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Artigo TÈcnico EdiÁ„o 68 Revista Anfarmag

Algumas TÈcnicas Diferenciadas de ManipulaÁ„o de HidrogÈis

Autores : Marcos MoisÈs GonÁalves e Robson Vicente Machado de Oliveira Professores de FarmacotÈcnica ñ Universidade de Sorocaba (UNISO)

ìGelî foi um termo utilizado inicialmente pela reologia para caracterizar determinado estado de fluidez de um sistema, mais especificamente, estado de menor fluidez. SÛ mais tarde È que adotou-se ìgelî como forma cosmÈtica. A caracterÌstica mais marcante do gel (forma cosmÈtica) È a presenÁa de um esqueleto em sua estrutura interna. … esse esqueleto que confere aos gÈis alta viscosidade ou ìviscosidade estruturalî (VOIGT, 1982). HidrogÈis s„o liogÈis pois s„o constituÌdos por matÈrias-primas lÌquidas (e sÛlidas) e podem ser formados por intumescimento (se inchando) ou por reaÁ„o quÌmica de neutralizaÁ„o.

FormaÁ„o de GÈis por Intumescimento

Os derivados celulÛsicos quando dispersados em ·gua, gelificam por inchamento formando estruturas internas arredondadas com ·gua preenchendo seu interior:

internas arredondadas com ·gua preenchendo seu interior: Figura 1 FormaÁ„o de GÈis por ReaÁ„o QuÌmica Quando

Figura 1

FormaÁ„o de GÈis por ReaÁ„o QuÌmica

Quando polÌmeros ·cidos (carbÙmeros) s„o dispersados em ·gua, suas estruturas assumem, inicialmente, conformaÁıes em hÈlice:

assumem, inicialmente, conforma Áıes em hÈlice: Figura 2 Os sistemas formados por essas estruturas

Figura 2

Os sistemas formados por essas estruturas helicoidais e pela ·gua resultam em lÌquidos viscosos e pegajosos (adesividade), devido ao fato de ainda n„o formarem esqueleto n„o podendo ser considerados como gel. Entretanto, apÛs submeter o sistema a uma neutralizaÁ„o, as estruturas se distendem e enrijecem:

Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o
Figura 3 O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est „o

Figura 3

O gel formado tem estrutura interna linear. Na figura 4, abaixo, est„o destacadas

15 estruturas distendidas de carbÙmero formando um compartimento que aprisiona a ·gua em seu interior:

um compartimento que aprisiona a ·gua em seu interior: Figura 4 TÈcnica R·pida de Preparo dos

Figura 4

TÈcnica R·pida de Preparo dos GÈis de CarbÙmero ñ Uma HistÛria

Certa vez quando trabalh·vamos na farm·cia demos a uma estagi·ria a incumbÍncia de preparar um gel de carbÙmero. Quinze minutos depois ela nos trouxe um gel transl˙cido e homogÍneo. Sem entender muito bem o que havia acontecido perguntamos a ela qual seria tal tÈcnica maravilhosa. Ela disse que, por n„o ter procurado nenhuma tÈcnica, adicionou os componentes aleatoriamente e, apÛs submeter o sistema a um misturador planet·rio tudo acabou dando muito certo. Nessas horas a humildade tem que prevalecer Pedimos para ela nos dizer qual seria a seq¸Íncia (antes que se esquecesse). Tempos depois È que fomos averiguar que tratava-se da tÈcnica mais sofisticada de dispers„o, ou seja, trituraÁ„o por reaÁ„o quÌmica. Nessa tÈcnica n„o È necess·ria a trituraÁ„o porque a prÛpria reaÁ„o quÌmica se incumbe de reduzir os sÛlidos ao nÌvel molecular lembrando que o gral de porcelana provavelmente jamais conseguir· alcanÁar tal perfeiÁ„o.

ìTÈcnica Modificadaî

Para se fazer esta tÈcnica deve-se saber (descobrir) qual È a quantidade total de ·lcali necess·ria para neutralizar o carbÙmero.

TÈcnica de Preparo:

I ñ Misturar o propilenoglicol primeiramente com o conservante, homogeneizar;

II- Adicionar, sob agitaÁ„o, toda a quantidade de ·gua;

IV

ñ Polvilhar o carbÙmero agitando;

V- Verter os ativos e a essÍncia.

… importante ressaltar que, quando as partÌculas carbÙmero caem na soluÁ„o alcalina, elas v„o sendo literalmente desfeitas pela reaÁ„o quÌmica de neutralizaÁ„o. Essa tÈcnica dura poucos minutos quando o carbÙmero est· fresquinho (cheiro avinagrado). Dicas: 1,5% de carbÙmero pode ser parcialmente neutralizado com 1,2% de trietanolamina ou 0,7% de AMP 95 (caso se queira um valor de pH mais rÌgido deve-se quantificar a quantidade certa de ·lcali a ser usada).

Gel com Aristoflex Æ AVC ñ Gel com Certa ResistÍncia a pHs £cidos

Esse gelificante foi criado a partir de conceitos quÌmicos de forma que o gel final possua toler‚ncia a pHs moderadamente ·cidos (atÈ um limite inferior de 3,8 o gel È resistente). O que diferencia esse insumo È sua composiÁ„o em que o co- polÌmero possui um grupamento derivado do ·cido sulfÙnico (R-SO 3 H) que È caracterizado por ser ·cido forte. Uma vez que se faz a neutralizaÁ„o (por exemplo com NH 4 OH) forma-se uma base fraca (figura 5). Justamente esta base fraca n„o È t„o reativa com ·cidos daÌ se explicar esta relativa toler‚ncia a ·cidos.

n m N O NH O H 3 C H C CH 3 2 SO
n
m
N
O
NH
O
H
3 C
H
C
CH
3
2
SO
3 NH 4

Figura 5

J· os carbÙmeros se comportam de forma contraria. Aqueles derivados de ·cido

carboxÌlico (·cido fraco) quando s„o neutralizados formam bases fortes, ou seja, muito ·vidas por reagir com ·cidos (daÌ sua pouca toler‚ncia aos ·cidos).

GÈis de Acusol Æ 820

O gelificante Acusol Æ 820 (Rohm and Haas, 2002) È uma matÈria-prima muito

interessante pois o polÌmero j· vem prÈ-disperso num sistema emulsionado. Ao se preparar hidrogÈis basta adicionar mais ·gua e neutralizar economizando muito

tempo sem gerar os indesej·veis grumos (estes gÈis possuem comportamento reolÛgico que se assemelha aos gÈis celulÛsicos). Deve-se sempre levar em

consideraÁ„o o fato de que o tempo de manipulaÁ„o muitas vezes È o respons·vel pelo maior fator de impacto no custo do manipulado pois uma formulaÁ„o de preparo demorado faz com que a empresa fique literalmente pagando custos fixos sem produtividade. Assim, manipular r·pida e eficazmente È uma saÌda muito

interessante para melhorar a rentabilidade da empresa (as tÈcnicas, por melhor

820 È tambÈm utilizado

que sejam, devem ser otimizadas continuamente). Acusol

como otimizador reolÛgico em formulaÁıes de emulsıes ‡ frio:

Æ

LoÁ„o Cremosa com Acusol Æ 820

1.£gua

2.Acusol Æ 820

92,0%

1,0%

3.Conservante

0,1%

4.Sol.aquosa a 20% de NaOH

qs

pH 7,0

5.Silicones

3,0

a 5,0%

6.”leo Mineral

3,0%

7.Fragr‚ncia

qs

TÈcnica de Preparo:

- Misturar 1+2+3, homogeneizar ‡ frio

- Adicionar 4, 5, 6 e 7 homogeneizando apÛs cada adiÁ„o.

Cremes-GÈis

A concepÁ„o de cremes-gÈis foi desenvolvida no Jap„o. A idÈia baseia-se em

modificar a formulaÁ„o de um creme cl·ssico em que a porcentagem de ceras È diminuÌda sensivelmente (podendo cair ‡ metade) e a viscosidade È compensada com pequena quantidade de agentes gelificantes pois esses s„o agentes doadores de viscosidade muito mais eficazes do que as ceras podendo ser dez vezes mais potentes (basta lembrar que um creme cl·ssico pode necessitar de 10% de ceras e um gel apenas 1% de gelificante para obter sua consistÍncia).

Cremes-GÈis ñ Preparo por NeutralizaÁ„o

Existe um detalhe muito importante para se obter cremes-gÈis mais homogÍneos. Inicialmente pesam-se os componentes da fase Ûleo (com menos quantidade de ceras). Em seguida, os componentes da fase ·gua s„o misturados e o agente gelificante È dissolvido. As fases ·gua e Ûleo aquecidas s„o misturadas segundo a tÈcnica cl·ssica de emulsionamento (com ou sem invers„o de fases). Quando o sistema j·

emulsionou e est· morno adiciona-se o ·lcali na quantidade certa para neutralizar

o gelificante.

LoÁ„o Cremosa Hidratante - Emuls„o-Gel

a.Unibase HA

9,0

Uniliquid L

1,0

”leo de silicone

1,0

b.£gua desionizada UrÈia Propilenoglicol

Carpobol Æ 980

c.Trietanolamina d.Extrato de Camomila Extrato de CalÍndula e.EssÍncia

qsp

100,0

 

3,0

3,0

0,15

0,14

1,0

1,0

 

0,1

- 0,3

TÈcnica de Preparo:

I- Misturar o propilenoglicol com a ·gua, aquecer. Dissolver urÈia, e polvilhar Carpobol Æ 980, homogeneizar;

II - Misturar e aquecer os componentes da fase Ûleo; III- Unir as fases, e agitar atÈ a temperatura cair a 45 - 50 o C; IV- Adicionar a trietanolamina devagar atÈ gelificar;

V- Verter os extratos e a essÍncia.

Cremes-GÈis Obtidos por Intumescimento

I- Aquecer a 75 o C os componentes da fase Ûleo;

II- Aquecer a 77 o C os componentes da fase ·gua; III- Verter a fase predominante sobre a outra fase; IV- Polvilhar o polÌmero celulÛsico (Natrosol Æ ), aos poucos, sobre a emuls„o ainda quente e homogeneizar atÈ desengrumar (agitaÁ„o moderada); Para verificar se a tÈcnica foi efetuada corretamente passar o sistema por um tamis com o auxÌlio de esp·tula flexÌvel e confirmar a ausÍncia de grumos.

… importante ressaltar que n„o existe uma tÈcnica definitiva para se obter manipulaÁıes cada vez mais perfeitas num tempo cada vez menor usando cada vez menos energia ou esforÁo, basta manter as possibilidades sempre abertas.

VOIGT, R.

Boletim TÈcnico Rohm and Haas 2002.

TecnologÌa FarmacÈutica. Espanha: Acribia, 1982, 769 pp.

VocÍ Sabia

ConsideraÁıes sobre a Estabilidade em ManipulaÁ„o de GÈis.

FormulaÁıes de gÈis est„o associadas ‡ existÍncia de uma estrutura interna, que È respons·vel por sua viscosidade estrutural. Como exemplo podem ser citados os gÈis de carbÙmeros, que s„o os polÌmeros sintÈticos mais comumente utilizados, que tÍm estruturas lineares coerentes, que se caracterizam pela fraÁ„o sÛlida do gel formando um esqueleto que È capaz de alojar e adsorver a fraÁ„o lÌquida constituÌda pela ·gua quando neutraliz·veis.

Se um gel de carbÙmero for acrescido de uma grande quantidade de ·gua, suas molÈculas neutralizadas se distanciar„o e seu esqueleto ir· se desfazer, resultando em um brusco aumento de fluidez, descaracterizando o estado gel. Este fenÙmeno È conhecido como reo-destruiÁ„o e esta faz com que na formulaÁ„o as molÈculas se separem, n„o mais se tocando lateralmente. O sistema passa a ter estrutura interna incoerente. Para que as molÈculas de carbÙmero propiciem a formaÁ„o do gel È necess·rio que as mesmas sejam achatadas atravÈs de forÁas de dispers„o iÙnicas, geradas ‡ medida que os ·lcalis v„o sendo adicionados e reagindo com os v·rios grupamentos de ·cidos carboxÌlicos presentes na extens„o dos polÌmeros.

GÈis como os carbÙmeros e outros polÌmeros acrÌlicos necessitam neutralizaÁ„o para que adquiram a caracterÌstica de gel. No preparo de hidrogÈis neutralizados deve-se deixar o pH final levemente ·cido (5,5 ñ 6,0), pois, alÈm de ocorrer melhor adaptaÁ„o ao pH cut‚neo, n„o se corre o risco da desgeleificaÁ„o por excesso de ·lcali.

No caso de gÈis n„o neutraliz·veis cuja caracterÌstica de geleificaÁ„o n„o È pH dependente, como exemplo os polÌmeros derivados da celulose (gel de carboximetilcelulose, hidroxietilcelulose - natrosol), gomas naturais (adraganto, goma xantana), entre outros, estes podem manter sua estabilidade em amplas faixas de pH e, portanto, conseguem veicular subst‚ncias com car·ter ·cido, tais como alfa- hidroxi·cidos, ·cido kÛjico, ATA, ou outras subst‚ncias crÌticas, tais como hidroquinona, arbutin, neomicina, gentamicina.

Faixas de pH de alguns destes gÈis:

Goma Xantana: pH de 4 a 10;

Natrosol: pH a partir de 2,0;

Amigel: pH entre 2,0 a 11,0;

Ultragel: pH entre 1,5 a 12,0, entre outros.

Um problema de estabilidade que os formuladores devem tomar cuidado na preparaÁ„o de gÈis cl·ssicos s„o as contaminaÁıes por microorganismos, principalmente fungos, devido a altÌssimas porcentagens de ·gua presentes nas suas formulaÁıes e ao aspecto atraente dos produtos, que s„o um convite ao toque manual dos consumidores. Sugere-se nestes casos que estes gÈis sejam acondicionados em recipientes tais como bisnagas ou frascos possuidores de v·lvula ìpumpî, que evitam o contato direto com a pele do consumidor.

Sistemas Conservantes

Os sistemas conservantes apresentam maior efic·cia, estabilidade e solubilidade; geralmente necessitam menor concentraÁ„o e conseq¸entemente, baixa toxicidade do que a utilizaÁ„o de apenas um conservante especÌfico. Propriedades desejadas para um sistema conservante:

Efetivo em amplo espectro de aÁ„o e atÛxico;

Devem ser est·veis quimicamente em condiÁıes normais de uso, em intervalo amplo de temperatura e valor de pH;

Apresentar compatibilidade com os demais componentes da formulaÁ„o;

Compatibilidade com o material de acondicionamento;

Sol˙veis em ·gua.

Um sistema de combinaÁ„o de preservantes numa ˙nica formulaÁ„o geralmente representa a escolha mais prudente. A seleÁ„o criteriosa de dois preservantes, agindo em conjunto, dever· ampliar o espectro de atividade antimicrobiana oferecido, mais do que seria possÌvel com qualquer dos preservantes agindo isoladamente. AlÈm disso, os sistemas m˙ltiplos quase sempre permitem a utilizaÁ„o dos mesmos preservantes em concentraÁıes mais baixas, possibilitando a reduÁ„o do custo total do sistema.

Exemplos de Sistemas Conservantes (blends):

Diazolidinil urÈia e Butilcarbamato de iodopropinila; Propilenoglicol e diazolidinil urÈia e butilcarbamato de iodopropinila; Propilenoglicol e diazolidinil urÈia e metilparabeno e propilparabeno; Hidroximetilglicinato de sÛdio; Fenoxietanol e metilparabeno e etilparabeno e propilparabeno; Isopropilparabeno e isobutilparabeno e butilparabeno.

Para solucionar os problemas de deterioraÁ„o n„o basta, simplesmente, aumentar a carga de conservante/preservativo no produto. A origem da contaminaÁ„o necessita ser cuidadosamente rastreada, e medidas de correÁ„o e prevenÁ„o devem ser tomadas e implantadas para evitar recorrÍncia do problema. As medidas incluem:

- SuperfÌcies de trabalho e equipamentos limpos e desinfetados antes e apÛs cada manipulaÁ„o.

- Checar a limpeza antes do inÌcio de cada manipulaÁ„o.

A contaminaÁ„o microbiolÛgica de produtos magistrais, associada a episÛdios de infecÁıes, foi relacionada aos seguintes motivos:

- Pr·ticas de manipulaÁ„o inadequada;

- Falhas no envase do produto;

- Desenvolvimento de microorganismos resistentes por sistem·tica de assepsia falha

- Escolha do sistema conservante inadequado.

Padr„o de £gua Ideal

Para prevenir a contaminaÁ„o microbiolÛgica a qualificaÁ„o da ·gua, uma das matÈrias-primas mais importantes utilizadas na preparaÁ„o de gÈis, È um processo que depende de um controle de qualidade rigoroso.

Embora n„o seja normalmente considerada como um reagente ou um solvente, a necessidade e a disponibilidade de ·gua pura em pequena ou grande quantidade È hoje um dos problemas mais crÌticos na farm·cia de manipulaÁ„o. Para se obter ·gua com boa qualidade, s„o efetuadas an·lises fÌsico-quÌmicas e microbiolÛgicas, avaliadas segundo par‚metros de compÍndios oficiais.

A contaminaÁ„o de um produto pode ser proveniente da ·gua do processo ou

decorrÍncia de processos de limpeza, devido ‡ umidade residual de pisos, pias e drenos instalados em equipamentos na ·rea produtiva. A ·gua de uso na farm·cia magistral geralmente provÈm de rede de abastecimento local ou de poÁos artesianos.

Em ambos os casos s„o desej·veis que a qualidade microbiana seja satisfatÛria. No local de abastecimento urbano, o cloro È o agente respons·vel pela baixa carga microbiana. Por isso È importante que em todas as farm·cias magistrais esteja presente pelo menos um sistema de purificaÁ„o de ·gua com qualidade comprovada,

ou seja, o sistema instalado deve ser eficaz a ponto de garantir que a ·gua depois de

purificada n„o ir· ocasionar problemas de contaminaÁ„o tanto microbiolÛgica quanto fÌsico-quÌmica.

Sistemas de purificaÁ„o microbiolÛgica de ·gua recomendados:

DestilaÁ„o: processo de purificaÁ„o da ·gua originado da mudanÁa do seu estado fÌsico. A ·gua em estado lÌquido È levada ao estado gasoso (vapor) e condensada novamente ao estado lÌquido.

Osmose reversa: processo pelo qual a ·gua È forÁada sob press„o atravÈs de membrana semiperme·vel, ocorrendo a retenÁ„o de subst‚ncias org‚nicas e inorg‚nicas dissolvidas, Ìons e impurezas em suspens„o.

Incompatibilidades

Incompatibilidades promovem evento imediato ou de longo prazo que altera significativamente a forma de utilizaÁ„o, a durabilidade, a efic·cia e a seguranÁa dos gÈis. S„o fatores passÌveis de proporcionar incompatibilidades:

- Componentes da formulaÁ„o;

- Subst‚ncias Ativas;

- TÈcnica de Preparo;

- Componentes da embalagem.

S„o indicadores de ocorrÍncia de incompatibilidade em gÈis:

- OcorrÍncia de turbidez (exemplo: por adiÁ„o de essÍncias e ativos lipossol˙veis sem solubilizaÁ„o; dispers„o inadequada do polÌmero; alteraÁ„o do pH; contaminaÁ„o microbiolÛgica);

- OcorrÍncia de precipitaÁ„o (estado avanÁado da turbidez);

- AlteraÁ„o da cor (contaminaÁ„o microbiolÛgica; degradaÁ„o do corante);

- AlteraÁ„o do odor (exemplo: oxidaÁ„o da essÍncia; contaminaÁ„o microbiolÛgica);

- AlteraÁ„o da viscosidade (ressecamento do gel; presenÁa de metais bivalentes eleva a viscosidade; em contrapartida, pH ·cido; radiaÁ„o ultravioleta presenÁa de metais bivalentes e trivalentes reduzem a viscosidade).

Fontes de consulta:

International Journal of Pharmaceutical Compounding ñ EdiÁ„o Brasileira ñ novembro e dezembro de 1998 ñ artigo: Excipientes em destaque ñ Carbopols (carbÙmeros) ; ediÁ„o marÁo/abril 1999 ñ artigo: Excipientes em destaque: £gua e, ediÁ„o novembro/dezembro de 2000 ñ artigo: Agentes de Viscosidade para Sistemas Aquosos.

MÛdulo ñ Produtos CosmÈticos - Tema GÈis CosmÈticos ñ Professora Vivian Zague - Curso de EspecializaÁ„o em Farm·cia Magistral da Faculdade de CiÍncias FarmacÍuticas e BioquÌmicas ìOswaldo Cruzî.

Revista Racine Ano IX ñ novembro/dez 1999 ñ seÁ„o Consultoria FarmacÍutica e, Revista Racine Ano XI ñ setembro/outubro de 2001.

Revista de cosmÈticos & Tecnologia/Cosmetics & Toiletries ñ Brasil jan/fev 2007.

Dicas FarmacotÈcnicas

1 ñ Gel de Piroxicam

O piroxicam È um f·rmaco antiinflamatÛrio n„o esterÛide que n„o apresenta relaÁ„o estrutural com outros f·rmacos antiinflamatÛrios n„o esterÛide. Possui propriedades analgÈsica, antiinflamatÛria e antipirÈtica. Os efeitos sistÍmicos adversos aparecem em cerca de 30% dos pacientes que utilizam o f·rmaco, sendo que os efeitos colaterais gastrointestinais ocorrem aproximadamente em 20% dos pacientes. Esses efeitos colaterais podem ser minimizados ou eliminados pela aplicaÁ„o tÛpica do f·rmaco. A aplicaÁ„o tÛpica de 0,5g de um gel a 1%, 3 a 4 vezes ao dia, alivia os sintomas e È efetivo contra a dor. A ·rea em que o gel ser· aplicado deve ser lavada com sab„o e ·gua quente e depois seca. O gel È ent„o aplicado e cuidadosamente esfregado na pele. O piroxicam ocorre como um sÛlido branco e cristalino que È pouco sol˙vel em ·gua e ligeiramente sol˙vel em ·lcool e em soluÁ„o aquosa alcalina.

Gel AlcoÛlico de Piroxicam a 1% Piroxicam Hidroxipropilcelulose Propilenoglicol Polissorbato 80 £lcool isopropÌlico a 70% qs

TÈcnica de Preparo:

1

g

1,75 g

5

mL

mL

100 mL

2

- Calcular a quantidade necess·ria de componente de acordo com a quantidade total a ser preparada.

- Pesar e medir cuidadosamente cada componente;

- Adicionar o pÛ de hidroxipropilcelulose em 91 mL de ·lcool isopropÌlico a 70% e misturar atÈ formar um gel claro;

- Colocar o pÛ de piroxicam em um almofariz, adicionar o propilenoglicol e misturar bem. Logo apÛs adicionar o polissorbato e misturar;

- Incorporar o gel ‡ mistura de piroxicam por meio de tÈcnica de diluiÁ„o geomÈtrica, atÈ uniformidade. Adicionar a quantidade suficiente de ·lcool isopropÌlico para completar o volume e misturar.

- Envasar em recipiente fechado e resistente a luz, e rotular.

ObservaÁıes:

- Pode-se atribuir um prazo de validade de 30 dias para esta formulaÁ„o.

- Rotulagem: Para uso externo. Usar somente como indicado. Manter fora do alcance de crianÁas. ReferÍncia:

International Journal ñ Pharmaceutical Compounding, EdiÁ„o Brasileira, n 6, volume 2, nov-dez 2000, p. 214. Martindale ñ The Extra Pharmacopeia, 34 ed, p. 84.

2 - Gel de Pemulen

Os emulsificantes polimÈricos PemulenÆ s„o predominantemente polÌmeros ·cidos poliacrÌlicos de alto peso molecular. Estes emulsificantes prim·rios possuem uma pequena porÁ„o com afinidade pelo Ûleo (lipofÌlica) alÈm de uma porÁ„o com afinidade pela ·gua (hidrofÌlica). A estrutura quÌmica permite que estes copolÌmeros funcionem como emulsificantes prim·rios em emulsıes Ûleo-·gua. Enquanto os polÌmeros de Carbopol sol˙veis na ·gua s„o ˙teis como estabilizantes de emulsıes Ûleo em ·gua secund·rios (o/a), os polÌmeros de PemulenÆ podem formar emulsıes o/a. A porÁ„o lipofÌlica È adsorvida na interface Ûleo-·gua, e a porÁ„o hidrofÌlica incha na ·gua formando uma rede de gel em torno das gotas de Ûleo fornecendo uma estabilidade de emuls„o excepcional para uma grande variedade de Ûleos.

Gel de Pemulen (metacrilato) ñ 100g Diestearato de metilglicose PEG 20 (Glucan E 20): 1,5g ñ emoliente EDTA DissÛdico: 0,05g ñ quelante Metilparabeno: 0,15g ñ preservante Propilparabeno: 0,1g ñ preservante Propilenoglicol: 3g ñ umectante £gua deionizada qsp 100g ñ veÌculo Imidazolidinil urÈia (Germall 115) : 0,1g ñ preservante PolÌmeros cruzados alquil acrilato C10-30 (Pemulen TR1): 1g ñ expessante Trietanolamina qs ñ alcalinizante.

Preparo: dissolver os componentes da formulaÁ„o na seq¸Íncia atÈ o propilenoglicol a 70 C, agitando atÈ completa dissoluÁ„o. Adicionar aos poucos o Pemulen, com agitaÁ„o lenta e constante, atÈ completa homogeneizaÁ„o. Resfriar a 40 C e adicionar o Germall previamente solubilizado em pequena quantidade de ·gua. Ajustar o pH para 6,5 - 7,0, com trietanolamina. CaracterÌsticas: gel branco leitoso.

ReferÍncia:

Formul·rio MÈdico FarmacÍutico 3 ed, p. 453.

3

ñ Agentes Solubilizantes

… importante ressaltar a import‚ncia da utilizaÁ„o de agentes solubilizantes de

princÌpios ativos lipossol˙veis com a finalidade de incorpor·-los em gÈis. Os

tensoativos muito sol˙veis em ·gua (EHL elevado) s„o capazes de solubilizar ativos e essÍncias lipossol˙veis em meio aquoso.

… recomend·vel solubilizar o princÌpio ativo antes de incorpor·-lo no gel, evitando

problemas de estabilidade, a opacicidade ou separaÁ„o da fase oleosa, por exemplo.

S„o exemplos de agentes solubilizantes:

Tensoativos etoxilados:

- monolaurato de sorbitan 20 OE (TweenÆ 20) ou monooleato de sorbitano 20 OE (TweenÆ 80), ambos de 1,0 a 5,0%;

- Ûleo de rÌcino 40 OE (EmulginÆ HRE 40) ou, Ûleo de mamona 40 OE (SolubilizerÆ), ambos de 0,5 a 5,0%; Tensoativos etoxilados e propoxilados:

- £lcool cetÌlico etoxilado e propoxilado (ProcetylÆ AWS).

International Journal ñ Pharmaceutical Compounding, EdiÁ„o Brasileira, n 2, volume 6, marÁo-abril 2004, p. 114. Fornecedores: Volp Industria e ComÈrcio Ltda; Spectrum QuÌmica Comercial Ltda.

Perguntas e Respostas

1 ñ Quais os par‚metros de qualidade que devem ser seguidos para o controle de qualidade da ·gua ? Como deve ser realizada a limpeza da caixa d¥·gua?

A ·gua purificada utilizada na manipulaÁ„o de produtos È considerada matÈria prima produzida pelo prÛprio estabelecimento atravÈs da ·gua pot·vel. Deve atender aos padrıes farmacopÈicos, ou de outros compÍndios internacionais reconhecidos pela Anvisa, para ·gua purificada - principais farmacopÈias que trazem especificaÁıes fÌsico-quÌmicas da ·gua purificada s„o: British Pharmacopoeia (BP); European Pharmacopoeia (EP); United States Pharmacopoeia (USP DI ñ NF). Para emprego em formulaÁıes de uso parenteral a ·gua purificada deve atender aos requisitos farmacopÈicos de ·gua para produtos estÈreis, que s„o diferentes da ·gua purificada.

Para a ·gua pot·vel (abastecimento), devem-se realizar testes fÌsico-quÌmicos e microbiolÛgicos, de acordo com a legislaÁ„o vigente, compreendendo:

a) pH

b) cor aparente

c) turbidez

d) cloro residual livre

e) sÛlidos totais dissolvidos

f) contagem total de bactÈrias

g) coliformes totais

h) presenÁa de E. coli

A realizaÁ„o de testes para ·gua pot·vel deve atender as Normas de Qualidade da

£gua para Consumo Humano atravÈs da Portaria no 518, de 26/03/2004, do MinistÈrio

da Sa˙de e RESOLU« O CONAMA N 20, de 18 de junho de 1986.

Tabela 1. Par‚metros para ·gua pot·vel, segundo Portaria n 518/04.

Ensaio

EspecificaÁ„o

pH Cor aparente Turbidez Cloro residual livre SÛlidos totais dissolvidos Contagem total de bactÈrias Coliformes totais PresenÁa de E.coli Coliformes termorresistentes

6,0 ñ 9,5

m·ximo 15,0 UH m·ximo 5,0 UT

m·ximo

2 mg/mL

m·ximo

1000 ppm

m·ximo 500 UFC ausÍncia em 100 mL ausÍncia em 100 mL ausÍncia em 100 mL

Caixa da ·gua e ReservatÛrio de ·gua Purificada:

A caixa da ·gua deve estar devidamente protegida para evitar a entrada de animais de

qualquer porte ou quaisquer outros contaminantes, devendo a farm·cia definir procedimentos escritos para a limpeza e manter os registros que comprovem sua

realizaÁ„o. Caso a caixa da ·gua for de uso coletivo, a farm·cia deve ter acesso aos documentos referentes ‡ limpeza dos reservatÛrios e deve manter cÛpia dos mesmos.

O reservatÛrio de ·gua purificada È o primeiro ponto crÌtico que deve ser monitorado e

controlado para a obtenÁ„o de uma ·gua de qualidade. Os reservatÛrios da ·gua

purificada devem garantir que o esvaziamento seja total evitando assim o ac˙mulo de contaminantes por bactÈrias, fungos ou partÌculas.

O procedimento de sanitizaÁ„o do reservatÛrio deve ser realizado a cada troca de ·gua

para evitar a formaÁ„o de um ac˙mulo bacteriano nas paredes do reservatÛrio.

A farm·cia deve ter procedimentos escritos para a limpeza do reservatÛrio de ·gua

purificada e da caixa da ·gua.

A ·gua purificada deve ser armazenada por um perÌodo inferior a 24 horas e em

condiÁıes que garantam a manutenÁ„o da qualidade da mesma, incluindo a

sanitizaÁ„o dos recipientes a cada troca de ·gua.

ReferÍncias:

Anvisa. ResoluÁ„o da Diretoria Colegiada ñ RDC n 214/06 Boas Pr·ticas de ManipulaÁ„o em Farm·cia. Jorge AntÙnio Barros de Macedo ñ £guas e £guas ñ Ortofarma Revista Anfarmag Ano X n 48 ñ 2 Bimestre 2004 ñ £gua Purificada para fins FarmacÍuticos Jaqueline MÈgre Drumond Nogueira e SÈrgio Fernando de Oliveira Gomes.

2 ñ Gostaria de saber se dentistas, nutricionistas e veterin·rios podem prescrever qualquer tipo de medicamento.

A Lei 5.081 de 24/08/1966, que regula o exercÌcio da Odontologia, determina no art. 6,

item II: "Compete ao Cirurgi„o-Dentista prescrever e aplicar especialidades farmacÍuticas de uso interno e externo, indicadas em Odontologia". No mesmo artigo,

item VIII, acrescenta: "compete ao Cirurgi„o-Dentista prescrever e aplicar medicaÁ„o de urgÍncia no caso de acidentes graves que comprometam a vida e a sa˙de do paciente".

Sobre os medicamentos sujeitos a controle especial (de receita retida), a Portaria 344/98, do MinistÈrio da Sa˙de, que dispıe sobre tais medicamentos, esclarece, nos artigos 38 e 55 ß1: "As prescriÁıes por Cirurgiıes-Dentistas e mÈdicos veterin·rios sÛ poder„o ser feitas para uso odontolÛgico e veterin·rio, respectivamente.î

De acordo com a Lei N 8234/91que regulamenta a profiss„o de nutricionista, È permitido aos nutricionistas somente a prescriÁ„o de suplementos nutricionais, necess·rios a complementaÁ„o da dieta.

De acordo com a Lei 5517/68 e com o CÛdigo de …tica da profiss„o veterin·ria, Res n 322/81, capÌtulo II:

Art 2 , item c:î È vedado ao mÈdico veterin·rio: usar de tÌtulo que n„o possua ou que lhe seja conferido por instituiÁ„o n„o reconhecida por quem de direito, bem como anunciar especialidade em que n„o esteja, desta forma habilitado;î, assim, os veterin·rios n„o tem habilitaÁ„o para prescrever medicamentos para uso humano, apenas para animais, apÛs a avaliaÁ„o do quadro clÌnico do mesmo.