para estimular o comércio
português.
As promessas de riquezas atraíram muitos portugueses considerados tanto por
Holanda (1995) quanto por Araújo (1997) aventureiros, que conforme Araújo (1997) se
instalavam aqui com intuito de enriquecer e voltar para Portugal onde sua família o
aguardava.

Acreditava-se que no ultramar se enriqueceria tão rapidamente que nem havia


necessidade de levar a família: seria pouca a demora naquelas terras insalubres,
incultas e povoadas de bugres antropófagos. (Araújo, p.283, 1997)

Porém a realidade era mais complexa, e dificilmente estes aventureiros retornavam


para suas casas. A percepção portuguesa em como lidar com estas novas realidades veio do
aprendizado obtido no decorrer de suas colonizações em outros territórios. Neste sentido
Alencastro (2000) coloca que para a colonização do Brasil, os portugueses utilizaram seu
conhecimento da experiência com outras colônias, diferenciando conceitos de dominação e
exploração, pois dominar seria somente ter a posse das terras, enquanto para explorar era
preciso colonizar os próprios colonos, ou seja, a exploração seria a capacidade de fazer as
pessoas de um domínio agir de forma a atender a necessidade do mercado, e a necessidade
naquele momento era o açúcar.

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O Brasil possuía condições favoráveis para o plantio da cana e, além disso, os jesuítas
inserem neste contexto outro fator propicio, mão de obra escrava oriunda da África.
Alencastro faz uma análise interessante sobre isso quando observa a transformação da
escravidão em escravismo, modelos diferentes, pois o escravismo é um modelo econômico.
Por isso ele alega que o Brasil se formou fora do Brasil, na verdade no Atlântico Sul, destas
relações de negócios com a África Ocidental.
Assim, começa-se a moldar algumas características deste processo de colonização
que será baseado no latifúndio monocultor e escravista, destacando-se inicialmente a figura
do senhor de engenho.

1.1 Ciclos econômicos e a administração portuguesa do “jeitinho”

Visando o lucro através de atender as necessidades do mercado consumidor


europeu, a atividade que inicialmente mais se destacou foi o cultivo da cana-de-açúcar.
Segundo Schwartz (1988) os senhores de engenho, elite econômica, tinham status elevado
devido às vastas extensões de terras. Porém, não eram considerados senhores feudais, pois
seus poderes eram restritos, tendo obrigações para cumprir com a coroa portuguesa.
No Brasil, dado sua grande extensão, estas fazendas acabavam isoladas, e em
conjunto com a rede de parentesco dos senhores feudais - aliás, neste ponto o casamento se

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tornava uma questão política também, pois através dele poderia se fortalecer ou não
importantes laços políticos e econômicos – neste período a coroa pouco intervia nas
condições internas do regime, onde os senhores de engenho acabavam sendo a lei. Segundo
Freyre (1998) é a casa grande que dará início ao novo sistema da sociedade colonial
brasileira. Portanto, é a família o grande fator colonizador do Brasil, ela é a unidade
produtiva, o capital, a força social que dará origem a política, unificando e agregando ao seu
redor todo o poder de uma aristocracia poderosa na América.
Aqui já percebemos uma característica muito forte do povo brasileiro e que segundo
Holanda (1995) é uma herança portuguesa: a cordialidade, popularmente conhecido como
“jeitinho”. Segundo ele, o português veio para o Brasil atrás de riqueza fácil e rápida, sem
precisar, no entanto muito esforço. Por isso relações como o casamento eram importantes,
pois fortaleciam estes laços de cordialidade, baseado na troca de favores.
É este o sistema mais adotado em toda a história do Brasil, caminhando lado a lado
com todos os sistemas políticos e econômicos estabelecidos na administração da colônia,
tendo também um acompanhante: o suborno, como demonstra Schwartz

(...) embora as questões na justiça fossem comuns e os senhores de engenho


mostrassem ser um grupo inclinado ao litígio, eles frequentemente preferiam a
ação direta dos tribunais. As ações cíveis eram muito dispendiosas e “sangradoras
de rios de dinheiro” das mãos dos senhores de engenho para os bolsos dos
advogados, procuradores, e escrivães (sem mencionar os juízes), de modo que,
mesmo se bem sucedidas, as ações eram ganhas muitas vezes a custo material e
espiritual excessivo. Em segundo lugar, a justiça na capitania andava morosamente,

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controlada que era por juízes com interesses particulares envolvidos no caso (...).
(SCHWARTZ, 1988, p. 236)

Por muito tempo o nordeste açucareiro foi a maior fonte de riquezas para a
metrópole, e apesar de ter constituídos centros urbanos, ainda era caracterizada pelo
ruralismo. Porém, no final do século XVII com a notícia de descobrimento de ouro em Minas
Gerais, o panorama da colonização iria se transformar. A sociedade mineira ao contrário da
nordestina se torna urbana, e com uma possibilidade maior de ascensão social, pois,
segundo Cotrin (1999), a qualquer momento uma pessoa poderia encontrar ouro e
enriquecer.
Em função da atividade mineradora, há um aumento também de trabalhadores
liberais. Porém a corrida do ouro, conforme Melo e Souza (1990) geraria um dualismo
social e econômico marcado pelo contrabando, a escassez do ouro a miséria e a fome
ocasionada pelo aumento demasiado da população, ocorrendo uma inversão, onde o ouro
passa a ser um problema e a agricultura se torna uma riqueza.
Para administrar esta região de grande importância para a coroa portuguesa – e
diga-se também de importância para a Inglaterra que se fortaleceu economicamente com o
ouro mineiro através dos acordos comerciais estabelecidos com Portugal, possibilitando a
Revolução Industrial – a autora Resende (2007) demonstra como se dava a relação de
ordenamento e administração, e da justiça em Vila Rica e Mariana.

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Sendo assim, em Vila Rica, funcionava a junta de justiça presidida pelo governador e
por quatro ouvidores de Minas. Os ouvidores eram letrados e designados pelo poder régio.
Nas vilas e cidades havia as câmaras que eram executivas, judiciárias e legislativas, sendo
compostas por um colegiado de “homens bons”, geralmente três vereadores, um
procurador e dois juízes ordinários. Neste período os registros mostram uma constante
presença de bacharéis em Leis e Cânones nestes cargos.
Um homem bom era aquele que não exercia trabalhos manuais, eram membros de
famílias importantes senhores de escravos, enfim, aqueles que se destacavam na sociedade.
Porém, estes homens bons, tinham altos ganhos, além do salário, com cobrança de propinas,
além da prática de suborno e favorecimento, havia neste período uma grande rede de
clientelismo.
Assim, apesar de ter um grande número de letrados nos cargos jurídicos, não
garantiu uma Justiça reta e direita. Novamente, os advogados tiravam vantagens para
favorecer seus partidários, como fica claro no desabafo comentado por Resende, de Antônio
da Silva e Souza que em seu processo traz as claras a composição das “facções” e grupos de
poder em Mariana e Vila Rica.
Um grupo de poder que ganhará destaque tanto em Minas quanto no nordeste será
os militares, retratado por Araújo (1997).
O primeiro problema é o aumento nos impostos para sustentar este exército, que por
sua vez agia com arrogância, e em benefício próprio. Outro grande, e longo problema foi a

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falta de instalações militares, que levava os moradores a abandonarem suas casas, para
abrigar os militares. Esta situação se arrastou por anos, criando grandes problemas com a
população. A solução seria a construção de mais três quartéis. Em contrapartida, para a
construção, era preciso verba, sendo assim, aumentavam-se os impostos, que eram
desviados, e novamente as construções não eram erguidas.
Em outras regiões como São Paulo, os abusos por parte dos militares aumentava.
Além de não pagarem aluguel, também não queriam pagar por mercadorias consumidas, o
que levou o governador a impor “ordeno e mando” obrigando o pagamento de aluguel e
preço justo as mercadorias, sob pena de castigo no suplício.
Em Minas gerais foi o ápice destes abusos, principalmente porque o governador Luís
da Cunha e Meneses apoiava sua administração na força das tropas. Assim, a cobrança de
impostos era efetuada com rigor e truculência, mandando prender quem não pagasse. Para
o governador, interessado em dinheiro, a situação era cômoda, não interessando ao mesmo
ir contra os militares. Os desvios de verba pública, uso do poder para subir de patente era
comum. Quem obtinha patente superior ficava isento de pagar impostos, por isto estes
cargos eram tão disputados. Em contrapartida, ninguém queria servir como soldado raso,
pois haviam muitos inconvenientes e baixíssimos salários, que, aliás, muitas vezes era pago
em atraso. Com isso, iniciou-se o recrutamento forçado para suprir as tropas. Estes meninos
recrutados passavam por uma triagem, onde mais uma vez, predominava os privilégios,

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sendo escolhidos para servir, os pobres desamparados, mendigos e vadios, e rapazes de
famílias muito pobres, nos quais o trabalho faria falta.
Integravam pessoas de todas as cores, e eram soldados debilitados pela doença e
sujeira, extremamente pobres, sustentando-se apenas com bananas e farinha. Um outro
problema da época era o preconceito racial em postos subalternos, onde brancos andavam
emparelhados com negros, o que era considerado indecente e injurioso. Era grande o
número de pedidos de baixas, e deserção, e os que ficavam enfrentavam grandes
humilhações.
O despreparo do exército era imenso e atingia não somente os soldados como
também os oficiais, que não cumpriam ordens, e eram ignorantes. Os soldados mal sabiam
pegar em armas, e frente a um combate abandonavam seus postos e fugiam.
Nesta sociedade extremamente hieraquirzada, onde o funcionalismo público e
os militares agiam de forma absurda, não poderíamos esperar muito dos cidadãos que
viviam de seus negócios. A busca pela promoção social era o impulso desta sociedade.
Assim, os comerciantes também agiam de forma a enganar os consumidores,
principalmente nos produtos de primeira necessidade, sendo os atravessadores aqueles
que compravam estes produtos diretos do produtor, por um preço bem baixo, e os
revendiam para a população a preços exorbitantes. Outros problemas também
aconteciam como o monopólio nas mãos de particulares, e a adulteração das mercadorias, e
ainda de má qualidade. Os vereadores, que recebiam estas queixas, diziam não poder fazer

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nada, afinal, era uma rede de corrupção que beneficiava tanto os atravessadores, quanto as
autoridades.
O que temos que perceber é que por um lado, o “jeitinho brasileiro” favoreceu a
sociedade na medida em que proporcionou uma mobilidade social, oportunidade de
crescimento á pessoas que na metrópole jamais conseguiriam, porém, tornou-se um grande
problema, visto até hoje, na medida que estas atitudes passaram a ser toleradas
excessivamente, prejudicando a sociedade de modo geral.

1.2 Contestações ao regime

Contra o sistema de administração portuguesa emergem os motins em Minas Gerais,


Rio de Janeiro e Bahia, com ideais bem distintos.
A Inconfidência mineira, idealizada contra o fisco régio e aumento da tributação do
ouro, foi uma inconfidência pensada e organizada pela elite mineira, que se sentia
prejudicada com este sistema.
É a inconfidência mais conhecida pelos brasileiros, e também a mais mal
interpretada. Possuía um caráter econômico, influenciado por Abade Raynal, e não ficou
somente no campo das ideias como a Inconfidência Carioca, eles possuíam, segundo Villalta

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(2000) um plano de ação contra a coroa, apesar de toda desorganização e falta de consenso
dentro do próprio grupo. Defendiam a ideia de liberdade, porém não a liberdade para todos,
como para os escravos, defendiam a ideia de liberdade econômica e política, ou seja,
liberdade, mas não igualdade. Neste aspecto se aproxima da inconfidência carioca, e
distancia na influência intelectual, onde no Rio de Janeiro, eram influenciados pelas ideias
de Mably e Rossou com uma perspectiva de revolução sem alteração da ordem, sendo uma
inconfidência no campo das ideias.
Porém ambas as inconfidências na verdade não queriam acabar com a relação com
Portugal e sim participar dela. São considerados motins por isso, por ser um
descontentamento específico sobre algo, no caso, o pacto colonial, que visava o comércio
restrito entre a colônia e a metrópole, e com isso defendiam a abertura comercial. Na
verdade desejavam que o centro do império fosse no Brasil, pois assim, os impostos seriam
gastos no Brasil e não em Portugal.
A Inconfidência menos conhecida foi a Baiana, e esta se destacou por ter
características bem diferentes das duas anteriores. A Inconfidência Bahia foi a única de
cunho social, com participação de homens brancos e livres, ex-escravos e inclusive
escravos. Defendiam a liberdade e a igualdade para todos, sendo inspirados pela Revolução
Francesa, não ficaram somente no campo das ideias, pois tinham um projeto de revolução
bem organizado.

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No campo político e econômico desejavam o livre comércio, aumento do soldo do
exército, eram contra o absolutismo e o pacto colonial, visando uma República democrática
sem distinção de cor e condição social.
Foi uma revolução radical, e mesmo já na fase de destruição ainda tentaram se
reunir para organizar uma revolução que visava matar todos os brancos, como no exemplo
haitiano. Porém todas as inconfidências foram contidas pela coroa, sendo a baiana, com
maior número de mortos, pois se tornou uma grande ameaça a administração portuguesa
que temia que seu exemplo se espalhasse.
Assim, a experiência colonial brasileira iria atingir seu término somente em 1808
com a chegada da corte portuguesa e a assinatura da Carta Régia que previa a abertura dos
portos brasileiros aos outros países significando assim, no ideal que as inconfidências
haviam tanto desejado: o fim do pacto colonial e o início de uma nova fase para o país.

Considerações finais

Percebemos que a história brasileira conhecida pela maioria da população é repleta


de versões fantasiosas, heróis como Tiradentes, e ideais de liberdade e igualdade que na
verdade foram interpretados fora de um contexto.

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A colonização brasileira foi marcada pela exploração em todos os sentidos, tanto de
riquezas naturais, que abarrotavam navios de madeira, açúcar, ouro dentre outros, como da
própria população nativa, africana e posteriormente brasileira. A saída encontrada para
alcançar um status melhor, já que a propaganda de uma terra de riquezas fáceis não era
bem verdadeira, dado que estas riquezas já tinham destino certo, a mão da pequena elite
local, a coroa portuguesa e seus aliados, foi estabelecer as relações de clientelismo. Estas
relações beneficiaram uma parcela da população excluída pelo sistema, porém, não ficaram
restritas a elas. Atingia também, sobretudo, as mais altas camadas da sociedade, deixando
de ser uma característica puramente cultural, para se tornar uma característica política.
Estes acordos, porém, não se estabeleciam somente dentro da colônia brasileira, mas
a afetava tanto quanto. Um exemplo eram as relações de dependência que Portugal
mantinha com a Inglaterra, pagos com benefícios e ouro, oriundos das minas brasileiras,
que beneficiaram a revolução industrial inglesa, enquanto no Brasil ainda se escravizada os
africanos, e se dependia da metrópole.
Seu maior malefício é a forma como se tornou normalmente aceito por todos, o que
gera dentre vários outros fatores, a desvalorização das pessoas, pois em muitos casos, mais
vale suas “boas relações” do que a boa pessoa que é.

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Referências

ALENCASTRO, Luiz F. de. O tratado dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São
Paulo: Companhia das Letras, 2000.

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COTRIM, Gilberto. História do Brasil: um olhar crítico. São Paulo: Ed. Saraiva, 1999.

FREYRE, Gilberto. Casa Grande e senzala. Rio da Janeiro: Editora Record, 1998.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

MELLO E SOUZA, Laura de. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII.
Ed. Graal, 1990.

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Paulo: SENAC, 1999.

RESENDE, M. E. L. (Org.) ; VILLALTA, L. C. (Org.) . História de Minas Gerais: As Minas


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SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos: engenhos e escravos na sociedade colonial. São


Paulo: Companhia das Letras, 1988.

VILLALTA, Luis Carlos. Virada dos séculos 1789 – 1808. São Paulo: Companhia das Letras,
2000.

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