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Cap 5 Esforços Internos

Até o momento, o curso esteve voltado para o equilíbrio externo dos corpos,
considerando os mesmos como sendo rígidos, sem a possibilidade de deformação.
Nesse sistema, esforços externos são distribuídos ao longo da barra (corpo rígido) até
chegarem aos apoios das estruturas. O principal trabalho, inicialmente, foi o de calcular
tais forças reativas do apoios para que o corpo pudesse ser mantido em equilíbrio.
Pode-se notar que nos cálculos das reações não é analisado o modo como o corpo
transmite para os apoios, as cargas pelas quais está sendo solicitado. A partir de agora,
no entanto, serão analisados quais os efeitos que a transmissão desse sistema de
cargas externas para os apoios provoca nas diversas seções que constituem o corpo
em equilíbrio.
O Cálculo dos Esforços Solicitantes (Esforços Internos) é o cerne do curso, pois através
de um bom entendimento do conceito de esforços solicitantes é que se pode garantir
um bom dimensionamento, reparos e manutenção das estruturas.

Roteiro:
• Convenções de Sinais
• Definição de Esforço Normal
• Definição de Esforço Cortante
• Definição de Observador
• Definição de Esforço de Momento Fletor
• Análises de Cargas Distribuídas

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Cap 5-1
Estruturais da Faculdade de Tecnologia de São Jose dos Campos.
Prof. Santiago Lugones
Cap 5.1 Introdução
Assume-se inicialmente uma barra rígida seccionada em um ponto "x". As
intensidades das reações nos apoios já são conhecidas e indicam que o corpo
está em equilíbrio. Porém, ao se efetuar um corte qualquer, para que as partes
isoladas pelo corte permaneçam em equilíbrio, devem aparecer alguns esforços
internos, que são desconhecidos. (Figura 5.1-1)

FIGURA 5.1-1 CORTE NUMA VIGA. APRESENTAÇÃO DOS ESFORÇOS


INTERNOS

Pode-se dizer, portanto, que no centro de gravidade desta seção devem aparecer
esforços internos resultantes de força e de momento, que mantém o corpo
isolado em equilíbrio. As resultantes nas seções de corte de ambos os lados
devem ser tais que reproduzam a situação original quando as duas partes forem
ligadas novamente, ou seja, pelo princípio da ação e reação, devem ser de
mesmo módulo, mesma direção e sentidos opostos (Figura 5.1-2).

FIGURA 5.1-2 ESFORÇOS INTERNOS MANTENDO O EQUILIBRIO DA VIGA

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Cap 5-2
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Cap 5.1.1 Convenções de sinais para “N”, “Q” e “M”
A convenção dos sinais é um conceito de extrema importância para o estudo dos
esforços solicitantes, pois é a partir da referência destes dados que se inicia todo o
processo de cálculo. Deve-se ter muita atenção quanto a estas convenções.
Para facilitar os cálculos, recomenda-se adotar as seguintes convenções:
Esforço Normal: É positivo quando de tração (distendendo a barra. Figura 5.1.1-1) ou
negativo quando de compressão (comprimindo a barra).

FIGURA 5.1.1-1 ESFORÇO NORMAL POSITIVO

Esforço Cortante: É positivo quando as projeções se orientam nos sentidos dos eixos
(sentido horário. Figura 5.1.1-2), ou negativo, caso contrário.

FIGURA 5.1.1-2 ESFORÇO CORTANTE POSITIVO

Momento Fletor: É positivo se tracionar as fibras inferiores da barra (Figura 5.1.1-3) ou


negativo, caso contrário.

FIGURA 5.1.1-3 MOMENTO FLETOR POSITIVO

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Cap 5-3
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Cap 5.1.2 Definição de Esforço Normal “N”
Esforço Normal é a força atuante no sentido da peça, a qual pode ser calculada a
partir da tensão normal na seção. O efeito do Esforço Normal será de provocar
alongamentos ou encurtamentos na peça, mantendo suas seções transversais
planas e paralelas. É indicado pela letra “N”. São denominados esforços normais
os esforços de tração e de compressão.
O exemplo abaixo ilustra esquematicamente como o Esforço Normal atua em
uma barra qualquer. As linhas pontilhadas representam as dimensões da barra
antes do esforço: (Figura 5.1.2-1 N = esforço normal; ∆x e ∆y = deformações da
barra devido à ação do esforço normal)

FIGURA 5.1.2-1 DEFORMAÇÕES DEVIDO AO ESFORÇO NORMAL

Em posse da ideia de Esforço Normal, pode-se agora, analisar a ação do mesmo


em um exemplo de aplicação. A Figura 5.1.2-2 mostra uma viga de comprimento
L simplesmente apoiada, solicitada por uma força de intensidade P. Pode-se
perceber que a força P exerce um esforço de compressão de magnitude "P"
uniforme na viga até o apoio duplo onde aparece a reação para equilibrar o
sistema

FIGURA 5.1.2-2 REPRESENTAÇÃO DO ESFORÇO NORMAL EM UMA BARRA

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Cap 5-4
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A Figura 5.1.2-3 mostra a representação do esforço axial em uma viga submetida
a duas forças externas em diferentes posições. Observando desde o lado direito
da viga, pode-se ver que tem uma força externa atuante que gera um esforço
axial de compressão de magnitude "P" constante até atingir a metade da viga
onde encontra-se outra força "P" que aumenta o esforço interno até uma
magnitude de "2P". Chegando ao extremo esquerdo da viga, o esforço interno de
magnitude "2P" encontra-se com a força reativa fechando o sistema deixando ele
em equilíbrio.

FIGURA 5.1.2-3 REPRESENTAÇÃO DO ESFORÇO NORMAL EM UMA BARRA


COM DUAS FORÇAS ATUANTES

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Cap 5-5
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Cap 5.1.3 Definição de Esforço Cortante “Q”
Esforço Cortante é a força perpendicular à peça, calculada a partir da tensão
cisalhante na mesma. O efeito do Esforço Cortante é o de provocar o
deslizamento linear, no sentido do esforço, de uma seção sobre a outra
infinitamente próxima, acarretando o corte ou cisalhamento da mesma. É
indicado pela letra “Q”.
O exemplo abaixo ilustra a grosso modo como o Esforço Cortante atua em uma
barra qualquer. ∆x e ∆y representam as deformações da barra devido à ação do
esforço cortante (Figura 5.1.3-1)

FIGURA 5.1.3-1 DEFORMAÇÕES DEVIDO AO ESFORÇO CORTANTE

Em posse da ideia de Esforço Cortante, pode-se agora, analisar a ação do


mesmo em um exemplo de aplicação. A Figura 5.1.3-2 mostra uma viga de
comprimento L simplesmente apoiada, solicitada por uma força de intensidade P.
Pode-se perceber que a reação do lado esquerdo exerce um esforço de
cisalhamento de magnitude "P/2" uniforme na viga até a metade dela onde
aparece a força externa de magnitude "P" que produz uma diferença de
cisalhamento "P/2 - P = -P/2". neste ponto, o esforço cortante passa de positivo a
negativo, e se estende ate o final da barra onde a reação do apoio fecha o
sistema.

FIGURA 5.1.3-2 REPRESENTAÇÃO DO CORTE EM UMA BARRA

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Cap 5-6
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Cap 5.1.4 Definição de Observador
Foram definidos até agora exemplos simples e intuitivo a fim de definir os
esforços internos Normais e de Corte. Mas o nível de complexidade para
resolução de Esforços Internos aumenta de aqui para frente e é por isso que se
apresenta o conceito de observador.
A Figura 5.1.4-1 mostra uma viga submetida a duas cargas "P" simétricas, que
são equilibradas pelas reações dos apoios.
O Observador coinsiste na visualização dos esforços da estrutura em um sentido,
sem importar o que tiver nas costas dele.
Na Figura 5.1.4-1A se apresenta ao observador do lado do apoio esquerdo da
estrutura. note-se que ele está olhando para o lado esquerdo somente, pelo que
só enxerga a força de reação "P". Por tanto o esforço de corte nesse ponto é de
Q = P e continuará de esse jeito até o observador se encontrar com a primeira
força externa "P" (Figura 5.1.4-1B). Nesse ponto o observador enxerga um corte
de Q = P - P = 0 até se encontrar com a segunda força externa "P" (Figura
5.1.4-1C), onde o corte nesse ponto é de Q = P - P - P= -P. Por último, Quando o
observador percorreu a viga toda (Figura 5.1.4-1D) pode se ver que o esforço
cortante no apoio direto é Q = P - P - P + P= 0, deixando o sistema equilibrado.

FIGURA 5.1.4-1 METODOLOGIA DO OBSERVADOR

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Cap 5-7
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A Figura 5.1.4-2 apresenta uma viga dobrada e engastada submetida a duas
cargas externas "P" e "2P". As reações estão mostradas na figura. Coloca-se um
observador na ponta da viga, onde se encontram as forças externas para poder
ilustrar os esforços Axiais e Cortantes

FIGURA 5.1.4-2 OBSERVADOR UMA VIGA DOBRADA E ENGASTADA

Ao movimentar o Observador de direita a esquerda, pode-se ver que O esforço


Axial enxerga uma carga de "P" enquanto que o esforço Cortante enxerga uma
força de "2P" (Figura 5.1.4-3)

FIGURA 5.1.4-3 ESFORÇOS QUE O OBSERVADOR ENXERGA NA PARTE


SUPERIOR DA VIGA

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Cap 5-8
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Prosseguindo pela viga, mas agora com o Observador indo da parte superior até
a base da viga, se percebe que o esforço Axial está sendo de "2P" e o esforço de
cisalhamento é de "P" até atingir a base da Viga, onde as reações fecham o
sistema (Figura 5.1.4-4).

FIGURA 5.1.4-4 ESFORÇOS QUE O OBSERVADOR ENXERGA NA VIGA


TODA

Pode-se destacar que todos os esforços internos vistos até agora são constantes
ao longo da viga, ate aparece alguma carga externa que os modifica. Este efeito
se deve a que as forças atuantes são pontuais. Com Cargas Distribuídas o
Observador se comporta um pouco diferente, e será explicado nos capítulos
seguintes.

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Cap 5-9
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Cap 5.1.5 Definição do Esforço de Momento Fletor “M”
O Momento Fletor é definido como a soma dos momentos provocados pelas forças
externas de um dos lados da seção tomada como referência, em relação a um eixo nela
contido, no caso, o eixo z. Para poder expressar melhor a relação do momento vetorial
no eixo "z" e as forças aplicadas no Plano "xy", observe-se a Figura 5.1.5-1. Uma força
e uma distância produzem uma rotação virtual entorno de um ponto ou pivô. Essa
rotação está relacionada a um momento que a impede, devido a que o sistema está em
equilíbrio. Esse momento é representado saindo do plano, no eixo "z" (Como
expressado na mão da figura).

FIGURA 5.1.5-1 RELAÇÃO ENTRE FORÇAS DISTÂNCIAS E MOMENTOS


REPRESENTADOS FORA DO PLANO

O Momento Fletor tende a flexionar a peça, ou seja, tende fazer a seção girar sobre um
eixo localizado no seu próprio plano, comprimindo uma parte e distendendo a outra. É
indicado pela letra “M”. A Figura 5.1.5-2 ilustra de forma grosseira como o Momento
Fletor atua em uma barra qualquer. As linhas pontilhadas representam as dimensões da
barra antes do esforço (M = momento fletor e ∆y = deformação da barra devido à ação
do momento fletor)

FIGURA 5.1.5-2 DEFORMAÇÕES DEVIDO AO ESFORÇO DO MOMENTO FLETOR

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Cap 5-10
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Em posse da ideia de Momento Fletor, pode-se agora, analisar a ação do mesmo em
um exemplo de aplicação. Imagina-se, então, uma viga de comprimento L
simplesmente apoiada com uma força externa aplicada no meio (Figura 5.1.5-3).

FIGURA 5.1.5-3 VIGA SIMPLESMENTE APOIADA

Para poder começar a analisar o esforço de momento em uma viga simplesmente,


coloca-se um observador perto do apoio esquerdo da viga. É Importante lembrar que o
que se está analisando é Força x Distância. O que o observador vê é a força reativa de
magnitude vezes uma distância de zero. Por tanto, o momento é zero nesse ponto
(Figura 5.1.5-4).
z P
M Esq = ⋅0 = 0
2

FIGURA 5.1.5-4 OBSERVADOR NO LADO ESQUERDO DA VIGA


Traslada-se agora o observador para outro ponto arbitrário (o meio da viga neste caso).
Nesse ponto o observador consegue enxergar a Força Reativa de magnitude "P/2"
vezes xa e a força atuante P vezes zero (Figura 5.1.5-5).
z P P
M Meio = ⋅ xa − P ⋅ 0 = ⋅ xa
2 2

FIGURA 5.1.5-5 OBSERVADOR NO MEIO DA VIGA


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Cap 5-11
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Traslada-se agora o observador para o extremo direito da viga. Nesse ponto o
observador consegue enxergar todas as forças atuantes e reativas vezes suas
respectivas distâncias como mostra a equação abaixo e a Figura 5.1.5-6. Note-se que o
momento neste ponto é zero devido a que o sistema está em equilíbrio.
z P P
M Dir = ⋅ 2 xa − P ⋅ xa + ⋅ 0 = 0
2 2

FIGURA 5.1.5-6 OBSERVADOR NO LADO DIREITO DA VIGA

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Cap 5-12
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Cap 5.1.6 Analises de Reações com Cargas Distribuídas
Todos os exemplos apresentados até o momento foram constituídos com forças
pontoais, representadas por uma seta que marca o sentido da força e a sua magnitude
respetiva. Nesta seção se introduze a análise de cargas distribuídas em vigas.
A Figura 5.1.6-1A apresenta uma viga simplesmente apoiada submetida a um
carregamento distribuído uniformemente. Para poder calcular as reações dos apoios, o
carregamento pode ser representado por uma força equivalente, bem no centro dele
devido à sua simetria. A Magnitude de esta força equivalente bem dada por o valor do
carregamento distribuído vezes o cumprimento onde ele atua, Peq = q ⋅ L (Figura
5.1.6-1B). Uma vez realizado este passo, o procedimento para o cálculo das reações, e
o mesmo que o explicado nas seções anteriores (Figura 5.1.6-1C).

FIGURA 5.1.6-1 CARGA DISTRIBUÍDA UNIFORME

A Figura 5.1.6-2A apresenta uma viga simplesmente apoiada com duas cargas
distribuídas uniformes. A Figura 5.1.6-2B mostra como as duas cargas distribuídas são
representadas por duas forças equivalentes de magnitudes Peq1 = q1 ⋅ L1 e Peq 2 = q 2 ⋅ L2 .
Note-se que as forças são alocadas na posição central do carregamento devido à
simetria deles. Uma vez que as forças equivalentes foram representadas, o
procedimento para o cálculo de reações é igual aos anteriores (Figura 5.1.6-2C).

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Cap 5-13
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FIGURA 5.1.6-2 VIGA COM DUAS CARGAS DISTRIBUÍDAS UNIFORMES

FIGURA 5.1.6-3 VIGA COM UMA CARGA DISTRIBUÍDA TRIANGULAR

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Cap 5-14
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A Figura 5.1.6-3A apresenta uma viga submetida a uma cara distribuída triangular.
Como se mostra na figura, uma carga distribuída triangular pode ser pensada como a
metade de uma carga distribuída uniforme, por tanto A Magnitude da força equivalente
que a representa é Peq = q ⋅ L / 2 . O ponto de aplicação da carga deixa de ser no centro
devido a que a carga distribuída triangular não é simétrica. A carga triangular tem um
lado mais pesado do que o outro, por tanto, o ponto de aplicação da carga será a 1/3
desse lado mais pesado (Figura 5.1.6-3B). O cálculo de reações é o mesmo que o
anterior uma vez que a força equivalente foi representada.

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Cap 5-15
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Cap 5.1.7 Analise de Esforço Cortante com Cargas Distribuídas
A análise de esforços internos em vigas com cargas distribuídas é similar à de cargas
pontuais, mas se requer de certo cuidado. A Figura 5.1.7-1 apresenta a viga com uma
carga distribuída do exemplo anterior com as reações já calculadas.

FIGURA 5.1.7-1 VIGA COM UMA CARGA DISTRIBUÍDA

Para poder analisar o esforço de corte na viga, coloca-se o observador do lado


esquerdo da viga (Figura 5.1.7-2). Neste ponto, ele só enxerga a Reação, Por tanto o
valor de corte é:
Q x =0 = RVA = 25kN

FIGURA 5.1.7-2 ESFORÇO CORTANTE EM X=0

Desloca-se agora o observador ao meio da viga (x=L/2, Figura 5.1.7-3). Neste ponto o
observador consegue enxergar a força reativa RVA e uma parte da carga distribuída que
pode ser considerada como uma força equivalente, Feq = q ⋅ x . Por tanto, o corte nesse
ponto é:
Qx = L / 2 = RVA − Feq = RVA − q ⋅ x

5
Q x =L / 2 = 25 − 10 ⋅ =0
2

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Cap 5-16
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FIGURA 5.1.7-3 ESFORÇO CORTANTE EM X=L/2

Caso desloca-se agora o Observador até o final da viga, mais antes de chegar ao apoio
o que ele veria seria:
Qx= L ( antes ) = RVA − Feq = RVA − q ⋅ x

Qx=L / 2 = 25 − 10 ⋅ 5 = −25
A Figura 5.1.7-4 Mostra o ponto onde o observador estaria e o valor desenhado do
esforço cortante. Note-se que o sistema não fechou e tem um valor de -25kN.

FIGURA 5.1.7-4 ESFORÇO CORTANTE EM X=L ANTES DO APOIO

Para poder fechar o sistema, coloca-se por último o observador depois do apoio (Figura
5.1.7-5). Nesse ponto ele consegue enxergar a reação do apoio podendo assim fechar
o sistema:
Qx = L ( antes ) = RVA − Feq + RVB = RVA − q ⋅ x + RVB

Qx =L / 2 = 25 − 10 ⋅ 5 + 25 = 0

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Cap 5-17
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FIGURA 5.1.7-5 ESFORÇO CORTANTE EM X=L DEPOIS DO APOIO

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Cap 5-18
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Cap 5.1.8 Analise de Esforço de Momento com Cargas Distribuídas
Nesta seção apresenta-se o procedimento para analisar o momento fletor da viga
simplesmente apoiada da Figura 5.1.7-1 do exemplo anterior. Assume-se então um
observador posicionado junto ao apoio esquerdo da viga. O que se enxerga nesse
ponto é somente a Reação RVA vezes uma distância nula, x = 0 (Lembrar que o
momento está relacionado com a rotação gerada por uma força vezes uma
distância). Por tanto
M x =0 = RVA ⋅ x = RVA ⋅ 0 = 0

FIGURA 5.1.8-1 ESFORÇO DE MOMENTO EM X=0

1
Posiciona-se o Observador a uma distância de x = L para analisar o momento nesse
4
ponto (Figura 5.1.8-2). Aqui, o observador consegue enxergar a reação RVA vezes uma
distância x e também consegue enxergar uma pequena parte da carga distribuída q
espalhada num cumprimento x , gerando uma força equivalente Feq = qx , alocada a
uma distância do observador de x / 2 .
x
M 1 = RVA ⋅ x − Feq ⋅ ⇒
x= L 2
4

x
M 1 = RVA ⋅ x − q ⋅ x ⋅ ⇒
x= L 2
4

5
5 5 ( 4)
M 1 = 25 ⋅ − 10 ⋅ ⋅ = 23.4kN ⋅ mts
x= L 4 4 2
4

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Cap 5-19
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FIGURA 5.1.8-2 ESFORÇO DE MOMENTO EM X=1/4 L

2
Avançando o Observador a uma distância de x = L (metade da viga, Figura 5.1.8-3)
4
consegue-se enxergar a reação RVA vezes uma distância x (Lembrar que x está
variando com o observador) e também consegue enxergar a metade da carga
2
distribuída q espalhada no cumprimento x = L , gerando uma força equivalente
4
Feq = qx , alocada a uma distância do observador de x / 2 .

FIGURA 5.1.8-3 ESFORÇO DE MOMENTO EM X=2/4 L

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Cap 5-20
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O Momento na metade da viga é dado por:
x
M 2 = RVA ⋅ x − Feq ⋅ ⇒
x= L 2
4

x
M 2 = RVA ⋅ x − q ⋅ x ⋅ ⇒
x= L 2
4

5
5 5 ( 2)
M 2 = 25 ⋅ − 10 ⋅ ⋅ = 31.25kN ⋅ mts
x= L 2 2 2
4

3
Posicionando agora o Observador a uma distância de x = L consegue-se enxergar a
4
reação RVA vezes uma distância x (posição do observador) e também consegue
3
enxergar três quartos da carga distribuída q espalhada no cumprimento de x = L ,
4
gerando uma força equivalente Feq = qx , alocada a uma distância do observador de
x/2.

FIGURA 5.1.8-4 ESFORÇO DE MOMENTO EM X=3/4 L

3
O Momento na viga em x = L é dado por:
4
x
M 3 = RVA ⋅ x − Feq ⋅ ⇒
x= L 2
4

x
M 3 = RVA ⋅ x − q ⋅ x ⋅ ⇒
x= L 2
4

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Cap 5-21
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3 
 ⋅ 5
3  3  4 
M 3 = 25 ⋅  ⋅ 5  − 10 ⋅  ⋅ 5  ⋅ = 23.4kN ⋅ mts
x= L
4 4  4  2

Por último posiciona-se o Observador no extremo direito da viga x = L (Figura 5.1.8-5).


Seguindo os mesmos passos que os anteriores obtêm-se o seguinte:
x
M 4 = RVA ⋅ x − Feq ⋅ + RVB ⋅ 0 ⇒
x= L 2
4

x
M 4 = RVA ⋅ x − q ⋅ x ⋅ + RVB ⋅ 0 ⇒
x= L 2
4

M = 25 ⋅ (5) − 10 ⋅ (5) ⋅
(5) = 0
4
x= L 2
4

FIGURA 5.1.8-5 ESFORÇO DE MOMENTO EM X=4/4 L

Note-se que o esforço do momento fletor mostrado na Figura 5.1.8-5 é parabólico. Isto
se deve a que a distância do observador x varia de forma quadrática como se vê nas
figuras. Já o esforço cortante da Figura 5.1.7-5 varia linearmente devido a que a
distância do observador é linear. Quando são analisados os esforços com cargas
pontuais, o momento passa a ser linear e o corte passa a ser constante, como se
mostra na Figura 5.1.5-6 e na Figura 5.1.3-2 respectivamente.
Os procedimentos apresentados neste capítulo são bem sistemáticos e podem ser
realizados do mesmo jeito para estruturas mais complexas. A problemática de este tipo
de análise bem da organização. Sugere-se ser muito organizado e bem sistemático
quando estiver fazendo a análise.

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Cap 5-22
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Cap 5.1.9 Exercícios:
Apresenta-se a continuação uma serie de exercícios para poder afiançar os conceitos
de nesta seção.

Cap 5.1.9.1 Exercício 1


A viga bi apoiada abaixo está sendo solicitada por uma carga uniformemente distribuída
de intensidade q. Determinar os diagramas dos esforços solicitantes da viga sendo
q = 5 Kg e L = 10mts .
mts

Cap 5.1.9.2 Exercício 2


A viga engastada abaixo está sofrendo um carregamento uniformemente distribuído em
toda sua extensão de comprimento L. Sabendo-se que o valor da carga é q, pede-se:
determinar os diagramas dos esforços solicitantes sendo q = 5 Kg e L = 10mts .
mts

Cap 5.1.9.3 Exercício 3


Compare os resultados dos exercícios anteriores, e reflita qual situação de apoios é a
mais crítica, já que o carregamento e o cumprimento da viga são iguais.

Cap 5.1.9.4 Exercício 4


A viga bi apoiada abaixo está sendo solicitada por um carregamento triangular de
intensidade q. Determinar os diagramas de esforços solicitantes da viga sendo
q = 5 Kg e L = 10mts . Compare os resultados com os do Exercício 1.
mts
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Cap 5-23
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Cap 5.1.9.5 Exercício 5
A viga bi apoiada abaixo está sendo solicitada por três forças pontuais de mesma
intensidade P. Determinar os diagramas dos esforços solicitantes para a viga.

Cap 5.1.9.6 Exercício 6


Sabendo-se que viga bi apoiada abaixo possui um balanço no trecho BC, e que a
mesma está sendo solicitada por um carregamento uniformemente distribuído de
intensidade q, pede-se: determinar os diagramas dos esforços solicitantes para a viga.

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Cap 5-24
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