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A AGRICULTURA INCA NA CRÔNICA

DE GARCILASO DE LA VEGA (1609)


Suelen Brexi Fila

Habiendo gastado Túpac Yupanqui algunos años en la


conquista de la paz, determinó hacer la conquista del reino de
Quitu, por ser famoso y grande, que tiene setenta leguas de
largo y treinta de ancho, tierra fértil y abundante, dispuesta
para cualquier beneficio de los que se hacían para la
agricultura y provecho de los naturales. (VEGA, C. R. 1609, l.8,
cap.VII, p. 411)
1
1. Introdução

Um alimento altamente nutritivo que vem ganhando espaço na


mesa dos brasileiros é a quinoa (Chenopodium quinoa). Esta planta,
cultivada no altiplano andino há pelo menos cinco mil anos (DOLLFUS:
1981, p. 74), possui em seus grãos, alta qualidade proteica, baixo
colesterol, ausência de glúten e inúmeras vitaminas e minerais. Além
de ser considerado um dos alimentos mais completos em nutrientes e,
por isso, recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), é
resistente à geada, tolerante à salinidade e a seca. Desse modo, a
viabilidade de sua cultura no Brasil com o objetivo de diversificar a
agricultura e ofertar alimentos remonta os anos 1990 (SPEHAR &
SANTOS: 2002, p. 37).

O que chama a atenção do historiador não é apenas uma história


da transmigração de espécies vegetais, mas também uma história da
agricultura e das técnicas utilizadas para cultivar plantas específicas no
altiplano andino. Como se pode observar na epígrafe acima, a
agricultura inca estabeleceu suas bases a partir da conquista das
populações andinas. Os relatos coloniais e resquícios arqueológicos
evidenciam que uma história com tais traços foi escrita de forma
eficiente pela civilização inca. Imperaram ali, independentemente das
técnicas agrárias europeias, princípios científicos importantes ligados
à semeadura, e adaptabilidade de diversões grãos, bem como técnicas
que evitavam a erosão como, por exemplo, o plantio em terraços. Este
conjunto de informações nos leva a propor algumas indagações: como
os incas preparavam a terra? E ainda, como era a natureza social desta
relação com a natureza? São estas as questões que pretendemos
responder com o presente trabalho.

É possível identificar nas crônicas coloniais referências esparsas 2


sobre a agricultura andina. Contudo, um documento relevante sobre
este tema é “Comentarios Reales” de Garcilaso de la Vega. (Figura 1).
Este importante comentarista era filho do conquistador espanhol
Sebastián Garcilaso de la Vega e da inca
Chimpu Ocllo. O trânsito cultural e linguístico
entre os povos incas e a Europa hispânica
somados aos testemunhos parentais lhe
permitiram analisar e descrever os hábitos e
os costumes que começavam a se mesclar
(KOBELINSKI & BATISTA: 2010, p. 36). Suas
crônicas se inseriram num momento crucial
da história da América, isto é, a colonização
hispânica. Sobre a agricultura os
historiadores são unânimes em afirmar como Figura 1. Garcilaso Inca de la Vega,
aquele povo contornou extraordinariamente 1560. C. R., 1609, p. 13. Imagem sem
direitos autorais.
as dificuldades concernentes ao cultivo da
terra, driblando as intempéries do clima e da escassez de terra fértil
para produzirem alimentos.

Dessa maneira, o exercício prospectivo e reflexivo nos permitiu


estudar alguns indícios sobre as relações entre a sociedade e a
natureza a partir de duas versões da obra garcilasiana: uma adaptação
de Comentarios Reales traduzida para o português (vulgata de 1992,
referenciada como VEGA: 1992 - O universo Incaico) e um versão em
espanhol, original, de 1609 (referenciada como C. R., 1609,
identificando o livro, capítulo e página). Ao abordarmos a problemática
da relação social com a terra entre os povos pré-colombianos, isto é,
entre os incas, deparamo-nos com questões difíceis de responder dada
a exígua quantidade de fontes desse período. As dificuldades de análise
se devem ao fato de que alguns desses textos, como o de Garcilaso de la
Vega, sofreram influências da cultura dominante e da cultura 3
ameríndia.

2. A organização social do trabalho entre os incas

A persistente devoção e respeito dos incas pela natureza foi o


pilar daquela civilização que venerava não somente o deus Sol Inti, mas
também a deusa Pachamama. Para Valla (1987, p.187) ela habitava o
interior da terra, era como a divindade da colheita. Também foi
associada à Pachacamac, que simbolizava uma mulher amamentando
seus filhos, ou mesmo à Virgem Maria. Contudo, em Garcilaso de la
Vega essa mitologia incaica sofreu alterações na medida e em que foi
associada ao conhecimento clássico, à religiosidade e a esfericidade da
Terra: “e se o céu é plano ou redondo se responder| profeticamente
que ‘ele se estende como uma pele’ [...], mostrando sua forma e feitura,
é porque da mesma maneira como a pele de um animal que recobre
todo o seu corpo” (C. R., 1609, l.1, cap. I, p. 20). A expressão faz alusão
a Salmos (104:2) “Tu que te cobres de luz como de um manto, que
estendes os céus como uma cortina”.

A terra pertencia ao Estado e sua distribuição seguia


estritamente a determinação do poder central inca. Portanto, a terra
era dividida em três partes. Uma delas era destinada ao Inca, outra
para o templo do Sol e, por último, designada ao povo, o qual era
encarregado de preparar o solo, efetuar a semeadura e realizar a
colheita. O trabalho agrícola se iniciava pelas terras do Sol, em seguida
dos velhos, enfermos, viúvas, órfãos e soldados em campanha e, por
último, a do Inca (PRESCOTT, 1946, p.41). De acordo com Ferreira,
(1991, p.40), a posse da terra no ayllu era comunal e se dividia em
terras cultiváveis e pastos de uso coletivo. Esta última destinada à
criação de lhamas e alpacas. Igualmente, as áreas de plantio eram
divididas em lotes (chamados de tupus). Cada família recebia lotes de 4
acordo com o número de seus membros, seguindo uma distribuição
rotativa e anual.

O controle estatal sobre as terras era


muito rígido e mantido por intermédio dos
curacas que estavam mais próximos das
aldeias, os quais eram encarregados de
transmitir os deveres ao povo. O modelo se
assemelha a uma forma de comunismo
agrário. Esta política comunitária se originou
com Manco Capac no primeiro ayllu e da
reunião destes, conforme explica Garzuze
(1947, p.52): “O gênio dos legisladores
Figura 2. Agosto: cantos triunfais, quéchuas consistiu em saber aproveitar êste
tempo de abrir as terras; Yapuy
Killa: mês de lavrar a terra. Felipe
núcleo e orientar o instituto comunário dos
Guaman Poma de Yala, Primer habitantes inteligentes, laboriosos e dóceis,
Nueva corónica y buen gobierno,
1615, p. 1163. para um império forte pelas armas, sábio pelas
leis, pela arte e nobre pela religião”. Porém,
para Mason (1964, p.208), o Estado inca era uma estranha mistura de
teocracia, monarquia, socialismo e comunismo, sendo que a terra era
propriedade do estado e grande parte dela era trabalhada
comunalmente. Contudo, o termo ‘comun|rio’ utilizado pelo referido
escritor, compreende o esforço coletivo para a preparação da terra,
adubagem, semeadura e a colheita. Extremamente sucinta e
compreensível é a definição de Burland (1978, p.28), com relação ao
objetivo almejado pelo Estado Inca, a ajuda mútua, como se verifica da
descrição a seguir: “o propósito do governo inca era fazer com que
todos se ajudassem mutuamente. Todos trabalhavam, exceto os
doentes, as pessoas muito idosas ou as demasiado jovens”. Dois terços
dos alimentos produzidos cobriam os impostos. Mas em épocas de
escassez os incas os distribuíam igualmente entre a população.

Mason (1964, p.209) esclarece que o sistema aperfeiçoado pelo 5


Estado inca poderia ser intitulado de coletivismo agrário. Pois, desde
os mais jovens até os mais velhos trabalhavam no cultivo de alimentos
entoando cânticos. (Figura 2). Sendo que o Imperador e as classes
mais nobres iniciavam os trabalhos para dar o exemplo, logo se
retirando, restando todo o serviço aos subalternos: “as terras não
comunais eram cultivadas pelo povo em grupo e antes dos seus
próprios campos, começando pelas dos deuses”. Métraux (1983, p.102)
revela que há contradições concernentes a ordem pela qual se
iniciavam os trabalhos agrícolas, pois alguns afirmam que
primeiramente eram cultivadas as terras pertencentes ao Estado. E,
prossegue declarando que Garcilaso de la Vega, aponta que os
camponeses começavam a cultivar a terra que correspondiam as do
Sol, das viúvas, órfãos e dos soldados do exército, terminando pelas
terras do curaca e do Inca.

Durante a colonização das terras interiores, no governo de Inca


Roca (magnânimo Inca), sexto Sapa Inca do reino de Cuzco (1350),
dinastia Hanan, levava-se em conta a adaptação climática dos povos
dominados. Segundo a narrativa de Garcilaso os índios Nanasca que
pertenciam a áreas quentes só poderiam trabalhar nas terras de clima
quente, uma vez que estes morriam precocemente em clima
temperado: “O Inca levou os índios de terras quentes para povoar
terras quentes, e foram poucos porque havia pouca terra para povoar
ao longo do rio Apurímac, porque este se encontrava entre serras
altíssimas, tendo poucas terras aproveitáveis, as quais não poderiam
ser perdidas, senão que se as aproveitassem, podendo-se tirar proveito
dos jardins e das muitas frutas que cresciam {s margens do famoso rio”
(C. R., 1609, l.2, cap. XIX, p. 162).

Garcilaso de la Vega (1992, p. 77) faz referência ao castigo a que


era submetido um índio regedor por não ter seguido uma hierarquia
social: “no tempo de Huayna Capac, em um povoado dos Chachapuyas,
porque um índio regedor antepôs as terras do curaca, que era seu 6
parente, às de uma viúva, enforcaram-no por quebrar a ordem que o
Inca tinha dado no lavrar das terras, e fincaram a forca na própria terra
do curaca”. Sua narrativa descreve ainda que era entregue a cada índio
um tupu ou fanga, o qual servia para o sustento para um casal sem
filhos. Eles recebiam outro quando nascia um filho homem. Mas as
terras não podiam ser vendidas e retornavam ao conselho se não
fossem usadas por quaisquer motivos (VEGA: 1992, p. 80). Os curacas,
isto é, chefes políticos e administrativos do ayllu tinham várias
maneiras de transmitir seus poderes. Com a conquista do Peru por
Francisco Pizzaro os curacas passaram a ser conhecidos como
caciques. Durante a formação do império inca não havia interferência
“nestes costumes antigos” e também não eram “contr|rios {queles que
não o seguiam” (C. R., 1609, l.3, cap. X, p. 185). O império Inca se
ampliou graças ao artifício da convivência, da emulação e da
permissividade de costumes entre os povos que o constituíam.
Mason (1964, p.274) enfatiza que as
terras incas eram distribuídas entre as
famílias do grupo, e que cada uma recebia o
número de lotes proporcional ao número de
membros, isto é, a cada casal era entregue
um tupu de terra (aproximadamente sete
quilômetros). Garcilaso esclarece que tupu
também significava medida de água, vinho ou
licor, ou ainda alfinetes que prendiam as
roupas das mulheres. No entanto, uma
medida de sementes, por exemplo, era
definida com “[...] poccha, que quer dizer
uma porção” (C. R., 1609, l.4, cap. III, p. 214). Figura 3. julho, mês de armazenar
milho e batata; distribuição de terras.
Como podemos notar a distribuição de terras Felipe Guaman Poma de Yala, Primer
estava ligada ao lugar social de cada Nueva corónica y buen gobierno, 1615,
p. 1160.
7
estamento, além de ser associada ao número
de filhos e ao casamento: “Aos nobres, como os curacas [...] davam-se
as terras conforme as famílias que tinham, com mulheres, filhos,
concubinas e serviçais. Aos incas, que tinham sangue real, davam da
mesma forma, as melhores terras” (C. R., 1609, l.4, cap. III, p. 214). m
relação à colheita, Huber (1961, p. 56), descreve que era dividida em
três partes, a primeira ficava no palácio, a segunda era destinada ao
deus Sol e a terceira aos camponeses. É interessante lembrar que os
incas possuíam conhecimento sobre os equinócios e os solstícios. Não
obstante, entre “as pessoas comuns contavam os anos pelas colheitas”
(C. R., 1609, l.2, cap. XXII, p. 110). Outro aspecto importante era o de
que na idolatria solar se estabeleciam não só sacrifícios rituais, um
trabalho de ornamentação dos templos com placas de ouro, mas
também a oferta da terceira parte das terras conquistadas, os frutos da
colheita e do gado que se criava nelas (C. R., 1609, l.2, cap. IV, p. 76).
O excedente agrícola era armazenado em depósitos (orones)
com o propósito de atender eventualidades. (Figura 3). O
desenvolvimento do ciclo agrário era precedido de trocas de trabalho
entre os membros do ayllu. Neste sentido, o relato de Garcilaso é
detalhado, pois levanta a questão da superstição entre os incas: “o
índio que tinha um grão de milho ou de qualquer outra semente o
jogava em seus depósitos, acreditando que não podia faltar pão em
toda a sua vida” (C. R., 1609, l.3, cap. XXII, p. 110). Esses depósitos
eram estreitos, retangulares, inteiriços e podiam variar de tamanhos.
Uma abertura estreita no topo do depósito permitia aos incas saber o
que esses vários depósitos armazenavam.

Para os povos pré-colombianos não existiam outras riquezas


senão o que se retirava da terra. A razão é simples: os produtos da
natureza emanavam das vontades divinas. Daí o constante estudo do 8
céu. Logo após a ocupação territorial se dava início ao processo de
divisão das localidades. O império inca dominou outros povos, o que de
fato comprova a possibilidade de que a construção de poços e canais de
irrigação se tratava, antes de tudo, da contribuição dos povos
conquistados. A perspectiva dos incas era a de que eles encaminhavam
os outros povos à civilização. É neste sentido que identificavam o ayllu
com genealogia, linhagem, território e aldeamento. Nas crônicas
indígenas, encontramos categorias europeias mescladas a padrões
culturais andinos, uma estrutura baseada em laços de parentescos de
grande importância para a organização do estado inca e
consequentemente das atividades sociais, agrícolas, religiosas, etc.

O ayllu é uma estrutura indígena que, no período pré-colonial,


conformava um grupo ligado por laços de parentesco, possuidor ou
não de um espaço territorial delimitado. Era também o símbolo do
inconsciente coletivo andino, uma unidade simbólica, social, política e
econômica. Assim, com o intuito de manter o império inca íntegro,
muitas regras foram impostas aos súditos (PORTUGAL: 2009, p. 7).
Contudo, faz-se necessário averiguar algumas questões. Qual era o
objetivo principal do ayllu? Qual o papel desempenhado pelo curaca na
administração do ayllu?

Na sociedade inca não havia mendigos e ninguém vivia na


ociosidade. Afinal de contas, todos os membros da família trabalhavam
duramente o período do plantio e da colheita, além de desenvolverem
outras tarefas. Burland (1978, p. 22), por exemplo, informa que os
homens trançavam fibras vegetais para fazer esteiras ou então
cortavam o couro de lhamas para fazer sandálias fortes; as mulheres
fiavam lã de alpaca, as tingiam, produzindo roupas para toda a família,
além de trançavam cestos, destinados ao transporte de sementes ou
alimentos.

A descrição de Garcilaso de la Vega (1992, p.86) enfatiza o peso 9


das tradições e da cultura inca sobre os subordinados, como se observa
na seguinte passagem: “ao que se descuidava de regar sua terra no
espaço de tempo que lhe tocava, castigavam vergonhosamente: davam-
lhe em público três ou quatro golpes nas costas com uma pedra, ou lhe
açoitavam braços e pernas com varas de junco, por folgazão e
preguiçoso”.

Sem dúvida a civilização inca precisou de muita perspicácia para


enfrentar as dificuldades de lavrar um solo muitas vezes arenoso e
estéril, além de uma faixa litorânea sem ocorrência chuvas. Os campos
cultivados estavam nos vales mais protegidos e com grande umidade.
Estes tendiam a ser estreitos e íngremes, de forma que existia apenas
uma pequena extensão de terras planas. Muitas costas íngremes foram
cortadas em terraços com muros de pedra para retenção da terra.

Os deuses incas e mesmo os deuses dos povos conquistados


mantinham uma estreita ligação com os elementos da natureza. Desse
modo, havia uma organização social, econômica e cultural associada à
agricultura e ao conhecimento da natureza. A meteorologia e a
astronomia permitiam saber a época apropriada para o plantio e para a
colheita, além da seleção de várias espécies vegetais. Garcilaso associa
estes elementos {queles de ordem sobrenatural: “porque em todas as
coisas que faziam de importância, tanto na paz como para a guerra,
quase sempre sacrificavam um cordeiro, para olhar e certificarem-se
pelo coração e pulmão se era aceito pelo Sol, isto é, se haveria de ter
boa colheita de frutos naquele ano” (C. R. 1998, 1/ XIII, p. 46-47).
Então, preparavam os alimentos de forma a permitir a sua
conservação, para se evitarem surpresas. Importava, acima de tudo,
constituir depósitos domésticos, na previsão de mudanças próprias
das estações.

O império inca sempre focou seus esforços em manter


permanentemente a arrecadação de tributos. Era uma ação necessária 10
à manutenção da atividade agrícola nas terras do ayllu. Contudo, se as
áreas de cultura eram limitadas devido à topografia irregular da região
andina, aqueles povos eram submetidos à construção de terraços para
o plantio. Diferentes definições podem ser atribuídas ao ayllu. Em
Favre (1974, p.34), o ayllu significa uma aldeia habitada por famílias
unidas por laços de parentesco ou de aliança. Os cronistas espanhóis
alicerçados nos acontecimentos do período toledano, equivalem o
termo “alo” a divisões sócio-políticas de vários alus. Agrupados em
bandos. Pois, como acentua Matino citado por Portugal (2009, p.14),
durante as reduções, os nativos eram reagrupados em assentamentos
para servirem de mão-de-obra de fácil controle e acesso. A maioria dos
escritores afirma que o sistema do alo vigente no império inca foi à
base da organização social. Contudo, Fare (1974, p.41) denuncia que na
verdade o curaca (chefe do alo) não era um simples funcionário, mas
dispunha da força do trabalho de seus subordinados, o qual canalizava
para o seu proveito no cultivo da terra.
Garcilasso de la Vega detalhou da seguinte maneira o manejo da
terra: “trazem por arado um pau de uma braça de comprimento; é
plano pela frente e roliço por detrás; tem quatro dedos de largura;
fazem-lhe uma ponta para que entre na terra; a meia vara da ponta faz
um estribo de dois paus atados fortemente ao pau principal, onde o
índio põe o pé com um salto, fincando com a força o arado até o
estribo” (VEGA: 1992, p.78). Nele predominava a cooperação social e
parental: “andam em grupos de sete em sete e de oito em oito, mais ou
menos, conforme a parentela ou camaradagem, e alavancando todos
juntos de uma vez, levantam grandíssimas placas de capim, incríveis a
quem não as viu” (VEGA: 1992, p.79). Muitas vezes, o sentimento de
agregação e harmonia em governar entre o curaca e o Inca confundiam
as esferas de poder. Os possíveis conflitos mediados pela
redistribuição de poder e reciprocidade de ações. Havia a festa do
Raymi, em Cuzco, que representava a reciprocidade entre o poder 11
central e as diversas comunidades representadas pelo curaca. Também
servia para que estes entregassem os tributos ao Inca e em
contrapartida recebessem mulheres, vestuário luxuoso, etc.

Com clareza Favre (1974, p.35) descreve como o curaca era


legitimado em seu posto de auxiliar do chefe inca: “as células
domésticas constitutivas do ayllu reconheciam um chefe ou curaca que
era geralmente o descendente do fundador do grupo. O curaca
concedia terras, organizava os trabalhos coletivos e regulava as
contendas”. Assim, a população do ayllu era ligada { curaca central por
uma série de obrigações que demarcavam a subordinação, a qual se
mantinha.

A dominação espanhola instituiu mudanças nas nessas formas de


trabalho, embora as tenha utilizado de alguma maneira como forma de
poder. A mita, isto é, “repartimiento” ou “cuatéquil” estabelecia que os
índios fossem escalados por sorteio para um período de serviços
compulsórios. Outro sistema de trabalho na América hispânica foi a
encomenda, que significava recomendar ou confiar algo a alguém. De
qualquer forma, o encomendero usava a mão de obra indígena para o
desenvolvimento de atividades agrícolas e minerais,
responsabilizando-se também por uma formação religiosa. A
exploração dessas atividades indígenas necessitava de concessão real,
sendo repassada até duas gerações após sua concessão. Inicialmente a
mita também significava um segundo tipo de tributo, representando o
fornecimento de uma quantidade maior de homens que uma
comunidade deveria ceder temporariamente ao Inca para o trabalho
nas obras coletivas, aumentando a produção agrícola e
consequentemente o prestígio dos curacas perante o poder central.

Diante destas exposições, tem-se um panorama dos obstáculos


transpostos pelo povo inca que se fixou em regiões quase que
impossíveis de sobreviver. De acordo, com Prescott (1946, p.82) “Os 12
incas ultrapassaram qualquer outra raça americana no domínio da
terra. [...] Era ela a base de suas instituições políticas. Não possuindo
comércio exterior, fornecia-lhes a agricultura os meios de trocas
internas [...]”. No mesmo sentido Favre (1974, p. 47), esclarece que
esporadicamente havia alguma atividade comercial praticada por
alguma etnia periférica, mas limitava-se a transações com bolas de
coca e barras de sal.

3. A agricultura incaica

Há muito tempo as formas de cultivo da terra têm sido


aprimoradas e o homem tem buscado não apenas a subsistência por
meio da produção de alimentos, mas também almejado lucros com seu
trabalho, ainda que muitas vezes esquecendo-se da sustentabilidade
ambiental (MAZOYER & ROUDART, 2010).
Os relatos históricos confirmam que os povos incaicos
contornaram as dificuldades concernentes ao cultivo da terra.
Conforme aponta Doig (1963, p. 27) os incas
não acreditavam em novas técnicas de cultivo,
nem na domesticação de plantas ou animais
desconhecidos em épocas anteriores a
conquista. Contudo, intensificaram os cultivos
mediante enormes plataformas em encostas de
colinas que, de outro modo, não eram
aproveitadas. Também construíram ou
ampliaram canais e valas que conduziam a
água a sítios áridos. Nos elevados planaltos
com 4.200 metros cultivavam batatas e quinoa.
Figura 4. Janeiro: o milho, tempo
O milho crescia melhor em médias altitudes, de chuva e de amontoa-lo. Qhapaq
isto é, entre 3.300 metros. (figuras 4 e 5). Raymi Killa, mês de maior festejo.
Felipe Guaman Poma de Yala,
13
Conforme menciona Mason (1964, p. 165), “os Primer Nueva corónica y buen
gobierno, 1615, p. 1142.
campos cultivados estão nos vales mais
protegidos e com mais água. Estes tendem a
ser estreitos e íngremes, de forma que existe uma relativamente
pequena extensão de terras planas, as costas eram cortadas em
terraços com muros de pedra para retenção da terra”.

A produção alimentar está ligada à produtividade do solo e à


umidade. Entre os incas era corrente o uso da irrigação, canais e
aquedutos. (Figura 6). A técnica era tão sofisticada que surpreendeu os
colonizadores, não só pelo uso que se fazia da água, mas também pela
magnitude do empreendimento: “consistiam êstes em grandes lajes de
grés muito bem ajustadas, sem cimento, e descarregavam suficiente
volume d’|gua por meio de condutos ou comportas, para umedecer as
terras baixas por onde passavam”. Esses condutos, muitas vezes
construídos em meio às rochas, superavam quatrocentos quilômetros
de extensão, sendo que “o líquido era trazido dos lagos ou
reservatórios naturais existentes no coração
das montanhas, e a intervalos outras bacias,
situadas nas faldas da serra, ao longo de seu
curso, alimentavam os canais” (PRESCOTT:
1946, p. 84).

Nas proximidades de Caxamarca ainda é


possível localizar um túnel que os incas
escavaram nas montanhas para escoar as águas
de um lago na estação chuvosa a fim de evitar
inundações: “Em certos locais a |gua ainda
corre nos canais subterrâneos, cujos meandros Figura 5. Dezembro, tempo de
e cujas fontes estão igualmente inexploradas”. plantar batatas e oca (tubérculo),
festa ao sol. Felipe Guaman Poma
A presença de aquedutos também chegava a de Yala, Primer Nueva corónica y
|reas desérticas: “tais são os restos existentes buen gobierno, 1615, p. 1175. 14
no vale de Nasca, [...] ao qual os velhos
aquedutos Incas, de quatro ou cinco pés de profundidade por três de
largura, compostos de enormes blocos de pedra não cimentados,
trazem a |gua não se sabe de onde” (Prescott: 1964, p.84).

Os incas tiveram inúmeras dificuldades para encontrar terras


férteis devido a condições climáticas, as quais estavam relacionadas à
altitude e à topografia. Notadamente foi um esforço monumental, não
somente para cultiva-las, mas também para transportá-las para locais
inapropriados, bem como para prepará-las para o desenvolvimento de
suas culturas agrícolas: “Muitos montes, embora cobertos de boa terra,
eram demasiados íngremes para serem lavrados. Eles os aplainavam,
dividindo-os em terraços cercados de pedras, que iam diminuindo o
seu tamanho { proporção que se aproximava do cume” (Prescott: 1964,
p.85). Essas áreas que abrangiam centenas de metros quadrados
serviam ao cultivo do milho. Para Prescott, essas escavações, muitas
vezes realizada em terreno hostil, foram ações significativas, as quais
os europeus não realizariam senão pelo usa da maquinaria: “Essas
escavações, às quais deram os espanhóis o nome de hoias, ou fossos,
foram feitas em muitos lugares, abrangendo não raro mais de um acre
de terra, com quinze ou vinte pés de profundidade, e eram cercadas de
muralhas de adobes, ou tijolos cozidos ao sol. O fundo das valas, muito
bem preparado por rico adubo de sardinhas - minúsculo peixe
abundante no litoral - era semeado de cereais ou vegetais” (Prescott:
1964, p. 85).

As várias cidades que rodeavam Machu Picchu compunham uma


estrutura que abrangia desde a construção de estradas, pontes e
túneis, como também à delimitação de áreas destinadas ao plantio e a
demarcação das zonas urbanas. Constata-se que, apesar das inúmeras
dificuldades oferecidas pelo terreno montanhoso dos Andes, os incas
tinham a preocupação protetiva. São notórias as fortalezas, muralhas,
obras arquitetônicas organizadas com este fim, ao mesmo tempo estas 15
lhes permitiam ficarem mais próximos de seus deuses. As cidades de
Wiñaywayna, Sayajmarka, Willkaraki, Wayllabamba ou Patawasi
possuíam terraços agrícolas, terras cultiváveis, aquedutos, hidrovias e
canais de água, alguns dos quais serviam para
banhos cerimoniais (CARTAGENA: 1977, p.
243).

Os incas faziam uso de um resistente


pau pontiagudo, atravessado por uma peça
horizontal de 10 a 12 polegadas para lavrar a
terra “o instrumento por êles usado era um
pau resistente e ponteagudo, atravessado por
uma peça horizontal, de dez ou doze
polegadas, sôbre o qual o lavrador pousava o
pé para enterrá-lo no chão” (Prescott (1964, Figura 6. Tempo de regar o milho,
de escassez de água, tempo de
p.86)”. Por outro lado, é preciso mencionar calor. Felipe Guaman Poma de Yala,
Primer Nueva corónica y buen
que o sistema de irrigação foi inventado pelos gobierno, 1615, p. 1162.
huaris, sendo que os incas o aperfeiçoaram
para satisfazer às suas necessidades. O procedimento de manejo e
cultivo da terra compreendia um trabalho em equipe. Segundo
Prescott (1964, p.86) “seis ou oito homens robustos puxavam-no com
cordas, arrastando-o lentamente, - exercendo o esfôrço de tração todos
ao mesmo tempo, marcado o ritmo do trabalho com as canções
nacionais que entoavam, acompanhados pelas mulheres que iam
quebrando os torrões com ancinhos”. Por conseguinte, Mason (1964,
p.165), descreve que o lhama nunca foi usado para revolver a terra;
servia para oferecer a lã; e as ferramentas agrícolas se resumiam em
uma pá de madeira (arado de pé) e um pesado anel de pedra enfiado
na ponta de um pau grosso.

A descrição de Burland (1978, p. 27) não se diferencia muito dos


outros pesquisadores: “os camponeses trabalhavam nos seus campos
com as tacllas, uma espécie de arado que era usado com o pé, 16
semelhante a uma enxada afilada munida de apoios para os pés,
colocados na base de uma alavanca comprida”. Entretanto, acrescenta
que também usavam “uma placa de bronze ou de cobre era geralmente
martelada sobre extremidade. A alavanca era enfiada no solo a fim de o
revolver. As mulheres desfaziam os torrões com um sacho de madeira
tosca e cabo curto. Estes eram por vezes munidos de uma lâmina de
bronze”.

Garcilaso de la Vega (1992, p.82) também trata dos tipos de


adubos colocados na terra, tais como fezes humanas e de aves (guano),
bem como cabeças de sardinhas, os quais melhoravam a produtividade
agrícola: “estercavam as terras para fertiliz|-las, sendo de notar que
em todo o vale de Cuzco e em quase toda a serrania jogavam ao milho
esterco de gente, porque dizem que é melhor. Procuram obtê-lo com
grande cuidado e diligência, e o têm seco e em pó para quando
precisem semear o milho”. Além de utilizarem o esterco produzido
pelos animais, os pássaros eram protegidos veementemente pelos
incas (Prescott: 1946, p. 86). Aqueles que matassem os pássaros eram
condenados { morte: “[...] não usam outro esterco senão o dos p|ssaros
marinhos, que existe em toda a costa do Peru grandes e pequenos, e
andam em bandos tão grandes que são incríveis se não vêem.
Reproduzem-se em umas ilhotas que há naquela costa, e é tanto o
esterco que nelas deixam, que também é inacreditável: de longe
parecem os montes de esterco pontas de alguma serra nevada” (Vega:
1992, p.82).

A história Andina nos mostra que Pachacutec sobressaiu-se


como grande edificador, mandando construir nas encostas das
montanhas, terraços de mil passos de comprimento e vinte de largura
(sucres) para cultivo da lavoura que era mantida com o auxílio dos
observatórios astronômicos. Alguns escritores defendem que seria
impossível a realização de tais edificações em apenas um século. Mas,
pode-se atribuir a esse soberano a construção da fortaleza de 17
Sacsahuaman e os canais de irrigação de Ollanaytambo. A rede de
estradas bem organizadas permitia o envio de ordens da capital por
uma distância de 300 km em até 24 horas. Por outro lado, a cada oito
quilômetros podiam ser encontrados os tambos (armazéns), os quais
só serviam em termos logísticos para facilitar operações militares.
(HUBER: 1961, p.163). Além do poder legitimado ao chefe Inca e aos
curacas, a construção de grandes obras (estradas, pontes, aquedutos,
etc..) impulsionaram a produção agrária de maneira sistemática por
meio da especialização de cada uma das regiões, reforçando a divisão
inter-regional do trabalho por todo território inca. (MAZOYER &
ROUDART, 2010, p.223).

Garcilaso de la Vega (1992, p.74), descreve que a maioria das


plataformas (medindo entre cem a trezentas fangas), eram destinadas
ao Sol e ao Inca porque eles haviam mandado construir. E ainda
acrescenta: “Além das terras do milho que se regavam, repartiam
outras que não alcançavam rega, nas quais semeavam em seco outras
sementes e legumes, como é a que chamam papa e oca e o añus.” O
descanso do solo também era observado pelos incas que não
plantavam por mais de um ou dois anos seguidos no mesmo local.
Igualmente, a subsistência daquelas populações sempre esteve
atrelada aos vegetais que mais se adaptavam ao clima e região andina.
É por este motivo que os incas foram personificados como comedores
de tubérculos ou papamikuc (FAVRE, 1974, p.39).

Neste sentido Sass (1992, p.14) concorda que o principal


alimento dos incas era a batata, a qual podia ser encontrada em tons
marrons, brancos, pretos e vermelhos. Contudo, frutas como, por
exemplo, framboesas, mamões, frutas do conde, abacates, cajus,
jambos, entre outras, também eram consumidas pelos habitantes dos
altiplanos. Estas eram encontradas nos vales mais baixos e quentes, ou
mesmo no litoral. Nas regiões mais frias havia uma espécie de
espinafre e nos paredões das montanhas cultivava-se a quinoa (espécie 18
de arroz), bem como o milho, amendoim, mandioca abóbora, cacau e
tomate. Estima-se que centenas espécies vegetais tornaram-se
produtivas, por meio da seleção e especialização. Sendo que a batata, a
quinoa, o milho, o feijão, a pimenta, a batata-
doce, a cabaça, a mandioca, o amendoim, o
abacate, o algodão eram plantados desde as
terras frias de alta altitude até os vales baixos e
quentes (FAVRE, 1974, p.38).

Ao abordar a economia e planejamento da


civilização inca, Moraes (1993, p. 46), preconiza
que a base da produção agrícola era o milho, a
batata, o tomate, a abóbora e o amendoim. E
quando o milho era plantado em terraços feitos
Figura 7. Outubro: tempo de
espantar os pássaros dos em encostas de serras, este recebia água
canteiros. Felipe Guaman Poma
de Yala, Primer Nueva corónica y
proveniente das geleiras por meio de canais de
buen gobierno, 1615, p. 1169. irrigação ou aquedutos subterrâneos. A cultura
do milho disciplinou o trabalho social e realizou
o milagre de uma justa distribuição de esforços. Havia duas espécies:
muruchu e capia que cresciam nas elevadas altitudes e nos terrenos
pobres. Serviam como alimento e como bebida. E ainda, para sacrifícios
solenes, faziam pão de milho (zancu), e para o seu comer, faziam o
mesmo pão que chamavam de huminta.

Outro cereal utilizado pelos incas era o manco, planta


complemente extinta depois da chegada dos europeus, conforme
aponta Garcilaso de la Vega (C. R. 1998, 1/ XXIV, p. 95). Servia como
bebida ou como comestível. Uma planta que por sua excelência e
versatilidade unia homem, natureza e trabalho. Garcilaso ainda destaca
que o milho foi muito importante na organização do trabalho e a batata
foi determinante na economia e na alimentação. Desta forma, podemos
perceber que os incas valorizavam as plantas assim como valorizavam
suas divindades, uma vez que as plantas permitiam aos incas a vida. 19
De acordo com Burland (1978, p. 14), quando as famílias
recebiam seus lotes, estas cultivavam os campos situados em níveis
diferentes das encostas montanhosas. No cume plantavam batatas e
outras culturas resistentes ao frio. Nos níveis intermediários eram
semeados o feijão e milho e, em terras baixas, havia árvores frutíferas e
pimenteiras. Ainda, descreve minuciosamente várias tarefas realizadas
mensalmente pelo povo inca, sendo que nos meses de agosto e
setembro os campos eram lavrados para semeadura do milho. Entre
junho e julho, ocorria a colheita da batata, da qual os incas cultivavam
diversas variedades que eram guardadas em cabanas especiais. Elas
serviam de base para guisados. Entre abril e maio, as espigas de milho
se apresentavam granadas e serviam de alimento no inverno. Nos
meses de outubro e novembro, surgiam os primeiros brotos. Os
rapazes eram enviados para espantar os pássaros e as mulheres
mantinham as valas de irrigação desimpedidas. (Figura 7). Este
trabalho assegurava que as plantas germinassem vigorosas. E
finalmente, entre dezembro e janeiro eram os meses em que os incas
cuidavam dos tenros pés de milho e plantavam coca, a qual era
destinada aos sacerdotes e à elite inca.

4. Conclusão

As crônicas do XVI procuraram descrever as relações entre o


mundo hispânico e o universo incaico. Acabaram agregando valores
objetivos e subjetivos nestas relações. Os escritos de Garcilaso de la
Vega se sobressaíram neste contexto, tanto pela natureza literária
quanto pelos vínculos que estabeleceu entre a cultura inca e hispânica.
Sua obra é marcante, pois construiu um panorama dessas
aproximações e distanciamentos durante o processo de colonização
que estava em curso. A crônica garcilasiana permitiu identificarmos a 20
relação das populações andinas com a terra. Uma relação marcada
pelas relações sociais, culturais, políticas e religiosas. Neste texto,
centramo-nos nas relações sociais, isto é, no ayllu, sistema
determinante na produção agrícola e no sustento de toda população
inca. As obras de engenharia, os sistemas hidráulicos, a rotação de
culturas, o plantio em terraços, a seleção de espécies vegetais, as
técnicas de cultivo, adubagem e irrigação foram excepcionais, uma vez
que se adaptaram ao meio natural, nem sempre ameno, integrando
conhecimentos de diferentes povos que constituíram o império inca.
Atualmente, a tríade alimentar dos índios peruanos é composto de
milho, batatas e quinoa. Sendo esta última, cultivada a mais de cinco
mil anos nos Andes. Semente que se popularizou pelo mundo,
chegando a ser utilizada como alimento pelos astronautas da
Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA). Por outro
lado, as populações andinas ainda buscam o seu inequívoco direito
ancestral sobre a terra dentro de um sistema que valoriza a
individualidade e não a coletividade.
Referências

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Paraná – UNESPAR – Campus de União da Vitória, 2010.
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1977.
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Peruanística, 1963.
6. DOLLFUS, Oliver. El reto del espacio andino. Lima: IEP, 1981.
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2004. 21
8. FERREIRA, Jorge Luiz. . Incas e astecas: culturas pré-colombianas.
São Paulo: Ática, 1991.
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do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: UNESP, 2010.
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14. OLIVEIRA, José Adeildo Bezerra de. Conhecer para conquistar:
estudo comparativo das conquistas dos impérios asteca e inca.
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sagradas e profanas do feminino nas crônicas espanholas do século
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Quinhetistas: um polígrafo na literatura brasileira do século XIX
(1885-1897). São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.
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