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UNESPAR - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ

CAMPUS FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS


DE UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ

PATRÍCIA SILVA RAMOS

MULHERES NA DITADURA: REFLEXÕES EM SALA DE AULA SOBRE


GÊNERO E VIOLÊNCIA

UNIÃO DA VITÓRIA
2013

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PATRÍCIA SILVA RAMOS

MULHERES NA DITADURA: REFLEXÕES EM SALA DE AULA SOBRE


GÊNERO E VIOLÊNCIA

Trabalho Final de Estágio Supervisionado


apresentado ao Curso de História da Universidade
Estadual do Paraná, campus Faculdade Estadual de
Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória –
Paraná, como requisito para aprovação nas
disciplinas de Metodologia e Prática de Ensino de
História e Estágio Supervisionado.

Orientador do Tema: Kelly Cristina Vianna

UNIÃO DA VITÓRIA
2013

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Aos meus pais, exemplos de caráter e dignidade,
por todo cuidado, amor e confiança.
Ao amor da minha vida, meu alicerce, por todo amor,
por toda dedicação e força.
Ao meu avô Sebastião (in memorian) por sempre ter
acreditado neste momento antes mesmo de eu ter
me decidido pela docência. A todos aqueles que, de
alguma forma, contribuíram para que eu chegasse
até aqui .

3
.

Desejo que você não tenha medo da vida, tenha medo


de não vivê-la.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem
acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-
lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para
irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,
pois sonhos sem disciplina produzem pessoas
frustradas.
Seja um debatedor de ideias. Lute pelo que você ama.
(Augusto Cury)

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por me conceder força e sabedoria nos


momentos em que mais precisei.
Aos meus pais José e Dorizete por acreditarem em mim, por toda a
confiança na minha capacidade, pelas renúncias em favor da minha formação,
por todo amor, dedicação e incentivo.
Ao meu namorado Augusto por sempre estar ao meu lado em todos os
momentos, por todo amor, confiança e apoio.
À professora Kelly por toda atenção, dedicação e carinho, por todo o
trabalho para que tivéssemos um ótimo resultado e por me inspirar.
À professora Cláudia que me acolheu com carinho, por ter sido o motivo
da minha escolha pela docência.
À professora Dulceli pela amizade, carinho e dedicação, por ser o meu
grande exemplo a ser seguido, sempre, por me mostrar que cada esforço vale
à pena e que o amor faz toda a diferença.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...................................................................................................07
1. A DITADURA MILITAR NO BRASIL.....................................................09
1.1 REPRESSÃO E TORTURA...................................................................12
1.2 SUBVERSIVAS: AS MULHERES NA DITADURA MILITAR..................14
1.3 POR QUE ESTUDAR HISTÓRIA NACIONAL?......................................16
2. CONCEPÇÕES E REFLEXÕES SOBRE HISTÓRIA E SEU ENSINO.20
3. CO-PARTICIPAÇÃO:OBSERVAR E APRENDER................................30
3.1 RELATO DA PRÁTICA: A TEORIA NA PRÁTICA É A MESMA
COISA.....................................................................................................31
4 RESULTADOS..........................................................................................42
REFERÊNCIAS............................................................................................47
FONTES.......................................................................................................49
APÊNDICE 1: PLANO DE TRABALHO DOCENTE...................................50
APÊNDICE 2: PLANO DE AULA 1.............................................................57
APÊNDICE 3: PLANO DE AULA 2.............................................................60
APÊNDICE 4: PLANO DE AULA 3.............................................................63
APÊNDICE 5: PLANO DE AULA 4.............................................................66
APÊNDICE 6: PLANO DE AULA 5.............................................................69
APÊNDICE 7: PLANO DE AULA 6.............................................................72
APÊNDICE 8: SLIDES SOBRE GOVERNOS MILITARES.........................76
APÊNDICE 9: ATIVIDADE SOBRE CHARGES..........................................80
APÊNDICE 10: PROVA ESCRITA..............................................................82
APÊNDICE 11: DOCUMENTO AI5..............................................................86
APÊNDICE 12: RELATO PARA ANÁLISE.................................................95
APÊNDICE 13: MATERIAL DIDÁTICO.......................................................97
APÊNDICE 14: CHARGES UTILIZADAS.................................................106
ANEXO 1: QUESTÕES..............................................................................108
ANEXO 2: TEXTO SOBRE O AI5.............................................................110
ANEXO 3: ANÁLISE DE CHARGES........................................................115
ANEXO 4: ANÁLISE DA MÚSICA “PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI
DAS FLORES”...........................................................................................117
ANEXO 5: PROVA ESCRITA....................................................................120

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho foi desenvolvido para relatar como foi a experiência


de ensino realizada para o Trabalho Final de Estágio Supervisionado, o estágio
foi realizado na cidade de São Mateus do Sul, Paraná, no Colégio Estadual
São Mateus Ensino Fundamental, Médio, Profissional e Normal, localizado à
rua Dr. Paulo Fortes, nº 422.
As atividades foram realizadas ao longo de doze aulas, sendo estas
divididas em duas aulas conjugadas por semana, dessa forma o estágio se
estendeu por seis semanas. As aulas foram aplicadas no terceiro ano do
Ensino Médio Normal, a turma era constituída por dezenove alunos, a
professora supervisora do estágio foi Cláudia Regina Pacheco Portes e o tema
escolhido para ser aplicado foi Ditadura Militar no Brasil com ênfase na
participação das mulheres.
A História por vezes é encarada como uma disciplina secundária e tem
sua importância diminuída perante as ciências exatas, isso é perceptível até
mesmo pela diminuição da carga horária da disciplina, por esse e outros
fatores é que, nós enquanto professores devemos mostrar aos nossos alunos a
importância de se estudar História e o estágio supervisionado é uma ótima
oportunidade para desenvolvermos tal ideia.
Os temas escolhidos para cada aula vieram no sentido de procurar
desenvolver em sala de aula um debate crítico sobre os fatos históricos bem
como a participação de sujeitos, nesse caso as mulheres, que até bem pouco
tempo atrás se encontravam praticamente excluídas da história. A construção
desse debate de cunho crítico vem ao encontro do nosso objetivo de ajudar
nossos alunos a desenvolverem uma consciência histórica crítica, bem como
fazê-los sentir parte ativa da sociedade onde vivem.
Ao entrarmos em sala de aula nos deparamos com todas as dificuldades
que o cotidiano escolar nos impõe e é nesse momento que precisamos colocar
em prática toda a teoria que aprendemos na universidade. Dessa forma o
presente estágio foi de extrema importância para conseguirmos relacionar
teoria e prática e também para percebermos que, se bem aplicada toda teoria

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funciona de forma satisfatória, ela só depende do esforço e da dedicação do
professor para trazer resultados excelentes.
É pensando sobre essas questões que desenvolvemos este trabalho
também com o intuito de refletir sobre nossas ações em sala de aula, mais do
que mostrar nossos resultados queremos que esta produção venha no sentido
de analisarmos nossa própria prática e que seja mais do que qualquer coisa
uma forma de melhorarmos a cada dia.
O futuro da educação em nosso país está em nossas mãos e mais do
que isso está na nossa vontade de fazer a diferença, como professores
devemos nos dedicar ao máximo e buscar melhorar sempre, pois, nossas
melhoras refletirão em melhoras significativas e diretas no ensino.

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1. A DITADURA MILITAR NO BRASIL

Ao peso dos impostos, o verso


sufoca,
a poesia agora responde a inquérito
policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo.
Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele
construímos um artefato
um poema
uma bandeira.
(Ferreira Gullar, agosto de 1964)

Do ano de 1964 até o ano de 1985 o Brasil escreveu uma das mais
cruéis páginas da sua história, que foi marcada por cenas de intolerância,
violência e repressão. Esse período é marcado pela Ditadura Militar que
governou o país, ela se caracteriza por ser um regime autoritário, a sua
implantação teve início com o Golpe de 1964, foi um golpe de estado liderado
pelas Forças Armadas do Brasil que pôs fim ao governo do então presidente
João Goulart. Quando este assumiu a presidência, anteriormente ao golpe, o
momento foi marcado pela liberdade de organizações sociais, estudantes,
trabalhadores tiveram seus espaços reconhecidos na sociedade, daí o receio
das classes mais conservadoras que o país pendesse para um lado mais
socialista, existia ainda o receio de que o comunismo imperasse. O período
militar durou então até o ano de 1985 quando José Sarney assume o cargo de
presidente eleito.
A partir desse momento o Brasil se vê mergulhado em uma nova fase
histórica, o regime que comandava o país deixou marcas indeléveis em seu
povo, em suas instituições e em sua nação. Foram vinte e um anos marcados
por confrontos entre forças sociais e políticas.
Nesse período o modelo econômico que se fez imperante foi o de
desenvolvimento capitalista, ele permitia uma alta concentração de renda e
conseqüente desenvolvimento econômico. Contudo os resultados do setor
econômico soaram um tanto quanto contraditórios, pois a industrialização e o
9
crescimento econômico não beneficiavam a todos, a classe trabalhadora, por
exemplo, estava fora desse rol de beneficiados. O Estado fez da ordem o seu
principal instrumento para concretizar os seus objetivos e consolidar seu poder,
conseguindo manter essa ordem eles viabilizavam as suas ações.

A doutrina da Segurança Nacional traduzia a ideologia política do


Estado e baseava-se num pressuposto básico: “um estado
permanente de guerra total entre o mundo livre da civilização
ocidental e „cristã‟ e o comunismo internacional e ateu”. (CIAMPI In:
CERRI, 2003, p.13)

Durante o período militar existiram vários mandatos, ou seja, vários


presidentes passaram pelo poder, o primeiro deles foi Humberto de Alencar
Castelo Branco, que governou o país de 1964 a 1967, os principais fatos do
seu governo foram a imposição das eleições indiretas, a dissolução de partidos
políticos, a criação de um bipartidarismo onde o MDB (Movimento Democrático
Brasileiro) e a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) formavam a face política
do país, contudo a oposição era controlada, a existência de um partido
representante do povo era mera fachada de uma democracia inexistente no
momento.
O segundo governo foi o de Artur da Costa e Silva que governou de
1967 a 1969, seu mandato foi marcado por inúmeros protestos e
manifestações, foi durante o seu governo que se instituiu o Ato Institucional
nº5, considerado o mais duro de todos os atos, pois reprimia todos os direitos
do cidadão e impunha mais força à tortura e à censura, com a justificativa de
preservar os objetivos do movimento.
Após o afastamento de Costa e Silva a junta militar tomou as rédeas do
processo político, ela tomou o poder em 1969, era composta por Aurélio de
Lira Tavares (Ministro do Exército), Augusto Rademaker (Ministro da Marinha)
e Márcio de Sousa e Melo (Ministro da Aeronáutica). Uma das primeiras
atitudes tomadas pela junta foi a edição do Ato Institucional Número Três que
punia os brasileiros considerados ameaça à segurança nacional com a pena de
banimento e ainda editaram o Ato Institucional Número Quatro, que previa a
pena de morte e a prisão perpétua para os casos de guerra revolucionária e
subversiva. Também sancionaram a Lei de Segurança Nacional, que previa

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punir todos aqueles que eram considerados inimigos do regime, que eram
então vistos como uma ameaça ao país.
Outro governo foi de Emílio Garrastazu Médici, ele governou de 1969 a
1974, esse período ficou conhecido como os anos de chumbo, por ser o mais
duro da ditadura, a censura se fez muito forte nesse momento, criou-se o DOI-
CODI (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações
de Defesa Interna), locais para onde os presos políticos eram levados para
interrogatório, foi no seu mandato que se deu o chamado milagre econômico,
momento em que o país entrou em fase de grande desenvolvimento, com o
aumento do PIB (Produto Interno Bruto), por exemplo, contudo foi um momento
contraditório, pois, mesmo em período de grande crescimento econômico nem
toda a população era beneficiada, havia uma disparidade, outro fator que traz à
tona a contradição é o fato de empréstimos externos serem feitos para
proporcionar esse desenvolvimento, com isso a dívida externa do país cresceu
absurdamente.
Após o governo Médici temos o mandato de Ernesto Geisel que foi 1974
a 1979, nesse momento houve o fim do milagre econômico e a oposição
política começa a ganhar espaço, ele acaba com o AI5 e restaura o habeas
corpus, a partir desse momento percebemos que as rédeas do regime vão se
afrouxando, pode-se pensar que nesse momento a sombra da ditadura estava
deixando o espaço do Brasil, já surgia aqui uma esperança de que a
democracia voltasse a ser exercida.
Do ano de 1979 a 1985 Figueiredo assume o poder e lança a lei da
anistia, retorna o pluripartidarismo, nesse momento a ARENA torna-se PDS, o
MDB torna-se PMDB e ainda há a criação do PT e do PDT, isso nos deixa claro
que a partir daqui não existia mais a intenção de impor à população um
governo autoritário, é a democracia tomando força novamente.

A doutrina da Segurança Nacional traduzia a ideologia política do


Estado e baseava-se num pressuposto básico: “um estado
permanente de guerra total entre o mundo livre da civilização
ocidental e „cristã‟ e o comunismo internacional e ateu”. (CIAMPI In:
CERRI, 2003, p.13)

Considerando a trajetória dos governos do período militar percebemos


que apesar do golpe em si ter sido proferido de forma abrupta o

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desenvolvimento bem como o enfraquecimento do regime aconteceu de forma
lenta e gradual.
Dentro da sociedade brasileira organizaram-se várias frentes de
resistência a essa nova fase pela qual o país estava passando, elas se
organizavam contra a violência e a manipulação do novo regime. Esses
movimentos sociais trouxeram à tona um novo grupo de sujeitos que figuravam
como novos personagens dentro da história, tratava-se de novos sujeitos
políticos fruto do próprio movimento que despontavam no cenário da época.

Sujeitos que agem procurando encontrar caminhos que os


relacionassem às suas instituições em crise. Sujeito coletivo que, no
interior dos movimentos sociais, procura construir sua identidade e
organizar novas práticas em suas experiências cotidianas de
resistência e luta. Instaurando novos espaços políticos e nova forma
de fazer política. (...). (CERRI, 2003, p.14)

Esses indivíduos tinham vontade de serem sujeitos da própria história,


repudiavam a manipulação do novo regime e é a ação desses novos sujeitos
que trazem à tona a transformação da realidade brasileira.

1.1 REPRESSÃO E TORTURA


Um dia, ao abrir a porta do gabinete,
vieram ao meu encontro duas
senhoras, uma jovem e outra de
idade avançada.
A primeira, ao assentar-se em minha
frente, colocou de imediato um anel
sobre a mesa, dizendo: “É a aliança
de meu marido, desaparecido há dez
dias. Encontrei-a esta manhã, na
soleira da porta. Sr. Padre, que
significa essa devolução? É sinal de
que está morto ou é um aviso de que
eu continue a procurá-lo? (ARNS,
1985, p. 11)

O período militar teve como uma de suas principais características a


repressão contra indivíduos e meios de comunicação, ela acontecia de uma
maneira muito forte impedindo o pleno funcionamento de jornais, revistas,
músicas e também afetando a liberdade do indivíduo impondo aquilo que era
certo aos olhos do regime. Essa repressão vinha no sentido de proteger a
segurança que se via ameaçada, aqui, o que valia era a ideologia do regime,

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quem estivesse contra ele era um inimigo em potencial, não havia espaço para
neutralidades.

Em outras palavras, ameaçada a “segurança”, está justificado o


sacrifício do Bem-Estar que, por extensão, é o sacrifico também da
liberdade, das garantias constitucionais, dos direitos da pessoa
humana. (...) o inimigo era interno, devendo ser procurado entre o
povo brasileiro. (ARNS, 1985, p. 70)

A liberdade de expressão da população brasileira foi totalmente


reprimida, nada que se opusesse ao governo poderia ganhar voz, por isso
jornais, revistas, músicas, tudo estava sob os olhos do regime. Contudo cabe
lembrar que, a preocupação não era somente evitar que ideais contrários ao
sistema ganhassem espaço havia ainda o cuidado de não deixar escapar as
barbáries cometidas em prol da causa militar.
O cidadão perdeu todas as suas garantias individuais que constavam na
Constituição, desencadeou-se uma prática de detenção que mais parecia um
sequestro do que qualquer outra coisa, a intenção era obter informações sobre
aqueles que vinham contra a ideologia do sistema.
Nesse sentido cabe a nós ressaltarmos como essas informações eram
obtidas, os órgãos de segurança muitas vezes invadiam as casas dos civis sem
dar qualquer explicação e os levavam de forma violenta para interrogatório.
Aqui, o emprego da tortura foi peça fundamental para a consolidação do
sistema repressivo, os indivíduos interrogados eram cruelmente torturados afim
de que dessem as informações pedidas, contudo, muitas vezes não existia
informação a ser passada o que levava muitas pessoas a fazerem confissões
falsas, a assinarem depoimentos falsos, por medo de sofrerem nas mãos dos
agentes sequer buscavam saber o que estavam fazendo, a única coisa que
desejava eram sair dali ilesos.

(...) que, em dita sala, novamente o interrogado foi submetido a


torturas, já das mesmas participando o Capitão Júlio Mendes e o
Tem. Expedito; que, após as sevicias já referidas, trouxeram um
papel, ou melhor, vários papéis para que o interrogando assinasse;
que, em face dos fatos já descritos, o interrogando se limitou às
assinaturas, desconhecendo, no entanto, o conteúdo de tais papéis;
(...) (ARNS, 1985, p.208)

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A tortura foi aplicada indiscriminadamente, não fazia diferenciação entre
sexo, idade, condições físicas, morais ou psicológicas, todas as pessoas que
estavam sob suspeita de ações subversivas eram atingidos pela brutalidade
dos métodos do regime ditatorial. A justificativa usada para esses atos era a
urgência em obter essas informações pelo bem do país, não bastava imprimir
no indivíduo uma dor física, buscava-se romper os limites emocionais da
pessoa, era a destruição moral, ou seja, o alvo não era somente o corpo físico
o psicológico era fortemente atacado. Homens, mulheres, idosos, deficientes,
crianças, gestantes, jovens, todos eram alvo e se tornaram vítimas da ditadura.
Cabe ressaltar aqui que os torturadores fizeram da sexualidade feminina
um objeto de satisfação das suas taras sexuais, nesse sentido cabe a nós
pensarmos até que ponto a tortura deixou de ser um método e passou a ser um
prazer para os torturadores e mais, devemos igualmente pensar quando a
preocupação com a subversividade foi deixada de lado dando lugar somente à
sexualização da tortura.

(...) A qualquer hora do dia ou da noite sofria agressões físicas e


morais. “Márcio” invadia minha cela para “examinar” meu ânus e
verificar se “Camarão” havia praticado sodomia comigo. Este mesmo
“Márcio” obrigou-me a segurar o seu pênis, enquanto se contorcia
obscenamente. Durante este período fui estuprada duas vezes por
“Camarão” e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua,
ouvindo gracejos e obscenidade, os mais grosseiros. (...) (Inês
Etienne Romeu, 29 anos. In: ARNS, 1985, p.47)

Como dito anteriormente tanto os meios de comunicação foram


reprimidos, como também as manifestações artísticas, entretanto houve
aqueles que burlaram essa repressão do regime, entre eles estão artistas
conhecidos como Caetano Veloso, Raul Seixas, Chico Buarque que com suas
músicas protestavam contra o regime militar, nas entrelinhas de suas
composições faziam suas críticas ao caos que o país estava submetido e toda
a situação precária que a população estava vivendo.

1.2 SUBVERSIVAS: AS MULHERES NA DITADURA MILITAR

Assim como tantos outros períodos da história do Brasil a Ditadura


Militar é pintada como uma história essencialmente masculina, as relações de

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gênero encontram-se praticamente excluídas embora seja claramente
perceptível que as mulheres estavam ali, ao lado dos homens fazendo a
história de redemocratização do Brasil.

A relação entre mulher e política tem sido tema tabu na sociedade


brasileira. O lugar do homem é no comando d mundo político, à
mulher resta o privado, (...). Invadir o espaço público, político e
masculino foi o que fizeram estas mulheres a se engajarem em
organizações de esquerda, clandestinas, para fazer oposição,
juntamente com os homens, ao regime militar. (COLLING, 1997, p.7)

Segundo Colling (1997) aos olhos do regime militar as mulheres


cometiam dois pecados mortais, ir contra o regime vigente e ignorar o seu lugar
dentro da sociedade, a mulher militante é caracterizada como a “Puta
Comunista” aquela que ignora a ordem de não invadir espaços que não lhe
pertencem.
As próprias mulheres diluem em seus discursos as relações de gênero,
assumem uma identidade margeada por um discurso essencialmente
masculino, ela entrava em uma categoria assexuada para desenvolver suas
ações políticas e militantes de forma efetiva, elas buscavam ferozmente
conseguir se igualar aos seus companheiros de luta, para conseguir essa
posição de igualdade junto aos homens a condição imposta era a negação da
sua sexualidade.

Fica evidente que para a ditadura militar brasileira, a mulher militante


não era apenas uma opositora ao regime militar; era também uma
presença que subvertia os valores estabelecidos, que não atribuíam à
mulher espaço para a participação política. Como esta questão está
presente na sociedade e nas próprias organizações de esquerda,
pode-se concluir que as relações de gênero têm uma dimensão que
perpassa todas as instâncias e instituições sociais. (COLLING, 1997,
p.9)

Entretanto pensar essa negação da sexualidade nos traz uma reflexão


interessante, ao passo que para essas mulheres seu sexo não diferenciava na
luta para os sujeitos ligados ao regime o sexo fazia toda a diferença, para os
torturadores, por exemplo, ter uma mulher como interrogada era melhor do que
ter um homem, pois, a mulher é naturalmente mais interessante, aqui a
sexualidade feminina é o ponto de interesse, pois permite que o torturador
satisfaça seus prazeres.

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A mulher sempre teve seu corpo como objeto de curiosidade e desejo, o
torturador queria despi-lo e através dele alcançar a alma daquela que estava
em suas mãos, seu objetivo não era somente causar-lhe dor ou
constrangimento, queria destruir-lhe a integridade emocional. Eles queriam
destituí-las do seu lugar de mulher, de mãe, de esposa, de filha, queriam tirá-
las do seu lugar feminino, já que se atrevera a penetrar em um espaço
masculino deveriam estas sofrer as conseqüências.

O lugar de cuidadora e de mãe foi vulnerado com a ameaça


permanente aos filhos também presos ou sob o risco de serem
encontrados onde estivessem escondidos. O aviltamento da mulher
que acalentava sonhos futuros de maternidade foi usado pelos
torturadores com implacável vingança, questionando-lhe a fertilidade
após sevícias e estupros. A devastação da tortura não tem
parâmetros materiais. (MERLINO, 2010, p.30)

A tortura sobre essas mulheres foi dispensada indiscriminadamente,


nada era levado em consideração, se estava grávida ou não, era indiferente
para os torturadores. Ao passo que esses fatos aconteciam, aquelas mulheres
que ainda não estavam sob o poder do Estado se organizavam pelas ruas em
movimentos de protesto.
Segundo Merlino (2010) a luta pela anistia teve seu início com as
mulheres através do Movimento Feminino pela Anistia e somente depois
entram em cena o Comitê Brasileiro pela Anistia. Eles exigiam a libertação dos
presos políticos, a volta dos exilados, a reintegração social e política, fim da
tortura, a desmantelação do aparato repressivo e também o esclarecimento
das mortes e desaparecimentos ocorridos durante o período em que os
militares ficaram no poder.
Hoje encontramos reintegradas nos setores político, social, cultural e
educacional muitas mulheres que foram vítimas da Ditadura Militar, mulheres
que agiram em movimentos de libertação social e continuam ainda hoje
tentando esclarecer cenas obscuras deixadas como rastro pelo regime militar.

1.3 POR QUE ESTUDAR HISTÓRIA NACIONAL?

O tema do presente trabalho ainda nos faz pensar em outra questão de


suma importância, por que devemos estudar, por que devemos ensinar aos

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nossos alunos história nacional? Iremos esclarecer de forma breve tais
questionamentos.
Ao longo de todo o percurso do ensino de história no Brasil houve uma
predileção pelo ensino da história geral, a história nacional, na maioria do
tempo ocupou um lugar secundário, como se sua importância estivesse aquém
da história mundial. Tal fato reflete na seleção dos conteúdos escolares onde
percebemos uma preocupação em compreender o mundo globalizado, é a
história ditada pela globalização.
Muitas vezes o ensino da História do Brasil é diminuído, pois, para
alguns, refletem a tentativa de formação de uma consciência pautada nos
interesses de uma elite dominante, contudo, esse pensamento faz com que a
educação muitas vezes se torne falha, ou incompleta, pois, é necessário que, o
aluno sinta-se e se reconheça como parte de seu país, antes mesmo de
entender-se parte do mundo como um todo.

Com a difusão do culto à globalização, a história nacional pode ser


considerada como um conteúdo desnecessário, por ser de cunho
conservador e limitador da modernização. O atual estágio do
capitalismo associa a modernização e a tecnologia ao mundo da
globalização, e tudo que se refere a nacionalismo corresponde a uma
representação de “atraso”. (BITTENCOURT, 2009, p.156)

O que está em primeiro lugar, geralmente, é a construção de uma


identidade que faça o aluno sentir-se parte de um mundo globalizado, onde a
história nacional não encontra seu lugar por ser considerada retrógrada e
ultrapassada, há um objetivo de formar um cidadão do mundo antes mesmo de
formar um cidadão brasileiro. Para tanto, na maioria das vezes a história do
Brasil é explanada a partir de explicações exógenas, ou seja, os problemas ou
as situações do país são explicadas a partir de ideias externas, logo a
interpretação da realidade brasileira provém dessas ideias, sendo assim o
Brasil não é interpretado olhando para dentro dele mesmo, sempre se pauta as
ideias em reflexões vindas de fora. “A história do Brasil aparece como apêndice
da história global, e sua existência deve-se ao desenvolvimento do capitalismo
comercial, a partir da expansão marítima européia.” (BITTENCOURT, 2009,
p.157)

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Assim como os historiadores propriamente ditos, os professores de
história não são neutros, têm suas preferências e intencionalidades, logo, são
eles que vão decidir se aprofundarão ou não, em sala de aula a questão da
História do Brasil. Essa seleção de conteúdos reflete um problema que merece
atenção, como Bittencourt (2009, p. 138) nos diz, essa escolha não é uma
tarefa tão fácil, pois é impossível ensinar toda a história humana, sendo assim
é visado na maioria das vezes atender ao interesse do aluno ou do próprio
professor, e é exatamente essas escolhas que geram as exclusões, é o que
acontece com a história nacional, da mesma forma com que acontece com a
história da áfrica, com a história das mulheres, com os indígenas, todos são
alvos de escolhas que, muitas vezes não vêm ao seu encontro.
Contudo não podemos diminuir a importância do tema “história
nacional”, as dificuldades do dia-a-dia não podem nos tornar relapsos, mesmo
encontrando alguns obstáculos para ensinar determinados temas, como
professores devemos correr atrás de soluções, de materiais que nos permitam
desenvolver aulas de qualidade sobre assuntos que podem não ser tão
abordados, tomando tais atitudes estaremos mostrando aos nossos alunos que
todos os fatos históricos têm importância e devem ser considerados, a
diferença está na relevância dada a cada um.
Nos últimos anos a produção historiográfica tem aumentado, em
diversos temas, inclusive na história do Brasil, Bittencourt (2009) ainda nos diz
que há, além disso, interpretações recentes de temas antigos que nos dão,
igualmente, novos objetos a serem trabalhados em sala de aula, contudo esse
ponto nos faz refletir sobre o próprio professor pois, para conseguir fazer essa
relação entre as produções e o seu ensino em sala de aula é necessário que o
professor esteja em contínua formação, ou seja, ele deve estar sempre
acompanhando o desenvolvimento das produções historiográficas, e o que
percebemos na maioria as vezes é que se torna mais fácil diminuir um tema do
que renovar-se para ensiná-lo de uma forma melhor.
Tendo então a oportunidade de mudar essa realidade é que devemos
sempre estar dispostos a nos renovar, renovar nossos métodos, nossas fontes
visando sempre um ensino melhor com mais qualidade, tais atos exigem nosso
esforço, contudo, temos certeza de que seremos mais adiante recompensados

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e não dizemos isso no sentido monetário, um bom professor sente-se
recompensado com o aprendizado de seu aluno.

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2. CONCEPÇÕES E REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA E SEU ENSINO

A questão é uma lembrança que nos toma a memória até hoje e, durante
esses quatro anos de graduação ela hoje se fez mais presente, no primeiro dia
de aula, do nosso primeiro ano a primeira pergunta lançada a nós foi: O que é
História?
Em nossa memória guardamos a lembrança de que, com receio e em miúdas
letras foi respondido:

História é a relação entre o historiador e seus fatos, é tudo aquilo que


nos mostra o passado, sejam objetos, documentos, ou simplesmente
fatos, porém não é uma verdade absoluta, já que depende da
interpretação de quem a estuda, de uma forma geral é a relação entre
passado e presente, onde os dois se completam vislumbrando o
futuro. (Patrícia Silva Ramos)

No decorrer deste período acadêmico percebemos não estar tão longe


daquilo que nos foi apresentado, Collingwood (1972, p. 9 -12) nos mostra
através da Filosofia da História que o conhecimento histórico, bem como a
História em si, são possíveis, além disso nos diz que a História não é uma
ciência totalizante, se faz no particular, grosso modo a Filosofia da História não
se preocupa com o objeto em si, mas com a interatividade, a reciprocidade,
como é usado este objeto, a História não diferente disso deve preocupar-se
também com essas interações.
O autor ainda coloca que pensamento do historiador é um sistema de
conhecimento (1972, p. 9) e o passado um sistema de coisas conhecidas, logo,
a História só acontece pela mão do historiador. Para Collingwood a História é
um tipo de investigação, filosofia, não a filosofia em si, e os objetos são as
ações do homem, por isso coloca a idéia de História como uma forma de
interpretação, logo não pode existir objetividade.
Concordando com as idéias de Collingwood, Edward Carr (1978, p. 12)
diz que a existência de uma História planamente objetiva é impossível,
considerando a particularidade de cada interpretação, levando em conta que a
escolha dos fatos é tão particular quanto. Ainda em concordância ele
demonstra que ao tentarmos formular uma resposta sobre o que é a História,

20
sempre somos influenciados pela nossa visão da sociedade em que estamos
inseridos, refletindo assim uma interpretação particular.

Os fatos estão disponíveis para os historiadores (...) como os peixes


na tábua do peixeiro. O historiador deve reuni-los, depois levá-los
para casa, cozinhá-los e então servi-los da maneira que o atrair mais.
(...) Primeiro, acerte os fatos; só então corra o risco de mergulhar nas
areias movediças da interpretação. Esta é a derradeira sabedoria da
escola empírica e do senso comum da história. Lembra-me o ditado
favorito do grande jornalista liberal C. P. Scott: “Os fatos são
sagrados, a opinião é livre.” (CARR, 1978, p.13)

Assim como os historiadores, os professores de História em sala de aula


usarão os fatos da forma que mais os atrai, e ao reuni-los, estudá-los irá lançar
sobre eles a sua interpretação pessoal, os fatos não falam por si, eles
respondem aos questionamentos feitos a eles, aí então o historiador, o
professor decide o que virá à cena. Sempre existirá o uso da imaginação para
compreender o passado e também o presente, pois o historiador não é neutro.
Nesse sentido Bloch (1997) nos mostra que a História é feita com doses
de escolhas pessoais que estão sempre presentes, a partir disso nos dá
característica de independência, tanto para as escolhas quanto para a
interpretação dos fatos.
Da mesma forma com que o historiador não é neutro o professor em
sala de aula também não o é, a educação em si não é neutra, Freire (1986, p.
25) nos diz que a educação além de um ato de conhecimento é um ato político,
jamais sendo neutra. Os professores, assim como qualquer indivíduo, estão
contra algo e, ao mesmo tempo a favor de alguma coisa, e assim também são
as práticas educativas.
Após esta questão inicial tivemos outra indagação: Para que serve a
História? Receosamente, devido ao pouco conhecimento a indagação foi
respondida:

A História serve para termos conhecimento de tudo o que passou,


para resgatarmos os fatos que foram deixados de lado, a História nos
ajuda a entender certos aspectos do mundo atual, através dela temos
a oportunidade de reconstruir concepções. (Patrícia Silva Ramos)

21
Hoje percebemos que não é somente isso, até mesmo porque temos
agora, uma visão de docentes, logo temos que nos preocupar acima de tudo
com nossos alunos e com o que a História irá significar para eles.
Concordamos com Bloch (1997, p. 13 – 14) quando ele coloca que se
não servir para mais nada a História serve no mínimo para se divertir, “mesmo
que julgássemos a história incapaz de outros serviços, seria certamente
possível alegar em seu favor que ela distrai (...) Pessoalmente (...) a história
sempre me divertiu muito (BLOCH, 1997, p. 13) e essa é uma importante
função social, proporcionar diversão, prazer, despertar curiosidade, agradar.
Aqui cabe a máxima que somos felizes se fazemos o que gostamos nos
tornamos mais compreensivos, afetuosos e com os alunos não é diferente,
mostrar a eles essa face divertida da História é fundamental, pois se estiverem
se sentindo satisfeitos com a aula consequentemente se entrosarão mais
proporcionando assim um resultado mais satisfatório.

Meu objeto, neste trabalho, é a História como um prazer, como um


meio agradável e útil de usar o tempo livre. A preocupação com a
fruição da História não deve ser subestimada, pois um dos
fundamentos da atividade intelectual consiste no prazer derivado do
conhecimento (FUNARI, 2003, p. 13)

Bloch (1997) ainda nos diz que o objetivo principal da História não é o
passado em si, mas sim o homem no tempo, ou seja, as relações que esses
indivíduos vivem não só no passado, mas também no presente, sendo assim:
“o Historiador não pensa apenas o humano. Atmosfera em que o seu
pensamento respira naturalmente é a categoria da duração.” (BLOCH, 1997, p.
29) Aqui é importante ressaltar que quando Bloch se refere ao homem no
tempo ele não está se referindo ao gênero masculino, mas sim ao ser humano,
pois, nossa História só pode ser construída através da vivência de todos os
seus sujeitos, sem eles não pode existir História. Isso nos faz lembrar a
importância de, em sala de aula, sempre reforçar para o aluno o fato de que,
para um bom entendimento da História devem-se considerar todos os sujeitos.
Cabe aqui ressaltarmos o que Rüsen (2001) nos afirma quando relata a
importância de desenvolver no aluno a capacidade de pensar a relação entre
passado, presente e futuro, contudo essa discussão se fará mais adiante.

22
Nesse sentido podemos nos utilizar novamente das ideias de Bloch
quando este afirma que a nossa ignorância referente ao passado prejudica a
nossa interpretação do presente, para termos uma compreensão significativa e
construirmos o conhecimento precisamos comparar passado e presente, pois,
apesar das diferenças que o próprio tempo impõe há sempre algo valioso a se
retirar dessas comparações, permitindo também que vislumbremos ações
futuras.

A ignorância do passado não se limita a prejudicar o conhecimento do


presente; compromete, no presente, a própria ação. (...) Não há
verdadeiro conhecimento sem um certo teclado de comparação.
Contanto, está claro, que o confronto incida sobre realidades ao
mesmo tempo diferentes e, contudo, aparentadas. Ninguém poderá
dizer que não seja assim. (BLOCH, p. 40-41)

Diante das escolhas realizadas para o estágio em questão temos


afinidade por mais uma ideia de Bloch (1997) quando este se refere à narrativa
e aos vestígios como ferramentas para a compreensão histórica, do passado
só podemos conhecer os fatos quando estes nos são contados, narrados, é
uma observação indireta do passado, logo não se pode considerar tudo uma
verdade absoluta, diante disso muitas interpretações de um mesmo fato irão
surgir, cabe a nós termos sensibilidade para os analisarmos da melhor forma,
sendo assim “o passado é, por definição, um dado que coisa alguma pode
modificar. Mas o conhecimento do passado é coisa em progresso, que
ininterruptamente se transforma e se aperfeiçoa.” (BLOCH, 1997, p. 55)
Quando pensamos sobre o que é História concordamos novamente com
Rüsen (2010) quando este diz que a História não é tão somente uma narrativa
está muito além, ela é ainda digna de análise e crítica de reconstrução e
compreensão e não apenas de mudanças. Outro ponto é que assim como ele,
nós acreditamos não ser tão relevante decorar a sequência de datas e nomes,
vemos com maior relevância o ato de ensinarmos nossos alunos a pensarem
criticamente, a desenvolverem suas consciências históricas do que os
transformarmos em meros repetidores de acontecimentos.

23
A respeito do ensino de história pensamos que a função deste seja a
construção do conhecimento, para tanto fundamentamos nossa concepção nas
ideias de Paulo Freire.1
Para ele o objetivo maior da educação é o de conscientizar o aluno, o
professor deve possibilitar a criação e a conseqüente produção do
conhecimento por parte de seus alunos. Além disso, o educador deve levá-los
a conhecer o conteúdo, mas não como uma verdade absoluta, deve mostrar
que existem pontos de vista diferentes que permitem que exista mais de uma
interpretação, correta ou não, para um mesmo fato.
Quando desenvolvemos no aluno a capacidade de pensar
historicamente estamos também lhe dando capacidade de relacionar os fatos
da experiência humana com fatos do cotidiano de cada um, estamos lhe dando
a capacidade de relacionar passado e presente.

Problematizar o conhecimento histórico “significa em primeiro lugar


partir do pressuposto de que ensinar História é construir um diálogo
entre o presente e o passado, e não introduzir conhecimentos neutros
e acabados sobre fatos que ocorreram em outras sociedades e outras
épocas”. (CAINELLI & SCHIMIDT, 2004, p.52 In: PARANÁ, 2008
p.72)

A visão de Freire (1989) sobre a educação parte de um princípio


fundamental: o aluno, seja ele alfabetizado ou não, chega à escola levando
consigo uma bagagem cultural que deve ser considerada e reconhecida pelo
professor, partindo desse pressuposto o docente deve utilizar dessa bagagem
para o desenvolvimento de sua aula. Nesse sentido, aquela ideia de que o
aluno é um papel em branco, cai por terra, dessa forma os dois lados
aprenderão juntos, para tanto as relações devem ser democráticas, dando
direito de expressão a todos, independente de classe ou qualquer outro fator
social.
Bittencourt (2009, p.189) coloca que, referente ao conhecimento
histórico essa posição de partir do conhecimento prévio do aluno é muito
importante, pois leva em conta as experiências vividas por esses discentes,

1
Sobre esse assunto ver: FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1996.

24
além disso, permite aos mesmos exporem as apreensões históricas que estes
conquistaram através das mídias como TV‟s, internet, entre outros. “A História
escolar não pode ignorar os conceitos espontâneos formados por intermédio de
tais experiências.” (BITTENCOURT, 2009, p.189)
Alguns professores sentem-se incomodados por verem os alunos
expondo fatos históricos através de suas próprias concepções, por vezes, até
consideram que os mesmos distorcem o que lhes foi dito em sala de aula,
contudo, tendo este tipo de posição o professor ignorando a construção de
conhecimento do seu aluno.
Cabe ao professor estabelecer um diálogo com seus alunos
aproveitando-se desse conhecimento, da mesma forma é dever do professor
perceber até que ponto os conceitos trazidos pelos alunos estão influenciados
pelas mídias, essa manipulação de ideias deve ser considerada, os meios de
comunicação em massa tem esse poder de manipulação, logo cabe também
ao professor nortear seu aluno dizendo o que está errado em determinadas
ideologias, dessa forma é possível mostrar ao aluno que nada pode ser
considerado verdade absoluta.
Segundo Bittencourt (2009) aproximar o conhecimento espontâneo e o
científico é fundamental para uma melhor compreensão de mundo e todos os
problemas que este traz, como as relações de gênero, étnicas, religiosas, etc.

O reconhecimento da necessidade da aproximação do conhecimento


do senso comum com o conhecimento científico favorece, por outro
lado, um processo de aprendizagem diferenciado, que requer
procedimentos metodológicos específicos. A constituição de
“conceitos científicos” ocorre de maneira articulada aos “conceitos
espontâneos”. (BITTENCOURT, 2009, p. 191)

É importante que o professor compreenda que ensinar não é só


transmitir saber, deve se convencer que ensinar não é apenas transferir
conhecimento, mas sim criar possibilidades para que ele possa ser produzido e
construído no dia-a-dia do aluno. O discente não pode figurar como sujeito
passivo dentro da sala de aula, ele deve ser chamado ao conhecimento.

Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos,


apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de
objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende
ensina ao aprender. (FREIRE; 1996, p. 12)

25
A educação bancária, em que o aluno é visto como mero depósito de
conhecimento que deve ser assimilado sem qualquer discussão, é totalmente
refutada, o aluno não pode ser visto como um depósito de informações, ele é
um sujeito com autonomia para criar seu próprio conhecimento, sua forma de
olhar o mundo, cabe ao professor mostrar a ele o caminho que deve seguir,
sem esquecer que ele é capaz por si só de construir as suas ideias. Construir
alunos investigadores é proporcionar aos mesmos um aprendizado efetivo.
Aqui consideramos necessário colocar a citação de Gadotti na íntegra, para
melhor contextualizar a que estamos nos referindo.

Na concepção bancária (burguesa), o educador é o que sabe e os


educandos, os que não sabem; o educador é o que pensa e os
educandos, os pensados; o educador é o que diz a palavra e os
educandos, os que escutam docilmente; o educador é o que opta e
prescreve sua opção e os educandos, os que seguem a prescrição; o
educador escolhe o conteúdo programático e os educandos jamais
são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela; o educador
identifica a autoridade funcional, que lhe compete, com a autoridade
do saber, que se antagoniza com a liberdade dos educandos, pois os
educandos devem se adaptar às determinações do educador; e,
finalmente, o educador é o sujeito do processo, enquanto os
educandos são meros objetos.
Na concepção bancária, predominam relações narradoras,
dissertadoras. A educação torna-se um ato de depositar (como nos
bancos); o “saber” é uma doação, dos que se julgam sábios, aos que
nada sabem.
A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que
sabem e os que não sabem, entre oprimidos e opressores. Ela nega
a dialogicidade, ao passo que a educação problematizadora (método
da problematização) funda-se justamente na relação dialógico-
dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos.
(GADOTTI,1989, p. 69)

Os alunos não podem ser meros espectadores do mundo, devem ser


sujeitos ativos e críticos dentro dele, assim através da educação bancária
reflete-se uma sociedade opressora que quer manter dominados aqueles que
podem modificar a realidade social em que vivemos. Freire (1983, p. 67-69)
coloca que, a educação bancária minimiza, senão anula o poder criador dos
educandos. Nesse sentido a sua criticidade já não é mais estimulada dando
lugar ao estímulo da sua ingenuidade, pois para o professor que se utiliza
desta concepção de educação a descoberta do mundo e sua transformação
não são questões relevantes.

26
Entretanto para não existir essa educação bancária se exige a presença
de educadores instigadores, curiosos, criadores e principalmente persistentes.
É ao lado de professores com esse perfil que se constrói uma aprendizagem
real, os alunos se tornam sujeitos capazes de construir e reconstruir aquilo que
lhes é ensinado, juntamente com o professor, que nesse sentido se coloca
igualmente com os alunos como sujeito do processo. Ao professor cabe, além
de tudo, despertar a curiosidade do aluno, pois através dela pode-se chegar a
um conhecimento total do objeto estudado.
Deve existir respeito à autonomia do aluno, isso faz parte da ética do
profissional, portanto, este não deve encarar esse respeito como favor
dispensado aos alunos. Respeitar as preferências, a linguagem, a curiosidade
é estar contribuindo para a boa formação de seu educando.
Outro fato importante é a questão de que não há ensino sem pesquisa,
Freire (1989) nos mostra que ao pesquisar estamos nos educando, nos
ensinando e ao compartilhar esse saber com o aluno estaremos em contínua
busca pelo saber. Tudo está em permanente transformação e interação, isso
implica em uma visão do ser humano como sendo inacabado e histórico,
estando sempre pronto a aprender. Quando relacionamos essa visão com a
figura do professor reflete-se a necessidade deste estar em formação
permanente e constante, sempre buscando saber ainda mais. Quando agimos
sobre um meio nós o transformamos e nos transformamos simultaneamente.
Fundamentamo-nos também em Rüsen quando concordamos em dizer
que a História e seu ensino têm como função também a formação de uma
consciência histórica, segundo Rüsen ela “tem como função ajudar-nos a
compreender a realidade passada para compreender a realidade presente.”
(RÜSEN, 2010, p. 56)
Nesse sentido deve-se buscar a relação entre passado, presente e
futuro, no ensino o professor deve fazer o aluno construir essa relação usando
os fatos passados para que ele consiga compreender o presente e ter uma
perspectiva de futuro “Afirmado sucintamente, a história é o espelho da
realidade passada na qual o presente aponta para aprender algo sobre o
futuro. (RÜSEN, 2010, p. 56)
Rüsen (2001) coloca que quando o professor ensina o aluno a pensar
historicamente está também ensinando a ele a possibilidade de relacionar as

27
experiências humanas com o cotidiano de cada um, é a partir da construção da
narrativa que esse pensar é concretizado.
O conhecimento histórico precisa ensinar o aluno a pensar o mundo
historicamente, ele precisa ultrapassar o seu cotidiano. Ele precisa ser ligado
ao contexto senão não tem utilidade. O conhecimento precisa estar relacionado
com a vida humana prática e não somente com o cotidiano do aluno, sua vida
imediata. Com essa postura somente preparamos o aluno para o mercado. E
não alcançamos nosso objetivo de desenvolvimento da consciência, A
aprendizagem do passado tem significado quando o sujeito se entende como
um agente ativo no presente.
Rüsen (2010, p.59) coloca que somente conseguimos chegar a essa
consciência histórica através da narrativa, pois esta é a competência específica
da consciência histórica, logo nossas práticas em sala de aula devem
vislumbrar este tipo de atividade para que então consigamos chegar ao
resultado esperado.

Essa narração tem a função geral de servir para orientar a vida


prática no tempo. Mobiliza a memória da experiência temporal,
desenvolvendo a noção de um todo temporal abrangente, e confere
uma perspectiva tempral interna e externa à vida prática. (RÜSEN,
2010, p. 62)

A conscientização surge como um compromisso histórico, nós devemos


como professores promover certa transformação na consciência dos nossos
alunos, visando sempre fazer com que esses alunos abandonem a consciência
ingênua e a transformem em consciência crítica, uma consciência histórica
crítica.

A conscientização não pode existir fora da “práxis”, ou melhor, sem o


ato ação-reflexão. Esta unidade dialética constitui, de maneira
permanente, o modo de ser ou de transformar o mundo que
caracteriza os homens. (...) É também consciência histórica: é
inserção crítica na história, implica que os homens assumam o papel
de sujeitos que fazem e refazem o mundo. Exige que os homens
criem sua existência com um material que a vida lhes oferece. (...)
A conscientização não está baseada sobre a consciência, de um
lado, e o mundo, de outro; por outra parte, não pretende uma
separação. Ao contrário, está baseada na relação consciência-
mundo. (FREIRE, 1980, p. 26-27)

28
Nesse momento pensamos também na questão da educação libertadora
de Paulo Freire, a qual propõe a lógica da crítica, uma atitude que não se limita
à escola, mas é levada para a vida do aluno, essa educação coloca o aluno
como sujeito capaz de confrontar-se com a realidade social, política e cultural
da sociedade, sendo assim “educação libertadora enquanto educação
democrática, educação desveladora, educação desafiadora, um ato crítico de
conhecimento, de leitura da realidade, de compreensão de como funciona a
realidade.” (SHOR, FREIRE: 1986 p.51)
Enquanto professores devemos fazer com que a História faça sentido
para nossos alunos, devemos ajudá-los a formar um pensamento histórico a
partir da produção do seu conhecimento e fazer com que tenham capacidade
de pensar historicamente. Precisamos compreender que o aluno é sujeito
autônomo capaz de pensar por si só, sendo assim, apenas ouvir não o faz
aprender. Devemos procurar nortear nossos alunos para que consigam
construir suas visões de mundo a partir de suas próprias concepções e, mais
do que isso, é nossa obrigação mostrar a cada um deles que são capazes de
pensar, refletir, de construir conhecimento, mostrar que são capazes de
desenvolver uma consciência que os coloque no mundo como sujeitos ativos e
capazes de fazer a diferença.

29
3. CO-PARTICIPAÇÃO: OBSERVAR E APRENDER

A experiência prática da co-participação se deu no Colégio Estadual São


Mateus, localizado na cidade de São Mateus do Sul, á rua Dr. Paulo Fortes nº
422, a série observada foi o 3º ano do Ensino Médio Normal, essa experiência
se estendeu por oito aulas. Acredito ser interessante ressaltar que, o presente
colégio foi meu local de ensino por todo o fundamental e médio, o que me faz
ter pela instituição um carinho especial.
As condições estruturais do colégio são boas, oferecem muitos recursos
aos alunos, a estrutura está em constante expansão considerando o elevado
número de alunos que entram na instituição de ensino. Há recursos
tecnológicos em perfeitas condições de uso, carteiras, cadeiras, quadris
negros, TVs multimídia, data show, a própria condição estrutural das salas de
aula estão muito bem conservadas.
A instituição além de oferecer o ensino normal do fundamental e médio,
oferece também uma gama de cursos profissionalizantes como Meio Ambiente,
Magistério, Segurança no Trabalho e Química Industrial, isso torna o colégio
rico em diversidade de ensino bem como uma grande diversidade no próprio
corpo discente que, contempla além de adolescentes muitos adultos.
O espaço físico do colégio é muito bom, questões como higiene e
organização são levadas à sério, tornando-se assim um ótimo local para a
convivência tanto de alunos como de colaboradores e professores. A biblioteca
da instituição oferece vários títulos aos alunos, tornando possível uma leitura
rica e um bom desenvolvimento do aprendizado quanto ao acesso às obras
literárias, pessoalmente acredito ser de suma importância que as instituições
de ensino sejam capazes de oferecer aos seus alunos bons títulos literários,
ainda mais quando a instituição contempla tantos alunos, de idades diversas e
de áreas diferentes como é o caso do Colégio São Mateus.
As oito aulas de co-participação que se realizaram foram muito
importantes em todo esse caminho rumo ao estágio final, a partir delas
consegui me adaptar à turma e perceber as particularidades que ela possuía,
conseguindo assim, desenvolver as atividades que a meu ver, melhor se
encaixavam no perfil dos alunos. Foi um tempo curto, porém muito proveitoso,

30
é sempre válido ter a oportunidade de conhecer tanto o local quanto as
pessoas com as quais se vai trabalhar, pois nos fazem refletir sobre a própria
postura que devemos ter.
Durante as aulas pude perceber que a professora trabalha a partir do
conhecimento do aluno e está constantemente os estimulando a pensar, a
refletir sobre os temas que são dados, buscando também sempre fazer uma
correlação do passado com o presente. Já conhecia o trabalho da professora
regente, pois fui sua aluna durante muitos anos, contudo somente hoje, sendo
também professora, consigo perceber claramente seus métodos, seus
objetivos. Isso me deixou mais confiante do trabalho que iria realizar, pois
percebi que ao longo do meu caminho pela universidade desenvolvi objetivos,
métodos e práticas parecidas com as dela, perceber que o que você pensa
teoricamente pode realmente dar certo na prática é estimulante.
Considero a partir das minhas práticas o estágio de co-participação de
extrema importância, pois nos dá a possibilidade de, ao longo dessas aulas,
aprimorar nosso trabalho e adequar os conteúdos de acordo com a realidade
da sala de aula, para que consigamos no estágio final um resultado satisfatório.

3.1 RELATO DA PRÁTICA: A TEORIA NA PRÁTICA É A MESMA COISA

O estágio foi realizado na cidade de São Mateus do Sul – PR, no


Colégio Estadual São Mateus, no período matutino, iniciando no dia 03 de
Junho de 2013 e terminando no dia 26 de Junho de 2013, o tema definido foi
Ditadura Militar no Brasil com ênfase na participação das mulheres e a turma
escolhida para a realização das atividades foi o 3º ano B do ensino médio
normal sob a supervisão da professora Cláudia Regina Pacheco Portes, a
turma é composta por dezenove alunos.
Ao longo das doze aulas ministradas utilizei-me basicamente de aulas
expositivas dialógicas, buscando sempre superar as deficiências que uma aula
expositiva tradicional possui na própria formação do aluno. Para tanto me
baseei nas palavras de Lopes (1991) que coloca que apesar de tradicional
essa técnica da aula expositiva poderá ser transformada em algo dinâmico que
contribui para estimular o pensamento crítico do aluno.

31
O estilo de aula expositiva tradicional é o mais utilizado e por vezes o
preferido dos alunos, pois não exige que estes pensem historicamente, nele o
professor aparece como detentor do saber e simples transmissor deste, tanto
Lopes (1991) quanto Freire (1996) refutam essa ideia, foi então me
fundamentando nessas teorias que busquei superar o tradicionalismo da aula
expositiva.
Para tentar superar esses limites busquei fazer um planejamento
adequado das aulas, calculando o tempo para que não houvesse falta de
conteúdo em cada uma delas, ao ministrá-las procurei utilizar uma linguagem
clara e precisa, para que o aluno conseguisse compreender o assunto e
também para aproximá-lo mais e inseri-lo na dinâmica da aula, posto que
quando o aluno entende o professor a sua participação torna-se muito mais
efetiva, além de que, tendo uma linguagem próxima da linguagem dos alunos
eles parecem aceitar melhor a presença de um novo professor.
Outro ponto foi a determinação dos objetivos, determinei objetivos claros
e bem definidos, para que, num primeiro momento conseguisse cumpri-los em
sua totalidade. Tracei um esquema dos assuntos a serem tratados de forma
com que abrangesse tudo o que fosse mais importante e fundamental naquele
momento, considerando o pouco tempo que temos para lecionar fica difícil
incluir todos os dados que consideramos importantes, porém consegui colocar
fatos bem interessantes que prenderam a atenção dos alunos, para
desenvolver a aula utilizei o data show.
Como dito inicialmente utilizei as aulas expositivas dialógicas que tratam
basicamente de dar à aula tradicional um caráter dialógico, promovendo uma
troca de experiências e conhecimentos com os alunos, “(...) uma busca
recíproca do saber.” (FREIRE e GUIMARÃES, 1982 In: LOPES, 1991, p. 42).
Essa questão do diálogo contrapõe o autoritarismo da aula tradicional, o aluno
se sente parte do contexto da aula, sendo assim foi muito mais fácil utilizar os
exemplos colocados por eles para chegar a uma apreensão do conteúdo.
Ainda segundo Lopes (1991, p. 35) o professor sempre tem a
necessidade de buscar técnicas para o desenvolvimento dos conteúdos dos
seus planos, a partir dessas técnicas ele consegue dinamizar as atividades o
que reflete em uma forma de inovar as práticas. Nessa linha de pensamento
optei por utilizar-me de instrumentos diferentes em sala de aula como a

32
música, filmes, documentários, imagens, relatos, tudo buscando sempre
dinamizar a aula e mostrar aos alunos que se pode estudar indo muito além
dos livros. Nesse sentido cabe uma reflexão: ao me preparar para os estágios
me perguntei se esta seria a melhor forma de aplicar as aulas e a conclusão a
que cheguei foi que, independente dos métodos a eficácia de qualquer um
deles dependerá da minha ação em sala, da minha capacidade como
professora, logo apesar de tradicional, essa técnica de aula expositiva pode ser
transformadora, tudo depende de como eu a desenvolvo.
As aulas estavam divididas em duas aulas conjugadas, nas primeiras
aulas dei um panorama geral sobre a Ditadura Militar no Brasil sem aprofundar
muito as questões da tortura, atos institucionais, movimentos revolucionários,
mulheres, pois cada uma delas seria discutida em aulas posteriores específicas
para cada tema. As questões mais discutidas nesse momento foram os motivos
que levaram ao desencadeamento do Golpe Militar, como aconteceu, por que
aconteceu, os objetivos do regime, o apoio dos Estados Unidos na execução
do golpe, como essa situação afetou o cotidiano da população brasileira de
uma forma geral.
Inicialmente, perguntei aos alunos o que eles sabiam sobre a Ditadura
Militar, construindo assim um debate inicial para, a partir, das respostas
desenvolvermos a aula em si, explicando as questões partindo do
conhecimento prévio que cada aluno traz consigo, pois, considero de suma
importância mostrar ao aluno que ele tem espaço em sala para expor o seu
conhecimento, manter um diálogo com o aluno é fundamental para uma boa
aula, “o ensino dialógico se contrapõe ao ensino autoritário, transformando a
sala de aula em ambiente propício à reelaboração e produção de
conhecimento.” (FREIRE e SHOR In: LOPES, 1991, p. 43)
Contudo, percebi que, por ser a primeira aula os alunos estavam um
pouco introvertidos, com isso não houve uma participação total da sala, apenas
alguns alunos se dispuseram a responder e discutir as questões lançadas a
partir do andamento das discussões.
Para esta aula tinha preparado uma apresentação de slides sobre os
governos militares, colocando a foto de cada presidente e os acontecimentos
durante o mandato de cada um deles, a apresentação seria mostrada na TV

33
multimídia, entretanto a apresentação não pode ser realizada, pois o aparelho
não funcionou logo esta ficou para ser passada na próxima aula.
A atividade avaliativa se constituiu de quatro questões que estavam
inclusas no material didático, mas que os alunos deveriam responder em folha
separada para entregar, tal atividade tinha caráter de fixação de conteúdo,
permitindo que o aluno apreendesse melhor o conteúdo discutido em sala de
aula e, além disso, serviram para que eu pudesse analisar se eles estavam
compreendendo as minhas falas e se conseguiram a compreensão mínima do
conteúdo. Os critérios utilizados para a avaliação foram a coerência e clareza
nas respostas.
Meu segundo dia de estágio consistiu em mais duas aulas, nelas discuti
a questão do AI5 especificamente, como as questões da tortura e da censura
estavam inclusas na redação do ato institucional. Dei alguma relevância na
relação entre o início da censura e o início do uso da tortura de forma
desenfreada, como isso afetava os indivíduos.
2
Levei para a sala de aula o documento (AI5) a título de curiosidade,
contudo me arrependi por não ter levado uma cópia para cada aluno, pois não
imaginei que eles se interessariam tanto pelo documento, avalio isso como
uma falha minha, mesmo sabendo que tal fato não influenciou no
desenvolvimento da aula. Li para eles alguns trechos do documento que
considerei mais relevantes e a partir disso partimos para reflexões relacionando
o texto do material didático com o documento em si. Nesse momento senti que
já houve uma maior participação dos alunos e de forma mais espontânea, as
questões lançadas à eles eram respondidas de tal forma que eu consegui
perceber que estavam realmente refletindo sobre o tema da aula e não
simplesmente lançando as respostas.
Uma das coisas que é preciso perceber é se o aluno que está lendo,
sejam textos ou as atividades, está conseguindo interpretá-las, pois, saber ler
não significa saber interpretar, ele pode estar lendo mecanicamente e isso não
traz rendimento, entretanto quando se tem essa reflexão do aluno exposta em
uma resposta percebe-se que a sua leitura está sendo eficaz.

2
O documento foi retirado do site http://www.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5,
página destinada especificamente à história do Ato Institucional nº5.

34
Em verdade, o que desejamos é formar um aluno capaz de realizar
uma leitura histórica do mundo, percebendo a realidade social como
construção histórica da humanidade, obra na qual todos tem
participação, de forma consciente ou não. (SEFFNER, 1999, p. 510)

A avaliação nesse dia foi o desenvolvimento de um texto onde os alunos


deveriam utilizar o conteúdo da aula buscando refletir sobre as questões
impostas pelo AI5, em suma a atividade era uma fixação de tudo o que foi
falado em sala, pois o exercício já tinha sido feito em forma de discussão e eu
a partir das participações tinha conseguido perceber que eles compreenderam
o tema e que estavam refletindo criticamente sobre os assuntos tratados.
O terceiro dia eu considero, até aqui, o mais produtivo de todos. A aula
foi ministrada quase em sua totalidade na sala multimídia onde está instalado o
data show, o tema da aula foram as torturas utilizadas na época do regime
militar, os conteúdos trabalhados foram os métodos utilizados, como se davam
esses atos, a diferença entre homens e mulheres, aqui não aprofundei muito,
pois teríamos uma aula específica para tratar sobre as mulheres. Outra
questão levantada foi até onde a tortura era realizada por obrigação e passou a
se tornar um prazer para os torturadores.
Quando souberam do tema os alunos ficaram alvoroçados, a partir disso
iniciei a aula falando que antes de partirmos para os métodos em si
precisávamos entender o porquê da existência dessa prática, qual a finalidade
destes atos e principalmente quais os discursos usados pelos militares para
justificar suas ações. Perguntei então quais eram na opinião deles os motivos
pelos quais os militares praticavam esses atos, as respostas foram: “para saber
das coisas”, “porque eles gostavam”.
Os procedimentos usados nessa aula foram primeiramente algumas
fotos e ilustrações para exemplificar como se davam os métodos de tortura,
mostrei somente as principais, pois de alguns métodos que coloquei no
material didático não consegui encontrar imagens. Nesse momento foi refletido
sobre a questão da tortura nos dias atuais, como ela ainda existe e é
mascarada, surgiu até mesmo o exemplo da prisão de Guantánamo em Cuba,
o que reflete um conhecimento além por parte dos alunos.
Num segundo momento foram passadas cenas do filme Batismo de
Sangue, a cena era específica de um momento de tortura, foi escolhida dentre

35
tantas, pois retrata muito bem a realidade do indivíduo que era torturado, é uma
cena muito completa, traz em seu contexto muitas especificidades do regime
como a frieza dos torturadores, a atuação dos médicos a favor do sistema,
mostra como os terroristas e comunistas eram utilizados pelos militares, que
indicam como eram considerados os subversivos, a crueldade explícita choca
mas ao mesmo tempo abre para o aluno um leque de possibilidades para
reflexão sobre a própria condição psicológica do ser humano.
Nessa aula teve um fato muito relevante e que me deixou muito
satisfeita, após o intervalo enquanto arrumava o data show vieram até mim
duas alunas com um livro na mão, deveria ter aproximadamente umas 700
páginas e me falaram “olha professora que legal o que a gente achou na
biblioteca, aqui fala sobre as torturas e tem até um capítulo sobre o AI5”,
peguei então o livro e comecei a folhear, me interessei e perguntei se me
emprestavam, então elas se olharam e me disseram “não vai dar, vamos tentar
ler”. Nesse momento senti como se tivesse alcançado meu objetivo que é, além
de tudo, despertar essa curiosidade nos alunos, fazê-los ter vontade de
aprender.
Num terceiro momento foram mostradas aos alunos charges sobre a
Ditadura Militar, o objetivo desse procedimento foi prepará-los para a atividade
avaliativa do dia. Sete charges foram analisadas conjuntamente, extraindo de
cada uma todas as informações possíveis. Foi uma atividade divertida e
dinâmica, pude perceber que os alunos estavam se divertindo a mesmo tempo
em que aprendiam, isso me deixou muito satisfeita. Depois da análise das
charges voltamos para a sala de aula para a realização da atividade avaliativa,
essa consistia em uma nova análise de charges, distribuí aos alunos as folhas
com quatro charges onde eles deveriam refletir sobre o que cada uma trazia
implícita em si. Para realizar essa reflexão eles deveriam se utilizar de todas as
informações passadas durante a aula, buscando sempre mostrar uma visão
crítica sobre o assunto, nesta atividade considerei a capacidade dos alunos em
conseguir perceber as questões expostas nas charges e transcrevê-las de
forma coerente. ”Um trabalho importante de leitura e escrita na história é
aquele que se dá a partir da leitura de imagens, e posterior escrita sobre elas.”
(SEFFNER 1999, p. 519)

36
Ainda segundo Seffner (1999, p. 513) para um aprendizado significativo
devemos relacionar passado e presente, passar datas e detalhes não é
suficiente, precisamos discutir o fato histórico buscando compreender o que ele
pode significar ainda hoje, as discussões sobre as torturas partiram nesse
sentido. Outro ponto é que trabalhar a realidade do aluno é fundamental,
nessas duas aulas houve muitas colocações de episódios ocorridos com
parentes dos alunos durante o regime militar, busquei fazer com que falassem
mais sobre, pois trabalhar a memória e a lembrança permite que o aluno
vincule o tempo à sua própria carga de conhecimento, a aluna A 3 fez uma
colocação que me chamou atenção, disse ela: “Meu Deus! Agora fiquei
preocupada, meu avô viajou para o Rio de Janeiro bem nessa época!”, isso
demonstra uma reflexão sobre o tempo, os acontecimentos.
A atividade das charges foi construída em cima da minha ideia de que os
alunos devem ter contato com esses documentos em sala de aula, até mesmo
para que desenvolvam um novo nível de leitura partindo do pressuposto que
estarão em pouco tempo prestando vestibular, o que exigirá deles um nível
mais alto de interpretação, além de ser um instrumento diferente e que chama
a atenção dos alunos. A leitura desses materiais todos possibilita a aquisição,
por parte do aluno, de um vocabulário histórico específico, configurando o
aprendizado de conceitos. (SEFFNER, 1999, p. 515)
Durante as aulas sobre o AI5 e sobre as torturas foram realizadas
leituras em voz alta, partindo da ideia de que a fala deve ser estimulada, até
mesmo para trazer aquele aluno que não participa para dentro da dinâmica da
aula, permitindo que exista uma integração, por vezes, o aluno só não participa
por vergonha, estimulá-lo a ler é o início de uma posterior participação.
Durante todo o desenvolvimento das minhas aulas fiz questão de usar a
escrita em quase todas as atividades, pois considero algo fundamental na
formação do aluno. A escrita na História implica na utilização de fontes, isso se
une perfeitamente ao modelo de aula que selecionei, pois este implica também
em trazer para a sala de aula fontes diversas visando enriquecer as
discussões, e buscando expressar uma análise significativa do período.

3
Optamos por preservar a identidade da aluna.

37
Pedir que o aluno escreva é extrair dele uma posição e para que este
consiga expressá-la é necessário que pense, reflita e tenha consciência do que
está sendo tratado, “ler é compreender o mundo, e escrever é buscar intervir
na sua modificação.” (SEFFNER, 1999, p. 517), fazendo isso permitimos que
os alunos desenvolvam uma capacidade de argumentação e
consequentemente desenvolvam a capacidade de discutir sobre questões
sabendo utilizar-se dos seus próprios argumentos.
Ao passar as atividades de texto, análise de fontes e questões busquei
ressaltar sempre a importância de expressarem nelas as suas opiniões, saber
argumentar nesse momento é muito mais valioso do que tentar concordar com
o professor como uma forma de assegurar-se da nota. Nesse sentido devemos
buscar que o aluno assuma uma postura crítica diante dos materiais que lhes
são oferecidos. Partindo desse pressuposto desconstruímos a ideia de verdade
absoluta, pedindo e permitindo que o aluno se expresse mostramos que tudo é
subjetivo e discutível e que nada precisa ser tomado com verdade absoluta.
No quarto dia de estágio o tema foi Contracultura, busquei mostrar aos
alunos o cenário cultural da época, o que foi a contracultura, bem como quem
eram os exilados e suas músicas, visei ressaltar a importância de interpretá-
las, pois através dessas letras conseguimos ter um panorama da sociedade da
época.
Inicialmente mostrei aos alunos um vídeo sobre a MPB no período
ditatorial, ele explanava sobre o cenário cultural, sobre as músicas e artistas,
contudo o vídeo que teria dez minutos travou no terceiro minuto, mas isso não
foi empecilho nem afetou o andamento da aula, sendo assim, expliquei aos
alunos sobre o resto do vídeo e ressaltei que falava também sobre as músicas
chamadas bregas como Pare de Tomar a pílula, logo veio o comentário do
aluno B que disse “essa é um clássico professora, então era importante
mesmo”.
Num segundo momento passei o videoclipe da música Cálice de Chico
Buarque, esta aula foi ministrada, quase que em sua totalidade na sala
multimídia, entreguei para cada um deles a letra da canção e pedi que
destacassem no texto as frases ou a palavras que lhes chamava atenção, que
na visão deles tinha um fundo de protesto ou denúncia, após juntos fizemos
uma análise em voz alta, frase por frase, o intuito deste exercício era prepará-

38
los para a atividade avaliativa. Ao fazermos a análise os alunos ficaram
surpresos ao perceber que todas as frases da música significavam protestos.
Surpreendi-me durante o exercício, pois a participação foi muito significativa,
pude perceber que estavam realmente compreendendo o contexto.
Num terceiro momento então, voltamos à sala de aula e passei a letra da
música Pra não dizer que não falei das flores de Geraldo Vandré, para
realização da análise como atividade avaliativa, escolhi ditar, pois se tratava da
última aula, os alunos estavam agitados e com o ditado consegui mantê-los em
silêncio. Alguns alunos comentaram que já tinham ouvido a música que foi
gravada por outros artistas, até cantaram e disseram que não sabiam que era
uma música contra o regime ditatorial. Nesta aula o tempo não foi suficiente,
pois, durante a análise surgiram muitos questionamentos e colocações, dessa
forma esta atividade ficou sendo extraclasse.
Bittencourt (2009, p. 379) diz que utilizar a música em sala de aula é
importante para situar os alunos através de um meio muito próximo ao seu
cotidiano. A música traz em si um caráter prazeroso, contudo em sala deve-se
transformá-lo em ação intelectual “existe enorme diferença entre ouvir música e
pensar a música.” (BITTENCOURT, 2009, p. 380)
Foi nesse sentido que pensei a realização desta aula, quis mostrar a
eles que música não é somente distração, podemos tirar delas muitas
informações sobre o mundo, sobre a situação econômica, política e social do
meio em que estamos inseridos.
No quinto dia de aula o tema escolhido foi as mulheres na Ditadura
Militar, busquei mostrar como estas se encaixavam no contexto histórico do
período, quais eram as condições da época, se a questão do sexo diferenciava
no tratamento por parte dos militares e ressaltei a questão do estupro como
forma de tortura.
Comecei a aula explanando aos alunos como se dava a atuação destas
mulheres no período em questão, como eram tratadas pelos militares, como se
organizavam em movimentos contrários ao regime e iam para a frente armada
lutar por seus direitos. Nesse momento surgiu a discussão de como as
mulheres se reconheceram ali como capazes de lutar por aquilo que queriam,
já não existia aqui a divisão por sexo, tanto homens como mulheres estavam
unidos por um mesmo ideal.

39
Em seguida entreguei a cada um deles um relato extraído do livro Luta:
substantivo feminino (MERLINO, 2010) para que percebessem como era toda
aquela situação vista pelos olhos de uma mulher, alguns ficaram chocados,
após li para a turma relatos do livro Brasil Nunca Mais (ARNS, 1985) e logo
surgiu a discussão de como essas mulheres conseguiam superar todas as
dificuldades, a aluna A coloca “acho que todo esse negócio de prender e
torturar mulheres é só por inveja, porque no fundo, eles sabem que a gente é
muito melhor”, nesse momento tiver que conter os ânimos senão viraria uma
guerra entre os sexos. Contudo, apesar das brincadeiras, a discussão foi
construtiva, percebi maior participação das meninas, que, em outros momentos
se mostravam um tanto apáticas, senti que elas conseguiram se reconhecer na
história, mesmo sendo apenas meninas é importante para elas perceber que as
mulheres já não são mais objetos deixados de lado na História.
Num segundo momento da aula dividi a sala em dois grupos, estavam
em 14 alunos e como eram 7 menino e 7 meninas eles mesmos decidiram em
se dividir meninas para um lado e meninos para outro, o intuito desta atividade
era revisar a matéria para a prova da próxima aula e também descontrair um
pouco.
A atividade consistia em um grupo responder minhas questões pela
visão dos militares, ou seja, a favor da ditadura e o outro respondê-las pelos
olhos da população, ou seja, daqueles que eram contra o regime. Os meninos
escolheram ser os militares logo as meninas eram a população “subversiva”. A
primeira questão foi sobre o AI5, a segunda foi sobre a questão da tortura, a
terceira foi sobre as mulheres, a quarta sobre os exilados e a censura musical,
a quinta sobre desaparecidos políticos e a última sobre a Comissão Nacional
da Verdade. Nessa atividade pude perceber que eles realmente tinham
entendido todo o processo histórico e as questões que o envolviam.
No último dia foi aplicação de prova, que consistiu em uma avaliação
composta por sete questões, sendo elas discursivas, objetivas e de verdadeiro
ou falso. Inicialmente minha intenção era fazer uma somatória, trabalhos e
prova fechando assim uma nota dez, contudo fiquei tão satisfeita nas cinco
avaliações feitas que pensei não ser justo atribuir somente um valor simbólico
de um ponto pra cada uma delas, então a prova teve peso dez enquanto as

40
outras atividades fecharam outro dez, esse valor sendo dividido por dois
resultou na nota final.
Este momento pra mim foi o que me deixou mais surpresa e também
emocionada. Após terminarem a prova disse que poderiam ir saindo, deixando
somente quem ainda estava respondendo na sala, porém ninguém saiu,
estranhei, mas não questionei. Quando o último aluno terminou então, o aluno
Maurício se levantou e disse que tinha um recado importante e iniciou, o
recado era pra mim, ele me agradeceu disse ele “em nome da turma venho
agradecer pelas aulas diferentes e divertidas, pelos momentos que foram muito
bons. As aulas foram muito boas mesmo, eu fico até sem palavras.” Nesse
momento então me aplaudiram e me fizeram perceber que realmente estou no
caminho certo, não pelos aplausos ou pelos elogios e sim pelo que me fizeram
sentir. Naquele momento percebi que realmente me sinto satisfeita e completa
estando junto dos meus alunos, digo “meus” porque mesmo em tão pouco
tempo criei laços com eles que me permitem senti-los como meus alunos, além
disso, percebi que docência é realmente sentir, sentir prazer de estar em sala
de aula, sentir amor pelo que faz e pelos alunos é sentir-se completa e feliz.

41
4. RESULTADOS

De uma forma geral posso dizer que os resultados obtidos foram ótimos,
tanto pessoais como por parte dos alunos. Durante o desenvolvimento de todas
as atividades pude perceber interesse e envolvimento dos mesmos, como dito
anteriormente no início houve uma retração devido até mesmo a falta de
intimidade, contudo isso foi superado.
A maioria deles nas atividades teve notas excelentes o que me permite
dizer que realmente houve um grande aprendizado e aproveitamento das
informações compartilhadas, o fato de ter realizado muitas atividades me dá
propriedade para dizer com certeza que fui feliz em meu método e realmente
houve aprendizado, pois uma prova somente não é capaz de avaliar a
capacidade e o conhecimento de cada aluno.
Quanto à avaliação escrita os resultados foram satisfatórios, o método
que utilizei, de fazer perguntas descritivas, refletiu uma grande qualidade que a
turma no geral possui, a capacidade de refletir. Como dito anteriormente a
prova foi em boa parte descritiva, encaro essa constatação com algo positivo,
pois de certa forma, reforça o meu pensamento de querer priorizar a leitura e a
escrita durante minhas aulas, mas não é somente isso, a partir desse resultado
é possível trabalhar que essa qualidade seja aprimorada, cabe somente ao
professor ter vontade e trabalhar para isso. Isso me faz pensar que estou
seguindo o caminho certo. Aqui ainda cabe ressaltar que devido a uma troca de
aulas com outro professor a prova que seria na semana seguinte ficou para o
dia seguinte, a princípio fiquei preocupada, pois eles não teriam tempo
suficiente para estudar mas foi uma preocupação em vão pois eles me
provaram que estavam preparados para aquela avaliação, foi exatamente este
fato que me fez perceber que eles realmente tinham compreendido o conteúdo,
pois o tempo que tinham na era suficiente para estudar tantos temas.
Somente em duas atividades me deparei com um pequeno problema,
algumas alunas fizeram cópias fiéis dos trabalhos umas das outras, copiando
até mesmo os erros de português, num primeiro momento fiquei frustrada, pois
todas tinham capacidade de desenvolver de forma brilhante as atividades, até
pensei que não estariam interessadas, porém num segundo momento refleti e

42
percebi que irei me deparar com fatos assim durante toda a minha jornada
como professora, talvez não seja algo corriqueiro, mas será algo existente e
não significa um desinteresse por tudo aquilo que estava fazendo, foi apenas
um momento delas, contudo não pude deixar de me posicionar. A partir da
constatação das cópias zerei as atividades de todas, mas não como uma forma
de punição e sim buscando mostrar a elas que é necessário ter
responsabilidade naquilo que se faz, e que todo erro traz uma conseqüência
bem como pensando em ser justa com os outros que se dedicaram e fizeram
as atividades, não poderia pontuar uma atividade que não foi feita somente
para meu estágio sair perfeito.
Seguindo ainda por esse episódio percebi que estes fatos ocorreram
com atividades que não puderam ser concluídas em sala e se tornaram
extraclasse, porém não deixo de acreditar que o resgate das atividades de
casa deve ser feito, pois é de suma importância que a relação escola e casa
exista, os alunos precisam compreender que devem levar o hábito de estudar,
ou até mesmo de ler e escrever para fora das salas de aula.
Assim como Rüsen (2010) nos fala, só se é possível chegar até o
desenvolvimento da consciência histórica através da narrativa, pois o aluno
consegue a partir dela expressar o conhecimento que construiu, durante
minhas aulas percebi isso constantemente, principalmente durante as
discussões, pois a narrativa não precisa ser necessariamente um texto escrito.
A relação passado e presente, perspectivando o futuro se fez presente
muitas vezes, principalmente quando discutia-se a condição atual do Brasil,
muitos alunos disseram que não acreditam que o país irá melhorar, o aluno C
chegou a dizer que “na época da Ditadura era realmente ruim pelas torturas
mas, a questão do governo mandar e desmandar da forma que deseja continua
até hoje só que de uma forma mais amena, mas na minha opinião não deixa de
ser a mesma coisa” já o aluno D completou “enquanto o povo não aprender a
votar e parar de se vender por gasolina tudo vai continuar na mesma”. Isso
reflete uma consciência histórica crítica, mostra que são alunos que pensam e
refletem criticamente sobre os fatos e não apenas os recebem assim como lhes
são passados, para mim perceber isso é uma das coisas mais importantes pois
vejo que de alguma forma alcancei meu objetivo de fazê-los pensar
criticamente e se posicionar diante da realidade em que vivemos.

43
Uma atividade que acho válida ressaltar é a atividade das charges,
através dela percebi que existe certa dificuldade em analisar as coisas por
parte de alguns alunos, digo isso porque a maioria somente escreveu o que
estava explícito, o que era fácil de perceber, contudo ao discutir as charges
com eles houve uma resposta muito maior, eles refletiram muito mais do que
na escrita, extraíram muito mais dos elementos falando do que escrevendo por
isso reforcei ainda mais a minha ideia de diálogo em sala de aula, um aluno
pode não ir muito bem em uma atividade escrita mas isso não quer dizer que
ele não saiba, esse pensamento também se reforçou, creio ser de extrema
importância manter esse diálogo durante as aulas evita muitos julgamentos
errados e injustiças dentro de sala de aula.
Já na análise da música “Pra não dizer que não falei das flores” o
resultado foi melhor, percebi uma maior reflexão sobre as frases, sobre os
elementos da letra, como por exemplo:

Há soldados armados, amados ou não,


quase todos perdidos de armas nas mãos.
Nos quartéis lhe ensinam uma antiga lição,
de morrer pela pátria e viver sem razão. (Geraldo Vandré)

Análise da aluna E: “Os soldados estavam sempre armados e prontos


para prender os manifestantes, porém muitos deles pareciam alienados sem
saber realmente o que estava acontecendo, só seguiam ordens com suas
armas; os soldados aprendiam lições para seguir as ordens do governo,
aceitavam morrer pelos eu país, mesmo que para isso precisassem viver sem
razão e sem objetivos próprios.”
Essa percepção das renúncias que os militares faziam em favor da sua
dedicação à pátria está além das coisas explícitas na letra, bem como entender
que alguns deles estavam ali pelas ordens e não por ideologia está além do
explícito, isso reflete uma capacidade de reflexão sobre as frases, ver que o
aluno consegue fazer essas pequenas reflexões é entender que o objetivo está
sendo alcançado e que ele está sim desenvolvendo a sua capacidade de
compreender, analisar e refletir.
Analisando num panorama geral, percebo estar iniciando o caminho
certo para conseguir desenvolver aquilo que vejo como correto na minha

44
função de educadora. Sem dúvidas ajustes precisam ser feitos, milhares deles,
muito ainda tenho a aprender sobre tudo, tanto conteúdos como práticas de
ensino e aprender a como me aperfeiçoar sempre.
Creio que consegui desenvolver bem as atividades, levando para sala de
aula coisas que tiravam a rotina de estudo percebi que consegui despertar
algum interesse, alguma motivação em se dedicar mais, procurar saber mais
inclusive em pensar mais sobre aquilo que é mostrado em sala. Porém, esse é
um trabalho contínuo, e que nessa turma, infelizmente não é possível eu
mesma dar continuidade, logo, espero que não percam essa vontade
despertada tão cedo.
Como Padrós (2002) coloca como estagiários somos primeiro
tranqüilizados, nos mostram que a sala de aula é lugar de imprevistos,
improvisos, fracassos e realizações. Somos preparados para a realidade de
uma sala de aula, aprendemos teoricamente o que é e depois o porquê e como
ensinar. Nesse sentido pude concluir que ser professor se resume nisso
mesmo, em saber improvisar, em driblar os imprevistos e ainda mais saber
lidar com as frustrações e os fracassos que a profissão por vezes nos impõe,
ainda mais nessa reta inicial, que apesar de gratificante não se mostra fácil.
Creio que de tudo que posso tirar dessa experiência como valioso para
mim o mais significativo é o saber que é necessário estar sempre se
renovando, se aperfeiçoando. O sujeito pode nascer com vocação para ser
professor, mas ninguém nasce professor, para sê-lo é preciso estudo,
dedicação, vontade de ensinar e aprender e creio que, acima de tudo amor por
aquilo que faz e amor pelos alunos.
Lutamos, pedimos e até esbravejamos sempre por uma educação de
qualidade, melhor do que se vê, do que se tem, porém o princípio disso está
em nós professores. Somos a base para chegarmos a excelência, é a partir
dos nossos atos, do nosso desempenho e empenho que conseguiremos tirar
do papel nossos sonhos possíveis.
Quero terminar este relato dizendo que, aqui, sinto-me orgulhosa em
poder responder uma questão que me foi feita em meu primeiro dia de aula e
que eu não soube responder, a questão foi “por que você está aqui?”, eu
respondi que não sabia, porque realmente não sabia (com certeza) o que tinha

45
me trazido até a docência, mas hoje posso responder com propriedade a essa
questão, hoje eu sei que estou aqui porque aqui é o meu lugar.

46
REFRÊNCIAS

ARNS, Paulo Evaristo (org.). Brasil Nunca Mais: Um relato para a história.
São Paulo: Editora Vozes, 1985.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e


métodos. 3ed, São Paulo, Cortez 2009.

CARR, E. H. Que é História. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978.

COLLING, Ana Maria. As mulheres e a ditadura militar no Brasil.

COLLINGWOOD, R. G. A idéia de História. Lisboa: Editorial Presença, 1972.

GADOTTI, Moacir. Convite à Leitura de Paulo Freire. Editora Scipione.1989.


p.69

FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. 6ª edição. Rio de


Janeiro: Paz e Terra. 1976

FREIRE, Paulo. SHOR, Ira. Medo e Ousadia: o cotidiano do professor. 3ª ed.


Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

FUNARI, Pedro Paulo A. Antiguidade Clássica. A história e a cultura a


partir de documentos. Campinas: Unicamp, 2003.

LOPES, Antonia Osima. Aula expositiva: superando o tradicional. In: VEIGA,


Ilma Passos Alencastro (org.) Técnicas de ensino: Por que não?. Campinas:
Papirus, 1991.

47
MERLINO, Tatiana Ojeda. Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo
feminino. São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.

PADRÓS, Enrique Serra et al. (Orgs.). Ensino de História: formação de


professores e cotidiano escolar. Porto Alegre: EST, 2002.

RÜSEN, Jörn. O desenvolvimento da competência narrativa na aprendizagem


histórica: uma hipótese ontogenética relativa à consciência moral. In.
SCHIMDT. Maria Auxiliadora; BARCA, Isabel e MARTINS, Estevão de
Rezende (orgs.) Jörn Rüsen e o ensino de história. Curitiba: Ed. UFPR,
2010.

RÜSEN, Jörn. Razão histórica. Teoria da história: os fundamentos da ciência


histórica. Tradução de Estevão de Rezende Martins. Brasília: Ed. UNB, 2001.

SEFFNER, Fernando. Teoria, metodologia e ensino de História. In: Questões


de Teoria e Metodologia da História. Porto Alegre: Ed. Da Universidade
UFRGS, 2000.

SEFFNER, Fernando. Leitura e Escrita na História. In: SCHIMIDT, Maria


Auxiliadora e CAINElLLI, Marlene R. (orgs.) III Encontro Perspectivas do
ensino de História. Curitiba: Aos Quatro ventos, 1999.

48
Fontes

Relatos extraídos das obras


ARNS, Paulo Evaristo (org.). Brasil Nunca Mais: Um relato para a história.
São Paulo: Editora Vozes, 1985.
MERLINO, Tatiana Ojeda. Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo
feminino. São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.

Ato Institucional nº5. Retirado do site www.folha.uol.com.br

Filme
Batismo de Sangue
Diretor: helvécio Ratton
Lançamento: 2007
Gênero: Drama

Músicas
Cálice
Autor: Chico Buarque de Holanda
Ano: 1973
Álbum: Chico Buarque
Pra não dizer que não falei das flores
Ano: 1968

Charges
Alberto Benett.
Angeli
Bier
Bira
Glauco
Latuff

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APÊNDICE 1: PLANO DE
TRABALHO DOCENTE

50
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO DE HISTÓRIA
ACADÊMICA: PATRÍCIA SILVA RAMOS
COLÉGIO/ESCOLA: COLÉGIO ESTADUAL SÃO MATEUS
PROFESSOR (A): CLÁUDIA PORTES
ANO: 3º ANO DO ENSINO MÉDIO PERÍODO: 12 AULAS ANO LETIVO:
2013

PLANO DE TRABALHO DOCENTE

CONTEÚDOS ESTRUTURANTES:
Relações de poder, relações culturais.

CONTEÚDOS BÁSICOS:
Ditadura Militar no Brasil.

CONTEÚDOS ESPECÍFICOS:
 Contexto da Ditadura Militar;
 Como aconteceu;
 Porque aconteceu;
 Objetivos do regime Militar;
 Os governos militares;
 Seus impactos na vida dos sujeitos e na sociedade;
 Os reflexos que o período deixou até os dias atuais;
 AI 5;
 A questão da tortura, como e para que era utilizada;
 O AI 5 e a censura.
 Métodos de tortura;
 Homens e mulheres torturados;
 Mulheres: torturas específicas do gênero;
 Torturadores: prazer ou obrigação?
 A Comissão da verdade.
 O cenário cultural da época;

51
 O que foi a contracultura;
 Quem foram os exilados?
 Músicas de protesto;
 Quem são os autores?
 Quais são as músicas?
 Por que interpretá-las?
 As mulheres dentro do regime militar;
 Mulheres contra o regime;
 Quais eram suas condições na época;
 O sexo diferenciava o tratamento?
 O estupro: tortura ou diversão?

JUSTIFICATIVA:
A importância da aplicação desses conteúdos se dá no sentido de uma
tomada de consciência por parte do aluno sobre o período que envolve a
Ditadura Militar bem como suas consequências. Justifica-se também pelo fato
de que, através da explanação sobre o período é possível mostrar ao aluno
que fatos do passado podem refletir muitas das coisas com as quais
convivemos nos dias atuais e ao mesmo tempo mostrar que a história não é
fracionada de forma absoluta, onde fatos acontecem e acabam sem deixar
nenhuma marca nos tempos que virão. Dessa forma, o aluno passa a
compreender, de modo crítico, a importância da história e o papel que esta
exerce na vida cotidiana de cada indivíduo, que de nenhuma forma pode ser
excluído da história.

ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO:
1. Investigar o que os alunos entendem por Ditadura Militar, o conceito que
cada um tem sobre o período, procurar saber se o termo já faz parte do
seu conhecimento histórico e, se sim, em qual nível de conhecimento
está inserido;
2. Verificar se possuem conhecimento sobre o que foi e o que significou
para a História do Brasil o período militar, bem como suas
conseqüências na vida dos indivíduos e na sociedade;

52
3. Procurar saber o que entendem por tortura, se sabem o porque e como
ela era utilizada e nesse sentido tentar despertar no aluno uma crítica de
cidadania, que o coloque de frente com a realidade sem florear os fatos;
4. Instigar os alunos a relacionarem alguns elementos daquela época que
podem ser vistos ainda hoje;
Finalidades em relação às idéias relacionadas à produção do conhecimento
histórico:
 Explicação histórica a partir da historiografia e apresentação de
fontes;
 Produção de narrativas pelos alunos;
 Análise de documentos.

Para tanto:
 Será realizada análise de documentos:
Músicas: Apesar de Você (Chico Buarque de Holanda, 1970);
Mosca na Sopa (Raul Seixas, 1973);
Cálice (Chico Buarque de Holanda, 1973);
Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré,
1968);
Alegria, alegria (Caetano Veloso, 1967).
 Serão analisados ainda relatos de mulheres e homens contidos no
livro Brasil: Nunca Mais;
 Será feita uma breve discussão sobre algumas cenas do filme
Batismo de Sangue (Diretor: Helvécio Ratton. 2007)
 Far-se-á análise de charges sobre o período.

AVALIAÇÃO:
A avaliação é a investigação do aprendizado histórico do estudante.
Nesse período letivo ela será um processo contínuo em que em diversos
momentos das aulas tanto professor como alunos poderão estar cientes
daquilo que está sendo assimilado sobre o conteúdo dado.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:
 Clareza e coerência na escrita;

53
 Compreensão de mínimo necessário de conteúdo;
 Participação efetiva com comentários;
 Realização das atividades em sua totalidade, respeitando os
prazos de entrega;
 Interesse e envolvimento na execução de trabalhos em grupo;
 Comprometimento com as atividades.

INSTRUMENTOS AVALIATIVOS:
Para fins de avaliação serão utilizadas os seguintes instrumentos:
 Debate inicial para diagnosticar o conhecimento prévio que os alunos
possuem sobre o tema;
 Lista de questões sobre o período com o intuito de perceber se o aluno
conseguiu apreender o conteúdo de forma clara;
 Desenvolvimento de um texto visando refletir sobre o período dando
enfoque na questão da censura e da tortura dentro do AI5;
 Análise de charges sobre a questão da tortura;
 Análise de músicas, os alunos serão divididos em duplas e a cada uma
será entregue uma letra para que encontrem nelas os elementos de
protesto, bem como em que sentido estes eram utilizados;
 Análise de documentos: serão analisados relatos de algumas mulheres
que foram vítimas da Ditadura.

BIBLIOGRAFIA:
ARNS, Paulo Evaristo (org.). Brasil Nunca Mais: Um relato para a história.
São Paulo: Editora Vozes, 1985.

BRASIL, Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Direito à verdade e à


memória: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília,
2007.

BRASIL, Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Direito à Memória e à


Verdade: histórias de meninas e meninos marcados pela ditadura. Brasília,
2009.

54
CABRAL, Reinaldo; LAPA, Ronaldo (Org.). Desaparecidos políticos: prisões,
seqüestros, assassinatos. Comitê Brasileiro pela Anistia, Rio de Janiero, 1979

FILHO, Oswaldo Munteal; FREIXO Adriano; VENTAPANE, Jacqueline (Org.).


Tempo negro, temperatura sufocante – Estado e sociedade no Brasil do
AI-5. Editora PUC - Rio, 2008.

LEAL, Rogério Gesta (Org.). Verdade, memória e justiça: um debate


necessário. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2012.

MERLINO, Tatiana Ojeda. Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo


feminino. São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.

PINHEIRO, Manu. Cale-se. A MPB e a Ditadura Militar. Ed. Livros Ilimitados.


Rio de Janeiro, 2011.

FONTES:
Músicas:
Apesar de Você (Autor: Chico Buarque de Holanda Ano: 1970);
Mosca na Sopa (Autor: Raul Seixas Ano: 1973);
Cálice (Autor: Chico Buarque de Holanda Ano: 1973);
Pra não dizer que não falei das flores (Autor: Geraldo Vandré Ano: 1968);
Alegria, alegria (Autor: Caetano Veloso Ano: 1967).
Filme
Batismo de Sangue
Ano: 2007 (1h 50min)
Diretor: Helvécio Ratton
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil

Relatos:
Brasil: Nunca Mais.

Charges:

55
56
APÊNDICE 2: PLANO DE AULA 1

57
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO: HISTÓRIA
ACADÊMICO (A): PATRÍCIA SILVA RAMOS
PLANO DE AULA Nº 1 DURAÇÃO: DAS _____ÀS ____ - 3º B
SALA:______
DATA: _________________

1. TEMA:
Ditadura Militar no Brasil

2. CONTEÚDOS:
 Contexto da Ditadura Militar;
 Como aconteceu;
 Porque aconteceu;
 Objetivos do regime Militar;
 Os governos militares;
 Seus impactos na vida dos sujeitos e na sociedade;
 Os reflexos que o período deixou até os dias atuais.

3. OBJETIVOS:
 Contextualizar o período da Ditadura Militar brasileira para melhor
compreensão temporal dos alunos;
 Mostrar quais foram os fatores que desencadearam o processo e
suas consequências;
 Agregar conhecimentos básicos para uma melhor reflexão
posterior;
 Buscar despertar no aluno uma consciência que o permita refletir
sobre a aproximação dos fatos passados com a realidade que
vivemos hoje;
 Permitir que o aluno exponha e faça uso de sua bagagem de
conhecimento prévio;
 Permitir a construção e posterior produção do conhecimento por
parte dos alunos.

58
59
APÊNDICE 3: PLANO DE AULA 2

60
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO: HISTÓRIA
ACADÊMICO (A): PATRÍCIA SILVA RAMOS
PLANO DE AULA Nº 2 DURAÇÃO: DAS _____ÀS ____ - 3º B
SALA:______
DATA: _________________

1. TEMA:
Ditadura Militar no Brasil

2. CONTEÚDOS:
 AI 5;
 A questão da tortura, como e para que era utilizada;
 O AI5 e a censura

3. OBJETIVOS:
 Fazer com que os alunos desenvolvam sua capacidade de
escrita;
 Instigar os alunos a pensar criticamente;
 Permitir a construção e posterior produção do conhecimento por
parte dos alunos.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Será apresentado o AI 5 aos alunos e a partir da sua leitura reflexões serão
feitas, visando relacionar o que foi visto e dito na aula com aquilo que estão
vendo no próprio Ato Institucional.

5. AVALIAÇÃO
Com atividade avaliativa os alunos terão que desenvolver um texto utilizando-
se de todo o conteúdo da aula, deverão refletir sobre as questões impostas
pelo AI 5, a questão da censura e da tortura. Serão consideradas a clareza e a
coerência na escrita, a articulação de idéias, a capacidade de relacionar os
fatos e refletir sobre o assunto, a apreensão e compreensão do conteúdo.

61
62
APÊNDICE 4: PLANO DE AULA 3

63
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO: HISTÓRIA
ACADÊMICO (A): PATRÍCIA SILVA RAMOS
PLANO DE AULA Nº 3 DURAÇÃO: DAS 08:00 ÀS 9:45 3ºB
DATA: 20/05/2013

1. TEMA:
Ditadura Militar no Brasil

2. CONTEÚDOS:
 Métodos de tortura;
 Homens e mulheres torturados;
 Mulheres: torturas específicas;
 Torturadores: prazer ou obrigação?
 A Comissão da verdade.

3. OBJETIVOS:
 Fazer com que os alunos pensem criticamente;
 Instigar o aluno a formar sua opinião através de suas análises;
 Buscar desenvolver no aluno a compreensão do tema;
 Permitir a construção e posterior produção do conhecimento por
parte dos alunos;
 Conscientizar o aluno.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS:
Serão utilizadas nessa aula algumas cenas do filme Batismo de Sangue para
mostrar como era realmente o processo de tortura, a partir dessa exposição se
dará um pequeno debate, para instigar a reflexão do aluno. Além disso, serão
utilizados relatos de mulheres torturadas, fotos de como se davam os métodos.
Após serão apresentadas algumas charges para que seja feita uma análise das
suas representações.

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65
APÊNDICE 5: PLANO DE AULA 4

66
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO: HISTÓRIA
ACADÊMICO (A): PATRÍCIA SILVA RAMOS
PLANO DE AULA Nº 4 DURAÇÃO: DAS 08:00 ÀS 09:45 3ºB
DATA: 27/05/2013

1. TEMA:
Ditadura Militar no Brasil

2. CONTEÚDOS:
 O cenário cultural da época;
 O que foi a contracultura;
 Quem foram os exilados?
 Músicas de protesto;
 Quem são os autores?
 Quais são as músicas?
 Por que interpretá-las?

3. OBJETIVOS:
 Apresentar aos alunos o cenário cultural da época;
 Fazer o aluno refletir criticamente sobre o que estava ocorrendo
no país;
 Buscar que o aluno consiga interpretar com mais facilidade aquilo
que está lendo;
 Permitir a construção e posterior produção do conhecimento por
parte dos alunos.
 Desenvolver o interesse dos estudantes pelo assunto através de
material diferenciado;
 Mostrar a eficácia da música como instrumento de ensino.

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APÊNDICE 6: PLANO DE AULA 5

69
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO: HISTÓRIA
ACADÊMICO (A): PATRÍCIA SILVA RAMOS
PLANO DE AULA Nº 5 DURAÇÃO: DAS_____ÀS_____ - 3ºB SALA:_____
DATA:__________

1. TEMA:
Ditadura Militar no Brasil

2. CONTEÚDOS:
 As mulheres dentro do regime militar;
 Mulheres contra o regime;
 Quais eram suas condições na época;
 O sexo diferenciava o tratamento?
 O estupro como forma de tortura.

3. OBJETIVOS:
 Fazer com que o aluno reflita sobre as questões de gênero dentro da
história;
 Incentivar os mesmos a pensarem criticamente sobre os fatos e não
apenas aceitar o que está escrito nos livros;
 Permitir com que o aluno crie uma consciência histórica;
 Permitir a construção e posterior produção do conhecimento por parte
dos alunos;
 Fazer com que o aluno exponha sua bagagem de conhecimento prévio.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS:
Inicialmente serão apresentadas imagens de mulheres durante o regime
ditatorial na TV multimídia e serão lidos para os alunos alguns relatos
complementares retirados do livro Brasil: Nunca Mais. Após serão entregues
aos alunos relatos diferenciados, retirados do mesmo material e do livro Luta,
substantivo feminino: mulheres torturadas desaparecidas e mortas na
resistência à Ditadura, para a realização da atividade avaliativa.

70
71
APÊNDICE 7: PLANO DE AULA 6

72
FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE UNIÃO
DA VITÓRIA/PARANÁ
CURSO: HISTÓRIA
ACADÊMICO (A): PATRÍCIA SILVA RAMOS
PLANO DE AULA Nº 6 DURAÇÃO: DAS______ÀS______ - 3ºB SALA:___
DATA:_________

1. TEMA:
Ditadura Militar no Brasil

2. CONTEÚDOS:
 Contexto da Ditadura Militar;
 Como aconteceu;
 Porque aconteceu;
 Objetivos do regime Militar;
 Os governos militares;
 Seus impactos na vida dos sujeitos e na sociedade;
 Os reflexos que o período deixou até os dias atuais;
 AI 5;
 A questão da tortura, como e para que era utilizada;
 O AI 5 e a censura.
 Métodos de tortura;
 Homens e mulheres torturados;
 Mulheres: torturas específicas do gênero;
 Torturadores: prazer ou obrigação?
 A Comissão da verdade.
 O cenário cultural da época;
 O que foi a contracultura;
 Quem foram os exilados?
 Músicas de protesto;
 Quem são os autores?
 Quais são as músicas?
 Por que interpretá-las?
 As mulheres dentro do regime militar;

73
 Mulheres contra o regime;
 Quais eram suas condições na época;
 O sexo diferenciava o tratamento?
 O estupro: tortura ou diversão?

3. OBJETIVOS:
 Perceber qual foi o nível de aprendizado do aluno sobre este tema
em específico;
 Avaliar a capacidade de interpretação e de escrita do aluno.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS:
 Prova teórica.

5. AVALIAÇÃO:
A avaliação será feita a partir da prova teórica que será aplicada, ela abrangerá
os conteúdos dados em sala de aula.
6. REFERÊNCIAS:
ARNS, Paulo Evaristo (org.). Brasil Nunca Mais: Um relato para a história.
São Paulo: Editora Vozes, 1985.

CABRAL, Reinaldo; LAPA, Ronaldo (Org.). Desaparecidos políticos: prisões,


seqüestros, assassinatos. Comitê Brasileiro pela Anistia, Rio de Janeiro, 1979

MUNTEAL, Oswaldo; FREIXO Adriano; VENTAPANE, Jacqueline (Org.).


Tempo negro, temperatura sufocante: Estado e sociedade no Brasil do AI-5.
Editora PUC - Rio, 2008.

MERLINO, Tatiana Ojeda. Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo


feminino. São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.

PINHEIRO, Manu. Cale-se A MPB e a Ditadura Militar. Ed. Livros Ilimitados.


Rio de Janeiro, 2011.

74
75
APÊNDICE 8: SLIDES SOBRE OS GOVERNOS MILITARES

76
77
78
79
APÊNDICE 9: ATIVIDADE A PARTIR DE CHARGES

80
Nome:__________________________________________ Data:________

1. De acordo com o que foi discutido em sala faça uma análise das
charges abaixo, refletindo os seus significados de forma clara e
coerente.

a. b.

c. d.

81
APÊNDICE 10: PROVA ESCRITA

82
Colégio Estadual São Mateus. Ensino Fundamental, Médio, Profissional e Normal.
São Mateus do Sul, ____ de Junho de 2013.

Nome:___________________________________________ nº:______

1.
“Previsão do tempo:
Tempo negro.
Temperatura sufocante.
O ar está irrespirável.
O país está sendo varrido por fortes ventos.
Máxima: 38º, em Brasília: Mínima 5º nas Laranjeiras.”
(Jornal do Brasil, 14/12/1968.)

O trecho acima é uma alusão clara à turbulência provocada pela:


A) Vitória da oposição, que, liderada pelo MDB, mobiliza o País em prol da
redemocratização;
B) Denúncia à sociedade sobre os atos de crueldade que ocorrem nos porões da
ditadura;
C) Edição do novo Ato Institucional nº 5, e ao rígido controle por ele exercido sobre o
País;
D) Disputa pela sigla PTB, que faz da antiga liderança do partido uma ameaça à
ordem estabelecida.

2. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes ao


período do Regime Militar brasileiro:
( ) Diferentemente de outras ditaduras de Segurança Nacional, no Brasil não
ocorreram casos de desaparecimento de pessoas.
( ) Após vinte anos de regime militar, constatou-se a existência de maior
concentração de renda, maior desigualdade social e considerável crescimento da
dívida externa.
( ) A tortura foi um instrumento da política repressiva, estando presente durante o
período ditatorial.
( ) O tropicalismo foi um movimento musical, que também atingiu outras esferas
culturais (artes plásticas cinema, poesia), surgido no Brasil no final da década de
1960, tinha como integrantes cantores como Caetano Veloso e Gilberto Gil.

83
3. Sobre o Ato Institucional nº. 5 (AI – 5) é CORRETO afirmar:
I. Dava ao Presidente poderes para fechar o Congresso Nacional, as Assembléias
Estaduais e Câmaras Municipais e, suspender direitos políticos de qualquer cidadão
por 10 anos.
II. Foi decretado por Castelo Branco.
III. Permitia que o Presidente pudesse demitir ou aposentar sumariamente funcionários
públicos e juízes de tribunais.
IV. Suspendia a garantia do "Habeas-Corpus".
Estão corretas as afirmativas:
A ) Apenas I e II.
B ) Apenas III e IV.
C ) Apenas II e III.
D ) Apenas I, III e IV.
E) Apenas II, III e IV.

4. No campo econômico, a economia brasileira cresceu muito durante os anos de


1969 e 1973, esta fase ficou conhecida como época do Milagre Econômico. Aponte
algumas características desse período.
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5. Qual das alternativas abaixo aponta características do regime militar brasileiro?


A) Bipartidarismo, a falta de democracia, perseguição aos opositores políticos e
repressão aos movimentos sociais.
B) Democracia, eleições diretas para presidência da República, apoio aos movimentos
sociais, distribuição de terras para os camponeses.
C) Implantação do socialismo, existência de vários partidos políticos, tolerância com os
opositores políticos.
D) Liberdade de imprensa, valorização do sistema democrático, apoio aos sindicatos e
movimentos de trabalhadores sem terras.

84
6. Como se deu a participação das mulheres na Ditadura Militar?
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7. Faça uma breve descrição sobre como funcionava a questão da tortura durante o
Regime Militar. Incluindo para que era usada, se existia diferença entre homens e
mulheres e exemplifique com a descrição de um dos métodos.
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_____________________________________________________________________
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_______________________________________________________

BOA SORTE! ☺

85
APÊNDICE 11: DOCUMENTO AI5

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91
92
93
94
APÊNDICE 12: RELATO PARA ANÁLISE

95
96
APÊNDICE 13: MATERIAL DIDÁTICO

97
Uma breve história do Regime Ditatorial no Brasil

(Fonte: http://tecciencia.ufba.br)

A Ditadura Militar no Brasil teve duração de 31 de março de 1964 até 15


de março de 1985 e se caracteriza por ser um regime autoritário. Sua
implantação se iniciou com o Golpe de 1964, quando as Forças Armadas do
Brasil derrubaram o governo do presidente esquerdista João Goulart e
terminou quando José Sarney assumiu o cargo de presidente.
A revolta militar foi desenvolvida por Magalhães Pinto, Adhemar de
Barros e Carlos Lacerda, governadores dos estados de Minas Gerais, São
Paulo e Rio de Janeiro.
A ditadura restringia e reprimia de forma violenta o direito do cidadão de
exercer sua cidadania, bem como todo e qualquer movimento que surgisse em
oposição aos seus ideais. Já no setor econômico, o governo implantou um
projeto desenvolvimentista qual trouxe resultados um tanto contraditórios,
partindo do pressuposto de que o país ingressou numa fase de crescimento
econômico acelerado e grande industrialização, que não beneficiavam, porém,
a maior parte da população, entre os quais a classe trabalhadora. Nesse
momento houve um forte crescimento do PIB, produto interno bruto do país,
que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma região. Foram
dispensados muitos investimentos em infra-estrutura, contudo os empréstimos
vindos do exterior aumentaram e a conseqüência disso foi o aumento da dívida
externa.
A década de 1970 se configura como o auge da popularidade do regime
militar, com o "milagre econômico", tudo acontecendo ao mesmo tempo em
que pessoas eram torturadas, exiladas e os meios de comunicação eram
censurados sem exceção. Já na década de 1980, assim como tantos outros
regimes militares, a ditadura brasileira entra em seu momento de decadência, a
partir daí o governo já não conseguia estimular a economia e
conseqüentemente não conseguia diminuir a inflação.
Nesse momento foi aprovada no país a Lei de Anistia voltada para
crimes políticos cometidos pelo regime e contra ele também. As restrições à
liberdade do cidadão foram relaxadas e, logo, se realizaram em 1984 as
eleições presidenciais, com candidatos civis, dando um fim definitivo ao poder
militar. Desde a aprovação da Constituição de 1988. O Brasil somente voltou à

98
democracia em 1988, com a aprovação da Constituição, a partir disso os
militares foram mantidos sob controle, perdendo assim seus poderes políticos,
não tendo mais relevantes papéis nessa esfera de poder.

Fatores que influenciaram no processo

 Instabilidade política durante o governo de João Goulart;


 Ocorrências de greves e manifestações políticas e sociais;
 Alto custo de vida enfrentado pela população;
 Promessa de João Goulart em fazer a Reforma de Base
(mudanças radicais na agricultura, economia e educação);
 Medo da classe média de que o socialismo fosse
implantado no Brasil;
 Apoio da Igreja Católica, setores conservadores, classe
média e até dos Estados Unidos aos militares brasileiros.

Principais características do Golpe Militar

 Cassação de direitos políticos de opositores;


 Repressão aos movimentos sociais e manifestações de
oposição;
 Censura aos meios de comunicação;
 Censura aos artistas (músicos, atores, artistas plásticos);
 Aproximação dos Estados Unidos;
 Controle dos sindicatos;
 Implantação do bipartidarismo: ARENA (governo) e MDB
(oposição controlada);
 Uso de métodos violentos, inclusive tortura, contra os
opositores ao regime;
 “Milagre econômico”: forte crescimento da economia
(entre 1969 a 1973) com altos investimentos em
infraestrutura.
 Aumento da dívida externa.

Atividade.

Responda as questões abaixo:

1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de


1964 a 1985?

2. Aponte as características do regime militar brasileiro


considerando o que foi discutido em sala.

3. No campo econômico, a economia brasileira cresceu muito


entre os anos de 1969 e 1973. Esta fase ficou conhecida
“Milagre Econômico”. Aponte as características desse período.

99
4. O Golpe de 1964 teve suporte político de um governo que
lutava contra os regimes socialistas em diversos países do
mundo. A ditadura militar submeteu o Brasil a um regime
alinhado politicamente a qual país?

A reunião que radicalizou a políticos de qualquer


cidadão;
Ditadura – O AI5
 Intervir em Estados e
municípios;
 Decretar o confisco de
bens por
enriquecimento ilícito;
 Suspender o direito de
habeas corpus para
crimes políticos.
Na mesma noite em que a
notícia da aprovação do Ato foi
dada já se perceberam algumas
dessas intervenções: o Congresso
foi fechado. O presidente Juscelino
Kubitschek que estava saindo de
um compromisso solene naquela
noite foi levado para um quartel em
Niterói - RJ, onde ficou preso por
vários dias.
Um fato interessante:
Para tentar driblar o poder da
censura, o "Jornal do Brasil" tentava
(Fonte: www.uol.com.br) passar para a população a
dimensão dos fatos através da
previsão do tempo.
O Ato Institucional nº 5, de 13
de dezembro de 1968, é o marco "Previsão do tempo:
inicial do período mais duro da Tempo negro.
ditadura militar (1964-1985). Este foi Temperatura sufocante.
editado pelo presidente Costa e O ar está irrespirável.
Silva e deu ao regime uma série O país está sendo varrido por
infinita de poderes para reprimir fortes ventos.
seus opositores. Máx.: 38º, em Brasília. Mín. 5º, nas
Alguns desses poderes: Laranjeiras.”
 Fechar o Congresso (Publicado no Jornal do Brasil, no
Nacional e outros dia seguinte à decretação do AI-5)
legislativos;
 Cassar mandatos;
 Suspender por dez Algum tempo após a edição
anos os direitos do AI-5, os encarregados dos
inquéritos políticos poderiam

100
prender qualquer cidadão por 60 Caio Prado Júnior. Redações de
dias, onde dez desses dias ele jornais, empresas de rádio e TV
deveria permanecer incomunicável. foram tomadas por censuradores,
Contudo, se formos ver em termos Artistas foram presos e alguns
práticos, esse tempo serviria para a exilados como: Marília Pêra,
ação dos torturadores. Professores Caetano Veloso e Gilberto Gil.
foram expulsos de universidades – O AI-5 durou até 17 de
entre eles Fernando Henrique outubro de 1978.
Cardoso, Florestan Fernandes e

Atividade:
1. Utilizando-se do material didático e de todo o conteúdo discutido em sala
produza um texto refletindo sobre as questões impostas pelo AI5, bem como
sobre a tortura e a censura.

Tortura
Pesquisas realizadas com documentos produzidos pelos militares da época
identificaram mais de cem tipos de torturas utilizadas nos "anos de chumbo" do
Brasil. O início de toda essa crueldade se deu no ano de 1968, quando o AI5
determinou a censura dos meios de comunicação, sem poder levar à
população a divulgação das violências ocorridas, as sessões de tortura
tornaram-se hábitos diários.
A partir desse momento, a tortura foi amplamente empregada sobre aqueles
que eram presos, principalmente para obter informações dos sujeitos que
estavam envolvidos com a luta armada contra o regime. Aqui vale ressaltar que
os militares brasileiros tinham uma “assistência” dos militares dos EUA, quais
ensinavam a como torturar, as torturas se iniciavam logo no momento da
prisão. Não havia distinção, todos eram torturados, homens, mulheres,
crianças, idosos, estando contra regime já não importavam quem eram ou de
onde vinham, o que faziam.
Nas delegacias e nos quartéis o problema só piorava e tomava proporções
muito maiores, muitas vezes as salas onde ocorriam os interrogatórios eram
feitas com material isolante para evitar que os gritos fossem ouvidos, ali se
instaurava a parte mais obscura da nossa história
Até o ano de 1974, quando o então presidente Geisel tomou algumas medidas
para tentar diminuir os atos de tortura, afastando vários militares do Exército, a
situação foi crítica e tensa.

A Arquitetura da dor – Métodos de Tortura.

Cadeira do Dragão: Era uma espécie de cadeira elétrica. Os presos sentavam


nus numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o
aparelho era ligado, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes,

101
os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde
também eram aplicados choques, outras vezes os molhavam para potencializar
as descargas.

Pau-de-arara: Trata-se de uma das mais antigas formas de tortura usadas no


Brasil - já existia nos tempos da escravidão. Consistia numa barra de ferro que
era atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, sendo o
conjunto colocado entre duas mesas, ficando o corpo do torturado pendurado a
cerca de 20 ou 30 centímetros do solo. Este método quase nunca era utilizado
isoladamente, seus complementos normais eram eletro choques, a palmatória
e o afogamento.

Choques elétricos: Foi um dos métodos mais cruéis e mais utilizados durante
o regime militar. Longos fios eram ligados ao corpo nu do preso, normalmente
nas partes sexuais, além dos ouvidos, dentes, língua e dedos. O acusado
recebia descargas sucessivas, a ponto de cair no chão. O choque
desencadeava convulsões, queimaduras e fazia o preso morder a língua
violentamente.

Espancamentos: As outras formas de tortura admitiam várias


complementações que geralmente eram os espancamentos, estes ocorriam em
todos os graus de agressividade.

Soro da verdade: Trata-se de Pentotal Sódico, uma droga injetável que


provoca um estado de sonolência em quem a recebe. Estando sob seu efeito, a
pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria estando em sã
consciência - daí o nome "soro da verdade".

Afogamentos: Esse método poderia ser desempenhado de várias formas: os


torturadores fechavam as narinas dos presos e inseriam em sua boca uma
mangueira, obrigando-os a ingerir água.
Outro método era mergulhar a cabeça do torturado em um balde, tanque ou
tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do
afogamento.
Pode-se ainda, imobilizar o indivíduo colocar uma toalha sobre o seu rosto,
pressionando-a fortemente e após jogar água sobre ele, assim impedindo que
este respire,

Geladeira: Os presos ficavam nus numa cela baixa e pequena, que os impedia
de ficar em pé. Após, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração
super frio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável,
enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na
"geladeira" por vários dias, sem água ou comida. Era um misto de tortura
psicológica e física.

Balé no Pedregulho: O preso era posto nu e descalço em local com


temperatura abaixo de zero, sob um chuveiro gelado, tendo no piso
pedregulhos com pontas agudas, que perfuravam os pés da vítima. A
tendência do torturado era pular sobre os pedregulhos, como se dançasse,

102
tentando aliviar a dor. Quando ele “bailava”, os torturadores usavam da
palmatória para ferir as partes mais sensíveis do seu corpo.

Telefone: Entre as várias formas de agressões que eram usadas, uma das
mais cruéis era o vulgarmente conhecido como “telefone”. Com as duas mãos
em posição côncava, o torturador, a um só tempo, aplicava um golpe violento
nos ouvidos da vítima. O impacto era tão violento, que rompia os tímpanos do
torturado, fazendo-o perder a audição.

Afogamento na Calda da Verdade: A cabeça do torturado era mergulhada em


um tambor, balde ou tanque cheio de água, urina, fezes e outros detritos. A
nuca do preso era forçada para baixo, até o limite do afogamento na “calda da
verdade”. Após o mergulho, a vítima ficava sem tomar banho vários dias, até
que o seu cheiro ficasse insuportável. O método consistia em destruir toda a
auto-estima do torturado.

Mamadeira de Subversivo: Era introduzido na boca do preso um gargalo de


garrafa, cheia de urina quente, normalmente quando o preso estava pendurado
no pau-de-arara. Usando uma estopa, os torturadores comprimiam a boca do
preso, obrigando-o a engolir a urina.

A Contracultura

A juventude sempre representou possibilidades de mudanças na


sociedade. Entre as décadas de 60 e 70, jovens em diversas partes do mundo
iniciaram uma fase conhecida por movimento de Contracultura. A juventude
mundial inaugurou uma era de rebeldia e de desapego material.
A identidade desses jovens era afirmada pelos festivais de Rock e
postura underground. Através da arte eles mostravam quais eram suas
posições e opções diante da vida, da sociedade e também mostravam suas
escolhas. Alguns artistas como Jimi Hendrix e Janis Joplin traziam em suas
letras hinos em prol de um mundo melhor e menos incerto. Esses movimentos
de contestação chegaram até o Brasil, dando origem assim ao grupo chamado
de “Tropicália”, que era formado por artistas como Gilberto Gil, Caetano
Veloso e Tom Zé.

(Fonte: revistaforum.com. br)

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As inovações trazidas pelo eles começam a cantar e dessa
movimento inspiraram muitos outros forma surge a música engajada, que
artistas adiante, como Raul Seixas. tem a função de conscientizar a
Outros hinos foram expostos em população. Vários artistas
solo brasileiro, eles criticavam a passaram, então a criticar o sistema
política, a desigualdade social, é o de forma metafórica.
exemplo de Legião Urbana, Os A implantação do AI5 exigia
Paralamas do Sucesso, Titãs e uma reação e existiam apenas três
tantas outras. caminhos a seguir: a luta armada, o
No Brasil, a contracultura desbunde contracultural ou a
toma maior visibilidade após o golpe conformação. Qual foi a opção
de 1964, nesse momento os jovens escolhida? A contracultura, com
estavam ansiosos por tudo que a certeza, através da arte,
modernidade os trazia, contudo o principalmente da música os
golpe destruiu seus sonhos e intelectuais utilizavam uma cultura
anseios de um país melhor. Devido de protesto para a conscientização
à censura, não podendo expressar popular.
suas opiniões, dissipar seus anseios

E as mulheres?

O sistema não fazia distinção entre homens e mulheres, o que variava


era a forma de tortura, considerando as diferenças sexuais das mulheres,
quando estas estavam grávidas se tornavam muito vulneráveis, o que
deixavam as torturas potencializadas. Por se tratarem de homens, os
torturadores faziam da sexualidade feminina um objeto especial para realizar
suas fantasias.
Para o regime, as razões e as “necessidades” do Estado estavam acima
de tudo, até mesmo da vida. Muitas mulheres que durante a ditadura foram
violentadas, estupradas e até mesmo tiveram seus filhos arrancados de seus
ventres de forma violenta têm vergonha, receio de falar sobre o assunto.
Contudo, outras escolheram denunciar os abusos sofridos, tentando assim,
remediar, no mínimo possível as atrocidades pelas quais passaram.

(...) A qualquer hora do dia ou da noite sofria agressões físicas e morais.


“Márcio” invadia minha cela para “examinar” meu ânus e verificar se
“Camarão” havia praticado sodomia comigo. Este mesmo “Márcio”
obrigou-me a segurar o seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente.
Durante este período fui estuprada duas vezes por “Camarão” e era
obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e
obscenidade, os mais grosseiros. (...)

(Inês Etienne Romeu, 29 anos)

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(...) Nua, foi obrigada a desfilar na presença de todos, desta ou
daquela forma, havendo, ao mesmo tempo, o capitão PORTELA, nessa
oportunidade, beliscando os mamilos da interrogada até quase produzir
sangue; que, além disso, a interrogada foi, através de um cassetete,
tentada a violação de seu órgão genital; que ainda, naquela oportunidade,
os seus torturadores faziam a autopromoção de suas possibilidades na
satisfação de uma mulher, para a interrogada, e depois fizeram uma
espécie de sorteio para que ela, interrogada, escolhesse um deles. (...)

(Maria Mendes Barbosa, 28 anos)

Obs: Os relatos acima foram retirados do livro Brasil: Nunca Mais.

Sugestões

Filmes:
Batismo de Sangue
Zuzu Angel
O que é isso companheiro?
O ano em que meus pais saíram de férias
Hércules 56 (documentário)
Nunca fomos tão felizes
Cara ou coroa
Marighella

Músicas:
Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré)
Alegria Alegria (Caetano Veloso)
Cálice (Chico Buarque)
Admirável Gado Novo (Zé Ramalho)
O Bêbado e o Equilibrista (Elis Regina)
Mosca na Sopa (Raul Seixas)
É proibido proibir (Caetano Veloso)
Jorge Maravilha (Chico Buarque)
Que as crianças cantem livres (Taiguara)
Apesar de você (Chico Buarque)

Sites:
www.cnv.gov.br
www.documentosrevelados.com.br
http://torturanuncamaispr.wordpress.com

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APÊNDICE 14: CHARGES UTILIZADAS

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Fonte: www.humorpolitico.com.br

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ANEXO 1: QUESTÕES

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ANEXO 2: TEXTO SOBRE O AI 5

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52
53
54
ANEXO 3: ANÁLISE DE CHARGES

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ANEXO 4: ANÁLISE DA MÚSICA “PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS
FLORES”

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59
ANEXO 5: PROVA ESCRITA

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