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Guia do
Idoso
Qualidade de Vida na Terceira
Idade

asemedo
Hewlett-Packard
01-01-2009
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Ficha Técnica

Edição

Escola Beira Aguieira – Escola Profissional

Concepção e elaboração

Formandas do Curso de “Agente em


Geriatria”, Nível Básico, Tipo B3

Projecto enquadrado nos “Temas de


Vida”

Impressão e acabamento

Tipografia BEIRATIPO – Carregal do Sal

Tiragem

200 Exemplares

Junho de 2009
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"Cada um tem a idade do seu coração,


da sua experiência, da sua fé".

George Sand

“Envelhecer é ainda o único meio que


se encontrou para viver muito tempo”

Charles Augustin Sainte Beuve


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Introdução
Muitos de nós,
a certa altura
das nossas
vidas,
estaremos no
papel de
cuidar de
alguém.
Fazemo-lo de
boa vontade
por aqueles
que nos são mais próximos e mais
queridos. No entanto, para alguns isso
ocupará uma grande parte das suas
vidas, tomando todo o seu tempo, porque
têm de cuidar de um parente próximo que
ficou doente ou incapacitado.

Toda a gente precisa de apoio e


conselhos quando se vê na situação de
ter de prestar cuidados a alguém. Cada
vez há mais pessoas que necessitam de
cuidados em casa, porque os hospitais
não podem acolher todas as pessoas e
também porque a esperança de vida é
maior.

Pretende-se com este guia


contribuir para melhorar a
qualidade de vida de
quem é cuidado e de
quem cuida, mantendo a
dignidade e
independência.
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Alimentação
do doente em casa

Alimentação
O seu familiar pode ter pouco apetite ou
sentir dificuldade em comer por causa de
uma doença,
incapacidade ou
apenas por apatia,
mas é essencial
que o encoraje a
comer bem e
regularmente. É
sempre possível
fazer uma
alimentação
equilibrada mesmo
quando se tem de seguir uma dieta
especial, por razões pessoais ou de saúde.
De uma forma geral a alimentação
deverá:

 Ser rica em frutos, legumes vegetais,


cereais, massas e produtos de
panificação integrais, carne e peixe.
 Incluir a água e sumos naturais, cerca
de 6 a 8 copos por dia.
 Realizar várias refeições ao longo do
dia, pequeno-almoço,
lanche a meio da
manhã, almoço,
lanche, jantar e ceia;
 Em cada refeição,
comer pouco, variando os alimentos.
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 Deve reduzir-se a ingestão de
açúcares, carnes gordas e sal.
 É importante encorajar o doente a
comer sozinho, mesmo que para tal
tenha que cortar os alimentos
previamente. Não se preocupe se o
doente entornar a comida, o
importante é que se alimente sozinho.
 Dê o tempo que for preciso.
 No caso de o doente não ter dentes,
deverá triturar os alimentos para ser
mais fácil a digestão dos mesmos.
 No caso de o idoso não se alimentar
pela sua própria mão, deve dar-se o
alimento lentamente e em pequenas
quantidades.

Higiene e conforto
O banho é
uma
actividade
muito
importante
para o bem-
estar do doente.

A higiene corporal, além de proporcionar


conforto e bem-estar, constitui um factor
importante para a recuperação da
saúde. Este deve respeitar os hábitos do
idoso. Procure fazer do horário do banho
um momento de relaxamento.
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Higiene da pessoa idosa
 Sempre que for fazer a higiene de um
idoso certifique-se que este precisa de
ajuda total ou parcial.
 Certifique-se que o local onde
vai fazer a higiene está
aquecido e não há
correntes de ar.
 Reunir todo
o material
necessário.
 Deve começar pelo
rosto e cabelo,
seguindo-se o
peito, braços,
costas e
pernas e, por fim, as partes genitais.
 Após os cuidados de higiene, todo o
corpo deve ser hidratado e massajado
com um creme hidratante.
 Tenha sempre em atenção a
privacidade do idoso.
 O banho é também uma
oportunidade para verificar o estado
da pele, unhas e cabelos. Verifique se
existem lesões escondidas ou que
estão a aparecer.
 As unhas devem ser
cortadas semanalmente.
 Os cuidados com a
boca são muito
importantes. A limpeza dos
dentes e língua deve ser
realizada depois das
refeições.
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Conforto do idoso
Vestir e despir pode ser
uma tarefa demorada
para uma pessoa fraca
ou com pouca
mobilidade. Deixe o seu
familiar vestir-se sozinho,
mas se este precisar de ajuda siga estas
directrizes:

 A roupa deve ser larga e com


bastante elasticidade.
 O fato de treino pode ser uma boa
opção por ser quente, confortável e
prático, isto se for Inverno.
 Se for Verão, opte por roupa de
algodão.
 Quanto ao calçado, opte por fechos
que colam em vez de atacadores.
 Comece pelo membro mais fraco.

Actividade física

O lazer do doente no domicílio


O doente dependente que se encontra
em casa tende a isolar-se dos
que o rodeiam fechando-se
em si mesmo. É um doente
que muitas vezes está
revoltado com o mundo e,
como tal, necessita de
muita ajuda e paciência
da sua parte.
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Não havendo qualquer
recomendação médica em contrário,
poderá praticar certos exercícios físicos
sempre que se sinta motivado para tal.

As mais indicadas aos idosos são:

 Marcha (andar e caminhar com


roupas e calçados confortáveis).
 Ginástica (ajuda a desenvolver ou
manter a flexibilidade).
 Dança (uma óptima actividade física
para uma boa
socialização).

Ter sempre em conta a


duração da actividade
física que deve durar de 30
a 60 minutos.

Benefícios da prática da actividade física


regular:

 Melhoria do humor e sensação de


bem-estar.
 Oxigenação cerebral e melhoria das
capacidades cognitivas.
 Menor possibilidade de depressão.
 Optimização da qualidade de vida.
 Aumento da auto-estima e
autoconfiança.
 Promoção da socialização.
 Alívio do stress.
 Retardamento do
envelhecimento,
favorecendo a
autonomia e
independência.
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 Favorecimento do sono.
 Melhoria da capacidade imunitária.
 Diminuição da incidência de cancro
(mama, cólon, etc.).

Prevenção
de acidentes
A maioria dos acidentes com
os idosos acontece nas suas
próprias casas.

 Em casa evite tapetes


escorregadios.
 Coloque adesivos ou anti-derrapantes
nas passadeiras e tapetes.
 Não ande sobre pavimentos
escorregadios, molhados ou
encerados.
 Coloque barras de apoio na banheira
ou chuveiro e ao lado da sanita.
 Utilize tapetes de borracha anti-
derrapantes no chuveiro e na
banheira.
 Procure não estar sozinho.
 Não se isole (pode atrasar a chegada
de ajuda ao exterior em caso de
acidente).
 Utilize sapatos confortáveis e não
derrapantes.
 Evite passeios com obstáculos.
 Evite usar chinelos.
 Para que possa ser visto na escuridão,
use sempre colete reflector.
 Não se intimide de pedir auxílio para
atravessar a rua.
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 Evite sítios com má iluminação,
fios eléctricos ou de telefone deixados
no chão.

Posicionamentos
Os doentes que se
encontram, por alguma
patologia, com
limitação física são
dependentes da sua
ajuda para se movimentarem. Como tal,
estes necessitam que efectue
posicionamento. Os posicionamentos são
posições em que se coloca o doente
quando este não tem a capacidade para
mudar de posição sozinho.

 Mude-o de posição frequentemente


para o lado esquerdo e para o lado
direito, sempre com o auxílio de
almofadas.
 O ideal é fazê-lo de 2 em 2 horas ou
sempre que o idoso refira vontade em
mudar de posição.
 Sempre que mudar de posição,
massajar a zona que esteve sob
pressão, com movimentos circulares
para activar a circulação.
 Ter em atenção certas zonas do corpo
que estão sujeitas a escaras.
 Sempre que possível, levantar o idoso
para uma cadeira de rodas ou um
cadeirão para aliviar o seu corpo e
facilitar as vias respiratórias.
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 Na cadeira de rodas
deve, sempre que
possível, levantar o
doente por alguns
instantes para aliviar
as zonas de pressão.

Não se esqueça: pequenos gestos no


presente, poderão fazer uma grande
diferença no futuro!

Assaduras
A incontinência, ou seja, a dificuldade em
reter fezes ou urina, leva à necessidade do
uso de fralda e facilita o aparecimento de
assaduras que podem vir a dar origem a
uma escara.

Existem alguns cuidados a seguir para o


evitar:

 Mudar a fralda sempre


que se encontre suja.
 Passar um pouco de
água e sabão da
região mais limpa
para a região mais suja, ou seja, da
vagina/pénis para o ânus.
 Secar muito bem a pele depois de
lavar com cuidado.
 Aplicar uma espessa camada de
pomada protectora na zona coberta
pela fralda, de forma a evitar o
contacto da urina e das fezes com a
pele.
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10 Mandamentos
para pessoas idosas
1. Tenha uma
alimentação
equilibrada.

2. Proteja os seus
ossos de
osteoporose.

3. Previna os acidentes e as quedas.

4. Construa todos os dias a sua


autonomia.

5. Treine a sua memória.

6. Envelheça de uma forma saudável –


prevenção é palavra de ordem.

7. Envelheça no masculino e no
feminino.

8. Mantenha a comunicação com o


mundo.

9. Contrarie o isolamento e a
dependência.

10. Viva com alegria cada momento


da sua vida.
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Conselhos
finais ao cuidador
 Considere sempre o idoso como um
adulto válido,
que possui
sentimentos,
que pensa,
que ri e
que chora,
que tem

necessidades
e vontades.
 Disponha de tempo para ele.
 Encoraje-o a falar – não o censure.
 Seja positivo e optimista – viva a vida e
acredite cem por cento nela.
 Estimule-o a participar nas actividades
familiares e no seu auto-cuidado.
 Proporcione o seu conforto e bem-
estar.
 Seja corajoso, forte e determinado,
pois assim servirá de exemplo para ele.
 Reserve ainda algum tempo para si e
preocupe-se com a sua saúde.
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Sinais de
alarme de um AVC
Aparecimento súbito de:

 Falta de força num braço ou perna.


 Boca ao lado.
 Dificuldade em
falar.
 Desorientação.
 Dor no peito que
vai para o
pescoço, queixo, braços ou costas.
 Suores frios, sensação de náuseas ou
vómitos.
 Inconsciência.

EM CASO DE DOENÇA SÚBITA


LIGUE 112
A chamada é gratuita e está acessível de
qualquer ponto do país, a qualquer hora
do dia.

A chamada será atendida por um


operador da Central de Emergência, que
enviará os meios de socorro apropriados.
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Contactos úteis
Situação de emergência: 112

Centro de Saúde de Mortágua: 231927560

G.N.R: 231927360

Bombeiros Voluntários de Mortágua:


231920122

Acção Social:

Câmara Municipal de Mortágua:


231927460

Centro Balmar - Fundação de


Beneficência e Cultura (Marmeleira):
231 923 505

Santa Casa da Misericórdia de Mortágua:


231 927 490

Segurança Social (Mortágua): 231929 307

Farmácias:

Farmácia Abreu: 231922185

Farmácia Gonçalves: 231920958

Táxis: 231922262
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Bibliografia
Berger, L; Mailloux, D. (1995). “Pessoas
Idosas”. Lusodidacta, Lisboa.

Correia, JM (2003). “Introdução à


Gerontologia”. Universidade Aberta,
Lisboa.

Gcpas, CID, (2005). “Manual de Boas


Práticas”. Instituto de Segurança Social,
Lisboa.

Marques, Cristina; Marques, Maria;


Mendes, Maria; Alves, Patrícia; Matias,
Sílvia. “Cuidar do doente com acidente
vascular cerebral - Guia de apoio à família
no domicílio”. Hospital Pulido Valente,
Lisboa.

Ruipérez, I; Llorente, P. (1998). “Geriatria”.


Mc Graw Hill, Rio de Janeiro.

Sequeira, C. (2007). “Cuidar de Idosos


Dependentes”. Editora Quarteto, Coimbra.
SEDE
Rua Dr. José Lopes de Oliveira, 16
3450-154 Mortágua
Tel.: 231 921359 Fax: 231 920052
E-mail: eba-mtg@beira-aguieira.pt

DELE G AÇÃ O
Rua Costa do Sol, 2
3360-191 Penacova
Tel.: 239470270 Fax: 239 470279
E-mail: eba-pen@beira-aguieira.pt