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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas


HG 107 – Redação Filosófica I
Prof. Dra. Monique Hulshof

Fundamentação da Metafísica dos Costumes:


Contraposição de Comentadores – Método Analítico e
Sintético

Fernando Ricardo Lovato 093750

Campinas
2019
Lista de Figuras

Figura 1 – Método analítico e sintético segundo comentadores........................................5


Sumário

1. Introdução....................................................................................................................4
2. Contraposição entre os comentadores...........................................................................4
3. Conclusão................................................................................................................6
4. Referências...................................................................................................................6
1. Introdução

No presente trabalho, fizemos a contraposição de dois comentadores1 do


livro Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant. Sendo que, o
objeto de contraposição entre os autores foram: o método analítico e o sintético, que
Kant utilizou como metodologia na Fundamentação da Metafísica dos Costumes.
Fez-se necessário expor, o que o próprio Kant escreveu acerca da
metodologia na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, antes de irmos aos
comentadores da obra. Kant foi bem sucinto na descrição de sua metodologia no livro,
tal que toda a explicação sobre, está em apenas um parágrafo do prefácio.

O método que adotei neste escrito é o que creio mais conveniente, uma vez
que se queria percorrer o caminho analiticamente do conhecimento vulgar
para a determinação do princípio supremo desse conhecimento, e em seguida
e, em sentido inverso, sinteticamente, do exame deste princípio e das suas
fontes para o conhecimento vulgar onde se encontra a sua aplicação. (KANT,
2007, p.19).

A citação acima pode levar o leitor a mais dúvidas do que esclarecimentos


acerca da metodologia, pois o que é analiticamente e sinteticamente não é explicado.
Segundo Berlo (1991), a não explicitação de conceitos chaves pode comprometer o
entendimento do interlocutor, pois a mensagem carece de informações. Kant,
infelizmente, parte da premissa que o leitor já está familiarizado com uma série de
outras obras suas; fazendo-se assim desnecessário explicar o método nesse trecho. As
informações necessárias sobre os métodos, analítico e sintético, estão em a Crítica da
Razão Pura (1781) e a Prolegômenos a toda a Metafísica Futura (1783).

2. Contraposição entre os comentadores.

Os comentadores escolhidos possuem pontos de convergência e divergência,


sobre a metodologia utilizada por Kant na Fundamentação da Metafísica dos Costumes.
As convergências entre eles são maiores do que as divergências. Podemos
apontar as seguintes convergências:

1
Os comentadores escolhidos foram: Guido Almeida e Henry Allison. Sendo que, as obras analisadas
desses comentadores foram, respectivamente, Introdução à Fundamentação Metafísica dos Costumes e
Kant’s Groundwork for the Metaphysics of Morals. A Commentary.
Ambos recorrem a outras obras do autor para explicar o que são os métodos
analítico e sintético, o que coaduna com nossa própria compreensão sobre a
metodologia.
O trecho de Kant a seguir é utilizado em ambos os comentadores, para
definir o que é o método analítico: “[...] o método analítico é caracterizado como aquele
no qual partimos do que é procurado como se fosse dado e ascendemos às condições
unicamente sob as quais o procurado é possível” (KANT, 1982, p.26). A partir dele e
aplicando a Fundamentação da Metafísica dos Costumes, eles concordam que no
método analítico, Kant parte ou tem como origem o conhecimento vulgar (popularmente
conhecido como senso comum) e vai indo na direção do princípio supremo (lei moral
universal e necessária).
O método sintético, conhecido também como progressivo, ocorre
novamente uma convergência entre os comentadores, eles o interpretam como um
processo similar ao método analítico, porém com a origem e destinos invertidos. No
caso da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, a origem seria o princípio
supremo (lei moral universal e necessária) em direção ao conhecimento vulgar (senso
comum). A figura abaixo faz um resumo didático dos métodos aplicados à obra.

Figura 1 – Método analítico e sintético segundo comentadores

Fonte: Concepção própria

Em relação às divergências entre os comentadores Almeida e Alisson,


podemos citar o fato de ambos legitimarem suas explicações sobre os métodos da
Fundamentação da Metafísica dos Costumes, por trechos diferentes das outras obras do
autor2. Outra divergência ocorre na explicação dos conceitos em si, pois os
comentadores usam expressões ou sinônimos que podem dar diferenças de significado

2
As obras são as mesmas citadas na introdução: Crítica à razão pura e Prolegômenos a toda a metafísica
futura.
ao conceito em si, como por exemplo, a expressão utilizada comumente pelo
comentador Almeida “ascender regressivamente”. Entretanto, tal fato pode ser
explicado pela questão linguística, já que Almeida escreve em Português e Alisson em
Inglês. Além de não ser informado em qual língua, os comentadores tiveram acesso a
obra de Kant no momento da escrita dos comentários. Sendo que, as pequenas
diferenças conceituais podem ser provenientes de traduções distintas do original.

3. Conclusão

Infelizmente, o próprio Kant não define os métodos analítico e sintético na


Fundamentação da Metafísica dos Costumes, e nem faz referências onde podemos
achar as definições ou a validade de tais métodos. O que leva ao leitor iniciante a um
trabalho de investigação não eficiente, pois terá que analisar as obras anteriores do autor
uma a uma ou comentários de terceiros sobre a questão. Isso também contradiz uma das
definições mais tradicionais de filosofia, como aponta Goldschmidt (1963), que uma
obra filosófica deve ser independente em relação às outras, ou se houver alguma relação
deve ser apontada/exposta. Mesmo com a falta de referências explicitas sobre a
metodologia na Fundamentação da Metafísica dos Costumes; nós acreditamos termos
exposto de uma maneira satisfatória, o que os comentadores interpretam ser o método
analítico e o sintético; além de sua aplicação à obra.
2. Referências

ALLISON, Henry. Kant’s Groundwork for the Metaphysics of Morals. A


Commentary. Oxford: Oxford University Press, 2011.

ALMEIDA, Guido. Introdução à Fundamentação da Metafísica dos Costumes.


Barcarola: Discurso, 2009

BERLO, David Kenneth. O processo de comunicação: Introdução à teoria e prática.


[S. l.]: Martins Fontes, 1991.

GOLDSCHMIDT, Victor. Tempo histórico e tempo lógico na interpretação dos


sistemas filosóficos: A religião de Platão. São Paulo: Difusão Europeia do Livro,
1963.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. 4. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições70,


2007.

KANT, Immanuel. Prolegômenos a toda a metafísica futura. Lisboa: Edições 70,


1982.