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LEITURA E ESCRITA COM RAVEL - SEMANA 04

Henrique Barbosa, abril de 2021

Semana 04

I. TEXTOS

1. A crise na educação, por Hannah Arendt.


2. O que é autoridade?, por Hannah Arendt.
3. Currículo e didática da tradução, por Sandra Corazza.

II. LÍNGUA PORTUGUESA E TEXTO

Revisão de ortografia: por que, regência e crase.

Gêneros textuais 2: conto, novela, romance, poema (poema épico, poema lírico, poema dramático),
drama (drama trágico, cômico, satírico); notícia, reportagem, resenha.

Estrutura textual 1: o parágrafo introdutório e o parágrafo genérico

III. ESCRITA

Texto expositivo (em 3ª pessoa) sobre o tema O que é tradição? Como autoridade e tradição se
relacionam? Qual o papel do passado na formação docente?

I. TEXTOS

1. A crise na educação, por Hannah Arendt.

Sabemos todos como as coisas andam hoje em dia mundo. Ao removermos a autoridade da vida
com respeito à autoridade. Qualquer que seja política e pública, pode ser que isso signifique que,
nossa atitude pessoal face a este problema, é de agora em diante, se exija de todos uma igual
óbvio que, na vida pública, e política, a autoridade responsabilidade pelo rumo do mundo. Mas isso
ou não representa mais nada - pois a violência e o pode também significar que as exigências do
terror exercidos pelos países totalitários mundo e seus reclamos de ordem estejam sendo
evidentemente nada têm a ver com autoridade -, consciente ou inconscientemente repudiados; toda
ou, no máximo, desempenha um papel altamente e qualquer responsabilidade pelo mundo está
contestado. Isso, contudo, simplesmente significa, sendo rejeitada, seja a responsabilidade de dar
em essência, que as pessoas não querem mais ordens, seja a de obedecê-las. Não resta dúvida de
exigir ou confiar a ninguém o ato de assumir a que, na perda moderna da autoridade, ambas as
responsabilidade por tudo o mais, pois sempre que intenções desempenham um papel e têm muitas
a autoridade legítima existiu ela esteve associada vezes, simultânea e inextricavelmente, trabalhado
com a responsabilidade pelo curso das coisas no juntas.
relação a eles uma atitude radicalmente diversa da
Na educação, ao contrário, não pode haver tal que guardamos um para com o outro. Cumpre
ambiguidade face à perda hodierna de autoridade. divorciarmos decisivamente o âmbito da educação
As crianças não podem derrubar a autoridade dos demais, e acima de tudo do âmbito da vida
educacional, como se estivessem sob a opressão pública e política, para aplicar exclusivamente a
de uma maioria adulta - embora mesmo esse ele um conceito de autoridade e uma atitude face
absurdo tratamento das crianças como urna ao passado que lhe são apropriados mas não
minoria oprimida carente de libertação tenha sido possuem validade geral, não devendo reclamar
efetivamente submetido a prova na prática uma aplicação generalizada no mundo dos adultos.
educacional moderna. A autoridade foi recusada
pelos adultos, e isso somente pode significar uma Na prática, a primeira consequência disso seria
coisa: que os adultos se recusam a assumir a uma compreensão bem clara de que a função da
responsabilidade pelo mundo ao qual trouxeram as escola é ensinar às crianças como o mundo é, e
crianças. não instruí-las na arte de viver. Dado que o mundo
[...] é velho, sempre mais que elas mesmas, a
O homem moderno não poderia encontrar aprendizagem volta-se inevitavelmente para o
nenhuma expressão mais clara para sua passado, não importa o quanto a vida seja
insatisfação com o mundo, para seu desgosto com transcorrida no presente. Em segundo lugar, a
o estado de coisas, que sua recusa a assumir, em linha traçada entre crianças e adultos deveria
relação às crianças, a responsabilidade por tudo significar que não se pode nem educar adultos
isso. É como se os pais dissessem todos os dias: nem tratar crianças como se elas fossem maduras;
nesse mundo, mesmo nós não estamos muito a jamais se deveria permitir, porém, que tal linha se
salvo em casa; como se movimentar nele, o que tornasse uma muralha a separar as crianças da
saber, quais habilidades dominar, tudo isso comunidade adulta, como se não vivessem elas no
também são mistérios para nós. Vocês devem mesmo mundo e como se a infância fosse um
tentar entender isso do jeito que puderem; em todo estado humano autônomo, capaz de viver por
caso, vocês não têm o direito de exigir satisfações. suas próprias leis. É impossível determinar
Somos inocentes, lavamos as nossas mãos por mediante uma regra geral onde a linha limítrofe
vocês. entre a infância e a condição adulta recai, em cada
[...] caso. Ela muda freqüentemente, com respeito à
A crise da autoridade na educação guarda a mais idade, de país para país, de uma civilização para
estreita conexão com a crise da tradição, ou seja, outra e também de indivíduo para indivíduo. A
com a crise de nossa atitude face ao âmbito do educação, contudo, ao contrário da aprendizagem,
passado. É sobremodo difícil para o educador precisa ter um final previsível. Em nossa
arcar com esse aspecto da crise moderna, pois é civilização esse final coincide provavelmente com o
de seu ofício servir como mediador entre o velho e diploma colegial, não com a conclusão do curso
o novo, de tal modo que sua própria profissão lhe secundário, pois o treinamento profissional nas
exige um respeito extraordinário pelo passado. universidades ou cursos técnicos, embora sempre
[...] tenha algo a ver com a educação, é, não obstante,
O problema da educação no mundo moderno está em si mesmo uma espécie de especialização. Ele
no fato de, por sua natureza, não poder esta [a não visa mais a introduzir o jovem no mundo como
educação] abrir mão nem da autoridade, nem da um todo, mas sim em um segmento limitado e
tradição, e ser obrigada, apesar disso, a caminhar particular dele. Não se pode educar sem ao
em um mundo que não é estruturado nem pela mesmo tempo ensinar; uma educação sem
autoridade nem tampouco mantido coeso pela aprendizagem é vazia e portanto degenera, com
tradição. Isso significa, entretanto, que não apenas muita facilidade, em retórica moral e emocional. É
professores e educadores, porém todos nós, na muito fácil, porém, ensinar sem educar, e pode se
medida em que vivemos em um mundo junto a aprender durante o dia todo sem por isso ser
nossas crianças e aos jovens, devemos ter em educado. Tudo isso são detalhes particulares,
contudo, que na verdade devem ser entregues aos inevitável não fosse a renovação e a vinda dos
especialistas e pedagogos. novos e dos jovens. A educação é, também, onde
decidimos se amamos nossas crianças o bastante
O que nos diz respeito, e que não podemos para não expulsá-las de nosso mundo e
portanto delegar à ciência específica da abandoná-las a seus próprios recursos, e
pedagogia, é a relação entre adultos e crianças em tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade
geral, ou, para colocá-lo em termos ainda mais de empreender alguma coisa nova e imprevista
gerais e exatos, nossa atitude face ao fato da para nós, preparando-as em vez disso com
natalidade: o fato de todos nós virmos ao mundo antecedência para a tarefa de renovar um mundo
ao nascermos e de ser o mundo constantemente comum.
renovado mediante o nascimento. A educação é o
ponto em que decidimos se amamos o mundo o Adaptado de ARENDT, Hannah. A crise na
bastante para assumirmos a responsabilidade por educação. In: Entre o passado e o futuro. São
ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria Paulo: Companhia das letras, 2018.

2. Trechos de O que é autoridade?, por Hannah Arendt.

O sintoma mais significativo da crise, indicando sua persuasão, que pressupõe igualdade e funciona
profundidade e seriedade, é que ela se espalhou por meio de um processo de argumentação. Onde
para áreas pré-políticas como a educação infantil e os argumentos são usados, a autoridade é deixada
a educação, onde a autoridade no sentido mais em suspenso. Contra a ordem igualitária de
amplo sempre foi aceita como uma necessidade persuasão está a ordem autoritária, que é sempre
natural, obviamente exigida tanto por necessidades hierárquica. Se a autoridade deve ser definida,
naturais, o desamparo da criança, como por então, ela deve estar em contradição tanto com a
necessidade política, a continuidade de uma coerção pela força quanto com a persuasão por
civilização estabelecida que pode ser assegurada meio de argumentos.
apenas se aqueles que são recém-chegados por
nascimento são guiados por um mundo A autoridade, apoiada em uma base no passado
pré-estabelecido no qual nasceram como como sua pedra angular inabalável, deu ao mundo
estranhos. Por seu caráter simples e elementar, a permanência e a durabilidade de que os seres
esta forma de autoridade tem, ao longo da história humanos precisam exatamente porque são
do pensamento político, servido de modelo para mortais, os seres mais instáveis ​e fúteis que
uma grande variedade de formas autoritárias de conhecemos. Sua perda equivale à perda da base
governo, de modo que o fato de que mesmo esta do mundo, que desde então começou a mudar, a
autoridade pré-política que regia as relações entre mudar e transformar-se com rapidez cada vez
os adultos e crianças, professores e alunos, não maior de uma forma para outra, como se
está mais seguro significa que todas as velhas estivéssemos vivendo e lutando com um universo
metáforas e modelos de relações autoritárias de Metamorfose onde tudo a qualquer momento
perderam sua plausibilidade. Tanto prática quanto pode se tornar quase qualquer outra coisa. Mas a
teoricamente, não estamos mais em posição de perda de permanência e confiabilidade mundana
saber o que realmente é autoridade. que politicamente é idêntica à perda de autoridade
não acarreta, pelo menos não necessariamente, a
Visto que a autoridade sempre exige obediência, é perda da capacidade humana de construir,
comumente confundida com alguma forma de preservar e cuidar de um mundo que pode
poder ou violência. No entanto, a autoridade sobreviver a nós e permanecer um lugar apto para
impede o uso de meios externos de coerção; onde viver por aqueles que virão depois de nós.
a força é usada, a própria autoridade falhou. A
autoridade, por outro lado, é incompatível com a
Com a perda da tradição, perdemos o fio que nos esquecer, e tal esquecimento, independentemente
guiava com segurança pelos vastos reinos do dos próprios conteúdos que se podem perder,
passado, mas esse fio também era a corrente que significaria que, humanamente falando, nos
prendia cada geração sucessiva a um aspecto privaríamos de uma dimensão, a dimensão da
predeterminado do passado. Pode ser que só profundidade da existência humana. Pois a
agora o passado se abra para nós com um frescor memória e a profundidade são iguais; ou melhor: a
inesperado e nos diga coisas que ninguém ainda profundidade não pode ser alcançada pelo homem
teve ouvidos para ouvir. Mas não se pode negar de outra forma a não ser por meio da lembrança.
que, sem uma tradição firmemente ancorada e a
perda dessa segurança ocorrida há várias Adaptado de ARENDT, Hannah. O que é autoridade?
centenas de anos, toda a dimensão do passado In: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Companhia
também foi ameaçada. Corremos o risco de das letras, 2018.

3. Currículo e didática da tradução, por Sandra Corazza.

O professor-tradutor vive para criar uma obra com mundo, novas possibilidades de existência, a tarefa
mais potência do que aquela que, no presente, precípua dos professores é, no fundo, traduzir,
encontra em si. É o professor-tradutor o portador inventivamente, a própria vida, considerada um
da vontade de potência que transporta, transpõe e processo de criação (Villani, 1999). As correlações
transfere criadoramente em currículo e em didática. entre a tradução curricular e a didática ocorrem da
Como professores-tradutores, relemos e seguinte maneira: para constituir um currículo, nós,
reescrevemos o existente, mediante uma atitude professores – se não delegarmos esta tarefa a
crítica, que exige compreensão e superação das outros, como o estado, o governo, a universidade,
matérias originais, lendo e escrevendo entre linhas; a indústria do livro –, capturamos porções das
atentando para singularidades menos culturas; apreendemos saltos de sentidos das
transparentes; decompondo-as de fora para matérias e fazemos nós nas linhas das disciplinas;
recompô-las por dentro – dentro que é coextensivo estancamos fluxos da tradição; crivamos porções
ao fora (o que pode ser chamado vida). Traduzir da ciência, da arte e da filosofia (Deleuze; Guattari,
passa a ser realizar a melhor leitura e a melhor 1992); escolhemos e inflexionamos autores, textos,
escritura possíveis de um plano de pensamento obras, conteúdos, formas, signos – mundanos,
(filosofia), de composição (arte) e de referência sensíveis, amorosos, artísticos (Deleuze, 1987) –;
(ciência) (Deleuze; Guattari, 1992). valorizamos subjetividades e ideias, técnicas e
instrumentos, verdades e certezas. Com o currículo
Em meio à realidade que ainda não existe, traduzido, acabamos formando um logos; ou seja,
investimos esforços de pesquisa, fabricamos atribuímos uma lógica ao conjunto assim
constância de ensino e de orientação, ensaiamos configurado, expressa em um sistema, estrutura,
experimentações de escrileituras, fazemos sequência, ordenação, princípios formativos,
exercícios contínuos para pensar – carregando fundamentos inteligíveis.
conosco um baú, do qual ainda não conhecemos
todos os tesouros. “Viver – isto significa, para nós, O ato de educar é uma irrupção crítica do novo, no
transformar continuamente em luz e flama tudo o sentido de Derrida (1996, p. 2): “[...] a
que somos, e também tudo o que nos atinge; não responsabilidade do pensamento crítico consiste
podemos agir de outro modo”. (Nietzsche, 2001, p. também em calcular uma justa irrupção: devemos
13). dizer aquilo que se acredita que não se deve dizer”.
A responsabilidade ética, que assumimos ao
Como toda palavra do mundo é já traduzir (Paz, educar, não poderia não ser essa irrupção, desde
1981) e todo traduzir abre, para as palavras e o que exercemos a profissão em um espaço
relacional humano, imbricado com as heranças, transcriador, educar não se reduz a transpor – de
com a bagagem, com os espectros das gerações, um lugar, de uma fonte, de alguém a outro – um
com a tradição – “A tradição é uma coisa aberta. pensamento, um saber, um conteúdo, uma forma
Não pode ser deixada à custódia sedentária de ou uma matéria, como se fossem coisas. Educar
curadores acadêmicos, sem o faro do fazer consiste num processamento vital que reinterpreta.
criativo” (Campos, 1968, p. 65). Espaço relacional,
formado pelos modos como acolhemos os Adaptado de CORAZZA, Sandra Mara. Currículo e
elementos que nos são legados; como, ao didática da tradução: Vontade, criação, crítica. In:
traduzi-los, os irradiamos, modificamos a sua https://www.scielo.br/pdf/edreal/v41n4/2175-6236-e
importância, atribuímos sentidos, retiramos dreal-58199.pdf
significação, os desconstruímos e transformamos
em novos signos e imagens. Como um ato
II. LÍNGUA PORTUGUESA E TEXTO

1. Revisão de ortografia: por que, regência e crase.

A. Complete com a forma adequada de por que.


a. Você não saiu _________ ?
b. _________ ela saiu, fiquei triste.
c. A estrada _________ andei era difícil.
d. Não entendi o _________ de tanta reclamação.
e. Não entendi _________ houve tanta reclamação.
f. Não sei _________ ela foi mal na prova.
g. Não sei o _________ de ela ter ido mal na prova.

B. Considerando a regência do nome destacado, complete as lacunas com a preposição adequada.


a. As críticas ______ que antes éramos indiferentes agora nos incomodam.
b. A empresa só não demitiu os funcionários ______ que tinha plena confiança.
c. O coordenador da escola, ______ quem temos sérias divergências políticas, mal nos cumprimenta.
d. Os amigos ______ quais ele sempre teve afeto não moram mais na cidade.
e. A empresa só não demitiu os funcionários ______ cuja lealdade não tinha dúvidas.
f. Embora se mostrasse ausente ______ tudo, ele estava ansioso ______ terminar o trabalho, por isso não
demonstrava a menor preocupação ______ detalhes, o que foi prejudicial ______ seu desempenho.
g. Antônio de Sousa, residente ______ rua 15 de Novembro, requer alvará de funcionamento ______ o
estabelecimento comercial situado ______ avenida Paulista, 2000.

C. Complete com as preposições (quando a regência exigir) e com os pronomes relativos (que/quem, o
qual, a qual, os quais, as quais).
a. São rigorosas as normas de segurança ______ os funcionários da empresa obedecem.
b. São surpreendentes as revelações do documento ______ o repórter recebeu de uma fonte anônima.
c. O vendedor ______ pagamos os cinquenta reais ficou muito feliz.
d. O explorador comprou na cidadezinha alguns suprimentos ______ precisaria na trilha.
e. O diploma universitário ______ muitos jovens visam é difícil de conquistar.

D. As frases a seguir são comuns na linguagem coloquial, mas inadequadas na escrita. Reescreva-as
de acordo com a norma culta.
a. A pessoa que telefonou para ela ontem ainda não retornou.
b. Eles são heróis; os obstáculos que eles lutaram foram imensos.
c. Ninguém tem ideia dos desafios que aquela mulher passou.
d. Passamos por uma praça que no centro dela tinha uma escultura.
e. Assisti na TV uma entrevista de um sociólogo que discordei completamente das ideias dele sobre o Brasil.
f. A desistência dele implicou no desânimo de todos.

E. Em cada item, indique qual o sentido do verbo destacado, de acordo com a regência em cada caso.
a. Vários gerentes aspiram ao cargo de diretor porque o salário é excelente.
b. Os paramédicos assistiram rapidamente os inúmeros feridos no acidente.
c. Recomendo que você assista aos programas da TV Cultura.
d. Enormes exaustores aspiravam para fora do prédio o ar da seção de fundição da fábrica.
e. As novas regras disciplinares do colégio não agradaram aos alunos.
f. Isabel queria muito aos pais.
g. Muitos políticos visam ao cargo de prefeito da capital.
h. O juiz procedeu à leitura da sentença.
i. O estudante implicou com as sanções da diretora.

2. Gêneros textuais 2: Gêneros textuais e capacidades da linguagem.

Gênero textual é um modelo geral que orienta a escrita de textos. O gênero é definido pelos conteúdos
temáticos de que normalmente trata, pelo estilo de linguagem que emprega, e pela estrutura (construção
composicional).

CAPACIDADE DA LINGUAGEM USO LINGUÍSTICO E SOCIAL EXEMPLOS DE GÊNEROS

Narrar A linguagem imita a ação humana Contos maravilhosos, fábulas,


para criar uma intriga (um mitos, conto fantástico, conto de
enredo), uma disjunção. estranhamento, novela (literária),
romance.
Textos que fazem esse uso
integram a cultura literária de
ficção e as narrativas míticas de
povos tradicionais ou históricos.

Relatar A linguagem é usada para Relato de viagem, diário,


representar experiências vividas. autobiografia, notícia, reportagem,
crônica, relato histórico, biografia,
Textos que mostram um relato resenha de livro.
registram a experiência vivida por
uma pessoa em determinado
tempo.

Argumentar A linguagem é usada para Artigo de opinião, diálogo


defender, refutar (negar) e/ou argumentativo (exemplo clássico:
negociar opiniões. diálogo platônico), debate
regrado, peças jurídicas, discurso
Textos argumentativos discutem de defesa, editorial jornalístico,
questões sociais, políticas, tese acadêmica, artigo científico.
culturais e humanas, normalmente
em favor de uma posição
particular.

Expor A linguagem é usada para Verbete de dicionário ou


apresentar diferentes formas e enciclopédia, seminários e
aspectos de um saber. conferências, anotação,
fichamento, resumo, revisão
Textos expositivos veiculam e bibliográfica, artigos de divulgação
transmitem um conhecimento científica, monografias,
cultural, de forma sistematizada. dissertações acadêmicas.

Instruir/Comunicar A linguagem é usada para orientar Receitas, instruções de uso ou de


ações, comportamentos. montagem, bulas, regulamentos,
regras, cartas.
Textos instrutivos ou
comunicativos dão orientações,
definem normas e acordos, regras
e condições de uso.
3. Estrutura textual 1: o parágrafo introdutório e o parágrafo genérico em textos argumentativos e
expositivos

Estrutura canônica do parágrafo de introdução

Contextualização. Informa o contexto do tema e a


Xxxxxxxxxx Contextualização xxxxxxxxxxxx abrangência possível que o texto pretende abordar.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxXXX Proposição xxxxxx Proposição. Adianta para o leitor a proposta do
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx texto: tópicos que serão abordados, forma da
abordagem e objetivo da abordagem.

Evitar os lugares-comuns na contextualização (nos dias de hoje; na sociedade em que vivemos; é muito
debatido atualmente; desde os primórdios da humanidade etc.)!

Estratégia de contextualização Exemplo

Descrição do cenário em que se Texto A crise na educação, primeiro parágrafo.


enquadra o tema

Definição de um conceito-chave Texto A crise na educação, vários parágrafos.


sobre o tema

Exposição de dados e posição de Texto Currículo e didática da tradução, em todos os parágrafos.


autoridade

Exposição de algum consenso Texto A crise na educação, vários parágrafos.

Exposição de posições diversas Texto O que é autoridade, segundo parágrafo.

Exposição de abordagens em
diversas áreas do saber

Relato de situação concreta

III. ESCRITA

Texto expositivo sobre os textos lidos (Crise na educação, O que é autoridade?, Currículo e didática da
tradução). Uma a duas páginas, a mão.

- Linguagem. Norma padrão, em 3ª pessoa.


- Estrutura preferencial. Um parágrafo introdutório; um parágrafo expositivo para cada texto; um parágrafo
conclusivo bem gordinho, que relacione tudo.
- Conteúdo temático. Algumas perguntas e questões para nortear o texto, especialmente o parágrafo
introdutório e o conclusivo. O que é tradição? Como autoridade e tradição se relacionam? Qual o papel do
passado na formação docente?