Você está na página 1de 12

CULTO AOS MORTOS

TEOLOGIA DA CELEBRAÇÃO DOS SANTOS

E CULTO AOS MORTOS

A santidade habita nossa vida como um dom divino. Deus é o santo verdadeiro e único,
fonte inesgotável de todo bem e nenhum em, nenhuma virtude e nenhuma graça subsiste
sem Ele. Em todos os séculos, os cristãos buscaram seguir modelos de santidade entre
os fiéis e confiaram a eles suas preces e suas súplicas em suas necessidades.

****

- SANTIDADE ABSOLUTA DE DEUS

Cristo Senhor é o centro de nossa fé. Por Ele, louvamos o Pai,na luz do Espírito Santo.
Todos os ciclos e festividades do Ano Litúrgico servem para celebrar o mistério pascal
de Jesus Cristo. Neste itinerário celebrativo, a Igreja faz memória dos membros
gloriosos do corpo místico de Cristo que, como discipulado fiel de Cristo, participa da
glória divina.
SANTOS EM COMUNHÃO

A comunhão dos santos professada no Credo Apostólico inclui a intercessão,


orações, súplicas e sacrifícios mútuos dos cristãos, gerando uma corrente de fé que
une o céu e a terra, os fiéis falecidos e os fiéis peregrinos nestes mundo.
A diferença entre o cristão e outra pessoa, como por exemplo um filósofo, é a fé.
Enquanto o filósofo “olha”/compreende o mundo a luz da razão, o cristão
“olhar”/compreende à luz da revelação, que Deus decidiu mostrar ao ser humano.

*****

ASPECTOS DO CULTO AOS SANTOS

O culto aos santos, bem como nossas celebrações aos mortos, é uma expressão de nossa
fé na ressurreição. Somente cultuamos os santos, por acreditarmos que eles estão vivos
no Senhor e que o Senhor ressuscitado os acolhe em sua morada eterna.
1- AÇÃO DE GRAÇAS A DEUS, ADMIRÁVEL NOS SEUS SANTOS:Todo louvor
cristão é elevado a Deus, que realiza maravilhas em Cristo Senhor. Mas “em Cristo, por
Cristo e no Cristo”,Deus realiza maravilhas nos membros do seu Corpo Místico, unido a
Ele, pela ação do Espírito Santo. Todo culto memorial da comunidade cristã, que é a
louvação, a gratidão e a súplica, são para Deus.
2 – EXEMPLOS E MODELOS DE VIDA: quando celebram os santos, vemos neles
exemplos a serem imitados. Os santos procuraram ser fiéis aos ensinamentos de Cristo e
podem servir de inspiração para todos os fiéis. A Igreja analisa e aprova alguns
modelos, como exemplos confiáveis do seguimento de Cristo.
3 – INTERCESSORES DOS FIÉIS: A comunidade orante, na vida sacramental, nas
ações litúrgicas e nos exercícios de piedade, faz memória das grandes graças divinas
realizadas nos seus santos. Estas graças são atualizadas e se tornam presentes nos
mistérios de nossa fé, celebrados nos rituais litúrgicos.

****

DIMENSÕES DA SANTIDADE

A santidade dos fiéis, particularmente aqueles que são considerados “modelos de vida e
intercessores” pela Igreja, congrega algumas dimensões importantes, que destacamos:
Dimensão teológica: Toda santidade pertence a Deus e tem nele sua fonte e sua força
vital. Os santos são fiéis que participaram e cultivaram em suas vidas esta grande graça.
Eles imergiram na intimidade divina, convidiram seus desígnios e integram-se como
pedras vivas no seu Reino.

Dimensão cristológica: Os santos são servidores e seguidores do Filho de Deus. Deus


se alegra nos seus santos, pois eles refletem a imagem luminosa de seu Filho, como a
luz reflete a luminosidade do sol.

Dimensão eclesiológica:
Cremos na comunhão dos santos. Absolutamente, esta comunhão se dá em Cristo. Ao
recordarmos nossos fiéis falecidos e no culto eclesial aos santos amparamo-nos nesta
comunhão, propiciada pelo Senhor Jesus.
Dimensão antropológica:
Bem sabemos que temos um único Mediador (1Tm 2, 5), modelo perfeito e intercessor
absoluto. No entanto, na própria dimensão humana da religiosidade, buscamos nos
modelos familiares o exemplo e a intercessão em nossa caminhada.
Dimensão escatológica:
Entrar em unidade espiritual com Cristo, nos coloca em comunhão espiritual com seus
santos, que habitam sua glória. Nós participamos do destino dos santos e, animados por
sua presença estimulante, caminhamos com coragem na conquista da coroa imperecível
da glória, com Jesus.

****
CULTO DOS MÁRTIRES NAS ORIGENS

O culto dos santos vai surgindo de forma espontânea, assim como muitos cultos e rituais
na Igreja, que vive a fé no Cristo morto e ressuscitado e determina ritos para celebrar os
seus acontecimentos mais profundos. A veneração pelos entes queridos significa
atenção e cuidados por suas lembranças e uma forma de reavivar suas lembranças no
seio da comunidade.

A TRADIÇÃO DE CULTUAR OS MORTOS


O culto dos mártires está na trincheira espiritual e cultural do culto dos mortos e os fiéis
cristãos seguiram os costumes milenares das culturas locais, especialmente conservando
as tradições e costumes do universo greco-romano, mesmo que renovando a partir da
própria espiritualidade herdada de Jesus de Nazaré.
Naquele período não era praticada a incineração, mas a inumação, que era a prática de
colocar na terra, em grutas ou grandes valas os corpos dos defuntos. Preferia-se que a
natureza consumisse o corpo, mesmo evitando que fossem alimentos de animais. Os
corpos dos defuntos sendo consumidos pelos animais, como forma de alimento,
despertava a noção de profanação e desrespeito.

****
PRIMEIROS CULTOS MARTIRIAIS
Na alvorada do cristianismo, encontramos os primeiros indícios de culto aos mártires,
que está na gênese do culto aos santos no cristianismo. As práticas religiosas e rituais
dos cultos apresentam características próprias, que merecem ser destacadas:
No Oriente cristão:
Conhecemos o primeiro testemunho que é retratado no “Martírio de São Policarpo”.
(Policarpo foi discípulo de São João Apóstolo e de Santo Inácio de Antioquia. Foi bispo
na cidade de Esmirna. Narra a tradição que foi torturado e incendiado por Marcos
Aurélio, imperador, mas não foi ferido.

Podemos determinar algumas características próprios deste culto, o qual traz certa
estrutura ritual:

- recolhimento dos restos mortais, normalmente os ossos dos mártires. O ritual tem
relação imediata com o fiel e reporta sinais visíveis e pessoais;
- inumação num espaço sagrado da comunidade, criando os lugares sagrados de culto;
- reunião e orações no lugar sagrado, junto ao túmulo, no aniversário do martírio.
Estes primeiros traços nos mostram a importância dos mártires nas comunidades e o
engrandecimento de suas relíquias como símbolos da pessoa.

***
No Ocidente cristão:
O testemunho de São Cipriano, reportado em suas Cartas (nn. 12 e 13) refere-se a estas
práticas nos meados do século III. Semelhança ritual, encontramos em Roma quando
retrata o culto dos mártires do Imperador Valeriano (aproximadamente em 258). Temos
referência ao martírio do Papa Sixto II e quatro diáconos, entre eles, Lourenço. Alguns
costumes merecem ser ressaltados:
- reunião no aniversário, com a prática de uma celebração da Ceia do Senhor, como
integração do gesto do mártir com a entrega de Cristo na Cruz;
- sepultamento em lugares comuns, criando aos poucos o culto nas catacumbas.
Destacamos nestes testemunhos os mártires Calixto (222) e Hipólito (235), que são
inscritos no Calendário Romano (Cronógrafo de 364).

****
ESTRUTURA DO CULTO

Embora não tenham cultos definidos, os cristãos celebram cultos espontâneos, que
apresentam algumas características comuns.
a - Ceia de comunhão – era muito comum esta prática de uma ceia dos familiares
ao redor do túmulo do ente-querido falecido, normalmente nos 3., 9., e 30. dia do
passamento.

b – Monumentos da memória – para homenagear os falecidos, que gozavam de


grande estima e devoção dos fiéis, erguiam-se monumentos e edifícios, para
perpetuar a memória e servir de lugar de culto.

***
SENTIDO LITÚRGICO DO CULTO

Em todo Ano Litúrgico, a celebração dos santos deve exprimir a centralidade do


mistério pascal de Jesus Cristo, centro absoluto de toda celebração cristã.
Como os pagãos acusavam os cristãos de divinizarem as criaturas humanas, estes se
sentem provocados a traçar com maior precisão o sentido litúrgico do culto que se
prestavam aos grandes nomes dos seguidores de Jesus Cristo. Sobretudo, a
divindade de Jesus, Filho de Deus encarnado, os Padres da Igreja defendem com
segurança e clareza sua identidade.

***
CULTUAR OS MÁRTIRES, ADORAR A DEUS

Esta reflexão não pode prescindir da consideração formidável do Concílio Vaticano


II, no seu documento sobre a liturgia, no tocante a este tema. A Igreja nos ajuda a
entender que o culto dos santos é antes de tudo um culto a Deus: Deus mirabilis in
sanctis suis.
Por esta razão, “a Igreja inseriu também no ciclo anual a memória dos Mártires e
outros Santos, os quais, tendo pela graça multiforme de Deus atingido a perfeição e
alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e
intercedem por nós. Ao celebrar o «dies natalis» (dia da morte) dos Santos,
proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo,
propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo, e
implora pelos seus méritos as bênçãos de Deus” (Sacrosanctum Concilium, 104).

***
SANTOS CONFESSORES E PASTORES
Até o Concílio Vaticano II (1962 – 1965) todos os santos venerados na Igreja eram
divididos entre mártires e confessores e estes eram compreendidos como pontifícios
e bispos. Consideremos, no entanto, que o termo “confessores” passou por vários
sentidos no decorrer da história. De fato, como acenamos, são aqueles que sofreram
perseguições e tormentos por causa da fé que confessavam.
O culto dos mártires evolui para o culto dos confessores quando a Igreja, a partir do
século IV se une ao Império Romano e passa a ter liberdade de culto e é mesmo
privilegiada por algumas leis civis (Constantino instituiu o “ dia do sol” como festa
da ressurreição, um dia santificado, mas igualmente eliminou a pena de morte,
proibiu a execução sumária, a marca da ignomínia no rosto dos condenados e criou
leis para o matrimônio. Codex Justinianus, lib. 13 it. 12, par. 2)
***

Depois dos mártires, a Igreja define três grupos de santos;


a – confessores: são os fiéis que sofreram pela fé, mas não enfrentaram o martírio.
São santos como o Papa Ponciano, Papa Cornélio e Eusébio, que professaram a fé,
foram perseguidos e exilados.
b – Monges: homens que viveram na ascese de vida solitária e penitência, como se
vivessem o martírio sem sangue.Recordamos Santo Antônio Abade, São Marciano e
outros.
c – Bispos: geralmente monges consagrados como guias (epíscopos) das
comunidades, que viviam na austeridade e na simplicidade. Entre tantos, anotamos
São Gregório Taumaturgo, São Basílio de Cesaréia, Papa Silvestro e São Martinho
de Tours.

***
CULTO DOS CONFESSORES E BISPOS
Mais tarde, as Igrejas compõem elencos unificando todos os nomes de seus santos,
sejam mártires, confessores ou pastores.
Os santos confessores e pastores provam que a santidade está na imitação de Cristo,
pelo serviço à Igreja e sua defesa. Eles concretizam a figura do Bom Pastor, que
entrega sua vida pelo seu povo.
Todo culto dos santos nos recordam sua coragem e seu exemplo e nos garantem a
mediação por todos os fiéis vivos.

***
FORMAÇÃO DO CALENDÁRIO UNIVERSAL
Os calendários dos santos são locais, nos primeiros séculos da Igreja. Cada
patriarcado ou diocese organizava sua lista com os nomes de seus santos, que eram
recordados nas celebrações dentro do Ano Litúrgico.
A partir dos séculos V, os calendários locais acolhem nomes de mártires que se
tornaram populares e se tornaram conhecidos além das fronteiras de sua Igreja. Os
títulos dos mártires, como Cipriano e Perpétua e Felicidade, por exemplo, são
cultuados na Igreja de Roma. Toda região do Mediterrâneo assume o culto dos
mesmos santos, entre eles São Sixto, Santa Inês, Santa Ágata e São Lourenço.

***
CULTO DOS SANTOS NA IDADE MÉDIA
O culto foi se organizando na Idade Média. Com a separação das Igrejas do Oriente
e Ocidente (Cisma do Oriente, 1054), os calendários passaram a ser feitos
separadamente. Na Igreja do Ocidente, após o Dictatus Papae (1075) de Gregório
VII (Dictatus Papae é edital com 27 proposições, referentes à Igreja. Foi
enunciado por Gregório VII em 1075 e define a autoridade, competência e poderes
do Sumo Pontífice Romano.
O número dos santos contemplados no Santoral cresce muito na Idade Média,
passando de 90 nomes contemplados no Ano Litúrgico, atingindo um total de 220
no Concílio de Trento. Este Concílio reduz o número de santos, descendo para 130
memórias e festas. Este número vai novamente crescendo e atinge 275 títulos até o
Concílio Vaticano II.

****
MODELOS DE SANTIDADE

Podemos tentar agrupar os santos entre alguns modelos de santidade, seguindo


algumas características.
Santos religiosos: são os santos consagrados a Deus na vida religiosa, que viveram
com austeridade a pobreza e grande sentido de obediência e evangelização. Citamos
São Norberto e Santo Antônio de Pádua.
Santos reis e príncipes: por motivos de fidelidade à Igreja, quando tantos poderes
reais afrontaram a Igreja.
Santos modernos: são novos santos canonizados depois do Concílio de Trento,
como modelo de missionariedade e de consagração religiosa. Destacamos São João
Maria Vianney, São Carlos Borromeu e São Francisco de Sales.

***
TRADIÇÃO DOS SANTOS EM NOSSOS TEMPOS
O culto dos santos é um dos temas importantes da vida litúrgica da Igreja e do Ano
Litúrgico. Como podemos considerar que havia certo excesso de santos que interferia na
seqüência dos temas do Ano Litúrgico, a Igreja procurou rever o calendário e sua
posição dentro das celebrações eucarísticas.
As regras para a reforma do calendário são apresentadas pelo próprio documento (SC
111):
- Todas as festas e memórias dos santos devem ser celebradas em relação com Cristo,
pois os “fiéis proclamam as maravilhas de Cristo, realizadas em seus servos”;
- As festas de Cristo têm precedência sobre as festas dos santos. Assim, não “podemos
deixar prevalecer estas festas sobre aquelas que comemoram o mistério da salvação”;
- Recuperar o caráter mais particular das Festas dos Santos, considerando que tantas
entre elas pertencem ao calendário de alguma nação, família religiosa ou Igreja
particular.

****
CALENDÁRIO RENOVADO DOS SANTOS
Para considerar os nomes dos santos incluídos no Missal, a Igreja considerou alguns
critérios:
- critério da história: que os santos tivessem dados históricos mais consistentes, com
conhecimento de sua vida, achados arqueológicos e testemunhos históricos;
- critério da universalidade: por um lado, foram excluídos nomes de santos que não
tinham grande referência universal; de outro lado, incluir nomes de santos de todos os
continentes.
- critério da teologia: considerando a fragilidade das datas de nascimento, mas
sobretudo o sentido da ressurreição, as datas das comemorações foram definidas a partir
do “dies natalis”;
- critério da importância: considerando a universalidade da Igreja, considerou-se santos
com devoção mais ampla em todos os continentes, mas igualmente nomes de santos nos
vários modelos de vida: pastores, religiosos, mártires, leigos, consagrados, casados, etc.

***

ICONOGRAFIA

É um modelo de repesentação onde os personagens têm características simbólicas que


expressam o sagrado.
Podemos recordar algumas destas características dos ícones”
- olhos grandes amendoados significam a contemplação da glória de Deus;
- personagem que emana luz quer dizer que está na contemplação divina: santos;
- base dourada nos personagens representam a luz interior e espiritual;
Nestas representações, os fiéis são levados a meditar e a entender o mistério da fé e as
devoções que estão na catequese e na evangelização dos fiéis. Todas as cores, tons e
formas servem a estes propósitos.

***
SIMBOLOS NAS IMAGENS
Podemos compreender, por estes sinais, o carisma e a história destes santos, que
apresentam características comuns.
PALMAS DO MARTÍRIO
Podemos observar que algumas imagens trazem numa das mãos, a palma do martírio.
Não quer dizer que todos os santos mártires tenham a palma na sua imagem devocional.
No entanto, todos aqueles que trazem a palma, certamente sofreu o suplício do martírio.

COROAS NA FRONTE
Muitas imagens de santos são representadas por coroas. No elenco destes santos,
encontramos duas motivações para as coroas. Pode ser a representação histórica do
personagem, normalmente um rei ou rainha, que se converteu as cristianismo e viveu
intensamente sua fé, tornando-se defensor do povo cristão, diante dos adversários e, ao
lado disso, tinha uma vida de virtudes, sobretudo a justiça, a humildade e a caridade
com os pobres.

***
FLECHAS, PEDRAS E OBJETOS DE MARTÍRIO
Quando contemplamos a imagem de São Sebastião, vemos a representação das flechas,
em São Paulo, encontramos a espada. Na imagem de Santa Catarina de Alexandria
encontramos a representação de uma roda de ceifar e moer cereais. Na estátua ou
pintura de Santo Estevão, as pedras expressam o seu martírio.

SANDÁLIAS E VESTES RELIGIOSAS


As imagens têm suas vestes peculiares. Não há grande mistério neste adereço das
imagens, sobretudo porque representam o estado de vida dos próprios santos. Quando
os santos são representados com roupas reais, entendemos que foram membros das
monarquias.
AURÉOLA
Com certeza, o elemento simbólico mais presente nas imagens, tanto em pintura, mas
também em estátuas, é a auréola. Como a palavra diz, o termo recorda ao ouro e seu
brilho, que é colocado ao redor da cabeça das imagens e algumas vezes contornando
todo o corpo do santo.

CATEGORIA DOS SANTOS NAS CELEBRAÇÕES


Por motivações didáticas, a Igreja procurou separar os santos por categorias ou títulos,
conforme seu histórico e a motivação de sua santidade. Esta divisão é muito usada nas
Celebrações Eucarísticas, na Liturgia das Horas e nas Ladainhas.

***
SANTOS APÓSTOLOS
Na vida litúrgica da Igreja, os festas dos apóstolos foram as primeiras inseridas nos
cultos. É bem evidente, pois congregaram dois elementos importantes na vida cristã,
seja o fato de serem contados entre os primeiros seguidores de Jesus, mas também por
terem sofrido o martírio.
SANTOS MÁRTIRES
Os relatos dos martírios são os mais fascinantes textos na história do
cristianismo. A comunidade cristã sempre os venerou com grande reverência e suas
vidas são motivos de orgulho dos fiéis. Somente uma verdadeira e profunda adesão ao
projeto de Deus garante a fidelidade diante de atrocidades, torturas e a morte. Tantas
vezes, os mártires são convidados a negarem a fé e salvarem suas vidas, mas preferem
derramar seu sangue que negarem seu Deus.

PASTORES E DOUTORES

Depois do período martirial da igreja, desaparecem no Império Romano os martírios dos


cristãos, embora as perseguições sempre existiram na história do cristianismo. De então,
surgiram os santos pastores ou monges, que viveram os ideais da fé cristã, sem o
suplício do martírio. Um outro título que merece destaque e que é celebrado no culto
dos santos é o título de doutor. Os doutores da Igreja, na maioria, foram grandes
bispos, padres da Igreja, monges ou papas, mas temos também mulheres santas com este
título.

***
CONFESSORES E VIRGENS
Duas categorias de santos estão muito presentes nas memórias celebradas na missa:
os confessores e as virgens. Os confessores foram grandes nomes da história do
cristianismo, que professaram a fé e a ensinaram os fiéis, sobretudo em tempos de
grandes cismas e heresias.
SIMPLESMENTE SANTOS
Uma categoria de santos não muito específica se refere aos homens e mulheres, não
consagrados na vida religiosa, nem mesmo pastores ou mártires, mas que viveram
intensamente o ideal cristão em sua vida civil.

***
MODELOS DE FESTA DOS SANTOS

Os santos têm grande importância na vida espiritual e litúrgica das comunidades, mas
não são recordados com a mesma intensidade. Existe uma divisão oficial que são os
modelos das festas, divididos em solenidade, festa, memória (obrigatória) e memória
facultativa.
SOLENIDADE DOS SANTOS
As solenidades são os modelos mais elevados das celebrações litúrgicas. Antes de tudo,
as solenidades são consideradas como celebrações do mistério pascal de nossa fé, nas
grandes festas, como Natal, Páscoa, Pentecostes e todas as grandes festas do Ano
Litúrgico.

CELEBRAÇÕES FESTAS
A modalidade de “festas” é muito considerada no roteiro do Ano Litúrgico. Tratam-se,
por assim dizer, de celebrações consideradas mais importantes que as memórias, mas
não a ponto de assumirem o espaço das solenidades dominicais, por exemplo.

MEMÓRIAS OBRIGATÓRIAS E FACULTATIVAS


A maioria dos santos estão dentro da modalidade de memória. O termo memória é
dotado para indicar os santos com menor importância litúrgica, sem grandes devoções e
histórico na Igreja Universal. Este grau congrega a maior parte da celebração dos
santos.

***

MODELOS DE RELÍQUIAS

Na perspectiva do culto dos santos, através de relíquias, as autoridades da Igreja as


classifica em vários modelos.

1 – relíquias ex-carnis: são efetivamente partes do corpo dos santos, preservados de


forma misteriosas ou colhidos em suas exumações. Normalmente são ossos, cabelos e
outros elementos mais específicos. São conhecidas as relíquias de Santo Antônio, que
atravessaram o mundo, com parte de sua língua e orgãos fonéticos. Também as relíquias
de Santa Terezinha, que preserva seus cabelos e outros casos.

2 – objetos de uso – valor secundário. Se referem aos objetos mais pessoais usados pelo
santo em seu ministério e em sua vida cotidiana- roupas, cálices, livros.

3 - Objetos de toque: são relíquias menos importantes, pois não serviram ao uso
dos santos, antes são roupas, pedaços de tecidos, velas, imagens ou medalhas
que os fiéis levam aos seus túmulos, santuários ou aposentos. Nos casos de
conservação de restos mortais dos personagens, estes objetos são colocados em
contato com seu corpo, para receber suas graças.

***
PROCESSO DE CANONIZAÇÃO
A formulação do cânon santoral é um trabalho de mutirão, que se elaborou ao longo dos
séculos, seguindo diferentes critérios.
PASSOS PARA A CANONIZAÇÃO
Nos primeiros séculos da vida da Igreja, não existiam os processos. Como vimos, com o
passar dos séculos, inicia-se um processo com vários passos. No início de cada causa, o
candidato recebe o primeiro título: Servo de Deus. Vai-se reconhecer suas virtudes
heróicas ou mesmo seu martírio. A vida do candidato é investigada minuciosamente, em
todas as suas possibilidades.

Virtudes heróicas são as ações do candidato à canonização que protagonizou atitudes


que manifestavam coragem e dedicação aos irmãos. No final deste processo, o
candidato recebe o título de Venerável.

***
GRAÇAS E MILAGRES
Em nossos tempos, houve uma grande banalização do sentido de graças e
milagres, com grande tendência à simulação de milagres. Assistimos em cultos,
sobretudo em transmissões de radio e televisão, a exacerbação dos milagres, beirando o
charlatanismo e o ridículo.
Na tradição cristã, os milagres, bem como outras manifestações divinas
excepcionais são encarados com parcimônia e muita discrição.
Temos uma definição de milagre muito clara para que um fato seja
considerado milagre. Milagre é uma ação divina sobre a vida humana,
prescindindo de suas leis naturais.
A figura clássica da tradição das canonizações, com o nome sintomático de
“advogado do diabo” tinha a missão de rastrear toda possibilidade de pseudo milagre.
Este título desapareceu dos processos, mas uma equipe de especialistas procura perceber
se houve realmente um milagre, sob a mediação do candidato à canonização.

***
EXIGÊNCIAS DE SANTIDADE
Os nomes dos santos estão inscritos na Bibliotheca Sanctorum e tem milhares de nomes.
Normalmente os candidatos são analisados particularmente, mas alguns casos de
mártires são beatificados ou canonizados num grupo, que teve o mesmo destino.
1 – Ortodoxia: o candidato à santidade deve professar a fé sem erros e sem
confusão. Os santos não podem ter heresias em seus ensinamentos e na profissão de fé.
2 – prática de virtudes: a ortodoxia garante a veracidade da doutrina, mas não é
suficiente, uma vez que considera-se também a forma de viver dos candidatos.
3 – mediação milagrosa: para ser beatificado, primeiro, e canonizado, depois,
o candidato deve ser mediador exclusivo de um milagre. O fiel deve recorrer à
intercessão do santo de forma exclusiva e imediata.

***
SANTOS PADROEIROS E TEMÁTICOS
Os santos são entitulados padroeiros dos países, estados ou cidades. Foram
homenageados desde sua fundação e normalmente a devoção é trazida pelos fundadores.
Recordamos o Brasil, dedicado a Nossa Senhora Aparecida, a China dedicada a São
José, o Chile dedicado a São Tiago e Nossa Senhora do Carmo, França dedicada a Santa
Joana D’Arc, para citar alguns.
Os santos são também protetores dos grupos profissionais, como atletas: São Sebastião;
Fazendeiros: São Jorge; Pescadores: Santo André; Policiais: São Miguel. São também
patronos de grupos sociais, como as mães: Santa Mônica; órfãos: São Jerônimo; pais:
São José. Também temos patronos para as doenças e fenômenos naturais. Citamos
Santo Antônio: objetos perdidos; pacientes de câncer: São Peregrino; endividados:
Santa Edwiges, etc.

***
EVOLUÇÃO DO PROCESSO
A primeira intervenção papal que se tem notícia foi na canonização de Udalrico de
Augusta, bispo, pelo Papa João XV, em 993. Com a decisão de Gregório IX (1234), as
canonização na Igreja Católica Ocidental torna-se prerrogativa do papa e serve para
toda a Igreja unida a Roma. Em 1662, com a beatificação de Francisco de Sales, pelo
Papa Alexandre VII, também a beatificação passa a ser direito apenas do Papa. No
Ocidente, a intervenção do Papa ajudou a corrigir abusos, com excesso de interesse de
grupos ou partidos na popularidade dos santos.
Atualmente, o processo segue as orientações da Constituição Apostólica Divinus
perfectionis Magister (1983) de João Paulo II e nas normas traçadas pela
Congregação para as Causas dos Santos. Este documento tenciona obter
simplicidade, rapidez, colegialidade e eficácia.

***
MEMÓRIA DOS FALECIDOS
Tanto os rituais, quanto as datas comemorativas destas celebrações cumprem uma
lógica muito refinada, de acordo com as doutrinas. Na tradição popular e nas práticas de
nossas comunidades, notamos comemorações semanal, mensal ou anual.

CELEBRAÇÃO DAS DATAS


CELEBRAÇÃO DE CORPO PRESENTE: No Missal Romano, encontramos uma
grande variedade para estas celebrações, conforme o estado civil e religioso do
falecido, sejam crianças, jovens, adultos, idosos ou leigos, religiosos, sacerdotes, bispo e
papa. Também uma certa compreensão com as condições da morte, como morte rápida
ou após uma longa enfermidade. Esta consideração teológica e espiritual se encontram
particularmente nas orações eucológicas, procurando consolar os familiares, levando em
conta seus sentimentos.

***
CELEBRAÇÃO DE SÉTIMO DIA:
Segundo a tradição, são duas as motivações para o sétimo dia.
Em primeiro lugar, toma-se a noção de tempo kairológico. Considerando a plenitude do
“ número sete” , que está na contagem dos dias da criação, assim como na totalidade dos
dias de cada face lunar; o numero sete maracá também a plenitude, uma vez que une os
quatro elementos da criação (fogo, ar, terra, água) somados ao numero da plenitude das
virtudes (fé, esperança e caridade).
Em segundo lugar, acredita-se que nos tempos antigos, quando ocorria um falecimento,
os familiares não podiam esperar para reunir os parentes e amigos que moravam
distantes.
CELEBRAÇÃO MENSAL:Quando os familiares tem grande religiosidade e o
falecido é muito próximo, celebra-se ainda a missão no primeiro mês de falecimento.
Esta celebração procura ainda reanimar os sentimentos dos amigos, que se recordam
daquela pessoa que partiu.
CELEBRAÇÃO ANUAL: Trata-se de uma memória mais simples e menos intensa. Os
sentimentos de saudades estão muito presentes, mas são muito suaves. Normalmente os
familiares celebram como forma de rememorar o seu ente querido.

***
MISSA DOS FIÉIS DEFUNTOS.
Merece atenção especial a Missa dos fiéis defuntos, celebrada no daí 02 de novembro,
seja na Igreja ou nos cemitérios.
Além dos dias específicos nas datas comemorativas dos falecidos específicos,
como no 7o dia, no 30o. dia e no aniversário, a Igreja reservou uma data especial para
celebrar os mortos conjuntamente. Como não se trata de memória específica, onde os
familiares estão vivendo o momento trágico e dolorido da partida de alguém, é o
momento propicio para aprofundarmos o mistério da morte e o mistério da ressurreição.
O ambiente litúrgico é suave, sóbrio e permite uma reflexão mais profunda sobre nossa
passagem.