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Sandra Mara Dobjenski

XXXI EXAME DA OAB


DIREITO PENAL
61. Inconformado por estar desempregado, Lúcio resolve se embriagar. Quando se
encontrava no interior do coletivo retornando para casa, ele verifica que o
passageiro sentado à sua frente estava dormindo, e o telefone celular deste estava
solto em seu bolso. Aproveitando-se da situação, Lúcio subtrai o aparelho sem ser
notado pelo lesado, que continuava dormindo profundamente. Ao tentar sair do
coletivo, Lúcio foi interpelado por outro passageiro, que assistiu ao ocorrido,
iniciando-se uma grande confusão, que fez com que o lesado acordasse e
verificasse que seu aparelho fora subtraído.
Após denúncia pelo crime de furto qualificado pela destreza e regular
processamento do feito, Lúcio foi condenado nos termos da denúncia, sendo, ainda,
aplicada a agravante da embriaguez preordenada, já que Lúcio teria se embriagado
dolosamente.
Considerando apenas as informações expostas e que os fatos foram confirmados,
o(a) advogado(a) de Lúcio, no momento da apresentação de recurso de apelação,
poderá requerer
A o reconhecimento de causa de diminuição de pena diante da redução da
capacidade em razão da sua embriaguez, mas não o afastamento da qualificadora
da destreza.
B a desclassificação para o crime de furto simples, mas não o afastamento da
agravante da embriaguez preordenada.
C a desclassificação para o crime de furto simples e o afastamento da
agravante, não devendo a embriaguez do autor do fato interferir na tipificação
da conduta ou na dosimetria da pena.
D a absolvição, diante da ausência de culpabilidade, em razão da embriaguez
completa.
FUNDAMENTAÇÃO: FURTO SÓ POSSUI 01 TIPO DE AUMENTO DE PENA - SE
É PRATICADO EM REPOUSO NOTURNO.
Há que se diferenciar a embriaguez pré-ordenada da embriaguez voluntária. A
agravante da embriaguez pré-ordenada exige que o agente se embriague com
a finalidade de cometer o crime, a embriaguez funciona como uma forma de
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criar coragem para a prática do crime. Já a embriaguez voluntária (dolosa ou


culposa) é a cometida por Lúcio e não tem reflexos na pena, por ela, o agente
faz uso de bebida alcoólica, de forma consciente, querendo se embriagar, ou
não, mas, culposamente, acaba exagerando e fica embriagado, todavia, não o
faz com a finalidade de cometer o crime. Lúcio se embriagou por estar
desempregado. Já a prática do furto foi na modalidade simples, pois, não exige
nenhuma destreza subtrair o celular da pessoa que estava dormindo.
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
Embriaguez
§ 2o - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao
tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
A embriaguez pré-ordenada é aquela que o agente já bebe antes com o intuito
de cometer o crime, a doutrina diz para dar coragem para cometer o crime.
Nesse caso, ele não bebeu com essa intenção, a questão fala que ele bebeu
para afogar as mágoas do desemprego. Portanto, não podemos falar na
qualificadora de embriaguez pré-ordenada.
62. Yuri foi denunciado pela suposta prática de crime de estupro qualificado em
razão da idade da vítima, porque teria praticado conjunção carnal contra a vontade
de Luana, de 15 anos, mediante emprego de grave ameaça. No curso da instrução,
Luana mudou sua versão e afirmou que, na realidade, havia consentido na prática
do ato sexual, sendo a informação confirmada por Yuri em seu interrogatório.
Considerando apenas as informações expostas, no momento de apresentar
alegações finais, a defesa técnica de Yuri deverá pugnar por sua absolvição, sob o
fundamento de que o consentimento da suposta ofendida, na hipótese, funciona
como:
A causa supralegal de exclusão da ilicitude.
B causa legal de exclusão da ilicitude.
C fundamento para reconhecimento da atipicidade da conduta.
D causa supralegal de exclusão da culpabilidade.
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.FUNDAMENTAÇÃO: causa supralegal de exclusão da ilicitude. No entanto,


para que o consentimento tenha essa natureza é necessário que o
dissentimento não integre o tipo penal, pois, do contrário, a exclusão recai na
tipicidade.
CAUSA SUPRALEGAL- Pois o titular do bem jurídico disponível, autoriza
previamente a lesão do bem. (NÃO CABE PARA A VIDA)
EXCLUDENTE DE ILICITUDE- Não há crime quando o agente pratica o fato.
A coação ou cumprimento de ordem hierárquica superior como excludente
de culpabilidade está prevista no artigo 22 do Código Penal.
...
 Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto.
 Menoridade penal.
 Coação ou ordem hierárquica superior.
 Embriaguez involuntária.
 Não conhecimento do ato ilícito.
Art. 23, CP. São elementos da Excludente de Ilicitude: I - Estado de
Necessidade; II - Legítima Defesa; II - Estrito cumprimento do dever legal.
O consentimento da vítima é uma elementar do tipo penal?
Se a resposta for sim, exclui o fato típico.
Se a resposta for não, exclui a ilicitude.
Quer um exemplo?
Se A autoriza que B quebre o vidro do seu veículo tal consentimento afastará a
ilicitude, visto que o consentimento do ofendido no crime de dano não é
elementar.
Em caso de consentimento de maior de 14, não há falar em estupro, pois aqui
há a vulnerabilidade relativa.
Conduta atípica, haja vista que pessoas maiores de 14 anos de idade, de livre e
espontânea vontade, podem praticar conjunção carnal ou atos libidinosos
diversos da conjunção carnal.
63. André, nascido em 21/11/2001, adquiriu de Francisco, em 18/11/2019, grande
quantidade de droga, com o fim de vendê-la aos convidados de seu aniversário, que
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seria celebrado em 24/11/2019. Imediatamente após a compra, guardou a droga no


armário de seu quarto.
Em 23/11/2019, a partir de uma denúncia anônima e munidos do respectivo
mandado de busca e apreensão deferido judicialmente, policiais compareceram à
residência de André, onde encontraram e apreenderam a droga que era por ele
armazenada. De imediato, a mãe de André entrou em contato com o advogado da
família.
Considerando apenas as informações expostas, na Delegacia, o advogado de André
deverá esclarecer à família que André, penalmente, será considerado
A inimputável, devendo responder apenas por ato infracional análogo ao delito de
tráfico, em razão de sua menoridade quando da aquisição da droga, com base na
Teoria da Atividade adotada pelo Código Penal para definir o momento do crime.
B inimputável, devendo responder apenas por ato infracional análogo ao delito de
tráfico, tendo em vista que o Código Penal adota a Teoria da Ubiquidade para definir
o momento do crime.
C imputável, podendo responder pelo delito de tráfico de drogas, mesmo
adotando o Código Penal a Teoria da Atividade para definir o momento do
crime.
D imputável, podendo responder pelo delito de associação para o tráfico, que tem
natureza permanente, tendo em vista que o Código Penal adota a Teoria do
Resultado para definir o momento do crime.
.FUNDAMENTAÇÃO: Art. 33 da Lei 11.343/04 "Importar, exportar, remeter,
preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em
depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a
consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5
(cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e
quinhentos) dias-multa".
André adquiriu a droga no 18/11/2019, com a finalidade de comercializar
no 24/11/2019.
André nasceu no dia 21/11/2001, e completou 18 anos no dia 21/11/2001.
André foi preso no dia Em 23/11/2019.
Sandra Mara Dobjenski

Quais são os verbos no tipo praticados por André?


Aquirir (práticado no dia 18/11/2019) e ter em deposito (guardou a droga no
armário de seu quarto).
Art. 33 da Lei 11.343/04 "Importar, exportar, remeter, preparar, produzir,
fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar,
trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze)
anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa".
O art. 33, caput, da Lei de Drogas é um tipo misto alternativo (crime de ação
múltipla ou crime de conteúdo variado), que é aquele que contém vários
núcleos e caso o agente pratique dois ou mais deles, contra o mesmo objeto
material, estará caracterizado um único delito.
Apesar de André ter aquirido a droga quando ainda era menor 18/11/2019, ele
deve responder por ter guardado da droga (ter em deposito) com a finalidade
de traficar o ter em depósito é crime permanente (cuja conduta se prolonga no
tempo).
Só lembrar de "LUTA"
LUGAR = UBIQUIDADE
TEMPO = ATIVIDADE
DIREITO PROCESSUAL PENAL
64. Ricardo foi pronunciado pela suposta prática do crime de homicídio qualificado.
No dia anterior à sessão plenária do Tribunal do Júri, o defensor público que assistia
Ricardo até aquele momento acostou ao processo a folha de antecedentes criminais
da vítima, matérias jornalísticas e fotografias que poderiam ser favoráveis à defesa
do acusado. O Ministério Público, em sessão plenária, foi surpreendido por aquele
material do qual não tinha tido ciência, mas o juiz presidente manteve o julgamento
para a data agendada e, após o defensor público mencionar a documentação
acostada, Ricardo foi absolvido pelos jurados, em 23/10/2018 (terça-feira).
No dia 29/10/2018, o Ministério Público apresentou recurso de apelação,
acompanhado das razões recursais, requerendo a realização de novo júri, pois a
decisão dos jurados havia sido manifestamente contrária à prova dos autos.
Sandra Mara Dobjenski

O Tribunal de Justiça conheceu do recurso interposto e anulou o julgamento


realizado, determinando nova sessão plenária, sob o fundamento de que a defesa
se utilizou em plenário de documentos acostados fora do prazo permitido pela lei. A
família de Ricardo procura você, como advogado(a), para patrocinar os interesses
do réu.
Considerando as informações narradas, você, como advogado(a) de Ricardo,
deverá questionar a decisão do Tribunal, sob o fundamento de que
A respeitando-se o princípio da amplitude de defesa, não existe vedação legal na
juntada e utilização em plenário de documentação pela defesa no prazo
mencionado.
B diante da nulidade reconhecida, caberia ao Tribunal de Justiça realizar,
diretamente, novo julgamento, e não submeter o réu a novo julgamento pelo Tribunal
do Júri.
C não poderia o Tribunal anular o julgamento com base em nulidade não
arguida, mas tão só reconhecer, se fosse o caso, que a decisão dos jurados
era manifestamente contrária à prova dos autos.
D o recurso foi apresentado de maneira intempestiva, de modo que sequer deveria
ter sido conhecido.
FUNDAMENTAÇÃO: Lembrar que não basta a mera juntada com antecedência
de 03 dias, sendo necessário também que a ciência da parte contrária em
relação ao documento juntado respeito a antecedência de 03 dias:
STJ, AgRg no REsp 1.674.190, Rel. Min Nefi Cordeiro, 6ª Turma, j. 13.10.2020: É
firme o entendimento desta Corte Superior de que o prazo de três dias úteis, a
que se refere o art. 479 do Código de Processo Penal, sobre a leitura de
documento ou objeto a ser exibido perante o julgamento no Tribunal do
Júri, refere-se tanto à juntada, quanto à ciência da parte contrária.
Se a acusação não arguiu durante o processo a nulidade não cabe ao tribunal
em grau de recurso apreciar matéria nova não discutida em primeira
instancia, muito menos de oficio.
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Sumula 160 do STF - "É nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o
réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de
recurso de ofício."
Art. 479 CPP. Durante o julgamento não será permitida a leitura de documento
ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos autos com a
antecedência mínima de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte.
Parágrafo único. Compreende-se na proibição deste artigo a leitura de jornais
ou qualquer outro escrito, bem como a exibição de vídeos, gravações,
fotografias, laudos, quadros, croqui ou qualquer outro meio assemelhado, cujo
conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à apreciação e julgamento
dos jurados.
65. Mariana foi vítima de um crime de apropriação indébita consumado, que teria
sido praticado por Paloma.
Ao tomar conhecimento de que Paloma teria sido denunciada pelo crime
mencionado, inclusive sendo apresentado pelo Ministério Público o valor do prejuízo
sofrido pela vítima e o requerimento de reparação do dano, Mariana passou a
acompanhar o andamento processual, sem, porém, habilitar-se como assistente de
acusação.
No momento em que constatou que os autos estariam conclusos para sentença,
Mariana procurou seu advogado para adoção das medidas cabíveis, esclarecendo o
temor de ver a ré absolvida e não ter seu prejuízo reparado.
O advogado de Mariana deverá informar à sua cliente que
A não poderá ser fixado pelo juiz valor mínimo a título de indenização, mas, em caso
de sentença condenatória, poderá esta ser executada, por meio de ação civil ex
delicto, por Mariana ou seu representante legal.
B poderá ser apresentado recurso de apelação, diante de eventual sentença
absolutória e omissão do Ministério Público, por parte de Mariana, por meio de
seu patrono, ainda que não esteja, no momento da sentença, habilitada como
assistente de acusação.
C poderá ser fixado pelo juiz valor a título de indenização em caso de sentença
condenatória, não podendo a ofendida, porém, nesta hipótese, buscar a apuração
do dano efetivamente sofrido perante o juízo cível.
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D não poderá ser buscada reparação cível diante de eventual sentença absolutória,
com trânsito em julgado, que reconheça não existir prova suficiente para
condenação.
FUNDAMENTAÇÃO: Art. 63 do CPP: Transitada em julgado a sentença condenatória,
poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano,
o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução
poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do sem prejuízo da
liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido.
Art. 598. Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do juiz
singular, se da sentença não for interposta apelação pelo Ministério Público no
prazo legal, o ofendido ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 31, ainda
que não se tenha habilitado como assistente, poderá interpor apelação, que
não terá, porém, efeito suspensivo.
Parágrafo único. O prazo para interposição desse recurso será de quinze dias
e correrá do dia em que terminar o do Ministério Público.
É o que a doutrina chama de apelação por apelo oficial ou chamada também de
apelação supletiva, que é aquela interposta diante da inércia do Ministério
Público. (essa ideia é igual a ação penal subsidiária da pública)
Diante da inércia do MP pode ocorrer em alguns hipóteses de cabimento, o
RESE também se interposto dessa forma (diante da inércia)
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por
decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará
ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
66. Durante escuta telefônica devidamente deferida para investigar organização
criminosa destinada ao contrabando de armas, policiais obtiveram a informação de
que Marcelo receberia, naquele dia, grande quantidade de armamento, que seria
depois repassada a Daniel, chefe de sua facção.
Diante dessa informação, os policiais se dirigiram até o local combinado. Após
informarem o fato à autoridade policial, que o comunicou ao juízo competente, eles
acompanharam o recebimento do armamento por Marcelo, optando por não o
prender naquele momento, pois aguardariam que ele se encontrasse com o chefe da
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sua organização para, então, prendê-los. De posse do armamento, Marcelo se


dirigiu ao encontro de Daniel e lhe repassou as armas contrabandeadas, quando,
então, ambos foram surpreendidos e presos em flagrante pelos policiais que
monitoravam a operação.
Encaminhados para a Delegacia, os presos entraram em contato com um advogado
para esclarecimentos sobre a validade das prisões ocorridas.
Com base nos fatos acima narrados, o advogado deverá esclarecer aos seus
clientes que a prisão em flagrante efetuada pelos policiais foi
A ilegal, por se tratar de flagrante esperado.
B legal, restando configurado o flagrante preparado.
C legal, tratando-se de flagrante retardado.
D ilegal, pois a conduta dos policiais dependeria de prévia autorização judicial.
FUNDAMENTAÇÃO: Flagrante esperado: a autoridade policial, sabendo que
um crime poderá ocorrer em determinado local, em determinada hora, para lá
se dirige e, quando realmente a infração se perfaz, efetua a prisão, que é legal.
Flagrante preparado: é ilegal, pois há provocação do agente da autoridade
policial para que o imputado cometa o crime.
Lei de Drogas :
Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos
nesta Lei, são permitidos, além dos previstos em lei, mediante autorização
judicial e ouvido o Ministério Público, os seguintes procedimentos
investigatórios:
(...)
II - a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores
químicos ou outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem
no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior
número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da
ação penal cabível.
Na Lei 11.343 (drogas) – deve ter autorização judicial + demonstrar saber toda
a rotina da facção criminosa + Manifestação do MP.
Na Lei 12.850 (organização criminosa) – não precisa ter autorização judicial,
precisa ter somente a comunicação judicial e ministerial.
Sandra Mara Dobjenski

Na Lei 9.613/98 (lavagem de capitais) - também prevê o instituto da ação


controlada devendo haver prévia manifestação do MP.
Não se pode, ainda, confundir o flagrante postergado (caso da questão) com o
flagrante preparado ou provocado, que são provas ilícitas:
Súmula 145/STF:
“não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível
a sua consumação”
67. O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Tiago e Talles, imputando-
lhes a prática do crime de sequestro qualificado, arrolando como testemunhas de
acusação a vítima, pessoas que presenciaram o fato, os policiais responsáveis pela
prisão em flagrante, além da esposa do acusado Tiago, que teria conhecimento
sobre o ocorrido.
Na audiência de instrução e julgamento, por ter sido arrolada como testemunha de
acusação, Rosa, esposa de Tiago, compareceu, mas demonstrou que não tinha
interesse em prestar declarações. O Ministério Público insistiu na sua oitiva, mesmo
com outras testemunhas tendo conhecimento sobre os fatos. Temendo pelas
consequências, já que foi prestado o compromisso de dizer a verdade perante o
magistrado, Rosa disse o que tinha conhecimento, mesmo contra sua vontade, o
que veio a prejudicar seu marido. Por ocasião dos interrogatórios, Tiago, que seria
interrogado por último, foi retirado da sala de audiência enquanto o corréu prestava
suas declarações, apesar de seu advogado ter participado do ato.
Com base nas previsões do Código de Processo Penal, considerando apenas as
informações narradas, Tiago
A não teria direito de anular a instrução probatória com fundamento na sua ausência
durante o interrogatório de Talles e nem na oitiva de Rosa na condição de
testemunha, já que devidamente arrolada pelo Ministério Público.
B teria direito de anular a instrução probatória com fundamento na ausência de
Tiago no interrogatório de Talles e na oitiva de Rosa na condição de testemunha.
C não teria direito de anular a instrução probatória com base na sua ausência
no interrogatório de Talles, mas deveria questionar a oitiva de Rosa como
testemunha, já que ela poderia se recusar a prestar declarações.
Sandra Mara Dobjenski

D não teria direito de anular a instrução probatória com base na sua ausência no
interrogatório de Talles, mas deveria questionar a oitiva de Rosa como testemunha,
pois, em que pese seja obrigada a prestar declarações, deveria ser ouvida na
condição de informante, sem compromisso legal de dizer a verdade.
FUNDAMENTAÇÃO : CPP
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203(promessa de
dizer a verdade) aos doentes e deficientes mentais e aos menores de 14
(quatorze) anos, nem às pessoas a que se refere o art. 206(CADI).
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão,
entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha
reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho
adotivo do acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se
ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.
Portanto, fica nítido que o cônjuge não tem obrigação de dizer a verdade, bem
como pode recursar-se a prestar tal depoimento, pois havia outro modo de
obter-se a prova do fato.
68. Durante longa investigação, o Ministério Público identificou que determinado
senador seria autor de um crime de concussão no exercício do mandato, que teria
sido praticado após sua diplomação. Com o indiciamento, o senador foi intimado a,
se fosse de sua vontade, prestar esclarecimentos sobre os fatos no procedimento
investigatório. Preocupado com as consequências, o senador procurou seu
advogado para esclarecimentos.
Considerando apenas as informações narradas e com base nas previsões
constitucionais, o advogado deverá esclarecer que
A o Ministério Público não poderá oferecer denúncia em face do senador sem
autorização da Casa Legislativa, pois a Constituição prevê imunidade de natureza
formal aos parlamentares.
B a denúncia poderá ser oferecida e recebida, assim como a ação penal ter regular
prosseguimento, independentemente de autorização da Casa Legislativa, que não
poderá determinar a suspensão do processo, considerando que o crime imputado é
comum, e não de responsabilidade.
Sandra Mara Dobjenski

C a denúncia não poderá ser recebida pelo Poder Judiciário sem autorização da
Casa Legislativa, em razão da imunidade material prevista na Constituição, apesar
de poder ser oferecida pelo Ministério Público independentemente de tal
autorização.
D a denúncia poderá ser oferecida e recebida independentemente de
autorização parlamentar, mas deverá ser dada ciência à Casa Legislativa
respectiva, que poderá, seguidas as exigências, até a decisão final, sustar o
andamento da ação.
FUNDAMENTAÇÃO: Crime de concussão - É a atitude de uma pessoa que tem
ou vai assumir um cargo público, e utiliza esse cargo de alguma forma para
exigir, para si ou para outro, algum tipo de vantagem indevida. O crime de
concussão se parece muito com o crime de Corrupção Passiva, tema já tratado
aqui no direito fácil.
MUNIDADE MATERIAL
Art. 53, § 3º da CF.
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por
quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001) IMUNIDADE MATERIAL
IMUNIDADE FORMAL
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido
após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa
respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto
da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento
da ação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
Sustação do processo: Suspende o prazo de prescrição do crime ou
delito, enquanto durar o mandato do parlamentar. O pedido de sustação
processual será apreciado pela respectiva Casa Legislativa, dentro do prazo de
45 dias a contar de seu recebimento pela Mesa Diretora.
Caso haja coautor ou partícipe, a Súmula 245 do STF diz que a "imunidade
parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa." Nesse caso, os
autos e documentos daqueles sem foro especial serão encaminhados para a
Justiça Comum.
Sandra Mara Dobjenski

69. Caio foi denunciado pela suposta prática do crime de estupro de vulnerável.
Ocorre que, apesar da capitulação delitiva, a denúncia apresentava-se confusa na
narrativa dos fatos, inclusive não sendo indicada qual seria a idade da vítima. Logo
após a citação, Caio procurou seu advogado para esclarecimentos, destacando a
dificuldade na compreensão dos fatos imputados.
O advogado de Caio, constatando que a denúncia estava inepta, deve esclarecer ao
cliente que, sob o ponto de vista técnico, com esse fundamento poderia buscar
A a rejeição da denúncia, podendo o Ministério Público apresentar recurso em
sentido estrito em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, ou
oferecer, posteriormente, nova denúncia.
B sua absolvição sumária, podendo o Ministério Público apresentar recurso de
apelação em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, ou oferecer,
posteriormente, nova denúncia.
C sua absolvição sumária, podendo o Ministério Público apresentar recurso em
sentido estrito em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, mas, transitada
em julgado a decisão, não poderá ser oferecida nova denúncia com base nos
mesmos fatos.
D a rejeição da denúncia, podendo o Ministério Público apresentar recurso de
apelação em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, mas, uma vez
transitada em julgado a decisão, não caberá oferecimento de nova denúncia.
FUNDAMENTAÇÃO: Após a apresentação da resposta do réu o juiz poderá:
1- Absolver sumariamente;
2- Reconhecer algum vicio na ação penal, extinguindo o processo;
3- Dar sequencia ao processo designando data para audiência de instrução e
julgamento.
O Juiz, após a apresentação da resposta à acusação procede a um novo juízo
de admissibilidade da acusação, podendo rejeitar a denúncia ou queixa
também neste momento. TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Op.
Cit., p. 1073
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:
I - for manifestamente inepta
Sandra Mara Dobjenski

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou


sentença:
I - que não receber a denúncia ou a queixa;
1) REJEIÇÃO DA DENÚNCIA/QUEIXA:
– Art. 395 CPP. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:
I - for manifestamente INEPTA;
II - FALTAR pressuposto processual ou condição para o EXERCÍCIO da AÇÃO
PENAL; ou
III - faltar JUSTA CAUSA para o exercício da ação penal.
– 2) ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA:
Art. 397 CPP. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, O
JUIZ DEVERÁ ABSOLVER SUMARIAMENTE O ACUSADO QUANDO
VERIFICAR:
I - a existência manifesta de CAUSA EXCLUDENTE DE ILICITUDE DO FATO;
II - a existência manifesta de CAUSA EXCLUDENTE DA CULPABILIDADE DO
AGENTE, SALVO INIMPUTABILIDADE;
III - que o fato narrado evidentemente NÃO CONSTITUI CRIME; ou
IV - EXTINTA A PUNIBILIDADE DO AGENTE.
– 3) IMPRONÚNCIA:
Art. 414 CPP. NÃO se convencendo da MATERIALIDADE DO FATO ou
da existência de INDÍCIOS SUFICIENTES de AUTORIA ou de PARTICIPAÇÃO,
devendo o Juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e
especificar as circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena.
DIREITO DO TRABALHO
70. Gervásia é empregada na Lanchonete Pará desde fevereiro de 2018, exercendo
a função de atendente e recebendo o valor correspondente a um salário mínimo por
mês.
Acerca da cláusula compromissória de arbitragem que o empregador pretende
inserir no contrato da empregada, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa
correta.
A A inserção não é possível, porque, no Direito do Trabalho, não cabe arbitragem
em lides individuais.
Sandra Mara Dobjenski

B A cláusula compromissória de arbitragem não poderá ser inserida no


contrato citado, em razão do salário recebido pela empregada.
C Não há mais óbice à inserção de cláusula compromissória de arbitragem nos
contratos de trabalho, inclusive no de Gervásia.
D A cláusula de arbitragem pode ser inserida em todos os contratos de trabalho,
sendo admitida de forma expressa ou tácita.
FUNDAMENTAÇÃO: É VÁLIDO NO DIREITO DO TRABALHO A
CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA DE ARBITRAGEM
LEMBRE-SE C R I C
 CONTRATOS INDIVIDUAIS
 REMUNERAÇÃO SUPERIOR A 2x o LIMITE MÁXIMO estabelecido para
os benefícios do RGPS;
 INICIATIVA DO EMPREGADO OU SUA
 CONCORDÂNCIA EXPRESSA
Art. 507-A CLT. Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja
superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do
Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula
compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou
mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei n 9.307,
de 23 de setembro de 1996.

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