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Manual para a

capacitação
CLDS – Contratos Locais de
Desenvolvimento Social –
“São Pedro do Sul – o Futuro
“Capacitação das
é aqui”
instituições”
Rua 25 de Abril, n.º37, 1.º Dto

1.º Caderno -
3660-452 São Pedro do Sul

Tel./Fax. 232711142
email.: geral@cldssps.com
Associativismo
www.cldssps.com

12/12/2011
1
Ficha Técnica

Autor

CLDS “São Pedro do Sul – o futuro é aqui”

Identificação do Projeto

CLDS – Contratos Locais de Desenvolvimento Social

(Segurança Social)

Entidade Coordenadora Local

Centro de Promoção Social

Designação do Produto

Manual para a capacitação

1.º Caderno - Associativismo

Sede

Rua 25 de Abril, n.º37, 1.º Dto


3660-452 São Pedro do Sul
Tel./Fax. 232711142
email.: geral@cldssps.com
www.cldssps.com

São Pedro do Sul

Dezembro de 2011

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Índice
1- Enquadramento geral: associações e o associativismo ....................................................................... 6
2- Constituição de uma Associação ......................................................................................................... 7
2.1 Passo a passo: constituir uma Associação .................................................................................. 7
2.1.1 Forma Tradicional............................................................................................................... 7
2.1.2 Associação na hora ............................................................................................................. 8
3- Tipos de Associação ........................................................................................................................... 11
3.1 Constituição de uma Associação Desportiva, Cultural e Recreativa ......................................... 11
3.1.1 Ato da Constituição .......................................................................................................... 11
3.1.2 Constituição da Comissão Instaladora ............................................................................. 11
3.1.3 Estatutos e regulamento Geral Interno ........................................................................... 12
3.1.4 Inscrição no RNPC – Registo Nacional de Pessoas Coletivas ............................................ 13
3.1.5 Escritura Pública da constituição da Associação .............................................................. 13
3.1.6 Eleição dos Órgãos Sociais ............................................................................................... 14
3.1.7 Início da Atividade Fiscal .................................................................................................. 14
3.2 Associações Juvenis Constituição ............................................................................................. 14
3.2.1 Personalidade Jurídica...................................................................................................... 15
3.2.2 Apoio do Estado ............................................................................................................... 15
3.2.3 Direito de Participação ..................................................................................................... 16
3.2.4 Estatuto de Utilidade Pública ........................................................................................... 16
3.2.5 Registo .............................................................................................................................. 17
3.3 Associações de Estudantes ....................................................................................................... 19
3.3.1 Passos para a constituição: .............................................................................................. 19
3.4 Associações de Pais ................................................................................................................... 20
3.5 Instituições Particulares de Solidariedade Social ...................................................................... 21
3.6 Outro Tipo de Associações ........................................................................................................ 23
4- Funcionamento de uma Associação .................................................................................................. 24
4.1 Os seus órgãos sociais ............................................................................................................... 24
4.1.1 Assembleia Geral .............................................................................................................. 24
4.1.2 Direção ............................................................................................................................. 26
4.1.3 Conselho Fiscal ................................................................................................................. 30
4.1.4 Relacionamento dos Órgãos ............................................................................................ 30
4.2 Procedimentos administrativo-financeiros ............................................................................... 30
4.2.1 Receção e atendimento ................................................................................................... 31
4.2.2 Tratamento de correspondência ...................................................................................... 32
4.2.3 Receção de cheques e documentos com domiciliação bancária ..................................... 33
4.2.4 Extratos e conciliação bancária ........................................................................................ 33

4
4.2.5 Emissão de documentos para clientes ............................................................................. 34
4.2.6 Pagamentos a fornecedores ............................................................................................ 34
4.2.7 Pagamento de despesas pagas pelos colaboradores ....................................................... 34
4.2.8 Gestão do imobilizado ...................................................................................................... 35
5- Planeamento e Instrumentos de Gestão ........................................................................................... 36
5.1 Planeamento é… ....................................................................................................................... 36
5.1.1 Diagnóstico ou estudo da situação .................................................................................. 36
5.1.2 Definição de objetivos ...................................................................................................... 37
5.1.3 Programação ou definição de estratégias ........................................................................ 37
5.1.4 Realização de atividades .................................................................................................. 37
5.1.5 Avaliação .......................................................................................................................... 38
5.2 Instrumentos de Gestão ........................................................................................................... 38
6- Fontes de Financiamentos ................................................................................................................. 42
6.1 Receitas Ordinárias ................................................................................................................... 42
6.2 Receitas Extraordinárias ........................................................................................................... 42
7- Funcionários e colaboradores da associação..................................................................................... 44
7.1 Contratos de trabalho a termo resoluto .......................................................................................... 44
7.1.1 Trabalho Subordinado – Contrato de trabalho sem termo .............................................. 44
7.1.2 Trabalho Subordinado – Contrato de trabalho a termo certo ......................................... 45
7.1.3 Contrato de trabalho desportivo ..................................................................................... 45
7.1.4 Trabalho Subordinado - Contrato de trabalho a termo incerto ....................................... 46
7.1.5 Trabalho Autónomo - Contrato de prestação de serviços ............................................... 46
7.2 Segurança Social ....................................................................................................................... 47
7.2.1 Regime Geral dos trabalhadores por conta de outrem.................................................... 47
7.2.2 Regime dos trabalhadores independentes ...................................................................... 49
7.3 Isenção de pagamentos das contribuições ............................................................................... 50
7.3.1 Jovens em situação de primeiro emprego ....................................................................... 50
7.3.2 Desempregados de longa duração ................................................................................... 51
8- Protocolo ........................................................................................................................................... 53
8.1 Bandeira Nacional ..................................................................................................................... 53
8.2 Precedências Oficiais ................................................................................................................ 54
8.3 Sessões Solenes (Mesa de Honra)............................................................................................. 55
9- Bibliografia ......................................................................................................................................... 56

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1- Enquadramento geral: associações e o
associativismo

O associativismo, nas suas múltiplas expressões, e em especial as coletividades de


cultura, desporto e recreio, constituem uma poderosa realidade social e cultural. Para além
disso, é através do exercício do direito de associação por muitos cidadãos que são asseguradas
formas de participação cívica da maior relevância.
É inquestionável que as associações promovem a integração social e assumem um
papel determinante na promoção da cultura, do desporto, na área social, substituindo a
própria intervenção do Estado. Porém, há cada vez maiores dificuldades para levar as pessoas
a participar na vida associativa. Trabalhar por “desporto” não é fácil e muitos não querem
assumir responsabilidades.
A verdade é que a prática associativa assenta na vontade dos indivíduos, sendo uma
emergência social que não pode ser lida fora do seu contexto. Porém, como em tudo na vida,
há que vencer a resistência à mudança, logo o associativismo requer aprendizagem, treino,
interiorizarão de uma postura de partilha, sendo também entendido como uma questão
cultural.
Os cidadãos, segundo a Constituição da República Portuguesa, têm o direito de se
associarem livremente, sem que para o efeito dependam de qualquer autorização. O direito à
livre associação constitui uma garantia básica de realização pessoal dos indivíduos na vida em
sociedade.
O associativismo é uma forma de organização da sociedade civil, na qual os cidadãos
se agrupam em torno de interesses comuns com objetivos de entre ajuda e cooperação sem
fins lucrativos. Esta união, numa fase inicial, cingia-se apenas à família e a grupos informais
evoluindo posteriormente para grupos mais organizados, com objetivos mais idealistas,
constituindo um vetor essencial de socialização humana. Trata-se, portanto, de um importante
meio para o exercício do pleno direito de cidadania que a todos assiste.
A vida das associações corresponde a uma imensa teia de relações e factos sociais,
sendo que, por isso mesmo, o direito criou um conjunto de normas para as regulamentar de
forma a salvaguardar o seu funcionamento, que assenta na equidade entre os seus associados.
Existe uma responsabilidade partilhada dos membros na vida associativa e todos podem
ocupar cargos diretivos.
As associações são o resultado da uma congregação de esforços que garantem o seu
desenvolvimento e permitem deste modo atingir os seus fins.

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2- Constituição de uma Associação
2.1 Passo a passo: constituir uma Associação
2.1.1 Forma Tradicional
A constituição de uma associação da forma tradicional inicia-se com a criação de uma
Comissão Instaladora, que resulta de um movimento no qual um conjunto de pessoas com
interesses comuns se agrupa.
Depois de serem definidos os fins e o caminho que a associação pretende prosseguir, é
necessário elaborar os estatutos essenciais à efetivação da escritura de constituição da
associação, passando deste modo a ser a carta magna, a pedra angular do funcionamento da
mesma.
Não existe propriamente um modelo formal de Estatutos, no entanto, o Código Civil
prevê alguns dos requisitos obrigatórios à elaboração dos mesmos. O passo seguinte consiste
na convocação de uma Assembleia Geral para aprovação dos estatutos. Relativamente à
constituição, para a celebração da escritura pública, são necessárias três pessoas.
O processo prossegue com a escritura pública de constituição da associação a efetuar
no Cartório Notarial, devendo posteriormente remeter-se ao Registo Nacional de Pessoas
Coletivas uma cópia da escritura acompanhada do impresso – Modelo 2 do RNPC
(http://www.irn.mj.pt). Através da escritura, a associação obtém o reconhecimento
normativo.
Após a escritura de constituição da associação são eleitos os Órgãos Sociais de acordo
com as normas dos estatutos, ou na falta delas, seguindo as disposições legais aplicáveis,
designadamente do Código Civil.
Com o cartão, entretanto levantado no Registo Nacional de Pessoas Coletivas, a
associação deve inscrever-se nas Finanças, dando assim início à atividade fiscal.

O processo consiste em síntese nas seguintes fases:

Reunião de
fundação de Outros atos e
constituição e obrigações
aprovação de legais
estatutos

Obtenção e
certificado de Publicação dos
Escritura Eleição dos
admissibilidad estatutos em
pública órgãos sociais
e de firma a D.R.
denominação

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2.1.2 Associação na hora
Através da "Associação na Hora" é possível constituir uma associação num único
momento e num só balcão. O processo de constituição de uma "Associação na Hora" é
extremamente simples e pode ser representado da seguinte forma:

3. Designar um TOC ou escolher


um da Bolsa de TOC's
1. Escolher uma denominação e 2. Constitui a associação em
disponibilizada ou entregar a
um modelo de estatutos qualquer balcão "Associação na
declaração de inicio de atividade
previamente aprovado hora"
no serviço da "Associação na
hora" ou no serviço de Finanças

Processo de constituição de uma associação:


1) Escolher uma denominação da lista de denominações pré-aprovadas ou consultando a
lista facultada no balcão de atendimento "Associação na Hora". Lista esta aprovada
pelo Estado.
2) À denominação escolhida deverá ser adicionada uma menção indicativa da natureza
associativa da entidade: Associação, Núcleo, União, Clube ou Club. Poderão ainda
adicionar à denominação qualquer expressão alusiva aos fins estatutários. Exemplo:
"de caçadores".
3) Não pode ser aditada menção que sugira a atribuição de um estatuto dependente de
reconhecimento legal ou administrativo. Exemplo: "utilidade pública". Pode ainda ser
utilizado um certificado de admissibilidade previamente aprovado pelo Registo
Nacional de Pessoas Coletivas.
4) Escolher um dos modelos de estatutos pré-aprovados facultados nos locais de
atendimento. A diferença entre os modelos é que um deles permite a nomeação
simultânea dos órgãos sociais da associação (Mesa da Assembleia Geral, Direção e
Conselho Fiscal), o outro não e há um modelo que serve apenas aos Centros de
Arbitragem.

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Elementos necessários
No caso de os associados da associação a constituir serem pessoas singulares,
apresentar:
 Documento de identificação (cartão de cidadão, bilhete de identidade, passaporte,
carta de condução ou autorização de residência);
 Cartão de contribuinte (não tendo cartão de cidadão);
 As pessoas singulares estrangeiras que não sejam membros de nenhum órgão social
ficam dispensadas da apresentação do número de identificação fiscal.

No caso de os associados da associação a constituir serem pessoas coletivas,


apresentar:
a) Se se tratar de uma associação ou de outra pessoa coletiva não sujeita a registo
comercial:
 Documentos de identificação e Cartões de Contribuinte dos representantes legais;
 Cartão de Identificação de Pessoa Coletiva;
 Estatutos;
 Ata de deliberação da Assembleia Geral sobre a constituição da associação;
 Ata de eleição e de tomada de posse dos representantes legais.
b) Se se tratar de uma sociedade comercial:
 Código de Acesso à Certidão Permanente ou, em alternativa, Certidão da
Conservatória do Registo Comercial emitida há menos de um ano;
 Ata da Assembleia-geral conferindo poderes para a constituição da associação.

Custos
O custo da "Associação na Hora" é de €250,00 e de apenas €150,00 se se tratar de uma
associação de estudantes. Este valor será pago no momento da constituição, em numerário,
cheque ou multibanco. Custos em vigor no ano de 2011.

Entrega de documentação
De imediato, é entregue:
 Certidão do ato constitutivo e dos estatutos da associação;
 Cartão eletrónico de pessoa coletiva disponibilizado de forma automática mediante a
atribuição de um código de acesso;
 Número de segurança social da associação.
 Recibo comprovativo do pagamento dos encargos devidos.

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Estatutos
A diferença entre os modelos é que um deles permite a nomeação simultânea dos
órgãos sociais da associação (Mesa da Assembleia Geral, Direção e Conselho Fiscal).
 Modelo de estatutos sem nomeação;
 Modelo de estatutos com nomeação;
 Modelo de estatutos centros de arbitragem;
 Modelo de estatutos instituições particulares de solidariedade social.
Os modelos anteriores estão disponibilizados na página de internet
www.associacaonahora.mj.pt (Associação na Hora), clicando no modelo pretendido, bem
como no cd de apoio ao presente documento.

Notas:
 É ainda atribuído automaticamente na constituição da Associação na Hora o registo de
Domínio de Internet.PT, gratuito durante o primeiro ano de vida da associação.
 No momento da constituição da associação, e se os associados optarem por ter
contabilidade organizada, podem indicar desde logo o Técnico Oficial de Contas ou
escolher um da Bolsa de Técnicos Oficiais de Contas disponibilizada, para efeitos da
entrega desmaterializada da Declaração de Início de Atividade.
 Também podem entregar no serviço de atendimento da Associação na Hora a
Declaração de Início de Atividade devidamente preenchida e assinada pelo Técnico
Oficial de Contas, caso tenham optado por ter contabilidade organizada.
 Os associados também podem submeter eletronicamente a sua declaração de início de
atividade. Se não o fizerem de imediato, deverão fazê-lo nos 90 dias seguintes após a
constituição da associação.
 O ato constitutivo e os estatutos da associação são publicados gratuitamente no sítio
www.mj.gov.pt/publicações.

Contactos:
Conservatória do Registo Comercial de Viseu 1º Cartório Notarial de Competência
Rua Conselheiro Afonso de Melo, 31-2º Especializada de Viseu
3510-024 VISEU Edifício Expobeiras - Parque Industrial de
Tel: 232 470 480 Coimbrões
Fax: 232 470 489 Associação na Hora – Contactos
E-mail: 1crpcom.viseu@dgrn.mj.pt 3500 - 618 Viseu
Tel:232 419 320
Fax: 232 419 321
E-mail: 1cnce.viseu@dgrn.mj.pt

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3- Tipos de Associação
3.1 Constituição de uma Associação Desportiva, Cultural e
Recreativa
3.1.1 Ato da Constituição
Para constituir uma associação, tem que existir, no mínimo, um grupo de três pessoas
que partilhem e respeitem um objetivo comum.
Prevendo-se no sistema jurídico português a distinção entre associações com e sem
personalidade jurídica, considera-se as associações sem personalidade jurídica aquelas que
assentam o seu funcionamento na organização informal, sendo os seus associados
responsáveis pelos seus atos (art. 195.0, n.01 e seguintes do Código Civil). Por seu lado, as
associações com personalidade jurídica assentam o seu funcionamento numa organização
formal, podendo adquirir a personalidade jurídica por um ato ou atos jurídicos, passando a ser
uma pessoa coletiva.
No sistema jurídico português, existem dois processos distintos de aquisição de
personalidade jurídica:
 Por via notarial, através do instrumento público (escritura pública) constituindo o
regime normal e geral;
 Por via administrativa (exemplo, as associações de estudantes, de pais, patronais e
sindicais e religiosas).
O que as distingue é que enquanto no regime geral a aquisição está dependente de
escritura pública, na constituição do outro tipo de associações a aquisição é feita através do
depósito dos estatutos aprovados em Assembleia Geral junto do Ministério competente. Nos
pontos seguintes, aborda-se o processo referente ao regime geral, associado à constituição
pela via tradicional.

3.1.2 Constituição da Comissão Instaladora


A formação da associação desportiva, recreativa e cultural provém da vontade de cada
um dos seus membros fundadores, que será expressa numa reunião inicial, constitutiva, onde
são aprovados os elementos essenciais. O primeiro passo é, deste modo, a constituição de
uma Comissão Instaladora, que resulta de um movimento no qual um conjunto de pessoas
com interesses comuns se agrupa.
A Comissão Instaladora deve definir as atividades que a futura associação pretende
desenvolver.

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A definição do nome da associação é outra diligência que tem que ser tomada. As
denominações devem dar a conhecer a sua natureza associativa, podendo conter siglas.
Podem ser admitidas denominações sem referência explícita à natureza associativa, desde que
correspondam a designações tradicionais ou que não induzam em erro sobre a natureza da
pessoa coletiva.
A Comissão Instaladora tem também a responsabilidade de cuidar da forma como a
associação se apresenta aos potenciais associados e à sociedade. Esta fica encarregue de criar
um logotipo que deve ser um símbolo identificativo, apelativo, de fácil utilização, que constitua
um bom instrumento de comunicação e que facilite a sua divulgação.

3.1.3 Estatutos e regulamento Geral Interno


Depois de serem definidos os fins e traçado o caminho que a associação pretende
prosseguir, é necessário elaborar os Estatutos, elemento essencial à efetivação da escritura de
constituição da associação.
Os Estatutos devem especificar:
 Natureza jurídica, denominação, âmbito e sede da associação;
 Fins prosseguidos;
 Órgãos sociais - sua composição, competência e funcionamento;
 Modo e condições de admissão dos associados, direitos, deveres e sanções pelo
não cumprimento;
 Forma da associação se obrigar perante terceiros;
 Receitas, despesas e os princípios a que deve obedecer a gestão;
 Modos como podem ser alterados os Estatutos;
 Condições em que pode ser deliberada a dissolução da associação;
 Regime eleitoral dos órgãos associativos.
Relembra-se a possibilidade de constituição da associação por via formal no na
“Associação na hora”, bem como a disponibilização de modelos de estatutos.
As normas estatutárias são o primeiro enquadramento jurídico de uma associação, e
revela-se apenas necessário recorrer à legislação em vigor, quando as mesmas são omissas.
O passo seguinte consiste na convocação de uma Assembleia Geral para aprovação dos
Estatutos.
No que concerne à fundação, nomeadamente aquando da celebração da escritura
pública, são necessárias três pessoas. Todavia, existe a obrigatoriedade legal da existência de
três órgãos na associação, o executivo ou de administração, o fiscal e a assembleia, pelo que é

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de preconizar que a associação, para funcionar, deva ter no mínimo 9 associados, 3 em cada
um dos órgãos.
Deve, ainda, deliberar-se quem e quantas pessoas devem estar presentes na
celebração da escritura, uma vez que a lei é omissa neste caso. Os representantes que estarão
presentes na escritura pública no cartório notarial deverão ter poderes de representação.
O Regulamento Geral Interno deve, em tempo próprio, ser aprovado em Assembleia
Geral.

3.1.4 Inscrição no RNPC – Registo Nacional de Pessoas Coletivas


A Comissão Instaladora tem a responsabilidade de requerer o certificado da
admissibilidade da firma ou denominação (que garante a singularidade da mesma
relativamente ao objeto determinado) e do cartão de pessoa coletiva junto do RNPC - Registo
Nacional das Pessoas Coletivas através de impressos próprios - modelos 1 e modelo 2,
disponíveis na página de internet www.irn.mj.pt (IRN – Instituto dos Registos e Notariado).
Posteriormente obtém-se os documentos solicitados (certificado e registo provisório),
a menos que o nome não seja admitido, sendo neste caso notificados os interessados a
procederem à necessária alteração.

3.1.5 Escritura Pública da constituição da Associação


O processo prossegue com a escritura pública de constituição da associação a efetuar
num Cartório Notarial à escolha, devendo posteriormente remeter-se ao Registo Nacional de
Pessoas Coletivas uma cópia da escritura acompanhada novamente do impresso – Modelo 2,
devidamente preenchido para que então seja emitido o cartão definitivo.
Através da escritura, a associação obtém o reconhecimento normativo. A intervenção
do notário na celebração do instrumento é pautada exclusivamente por um critério de
apreciação da legalidade dos estatutos, sendo que, nunca o poderá fazer por um critério de
apreciação de mérito ou oportunidade.
Os elementos que compõem a comissão instaladora devem dirigir-se ao cartório
notarial para efetuar a escritura pública de constituição da associação e apresentar para o
efeito os seguintes documentos:
 Lista identificativa dos fundadores da associação, no mínimo três, que estarão
presentes na escritura, assim como as respetivas moradas;
 Os estatutos;
 O certificado de admissibilidade da denominação;
 O cartão de pessoa coletiva.

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O ato de constituição, os estatutos e as suas alterações não produzem efeitos em
relação a terceiros, enquanto não forem publicados num jornal oficial.
O notário deve oficiosamente, a expensas da associação, comunicar a constituição e
estatutos, bem como as suas alterações ao Governo Civil da área da respetiva sede e ao
Ministério Público. Posteriormente deve remeter ao jornal oficial (Diário da República, III série)
um extrato para publicação, que deve mencionar a denominação, sede social, fins, duração e
as condições essenciais para a admissão, exoneração e exclusão de associados.

3.1.6 Eleição dos Órgãos Sociais


A convocatória deverá ser subscrita pelo 1.º outorgante da escritura de constituição,
ou seja, o primeiro fundador, que igualmente conduzirá o processo eleitoral e dará posse aos
primeiros órgãos eleitos. Os resultados do ato eleitoral devem constar da ata número dois, que
deve ser assinada pelos membros da mesa.
As eleições devem decorrer de acordo com os estatutos, no que respeita aos órgãos, à
sua composição, à forma de apresentação das listas, aos métodos de eleição, enfim,
respeitando as normas de natureza eleitoral que estão presentes nos estatutos, ou na falta
delas, seguindo as disposições legais aplicáveis, designadamente do Código Civil.

3.1.7 Início da Atividade Fiscal


Com o cartão, entretanto levantado no RNPC (Registo Nacional de Pessoas Coletivas), a
associação deverá inscrever-se na Repartição de Finanças da área da sua sede, dando assim
início à atividade fiscal. Para o efeito é necessário a cópia da escritura e a cópia da publicação
dos estatutos ou do extrato dos mesmos no Diário da República.
Para poder consultar mais informação relativamente ao RNPC, consulte a Página do
Instituto dos Registos e do Notário: http://www.irn.mj.pt/sections/irn/a_registral/rnpc.

3.2 Associações Juvenis Constituição


Deve formar-se uma comissão instaladora que defina as atividades e o nome da futura
associação.
De seguida deve elaborar-se os estatutos que esclarecem o funcionamento da
associação, de acordo com o artigo 167.º e seguintes do Código Civil (direitos e obrigações dos
associados, as relações institucionais e as competências dos órgãos) e o seu âmbito (nacional,
regional, local ou especial).

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A associação deve ser constituída no mínimo 2 (se optarem pelo modelo de estatutos
sem nomeação de órgãos) ou no mínimo 9 (se optarem pelo modelo de estatutos com
nomeação de órgãos).
Após a elaboração dos estatutos, convoca-se uma Assembleia Geral para estes serem
aprovados e transpostos para o livro de atas, devendo ainda antes proceder-se à abertura do
mesmo através do termo de abertura e à numeração das páginas, que devem ser rubricadas.
As associações juvenis constituem-se assim com a aprovação dos estatutos em
Assembleia Geral, expressamente convocada para o efeito.

3.2.1 Personalidade Jurídica


Para que a associação possa beneficiar dos direitos e apoios previstos na lei (n.ºs 4 e 5,
do artigo 9.º da lei n.º 23/2006; portaria n.º 1227/2006), é necessário que tenha personalidade
jurídica, a qual deve ser reconhecida pelo IPJ.
Para aquisição de personalidade jurídica, as associações juvenis enviam ao IPJ -
Instituto Português da Juventude os estatutos e a ata de aprovação de constituição da
associação, bem como os demais documentos fiscais e de admissibilidade do nome da
associação.
O IPJ envia para o Ministério Público o conjunto de documentação referida, a fim de
em trinta dias este se pronunciar sobre a legalidade da associação.
As associações juvenis adquirem personalidade jurídica após a publicação gratuita no
Diário da República, III Série, dos estatutos e demais documentação. As alterações estatutárias
estão igualmente sujeitas a publicação.
A constituição e aquisição de personalidade jurídica pelas associações juvenis pode
igualmente processar-se nos termos gerais de direito.

3.2.2 Apoio do Estado


As associações juvenis podem candidatar-se a apoio financeiro, através do IPJ, para a
prossecução dos seus fins.
O IPJ pode solicitar às associações, objeto de apoio financeiro, o relatório e contas de
atividade e documentos comprovativos inerentes às atividades e iniciativas apoiadas. Para
atribuição dos apoios podem ser exigidas às associações formas específicas de organização
contabilística.
As associações juvenis e os grupos de jovens têm o direito a apoio técnico a conceder
pelo IPJ, destinado ao desenvolvimento das suas atividades, que pode revestir as seguintes
modalidades: consultoria jurídica e contabilística; apoio técnico no domínio da animação

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sociocultural, socioeducativa e desportiva; e cedência de material, equipamento e espaços
necessários ao desenvolvimento da sua atividade.

3.2.3 Direito de Participação


As associações juvenis têm o direito de estar representadas nos órgãos consultivos de
âmbito nacional, regional ou local, com atribuições no domínio da definição e planeamento
das políticas da juventude, bem como nos órgãos legalmente previstos de cogestão na
implementação de políticas da juventude.

3.2.4 Estatuto de Utilidade Pública


As associações juvenis com efetiva e relevante atividade e registo ininterrupto junto do
IPJ há, pelo menos, cinco anos têm o direito ao reconhecimento como pessoas coletivas de
utilidade pública para todos os efeitos legais previstos no art.º. 2.º, do Dec. Lei n.º 460/77, de 7
de novembro.
Compete ao Primeiro-Ministro, precedendo parecer do IPJ, reconhecer o
preenchimento das condições exigidas e emitir a respetiva declaração de utilidade pública.
Esta declaração é publicada em Diário da República.
As vantagens em obter o Estatuto de Utilidade Pública passa por:
 Isenção de taxa de rádio e televisão;
 Benefícios nos consumos domésticos de energia elétrica;
 Escalão especial no consumo de água;
 Tarifas especiais nos transportes públicos;
 Isenção das taxas previstas sobre espetáculos e divertimentos públicos;
 Publicação gratuita no Diário da Republica das alterações estatutárias.
Para solicitar o Estatuto de Utilidade Pública é necessário preencher o requerimento
eletrónico, que deverá ser dirigido a Sua Excelência o Primeiro-Ministro, disponível na página
de internet da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros ou da própria
Presidência (Pedido de Declaração).
No Portal do Cidadão (http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt/Gestao) encontrará
informação mais detalhada, nomeadamente quais os documentos que devem ser
apresentados com o pedido, bem como os requisitos para a obtenção do Estatuto de Utilidade
Pública.

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3.2.5 Registo
O IPJ organiza o RNAJ - Registo Nacional das Associações Juvenis, instrumento de
identificação das associações juvenis que existem em Portugal ou que estejam sediadas no
estrangeiro.
A inscrição efetiva no RNAJ é condição determinante no acesso aos Programas de
Apoio previstos na Lei 23/2006.
As associações de jovens sem personalidade jurídica e organizações equiparadas a
associações juvenis, só podem inscrever-se no RNAJ após a obtenção do respetivo
reconhecimento pelas entidades competentes.
As associações juvenis candidatas ao Registo remetem ao IPJ um requerimento
instruído com cópia dos atos de constituição da associação e dos respetivos estatutos, bem
como a documentação probatória do preenchimento dos requisitos de qualificação como
associação juvenil.
As associações juvenis inscritas no Registo estão obrigadas a enviar anualmente ao IPJ
o relatório de atividades e relatório de contas aprovados pelos órgãos estatutários
competentes ou a correspondente declaração fiscal de rendimentos e o número de
associados, devendo discriminar o número de associados menores de trinta anos, em 31 de
Dezembro do ano anterior.
As associações juvenis podem solicitar ao IPJ declaração para efeitos de isenção de
pagamentos das taxas no Registo Nacional de Pessoas Coletivas.

Que associações juvenis se podem inscrever no RNAJ?


 De âmbito político-partidário;
 De âmbito sindical;
 De emigrantes;
 De carácter socioprofissional;
 Associações de estudantes;
 Federações de associações de estudantes;
 Federações ou organizações maioritariamente constituídas por associações
inscritas no RNAJ.
Podem ainda, inscrever-se neste registo as associações que cumpram os seguintes
requisitos:
 Todos os sócios tenham idade inferior a 30 anos, ou reúnam três dos seguintes
requisitos:
o Possuam personalidade jurídica;

17
o Mais de 75 % dos sócios tenham idade igual ou inferior a 30 anos;
o A Direção da associação terá de ser constituída por, pelo menos, 60 % de
membros com idade igual ou inferior a 30 (trinta) anos;
o A associação seja autónoma e as suas atividades tenham um carácter
expressamente juvenil.

Para a inscrição são necessários os seguintes documentos:


 Ficha de inscrição disponibilizada pelo IPJ, nos Serviços Centrais ou nas Delegações
Regionais, ou ainda, fazendo download na sua página de Internet
(http://juventude.gov.pt);
 Cópia dos estatutos;
 Extrato dos estatutos publicado na III Série do Diário da República ou documento
equivalente;
 Declaração onde conste o número total dos associados, que têm idade inferior ou
igual a trinta anos, ou no caso de federações ou uniões, do número de associados
inscritos no RNAJ, assinada pelo presidente da Mesa de Assembleia Geral;
 Declaração onde conste a relação nominal dos membros do órgão executivo e
respetivas datas de nascimento, assinada pelo presidente do mesmo, a qual deve
ser atualizada sempre que haja eleições para esse órgão ou que os seus membros
sejam substituídos.
Estes documentos devem ser entregues na Delegação Regional do IPJ do distrito onde
se encontra sediada a associação, no caso Viseu, no entanto o registo pode ser feito
diretamente na página de internet do IPJ (http://juventude.gov.pt) – registo associações.

18
3.3 Associações de Estudantes
As AAEE - Associações de Estudantes são entidades independentes do Estado, dos
partidos políticos, das organizações religiosas ou de quaisquer outras, que representam os
estudantes dos estabelecimentos de ensino. Compete-lhes proporcionar a defesa dos
interesses destes na vida escolar e na sociedade.
A constituição deste tipo de associação inicia-se pela aprovação dos respetivos
Estatutos em Assembleia Geral expressamente convocada para o efeito. A convocatória da
Assembleia Geral deverá ser subscrita por 10% dos estudantes, a apresentar com antecedência
mínima de 15 (quinze) dias.
Considera-se aprovado o projeto de estatutos que obtenha a maioria absoluta de
votos validamente expressos.
As AAEE adquirem personalidade jurídica pelo depósito ou envio de uma carta
registada com aviso de receção, dos estatutos e da ata da sua aprovação ao Ministério da
Educação e da Ciência (antigos Ministérios da Educação e Ministério da Ciência, da Inovação e
do Ensino Superior) e após publicação, gratuita, no Diário da República, III Série.
Para efeitos de apreciação da legalidade, os ministérios enviarão os documentos
referidos anteriormente ao Ministério Público.
As alterações dos estatutos estão sujeitas ao mesmo regime.

3.3.1 Passos para a constituição:

•Reunião informal (grupo de colegas, com mesmo objetivo e interesse, a


delinearem ideias para a AAEE - nome, estatutos, composição dos órgãos
1 sociais).

•Assembleia Geral (aprovação dos estatutos, eleição dos órgãos sociais - deve
ser elaborada ata obrigatoriamente)
2
•Pessoa coletiva e personalidade jurídica (entrega/envio dos estatutos, ata e
documentos de identificação dos elementos dos órgãos sociais no RNPC e
3 Ministério respetivo)

19
3.4 Associações de Pais
As associações de pais visam a defesa e a promoção dos interesses dos seus
associados, no que concerne à educação e ao ensino dos seus filhos e educandos. É uma forma
organizada dos pais dos alunos e seus encarregados de educação participarem ativamente no
sistema educativo.
Cabe às AP - Associação de Pais, através dos seus representantes, estabelecer
parcerias junto dos órgãos da escola. As AP têm o direito de intervir junto da Direção da
Escola, mas também junto do Governo, da Assembleia da República e das Autarquias.
No mínimo são necessários 5 pais ou encarregados de educação para constituir uma
associação de pais (o número deverá ser sempre ímpar). O processo de constituição inicia-se
com a elaboração de um Projeto de Estatutos pela comissão inicial de pais (aconselha-se a
consulta de material disponibilizado na página de internet da CONFAP – Confederação
Nacional das Associações de Pais), e sua apresentação à Direção da Escola. A pedido desta
comissão, a Direção convoca uma reunião aberta a todos os pais e encarregados de educação,
visando a criação da AP. No convite deve constar a seguinte ordem de trabalhos: aprovação
dos estatutos da AP e eleição da Comissão Instaladora que integra os elementos que
apresentam o projeto de estatutos.
A AP pode usar o nome da Escola, com a condição de que a maioria dos seus membros
englobe pais ou encarregados de educação de alunos desse estabelecimento de ensino.
Após a aprovação dos estatutos, providencia-se a obtenção do certificado de
admissibilidade de nome ou denominação, no Registo Nacional de Pessoas Coletivas (RNPC).
O passo seguinte é enviar o processo (Estatutos e identificação da Comissão
Instaladora da AP eleita, o nome, cópia dos documentos de identificação, morada e telefone
de cada um dos membros e o certificado de admissibilidade de nome ou denominação da
associação emitido pelo RNPC para a Secretária-Geral do Ministério da Educação, sita na Av. 5
de Outubro, n.º 107, 1000 Lisboa (ou por email: dsjc@sg.min-edu.pt).
Cabe ao Ministério da Educação a publicação dos Estatutos em Diário da República,
sendo que, para o efeito, envia cópia da documentação à Procuradoria-Geral da República
para controlo da legalidade, após o que promoverá a respetiva publicação gratuita.
Publicados os Estatutos em Diário da Republica, pede-se o cartão de pessoa coletiva no
RNPC, mediante exibição de fotocópia da referida publicação dos estatutos em DR e pede-se a
filiação na respetiva Federação Regional das Associações de Pais e na CONFAP. As associações
de pais gozam de personalidade jurídica a partir da data da publicação dos estatutos.
Por fim, procede-se à eleição dos Órgãos Sociais da AP.

20
3.5 Instituições Particulares de Solidariedade Social
As IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social são instituições que têm por
finalidade o exercício da ação social na prevenção e apoio nas diversas situações de
fragilidade, exclusão ou carência humana, promovendo a inclusão e a integração social,
desenvolvendo para tal, diversas atividades de apoio a crianças e jovens, à família, juventude,
terceira idade, invalidez e, em geral, a toda a população necessitada.
São IPSS, neste sentido e de acordo com o artigo 1.º do EIPSS – Estatuto das
Instituições Particulares de Solidariedade Social, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 119/83, de 25
de fevereiro, as instituições constituídas por iniciativa de particulares, sem finalidade lucrativa,
com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça
entre os indivíduos, que não sejam administradas pelo Estado ou por um corpo autárquico,
para prosseguir, entre outros, os seguintes objetivos, mediante a concessão de bens e a
prestação de serviços:
 No âmbito da Segurança Social:
o Apoio a crianças e jovens;
o Apoio à família;
o Apoio à integração social e comunitária;
o Proteção dos cidadãos na velhice e invalidez e em todas as situações de falta
ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.
 No âmbito da proteção na saúde:
o Promoção e proteção da saúde, nomeadamente através da prestação de
cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
 No âmbito da educação:
o Educação e formação profissional dos cidadãos;
 No âmbito da habitação:
o Resolução dos problemas habitacionais das populações.

As IPSS podem, para além dos objetivos enumerados anteriormente, prosseguir, de


modo secundário, outros fins não lucrativos que com aqueles sejam compatíveis, bem como
outras atividades que concorram para a sua sustentabilidade financeira.
Os objetivos assumidos pelas IPSS são concretizados através de respostas de ação
social em equipamentos e serviços, bem como de parcerias em programas e projetos (art.º 4.º
do EIPSS) e, eventualmente, em cooperação com o MSSS – Ministério da Solidariedade e
Segurança Social.

21
Para levar a cabo os objetivos da segurança social e de acordo com as necessidades
locais, os Centro Distritais de Segurança Social/Instituto Segurança Social, podem celebrar
Acordos de Cooperação com as IPSS ou equiparadas, através dos quais garantem a concessão
direta de prestações em equipamentos e serviços à população, ou Acordos de Gestão através
dos quais transferem a gestão de serviços e equipamentos pertencentes ao Estado.

As IPSS são constituídas e adquirem personalidade jurídica desde que:


 Associações de Solidariedade Social – contemplem qualquer dos objetivos
previstos no art.º 1.º do Estatuto das IPSS, por escritura pública, através da qual
adquirem personalidade jurídica (art.º 52.º, n.º 1 e n.º 2 do EIPSS).
 Fundações – a sua constituição pode ser por uma de duas formas (art.º 78.º n.º 1
do EIPSS):
o Por ato entre vivos, através de escritura pública do ato de instituição;
o por testamento ou “mortis causa”.
As Fundações, qualquer que seja a forma como se constituem, só adquirem
personalidade jurídica pelo reconhecimento, da competência do ministro da
tutela, que pressupõe, nomeadamente, a verificação da suficiência do património
afetado à realização dos seus fins (art.º 79.º do EIPSS).
 Associações e Fundações da Igreja Católica - são criadas canonicamente pelo
bispo da diocese da sua sede, adquirindo personalidade jurídica civil pela simples
participação escrita de respetiva constituição aos Centros Distritais de Segurança
Social da área da sede das IPSS, quando prossigam fins de ação social/segurança
social (art.º 45.º do EIPSS).

Uma vez registadas, as IPSS adquirem o estatuto de pessoas coletivas de utilidade


pública, advindo daí, por parte do Estado, a atribuição de benefícios (isenções fiscais, apoios
financeiros) e encargos (prestação de contas, obrigação de cooperação com a Administração
Pública) – art.º 8.º do EIPSS.
O processo de registo e informação complementar à atuação das IPSS é abordada no
2.º Caderno do Manual para a Capacitação, pelo que se remete para aí todas as informações
adicionais a nível de:
 Registos e licenciamentos;
 Estatutos e funcionamento;
 Equiparação;
 Implementação de SGQ.

22
3.6 Outro Tipo de Associações

Consoante os seus objetivos, as associações podem ainda ser:


 Associações de Defesa do Ambiente – destinadas ao desenvolvimento de
atividades que visam a proteção do património natural e da qualidade de vida;
 Associações de Moradores – movidas pelo objetivo de defender interesses
relacionados com o espaço habitacional, condições de segurança e qualidade de
vida nas zonas residenciais;
 Associações de Desenvolvimento Local – vocacionadas para a promoção e a
rentabilização de recursos, em determinadas áreas geográficas, numa perspetiva
integradora;
 Associações de Defesa do Património – motivadas pelo intuito de preservar o
património cultural de uma determinada região;
 Associações Profissionais – constituídas para defesa dos interesses de classes
profissionais específicas;
 Associações Mutualistas – formadas com o objetivo de investir na proteção social
complementar;
 Associações de Doentes e Associações de Pessoas Portadoras de Deficiência –
criadas para apoiar as pessoas portadoras de doenças específicas ou com
deficiência, bem como para divulgar informação e promover a investigação;
 Associações de Imigrantes – movidas pelo objetivo de defender e promover os
interesses e direitos dos imigrantes e seus descendentes.

23
4- Funcionamento de uma Associação
4.1 Os seus órgãos sociais
Regra geral, os corpos sociais de uma associação compreendem três órgãos:

Conselho
fiscal

Direção

Assembleia Geral
(Mesa da
Assembleia Geral)

4.1.1 Assembleia Geral


Trata-se do órgão mais importante de uma associação, o espaço onde os associados
podem expressar a sua opinião e decidir através do seu voto.
Compete-lhe todas as deliberações sobre questões fundamentais da vida da
associação, como sejam a destituição dos titulares dos seus órgãos, a aprovação do balanço, a
alteração dos estatutos, a extinção da associação e a autorização para esta demandar os
dirigentes por factos praticados no exercício do cargo.
Este órgão possui uma Mesa composta no mínimo por três elementos, dos quais um é
o presidente e os outros podem ser dois secretários ou um secretário e um vogal.
Os objetivos das reuniões da Assembleia-geral consistem em apreciar os relatórios das
atividades efetuadas no ano anterior, aprovar os relatórios de contas, apresentar o plano de
atividades e o orçamento para os anos futuros, eleger os órgãos sociais e aprovar sugestões
relativas à política da associação.
As convocatórias para as reuniões da Assembleia-geral (Consultar Kit Documental)
dependem de fatores que estão relacionados com a dimensão da associação, com a maior ou
menor dispersão das moradas dos sócios, com o meio ambiente onde está inserida, etc.
Deixamos alguns exemplos que podem ser considerados:

24
 Aviso aos associados, por correio (tradicional ou eletrónico), e por anúncio num órgão
da imprensa local e/ou nacional;
 Através de boletim próprio;
 Por aviso nas instalações da associação e por anúncio num órgão da imprensa local
e/ou nacional.
A antecedência mínima para os avisos deve ser de 8 dias, devendo a convocação
indicar o dia, hora, local da reunião e a respetiva ordem de trabalhos. Só serão válidas as
deliberações tomadas sobre matéria estranha à ordem do dia, se todos os associados
comparecerem à reunião e todos concordarem.
A assembleia não pode deliberar, em primeira convocação, sem a presença de pelo
menos metade dos seus associados.
Os estatutos podem exigir um número de votos superior ao fixado por lei. (No caso de
se tratar de uma Assembleia Geral para apresentação de relatório (Consultar Kit Documental).

Exemplo de ordem de trabalhos para aprovação de relatório anual:

•Certas organizações optam por ler e aprovar a ata da reunião


imediatamente anterior, se bem que os associados presentes poderão não
ser os mesmos.
Ponto 1 - Ata da •Outras, leem apenas para conhecimento, sendo a mesma aprovada na
última Reunião reunião a que diz respeito.
•Qualquer que seja o método adotado, a ata deve ser formalmente aprovada
na reunião e assinada pelos elementos da mesa e à qual se junta a lista de
presenças dos associados.

•O presidente da mesa deve dar uma ideia geral do trabalho realizado no


ano transato, deixando os factos e os números para a apresentação do
Ponto 2 –
relatório por elemento da Direção da Associação.
Apresentação do
•Após a apresentação, o presidente da mesa desencadeia mecanismo para
Relatório Anual esclarecimento de dúvidas e comentários que conduzirá à apresentação da
moção que será votada.

•Poderão ser apresentados outros assuntos como autorizações à Direção,


Ponto 3 - Outros
votos de pesar, informações várias do funcionamento geral da associação e
Assuntos que os órgãos sociais queiram ver tratados de forma genérica.

Os livros da organização devem ser colocados à disposição de qualquer membro que


deseje consultá-los.
Deve ser elaborada ata de reunião/assembleia e aprovada, se possível, de imediato
para produção de efeitos.

25
4.1.2 Direção
A Direção é um órgão colegial composto por um número ímpar de titulares.
Normalmente, a Direção funciona com um presidente, um vice-presidente, um tesoureiro, um
secretário e um vogal.
Trata-se de um órgão de carácter executivo, ao qual compete representar a associação
de acordo com os princípios definidos no estatuto, gerir a associação e tomar as decisões
relativas ao seu funcionamento, designadamente:
 Admitir os associados efetivos;
 Elaborar anualmente o relatório e as contas do exercício;
 Elaborar o plano de atividades e o orçamento para o ano seguinte;
 Assegurar a organização e o funcionamento dos serviços;
 Gerir os recursos humanos da associação;
 Zelar pelo cumprimento da lei, dos estatutos, dos regulamentos e das deliberações
da Assembleia Geral.
Se os estatutos o permitirem, a direção pode delegar em profissionais qualificados,
alguns dos seus poderes, incluindo os relativos à gestão corrente das associações. Os estatutos
ou os regulamentos internos determinarão a periodicidade das reuniões ordinárias da Direção
e a forma de convocação das suas reuniões extraordinárias, bem como a distribuição dos
cargos e funções dos seus membros.

Presidente da Direção
Os deveres de um presidente são fundamentalmente administrativos. O Presidente é
responsável por representar a Associação, pela conduta e pelo cumprimento de um conjunto
de orientações que permitem atingir os objetivos traçados, assim como, pela condução das
reuniões de direção verificando o conveniente tratamento de todas as questões a discutir.
São princípios de um bom Administrador:
 Saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas (planear,
organizar, dirigir e controlar);
 Saber decidir e solucionar problemas;
 Saber lidar com pessoas: comunicar eficientemente, negociar, conduzir mudanças,
obter cooperação e solucionar conflitos;
 Ter uma visão sistémica e global da estrutura da organização;
 Ser proactivo, ousado e criativo;
 Ser um bom líder;
 Gerir com responsabilidade e profissionalismo.

26
Secretário
O secretário ou diretor executivo de qualquer associação será responsável pelo
funcionamento eficaz das diferentes atividades da instituição. É seu dever organizar e
superintender o serviço de secretaria/expediente e lavrar as atas das reuniões de Direção.
As decisões de gestão e o modo como as atividades vão ser geridas devem constituir
uma estratégia integrada e coordenada com o orçamento para alcançar os objetivos
financeiros estabelecidos.

Tesoureiro
O tesoureiro é responsável pelas transações financeiras da associação. Os seus deveres
consistem em:
 Fazer a gestão das quotas;
 Pagar contas;
 Examinar gastos;
 Manter em dia os livros de contas (quando não existe alguém responsável pela
contabilidade);
 Dar informações sobre a posição financeira da organização;
 Preparar o relatório e contas a apresentar à Assembleia Geral Ordinária;
 Aconselhar quanto ao uso de fundos para fins especiais e sobre as finanças da
organização em geral.
Para fazer a contabilidade da organização, caso ela não tenha contabilidade
organizada, não é necessário dispor de muitos livros. Um livro de bancos, um livro de caixa e
um ficheiro de correspondência serão os essenciais. Hoje em dia, com as novas tecnologias ao
nível da informática, os livros em papel podem ser substituídos por programas simples que por
vezes são criados na própria associação.
No caso de a organização ter contabilidade organizada, esta deve ser da
responsabilidade de um especialista que pode ou não pertencer à associação. Não existem
portanto, regras definidas quanto à escrita do livro de caixa. Os títulos Receitas e Despesas ou
Débito e Crédito são igualmente corretos; as receitas devem ser escritas à esquerda e as
despesas à direita.
No livro de caixa é registado tudo o que é pago ou recebido por caixa. A informática
facilita bastante este procedimento porque em aplicações de folha de cálculo (ex. Excel) pode
ser criada uma folha para cada mês do ano, onde se faz o registo das entradas e das saídas.
Estes registos devem ser sempre acompanhados por um recibo ou fatura/recibo que comprova
a despesa.

27
O livro de caixa deve ser mantido em dia, a fim de permitir conhecer em qualquer
momento a posição financeira da organização. Este registo deve estar sempre acompanhado
por documento justificativo.
No caso de ser efetuado um depósito (entrada de dinheiro para a associação), toda a
informação referente ao mesmo deverá ser anexada na pasta adequada, o talão de depósito
com o número correspondente ao da folha de banco, a cópia de cheque (caso tenha sido
pagamento por cheque) e a cópia do documento emitido pela associação (recibo ou outro
documento comprovativo do recebimento).
O tesoureiro deve fazer periodicamente um resumo da situação financeira da
associação para apresentar nas reuniões.
Quando a associação dispõe de contabilidade organizada, periodicamente deve enviar os
documentos devidamente organizados numa pasta para o TOC (Técnico Oficial de Contas)
classificar e apurar os impostos.
Será prudente garantir que qualquer gasto elevado ou não habitual seja
convenientemente autorizado e registado em ata, para deste modo precaver problemas
futuros.

Vogal
O/s vogal/ais coadjuva o presidente e os restantes elementos da Direção em todas as
suas funções, bem como, integrando-se nas atividades da mesma, exerce as funções que a
Direção lhe/s atribuir.

Orçamentação
O orçamento é o instrumento de natureza económica elaborado com o objetivo de
prever determinadas quantias que serão utilizadas para as diversas atividades da associação.
Ele consiste num resumo sistemático, ordenado e classificado das despesas previstas e das
receitas projetadas para cobrir essas despesas.
As receitas podem classificar-se da seguinte forma:
 Quotização;
 Mensalidades;
 Subsídios recebidos;
 Donativos;
 Receitas suplementares (de atividades que não constituem o objetivo principal da
associação, tais como alugueres, bar, restaurante, patrocínios, etc.);
 Outras receitas.

28
As despesas de forma simples compõe-se pelo montante de dinheiro que a associação
gasta no desenvolvimento das suas atividades e podem-se classificar da seguinte forma:
 Despesas de compras ou consumos de materiais e equipamentos necessários à
realização das atividades;
 Despesas com o fornecimento de serviços de terceiros (água, eletricidade,
telefone, combustíveis, transportes, materiais de conservação);
 Despesas de impostos (diretos e indiretos);
 Despesas com pessoal (salários, prémios, encargos com as Finanças e Segurança
Social, seguros);
 Despesas financeiras (juros, taxas bancárias);
 Outras despesas e encargos.

Processos Administrativos
A organização dos processos administrativos deve ser uma preocupação da Direção. O
sistema a adotar deve ser simples e metódico. Devem ser organizadas pastas para dar resposta
aos seguintes assuntos:
 Assuntos pendentes;
 Assuntos tratados;
 Ficheiros de correspondência;
 Minutas;
 Folhas do fundo de maneio;
 Base de dados dos vários associados;
 Documentação da constituição da Associação;
 Contratos vários (títulos de propriedade, arrendamento(s), cartão de pessoa
coletiva, água/luz/telefones, seguros, etc.).
Sugere-se que a correspondência recebida/enviada seja arquivada por ordem
cronológica, após registo em livro próprio. Nesse registo deve constar:
 O número de entrada;
 A identificação da entidade que envia ou para onde é enviada a carta;
 A data.
Hoje em dia, com a ajuda do sistema informático e de um conjunto vasto de ferramentas
que já existem, a tarefa de organização administrativa da associação encontra-se muito mais
facilitada.

29
4.1.3 Conselho Fiscal
O conselho fiscal é um órgão colegial constituído por um número ímpar de titulares,
em que um dos quais presidirá. No mínimo, é composto por três elementos, dos quais um é o
presidente e os outros dois vogais ou um secretário e um relator.
Trata-se de um órgão fiscalizador, o qual está incumbido de zelar pelo cumprimento
dos estatutos e da lei em vigor, ao nível da atividade administrativa e financeira da associação,
particularmente:
 Examinar a escrituração e os documentos;
 Dar parecer sobre o Relatório e Contas do exercício, bem como sobre o Plano de
Atividades e Orçamento para o ano seguinte;
 Dar parecer sobre quaisquer assuntos que os outros órgãos associativos
submetam à sua apreciação;
 Verificar o cumprimento da lei, dos estatutos e dos regulamentos;
 Assegurar as demais competências que lhe sejam atribuídas pela lei geral ou que
decorram da aplicação dos estatutos.
Na análise financeira pode ser coadjuvado por um técnico oficial de contas (caso
exista).

4.1.4 Relacionamento dos Órgãos


A relação que se estabelece entre os vários órgãos de uma associação é uma relação
democrática que se baseia na forma como estes cumprem as suas competências sem
interferirem no âmbito de intervenção uns dos outros.
Para além das disposições definidas nos estatutos que são específicas de cada
associação e da lei geral aplicável, as associações podem elaborar um regulamento interno que
contribui param uma melhor definição das funções de cada órgão. Estes documentos têm
como objetivo fixar regras de funcionamento interno dos órgãos para que assim exista
harmonia e cooperação.
Podem ser ainda criados outros órgãos com funções consultivas ou executivas, que
deverão estar previstos nos estatutos ou regulamentos internos.

4.2 Procedimentos administrativo-financeiros


Cada instituição deve regulamentar internamente uma série de procedimentos
administrativos e financeiros, para que se garanta o normal funcionamento da mesma, sem
perdas de informação e com garantias de transparência de procedimentos.

30
Aconselha-se o recurso ao “kit documental” (caderno 3) para aplicação de vários
formulários.
Ressalva-se que apenas se apresenta modelos de procedimentos e formulários,
devendo cada Associação adaptá-los de acordo com a sua realidade e necessidade.

4.2.1 Receção e atendimento


Receção de pessoas:
A receção de pessoas deve sempre ser iniciada com uma saudação.
Ex.: "- Bom dia/tarde, tenha a bondade?”, "- Bom dia/tarde, se faz favor?”, ou outra saudação
equivalente.
Informar-se o visitante que se vai comunicar a sua chegada, pedindo-lhe que aguarde
um momento.
Ex.: “- Por favor, aguarde um momento, que vou comunicar que já chegou!”
Acompanha-se o visitante, depois de se certificar que a pessoa que o irá receber já
está disponível para o efeito.
Ex.: ”- Vou acompanha-lo/a ao gabinete, visto já estar disponível para o/a receber.”

Serviço telefónico:
O atendimento das chamadas telefónicas deve sempre ser iniciado com identificação
da Associação e da pessoa que atende, que saúda o interlocutor.
Ex: "- Associação ABC, bom dia/tarde, fala …..!", “- Associação…, fala ….., tenha a bondade?”, “-
Associação…, fala ……., se faz favor?”, ou outra saudação equivalente.
Pedido de identificação do interlocutor e pessoa a contactar (ou assunto anunciar).
Se tem a certeza que o destinatário não se encontra na instituição, informa o
interlocutor da ausência do destinatário e pergunta se quer deixar mensagem. Toma nota
desta, utilizando documento específico para o efeito, o qual fará chegar ao destinatário por
procedimento interno adotado (ex.: caixa de correio interno, placar de serviço, correio
eletrónico ou outro).
Se o destinatário está presente, verifica a sua disponibilidade para receber a chamada
e: transfere-a, se for caso disso; transmite a mensagem de resposta do destinatário ou, se este não
estiver presente, aplica o procedimento de receção de mensagens.
As chamadas solicitadas para o exterior devem ser moderadas e controladas.
Ao efetuar as chamadas telefónicas, deve-se aplicar os procedimentos do atendimento
das chamadas do exterior.

31
4.2.2 Tratamento de correspondência
Receção de correspondência e faxes:
O tratamento da correspondência obedece a procedimento geral da instituição, sendo
que, em serviços descentralizados, o rececionista regista a entrada dos envelopes fechados /
Faxes no livro de “Registo de Correspondência Recebida”, abre a correspondência e coloca
carimbo "Recebido/Data" em todos os documentos exceto os que requeiram classificação
contabilística (Ex.: faturas, recibos, vendas a dinheiro, notas de lançamento).
Colocar a correspondência (com e sem proposta de resposta) em pasta própria para
submeter à apreciação de elemento da Direção (consoante procedimento interno que
considerem), que rubrica e despacha para os diversos serviços, que darão sequência ao
despacho.
Arquivamento em dossier do projeto (processo), caso o documento faça parte
integrante de arquivo autónomo.
Arquivamento geral da documentação verificada Direção em pastas específicas,
criadas por tema/assunto, n.º de entrada.
Ex. 1: Bancos - Banco “A”; separador, Banco “B”; separador Banco “C”...
Ex. 2: LEADER - Normas Comunitárias; separador, Normas Nacionais; separador, Legislação
Avulsa...
Ressalva-se que para maior controlo, a correspondência original poderá ser logo
arquivada em arquivo geral, indo cópia para despacho correspondente, podendo todo este
processo ser em suporte de papel ou informático, utilizando para o efeito caixas de correio
eletrónico institucionais.

Emissão de Correspondência, Faxes e correio eletrónico:


A correspondência a expedir será acompanhada ou veiculada por carta produzida pela
Direção, ou outro elemento mandtado (conforme procedimento a adotar por cada instituição).
Na zona própria (Referência interna) deve figurar indicação do número interno de
registo, iniciais do projeto/sector e do/a emitente; data; indicação de eventual registo (R),
aviso de receção (AR) ou correio expresso (Cex). As cartas serão emitidas em papel timbrado,
faxes e emails com logótipo da Associação (imagem estandardizada assumida pela instituição).
Após assinatura da carta ou fax pelo/a emitente responsável, é fotocopiada (cartas) e
arquivada na pasta de “Correspondência Emitida” – geral e pasta da resposta/projeto, se
aplicável, por ordem de envio e a cargo do rececionista; nos Faxes – proceder à impressão do
recibo de confirmação, seguido do arquivamento por nº de ordem; correio eletrónico - após o
seu envio e impresso com o recibo de entrega, deve ser arquivado, por ordem cronológica de

32
emissão (proceder a impressão e arquivamento apenas se entendido enquanto documento de
correspondência oficial).

Receção de documentos contabilísticos:


Na receção de “Faturas”, “Notas de Débito e crédito”, “recibos” coloca-se a
correspondência em pasta própria para apreciação do diretor/coordenador e posterior
entrega nos serviços contabilísticos, para conferência, lançamento e oposição de carimbo de
projeto quando aplicável.
No caso de encomendas dever-se-á conferir o material entregue com a guia de
remessa, seguido de colocação de data e assinatura na mesma.

4.2.3 Receção de cheques e documentos com domiciliação bancária


Na receção dos cheques, na triagem de correio, dever-se-á aplicar o procedimento de
receção de correspondência (carimbo "Recebido/Data") aos documentos que o acompanham.
O cheque deve ser traçado, escrever o n.º de conta no verso e emissão do talão de
depósito para entrega no Banco no próprio dia. Aceder à conta corrente do cliente, emitir o
recibo (em duplicado) e enviar o recibo original ao cliente, aplicando o procedimento de
emissão de correspondência. Os duplicados dos recibos devem ser anexados aos talões de
depósitos e encaminhados para a contabilidade/serviços de contabilidade se existirem.
Na receção dos documentos com domiciliação bancária (rendas e alugueres de
locadoras, cartões frota, seguros, quotas, eletricidade, etc…) colocar o carimbo
"Recebido/Data". Após conferência, lançar no registo interno da tesouraria e encaminhar para
a contabilidade, para lançar de imediato na conta corrente do banco, carimbando o
documento "LANÇADO".
A conferência referida no parágrafo anterior, não substitui a conciliação bancária,
que deverá ser feita mensalmente

4.2.4 Extratos e conciliação bancária


Na Receção dos extratos bancários aplica-se o procedimento de receção de
correspondência, colocando o carimbo "Recebido/Data" e enviando para apreciação da
Direção. Após ter sido conferido com a conta corrente do banco, arquivar na pasta do banco.
Mensalmente, deve ser efetuada a conciliação da conta bancária, a partir do extrato
e por comparação com a conta de gestão bancária interna. As diferenças terão que ser sempre
identificadas e corrigidas.

33
4.2.5 Emissão de documentos para clientes
A emissão da fatura/recibos deve ter lugar na área administrativo-financeira, após
informação por escrito utilizando as comunicações de serviço internas. O original da fatura
segue para o cliente e o duplicado é lançado na contabilidade.
Em relação aos recibos, são emitidos após receção do pagamento, indo o original para
o cliente e o duplicado arquivado.

4.2.6 Pagamentos a fornecedores


Por princípio, tirar até ao dia 10 de cada mês, o extrato de fornecedores conta
corrente e enviar à Direção com proposta de pagamento a fornecedores para análise dos
débitos e decisão sobre os mesmos. Após a decisão da Direção relativamente à liquidação,
emitir a ordem de pagamento, apensa ao cheque, proceder a conferência dos mesmos e
assinar ambos por quem obriga a Associação, sendo depois o cheque enviado ao fornecedor.
O cheque deve ser registado no “Registo Interno” da tesouraria e arquivado o
duplicado junto à “Ordem de Pagamento”. O procedimento é aplicável, de igual modo, se a
associação optar por pagamentos através de “home banking”.

4.2.7 Pagamento de despesas pagas pelos colaboradores


O responsável dos serviços administrativo-financeiros poderá fazer adiantamentos aos
colaboradores para efeito de pagamento de portagens, combustíveis, despesas de alimentação
e dormidas, materiais de pequena monta ou outras. Estes adiantamentos requerem
autorização prévia da Direção, Coordenador ou Diretor Técnico (consoante procedimento
adotado) que deverá preencher memorando interno de suporte ao vale de caixa.
A Emissão do Vale de Caixa terá a assinatura por parte do colaborador a quem é
autorizada a despesa e efetuado o adiantamento, contra a entrega da verba.
Após a realização da despesa, haverá lugar a receção dos documentos justificativos
apensos à “Nota de Despesas” utilizando nota própria e verificação da mesma. Havendo
diferença, caberá receber ou entregar o valor em causa.

Subsídio de Transporte:
A título excecional e em casos de comprovado interesse dos serviços, pode ser
autorizado, com o acordo do colaborador, o uso de veículo próprio nas deslocações em serviço
em território nacional e apenas quando esgotadas as possibilidades de utilização económica
das viaturas afetas ao serviço/instituição ou quando o atraso no transporte implique grave
inconveniente para o serviço.

34
Na autorização individual para o uso de automóvel próprio deve ter-se em
consideração, para além do disposto no parágrafo anterior, o interesse do serviço numa
perspetiva económico-funcional mais rentável.
O abono dos subsídios de transporte é devido a partir da periferia do domicílio do
colaborador.
A revisão e alteração dos quantitativos dos subsídios de transportes são efetuadas
anualmente através de diploma legal.

4.2.8 Gestão do imobilizado


Bens Patrimoniais/Equipamentos:
Cabe ao responsável administrativo-financeiro, se existir, assegurar (com a
colaboração da direção) o registo geral do cadastro patrimonial, equipamentos e restantes
bens da associação.
O responsável pelas instalações e património (definido pela direção) deverá manter
atualizado o inventário do/s sector/es (nomeadamente, instalações, viaturas e máquinas),
garantir bom estado de conservação do imobilizado, estabelecer planos de manutenção e
acompanhar o seu percurso.

Empréstimos e Alugueres de Equipamentos:


Empréstimos e alugueres de equipamentos terão que ser submetidos à apreciação da
Direção e, no caso de autorização, o responsável pelo equipamento ficará encarregue pela
inspeção na entrega e receção do equipamento. Todas as saídas de equipamento terão que ser
registadas em modelo próprio elaborado para tal.

Cópias de Segurança das Soluções Informáticas:


A direção da instituição deve orientar para a realização de cópias de segurança de
dados informáticos dos serviços, diariamente, semanalmente ou mensalmente, consoante o
tipo de dados e a necessidade afeta, a serem realizados antes do fecho do expediente por cada
posto de trabalho. As cópias de segurança dos dados informáticos serão realizadas em
suportes magnéticos (utilizar CD, DVD, pen disc ou discos de recuperação).

35
5- Planeamento e Instrumentos de Gestão
5.1 Planeamento é…
… Examinar o futuro, delinear um plano de ação (Fayol, 1948);
… Pensar o futuro (Bolan, 1974).
Partindo destes conceitos de Planeamento, torna-se mais fácil caracteriza-lo como
sendo uma atitude de “antecipação”, implicando um exame preventivo de problemas/ações e
um conhecimento real da comunidade local, criando-se condições para a implementação de
um modelo mais seguro e eficaz. Mas estas decisões de planeamento não podem ser tomadas
de forma isolada e extemporânea. Os dirigentes devem ponderar muito bem os projetos e
atividades a desenvolver pela associação e a sua capacidade para obter as receitas necessárias
à sua implementação.
No seguimento do exposto, e em termos genéricos, podemos esquematizar os passos
para a realização de um planeamento:

Diagnóstico ou estudo
da situação

Avaliação Definição de objetivos

Programação ou
Realização de
definição de
atividades
estratégias

5.1.1 Diagnóstico ou estudo da situação


Para que se possa planear é necessário estarmos na posse dos seguintes elementos:
 Conhecimento do meio envolvente (estudo da realidade que envolve a associação.
Por exemplo, as escolas; as empresas; hábitos de ocupação de tempos livres;
infraestruturas; outras coletividades; etc.);
 Conhecimento dos recursos da associação ao nível material, financeiro e humano;
 Balanço da atividade anteriormente desenvolvida.

36
5.1.2 Definição de objetivos
Sem estabelecer o que se quer, não se sabe o que fazer. Os objetivos e metas dão uma
orientação importante neste sentido.
Importa ainda referir que os objetivos podem ser de curto, médio ou longo prazo e
sectoriais (para cada sector específico deverão existir objetivos correspondentes). Podem
distinguir-se os objetivos, consoante o seu nível de execução, isto é, objetivos gerais (para toda
a associação), objetivos específicos (para cada sector) e objetivos operacionais (para cada
atividade).

5.1.3 Programação ou definição de estratégias


A programação e/ou definição de estratégias deve estar de acordo com os objetivos
traçados, com os sectores e sua atividade. Deve, de igual modo, definir-se o sistema de
avaliação das atividades/plano.
Principais pontos a considerar:
 Definir concretamente os sectores ou áreas de atuação e os objetivos
correspondentes a esses sectores. Tem de existir uma correspondência entre os
vários níveis de objetivos estabelecidos.
 Criar uma estratégia para alcançar esses objetivos (melhor forma de alcançar os
fins). Essa estratégia deverá ter em conta as atividades programadas, os meios
necessários para as desenvolver (recursos materiais, financeiros e humanos) e as
formas de sensibilização, divulgação, etc.
 Determinar concretamente quais as atividades a organizar para cada sector. A
programação das atividades (que atividades, que objetivos, que horários, a quem
se dirigem e quem são os responsáveis) deverá ser elaborada, atendendo aos
objetivos para cada área, sem esquecer as restrições financeiras, materiais e
humanas.
 Definir o método de avaliação intermédio. Estabelecer formas de avaliação
intermédia que possibilitem reformular as estratégias quando necessário.

5.1.4 Realização de atividades


Se todos os passos forem cumpridos é natural que as atividades resultem com sucesso.
No entanto, há que definir bem quais as funções de cada elemento, para que cada um saiba,
exatamente, qual é a sua responsabilidade na prossecução e realização das atividades
programadas.

37
A associação deve criar sistema de registo das atividades que promove, podendo
incluir registos de inscrição, publicidade elaborada, registo fotográfico/vídeo, relatórios ou
outra informação que considerem importante.

5.1.5 Avaliação
Estabelecer uma forma de avaliação que permita ponderar os resultados finais e que
possibilite melhorar o desempenho da associação. A avaliação possibilita o desenvolvimento
de ações de melhoria, retificação e melhor desenvolvimento futuro das atividades e/ou melhor
programação/planeamento futuro.

5.2 Instrumentos de Gestão


Os Estatutos e/ou o Regulamento Geral Interno de uma associação definem a forma
de apresentação, discussão e votação daquilo que designamos por instrumentos de gestão, em
Assembleia Geral. Define-se assim como estratégia, que a Assembleia Geral reunirá
ordinariamente:
 Até ao fim do mês de Fevereiro de cada ano, para apreciação, discussão e votação
do Relatório e Contas da Direção e o respetivo parecer do Conselho Fiscal;
 Até ao dia 31 de Dezembro de cada ano, para apresentação, discussão e votação
do Plano de Atividades e Orçamento da associação para o ano seguinte.
Este orçamento (pode-se ver um exemplo no Anexo 5 - Contas de Gerência do “Kit
documental” deste manual) e o Plano de Atividades (ver exemplo no Anexo 2 - Processos de
realização) devem indicar aos associados o que se pretende realizar no ano seguinte, tendo
por base o planeamento efetuado anteriormente e os recursos que serão despendidos.
O plano de atividades não é mais que um documento onde consta a estratégia que foi
definida. Deve conter uma parte de introdução onde a associação faz uma breve abordagem
dos pontos mais importantes que o documento vai focar; um ponto relacionado com a
Administração, onde se estabelece a estratégia que vai ser seguida a este nível; informação
associada às Instalações, onde se refere a tática que a associação vai desenvolver, tendo em
conta as instalações e as necessidades existentes (maximizar ou mesmo remodelar o que já
existe, planear novas construções, etc.); informação sobre as atividades, caracterizando-se a
estratégia das atividades, e tipificando as mesmas (ex. atividades desportivas, recreativas e
outras que eventualmente existam); por fim, um capítulo com as conclusões, onde se faz o
encerramento com alusão aos pontos mais preponderantes.
Uma associação sem fins lucrativos desenvolve a sua atividade sem que o fim último
seja o lucro. A capacidade de determinar, com a maior exatidão possível, as necessidades

38
financeiras da associação e fazer uma adequada gestão orçamental, quer no que se refere à
receita quer no que se refere à despesa, é fundamental para a garantia de uma boa gestão e
continuidade da associação. O orçamento não é mais do que transpor para números, aquilo
que se definiu como estratégico.
Em síntese, é a existência de objetivos e atividades que levam à necessidade da
Associação elaborar um orçamento.

Objetivos

Orçamento

Atividades

O instrumento que ajuda no processo de identificação das necessidades de receitas e


de despesas é o Orçamento da Associação. Portanto, torna-se indispensável definir um
orçamento previsível pelo que há que ter em atenção os seguintes pontos:
 A responsabilidade de elaboração e coordenação do orçamento geralmente é do
tesoureiro ou do diretor financeiro da associação, com a colaboração ajuda do
presidente e restantes membros da Direção;
 O orçamento geral da associação deve ter como base os orçamentos de cada
seção ou departamento da associação;
 Cada responsável de departamento/secção, do bar, da loja, etc. deve apoiar a
elaboração do orçamento geral, identificando todas as possíveis receitas e
despesas;
 Tendo em conta a informação obtida deve ser feita uma lista com todos os custos
essenciais e, se possível, devem ser utilizadas as contas do ano anterior para
comparar a evolução dos valores;
 Devem ser feitos os ajustamentos contando com a inflação e também com os 10%
do provável aumento das despesas (deixe uma margem de 10% de contingente de
despesas e de receitas);
 O orçamento deve ser reapreciado para que se torne o mais realista possível e
para que todos os dirigentes o considerem alcançável;

39
 Podem existir desenvolvimentos e acontecimentos inesperados na atividade da
associação que simplesmente não são previstos, logo o orçamento deve ser
ajustado de acordo com esses acontecimentos e desenvolvimentos;
 O orçamento pode servir de meio de comunicação e delegação no sentido
descendente das secções da associação.
O orçamento trata-se de um instrumento de gestão dinâmico e flexível, para se
adaptar às eventuais mudanças e ocorrências não previstas, e deve balizar a atividade da
associação e não ser apenas um ritual, cujo produto final é um documento para ficar arquivado
num dossiê que ninguém consulta.

Orçamento da
Associação

Define um

Objetivo de receita Objetivo de Despesa

Estratégias para alcançar Estratégias para alcançar


o objetivo de receitas o objetivo de despesas

Uma das regras fundamentais consiste em que todas as despesas em cada ano sejam
justificadas pelos dirigentes.
As entradas e saídas de dinheiro registam-se na folha de caixa e arquiva-se o respetivo
documento comprovativo da despesa, a este tipo de movimentos dá-se o nome de fluxo de
tesouraria.
Para o controlo e acompanhamento do orçamento, a organização pode optar por
realizar um relatório financeiro mensal ou mesmo trimestral. Este balanço é uma espécie de
fotografia das receitas e despesas já realizadas e por realizar. Quando a associação opta por
este método de trabalho a realização do relatório anual fica facilitada, uma vez que a
informação financeira está já recolhida, bastando, para tal, trata-la.

Estratégias para 40
alcançar o objetivo de
Despesas
O dirigente responsável pela área financeira deve preparar o balanço mensal ou
trimestral para as reuniões regulares da direção.

Atividades Análise
•Objetivos •Executar •Correção
(agir) (reagir) - a
•Plano de •Balanços curto e a
Atividades •Diferença longo prazo
(Prever) e (Controlar)
Planear orçamento Avaliação Avaliação

Este balanço permite por sua vez determinar e acompanhar, o mais cedo possível, os
desvios de execução do orçamento entre o que foi orçamento e o que está a ser realizado.
As variações no que respeita à obtenção de proveitos e à realização de despesa têm de
ser explicadas, pois servem como ponto de referência para a tomada de decisões corretivas e
consequente implementação de ações e iniciativas que alterem o atual estado da situação.

41
6- Fontes de Financiamentos
No que respeita a fontes de receita para a associação podemos agrupá-las em
receitas ordinárias e as receitas extraordinárias.

6.1 Receitas Ordinárias


 Joias e quotas pagas pelos associados - valores que são definidos pelos órgãos
próprios e que são pagos pelos sócios para poderem usufruir dos seus direitos. As
quotas são normalmente valores mensais ou anuais.
 Comparticipações dos associados e outros utentes relativamente a atividades
desenvolvidas – com o nome generalizado de mensalidade, estas
comparticipações referem-se ao que os utentes (associados ou não) pagam para
poderem participar numa atividade/beneficiar de determinado serviço. Essa
quantia, em geral, é inferior ao valor praticado no mercado porque o objetivo da
associação não é o lucro, mas sim contribuir para o bem-estar comum da
comunidade onde se insere.
 Rendimentos próprios - a coletividade pode ter receitas próprias para fazer face às
despesas que estão inerentes à sua atividade. Estas receitas podem advir de bens
que são propriedade da associação ou outros (exploração de loja ou bar, rendas,
etc.).

6.2 Receitas Extraordinárias


 Doações, legados, heranças e respetivos rendimentos - por vezes, há organizações
e mesmo particulares que fazem doações ou deixam heranças às associações,
ficando estas com a possibilidade de obter rendimento para financiar o seu
normal funcionamento. A esta situação pode estar associado o cumprimento de
alguns requisitos impostos pelo doador ou por quem deixa a herança.
 Produto de festas ou outros eventos organizados - a organização pode, para
angariar receitas para financiar a sua atividade, promover festas e eventos. Em
simultâneo, está a contribuir para que a comunidade ocupe de forma saudável os
seus tempos de lazer.
 Subsídios obtidos mediante acordos de cooperação celebrados com o Estado -
este tipo de acordos de cooperação enquadram a relação de parceria que origina
o desenvolvimento de um conjunto de atividades de solidariedade. Podem
basicamente ser típicos (quando têm por objetivo atividades previstas na lei) ou

42
atípicos (quando se referem à prossecução de outros fins). Estão, ainda, inseridos
neste tipo de acordos aqueles que se estabelecem entre as partes relativamente a
gestão de equipamentos que são de propriedade do Estado. Outros apoios que as
associações podem obter são protocolos que garantem o apoio técnico e
financeiro. O Estado ainda reconhece o contributo das associações ao nível do
desenvolvimento de atividades consideradas de utilidade pública. Assim, definiu
um conjunto de benefícios fiscais no sentido de estimular o desenvolvimento das
suas atividades.
 Mecenato e donativos - o Mecenato consiste num conjunto de incentivos fiscais
que visam impulsionar, quer as empresas quer os particulares a procederem à
concessão de donativos a favor das associações. Os donativos englobam todas as
compensações concedidas, quer em dinheiro quer em espécie às entidades, cujo
objeto se situe no âmbito desportivo cultural ou recreativo e que sejam realizadas
sem qualquer contrapartida.

43
7- Funcionários e colaboradores da associação
7.1 Contratos de trabalho a termo resoluto
Este só pode ser celebrado para satisfação de uma necessidade temporária e deverá
cessar assim que estiver satisfeita essa necessidade. A duração da relação laboral é limitada,
ficando o contrato sujeito à verificação de um termo que poderá ser certo, ou incerto.
As situações encontram-se descritas na lei e estão relacionadas com substituição de
trabalhador, realização de atividade sazonal, acréscimo excecional da atividade, execução de
atividade ocasional, lançamento de nova atividade de duração incerta, início de laboração de
empresa com menos de 750 trabalhadores e contratação de trabalhador à procura de primeiro
emprego, em situação de desemprego de longa duração, ou noutra prevista em legislação
especial de política de emprego.

7.1.1 Trabalho Subordinado – Contrato de trabalho sem termo


O contrato de trabalho sem termo é aquele que, não tendo uma duração previamente
fixada pelas partes, poderá durar indeterminadamente, tendo mesmo tendência à
perdurabilidade, só cessando nos termos da lei.
Não existe nenhum formalismo especial para a celebração do contrato, podendo as
partes fazê-lo verbalmente ou por escrito. Porém, em qualquer caso, deve a entidade patronal
fornecer ao trabalhador, por escrito, informação sobre os elementos essenciais dos respetivos
contratos ou relações de trabalho, tais como:
 A identidade das partes;
 O local de trabalho;
 O período normal de trabalho diário e semanal;
 A data de celebração do contrato e a do início dos seus efeitos;
 A categoria do trabalhador e a caracterização sumária do seu conteúdo;
 O valor e periodicidade da remuneração de base inicial, bem como as demais
prestações retributivas;
 Os prazos de aviso prévio a observar pelas partes no caso de denúncia ou rescisão
do contrato.
Durante o período experimental, e salvo acordo escrito em contrário, qualquer uma das
partes pode rescindir o contrato sem aviso prévio e sem necessidade de invocação de justa
causa, não havendo direito a qualquer indemnização.

44
7.1.2 Trabalho Subordinado – Contrato de trabalho a termo certo
A duração mínima do contrato de trabalho a termo certo, salvo nos casos
expressamente previstos na lei, não pode ser inferior a 6 meses. A sua duração máxima,
incluindo a possibilidade de 3 renovações, não poderá ultrapassar os 3 anos, exceto quando se
tratar de pessoa à procura do primeiro emprego, em que a duração máxima não pode exceder
os 18 meses, e os casos de lançamento de nova atividade com período de duração incerto e
contratação de trabalhador à procura de primeiro emprego, em que não pode ser superior a 2
anos.
O trabalhador contratado a termo tem os mesmos direitos e deveres de trabalhador
permanente em situação comparável.

7.1.3 Contrato de trabalho desportivo


(Caso particular de contrato de trabalho a termo certo)
Este tipo de contrato, segundo a alínea a) do art. 2.º da referida legislação é "aquele
pelo qual o praticante desportivo se obriga, mediante retribuição, a prestar atividade
desportiva a uma pessoa singular ou coletiva que promova ou participe em atividades
desportivas, sob a autoridade e a direção desta".
O contrato de trabalho desportivo não pode ter a duração inferior a uma época
desportiva nem superior a oito. Assim, trata-se sempre de um contrato a termo certo, uma vez
que o mesmo implica um acontecimento que seguramente ocorrerá em momento
rigorosamente determinado.
Para que este contrato tenha validade é necessário que seja reduzido a escrito em
duplicado ficando cada uma das partes com um exemplar e que ambas devem assinar. Deve
ainda constar do contrato:
 A identificação das partes, incluindo a nacionalidade e a data de nascimento do
praticante;
 A atividade desportiva que o praticante se obriga a prestar;
 O montante de retribuição;
 A data de início de produção de efeitos do contrato;
 O termo de vigência do contrato;
 A data de celebração.
Quando a remuneração for composta por uma parte fixa e outra variável, deve constar
do contrato a forma como a parte variável se compõe.

45
A participação do praticante desportivo em competições promovidas por uma
federação dotada de utilidade pública desportiva depende de prévio registo do contrato de
trabalho desportivo na respetiva federação.
Às relações emergentes deste tipo de contrato aplicam-se, subsidiariamente, as regras
aplicáveis ao contrato de trabalho, segundo o art. 3.º da referida legislação.

7.1.4 Trabalho Subordinado - Contrato de trabalho a termo incerto


O contrato de trabalho a termo incerto durará o tempo necessário à verificação do
acontecimento que motivou a sua celebração, nomeadamente o regresso do trabalhador
ausente, ou a conclusão da atividade que presidiu à sua contratação, não podendo ter uma
duração máxima superior a 6 anos.
O contrato a termo incerto é convertido em contrato sem termo, sempre que o
trabalhador permanecer em atividade mais de 15 dias, após a verificação do termo.

7.1.5 Trabalho Autónomo - Contrato de prestação de serviços


O contrato de trabalho não é a única fonte de recrutamento de colaboradores que as
associações dispõem para o efeito. Também o contrato de prestação de serviços nas suas
diversas modalidades, a saber:
 Contrato de mandato e contrato de empreitada;
 O mandato comercial;
 Contratos de utilização de trabalho temporário (ou locação de mão-de-obra) têm
função equivalente.
Conforme referido anteriormente este é o contrato pelo qual uma das partes se obriga
a proporcionar à outra certo resultado do seu trabalho intelectual ou manual, com ou sem
retribuição. Neste caso o colaborador não se coloca, por força do contrato que celebra com a
outra parte, numa situação de dependência ou subordinação como acontece no regime do
contrato de trabalho.
Aqui o prestador de serviços só se obriga a proporcionar a outrem o resultado do seu
trabalho, a ele pertencendo a liberdade de organizar e adotar a estratégias que entender
necessárias para a prossecução do mesmo.
Como exemplos, podemos ter os contratos com treinadores e monitores, contratos
com atletas e mesmo os contratos que se estabelecem com a pessoa da limpeza, contabilistas
ou outros serviços especializados.

46
7.2 Segurança Social
7.2.1 Regime Geral dos trabalhadores por conta de outrem
As entidades patronais, contribuintes do regime geral de segurança social, devem
participar aos Centro Regionais de Segurança Social (CRSS) o início da sua atividade, no prazo
de 10 dias úteis a contar da data em que esse início se tenha verificado.
Devem fazer parte da participação, a identificação da entidade patronal, dos
responsáveis pela sua administração ou gerência, o ramo de atividade, a sede ou domicílio e o
local ou locais de trabalho.
As entidades empregadoras são obrigadas a comunicar, no início da produção dos
efeitos do contrato de trabalho até ao fim da primeira metade do período normal de trabalho
diário, por qualquer meio escrito, às competentes instituições de segurança social, a admissão
de novos trabalhadores, sem prejuízo da posterior inserção na folha de remunerações
referente ao mês em que se verificam aquelas admissões.
A inscrição será efetuada em boletim de identificação de modelo adotado pelo
respetivo CRSS, modelo RVI009 da DGRSS, disponibilizado no site da segurança social
(www.seg-social.pt) ou através da Segurança Social Direta.
As associações descontarão nas respetivas remunerações pagas aos seus
trabalhadores a percentagem referente às contribuições destes (retenção na fonte) e,
juntamente com a própria contribuição, pagarão à Segurança Social o montante em dívida.
Esta contribuição é obrigatória e é calculada pela aplicação da taxa contributiva global
sobre as remunerações reais, consideradas base de incidência. A base de incidência
convencional é fixada por referência ao valor do IAS - indexante dos apoios sociais (1 IAS =
419,22€ em 2011), sendo atualizada a partir do 1º dia do mês seguinte ao da publicação do
diploma que atualiza o IAS.
As empresas podem requerer a declaração de remunerações através da Internet, ou
junto dos Serviços de Segurança Social.
As contribuições podem ser pagas em qualquer instituição de crédito onde o
contribuinte (entidade empregadora) tenha conta domiciliada, em numerário, ordem de
pagamento ou cheque do próprio banco, ou nas tesourarias dos serviços da Segurança Social,
se o montante a pagar for inferior a 150,00€, ou sem limite de montante com cheque visado
ou através de cartão Multibanco.
A declaração das remunerações e respetiva taxa aplicável assim como o pagamento da
contribuição são efetuados mensalmente, até ao dia 10 no 1º caso e até ao dia 20, no 2º, do
mês seguinte àquele a que as mesmas dizem respeito.

47
1.Tabela da taxa contributiva dos trabalhadores por conta de outrem, retirada do site da segurança social (taxas contributivas): -

dados relativos 2012.

Para a generalidade dos trabalhadores (trabalhadores por conta de outrem) a taxa


contributiva global é de 34,75%, cabendo ao empregador 23,75%, e ao trabalhador 11%.
As regras do novo Código Contributivo preveem o ajustamento progressivo da base de
incidência contributiva e das taxas contributivas, preconizando uma aproximação da legislação
de Segurança Social ao Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), passando a
aplicar-se, designadamente, o regime previsto no CIRS quanto à incidência contributiva para a
Segurança Social de alguns abonos.
O Código estabelece ainda uma adequação da taxa contributiva à modalidade de
contrato de trabalho, reduzindo a parcela a cargo do empregador para 22,75% no caso dos
contratos sem termo e subindo para os 26,75% nos contratos a termo resolutivo. A parcela a
cargo do trabalhador mantém-se inalterada (11%).

48
7.2.2 Regime dos trabalhadores independentes
O regime de segurança social dos trabalhadores independentes que tem como
objetivo assegurar a efetivação do direito à segurança social das pessoas que exerçam uma
atividade profissional por conta própria.
Para efeitos de enquadramento no âmbito deste regime, são sempre considerados
trabalhadores independentes os indivíduos que se obriguem a prestar a outrem, sem
subordinação, o resultado da sua atividade. Presume-se que a atividade é exercida sem
subordinação quando ocorram algumas das seguintes circunstâncias:
 O trabalhador tenha, no exercício da sua atividade, a faculdade de escolher os
processos e meios a utilizar, sendo estes, total ou parcialmente, da sua
propriedade;
 O trabalhador não se encontre sujeito a horário e/ou a períodos mínimos de
trabalho, salvo quando tal resulte da direta aplicação de normas de direito
laboral;
 O trabalhador possa subcontratar outros para a execução do trabalho em sua
substituição;
 A atividade do trabalhador não se integre na estrutura do processo produtivo, na
organização do trabalho ou na cadeia hierárquica de uma empresa;
 A atividade do trabalhador constitua elemento acidental na organização e no
desenvolvimento dos objetivos da entidade empregadora.
Em caso de acumulação do exercício de atividade por conta de outrem abrangida por
regime obrigatório de proteção social com o exercício de atividade por conta própria, é
reconhecido aos trabalhadores o direito à isenção da obrigação de contribuir em função desta
atividade.
As principais alterações introduzidas pelo Código Contributivo são as seguintes:
 Base de incidência: o trabalhador é enquadrado num dos escalões existentes (de 1
a 12 IAS), com base no duodécimo do rendimento relevante, ou seja, 70% das
prestações de serviços, ou 20% da produção e venda de bens no caso de ser
produtor ou comerciante. A base de incidência é fixada anualmente em Outubro e
vigora durante 12 meses.

49
 Taxa contributiva do trabalhador: passa a ser de 29,6%, independentemente de o
trabalhador ser produtor, comerciante ou prestador de serviços, exceto nos casos
dos trabalhadores agrícolas, proprietários de embarcações e pescadores, em que é
fixada em 28,3%.

2.Tabela da taxa contributiva dos trabalhadores independentes, retirada do site da da segurança social (taxas contributivas): -
dados relativos 2012.

O Código alarga ainda a base de incidência a outros tipos de remunerações e


benefícios, como por exemplo, ajudas de custo, abonos de viagem, despesas de transporte,
despesas de representação, uso de automóvel da empresa, prémios e bónus de carácter
irregular e indemnização por despedimento, nos termos e dentro dos limites previstos no
referido Código.
Este alargamento da base de incidência é progressivo e irá fazer-se nos seguintes
termos: 33% do valor no ano de 2011, 66% em 2012 e 100% em 2013.
Os montantes atribuídos aos trabalhadores a título de participação nos lucros da
empresa, os valores despendidos pela empresa em seguros do ramo “vida”, fundos de pensões
e PPR e as prestações relacionadas com o desempenho obtido pela empresa com carácter
estável só deverão integrar a base de incidência a partir de 01 de Janeiro de 2014.

7.3 Isenção de pagamentos das contribuições


7.3.1 Jovens em situação de primeiro emprego
Quando as associações recrutam jovens à procura de primeiro emprego (consideram-
se nesta situação as pessoas com idade igual ou superior a 16 anos ou inferior a 30 anos, que a
data do contrato, nunca tenham exercido atividade profissional ao abrigo de contrato por

50
tempo indeterminado), inscritos nos centros de emprego e com estes celebrem contratos de
trabalho por tempo indeterminado, podem beneficiar da dispensa do pagamento das
contribuições à Segurança Social.
As associações interessadas deverão requerer ao CRSS (Centro Regional da Segurança
Social) respetivo estas isenções através de impresso GTE 01, (disponibilizado no site da
segurança social www.seg-social.pt), devendo juntar a estes os seguintes documentos:
 Fotocópia do contrato do trabalho, sendo este obrigatoriamente reduzido a
escrito;
 Declaração expressa do trabalhador, com a menção de que se trata de uma
situação de primeiro emprego e de um contrato por tempo indeterminado;
 Boletim de identificação, quando se trate de trabalhador ainda não beneficiário da
Segurança Social;
 Elementos comprovativos de que o trabalhador nunca celebrou um contrato desta
natureza, quando se trate de trabalhador já beneficiário da Segurança Social, por
força de um contrato a termo anterior;
 Declaração do centro de emprego da área de residência do trabalhador que
confirme a sua inscrição e a respetiva duração;
 Declaração do instituto do Emprego e Formação Profissional, relativa ao
trabalhador em causa, referindo se a entidade empregadora teve direito ao apoio
financeiro.
As associações deverão incluir estes trabalhadores numa folha de remunerações
autónoma, com referência expressa a esta disciplina legal.
A contratação sem termo destes trabalhadores confere às associações a possibilidade
de requerer à Segurança Social uma dispensa de contribuições, na parte que lhes diz respeito,
durante 36 meses.

7.3.2 Desempregados de longa duração


São considerados desempregados de longa duração os trabalhadores que se
encontrem desempregados há mais de 1 ano, inscritos nos Centros de Emprego e ainda os
que, tendo idade não inferior a 18 anos, que estejam disponíveis para o trabalho, nunca
tenham celebrado contrato por tempo indeterminado e se encontrem igualmente inscritos no
Centros de Emprego há mais de 1 ano (art.º. 4.º do D.L n.º 64-C/89, de 27 de fevereiro).
As associações interessadas deverão requerer estes benefícios, por carta em papel
timbrado da firma, apresentando o requerimento no Centro Regional de Segurança Social
competente, devendo ainda juntar:

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 Fotocópia do contrato do trabalho;
 Declaração do centro de emprego da área da residência do trabalhador que
confirme a sua situação de desempregado anterior e a duração deste;
 Boletim de identificação do trabalhador, quando este não se encontre inscrito na
segurança social.
A contratação sem termo destes trabalhadores confere às associações a possibilidade
de requerer à Segurança Social uma dispensa de contribuições, na parte que lhes diz respeito,
durante 36 meses.

Notas:
Muitas das comunicações com a Segurança Social podem ser efetuadas em plataforma
eletrónica, nomeadamente na Segurança Social Direta, pelo que se enumeram serviços
disponibilizados na plataforma para as empresas/associações:
 Consulta de Dados de Identificação (Cadastro e Enquadramento no Sistema de Segurança Social);
 Consulta de Declarações de Remunerações;
 Comunicação da Admissão de Novos Trabalhadores;
 Comunicação da Cessação da Atividade de Trabalhadores;
 Declaração de Situação de Desemprego;
 Consulta de Dívidas em Execução Fiscal;
 Declaração de Situação Contributiva (Realizar Pedido; Consultar);
 Declaração de Não Aplicação de Sanções (Realizar Pedido, Consultar);
 Consentimento a Entidades Públicas de Consulta da Situação Contributiva (Dar consentimento, consentimentos
ativos, histórico de Consultas, histórico de Consentimentos);
 Consultar Membros Órgãos Estatutários;
 Certificação da Entidade Empregadora para efeitos de Requerimentos de Maternidade/ Paternidade (Comunicar,
certificação, Consultar);
 Gestão de Taxas Especiais (Registar Pedido, Consultar Pedido);
 Documentos Eletrónicos (Enviar, Consultar Documentos Enviados, Consultar Documentos Recebidos);
 Candidatura ao Programa PARES (Encontra-se encerrada a 2ª Fase de candidaturas);
 Instituições com crianças/jovens a cargo (Consulta de Abono de Família e outras Prestações Familiares);
 Entidades Públicas (Consulta de Situação Contributiva).

A entrega de declarações de remunerações pode ser efetuada em linha nas


plataformas DRI e DR On-Line, consoante as entidades tenham, respetivamente 10 ou mais
trabalhadores e menos de 10 trabalhadores.
Para aceder à Segurança Social Direta deve utilizar o acesso (NISS e palavra chave) do
serviço Declaração de Remunerações que utiliza, DRI ou DR-Online.

Acesso às aplicações:
 Segurança Social Direta: Adesão / Acesso
 Declaração de Remunerações em linha DRI: Adesão / Acesso (Entrega)
 Declaração de Remunerações em linha DR On-Line: Adesão / Acesso (Entrega)

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8- Protocolo
O protocolo compõe-se por uma linguagem universal que vai para além de um código
de conduta. Trata-se de um conjunto de preceitos e de formalidades que devem ser
observadas aquando do relacionamento entre entidades ou personalidades que as
representam.
Quem tem a responsabilidade de organizar eventos deve ter conhecimento das
normas protocolares, ou seja, das técnicas e instrumentos de organizar, preparar e executar
cerimónias. Neste grupo incluem-se os dirigentes associativos que tantas vezes se veem
confrontados com esta necessidade de organizar iniciativas mais ou menos formais.

8.1 Bandeira Nacional


A Bandeira Nacional é um símbolo da Pátria, que representa a soberania da Nação e a
independência, a unidade e a integridade de Portugal, logo deve ser respeitada por todos.
A forma como a Bandeira deve ser usada está definida na lei através do Decreto-Lei n.º
150/87, de 30 de Março. Esta deve ser apresentada de acordo com o padrão oficial e deve
estar sempre em bom estado. A Bandeira Nacional ocupa sempre o lugar de honra e quando
desfraldada com outras bandeiras, não poderá ter dimensões inferiores a estas.
Quando duas bandeiras se encontram lado a lado a Nacional é sempre colocada à
direita isto é, à esquerda de quem as olha de frente, seguindo-se, por importância no evento
em que estão colocadas, as demais.
Por vezes, a Bandeira Nacional é usada em iniciativas, como Conferência de Imprensa.
Quando esta situação acontece deve-se colocar a Bandeira no centro e sobre a cabeça das
personalidades que compõem a mesa. Nunca deve cobrir o tampo, a frente ou ilharga de
qualquer tipo de mesa.

Exemplos de colocação:

1- 2 - B.
Portugal Associação

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2 - B. 3 - União
1 - Portugal
Município Europeia

2 - B.
1 - Portugal
3 - B. Associação 4 - B. União
Município Europeia

A questão da importância da bandeira depende muito de critérios pessoais, contudo,


em Portugal, a Bandeira de Portugal é a mais importante e merece por isso o espaço de hora.
Pensamos que quando um evento se dá na sede de uma associação, teremos a seguinte
prioridade:

1- 2 – B. 3 – B. 4 - B. 5 - União
Portugal Associação Freguesia Município Europeia

8.2 Precedências Oficiais


A Precedência é a "preeminiscência ou preferência no lugar e assento em alguns atos".
A ordem de precedência é a estabelecida entre várias pessoas que assistem a um determinado
ato, de acordo com a hierarquia e o cargo de cada participante. Quando nos encontramos a
organizar atos oficiais temos que ter presente que a primeira pessoa, na ordem da
precedência, ocupa normalmente a primeira presidência.
Esta questão coloca-se em todos os atos, quer sejam mais ou menos solenes. Quem
tem a precedência é quem a pode ceder e, quando tal acontece, a pessoa visada deve aceitar
com um simples "obrigado/a".

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8.3 Sessões Solenes (Mesa de Honra)
As Mesas de Honra devem ser compostas por um número ímpar de pessoas. No
entanto e em caso extraordinário se for par, considera-se que existe uma linha imaginária a
meio da mesa, ficando à direita (esquerda de quem olha da assistência) o representante mais
importante.
Para se compor a mesa de Honra chama-se a pessoa que vai presidir à secção, no
entanto, pode-se sempre optar por não chamar as pessoas e estas ocuparem os seus lugares
sem serem previamente chamadas.
Por uma questão de deferência, o representante do clero fica numa cadeira especial, à
direita da mesa (esquerda de quem olha da assistência).
Quando não se verifica muita solenidade no ato em causa e existem poucas pessoas, é
bom apresentar, através de um cartão, o nome e o cargo, ou, só o cargo da pessoa em causa.
Seguidamente, chamam-se as restantes entidades para integrar a mesa pela ordem de
precedência.

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9- Bibliografia
 CASTRO, Paula, e FERNANDES, Cristina (2005), “Guia Prático para as Associações Sem Fins
Lucrativos”, Câmara Municipal do Seixal

 MENDES, Victor e FERREIRA, Gomes (2008), “Legislação sobre Associações”, Editora Legis,
4º edição, Lisboa

 MENDES, Victor (2008), “Como Constituir uma Associação”, Editora Legis, 4º edição, Lisboa

Páginas de internet (consultadas entre Agosto e Dezembro de 2011):

 www.seg-social.pt – Site da Segurança Social

 www.associacaonahora.mj.pt – Site da Associação na hora

 https://ocip.seg-social.pt/ocip/Login.jsp - Aplicação OCIP - prestação de contas e


orçamento IPSS

 https://www.seg-social.pt/consultas/ssdirecta/ - Acesso ao Segurança Social Direta

 www.portugal.gov.pt – Site do Governo de Portugal

 http://www.gep.msss.gov.pt/ - Site do Gabinete de Estratégia e Planeamento

 http://juventude.gov.ptI – Site do Portal da Juventude

 http://www.fjuventude.pt - Site da Fundação da Juventude

 www.irn.mj.pt – Site Instituto dos Registos e do Notariado

 www.portaldaempresa – Portal da Empresa

 www.confap.pt – Site da Confederação Nacional das Associações de Pais

 www.dre.pt – Diário da República Eletrónico

 www.portaldasfinancas.gov.pt – Portal das Finanças

 www.sg.pcm.gov.pt – Site da Presidência do Conselho de Ministros (Pessoas Coletivas de


Utilidade Pública – legislação e pedido de declaração)

 www.confederacaodascolectividades.com – Site da Confederação Portuguesa das


Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto

 http://www.fnaj.pt – Site da FNAJ - Federação Nacional das Associações Juvenis

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 http://europa.eu/youth - Portal Europeu da Juventude

 www.cdp.pt – Site da Confederação do Desporto de Portugal

 www.idesporto.pt – Site do Instituto do Desporto de Portugal

 www.portugalprotocolo.com – Site do Portugal Protocolo – para empresas de excelência

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