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O IDEAL DE DISSEMINAR

NOVAS PERSPECTIVAS, OUTRAS PERCEPÇÕES

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1 16/4/2008, 16:43
Uni
Univv er sidade FFeder
eder al da Bahia
ederal

Reitor
Naomar de Almeida Filho

Editor
Editoraa da Uni
Univv er sidade
Federal da Bahia

Diretora
Flávia M. Garcia Rosa

Conselho Editorial
Angelo Szaniecki Perret Serpa
Carmen Fontes Teixeira
Dante Eustachio Lucchesi Ramacciotti
Fernando da Rocha Peres
Maria Vidal de Negreiros Camargo
Sérgio Coelho Borges Farias

Suplentes
Bouzid Izerrougene
Cleise Furtado Mendes
José Fernandes Silva Andrade
Nancy Elizabeth Odonne
Olival Freire Júnior
Sílvia Lúcia Ferreira

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KÁTIA DE CARVALHO
ANNA FRIEDERICKA SCHWARZELMÜLLER
ORGANIZADORAS

O IDEAL DE DISSEMINAR
NOVAS PERSPECTIVAS, OUTRAS PERCEPÇÕES

SALVADOR, 2006

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3 16/4/2008, 16:43
©2006 by autores.
Direitos para esta edição cedidos à Editora da Universidade Federal da Bahia.
Feito o depósito legal.

Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, sejam quais forem os meios empregados, a não ser
com a permissão escrita do autor e da editora, conforme a Lei nº 9610 de 19 de fevereiro de 1998.

Capa, projeto gráfico e editoração eletrônica


Camila Nascimento Vieira

Preparação de Originais e Revisão


Tania de ArAraa gão Be
Bezz er
errr a
Ma
Magg el Castilho de Car v alho

Biblioteca Central Reitor Macêdo Costa


I19 O ideal de disseminar : novas perspectivas, outras percepções / Kátia de Carvalho, Anna
Friedericka Schwarzelmüller (organizadoras). - Salvador : EDUFBA, 2006.
230 p.

ISBN 978-85-232-0434-1

1 . Disseminação seletiva da informação. 2. Sistema de recuperação da informação.


3. Teoria da informação. 4. Tecnologia da informação. I. Carvalho, Kátia. II.Schwarzelmüller,
Anna Friedericka.

CDD - 025.525
CDU - 025.5

EDUFBA
Rua Barão de Jeremoabo, s/n Campus de Ondina
40170-115 Salvador Bahia
Tel: (71) 3263-6160/6164
edufba@ufba.br www.edufba.ufba.br

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Apresentação

O Ideal de Disseminar é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Disseminação


e Uso da Informação e se propõe a pesquisar a disseminação da informação, visa o
acesso à produção do saber, revelando a beleza que emana do poder criativo do
intelecto humano.
Fazendo o retrospecto sobre a produção científica no mundo ocidental, verifi-
ca-se que o interesse de disseminar informação e conhecimento é reconhecido
desde a Antiguidade clássica e vai se redimensionando, expandindo um conheci-
mento bibliográfico nacional e internacional e, por isto, as técnicas foram se ade-
quando para tornar as práticas de disseminação da informação mais ágeis. De
início, os serviços de alerta se afirmaram como solução para manter a comunidade
informada e depois destaca-se, também, as práticas introduzidas pelo DSI- dissemi-
nação seletiva da informação, criado por Hans Peter Luhn como extensão de servi-
ços já existentes, introduzindo a mecanização que sucedeu os serviços manuais.
Na sociedade atual, o sujeito do mundo iluminista vai cedendo espaço para o
sujeito que se debruça para o universo tecnológico e científico, reforçando o papel
da disseminação da informação, sendo os centros disseminadores verdadeiros
facilitadores do acesso do público à informação, mediante redes de disseminação
da informação. Estruturas se desenvolvem, do modelo manual ao eletrônico, pre-
servando o objetivo de disseminar informação com maior rapidez.
Nesta nova realidade, o olhar humanista leva à renovação de práticas que
reconhecem a disseminação da informação como reveladora e de importância para
o cotidiano. Para isto, destacam-se novos estudos, sendo a alfabetização
informacional inevitável em função das tecnologias da informação e comunicação
(TICs) que ampliam novos conhecimentos em outras perspectivas.
Percebe-se que a Ciência da Informação se desenvolve com base em estudos
relativos à área tecnológica e em estudos comportamentais fundamentados nas

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ciências humanas. Neste sentido, é relevante para a disseminação e uso da infor-
mação o hábito de leitura e o papel da biblioteca , uma vez que a leitura é vista como
um meio de articular leitor/conhecimento, alimentando o estudo e a pesquisa em
busca do objetivo maior que é influenciar possíveis mudanças no plano intelectual
humano.
As outras práticas de leitura cultural que articulam ciência e cultura, ciência e
literatura, estimulam a criatividade, reconhecendo ser o conhecimento indivisível.
Nesse contexto, a disseminação da informação é imprescindível para o acesso à
informação e ao conhecimento.
Por este motivo, esta coletânea visa contribuir, através dos artigos apresenta-
dos, para a Ciência da Informação, a Biblioteconomia, a Arquivologia, proporcionan-
do novos questionamentos, resgatando a memória e instigando pesquisadores a
contribuirem para a produção científica e, mediante a disseminação da Informação,
assegurar o direito à informação e conhecimento, visando a inserção do ser huma-
no na sociedade atual.
Como conclusão, convém lembrar que o direito à informação e conhecimento é
um direito do cidadão e, por conseguinte, o estudo e a pesquisa sobre as múltiplas
interfaces da disseminação da informação são promissores. A função mediadora
depende do profissional que assegura a devida intervenção no espaço social, ampli-
ando as possibilidades de acessibilidade, disseminação e uso da Informação em
uma sociedade que enfrenta dois grandes desafios: o acesso à informação e o
excesso de informações.

Kátia de Carvalho
Anna Friedericka Schwarzelmüller

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Sumário

DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECA: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

9
KÁTIA DE CARVALHO

A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO NAS INSTITUIÇÕES ARQUIVÍSTICAS PÚBLICAS:


ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL DE SALVADOR
29
A EXPERIÊNCIA DO
MARIA TERESA N. DE BRITTO MATOS

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS NA ATUAL SOCIEDADE: ESPAÇOS DE LEITURA

41
KÁTIA DE CARVALHO | IVANA A. LINS GESTEIRA

LEITURA: SUAS CATEGORIAS DE PRODUÇÃO DE SENTIDOS NAS NOVAS E ANTIGAS FORMAS

55
DE ACESSO À INFORMAÇÃO
ANGELA MARIA BARRETO

INFORMATION LITERACY: UMA BREVE REVISÃO DE LITERATURA


77
MARIA DAS GRAÇAS ALMEIDA TEIXEIRA

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QUESTÕES E ESTRATÉGIAS DO PROCESSO DE DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO
EM BIBLIOTECAS PÚBLICAS: UM ESTUDO DE CASO

97
VANDA ANGÉLICA DA CUNHA

DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE PLANTAS MEDICINAIS: FONTES FORMAIS,


INFORMAIS E ELETRÔNICAS

115
LEILA BÁRBARA MENEZES SOUZA | KÁTIA DE CARVALHO

INFORMAÇÃO, PROFICIÊNCIA E DISSEMINAÇÃO: VALORES PARA O ACESSO

129
E PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NO ENSINO SUPERIOR
AIDA VARELA VARELA | ANA GRAMACHO | IGOR GUIMARÃES

TECNOLOGIA MULTIMÍDIA: UM NOVO INSTRUMENTO DE CONHECIMENTO


145
ANNA FRIEDERICKA SCHWARZELMÜLER

REDE SOCIAL DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM BIBLIOMETRIA E CIENTOMETRIA

159
ADILSON LUIZ PINTO | JOSÉ ANTONIO MOREIRO GONZÁLEZ

UNIVERSITAS: REVISTA DE CULTURA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA:


1968 - 1991
179
FLÁVIA GARCIA ROSA | SÔNIA C. VIEIRA | KÁTIA DE CARVALHO | NANCI ODDONE

CRITERIOS PARA DETERMINAR LA CALIDAD DE LAS REVISTAS CIENTÍFICAS:


UM ESTUDIO PARA IBERO-AMÉRICA

193
NÍDIA MARIA LIENERT LUBISCO | BEATRIZ-AINHIZA RODRIGUEZ BARQUÍN | MIGUEL ÂNGEL PRADERA TROBAJO

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Disseminação da informação e biblioteca:
passado, presente e futuro
KÁTIA DE CARVALHO

A NTECEDENTES

A revolução da informação e o avanço tecnológico provocaram uma nova ex-


plosão, não mais bibliográfica, porém uma explosão provocada pela eletrônica, sen-
do que as tecnologias da informação e do conhecimento ampliam a disseminação
da informação que se apoiam nos meios de comunicação da informação e na Internet,
de forma imprevisível. Redimensionam-se os espaços, confundindo o real/virtual de
modo fantástico, sedutor e inquietante.
Uma nova ordem social e econômica introduz as redes de informação eletrôni-
cas, exige bibliotecas, arquivos e bancos de dados renovados, e graças ao encurta-
mento das distâncias, modernos meios de transportes e novas tecnologias que visam
nesse espaço o conhecimento como valor estratégico.
Daniel Bell(1954), um dos precursores da área, refere-se à sociedade pós-
industrial, ressaltando a união do computador com as telecomunicações, gerando
uma verdadeira revolução da informação e do conhecimento. Para ele,
conhecimento e informação estão se tornando os recursos estratégicos e
os ajustes transformadores da sociedade pós-industrial [...] da mesma
maneira que a combinação de energia, recursos e tecnologias mecânicas
foram instrumentos transformadores da sociedade industrial [...].

Contudo, a busca constante pela sobrevivência humana provoca a interferên-


cia na natureza e determina a necessidade de novos instrumentos, e também de
idéias, valores, crenças, conhecimentos, sendo o processo de produção humana um
processo social que determina as formas políticas, jurídicas e as idéias de cada
sociedade.

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Com a imprensa, operam-se sensíveis mudanças na sociedade e, a partir do
século XV, as viagens marítimas rompem o enclausuramento dos ibéricos, impelin-
do-os a cruzar oceanos, alterando o olhar estático sobre o mundo concretizado pela
aventura de descobrir novos continentes.
Redes comerciais de circulação de mercadorias alargam as fronteiras geográ-
ficas e o homem se redescobre como indivíduo autônomo, questionando o contexto
religioso que o aprisiona. Redes de comunicação se configuram, satisfazendo as
necessidades de transmissão de mensagens, respondendo à consolidação da ciên-
cia moderna.
O conhecimento humano se amplia e o conhecimento científico se afirma, uma
vez que a ciência passa a ser produzida para suprir as necessidades do homem.
Gradativamente, a ciência experimental segue o seu curso e a contribuição dos
alquimistas nas origens da química medieval merece destaque, deixando um signi-
ficativo legado para a humanidade – as universidades. Na Idade Média, a fé religio-
sa passa a representar o limite da razão, sendo o conhecimento proveniente da
religião resultante da iluminação vinda de Deus.
Enquanto o conhecimento gerado pelas práticas alquímicas tem como caracte-
rística o sigilo, o conhecimento gerado sob a influência iluminista tem como princípio
a difusão, a disseminação.
A ciência moderna amplia o conhecimento em relação à vida prática; as expe-
riências representam a base das idéias, a fonte do conhecimento; aprimora-se a
ordem do pensamento. A partir do século XVIII, a história e a crítica se dimensionam
e o conhecimento reflete a natureza imutável.
O Século das Luzes redesenha os contornos da produção intelectual, propor-
cionando um avanço significativo impulsionado pela imprensa escrita, contribuindo
para a história da humanidade. O homem se debruça para dentro de si mesmo e
acaba por influenciar, definitivamente, a difusão do conhecimento. Esse movimento
10 de renovação se generaliza em todos os campos do saber. No campo da literatura,
o romantismo redefine novos contornos, e no campo do direito penal, suprime-se a
influência política da igreja.
No plano documental, surgem as mais significativas contribuições da era mo-
derna, de relevância para as sociedades ocidentais. Saber ler e escrever modificam
e fortalecem a delimitação de fronteiras entre os espaços privado e público. Nessa
confluência, a arte de disseminar se afirma como função maior da biblioteca medi-
ante as fontes disseminadoras por natureza: a bibliografia, a enciclopédia e o peri-
ódico.

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A produção humana se organiza e, como conseqüência, a necessidade de sis-
temas de disseminação da informação para atender a nova realidade em que a
escrita registra o texto e a imprensa passa a disseminá-lo, guardando o documento
escrito original e probatório. Deste modo, ocorre um fato inovador concernente à
validação das observações no campo científico, como também a divulgação das
idéias religiosas; a imprensa, ao interagir com a religião e a ciência, reafirma o seu
papel como agente de mudanças. Por conseguinte, a cultura escrita que nasce na
base da religião e se afirma com a difusão da fé encontra na imprensa os meios
necessários para fortalecer o poder de dominação, sendo o livro, primeiro meio de
comunicação, a fonte de informação importante nesse cenário.
Através da Bíblia, desencadeia-se o processo de disseminação dos Evangelhos,
estimula-se o aparecimento do leitor que se comunica com Deus por meio da escri-
ta, sem depender tanto da mediação da igreja. Sendo assim, a Bíblia, o livro, usa a
disseminação para legitimar a fé religiosa.
Convém lembrar que, a partir do século IV, os cristãos elegem um formato
padrão para as escrituras sagradas e para diferenciá-las dos pergaminhos em rolo,
próprios da literatura pagã. O modelo utilizado pela literatura cristã se eterniza e
hoje se torna difícil pensar no livro com um formato diferente, mesmo a mais recen-
te tentativa, representada pelo livro eletrônico, mantém o formato tradicional.
A ideologia do iluminismo dá um novo significado à palavra escrita. A divisão da
Europa em estados nacionais redefine os espaços internos e favorece o comércio
livreiro no meio urbano. O livro progride servindo também a este propósito, com for-
matos característicos, a depender dos suportes. A gradativa dessacralização do livro
progride e fortalece uma nova função: a de disseminação da informação. O livro deixa
de ser considerado objeto sagrado para adquirir o sentido de objeto de consumo.
A produção do conhecimento e o crescimento da produção livreira redesenham
uma nova sociedade cada vez mais exigente. Reivindica a organização do conhecimen-
to e a necessidade de técnicas de classificação competentes e eficazes para aprimorar 11
a sistematização do saber. A importância do livro, até então mais vinculada à arte de
imprimir, prevalece sobre o livro associado à aquisição do conhecimento.
O período setecentista redesenha contornos de uma atividade intelectual rele-
vante e o iluminismo reforça a cultura escrita ao estimular a influência da imprensa
na história da humanidade. A reprodutibilidade técnica passa a exigir novas
metodologias para o efetivo controle da produção cultural.
Inicia-se uma nova era, uma fase de crescimento rico e fecundo da história da
humanidade. A imprensa legitima o apogeu da comunicação formal registrada ba-

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seada nas tecnologias sucedentes, levando os estudiosos a desenvolverem técnicas
de tratamento e organização do conhecimento produzido.
Nos centros de controle da produção intelectual, assiste-se à consolidação
das obras de referência que constituem o cerne das coleções existentes nas biblio-
tecas e serviços de documentação e de informação, formados com o fim de possi-
bilitar a disseminação da informação e do conhecimento, a partir das coleções e
dos serviços existentes e estabelecendo-se como atividade essencial que nasce e se
desenvolve na biblioteca, fruto do iluminismo, espaço consagrado à literatura, visan-
do a socialização do livro e, conseqüentemente, estimulando a leitura.
Neste sentido, as bibliotecas representam o espaço do livro e dos processos de
organização dos acervos. No Brasil, durante o período colonial, surgem as bibliote-
cas particulares e as monacais, as academias literárias e científicas, ampliando os
espaços destinados aos impressos. O fato de ter uma biblioteca particular repre-
sentava para a sociedade um indicador do nível cultural e social do seu proprietário.
Na esfera pública, a propriedade de uma biblioteca particular era tornar público o
respeito e o culto ao livro. As bibliotecas particulares, para Edson Nery da Fonseca,
foram os primeiros frutos do iluminismo, porque permitiam a entrada de livros
sobre a crise da consciência européia (FONSECA, 1999, p.18).
Na sociedade atual, o impresso passa a conviver com outros meios de comuni-
cação, reafirmando a força da palavra escrita, na sociedade mutante, esperando
das bibliotecas, dos centros de documentação e dos serviços especializados, o pa-
pel de disseminação da informação como função primordial, em prol do usuário e
nelas se desenvolvem os princípios da organização dos acervos. Mesmo passando por
transformações inquestionáveis, as bibliotecas se dedicam a aprimorar os seus objeti-
vos, mediante o uso das tecnologias, sejam elas virtual, digital, híbridas; as bibliotecas
voltam a se dedicar aos meios de disseminar, apoiadas pelas tecnologias – a biblioteca
sem paredes permite acessar os seus catálogos à distância, seus acervos em suporte
12 eletrônico e é possível se materializar em suportes digitais. Neste sentido, o papel
humano é cada vez mais importante no seu gerenciamento e na articulação com as
redes de informação.

D ISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECA

Historicamente, a disseminação da informação está associada à biblioteca,


especialmente a biblioteca especializada. Para funcionar, é necessário ter organiza-
ção interna, notadamente, a manutenção de serviços de seleção, avaliação, refe-

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rência e comunicação da informação para o bom atendimento. A intenção é manter
o usuário informado com maior rapidez possível, e para isto ser possível, é funda-
mental a formação de bons profissionais.
O primeiro Curso de Biblioteconomia criado no Brasil, pelo decreto de 11 de
junho de 1911, começou a funcionar em 1915, na Biblioteca Nacional, sob a direção
de Manuel Cícero Peregrino da Silva, com o objetivo de realizar permutas internacio-
nais e se ocupar da organização do acervo tratados pelo sistema de classificação
decimal; além da impressão de fichas para venda, organização do catálogo coletivo da
bibliografia brasileira, uso público dos catálogos e criação de decretos posteriores. Ao
acompanhar a história das bibliotecas, da bibliografia e das demais instituições e téc-
nicas afins, percebe-se que a classificação de acervos representa ser a questão nodal.
A literatura da área revela que o primeiro livro voltado para a Biblioteconomia
surge em 1627, intitulado, Advis pour dresser une bibliothèque, de Gabriel Naudé.
Nessa época, a biblioteca atuava de modo empírico, e na maioria das vezes, meros
repositórios de livros. As bibliotecas, nos seus primórdios, minerais, vegetais e ani-
mais abrigavam tabletes de argila e também pergaminhos e rolos de papiro, com o
fim de preservar a produção humana.
Voltando às origens, o Egito se notabiliza por possuir as primeiras bibliotecas
que se tem notícia. A de Menfis, a mais famosa, depois da Biblioteca de Alexandria,
possuía cerca de 700 mil volumes, localizados em dois locais diferentes. Com a
invasão de Alexandria, pelo Imperador romano César, houve um incêndio em um dos
acervos, restando o remanescente da doação dos livros de Pérgamo, saqueados
por Antônio e doados a Cleópatra. Outra biblioteca merece destaque, a biblioteca de
Tebas, entre outras tão antigas, trazia na portada a frase: “tesouro dos remédios da
alma” (MARTINS, 1996), o que induz a pensar no acervo de livros armazenados
com o fim de ajudar o leitor, subentendendo-se a função de disseminação.
Na Grécia, a criação da primeira biblioteca é atribuída a Psístrato (560-527
a.C.), embora não se tenha muitas informações sobre as bibliotecas gregas, presu- 13
me-se que tenham sido transferidas para Alexandria ou talvez perdidas, já que não
se tem registros sobre o interesse em preservar livros. Entretanto, tem-se informa-
ções sobre coleções particulares, como a de Aristóteles.
Os romanos, ao contrário, estimulavam a criação de bibliotecas e entre as
mais importantes, a Ulpiana, fundada por Trajano, e a Palotina, que faziam parte
das 28 bibliotecas públicas existentes em Roma, no século IV. O funcionamento de
serviços de empréstimo sugerem a intenção de disseminar o conhecimento huma-
no.

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Na Antigüidade, o objetivo era formar acervos para disseminação da informa-
ção e do conhecimento, reforçando o papel da biblioteca face ao poder constituído.
Acredita-se que a primeira biblioteca italiana tenha sido a Ambrosiana, localizada
em Milão, ou a Vaticana, em Roma (1450), onde existiam apenas manuscritos e
livros feitos em tipografias e integrados à coleção por volta de 1465.
Contudo, o sentido de disseminar o conhecimento se inscreve no papel dos
copistas que se dedicavam, nos mosteiros e depois nas universidades, a obras de
autores gregos, entre eles Sófocles, Ésquilo e Eurípedes, e também, textos históri-
cos das leis sagradas dos hebreus, o que possibilitou a disseminação “do judaísmo
entre os gentios e o estabelecimento do cristianismo” (MARTINS, 1996, p. 75).
Nas bibliotecas da Idade Média, os suportes se atualizam e o funcionamento
permanece o mesmo. Até o Renascimento, as bibliotecas funcionam em ambientes
religiosos, sagrados e fechados, e abrigam livros que muitas vezes estão associados
ao proibido e também temidos, por estarem ligados ao demônio; a biblioteca se
confunde com um depósito de livros. A preservação da obra prevalece sobre o dese-
jo de disseminação, cerceadas as bibliotecas pela hegemonia da Igreja.
As bibliotecas monacais e as universitárias se multiplicam ao longo do tempo.
Apesar da destruição de muitas, eram consideradas como “o verdadeiro tesouro de
um mosteiro” (KEMPIS apud MARTINS, 1996, p.83).
A partir do século IX, as bibliotecas capitulares localizadas nas igrejas come-
çam a proliferar, atendendo à necessidade de ter livros para proporcionar atividades
de ensino e, assim, a disseminação progride sob a égide da educação.
No período medieval, as bibliotecas universitárias são as que, realmente, têm
uma significativa importância. Historicamente, as primeiras universidades surgem
no interior das ordens eclesiásticas, como as pertencentes às ordens religiosas dos
monges franciscanos e dominicanos. A partir do século XV estas bibliotecas se de-
senvolvem e, às vésperas do Renascimento, o livro impresso e o bibliotecário se
14 destacam nesse cenário em que já está mantido o sentido de disseminar.
Esta herança cultural chega às bibliotecas modernas que, abertas ao público,
cumprem a função de atender a todos os gostos e, por isso, as coleções especializadas
se impõem visando a socialização marcada pela conscientização social, procurando
dar dinamicidade à sua ação. Os serviços de referência, baseados nas bibliografias,
nos periódicos, nas enciclopédias e dicionários impressos e eletrônicos passam a
ser um exemplo da moderna organização das bibliotecas.
Pierce Butler (p.660), estudando as bibliotecas, religiosas, universitárias e as
pertencentes a corporações, sociedades particulares e públicas, demonstra perce-

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ber as sutis mudanças e afirma: [...]O conteúdo dos livros ganha circulação geral
na sociedade pela mediação de especialistas individuais, esboça-se o papel do bibli-
otecário nesse ambiente em que a mediação humana é relevante[...], deixando
perceber o papel do profissional como mediador da informação e do conhecimento.
Paul Otlet (1868-1944) se destaca nesta longa caminhada, sendo o idealizador
da Federation Internationale de la Documentation - FID, em 1895, e de forma pre-
cursora, introduziu o controle bibliográfico por meio de um repertório mundial do
conhecimento, concebido em fichas catalográficas, utilizando a tecnologia disponível
na época.
Em 1914, o Repertoire Bibliographique Universel compreende um cadastro
significativo em fichas e o Instituto Internacional de Bibliografia passa a ter 700
membros; Otlet e La Fontaine (1854-1949) juntos trabalham, acreditando na fun-
ção disseminadora da biblioteca; com base no uso e sistematização de acervos, eles
desenvolvem a Classificação Decimal Universal – CDU. A partir da Classificação Deci-
mal Universal, Otlet já prenuncia o desenvolvimento de tecnologias futuras que per-
mitiriam realizar tarefas rotineiras de caráter intelectual.
No início do século XX, o caos documentário, denominação utilizada pelo inglês
Bradford ao que se chamou a explosão da informação, revoluciona o universo docu-
mental e, conseqüentemente, da disseminação da informação e do conhecimento,
vinculada ao crescimento do conhecimento científico.
O sentido de disseminação da informação e do conhecimento, desde a época
clássica até a medieval, realiza-se entre os filósofos de forma oral e por correspon-
dência, e em meados do século XVII, o conhecimento científico se impõe e acentua-
se mediante a troca de cartas entre os primeiros cientistas – Kleper, Copérnico,
Galileu, Francis Bacon, tendo este último criado a expressão “Colégios Invisíveis”,
para denominar grupos de cientistas que se comunicam entre si, em torno de inte-
resses comuns, que se denomina mais tarde a comunicação informal, movidos pela
intenção de disseminação da informação e do conhecimento, tendo em vista o de- 15
senvolvimento da ciência.
Contudo, a disseminação da informação e do conhecimento científico se ba-
seia no periódico considerado a fonte de informação própria para disseminar a
produção do conhecimento científico e, assim, as coleções de periódicos assegu-
ram a atualização das atividades de pesquisa no mundo.
A lei de dispersão de Bradford passa a ser importante para os estudos de
avaliação de coleções, expressando o conteúdo dos artigos sobre determinados
assuntos que aparecem em periódicos de diversas áreas do conhecimento. Isto

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requer uma ação precisa do agente de informação (Information Broker) para disse-
minar corretamente assuntos gerados, garantindo a confiabilidade necessária.
Para evitar estas dispersões, o Sistema de Disseminação Seletiva da Informa-
ção (DSI), criado por Luhn em 1960, objetiva disseminar informação mais seletiva,
evitando a pesquisa do usuário. A informação seletiva, corrente realizada através de
processos especiais, ajuda a decisão no âmbito da pesquisa e da necessidade da
leitura. A DSI visa facilitar o trabalho, armazenando usuários à espera do documen-
to, deixando explicita a idéia de disseminar.
Para que a disseminação ocorra com eficácia, a seleção das obras é o primei-
ro passo e envolve publicações internas e externas. Para tanto, o uso da linguagem
ar tificial determina a necessidade de termos escolhidos e descrições para
individualizá-los, portanto, o uso de um Thesaurus, ou linguagem controlada, tem a
função de viabilizar a disseminação com agilidade.
Para compreender o que Nery de Fonseca (1966, p. 337) denomina “O uni-
verso repleto de informação”, sugere-se fixar o interesse nas representações, sen-
do o melhor exemplo as Bases de Dados, originalmente impressas e depois
eletrônicas.
Com a organização da informação em formato eletrônico, os processos tradi-
cionais proporcionam níveis importantes de competência. Vale ressaltar que a dis-
seminação da informação baseada em coleções bem constituídas, se bem
selecionadas, atingem os seus objetivos.
Com o advento das tecnologias da informação, a disseminação de informação
e conhecimento encontra grandes possibilidades na Internet. E esta ação do homem
em busca de novos instrumentos para atender aos seus desejos reafirma o que
dizia Aristóteles, de que os homens possuem o anseio do conhecimento (MARTINS,
W. 1996).
Deste modo, a preparação das coleções de referência cria condições que aten-
16 dem às necessidades cognitivas e só é possível por meio dos competentes conhece-
dores das coleções - os profissionais da informação. Desde as origens, o mediador
é importante nesse processo. Convém lembrar que a consulta à biblioteca ocorre se
o usuário não encontra o que procura em sua própria biblioteca.
A década de 90 redefine comportamentos e um novo homem busca o conhe-
cimento de forma ansiosa e frenética. A biblioteca sem paredes não é mais a única
responsável pelo acesso à informação. Embora mantendo coleções, muda o foco do
documento para a informação, oferecendo novas formas de acesso à informação e
ao conhecimento, o que pode ocorrer na biblioteca e também para fora dela, atra-
vés das redes eletrônicas.

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Assim sendo, nesse novo espaço real/virtual, considera-se que a disseminação
do latim disseminatore quer dizer ato ou efeito de disseminar e também dispersão,
difusão, distribuição, vulgarização (HOLANDA, p.482), entre outras denominações.
Visa a organização de um sistema corrente de informação cujo processo consiste
em suplementar a informação através de uma leitura adicional, afastando do usuá-
rio o material que não seja do seu interesse e dando acesso às informações rele-
vantes.
Trata-se de um processo que reúne pessoas e serviços: o autor da informa-
ção, os pesquisadores em busca da informação, os indexadores, os serviços de
divulgação, o fornecimento dos documentos e o usuário. Com o desenvolvimento da
arte de disseminar, a recuperação da informação passa a ser estruturada com
grande rigor e pertinência. Surgem elementos inovadores, a exemplo das atuais
bases de dados, dos serviços de DSI (Disseminação Seletiva de Informação), além
dos programas de busca, os meios de comunicação. Outros segmentos são impor-
tantes: o uso de meios de comunicação e o acesso a tecnologias da informação e do
conhecimento; os usuários e o papel da mediação. Vale salientar que cada segmen-
to merece ser isoladamente tratado pela sua complexidade.
Entretanto, os Serviços de Referência são de fundamental importância e base
constituída para a implantação da recuperação da informação, incumbindo-se de
reunir acervos devidamente organizados e classificados com o fim de cumprir a
função precípua da biblioteca que é disseminar. Ranghanatan (1961), quando enuncia
a primeira lei de biblioteconomia, de que o livro é para ser usado, evidencia o papel
das obras consideradas de referência para apoiar a disseminação.
Disseminação é fazer chegar a informação às mãos dos usuários, de grupos
de um determinado campo de pesquisa que trabalha assuntos especiais. Conse-
qüentemente, a disseminação da informação e do conhecimento está fundamenta-
da em coleções bem constituídas. Desde as fontes de informação formal registradas
até as fontes de informação informais, não registradas. Convém salientar que 17
a) na primeira fase, constata-se que a disseminação da informação é função
primordial da biblioteca e progride no seu ambiente, nos centros de documentação
e nas academias. A disseminação se processa em um contexto humanista, conside-
rando a importância da cultura em torno dela;
b) a segunda fase desenvolve-se no eixo das transformações científicas, sendo
a informação o cerne do problema. A informação científica deflagra um novo movi-
mento liderado pela linha americana. A técnica se sobrepõe às questões culturais e
a informação é estudada sem a preocupação da contextualização e, assim sendo,

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disseminação seletiva de informação inaugura uma nova época ao se introduzir a
informação articulada com a fonte receptora;
c) a terceira fase corre a partir do avanço das tecnologias, e no centro das
mudanças científicas e tecnológicas, o suporte eletrônico provoca uma revolução na
história da comunicação. A disseminação da informação se processa a partir da
oferta de informação e não mais, prioritariamente, orientada pela demanda.
No final do século XX a década de 90 prenuncia a revolução da informação,
que impõe novos paradigmas e, conseqüentemente, implica em novas percepções
desse espaço real/virtual. O mundo globalizado e a interdependência entre países
intensificam a competitividade, o que obriga as nações menos desenvolvidas a um
esforço maior para atingir a capacidade de participar de concorrências, buscando a
qualidade e a produtividade exigidas pelos novos segmentos econômicos. As
tecnologias de informação são os instrumentos que permitem esta aceleração.
A humanidade chega a era do conhecimento e o capital intelectual faz o mes-
mo papel que a matéria-prima fez na sociedade industrial; ela se encontra nas
pessoas e não nas máquinas ou nos produtos de uma empresa. A busca passa a
privilegiar o conhecimento como estratégia para enfrentar as exigências que se
redesenham movidas pelas atuais necessidades econômicas e sociais.
A literatura registra diferentes definições e utilizações concernentes ao termo
disseminação do conhecimento e da informação. Além desta, encontram-se os ter-
mos difusão, transferência, distribuição. Embora possam conter sutis diferenças, os
termos são intercambiáveis.
De início, a disseminação foi usada para representar o sucesso de distribuição
da informação. Atualmente, disseminação está articulada ao sentido de uso da in-
formação. Posteriormente, passam a exigir um refinamento na implementação real
e algumas questões merecem ser destacadas:
O sentido de disseminar a informação está associado ao uso da informação. O
18 processo entre a transmissão e a recepção reúne as etapas de: recebimento; leitura
(no caso da comunicação formal e semi-formal); compreensão; sentido; análise;
apoio na tomada de decisão.
O uso da informação pode introduzir mudanças no comportamento e nas prá-
ticas e, finalmente, o uso estratégico mobiliza os pesquisadores em busca do co-
nhecimento e para atender a situações e atingir metas, entre elas: do uso do
conhecimento e enfrentar mudanças e transformações na sociedade global carac-
terizada pela aceleração da informação e desterritorialização que levam ao
ciberespaço com as suas infovias e que vão permitir novos ajustes no espaço dos
negócios onde a competitividade dita as normas.

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O novo espaço da informação compreende a disseminação efetiva e o seu uso
requer, cada vez mais, a intervenção do especialista, do profissional da informação.
O resgate da comunicação informal vem à tona com a força e a dinamicidade espe-
radas.
Como já foi afirmado antes, a Disseminação Seletiva de Informação – DSI –
pretende fornecer ao usuário tipos específicos de informação que deve informar
sobre cada interesse, sobre a informação que procura e , devem responder a ques-
tões que orientem o serviço, lembrando que os perfis necessitam de manutenção
periódica.
A disseminação1 da informação, reúne quatro elementos fundamentais:
· Fontes de disseminação - a atividade de organização ou criação de um novo
conhecimento para conduzir a atividade de disseminação;
· O conteúdo - que é disseminado em diferentes suportes;
· Meios de disseminação – meios pelos quais o conhecimento ou produto está
descrito e transmitido;
· Uso - da informação ou produto disseminado.
Segundo Nice Figueiredo (1995, p.58), existem fases que devem ser observa-
das para a realização destas atividades. Convém lembrar a importância da Dissemi-
nação Seletiva da Informação / serviço de alerta. O objetivo do serviço de alerta é
manter o pessoal de P&D e da administração em uma empresa, do pessoal docente
de uma universidade, atualizados na literatura corrente das suas respectivas áreas
de interesse por meio de impresso ou pelo eletrônico. Para isso devem ser divulgadas
informações dos mais variados tipos sobre os recursos existentes e mantidos à
disposição dos usuários, de acordo com os perfis preestabelecidos.
A previsão de informação adequada, personalizada, sob medida e de serviços
de alerta para cada usuário, continua a ser a principal atividade dos gerentes de
centros de informação. Há diferentes abordagens para o fornecimento desses ser-
viços, que podem ser produzidos interna ou externamente. 19
Uma primeira decisão, aliás, refere-se aos serviços que vão ser produzidos
internamente e aqueles que vão ser obtidos externamente. A adoção de um serviço
é sempre precedida de uma análise, quer seja ela interno ou externo. Serviços
internos podem ser divididos nos que são produzidos sem computadores e nos que
são extraídos de uma base de dados.
Na sociedade informatizada, a disseminação da informação extrapola dos li-
mites da biblioteca e se estende às redes eletrônicas. Trata-se de um ambiente sem
fronteiras e, como sofre influências dos processos que são baseados em tecnologias

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da informação, estão em constante mutação. Portanto, a disseminação da informa-
ção é um processo de grande complexidade no percurso entre a produção/uso da
informação.

C ONCLUSÕES

Revisitando a história, a preocupação humana de disseminar informação e


conhecimento sempre esteve contida no discurso intelectual de diferentes épocas.
Continuadamente, fronteiras se movem e os campos se integram na turbulência
inerentes aos cenários em que a informação promove articulações no tecido social,
fazendo emergir novos conceitos, outras sensibilidades em diferentes espaços.
A preocupação humana de disponibilizar a informação e conhecimento sempre
aparecem nos discursos de intelectuais em diferentes épocas. Vale lembrar,
Aristóteles, no século III a.C., foi considerado pelos estudiosos da sua obra um
enciclopedista por ter se preocupado em disseminar conhecimento em muitas áreas
do saber humano, sendo a enciclopédia, termo que vem do grego, en + kiklos +
paideia o mesmo que círculo do conhecimento (CARVALHO, 1999).
Muito mais tarde, Leibniz, no século XVII, externa sua preocupação ao defen-
der a idéia da realização de uma organização bibliográfica com o objetivo de
disponibilizar aos estudiosos obras registradas sobre cada assunto.
No século XVIII, os enciclopedistas Diderot e d’Alembert lançam a grande obra
sobre o conhecimento humano e reconhece o aumento da produção bibliográfica
de modo significativo nas primeiras décadas do século.
Surgem os periódicos que se afirmam como veículo de disseminação do co-
nhecimento científico, tendo aparecido os primeiros a partir do séc XVII, timidamen-
te, aprimorando-se pouco a pouco nos séculos seguintes.
No século XX, a ênfase nos periódicos como veículo da ciência moderna se utiliza
20 dos índices, resumos, periódicos técnicos e artigos de periódicos para disseminar o
conhecimento científico; na década de 40, assiste-se a denominada explosão biblio-
gráfica, que determina o aparecimento de novas técnicas e tecnologias visando a
melhoria dos padrões técnicos para o exercício do controle da informação. Constata-
se a importância dos relatórios de pesquisa e introduz-se os cartões Hollerith, as fitas
técnicas, as fotografias, filmes, microfilmes e resumos originais de autores.
A partir dos anos 60, passam a ser cada vez mais freqüentes estudos e pes-
quisas sobre o tema, notadamente os estudos sobre publicações primárias, relatos
de descobertas, revisões e notícias; periódicos de resumos e índices, para atender

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a necessidade de informação vinda dos cientistas. Tornam-se importantes as pes-
quisas lingüísticas e a exigência de processos editoriais mais rápidos, para dar su-
porte ao sistema de disseminação emergente. Para respaldar esta nova realidade,
a criação das bases de dados bibliográficos e numéricos, usando computadores,
explicitam o aumento das publicações.
Surge a necessidade de ampliar espaços e de promover meios para a valoriza-
ção da ciência. A comunicação informal se beneficia com o uso de novas tecnologias
tais como telefone, teleconferência, meio eletrônico e televisão, valorizando a im-
portância da comunicação nesse novo cenário. O avanço das pesquisas sobre disse-
minação da informação se afirma com a proposição de Luhn, quando diz que a
Disseminação Seletiva da Informação - DSI, procurando o objetivo de vulgarizar o
conhecimento científico, e como já foi dito antes, o crescimento da área em ques-
tão, mediante estudo e pesquisa, aprofundam os temas; levantamento de dados
sobre necessidades da informação dos cientistas; desenvolvimento dos sistemas de
armazenamento e recuperação de informação; uso de transmissão de imagem-
televisão. Deste modo, a utilização da automação passa a ser corrente nos serviços.
O crescimento do conhecimento científico influencia técnicas e tecnologias que im-
pulsionam estudos sobre processos de disseminação mais modernos.
Ainda na década de 60, a UNESCO assume a liderança no desenvolvimento da
informação científica e tecnológica e posteriormente, em 1972, surge o documento
que cria o Programa do Sistema Mundial de Informação Científica e Tecnológica -
UNISIST. O Programa objetiva minimizar os desníveis entre países em desenvolvi-
mento por meio de mecanismos que possibilitem a transferência de informações
científicas e tecnológicas. Para atingir os seus objetivos, organismos regionais são
criados a partir de 1974 para executar a política da UNESCO e a implementação dos
Sistemas Nacionais de Informações - NATIS. O NATIS (National Information System)
brasileiro, sob a responsabilidade do IBICT, antigo IBBD - Instituto Brasileiro de
Biblioteconomia e Documentação, seria responsável pela coordenação do Sistema 21
de Informação Científica e Tecnológica do Brasil. Vale lembrar que a política do
NATIS nunca foi implementada.
A comunidade científica se beneficia de novos inventos que propiciam o apare-
cimento de um parque gráfico renovado e o periódico passa a ser o canal de comu-
nicação próprio da ciência. Como conseqüência, a Ciência da Informação se dedica
a oferecer meios para fortalecer a pesquisa, ampliando os estudos sobre dissemi-
nação.

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Mikhailow, especialista do Vinitti, sistema de informação russo é responsável
pelos primeiros estudos sobre os fundamentos da Informação Científica (informa-
ção + automação) acreditando ser a Informática uma nova denominação para a
informação científica. Paralelamente, nos Estados Unidos, a American Library
Association – ALA, utiliza o termo Division of Information Science and Automation
sem, contudo, divulgar um documento que justificasse a sua contribuição.
Coube ao American Documentation Institute (ADI) publicar o primeiro periódi-
co anual para disseminar as novas contribuições na área, intitulado Review of
Information Science. O crescimento dos títulos de periódicos científicos demons-
tram o fortalecimento dos estudos na área de Ciência da Informação.
Pinheiro & Loureiro Borko entendem a Ciência da Informação como área de
caráter interdisciplinar, responsável pelo conjunto de conhecimentos relativos à ori-
gem, coleta, organização, armazenamento, recuperação, interpretação, dissemi-
nação e uso da informação. Admitem a sua relação com outros campos do saber,
sobretudo com a Biblioteconomia e a Documentação, que se apresentam como
campos de aplicação. Sobre o tema, ressalta-se o artigo de Lena Vania Pinheiro e
Mauro Loureiro publicado na revista Ciência da Informação (PINHEIRO, L. V. e LOU-
REIRO, M. 1995). Assim como Rees e Saracevic (1999), que não comparam a
Ciência da Informação com a Biblioteconomia e com a Documentação, mas como
um campo de estudo das técnicas e métodos que permitem a compreensão das
propriedades do comportamento e fluxo de informação.
Toda discussão sobre a construção de um corpus teórico e a consolidação das
questões da informação encontram unanimidade quanto à vocação da Ciência de
Informação como espaço de investigação e de produção de uma teoria que apoia a
informação e, continuadamente, as fronteiras se movem e os campos se integram.
No redimensionamento da área, os canais de comunicação se impõem, promoven-
do certas articulações, fazendo emergir novos espaços.
22 Alguns textos clássicos pontuam o crescimento da área informacional, entre
eles, os trabalhos de Derek Solla Price, Little Science Big Science e Science Since
Babylon, sobre a realidade americana, estudam a literatura científica no seu país e
acompanham a produção científica através dos estudos bibliométricos.
O Advento da Sociedade Industrial, de Daniel Bell, publicado em 1954, e A
Terceira Onda, de Alvin Tofler, em 1981, antecipam a necessidade dos estudos
econômicos e culturais da informação.
No Brasil, a disseminação da informação está associada ao desenvolvimento
da área no país. Surgem as bibliografias impressas publicadas pelo Instituto Brasi-

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leiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), responsável pela primeira bibliografia,
e nos anos 70, acompanhando as transformações, passa a ser denominada Biblio-
grafia Brasileira de Ciência de Informação, com o objetivo de respaldar o NATIS,
visando o controle bibliográfico do conhecimento registrado e o mapeamento da
produção intelectual nacional.
Dois fatos novos marcam os anos 80: o IBICT passa a coordenar as ações
descentralizadas de instituições envolvidas nas atividades de informação científica e
tecnológica; e a tecnologia digital representa o grande objetivo a ser atingido para o
desenvolvimento de bases de dados de acesso em linha.
Convém salientar que a disseminação da informação se apoia nas políticas ofici-
ais e proliferam os serviços de alerta, as bibliografias retrospectivas, traduções de
textos, noticiários, informes técnicos e administrativos; surgem alguns ajustes em fun-
ção do avanço tecnológico; questões do direito autoral e as necessidades de entendi-
mento entre autores, editores e livreiros a respeito da reprografia; portais e banco de
dados automatizados e os ajustes pertinentes ao processamento da palavra.
A Bibliografia Brasileira passa a ser incluída na base de dados LICI, do acervo
institucional do IBICT, ficando o controle da Literatura Brasileira em Ciência da Infor-
mação no centro das atenções. O acompanhamento da produção científica brasilei-
ra em diferentes áreas se realiza por novos integrantes em diferentes momentos;
pelo movimento associativo, INTERCOM, como parte da Bibliografia Nacional Brasi-
leira, realizada pela USP com o apoio do IBICT. Com a participação do Ministério de
Ciência e Tecnologia - CNPq / IBICT em relação ao planejamento, gestão e explora-
ção de bases de dados e de indicadores em Programas de Pós-graduação; e tam-
bém as próprias universidades e associações científicas, além da INTERCOM, da
ANCIB e da COMPÓS (GOMEZ, N., 1996).
O desenvolvimento do processamento de dados passa a ser considerado de
enorme necessidade e merecem ser mencionadas as novas mudanças nos sistemas
de impressão, diminuindo o tempo de duração na fase de produção do texto. A 23
circulação dos periódicos científicos permite um maior fluxo da informação científi-
ca e, conseqüentemente, o crescimento das sociedades.
As tecnologias da informação têm o objetivo de resolver as tarefas repetitivas e
asseguram a confiabilidade e a velocidade pertinentes, dando maior ênfase às téc-
nicas de controle e de desenvolvimento dos sistemas. Percebe-se que as tecnologias,
na primeira Revolução Industrial, liberam o homem das atividades físicas para, mais
tarde, na segunda Revolução Industrial, transferirem para a máquina parte da ati-
vidade intelectual do ser humano.

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A partir da Revolução da Informação, as mudanças são mais profundas, mais
radicais. Informação é o elemento chave para formação das futuras elites sociais,
econômicas, políticas e científicas. O mundo moderno enfatiza o princípio da produ-
ção da informação e da ordenação do conhecimento.
Giles Deleuze (1999, p.5) define a informação como um conjunto de palavras
de ordem, acreditando que se tenha entrado em uma sociedade de controle. Cita
Michel Foucault ao definir dois tipos de sociedades: sociedades de soberania e soci-
edades disciplinares. Esta última caracterizada pelos meios de enclausuramento:
prisões, escolas, oficinas e hospitais, e afirma que acredita em uma sociedade
nova, mas que tem resquícios das sociedades disciplinares, de controle. Portanto,
convém salientar que este tipo de sociedade não tem mais essas características,
nem mesmo a escola pode ser considerada um tipo de controle.
Com muita propriedade, Deleuze (1999, p.5) argumenta que, como em uma
estrada, não se enclausuram pessoas, mas ao se fazer entender, multiplicam-se os
meios de controle. Pessoas podem transitar com liberdade, mas podem ser contro-
ladas. Sendo este o futuro, a informação pode ser o sistema controlador das pala-
vras de ordem que tem curso em uma sociedade. Entretanto, mantém-se a busca
ansiosa e frenética do conhecimento, e a disseminação da Informação, nesse con-
texto, passa por novos ajustes e molda novas buscas condizentes com o momento. A
palavra de ordem são os meios de comunicação impressos e eletrônicos da infor-
mação, e a Internet garante o acesso à informação e ao conhecimento, com isso,
vão em sentido oposto ao controle, como insinua Deleuze.
Nesse cenário, as fontes informais ganham espaço com as tecnologias repre-
sentadas pelo telefone, teleconferência e correio eletrônico, que emergem desde a
década de 80. As novas tendências se expressam nas formas eletrônicas e reprodu-
ção digital, aprimoram-se as bases de dados, obras de referência on-line e intro-
duz-se a Internet, a web; sendo que os periódicos progridem na forma e no conteúdo.
24 Todos esses avanços tecnológicos e técnicos contribuem de modo avassalador para
novas modalidades referentes à função disseminadora da informação e do conheci-
mento nesse imprevisível mundo novo.

NOTA
1
Disseminação não é a mesma coisa que distribuição, porque não implica em uso. Já a dissemina-
ção sempre tem o objetivo de atingir grupos interessados em assuntos especiais.

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A disseminação da informação nas instituições
arquivísticas públicas: a experiência do Arquivo
Histórico Municipal de Salvador
MARIA TERESA N. DE BRITTO MATOS

A preservação e o acesso ao patrimônio cultural são uma das maiores preocu-


pações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO). Assim, em 1992 foi criado o Programa “Memória do Mundo”1, reconhe-
cendo a importância de registrar e preservar o patrimônio documental internacio-
nal, nacional e regional. Esta iniciativa surgiu, originalmente, da tomada de consciência
do lamentável estado de conservação em que se encontrava o patrimônio documen-
tal da humanidade em diversas partes do mundo, em decorrência da dispersão, do
saque, do comércio ilícito, do armazenamento e do financiamento inadequados,
além do acesso deficiente à memória em diferentes países (UNESCO, 2002, p. 10).
A consciência da situação de risco do acervo cultural das nações, paralelo à
constatação de que uma quantidade significativa deste patrimônio documental en-
contrava-se, definitivamente, perdida, conduziu à determinação de três (03) objeti-
vos principais para o Programa “Memória do Mundo”: 1) Facilitar a preservação do
patrimônio documental mundial mediante as técnicas mais adequadas; 2) Facilitar o
acesso universal ao patrimônio documental, e 3) Criar uma maior consciência em
todo mundo da existência e da importância do patrimônio documental.
Importante destacar, também, que o Programa “Memória do Mundo” tem pro- 29
curado sensibilizar os políticos, os gestores governamentais e o grande público de
que:
A informação e sua recuperação sistemática constituem a memória das
civilizações;

Os esforços visando preservar a informação devem ser intensificados a


fim de assegurar a preservação e o prosseguimento do desenvolvimento
das civilizações. (UNESCO, 2005)

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De fato, a salvaguarda dos documentos, até recentemente, sempre esteve
associada basicamente à conservação. No entanto, as tecnologias de informação e
comunicação contemporâneas modificaram de forma significativa os métodos de
preservação e acesso à informação. Importante lembrar que a utilização das
tecnologias digitais não elimina por completo os riscos, mas modifica-os. E, por
isso, se faz necessário adotar leis e regulamentos, efetivos, visando proteger o
patrimônio documental nacional, pois as tecnologias podem modificar a “cultura” de
acesso. De fato, as instituições arquivísticas públicas têm ampliado, cada vez mais, o
acesso a seus acervos.
Entre os novos usuários, destacam-se os estudantes. Efetivamente, a parceria
entre educação e arquivologia deve resultar no “[...] reconhecimento do verdadeiro
valor dos arquivos como fonte educativa e a vontade de transformar o valor educativo
potencial dos arquivos em programas positivos e realistas [...]” (BELLOTTO, 2004,
p.231). Por exemplo, há indícios documentais de que, desde 1912, o governo fran-
cês desenvolve atividades direcionadas aos serviços educativos. Mas, foi somente
em 1950 que se institucionalizou o primeiro serviço “educativo” com base em ar-
quivos. Segundo seu idealizador, Charles Braibant, este tipo de serviço é “[...] o
melhor meio de aproximar os alunos dos fatos da história nacional é mostrar-lhes,
através dos documentos, a repercussão em sua província, seu distrito, sua cidade”
(BELLOTTO, 2004, p.233). O impacto de tal investimento, no que tange o aumento
do número de usuários a freqüentarem os Arquivos Nacionais da França foi bastante
significativo, como registra Jilek (1980, p. 33-39): em 1956, foram computados
onze (11) mil usuários; em 1972, dezenove (19) mil; e, em 1977, vinte e dois (22)
mil. Observa-se que os números revelam-se exponenciais.
Com efeito, as instituições arquivísticas podem disponibilizar recursos docu-
mentais para fundamentar não apenas o ensino da história política e administrativa,
mas para as mais diversas áreas do conhecimento: a medicina, a música, a arquite-
30 tura, entre outras. Na Itália, a partir de 1976, os arquivos passaram a colaborar,
como apoio pedagógico, nas escolas secundárias. Na Espanha, “nos últimos anos,
as atividades pedagógicas nos arquivos têm sido levadas a cabo em muitos municí-
pios” (BELLOTTO, 2002, p.230). Nos Estados Unidos, na Polônia e na Rússia já
existem, inclusive, publicações educativas organizadas por arquivos públicos.

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No caso brasileiro, o Arquivo Nacional, através da Coordenação de Pesquisa e
Difusão do Acervo (COPED) tem realizado pesquisas histórico-culturais com vistas a
divulgar o acervo e contribuir com a produção do conhecimento, além de executar a
programação editorial e organizar exposições (ARQUIVO NACIONAL, 2007). Nesta
perspectiva, em 2002, foi lançada a Revista do Estudante – a história através dos
documentos, objetivando mostrar a importância da preservação da memória do
nosso país, destacando alguns momentos históricos.

O AR
ARQQ UIV
UIVOO HISTÓRICO MUNICIPAL DE
MUNICIPAL S AL
ALVVADOR

Importante ressaltar que a recordação (ou re-criação) do passado pela pes-


quisa histórica em documentos arquivísticos não é, simplesmente, “a recuperação
da informação armazenada, mas a reivindicação do sentido do passado por meio do
contexto do conhecimento cultural compartilhado” (HALBWACHS, 1992, p.43). Nes-
ta perspectiva, objetiva-se, com base em pesquisa documental, complementada por
consulta bibliográfica, resgatar a evolução histórico-institucional do Arquivo Históri-
co Municipal de Salvador (AHMS), além de caracterizar a presente estrutura
organizacional e o seu acervo documental. Em seguida, descreve-se a experiência
de divulgação e disseminação da informação do AHMS, destacando as ações cultu-
rais, sociais e educativas, além da atuação editorial. Com efeito, no quadro deste
estudo, a “disseminação da informação” é compreendida como o “fornecimento e
difusão de informações através de canais formais de comunicação” (ARQUIVO NA-
CIONAL, 2005, p. 71), e a “divulgação” constitui o “conjunto de atividades destina-
das a aproximar o público dos arquivos, por meio de publicações e eventos, como
exposições e conferências” (ARQUIVO NACIONAL, 2005, p. 72).
Foi na cidade de Salvador (BA), fundada em 1549 pelo Primeiro Governador
Geral do Brasil, onde se originaram os primeiros documentos oficiais da administra-
ção brasileira (GOMES, 2004, p.18-19). No entanto, Afonso Ruy (1996, p.24) re- 31
gistra que durante a invasão Holandesa2 (séc. XVI) muitos papéis do arquivo da
Câmara3 foram “[...] acumulados, aos montões, em fogueiras [...]”. Hoje, o núcleo
do AHMS é a documentação acumulada pelo antigo Senado da Câmara, na era
Colonial, e da Câmara Municipal (desde 1624), nos regimes Imperial e Republicano,
cujo conjunto representa a memória político-administrativa da cidade, mostrando
sua evolução urbana, social, cultural etc. Este acervo é reconhecidamente de valor
probatório e histórico-cultural, além de constituir-se em registro de memória local e
testemunho da cidade.

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Para compreender a gênese do AHMS é indispensável conhecer a trajetória
das principais bases legais do processo institucional arquivístico da cidade de Salva-
dor.
Em 1915 (22 de junho), foi apresentado em reunião do Conselho Municipal o
projeto de Lei nº 44, propondo a criação do Arquivo Municipal como “instituição
destinada a guardar e preservar o acervo histórico da cidade” (CUNHA apud TEIXEIRA,
2004, p.27). Mas foi somente em 1931 (23 de novembro) que o então prefeito,
Arnaldo Pimenta da Cunha, criou o “Archivo Geral da Prefeitura” através do Ato nº
112. Em 1932 (10 de abril), o Arquivo foi inaugurado, em solenidade festiva, con-
forme registrado em Ata, com a presença do Interventor Federal Juracy Montenegro
Magalhães, secretários de Estado, representantes de instituições científicas e cultu-
rais, além de grandes personalidades locais (TEIXEIRA, 1982, p. 02). Neste mesmo
ano ocorreu a aprovação do Projeto de Regulamentação do Arquivo, através do Ato
nº 39 de 11 de abril, que define em seu Capítulo I – Natureza e Organização, Artigo
1º, que o Arquivo é “[...] uma repartição destinada a conservar, debaixo de classi-
ficação metódica e sistemática [...]” (SALVADOR, 1932) os documentos custodiados
nos Setores Legislativo, Administrativo e Histórico. Ao longo de 1944-1986, a
vinculação institucional do Arquivo foi alterada diversas vezes, restringindo, amplian-
do e descaracterizando a função institucional do Arquivo. Em 1986, em face de
dificuldades conjunturais, como o risco de incêndio no entorno da sede do Arquivo,
a Fundação Gregório de Mattos (FGM) absorveu o patrimônio e o acervo do Arquivo.
Em 1991, o Arquivo é elevado à condição de Gerência de Arquivo Municipal, através
do Decreto nº 9.040, de 19 de julho. Em 1998 (31 de março), o Regimento da FGM
foi alterado, integrando as bibliotecas públicas municipais e determinando como
finalidade da Gerência a gestão do patrimônio documental e do acervo bibliográfico
do Poder Municipal, bem como o estímulo à pesquisa histórica e cultural sobre
Salvador.
32 Atualmente, o AHMS está estruturalmente constituído de quatro (04) Setores:
Arquivos Permanentes, Arquivos Impressos e Biblioteca, Arquivos Audiovisuais e Ar-
quivos Correntes e Intermediários.
O acervo do Setor de Arquivos Permanentes reúne um total de duzentos e
quarenta e nove (249) metros lineares de documentos, e é constituído de quatro
(04) fundos: Câmara Municipal (1624-1890), Intendência Municipal (1891-1929)
e Prefeitura Municipal (1929), além de um fundo especial que reúne escrituras
(1827-1903) de compra e venda de escravos, certidões (1877-1924) de nasci-
mento, casamento e óbito, e documentação eleitoral (1886-1890).

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O Setor de Arquivos Impressos e Biblioteca dispõe de três mil (3.000) livros
relativos a aspectos sócio-econômico-histórico-culturais da cidade de Salvador, além
de publicações governamentais da Prefeitura e da Câmara Municipal, e de quarenta
e seis mil e trezentos (46.300) clippings de jornais locais.
O Setor de Arquivos Audiovisuais é composto de seiscentas e trinta e nove
(639) partituras musicais manuscritas (442) e impressas (176), produzidas entre
os séculos XIX e XX por compositores baianos, seis mil trezentos e sessenta e um
(6.361) projetos arquitetônicos e materiais gráficos de construção e reconstrução
(reforma e reparos de prédios públicos, comerciais e residenciais) de 1890 a 1953,
cento e quarenta e um (141) filmes em VHS e vinte e cinco (25) filmes de 16 e
35mm, de eventos administrativos, cívicos e populares das décadas de 40 a 80,
cinqüenta e três mil trezentos e cinqüenta e três (53.353) fotografias produzidas no
período entre 1940 e 2005, três mil cento e seis (3.106) cartões postais e doze mil
duzentos e cinqüenta e cinco (12.255) slides relativos à cidade de Salvador.
O Setor de Arquivos Correntes e Intermediários, por sua vez, desenvolve, no
âmbito do Poder Municipal, a gestão de documentos, através de orientação e de
assistência aos arquivos correntes e intermediários setoriais. A divulgação e a dis-
seminação do patrimônio documental de valor-histórico reunido e acumulado pelo
AHMS, e as formas de torná-lo disponível ao acesso público, tem sido objeto cons-
tante de discussões, debates e iniciativas. Entre as diversas experiências que emer-
gem ao longo do tempo, apontam-se aquelas que se destacam, notadamente, as
ações culturais, sociais e educativas, além da significativa atuação editorial, confor-
me se apresenta a seguir.

A ÇÕES CUL TURAIS , SOCIAIS E EDUCA


CULTURAIS TIV
EDUCATIV AS
TIVAS

Em agosto de 1989, a diretora Vanda Angélica da Cunha (1989-2001), reco-


nhecendo a necessidade de modificar o papel político-social do Arquivo, até então 33
percebido como “depósito de papel velho” e “arquivo morto” da administração mu-
nicipal, inseriu no seu Programa de Trabalho a “divulgação do Arquivo através de
publicações e atividades de extensão cultural” (FUNDAÇÃO GREGÓRIO DE MATTOS,
1990-1991) de forma a estimular o “[...] uso por diferentes camadas da socieda-
de, a começar pela administração municipal, se expandindo para outros segmentos
especializados, até conseguir atrair o cidadão em geral [...]” (CUNHA, 2004, p.16).
Dentro desta perspectiva, concebeu-se o PROGRAMA ARQUIVO-COMUNIDADE,
objetivando “estreitar os laços entre o Arquivo e a comunidade, desfazer o conceito

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ultrapassado de depósito e possibilitar, pelo conhecimento que a população terá de
seu acervo, um maior peso político à instituição” (OLIVEIRA FILHO, 1991). O pro-
grama se iniciou sob a forma de dois projetos: Integração do Arquivo Municipal à
Comunidade e Viva História Viva (CUNHA, 2004, p.33).
Em novembro de 1990, já como parte do Projeto Integração do Arquivo Muni-
cipal à Comunidade, ocorreu o lançamento oficial do referido Programa, na sede do
Arquivo, situada no Solar São Damaso, inaugurando a Sala Euvaldo Silva, com uma
exposição de documentos. Verifica-se que as atividades desenvolvidas pelo Progra-
ma Arquivo-Comunidade, no período entre 1990-1995 foram constantes e dinâmi-
cas, conforme demonstrado em estudo realizado por Trigo, em 1999, no quadro de
uma disciplina Metodologia da Pesquisa, ministrada pelo Curso de Especialização
“Arquivologia e as Novas Tecnologias Documentais”, realizado pela Universidade do
Estado da Bahia (UNEB).
TABELA 1
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELO PROGRAMA ARQUIVO-COMUNIDADE

Ano Exposições Visitas Concertos Palestras


Internas Externas Monitoradas e Recitais
1990 3 - 2 - -
1991 9 8 4 1 2
1992 4 2 2 1 2
1993 4 3 1 - -
1994 2 8 1 - 4
1995 4 6 1 - -
1996 - 7 - - -
1997 - - - - -
1998 15 3 4 - -
1999 - - - - -

FONTE: ADAPTADO DE TRIGO, 1999.


34
Segundo Trigo (1999, p.10), entre “as atividades do Programa, a que mais se
desenvolveu foi a referente às exposições”, registrando um total de setenta e oito (78)
(TRIGO, 1999, p.11). As exposições internas foram todas organizadas na Sala Euvaldo
Silva. Somam-se, ainda, as exposições externas, sendo algumas itinerantes, realiza-
das em estações de transbordo, shoppings, universidades e entidades culturais. Ou-
tras atividades, também foram realizadas no âmbito do referido Programa, como, por
exemplo, visitas orientadas por técnicos do Arquivo a grupos de estudantes; concertos
ao ar livre executando músicas populares modernas, selecionadas entre as partituras
do acervo do Arquivo; recitais; palestras; entre outros (TRIGO, 1999, p.12).

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Pode-se observar, conforme apresentado na Tabela 1, que o período entre
1991 e 1994 foi marcado pela continuidade das atividades do Programa. No entan-
to, a partir de 1995, verifica-se a paralisação das atividades, em face de dificulda-
des de diversas naturezas, destacando-se a carência de recursos humanos. O limitado
número de pessoal dificultou o desenvolvimento do Programa, porque se fazia ne-
cessário priorizar o tratamento técnico do acervo. Em julho de 1998, o Programa é
retomado, inclusive se beneficiando da utilização de tecnologia digital de comunica-
ção, possibilitando a inserção da página oficial do Arquivo na Internet, além de
dispor de um endereço eletrônico (TRIGO, 1999, p.13). Conforme é dito por Cunha
(2004, p. 34), inicialmente predominaram as informações institucionais, e a idéia
era transformá-la “[...] numa fonte de informações digitais, disponibilizando, [...]
todo o acervo das unidades que compõem a Gerência de Arquivos e Bibliotecas”.
O segundo projeto, Viva História Viva, que é um desdobramento do Programa
Arquivo-Comunidade, foi criado em 1991, com a finalidade de estimular, entre os
alunos do ensino de 1º grau (hoje ensino fundamental), o interesse pela pesquisa
da história de Salvador, além de intensificar a utilização da consulta aos documentos
do Arquivo Histórico.
O Projeto foi discutido e aperfeiçoado em uma reunião com trinta e cinco
(35) professores da rede municipal de ensino. Para um melhor atendimen-
to foi feito um planejamento para o período de visitas (set. / out. 1991),
que eram sempre acompanhadas dos professores. (TRIGO, 1999, p. 15)

Na primeira etapa do Projeto, participaram 13 (treze) escolas da rede munici-


pal de ensino, somando um total de setecentos e sessenta e cinco (765) estudantes
de 5ª e 8ª séries. Estes números expõem o êxito do empreendimento, apesar de se
observar que este Projeto não alcançou a permanência e a dinâmica esperada, visto
que foi diluído nas gestões posteriores.
35
A TUAÇÃO EDITORIAL

No princípio do século XIX, por ordem do governador D. Fernando José de


Portugal (1788-1801), foram copiadas diversas Atas, Cartas Régias e Provisões de
antigos livros do Conselho Municipal (VALENTE, 1944, p. III), em péssimo estado de
conservação4. A determinação, executada pelos oficiais da Câmara, salvou de com-
pleta destruição muitos documentos manuscritos produzidos na primeira metade do
século XVII, inclusive os relativos às primeiras reuniões da Câmara, após a retirada
dos holandeses. Essas unidades de registro de informações se constituíram em

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cópias de segurança, com vistas a preservar as informações, no caso da perda e /
ou destruição dos originais. Considerando a rica diversidade de fontes documentais
custodiadas pelo atual AHMS, e a extensão do período cronológico que abrange,
além do fato de ser “[...] um dos raros a possuir séries homogêneas de manuscri-
tos, referentes ao princípio do século XVII [...]” (MATTOSO, 1977). Em 1944, o
Programa de Extensão Cultural da Diretoria do Arquivo e Divulgação da Prefeitura do
Salvador lançou a SÉRIE DOCUMENTOS HISTÓRICOS DO ARQUIVO MUNICIPAL, privi-
legiando, em um primeiro momento, documentos de caráter político-administrativo.
Desta forma, passando a ampliar o acesso aos manuscritos produzidos pelo antigo
Senado da Câmara, que durante quatro séculos acompanhou o desenvolvimento
político e social da Bahia, consolidando assim a prática de conservação de docu-
mentos através da sua transcrição.
Segundo VALENTE (1944, p. III-IV), os copistas do século XIX foram fiéis aos
originais. Vale mencionar que as transcrições não alteraram a ortografia e a forma
dos manuscritos. A adoção deste critério visou oferecer aos pesquisadores os textos
dos documentos, tais como se encontram, realmente, nos códices custodiados pelo
AHMS. Importante referir que os volumes iniciais estiveram a cargo da Prefeitura do
Município de Salvador, sendo os dois (02) últimos volumes das Atas publicados atra-
vés de uma parceria com a Câmara Municipal de Salvador.
O primeiro volume do livro de Atas da Câmara 1625 – 1641 foi publicado em
1944. Em 1949, no âmbito das comemorações do IV Centenário de Fundação da
Cidade do Salvador, a Diretoria do Arquivo, Divulgação e Estatística da Prefeitura do
Salvador organizou e distribuiu um número significativo de publicações. Três (03)
livros da SÉRIE DOCUMENTOS HISTÓRICOS DO ARQUIVO MUNICIPAL foram lançados:
Atas da Câmara 1641 – 1649 (v. 2); Atas da Câmara 1649 – 1659 (v. 3) e Atas
da Câmara 1659 – 1669 (v. 4). A SÉRIE EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CIDADE DE
SALVADOR foi inaugurada com os títulos: História da literatura bahiana, de Pedro
36 Calmon, e História política e administrativa da cidade do Salvador, de Affonso Ruy.
Esta série edita outras obras em: 1954, As artes na Bahia – arquitetura colonial
(parte 1), de Robert C. Smith, organizado por José Valladares; 1967, História das
artes na cidade do Salvador 1549-1900, de Marieta Alves et al.; 1968, História
social da cidade do Salvador – aspectos da história social da cidade (publicação
póstuma), de Wanderley Pinho; e, em 1969, A música na cidade do Salvador 1549-
1900, de Hebe Machado Brasil.
Somam-se, ainda, outras publicações, como por exemplo: o Pequeno Guia das
Igrejas da Bahia, de autoria de Affonso Ruy, e editado pela Tipografia Beneditina
Ltda., composto por quatorze (14) volumes. Neste ano, foram lançados, ainda:

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v. I – Catedral Basílica, v. II – Ordem 3ª de S. Francisco e v. III – Convento e Ordem
3ª do Carmo. Em 1950 foram lançados: v. V – Convento do Desterro, v. VI – Ordem
3ª de São Domingos, v. VII – Igreja da Ajuda e a Devoção dos Passos e v. VIII – Mont-
Serrat – o forte e a igreja. Em 1951: v. IX – Igreja do Pilar e v. X – Igreja do
Bonfim. Em 1952: v. XI – Sta. Casa da Misericórdia e sua igreja e v. XII – Igreja do
SS. Sacramento e Santana. Em 1953: v. XIII – Convento da Lapa e v. XIV – Igreja da
Graça.
A SÉRIE DOCUMENTOS HISTÓRICOS DO ARQUIVO MUNICIPAL foi continuada em
1950 com a publicação do volume 1 do livro de Cartas do Senado a Sua Magestade
1638-1673. Houve, ainda, mais cinco (05) volumes: Cartas do Senado a Sua
Magestade 1673 – 1684 (v. 2), em 1952; Cartas do Senado a Sua Magestade
1684 – 1692 (v. 3), em 1953; Cartas do Senado a Sua Magestade 1693 – 1698
(v. 4), em 1959; Cartas do Senado a Sua Magestade 1699 – 1710 (v. 5), em
1962; e Cartas ao El-Rei 1710-1730 – 1730 (v. 6), em 1973. E, mais os livros
das: Atas da Câmara 1669 – 1684 (v. 5), em 1950; Atas da Câmara 1684 – 1700
(v. 6), s/d; Atas da Câmara 1700 – 1718 (v. 7), em 1984; Atas da Câmara 1718
– 1731 (v. 8), em 1985; Atas da Câmara 1731 – 1750 (v. 9), em 1994; Atas da
Câmara 1751 – 1765 (v. 10), em 1996.
Comemorando o Sesquicentenário da Independência, em 1972, o Departa-
mento de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e a Divisão de
Arquivo publicaram Documentos da Municipalidade do Salvador relacionados com a
independência da Bahia, resultado de pesquisa em registros relevantes custodiados
pelo Arquivo Municipal.
Em 1977, outros tipos documentais foram divulgados através da publicação
intitulada Cultura e Arte na Bahia: uma fonte para pesquisa histórica. Este volume
reúne a transcrição e a reprodução fac-similar de documentos de relevante valor
histórico. No que diz respeito à natureza do conteúdo, segundo o prefácio da Pro-
fessora Doutora Kátia M. de Queirós Mattoso “[...] a primeira série diz respeito à 37
documentação referente a problemas de saúde e é constituída por dois tipos de
documentos: marca de escravo e cartas de saúde. [...]” (MATTOSO, 1977). A se-
gunda série denomina-se “marca de ourives”, trata do registro das marcas que os
mestres ourives de ouro e prata utilizavam, obrigatoriamente, para identificar as
suas obras.
Na qualidade de instrumentos de pesquisa disponíveis, identifica-se o Reper-
tório de Fontes sobre a Escravidão Existentes no Arquivo Municipal de Salvador – As
Posturas (1631-1889), publicado em 1988, que tem contribuído para os estudos

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baianos e a pesquisa historiográfica brasileira. No entanto, necessita-se dar priori-
dade à elaboração de outros instrumentos de pesquisa, de forma a assegurar a
consulta efetiva de todo o patrimônio documental do AHMS.
Em 2005, a FGM lançou a primeira publicação técnica na área de Arquivologia,
que se intitula Memória, Sociedade e Mídia Impressa: a experiência do Arquivo His-
tórico Municipal de Salvador, de autoria da professora Vanda Angélica Cunha.
Estas publicações são canais de comunicação efetivos de informação, seja
com a administração, o meio acadêmico ou a comunidade sobre o conteúdo do
acervo documental do AHMS. Bellotto (2004, p. 230) lembra, ainda, que “o livro,
por sua própria natureza, tem um caráter de permanência e multiplicidade que o
torna veículo de publicidade constante e lhe abre um enorme campo de ação e a
indeterminação de uso no tempo”.

CONCLUSÃO

As instituições arquivísticas públicas constituem-se em inegável recurso cultu-


ral, fundamental para os povos e as civilizações. No entanto, observa-se que, no
Brasil, os investimentos estruturais nestas instituições têm sido limitados, dificultan-
do a disponibilização dos recursos culturais para a sociedade. No caso do AHMS,
iniciativa pioneira de ação cultural, social e educativa foi firmada na década de 90,
através do Projeto Viva História Viva do Programa Arquivo-Comunidade. No entanto,
verifica-se que por falta de infra-estrutura de pessoal, o projeto não teve continuida-
de. Contudo, fica claro que os arquivos públicos podem oferecer apoio didático-
pedagógico a qualquer programa de educação, com destaque para o ensino
fundamental e médio.

38 NOTAS
1
A “Memória do Mundo” é compreendida como a memória coletiva dos povos que documenta “[...]
a evolução do pensamento, dos descobrimentos e das conquistas da sociedade humana. É o legado
do passado para a comunidade mundial presente e futura [...]” (UNESCO, 2002, p.9).
2
O Livro de Tombo de São Bento afirma que apenas os monges Beneditinos conseguiram conservar
registros documentais produzidos antes da invasão holandesa, porque deixaram o mosteiro levan-
do os documentos consigo. Vale lembrar que logo após a saída destes invasores, os documentos
passaram por um processo de restauração e todos foram registrados no tabelião de notas que
existia na época.

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3
Segunda a ser instalada no Brasil, na ordem cronológica de criação, “exercendo desde logo
preponderante influência nos destinos da terra como cabeça da colônia [...]” (RUY, 1996, p.39).
4
Entre os fatores que favoreciam este cenário, apontamos as questões climáticas específicas a
países de clima tropical e ausência de limpeza sistemática dos documentos, destacando que no
“período colonial, as tintas importadas de Portugal eram a base de ferro (ferrogálicas)” (MAROCCI,
1991, p. 23), podendo ocasionar a corrosão do papel e conseqüente destruição do mesmo.

R EFERÊNCIAS

ARQUIVO NACIONAL. Coordenação de Pesquisa e Difusão do Acervo. Disponível em:


<http://www.arquivonacional.gov.br>. Acesso em: 15 jan. 2007
ARQUIVO NACIONAL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janei-
ro: Arquivo Nacional, 2005.
BELLOTTO, Heloisa Liberalli. Arquivos permanentes: tratamento documental. 2.ed.
revista e ampliada. Rio de Janeiro: FGV, 2004.
BELLOTTO, Heloisa Liberalli. Política de ação cultural e educativa nos arquivos mu-
nicipais. In: Registro – Revista do Arquivo Público Municipal de Indaiatuba, ano I,
nº1, julho 2002, p.14-27.
CUNHA, Vanda Angélica da. Memória, sociedade e mídia impressa: a experiência do
Arquivo Histórico Municipal de Salvador. Salvador: FGM, 2004.
FUNDAÇÃO GREGÓRIO DE MATTOS. Gerência de Arquivos e Bibliotecas. Relatório de
Atividades. Salvador: FGM, 1990-1991.
GOMES, Felisberto dos Santos. Fragmentos da história social e cultural do negro e 39
de afro-descendentes nos documentos do Arquivo Histórico Municipal do Salvador.
Salvador, 2004. (Monografia apresentada ao Curso de Especialização de História e
Cultura Afro-Brasileira: Fundamentos Metodológicos, promovido pela Fundação Vis-
conde de Cairu e APLB Sindicato).
HALBWACHS, Maurice. Sobre a memória coletiva. Chicago: Lewis Coser (Ed. e trad.),
1992.
JILEK, Bozena. Les services educatifs dans les archives départementales en France.
In: Archives. Montréal, mars 1980.

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39 16/4/2008, 16:43
MAROCCI, Gina Veiga Pinheiro. Arquivo Municipal de Salvador: uma nova leitura. Salva-
dor, 1991 (Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Arquitetura e Urbanis-
mo, ministrado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia,1991.
MATTOSO, Kátia M. Queirós. Prefácio. In: Cultura e arte na Bahia: uma fonte para a
pesquisa histórica. Salvador: Prefeitura da Cidade de Salvador, 1977.
OLIVEIRA FILHO, Manoel. Arquivo Comunidade: a história de portas abertas. In: Diá-
rio Oficial da República Federativa do Brasil – Estado da Bahia. Salvador, Ano LXXVI,
nº 14.912, 13 nov. 1991, cad.4, p.1.
RUY, Afonso. História da Câmara Municipal da Cidade de Salvador. 2 ed., Salvador,
Câmara Municipal de Salvador, 1996.
SALVADOR. PREFEITURA MUNICIPAL. Ato nº 39 - Regulamento do Archivo Geral desta
Prefeitura, 11 de abril de 1932.
TEIXEIRA, Antenor. O Arquivo Municipal da Cidade do Salvador. Salvador, abril, 1982
(Texto mimeografado).
TRIGO, Lina Maria Castro e Trigo. O Arquivo Histórico Municipal de Salvador e sua
função educativa e social. Salvador, 1999 (Trabalho apresentado no quadro da dis-
ciplina Metodologia da Pesquisa, ministrada no Curso de Especialização em
Arquivologia e as Novas Tecnologias Documentais, realizado pela Universidade do
Estado da Bahia).
UNESCO. Memória do Mundo – Diretrizes para a Salvaguarda do Patrimônio Docu-
mental. Preparado por Ray Edmondson. Fevereiro 2002. Disponível: <http://
www.unesco.org.uy/ informatica/mdm.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2005.
40 UNESCO. Preserver notre patrimoine documentaire. Disponível: < http://
por tal.unesco.org/ci/fr/ev.php-URL_ID=19440&URL_DO=DO_TOPIC&UR
L_SECTION=201. html > . Acesso em: 10 abr. 2005.
VALENTE, Osvaldo. Apresentação. In: Atas da Câmara 1625-1641. Salvador: Prefei-
tura Municipal do Salvador, dezembro de1944.

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Organizações sociais na atual sociedade:
espaços de leitura
KÁTIA DE CARVALHO
IVANA A. LINS GESTEIRA

Graças aos povos ibéricos, a expansão geográfica do ocidente desafia o mundo


com descobrimentos marítimos que se refletem no crescimento do conhecimento,
inclusive do conhecimento náutico. A produção intelectual do homem traz consigo o
desafio de aperfeiçoar o mundo e nesse longo trajeto assiste-se ao crescimento signi-
ficativo do conhecimento científico. Nesta sociedade, atinge-se o ápice desse conheci-
mento que apoiado pelo desenvolvimento tecnológico transforma a realidade, vive-se
um período fascinante da história humana.
Cada era tem suas crenças, suas vaidades, seus mitos, e nesse novo milênio, o
homem começa a desvendar um imenso leque de possibilidades que se avolumam
sob a influência das tecnologias e que trazem novas alternativas, esgotando os
paradigmas que até então sustentam a sociedade.
Um momento complexo em que ajustes no plano econômico, social e cultural
acontecem influenciados pelo desenvolvimento tecnológico que opera mudanças,
entre elas, a questão da desterritorialização, da superação dos espaços geográficos
que se refletem na substituição das ferrovias por infovias no espaço virtual, no
ciberespaço.
Os milhares de anos de história na busca da construção de uma civilização 41
efetivamente mais confortável e mais justa trazem uma rica contribuição para a
memória da humanidade. Atinge-se a maturidade e a vida nas cidades aproxima as
pessoas, modificando as relações interpessoais e institucionais. O crescimento
desordenado desses espaços sociais provoca dificuldades e diferenças que excluem
pessoas. A denominada exclusão social, motivada pela ausência de políticas públi-
cas que preparem os indivíduos para mudanças tão profundas, merece especial
atenção por parte do poder público.

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Alguns paradoxos resistem e insistem em permanecer sem solução eficaz nos
planos político, social e econômico, como a crescente diferença entre pobres e
ricos; empregados e desempregados; alfabetizados e analfabetos; países produto-
res, industrializados, consumidores, países explorados e países consumidores, paí-
ses devedores, entre tantas outras disparidades. Esses exemplos a respeito das
diferenças existentes entre pessoas, ao mesmo tempo em que reduzem as distân-
cias físicas, ampliam as diferenças sociais e de acesso à informação e ao conheci-
mento.
As mudanças vêem transformando de forma acelerada a vida humana, especi-
almente nos últimos vinte anos, e requerem da sociedade respostas rápidas para o
atendimento das demandas sociais. Apesar das novas tecnologias introduzidas para
facilitar o cotidiano das pessoas, tais avanços são relativos e as mudanças sociais e
econômicas ocorrem prejudicadas pelos altos níveis de fome e desemprego.
Faz-se necessário que a sociedade promova debates e apresente seus pleitos,
junto às representações, exercendo os princípios da cidadania, contribuindo para a
implementação de políticas públicas adequadas. Embora os inúmeros problemas
não sejam questão única do estado, e nem se resolvam pelas ações do mercado ou
pela tecnologia, podem ser mediadas pela ação conjunta e, antes de tudo, deve
contar com a participação cidadã dos sujeitos no exercício dos seus direitos e deve-
res.
No Brasil, conforme dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (2003),
o número de analfabetos, em 2002, era de 14,6 milhões de pessoas, ou 11,8%
da população de 15 anos ou mais idade. A UNESCO determina esse limite etário
para o cálculo da taxa de analfabetismo, pois segundo este órgão, a não alfabetiza-
ção entre crianças até 14 anos de idade é problema mais fácil de ser corrigido
porque há um investimento crescente por parte do poder público quanto ao acesso
à escola nessa faixa etária. Somando-se a este alto índice de excluídos do letramento,
42 tem-se no Brasil um número elevado de analfabetos funcionais, ou aqueles que,
segundo a UNESCO, são pessoas que possuem menos de 4 anos de estudo comple-
tos, incapazes de interpretar o que leram. Em 2002, o País apresentava um total de
32,1 milhões de analfabetos funcionais ou 26% da população de 15 anos ou mais
de idade. Os dados sobre alfabetização no País demonstram a necessidade urgente
de implementação de ações voltadas para corrigir a grave distorção social.
As campanhas de alfabetização levadas a cabo no País pouco têm contribuído
para a efetiva elevação do número de letrados que se concentram na classe pobre.
Reverter este quadro significa superar o estágio de ignorância e atraso de grande

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parcela do povo brasileiro. A aquisição do código escrito pode promover a ruptura
com a situação de miséria em que muitos se encontram, segundo Zilberman (1993),
a conquista da habilidade de ler é o primeiro passo para assimilação dos valores da
sociedade.
Para compreender o alto índice de excluídos do letramento é preciso resgatar
a participação da família, da escola e da biblioteca como base para a leitura. Neste
caso, privilegiam-se aspectos fundamentais desse contexto, onde serão discutidas
as práticas de leitura, levando-se em conta a importância das novas tecnologias de
informação que permeiam a sociedade contemporânea e o papel da biblioteca pú-
blica.
Pensar em uma nova organização social que possa permitir a reorganização
dos novos espaços sociais é um desafio. Através do tempo, os diferentes suportes,
papiro, barro, papel ou tela, vêm preservando a questão do sentido, e a dissemina-
ção da informação e do conhecimento se processa de modo acelerado e surpreen-
dente.
Inicialmente é preciso focar as questões relativas à forma de ler e escrever.
Escrita e leitura se mantêm e a massificação em todos os campos do conhecimento
é a grande preocupação porque estabelece uma nova manipulação da mídia por
editores, autores, distribuidores, resultando em novas questões mercadológicas; é
inegável que o espaço virtual favorece a socialização. A cultura escrita está presente
até mesmo no formato do livro eletrônico, projetado como o de papel, tendo um
aparelho especial que permite a reprodução página por página.
A tecnofobia, termo usado para comunicar o medo das tecnologias e sua influ-
ência na sociedade, vai desde os temores do comprometimento do raciocínio huma-
no, do discurso interpessoal até a possibilidade do fim da escrita. É importante
ressaltar que nessa realidade virtual a escrita e a leitura permanecem no suporte
eletrônico e no papel. Entretanto, certas práticas de leitura não prescindem do uso
do texto em papel. 43
O aparecimento do livro eletrônico introduz uma nova discussão nos estudos
sobre escrita e leitura. A imitação do formato do livro impresso, em papel, para
muitos, dificulta o hábito de ler, ou seja, de exercitar o ato simples de ler um livro,
em lugares bucólicos e confortáveis, até mesmo a questão de que ler um livro
também pode ser uma experiência lúdica.
Em recente entrevista dada em Buenos Aires, Umberto Eco compara, com fina
ironia, o livro a um espremedor de limão, como sendo um desses objetos que a
humanidade não dispensa e que ficará para sempre, e finaliza o seu discurso ga-

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rantindo aos espectadores a perenidade do livro impresso. Entretanto, presume-se
que suportes diferentes convivem sucessivamente.
Um dos exemplos mais dignificantes do formato eletrônico é a enciclopédia
eletrônica, que quando é criada, pretende reunir todo o conhecimento humano. Na
sua origem, a en+kiklos+ paidéia, expressão grega que se traduz por ciclo do
conhecimento, atende aos anseios da sociedade. Entretanto, o crescimento
informacional vai influenciando a sua forma de apresentação. A história da enciclo-
pédia reflete o crescimento humano. Assim, a enciclopédia em formato eletrônico
pode ser entendida como mais um suporte, um tipo de livro que exige agilidade e
precisão a serviço da disseminação da informação e da comunicação. O mesmo
ocorre com o dicionário ou com o texto técnico do tipo vocabulário controlado.
Contudo, as novas tecnologias impõe também questões complexas e contradi-
tórias face ao uso do livro em relação aos aspectos educacional e cultural; como um
novo produto de valor comercial agregado merece ser analisado porque contraria os
interesses das instituições voltadas para defender o acesso ao livro, sem fins lucra-
tivos. Entre estas instituições estão a biblioteca pública e demais espaços de leitura,
visando o letramento do cidadão.
Merecem destaque as diferenças entre a obra do autor e a obra de informa-
ção. Entretanto, as associações de classe, organismos como a UNESCO e a Comis-
são Européia se mobilizam alertando para a missão específica da biblioteca, que
como organismo social, garante o acesso gratuito à cultura e ao conhecimento. A
UNESCO sente-se responsável pela questão do direito à informação, preservando a
disseminação da cultura, a livre circulação de idéias, de informação e de conheci-
mento. O uso legal (fair-use) das obras protegidas necessita ser preservado. Outros
suportes complementares se somam aos livros e são adequados à pesquisa, aos
estudos e ainda aos interesses lúdicos, levando ao acesso à informação e ao conhe-
cimento, portanto, o formato ou suporte utilizado depende do uso pretendido.
44 O livro eletrônico estabelece novas bases de interação entre homem e máqui-
na, influenciando a estrutura e a organização social. Proporciona novas discussões
em diferentes direções. Estudos sobre o direito do autor interessam aos estudos da
Ciência da Informação que necessitam legitimar normas e leis de funcionamento.
Esses direitos podem ser segmentados: direito do autor, do editor, do usuário, leitor
ou consumidor. Nesse sentido, o papel da Internet é importante. A área jurídica
pode ser citada como um exemplo interessante de criação de novos espaços de
convivência, mantendo uma revista eletrônica intitulada JUS e o Diário Oficial, que é
também encontrado em CD-ROM. Propõe-se a estruturar projetos que visem o valor

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agregado à informação e a manter um programa de acompanhamento de Proces-
sos e de Jurisprudência. Neste sentido, o que vale a pena enfatizar na interseção
das áreas é a contribuição à disseminação da informação, que se beneficia face a
força probatória do documento em detrimento do depoimento oral.
Os primeiros impactos provocados pelas tecnologias nas questões do direito
do autor ocorrem quando a máquina copiadora entra em circuito comercial e é
introduzida no mercado. Vale ressaltar que as duas últimas leis de direito autoral no
Brasil são omissas a esse respeito. Das copiadoras até os dias atuais, a situação se
agrava com o avanço tecnológico no âmbito da comunicação e da informação. Esta
mudança radical influencia o uso de textos de forma ilegal.
Entretanto, não se deve estabelecer leis ou normas precocemente. É preciso
lembrar os efeitos da descoberta da imprensa e os desdobramentos dos impactos
tão profundos, similares aos que ocorrem na atual sociedade da informação, face
ao uso do computador.
Apesar do livro eletrônico oferecer vantagens, proporcionando menor custo e
maior rapidez na produção, certamente não terá a fixação duradoura do texto em
papel, como também a função lúdica que é própria do livro tradicional. Neste senti-
do, vale ressaltar a importância da escrita para os estudos sobre leitura e escrita.
Chartier (1993), em As práticas da escrita, comenta o 2º ato da peça intitulada
Henrique VI, texto de Shakespeare, sobre a revolta do personagem Jack Cade. O
fabricante de tecidos decide matar todos os juristas, acaba por escolher o amanuense
Chantham, tomado pela aversão à escrita e sua função disseminadora, que
disponibiliza textos para as decisões da justiça. Cade intitula pergaminho todo
rabiscado e que permite a fixação das dívidas em função do roubo de gado, fazendo
alusão aos direitos sobre a escrita (Royal Writs). A escrita, ao fixar no suporte ma-
terial o fato, passa a ser irrefutável. Cade percebe esta força, para ele, mágica e
maléfica.
A escrita representa então a imposição de autoridade, que pela lei ou pela 45
magia, submete o fraco ao forte e questiona a igualdade comunitária. Assim, o
direito a ter sua marca, sua assinatura, é também uma rejeição à regra comum, é
um ato individual.
Shakspeare, com esta peça, traz à tona uma importante questão que relaciona
a escrita a uma forma de dominação, de poder. O impresso (em papel) tem valor
probatório, no caso das modernas tecnologias, ainda não é possível fazer previsão
da adequação à preservação da memória do homem. Os textos escritos têm um
papel legítimo e conviverá com novos suportes de informação a depender das ne-

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cessidades do leitor, receptor. Assim, os diferentes suportes conviverão segundo a
adequação à situação proposta.
Considerando as profundas transformações que influenciam as organizações
sociais, as questões do leitor face ao texto e do leitor em relação ao uso da bibliote-
ca sugerem novas atitudes do cidadão motivado para o livro e a leitura. Essa mudan-
ça tem provocado alterações nos modos de busca do livro. No caso do acesso do
leitor à biblioteca pública, com acervos nem sempre atualizados e pouco atraentes
para o leitor em busca da leitura. Ferreira (2004) afirma que as bibliotecas públi-
cas nem sempre conseguem responder à demanda crescente de informação por
parte da comunidade, seja pelo distanciamento físico, seja pela ausência de investi-
mentos para atualização de acervos, o que tem estimulado a busca de outros espa-
ços de leitura.
O não-letramento afasta as pessoas da biblioteca pública e as ações para
minimizar as questões de letramento ainda são incipientes.
Soares (2003) discorre sobre o surgimento do conceito de letramento e afir-
ma que, no Brasil, a discussão sobre o tema surge vinculada ao conceito de alfabe-
tização, que para a autora pode ser:
letramento é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escre-
ver: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um individuo
como conseqüência de ter-se apropriado da escrita. (SOARES, 2004,
p.18)

No entanto, deve-se compreender que esse conceito se aplica à etapa inicial


da aprendizagem da escrita, como participação em eventos variados de leitura e de
escrita no que se refere à etapa inicial da aprendizagem e o conseqüente desenvol-
vimento de habilidades de uso da leitura e da escrita nas práticas sociais que envol-
vem a língua escrita e as atitudes positivas em relação a essas práticas.
Galeno Amorim afirma que no Brasil o número de livros lidos por habitante/ano
46 é de 1,8; enquanto que em países desenvolvidos este coeficiente é muito diferente,
conforme figura 1 (AMORIM, 2004).
Leitura de livros no mundo
(por hab/ano)
França 7 livros
Estados Unidos 5,1 livros
Inglaterra 4,9 livros
Brasil 2 livros
FIGURA 1. RELAÇÃO ENTRE LEITORES DE LIVROS POR ANO
FONTE: AMORIM, 2004

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No Brasil, afirma o autor, aproximadamente 1.000 cidades não possuem bibli-
otecas de acesso público, e isto se repete nas cidades de pequeno porte, com
menos de 20 mil habitantes. Essas localidades possuem um Índice de Desenvolvi-
mento Humano – IDH – baixo e o índice de analfabetismo acima da média brasilei-
ra. Onde vivem cerca de 14 milhões de pessoas, a existência de uma biblioteca
pública representa uma das possibilidades de reverter os baixos resultados no cam-
po da alfabetização do País.
A biblioteca é uma instituição que funciona com uma estrutura organizacional
distinta, possui diversos setores e o objetivo é disponibilizar informação e conheci-
mento para o leitor.
Segundo Martins (1980), a palavra grega systema quer dizer combinar, trazer
junto, e significa a unidade complexa formada por diversos elementos sujeitos a um
plano ou servindo a propósitos comuns, afirmando que para haver um sistema é
necessário:
a) conjunto de partes relacionadas entre si;
b) plano ou propósito comum aos quais estão sujeitas as diversas partes que
formam a unidade complexa;
c) a associação das partes em interação regular e interdependência;
d) um todo integral, orgânico ou organizado, criado pela natureza ou pela
arte, mediante a combinação de unidades que formam um conjunto.
A biblioteca é um sistema social de informação e necessita estar organizada
harmoniosamente porque, levando-se em conta ser ela um dos mais antigos siste-
mas de informação existentes na história da humanidade, é considerada pólo de
irradiação cultural de grande significação. Inerente a sua própria condição, tem o
papel de motivar o leitor para o livro e a leitura.
A crise dessa instituição, face ao que ela representa, provoca o surgimento de
ambientes informais que aparecem com o fim de disseminar o livro e promover a leitura.
Pensa-se na biblioteca como uma organização que funciona mediante ações 47
articuladas dos diversos setores para atender a comunidade e a necessidade de
informação pelo usuário, leitor.
As atividades básicas da biblioteca são articuladas: aquisição, processamento,
circulação e referência para, em última instância, disseminar informação e conheci-
mento. Para isto, um quadro de pessoal bem informado é pré-requisito e base
sustentatória para um serviço bibliotecário eficiente. E, conseqüentemente, um for-
te atributo ao papel de integrar a biblioteca ao meio externo.
A biblioteca pública atua há muito tempo, desenvolvendo suas atividades de
modo hierárquico, ou seja, o usuário busca um tema, ou assunto, e o mediador

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encarrega-se de indicar o local onde a publicação pode ser encontrada. Isto pode
ser realizado manualmente ou mediante informatização. Nesse contexto, poucas
mudanças ocorrem efetivamente, nos últimos anos, visando a conquista do público
leitor. Ao contrário do esperado, constata-se a ampliação da freqüência de um públi-
co voltado para as atividades ligadas à pesquisa escolar.
Considerando a falta de bibliotecas escolares, o usuário que busca a pesquisa
escolar tende a procurar a biblioteca pública ou afastar-se dela para recorrer à
Internet, onde os dados são mais atualizados e o manuseio depende unicamente
dele, mas podem não ser adequados à pesquisa.
Na sociedade atual, as formas alternativas de acesso à informação e ao co-
nhecimento exigem novas ações pró-ativas, tendo em vista a modernização possível
no espaço da biblioteca, dinamizado e acelerado pelas tecnologias da informação e
do conhecimento.
Para ajudar a compreender esse espaço infinito, Jorge Luis Borges (2000), no
conto A Biblioteca de Babel, descreve-a como um espaço que engloba todos os livros
que foram escritos, os possíveis arranjos aleatórios considerando todas as combi-
nações possíveis. Comparando a biblioteca ao universo, a penumbra nela existente
em alguns lugares, como os vazios do conhecimento, remetem à idéia de universo e
nesta comparação presume que nada existe fora dela. A interpretação da biblioteca
conduz à metáfora do universo como infinito. Esta noção de infinito se amplia no
momento atual, quando o processo tecnológico derruba as fronteiras, obrigando o
homem a repensar esses limites.
Nesta sociedade plural, onde passam a existir bibliotecas sem paredes, os limites
entre o real e o virtual ainda são indefinidos, e sugerem um redimensionamento que
permite favorecer o letramento e o analfabetismo crônicos existentes no País.
A biblioteca pública necessita se apropriar das tecnologias de informação para
garantir um papel atuante na sociedade da informação e romper as barreiras que a
48 mantêm presa ao passado. A biblioteca tem a função de preservar a produção hu-
mana e a conseqüente difusão do conhecimento. Contudo, a revolução eletrônica
provoca mudanças porque o acesso à informação é a grande mola propulsora desta
sociedade de informação e do conhecimento em que a aceleração imposta pela
acessibilidade instantânea obedece a novos códigos normativos ditados pela
competitividade e pela informação estratégica que produz um novo ritmo.
Segundo Müller (1996), a revolução tecnológica introduz o reconhecimento do
valor e do poder da informação e do conhecimento que são fatores de mudanças
sociais e influenciam o desempenho da biblioteca e o uso do livro. A biblioteca públi-

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ca, como se apresenta na sociedade, deixa lacunas e permite o surgimento de
novos espaços alternativos de leitura.
Reconhece-se a existência de diversos tipos de biblioteca, onde espaços de
leitura podem ser destacados: nas bibliotecas infanto-juvenis, bibliotecas escolares,
bibliotecas públicas estaduais e municipais, comunitárias, escolares e ligadas à or-
ganização do terceiro setor, universitárias, especializadas e especiais (MEC,2002).
Um importante fator afasta leitores da biblioteca: o distanciamento do conteú-
do do acervo do interesse do leitor, ou seja, o leitor quer um livro que trate de temas
que o esteja motivando e atenda a essas buscas. Muitas vezes, o mediador não tem
conhecimento especializado para sugerir obras alternativas, por desconhecer o con-
teúdo do livro solicitado pelo usuário. As excessivas normas representam outro obs-
táculo de acesso ao livro e à leitura, bem como a comunicação interpessoal. Faz-se
necessário investir em treinamentos mais adequados desses especialistas.
As bibliotecas podem se organizar em redes. Uma rede de bibliotecas indica
um grupo ou conjunto de instituições, com seus edifícios, instalações, acervos, pes-
soal, entre outros, estruturados de modo a poder manter serviços bibliotecários que
podem estar ou não coordenados por um órgão central ou apenas, informalmente,
cooperam ou colaboram no sentido de melhor servir à comunidade. Assim, nessas
redes de bibliotecas entende-se uma estrutura de caráter diferenciada do que se
entende por redes nos espaços alternativos de leitura.
Martins (1980) apresenta o significado de rede como originado do latim nodus
(nó) ou talvez do sânscrito nahyati (que une, que tece), designando um arranjo de
fios, cordas, fibras ou arames, que foram entrelaçados, amarrados, ou tecidos a
intervalos regulares, visando ser usado para proteger, confinar, carregar ou supor-
tar alguma coisa. Para a autora, a rede tem consistência física, é palpável, visível e
material. Portanto, trata-se de uma definição que se aplica à rede de bibliotecas.
Espaços Alternativos de Leitura – EAL – são espaços criados pela sociedade
para proporcionar acesso ao livro e à leitura, tendo em vista as dificuldades de 49
utilizar a biblioteca pública. Para resolver a questão, os responsáveis pelos EAL
organizam-se, entre outras maneiras, em forma de rede humana, espalhando-se
significativamente pelas cidades do País.
Deste modo, o surgimento dos EAL parece ser motivado pelas dificuldades
encontradas nos serviços formais das bibliotecas.Os EAL funcionam, em geral, em
bairros populares, onde não há biblioteca instalada. Esses Espaços funcionam de
forma improvisada, em garagens, salas residenciais, feiras, supermercados, ban-
cas de revista. Essas redes de leitura nem mesmo possuem instalações físicas e

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seus membros mantêm contatos entre si, via telefone ou mediante encontros pré-
estabelecidos. Os integrantes se relacionam informalmente, estabelecendo um for-
mato de rede, onde contatos interpessoais são mantidos oralmente.
Os EAL possuem estrutura linear, seus organizadores e mediadores interagem
diretamente com o usuário, na composição do acervo, no atendimento; ao contrário
do que ocorre na Biblioteca Pública, que é uma estrutura organizacional hierárqui-
ca, rígida, que distancia o leitor do livro e, conseqüentemente, da leitura.
Um EAL representa uma rede humana e não significa ser de caráter de promo-
ção individual da leitura, mas sim um exemplo de ação e esforço da comunidade,
voltada principalmente para a recuperação de sua autonomia e iniciativa criadora.
Ferreira (2004) afirma que a comunidade espera adentrar aos meandros da
biblioteca e apropriar-se de instrumentos que sempre lhe foram negados; as expec-
tativas dos voluntários buscam construir um ambiente agradável, que atenda às
suas necessidades informacionais.
Os grupos que se organizam para fundar e manter um EAL compreendem a
importância do envolvimento da comunidade a fim de mantê-lo funcionando. Orga-
nizam-se ações voltadas para a comunidade, como encontros para discutir diferen-
tes livros lidos e autores de interesse comum.
Esses ambientes estão crescendo, provavelmente porque o papel da biblioteca
pública, na contemporaneidade, necessite ser revisto. O objetivo de conservação e
difusão da obra, associada à reunião de diversos tipos de documentos, no mesmo
espaço físico, sendo a maioria livros, nem sempre atualizados, não atendem à de-
manda real. Nesse sentido, a Internet facilita o acesso ao livro e à leitura e pode ser
utilizada de modo a ampliar as práticas de leitura.
Novas sociabilidades propõem modelos nos quais o setor público e o setor
privado tendem a procurar novas acomodações nas esferas que sustentam a vida
ocidental. Pode-se dominar a escrita produzindo literatura, que é uma forma de
50 poder. Neste sentido, as tecnologias da informação, ao dar ênfase ao acesso à
informação, estão implicitamente discutindo a disseminação associada ao uso da
informação estratégica. A empresa e a nova ambientação onde está se desenvol-
vendo os atuais enfoques de acesso e uso da informação promovem novas organi-
zações e espaços sociais.
Nesse sentido, o conhecimento e a informação tecem uma malha intricada
onde novos formatos estão sendo redesenhados, entre eles, as redes de
compartilhamento que substituem a estrutura piramidal e forçosamente as rela-
ções de trabalho nos sentidos verticais e horizontais e não são mais tão hierarquizadas;

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as negociações pregam mudanças quanto à lógica do conflito e a compreensão
sobre a importância de que os dois lados ganham na negociação, garantindo a
produtividade e visando a divisão de lucros. Nesse cenário, estado e sociedade ten-
dem a uma associação criativa face ao letramento. Os estudos sobre livro (como
meio de comunicação), leitura (codificação/decodificação) e biblioteca (dissemina-
ção e uso da informação) fortalecem os meios de reduzir o letramento no País.
Essa nova realidade sugere a necessidade de renovação face a novos compor-
tamentos e, conseqüentemente, de políticas de leitura que resultem da ação articu-
lada entre estado e sociedade civil organizada. Nesse novo ambiente, a utilização da
Internet é importante em função do acesso à informação e conhecimento. Resta
lembrar que a acessibilidade ao suporte eletrônico ainda é privilégio de uma elite no
Brasil e este é um desafio que a sociedade e o estado encontram para chegar a
alternativas eficazes para transpor as dificuldades e possibilitar o acesso ao mundo
da informação e do conhecimento, minimizando a exclusão digital.
Convém salientar aspectos complementares que se revestem em benefício para
o fortalecimento da democratização do livro e da leitura no campo da editoração
eletrônica em expansão e as tecnologias de produção, editoração e disseminação
da informação que se legitimam através de diferentes grupos envolvidos e interes-
sados em favorecer o setor. No caso das redes eletrônicas, a informação eletrônica
e digital, o custo de produção e de transmissão da informação se reduz considera-
velmente, como também é o caso dos editores de periódicos especializados de
tiragem reduzida e os eletrônicos.
O ponto nevrálgico na relação entre suportes convencional e eletrônico, no
que tange ao uso de informação, passa pela incorporação do valor agregado que
influencia e pode dificultar o acesso à informação. Contudo, a informação pública
está imbuída da necessidade de preservar o acesso democrático à cultura e ao
conhecimento, a exemplo das bibliotecas públicas e escolares, merecendo da UNESCO
e demais organizações internacionais voltadas para a questão da educação e cultu- 51
ra no planeta atenção constante.
Finalmente, não importa em que suporte, impresso ou eletrônico, se na bibli-
oteca pública ou em Espaços Alternativos de Leitura, o acesso ao livro e à leitura
pode ocorrer, o fato é que deve ser preservado em países onde o analfabetismo e
o letramento têm índices elevados.

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Alfabetização, Leitura e Escrita, durante a 26ª. Reunião Anual da ANPEd, realizada em Poços de
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Leitura: suas categorias de produção de sentidos
nas novas e antigas formas de acesso
à informação
ANGELA MARIA BARRETO

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos, as práticas da leitura têm sido instrumento dos mais signi-
ficativos ao acesso à informação. No contexto da chamada Sociedade da Informa-
ção, é possível perceber alterações nestas práticas, que se apresentam com nova
configuração, em função das Tecnologias de Comunicação e Informação.
Segundo Meadows (p.151),
a comunicação eletrônica e a impressa podem produzir percepções distin-
tas[...] definições e hábitos de trabalho que se desenvolveram no ambiente
da palavra impressa talvez não se apliquem a um outro ambiente dominado
pela comunicação eletrônica.

Neste sentido, temos nos preocupado com a relação sujeito/informação e


nos propomos a discutir neste texto as categorias da produção de sentidos atuantes
nas formas de acesso à informação. A nossa experiência docente no ensino da
disciplina Documentação Científica, oferecida aos alunos de diversas áreas das Uni-
dades da UFBA, pelo Instituto de Ciência da Informação, nos fizeram enxergar o
quanto os modos de acesso à informação pelos estudantes universitários têm sido 55
um procedimento desordenado e assistemático, destituído, muitas vezes, de signifi-
cação, mesmo após o advento das novas Tecnologias.
Por isto, nos interessamos em refletir sobre alguns elementos essenciais da
leitura – as categorias – que estão implícitas nos tradicionais e nos novos modos de
acesso à informação, levantando, assim, sentidos para a relação sujeito/informa-
ção que atentem para a questão não só da capacidade de acesso, via Tecnologias da
Informação e Comunicação – TICs – , mas, principalmente, para a apropriação de
seu conteúdo, tendo em vista a produção de sentidos.

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As alterações na ciência e na tecnologia propiciaram as Tecnologias de Infor-
mação e Comunicação – TICs – que favorecem, significativamente, o acesso à infor-
mação. No entanto, o vácuo entre sujeito/informação parece se ampliar, redundando
em nova forma de iletramento, rebaixando, ainda mais, o já constatado nível
informacional da população de estudantes. O tema já fora por nós refletido (BARRETO,
2005) e o que aqui nos propomos é ampliar as discussões anteriores, acrescentan-
do a elas novos elementos e buscando novas elucidações.
No caso particular de nosso objeto de reflexão – o da leitura como acesso à
informação – pretendemos abordá-lo sob a ótica das categorias da produção de
sentidos, para que as transformações ocorridas na prática de ler não implique em
perda da dimensão existencial leitura. Mesmo porque é preciso considerar que
as formas produzem sentidos, e que um texto estável na sua literalidade
investe-se de uma significação e de um estatuto quando mudam os dispo-
sitivos de objeto tipográfico que o propõe à leitura. (CHARTIER, 1991)

O acesso à informação mediado pelas Tecnologias da Informação e Comunica-


ção não exclui a questão do ler e de produzir sentidos, mas o uso das TICs altera a
própria natureza da leitura pela velocidade e simultaneidade a ela impostas, o que
substitui, de certo modo, a dimensão reflexiva da leitura, requerida à produção de
sentidos, nas formas tradicionais de ler.
Refletir sobre as mudanças ocorridas nos modos de ler e, por conseguinte,
nas formas de acessar a informação, requer considerar o papel exercido pela leitu-
ra em situações concretas. Requer considerar os tradicionais e os novos modos de
ler. Surge, daí, a idéia de estabelecermos correlações entre eles.
Para cotejar os tradicionais e os novos modos de acessar a informação, nos
referiremos a estudos sobre a Memória da Leitura de um grupo de idosos (BARRETO,
2003) e aos realizados sobre a produção de conhecimento em cursos on-line (LAGO,
56 2005). O propósito do primeiro foi o de conhecer a trajetória do leitor tradicional,
refletir sobre suas práticas de leitura, tendo em vista identificar elementos essenci-
ais do ato de ler – as categorias – que atuam no processo de construção de
sentidos.
O segundo estudo, o de Lago (op. cit.) sobre os novos modos de acessar a
informação, nos servirá de fundamento por se referir à formação de Comunidades
Virtuais de Aprendizagem. Este estudo aponta alguns aspectos dos novos modos de
acessar a informação, construir e produzir conhecimento, apresenta uma nova di-
mensão da leitura e das trocas humanas, mediadas pelas tecnologias. Desta manei-

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ra, demonstra novos aspectos da construção de significados, uma construção cole-
tiva, porém desarticulada de contextos experenciados por sujeitos, pois que interagem
virtualmente. O que buscamos no trabalho de Lago (op. cit.) foi entender como
ocorre o acesso à informação mediado pelas TICs e quais categorias estão implíci-
tas nesta nova maneira de ler/acessar informações/produzir conhecimento. Assim,
começaremos a entender as rupturas epistemológicas provocadas pelo uso das
redes, o que nos interessa, sob o aspecto de esclarecimento das alterações que
incidem sobre os processos de leitura.
Pensamos, assim, contribuir para os estudos das práticas de disseminação da
informação quando alertamos para a importância de se considerar a relação leitor/
receptor e informação, a partir das categorias da produção de sentidos nela implí-
citas.

C ONSIDERAÇÕES SOBRE O ATO DE LER E PR ODUZIR SENTIDOS


PRODUZIR

A discussão sobre a produção de sentidos estreita-se à questão da construção


de conhecimento que, por sua vez, liga-se a do acesso à informação. Os termos
informação e conhecimento guardam proximidade entre si, mas é possível uma
certa diferenciação de conceitos entre eles, ainda que não se possa compreender
suas fronteiras.
Para o cientista da informação Aldo Barreto (1998), as informações podem
ser conceituadas como “estruturas significantes com a competência de gerar co-
nhecimento no indivíduo, em seu grupo ou sociedade”. Le Coadic (2004, p.4) vai
dizer que o “conhecimento é um significado transmitido”. Robredo (2003, p.22)
acentua que “o conhecimento é codificado quando registrado ou transmitido em
forma de símbolos ou incorporado de formas tangíveis [...] é reduzido à informa-
ção”.
Há um diálogo entre informação e conhecimento, um ir e vir, um trânsito que 57
passa pelo simples dado bruto – representação de fatos, textos, gráficos, sinais,
etc. – e que se transforma em informação quando processado para utilização.
Somente depois de analisada e avaliada em sua relevância e confiabilidade, a infor-
mação é, ou não, apropriada pela experiência do sujeito ou grupo, momento em
que se pode falar de conhecimento. Ocorre o aprendizado quando o conhecimento
se modifica a partir da interação com o ambiente (MORESI, 2000).

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Sem entrar pelos meandros da discussão conceitual, vê-se que os conceitos de
informação e conhecimento estão atrelados ao da significação que, por sua vez,
articula-se à representação do pensamento e à formação da cultura.
Geertz (2001) fala da cultura como produção de sentidos, o espaço onde os
homens tecem as teias de significados a partir de suas interações cotidianas e que
se apresentam como uma espécie de mapa para a organização social. Assim, a
cultura pode ser entendida como estrutura de significações, como conjunto de tex-
tos produzidos, lidos e interpretados pelos atores sociais. A cultura é, pois, o univer-
so da significação.
Mediada pelos objetos da escrita, ou não, a informação sempre ocorreu como
processo de comunicação, intervindo no mundo e nas estruturas sociais de cada
tempo, num processo dialetizante que constrói o sentido orgânico da cultura. Infor-
mação é fundamento do conhecimento.
Cintra et all. (2002, p.20) falam de alguns aspectos da relação informação/
conhecimento:
Enquanto o conhecimento é estruturado, coerente e freqüentemente uni-
versal, a informação é atomizada, fragmentada e particular; enquanto o
conhecimento é de duração significativa, a informação é temporária, tran-
sitória, talvez mesmo efêmera; enquanto o conhecimento é um estoque, a
informação é um fluxo de mensagem.

De qualquer maneira, ambos se relacionam, “todo conhecimento começa por


algum tipo de informação e se constitui em informação” (ROBREDO, op. cit.), ocor-
re na esfera da cultura e está articulado à significação de mundo, portanto à produ-
ção de sentidos.
Historicamente, vê-se que desde o advento da Sociedade Moderna, a prática
social da leitura amplia-se e passa a se constituir o maior instrumento de acesso à
informação. Mesmo porque, por esta ocasião, novas formas, novos produtos do
58 conhecimento se intensificam e são registrados por meio do escrito. Daí em diante,
a primazia do escrito supera o próprio poder vigente. Foram muitas as transforma-
ções ocorridas no âmbito da configuração social da leitura (MANGUEL, 1997) :
aparecimento e difusão da leitura silenciosa, redução do controle da Igreja, apare-
cimento do ensino laico, reconhecimento da importância da alfabetização, invenção
da imprensa, tipo móvel, mercado editorial, aumento do interesse pela ficção, apa-
recimento da Literatura Infanto-juvenil, no séc. XVIII, bem como a expansão do en-
sino público, além do aparecimento do novo modelo econômico.

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Com relação às práticas de leitura, pode-se mencionar que, atualmente, novas
maneiras de difusão do escrito e novos suportes de leitura e de informações produ-
ziram o aparecimento de novo tipo de leitor, o navegador, o leitor da Internet. Con-
tudo, vê-se mudanças na base informacional, mas o escrito continua fundamentando
o registro da informação, sendo o principal suporte do conhecimento, evidentemen-
te, agregando-se e/ou convivendo, simultaneamente, com códigos de outros cam-
pos semiológicos.
Neste aspecto, pode-se dizer da leitura como ato de acesso à informação e de
produção de sentidos. Ler/Acessar Informações são práticas centradas na questão
socioexistencial já que se inscrevem nos campos cultural, laboral e no da cidadania
(DELORS apud BELLUZZO, 2004, p.20).
Com o propósito de fundamentar a questão, pretendemos ressaltar algumas
teorias – com base comum no interacionismo – que contribuem para a compreen-
são do ato de ler como produção de sentidos, remetendo-o, igualmente, à produ-
ção de conhecimentos.

Contrib uição da análise de discur


Contribuição so
discurso
Dentro de uma visão que concebe a linguagem a partir de uma abordagem
interacionista, surgem estudos que buscam compreender o fenômeno da linguagem
não apenas centrado na língua, mas também num âmbito fora dela. O ponto de
articulação dos processos ideológicos e fenômenos lingüísticos é, portanto, o dis-
curso. A linguagem enquanto discurso e, portanto, o texto enquanto discurso supor-
tado na escrita constitui um modo de produção social..
Este pressuposto da teoria lingüística Análise de Discurso leva-nos a refletir
sobre nova concepção de leitura, a que procura observar o processo de produção do
texto bem como o processo de sua significação, dando ênfase ao leitor como produ-
tor de sentido.
A leitura passa a ser vista como 59
o momento crítico da constituição do texto, o momento privilegiado do
processo de interação verbal, uma vez que é nele que se desencadeia o
processo de significação. No momento em que se realiza o processo de
leitura, se configura o espaço da discursividade em que se instaura um
modo de significação específico. (ORLANDI, 1996, p.38)

Dentro da perspectiva da Análise de Discurso, o texto enseja a condição de


incompletude porque o discurso instala o espaço da intersubjetividade. O leitor pro-
duz significações, interagindo com o texto a partir de sua orientação social.

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Bakhtin (1981, p.109) argumenta que “a verdadeira substância da língua não
é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas, mas pelo fenômeno
social da interação verbal realizada por meio da enunciação e das enunciações”. A
visão do autor de que a língua é entendida como um fato social considera que o
enunciado se realiza pela subjetividade e que, portanto, o interlocutor não é um
elemento passivo. Nesta perspectiva, há de se considerar a articulação do lingüístico
com o social, buscando-se as relações que vinculam a linguagem à ideologia, já que
para Bakhtin (op. cit. p.119), a palavra é o lugar privilegiado para a manifestação
da ideologia. Considerando que níveis de consciência social diferenciado determi-
nam formas específicas de conceber o mundo, pode-se compreender a questão.
Neste caso, consideram-se “os sistemas ideológicos constituídos da moral social,
da ciência, da arte e da religião” cristalizando-se a partir da ideologia do cotidiano,
ou seja, de concepção de mundo de determinada comunidade social, em determi-
nada circunstância histórica.
No caso da obra escrita, o autor extrai de um estoque social de signos dispo-
níveis as palavras que vão permear seu discurso, que servirão de enunciado ao seu
texto. Sua enunciação, portanto, será inteiramente vinculada pelas relações sociais.
O leitor, ou o “fora do texto”, assim chamado por Goulemot (1996), vai empreender
uma atividade mental de interagir com o discurso, sendo que sua atividade mental
está diretamente ligada ao grau de sua orientação social. No caso da leitura, quem
lê é o sujeito fora do texto, que produz um sentido acerca do que lê porque possui
uma história coletiva e pessoal. Essa história coletiva é a própria história política e
social que dá suporte ao que se lê, chegando a orientar as opções de leitura. Sendo
assim, o sentido da leitura é
aquele que se constitui por uma leitura historicamente datada, empregada
por um indivíduo que tem um destino singular; nasce, portanto, do traba-
lho que este fora do texto assim definido opera para além do sentido das
60 palavras, do agrupamento de frases sobre o texto. (GOULEMOT, 1996,
p.109)

Contribuição do cognitismo
O Cognitivismo vai tratar o ato de conhecer em seus aspectos mais amplos,
quer seja o dos processos mentais nele envolvidos.
Nessa perspectiva situa-se Bruner (1997), que postula, ao mesmo tempo,
que o ato de conhecer se dá por construção, integrando-se à posição filosófica do
Construtivismo. O indivíduo é considerado “agente de uma construção que é sua

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própria estrutura cognitiva” (MOREIRA, 1999, p.15). Vygotsky e Bruner, destacam-
se por suas contribuições nesta área e enfatizam o papel da linguagem na constru-
ção de significados.
Vygotsky (1991) formula uma teoria de aquisição do conhecimento pautada
no contexto cultural, mediado pela linguagem. Para ele não há como desenvolver a
inteligência senão pelos processos sociais. Nas postulações de Vygotsky, os proces-
sos mentais superiores articulam-se aos processos sociais e os mesmos só são
compreendidos por meio do conjunto de signos que fazem a mediação entre eles.
Vygotsky se interessou pelo uso dos sistemas de signos enquanto instrumento
de mediação entre homem e meio social e enquanto diferencial entre homem e
animal.
Neste caso, o papel da linguagem é primordial, pois ela garante o intercâmbio
da significação, mediando as relações entre pessoas, flexibilizando o pensamento e
ampliando a capacidade conceitual e proposicional de cada indivíduo.
A contribuição de Vigotsky é fundamental para a compreensão da produção
dos significados, pois mostra que a internalização de instrumentos e signos dá-se
pela interação social e fundamenta o desenvolvimento das funções mentais superi-
ores. É possível, pois, compreender que “para internalizar signos o ser humano tem
que captar os significados já compartilhados socialmente” (MOREIRA, op. cit., p.113).
Pode-se perceber uma articulação dessa teoria cognitiva com a da Análise de
Discurso e destas com a concepção dialógica da linguagem, de Bakhtin. Todas elas
falam do estreitamento entre linguagem, sociedade e sociabilidade. Afinal, são es-
tes os elementos da significação. Sendo assim, a compreensão do sentido da exis-
tência se dá na conjunção da esfera do eu indivíduo com o eu social, como um
processo que só ocorre por meio da linguagem e dos contextos que as produzem.
Bruner (1997), em seu enfoque prescritivo, deu atenção especial à repre-
sentação, ou seja, como o indivíduo, ao se desenvolver, vai adquirindo meios de
representar seu contexto social. Seu estudo desloca-se do eixo do processamento 61
da informação (sua inicial), constituído por processos internos ao indivíduo, à com-
preensão da estrutura e crescimento do conhecimento, pautada no ato de significa-
ção e intencionalidade.
Para Bruner, o processamento da informação lida com dados bem definidos
e torna-se incapaz de lidar com a imprecisão, com a polissemia ou sentidos conotativos
e metafóricos. O ato de significação é criado a partir dos encontros que o indivíduo
tem com o mundo e mediado por atividades simbólicas. Para ele (op. cit., p. 22-23),
os sistemas simbólicos apresentam-se como uma espécie de kit ferramenta para

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ser usado pelo indivíduo nas suas relações, tornando-o reflexo da comunidade na
qual está inserindo.
Em seus estudos percebeu que “os sistemas simbólicos que os indivíduos usa-
vam para construir significados eram sistemas que já estavam arraigados na cultura
e na linguagem” e, particularmente, percebeu o caráter constitutivo da cultura no
processo de produção de significações. Há que se entender, a partir daí, o homem
como um ser atuante na e através da cultura, sendo que para essa atuação neces-
sária será a partilha de significados e conceitos pertencentes ao acervo cultural de
determinada comunidade.
Os estudos de Bruner apontam algumas propriedades da comunicação oral,
que o autor chamou de ato da narrativa e que podem ser estendidas à compreensão
da narrativa escrita vista, também, como elemento de troca de experiências entre
sujeitos. Segundo Bruner, o ato de significação está diretamente ligado à propensão
humana de partilhar histórias e experiências a partir das narrativas.
Sendo assim, a comunicação oral ou escrita refere-se à conquista mental oriun-
da de uma conquista da prática social que empresta estabilidade ao cotidiano. O ato
de ler, como forma de acesso às conquistas humanas insere-se nesta concepção
comunicativa; torna-se processo de comunicação e troca de experiência.
Os processos de significação ocorrem mediados pelos sistemas simbólicos
que já estão arraigados na cultura. Com o aparecimento das mídias – o livro é uma
delas – as formas simbólicas puderam ser disseminadas, para além dos locais
compartilhados, o que vai impactar as formas de sociabilidade, que, por sua vez,
transforma a maneira do sujeito se constituir no mundo. Gradual expansão das
mídias vai alterando as configurações sociais, ao longo dos tempos, vai transfor-
mando as maneiras de existir. É a dinâmica da sociedade que engendra os aspectos
centrais da vida social e que se fundamentam sobre a produção, armazenamento e
circulação da informação e dos bens simbólicos.
62 Os homens produzem teias de significados ao se inserirem no mundo,
interagindo com os significados que foram trazidos do passado para seus presen-
tes, ao mesmo tempo em que constrói novas significações e que se dão na esfera da
linguagem, da sociedade e da sociabilidade.
Com o aparecimento das novas TICs, inauguram-se novas formas de trocas
entre sujeitos, o que vai refletir em suas capacidades conceitual e proposicional.
Vemos mudanças nos processos sociais, provocadas a partir de novas interações,
novos modos de busca e acesso à informação, novas maneiras de produzir conheci-
mentos e de construir significações. Vemos novas formas de compreensão de mundo.

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Alguns elementos que entendemos essenciais para o processo de significação
estão também sendo alterados e sobre eles iremos nos deter na discussão.

AS CATEGORIAS D A LEITURA : ELEMENT


CATEGORIAS OS ESSENCIAIS À PR
ELEMENTOS ODUÇÃO DE SENTIDOS
PRODUÇÃO

A leitura vista sob a ótica interacionista da produção de sentidos enseja algu-


mas categorias que são alteradas com o advento das Tecnologias da Informação e
da Comunicação, o que transforma a maneira do sujeito construir o conhecimento.
Elementos que foram essenciais para a produção de sentidos nos modos tradicio-
nais de ler são igualmente alterados nos novos modos de busca da informação.
Estamos nos referindo não só à capacidade de acesso, que se amplia, via Tecnologias
da Informação e Comunicação – TICs –, mas às capacidades de compreender,
analisar e sistematizar as informações que, ora são reduzidas, já que o tempo de
reflexão requerido para a construção do conhecimento é modificado, e ora se
ampliam, visto que se pode dizer de uma construção coletiva do conhecimento.
Vejamos algumas colocações a este respeito, a partir de algumas categorias
de leitura – singularidade/alteridade; identidade; tempo/espaço e informação/co-
nhecimento - que foram mencionadas como elementos essenciais à produção de
sentidos, nos trabalhos de Angela Barreto (2003) e de Lago (2005).

Singularidade / alteridade
A leitura singulariza o sujeito, pois exige dele a manifestação de seus interes-
ses, exige sua escolha e mostra o seu mundo particular, desvelando o que torna
único cada ato de leitura. O leitor, sob essa ótica, é produtor de sentidos e a verdade
não emana mais dos textos e, sim, está por ser construída. O texto começa a ser o
ponto de interseção entre dois sujeitos, leitor x autor, que se relacionam por meio
de outro sujeito, o texto.
Pode-se dizer, então, que ao particularizar o sujeito, a leitura torna-se ele- 63
mento próprio da sua significação. A relação comunicativa que o leitor estabelece
com o texto, a sua interpretação está ligada à singularidade do sujeito, “ao inter-
pretar as formas simbólicas, os indivíduos as incorporam-na na própria compreen-
são que têm de si mesmos e dos outros” (THOMPSON, 1998). É claro que a
singularidade é influenciada pelo ambiente social do leitor. O ambiente social, por
meio da cultura, define as categorias de leitor. É impossível separar o que é individu-
al do que é social, pois ambas dimensões estão em constante interação.

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Ao mesmo tempo em que a leitura singulariza, pluraliza, pois é feita num
quadro social e cultural que aproxima o leitor de outros leitores. Ler confere troca
de experiências com o outro e permite o estabelecimento de relações das mais
variadas naturezas entre as pessoas. Ler é um ato relacional que permite que o
leitor saia de uma condição de isolamento para uma condição de participação fun-
damentada na comunicação.
Esta é uma condição para que a experiência do sujeito ganhe sentido: reco-
nhecer-se outro no mundo dos outros com quem compartilha significados. Neste
aspecto, leitura é base para a vinculação com o outro.
Nos processos de vinculação mediados (pelo impresso ou pelas TICs) não há
interatividade física entre os sujeitos. Na leitura do impresso há uma interatividade
virtual que ocorre entre o sujeito leitor e o texto, sendo o texto produto de um
contexto que é trazido pelo autor para o leitor. Este texto/contexto é descontextualizado
a partir do contexto do leitor. No caso da leitura de conteúdos informacionais troca-
dos em comunidades virtuais, evidencia-se uma alteração nesta prática, pois que a
mesma se estabelece de maneira coletiva. Uma comunidade virtual é constituída
por laços intelectuais e emocionais e apresenta-se com novo sentido de troca de
experiência, uma experiência que transcende o tempo/espaço e os próprios contex-
tos de onde emergem os seus leitores/participantes. É criado um novo contexto,
artificializado, que não corresponde às formas corriqueiras de movimentação soci-
al. Os sujeitos interagem, trocando idéias e experiências e refletindo sobre fatos e
acontecimentos relacionados aos seus cotidianos, numa interação propiciada pelas
redes, mas que é uma interação que se caracteriza mais por uma movimentação
informacional do que por uma relação social, de intercâmbio das experiências dos
sujeitos, propriamente dito. Assim, as redes desarticulam os processos de produção
e de disseminação dos bens simbólicos por retirarem a cultura do local físico e
introduzi-la num espaço de fluxos infomacionais, mediado pelas tecnologias que
64 simulam uma interação entre pessoas. Neste contexto, há nova modalidade de
leitura – a sinestésica – que permite conexões com vários textos, como tem falado
Xavier (apud SILVA, 2002), uma leitura que faz com que o texto se desloque em
relação ao leitor.
Camargo (1996) fala de outra característica da leitura tradicional, como práti-
ca individual e não como prática coletiva, como acontece nas redes (navegação em
massa):
Ao nos envolvermos na leitura de uma obra qualquer, um livro, uma foto-
grafia, uma escultura, uma pintura, envolvemo-nos como pessoas priva-

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das. Não nos envolvemos coletivamente. Damos, assim, oportunidade ao
lúdico e a posteriori nos articulamos sobre nossa impressão através da
palavra ou a registramos de outra forma. Ao contrário, é como seres
anônimos e dispersos na massa global e no coletivo que nos dirigimos à
net, e é claro que apesar de não estarmos isentos da leitura individual, o
espaço vasto convida à dispersão e o registro das impressões parece,
muitas vezes, sucumbir a instantaneidade.

Lago (2005), no entanto, ao falar e avaliar os conteúdos das mensagens de


Comunidades Virtuais de Aprendizagem – CVA – apresenta os novos formatos de
sociabilidade empreendidos nas redes, destacando-os em seus aspectos positivos,
pois permitem a construção de uma coletividade mais participativa, o que desenvol-
ve um novo sentido de cidadania. As Comunidades Virtuais de Aprendizagem, se-
gundo a autora, interagem através dos Fóruns ou Grupos de Discussões, Chats ou
outros recursos da Internet, como os Blogs e fotologs, o programa Skype (que
promove a troca de áudio) e os ambientes Orkut, formados por comunidades com
interesses comuns. É possível perceber nestas comunidades intenção e proposta de
partilha, iniciativa, construção colaborativa e tolerância.
Schwarzelmüller (2004, p.70) vai dizer de uma valorização da partilha da in-
formação, o que mostra que as redes propulsionam a disseminação e os processos
de informação, favorecendo a circulação que não mais ocorre circunscrita aos am-
bientes formais.
Há uma nova maneira do sujeito colocar-se no mundo e de constituir-se comu-
nidade, o que tem a ver com identidade.

Identidade
A noção de pertencimento tem a ver com o enraizamento, com a herança e a
produção de um acervo cultural em comum. Sabe-se que a cultura proporciona
referenciais que são acessados pelos sujeitos possibilitando-os imprimir suas mar-
cas no mundo, ao mesmo tempo em que concede ao mundo o direito de torná-lo
65
como seu pertence. Esta é uma noção de identidade inserida nos parâmetros da
cultura.
Pode-se dizer de um incessante movimento entre o sujeito e seu grupo social,
que se apresenta como as mais diversas formas de situações sociais. A formação
da identidade dá-se, portanto, a partir de condições históricas e culturais que estão
em constante movimento.

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O sujeito é resultado da interação entre o eu e a sociedade. Nessa interação
preenche-se o espaço entre a realidade objetiva e a subjetividade. Nesse movimento
ocorre um diálogo entre símbolos que fazem parte da cultura de muitos sujeitos,
levando-os a expressar como se percebem e como participam da cultura.
Os sistemas simbólicos da significação já são arraigados na cultura e na lin-
guagem de determinado espaço e determinado tempo em que os sujeitos
intercambiam experiências. Portanto, para serem captados os significados, têm
necessidade de um mesmo quadro social de referências.
O estudo de Lago (2005) vai evidenciar intenso intercâmbio de informações
entre sujeitos através das comunidades virtuais, mas de sujeitos que se relacionam
em variados quadros sociais. Para a autora, mesmo assim, é possível perceber um
sentimento de pertença entre as comunidades virtuais, sentimento que é fortaleci-
do por se formar a partir de interesses comuns.
Este intercâmbio de informações, contudo, não ocorre na esfera de um qua-
dro social de referências que são comuns a todos os sujeitos da comunidade, o que
vai suscitar esforço de adaptação, intenso jogo de forças e criação de novos
referenciais para fundamentar a noção de pertença. Neste processo, cria-se, de
fato, novas identidades, mas, por outro lado, aniquila-se com as diferenças, pois
diferentes sujeitos, com experiências, desejos e necessidades diversificados articu-
lam-se em torno de interesses comuns, muitas vezes temporários, mas em proces-
sos interativos que não remetem às suas experiências como sujeitos no mundo
social.
Camargo (1996) salienta que as expressões utilizadas pelos internautas, como
exemplo:

) riso
)) gargalhada
66 ( tristeza

dentre outras, são maneiras de despersonalização em meio analógico digital. A


autora cita Santaella (op. cit., p.59) que vai dizer que a comunicação via computador
“criou uma forma híbrida de signos”, o que reitera a proposição de Stuart Hall
(2000) sobre a identidade cultural na contemporaneidade.
Stuart Hall (op. cit., p.47-66) fala da identidade cultural como categoria
unificadora que subordina as diferenças por meio de um dispositivo discursivo, en-

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cobrindo e anulando as expressões de identidade. Desta forma, imunizá-la contra
as influências externas também seria uma maneira de conformar uma determinada
comunidade a uma ordem específica. Para o autor, nenhum grupo étnico ou racial
ficou ileso às influências externas, apenas conservaram por mais tempo algumas
características culturais, o que, na sociedade pós-moderna, é impossível acontecer.
Os grupos atuais estão em constantes articulações com variadas formas de expres-
são. Obviamente, algumas circunstâncias econômicas e políticas permitem a pre-
ponderância de uma cultura sobre outra, que se apresenta na forma de um domínio.
Este fato sempre foi registrado, ao longo da História. Hoje, apenas acelera-se,
vertiginosamente, acirrando-se numa espécie de guerra cultural sustentada por
uma tecnologia de comunicação capaz de atingir, ao mesmo tempo, variados gru-
pos, em todos os locais do planeta.
A história mostra que todas as comunidades são híbridos culturais, só que
neste momento de globalização o mundo está mais interconectado, o que favorece
maior troca de experiências.
Quando as configurações sociais se alteram, aparece uma nova forma de
interação, sujeito/sociedade, que vai, evidentemente, influenciar no modo do sujeito
se constituir, de estruturar sua identidade, pois identidade é processo individual que
se constrói a partir do ir e vir, entre sujeito e mundo social, mas que surge do
pertencimento a algum grupo.
Se o grupo sofre influências externas, pode ser exigido novo comportamento
por parte de seus elementos, no sentido de se buscar uma adaptação, o que rara-
mente é percebido. No momento atual, há uma diversidade de categorias sociais e
pertence-se a várias delas, ao mesmo tempo. O cenário social foi alterado e inten-
sificou-se o contato com as diferenças. Neste caso, percebemos as alterações nas
configurações do grupo, nas formas simbólicas de expressão, o que vai causar
impacto na forma do sujeito construir sua identidade.
No mundo contemporâneo, há uma transformação na forma de se pertencer 67
a determinado grupo. Tudo é provisório e veloz, contrário às dimensões requeridas
à formação da identidade, nos moldes anteriores ao aparecimento das TICs. Hoje o
mundo cultural extrapola a geografia, a história e não fixa mais o sujeito ao seu
mundo. Daí a identidade não ser fixa, pois são vários os sistemas culturais interagindo
ao mesmo tempo. O sujeito apresenta-se, socialmente, em diversas posições, o que
gera descontinuidade nas suas relações e abala seu sentimento de pertencimento.

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Tempo / espaço
Falou-se de identidade e, neste aspecto, vêem-se desequilíbrios face às velo-
zes e constantes alterações nos quadros sociais da pós-modernidade, o que tem
alterado as relações do sujeito com seu grupo identitário, transformando a forma
de se pertencer, socialmente.
Este fato tem origem nas alterações dos tempos sociais. Como se disse, estas
alterações apontam para outros tipos de relações entre sujeitos. Antes da globalização,
experimentava-se um tempo que fixava o sujeito ao seu meio social, perpetuando
sua experiência por algumas gerações. Atualmente, experimenta-se o meio social
por meio de outras experiências que não as locais. É o que Thompson (1998)
chamou de seqüestro de experiências, o sujeito tem oportunidade de explorar rela-
ções de forma vicária, mas sem as exigências dos contextos de interações. Há um
reordenamento de experiências, as quais foram removidas dos locais da vida diária.
A mídia oferece um entrelaçamento de diferentes formas de experiências. Esta
experiência mediada é distante espacialmente da experiência vivida, acontece em
contextos diferentes dos contextos compartilhados, sob a forma de um conjunto de
prioridades e não tem fluxo contínuo, embora seja uma experiência fundada na
interação entre fluxos.
Vivemos a era da cibercultura que altera, inclusive, a relação do sujeito com a
leitura. O tempo de leitura é outro, marcado pela pressa, velocidade e simultaneidade.
Para os leitores tradicionais o tempo de leitura é o tempo da significação, não
é meramente o tempo da decodificação linear dos sinais da escrita. Por isso, esse
tempo é sempre lembrado pelas ligações de afeto, pelas relações entre pessoas e
se referem a momentos significativos, a objetos biográficos e as maneiras particu-
lares que dizem da cerrada negociação que o leitor estabelece entre seus mundos
interno e externo.
Evidentemente, quando se mostra a dimensão social e individual do tempo de
68 leitura e sua significação para os tempos atuais, aponta-se para a constituição de
uma nova forma do sujeito significar o mundo, até porque a construção do sujeito
também é incoerente, pois nada fixa, tudo é instável, disperso e descentrado.
Nesta nova perspectiva, vemos que o tempo do mundo globalizado se distancia
do espaço e do tempo local. Sendo assim, “o acervo da informação é uma capitali-
zação que implica na atrofiação da memória” ( VIRÍLIO, 2003).
Torello (2003, p. 2) diz que “as inovações determinam mudanças sociais e
culturais rápidas que o indivíduo não consegue assimilar e, assim, provocam contí-
nuos desequilíbrios”. Desequilíbrios porque não há um tempo suficiente para uma

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homeostase, para que a sociedade sedimente os novos valores da cultura. As novi-
dades não são devidamente processadas, o que gera perda das referências éticas,
culturais, científicas, filosóficas, enfim, do universo simbólico. As referências tam-
bém ficam obsoletas bem antes de se constituírem guias para o sujeito.
Alfredo Bosi (1995) fala dos novos tempos que se propõem a poupar a memó-
ria, mostrando que esta realidade enseja uma contradição. A anulação do tempo
cronometrável vai incidir sobre a perda da memória social, pois “a memória, saltan-
do sobre a cronologia, recupera o tempo perdido enquanto anula o passado – como
– passado e o chama para a consciência viva do presente”.
Além do tempo social, há que se considerar o tempo interior do leitor, que está
em descompasso com o tempo absoluto, veloz e apressado. Esta questão faz refletir
sobre o sentido existencial do sujeito e sobre a memória social da espécie humana.
Evidentemente, o espaço, local real onde sujeitos se experimentavam em suas
trocas simbólicas e consolidavam suas experiências cotidianas, também foi alterado
para um espaço virtual, a noosfera, onde idéias circulam sem que estejam atreladas
aos sujeitos que as produziram. Vê-se que no contexto das mudanças contemporâ-
neas, os espaços tradicionais de leitura cederam lugar ao ciberespaço, alterando as
relações texto/leitor, sujeito/informação, alterando o ambiente físico da leitura e a
forma de se lidar com a dimensão imaginária.
Este espaço, de acordo com Franco (apud SCHWARZELMÜLLER, 2004, p.52),
amplia a possibilidade de expansão da inteligência por possuir recursos mais elabo-
rados de recuperação da informação e integrar “uma multiplicidade de signos: bi-
nários, musicais, alfabéticos, icônicos, sonoros, imagéticos, entre outros”
No entanto, o ambiente etéreo da grande rede é realizado num espaço virtu-
al que existe como códigos binários transitando velozmente. Não existe para pesso-
as, em si mesmas, mas para um sentido de convergência de suas relações, numa
espécie de compartilhamento de saberes, um lugar comum para onde converge
toda a inteligência da humanidade, mas uma inteligência deslocada do sujeito, como 69
instância que transcende a dimensão do mundo sensível. Daí se dizer de uma
inteligência coletiva.
A partir destas discussões, já podemos correlacioná-las ao começo da nossa
fala, voltado para a questão da leitura, como importante via de acesso à informação
e da informação como instrumento de construção de conhecimento, concebidos a
partir da premissa da significação.

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Conhecimento / inf or mação
infor
A leitura é prática social das mais importantes na aquisição da informação.
Assim, é vista como ferramenta útil ao trabalho, ao desenvolvimento profissional e,
portanto, ligada à questão econômica e à luta pela inserção social. Informação e
conhecimento articulam-se, mas apresentam-se distintamente. O conhecimento cons-
trói-se no sujeito, é tarefa de significação (apropriação). Para que isto ocorra, é
necessário que a informação esteja vinculada aos contextos e experiências do leitor.
Este é processo lento, reflexivo, individual, ainda que o produto do conhecimento
seja, a posteriori, socializado.
Atualmente, entretanto, há um novo cenário de relacionamentos, que dá ori-
gem a novas maneiras de construção de conhecimento e de produção de sentidos
A este respeito, Lago (2005) mostra que o processo de construção de conhe-
cimento nas redes é favorecido pela forma de transferência do conhecimento tácito
que, disponibilizado nas redes, torna-se parte de um acervo coletivo, o que implica
em alterações.
Schwarzelmüller (2004) vai apontar para as rupturas epistemológicas efetiva-
das a partir do uso das novas tecnologias:
a) Aparece uma nova maneira de pensar, não linear e, sim, associativa, visto
que os sistemas de representação do conhecimento propiciam que diversos ele-
mentos de informação possam ser articulados de diferentes maneiras e de acordo
com as diferentes perspectivas dos usuários. Para acessar a informação, de forma
diferente da do impresso, não há ordem única que determine a seqüência. O con-
trole do acesso à informação é transferido para o leitor/usuário. A organização dos
componentes informacionais é feita de diferentes maneiras e de acordo com o
leitor/usuário;
b) Ocorre a criação de uma nova esfera pública e que se dá num não-lugar, as
megacidades que existem no espaço das redes e são cidades informacionais.
70 Ao mesmo tempo, esta nova esfera pública permite maior visibilidade dos atos dos
cidadãos e do poder político. Por ir além da localidade, permite a construção de um
novo sentido de vida pública diferentemente do conceito de público que até então
vigia. O espaço digital provoca novas formas de conversação e participação, novos
debates críticos que geram para os governantes a necessidade de administrarem
melhor a questão da visibilidade.
c) Há uma memória eletrônica que amplia a exteriorização da memória coletiva.
Em princípio, se a inteligência coletiva se refere à soma e ao compartilhamento
das idéias subsidiadas pelas novas tecnologias, possibilitaria a partilha da memória

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técnica e intelectual, mas não da memória relacional, que implica a dimensão afetiva
da própria memória e que é base para a produção dos saberes. Esta implica num
tempo para a consolidação do afeto, já que
As comunidades nascem, vivem enquanto podem ser produtivas ou man-
têm-se em inércia por períodos de tempo e, depois, eventualmente, mor-
rem pela desmotivação do grupo em continuar interagindo, pela perda de
compatibilidade dos desejos e objetivos comuns. (LAGO, 2005, p.73)

A memória da significação é diferente da digital. Enquanto esta é universalizante,


a outra é particularizante, estando ligada à vida, ao sensível, pois que implica afeto,
emoção, vínculos, formas sociais de convívio num ambiente materializado pelos ob-
jetos e espaços criados, diferenciadamente, por cada grupo de pessoas.
Neste aspecto, é bom considerar que a memória digital universalizante é gera-
da num espaço e num tempo não experenciados, sem vínculo presencial. Trata-se
de um vínculo coletivo, virtual, em rede, com informações produzidas por muitos
sujeitos, distantes uns dos outros, num contexto sociocultural que lhes dão referên-
cia. Mais ainda, sua difusão ocorre de forma desordenada. As informações que
transitam na rede, geralmente, são efêmeras;
d) Dá-se a ampliação da característica colaborativa do ser humano que se
expressa pela criação de ambientes colaborativos de aprendizagem.
De fato, a troca de idéias, a cooperação intelectual são condições importantes
para o desenvolvimento cultural, mas as inteligências coletivas não podem se pautar
apenas nos processos cognitivos “puros”, precisa de vínculos sócio-afetivos, sem os
quais os conhecimentos não serão produzidos e traduzidos em significados.
Mesmo assim, pode-se dizer de um modelo dinâmico de produção e sociali-
zação do conhecimento, nas comunidades virtuais de aprendizagem, “por possuí-
rem características de descentralização, colaboração, disseminação de informação
e fluxo constante de interação mútua [...] apresentam-se como espaços que favo-
recem os processos de construção do conhecimento” (LAGO, 2005, p.66). Afinal,
71
As comunidades on-line são organizações orientadas não só para a pro-
moção da interação na elaboração das aprendizagens, mas também para
criar modelos colaborativos que suportam as atividades da própria comu-
nidade. (DIAS apud LAGO, 2005, p.66)

Lago (2005, p.140) vai salientar, ainda, as categorias condicionantes das co-
munidades de aprendizagem online e que considera relevantes para a socialização
do conhecimento:

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Intercâmbio, sentimento de pertença, construção espontânea ou científica
de conhecimento, mediação pedagógica, envolvimento mútuo, partilha,
iniciativa, negociação, construção colaborativa, prática da tolerância, habi-
lidade em moderar discussões.

Fala-se de uma reflexão coletiva que favorece um fluxo constante de informa-


ção, compartilhamento, explicitação do conhecimento tácito, o que vai criar uma
esfera propícia para a criação de um novo sentido existencial. Mas, até que ponto
esta reflexão coletiva não aniquila com a diversidade das idéias, dos processos de
significação, não se pode dizer, ainda.
O produto do conhecimento, fruto de idéias, deve ser documentado na rede e,
assim, facilitar o seu acesso a outros sujeitos, mas é preciso salientar que a rede
não permite a produção do conhecimento, em si. O conhecimento surge de pergun-
tas sobre as mais variadas situações, o que exige tempo de reflexão por parte do
sujeito. Conhecimento é produzido a partir de análises, de interpretações de dados,
o que pressupõe, também, a reflexão por parte do sujeito. Numa reflexão coletiva,
não se garante o caráter de diversidade das idéias e, sim, sua homogeneização. A
rede pode ajudar numa fase da produção do conhecimento, em especial a da coleta
dos dados, pois sua velocidade agiliza esta etapa. Porém, a indagação inicial requerida
para a problematização do conhecimento, bem como a busca do significado para as
respostas encontradas só pode ser realizada pelo sujeito produtor de idéias (BOSI,
1995).
A capacidade de formular questões – bem como a maneira como as idéias se
expressam – está relacionada à história do sujeito, à história do contexto
socioeducacional no qual se insere, o que vai interferir, igualmente, na maneira
como o sujeito se apropria das informações e dos objetos simbólicos. Daí se dizer
da categoria da recepção da informação e meios simbólicos como importante para
a produção de sentidos. A recepção implica num processo particular do sujeito
72 contextualizar, criar e interpretar a informação. No processo hermenêutico de apro-
priação, parte substancial da circulação da informação e dos meios simbólicos é
que diferentes sujeitos e ou grupos propõem diferentes maneiras de negociar os
conteúdos infomacionais e simbólicos.

C ONSIDERAÇÕES FINAIS

Num momento de transição de uma cultura para outra – da analógica à digital


– já podemos registrar alterações na relação sujeito/informação/conhecimento/

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produção de sentidos. É preciso, no entanto, um tempo maior para uma análise
mais profunda dos novos instrumentos da comunicação, das suas contradições e
seus impactos nas formas de significação. Vemos que este novo nível de relaciona-
mento humano, e que se dá na noosfera (LEVY, 2002, p.18), o lócus da nova con-
dição humana, ainda não existe num tempo suficiente para que seus efeitos sobre a
cultura possam ser devidamente dimensionados.
O que podemos dizer é que, atualmente, traça-se novo caminho para o
envolvimento do sujeito/informação, mas não podemos desconsiderar que a história
pessoal e social da leitura do impresso influenciará, efetivamente, na maneira como
esta nova experiência se configurará. Sabemos que no processo de reorganização
cultural “a nova experiência emerge a partir da reorganização de experiências
sedimentadas, a qual, em razão de tal estruturação, dá forma à nova experiência”
(ISER, 1996, p.51, v. II), uma espécie de transferência de aprendizado.
O que sabemos, pelo testemunho deixado pela história é que a cada mudança
nos meios de fixação da informação e nos processos comunicacionais, ocorrem
rupturas no universo cultural que, aos poucos, vão sendo reconstruídas, dando ori-
gem à nova configuração cultural. O provável é que as sociabilidades reorganizem
seus vínculos na era da Cibercultura e, desta maneira, reorganizem seu universo
simbólico e seus processos comunicativos.
Algumas iniciativas se manifestam, neste sentido. Exemplos já podem ser sali-
entados. É o caso do número crescente de estudos que envolvem a relação homem/
máquina, com ênfase na melhoria do ambiente gráfico das redes, na promoção da
qualidade da interface usuário/sistema, ou mesmo no aparecimento de novos re-
cursos e novas ferramentas de busca que se propõem a sistemas de representa-
ção, por meio de inovações lingüísticas. Neste particular, pode-se dizer das iniciativas
da WEB Semântica, da construção de ontologias (ALMEIDA; BAX,2003) e dos estu-
dos que as estão fundamentando e que se referem à compreensão da relação
semântica/cognição, pelo entendimento dos processos de construção do conheci- 73
mento (BIOLCHINI, 2001).
O cenário é promissor, mas, mesmo assim, o leitor/usuário das redes tem um
longo caminho a fazer e não pode abrir mão das experiências tradicionais de leitura,
sob pena de perder a própria essência do ato de ler: sua capacidade de produzir,
negociar e repartir significados. Além do mais, trata-se de um caminho que não se
trilhará espontaneamente. Por isto, é importante que os estudos sobre as práticas
de disseminação da informação considerem a relação sujeito/informação, a partir
das categorias da produção de sentidos nela implícitas.

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fundamental sob a otica do desenvolvimento da information literacy, competência
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BIOLCHINI, Jorge Calmon de Almeida. Semântica e cognição em bases de conheci-
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76 16/4/2008, 16:43
Information Literacy: uma breve revisão
de literatura
MARIA DAS GRAÇAS ALMEIDA TEIXEIRA

INTRODUÇÃO

O século XXI herdou avanços que até a metade do século passado eram
inimagináveis.
A disseminação de informações com o apoio das novas tecnologias da infor-
mação, aliadas às inovações da comunicação, promoveu um enorme salto de de-
senvolvimento e transformações nas ciências, na cultura e na economia que, embora
melhorassem as condições de vida do homem (inclusive o aumento da média de
vida), fizeram surgir novas necessidades. Atualmente, com acesso cada vez mais
rápido à informação e à sua disseminação, o progresso do conhecimento se dá, não
mais em progressão aritmética, mas em progressão geométrica.
Devido à grande produção e ao acúmulo de informações, no mundo atual, é
inevitável a necessidade de recuperá-las, de acordo com as demandas individuais e
grupais, interpretá-las e usá-las adequadamente na construção de novos conheci-
mentos e na melhoria da qualidade de vida.
Atualmente, para um indivíduo se apropriar de conhecimentos e usá-los ade-
quadamente no seu dia a dia, inserindo-se na sua comunidade como um agente da 77
história, ele deve dominar várias formas de alfabetismo e/ou letramento que hoje se
apresentam como indispensáveis.
No mundo do trabalho, é indispensável que o indivíduo seja letrado1
informacionalmente, porque o presente momento e o futuro estão e estarão exigin-
do um novo perfil de trabalhador: aquele que saiba acessar, manejar e usar uma
grande quantidade de informação disponível em diferentes canais (exemplo: vídeo,
impressa, textos eletrônicos etc...).

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A UNESCO vem, há muito tempo, advogando pela causa da educação em todas
as formas de alfabetismo por entender que existe uma relação direta de causa e
efeito entre analfabetismos, pobreza e exclusão social.
As formas de analfabetismo a que se refere a UNESCO são: o analfabetismo
absoluto, o analfabetismo por regressão, o analfabetismo funcional (também deno-
minado iletramento ou analfabetismo social), o analfabetismo informacional e o
analfabetismo digital.2
Todas as formas de alfabetismo se transformaram, de certa forma, em mo-
eda corrente no mundo da nova economia. A educação deve desempenhar um papel
muito importante na preparação dos indivíduos para que cada pessoa alcance seu
potencial econômico, social e pessoal. Promover a aquisição das habilidades do
alfabetismo informacional é uma estratégia efetiva para libertar os povos de tirania,
criar oportunidades e retirá-los da pobreza. Alfabetismo e liberdade estão relacio-
nados e reforçam-se mutuamente.
Embora todas as formas de letramento sejam necessárias e importantes para
uma população, considera-se aqui que as exigências mais prementes, para o ho-
mem brasileiro, são as condições de alfabetização (ler e escrever), letramento
(alfabetismo funcional ou social) e alfabetismo informacional (information literacy).
O indivíduo que não tiver estes atributos ou condições tem poucas chances de uma
sobrevivência digna.
O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão de literatura sobre
Information Literacy, uma vez que é um tema ainda pouco conhecido no Brasil.

R EVISÃO D E LITERA TURA


LITERATURA

A classificação utilizada pela autora deste trabalho, no quadro a seguir, tem o


fim essencialmente didático, para este estudo. Os termos em português não estão
78 ainda estabelecidos, como se verá adiante. Incluiu-se os termos em inglês porque
são assim citados na maioria das obras estudadas. Os pesquisadores estão ainda
estudando e discutindo a terminologia para a língua portuguesa.

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Q UADRO 1

TERMO CORRELATO E/OU SINÔNIMO ANTÔNIMO

1 Analfabetismo Analfabetismo absoluto Alfabetismo


Analfabetismo de letras

2 Analfabetismo por - Alfabetismo


regressão

3 Analfabetismo funcional Analfabetismo social Alfabetismo funcional


lIletramento Alfabetismo social
Iliteracy Letramento
Literacy

4 Analfabetismo Analfabetismo de informação Alfabetismo informacional


informacional Iletramento informacional
Information iliteracy

5 Analfabetismo digital* Iletramento digital Alfabetismo digital


Letramento digital

* Alguns autores incluem neste tipo de analfabetismo: o de rede, o de software, o de hardware e o de Internet.
A autora deste projeto concorda com esta inclusão e não com o uso de cada termo em separado.

Letramento é a versão, para o português, da palavra inglesa literacy. Por sua


vez, a palavra literacy vem do latim littera, que significa letra.
Embora o termo illiteracy já tenha sido registrado no Oxford English Dictionary,
desde 1660, literacy só começou a aparecer no fim do século XIX. A explicação
parece óbvia. As palavras começam a surgir a partir da necessidade de exprimir
novas demandas, ou seja, quando aparecem novas exigências.
Esta afirmação é corroborada por Soares (2004, p. 21) quando infere que,
nos Estados Unidos, “[...] certamente o surgimento [...] do termo literacy repre- 79
senta uma mudança histórica das práticas sociais: novas demandas sociais de uso
da leitura e da escrita exigiram uma nova palavra para designá-las”.
Os índices de analfabetismo, naquele país, já eram muito baixos, no fim do
século XIX, e atingiram um índice perto de zero no século XX. Entretanto, neste
último século, começou-se a enfrentar o problema do analfabetismo funcional, sur-
gindo assim a demanda de uma nova palavra para designar a condição de saber ler,
interpretar e utilizar este conhecimentos na vida cotidiana. A palavra literacy passou
a expressar esta condição.

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Segundo Castell, Luke e MacLennan (1986 apud RIBEIRO 1997, p. 145),
letramento ou “alfabetismo funcional foi cunhado nos Estados Unidos na década de
1930 e utilizado pelo exército norte-americano durante a Segunda Guerra, indican-
do a capacidade de entender instruções escritas necessárias para a realização de
tarefas militares”. Ainda Ribeiro (1997, p. 145), afirma que:
A partir de então, o termo passou a ser utilizado para designar a capaci-
dade de utilizar a leitura e a escrita para fins pragmáticos, em contextos
cotidianos, domésticos ou de trabalho, muitas vezes colocados em
contraposição a uma concepção mais tradicional e acadêmica, fortemente
referida a práticas de leitura com fins estéticos e à erudição.

Palavra nova no vocabulário das Ciências Humanas, Sociais e da Lingüística,


uma das primeiras ocorrências do termo letramento, na literatura destas áreas, no
Brasil, foi na segunda metade da década de 80, quando Mary Kato publicou, em
1986, o trabalho No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. Até então
a literatura da área de educação citava apenas os termos analfabetismo e analfabe-
tismo funcional. Este último corresponderia ao letramento.
Segundo Vóvio e Ribeiro (2003, p. 1)
[...] desde os anos 80 e 90, o conceito de alfabetização vem passando
por uma profunda revisão e ampliação, com base em estudos sobre o
conjunto de práticas sociais relacionado aos usos, funções e impactos da
escrita. Não se trata mais de aprender somente como funciona o sistema
de representação da fala por meio da combinação de letras. A alfabetiza-
ção passou a ser considerada como uma ferramenta importante para o
uso efetivo e competente da leitura e da escrita, e isso envolve aprendiza-
gens que não se restringem a decodificar as letras, mas implicam usar a
leitura e a escrita em diferentes situações.

Alfabetizar seria ensinar a pessoa a ler e a escrever. A leitura e a escrita são


fundamentais para que possamos agir com autonomia na nossa sociedade. O signi-
80 ficado da palavra “alfabetizado”, nos dias de hoje, é muito mais amplo, não se
limitando ao domínio da escrita. Um sujeito plenamente alfabetizado é aquele que,
além de dominar as letras e os sinais de pontuação, domina também as formas de
discurso, as condições e situações de uso. Letrar seria levar essa pessoa não só a
ler e escrever, mas a praticar isso (REZER e ALVES, [2000?]).
Duheinzelin (1999, p.69) afirma que “alfabetizar-se corresponde a compre-
ender para que servem os sinais da escritura (letras, sinais de pontuação,
separabilidade) e de que modo eles se articulam no tecido da escrita.”

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Como este trabalho propõe o estudo do alfabetismo informacional (termo usa-
do em contraposição a analfabetismo informacional), as diversas condições de
alfabetismo serão definidas, quando possível, nas suas formas positivas, ou seja,
sem o prefixo anan, que significa falta.
A literatura aponta as seguintes formas de analfabetismo:
a) Analfabetismo absoluto refere-se à condição de pessoas ou grupos que não
sabem ler e escrever, mesmo que seja apenas o próprio nome. A antítese de anal-
fabetismo é o termo alfabetismo. O mapa do analfabetismo no Brasil, do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), indica que são 16 milhões os
brasileiros analfabetos absolutos, com 15 anos ou mais.
Considera-se alfabetizado o indivíduo que lê e escreve seu nome, decodifica os
códigos da escrita, e seu próprio nome, embora possa ser iletrado ou letrado.
b) Analfabetismo por regressão se refere à situação de perda do que se apren-
deu (ou perda da condição de alfabetismo), ou no caso, ler e escrever, normalmen-
te por falta do uso do que foi aprendido. Como exemplo, tem-se os brasileiros
alfabetizados pelo MOBRAL. Verificou-se que, com o passar do tempo, grande parte
deles já não sabia mais assinar seu próprio nome, ou ler qualquer frase, por mais
simples que fosse. Segundo o Mapa do Analfabetismo no Brasil, (INEP, 2001), a
partir de dados de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e
pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 35% dos anal-
fabetos já freqüentaram a escola.
c) Analfabetismo social, iletramento ou ainda analfabetismo funcional define-
se como a incapacidade de um indivíduo apropriar-se da leitura e da escrita, para
incorporá-las no seu dia-a-dia, a fim de transformar sua condição social. Para So-
ares, (2004, p.17) no termo letramento está implícita a idéia de que a leitura e a
escrita trazem conseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas,
lingüísticas, quer para o grupo social em que faça parte, quer para o indivíduo que
aprenda a usá-la. 81
A dimensão social do letramento refere-se à forma como as pessoas utilizam
as habilidades de leitura e escrita, num contexto específico, e como essas habilida-
des se relacionam com as necessidades, valores e práticas sociais (SOARES, 2004,
p.72).
Dessa forma, se uma pessoa aprender a ler e a escrever, procurando fazer
uso disso, nas práticas sociais de leitura e escrita, (por exemplo, identificar o nome
e o endereço do banco onde vai receber seu salário), essa pessoa é considerada
letrada. Se essa mesma pessoa souber simplesmente apenas ler e escrever, ela

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será considerada somente alfabetizada, com grande probabilidade de tornar-se um
analfabeto funcional. Tornar-se letrado é estar em estado ou condição de usar a
leitura e escrita considerando seus aspectos social, cultural, cognitivo, lingüístico,
dentre outros.
Para Tfouni (2004, p. 24), o iletramento (referindo-se ao analfabetismo funci-
onal ou social) nas sociedades industrializadas modernas não existe, enquanto au-
sência total ou grau zero e que, do ponto de vista do processo sócio-histórico, o que
existe de fato nestas sociedades são ‘graus de letramento’. Afirma ainda a autora
que o termo ‘letrado’ não tem um sentido único, nem descreve um fenômeno sim-
ples e uniforme. Pelo contrário, está intimamente ligado à questão das mentalida-
des, da cultura e da estrutura social como um todo e conclui que o termo iletrado
não pode ser usado como antítese de letrado.
Um indivíduo pode não saber ler e escrever, isto é, será analfabeto, mas
ser, de certa forma, letrado. [...] Da mesma forma, a criança que ainda não
se alfabetizou, mas já folheia livros, finge lê-los, brinca de escrever, ouve
histórias que lhes são lidas, está rodeada de material escrito e percebe seu
uso e função, essa criança é ainda analfabeta, porque não aprendeu a ler e
a escrever, mas já penetrou no mundo do letramento, já é, de certa forma,
letrada. (SOARES, 2004, p.24)

O letramento é condição sine qua non para o desenvolvimento humano porque,


só sendo letrado um indivíduo pode ler, compreender, absorver e utilizar as infor-
mações que contribuem para seu engajamento ou sua inserção na sociedade.
Os termos alfabetismo funcional e letramento, portanto, são correspondentes
entre si, enquanto analfabetismo funcional e iletramento (illiteracy) são correlatos.
A quarta forma de alfabetismo, considerando-se uma seqüência lógica, é o
alfabetismo informacional. A inserção da definição de alfabetismo digital, logo a
seguir, é proposital, pois se decidiu enfatizar o principal tema deste trabalho, no fim
82 deste item.
d) Analfabetismo digital refere-se à incapacidade de utilizar as habilidades do
alfabetismo informacional em meios eletrônicos como a Internet ou as Bases de
Dados digitais. Segundo Stern (2003), estão incluídas no analfabetismo digital
outras formas de analfabetismo: de computador, de redes, de software, visual,
multimídia, áudio, instrumentos (ou ferramentas) e o de Internet.
Com a abundância de informações digitais, muitos estudiosos argumentam
que o alfabetismo digital é um requisito mínimo para a educação de uma pessoa.
Entretanto, a realidade no Brasil é que um grande contingente da população está
incluído nas diferentes formas de analfabetismo: absoluto, por regressão, funcional

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e informacional. Para se iniciar uma política pública agressiva e intensiva em favor
do alfabetismo digital é indispensável que a população tenha as condições de
alfabetismo de letras, de letramento e o alfabetismo informacional que são funda-
mentais para a vida e basilares para se chegar ao alfabetismo digital.
Stern (2002) afirma que é preciso acabar, com urgência, com outras formas
de analfabetismo, antes de se propor a erradicar o analfabetismo digital. Segundo
este autor, esperar é um luxo daqueles que já têm provisões básicas de alimento,
moradia, assistência médica, estabilidade política e suporte social para os protege-
rem durante qualquer espera ou necessidade.
[...] O mundo não pode se dar ao luxo de esperar enquanto tantos povos
anseiam que a tecnologia os salve do desespero, repressão e instabilidade
econômica. A pobreza e o analfabetismo são problemas de todos. As
nações ricas não podem escapar do quadro de crianças esfarrapadas que
se comprimem ombro a ombro em salas de aula onde não existem recur-
sos e nas quais os professores recitam lições decoradas, porque não
dispõem de materiais de ensino. Igualmente, porque o rádio e a televisão
estão disponíveis para todos, os pobres vêem e ouvem a respeito da
riqueza material que está além de seu alcance. (tradução nossa)3

O Brasil, no seu Programa para a Sociedade da Informação “Livro Verde”


(2000, p. 31), apresenta a seguinte visão sobre a “alfabetização digital”:
Nesse sentido, é imprescindível promover a alfabetização digital, que pro-
porcione a aquisição de habilidades básicas para o uso de computadores
e da Internet, mas também que capacite as pessoas para utilização dessas
mídias em favor dos interesses e necessidades individuais e comunitários,
com responsabilidade e senso de cidadania.

Como afirmamos anteriormente, embora todas as formas de letramento se-


jam necessárias e importantes para uma população, considera-se aqui que as exi-
gências mais prementes, para o homem brasileiro, são as condições de alfabetismo
(ler e escrever), letramento (alfabetismo funcional ou social) e alfabetismo 83
informacional (information literacy).
d) Analfabetismo informacional (informationl iliteracy) significa a condição do
indivíduo que é incapaz de buscar informações necessárias à sua vida ou ao seu
aprendizado, seja qual for o assunto ou a necessidade.
O conceito deste termo é dinâmico e tem sido discutido e repensado com
freqüência. A American Library Association (ALA) define Information literacy como
which requires people to use critical thinking skills to locate, evaluate, and use
information in order to become independent learners.4

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Existem dúvidas sobre quando o termo apareceu pela primeira vez na literatura.
Dudziak considera que o termo Information Literacy foi cunhado pela primeira
vez pelo bibliotecário americano Paul Zurkowski, que o registrou na literatura, em
1974, no relatório intitulado The information service environment relationship and
priorities.
Zurkowski era o presidente da Information Industry Association e, prognosti-
cando mudanças no cenário mundial, que seriam advindas da já iniciada era da
sociedade da informação, propôs que se iniciasse um movimento em direção à
information literacy (DUDZIAK, p. 4).
Segundo Dudziak (2003, p. 3), muitos estudos têm sido realizados sobre
Information Literacy: definição, características, diferentes concepções, casos, aná-
lise da expressão. Porém, a pesquisa neste assunto ainda está em sua infância, um
território ainda indefinido.
Correia (2002) concorda com Duziak quanto ao momento em que surgiu o
conceito de information literacy. Entretanto, Cheuk (2002) afirma que o conceito de
information literacy foi introduzido no início da década de 90, promovido por biblio-
tecários e educadores de cursos superiores e teve mais aceitação na área de edu-
cação. Bundy (2001) apresenta a seguinte versão para o aparecimento deste termo:
O conceito de information literacy tem sua origem na sociedade emergen-
te, caracterizada pelo rápido crescimento de informações disponíveis,
acompanhado das mudanças na tecnologia usada para gerar, disseminar,
acessar e administrar informação. Desde a publicação do Relatório Final
(1989) da Associação Americana de Bibliotecas, escrito por um grupo de
bibliotecários e outros educadores, o conceito de information literacy tem
sido amplamente adotado pelos profissionais de informação e educação.
Este interesse em information literacy é em grande parte resultado de sua
íntima associação com a idéia de aprendizagem para toda a vida. (Tradu-
ção nossa)5

84 No relatório citado por Bundy, o presidente do Committee on Information Literacy


da American Library Association define pessoas letradas em informação como aquelas
que aprenderam como aprender e prossegue: elas sabem como aprender porque
elas sabem como a informação é organizada, como encontrar informação, e como
usar informação de tal forma que outras pessoas podem aprender com elas.
O alfabetismo informacional promove as condições do homem continuar apren-
dendo durante toda sua vida porque lhe possibilita localizar, recuperar, interpretar,
assimilar e transformar informações que dêem suporte às suas necessidades.
Para Matsuura (2002),

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A information literacy requer não somente um domínio de habilidades
cognitivas (ler, escrever, matemática), mas também experiência em aplicá-
las no uso das tecnologias de informação e comunicação. Os requisitos
básicos para information literacy são um desafio para as nações mais
intensivamente informadas do mundo. Para o resto do mundo, especial-
mente para as nações em desenvolvimento, é uma barreira formidável. A
maior parte das discussões sobre a information literacy admite alfabetiza-
ção básica. Todavia, as estimativas atuais são que um em cada cinco
adultos no mundo não possui habilidades básicas de alfabetização. (Tradu-
ção nossa)6

Doyle (1990) define uma pessoa como alfabetizada em informação quando


preenche os
seguintes requisitos:
a) reconhece a necessidade de informação;
b) reconhece que a informação acurada e perfeita é a base para tomada de
decisão inteligente;
c) identifica o potencial das fontes de informação;
d) desenvolve, com sucesso, estratégias de busca;
e) acessa fontes, incluindo as bases de dados automatizadas e em outras
tecnologias;
f) avalia informação;
g) organiza informação para a aplicação prática;
h) integra novas informações em um corpo de conhecimento já existente;
i) usa informação com o pensamento crítico e para solucionar problemas.
Webber e Johnston (2002) ampliam a definição de Doyle:
Information literacy consiste na adoção de comportamento de informação
apropriado pata obter, através de qualquer caminho ou meio, informação
bem adequada às necessidades de informação, junto com a conscientização
crucial sobre a importância do uso sábio e ético da informação na socie-
dade. (Tradução nossa) 7 85
Em seu texto Reading, Information Literacy, and Information Culture, Ramirez
(2002) assegura que:
Um novo conceito de information literacy é certamente necessário. Mas
precisa ser planejado, desenvolvido e introduzido de tal maneira que uma
nova, permanente e duradoura cultura da informação possa ser construída,
com a finalidade de educar cidadãos quanto às suas responsabilidades
tanto de informar outros como de se tornarem bem informados, para o
bem, tanto da sociedade de modo geral como para seu próprio benefício

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imediato. A meta final é que ler, escrever, valores e ética, tudo constitui uma
parte da equação da information literacy, e precisa ser combinado de tal
maneira que uma nova, duradoura e permanente cultura de informação
possa ser criada. (Tradução nossa)8

Para Rader (2002), information literacy tem sido definido como um conjunto
de habilidades para reconhecer quando a informação é necessária e ter a habilida-
de para localizar, avaliar e usar a informação efetivamente. O mesmo autor comen-
ta que, na última década, information literacy tornou-se um tema global e muitas
iniciativas e programas para desenvolver a condição de letramento em informação
têm sido documentadas em todo o mundo, particularmente com fortes ênfases e
exemplos na América do Norte, na África do Sul e nordeste da Europa.
Os programas aos quais Rader se refere fazem muitas considerações relativas
à tecnologia e às habilidades informacionais e demonstram que professores da
área de educação, bibliotecários e outros profissionais estão trabalhando para inte-
grar instruções sobre habilidades informacionais nos currículos, a fim de atingir
bons resultados na aprendizagem.
Outras iniciativas de disseminar atividades de information literacy são as pu-
blicações de pesquisas e outras atividades, além de programas de educação à
distância.
De acordo com Skovira (2002), uma pessoa com a condição de letramento em
informação é capaz de:
a) localizar a informação que necessita;
b) determinar a relevância e a fidedignidade da informação;
c) usar a informação para solucionar problemas e tomar decisões.
Kokkonen (1997) acentua que o conceito de alfabetismo informacional deve
ser visto como um guarda-chuva, ou seja, composto de várias espécies de
alfabetismos.
86 Bundy (2001) define information literacy como um entendimento e uma sé-
rie de habilidades que capacita as pessoas a reconhecer quando precisa de uma
informação e ter a capacidade de identificar, localizar, avaliar, e usar efetivamente a
informação necessária. Este autor completa sua definição afirmando que a pessoa
com letramento informacional aprendeu como aprender, e é capaz de:
- reconhecer a necessidade de informação;
- determinar a quantidade necessária de informação que necessita;
- acessar a informação necessária, eficientemente;
- avaliar a informação e suas fontes;

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86 16/4/2008, 16:43
- incorporar as informações selecionadas em seu conhecimento básico;
- usar a informação eficientemente para realizar um propósito;
- compreender as conseqüências econômicas, legal, social e cultural no uso de
informações;
- acessar e usar informações ética e legalmente;
- classificar, armazenar, manipular e refazer (ou redesenhar) a informação
coletada ou gerada;
- reconhecer o letramento informacional como um pré-requisito para a educa-
ção continuada ao longo da vida. (Tradução nossa)9
Bundy afirma que a information literacy é requerida devido ao acesso e proli-
feração de fontes de informação. As pessoas encontram diversidade e abundância
de informações para escolher em seus estudos, no local de trabalho, e em suas
vidas. A informação está disponível nas fontes de informações da comunidade, nas
organizações que tratam de interesses especiais (como, por exemplo, nas associa-
ções filatélicas), nos fornecedores de materiais e de serviços, na mídia, nas biblio-
tecas e na Internet. Com a grande proliferação de informação, ela não é filtrada.
Aumentam as questões de autenticidade, validade e confiabilidade. Além disto, a
informação está disponível em diferentes mídias, incluindo as gráficas, as auditivas
e textuais. Esta situação e diversidade representam um desafio especial em avaliar,
compreender e usar a informação de modo ético e legal. A incerteza sobre a quali-
dade e quantidade de informação também coloca grandes desafios para todos os
tipos de organização e para a sociedade como um todo.
Finalizando seu parágrafo, Bundy declara que: “Abundância de informação e
tecnologia, simplesmente, não criará cidadãos mais informados, sem a compreen-
são e a capacidade, complementares para usar a informação efetivamente. (Tradu-
ção nossa)”.10
Hagerman e Pinnale (apud PONJUAN, 2002) têm usado uma abordagem mais
tradicional ao definir o assunto information literacy, como segue: 87
Eles vêem esta nova espécie de information literacy como algo funcional
que facilita a compreensão e comunicação intracultural e através de cultu-
ras. E como algo que dá apoio à avaliação pessoal e construtivamente
crítica de conhecimento. Eles enfatizam que esta nova literacy é um pré-
requisito para se prosseguir com sucesso estudos acadêmicos e a pesqui-
sa na sociedade hodierna, que se transforma rapidamente e que é altamente
competitiva. (Tradução nossa)11

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Discutindo sobre cidadania, em texto preparado para a UNESCO, Correia (2002)
afirma que para participar da vida pública e ser cidadão, cada pessoa necessita
adquirir habilidades especiais. E continua:
Educação para a cidadania deve ser contínua, tanto no sistema de educa-
ção formal como no sistema mais informal educação para adultos, para se
conseguir uma aprendizagem duradoura. Estas habilidades vão da alfabe-
tização a habilidades de comunicação e information literacy. Elas permitem
ao indivíduo localizar, acessar, retirar, avaliar, interpretar e agir na informa-
ção a fim de ser capaz de participar dos assuntos da comunidade, a
desenvolver envolvimento comunitário e a ter uma opinião informada so-
bre problemas que acontecem localmente, nacionalmente ou internacional-
mente. (Tradução nossa)12

Correia enfatiza, em seu trabalho, que os programas de educação para a


cidadania, em ambas as formas de educação, formal e informal de educação con-
tinuada, devem incluir o desenvolvimento das habilidades de alfabetismo
informacional. Destaca ainda o papel das bibliotecas públicas e escolares e de ou-
tras instituições públicas e da sociedade civil como muito importantes para promo-
ver a aquisição destas habilidades, incluindo também aquelas instituições que agem
em favor dos portadores de necessidades especiais.
Stern (2002) faz o seguinte comentário sobre a relação entre alfabetismo
informacional e alfabetismo em letras:
É importante observar que a information literacy não depende de ferra-
mentas digitais como computadores nem é dependente de alphabetic literacy
(alfabetização). A information literacy “desligada” – ou seja, a information
literacy sem a mídia eletrônica – existiu e existe em culturas que têm apenas
uma tradição oral de aprendizagem. Literacy, no seu sentido mais básico,
é simplesmente uma maneira de encontrar e registrar informação, ensinar
a outros e criar novo conhecimento. Ter acesso a um computador não
torna uma pessoa alfabetizada em informação, do mesmo modo que
88 possuir uma caneta não faz da pessoa um escritor. Computadores e cane-
tas são meramente ferramentas de literacy. A information literacy é o que
dá à pessoa as habilidades intelectuais e sociais para usar as ferramentas
de informação de maneira efetiva e sábia. Investir no ensino de pessoas a
se tornarem alfabetizadas em informação oferece o retorno do investi-
mento, posto que as pessoas serão equipadas para coletar a informação
de que precisam a fim de melhorar suas situações de saúde, econômicas,
políticas, de bem estar social e educacionais. (Tradução nossa)13

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Pejova (2002) faz uma comparação das situações de países desenvolvidos
com os menos desenvolvidos, no que diz respeito à promoção e implementação de
information literacy:
Os países desenvolvidos apresentam as seguintes características:
·movimentos fortes e maciços e redes de organizações e associações profissi-
onais engajadas na formação e implementação de information literacy;
·bibliotecas e sistemas e redes de informação bem desenvolvidas;
·um desvio de atenção significativo das escolas e universidades para as habili-
dades duradouras de aprender como aprender, isto é, educar alunos e estudantes a
encontrarem, avaliarem e usarem de maneira eficiente a informação;
·profissionais do ramo da informação e bibliotecários bem educados e treina-
dos e educadores entusiastas agindo com energia e em muitos casos por iniciativa
própria;
·superabundância de currículos e relação de cursos, muitos deles disponíveis
pela Internet, acompanhados de abordagens inovadoras de como ensinar information
literacy (objetivos, padrões, medidas);
·usuários que tenham sido expostos durante toda sua vida escolar e que te-
nham sido ensinados a usar as fontes ricas e bem organizadas de informação.

Em oposição a:

·falta de cooperação entre organizações profissionais e falta de políticas e


programas bem articulados e/ou bem promovidos de information literacy;
·bibliotecas, sistemas e redes de informação subdesenvolvidos;
·serviços caros de infra-estrutura em telecomunicação;
·escassez de profissionais de informação e bibliotecários educados e treina-
dos, que dariam o ímpeto necessário para a promoção e implementação da
information literacy; 89
·usuários intimidados que não têm bastante conhecimento sobre a natureza da
informação e sua criação, como a informação é publicada e divulgada (o padrão de
baixa informação dentro de uma disciplina), isto é sem o mapa mental do mundo da
informação e publicação. (Tradução nossa)14
Pejova (2002) acrescenta ainda que deve-se adicionar a estas características
a diferença no uso de informação digital entre os países desenvolvidos e os menos
desenvolvidos.

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89 16/4/2008, 16:43
Tuckett (apud BAWDEN, 2001), considera que o letramento informacional pode ser
visto como uma hierarquia de habilidades, em três níveis, ascendentes de complexidade:
a) habilidades para informações simples – uso de uma fonte de informação
simples, como o catálogo da biblioteca;
b) habilidades em usar combinação de fontes – ex.: preparar uma bibliografia
pesquisando várias bases de dados;
c) habilidades complexas de integrar informações – ex.: usar informações de
várias redes, avaliá-las e transformá-las (ou repackaging).
O esforço que as comunidades vêm fazendo, ou devem fazer, se justifica pelo
fato de que o letramento informacional é um pré-requisito para:
a) inclusão social;
b) criação de novos conhecimentos;
c) fortalecimento pessoal;
d) aprendizagem durante toda a vida;
e) cidadania participativa.
Ainda não se conseguiu alfabetizar todos os habitantes do país, e já se consta-
ta que é preciso ir além: erradicar os analfabetismos absoluto e por regressão,
chegar ao letramento social (ou alfabetismo funcional) e iniciar um intensivo proces-
so de alfabetização informacional e digital.
O conceito de letramento adotado pelo IBGE, em seus censos, é passível de
críticas. Ter freqüentado uma escola durante 4 anos não faz uma pessoa letrada.
Encontra-se, freqüentemente, pessoas com mais de 4 anos de freqüência à escola
que ainda são analfabetos funcionais ou iletrados. Por outro lado, encontram-se
pessoas que nunca freqüentaram uma escola e são letrados ou são portadores da
condição de alfabetismo social.
É indispensável fazer a distinção entre as diversas formas ou níveis de analfa-
betismo, porque cada uma delas requer diferentes habilidades e instrumentos de
90 ensino, além do que deve-se privilegiar aquelas que se apresentarem mais urgentes
de serem tratadas para cada pessoa ou comunidade, em especial.

CONCLUSÃO

Finalizando a revisão de literatura sobre alfabetismo informacional, três certe-


zas se confirmam:
a) em se tratando de melhoria da qualidade de vida: é a educação que livra os
povos da extrema pobreza e exclusão social;

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b) em se tratando do século XXI: as mudanças continuarão constantes, e a
abundância de informação continuará a crescer.
A literatura estrangeira sobre Information Literacy já é vasta. Nesta breve
revisão de literatura teve-se a pretensão de apresentar apenas alguns estudos bási-
cos de alguns autores, como ponto de partida para estudos mais aprofundados.
Espera-se que este trabalho sirva de lastro para outros estudos e contribua para um
novo olhar sobre a Information Literacy, visando o desenvolvimento de competências
informacionais e, conseqüentemente, melhor inserção dos indivíduos na sociedade
do conhecimento por meio de medidas de erradicação de information literacy.

NOTAS
1
O termo letrado significa condição daquele que não só sabe ler e escrever,
mas que utiliza o conhecimento no seu cotidiano, aproveitando-o para melhorar sua
condição social.
2
Neste trabalho, usaremos os diferentes sinônimos e antônimos, dos termos
tratados, alternadamente. Ver quadro de termos na página.
3
[…]The world cannot afford to wait while so many people hope for the
technology to lift them from despair, repression, and economic instability. Poverty
and illiteracy are everyone’s problem. Wealthy nations cannot escape the picture of
ragged children huddled shoulder to shoulder in stark classroom as teachers recite
lessons from memory because they do not have teaching materials. Likewise, because
television and radio are most ubiquitous, the poor see and hear about the material
wealth that is beyond their reach.
4
Information literacy aquela que requer, das pessoas, habilidade de uso do
pensamento crítico para localizar, avaliar, e usar informação para tornar-se um
aprendiz independente.
5
The concept of information literacy has its roots in the emergence of the 91
society characterised by rapid growth in available information and accompanying
changes in technology used to generate, disseminate, access and manage that
information. Since the publication of the American Library Association’s Final Report
(1989), written by a group of librarians and other educators, the concept of
information literacy has been widely adopted by the information and education
professions. This interest in information literacy is largely a result of its close
association with the idea of lifelong learning. (Texto original)

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91 16/4/2008, 16:43
Information literacy requires not only a mastery of cognitive skills (reading,
6

writing, math), but also experience in applying them in the use of information and
communication technologies. The basic requirements for information literacy are a
challenge for the world’s most information-intensive nations. For the rest of the
world, especially the developing nations, it is a formidable barrier. Most discussions
of information literacy assume basic literacy. Yet, current estimates are that 1 adult
in 5 in the world lacks basic literacy skills. (Texto original)
7
Information literacy is the adoption of appropriate information behavior to
obtain, through whatever channel or medium, information well fitted to information
needs, together with critical awareness of the importance of wise and ethical use of
information in society. (Texto original)
8
A new conceptualization of information literacy is, therefore, certainly needed.
But it must be designed, developed, and introduced in such a way that a new
permanent and enduring culture of information can be built, with the purpose of
educating citizens as to their responsibilities of both informing others, and becoming
well informed themselves, for the benefit of both society at large, and for their own
immediate benefit. The ultimate goal is that reading, writing, values and ethics all
constitute a part of the information literacy equation, and must be combined in such
a way that an enduring and permanent new culture of information can be created.
(Texto original)
9
-recognise a need for information
-determine the extent of information needed
-access the needed information efficiently
-evaluate the information and its sources
-incorporate selected information into their knowledge base
-use information effectively to accomplish a purpose
-understand economic, legal, social and cultural issues in the use of information
92 -access and use information ethically and legally
-classify, store, manipulate and redraft information collected or generated
-recognize information literacy as a prerequisite for lifelong learning. (texto
original)
10
Sheer abundance of information and technology will not in itself create more
informed citizens without a complementary understanding and capacity to use
information effectively. (Texto original)
11
They see this new kind of literacy as something functional that facilitates
cross-cultural and intra-cultural comprehension and communication. And as something

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that supports the personal and constructively critical evaluation of knowledge. They
emphasize this new literacy is a prerequisite for successfully pursuing academic
studies and research in today’s fast moving and highly competitive society. (Texto
original)
12
Education for citizenship should be continuous, both in the formal education
system and in the more informal adult education for lifelong learning. These skills
range from literacy, to communication and information literacy skills. They enable
one to locate, access, retrieve, evaluate, interpret and act on information to be able
to participate in community affairs, to develop community involvement and to have
an informed opinion about problems occurring locally, nationally or internationally.
(Texto original)
13
It is important to note that information literacy is not dependent on digital
tools such as computers nor is it dependent on alphabetic literacy. Information literacy
“unplugged – or information literacy without electronic media – existed and exists in
cultures that have only an oral tradition of learning. Literacy, in its most basis sense,
is simply a way of finding and recording information, teaching others, and creating
new knowledge. Having access to a computer does not make a person information
literate any more than owning a pen makes one a writer. Computers and pens are
merely literacy tools. Information literacy is what gives a person the intellectual and
social skills to use information tools effectively and wisely. Investing in teaching people
to be information literate offers the return on investment that people will be equipped
to gather the information they need to improve own health, economic, political,
religious, social well-being, and educational situations. (Texto original)
14
·strong, massive movements and networks of organizations and professional
associations engaged on the information literacy promotion and implementation;
·well developed libraries and information systems and networks;
·a significant turning of the schools and universities’ attention to the lifelong
skills of learning how to learn, that is of educating pupils and students to find, 93
evaluate, and effectively use information;
·well educated and trained information and library professionals and enthusiastic
educators acting energetically and in many cases of self-initiative;
·plethora of information literacy curricula and syllabi, many of them available
on Internet, accompanied by innovative approaches of how to teach information
literacy (objectives, standards, measures);
·users who have through all their schooling been exposed and have been taught
to use the rich and well organized information resources.

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93 16/4/2008, 16:43
As opposed to:
·lack of co-operation among professional organizations and lack of well articulated
and/or promoted information literacy policies and programs;
·underdeveloped library and information systems and networks;
·expensive telecommunication infrastructure services;
·shortage of information and library educated and trained professionals who
would give the necessary impetus to the information literacy promotion and
implementation;
·intimidated users who are not so well acquainted with the nature of information
and its creation, how information is published and disseminated (the pattern of low
information within a discipline), that is without the mental map of information and
publication world. (Texto original)

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96 16/4/2008, 16:43
Questões e estratégias do processo de
disseminação da informação em bibliotecas
públicas: um estudo de caso
VANDA ANGÉLICA DA CUNHA

INTRODUÇÃO

As funções de formar e desenvolver coleções, processar, armazenar, recupe-


rar, comunicar e disseminar a informação contida nos acervos são comuns a todas
as categorias de biblioteca.
Na contemporaneidade, a biblioteca não mais se caracteriza como um espaço
de armazenamento de coleções isoladas, sem convergência de sentidos, mas se
evidencia como um local de acervos de informações que, mesmo estando registradas
em suportes variados, sendo ordenadas em ambientes físicos diferentes, guardam
entre si a relação de conteúdos idênticos e afins, cuja recuperação e comunicação
permitem ao usuário o acesso e uso fértil.
Para além do modelo tradicional da simples recuperação da informação de-
mandada pelo usuário, que nem sempre assegura a apropriação possível de
transformá-la em conhecimento, hoje as bibliotecas voltam-se para a função de
promoção do uso da informação, em que se insere a estratégia de disseminação,
com uma ação mais específica de levar a informação com rapidez e qualidade a
partir do conhecimento da necessidade real dos usuários. 97
Como pensar em disseminação de informação na biblioteca pública brasileira
ainda tão carente de estudo do usuário e dependente, em geral, apenas de recur-
sos bibliográficos sem a inserção no acervo de fontes em outros suportes? Como
romper com a realidade da exclusiva dependência a esse tipo de fonte de informa-
ção essencial, mas limitadora?
Recuando no tempo, encontramos os livros circulando com maior amplitude a
partir da invenção da imprensa, o que ocorreu de forma lenta e gradual em socieda-
des diferentes. Carvalho (1999, p. 21), abordando a conturbada e heróica história dos
livros no Brasil, utiliza-se das palavras difusão, circulação e disseminação ao se referir

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97 16/4/2008, 16:43
que “A gradativa dessacralização do livro favoreceu o objetivo de informar, fruto do
desejo do homem, preocupado com a difusão do conhecimento”. Mais adiante afirma
que “as tiragens aumentaram e isso influenciou o comércio livreiro, com uma maior
circulação da informação” (ibid., p. 24). Evoluindo para outra acepção, a autora men-
ciona que “[...] o livro se legitima pelo seu valor social e mais tarde pelo papel de
disseminador de informação.” (ibid., p.131). A esse percurso valioso há que se somar
a trajetória de implantação de novos recursos de informação.
Considerando os obstáculos que historicamente a biblioteca pública no Brasil
enfrenta, tais como a ausência de uma política de informação nas esferas de fgoverno
federal, estadual e municipal, o que redunda em falta de planejamento, orçamento,
acervos, recursos humanos e tecnológicos adequados à demanda, pensar em es-
tratégias de disseminação requer dos bibliotecários dirigentes postura proativa para
reverter a situação. O estudo de usuário e a interação com esse segmento se tor-
nam um caminho. É imprescindível nas bibliotecas públicas, hoje, o uso da Internet
como enriquecimento das fontes de informação no acervo, qualidade e rapidez na
localização e recuperação dos itens solicitados e como recurso para a ampliação do
conhecimento.
A Internet, como qualquer novo recurso tecnológico, traz benefícios e a exi-
gência de adaptação ao novo paradigma. Depara-se aqui o usuário com dúvidas na
seleção do que efetivamente lhe interessa. E é nesse espaço que se insere o biblio-
tecário, conhecedor das técnicas de indexação de conteúdos e de estratégias de
buscas mais produtivas. Depara-se o usuário com outra dificuldade, a habilidade de
leitura, fundamental para o acesso e uso da informação na Internet. Está aí um
outro desafio a ser vencido. Por trás de toda a magia do ambiente virtual com a
linguagem hipertextual que faz convergir texto, imagem e som, sobressai a neces-
sidade do domínio da leitura. Não apenas decodificação de texto sem o entendimen-
to e a possibilidade de apreensão do conteúdo informacional, mas a leitura que
98 permita a criação e recriação de sentidos.
A função social da biblioteca pública é tema recorrente na literatura especi-
alizada da área. Ao sabor dos desafios que lhe são impostos, a atuação dessa
instituição tenta cumprir esse papel, desenvolvendo estratégias de mediação entre
informações e usuários que possam contribuir, por meio da ampliação do conheci-
mento, para o desenvolvimento individual e coletivo da sociedade em que se insere.
Em nosso país a biblioteca pública sempre tão presente nos congressos de
Biblioteconomia e Documentação e outros eventos científicos da área, quer como
tema central, quer como contribuições tangenciais, representa significativa partici-

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pação, mesmo que mais freqüentemente sob a forma de relatos de experiências,
situação que se modificou a partir da década de 70 do século passado, com o
desenvolvimento dos cursos de pós-graduação que estimularam a pesquisa. Esse
fato gerou uma mudança na cultura biblioteconômica na direção da importância de
estudos sistemáticos para a compreensão e transformação da realidade das unida-
des de informação tradicionais e emergentes.
A partir de então, começam a aparecer estudos científicos que vêm buscando
conhecer fenômenos ou situações que interferem nos processos e recursos de or-
ganização, fluxo e uso da informação. Considera-se que a ampliação dos estudos,
em volume e diversificação de abordagens, traçará um novo perfil da biblioteca
pública no Brasil, para melhor atender à imensa gama de necessidade de informa-
ção da sociedade.

I NFORMAÇÃO , CID ANIA , DESENV


CIDAA DDANIA OL
DESENVOL VIMENT
OLVIMENT
VIMENTOO HUMANO E SOCIAL

São consideradas funções básicas da biblioteca pública: educação, informa-


ção, cultura e lazer. O que se percebe é que essas funções permanecem inerentes
à instituição, sendo alteradas em conteúdo, forma e estratégias, na medida em que
se modifica o contexto social onde se situam (CUNHA, 2002a p.47).
Entretanto, a informação é vista atualmente, como essencial à sobrevivência do
homem e das organizações e indispensável no processo de desenvolvimento social. A
cidadania, aspiração de todo cidadão, pressupõe acesso e uso de informações que se
transformem em conhecimento utilizado na perspectiva de transformação individual e
coletiva. À biblioteca pública cabe o papel de despertar a consciência da cidadania e
estimular seu exercício e aprimoramento. Acervos, produtos e serviços precisam aí ser
pensados e aperfeiçoados no sentido de possibilitar ao seu público o permanente e
próprio desenvolvimento enquanto ser humano e como ser social.
O conceito de cidadania, mais além do que conhecer e exercitar direitos e 99
deveres inerentes ao indivíduo, representa conduzi-lo a se perceber no espaço geo-
gráfico que ocupa, compreendendo seu próprio significado e responsabilidade na
permanente reconstrução e melhoria desse espaço com vistas ao bem comum e
uma melhor qualidade de vida. Cidadania reflete uma sociedade de fato democráti-
ca, que reconhece e estimula a participação do cidadão no pensar, construir e
transformar a sociedade voltada para o bem coletivo.
Como pensar cidadania com exclusão ao acesso e uso da informação? A As-
sembléia Geral das Nações Unidas destaca nos artigos 19 e 27 da Declaração
Universal dos Direitos Humanos prerrogativa do cidadão frente ao conhecimento:

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Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito
inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber
e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemen-
te de fronteiras. [...] 1) Toda pessoa tem o direito de participar livremente
da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do pro-
cesso científico e de seus benefícios. 2) Toda pessoa tem direito à prote-
ção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção
científica, literária ou artística da qual seja autor. (DECLARAÇÃO UNIVERSAL
DOS DIREITOS HUMANOS, 2006)

A Unesco, em documento que traça as diretrizes políticas para a disseminação


da informação governamental, reconhece a necessidade dos indivíduos possuírem
competências para o uso da informação, sua transformação em conhecimento, o
que inclui a habilidade no manuseio de recursos tecnológicos, a exemplo do compu-
tador. Igualmente declara ser de responsabilidade dos governos nacionais e locais
promover os meios para o acesso a esses recursos. Resgata a diretriz e o conteú-
do da Declaração Universal dos direitos Humanos para comprovar a demanda do
cidadão e o dever do Estado, ressaltando:
[...] uma das principais metas de qualquer sociedade que esteja lutando
pelo desenvolvimento humano é o fortalecimento de todos os seus cida-
dãos, por meio do acesso e utilização da informação e do conhecimento
[...] e particularmente às redes de informação digitais globais
exemplificadas pela Internet, é essencial para se alcançar essa meta. (Uhlir,
2006, p. 21)

O acesso e pleno uso de informação na Internet recebe apoio de outro orga-


nismo supranacional que se coloca em defesa das bibliotecas e dos cidadãos em
prol da inserção dos países na sociedade da informação. A Federação Internacional
de Associações de Bibliotecários – Ifla – aprova o Manifesto sobre a Internet em 27
de março de 2002 em Haia, Países Baixos, reconhecendo que as bibliotecas em
100 todo o mundo, sobretudo as bibliotecas públicas e escolares, tendo em vista a res-
ponsabilidade social que lhes é atribuída, precisam conhecer o Manifesto e desen-
volver estratégias junto aos governos e organizações mantenedoras de serviços de
informação no sentido de sua aplicação.
No Manifesto, a Ifla reconhece e declara os seguintes princípios nas questões
de direito ao acesso e uso da informação na Internet:
· A liberdade intelectual é um direito de cada indivíduo, tanto no sentido de
ter e manifestar suas opiniões, como de procurar e receber informação. É
a base da democracia e está na essência do serviço bibliotecário;

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· A liberdade de acesso à informação, independentemente de suporte e
fronteiras, é uma responsabilidade primordial da biblioteca e dos profissi-
onais da informação;
· O livre acesso à Internet, oferecido pelas bibliotecas e serviços de
informação, contribui para que as comunidades e os indivíduos atinjam a
liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento;
· As barreiras para a circulação da informação devem ser removidas,
especialmente aquelas que favorecem a desigualdade, a pobreza e o de-
sespero. (IFLA, 2002)

Sobre a necessidade da inclusão digital, fator essencial à promoção humana, exer-


cício da cidadania, contribuição ao desenvolvimento econômico e social, cabe aos
governantes, aos educadores, em que se incluem os bibliotecários, aos pesquisadores e
demais atores de mudanças sociais, atentarem para o fato de que essa inclusão deve
significar o direito ao acesso e uso das tecnologias de informação e de comunicação.
O acesso e uso aqui referidos representam não somente a habilidade do usu-
ário nas técnicas de manuseio das ferramentas mas que seja capaz de se apropriar
da informação para gerar conhecimento. Isso significa o usuário ter domínio de
leitura, capacidade de apreensão, assimilação, interpretação e produção de novos
sentidos da informação que está utilizando. Significa que ele se reconheça inserido
na sociedade digital lidando com uma informação de novos formatos, conteúdos e
aplicações e não apenas parcialmente atingido em função da maior ou menor dispo-
sição de governos em permitir o acesso e uso da informação.
A exclusão digital se revela um fenômeno mundial e não um problema especí-
fico do Brasil. A inclusão universal à sociedade digital é anseio de todos os países
que, a partir de suas características particulares, buscam encontrar soluções pró-
prias ajustadas a cada contexto econômico e social. Silveira (2005) se refere à
cisão digital e à necessidade do governo brasileiro intervir nesse processo. O autor
reflete que o Programa Sociedade da Informação admite que “[...]parte das desi-
gualdades entre pessoas e instituições é resultado da assimetria no acesso e enten- 101
dimento da informação disponível, o que define a capacidade de agir e reagir de
forma a usufruir seus benefícios”.
A presença e atuação da biblioteca pública é fundamental nesse processo.
Para tanto, devem ser utilizados recursos tecnológicos, fontes de informação
diversificadas e, sobretudo, permanente interação com os usuários, no sentido de
conhecer as demandas para possibilitar sua satisfação.
Sobre essa interação biblioteca e usuário em tempos de lógica e comporta-
mento marcados pela globalização, Milanesi (2002, p.105) ressalta que longe de
ser o aperfeiçoamento tecnológico o grande desafio de nossos serviços informacionais,
o foco está na necessidade de maior investimento na ação local nos espaços

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circunvizinhos, no bairro, na cidade, na escola para melhor conhecer as necessida-
des de informação do usuário. E complementa: “Mesmo sendo a Internet o mais
poderoso instrumento tecnológico de informação mundial, ao que tudo indica, o
“eu” e a “minha cidade” continuam sendo as preocupações primeiras”.
Teóricos da biblioteca pública anseiam que a instituição se revele de fato mais
participativa. No entanto, o discurso se distancia da prática na medida em que,
subordinadas à estrutura governamental, como de praxe, atadas às ideologias de
governo, pressionadas por uma burocracia limitadora, não conseguem se posicionar
“mais próxima da comunidade e mais ciente de sua importância para a construção
de uma cidadania plena”, como se observa em Feitosa (1998, p. 21). Fonseca
(2006), eminente e polêmico bibliotecário brasileiro, também partidário da
desestatização das bibliotecas, se refere à necessidade de “dar-lhes uma estrutura
liberta das injunções governamentais”.
Assim distanciada da comunidade, a biblioteca pública tem encontrado dificul-
dade para contribuir, efetivamente, na promoção humana, no desenvolvimento soci-
al do local em que está inserida. Esse fenômeno parece vir intensificando a ampliação
do número de bibliotecas comunitárias, nascidas do anseio de pessoas com carên-
cias e objetivos comuns que se localizam em espaços geográficos específicos. Com
finalidade, estrutura e dinâmica bem semelhantes à biblioteca pública, essa catego-
ria de biblioteca tende a se firmar pela possibilidade de melhor atender à comunida-
de a que serve, com a qual se identifica e interage. Estudos futuros poderão
enxergá-las como arautos de um outro conceito de biblioteca pública, com outro
modelo de subordinação administrativa, com novo paradigma de atuação, outro
espaço a demandar a atuação do bibliotecário.
Fazendo um retrospecto na questão do aperfeiçoamento no acesso à informa-
ção no século XX, Figueiredo (1999) lembra que “nas décadas de 30 e 40, assistiu-
se a uma grande melhoria nas fontes de referência e, nas de 60 e 70, foram
102 enfatizadas as habilidades necessárias para a comunicação interpessoal”. A estra-
tégia de disseminação da informação exige este modelo de comunicação. Não ape-
nas fornece a informação, mas sobretudo se antecipa ao usuário, através do
conhecimento do seu perfil, fornecendo-lhe de modo personalizado a informação
precisa, relevante, com rapidez e eficiência.
Por esse prisma, vê-se que as bibliotecas públicas são tímidas no uso de estra-
tégias de disseminação da informação com essa característica que lhe define. Ainda
não há uma ruptura com o modelo apenas de recuperação da informação.
Na perspectiva de que disseminação da informação, tradicional ou digital, en-
volve as variáveis biblioteca, informação, mediação e usuários, Cunha e outros (2005)

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destacam que para atingir a meta, a biblioteca pública deve conhecer e administrar
os desafios e oportunidades que a sociedade contemporânea lhe impõe.
Destacam-se, entre os desafios:
· Ausência de políticas públicas comprometidas com a inserção dessa catego-
ria de biblioteca inserida na sociedade da informação;
· Falta de infra-estrutura física, equipamentos, recursos tecnológicos;
· Falta de cultura digital generalizada;
· Recursos humanos capacitados para a adequada utilização das tecnologias
disponíveis e para treinamento dos usuários;
· Visão estratégica para o atual modelo de ordenação social em que se vê o
aumento do número de computadores conectados e as bibliotecas públicas
dissociadas dessa realidade;
· Ausência da instituição de uma postura proativa nas discussões e decisões de
governo para o setor;
· Inexistência de estudos de necessidades e demandas por informação para
subsidiar políticas públicas e planos estratégicos de ação nas bibliotecas.

Destacam-se entre as oportunidades:


· Motivação dos usuários para usufruir dos benefícios das tecnologias de infor-
mação e de comunicação;
· Possibilidade de desenvolver ações de letramento digital, ampliando o núme-
ro de cidadãos aptos ao uso e benefícios da informação, não apenas do uso do
equipamento;
· O estímulo de entidades supranacionais, como Unesco e Ifla;
· Relevante produção de conhecimento no campo das Tecnologias de Informa-
ção e de Comunicação (TICs)s nos cursos de pós-graduação;
· A realidade da globalização da informação e seu aspecto de aumento de
fluxo e disseminação de informação e conhecimento; 103
· O momento atual da política do governo federal nas áreas de leitura e ciên-
cia e tecnologia.
A promoção do uso da informação e de outros produtos e serviços da bibliote-
ca pública é indicada para atrair os não usuários e recomendada por autores como
Figueiredo (1992; 1994), Milanesi (1997) e Gonzalez (1998).O padrão moderno
reconhece não ser a biblioteca o único espaço de circulação de informação. Daí
porque se recomendam estratégias de inovação para atrair os usuários.

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A Internet trouxe uma ampliação de conhecimento antes jamais imaginada. As
informações que circulam na rede, no entanto, não são acessadas de forma univer-
sal posto que, com as desigualdades econômicas, os países dispõem de maior ou
menor oferta dessa ferramenta de informação e de comunicação.
Das desigualdades econômicas resultam as desigualdades sociais que deter-
minam os níveis de acesso a essa tecnologia. Um reflexo do fenômeno já se verifica
nas bibliotecas públicas do Brasil, que não podendo ser provedoras e disseminadoras
de informações, acervos e serviços que a sociedade demanda, reconhecem que,
A velocidade do processamento de conteúdos, as facilidades de
armazenamento, a presença de multimídias e telecomunicações possibili-
tam o acesso aos recursos informacionais em todo o mundo; logo a visão
tradicional do ambiente no qual a informação impressa é estocada e mantida
localmente se desestabiliza, à medida que a informação digital circula na
rede em qualquer espaço e em tempo real. (AQUINO, 2004)

Em 1999, o Brasil lança as bases para a implantação da Sociedade da Informação


no país, prevendo o acesso universal à Internet e assegurando a democratização do
acesso à informação e ao conhecimento. As bibliotecas públicas, dentre outras unidades
de informação, são chamadas a assumir um papel estratégico em duas vertentes:
[...] como instituições sociais, com a missão e vocação de intermediação
que viabilizarão o acesso público gratuito e assistido aos conteúdos da
Internet aos indivíduos e comunidades não conectadas. [...] inovando a
partir do conhecimento e experiência acumulada na função de operar
coleções de conteúdos [...] visando ao seu acesso democrático e a sua
preservação para as gerações futuras. (MIRANDA, 2000)

Para viabilizar a intermediação no acesso público e gratuito à Internet e a


inovação de estratégias que permitam gerenciar e disseminar os conteúdos na rede,
vê-se o ponto de vista:
104 [...] caberá à biblioteca pública trabalhar no sentido de corrigir as defici-
ências do passado, como criar uma interação adequada com a comunida-
de e implantar produtos que de fato facilitem o acesso à Sociedade da
Informação. Suaiden. (2000, p. 57)

O Programa Sociedade da Informação no Brasil se instalou conferindo às bibli-


otecas públicas um papel essencial na construção de conteúdos e disseminação da
informação com o uso da Internet. Previu dotá-las de recursos tecnológicos com a
criação de telecentros através do Programa Bibliotecas do FUST, um dos beneficia-
dos pelo Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, do Ministério

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das Comunicações, sendo este operacionalizado pelo referido programa a cargo do
Ministério da Ciência e Tecnologia, em colaboração com a Secretaria do Livro e da
Leitura do Ministério da Cultura e gerido pela ANATEL (Portal Fust Bibliotecas, 2002).
Vê-se no referido portal1, além da previsão de se contemplar o sistema nacio-
nal de bibliotecas públicas, um espelho da participação do terceiro setor em relação
ao interesse na instalação de telecentros. O gráfico mostra a participação de 21%
do Nordeste, o que representa a força do setor em participação.

A Universidade Federal da Bahia, integrante do Comitê Gestor da Sociedade


da Informação, buscou parcerias para fazer a grande mobilização em Salvador com
vistas a encaminhar projetos de implantação de telecentros comunitários em orga-
nismos do setor público e em ONGs. A Fundação João Fernandes da Cunha se colo-
cou como parceira realizando, em sua sede, com a UFBA, em duas etapas, o
Seminário Sociedade da Informação e a Universalização do Acesso: Telecentros
Rompendo Fronteiras Geográficas, dos quais resultou o encaminhamento de 102
projetos candidatos à instalação desses ambientes para acelerar a inclusão digital 105
da população.

I NQUIETAÇÕES APROXIMAM O OBJETO DE ESTUDO

A sociedade contemporânea se caracteriza pelo volume e velocidade do fluxo


de informações e o aparecimento de tecnologias de informação e de comunicação
que produzem profundas mudanças e alteram a forma de pensar, estudar, traba-
lhar, se comunicar. Essas tecnologias contribuem para ampliar o horizonte

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informacional dos indivíduos e asseguram, aos que dela fazem uso, facilidade na
tomada de decisão, melhoria na qualidade de vida, inserção no mercado de traba-
lho. Considerando a responsabilidade social das bibliotecas públicas em estimular o
uso, com autonomia, das modernas tecnologias de informação e de comunicação,
contribuindo para a redução da exclusão digital, cabe o estudo do processo de
utilização desse recurso, em especial da Internet, para possibilitar a avaliação do
uso que vem sendo feito da informação nessa mídia.
Em harmonia com os princípios da educação, cultura, ética e cidadania como
forma de desenvolvimento individual e coletivo, busca-se testar um modelo de bibli-
oteca não governamental, com características de biblioteca pública a partir de uma
filosofia de ação, acervos e processos voltados para a ampliação do conhecimento.
Desse modo, é criada em 1992 a Fundação João Fernandes da Cunha, organi-
zação do terceiro setor, entidade de direito privado sem fins lucrativos que mantém,
desde 1996, uma biblioteca aberta a toda a comunidade, com acervo, serviços e
usuários característicos da biblioteca pública tradicional. Busca inserir em suas prá-
ticas processos que sejam marcados pela inovação para o avanço no modelo de
gerenciamento da informação e maior integração com o usuário, o que pressupõe o
estudo de suas necessidades de informação.
O perfil da biblioteca da Fundação João Fernandes da Cunha tem permitido a
adoção de estratégias de promoção da leitura e da informação baseadas no
monitoramento constante de fatos e fenômenos do cotidiano das pessoas, que pos-
sam servir de motivação para o contato com informações que lhe sejam referentes
a esses eventos.
Atenta à sua missão de apoiar o desenvolvimento educacional e cultural, pro-
move a cidadania e integração dos indivíduos à sociedade através da leitura e da
disseminação da informação, e está sempre voltada para reflexões e ações em
torno das variáveis biblioteca, informação, mediação e usuários.
106 Sintonizada com a filosofia e diretrizes da instituição mantenedora, a biblioteca
é voltada para a ampliação do conhecimento e aperfeiçoamento do nível cultural da
comunidade de usuários reais e potenciais. Oferece acesso à Internet na tentativa
de ampliar o nível de informação através do contato com atuais tecnologias de
informação e de comunicação disponíveis, que possibilitam acessar conteúdos di-
versificados, ferramentas variadas e espaços sem fronteiras geográficas.
Embora acessar a Internet seja um desejo explícito por vários segmentos soci-
ais, os relatórios gerenciais da biblioteca e a observação do comportamento do
usuário no cotidiano da instituição apontavam para uma prevalência de interesse no

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uso do acervo bibliográfico. Desse modo, se anunciava como oportuno um estudo
das estratégias de disseminação da informação pela biblioteca, e do foco de inte-
resse dos usuários nos assuntos e recursos de busca. A verificação do fenômeno
levantou a hipótese da provável falta de habilidade no uso dessa ferramenta como
o motivo desse afastamento.
Um projeto de pesquisa se desenvolve no período 2002 - 2004 no formato de
Iniciação Científica, com o título Autonomia na Busca da Informação na Internet:
capacitação de bibliotecários, auxiliares de biblioteca e usuários. A equipe foi com-
posta por docentes e alunos do Instituto de Ciência da Informação da Universidade
Federal da Bahia, integrantes da equipe da biblioteca da Fundação João Fernandes
da Cunha, uma aluna do Curso de Letras da Universidade Católica do Salvador e um
bibliotecário ex-estagiário da referida biblioteca. Contou com financiamento de bol-
sa de iniciação científica.2
A pesquisa tem por objeto o conhecimento da necessidade de informação e
grau de utilização da Internet e a perspectiva da capacitação de seus recursos
humanos para elevar a qualidade da prestação do serviço. Foi norteada pelos obje-
tivos:
a) conhecer os assuntos que mais interessam aos usuários, independente de
sua necessidade imediata;
b) investigar a preferência pelo suporte em que a informação se encontra;
c) examinar o grau de utilização da Internet e sua vinculação com o uso de
outros serviços e acervos da biblioteca;
d) avaliar, entre os usuários, o nível de facilidade ou de dificuldade no acesso
e uso da Internet;
e) examinar a habilidade no uso da Internet pelos recursos humanos que aten-
dem a esse serviço na biblioteca (CUNHA, 2002).

C AMINHOS , LABOR E FRUTO


107
Para atingir os objetivos a que o estudo se propôs, é estabelecida uma
metodologia que compreende a análise de documentos da instituição, a exemplo de
relatórios e planilha de uso da Internet, a observação direta do ambiente e aplica-
ção de questionário entre os usuários e recursos humanos da biblioteca.
O primeiro resultado concreto da aproximação com a realidade estudada foi a
avaliação de um perfil de usuários em relação à faixa etária e às demais variáveis
trabalhadas. Observa-se, na Tabela 1, a supremacia do segmento jovem que vive no

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universo escolar e em preparação para o ingresso no mundo do trabalho. Mas o
percentual de 14,36 % de idosos se revela alentador, vez que esse é um segmento
típico de biblioteca pública, na busca de convivência, atualização de informação,
sobretudo em periódicos e leitura de livros com finalidade de lazer.
SUJEITOS QUANT. %
Crianças 16 8,21%
Jovens 105 53,85%
Adultos 46 23,59%
Idosos 28 14,36%
TOTAL 195 100%
TABELA 1 - PERFIL DE CATEGORIA DE USUÁRIOS
A pesquisa de campo incluiu 395 usuários. A observação direta analisou o
comportamento de 195 leitores em trânsito nos setores de Referência, Periódicos
e Empréstimo avaliando em que proporção nessa mobilidade no recinto da bibliote-
ca, buscavam a Internet. A técnica de observação direta se constituiu a primeira
confirmação da preferência pelo acervo bibliográfico e foi complementada com apli-
cação de questionário a 200 outros usuários.
Material Bibliográfico 75%
Material Bibliográfico e Internet 5%
Apenas Internet 20%
TOTAL 100%
TABELA 2 - COMPORTAMENTO DOS USUÁRIOS EM RELAÇÃO ÀS FONTES CONSULTADAS

Numa outra tentativa de entender a preferência pelas fontes bibliográficas,


solicita-se aos entrevistados que informem, em ordem decrescente de importância,
que assuntos são mais buscados na biblioteca. E que também indiquem, com o
mesmo critério, os assuntos buscados na Internet. Curiosamente, embora haja pe-
108 quena diferença no grau de importância, os assuntos permanecem os mesmos,
quer sejam solicitados no recinto da biblioteca ou na Internet. Esse dado reforça a
tese da possibilidade de ampliação do conhecimento caso usassem ambas as fontes
de informação.

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G RÁFICO 1 – I NTERESSE DE INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECA

Na segunda etapa da pesquisa de campo, através do instrumento que siste-


matizou informações prestadas pelos usuários, vê-se confirmar a reduzida utiliza-
ção da Internet. 29% fazem uso entre uma e quatro vezes por semana. Não houve
resposta para a opção diariamente, enquanto 66% o fazem raramente.

G RÁFICO 2 – F REQÜÊNCIA DE UTILIZAÇÃO DA I NTERNET NA B IBLIOTECA

Considerando o expressivo número de não usuários da Internet, o estudo bus- 109


cou saber as razões, para subsidiar o plano de treinamento contemplando as de-
mandas expressas. A maior proporção de respostas, 41 %, aponta o fato de não
saber usar a Internet como determinante para evitar o uso da ferramenta. Se a
esse dado se agregar os 10% que afirmam não gostar, tem-se pouco mais da
metade dos usuários estudados. Um dado a ser considerado, 17 %, refere-se a
julgarem alto o preço pelo acesso, o que está sendo objeto de novo estudo, conside-
rando que mesmo correspondendo a um valor simbólico, houve redução do valor
cobrado, sem que tenha aumentado o número de acessos.

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G RÁFICO 3 – N ÃO UTILIZAÇÃO DA I NTERNET NA B IBLIOTECA

No desenvolvimento da pesquisa, percebeu-se a importância de ser testado


um modelo a ser utilizado com a equipe da biblioteca encarregada de multiplicar
essa capacitação entre os usuários que dela necessite. Decorreu assim a criação de
um ambiente virtual de aprendizagem (AVA)3 a partir de demandas expressas pela
equipe do projeto, posteriormente acrescido de indicações advindas da pesquisa de
campo. O modelo previsto para atender a diferentes graus de dificuldades tem a
forma de um tutorial com noções elementares de acesso e uso das ferramentas da

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Internet, com permanente realimentação a ser norteada pelas dificuldades aponta-
das no decorrer do treinamento tanto de usuários quanto da equipe da biblioteca.

C ONSIDERAÇÕES FINAIS

Refletir sobre os aspectos que envolvem o processo de disseminação da infor-


mação em bibliotecas públicas, sua apropriação e geração de conhecimento na
sociedade contemporânea marcada por desafios e oportunidades, se constitui um
aporte ao estado da arte da ciência da informação e pode gerar transformações no
ambiente das unidades de informação. Sem esgotar o assunto este artigo espera
haver cumprido seu propósito e quer destacar alguns pontos na expectativa de que
sejam gerados outros estudos:
a) O objeto de estudo a priori enigmático revela-se claro. Ratifica a prevalência
de uso de fontes bibliográficas em detrimento da Internet confirmando as hipóteses
de auto-limitação na ampliação do conhecimento e desuso dessa ferramenta de
informação e de comunicação por falta de habilidade no manuseio do computador e
desconhecimento de estratégias de busca nesse novo ambiente.
b) para cumprir sua verdadeira função de portal do conhecimento tradicional e
emergente da humanidade e promover a democratização da informação as bibliote-
cas públicas necessitam rever paradigmas de tratamento e disseminação da infor-
mação, interagir, através do estabelecimento de redes sociais com outros modelos
alternativos de organização de bibliotecas congêneres, a exemplo das bibliotecas
comunitárias e do terceiro setor, promovendo o compartilhamento do saber e do
fazer bibliotecário em benefício da sociedade;
c) a realização de estudos de usuário e de comunidade é fundamental para o
desenvolvimento das bibliotecas. Abre horizontes para novas estratégias de promo-
ção do uso da informação, possibilita interação com seu público e permite maior
visibilidade e valorização da instituição e dos profissionais; 111
d) a cultura digital está incipiente tanto no sistema interno das bibliotecas
como no macrosistema, formando um círculo vicioso. Romper esse círculo é essen-
cial e inadiável, requerendo ação conjunta do governo, universidades, empresas
privadas, organismos do terceiro setor e das unidades de informação em diferentes
esferas, na direção de implantação de políticas públicas de informação.

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NOTAS
1
http://portalfust.socinfo.org.br/radiografia11.htm.
2
Elane Conceição Damasceno. 1º período pela FAPESB, 2º período pelo CNPq.
3
Bibliotecário Levi Alã Neves dos Santos.

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criando novos formatos e papéis em ambientes de informação. Ciência da Informa-
ção, Brasília, v.33, n.2, maio/ago. 2004. <Disponível em: http://www.ibict.br/cionline/
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2002. Projeto apresentado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientí-
fica – Pibic.
CUNHA, Vanda Angélica da. Profissional da informação na biblioteca pública con-
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72.

114

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Disseminação da Informação sobre plantas
medicinais: fontes formais, informais
e eletrônicas
LEILA BÁRBARA MENEZES SOUZA
KÁTIA DE CARVALHO

E SPAÇO
SPAÇO DE DISSEMIN AÇÃO D A INFORMAÇÃO
DISSEMINAÇÃO

O processo de disseminação da informação nos espaços informais – como as


feiras livres – tem sido foco de atenção de pesquisadores e estudiosos, em virtude
da percepção e do reconhecimento desses espaços como ricos em saberes diversi-
ficados.
Neste sentido, relevante se faz a investigação das fontes de informação sobre
as plantas medicinais, utilizadas tanto para a cura de diversas enfermidades como
para proteção espiritual, nas principais feiras de Salvador/BA, para contribuir para
o estudo de estratégias de disseminação da informação que possam contribuir para
a preservação de uma significativa herança cultural.
Nesse contexto:
Redes de comunicação se configuram, satisfazendo as necessidades de
transmissão de mensagens, respondendo a consolidação da ciência mo-
derna. O conhecimento gerado altera a atividade humana. Conseqüente-
mente, a sua produção tende a se organizar e com ela a necessidade de
sistemas de disseminação que atendam a essa nova realidade. A escrita fixa
o texto como meio de comunicação e a imprensa passa a disseminá-los.
(CARVALHO, 2003, p. 5)
115
Vale lembrar que com o advento da escrita, a comunicação oral e a registrada
passam a ser incorporadas.
A escrita tem a função não só de armazenar informações que possibilitam a
comunicação através do tempo, mas fornece ao homem a possibilidade também de
memorizar, registrar, reexaminar e retificar conteúdos. Ela vai proporcionar uma
memória externa ao sujeito ou a uma comunidade, independente do(s) autor(es)
das fontes primárias.

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A informação é assim:
A poderosa força de transformação do homem. O poder da informação,
aliado aos modernos meios de comunicação de massa tem capacidade
ilimitada de transformar culturalmente o homem, a sociedade e a própria
humanidade como um todo. Resta-nos, tão-somente, saber utilizá-la sabi-
amente como o instrumento de desenvolvimento que é, e não, continuamos
a privilegiar a regra estabelecida de vê-la como instrumento de dominação
e, conseqüentemente, de submissão. (ARAÚJO,1991, p. 37)

O ciclo da informação se renova e se completa infinitamente: informação –


conhecimento – desenvolvimento – informação. Para que seu direcionamento este-
ja correto e sua velocidade compatível, seus espaços devem estar adequados. O
usuário de plantas medicinais, ao buscar, absorver e fazer uso da informação sobre
plantas medicinais, evidentemente promove mudança em seu estado cognitivo.
Há satisfação proveniente de uma resposta à sua necessidade de informação.
Como mostra a figura abaixo:

Informação Conhecimento Desenvolvimento Informação

F IGURA 1: I NFORMAÇÃO , CONHECIMENT


CONHECIMENTOO , DESENV OL
DESENVOL VIMENT
OLVIMENT
VIMENTOO, INFORMAÇÃO
(ADAPTADO DE BARRETO, 1998, P. 122)

É preciso estudar a valorização da informação proveniente do uso de plantas


medicinais requisitada por um público estabelecido e que exerce notável influência
no evoluir desses indivíduos – vendedor e usuário de plantas, que frequentam as
feiras para satisfazer as suas necessidades e atender, assim, às suas expectativas
de melhoria de qualidade de vida de acordo com o seu poder aquisitivo.
116 Neste sentido:
As novas abordagens dos estudos teóricos da informação modificaram
drasticamente as formas de lidar com a informação dando origem a novos
serviços, ganhando destaque a importância da comunicação dos sistemas
com os usuários e destes entre si, assim como dos impactos sociais
resultantes (ROBREDO, 2003, p. 118).

O ambiente informal das feiras livres enriquece a formação dos indivíduos que
a freqüentam. Basta, para isso, observar o saber popular sobre o uso de plantas
medicinais que, por tão aberto e acessível, é absorvido pelas diferentes camadas

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sociais que conseguem soluções para resolver muitos dos seus problemas, seja
alguma enfermidade, seja alguma crença ou proteção espiritual.
Esta busca e uso remete para o processo de disseminação da informação
através do estudo de fontes informais e formais.
Disseminar significa, em alguma medida, divulgar, difundir, propagar, median-
te condições e recursos de que se cerca o agente.
Para Oliveira (2000, p. 2), a palavra disseminar é entendida, na área de
Biblioteconomia, como difundir, espalhar, semear. O termo é antigo, sendo a dissemi-
nação considerada por muitos autores como o ato de levar a informação ao usuário
por meio dos canais de comunicação.
Observa-se a figura :

Difundir Espalhar Semear

F IGURA 2: D ISSEMIN AR – DIFUNDIR ,


ISSEMINAR ESPALHAR , SEMEAR
ESPALHAR
(SOUZA, 2005)

Kátia de Carvalho utiliza o conceito da palavra disseminação como sendo:


A disseminação, do latim disseminatore, quer dizer – ato ou efeito de
disseminar e dispersão, difusão, distribuição, vulgarização, entre outras
denominações. Visa a organização de um sistema corrente de
informação.Trata-se de um processo que reúne pessoas e serviços, o
autor da informação, os pesquisadores em busca da informação, os
indexadores, os serviços de divulgação, o fornecimento dos documentos
e o usuário. (CARVALHO, 2003, p. 11)

Corroborando com o conceito apresentado por Carvalho (2003), Longo afirma


que o processo de DI envolve:
117
1) a coleta da informação produzida; 2) a indexação dessa informação; 3)
divulgação da informação aos usuários e 4) tornar esta informação aces-
sível aos usuários. Em outras palavras, o processo de disseminação da
informação depende da eficiência de várias pessoas e/ou serviços: 1) o
autor da informação; 2) as pessoas que coletam e encaminham a informa-
ção; 3) aqueles que indexam a informação; 4) aqueles que promovem e
divulgam os serviços; 5) serviço de fornecimento dos documentos e,
finalmente, 6) usuários. (LONGO,1985, p. 82)

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Assim sendo, a Figura 3 ilustra a afirmação:

Emissor Divulgação Receptor


Coleta Indexar Doc. -
(autor) dos serviços Usuários

ESTRATÉGIA
FIGURA 3: O PROCESSO DE DISSEMINAÇÃODA INFORMAÇÃO DA INFORMAÇÃO
(SOUZA, 2005)

Neste caso, Novellino (1993, p. 245) afirma que a disseminação implica no


estabelecimento de estratégias que levem a informação a quem dela necessita com
o intuito de minimizar o nível de ignorância e de pseudoconhecimento.
E quando a informação chega a quem dela necessita, reduz a incerteza, e isto
promove mudança no estado cognitivo dos indivíduos, vendedor e usuário de plan-
tas.
A disseminação da informação tem papel importante na construção do conhe-
cimento e na formação da cidadania. Essa sociedade é um novo ambiente global
baseado em comunicação, informação, conhecimento e aprendizagem (OLIVEIRA,
2000, p. 1).
Um ponto visível no espaço de comercialização de plantas medicinais é a inte-
ressante troca de informações entre o vendedor e usuário e muitas vezes, nesse
mesmo local, é comum (no processo de troca) a participação de um outro usuário
ratificando, acrescentando, enriquecendo esse discurso.
Neste contexto, a comunicação é o processo intermediário que permite a tro-
ca de informações entre as pessoas. Vide a Figura 4:

118 Comunicação

Construção Uso

FIGURA 4: O CICLO DA INFORMAÇÃO


(LE COADIC, 1996, P. 11)

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Esses três processos – construção, comunicação e uso se sucedem e se ali-
mentam reciprocamente. Na questão da busca pela informação sobre plantas, as
necessidades e usos são interdependentes, se influenciam e determinam o compor-
tamento dos fornecedores, vendedores e usuários bem como de suas práticas. A
obtenção dessa informação, por parte dos usuários modifica suas atividades na
busca da satisfação da necessidade de informação, seja para a de cura de doenças
ou para a proteção espiritual.
A disseminação da informação ganha estudos mais fecundos na biblioteca:
É nas bibliotecas, nos centros de documentação e pesquisa que se aprofunda
a reflexão e a implantação dos serviços especializados visando a amplia-
ção da disseminação da informação como função primordial. (CARVALHO,
2003, p. 7)

A evolução das bibliotecas evidencia que a escrita proporciona a possibilidade


do registro e a biblioteca passa a ser confundida com depósito de livros; nesse
espaço, a teoria sobre a DI se revigora com o desenvolvimento do conhecimento
científico.
Nos primórdios do desenvolvimento do registro de obras, a Bíblia representa o
primeiro meio de comunicação da informação que usa a disseminação para legiti-
mar a fé religiosa. Mais tarde, a imprensa exerce o papel multiplicador, ampliando a
disseminação (CARVALHO, 2003, p. 9).
Vale lembrar que os efeitos da imprensa na história da civilização promovem o
rápido crescimento do número de exemplares disponíveis e principalmente a mu-
dança de conteúdo influencia o clima intelectual.
O poder de preservação do pensamento registrado cresce enormemente:
Idéias que haviam sido registradas em poucos manuscritos corriam sem-
pre o perigo de se perderem ou caírem no esquecimento da comunidade
acadêmica. Idéias registradas num milheiro de exemplares tinham eviden-
temente mais chance de durar do que naquela tênue cadeia de manuscritos. 119
(McGARRY,1999, p. 83)

A imprensa legitima o apogeu da comunicação formal, impressa, e assiste-se


à consolidação das obras de referência que constitui o cerne das coleções existen-
tes nas bibliotecas e serviços que elegem a disseminação da informação como
atividade essencial (CARVALHO, 2003, p. 6).
No processo de disseminação da informação, a mensagem é transmitida atra-
vés de um canal entre uma fonte (emissor) que pode ser um indivíduo ou um grupo
e um destino (receptor).

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Pretende-se investigar a disseminação da informação sobre as plantas medici-
nais e quais as razões que motivam os usuários a buscá-las, em uma sociedade
onde existem outras alternativas como lojas de plantas medicinais, supermercados,
farmácias
Nesse sentido, é importante o conhecimento das fontes de informação para
compreender como ocorre essa disseminação.

FONTES DE INFORMAÇÃO
As fontes de informação podem ser formais, informais e eletrônicas.
As fontes formais são estruturadas, estando fisicamente em algum tipo de
suporte, seja este papel, filme ou registrada eletronicamente como as fontes dispo-
níveis sob a forma de CD-ROM ou disquete.
As fontes informais se caracterizam pela sua intangibilidade. Trata-se de infor-
mação não estruturada, transmitida na maioria das vezes de forma oral ou, no caso
da Internet, através de chats, correio eletrônico, listas de discussão.
As fontes eletrônicas, como a Internet, constituem um importante veículo de
disseminação de informação sobre as plantas medicinais, possibilitando a pesquisa
em muitos endereços ou sítios, em suporte eletrônico (vide Anexo A). As fontes
formais e informais estão assim distribuídas segundo a Figura 5:

FORMAIS INFORMAIS

- Patentes
- Conhecimento da empresa
- Livros
- Exposições e feiras
- Normas
- Missões e viagens de estudo
- Legislação
- Comitês
- Revistas
120 - Anais de Congressos
- Congressos, Seminários,
Clubes
- Diretórios
- Candidatos a emprego
- Relatórios
- Prestadores de serviços
- Catálogos
- Redes pessoais
- Filmes
- Internet (chats, correio
- Jornais
eletrônico)
- Bases de Dados

FIGURA 5: TIPOS DE FONTES – FORMAIS E INFORMAIS


(SOUZA, 2005)

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De acordo com Campello, Cendón e Kremer (2000, p. 31), as fontes de infor-
mação podem ser ainda primárias, secundárias e terciárias. Fontes primárias são
geralmente produzidas com a interferência direta do autor da pesquisa. As fontes
secundárias apresentam a informação filtrada e organizada de acordo com um
arranjo definido a depender de sua finalidade e as terciárias têm a função de guiar
o usuário às fontes primárias e secundárias. Elas são, de acordo com a Figura 6:

PRIMÁRIAS SECUNDÁRIAS TERCIÁRIAS

Livros; Relatórios Técnicos; Bibliografias de


Trabalhos apresentados em bibliografias; Serviços
Resumos;
Congressos; Teses e de indexação e
Tabelas;
Dissertações; Patentes; resumos, Catálogos
Bibliografias.
Normas Técnicas e Artigo coletivos; Guias de
Científico literatura.

FIGURA 6: TIPOS DE FONTES – PRIMÁRIAS, SECUNDÁRIAS, TERCIÁRIAS


(CAMPELLO, CENDÓN E KREMER 2000, P.31)

Faz-se necessário identificar as fontes de informação que viabilizam o proces-


so de disseminação da informação sobre as plantas medicinais. Uma vez identifica-
dos os tipos de fontes de informação que viabilizam esse processo, é possível
identificar mecanismos que possam subsidiar a preservação dessa tão importante e
significativa herança cultural. 121
Aspectos, portanto, que podem ser observados no espaço público das feiras
livres na troca de informação sobre as plantas medicinais entre vendedores e usuá-
rios e vice-versa; entre usuários e usuários.
Desse modo, as fontes formais e informais interagem de uma forma comple-
xa, embora seguindo padrões específicos e se complementam umas às outras du-
rante o processo de aquisição da informação (KREMER, 1982, p.77).
Percebe-se que a busca pela informação se processa por etapas, uma fonte
levando à outra, até que a informação completa seja localizada. Ao citar uma fonte

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levando à outra, pretende-se mostrar que os usuários buscam informação sobre as
plantas em várias fontes formais (livros, jornais, revistas, entre outros) ou informais
(conversas com outros usuários e/ou vendedores) e através de veículos de informa-
ção como a televisão ou o rádio e em fontes eletrônicas, inclusive a Internet.
A comunicação da informação contida nas fontes impressas intensifica-se. Além
dos livros, surgem, ainda, periódicos, boletins, informes, entre outros. Os usuários
obtêm informação sobre as plantas em fontes impressas por uma necessidade de
informar-se corretamente sobre o seu uso. Souza (1992, p. 190) evidencia os
serviços de alerta que são atividades desenvolvidas em bibliotecas com a finalidade
de chamar a atenção da comunidade para as informações existentes, dentro ou
fora das mesmas. Podem ser gerais – quando atendem aos interesses gerais da
comunidade, ou individuais – desenvolvidos para atender aos interesses pessoais de
cada indivíduo.
Nas feiras, pretende-se identificar os possíveis serviços de alerta que chamam
a atenção desses usuários, a princípio, panfleto, cartão da barraca, jornal popular,
revista popular.
O rádio fornece a comunicação auricular de um-para-muitos e isto é visivel-
mente realçado pela televisão e juntos fornecem uma larga variedade de informa-
ção na sociedade moderna.
Os programas de rádio e de TV situam-se, nessa pesquisa, como veículos que
influenciam a obtenção da informação na busca de plantas por usuários e como
canal de informação dirigido ao usuários em geral.
Levanta-se a suposição de que os usuários também obtêm informação sobre
as plantas medicinais através de programas de televisão e de rádio.
A comunicação tanto formal como a informal é de fundamental interesse para
o entendimento sobre os processos de disseminação da informação.
A comunicação informal ocorre de forma direta pessoa a pessoa em oposição
122 á comunicação formal através de impresso – livros, artigos científicos, boletins,
relatórios técnicos, entre outros. Nesse processo informal há rapidez no acesso à
informação, se utilizados mecanismos como cartas, telefonemas, grupos de estu-
do, serviços de alerta (CURVO,1983, p. 2).
A comunicação informal pode evitar a duplicação de esforços e acelerar o
processo; a informação é mais rápida entre a emissão e a recepção, além de uma
maior facilidade de acesso. Entretanto, esta informação oral é fugaz, ao contrário
da comunicação formal que pode ser facilmente armazenada e recuperada e é
considerada perene.

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Por este motivo, evidencia-se a relevância do registro dessas informações que
circulam nas feiras, para ampliar e fortalecer a disseminação da informação sobre
plantas.
Nas últimas décadas, a comunicação informal vem sendo foco de maior aten-
ção por parte de toda a comunidade científica por detecção de falhas no sistema de
comunicação formal, que não atende às necessidades dos cientistas atuais (CRIS-
TÓVÃO,1979, p. 4).
A comunicação informal é considerada de relevante valor estratégico porque é
uma informação corrente, atualizada, sendo a filtragem de informação imediata o
que a difere da comunicação formal e que requer um tempo para circular. A comu-
nicação informal influencia positivamente o ambiente das organizações em geral.
A comunicação informal é mais flexível do que a formal, recebe controle direto
de seus usuários e possibilita conseguir informações valiosas por acaso ou o que os
americanos chamam de serendipty1(SANTANA,1999, p. 30/Novo Dicionário Michaelis,
1994).
A disseminação da informação sobre as plantas medicinais remete para um
sistema de informação das feiras.
Jaime Robredo afirma ser o processo de comunicação a transmissão ou trans-
ferência de informações em um único sentido – comunicação unidirecionada, e traz
um modelo linear de sistema de informação com a figura:

Fonte Transmissor Canal Receptor Destino

Ruído
123
FIGURA 7: O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO NUM SERVIÇO DE INFORMAÇÃO
(ROBREDO, 2003, P. 18)

Este modelo, segundo o autor, ilustra como o processo de comunicação pode


sofrer, em cada uma das etapas intermediárias, a interferência de ruídos, sinais
irrelevantes e obstrutivos. Nesse processo de transmissão, necessário se faz um
sistema de codificação, ou seja, um sistema comum de signos, códigos, linguagem

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comum a todos os indivíduos desse contexto: uma linguagem compreensível, de fácil
assimilação e que permite a assimilação da informação sobre as plantas, podendo
aparecer ruídos, barreiras, entre elas, as de natureza psicológica, sócio-psicológica
e informacional. Vale ressaltar que, se não houver assimilação da informação, não
há comunicação da informação.
Carvalho (1987, p.43) afirma que dentre as barreiras culturais que podem
interferir na transmissão da informação, podem ser citadas as:
Interpessoais, relativas às necessidades em relação aos subsistemas de
pesquisa, à necessidade de informação , aos aspectos, formal e informal de
serviços, codificação da informação e distâncias geográficas. Em países em
via de desenvolvimento e subdesenvolvido, o analfabetismo constitui um
obstáculo de grande relevância. Entre outras barreiras, emerge, com grande
vigor, a concernente à própria linguagem, barreira significativa na transferên-
cia internacional da informação.

A autora ressalta que as barreiras aumentam quanto maior for a distância


entre as fontes geradoras e receptoras da informação.
Para compreender o sistema de informação, pode-se visualizar o modelo ba-
seado na física apresentado por Le Coadic (1996, p. 12), com a figura :

Emissor Mensagem Receptor

E M R

FIGURA 8: TEORIA DA INFORMAÇÃO


(LE COADIC, 1996, P. 12)

124 Utilizando-se como referência o modelo do autor, o sistema de informação


voltado para a disseminação das plantas medicinais tem-se que: os emissores ou
produtores de informação correspondem aos fornecedores de plantas. A mediação
da informação é feita através dos vendedores que detém o saber popular, transmi-
tido de forma oral, de uma geração a outra. Além disso, presume-se que a informa-
ção desejada, que se dissemina, ocorre no seio da família e amigos.
O receptor ou destinatário corresponde aos diferentes usuários de plantas
medicinais que vão em busca da informação para a cura de diversas enfermidades
e para a proteção espiritual, como bem enfatiza, a Drª Mara Zélia de Almeida, ao

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afirmar que as diversas classes sociais usam plantas para a cura do corpo ou a cura
da alma e essa busca é feita de forma distinta.
Ressalta-se, no processo de disseminação da informação sobre as plantas
medicinais, as ações interativas entre os indivíduos que frequentam as feiras livres:
São fundamentais para a aquisição de novos saberes e essas ações ocor-
rem fundamentalmente no plano da comunicação verbal, oral, carregados
de todo o conjunto de representações, tradições culturais que as expres-
sões orais contêm. (GOHN, 1999, p. 103)

A disseminação da informação informal é fugaz. Nesse sentido, a pesquisa


procura mostrar como ocorre a transmissão da informação, segundo o modelo de
Le Coadic, os atores no espaço da feira livre e a necessidade de registro para a
preservação desse patrimônio cultural.

Metodologia utilizada
A pesquisa de campo utilizou para a coleta de dados com a população selecio-
nada – formada por vendedores e usuários da informação, a aplicação de formulá-
rios e membros da comunidade científica - a aplicação de questionários. A distinção
reside, segundo Albuquerque (2004, p. 42) em como os dados são coletados:
Se por meio de entrevistas diretas e pessoais, com os dados sendo
preenchidos pelo entrevistador, denominamos formulários; se auto-admi-
nistrados, isto é, preenchidos pelo entrevistado, chamamos questionários.

A construção destes se deu por tipo de participante. A diferença entre os for-


mulários e questionários aplicados está nos conteúdos abordados e na sua aplica-
ção. Para aperfeiçoar o formulário, fez-se um pré-teste em 2003 para uma melhor
familiarização e percepção do objeto de estudo. Com isso, fez-se a sua aplicação
nos meses de junho e julho de 2004 e janeiro de 2005. A duração dessa aplicação
por vendedor durou em média 25 minutos e por usuário em média 15 a 18 minutos. 125
Os formulários aplicados aos vendedores e usuários compõem-se respectiva-
mente das partes:

For m ulário – Vendedor


· Parte 1 – Perfil do vendedor
· Parte 2 – Disseminação da informação sobre plantas medicinais através de
programas de rádio e de TV, das fontes formal (se existem panfletos, cartão da
barraca, jornalzinho ou revista popular) e informal (memória oral).

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For m ulário – Usuário
· Parte 1 – Perfil do usuário
· Parte 2 – Obtenção e disseminação da informação sobre as plantas medici-
nais através das fontes formais (livros, revistas, jornais) e informais (conversa face
a face com o vendedor, com outro usuário) e através dos veículos de comunicação:
programas de TV e de rádio.

Procedimentos de Análise
A análise das informações coletadas foi feita por categorias. Fez-se a tabulação
que apresenta percentagens e mesmo com uma pequena amostra, decidiu-se utili-
zar alguns gráficos, construídos através do programa Excel, por possibilitarem uma
melhor visualização dos resultados obtidos.

N OTA

Serendipty – serendipismo m: dom de fazer descobertas felizes, por acaso


1

(Novo Dicionário Michaelis, 1994)

R EFRÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Ulysses Paulino e LUCENA, Reinaldo Farias Paiva de. (Orgs.) Méto-
dos e técnicas na pesquisa etnobotânica. Recife: LivroRápido/NUPEEA, 2004.
ARAÚJO, Vânia Maria Rodrigues Hermes de. Informação: instrumento de domina-
ção e submissão. Ciência da Informação. Brasília, v. 20, n. 1, jan./jun. 1991.
BARRETO, Aldo de Albuquerque. Mudança estrutural no fluxo do conhecimento: a
126 comunicação eletrônica. Ciência da Informação. Brasília, v. 27, n. 2, p. 122-127,
maio/ago. 1998.
CAMPELLO, Bernadete S. ; CENDÓN, Beatriz Valadares; KREMER, Jeannete M. (Orgs.)
Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG,
2000.
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da Informação. Brasília, v. 16, p. 41-45, set. 1987.

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CRISTÓVÃO, Heloísa Tardin. Da comunicação informal à comunicação formal: iden-
tificação da frente de pesquisa através de filtros de qualidade. Ciência da Informa-
ção. Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 3-36, 1979.
CURVO, Plácido Flaviano. Comunicação informal entre pesquisadores e extensionistas
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GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal e cultura política: impactos sobre o
associativismo do terceiro setor. São Paulo: Cortez, 1999.
KREMER, Jeannete M. Avaliação das fontes de informação usadas por engenheiros.
Revista de Biblioteconomia. Brasília, v. 10, n. 2, p. 65-78, jul./dez. 1982.
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LONGO, Rose Mary Juliano. O Papel da transferência da informação na adoção de
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18, n. 2/4, p. 20-26, dez. 1985.
McGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória; tra-
dução de Helena Vilar de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1999.
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de HIV/AIDS para mulheres. Ciência da Informação. v. 22, n. 3, p. 245-247, set./
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SOUZA, Denise Helena Farias de. Publicações periódicas: processos técnicos, circu-
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Informação, Proficiência e Disseminação:
valores para o acesso e para a construção do
conhecimento no Ensino Superior
AIDA VARELA VARELA
ANA GRAMACHO
IGOR GUIMARÃES

INTRODUÇÃO

Assiste-se a uma crescente valorização dos pressupostos da chamada socie-


dade cognitiva, sociedade que estimula o sujeito a desenvolver, continuamente, co-
nhecimentos, capacidades e atitudes, assumindo, como principal desafio, reduzir as
diferenças entre aqueles que sabem aprender e os que não o sabem. Educação
constitui-se ferramenta de promoção para a inclusão social e a realização pessoal.
A Universidade, na qualidade de centro autônomo de pesquisa e de criação do
saber, é responsável pelo cumprimento da missão do ensino superior, pela difusão
dos seus valores fundamentais. Para a consecução de suas finalidades educativas, a
Universidade busca reforçar o acesso à informação e ao conhecimento – seu papel
de instituição social –, procurando implementar ações que contribuam para a for-
mação de cidadãos capazes de atuar, competentemente, no seu contexto social,
com o compromisso de construir uma sociedade solidária e ética.
No Brasil, a legislação da Educação Superior é referenciada pela Lei de Diretri-
zes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9.394/96, que insere uma nova con-
cepção curricular – “diretrizes curriculares” – tornando-a mais flexível, à medida 129
que confere maior autonomia didático-científica à Universidade, referenciada pelo
Sistema Nacional de Avaliação que orienta a demanda, pressionando as instituições
universitárias e, por conseqüência, os professores do Ensino Superior a seguir os
ditames internacionais.
No entanto, ao se considerar o cenário a ser enfrentado pelos egressos da
educação superior, percebe-se uma necessidade crescente de adaptabilidade às
novas exigências de uma realidade em permanente mudança, como novos tipos de
problema que envolvem novos recursos tecnológicos, quando se torna imprescindí-

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vel comunicar-se de forma eficaz, desenvolvendo o raciocínio crítico, processando e
reelaborando a informação recebida, gerando soluções originais, conscientizando-
se de seus próprios processos cognitivos.
Quando se faz referência à construção das sociedades do conhecimento, uma
das questões mais importantes ao se contratar pessoas é a qualificação no âmbito
da ciência e da tecnologia. O domínio das tecnologias é uma condição imprescindível
para o bom funcionamento das sociedades, mas não é o suficiente para garantir sua
continuidade.
Reconhecendo-se a força da informação, a importância de sua disseminação
para a transformação do ser humano e do seu entorno, este artigo se propõe a
discutir a necessidade do letramento informacional no que tange à apreensão e
construção do conhecimento no Ensino Superior, num contexto de sociedade cognitiva
e tecnológica. O artigo apresenta estudos e pesquisas que avaliam as dificuldades
encontradas pelos alunos do Ensino Médio e do Ensino Superior, a partir da análise
da relação entre fontes, fluxo e disseminação da informação, e do estudo de causas
e efeitos da baixa proficiência em leitura como impasse para o acesso ao conheci-
mento científico com criticidade.

L EITURA : ESTUDOS E PESQUISAS

Avaliar é construir conhecimento na observância de premissas como confiança


na possibilidade de as pessoas construírem suas próprias verdades, valorizando
suas manifestações e interesses. Avaliar é dinamizar oportunidades de ação-refle-
xão, num acompanhamento permanente de fenômenos que incitarão novas ques-
tões a respostas já formuladas.
São diversos os interesses em realizar estudos de avaliação. No governo, es-
ses estudos estão diretamente ligados à efetividade, eficiência, accountability e,
130 mais amplamente, ao desempenho da Gestão Pública. Já na esfera da Universidade,
a preocupação reside no estudo e debate de teorias educacionais e práticas peda-
gógicas que permeiam as formas de produção e construção do conhecimento na
contemporaneidade.
A disseminação do conhecimento e a leitura são focos de pesquisas, mediante
a necessidade de uma leitura que fortaleça os processos de disseminação da infor-
mação e do acesso dos sujeitos ao conhecimento científico divulgado através de
vetores clássicos e tecnológicos. Entre os estudos avaliativos sobre a proficiência em
leitura, destacam-se: Proposta de Avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio

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(ENEM), Proposta do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) e
Estudos e Pesquisas Acadêmicas em Educação e Leitura.

A P ROPOSTA DO ENEM

O ENEM, promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacio-


nais Anísio Teixeira (INEP), é realizado anualmente, desde 1998, com o objetivo de
avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir o
desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania.
O Exame, constituído de questões objetivas e uma redação, é estruturado a
partir de uma matriz que indica a associação entre os conteúdos, competências e
habilidades básicas, próprias do jovem e do jovem adulto, na fase de desenvolvimen-
to cognitivo e social correspondente ao término da escolaridade básica.
Na parte objetiva, são propostas ao participante situações-problema originais,
devidamente contextualizadas na interdisciplinaridade das ciências, das artes e da
filosofia, articuladas com o mundo em que se vive. Utilizam-se dados, gráficos,
figuras, textos, referências artísticas, charges, algoritmos, desenhos, ou seja, todas
as linguagens possíveis para veicular dados e informações. Quanto à redação, tem
sido elaborada de forma a possibilitar que o participante, a partir de subsídios
oferecidos, realize uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social,
cultural ou científica.
O ENEM, quanto às exigências de competências em leitura, avalia o domínio de
linguagens sem fronteiras de códigos lingüísticos, a interpretação de textos na di-
mensão de conjunturas, proposições e símbolos, a realização de operações que
possibilitem ultrapassar uma dada situação ou problema chegando à sua conclusão,
o recorte significativo de uma realidade às vezes complexa, a coordenação de pon-
tos de vista em favor de uma meta, a análise de situações anteriores para definir ou
redimensionar as seguintes. 131
Os resultados do ENEM, disseminados pelo MEC / SAEB, reforçam a necessida-
de de estudos e atitudes que otimizem o letramento informacional para a leitura,
fortalecendo, assim, no Ensino Superior, o ato de ler. Apresenta, ainda, as diferen-
ças associadas à escola pública e à escola particular, a última com índices mais
altos que os da escola pública. Destacam-se as médias associadas à escolaridade
do pai e da mãe e à faixa de renda familiar. As médias mais baixas, localizadas na
escola pública, estão articuladas à ausência de escolaridade dos pais e às mais
baixas faixas de renda familiar de um salário mínimo, inferindo-se que a desigual-

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dade de letramento familiar e conseqüente falta de acesso à informação reflete-se
no grau de proficiência cognitiva dos alunos.
Eis algumas considerações quanto ao domínio de competências selecionadas
pelo Exame, tomando-se como referência os resultados de 2002, num universo de
1.318.820 participantes (sendo 50,2% da Região Sudeste, 26,6% da Região Nor-
deste e 10,8%, 5% e 7,4% das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, respectivamente):
· Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens
matemática, artística e científica – 1,75% dos alunos situaram-se no grupo de
desempenho considerado entre insuficiente e regular, 47,37% dos alunos situa-
ram-se no grupo de desempenho considerado entre regular e bom e 50,88% dos
alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre bom e excelente.
· Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a com-
preensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção
tecnológica e das manifestações artísticas – 3,51% dos alunos situaram-se no
grupo de desempenho considerado entre insuficiente e regular, 52,63% dos alunos
situaram-se no grupo de desempenho considerado entre regular e bom e 43,86%
dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre bom e excelen-
te.
· Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações represen-
tados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema –
7,02% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre insufi-
ciente e regular, 59,65% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho consi-
derado entre regular e bom e 33,33% dos alunos situaram-se no grupo de
desempenho considerado entre bom e excelente.
· Relacionar informações, representadas em diferentes formas e conhecimen-
tos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente –
5,26% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre insufi-
132 ciente e regular, 54,39% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho consi-
derado entre regular e bom e 40,35% dos alunos situaram-se no grupo de
desempenho considerado entre bom e excelente.
· Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de
propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e
considerando a diversidade sociocultural – 0,00% dos alunos situaram-se no grupo
de desempenho considerado entre insuficiente e regular, 50,88% dos alunos situa-
ram-se no grupo de desempenho considerado entre regular e bom e 49,12% dos
alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre bom e excelente.

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Diante dos resultados apresentados, percebe-se que, à medida que aumenta a
complexidade das operações cognitivas, a exemplo do raciocínio hipotético-dedutivo
e do inferencial para o estabelecimento de relações de causa e efeito em prol da
organização da informação, objetividade e clareza nas organizações, há um decrés-
cimo no percentual de desempenho bom e excelente.
Segundo as considerações pedagógicas sobre o ENEM 2001 e 2002,
a ausência do domínio de leitura compreensiva foi a causa principal de
situar-se o desempenho dos participantes do ENEM entre insuficiente e
regular, visto que a leitura compreensiva é um processo global difuso,
intrinsecamente ligado às intenções do participante (leitor), dos professo-
res autores das situações-problema, e ao contexto sociohistórico em que
tanto o autor quanto o leitor estão imersos.

Compreender o texto das situações-problema do ENEM não é retirar


quase que “fotograficamente” a resposta para o problema. O participante
precisa construir um modelo mental da situação descrita, e isso requer
uma série de habilidades anteriores: o reconhecimento de palavras, o
entendimento das relações gramaticais e semânticas entre palavras e a
integração das idéias e conceitos por meio de inferências.

As inferências intra-sentenciais exigem a associação das informações que


se encontram no texto da situação-problema; as inferências pragmáticas
necessitam de conhecimentos previamente construídos; e as inferências
avaliativas exigem posicionamentos pessoais e envolvem valores. A leitura
compreensiva é, portanto, um processo de integração e construção de
significados.

Aliada à não assimilação de conteúdos básicos próprios, em sua maioria,


ao ensino fundamental, a leitura superficial e fragmentada parece ter acar-
retado escolhas equivocadas de resposta na parte objetiva da prova e, na
redação, resultou na elaboração de textos que, embora adequados ao
tema proposto, apresentaram problemas na sua estruturação, em que
pesem os poucos excelentes registros de desempenho nesta parte da
prova. (Relatórios Finais do ENEM, 2001 e 2002)
133
No que se refere ao ENEM 2003, que integrou o universo de 22.000 escolas
com oferta de 3ª série do Ensino Médio, em todo o Brasil não houve grandes dife-
renças do perfil socioeconômico de 2002. A faixa etária dos jovens que fizeram o
exame em 2003, a sua grande maioria do sexo feminino, está situada no intervalo
entre 17 e 21 anos (78,7%). Do ponto de vista étnico, o ENEM 2003 também
espelha a diversidade social brasileira, com 41,4% de autodeclarados negros ou
pardos e mulatos. Ao analisar as médias das competências dos candidatos na reda-
ção, verificou-se que o pior desempenho ocorreu na competência V: “elaborar pro-

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posta de intervenção para o problema abordado, demonstrando respeito aos direi-
tos humanos”.
Os documentos mais recentes sobre o ENEM, 2004 e 2005, registram que o
referido exame ganhou, desde 2004, uma maior dimensão social. Com sua vinculação
ao Programa Universidade para Todos (ProUni), do MEC, o ENEM possibilita a estu-
dantes de escola pública bolsas para cursar o ensino superior. É por este motivo que
se espera, em 2005, quando o Exame chegará a 727 municípios em 27 unidades
da Federação, a maior de todas as edições deste exame que, além de promover a
necessária identificação de competências e habilidades de seus participantes, esta-
rá ajudando na justa distribuição de bolsas de estudo no ensino superior.
Conclui-se que, considerando-se o tempo de existência do ENEM e as caracte-
rísticas de sua prova no Ensino Médio, intervenções para o desenvolvimento de há-
bitos de leitura já deveriam ter dado condições ao participante para sair-se bem
tanto na redação quanto na parte objetiva do Exame, que tem a interdisciplinaridade
como eixo principal.
Comprova-se que, apesar do empenho do MEC em avaliar e, assim, estimular
projetos de intervenção para incrementar o desenvolvimento de competências e
habilidades de leitura na Educação Básica, um percentual significativo de estudantes
ingressa na educação superior sem o devido desenvolvimento de funções e opera-
ções cognitivas para o ato de ler, não podendo o docente universitário avançar no
conhecimento específico necessário para a formação profissional. Frente a esta
situação, o docente universitário responsabiliza o estudante pelas “conseqüências”
da dificuldade para aprender.

P R OGRAMA I NTERN
NTERNAA CION AL
CIONAL DE A VALIAÇÃO DE E STUD ANTES – PISA
STUDANTES

O PISA da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD)


134 foi criado para medir a capacitação dos jovens que estão prestes a concluir a esco-
laridade compulsória para enfrentar os desafios das sociedades atuais, dependen-
tes de conhecimentos, enfocando habilidades de reflexão, de aplicação de
conhecimentos e enfrentamento de desafios.
O PISA é realizado a cada três anos e é organizado em torno de três domínios:
letramento em matemática, letramento em leitura e letramento em ciências. Em
2000, a leitura foi o domínio principal, responsável por mais de dois terços do
conteúdo dos testes. De acordo com o PISA, o letramento em leitura é um conceito
dinâmico que exige mudanças paralelas na sociedade e na cultura.

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Nos Estados Unidos, o relatório da Secretary’s Comission on Achieving Necessary
Skills (SCANS, 1991) sugere que o posto de trabalho do futuro exigirá a capacidade
de “obter, organizar, interpretar e avaliar informações e utilizar computadores para
processá-las”. Em decorrência, o relatório define um leitor competente como al-
guém que
localiza, compreende e interpreta informações escritas em prosa e docu-
mentos – inclusive manuais, gráficos e esquemas – para desempenhar
tarefas; que aprende nos textos, determinando a idéia central ou mensa-
gem essencial; que identifica detalhes, fatos e especificidades; que infere
ou localiza o significado de vocabulário técnico ou desconhecido; e que
avalia a precisão, adequação, estilo e plausibilidade de relatórios, propos-
tas ou teorias de outros autores.

Segundo autores citados no PISA (2000), um fator importante que permite


prever a compreensão em leitura é a quantidade de tempo que os estudantes gas-
tam lendo. Se os estudantes lêem bem, tendem a ler mais e, conseqüentemente,
adquirem mais conhecimentos em todos os domínios. Estudantes que têm hábitos
deficientes de leitura freqüentemente acham que o material de leitura é difícil de-
mais, portanto, desenvolvem uma atitude negativa em relação à leitura, acabam
entrando em um círculo vicioso, uma vez que, por lerem menos, têm menos oportu-
nidade de desenvolver estratégias de compreensão da leitura, e, dessa forma, fi-
cam defasados em todas as disciplinas, já que a leitura é necessária para todas as
áreas acadêmicas.
Na tentativa de simular situações autênticas de leitura, a avaliação de leitura
do PISA (2000) mede os cinco seguintes aspectos associados à compreensão inte-
gral de um texto, seja este contínuo ou não-contínuo: construir uma compreensão
geral ampla, recuperar informações, desenvolver uma interpretação, refletir sobre
o conteúdo de um texto e avaliá-lo e refletir sobre a forma de um texto e avaliá-la.
Embora haja uma relação entre os cinco aspectos – todos eles podem, individual- 135
mente, exigir muitas das mesmas habilidades subjacentes –, o sucesso em um
deles pode não ser dependente do sucesso em qualquer outro. Há quem acredite
que estes aspectos estão no repertório do leitor em cada nível de desenvolvimento,
ao invés de constituir uma hierarquia seqüencial ou um conjunto de habilidades.
Em relação aos níveis de proficiência no letramento em leitura, foi registrado
que, em parte, as dificuldades são determinadas pela extensão, pela estrutura e
pela complexidade do próprio texto. No entanto, notaram também que, na maioria
das unidades de leitura, as questões ou instruções variam ao longo da escala de
letramento em leitura. Isso significa que, embora a estrutura de um texto contribua

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para a dificuldade de um item, o que o leitor precisa fazer com o texto, definido pela
questão ou instrução, afeta a dificuldade total da tarefa (PISA, 2000).
Foram identificadas diversas variáveis que podem influenciar as dificuldades
de qualquer tarefa de letramento informacional para a leitura. O tipo de processo
envolvido em recuperação de informações, desenvolvimento de interpretação ou
reflexão sobre o que foi lido é um dos fatores relevantes. Os processos variam em
complexidade e sofisticação, desde conexões simples entre itens de informação até
categorização de idéias de acordo com determinados critérios, e avaliação crítica ou
formulação de hipóteses sobre uma parte do texto.
Além do tipo de processo evocado, a dificuldade de tarefas de recuperação de
informações está associada ao número de informações a serem incluídas na res-
posta, ao número de critérios aos quais a informação obtida deve satisfazer, e ao
fato de a informação recuperada precisar ou não ser seqüenciada de determinada
forma. No caso de tarefas de interpretação e de reflexão, um fator importante que
afeta a dificuldade é a quantidade de texto que precisa ser assimilada. Em itens que
requerem reflexão por parte do leitor, a dificuldade é condicionada também pela
familiaridade ou especificidade do conhecimento que precisa ser trazido de fora do
texto. Em todos os aspectos da leitura, a dificuldade da tarefa depende de quão
proeminente é a informação requerida, de quantas informações concorrentes são
apresentadas, e do fato de as idéias ou as informações necessárias para a realiza-
ção da tarefa estarem ou não explicitamente expressas (PISA, 2000).

E STUDOS E P ESQUISAS A CADÊMICAS

Profissionais de diferentes áreas de formação e de campos de atuação distin-


tos têm-se preocupado com a questão da leitura, o que, por sua vez, leva-os a
repensar a relação entre conhecimento e uso do código alfabético, uso e funções da
136 palavra escrita nas interações sociais – processo de letramento. O interesse pela
questão leva-os, também, a refletir sobre quais seriam as práticas de ensino-apren-
dizagem que possibilitariam ao aluno oportunidades de, mais do que conhecer o
código, incrementar a palavra escrita em sua vida, em diferentes situações de
interação.
De acordo com Ferreira (2004), o crescimento na quantidade de dissertações
de mestrado e de teses defendidas sobre leitura torna-se significativo nas duas
últimas décadas, quando já se localizam 227 trabalhos, no período de 1980-1995,

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e um outro conjunto de 181 pesquisas em apenas cinco anos, de 1996 a 2000,
totalizando 431 trabalhos.
Atualmente, o conceito de letramento desmistifica a divisão leitores e não-
leitores, questiona as leituras legitimadas pela tradição cultural associada a deter-
minados objetos, formas, lugares e modelos de leitor e traz em seu bojo as pesquisas
que tematizam a leitura. O letramento tem sido, assim, no interior da produção
acadêmica, um termo que ora substitui, ora amplia, ora se contrapõe ao conceito
de leitura.
O foco de interesse dos pesquisadores se volta para descrever, entender e
recuperar os elementos cognitivos, a dimensão interior desta experiência na rela-
ção/atividade do leitor com o material dado a ler. Como se lê? Que habilidades ou
competências são necessárias para a leitura? Quais são as dificuldades de leitura?
Como processar o entendimento de textos dos mais simples para os mais comple-
xos? (FERREIRA, 2004).
Um grupo de 104 dissertações de mestrado e teses de doutorado volta-se
para instituições importantes na formação de leitores: a escola e a biblioteca. As
pesquisas denunciam que a escola e a biblioteca têm falhado em sua função de
formar leitores. Falhado pela ausência de atualização desses profissionais na área
da leitura, pela falta de um acervo de livros compatível com as necessidades, inte-
resses, expectativas de seus leitores e pela ausência de propostas pedagógicas
mais eficientes, dinâmicas e atualizadas para as mudanças da sociedade (FERREIRA,
2000).
Nos meados da década de 80, nos relatos de propostas lúdico-pedagógicas e
de críticas aos métodos tradicionais no ensino da leitura, um conjunto de disserta-
ções e de teses constrói uma outra idéia da leitura, vinculada ao prazer e ao lazer,
ancorada no conhecimento das preferências dos alunos, na facilidade de acesso aos
livros, na substituição do imperativo da disciplina e da obrigatoriedade pela motiva-
ção, interesse e criatividade. É a leitura pelo prazer, o gosto de ler, a liberdade de 137
escolher aquilo de que gosta.
Ainda na década de 80, um grupo que reúne 48 trabalhos, indaga: Que leitor
é esse que passa pelas bibliotecas públicas e escolares, que se sujeita a diferentes
propostas pedagógicas, que é examinado em grupos de controle em diferentes
situações de leitura?
As primeiras pesquisas apontam para um leitor mapeado, identificado por sua
classe social, econômica, escolar, faixa etária, fatores que interferem na produção
dos interesses, das preferências, dos hábitos e gostos pela leitura. Os meninos

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preferem aventura, as meninas, romances; os alunos mais novos, iniciantes, livros
com muitas figuras; os não familiarizados com a cultura escrita ou aqueles de clas-
ses mais populares preferem histórias adaptadas e modernizadas dos clássicos.
Outras pesquisas, já na década de 90, olham para esse leitor e buscam conhecê-
lo pela sua história de leitura, pelas experiências vividas no interior da escola e fora
dela. Relativiza-se, neste caso, a responsabilidade da escola e da biblioteca que
oferecem alguns modos de ler e algumas habilidades. A leitura passa a ser entendi-
da como uma prática social e não apenas escolarizada. As pesquisas buscavam
imagens e representações construídas socialmente pelos sujeitos acerca da leitura,
através de depoimentos, relatos, histórias de vida e de leitura, estudos de caso.
Recentemente, alguns trabalhos voltam-se às práticas sociais de leitura ligadas a
determinadas comunidades de leitores: leitura feminina de romances sentimentais
de massa, como as leitoras da série Sabrina, leitores de Role Plaing Games (RPG),
leitores de assentamentos, leitores universitários.
Na discussão sobre o leitor, há um leitor muito especial, destacado nas pesqui-
sas: o professor leitor, investigado em 35 trabalhos que trazem suas histórias de
leitura, seus depoimentos de vida pessoal e profissional, buscando equacionar sua
formação como leitor, conhecer suas práticas, modos de ver e de sentir a leitura, os
livros. As pesquisas apontam para um professor marcado pelo desprestígio social da
profissão, pelo seu exíguo salário, pelo seu tempo escasso, por não apresentar as
mínimas condições de ser leitor.
Partindo de um modelo de leitor ideal (aquele que lê muito, sistemática e
freqüentemente, obras de literatura normalmente clássicas e legitimadas pela aca-
demia, aquele que assina e lê jornais de grande circulação e revistas especializadas),
os trabalhos denunciam a ausência de leitura por parte do professor. Quanto ao
professor em formação, os pesquisadores mostram-se preocupados em equacionar
os currículos dos cursos de graduação, bem como a inclusão de disciplinas que
138 possam assegurar a produção de “novos” conhecimentos, ainda durante seu pro-
cesso de formação inicial, capacitando esse formando para que ele possa contribuir
com a importante função social da escola – formar leitores.
A ciência e a tecnologia estão cada vez mais presentes na vida cotidiana e os
debates públicos. A difusão de uma autêntica cultura científica é indispensável para
o exercício da democracia. Sem a generalização desta cultura, as desigualdades
entre indivíduos, sexos, gerações, grupos sociais ou os países se enfraquecem, em
função do que disponham do conhecer científico adaptações aos contextos dinâmi-
cos que caracterizam as sociedades do conhecimento.

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Que lugar é reservado ao leitor para o fortalecimento do ato de ler e para o
desenvolvimento de habilidades de leitura nos cursos universitários? Formam-se
leitores ou, ao contrário, instala-se ou reforça-se o “desgosto” pela leitura?
O fato é que investigar a relação entre alfabetização e letramento, entre co-
nhecimento do código e prática, implica em que sejam revistos e redimensionados
vários outros conceitos: o de ler e escrever, o de língua escrita e o de língua falada
e de suas relações; o de práticas orais e de práticas escriturais de produção de
textos. Essa postura exige, também, obviamente, que se repense o que é ensinar/
aprender uma língua e seus usos.
Entende-se que a informação, ao ser assimilada, contribua para que o ser
humano se transforme e transforme o seu entorno. Ao disseminar-se a informação,
põe-se em relevância a sua força como elemento fundamental para o avanço do
conhecimento e conseqüente desenvolvimento da cidadania.
Que prática ou práticas pedagógicas desenvolvem habilidades para investigar e
diagnosticar os problemas de informação que afetam o usuário quanto à aquisição
do conhecimento? Como objetivar a formação de um “gestor da informação” com
atitude investigativa?
Lecionando, no semestre 2005.2, em três turmas de Graduação em
Biblioteconomia e em Arquivologia, após aplicação de questionário a 60 alunos,
delineou-se o seguinte perfil:

SEXO %
Feminino 78,4
Masculino 21,6

CURSO %
Biblioteconomia 62,7
Arquivologia 37,3 139
MOTIVO DA ESCOLHA DO CURSO %
Oportunidade 47,0
Gosto pela profissão 21,6
Outros motivos 31,4

ESCOLA EM QUE CONCLUIU O ENSINO MÉDIO %


Pública 82,4
Outras 17,6

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PAR TICIP
PARTICIP AÇÃO NO ENEM
TICIPAÇÃO %
Participantes 39,2
Não participantes 60,8
PAI MÃE
ESCOLARIDADE DOS PAIS % %
19,6 29,4
Ensino Fundamental – 1ª à 4ª série
18,8 21,5
Ensino Fundamental – 5ª à 8ª série
19,6 19,6
Ensino Médio incompleto
33,3 27,6
Ensino Médio completo
8,7 1,9
Ensino Superior

TEMPO QUE O ALUNO DEDICA À LEITURA DIARIAMENTE %


Entre uma e duas horas 49,0
Entre meia e uma hora 37,3
Outros 13,7
SEMPRE ÀS VEZES NUNCA
O QUE COSTUMA LER % %
%
Livro didático 57,8 42,2
Jornais 63,8 36,2
Revistas de informação 64,7 35,3
Revistas de humor 58,5 41,5
Revistas científicas 45,1 39,2 15,7
Romances 31,4 52,9 15,7

DIFICULDADES EM LEITURA %
Analisar textos 4,3
Sintetizar textos 12,7
Detectar idéias principais 5,6
Relacionar conteúdos 12,7
Compreender diferentes códigos 7,8
Organizar dados para argumentar 56,9

SUGESTÕES PPARA ARA MELHORIA DO GRA GRAUU DE PR OFICIÊNCIA EM LEITURA1


PROFICIÊNCIA %
Inovar metodologias de orientação para leitura 37,2
140 Discutir textos em grupo
Selecionar textos interessantes
29,4
23,5
Estimular a organização de grupos de leitura 17,6
Intensificar atividades de interpretação de textos 15,7
Em síntese, o perfil da clientela caracterizou-se por estudantes que chegaram
ao Curso de Biblioteconomia e de Arquivologia por acaso, por oportunidade, oriun-
dos do Ensino Médio de Escola Pública, com escolaridade dos pais focada no Ensino
Médio, estudantes que declaram gostar de ler e não ter dificuldade de leitura, con-
tudo, isso não está refletido nos dados coletados em relação à freqüência de leitura,
no tempo dedicado à leitura, no que costumam ler, na dificuldade de leitura regis-

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trada – “organizar dados e informações para argumentar” – e nas sugestões apre-
sentadas para melhorar o grau de proficiência em leitura.

CONCLUSÃO

Infere-se, portanto, que as turmas consultadas necessitam exercitar compe-


tências e habilidades de leitura para o domínio da compreensão de textos científicos
complexos, o que é testemunhado, cotidianamente, durante as aulas, em atividades
de leitura, de apresentações orais e escritas, e, entre outros aspectos, não domi-
nam a expressão oral e escrita da língua, exibem dificuldades na construção de
argumentos, em resumir e sintetizar, em detectar e resolver situações-problema,
estabelecer relações, tudo isso aliado à falta de técnicas alternativas para estudar,
além de demonstrar baixa estima quanto às próprias potencialidades e habilidades.
Com base nessa análise, as evidências mostram a necessidade do desenvolvi-
mento de esquemas intelectuais necessários à abstração e estratégias de aprendi-
zagem que subsidie o aluno no fortalecimento dos processos de leitura, preparando
o leitor crítico que conseqüentemente incrementará a disseminação da informação
e a construção de novos conhecimentos.
Nesse novo cenário, tem sido repensada a prática pedagógica em todos os
níveis. Trata-se, assim, de usar as novas tecnologias para formar o professor em
contraste com outras iniciativas que se propõem a formar professor para o uso das
novas tecnologias. Segundo as agências avaliadoras e os estudos acadêmicos cita-
dos neste texto, o despreparo do professor, para enfrentar os desafios de ensinar e
aprender em um mundo congestionado de informações, decorre de sua fragilidade
profissional, de sua formação de base, de sua cultura geral, de sua falta de oportu-
nidades para desenvolver a sensibilidade para problemas e tendências da vida con-
temporânea.
Portanto, ao se colocar as tecnologias da informação a serviço da melhoria da 141
qualidade da formação do professor, essa abordagem metodológica também está
preparando o professor para usar as novas tecnologias com seus alunos, em con-
textos no quais essas tecnologias estejam disponíveis.
No Ensino Superior, o desafio que se coloca, neste início de século, do uso
extensivo das tecnologias da informação e da viabilização de condições para que as
pessoas compartilhem os significados que podem ser atribuídos às informações – a
construção de conhecimento significativo –, é o de que as instituições responsáveis
pela “entrega” de conteúdos, transformem-se em comunidades dedicadas à cons-

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trução coletiva de significados que passem de instituições ensinantes a instituições
aprendentes. Para tanto, o movimento Information Literacy liderado por profissio-
nais da informação, se integrado aos profissionais da educação, fortaleceriam so-
bremaneira a qualidade da educação, resolvendo o conflito da educação entre
permanência e mutação de paradigmas.

NOTA
1
Os alunos, no item Sugestões para melhoria do grau de proficiência em leitura, registraram várias
sugestões.

R EFERÊNCIAS

ABRAMOVAY, M.; CASTRO, M. Ensino médio: múltiplas vozes. Brasília: UNESCO, MEC,
2003.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Insti-
tuto Nacional de Exames e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Exame Nacional
do Ensino Médio: documento básico. Brasília, 1998.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros curriculares nacionais – ensino médio: bases legais. Brasília, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Exa-
me Nacional do Ensino Médio: relatório pedagógico 2002. Brasília, 2002.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Exa-
me Nacional do Ensino Médio: relatório pedagógico 2003. Brasília, 2003.
142
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Insti-
tuto Nacional de Exames e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Exame Nacional
do Ensino Médio: sumário executo - primeiros resultados. Brasília, 2003.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Insti-
tuto Nacional de Exames e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Exame Nacional
do Ensino Médio: informativo Enem 2005. Brasília, 2005.

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FERREIRA, N.S. A. A pesquisa sobre leitura no Brasil, 1980-2000. Campinas: Komeid
- Arte e Escrita, 2001.
FERREIRA, N.S. A. Catálogo analítico de dissertações de mestrado e teses de douto-
rado: a pesquisa sobre leitura no Brasil, 1980-2000. Campinas: FAEP / FE / Gráfica
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FERREIRA, N.S. A. Leitura como objeto de investigação. In: Revista da FAEEBA –
Educação e Contemporaneidade. Departamento de Educação I – v. 13, n. 21 (jan./
jun. 2004). Salvador: Uneb, 2004.
FUJINO, Asa. Ensino com pesquisa: nova abordagem pedagógica em informação
científica e tecnológica (ICT). In: RODRIGUES, Mara Eliane Fonseca; CAMPELLO,
Bernadete Santos. (Org.). A (Re)Significação do processo de ensino/aprendizagem
em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Niterói: Intertexto. Rio de Janeiro:
Interciência, 2004.
KIRSCH et al. Letramento para mudar – avaliação do letramento em leitura: resul-
tados do PISA 2000. Tradução B & C Revisão de Textos. São Paulo: Moderna, 2004.

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Tecnologia Multimídia: um novo instrumento
de conhecimento
ANNA FRIEDERICKA SCHWARZELMÜLLER

INTRODUÇÃO

Instrumentos são ferramentas construídas e utilizadas socialmente, que fa-


zem a mediação entre o homem e o mundo. Marilena Chauí (2002, p. 278) conside-
ra que “os instrumentos técnicos são prolongamentos de capacidades do corpo
humano e destinam-se a aumentá-las na relação do nosso corpo com o mundo”.
Vygotsky (1996, p. 93) também define um instrumento como:
[...] um elemento interposto entre o trabalhador e o objeto de seu traba-
lho, ampliando as possibilidades de transformação da natureza [...] é feito
ou buscado especialmente para um certo objetivo. Ele carrega consigo,
portanto, a função para a qual foi criado e o modo de utilização desenvol-
vido durante a história do trabalho coletivo.

Muito tem sido escrito sobre técnica e objetos técnicos, usando-se inclusive
representações técnicas como metáforas do desenvolvimento da história humana. A
palavra técnica sugere a questão que Ruth Scheps (1996, p. 47) estabelece no livro
O império das técnicas:
[...] de todos os termos que designam ou conotam práticas instrumentais, 145
como capacidade, prática, habilidade, técnica, tecnociência e tecnologia,
os dois últimos, mais abstratos, são também os mais inquietantes. A noção
de tecnologia tem um estatuto ambíguo: ela é muitas vezes confundida com
a noção de técnica, além do mais, o uso que é feito desses dois termos não
é o mesmo [...]

O termo técnica se origina na techné, que para os antigos gregos designa o


método, a maneira de fazer eficaz, significando o que é ordenado, ou toda espécie
de atividade humana submetida a regras. Técnica é, portanto, a maneira como se

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utiliza cada ferramenta criada para realizar uma determinada ação, de modo orde-
nado e eficaz. O dicionário Aurélio (FERREIRA, 1980, p. 1360) define TÉCNICA como:
- parte material ou o conjunto de processos de uma arte: técnica operatória,
técnica jurídica;
- maneira, jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo;
- prática.
Já o termo tecnologia, conjunto de ferramenta e seus usos, quando surge na
Europa no século XVIII, tem o significado de ciência que possui como objeto as
técnicas; esta acepção cai em desuso. O termo ressurge após a última guerra como
“conjunto de técnicas modernas e de caráter científico, em oposição às práticas
supostamente empíricas dos artesãos” (SCHEPS, 1996, p. 47), e no dicionário Au-
rélio (FERREIRA, 1980, p. 1360) TECNOLOGIA é:
- conjunto de conhecimentos, especialmente princípios científicos, que se apli-
cam a um determinado ramo de atividades: tecnologia mecânica;
- explicação dos termos concernentes às artes e ofícios;
- o vocabulário peculiar de uma ciência, arte, indústria etc.;
- ciência que trata da técnica.
Para Marilena Chauí (2002, p. 278), “Os instrumentos tecnológicos são ciên-
cia cristalizada em objetos materiais [...] destinam-se a dominar e transformar o
mundo e não simplesmente a facilitar a relação do homem com o mundo”.
Grandes filósofos, desde o início do século XX, preocupam-se com a técnica.
Mas, é depois da grande expansão tecnológica, após a última grande guerra, que o
interesse filosófico motiva profundas reflexões sobre o tema. Uma das mais discuti-
das é A Questão da Técnica, de Martin Heidegger, de 1953. Ele é um dos poucos a
perceber, na época, que o interesse maior não mais reside no estudo da técnica,
mas, sim, no da tecnologia. Isto é, as atividades técnicas não estão mais resumidas
ao trabalho manual ou mecânico sobre materiais ou construção de obras. Entre os
146 técnicos contemporâneos estão os tecnólogos, formados em escolas superiores,
que aplicam teorias, métodos e processos científicos para a solução de problemas
técnicos. Essa é a origem da tecnociência. Heidegger, que não esconde sua repulsa
e condenação à técnica, diz que a essência dela é a imposição e que além de fazer
ou usar a técnica, o homem, estando no âmbito dessa imposição, é por ela domina-
do. Nessa mesma linha de raciocínio, inúmeros teóricos se tornam famosos por
suas críticas à indústria cultural, considerando que a tecnologia como conhecimento
humano e como componente do meio sociocultural é algo tão pouco controlável que
tem pouca sintonia com os princípios democráticos (HEIDEGGER, 1977).

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Para discutir a importância da tecnologia como uma ferramenta do conheci-
mento, é preciso analisar como ela atua sobre o sistema cognitivo humano.

T ECNOLOGIA COMO INSTRUMENTO DE CONHECIMENTO

Comumente associa-se o conceito de tecnologia a equipamentos ou máquinas.


Alvin Toffler (1970), no livro Choque do futuro, afirma que a metáfora que relaciona
tecnologia à máquina é inadequada e até mesmo errônea, uma vez que tecnologia
é muito mais do que fábrica ou máquinas. Tecnologia pode ser entendida como
competência e talento humanos utilizados para superar restrições biológicas, esten-
dendo as habilidades do homem. A idéia mais comum é conceituar a tecnologia
como o oposto a tudo que possa estar contido na própria natureza humana. Assim,
por exemplo, não se imagina o lápis ou a roupa usada, como tecnologia. Para
Pierre Lévy (1993), eles habitam o cotidiano de tal forma que já fazem parte da
natureza humana. As tecnologias então, podem ser pensadas como tecnologias da
inteligência e, portanto se articulam com o sistema cognitivo de tal forma que não
se consegue pensar sem seu auxílio.
Ao se constituírem em ferramentas que auxiliam e configuram o pensamento,
tendo nele, portanto, um papel constitutivo, as tecnologias se transformam em
tecnologias da inteligência e ao mesmo tempo, tornam-se metáforas, servindo como
instrumentos de raciocínio, que ampliam e transformam as maneiras precedentes
de pensar (LÉVY, 1993). As tecnologias interagem com o sistema cognitivo princi-
palmente sob duas formas:
a) transformam a configuração mental em uma rede social de significação,
possibilitando novas pautas interativas de representação e de leitura do mundo;
b) permitem novas construções, constituindo-se em fonte de metáforas e ana-
logias.
A palavra oral, a escrita, a cibernética, a informática são exemplos de tecnologias 147
intelectuais, são também práticas sociais, na medida em que criam signos, possibi-
litam ou limitam modos de expressão e intercâmbio, pautam as interações, constróem
universos de sentido. Cada nova tecnologia constrói um mundo de novas relações
sígnicas, cada sistema semiótico abre novos caminhos para o pensamento, um
mundo, não só concreto, mas também mental, conceitual (LÉVY, 1993).
Rumelhart (1981, p. 190) concorda que “o que torna possível o pensamento
abstrato, lógico é a existência de tecnologias intelectuais externas aos sistemas
cognitivos humanos”.

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Segundo Seymour Papert (1985) um projeto de apropriação, crítico e criativo,
das tecnologias nas relações de aprendizagem deve considerar as tecnologias como
potencializadoras da atividade cognitiva. Em seu livro Logo: computadores e educa-
ção, ele relata um exemplo de como a tecnologia pode funcionar como uma metá-
fora do pensamento. Ele confessa sua paixão infantil por engrenagens e diz que
passava bons momentos manipulando-as e testando os efeitos ocasionados pelo
engate de diferentes engrenagens. Ele afirma que sua curiosidade e a decorrente
atividade com as engrenagens propiciaram-lhe a construção de um modelo mental
que lhe permitiu compreender muitas idéias, principalmente os algoritmos mate-
máticos que, de outra forma, lhe teriam sido abstratos. Ele comenta que “[...]
lentamente comecei a formular o que ainda considero o fato fundamental da apren-
dizagem: qualquer coisa é fácil se é possível assimilá-la à própria coleção de mode-
los [...]” (PAPERT, 1985, p. 150) e conclui que os ambientes de aprendizagem
deveriam ser pródigos no oferecimento de modelos para se pensar.
Battro (1986, p. 81) confirma que: “Os modelos e as tecnologias potencializam
a cognição e funcionam, em certa medida, como objetos para se pensar com, ou
como próteses mentais”.
Várias pesquisas desenvolvidas na área da psicologia cognitiva têm demons-
trado que não existe uma faculdade humana identificada como sendo a razão. A
dedução formal ou raciocínios indutivos, não se desenvolvem sem a ajuda de certo
número de tecnologias intelectuais, sistemas de codificação simbólicos, gráficos,
processos de cálculo, e só operam com a ajuda de ferramentas exteriores ao siste-
ma cognitivo humano (lápis, papel, tabelas, diagramas). Pierre Lévy (1993, p. 127)
considera que “A razão não seria um atributo essencial e imutável da alma humana,
mas sim um efeito ecológico, que repousa sobre o uso de tecnologias intelectuais
variáveis no espaço e historicamente datadas”.
De acordo com as novas teorias da arquitetura do sistema cognitivo humano, é
148 através da ativação automática ou semi-automática de esquemas, modelos, e asso-
ciações da memória de longo prazo, onde as informações estão estruturadas em
redes associativas e esquemas, que se desenvolve certo tipo de pensamento racio-
nal ou crítico. Raciocínios lógicos são processos controlados, complexos e deman-
dam um grande esforço da atenção consciente (memória de curto prazo). O
pensamento lógico é recente e está ligado à escrita e ao tipo de aprendizagem
escolar adotado (HAVELOCK, 1996). O homem sem suas tecnologias recorre es-
pontaneamente a um pensamento de tipo oral, centrado em situações e modelos
concretos.

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Para Piaget (1982), o primeiro organizador da informação é a ação, a própria
atividade. Desde o início da vida do bebê sua atividade sensório-motora organiza o
espaço dos objetos, conferindo sentido aos diversos estímulos provenientes do meio.
Ele destaca três estágios básicos no processo evolutivo das estruturas cognitivas na
construção dos primeiros esquemas de natureza lógico-matemática: através de ações
sensório-motoras e exercícios de repetição espontânea chega-se ao domínio e ge-
neralização da ação (estágio pré-operatório); o segundo estágio caracteriza-se pelo
aparecimento das operações, as ações em pensamento, ainda dependente dos ob-
jetos concretos para que as ações se constituam em conceitos (estágio operatório
concreto); e finalmente o estágio das operações sobre os objetos, já não dependen-
tes de ações concretas ou de objetos concretos, mas a constituição do pensamento
puramente matemático (PIAGET, 1982).
O processo de aprendizagem é desenvolvido concomitantemente, através de
representações mentais que permitem a transposição da ação sensório-motora para
a ação abstrata. Os esquemas, generalizações no plano da ação concreta, evoluem
para conceitos, generalizações no plano mental, e as ações para operações através
da tomada de consciência.
Se de um lado a cultura escrita, o texto, o livro, possibilitam a representação
simbólica e gráfica de objetos e o desenvolvimento do raciocínio lógico abstrato, a
sociedade histórica, fundada sobre a escrita, e a ciência moderna instituem a
segmentação do saber, o saber de cor, a preocupação com a verdade, a crença no
progresso, a dominação da natureza, que caracterizam os princípios
universalizadores, padronizadores, unificadores, racionalizantes e simplificadores
do modernismo.
Para Lévy (1999, p. 106), o advento da rede faz com que o computador deixe
de ser o centro e sim um componente incompleto da rede universal. Ele atribui uma
dimensão coletiva à inteligência:
Não são apenas os especialistas, mas a grande massa das pessoas que se
149
comunicam, aprendem e produzem conhecimentos de maneira colaborativa
em sua atividade cotidiana, trabalhando na construção e na disposição do
imenso hipertexto da World Wide Web.

À luz desses princípios pode-se avaliar os processos de criação e transmissão


de informações. O intercâmbio de mensagens, a comunicação propriamente dita
estabelece um jogo simbólico e interativo que reformula o contexto comunicativo e
favorece o desenvolvimento de inteligências, a mudança de mentalidade e o avanço
social. Este é um aspecto importante do desenvolvimento cognitivo que não depende

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exclusivamente de construções mentais individuais, pois conforme Piaget (1982, p.
216): “A inteligência humana somente se desenvolve no indivíduo em função de
interações sociais que são, em geral, demasiadamente negligenciadas”.
A tecnologia eletrônica de comunicação, por exemplo, através de listas de dis-
cussão, onde as pessoas expõem suas opiniões a respeito de certo tema, termina
com uma conclusão ou em um consenso entre seus membros. A lingüística diferen-
cia três etapas na evolução da linguagem: a primeira, onde se produz o domínio das
interações simbolicamente mediadas, na segunda, aparece a fala proposicionalmente
diferenciada, e por último, a fala argumentativa. Nesta etapa, o interlocutor adquire
a capacidade de passar da ação comunicativa ao discurso (argumentação que bus-
ca tematizar e problematizar pretensões de validade) (HABERMAS, 1987).
Embora provocando polêmicas e vivenciando paradoxos, as tecnologias conti-
nuam a determinar o desenvolvimento, hoje com maior intensidade. Em seu livro
sobre cibercultura, Pierre Lévy (1999, p. 158) considera que “O ciberespaço su-
porta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas
funções cognitivas humanas: memória, imaginação, percepção e raciocínios” e ter-
mina concluindo que (LÉVY, 1999, p. 165):
[...] para aumentar e transformar determinadas capacidades cognitivas
humanas (a memória, o cálculo, o raciocínio especialista) a informática
exterioriza parcialmente essas faculdades em suportes digitais, [...] os
processos cognitivos exteriorizados tornam-se compartilháveis, o que
reforça os processos da inteligência coletiva.

Assim, consideradas não apenas como suportes, mas como linguagens de


interação, que produzem mudanças comportamentais e terminam sendo incorpo-
radas ao modo de vida do indivíduo (BURNHAM, 2003), as tecnologias são instituintes
de um novo modo humano de ser, e não devem ser consideradas simples instru-
mentos; e sim, estruturantes de uma nova razão, e de novos modos de aprender. E
150 assim, como a técnica da escrita faz com que o fluxo de mensagens possa aconte-
cer independente do tempo e espaço existentes entre emissão e recepção, e sem
qualquer alteração no conteúdo da mensagem, conclui-se que as tecnologias inte-
lectuais atuam sobre o sistema cognitivo humano acrescentando não apenas infor-
mações ao estoque cognitivo, mas também novos processos. Isto significa que os
homens que têm oportunidade de presenciar e utilizar as novas tecnologias possu-
em processos mentais diferenciados daqueles sem esta chance, durante os milha-
res de anos de vida humana sobre a Terra.

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Guattari (1991) afirma que a sociedade tem apenas se adaptado aos recursos
disponibilizados pelas tecnologias da informação e comunicação, em busca de uma
apropriação significativa. É esta apropriação que torna o homem dependente das
tecnologias para pensar e criar novos instrumentos, como hoje muitas vezes preci-
sa-se pegar no lápis, ou qualquer instrumento semelhante, e escrever a palavra
para se certificar da sua correta grafia. Para que aconteça a devida apropriação é
necessária intensiva experimentação de formas diferenciadas de utilização dessas
tecnologias. Considerando que a Internet e a multimídia estão intrinsecamente liga-
das ao estado tecnológico atual, é necessário estimular sua utilização nos processos
de disseminação da informação.
Assim considera-se que o processo de aquisição de conhecimento é favorecido
pelas tecnologias, ou seja, as tecnologias contribuem para a criação de processos
mentais que ampliam as possibilidades de aquisição de conhecimento.

T ECNOLOGIA MULTIMÍDIA

É através da imagem e do som que o homem apreende a primeira concepção


do mundo que o cerca, utilizando seus dois sentidos que mantêm relações de
complementaridade e de oposição, a visão e a audição. O homem aprende a asso-
ciar som e imagem a partir do contato com o meio exterior. A imagem é vista e
percebida pelo sujeito que a recorta e a reconstitui na mente, agregando-lhe valo-
res, emoções e cultura.
A importância da imagem para o homem é tão antiga quanto sua existência, os
povos pré-históricos se expressam através dos desenhos rupestres feitos nas pare-
des das cavernas. Estes são os únicos registros da vida humana primitiva que tra-
zem conhecimento sobre aquele momento histórico. Muitos daqueles desenhos são
realizados pelo homem, que ainda não sabe se expressar através de uma lingua-
gem falada. 151
O ditado popular “uma imagem vale mais que mil palavras” considera que
apesar de cada imagem ser única, possui um conteúdo ou uma mensagem a ser
interpretada que dificilmente é compreendida ou reconhecida em sua totalidade,
além disso, cada indivíduo obtém uma visão diferente de uma mesma imagem. Ao
apreciar uma obra de arte, por exemplo, cada ser humano faz diversas associações
da imagem com informações advindas do seu contexto social e da sua linguagem
cultural, formando a sua imagem mental. Assim uma mesma imagem pode assumir

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vários significados, dependendo de seu leitor e também do objetivo e/ou ambiente
em que está sendo apresentada.
Segundo Marilena Chauí (2002, p. 116), Aristóteles diz que:
Todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer. O prazer
causado pelas sensações é a prova disso, pois mesmo fora de qualquer
utilidade, as sensações nos agradam por si mesmas e, mais do que todas
as outras, as sensações visuais.

Isto significa que os antigos gregos já percebem que os inputs sensórios do


corpo humano constituem a porta de entrada para a construção do conhecimento,
além da importância atribuída à imagem, cujas grandes manifestações através da
pintura, escultura e arquitetura, tornam aquele povo um dos mais importantes da
história. Eles também se interessam por música e por instrumentos musicais.
Durante a evolução da humanidade várias tecnologias se desenvolvem para
comunicar, armazenar, transmitir e recuperar informações audiovisuais. Hoje, na
era da multimídia, diversas áreas científicas, artísticas e profissionais se preocupam
em estudar modos de organizar, produzir e recuperar informações contidas em
documentos imagéticos e sonoros, mobilizando a atenção de uma gama muito grande
de profissionais, softwares e equipamentos.
Pode-se definir multimídia como qualquer combinação de texto, arte gráfica,
som, animação e vídeo transmitida por meios eletrônicos. O aumento acelerado da
quantidade de informação multimidiática, que hoje se encontra disponível, assim
como o acesso imediato a essas informações contribuem para a ampliação da inte-
ligência coletiva da humanidade através de novos modos de registro, armazenamento
e distribuição. As mídias, hoje, desenvolvem sofisticadas formas de comunicação
sensorial: áudios, vídeos, gráficos, superpondo linguagens visuais e mensagens. As
imagens são produzidas na sociedade com diferentes técnicas, e reproduzidas com
diferentes intenções. Em todas as formas, um objetivo comum: disseminar informa-
152 ção.
As informações multimídia são percebidas pelo sistema audiovisual humano,
que pode ser entendido como resultante do acoplamento dos sistemas auditivo e
visual, e que se refere a tudo que:
· é relativo ao uso simultâneo ou alternativo do visual e do auditivo;
· tem características próprias para a captação e difusão através de imagens e
sons.
Apesar de se considerar como audiovisual os dois elementos autônomos que
aparecem em uma grande variedade de meios de comunicação, como a fotografia,

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o disco, o telefone, o cartaz, o cinema mudo, Cebrián Herreros (1995) considera
audiovisual pleno - o sistema em que não é possível examinar em separado cada um
de seus componentes sem que seja destruído o sentido transmitido. Assim, deve-se
considerar o sistema audiovisual como aquele que combina em múltiplas variáveis
os subsistemas auditivo e visual produzindo um novo sistema, que não deve ser
encarado como simples concatenação e sim como uma nova realidade, qualitativa-
mente diferente, pois a percepção simultânea de som e imagem, pelos olhos e
ouvidos através de uma linguagem integrada no tempo e no espaço, estabelece uma
íntima relação entre eles originando um outro produto em que os elementos estão
vinculados de tal forma que produzem uma unidade expressiva, total e autônoma,
como o cinema sonoro, a televisão e algumas aplicações multimídia.
O subsistema auditivo, composto pelos ouvidos externos, médios e internos,
possibilita a audição em todas as direções, sendo que a disposição dos órgãos
auditivos, nos lados opostos da cabeça, estabelece uma defasagem temporal na
percepção das fontes sonoras que não se encontram num plano eqüidistante dos
dois ouvidos. A combinação destas características permite ao sistema auditivo situar
no espaço, o emissor, com razoável precisão, seguir-lhe os movimentos, estabele-
cer a direção e avaliar a distância. Estes aspectos qualitativos são importantes na
compreensão do meio ambiente através de processos de organização e classifica-
ção. Bonnet e outros (1989, p. 122) consideram que para construir objetos
identificáveis, o sistema auditivo:
[...] organiza, reagrupa acontecimentos que revelam certas propriedades
comuns: a coerência da evolução da amplitude ao longo do tempo, a
coerência da evolução da freqüência bem como a estabilidade da posição
dos harmônicos no espectro.

Assim, o ouvido transmite para o cérebro informações sobre o tom (gama de


tonalidades), a sensibilidade e o espaço. O processo de associação entre sons e
objetos concretos se inicia quando o indivíduo descobre os sons provenientes de
153
lugares e objetos que também pode ver, tocar, olhar e saborear, e que vai memori-
zar para sempre, através de seus processos cognitivos.
No contexto da linguagem audiovisual, o áudio atua juntamente com a imagem
transmitindo informação que o sistema cognitivo do receptor processa como uma
informação global. Assim, não faz sentido considerar a banda sonora de um docu-
mento (filme ou vídeo) como uma unidade autônoma, pois ela está indissociavelmente
ligada à banda visual, enfatizando o conceito de sistema audiovisual como supera-
ção qualitativa de seus componentes isolados.

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No livro Os novos modos de compreender: a geração do audiovisual e do com-
putador, Pierre Babin e Marie-France Kouloumdjan (1989), realçam a preocupação
que já existe desde a década de 1980, entre os educadores europeus, com as
modificações que eles percebem nos modos de aprender e de se comunicar das
novas gerações, a partir da década de 1970. Eles consideram os jovens como parte
de uma nova cultura que usa a linguagem audiovisual para compreender e falar de
um jeito bem diferente daqueles jovens que aprendem nos livros e através da lógica
oralista. Segundo eles, na linguagem audiovisual “[...] fala-se mais do que se es-
creve. Vê-se mais do que se lê. Sente-se antes de compreender.” (BABIN;
KOULOUMDJAN, 1989, p. 38).
Eles consideram que a linguagem audiovisual contemporânea possui caracte-
rísticas que a diferenciam bastante da linguagem escrita, ela usa o efeito da
dramatização, em busca da apreensão do lado extraordinário, picante e inusitado
do acontecimento. Já que a dramatização realça e cria tensão, eles esclarecem que
o segredo é que a mensagem reside no efeito produzido. A televisão é o principal
veículo audiovisual que fomenta a aquisição dessa nova linguagem incorporando
essas características. Joan Ferrés (1996) afirma que essas transformações na per-
cepção da realidade causadas pela televisão se devem ao potencial que a informa-
ção audiovisual possui para provocar alterações nos esquemas mentais, nas
capacidades cognitivas, nas estruturas perceptivas e nas sensibilidades previamente
existentes no indivíduo.
A linguagem audiovisual traz para perto o que está longe, aumentando a inti-
midade com os objetos através da imagem e do som. O desenvolvimento dos meios
de comunicação baseados na imagem, cinema, vídeo, televisão, atribuem uma im-
portância muito grande para a imagem e o real passa a ser o que é visível, ou seja,
a imagem representa a verdade (MORAN, 2004). Hoje, principalmente os meio
televisivos, vêm aperfeiçoando uma fórmula de comunicação de informação massiva
154 que fala do sentimento, utilizando as idéias subjacentes da linguagem sensorial,
intuitiva e afetiva, que facilitam a aprendizagem, embora esta forma de comunica-
ção não esteja sendo sistematicamente usada para colaborar com a educação for-
mal do cidadão.
Diversos setores da sociedade contemporânea obtêm progressivo desenvolvi-
mento decorrente da tecnologia multimídia, trazendo grandes benefícios para a
sociedade. Médicos e demais profissionais de saúde, por exemplo, que utilizam os
mais variados tipos de equipamentos, usam imagens e sons para análise e registro
de dados clínicos de pacientes. Empresários utilizam marketing visual em busca de

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consumidores para seus produtos. Designers de embalagens, homepages, roupas,
calçados, e dos mais variados acessórios, realizam estudos sobre a imagem, não
esquecendo as indústrias culturais e de entretenimento. Isto significa um crescente
aperfeiçoamento dos sistemas de produção, reprodução, tratamento, armazenamento
e busca de informações audiovisuais.
A computação gráfica e o processamento de imagens têm se tornado ferra-
mentas indispensáveis naquelas áreas, auxiliando o homem em atividades no seu
dia-a-dia. A área biomédica e a indústria automobilística obtêm grandes avanços
decorrentes destas tecnologias. Mas a educação ainda resiste em trabalhar com a
imagem.
Com certeza a televisão foi a precursora deste fenômeno e esta deve ser a
razão dela ter se transformado em uma poderosa entidade dentro da sociedade,
cujo poder muitos qualificam como o quarto poder instituído da sociedade capitalis-
ta.
Com a tecnologia digital, grandes quantidades de bits passam a representar
imagens e sons. Novos softwares são criados e aperfeiçoados cotidianamente para
codificação, formatação, edição, compactação e apresentação de informações
multimídia. Quanto maior a complexidade da informação, maior o número de bits
necessários para armazená-la e transmiti-la. Ou seja, quanto mais bits existem em
uma mensagem, maior a quantidade de informação que ela carrega.
A possibilidade facultada pela tecnologia, de compor experiências audiovisuais,
manifesta-se quotidianamente no rádio, no cinema, na televisão, na indústria
discográfica e na de áudio e vídeo domésticos. O indivíduo comum, através da medi-
ação técnica computadorizada, experimenta as várias possibilidades de seleção,
combinação e mixagem gerando novos produtos em tempos e espaços diversifica-
dos, o que implica em uma valorização dos elementos constituintes da unidade
expressiva audiovisual.
Howard Gardner (1994), em sua teoria das Múltiplas Inteligências, afirma que 155
as várias inteligências que o ser humano possui não são devidamente aproveitadas,
sendo esta uma das razões para o grande número de insucessos ocorridos na
educação formal. Ele considera que a educação formal deve privilegiar a apresenta-
ção dos conteúdos didáticos de uma forma que envolva a maioria, senão todas as
inteligências, que segundo ele são em número de sete e estão intimamente relaci-
onadas com os sentidos humanos.
Lindstron (1995) afirma que a comunicação monomídia limita o processo de
comunicação, por não considerar os outros canais pelos quais naturalmente o ser

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humano envia e recebe informações. Greenfield (1987) considera que cada meio
de comunicação apresenta características que o tornam mais adequado do que
outros para a disseminação de determinados tipos de informação. Isto influencia o
processo cognitivo ao atuar sobre os sentidos, ativando conjuntos específicos de
habilidades responsáveis pelo processamento dessas informações.

À GUISA DE CONCLUSÃO

As diferentes mídias desempenham papéis complementares no processo de


assimilação da informação, o que leva a acreditar que a aprendizagem pode ser
favorecida pelo uso de informações multimídia. As imagens mentais criadas, decor-
rentes da exposição do sujeito a diferentes mídias, são bem mais ricas ou comple-
xas, indicando maior quantidade de informação apreendida durante o processo de
aquisição de conhecimento.
Sendo a Internet um ambiente que abriga naturalmente informações
multimidiáticas, estas são argumentações a favor do seu uso nos processos de
aquisição de conhecimento, pois com ela o sujeito interage, utilizando suas várias
capacidades de sensações e percepções: através da visão, da escrita, da leitura, da
fala, da audição, da musicalidade, da criação de metáforas visuais, de experiências
em 3D, com o auxílio de uma infinidade de opções que os softwares oferecem.
Conclui-se que a tecnologia multimídia é um valioso instrumento para a aquisi-
ção de conhecimento e privilegiar a associação de várias mídias deve ser uma meta
para todo setor responsável por disponibilizar informações, principalmente aqueles
ligados às áreas de ensino e pesquisa. Isto vai estimular os sentidos humanos e suas
correspondentes inteligências, com conseqüente ampliação da capacidade de assi-
milar informação e construir conhecimento.

156
R EFERÊNCIAS

BABIN, Pierre; KOULOUMDJIAN, Marie-France. Os novos modos de compreender a


geração do audiovisual e do computador. São Paulo: Edições Paulinas, 1989.
BATTRO, Antonio M. Computación y aprendizaje especial. Buenos Aires: El Ateneo,
1986.
BONNET, C. et al. Traité de Psychologie Cognitive. Paris: Dunod, 1989.

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156 16/4/2008, 16:44
BURNHAM, Terezinha Fróes. Notas de aula da disciplina Tecnologias da Informação
e Comunicação. Salvador, 2003. Curso de Mestrado em Ciência da Informação da
UFBA.
CEBRIÁN HERREROS, M. Información audiovisual: concepto, técnica, expresión y
aplicaciones. Madrid: Editorial Sintesis, 1995.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2002.
FERREIRA, Aurélio B. de Holanda. Novo dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fron-
teira, 1980.
FERRÉS, Joan. Televisão e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1994.
GREENFIELD, Patricia. M. Electronic technologies, education, and cognitive
development. In: BERGER, D. E.; PEZDEK, K.; BANKS, W. P. (Ed.), Applications of
cognitive psychology: problem solving, education and computing). Hillsdale, NJ:
Lawrence Erlbaum Associates. 1987. p. 17-32.
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1991.
HABERMAS, Jürgen. Teoria de la acción comunicativa. Madrid: Taurus, 1987.
HAVELOCK, Eric A. A revolução da escrita na grécia e suas conseqüências culturais.
São Paulo: Paz e Terra, 1996.
HEIDEGGER, Martin. The question concerning technology. In: The Question Concerning
Technology and Other Essays. New York: Harper and Row, 1977.
157
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
LINDSTRON, R. L. Guia business week para apresentações em multimídia. São Pau-
lo: Makron Books, 1995.

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157 16/4/2008, 16:44
MORAN, José M. Desafios da televisão e do vídeo à escola. Disponível em: <http://
www.eca.usp.br/prof/moran/desafio.htm >. Acesso em: 12 jul. 2004.
PAPERT, Seymour. Logo: computadores e educação. São Paulo: Brasiliense, 1985.
PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
RUMELHART, D. E. Schemata: the building blocks of cognition. In: GUTHRIE, J. T. (Ed.)
Comprehension and teaching: research reviews. New Haven: International Reading
Association, 1981.
SCHEPS, Ruth (Org.). O império das técnicas. Campinas, SP: Papirus, 1996.
TOFFLER, Alvin. O choque do futuro. Rio de Janeiro: Record, 1970.
VYGOTSKY, Liev Seminovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos
processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 191p.

158

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Rede Social da produção científica em
Bibliometria e Cientometria
ADILSON LUIZ PINTO
JOSÉ ANTONIO MOREIRO GONZÁLEZ

C ONSIDERAÇÕES INICIAIS

A Rede Social corresponde a interações entre integrantes que se ligam hori-


zontalmente, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante des-
ta relação é uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente
para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal
ou central, nem representante dos demais. Não há um “comandante”. O que há é
uma vontade coletiva de realizar e atingir determinados objetivos (WITHAKER, 1998).
Durante as últimas décadas, o conceito de rede social e as análises destas
relações têm sido desenvolvidos como uma das vias mais promissoras para medir a
estrutura social da cooperação científica. Sua fundamentação, porém, começou a
ser utilizada por Jacob Moreno (1934) na consolidação da Sociometria, ao introdu-
zir a teoria matemática de grafos, com uma adaptação complementar de Cartwright
e Harary (1956), denominada Teoria de Equilíbrio Estrutural.
Em paralelo, Heider (1946) concluiu um estudo de análise de equilíbrio nas
relações, partindo de uma experiência cognitiva, determinando dois tipos de possí-
veis cooperações: por simpatia ou positiva, quando as relações são óbvias dentro de 159
um universo científico; e a relação por desaprovação ou negatividade, que em geral
é formada por causalidades, tratando-se de um auxílio desprovido de uma
centralidade.
A partir destes marcos iniciais, Scott (1991) desenha as origens da Teoria de
Redes Sociais, desenvolvida a priori pela Universidade de Manchester na década de
1950. À frente deste projeto estavam Max Gluckman e John Barnes (1954), os
expoentes mais importantes na Teoria das Redes Sociais.

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FIGURA 1: AS ORIGENS TEÓRICAS DA REDE SOCIAL
FONTE: SCOTT (1991, P.7)

Na sua fundamentação antropológica, pode-se visualizar estudos voltados à


parte clínica da Medicina e seu ambiente (rede dos enfermos e do controle de
prontuários), ora com enfoque à normalização de técnicas de tratamento em um
grupo de pessoas, ora partindo de pressupostos cognitivos, voltados ao controle de
tratamentos em escalas de redes de pacientes (LITWIN, 1997).
Outra vertente habitual é a estruturação e a aplicação das redes na atividade
empresarial, principalmente em controle de grupos e de produção, em procedimen-
tos e nos clusters empresariais (GRANNOVETTER, 1985).
Estas visões (antropológicas) são derivadas dos estudos inicias sobre colégios
invisíveis e sobre capital social, que sempre atuaram sob o prisma de relacionamen-
to entre pessoas ou instituições.
Diante deste postulado, é essencial observar que as Redes Sociais não são
somente evolutivas. Trata-se de uma disciplina que agrega os princípios dos colégios
invisíveis e do capital social, gerando novos conhecimentos na perspectiva de resol-
160 ver oposições (até o momento difíceis de superar) na área das Ciências Sociais, por
trabalhar com ações estruturadas e com pares micro e macro, explorando funda-
mentalmente a geração “quantitativa” dos dados.
Uma contribuição ao tema é o trabalho de Molina, Muñoz e Domenech (2002),
onde descrevem a possibilidade de gerar uma Rede Social para estudos de caráter
métrico, utilizando a estruturação das co-autorias para formar as relações de coo-
peração científica em nível individual, grupal e em rede de autores.
Fortalecendo este aspecto quantitativo das Redes, é essencial que os Estudos
Métricos sejam agregados para poder fundamentar outros aspectos dentro das re-
lações, como os grafos, as densidades, as centralidades, as intermediações, as

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cercanias e os vetores1. Isto fortalece a visão de que as Redes Sociais são funda-
mentadas também pela Estatística, por serem uma soma de cooperação entre dois
ou mais pontos, ou simplesmente por constituírem uma representação de freqüên-
cia científica desenhada em um mapa por similaridades (de autores, temáticas ou
instituições científicas). Por esta razão, realizou-se uma exploração das publicações
científicas em Bibliometria e Cientometria, do ponto de vista das co-autorias e das
co-citações.

E XPOSIÇÃO DO PROBLEMA D E R EDES : AS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS – UMA


VISUALIZAÇÃO PRÁTICA

Os diferentes âmbitos sociais – seja econômico, político, cultural ou científico –,


contam com seus respectivos líderes, cada qual atuando de maneira independente em
seus contextos restritos. Porém, ainda não existe uma liderança única que abarque todas
as áreas e sociedades mundiais.
Partindo desta constatação, as redes aplicadas às publicações científicas
estruturam a permanência de indivíduos ou comunidades que estão no seu entorno
sociocientífico pela sua influência teórica ou pela sua relação inter-pessoal.
A partir destas associações, objetivou-se analisar a produção científica em
Bibliometria e Cientometria no âmbito mundial, considerando duas vertentes: (i) do
ponto de vista das redes e dos relacionamentos por proximidade dos agentes sociais
(pessoas ou instituições) e, (ii) por outro lado, determinar as freqüências dos pon-
tos relacionados na análise.
Os objetivos específicos foram moldados segundo a:
· averiguação das centralidades e freqüências nas co-citações;
· análise dos documentos citados com maior relevância no ponto de vista do
consumo de informação por parte dos autores que publicaram nas temáticas estu-
dadas; 161
· verificação das revistas mais demandadas na hora de citar pelos autores;
· averiguação dos autores mais produtivos na temática.
Diante destas associações, estruturou-se uma Rede Social aplicável aos ma-
pas de relações, determinando um universo científico da Bibliometria e da Cientometria
e resgatando todas as bibliografias existentes sobre estas temáticas nas bases de
dados do Institute for Scientific Information “ISI” (Science Citation Index, Social Science
Citation Index e Arts and Humanities), no período de 1975 a 2006.

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A parte tratável dos dados foi incorporada a um programa de análise estrutu-
ral de Redes Sociais (CiteSpace) e a parte não associativa dos dados sofreu um
refinamento para ser utilizada na complementação prática das redes, através de
programas de ambiente operativo Microsoft Winsdow´s (Access e Excel).
Como resultado, conseguiu-se recuperar um total de 670 trabalhos publicados
nos produtos ISI, os quais foram aqui divididos da seguinte maneira:
· 475 Artigos de revista;
· 53 Revisões de artigos;
· 43 Materiais editoriais;
· 37 Revisões de livros;
· 25 Notas;
· 10 Cartas científicas;
· 7 Bibliografias;
· 7 Ítens bibliográficos;
· 5 Reprints;
· 3 Ítens sobre autoridades científicas;
· 2 Correções adicionais;
· 2 Correções de artigos;
· 2 Entrevistas.
Para a execução dos mapas foi necessário recuperar todas as informações
dos registros, desde os campos de autores (AU) até os campos menos importantes,
como e-mail dos autores (EM). Este processo foi utilizado porque o sistema CiteSpace
não gera os mapas de uma forma individual: é necessário que todos os campos
estejam representados, como um padrão exigido pelo software, independente de
serem utilizados na análise.
No que diz respeito à incorporação dos dados de freqüência, como parte com-
plementar da análise, executou-se um filtro de campos através do Microsoft Window´s
162 Word e posteriormente transferiu-se para uma extensão TXT, a qual permitia importá-
los ao ambiente operacional Microsoft Window´s Access, posteriormente, incorporá-
lo ao Microsoft Window´s Excel, para assim poder gerar as tabelas e os possíveis
cálculos manuais de freqüência.

E XPLICANDO OS COLÉGIOS INVISÍVEIS E O CAPITAL SOCIAL NAS ANÁLISES DE R EDES

As Redes Sociais determinam diversos comportamentos (no que diz respeito


às facetas da antropologia) e contam com diversos movimentos que fundamenta-

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162 16/4/2008, 16:44
ram seu atual modelo. Dentro dos aplicativos teóricos que constituíram as idéias das
Redes Sociais, pode-se descrever os colégios invisíveis e o capital social, os quais
serão comentados a seguir quanto à sua trajetória e sua fundamentação, frente aos
estudos de relacionamentos.

Colégios invisíveis
Em 1660, durante os poucos meses da restauração do reinado de Charles II,
um grupo de 12 investigadores, entre os que se encontravam Robert Boyle e
Christopher Wren, reuniram-se em Londres com o objetivo de criar uma sociedade
dedicada a estudar os mecanismos da Natureza. No entanto, a tarefa foi árdua, pois
o mundo civilizado ainda vivia impregnado pela fé, pela superstição e pela magia,
em lugar de empregar a racionalidade para explicar os fenômenos naturais e soci-
ais. Desta iniciativa surgiu a Royal Society e, com ela, as primeiras iniciativas para
divulgação das idéias científicas (LOMAS, 2006).
Na contemporaneidade, Crane (1972) estudou o comportamento dos colégios
invisíveis, designação atribuída às comunidades informais de cientistas que traba-
lham na mesma temática e que intercambiam informações. A característica desses
colégios é a interação e comunicação dentro da rede, a qual funciona como um
fórum educacional. Neste sentido, beneficia tanto os cientistas experientes, como
os novos cientistas que começam a trabalhar em um determinado tema e necessi-
tam de informações aplicáveis, de algumas técnicas ou de fundamentação teórica.
No campo dos colégios invisíveis, tem-se a representação gráfica baseada na
Matemática de característica cartesiana, denominada Sociometria, que aparece como
ciência desde o momento em que foi capaz de estudar uma estrutura social em seu
conjunto e em suas partes ao mesmo tempo.
Trata-se, portanto, de uma ciência social que se ocupa do individuo que com-
põe um determinado grupo e de suas relações com os pares. Esta fundamentação
estrutural pode ser mais bem representada na figura 2. 163

ESTRELA CORRENTE P AR PODER ISOLADO

FIGURA 2: REPRESENTAÇÕES TÍPICAS DE SOCIOMETRIA.


FONTE: MODELO EXTRAÍDO DO SITE: [HTTP://WWW2.CHASS.NCSU.EDU/GARSON/PA765/SOCIOMETRY.HTM]

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163 16/4/2008, 16:44
Em cada representação, os indivíduos são descritos como pontos que possuem
os seguintes modelos:
· Estrela: é composta de diversas linhas apontando para um ponto central, que
representa um indivíduo envolvido no relacionamento com cada um dos outros par-
ticipantes, e onde as setas representam relações tais como a reciprocidade, a igno-
rância ou a rejeição;
· Corrente: caracteriza-se por uma série de relações em fila, com um centro
que intermedia pares;
· Pares: composto por um relacionamento recíproco entre dois indivíduos;
· Poder: representado como uma atração entre grupos distintos que se fun-
dem por conseqüência de um dos indivíduos;
· Isolamento: determinado por um assunto não escolhido pelos demais indiví-
duos, cuja interação social não existe.
Estes modelos são essencialmente aplicáveis às análises de autores no tempo,
tendo um funcionamento voltado à orientação de combinar rede de autores (indiví-
duos) para justificar linhas de investigação e temáticas de estudos, seja através de
um processo de contágio ou de influência.
Por outro lado, a rede social é baseada por outro marco teórico, denominado
capital social, cujo papel será exposto a seguir.

Capital social
O conceito começou a ser aplicado por Fischer (1959), ao descrever uma
competência para a administração de negócios, focando seus princípios antropoló-
gicos no bem empresarial.
Posteriormente, dois estudos foram bem aceitos pelas crítica: (i) psicologia
cultural e do risco da aplicação social do capital para formar novas linhas de inves-
tigação, baseada na teoria dos colégios invisíveis e de suas relações (PONTON,
164 1975); e (ii) economia como trampolim para uma consolidação social das redes,
visando a ter como meta a Sociologia e suas vertentes econômicas e políticas, além
da parte aritmética das relações (ROSE, 1961).
Neste mesmo período histórico, Pierre Bourdieu (1977) realiza uma distinção
entre o capital econômico, sua simbologia, sua cultura e sua ação social, causando
grande impacto na aplicação da Rede Social no âmbito das oportunidades
empregatícias, no desenvolvimento das profissões e na gestão de contatos. Estas
iniciativas foram sempre representadas por meio de ferramentas de gestão.

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164 16/4/2008, 16:44
Coleman (1988), um dos contemporâneos do capital social, teoriza que existe
uma relação de complementação direta entre o capital econômico (infra-estrutura,
financiamento), o capital humano (educação) e o capital social (relações de confian-
ça). Essa ação faz com que a junção entre o capital econômico e o capital humano
seja potencializada, na medida em que aumentem as relações de confiança e coo-
peração na comunidade.
No referido trabalho, Coleman discute duas correntes que coincidem com a
ação social de diversas maneiras: a primeira, considera o ator como sobre-sociali-
zado, governado por normas e sobre-determinado pelo sistema; e a segunda, ob-
serva o ator, como subsocializado, isto é, com poucos condicionamentos na comuni-
dade.
Em 1995, Putnam, seguidor de Coleman, descreve que o capital social se
refere às características de organização social, tal como a confiança, as normas e
as redes, e que podem melhorar a eficiência da sociedade, mediante a facilitação
das ações coordenadas.
Nesse trabalho, Putnam categoriza como:
· Confiança: uma predição da conduta de um ator independente. Sua hipótese
parte de que a confiança é um conceito sem relevância sociológica, circunscrita à
ordem emocional do indivíduo. Convém recordar que tem enormes envolvimentos
para a forma como são geradas socialmente as relações e como se produzem
intercâmbios;
· Normas: os envolvimentos que assinala Coleman sobre as externalidades,
isto é, a possibilidade de conseqüências negativas ou positivas para um mesmo ator
e os demais. A reciprocidade é a norma mais importante em termos de capital
social e é considera de dois tipos: (i) a reciprocidade equilibrada ou específica; (ii) e
a generalizada ou difusa;
· Redes: as comunidades onde se pode esperar que a confiança não seja apro-
veitada, senão correspondida. É mais provável que o intercâmbio continue. Em con- 165
seqüência, a reciprocidade generalizada é um componente da geração de capital
social, já que estimula a possibilidade de que os indivíduos cooperem entre si para
benefício comum.
Neste aspecto, tentar-se-á explicar as possíveis relações dos trabalhos sobre
Bibliometria e Cientometria, mediante a relação de freqüência e centralidades dos
autores.

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165 16/4/2008, 16:44
I NCORPORAÇÃO PRÁTICA DOS MAP AS E DOS RESUL
MAPAS RESULTT ADOS D E FREQÜÊNCIA E
CENTRALIDADE

Para que se possa entender melhor os resultados, recomenda-se ter em conta


alguns conceitos – como freqüência e centralidade –, que são aplicados no progra-
ma CiteSpace, utilizado para obter os resultados (CHEN, 2006).
· Freqüência: em análises de Redes Sociais, é representa pela quantidade de
vezes que se repetem os valores de um determinado autor ou um grupo de autores.
Este tipo de análise pode ser também representado com o valor total de aparições
de instituições, temáticas, documentos e revistas citadas, sempre calcados pela
definição matemática do tema.
· Centralidade: na Rede Social, tem a função de representar o nó (nodos) de
uma propriedade gráfico-teórica que quantifica a importância da posição dos per-
sonagens na análise. Uma centralidade geralmente usa a extensão métrica de
centrality betweenness. Com isto, executa a medição da porcentagem do número
dos trajetos relacionados com menor percurso (para as relações mais intensas) e
com maior percurso (para as relações esporádicas e de pouca intensidade).
A partir destas primeiras explicações, verificaram-se quais autores foram mais
representados na produção científica das temáticas exploradas, determinando a
forma de relacionamento (como pode ser visualizada no mapa 1) e a forma de
freqüência (explicada em forma de números).

166

MAPA 1: AUTORES-CHAVE COM MAIOR PRODUÇÃO CIENTÍFICA E RELACIONAMENTO NAS TEMÁTICAS.

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166 16/4/2008, 16:45
Dentro da análise do mapa 1, tem-se três tipos de relacionamento, determina-
do pelos autores de grande representatividade em Bibliometria, em Cientometria e
em relação mista. Para os relacionamentos em Bibliometria, pode-se destacar o
nodo comando por Thelwall, outro por Kostoff e as relações mais simples de
Borkenhagem com Brahler e dos autores espanhóis Guerrero e Faba-Perez.
Em relação à colaboração em Cientometria, destacam-se as cooperações
mais simples de Padhgi com Garg e de Welljamsdorof com Garfield. Porém, a rela-
ção mista de Holden, Rosenberg e Barker indica que os três autores produzem em
ambas temáticas com a mesma intensidade.
O mapa 1 representa quatro tipos de análise sociométrica: as de pares entre
Guerrero e Faba-Perez; de Brahler e Borkenhagem; de Padhi e Garg; e de Garfield
e Welljamsdorof. A relação de corrente é representada pelo nodo de Holden, Rosenberg
e Barker.
A relação em forma de estrela é protagonizada pelos autores Kostoff, Pfeil,
Humenik, Karypis, Tshibeya e Malpohl, porém a relação mais interessante é a de
Thelwall com Harries, Tang, Price e Wikinson, denominada relação de poder.
Na questão da freqüência científica, os autores mais produtivos são Kostoff
(com 22 trabalhos), seguido por Garg (16 trabalhos); Garfield e Glanzel (ambos
com 14 trabalhos firmados); Thelwall (13 trabalhos); Schubert (10 trabalhos firma-
dos); Moed e VanRaan (ambos com 8 trabalhos); Barker, Bonitz, Brahler, Countrial,
Holden, Kretschmer, Leydesdorff e Rosenberg (todos com 7 trabalhos); e Cronin,
Egghe, Eom, Hicks, Harlki, Lewison, Peritz e Persson (todos com 6 trabalhos firma-
dos); os demais 656 autores analisados (Rousseau, Braun, Ingwersen, White, Narin,
McCain, Leta, Price e Meyer) tiveram um índice inferior a 5 artigos publicados.
Outra análise realizada foi a do consumo de informação por parte dos autores
que produziram nas temáticas estudadas, onde se averiguou os autores mais cita-
dos, os documentos mais utilizados e as revistas mais consultadas ao publicar os
trabalhos sobre os temas de Bibliometria e Cientometria. 167
Neste universo de consumo de informação, pode-se dizer que os trabalhos
publicados na comunidade científica em estudos métricos são fruto direto das refe-
rências consultadas e, neste universo, é importante eleger fontes de informação
fiável, como será visto nos três mapas seguintes.
O primeiro quadro desta seqüência trata dos autores que tiveram maior núme-
ro de citações e estão representados em um mapa de centralidade (o menor) e um
de freqüência.

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167 16/4/2008, 16:45
MAPA 2: CENTRALIDADE E FREQÜÊNCIA DOS AUTORES MAIS CITADOS

Em relação à centralidade, pode-se destacar que os autores com maior “pres-


tígio” nem sempre são os mais importantes em estudos métricos, porém são os
citados pelos ícones das temáticas.
No caso dos autores representados no mapa (Narin, Cronin, McCain, Bordons
e Seglen), pode-se destacar que suas publicações são de grande destaque dentro
da comunidade científica, bem como suas colaborações estão presentes dentre os
nomes mais relevantes da área.
Pode-se ressaltar, ainda, alguns dos autores que citaram os personagens de
centralidade:
· Narin: citado por Hamilton, Porter, Barker, Borgman, Leydesdorff, Peritz e
Pritchard;
· Cronin: citado por Glanzel, Meyer, Garfield, Borgman, Thelwall, Ingwersen,
Tang e Faba-Perez;
· McCain: citado por White, Small, Egghe e Rousseau;
168 · Bordons: citado por Moed, Garg e Cronin;
· Seglen: citado por Rosenberg, Vinkler, Van Raan e Narin.
No que diz respeito à análise de freqüência, pode-se afirmar que, dentro do
emaranhado universo da Bibliometria e da Cientometria, alguns autores obtiveram
maior destaque. Dentre eles, destaca-se um ranking com os 35 mais citados.

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168 16/4/2008, 16:45
T ABELA 1
R EPRESENTAÇÃO DOS AUTORES MAIS CITADOS EM B IBLIOMETRIA E C IENTOMETRIA
RANKING AUTORES CIT
AUTORES ADOS QUANTIDADE
CITADOS

1 GARFIELD E 494
2 KOSTOFF RM 300
3 PRICE D 275
4 NARIN F 217
5 SMALL H 180
6 CRONIN B 160
7 EGGHE L 146
8 WHITE HD 145
9 THELWALL M 132
10 BROOKES BC 130
11 SCHUBERT A 126
12 BRAUN T 108
13 MOED HF 107
14 LEYDESDORFF L 106
15 ROUSSEAU R 100
16 VAN RAAN AFJ 100
17 NALIMOV VV 97
18 GLANZEL W 93
19 CALLON M 86
20 MCCAIN KW 84
21 MERTON RK 83
22 PRITCHARD A 80
23 BORGMAN CL 77
24 LINDSEY D 73
25 VINKLER P 73
26 BRADFORD SC 71
27 MACROBERTS MH 71
28 GARG KC 63
29 LOTKA AJ 59
30 PERITZ BC 55
31
32
MARTIN BR
SEGLEN PO
54
54
169
33 SENGUPTA IN 52
34 LUUKHONEN T 51
35 MORAVCSIK MJ 51

Os autores mais citados, sem sombra de dúvidas, são os personagens que fize-
ram dos estudos métricos uma constante no universo das análises da produção cien-
tífica com suas teorias (Lotka, Bradford, Price e Narin) e as aplicações práticas (Garfield,
White, Cronin, Van Raan e Glanzel), porém, dentro da presente análise, é fundamental
destacar os agentes de ligação entre os grandes autores e os mais modestos.

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169 16/4/2008, 16:45
Diante deste tipo de análise, é fundamental observar que autores como Pinero,
Becker, Schoombaert, Cami e Gómez – agentes de maior colaboração aos teóricos
da área – executam também uma função representativa para alguns autores de
pouco destaque nas temáticas em questão.
Ainda quanto a consumo de informação, destacam-se a análise de documen-
tos citados com diagnóstico de centralidade (menor mapa) e de freqüência (mapa
da direita).
Para melhor entender os mapas, recomenda-se visualizar os nodos de tonali-
dade rosa, que significam o poder de centralidade; os nodos de tonalidade azul,
significando a freqüência; e os nodos que misturam as tonalidades (nodos azuis
internamente com uma linha rosa externa), significando que são os documentos de
forte centralidade e freqüência.

170 MAPA 3: DOCUMENTOS MAIS CONSUMIDOS PELOS AUTORES EM BIBLIOMETRIA E CIENTOMETRIA

Na questão de centralidade, é importante mencionar o papel de Lindsey e Zitt


(A1), documentos que fazem a ligação entre dois grandes grupos. Estes documen-
tos também recebem uma respeitável quantidade de freqüência. A segunda análise,
dentro deste mapa, diz respeito à total centralidade de Holden (A2) em um dos
grupos, onde se encontra citado em pelo menos 20 outros documentos.
A análise referente ao documento de Holden dentro deste estudo é considera-
da a mais importante por dois motivos: (i) trata-se de documento não muito citado

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170 16/4/2008, 16:45
(com 9 freqüências), porém, quando o é, está relacionado aos documentos teóricos
das temáticas estudadas; (ii) é um documento muito recente, e, talvez, o mais
importante de 2005, data em que é publicado, por compreender relevante funda-
mentação das teorias em Estudos Métricos.
Outra identificação de centralidade é observada nos autores (documentos)
que detêm uma forte citação, como White, Cronin, Kostoff 1998, Willett e Borgman
(A3), os quais fazem parte de um universo de cooperação científica muito represen-
tativa, como se pode observar na parte inferior do menor mapa.
A última análise de centralidade (A4) representa os documentos intermediári-
os, cuja importância é vital para a existência gráfica do grupo A2, identificada na
parte superior do mapa.
Quanto à freqüência, destacam-se os 35 documentos mais utilizados no con-
sumo de informação pelos autores, conforme se vê na tabela 2 a seguir.

TABELA 2
DOCUMENTOS MAIS CONSUMIDOS EM ESTUDOS MÉTRICOS

RANKING DOCUMENT OS CIT


DOCUMENTOS ADOS
CITADOS QUANTIDADE

1 LOTKA AJ, 1926, J WASHINGTON ACADEMY, V16, P317 58


2 PRICE DJD, 1963, LITTLE SCI BIG SCI, P62 48
3 PRITCHARD A, 1969, J DOC, V25, P348 46
4 BRADFORD SC, 1934, ENGINEERING-LONDON, V137, P85 43
5 GARFIELD E, 1979, CITATION INDEXING 42
6 SMALL H, 1973, J AM SOC INFORM SCI, V24, P265 41
7 WHITE HD, 1989, ANNU REV INFORM SCI, V24, P119 35
8 GARFIELD E, 1972, SCIENCE, V178, P471 32
9 PRICE DJD, 1965, SCIENCE, V149, P510 31
10
11
PRICE DJD, 1976, J AM SOC INFORM SCI, V27, P292
EGGHE L, 1990, INTRO INFORMETRICS Q
31
29
171
12 WHITE HD, 1981, J AM SOC INFORM SCI, V32, P163 29
13 CRONIN B, 1984, CITATION PROCESS ROL 28
14 NARIN F, 1976, EVALUATIVE BIBLIOMET 27
15 PRICE DJD, 1970, COMMUNICATION SCI EN, P3 26
16 ALMIND TC, 1997, J DOC, V53, P404 25
17 CRONIN B, 2001, J INFORM SCI, V27, P1 25
18 ROUSSEAU R, 1997, CYBERMETRICS, V1, P1 25
19 SMALL H, 1974, SCI STUD, V4, P17 25
20 SCHUBERT A, 1986, SCIENTOMETRICS, V9, P281 24
21 COLE FJ, 1971, SCI PROGR, V11, P578 23

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171 16/4/2008, 16:45
22 ZIPF GK, 1949, HUMAN BEHAVIOUR PRIN 23
23 BORGMAN CL, 1990, SCHOLARLY COMMUNICAT, P10 22
24 BORGMAN CL, 2002, ANNU REV INFORM SCI, V36, P3 22
25 MERTON RK, 1973, SOCIOLOGY SCI THEORE, P342 21
26 GARFIELD E, 1955, SCIENCE, V122, P108 20
27 MACROBERTS MH, 1989, J AM SOC INFORM SCI, V40, P342 20
28 INGWERSEN P, 1998, J DOC, V54, P236 19
29 KESSLER MM, 1963, AM DOC, V14, P10 19
30 MARTIN BR, 1983, RES POLICY, V12, P61 19
31 BRAAM RR, 1991, J AM SOC INFORM SCI, V42, P252 18
32 CALLON M, 1986, MAPPING DYNAMICS SCI 18
33 MCCAIN KW, 1990, J AM SOC INFORM SCI, V41, P433 18
34 NICHOLAS D, 1978, LITERATURE BIBLIOMET 18
35 SMITH LC, 1981, LIBR TRENDS, V30, P83 18

FONTE: WEB OF SCIENCE, 2006. DADOS TRABALHADOS EM CITESPACE.

No que diz respeito à quantidade, a tabela 2 explica-se por si só, destacando-


se o documento de Lotka (1926), seguido pelo de Price, Pritchard, Bradford, Garfield,
Small, White, Egge, entre outros; porém, é fundamental mencionar a constante pro-
dução para a temática de Price (que aparece com 4 documentos dentre os mais
citados); de Garfield (com 3 documentos); e de White, Borgman e Cronin (cada qual
com 2 documentos citados).
A presente análise determinou para estudo o período de 1975 até 2006,
porém os documentos mais utilizados datam de 1926 (Lotka), 1934 (Bradford),
1949 (Zipf), Garfield (1955), 1963 (Price e Kessler), 1969 (Pritchard), 1971 (Cole),
1973 (Small e Merton), 1976 (Narin) e 1978 (Nicholas). É muito importante men-
cionar que estes documentos são alicerces dos estudos bibliométricos e cientométricos
no mundo e, por este motivo, pode-se afirmar que as teorias existentes são fruto
destes autores e baseadas nos documentos aqui identificados.
Dentro desta averiguação de freqüência, destacam-se alguns documentos con-
172 temporâneos (CRONIN, 2001; WHITE, 1989; BORGMAN, 2002; MCCAIN, 1990) que
seguramente terão, com o passar do tempo, um maior índice de citação por parte
da comunidade científica.
Ao finalizar este estudo sobre Redes Sociais, identificadas a partir dos traba-
lhos publicados em Bibliometria e Cientometria, observaram-se os índices de fre-
qüência e centralidade científica nas citações das revistas mais consultadas, confor-
me o mapa 4.

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MAPA 4: REVISTAS UTILIZADAS PELOS AUTORES NO CONSUMO DE INFORMAÇÃO

Neste emaranhado de relações, pode-se destacar as revistas mais citadas


(representadas no gráfico maior), tendo um grande destaque os seguintes títulos:
Scientometrics Journal, Journal of American Society, Journal of Documentation, Science,
Journal of Information Science, Nature, Arist, Resource Policy, Information Process
Managment, Social Studies Science, Current Contents, Library Quarterly, British
Medical Journal, Washington Academy, e Citation Index, todos com mais 50 citações
recebidas cada um. Os periódicos de maior freqüência também exercem um papel
de ligação (na citação) a outras revistas de menor representatividade para os Estu-
dos Métricos.
Os períodos de ligação entre o universo das revistas mais citadas e aquelas
com menor visibilidade são representadas por Cybermetrics, Evaluation Review, Essays
Information Science, American Documentation, H&D Quantitative Studies e Web
Knowledge Study Science.
173
Outra informação importante a ter em conta são os periódicos de grande
visibilidade para a área de Ciência da Informação, porém no universo dos Estudos
Métricos não apresentam constante citação, como se observa nos extremos do mapa
da direita (de freqüência). São eles: Interciencia, Library Research, Libri, Managment
Science, Scientist, R&D Managment, Online Information e Information Systems.
Em relação à centralidade, pode-se afirmar que o principal periódico para as
temáticas em Estudos Métricos é Scientometrics Journal, mérito vinculado ao fato de
ser praticamente a única revista a publicar os artigos voltados a temas de Bibliometria,

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173 16/4/2008, 16:45
Cientometria, Informetria, Webmetria, Cibermetria, Consumo de Informação e aná-
lises matemáticas para avaliar a Ciência em geral.
As demais revistas destacadas na centralidade não estão focadas em uma
temática específica, sempre contemplando a multidisciplinariedade das Ciências.
São exemplo: Journal of Documentation, Journal of American Society, Nature, Science,
Journal of Information Science, Social Studies Science e Resource Policy.

C ONSIDERAÇÕES FINAIS

Em todo o processo analítico da Rede Social em Estudos Métricos, foram en-


contradas algumas dificuldades para chegar aos resultados, devido à falta de padro-
nização dos dados matriz (as referências bibliográficas das bases de dados ISI)
utilizados para gerar os mapas.
Visando a controlar esta irregularidade, observou-se o formato de cada regis-
tro (670 registros), para averiguar se cada um apresentava os campos principais e,
assim, pudesse gerar uma nova referência completa.
Outra questão problemática encontrada foi a duplicação de documentos, com
alguma diferença nos dados referenciais. Como medida saneadora, optou-se por
alterar manualmente os dados, de modo que se tornassem fiáveis. Os dois mais
representativos dessa duplicação foram:
· PRICE DJD, 1963, LITTLE SCI BIG SCI, P62 ou DESOLA, JD 1963, LITTLE SCI
BIG SCI.
· GARFIELD E, 1972, SCIENCE, V178, P471 ou GARFIELD E, 1972, SCIENCE,
V178, P510.
Um desafio que caberia na presente análise seria avaliar os termos mais utili-
zados pelos autores, como forma de verificar se os trabalhos estavam centrados em
algum Estudo Métrico específico ou se existia uma série de temáticas distintas. No
174 entanto, dentro dos objetivos estabelecidos a princípio, pode-se concluir que todos
os pontos foram verificados e que foi encontrada uma boa simetria entre as
centralidades e freqüências das co-citações, averiguando-se cooperação entre per-
sonagens-chave para a Bibliometria e a Cintometria. Estes personagens estão re-
presentados em três categorias:
· em Bibliometria, pode-se destacar o nodo comandado por Thelwall, por Kostoff
e as relações mais simples de Borkenhagem com Brahler e por Guerrero com Faba-
Perez;

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174 16/4/2008, 16:45
·em Cientometria, destacam-se as cooperações entre Padhgi com Garg e en-
tre Welljamsdorof com Garfield;
·na relação mista, destacam-se a representação de Holden, Rosenberg e Barker.
Em consumo de informação, pode-se afirmar que a análise dos documentos
citados corresponde à formação teórica e prática dos Estudos Métricos, com docu-
mentos de 1926 (Lotka) até os mais contemporâneos, como Cronin (2001) e
Borgman (2002).
Para a análise dos autores mais representativos em Estudos Métricos, con-
cluiu-se que a centralidade teve Narin, Cronin, McCain, Bordons e Seglen como os
autores mais significativos; e a freqüência contou com Lotka, Bradford, Price, Narin,
Garfield, White, Cronin, Van Raan e Glanzel, entre os mais citados.
Em relação às revistas mais importantes em Bibliometria e Cientometria, des-
tacam-se Scientometrics Journal, Journal of American Society, Journal of
Documentation, Science, Journal of Information Science, Nature, Arist, Resource
Policy, Information Process Managment, Social Studies Science, Current Contents,
Library Quarterly, British Medical Journal, Washington Academy e Citation Index.
Quanto à centralidade, teve grande destaque a revista Scientometrics, princi-
palmente porque é a mais completa em artigos para Estudos Métricos. As demais
revistas citadas, em geral, contêm enfoques multidisciplinares (Journal of
Documentation, Journal of American Society, Nature, Science, Journal of Information
Science, Social Studies Science e Resource Policy).

NOTA
1
Grafos - artefatos matemáticos que permitem expressar de uma forma visual muito simples e
afetiva as relações que se dão entre elementos de diversa índole; Densidade - está relacionada à
quantidade de linhas ou conexões que mantém interligado um conjunto de pontos; Centralidade -
posicionamento central de um indivíduo em uma relação, determinando a formação da Rede; 175
Intermediação – medida do número de vezes que um nodo aparece no caminho mais curto entre
outros dois nodos; Cercania – soma das distâncias que separam um nodo do resto dos demais
nodos da rede e aproxima seu peso, sua capacidade para chegar em poucos passos a qualquer
ponto; Vetores – função matemática que reúne em si módulo, direção e sentido das Redes Sociais.

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R EFERÊNCIAS

BARNES, John. Class and committees in a Norwegian Island parish. Human Relations,
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de la ciencia moderna y la era de la razón. Madrid: Martínez Roca, 2006.
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científicas: un análisis de la estructura de coautorías. Redes – Revista Hispánica
para el análisis de Redes Sociales, Barcelona, v. 1, 2002. Disponível em: http://
revista-redes.rediris.es/pdf-vol1/vol1_3.pdf. Último acesso em: 30/03/2006.

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ponível em: http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_estrutalternativa.cfm. Último aces-
so em: 15/04/2006.

177

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Universitas: Revista de Cultura da Universidade
Federal da Bahia, 1968-1991
FLÁVIA GARCIA ROSA
SÔNIA C. VIEIRA
KÁTIA DE CARVALHO
NANCI ODDONE

Vai-se à universidade estudar cultura, estudar o mundo.


Darcy Ribeiro

INTRODUÇÃO

Em artigo publicado na edição de 20 de abril de 2005, a revista Veja noticiou


o sucesso da Casa do Saber, entidade criada em São Paulo, em 2004, para suprir o
anseio de uma elite ávida por ampliar sua bagagem cultural e aprimorar sua forma-
ção. A Casa do Saber oferece “[…] aulas de filosofia, literatura, história e arte,
ministradas por acadêmicos […] como o filósofo Renato Janine Ribeiro e o crítico
José Miguel Wisnik” (TEIXEIRA; VALLADARES, 2005, p. 122). No final dos anos 1960,
em Salvador, também orientada para as artes, as letras e as humanidades e forte-
mente influenciada pelos ideais humanistas legados por Edgar Santos1, primeiro
reitor da instituição, surgia a Universitas: revista de cultura da Universidade Federal
da Bahia.
Ocorridos em séculos diferentes, estes dois eventos convergem para um ponto
comum: a necessidade que o ser humano sente de ampliar seu conhecimento e sua 179
formação cultural. A universidade da Idade Média privilegiava a formação humanística.
Na atualidade, porém, como ressaltou Otto Maria Carpeaux, o que resta da concep-
ção harmônica do saber que aquelas instituições produziam e disseminavam? “O
nome. [As universidades] já não formam lettrés, nem gentlemen […]; formam
médicos, advogados, professores. As universidades tornaram-se lugares de investi-
gações científicas” (CARPEAUX, 1999). Sobre esta “nova espécie de intelectuais”,
Ortega y Gasset teceu um ácido comentário:
[…] Novo bárbaro, atrasado em relação à sua época, arcaico e primitivo
em comparação com a terrível atualidade de seus problemas. Este novo

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bárbaro é principalmente o profissional mais sábio que já houve, porém
mais inculto também – o engenheiro, o médico, o advogado, o cientista
[…]. (ORTEGA Y GASSET apud CARPEAUX, 1999)

C ONTEXTO HISTÓRICO

O conceito de universitas designava originalmente a corporação de ofício ou


agremiação formada pelos professores e alunos de uma determinada cidade
(LAUAND, 1995). Contudo, como o termo universitas – cujo sentido é ‘totalidade’ –
se aplicava a corporações de diferentes tipos, era preciso especificar o ofício que se
pretendia designar (VERGER, 1990). A expressão que passou a ser empregada –
universitas magistrorum et scholarium – atesta, portanto, que a universidade medi-
eval era um tipo especial de corporação: uma comunidade de mestres e estudantes
“envolvidos na elaboração e na transmissão de um bem muito peculiar: o conheci-
mento” (GEUNA, 1996). A cultura medieval cujos princípios as universidades parti-
lhavam alcançou sua perfeição no século XIII, com a doutrina de São Tomás de
Aquino.
[…] A Universidade de Paris, então “capital da cristandade”, considerava-
se mesmo herdeira da Academia de Atenas. Na época de Tomás, era ela que
dominava o panorama intelectual do Ocidente. É lá que se encontram os
professores mais importantes, as oposições mais radicais e os estudantes
mais turbulentos, vindos de todos os cantos da cristandade. Por isso
mesmo, todas as novidades e todas as questões que lá se discutiam
encontravam ressonância universal. Foi nesse ambiente privilegiado da
Universidade de Paris que Tomás [de Aquino] desenvolveu o melhor de sua
obra e de sua docência e enfrentou as mais duras batalhas intelectuais
[…]. (LUAND, 1995)

Sempre com o decidido apoio da Igreja, as universidades surgiram em decor-


180 rência do renascimento intelectual iniciado no século XI em torno da Teologia e da
Filosofia. Os estudantes, migrando por toda a Europa em busca de uma escola de
seu interesse, eram acolhidos em colégios que funcionavam como albergues. Antes
de surgirem os modernos Estados europeus, as universidades se caracterizavam
pelo afã de aprender, a vontade de ensinar e o espírito de universalidade no cultivo
e na transmissão do saber. Por várias centenas de anos foi possível aos estudiosos
abraçar todas as disciplinas acadêmicas. A idéia de uma universitas litterarum, ou
seja, de uma instituição que abrangia todo o saber, ganhara corpo. Embora litterae
significasse ‘conhecimento’,

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180 16/4/2008, 16:45
[…] na universitas litterarum o sentido do saber reunido não residia na
soma dos conhecimentos, mas em sua integração ao todo coerente que
era a ordem medieval […]. Mais tarde, quando a palavra litterae passou a
designar as disciplinas humanísticas, a expressão universitas litterarum et
scientiarum começou a ser utilizada para indicar, explicitamente, a inclusão
das ciências […]. (JAHIATT, 2005)

Nos séculos seguintes, contudo, essa síntese do saber permaneceu inalterada,


deixando de representar as transformações pelas quais passava a cultura humana.
A emergência de uma mentalidade nova, inclinada a validar os conhecimentos pro-
duzidos pela ciência, não encontrou amparo na cultura religiosa. Assim, a universi-
dade medieval não participou da gestação do Renascimento. Em poucas dessas
universidades o conhecimento científico era prontamente assimilado. A maioria se
dedicava apenas ao ensino, relegando a investigação a segundo plano. Os jovens
começaram então a buscar outros espaços de convivência intelectual: as academi-
as. Na Itália, França, Inglaterra e Alemanha elas começaram a ser criadas no século
XVII (JAHIATT, 2005).
Se em sua origem a universidade esteve dedicada principalmente à transmis-
são da cultura de sua época, isto é, à reprodução de um sistema completo e inte-
grado de idéias, com a crise da Idade Média essa síntese foi perdendo força, enquanto
a sociedade pedia profissionais e cientistas. A noção da universitas scientiarum, isto
é, de uma universidade detentora, produtora e transmissora do saber científico, só
aparecerá com o Estado nacional absolutista, quando são fundadas as primeiras
universidades leigas, estatais (MOROSINI, 2005). O desprestígio da universidade
tradicional provocou a extensão do modelo napoleônico a outros países da Europa.
A partir do século XVIII, também por influência do Iluminismo, todo o sistema univer-
sitário medieval seria desacreditado.
Foi nesse cenário que começou a ocorrer o fenômeno da explosão informacional,
sobretudo após a invenção da imprensa por Gutenberg. Esta, por sua vez, produziu
novos avanços tecnológicos, contribuindo para aperfeiçoar as características dos
181
processos de edição e distribuição de documentos (ODDONE, 2004). O incremento
da produção intelectual e, em conseqüência, da produção de impressos, ampliou o
intercâmbio de idéias, ensejando a consolidação da prática científica (EISENSTEIN,
1998). As primeiras revistas científicas surgiram no final do século XVII – no mesmo
ano de 1665, foram lançados os periódicos Journal de Sçavans, produzido na Fran-
ça, e o Philosophical Transactions, publicado pela Royal Society de Londres – dando
origem ao sistema de revisão de pares, hoje tão importante para a atividade cientí-
fica (STUMPF, 1996; MEADOWS, 1999). Os primeiros periódicos científicos brasilei-

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181 16/4/2008, 16:45
ros só foram criados dois séculos depois dos europeus: a Gazeta Médica da Bahia,
fundado em 1866, e o Brazil Médico, de 1887.
Ao lado da revolução desencadeada pela imprensa sobre o registro e a disse-
minação da informação, consolidavam-se as universidades européias, em especial
aquelas que haviam surgido depois da Idade Média. Ao longo da história, essas
universidades foram responsáveis por grande parte do conhecimento produzido no
mundo. No Brasil, ao contrário de outros países sul-americanos nos quais o ensino
superior se tornou realidade desde o século XVI, a criação das universidades foi
marcada pela resistência de Portugal, como reflexo da política de colonização
(SCHWARTZMANN, 2001).
Só entre as décadas de 1920 e 1930, graças ao esforço de intelectuais escla-
recidos, as primeiras iniciativas universitárias ganham fôlego. Em 1920, surge a
Universidade do Rio de Janeiro, em 1927, a reunião das quatro escolas de nível
superior existentes em Belo Horizonte permitiu a criação da Universidade de Minas
Gerais e, em 1928, a Universidade do Rio Grande do Sul. A ela se seguiram a
Universidade de São Paulo, em 1934, e a Universidade do Distrito Federal, criada
em 1935 e fechada pelo Estado Novo em 1939. A Universidade da Bahia foi criada
em abril de 1946, pelo Decreto-Lei nº 9155, assinado pelo Presidente da República
Eurico Gaspar Dutra e pelo Ministro da Educação Ernesto Souza Campos. Em julho
do mesmo ano, reunido para eleger o Reitor, o Conselho Universitário, por votação
unânime, indica o Professor Edgar Rego Santos para ocupar o cargo. A posse ocor-
reu no mesmo ano, em cerimônia solene no dia 2 de julho, data magna da Bahia
(UNIVERSIDADE..., 1967).
O reitorado de Edgar Santos foi marcado por ações de incentivo ao ensino
universitário, de modo geral, mas, principalmente, pela implantação de estudos
superiores em áreas que, na época, eram consideradas ‘supérfluas’. Através da
criação de escolas de artes e de institutos de extensão cultural, a Universidade
182 passou a participar dos movimentos culturais da Bahia. Assim, em 1955 foi criado o
Seminário de Música e, no ano seguinte, as escolas de Teatro e Dança. Em 1959 foi
inaugurado o Museu de Arte Sacra.
[…] os institutos de extensão cultural passam a influir no aperfeiçoamento
dos universitários baianos, no propósito de não os enclausurar a uma
educação do específico, ou seja, apenas ao curso profissional […], mas
com a intenção de dar uma mentalidade nova à participação universitária
[…]. (UNIVERSIDADE..., 1967, p. 69)

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Entre as iniciativas culturais postas em prática por Edgar Santos na Universida-
de, havia um programa editorial: Publicações da Universidade da Bahia, responsável
pela “[...] difusão da cultura, […] edição de trabalhos originais, científicos e literá-
rios, nacionais e estrangeiros e […] de autores baianos” (UNIVERSIDADE..., 1967,
p. 72).
Após as cinco gestões2 consecutivas de Edgar Santos (1946-1961), Albérico
Fraga, escolhido pelo Presidente Jânio Quadros através de uma lista tríplice, assu-
me a reitoria em julho de 1961. Marcado pela crise política nacional e por sérias
dificuldades financeiras, esse reitorado teve conseqüências graves para a Universi-
dade.
Tomando posse em julho de 1964, o ex-Ministro da Fazenda do Presidente
João Goulart, Professor Miguel Calmon, de reconhecida experiência econômica e
administrativa, sucedeu Albérico Fraga. Em seu reitorado, o Departamento Cultural
voltou a cumprir funções mais importantes, funcionando como um elo de ligação
entre o Reitor e as várias comissões encarregadas das reformas didática e adminis-
trativa da Universidade. Na coordenação desse Departamento, o Professor Roberto
Santos recriou a Comissão de Publicações, que havia sido interrompida em 1962. É
nesse momento que se começa a pensar na publicação de uma revista de cultura
para a Universidade.

R EVISTA U NIVERSITAS : PENSAMENTO E CULTURA DE UMA ÉPOCA

A criação da Universitas como veículo de divulgação cultural, em 1968, duran-


te o Reitorado do Professor Roberto Santos, confirmou a noção de que “[...] a
função da universidade não deve ser resumida às expectativas e exigências do mer-
cado de trabalho ou ao cientismo. [...] A preparação nas universidades deve e tem
de ser cultural e científica” (PINHEIRO, 1992, p. 3). Segundo Fernando da Rocha
Peres, Diretor do Centro de Estudos Baianos da UFBA e membro da Comissão Edito- 183
rial da revista quando de sua criação, “o objetivo era divulgar trabalhos de docentes
em todas as áreas do conhecimento, mas especialmente nas áreas das Letras e
Ciências Humanas. [...] A Universitas foi pensada como coroamento do longo reitorado
de Edgar Santos, que imprimiu à nossa Universidade uma orientação para as artes,
as letras e as humanidades”3.
Ao esclarecer, em seu primeiro número, que pretendia evitar “[...] a idéia de
uma publicação aberta a matérias por demais específicas [...]”, a revista Universitas
– cujo subtítulo, revista de cultura da Universidade Federal da Bahia, já enfatizava

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183 16/4/2008, 16:45
sua vocação – reforça o pensamento de Roqueplo, para quem a ‘divulgação cientí-
fica’ seria
[…] toda atividade de explicação e de difusão dos conhecimentos, da
cultura e do pensamento científico e técnico, sob duas condições. A primei-
ra delas é que essas explicações e essa difusão […] sejam feitas fora do
ensino oficial […]. A segunda […] é que tais explicações […] não devem
ter como objetivo formar especialistas, nem mesmo aperfeiçoá-los em sua
própria especialidade. […] [A] divulgação científica deve se dirigir ao
maior público possível sem, no entanto, excluir o cientista ou o homem
culto […]. (MASSARANI, 1998, p. 19)

Em artigo publicado na revista Comciência, Carlos Vogt traça a dinâmica da


chamada cultura científica: uma espiral em duas dimensões, evoluindo sobre dois
eixos, um horizontal, relativo ao tempo, e um vertical, relativo ao espaço (Figura 1).
O autor apresenta quatro categorias constitutivas para a sua espiral: 1) a difusão
científica (produção e circulação do conhecimento científico); 2) o ensino da ciência
e a formação de cientistas; 3) o ensino para a ciência; 4) a divulgação científica. A
idéia do autor é que, cumprido o ciclo de evolução da espiral não se regressa ao
mesmo ponto de início, mas a um ponto ampliado de conhecimento. Em termos
gerais, a espiral da cultura científica pretende representar “[...] a dinâmica constitutiva
das relações inerentes e necessárias entre ciência e cultura” (VOGT, 2003).

184

FIGURA 1 – ESPIRAL DE CULTURA CIENTÍFICA (VOGT, 2003)

Vogt argumenta ainda que a expressão ‘cultura científica’ contém

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[…] a idéia de que o processo que envolve o desenvolvimento científico é
um processo cultural, quer seja ele considerado do ponto de vista de sua
produção, de sua difusão entre pares ou na dinâmica social do ensino e da
educação, ou ainda do ponto de vista da divulgação na sociedade como
um todo, para o estabelecimento das relações críticas necessárias entre o
cidadão e os valores culturais de seu tempo e de sua história […]. (VOGT,
2003)

C ARACTERÍSTICAS EDITORIAIS D A R EVISTA U NIVERSITAS

A análise das características editoriais da Universitas foi baseada nos parâmetros


utilizados pelo Latindex – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas
Científicas da América Latina, el Caribe, España y Portugal (2005), que considera
os seguintes aspectos:

CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

01. Cor po editorial – existência de um Conselho Editorial ou de um responsável científico


Corpo
02. Identificação dos autores – identificação do autor individual ou de autoria institucional
03. Diretor – nome de Diretor ou Responsável Editorial ou equivalente
04. Endereço – endereço da administração da revista para efeito de solicitação de assinaturas,
permuta e envio de trabalhos

CARA CTERÍSTICAS DE APRESENT


CARACTERÍSTICAS AÇÃO DDAA REVIST
APRESENTAÇÃO REVISTAA

05. Folha-de Rosto – título completo, ISSN, volume, número, data e legenda
06. Periodicidade – números de fascículos que foram editados no ano
07. Sumário – título, autor e página inicial
08. LeLegg enda bib lio
liogg ráf
biblio ica no início de cada ar tig
ráfica tigoo
09. Legenda bibliográfica em cada página
10. Membros do Conselho Editorial – nomes dos membros do Conselho Editorial 185
11. Afiliação dos membros do Conselho Editorial
12. Afiliação dos autores
13. RRece
ece pção e aceitação dos originais – indica as datas de recebimento e aceitação do artigo
ecepção
para publicação

CARACTERÍSTICAS DE GESTÃO E POLÍTICA EDITORIAL

14. ISSN – Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas


15. Descrição da rreevista – Objetivo e cobertura temática e o público ao qual a revista é dirigida
16. Sistema de arbitr
arbitraagem – Procedimento empregado para a seleção dos artigos

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185 16/4/2008, 16:45
17. AAvv aliador es eexter
aliadores xter nos – se o sistema de arbitragem recorre a avaliadores externos, a
xternos
entidade ou a Editora da revista
18. AAutor
utor
utoreses eexter
xter nos – 50% dos artigos publicados devem proceder de autores externos à
xternos
Entidade editora
19. Ser viços de inf
Serviços or
infor mação – se a revista está incluída em algum serviço de indexação, resumo
ormação
ou diretório
20. Cumprimento de periodicidade – se a revista edita durante o ano o número de fascículos
correspondentes com a periodicidade expressada

CARACTERÍSTICAS DO CONTEÚDO

21. Instr uções aos autor


Instruções es – refere-se ao envio dos originais e resumos
autores
22. Ela bor
Elabor ação de RRef
boração ef erências Bib
eferências lio
lioggráf
Biblio icas nas instruções aos autores
ráficas
23. RResumo
esumo – todos os artigos devem ser acompanhados de um resumo no idioma original 23. do
trabalho
24. RResumo
esumo em dois idiomas – no idioma original do artigo e em outro idioma
25. PPala
ala vr
alavr as-c
vras-c ha
havve – no idioma original do artigo e em outro idioma
as-cha

Elaborado pela pintora, desenhista e professora baiana Jacyra Oswald, o projeto


gráfico da Universitas foi mantido durante todo o período de publicação da revista.
Quanto às características básicas, no seu primeiro número, a Universitas con-
tava com uma Comissão Editorial específica, com a seguinte composição: Hélio Simões
(Professor do Instituto de Letras), José Romélio Aquino (Professor da Faculdade de
Filosofia e Ciência Humanas), Fernando da Rocha Peres (Professor da Faculdade
de Filosofia e Ciência Humanas), Mário Cravo (artista plástico), Walter Bautista Vidal
(Instituto de Física), e como Responsável Científico assinava Valentin Calderón (Pro-
fessor da Faculdade de Filosofia e Ciência Humanas). No verso da folha de rosto, o
endereço da administração, para efeito de solicitação de assinaturas, permuta e
envio de trabalhos, era mencionado. No final de cada fascículo constava relação com
a identificação dos autores e o colofão.
186 No que se refere às características de apresentação da revista, à medida que
novos números iam sendo publicados, os demais itens também iam sendo incorpo-
rados. Com relação à legenda bibliográfica, ela passa a ser empregada no número
25, de 1979. Quanto ao ISSN, seu registro ocorreu a partir do número 27, também
de 1979, quatro anos após a implantação do sistema no Brasil. Sua periodicidade
foi irregular, passando de semestral a quadrimestral, e apresentando interrupções
durante os seguintes períodos: 1974 a 1976, 1980 a 1984 e 1988 a 1990, quan-
do de sua suspensão definitiva. Não indicava as datas de recebimento e aceitação
de cada artigo.

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No que tange às características de gestão e política editorial, a Universitas não
apresentava uma política editorial consistente, que pudesse de fato se traduzir em
um projeto inserido no contexto da instituição.
Quanto ao último parâmetro, referente às características do conteúdo, a revis-
ta atende a alguns requisitos: referências bibliográficas e resumos, este último apa-
recendo pela primeira vez no número 25, de 1979. As instruções aos autores eram
divulgadas sob a forma de folder pelo Centro Editorial e Didático, órgão responsável
pela sua publicação a partir de 1977.
Além dos parâmetros acima mencionados, algumas peculiaridades foram le-
vantadas:
· a ficha catalográfica aparece a partir do número 2, de 1969, junto ao colofão;
somente no número 25, de 1979, a ficha aparece no verso da folha-de-rosto;
· até o número 18, de 1977, a autoria aparecia no final do texto; somente a
partir do número 19, de 1978, o nome do autor passa a constar logo após o título
do artigo;
· dos números 19, de 1978, ao 27, de 1979, passa a haver subdivisões por
áreas do conhecimento, assim distribuídas: número 19 – Letras, 20 – Ciências da
Saúde, 23 – Ciências Exatas, 25 – Artes, 26 – Ciências Humanas e 27 – Letras. A
partir do número 28, a revista retorna ao padrão anterior. Nos números 21, 22 e
24 não foi adotado o sistema por áreas;
· houve alteração no nome da revista: no número 33, de 1985, passa a deno-
minar-se Universitas: Revista da Universidade Federal da Bahia, com subdivisão em
duas áreas – ‘Ciência’ e ‘Cultura’ – em substituição a Universitas: Revista de Cultura
da Universidade Federal da Bahia;
· os temas abordados durante a existência da revista foram organizados e
publicados em índices pelas bibliotecárias Isnaia Veiga Santana e Marly Magalhães
de Freitas, em comemoração aos 50 anos de fundação da UFBA (SANTANA; FREITAS,
1996). 187
C ONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante três séculos não houve grandes alterações na estrutura dos periódicos
científicos (ZIMAN, 1979). Só no século passado é que avanços tecnológicos significa-
tivos trouxeram novos padrões à comunicação entre cientistas. Graças inicialmente à
máquina de escrever e, depois, aos computadores e aos softwares específicos de
edição, o processo de editoração científica, que se iniciou manualmente com a tipo-

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187 16/4/2008, 16:45
grafia, tornou-se ágil. Na década de 90, com o surgimento das redes de telecomuni-
cações, começa por fim a verdadeira e mais revolucionária das transformações: a
migração do papel para o suporte eletrônico.
Ao longo de seus 23 anos de existência, a revista Universitas recebeu pouca
influência das novas tecnologias de comunicação e informação, seja no que diz
respeito ao seu processo produtivo, seja no que se refere à disseminação de seu
conteúdo. Seus artigos não se encontram indexados em nenhuma base de dados
referencial, constituindo uma barreira para o acesso ao seu conteúdo – os 364
artigos e 23 recensões de todas as áreas do conhecimento que tão bem retratam
um período efervescente da cultura da UFBA.
A coleção completa da Universitas encontra-se disponível para consulta apenas
em suporte papel, na Seção Memória da Biblioteca Central da Universidade. Seu
registro no Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN), disponível
pela Internet (http://www.ct.ibict.br/ccn/owa/ccn_consulta), indica ocorrências de
exemplares da revista em nove bibliotecas setoriais da UFBA e em bibliotecas de
onze outros estados brasileiros: Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba,
Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Pau-
lo, porém as coleções estão incompletas.
A produção intelectual contida nos fascículos da revista, com contribuições de
autores como Thales de Azevedo (6), Luís Henrique Dias Tavares (5), Luiz Navarro
de Britto (4), Carlos Ott (7), Frederico Edelweiss (6), Nelson de Sousa Sampaio (7),
Fernando da Rocha Peres (5), Américo Simas Filho (4) e Antonio Luis Machado
Neto (6), entre outros, está a merecer um projeto de resgate de forma a permitir
que as novas gerações tenham acesso a esse conhecimento. Uma iniciativa da Uni-
versidade voltada para a digitalização desse acervo intelectual e para a sua
disponibilização em formato eletrônico seria a forma mais justa e democrática de
inserir a Universitas nas políticas universitárias de divulgação científica e de preser-
188 vação da memória institucional.
As análises editorial e bibliográfica empreendidas neste estudo permitem con-
cluir que a Universitas foi um marco na trajetória da Universidade Federal da Bahia,
uma vez que ela retratava o pensamento humanístico e cultural da época de sua
fundação. Pode-se afirmar com segurança que um dos fatores que contribuiu para
a sua fragilidade e instabilidade foi a inexistência de um projeto editorial mais con-
sistente, inserido na política de comunicação da instituição. Os resultados da ausên-
cia de tal projeto estão refletidos no caráter irregular de sua periodicidade, na

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incoerência das alterações estruturais efetuadas, na negligência com que os pa-
drões normativos eram seguidos e, por fim, na própria extinção do periódico.

NOTAS
1
Edgar Rego Santos nasceu em Salvador, no dia 8 de janeiro de 1894. Formou-se pela Faculdade
de Medicina da Bahia em 1917, onde mais tarde obteve a cátedra de patologia e cirurgia. Fez
cursos de aperfeiçoamento na França e na Alemanha. A partir de 1936, assumiu a direção da
Faculdade e, em 1946, com o fim do Estado Novo, organizou a Universidade da Bahia, tornando-
se seu primeiro reitor. Reeleito sucessivamente, permaneceu no cargo até 1952. Enquanto reitor,
incentivou a realização de seminários de música, a criação de escolas de teatro e dança, promoveu
a recuperação do Convento de Santa Teresa e dos prédios do teatro universitário e da reitoria, além
de construir a cidade universitária. Em julho de 1954, foi nomeado ministro da Educação e Cultura.
Em setembro do mesmo ano, após o suicídio de Vargas, deixou o Ministério e retornou à Universi-
dade da Bahia. Em 1961, foi nomeado presidente do Conselho Federal de Educação. Faleceu no dia
3 de junho de 1962, no Rio de Janeiro (FUNDAÇÃO, 2005).
2
Na época, o reitorado tinha a duração de três anos.
3
Em entrevista pessoal.

R EFERÊNCIAS

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189
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Criterios para determinar la calidad de las
revistas científicas: un estudio para
Ibero-América
NÍDIA MARIA LIENERT LUBISCO
BEATRIZ-AINHIZE RODRÍGUEZ BARQUÍN
MIGUEL ÁNGEL PRADERA TROBAJO

I NTRODUCCIÓN Y OBJETIVOS

A dinâmica da ciência e sua conseqüente popularização estão ligadas ao


crescimento informacional que ganha impulso a partir dos anos 40, e
culmina com o surgimento da Ciência da Informação como disciplina aca-
dêmica. O crescimento exponencial da literatura científica e as formas
possíveis de acompanhar tal crescimento originam uma nova etapa em que
o cientista é o primeiro a se preocupar em obter medidas que possam
revelar a produção científica veiculada. (Gustavo Henrique Freire, Joana
Coeli Ribeiro Garcia)

La comunicación, como afirma Meadows, “se sitúa en el corazón de la ciencia.


Es tan vital para ella como la propia investigación, pues a ésta no le cabe reivindicar
la legitimidad de llevar este nombre hasta que haya sido analizada y aceptada por
los pares”1.
La idea anterior viene a decir que la investigación comienza a existir en el
mundo científico una vez que sus resultados son publicados, hecho que
indudablemente permite el avance de la ciencia. Así es posible inferir que es “la
publicación la que congrega diversos centros de investigación y establece la organicidad 193
a la comunidad científica”.2
La ciencia constituye el conocimiento resultante de la investigación, hecho que
hace suponer su carácter de fiabilidad. Sin embargo, no se debe desechar otras
formas de conocimiento como es el saber popular.
Para garantizar la fiabilidad de los resultados, el proceso científico debe estar
sometido a dos factores: la metodología empleada por el científico en el proceso
investigador y el reconocimiento acerca de la relevancia de la investigación que
refrendará la comunidad científica.

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Este estudio se propone tener fines didácticos, para ser aplicados en Brasil y
tiene como destinatarios, por un lado, docentes y estudiantes, y por otro el Progra-
ma QUALIS3. Este programa se desarrolla en el ámbito de la Coordenação de Aper-
feiçoamento do Pessoal de Ensino Superior (CAPES/Ministerio de Educación, Brasil),
cuya finalidad es mantener una base de datos de títulos de revistas empleadas como
vehículo para divulgar la producción científica de diferentes programas de postgrado
brasileños, teniendo en consideración las necesidades de su sistema de evaluación.
El rol de una metodología científica es dar a conocer el camino recorrido hasta
alcanzar los resultados y/o cumplir los objetivos planteados, de manera que la
experiencia pueda ser replicada. Mientras tanto, hay que tener claridad de ideas
acerca de las diferencias existentes de un área para otra: a diferencia de lo que
ocurre en las ciencias exactas (o duras), en las ciencias sociales el objeto de
investigación está impregnado del sujeto investigador, hecho que muchas veces lleva
a confundirse el uno con el otro. Respecto a esto, Lévi-Strauss dice que “en una
ciencia, donde el observador pertenece a la misma naturaleza del objeto, el propio
observador es una parte de la observación”.
Según Bruno Latour (1989) citado por Kreimer4 (1999) hay dos tipos de
proceso para la construcción científica, que dan como resultado la “ciencia activa”
(aquellos trabajos científicos que esperan ser refutados, discutidos, etc.) y la “ciencia
hecha” (aquella que ha sido sometida a cuestión y que pasa a ser un “hecho duro,
incuestionable, incuestionado”).
En contraposición, para Feyerabend es imposible elaborar un método “que
contenga principios firmes, inmutables y absolutamente vinculantes como guía de la
actividad científica”. Por su carácter esencialmente anárquico, la ciencia, a su juicio,
“escapa a cualquier teoría del conocimiento que pretenda recoger en un único mo-
delo de racionalidad el rico material de su propia historia, una vez que las revoluci-
ones científicas [...] ocurren cuando los científicos sostienen teorías y puntos de
194 vista incompatibles con aquellos principios considerados evidentes, violando así los
criterios de racionalidad aceptados por la mayor parte de los estudiosos.”5 También
a juicio de Santaella6, la ciencia está en “permanente metabolismo y crecimiento” y,
según Pedro Demo7, es una “realidad siempre voluble, mutable, contradictoria, jamás
acabada [...]”.
De este modo, la finalidad de explicitar la metodología es una cuestión de
honestidad intelectual y creencia en la naturaleza social de la ciencia.
En cuanto al segundo factor –reconocimiento por parte de los pares– basado
en el carácter social de la ciencia, se materializa formalmente, entre otros modos,

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mediante las revistas científicas. Este vehículo cumple la doble función de lo que
conlleva el verbo “publicar”, a juicio de Kreimer8: “llevar un contenido predetermi-
nado [...] a lo escrito, por medio de la imprenta [...y] a hacer público al salir de la
esfera de lo privado”. En este proceso, un determinado contenido es analizado y
evaluado por su mérito científico para ser divulgado en forma de artículo. Es
innecesario decir que este proceso no está libre de evaluaciones parciales o tenden-
ciosas, aunque, de modo general, la ciencia haya logrado desarrollarse de forma
evolutiva a lo largo del tiempo.
La organización de los registros resultantes del nuevo conocimiento producido,
para que cumplan su papel en cuanto a su difusión (accesibilidad y uso), ha de
realizarse teniendo en cuenta la calidad de las revistas en los medios científicos y
académicos. Dicha calidad -definida bajo unos criterios elegidos por los diferentes
colectivos científicos- es representada por indicadores, los cuales medirán, según la
tipología documental, la Bibliometría, la Cienciometría o la Informetría.
Es verdad que las existencias estáticas (stocks) de información no generan
conocimientos, sino que potencian las condiciones para ello. Es decir, que lo que se
necesita es la transferencia de esta información (= comunicación) según la realidad
de los distintos receptores (= comunidades científicas), facilitada por condiciones
favorables a la asimilación por parte del individuo.
Teniendo en cuenta que la revista científica destaca como vehículo privilegiado
de comunicación científica, se la aborda a par tir de definiciones técnicas,
comentándose sus características y tipos de clasificación, además de añadir un cuadro
de correspondencia terminológica sobre el tema, en español, portugués e inglés. A
continuación, son comentadas las cuestiones relacionadas con las modalidades de
presentación impresa o electrónica, con énfasis en las ventajas de una y de otra.
Completando el escenario hasta aquí dibujado, se pone de relieve algunos as-
pectos teóricos respecto a los indicadores de calidad aplicables a la Ciencia y
Tecnología (C&T) y a las revistas. Entendidos como uno de los medios para evaluarlas, 195
los indicadores son analizados bajo tres enfoques: sus funciones, su parcialidad y
sus limitaciones.

M ARCO TEÓRICO

La comprensión humana no es un examen desinteresado pues recibe


infusiones de la voluntad y de los afectos; desde ahí se originan las ciencias
que pueden ser llamadas ‘ciencias según nuestra voluntad’. (Francis Bacon,
José Maria Alves da Silva)

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195 16/4/2008, 16:45
La revista científica
Teniendo en cuenta la consagración de la revista como el vehículo más idóneo
y valorado para la diseminación de los nuevos conocimientos en el ámbito científico,
a continuación serán presentados los distintos elementos relacionados con sus ca-
racterísticas.
Inicialmente, la definición de revista científica impone ubicarla en la categoría
de publicación seriada que, según la norma ISO 32979 y su equivalente española, la
UNE 50-107-8910, es
la que utiliza cualquier tipo de soporte, editada en partes sucesivas con
designaciones numéricas o cronológicas, destinada a ser continuada inde-
finidamente11

Así, es posible percibir que las revistas constituyen un campo de estudio tanto
de los organismos de normalización, como del área de Ciencia de la Información.
Fachin12, para desarrollar su investigación, ha trabajado con trece definiciones
emanadas principalmente de la Associação Brasileira de Normas Técnicas13 (ABNT)
y algunos autores que se han ocupado del tema.
De cara a las coincidencias y divergencias de enfoque, muchas de ellas sutiles,
en este estudio será adoptada la definición oficial de la ABNT, según la norma brasileña
NBR 6021, completada con las características más definitorias propuestas por otros
autores.
Así, según la norma citada14,
revista es la publicación editada en intervalos prefijados, por tiempo
indeterminado, con la colaboración de diversos autores, bajo la
responsabilidad de un editor y/o comisión editorial, según un plan definido.

Tiene por características más sobresalientes:


196 - ser publicada en partes (también llamadas números)
- presentar una numeración secuencial y cronológica
- tener periodicidad regular en una perspectiva temporal indeterminada
- contar con la contribución de diversos autores
- tener un plan preliminar
- someter su contenido a una comisión editorial
- poder ser propagada en distintos soportes, sea impreso o electrónico (en
modalidad on-line y CD-ROM)15.

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Para una mejor caracterización de su contenido, las revistas suelen ser
clasificadas como:
- científicas, cuando más del 50% de su contenido está constituido por artícu-
los firmados, con una estructura propia (introducción, metodología, resultados,
conclusiones) y se destinan a las comunidades científicas y académicas;
- técnicas y comerciales, cuando más del 50% de su contenido está constituido
por opiniones, experiencias e interpretaciones propias de técnicos y/o especialistas,
y se orientan a intereses de la industria, del comercio o de las organizaciones en
general;
- de divulgación o informativas, cuando más del 50% de su contenido está
constituido por noticias y reportajes dirigidos a segmentos no especializados de la
población. Este tipo de contenidos en ocasiones no son firmados puesto que son
responsabilidad de la editorial.16
Además, para enriquecer la caracterización respecto a la acepción de revistas
y teniendo en cuenta la diversidad de denominaciones que suelen aparecer en la
literatura, a continuación se presenta un cuadro de correspondencia terminológica
entre algunas expresiones en español, portugués e inglés, asociadas al mundo cien-
tífico y académico..
ESPAÑOL PORTUGUÉS (Brasil) INGLÉS

Actas o Memorias Anais Proceedings


Artículo Artigo Article
Cita Citação Citation
Informe Relatório Report
Número Fascículo o Número Issue
Periódico Jornal Newspaper
Publicación científica Publicação científica Scientific publication
Publicación seriada Publicação seriada Serial
Referencia
Revista
Referência
Revista
Reference
Magazine 197
Revista científica Periódico científico o Revista científica Journal

C UADRO 1 - C ORRESPONDENCIA T ERMINOLÓGICA


F UENTE : ADAPTADO DE F ACHIN (2002) Y STUMPF (1998).

Considerada el vehículo que disfruta de mayor reconocimiento en el proceso


de la comunicación científica entre las comunidades específicas, las revistas científi-
cas tienen que presentar las siguientes características para cumplir su función:

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Formales:
1. elementos o datos bibliográficos que permitan su inserción en los servicios
de acceso y uso de documentos e información científica (servicios de indización);
De contenido:
2. presencia de una comisión editorial calificada según las exigencias de los
distintos colectivos, teniendo en cuenta la evaluación de los contenidos a publicar
(relevantes para el desarrollo de la ciencia).17

¿Impresa o Electrónica?
Inicialmente, la revista electrónica fue considerada complementaria a la versión
impresa, situación que fue revertida según se ha perfeccionado la tecnología web.
Hoy es una realidad indudable, hasta el punto que muchos títulos suelen tener
solamente versión electrónica.
Sin embargo, Fachin alerta que la transición de la versión impresa a la
electrónica, todavía es objeto de atención de algunos autores, en cuanto a la necesidad
y/o condiciones de mantenerse determinados criterios de calidad y características
de estructura de las revistas científicas. Dichas preocupaciones se refieren especial-
mente a las normas y estándares ya existentes, como los contenidos de los artículos
y la evaluación a la que son sometidos, teniendo en cuenta la rapidez del proceso de
su edición.
Además del rol que juega la revista en los últimos cuatros siglos para que la
comunicación científica se realice con efectividad (añadiéndose, a partir del siglo
XIX, la “institución del juicio de expertos […] conjuntamente con todo el aparato
académico y científico”18), ya existen referencias en la literatura respecto al futuro
de las revistas impresas y electrónicas, considerando, de forma interrelacionada,
factores como:
- el reducido número de las que acaparan el mercado, por ejemplo, Elsevier
198 (Holanda), Springer (Alemania), Pergamon (Inglaterra), Academic Press y John Wiley
(Estados Unidos), entre otras, hecho que eleva los costes de las colecciones;
- las frecuentes especializaciones por las cuales viene pasando la Ciencia
determinan nuevas demandas y necesidades informativas;
- en consecuencia, surgen nuevas revistas destinadas a públicos más restringi-
dos, lo que conlleva la disminución de las tiradas y mayor coste para los usuarios
particulares y para las instituciones19.
Estos factores, asociados a la inestabilidad del mercado actual, están relacio-
nados con lo que se conoce como “crisis de las revistas”20. Esta situación viene

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determinando el surgimiento de nuevas soluciones, por ejemplo el de las bases de
datos referenciales, de resúmenes, de textos completos en formato electrónico on-
line y en CD-ROM. Son recursos que están disponibles en el mercado, actualmente
indispensables para el proceso de producción del conocimiento y de la comunicación
científica. Como consecuencia, esto viene siendo objeto de políticas específicas por
parte de las instituciones de investigación y de financiación. Este fenómeno está
dando origen a la búsqueda de otras alternativas por parte de los científicos e
instituciones, como demuestran: a) el artículo de Alison Buckholtz, indicado por
Marcondes y otros21, titulado Declaring independence: returning scientific publishing
to scientists22; b) la creación de la Public Library of Science23 (PLoS), de acceso y
uso gratuito, pero mantenida por los autores que deben pagar cerca de US$ 1.500
por artículo publicado24; c) y el modelo de acceso libre que, según Meneghini y
Packer25, “afecta la actual estructura del [...] mercado internacional de revistas
científicas”. Instituciones internacionalmente reconocidas como el National Institute
of Health (EUA) y el Welcome Trust (Inglaterra) no tienen interés en estos modelos.
Como consecuencia de este escenario, el propio flujo de la comunicación se encuentra
amenazado, porque está inmerso en voluminosas sumas demandadas por las bibli-
otecas y centros de documentación26.
La inmensidad del mundo de la comunicación científica, así mismo, se constituye
en un espacio plural, no solamente desde el punto de vista de las innovaciones, sino
del mantenimiento de determinadas concepciones e iniciativas, además de unas
revisiones o reafirmación de prácticas y convicciones.
En esta misma línea Marcondes y sus co-autores analizan el rol de la revista
académica tradicional frente a la revista electrónica, tras el advenimiento de Internet
y consecuentemente la posibilidad de “publicar directamente en la red”. Consideran
que la revista académica tradicional (la impresa) asegura las siguientes ventajas:
- diseminación directa para la comunidad científica
- presencia simultánea en diferentes bibliotecas, como registro (memoria) de 199
la producción científica y base para nuevas investigaciones control de calidad, como
consecuencia del trabajo de los editores y peer-review
- reconocimiento público de los autores
- establecimiento de prioridad en los hallazgos científicos.
En cuanto a la revista electrónica, dichos autores destacan las siguientes
ventajas:
- practicidad y rapidez para la publicación de trabajos
- gratuidad de ubicación en la red

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- ampliación de la visibilidad de la comunidad científica
- aceleración del avance de la ciencia
- amplia diseminación de los resultados
- atenuación de la dificultad de mantener colecciones impresas (por sus eleva-
dos costes)
- accesibilidad para investigadores, bibliotecas y centros de documentación en
cuanto a las publicaciones en sí y a los servicios de copias27.
Sobre el mismo tema, Martín González y Merlo Vega28 ofrecen una visión más
detallada, indicando como características los doce ítems siguientes:
- facilidad de acceso (consulta desde cualquier sitio, lectura simultanea)
- ventajas en el almacenamiento (no requiere espacio físico)
- actualización inmediata
- ampliación de la difusión (Internet es ilimitada y ofrece facilidad de búsqueda)
- abaratamiento de los costes (por la edición electrónica y por prescindir de
intermediarios)
- diversidad de formatos (leer, guardar, imprimir, usar recursos hipermedia,
hipertexto)
- posibilidades de la consulta (sencillez de la recuperación)
- independencia de los documentos (compra de artículos sueltos y también
diversos servicios en una misma revista)
- multiplicidad de recursos informativos (consultas de sumarios y retrospecti-
vas)
- servicios de difusión (servicios de alerta y de diseminación selectiva de la
información ofrecidos por los editores)
- simplificación de los procesos técnicos (excluye el control de los números
recibidos por ser automática la actualización)
- fomento a la cooperación (la dirección electrónica de los autores promueve
200 intercambio lector-autor).
Cabría señalar que para aprovechar de manera eficiente estas ventajas, tanto
los usuarios como las instituciones tienen que haber desarrollado unas habilidades,
recursos y prácticas apropiadas, que difieren mucho de las realizadas con las
publicaciones en formato papel. Por ejemplo, desde el punto de vista del usuario,
para que se cumplan satisfactoriamente aspectos como la facilidad de uso de las
diferentes posibilidades en la consulta, o la multiplicidad de recursos informativos,
es necesaria una alfabetización previa en gran parte de la comunidad científica,
puesto que todavía abundan los investigadores con dificultades para localizar la

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información que precisan. Las destrezas para manejar las fuentes tradicionales que
poseen la totalidad de investigadores, tienen que actualizarse y renovarse puesto
que de lo contrario se dificulta el proceso de comunicación de la ciencia.
Así, es posible deducir, a partir de la situación a la que están sometidas las
revistas científicas – un escenario internacional de alta competitividad entre las
editoriales –, que las soluciones encontradas tienen en cuenta cuestiones como la
calidad, el impacto, la accesibilidad, el modelo económico y el modelo tecnológico.
En medio de estas controversias y, muchas veces, complementariamente a lo
que tienen en común los dos tipos de publicación es que sea en versión impresa o
electrónica, se mantiene el consenso de que la revista es “la medida clásica de
aceptación de prestigio y de valor de una contribución para la ciencia en general”29.
Por otro lado, es importante evidenciar que el fenómeno de la “ciencia perdida” ya
mueve el primer mundo, puesto que comienza a haber un interés en los resultados
producidos por la ciencia del tercer mundo, cuyos contenidos son inaccesibles a
causa de no figurar en el Information Scientific Index30 (ISI), según afirman Meneghini
y Packer.31
Con el apartado anterior – ventajas y características de las revistas electrónicas
– no se está negando la trascendencia de la revista impresa, principalmente a causa
de su materia prima, que viene sobreviviendo desde hace siglos, y también a causa
de la “esperanza de vida” de los documentos electrónicos, todavía objeto de
incertidumbre.

Indicadores de Calidad: algunos aspectos teóricos


El carácter acumulativo de la ciencia ofrece los elementos (por ejemplo, com-
parativos) para que sea evaluada, del mismo modo que su carácter social impone
que lo sea. Con esto es posible entender la necesidad de disponer de técnicas de
medición de la ciencia, percibida por los propios científicos y gestores de políticas
involucradas en el desarrollo de la Ciencia y Tecnología. Por lo tanto, suelen ser 201
destacados:
- juicio de expertos (peer review);
- técnicas que emplean elementos métricos de base estadística;
- mezcla de las dos anteriores.
La tercera técnica indicada implica la obtención de resultados más amplios en
la evaluación, considerando que la primera (el juicio de expertos) tiene un carácter
cualitativo y, por lo tanto, más susceptible a subjetividades; y la segunda, cuantitativo,
es decir, muestra aspectos de una realidad pero no en su totalidad.

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Para este estudio, serán abordados los indicadores de calidad – definidos
como parámetros utilizados en la evaluación -, refiriéndose a la tercera técnica
indicada.
Entendidos como un medio de evaluación - pero no el único -, a los indicadores
se debe por esta razón comprenderlos en tres enfoques:
- funciones;
- parcialidad, evocando la no-neutralidad de la ciencia;
- limitaciones32.
Es seguro afirmar que los indicadores de evaluación de la C&T son útiles para
evidenciar, qué áreas están siendo más productivas, qué investigadores/grupos/
instituciones deben ser apoyados y/o potenciados, qué nuevos conocimientos y/o
soluciones son demandados por determinadas situaciones sociales, económicas o
culturales, etc. Así, sus productos se constituyen por perfiles de colectivos, tendencias
de áreas, indicación de demandas específicas (e.g., de capacitación de científicos,
infraestructura de investigación para tal área), siendo de gran utilidad tanto para la
definición de programas e inversiones, como para incrementar el intercambio entre
científicos.
Paralelamente a sus funciones, los indicadores, por una posible visión reducida
en su aplicación – especialmente en los estudios bibliométricos -, son capaces de
inducir “a los hábitos de los científicos, inclinándoles hacia determinadas revistas
con el consiguiente aumento de su visibilidad, pero en perjuicio directo de las revis-
tas nacionales.”33. Nos estamos refiriendo a las observaciones de Gómez y Bordons
respecto a la influencia ejercida por el Science Citation Index (SCI) y por el Social
Science Citation Index (SSCI), ambos producidos por el ISI, al adoptar “el número de
citas recibidas por una revista […] como un indicador del impacto o uso que la
comunidad científica hace de la revista”34.
En su revisión de literatura, Rosa Sancho35 también aborda el problema bajo
202 diversos aspectos, destacando entre ellos que:
- las citas demuestran actividad científica, pero no indican la naturaleza y utilidad
del trabajo
- es común que los científicos muestren “cierto pudor a citar trabajos publica-
dos en revistas de países no desarrollados”
- no es posible hacer distinción entre citas fundamentales y citas superfluas
(estas constituyen del 20 a 40%)
- hay diferencias en los hábitos de citar entre un área y otra
- es significativo el volumen de auto-citas (del 10 a 20%).

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Sería oportuno añadir como punto de reflexión y a la vez complementario a lo
anterior la cuestión de las “ideologías de citación”. Este tema fue tratado por Marivalde
M. Francelin y Adilson Luiz Pinto (2005), los cuales hacen referencia a la imposición
de citar a ciertas personalidades de la comunidad científica por distintas razones
que no sólo son las exclusivamente científicas.
Además, está la cuestión específica de las revistas nacionales, particularmente
de los países subdesarrollados y en desarrollo, en donde la aplicación de elementos
métricos, desde un punto de vista reducido, puede traer perjuicios irreparables al
avance de la C&T: aunque ellos tengan buena producción científica y tecnológica, sus
revistas no logran espacio en los medios más avanzados. A pesar del relevante rol
que tienen “para el desarrollo de la actividad científica de un país y faciliten la
comunicación entre sus investigadores”36, no les es posible vencer el círculo vicioso
impuesto por algunos centros más punteros en C&T.
En los países periféricos esta es una realidad percibida como común ante los
esfuerzos de superación que vienen siendo impartidos, a ejemplo de SciELO y de
LATINDEX, para desarrollar servicios, no sólo de acceso a recursos informativos,
sino de visibilidad internacional a la producción científica de las respectivas regiones.
Respecto al Science Citation Index y Social Science Citation Index, existen tres
factores apuntados por Gómez y Bordons37 que agravan lo que se acaba de afirmar,
puesto que se refieren a observaciones sobre la literatura producida en España:
- preferencia por publicaciones en lengua inglesa (“en 1994 el SCI sólo recogía
seis revistas españolas, tres de ellas escritas totalmente en lengua inglesa”);
- mayor representación de la investigación básica;
- mayor representación de temas de amplitud internacional en detrimento de
los de interés local.
Poniendo de manifiesto el aspecto de las limitaciones, Sancho38 observa que la
posible falta de una “base teórica para el desarrollo y análisis de indicadores” lleva
a poner en duda “la total validez y veracidad de los actuales indicadores”. 203
Esto es un tema cuyas soluciones están más allá del objetivo de este estudio,
puesto que comprende políticas y decisiones de ámbito gubernamental e institucional
aquí incluidas, teniendo en cuenta que su concretización no solamente depende de
los científicos, sino de un trabajo cooperativo involucrando científicos y
documentalistas, órganos de fomento a la investigación y sociedades científicas en-
tre otros.
Algunos datos facilitados por la Academia Brasileira de Ciências también
contribuyen a la comprensión de la situación:

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203 16/4/2008, 16:45
REGIÓN POR CENT
PORCENT AJE
CENTAJE

Estados Unidos de América 40%


Europa 40%
Asia 18%
América Latina 2%

C UADRO 2 – P RODUCCIÓN C IENTÍFICA M UNDIAL


F UENTE : A CADEMIA B RASILEIRA DE C IÊNCIAS 39, 1999.

Tratando de ofrecer un espectro más amplio, en primer lugar serán presentados


de manera resumida los indicadores bibliométricos que evalúan la C&T, como bien
muestra la revisión bibliográfica firmada por Rosa Sancho40. La alusión a los indica-
dores tienen aquí el propósito de conformar un telón de fondo para su mayor
comprensión, cuando son aplicados para la evaluación de las revistas científicas.
Hay que observar que pertenecen a dos vertientes o puntos de vista: inversiones y
resultados. De acuerdo a esto, serán:
- Opinión o juicio de eexperxper tos (peer review) – de carácter cualitativo,
hace referencia a los contenidos de los trabajos, considerando principalmente la
idea de investigación, metodología y aspectos formales;
- Cantidad y distribución de publicaciones – de carácter cuantitativo, en
relación al cómputo de publicaciones, principalmente revistas, por grupos/
instituciones/países y su modo de distribución (subscripciones, gratuidad, venta de
números aislados, intercambio); también pueden incluir patentes y trabajos de
reuniones científicas;
- Productividad de los autores – este indicador está basado en la premisa
de que “cuantos más trabajos tiene un autor, más facilidad parece tener para producir
otros”;
204 - Colaboración en las publicaciones – cooperación establecida entre
instituciones o grupos científicos;
- Conexiones entre trabajos y autores – “las referencias que un trabajo
hace a otro anterior, y el estudio de las citas que este recibe de aquél”, comprobando
el carácter acumulativo de la ciencia;
- Número y distribución de las referencias – cantidad (porcentaje) de
referencias que un trabajo hace a anteriores según el campo temático, fuentes,
antigüedad, reflejando aspectos característicos del interés científico de una deter-
minada comunidad;

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204 16/4/2008, 16:45
- Impacto de los trabajos – se refiere a la cantidad de citas que un deter-
minado trabajo recibe en la literatura especializada;
- Impacto de las rreevistas – “la relación entre citas recibidas en un determi-
nado año, por los trabajos publicados en una revista durante los dos años anterio-
res, y el total de artículos publicados en ella durante esos dos años anteriores”;
- Índice de inmedia te
tezz – rapidez con que se citan los artículos;
inmediate
- Influencia de las revistas – es un balance positivo o negativo dependiendo
de “si recibe más citas que referencias da”;
- Asociaciones temáticas – identificación de trabajos relacionados entre sí;
- Análisis de citas com unes – cantidad y análisis de artículos citados
comunes
simultáneamente por otros trabajos y la relación recíproca;
- Análisis de referencias comunes – aproximación temática entre dos
trabajos a partir de la identificación de referencias comunes;
- Análisis de palabras comunes – identificación del empleo de las mismas
palabras-clave en la indización.
En cuanto a las revistas científicas, suelen presentar algunos indicadores
comunes a los relativos a la C&T, una vez que ellos involucran, como se ha mencio-
nado anteriormente, tanto inversiones como productos; estos corresponden, entre
otros, a las propias revistas.
De cara a los elementos hasta aquí presentados, es posible percibir que la
evaluación de las revistas científicas se puede hacer, tanto por la calidad de su
contenido (idea, metodología, referentes teóricos, análisis y resultados), como por
su forma de presentación (estilo, normalización). Además, el propósito de la
evaluación es ofrecer elementos útiles al desarrollo de las actividades de distintos
grupos profesionales, involucrados con publicaciones científicas, por ejemplo:
- los científicos, que utilizan los conocimientos allí divulgados, en su condición
de usuarios, para conocer determinadas situaciones de la área (estado de la
cuestión), emitir juicio y/o tomar decisiones acerca de seleccionar títulos para publi- 205
car sus trabajos;
- los editor
editoreses
es, que pueden obtener, a partir de los resultados de las
evaluaciones, buenas indicaciones acerca de mejoras para ser introducidas en sus
publicaciones;
- los bibliotecarios y los documentalistas
documentalistas, para la toma de decisiones
respecto a la compra y/o cancelación de títulos;
- los ggestor
estor es de instituciones de apoyo al desarrollo de la C&T, en la toma
estores
de decisiones respecto a la distribución de recursos.41

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205 16/4/2008, 16:45
Conviene aclarar, no obstante, que en medio de los estudios que caracterizan
numéricamente las revistas científicas, existen indicios de que una tercera parte del
conocimiento relevante se encuentra en publicaciones altamente especializadas; otro
tercio en revistas afines, pero de menor impacto, y el restante, se encuentra
diseminado de manera dispersa en revistas de baja circulación entre los científicos.
Así es que la aplicación de indicadores métricos será de gran utilidad para
identificar, no solamente los conocimientos relevantes, sino también los científicos,
grupos o instituciones más productivos, además de publicaciones de gran credibilidad
y visibilidad, áreas en expansión y decadencia e investigaciones en colaboración. Sin
embargo, la literatura sobre estudios bibliométricos, cienciométricos, informétricos
y de consumo de información científica, advierte del riesgo de aplicarse un tipo de
indicador desprovisto de un análisis relacional, que permita una visión más amplia
del objeto, mejor comprensión del contexto, además de indicios de posibles equívo-
cos en el proceso evaluativo. Uno de los ejemplos clásicos respecto al tema es una
voluminosa cantidad de citas por motivo de rechazo a un determinado resultado de
investigación y no por mérito científico.
A partir de los elementos anteriores y en perspectiva de favorecer el
entendimiento respecto a la función y amplitud de los indicadores de calidad, aplica-
dos a estudios sobre las revistas científicas, a continuación se presentan los más
utilizados, los cuales, según su formulación son prácticamente auto-explicativos:
- Opinión o juicio de eexper
xper tos (peer review) – evaluación de contenido
xpertos
hecha por los pares
- Puntualidad según la periodicidad indicada – obediencia a los plazos
definidos entre la publicación de un número y de otro de la revista
- Cantidad de publicaciones (edad de la revista) – cómputo de revistas por
grupos/instituciones/países
- Númer
Númeroo de ar tículos que contiene cada númer númeroo – cantidad de artí-
206 culos por número
- Númer
Númeroo de citas por ar tículo y por rreevista – cantidad de citas presen-
artículo
tes en cada artículo y en cada número
- FFactor
actor de impacto de la rreevista – promedio de citaciones que los artícu-
los publicados durante los dos años anteriores se citan en el año actual.
- Vida media de las publicaciones – el número de años que recoge el
50% de las citas que hace una revista42.

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206 16/4/2008, 16:45
Sin embargo, la medición más completa de una revista, es decir, considerando
contenido científico y forma editorial, se debe hacer mezclando la opinión de expertos
con las técnicas métricas.
Los estudios de colecciones implementados en las bibliotecas especializadas y
universitarias, por tener unos objetivos distintos de la evaluación de revistas, disponen
también de criterios distintos. Véase sobre el tema, por ejemplo, el artículo de Valss
Pasola, La evaluación de revistas de una biblioteca universitaria de cara a la
cancelación de títulos43.
La adopción de criterios e indicadores con fines de admisión de revistas cien-
tíficas por servicios de indización es la materia del apartado que sigue.

E VAL
ALUU A CIÓN D E REVIST AS CIENTÍFICAS EN IBER O AMÉRICA : AL
REVISTAS GUN AS INICIA
ALGUN TIV
INICIATIV AS
TIVAS
OFICIALES

En el ámbito de la producción y la comunicación científica en general, a partir


de 1960, la cuestión de la evaluación de revistas despierta el interés de los gestores
de políticas científicas, teniendo en cuenta no sólo determinar su calidad como una
variable de medición de la ciencia. Dicha evaluación, además da soporte a los pro-
gramas de investigación, indica las necesidades de mejorarlas, y ofrece criterios
para elegirlas como vehículo de difusión de nuevos conocimientos, ante la multiplicidad
o escasez de títulos y tiradas según el área. Así mismo, la ampliación de las funcio-
nes de la evaluación de revistas científicas posee los medios para la toma de
decisiones, tanto para los científicos (al elegirlas para difundir sus trabajos, es decir,
para reflejar los resultados de sus investigaciones), como para los editores (al defi-
nir sus características editoriales según las peculiaridades de la área), los organis-
mos gestores de políticas y recursos para la investigación (al decidir dónde aplicar
inversiones como apoyo o incentivo), las bibliotecas y centros e documentación (al
seleccionar títulos para incorporar o no a su colección). 207
Según Giménez, Román y Sánchez44 son pocos los estudios acerca de evaluación
de revistas científicas en el continente europeo. En cuanto a América del Norte,
merecen ser mencionados dos modelos:
- aquel desarrollado por el Consejo Nacional de Investigación Científica de Ca-
nadá, basado en el contenido (a juicio de los especialistas), de la aceptación por
parte de la comunidad de científicos (a partir del análisis de citas) y en la calidad de
edición (aunque excluya sometimiento a normas internacionales);

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207 16/4/2008, 16:45
- el modelo desarrollado por el ISI, organismo de liderazgo internacional que
tiene como características la cobertura geográfica mundial y temática, abarcando
todas las áreas del conocimiento, a través de las siguientes funciones: normalización
(incluyendo aspectos formales y evaluación por pares); análisis de citas (para revis-
tas incluidas, considerando: índice de citación, factor de impacto, índice de inmediatez
e internacionalidad; para revistas a incluir, considerando impacto de las publicaciones
de los autores y de los miembros del consejo de redacción); selección de las
publicaciones (equilibrio de la cobertura temática en la base de datos).
En el contexto iberoamericano en particular frente a los países más
desarrollados, la condición de región en proceso de desarrollo ubica a Latinoamérica
en posición de desventaja en cuanto al avance científico y tecnológico. Por otro lado,
desde el punto de vista geo-económico, la posición estratégica ocupada por algunos
de ellos, como es el caso de Brasil, Argentina y México – no sólo en C&T, sino
también en Documentación45 –, suele ser reconocida y consubstanciada en iniciati-
vas oficiales, dirigidas prioritariamente hacia el acceso a la producción científica
mundial, visibilidad de la producción científica regional y desarrollo en C&T como
medio de superación de la dependencia económica y la problemática social. En este
universo y en paralelo a la presencia de Portugal (que no dispone de ningún trabajo
de relieve en el sector), España es la que tiene el protagonismo respecto al tema
gracias a las investigaciones desarrolladas por el Centro de Información y
Documentación Científica (CINDOC)/Consejo Superior de Investigaciones Científicas
(CSIC).
A continuación, se presentan las actuaciones específicas de los siete países
objeto de este estudio, los cuales, para que no se les atribuya ningún criterio de
prioridad, figurarán en orden alfabético, es decir: Argentina, Brasil, Colombia, España,
México, Portugal y Venezuela.

208 Argentina
El Centro Argentino de Información Científica y Tecnológica46 (CAICYT),
perteneciente al Consejo de Investigaciones Científicas y Tecnológicas (CONICET) del
gobierno, fue creado en 1976, a partir de la estructura del Centro de Documentación
Científica. Éste fue fundado en 1964, bajo la iniciativa de premio Nóbel de 1947,
Bernardo Houssay. Su finalidad es “promover y realizar investigación y desarrollo en
el área [...], mediante estudios sobre métodos y técnicas aplicables al proceso de
transferencia de información”47.

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208 16/4/2008, 16:45
En este ámbito, uno de los servicios ofrecidos es el desarrollo de indicadores
bibliométricos, como base para los estudios de impacto y productividad de investiga-
dores del CONICET.
Si estas informaciones institucionales suponen una labor hacia las revistas ci-
entíficas, por otro lado, en cuanto a las revistas electrónicas hay que considerar el
escenario según el enfoque de Carlos Ezeiza48:
Desde las exploraciones preliminares en las que se iba revelando aquello
que luego se constituiría como corpus documental de la bibliografía de
consulta [...], nos llamó la atención dos hechos particulares: por un lado la
falta de presencia de la Argentina en las iniciativas regionales del modelo
SciELO, y por otro, la escasa bibliografía local detectada en referencia al
tema.

Teniendo en cuenta la fecha de la referida tesis (2004) y la preocupación de su


autor, es necesario actualizar la información según lo que el CAICYT ha divulgado en
su página web: la realización del II Taller de Capacitación de Metodología SciELO en
noviembre de 2004, al tiempo que anunciaba el III Taller para el año de 200549.
Específicamente sobre las revistas científicas, el CAICYT ofrece enlaces para
dos tipos de documentos: 1) encuesta para la evaluación de la calidad de revistas
técnico-científicas argentinas; 2) encuesta para el sistema de arbitraje. El primero,
aunque basado en los 33 indicadores de LATINDEX, está desarrollado en 81 ítems,
hecho que revela un abordaje pormenorizado tanto para revistas impresas como
electrónicas, capaz de evidenciar con claridad las características formales y de
contenido de una revista. El segundo enlace, a su vez, está destinado a los editores
y tiene en perspectiva la “generación de una Guía de Buenos Usos” para las revistas
científicas del país.

Brasil
Al relatar la aplicación de un modelo de evaluación de las revistas científicas 209
españolas de Economía, Giménez y otras50 aluden que “quizás sea Brasil el país
más productivo en cuanto a estudios de evaluación de revistas [...]”, pues en 1983
empieza el Programa Setorial de Publicações em Ciência e Tecnología, resultante de
la colaboración entre dos agencias nacionales de fomento a la investigación: el Con-
selho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) y la Financiadora
de Estudos e Projetos (FINEP). A esta última le incumbía la adquisición de las revis-
tas que apoyarían el desarrollo de la investigación en las universidades públicas
brasileñas y algunos centros de investigación, tarea que a partir de 1994 pasa a

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209 16/4/2008, 16:45
manos de la Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Su-
perior (CAPES). Esta institución, adscrita al Ministerio de Educación, crea y adminis-
tra desde el 2000 el Portal de Periódicos, al cual están conectadas 130 instituciones
académicas públicas y privadas del país. Este servicio posibilita el libre acceso a más
de 8.200 títulos de revistas a texto completo, además de 80 bases de datos
referenciales, todo con un coste anual superior a 20 millones de dólares51 y total-
mente financiado por el Gobierno.
Haciendo una retrospectiva, Krzyzanowski y Ferreira aluden a una evaluación
de revistas médicas venezolanas en 1964, a partir del modelo diseñado por el
Grupo de Trabajo para la Selección de Revistas Técnicas Latinoamericanas de la
UNESCO. Posteriormente, en 1982, Gilda M. Braga y A. Oberhofer proponen cambios
al modelo original y finalmente, en 1991, la propia Rosaly Fávero Krzyzanowski y
colaboradora52 publican “un estudio de reevaluación de publicaciones científicas
brasileñas con el objetivo de perfilar y actualizar el núcleo básico de revistas cientí-
ficas en circulación en las diferentes áreas del conocimiento humano, definido en
1988” [...] para “el Programa de Apoyo Financiero de FAPESP [Fundação de Am-
paro à Pesquisa do Estado de São Paulo] a revistas científicas”. Este proceso fue
desarrollado a partir de “la opinión de los pares, que daban las pautas para definir
un núcleo de revistas al que irían destinadas las ayudas económicas de FAPESP”53.
Según Giménez, Román y Sánchez54, en 1994, es divulgado en la obra de
Valerio55 un conjunto de criterios destinados a la evaluación de revistas científicas,
tratando de atender las necesidades del citado Programa Setorial de 1983.
En 1995, según Krzyzanowski y Ferreira y en atención a la solicitud de la
Organización Panamericana de la Salud, el Centro Latinoamericano de Informação
em Ciências da Saúde (BIREME) desarrolla, a partir de la clasificación adoptada por
la U.S. National Library of Medicine56 (MEDLINE) y por la base Literatura
Latinoamericana e do Caribe em Ciências da Saúde57 (LILACS), un modelo para
210 evaluar la inclusión de nuevos títulos y reevaluar títulos ya pertenecientes a esta
última base de datos citada.
La actuación de la FAPESP tuvo trascendencia también en la reevaluación de la
lista de revistas científicas brasileñas mantenidas por CNPq/FINEP en 1995-96, y
de la colección básica de revistas científicas corrientes (basada en la evaluación
hecha por ella en 1991), teniendo en cuenta formar un único núcleo básico de
títulos brasileños en circulación.
En un sentido evolutivo, la FAPESP logra un gran éxito y protagonismo con la
creación de SciELO en 1997, cuyas principales motivaciones para implementarlo
fueron: el interés por parte de los científicos del mundo desarrollado en relación a la

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210 16/4/2008, 16:45
ciencia de los países en vías de desarrollo (no encontrada en el ISI) y el alto nivel de
desarrollo de la ciencia brasileña, en contraste al bajo nivel de calidad de sus revis-
tas científicas.58
En cuanto a su funcionamiento y finalidades, el sistema o modelo SciELO59
nació como un proyecto experimental, comprendiendo diez revistas brasileñas de
distintas áreas del conocimiento. Por el éxito logrado entre marzo de 1997, fecha
de su lance, hasta mayo de 1998, con el “desarrollo y evaluación de una metodología
adecuada para la publicación electrónica en Internet”, pasa a operar con regularidad,
añadiendo nuevos títulos y expandiéndose a otros países, como Chile y Cuba.
Actualmente, algunos países más se encuentran evaluando o están recibiendo
entrenamiento en su metodología. Desde diciembre de 1999, todos los de la región
se beneficiaron también de SciELO Salud Pública60, “una biblioteca temática regio-
nal que cubre el área de Salud Pública con revistas científicas de América Latina y
España”.
Dicho modelo resulta de la cooperación entre FAPESP y BIREME, además de
otros organismos nacionales e internacionales asociados con la comunicación cien-
tífica. Su éxito fue coronado con el apoyo del CNPq61 a partir de 2002.
SciELO se constituye según su naturaleza, en “un modelo para la publicación
electrónica cooperativa de revistas científicas en Internet”. Sin embargo, su especial
foco de interés son los países en desarrollo de América Latina y del Caribe, ante las
dificultades que tienen en la distribución y diseminación de su producción. Así, su
estructura ofrece solución para “asegurar la visibilidad y el acceso universal a su
literatura científica”, disponiendo también de procedimientos que permiten, como el
sistema ISI, medir el uso y el impacto de las revistas.

Colombia
Dos fenómenos han sido indicados por Yuri Jack Gómez62 como responsables
del descuido respecto a la producción científica regional y local, ocurrido en los 211
países llamados periféricos: a) en el afán de internacionalización de la innovación
científica, hubo una transferencia sistemática de la producción para las revistas
internacionales; b) la promoción académica obtenida por medio de la productividad
generó el surgimiento incontrolado de revistas locales, sin la preocupación de su
calidad.
Sin embargo, las críticas sobre las mediciones bibliométricas basadas en el ISI
y la necesidad de disponer de indicadores de C&T según las características de los
países periféricos, probablemente son los factores determinantes para el surgimiento

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211 16/4/2008, 16:45
de iniciativas locales en Latinoamérica. Frente a ello, el mismo autor pone de
manifiesto las iniciativas desarrolladas en Brasil ya abordadas, y México y Venezuela,
como se podrá ver a continuación.
En los años 90, por primera vez se realiza “un proceso de evaluación a escala
nacional”63, con el objetivo de definir las características básicas, la forma y la función
de la revista científica, distinguiendo a partir de este momento la evaluación de la
producción científica y la evaluación del producto editorial, es decir, teniendo en
consideración el contenido y la forma.
El organismo responsable de esa tarea entre otras, es el Instituto Colombiano
para Desarrollo de la Ciencia y Tecnología (COLCIENCIAS), el cual cubre los once
Programas Nacionales de Ciencia y Tecnología (SNCT) considerando cuatro indica-
dores: a) calidad editorial; b) normalización; c) visibilidad nacional; d) proyección
internacional.
COLCIENCIAS, creado en 1968, actualmente pertenece al Departamento Naci-
onal de Planificación. Las alteraciones que ha sufrido a lo largo del tiempo tuvieron
el propósito de modernizarlo y ampliar sus funciones, incorporando “la investigación
a la planificación del desarrollo del país en general”64.
Dentro de los servicios ofrecidos, el que está directamente volcado al tema de
nuestro interés es el Sistema Nacional de Indexación de Revistas Científicas, encargado
de la selección y clasificación de las publicaciones colombianas, “bajo criterios de
calidad científica y editorial, y según perfiles de estabilidad y visibilidad reconocidos
internacionalmente”.
Dicho Sistema ofrece como productos la base bibliográfica que almacena
informaciones de las revistas y sus respectivos contenidos, además del Índice Bibli-
ográfico Nacional conocido como PUBLINDEX, resultado final del proceso de
clasificación de las revistas.

212 España
El Consejo Superior de Investigaciones Científicas, adscrito al Ministerio de Ciencia
y Tecnología, es el organismo de fomento a la investigación científica y tecnológica
de España. En su estructura organizativa figura el Centro de Información y
Documentación Científica, “cuya principal línea de actuación es analizar, recopilar,
difundir y potenciar la información científica en todas las áreas del conocimiento”65.
Así, entre otros quehaceres, el CINDOC tiene a su cargo la evaluación de revistas
científicas, tarea que viene siendo desarrollada desde 1970.

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212 16/4/2008, 16:45
En este esfuerzo, sus investigadores realizan estudios y metodologías que, al
tiempo de indicar e inducir hacia la calidad de las revistas científicas, buscan una
mayor visibilidad a la producción científica española en el escenario internacional.
Un ejemplo que ilustra dicho esfuerzo está plasmado en los tres artículos de Adelaida
Román Román, Manuela Vázquez Valero y Carmen Urdín Camino, publicados en la
Revista Española de Documentación Científica en 2002 (v. 25, n. 3) y en 2003 (v.
26, n. 1 y v. 26, n. 4), según indicación en la bibliografía final de este trabajo.
Consciente del protagonismo del ISI y de la literatura en lengua inglesa en los
ámbitos científicos del primer mundo, pero teniendo en cuenta la dimensión del
mundo hispanohablante y la ciencia producida en Iberoamérica, el CINDOC actúa
también de forma cooperativa en dicha región. Merece relieve su participación en
LATINDEX, representando a España como miembro asociado, y sus relaciones con
Brasil a través de la adopción de la metodología desarrollada por el Sistema SciELO.

México
La literatura es prácticamente unánime cuando alude al Primer Taller sobre
Publicaciones Científicas en América Latina realizado en Guadalajara (Jalisco, Méxi-
co) en 1994, como responsable del fortalecimiento y de la visibilidad que Iberoamérica
pasa a disfrutar en tema de evaluación, calidad y condiciones de acceso a revistas
científicas, pues allí fueron dados a conocer los trabajos en proceso y fue concebido
LATINDEX. Esto ocurre reflejando el convencimiento de los presentes al referido
Taller, según Román, Vázquez y Urdín66, respecto a la existencia de contenidos
dignos de divulgación los cuales, por su origen – región subdesarrollada – sufren el
fenómeno de la ciencia perdida. Además, tenían también conciencia de la falta de un
sistema de información propio para las revistas científicas producidas en América
Latina y el Caribe. De este modo, el sistema o modelo, aunque tema de antiguas
preocupaciones, tiene su origen en 1994 y el primer proyecto fue elaborado en
1995, bajo el título de Índice Latinoamericano de Publicaciones Científicas Seriadas. 213
Así, en cuanto a su funcionamiento y finalidades, se constituyó como “producto
de la cooperación de una red de instituciones que funcionan de manera coordinada
para reunir y diseminar información bibliográfica sobre las publicaciones científicas
seriadas producidas en la región”. Tiene como misión la difusión, la accesibilidad y
la mejora de la calidad de las publicaciones científicas allí producidas a través de
recursos compartidos. Actualmente, su organización, ubicada en el seno de la
Universidad Autónoma de México (UNAM), cuenta con 16 países asociados, además

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213 16/4/2008, 16:45
de las funciones internas relacionadas con bases de datos, actividades editoriales,
análisis de información y normalización, entre otras.
A partir de dicha finalidad, se ha desdoblado el objetivo de establecer políticas
y acciones dedicadas a:
- integrar los esfuerzos que se realizan en las diferentes regiones y países
participantes en materia de producción, difusión, sistematización y uso de información
científica;
- reforzar y elevar la calidad y el impacto de las publicaciones científicas
iberoamericanas y del Caribe;
- dar a éstas una mayor visibilidad y cobertura a nivel internacional;
- utilizar la información procesada como base para la elaboración de subproductos;
- influir en los ámbitos nacional e internacional en materia de información,
documentación y publicación científica.

Por tug al
tugal
Teniendo en cuenta que la literatura consultada no alude a iniciativas oficiales
de evaluación de revistas científicas – hecho que lleva a suponer que las distintas
instituciones académicas y de investigación se nutren de servicios extranjeros – se
realizaron contactos con la Biblioteca Nacional67 que, a su vez, facilitó las direcciones
de presuntas entidades relacionadas con el tema: Fundação para a Ciência e a
Tecnología/Fundo de Apoio à Comunidade Científica68 y Observatório da Ciência e do
Ensino Superior69(OCES), los dos adscritos al Ministerio de la Ciencia y Enseñanza
Superior del gobierno portugués.
Efectivamente, en la página web del OCES un enlace permite el acceso a SciELO
Portugal, donde se encuentran las directrices para la evaluación de las revistas
científicas. Se trata, pues, de una plataforma electrónica compuesta por revistas
científicas portuguesas seleccionadas según los criterios de calidad definidos por la
214 metodología SciELO. Está disponible de modo gratuito a toda la comunidad científica
y el público en general.

Vene zuela
enezuela
En la estructura del Ministerio de Ciencia y Tecnología se encuentra el Fondo
Nacional de Ciencia, Tecnología e Innovación70 (FONACIT), cuya finalidad es apoyar
financieramente y administrar los recursos relacionados con la ejecución de los
programas y proyectos definidos por el Ministerio y su Sistema Nacional de Ciencia
y Tecnología.

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214 16/4/2008, 16:45
Frente a esto, el FONACIT dispone de dos instrumentos claves para clasificar e
indizar las revistas científicas venezolanas de mayor calidad formal (normalización)
y de contenido científico (mérito de contenido), respectivamente: a) el Registro de
Publicaciones Científicas y Tecnológicas; b) el Núcleo Básico de Revistas.
En cuanto al método, la acreditación de las revistas es desarrollada mediante
la participación de investigadores, editores e instituciones, y busca consolidar el
prestigio nacional, regional e internacional de dichas publicaciones.
Por lo tanto, estar incluido en el Registro de Publicaciones Científicas y
Tecnológicas conlleva evaluar los aspectos de normalización bajo normas de carácter
nacional (Normas COVENIN 167:1996) y la Norma ISO 8:1977, en los siguientes
puntos: comité editorial que asegure el arbitraje de los artículos; depósito legal e
ISSN; tabla de contenido; instrucciones para los autores y árbitros; resumen en
español y en inglés; periodicidad y distribución regulares; mínimo de dos años de
circulación regular; y por último estar indizada.
Así, en cuanto al Núcleo Básico de Revistas, la evaluación del mérito se refiere
a las publicaciones de alto grado de calidad editorial y contenido científico,
seleccionadas a partir del Registro.

C ONSIDERACIONES FINALES

Como se ha destacado a lo largo de este estudio, los resultados de las


investigaciones científicas son difundidos y validados principalmente a través de las
revistas científicas; sin embargo, las regiones en desarrollo tienen barreras en este
proceso, hecho que contribuye al fenómeno de la “ciencia perdida”, común en los
países iberoamericanos de Latinoamérica y Caribe.
Diversos autores han propuesto indicadores para evaluar la calidad de esta
categoría de publicación. Los proyectos nacionales o internacionales para indizarlas
establecen unos criterios para determinar los títulos que van a contener. Estos criterios 215
pretenden seleccionar aquellos de mayor calidad, por lo tanto son un elemento clave
para determinarla.
Así, se estima que este estudio puede contribuir a poner de manifiesto los
criterios e indicadores que mejor representan la calidad de las revistas científicas, a
partir del análisis de los modelos desarrollados por los dos proyectos de indización
más relevantes de la región en el ámbito de la comunicación científica: SciELO y
LATINDEX.

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215 16/4/2008, 16:45
Dichos proyectos disfrutan de gran prestigio en los ambientes académico-cien-
tíficos de sus respectivos países, es decir, SciELO en Brasil y LATINDEX en México.
Este hecho garantiza el status de sistemas referencia en cuanto a revistas científicas
en Iberoamérica.
Está prácticamente consensuado en las instituciones académicas, de investigación
y editoras de revistas que, en todo el proceso de publicación hay indicadores estándar
que se convierten en factor de calidad, y que es indispensable que sean conocidos y
respetados. Los sistemas de indización verifican que se cumplan estos indicadores
como condición imprescindible para incluirlas en sus índices. De otra parte los edi-
tores tienen interés en que se incluya su publicación en los índices, y no dudan en
hacer los esfuerzos necesarios para aplicar los criterios de calidad que les exijan
hasta conseguirlo.

NOTAS
1
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 1999, vii.
2
JORNAL DA CIÊNCIA JC Email, São Paulo, SBPC, n. 2493, 29 mar. 2004. Comentario sobre la
editorial de la Folha de S. Paulo.
3
Base da datos desarrollada por CAPES, a partir de 1998, resultante del proceso de clasificación
de las revistas utilizadas por los Programas de Postgrado para la divulgación de la producción
intelectual de sus docentes y alumnos. Tal proceso fue concebido por CAPES para atender las
necesidades específicas del sistema de evaluación y está basado en las informaciones facilitadas
por los Programas. Aclara la CAPES que dicha clasificación se dedica exclusivamente al proceso de
evaluación del área y no para definir la calidad de una determinada revista. (http://
qualis.capes.gov.br/).
4
KREIMER, Pablo. El papel de las revistas científicas en la delimitación de un campo. En: CETTO,
216 A. M.: ALONSO, O. (comp.). Revistas científicas en América Latina. México: ICSU, 1999, p. 393.
5
BIBLIOTECA DE CONSULTA ENCARTA 2003.
6
SANTAELLA, Lucia. Comunicação e pesquisa: projetos para mestrado e doutorado. São Paulo:
Hacker, 2001, p. 102.
7
DEMO, P. apud SANTAELLA, op.cit, p.103.
8
KREIMER, 1999, op. cit., p. 392.

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216 16/4/2008, 16:45
9
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En: DOCUMENTATION et information. 3ème. éd. Genève, 1988. p. 561-564. (Recueil de Normes
ISO; 1).
10
ASOCIACIÓN ESPAÑOLA DE NORMALIZACIÓN Y CERTIFICACIÓN. Norma española:
documentación: número normalizado de publicaciones en serie (ISSN): UNE 50-107-89. En:
___. Documentación. 3. ed. Madrid, 1999. P. 127-131. Equivalente a ISO 3297-1986.
11
STUMPF, I.R.C. Periódicos científicos. Porto Alegre: ABEBD, 1998, p. 1 (Documentos ABEBD, 8).

FACHIN, G.R.R. Modelo de avaliação para periódicos científicos. 2002 210 f. Dissertação (Mestrado
12

em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.


13
www.abnt.org.br
14
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6021: informação e documentação –
publicação periódica científica impressa – apresentação. Rio de Janeiro, 2003. 9 p
15
STUMPF, 1998, p. 2, FACHIN, 2002, p. 12-15
16
STUMPF, op. cit., p. 3-4.
17
FACHIN, 2002, p. 95.
18
MARCONDES et al. Estado da arte dos periódicos acadêmicos eletrônicos brasileiros. Belo
Horizonte : ANCIB, 2003. Ponencia al V Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação,
Belo Horizonte, 2003.
19
Id., ibid.
20
MUELLER, 1994 apud MARCONDES et al., 2003.
21
Id., ibid.
217
The Journal of Electronic Publishing, v. 7, n.1, August 2001. Disponible en: http://
22

www.press.umich.edu/jep/07-01/buckholtz.html.
23
www.plos.org
24
JORNAL DA CIÊNCIA (JC E-mail), São Paulo, SBPC, n. 2493, 2004. Comentario sobre editorial ...

MENEGHINI; PACKER. Acesso livre a revistas de ciência e tecnología. Jornal da Ciência (JC E-
25

mail), São Paulo, SBPC, n. 2557, 2004.


26
MARCONDES et al., 2003.
27
MARCONDES et al. 2003.

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217 16/4/2008, 16:45
28
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de información y medios de acceso. Anales de Documentación, Murcia, Universidad de Murcia, n. 6,
p. 157-159, 2003
29
MARCONDES et al., 2003.
30
www.isinet.com
31
MENEGHINI; PACKER, 2004.
32
GÓMEZ CARIDAD, I.; BORDONS GANGAS, M. Limitaciones en el uso de los indicadores bibliométricos
para la evaluación científica. Política Científica, Madrid, Secretaría de Estado de Universidades e
Investigación, n. 46, 1996.
33
GÓMEZ; BORDONS, op. cit., p. 23.
34
GÓMEZ; BORDONS, id., ibid..
35
SANCHO, R. Indicadores bibliométricos utilizados en la evaluación de la ciencia y la tecnología:
revisión bibliográfica. Revista Española de Documentación Científica, Madrid, CINDOC, v. 13, n. 3-
4, 1990, p. 859.
36
GÓMEZ; BORDONS, 1996, p. 23.
37
GÓMEZ; BORDONS, id., ibid.
38
SANCHO, 1990, p. 858.
39
Datos presentados por Eduardo Krieger, Presidente de la Academia Brasileira de Ciências, en
clase magna impartida en la Universidade Federal da Bahia, en marzo de 1999.
40
SANCHO, op. cit., p. 847-858.
41
GIMÉNEZ TOLEDO, E.; ROMÁN ROMÁN, A.; SÁNCHEZ NISTAL, J. M. Aplicación de un modelo de
218 evaluación de las revistas científicas españolas de economía: una aproximación metodológica.
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modelos y su aplicación a cinco revistas españolas de biblioteconomía y documentación. Interciencia,
Caracas, Asociación Interciencia, v. 25, n. 5, 2000, p. 234.
42
UNIVERSIDAD NACIONAL DE EDUCACIÓN A DISTANCIA. Usos de JRC. Madrid, [200?]. Disponible
en: <http://biblioteca.uned.es/lenya/bibliuned/live/docpdf/jcr.pdf>. Acceso en: 6 jun. 2005.

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218 16/4/2008, 16:45
43
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de títulos. Revista Española de Documentación Científica, Madrid, CINDOC, v.16, n. 2, 1993, p.
147-156.
44
GIMÉNEZ, ROMÁN; SÁNCHEZ ,1999, p. 312.
45
Son los países latinoamericanos que presentan el mayor número de asociaciones de
documentalistas.
46
www.caicyt-conicet.gov.ar
47
www.caicyt.gov.ar
48
EZEIZA POHL, Carlos E. Lineamientos para la publicación electrónica en Argentina. Buenos
Aires: Centro de Estudios sobre Ciencia, Desarrollo y Educación Superior, 2003. (Documento de
Trabajo, 12) Tesis de maestría. Disponible en: www.centroredes.org.ar. Acceso en: 15 dic. 2004. p
117.
49
www.caicyt.gov.ar/index.php?res=1024
50
GIMÉNEZ; ROMÁN; SÁNCHEZ, 1999, p. 310.
51
http://www.periodicos.capes.gov.br/, 2004.
52
KRZYZANOWSKI, R. F.; FERREIRA, M.C.G. Evaluación de revistas científicas y técnicas brasileñas.
En: CETTO, A. M.; ALONSO, O. (comp.). Revistas científicas en América Latina. México: ICSU, 1999.
p. 409.
53
GIMÉNEZ; ROMÁN; SÁNCHEZ, 1999, p. 310.
54
GIMÉNZ; ROMÁN; SÁNCHEZ, op. cit.
55
VALERIO, P. Moriconi. Espelho da ciência: avaliação do Programa Setorial de Publicações em
Ciência e Tecnología da FINEP. Rio de Janeiro: FINEP; IBICT, 1994.
219
56
http://www.nlm.nih.gov
57
Administrada por la BIREME (www.bireme.br)
58
MENEGHINI; PACKER, 2004.
59
www.scielo.org/model_es.htm
60
http://www.scielosp.org
61
www.cnpq.br

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63
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64
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en: <http://www.colciencias.gov.co>. Acceso en: 9 ene. 2006.
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Centro de Información y Documentación Científica. Madrid, 2004. Disponible en: <http://
www.cindoc.csic.es/info/infobjetivos.html,>. Acceso en: 13 mayo 2005.
66
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<nidialubisco@yahoo.com.br> en el 17 nov. 2004.
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www.oces.mcies.pt
70
VENEZUELA. Ministerio de Ciencia y Tecnología. Fondo Nacional de Ciencia, Tecnología e
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R EFERÊNCIAS

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mentação – publicação periódica científica impressa – apresentação. Rio de Janei-
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COLOMBIA. Departamento Nacional de Planificación. COLCIENCIAS. Bogotá, 2005.
Disponible en: <http://www.colciencias.gov.br>. Acceso en: 9 ene. 2006.

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Los criterios de calidad editorial LATINDEX en el marco de la evaluación de las revis-
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VALERIO, P. Moriconi. Espelho da ciência: avaliação do Programa Setorial de Publica-
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rial LATINDEX. Revista Española de Documentación Científica, Madrid, CINDOC, v. 26,
n. 4, 2003, p. 418-433.

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224 16/4/2008, 16:45
Autores

A DILSON L UIZ P INTO


Doutorando em Comunicação
Universidad Carlos III de Madrid
100059034@alumnos.uc3m.es

A IDA V ARELA V ARELA


Professora do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia
Especialista em Modificabilidade Cognitiva Estrutural (TMCE)
Doutora em Ciência da Informação pela UFBA
varela@hotmail.com

A NGELA M ARIA B ARRETO


Professora do Instituto de Ciência da Informação e Chefe do Departamento
de Documentação da Universidade Federal da Bahia
Mestra em Ciência da Informação pela PUC-Campinas
Doutora em Ciências da Comunicação pela USP/ECA 225
ambar@ufba.br

A NA G RAMACHO
Graduada em Letras pela Universidade Católica do Salvador - UCSAL
Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela FEBA (Faculdade de
Educação da Bahia)
Especialista em TMCE pelo ATC/BA
agramacho @flem.org.br

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225 16/4/2008, 16:45
A NNA F RIEDERICKA S CHWARZELMÜLLER
Professor Adjunto do Departamento de Ciência da Comunicação da UFBA
Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia
frieda@ufba.br

B EA TRIZ -A INHIZE R ODRÍGUEZ B AR Q UÍN


EATRIZ
Doctoranda en Documentación
Universidad Carlos III de Madrid
Consultora em Documentação /ACCENTURE
beatriz.rodriguez@uc3m.es

F LÁVIA G ARCIA R OSA


Professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia
Mestra em Ciência da Informação pela UFBA
Diretora da Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA)
flaviagr@ufba.br

I GOR G UIMARÃES
Graduado em Letras pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL
Assistente Técnico da Gerência de Pesquisa do Programa de Enriquecimento
igor.guimaraes@hotmail.com

I VAN
ANAA A. L INS G ESTEIRA
Bibliotecária da Universidade Federal da Bahia
Especialista em Leitura
Mestranda do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Ciência
226 da Informação da UFBA
ivanalins@terra.com.br

J OSÉ A NTONIO M OREIRO G ONZÁLEZ


Catedrático del Departamento de Biblioteconomia y Documentación
Universidad Carlos III de Madrid
joseantonio.moreiro@uc3m.es

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226 16/4/2008, 16:45
K ÁTIA DE C AR
ARVV ALHO
Professora do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia
Doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
Diretora do Centro de Estudos Baianos da UFBA
katia-carvalho@uol.com.br

L EILA B ÁRBARA M ENEZES S OUZA


Bibliotecária Braskem/PA Arquivos – Área de Padrões e Memória Organizacional
Coordenadora da Equipe PA Arquivos
Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia
leilabmsouza@yahoo.com.br

M ARIA DAS G RAÇAS A LMEIDA T EIXEIRA


Professora do Instituto de Ciência da Informação da Universidade
Federal da Bahia
Mestra em Biblioteconomia pela Louisiana State University
galteixeira@uol.com.br

MARIA T EREZA N AVARR


ARROO DE B RITT
RITTOO M ATOS
Professor Adjunto do Instituto de Ciência da Informação da Universidade
Federal da Bahia
Diretora do Arquivo Público da Bahia
mariatmatos@terra.com.br

M IGUEL Á NGEL P RADERA T ROBAJO


Doctorando en Documentación
Universidad Carlos III de Madrid 227
Consultor em Bibliotecas Escolares
mpradera@mat.ucm.es

N ANCI O DDONE
Professora do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Ciência da
Informação da UFBA
Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
neoddone@ufba.br

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227 16/4/2008, 16:45
N ÍDIA M ARIA L IENERT L UBISCO
Professora do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia
Doctoranda en Documentación
Universidad Carlos III de Madrid
nidialubisco@yahoo.com.br

S ÔNIA C HAGAS V IEIRA


Bibliotecária da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia
Mestra em Ciência da Informação pela UFBA
svieira@ufba.br

V ANDA A NGÉLICA DA C UNHA


Professor Assistente do Instituto de Ciência da Informação
da Universidade Federal da Bahia
Mestra em Ciência da Informação pela UFBA
Presidente da Fundação João Fernandes da Cunha
avangeli@ufba.br

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228 16/4/2008, 16:45
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229 16/4/2008, 16:45
Este livro foi publicado no formato 17x24 cm
Com as fontes Abadi MT Condensed Light no corpo do texto e Crillee It BT nos títulos
Miolo em papel 75 g/m2
Tiragem 500 exemplares
Impresso no Setor de Reprografia da EDUFBA
Impressão de capa e acabamento:
Cartograf

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