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29/06/2020 ConJur - Intenção de recurso precisa ser respeitada no pregão

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LICITAÇÃO ELETRÔNICA

Intenção de recurso precisa ser respeitada


no pregão eletrônico
22 de fevereiro de 2007, 16h47 Imprimir Enviar

Por Jonas Lima

 Ouvir: Intenção de recurso precisa ser res 0:00

Recentemente, em determinado pregão eletrônico do qual um cliente


participava, verificamos uma absurda violação ao direito de recurso
administrativo garantido a todos os licitantes.

Foi registrado no portal www.comprasnet.gov.br, ainda durante a sessão do


pregão, que a ilustre pregoeira havia “rejeitado” a “intenção” de interposição LEIA TAMBÉM
do recurso. Até esse ponto, não haveria o que estranhar, mas o inusitado foi
que o “motivo” para a rejeição da intenção de recurso se confundiu com o LICITAÇÃO ONLINE
próprio mérito recursal, que deveria ser analisado mais adiante, em TRF-4 inaugura o seu sistema de
oportunidade própria, conforme o procedimento legalmente previsto. pregão eletrônico

O artigo 26 do Decreto 5.450/05, que regulamenta o pregão na sua forma LICITAÇÃO ELETRÔNICA

eletrônica, estabelece que “declarado o vencedor, qualquer licitante poderá, Presidente do TJ-RN adota pregão
durante a sessão pública, de forma imediata e motivada, em campo próprio do eletrônico no tribunal
sistema, manifestar sua intenção de recorrer, quando lhe será concedido o
BENS DE INFORMÁTICA
prazo de três dias para apresentar as razões de recurso, ficando os demais
A impossibilidade de uso de licitação
licitantes, desde logo, intimados para, querendo, apresentarem contra-razões
por pregão
em igual prazo, que começará a contar do término do prazo do recorrente,
sendo-lhes assegurada vista imediata dos elementos indispensáveis à defesa SENTINDO NO BOLSO
dos seus interesses”. STJ economiza mais de 40% com
pregão eletrônico em compras
Surge, assim, a figura da manifestação da “intenção de recorrer”, que deve ser
feita de forma “imediata e motivada” pelo licitante interessado, não estando
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previsto que o pregoeiro possa interferir no exercício desse direito garantido ao
particular.
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https://www.conjur.com.br/2007-fev-22/intencao_recurso_respeitada_pregao 1/4
29/06/2020 ConJur - Intenção de recurso precisa ser respeitada no pregão

O parágrafo 1º do citado dispositivo normativo, por outro lado, prevê que “a


falta de manifestação imediata e motivada do licitante quanto à intenção de
recorrer, nos termos do caput, importará na decadência desse direito, ficando o
pregoeiro autorizado a adjudicar o objeto ao licitante declarado vencedor” .

Portanto, apenas a partir desse momento, aparece determinada providência que


possa ser adotada pelo pregoeiro, qual seja, prosseguir com o certame caso
tenha sido verificada omissão do licitante em manifestar sua intenção recursal.
Isso significa que a decadência do direito de recorrer, repita-se, será
conseqüência da própria omissão do licitante (uma aplicação do princípio de
que “o direito não socorre aos que dormem” — “dormientibus non sucurrit
jus”).

A leitura dessas duas regras procedimentais indica que o pregoeiro não possui
competência para praticar ato que vá além do exame de admissibilidade formal
da intenção de recorrer, inexistindo a menor possibilidade de que ele,
pregoeiro, individualmente, manifestando de forma antecipada as suas próprias
convicções sobre o mérito do assunto que ainda será tratado na peça recursal,
acabe tolhendo sumariamente o direito de recurso do interessado.

O mérito recursal, vale frisar, é matéria a ser tratada pela “autoridade


competente” de cada órgão, quando o pregoeiro “mantiver a sua decisão”, tudo
conforme o disposto no artigo 8º, caput e inciso IV, do Decreto 5.450/05. Essa
disciplina se completa com o disposto no artigo 11, caput e inciso VI, do
mesmo decreto, que prevê que ao pregoeiro caberá apenas “receber, examinar
e decidir os recursos, encaminhando à autoridade competente quando mantiver
sua decisão”.

Não existe, pois, na legislação específica, a hipótese da "rejeição sumária" da


intenção de recurso do licitante, especialmente, fundada no entendimento
prévio do pregoeiro sobre o mérito das razões recursais, que ainda serão
apresentadas dentro dos três dias de prazo.

Basta que haja a manifestação da intenção no momento oportuno e que o


licitante indique um ou mais motivos pelos quais estará recorrendo. Feito isto,
a análise do mérito do recurso administrativo será objeto de apreciação apenas
depois de ultrapassado o prazo de apresentação de contra-razões dos outros
licitantes.

Tolher antecipadamente essas fases procedimentais seguintes implica em violar


a legalidade do procedimento licitatório, contrariando os princípios do artigo 5º
do Decreto 5.450/05, do artigo 4º do Anexo I do Decreto 3.555/00, do artigo 3º
da Lei 8.666/93, bem como do artigo 37, caput e inciso XXI, da Constituição
Federal.

Por outro lado, verifica-se também contrariedade à garantia do direito de


petição, prevista no inciso XXXIV do artigo 5º da Constituição Federal, além
da ampla defesa, garantida no inciso LV do mesmo dispositivo constitucional,
que, aliás, é exercida pelos “meios e recursos a ela inerentes”.

Surge então a pergunta: como se pode respeitar essas garantias se for criado
um bloqueio antecipado e indevido ao mecanismo legal de recurso dentro do
ambiente eletrônico do portal Comprasnet?
https://www.conjur.com.br/2007-fev-22/intencao_recurso_respeitada_pregao 2/4
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Não é demais lembrar que, no meio disso tudo, também é direito subjetivo
próprio de cada licitante a fiel observância do procedimento legalmente
estabelecido para o procedimento licitatório (conforme o artigo 7º do Decreto
5.450/05, o artigo 6º do Anexo I do Decreto 3.555/00 e o artigo 4º da Lei
8.666/93).

E nesse direito subjetivo se inclui o direito de ter respeitado o mecanismo


próprio para a interposição dos recursos administrativos, não se admitindo que
obstáculos indevidos sejam criados pelo pregoeiro. Afinal de contas, da mesma
forma que ocorre no processo judicial, também no processo administrativo a
admissibilidade não se confunde com o mérito recursal.

Sob outra ótica, a Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no


âmbito da administração pública federal, estabelece em seu artigo 2º, incisos
VIII e X, que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os
critérios de “observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos
dos administrados” e “garantia dos direitos à interposição de recursos”.

Por fim, o artigo 3º da mesma lei determina que o administrado tem o direito
de “ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão
facilitar o exercício de seus direitos”, lembrando-se que esses são preceitos
aplicados subsidiariamente aos processos administrativos específicos (artigo
69 da lei). A esse propósito, entre os “específicos” (que possuem regras
próprias), se incluem os processos licitatórios.

Por essas razões, o direito à “manifestação da intenção” de recorrer é


inviolável para o licitante e, uma vez atendidos os requisitos formais, deve
haver a sua admissibilidade, sem opiniões antecipadas a respeito das matérias
de mérito.

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Jonas Lima sócio de Palomares Advogados, pós-graduado em Direito Público pelo IDP.
Especialista em licitações e contratos administrativos, é autor do livro A defesa da empresa na
licitação – Processos administrativos e judiciais.

Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2007, 16h47

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COMENTÁRIOS DE LEITORES
2 comentários

Caro Jonas. Discordo de alguns aspectos de seu ...

marcccio (Jornalista)
10 de agosto de 2007, 19h25

Caro Jonas. Discordo de alguns aspectos de seu posicionamento. O decreto e a lei do


Pegrão não prevêm o direito de recurso, mas o direito a manifestação de
interposição de recurso. Isso fica bem claro, quando se explicita que este recurso
deve ser motivado. Qual o sentido da lei em solicitar que ele seja motivado? Que o

https://www.conjur.com.br/2007-fev-22/intencao_recurso_respeitada_pregao 3/4
29/06/2020 ConJur - Intenção de recurso precisa ser respeitada no pregão

pregoeiro analise se a motivação é válida e deve ser discutida, recebendo o recurso,


e abrindo os prazos para juntada de memoriais. Se assim não o fosse, não teria
sentido pedir a motivação. Mais que isso, se a motivação não puder ser avaliada,
qualquer proponente, com intuito protelatório, manifestará a intenção de interpor
recurso, ferindo diretamente o princípio da celeridade, uma dos alicerces do pregão.
Enfim, esta falta 'sustância' em seu artigo.

Comentários encerrados em 02/03/2007.


A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.

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