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Psicologia da Evolução Possível ao

Homem (resumo)

1945,  Ouspensky

Não faça comparações com outros sistemas, linguagens, explicações ou tradições que
você já conheça. É melhor presumir que você está entrando em contato com um novo
conhecimento sob o risco de não entender o que está sendo dito.

PRIMEIRA CONFERÊNCIA
Psicologia é o estudo de si mesmo.  É o estudo dos princípios, leis e fatos relativos ao
pensamento humano e seus sentido.

É a ciência mais antiga presente nas Escolas de Mistérios do o Egito, na Filosofia Grega
e na Ioga da Índia. Todas as grandes religiões tiveram ensinamentos e práticas
psicológicas, como por exemplo pode ser visto na Philokalia do cristianismo ortodoxo e
mesmo nas expressões artísticas de poesia, drama, pintura, dança, escultura e arquitetura

Por não confirmar sempre às crenças políticas, morais e religiosas dominantes foi
muitas vezes suspeita de falsidade e heresia e precisou se disfarçar.

Ressurgiu na Idade média pelos ensinamentos Sufis, Cabala e Alquimia e mais


recentemente na teosofia, ocultismo e maçonaria.

Modernamente (1945) com a separação entre filosofia, religião e arte, a psicologia


tornou-se uma ciência esquecida pois perdeu todo contato com seu sentido e propósito
original.

A Evolução Possível

Todos os sistemas psicológicos pertencem a uma dentre duas categorias:

 Sistemas que estudam a mente tal como ela se encontra. (psicologia moderna se
limita a isso)
 Sistema que estudam a mente tal como ela poderia ser, sua possível evolução.

Neste aspecto mais completo psicologia é a estudo dos princípios, leis e fatos relativos
ao aperfeiçoamento mental do ser humano. No caminho do desenvolvimento a pessoa se
torna um ser diferente.

O ser humano não é um ser acabado, a evolução darwiniana não basta pois só chega até
um certo ponto, deixando a nós aos frutos que produziu a decisão de prosseguir o
desenvolvimento, viver e morrer tão como nascemos ou ainda nos degenerar.

Este avanço ocorre apenas em condições bem definidas que demandam intensa vontade
e esforços especiais, bem como ajuda dos que já chegaram a algum grau superior de
desenvolvimento. Portanto este possível progresso é exceção em relação a massa da
humanidade.

Ausência de Autonomia

Este ser diferente possui características e faculdades especiais que o ser normal não
possui. Mas além disso ele possui de fato poderes e capacidades que o ser normal
apenas acha que tem, mas que na verdade lhe falta. O primeiro passo então é adquirir
essas qualidades que lhe faltam mas que se atribui. Para isso deve conhecer a si mesmo
e suas limitações.

O homem é uma máquina. Seus movimentos, ações, palavras, ideias, emoções, humores
e pensamentos são causados por  influências e choques externos. Por si só não pode
fazer nada e é senão um autômato reativo com algumas lembranças de reações
anteriores e certa reserva de energia.

Além disso não se apercebe disso e se atribui a capacidade de fazer. Na verdade não
pode fazer nada, tudo o que crê fazer na verdade lhe acontece. Acontece exatamente
como “chove”, “neva” ou “venta”.

Para deixar de ser esta máquina é preciso primeiro perceber que se é uma máquina e
como esta máquina funciona.

Ausência de Individualidade

Outra ilusão que o homem tem é a de que é um Eu único, permanente e imutável. Na


verdade é composto por vários Eus que disputam espaço, nascem morrem e se alternam
no domínio continuamente.

A ilusão do Eu único é gerado pela sensação (também errônea) de ter um corpo físico
contínuo, por ser chamado quase sempre por um mesmo nome, por ser socialmente
chamado a responder por seus atos passados e por possuir uma série de hábitos
mecânicos que se repetem.

Cada pensamento, sentimento, sensação, desejo, gosto, aversão é um eu. Cada eu


responde a estímulos externos específicos e se agrupam e somam força quando estes
estímulos coincidem. Mas não há coordenação apenas associações acidentais.

Cada eu acredita representar o todo quando chega sua vez. O homem não se percebe
disso dando credibilidade sempre ao eu que se expressou mais recentemente ou mais
fortemente.

Ausência de consciência

Consciência é a percepção de si mesmo, é a tomada de conhecimento interior.

O homem acredita ser consciente mas passa a maior parte da vida em inconsciência,
agindo reativa e mecanicamente sem perceber a si mesmo. Embora exista em rápidos e
raros lampejos essa consciência jamais é permanente e raramente duradoura.

A consciência que pode ser medida e portanto possui graus mais ou menos elevados:

 Duração. Quanto tempo se permanece consciente?


 Frequência. Quantas vezes se tornou consciente?
 Amplitude: Do que se estava consciente?

Teste 1: Olhe um ponteiro de relógio e tente manter a percepção de si mesmo


concentrando no pensamento “Estou aqui e agora”, afastando qualquer outro
pensamento.

Teste 2: A memória só se recorda dos momentos em que esteve consciente, tente


lembrar todos os detalhes do seu dia anterior e verá quão inconsciente se vive.
O estudo de si mesmo

Por meio de estudos e esforços uma pessoa pode tornar sua consciência mais contínua,
frequente, ampla e como consequência adquirir mais autonomia e individualidade. A
maior barreira para que isso ocorra é a ignorância de si mesmo, portanto é primordial
aprender como a máquina humana funciona em primeiro lugar.

A máquina humana tem sete funções diferentes

1 – O intelecto

2 – As emoções

3 – Os instintos

4 – As funções motoras

5 – A sexualidade

Além desses cinco existem mais duas funções para às quais a psicologia moderna não
tem um nome adequado.

6 – função emocional superior (consciência de si mesmo)

7 – função intelectual superior (consciência objetiva)

Mas de nada adianta falar dos estados superiores sem falar dos primeiros. Mesmo a
sexualidade só pode ser melhor compreendida após conhecermos de fato nosso
intelecto, emoções, instintos e funções motoras.

Função Intelectual

Aqui estão compreendidas todas às representações, conceitos, raciocínios, comparações,


afirmações, negações, hipóteses e linguagens.

Função Emocional

Aqui estão os sentimentos e emoções. Alegria, medo, tristeza, surpresa, etc..Como às


emoções muitas vezes se expressam por palavras e símbolos elas são frequentemente
confundidas com os pensamentos da função intelectual.

Função Instintiva

Fisiologia: todo trabalho fisiológico do organismo. Digestão, respiração, circulação do


sangue, construção de novas células, glândulas endócrinas

Sentidos: Visão, audição, tato, paladar, olfato bem como percepções de temperatura,
peso, humidade, etc..
Sensações físicas: Dor, prazer, repulsa ou atração, busca pelo agradável e fuga do
desagradável.

Também inclui reflexos inatos como risos, bocejos, salivação, mudanças na respiração.

Funções motoras:

Funções motoras: andar se movimentar,bem como todas às expressões corporais tais


como falar, escrever comer

Também inclui reflexos adquiridos como condicionamentos como pegar algo que cai,
memória muscular, seguir o grupo, etc..

A diferença entre a função instintiva e às funções motoras é que às primeiras são inatas
e às segundas precisam ser aprendidas. Chorar é inato, andar é motor.

A estas funções ainda adicionamos funções inúteis a máquina humana mas que
consomem bastante tempo, espaço e energia. São em geral manifestações incontroladas
das funções normais. Exemplo: formação de sonhos, balançar a perna, devaneios,
imaginação, falar consigo mesmo, falar por falar, etc..

Os Estados de Consciência

Considerando três estados de consciência, sono, vigília e consciência de si, veremos que
às quatro funções podem ocorrer em qualquer um deles, de forma automática e
inconsciente ou de forma controlada e consciente.

Ao estudar, observar e comparar as funções instintivas, motoras, emocionais e


intelectuais notamos que a consciência do homem e suas funções são duas coisas
completamente diferentes e que um pode existir sem o outro.

Às funções podem existir sem a consciência e a consciência pode existir sem às


funções.

SEGUNDA CONFERÊNCIA

A primeira ilusão a se livrar é que o homem já está consciente de si, quando na verdade
oscila entre os sonhos da noite e os sonhos do dia.

Na verdade existem quatro estados de consciência possíveis ao homem, que em sua


esmagadora maioria não passa dos primeiros dois:

 Sono
 Consciência de Vigília
 Consciência de si
 Consciência Objetiva

Sono: Estado subjetivo e passivo, rodeado de sonhos e funções psíquicas sem controle
nem direção. Os sonhos e devaneios são visíveis e deixam tênues vestígios na memória.
Não há sentimentos de contradição ou impossibilidades.
Consciência de Vigília: O sono desperto. Devido a vivacidade dos sentidos há
pensamentos relativamente mais coordenados. Nela os sonhos se tornam invisíveis tal
como a lua e as estrelas ficam invisíveis com o chegar da manhã, mas ainda o
influenciam pesadamente.

Os outros dois estados só acessíveis depois de longa luta:

No estado de sono podemos ter lampejos de vigília assim como no estado de vigília
podemos ter lampejos da consciência de si. Para manter o estado elevado por mais
tempo é necessário um ato de vontade e um maior poder sobre si mesmo. Isso significa
que Vontade, Consciência são uma coisa só.

Quando se pergunta se alguém está plenamente consciente de si mesmo e presente no


aqui agora, ela imediatamente se torna tudo isso. E deixa de estar poucos segundos
depois. Por tanto o ser humano sempre acreditar estar consciente mas raramente está.

Escolas

A segunda ilusão é que pode se tornar consciente por si mesmo, quando na verdade
nada pode.

Os métodos para desenvolvimento da consciência não podem ser encontrados em livros,


nem descobertos por si mesmos, nem por escolas comuns, pois são diferentes para cada
indivíduo e não existe um método universalmente eficaz. Portanto são necessárias às
escolas especiais.

Estas conferências nem de longe são uma escola, que exigem uma pressão de trabalho
muito mais forte. O objetivo aqui é mostrar a necessidade das escolas, como elas
trabalham e como descobrí-las.

Essência e Personalidade

 Essência, é o que é inato e real no homem e não muda com as circunstâncias.


 Personalidade, é o que foi adquirido e inventado e muda com as circunstâncias.

A personalidade deve estar sempre subordinada a essência mas ambas são úteis e
necessárias para se viver, não devem ser confundidas entre si. A confusão entre elas
determina a falta de harmonia no estado atual da pessoa e o único meio de sai desse
estado é conhecendo a si mesmo.

Como a personalidade sempre está presente é impossível uma observação imparcial de


si mesmo, pois não consegue sair de si mesmo para se observar. Portanto sempre algo o
agradara, desagradará.

Ao observar a diferença entre sua personalidade e sua essência o homem se tornará


consciente os traços prejudiciais a sua psicologia possível, entre eles todas às
manifestações mecânicas das quais se destacam:

 A Mentira
 O devaneio
 As emoções negativas
 O falar descontrolado

Mentira

Mentira é toda distorção e dissimulação da realidade. Na psicologia ocorre também


quando fingimos conhecer a realidade e falamos de algo que não conhecemos como se
conhecêssemos. É tão importante que podemos dizer que a psicologia é o estudo das
mentiras que contamos. Deve-se estabelecer distinção entre o real e o imaginário no
homem.

Também é mentira qualquer coisa que pareça ser o que não é, portanto todo ato
mecânico e não pensado é uma mentira, em especial quando não são identificados,
Percebe ainda que quanto mais controla uma manifestação menos prejudicial ela é para
a consciência de si, e quanto mais mecânica uma manifestação mais prejudicial ela é.
Não por razões morais de bem e mal mas por não controlar a mentira enquanto que ela o
controla.

O Devaneio

Outro traço perigoso que encontra em si mesmo é a imaginação. Observa-se alguma


coisa  e ao ser tomado pela imaginação se esquece de observar. Ao contrário do que se
acredita o devaneio não é uma faculdade criadora seletiva mas confusões que o afastam
para direções que não intencionava ir.

Emoções negativas

Emoções como violência, depressão, pena de si mesmo, medo, contrariedade, ciúme,


desconfiança, etc.. são chamadas de negativas não por razões moralistas, mas porque em
todas elas se perde o controle de si mesmo. Estas emoções são tão rápidas e fortes que
se torna impossível observá-las a não ser que às resista e as interrompa.

O Falar descontrolado

O falar é especialmente perigoso pois reforça e estimula às mentiras, a imaginação e às


emoções negativas. O falar dá forma a personalidade que se reafirma o tempo todo e
assim vai ofuscando a essência.

O Estado de Sono

Estes quatro obstáculos estão tão presentes na vida normal que mesmo recebendo
informações sobre elas, sem ajuda e assistência logo se recai para o estado de sono. Este
estado no qual o sono preenche todo o tempo, espaço e energia e no qual os vislumbres
de consciência de si são breves e raros possui dois aspectos importantes: a identificação
e a consideração.

A Identificação

A identificação é a origem de muitas manifestações tolas e inúteis. É a o vício humano


de se identificar  com tudo; o que sabe, o que sente, o que diz, o que acredita, o que não
acredita, o que atrai e o que repele. Este estado o torna incapaz de considerar qualquer
coisa com imparcialidade.

A Consideração

O homem também se preocupa constantemente com o que pensam dele. É o vício em


ser reconhecido, admirado e tratado de acordo com os méritos que se imagina ter.

As sete categorias

Para fins da psicologia futura podemos considerar sete categorias de ser humano:

 Homem tipo 1 – Homem Físico no qual o centro motor e instintivo prevalece


sobre o emocional e intelectual
 Homem tipo 2 – Homem Emocional no qual o centro emocional prevalece sobre
o motor, instintivo e intelectual
 Homem tipo 3 – Homem Intelectual no qual o centro intelectual prevalece sobre
o centro emocional instintivo e motor.
 Homem tipo 4 – O Homem que adquiriu conhecimento de si mesmo e no qual a
busca pela consciência de si prevalece sobre os centros intelectuais, emocionais,
motor e instintivo, tornando-se assim “centros de gravidade permanente”.
 Homem tipo 5 – Homem que adquiriu a unidade e a consciência de si e possui
faculdade e poderes desconhecidos aos abaixo dele.
 Homem tipo 6 – O homem que adquiriu a consciência objetiva e possui
faculdade e poderes desconhecidos aos abaixo dele.
 Homem tipo 7 – Que possui um Eu permanente e uma vontade livre. Chegou no
máximo do desenvolvimento humano.

Todas as manifestações humanas, como ciência, religião, artes podem ser entendidas
segundo a perspectiva de cada um dos 7 tipos de homens.

resumo por Tamosauska

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