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DISCIPLINA – Trabalho e Sociabilidade - PUC Coração Eucarístico

Profa. Mônica Hallak Martins da Costa

Nome: Larissa Rosa de Lima

Avaliação

Estudo dirigido (capítulo 5 – O capital: o processo de trabalho e o processo


de valorização)

1) Quais os momentos do trabalho, segundo o autor?

De acordo com Marx, “Os momentos simples do processo de trabalho


são, em primeiro lugar, a atividade orientada a um fim, ou o trabalho
propriamente dito; em segundo lugar, seu objeto e, em terceiro, seus meios.”
(MARX, 2015, p.217)

A respeito do primeiro momento - a atividade orientada a um fim -


Marx esclarece que não se trata, em absoluto, das formas mais instintivas e
animalescas do trabalho, mas sim do trabalho enquanto atividade teleológica,
ou seja, trabalho enquanto atividade voltada para a realização de um
determinado fim (sendo este fim a produção de um produto dotado de valor
de uso). (MARX, 2015)

Com isso,

[...] o que desde o início distingue o pior arquiteto da melhor abelha


é o fato de que o primeiro tem a colmeia em sua mente antes de
construí-la com a cera. No final do processo de trabalho, chega-se
a um resultado que já estava presente na representação do
trabalhador no início do processo, portanto, um resultado que já
existia idealmente. (MARX, 2015, p. 216)

Assim, o homem toma da natureza os objetos de seu trabalho e


utilizando-se dos meios de trabalho ele intervém sobre estes objetos a fim de
chegar a um produto final, já idealizado previamente em sua consciência.
(MARX, 2015)
Já o objeto de trabalho é tudo aquilo que o homem retira da natureza
para poder produzir algo novo que possua valor de uso. Marx ressalta que o
principal objeto de trabalho seria a terra “que é para o homem uma fonte
originária de provisões, de meios de subsistência prontos” (MARX,2015, p.
217) e que “preexiste, independentemente de sua interferência, como objeto
universal do trabalho humano” (MARX,2015, p. 217). Desse modo, “Todas as
coisas que o trabalho apenas separa de sua conexão imediata com a
totalidade da terra são, por natureza, objetos de trabalho preexistentes.”
(MARX,2015, p. 217) Quando este objeto de trabalho já passou por uma
intervenção humana, por um trabalho prévio, então se tem a matéria prima,
como, por exemplo, pedaços de couro (retirados de peles de animais) que
após serem trabalhados são utilizados na indústria para produção de
sapatos.

Os meios de trabalho, por outro lado, apesar de serem também


objetos que existem na natureza (e que contêm em si atividade humana) têm
como traço fundamental a sua funcionalidade no que tange à transformação
do objeto do trabalho em produto do trabalho. Assim, o homem utiliza esses
meios para partir do objeto e chegar ao produto. Por exemplo, no caso da
produção de sapatos, citado acima, os meios de trabalho seriam as máquinas
e o espaço da fábrica como um todo, que ao ser tomado pelo homem em sua
atividade teleológica, funciona como instrumento para a transformação do
objeto (o couro) em produto (o sapato).
2) Como Marx caracteriza o objeto produzido pelo trabalho?

Segundo Marx, o produto é o resultado final do processo de trabalho e


constitui um valor de uso, ou seja, [...] “um material natural adaptado às
necessidades humanas por meio da modificação de sua forma.” (MARX,
2015, p.218)

Ademais, esse produto contém em si o trabalho humano, que por sua


vez se materializou sob a forma de um determinado objeto. Assim, temos que

O trabalho se incorporou a seu objeto. Ele está objetivado, e o


objeto está trabalhado. O que do lado do trabalhador aparecia sob
a forma do movimento, agora se manifesta, do lado do produto,
como qualidade imóvel, na forma do ser. Ele fiou, e o produto é um
fio [Gespinst]a. (MARX, 2015, p.218)

Ou seja, o produto do trabalho não é um mero objeto que surge de forma


espontânea ou que possui uma vida própria, mas sim um objeto que é
resultado do trabalho humano e que por isso contém em si as determinações
sócio-históricas das relações de trabalho que o envolvem e a subjetivação
humana, ou seja, o produto do trabalho humano é uma espécie de objeto
material elaborado mediante atividade subjetivada, consciente. (MARX, 2015)

3) Como a matéria prima pode aparecer no processo de trabalho?

Marx afirma que a matéria prima só pode aparecer quando se trata de um


objeto que “já sofreu uma modificação mediada pelo trabalho” (MARX, 2015,
p.217), ou seja, a matéria prima consiste num objeto de trabalho que já
sofreu algum tipo de intervenção humana, e contém em si, portanto, trabalho
humano prévio.
Ademais,

A matéria-prima pode constituir a substância principal de um


produto ou tomar parte nele apenas como matéria auxiliar. Esta
pode ser consumida pelos meios de trabalho, como o carvão pela
máquina a vapor, o óleo pela engrenagem, o feno pelo cavalo, ou
ser adicionada à matéria-prima a fim de nela produzir alguma
modificação, como o cloro é adicionado ao linho ainda não
alvejado, o carvão ao ferro, a tintura à lã, ou pode, ainda, auxiliar na
realização do próprio trabalho, como, por exemplo, as matérias
utilizadas na iluminação e no aquecimento da oficina de trabalho.
(MARX,2015,p. 219)

4) O que diferencia, de acordo com o texto, o consumo produtivo e o


consumo individual?

De acordo com Marx, “O trabalho consome seus elementos materiais, seu


objeto e seu meio; ele os devora e é, assim, processo de consumo”
(MARX,2015,p. 220). Ou seja, assim como o ser humano consome produtos
necessários a vida, o trabalho humano consome os elementos necessários
para a sua realização: a matéria-prima e os meios de produção. Com isso,

Esse consumo produtivo se diferencia do consumo individual


pelo fato de que este último consome os produtos como meios de
subsistência do indivíduo vivo, ao passo que o primeiro os consome
como meios de subsistência do trabalho, da força ativa de trabalho
do indivíduo. O produto do consumo individual é, por isso, o próprio
consumidor, mas o resultado do consumo produtivo é um produto
distinto do consumidor.
Na medida em que seu meio e objeto são eles próprios produtos, o
trabalho digere produtos a fim de criar produtos, ou consome
produtos como meios de produção de outros produtos.
(MARX,2015,p. 220, 221; grifos nossos)

Destarte, pode-se dizer que enquanto o consumo produtivo é aquele por


meio do qual os seres humanos utilizam-se tanto de objetos naturais como
também daqueles produzidos pelo homem, para criar novos produtos, o
consumo individual refere-se ao momento em que os sujeitos consomem
bens necessários apenas à manutenção da sua vida e/ou reprodução social
(e faz-se necessário salientar que não se trata apenas da satisfação de
necessidades básicas de sobrevivência, mas também necessidades
secundárias e terciárias, que dizem respeito à cultura, lazer, educação etc).

Sendo assim, tais produtos voltados ao consumo individual possuem


como valor de uso apenas a satisfação de necessidades corpóreas (ou
anímicas no caso de produtos voltados à cultura, lazer etc) e não a
capacidade de produzir mais mercadorias, como no caso dos meios de
produção e da matéria-prima.

5) Marx afirma que como “processo de consumo da força de trabalho


pelo capitalista, o processo de trabalho revela dois fenômenos
característicos”. Quais são eles?

De acordo com Marx, o primeiro fenômeno revelado pelo processo de


consumo da força de trabalho pelo capitalista consiste no fato de que

O trabalhador labora sob o controle do capitalista, a quem pertence


seu trabalho. O capitalista cuida para que o trabalho seja realizado
corretamente e que os meios de produção sejam utilizados de
modo apropriado, a fim de que a matéria-prima não seja
desperdiçada e o meio de trabalho seja conservado, isto é,
destruído apenas na medida necessária à consecução do trabalho.
(MARX, 2015, p.221,222)

Ou seja, neste momento Marx trata do processo de trabalho não


somente em um aspecto genérico, universal, e, portanto, comum a toda
sociedade humana, mas sim da característica do processo de trabalho sob o
domínio da propriedade privada dos meios de produção em sua forma
burguesa. Nesse modo de produção, especificamente, tem-se que o trabalho
é consumido enquanto um produto capaz de gerar outros produtos, sendo o
trabalhador aquele que vende este produto, que é sua força laboral, para o
capitalista, que controla todo o processo de produção, e, consequentemente,
controla também o trabalho do proletário, a fim de alcançar mais facilmente
seu objetivo econômico de geração de lucro a partir da produção e venda de
suas mercadorias.
Em seguida, Marx afirma que

Em segundo lugar, porém, o produto é propriedade do capitalista,


não do produtor direto, do trabalhador. O capitalista paga, por
exemplo, o valor da força de trabalho por um dia. Portanto, sua
utilização, como a de qualquer outra mercadoria – por exemplo, um
cavalo – que ele aluga por um dia, pertence-lhe por esse dia. Ao
comprador da mercadoria pertence o uso da mercadoria, e o
possuidor da força de trabalho, ao ceder seu trabalho, cede, na
verdade, apenas o valor de uso por ele vendido. A partir do
momento em que ele entra na oficina do capitalista, o valor de uso
de sua força de trabalho, portanto, seu uso, o trabalho, pertence ao
capitalista. Mediante a compra da força de trabalho, o capitalista
incorpora o próprio trabalho, como fermento vivo, aos elementos
mortos que constituem o produto e lhe pertencem igualmente. De
seu ponto de vista, o processo de trabalho não é mais do que o
consumo da mercadoria por ele comprada, a força de trabalho, que,
no entanto, ele só pode consumir desde que lhe acrescente os
meios de produção. O processo de trabalho se realiza entre coisas
que o capitalista comprou, entre coisas que lhe pertencem. Assim,
o produto desse processo lhe pertence tanto quanto o produto do
processo de fermentação em sua adega. (MARX, 2015, p.222)

Ou seja, Marx faz uma provocação constatando algo que pode parecer
absurdo para as mentes voltadas à ideologia liberal e sua crença numa
liberdade individual quase absoluta e plena frente a um sistema econômico
que eles crêem tratar-se primordialmente de trocas voluntárias, ao passo
que, na verdade, como aponta Marx, trata-se muito mais de exploração e de
um processo no qual o trabalhador é alienado em relação ao seu próprio
trabalho, em relação ao produto de seu trabalho e em relação à generidade
de seu trabalho num contexto de universalidade.

Com efeito, tal provocação reside na afirmação marxista de que o


trabalho consumido pelo capitalista, o trabalho que ele compra do proletário
por meio de um pagamento salarial, nada mais é que um produto por ele
utilizado para gerar mercadorias (mediante sua atividade incorporada a
outros produtos também comprados pelo burguês, como os meios de
produção), o que gera, no fim do processo, novos produtos que lhe
pertencem tanto quanto cada um dos fatores de produção utilizados por ele
desde o início.
REFERÊNCIAS

MARX, Karl. “O Capital [Livro I]: crítica da economia política. O processo

de produção do capital” Editora Boitempo. Edição kindle 2015.

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