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Da Magia e da Academia – Considerações aos Aspectos Gerais da Magia e Sobre a Vida

do Estudante de Magia.1

I. Breves Considerações Sobre a Arte


As artes arcanas, ou A Arte como é comumente referenciada no meios acadêmicos,
são um conjunto de disciplinas, fórmulas e conceitos que procuram isolar, categorizar e
compreender o fenômeno da magia. Além de seu aspecto gnosiológico, as artes arcanas
procuram fornecer para o seu praticante um conjunto de métodos e processos, mais ou menos
padronizados, para que este consiga manipular as energias arcanas ambientais e produzir,
consequentemente, o resultado desejado (ou algo próximo). Essa manipulação padronizada
pode-se dar por meio de feitiços, encantamentos ou rituais.
Em termos mais precisos, o que ocorre quando um usuário de magia manipula as
energias ambientais é uma movimentação do medium conhecido como a Trama. É por meio
dessa “entidade” (na falta de um nome mais apropriado para designar a natureza e essência
desta estrutura) que ocorre a manifestação deseja da magia, ou seja, sua materialização no
plano de existência do usuário. Alguns sábios afirmam que conjurar uma magia é o ato de
comunicar, ordenar, o rearranjamento da própria Trama, modificando seu padrão estrutural e
produzindo, in loco, modificações no ambiente. De certa forma, executar a magia é executar
um procedimento de destruição e reconstrução, pelo menos no caso dos magos23.
Quando falo em magos, estou falando de estudantes das artes arcanas, pesquisadores,
pensadores e artistas que utilizam-se do longo conhecimento acumulado pelas gerações
passadas e aqueles concedidos pela própria benção da Deusa. Para conjurarem seus poderosos
feitiços, estes arcanistas devem primeiramente conhecer em profundidade a “fórmula”
1 Excerto retirado do Guia Para Todas as Coisas e Além, tomo I (4. ed.) de autoria do Arquimago
Beowulf, o Andarilho – Biblioteca de Castelo Alto.
2 Os feiticeiros possuem a habilidade natural e instintiva de moldar a magia, os bruxos se valem de
pactos com patronos misteriosos, os bardos utilizam-se da reverberação dos sons primordiais e
os magos valem-se do intelecto, do estudo e dos “processos”. O poder celestial dos clérigos
deriva da concessão de divindades, elas que permitem que eles modifiquem a Trama.
3 Uma vez tive uma “produtiva” conversar com Mortimer, o Louco, e ele usou a seguinte explicação
ou teoria para a magia (apesar da loucura do homem é possível que ele tenha algum sentido):
“Imagine que cada magia que criamos é uma entidade viva, cada feitiço é um ser, para ter acesso
a seus efeitos este ser deve estar presente, mas como fazer isto? Simples! o processo de
memorização e de gestos força, aquela patacoada toda, forla a ”entidade-feitiço” a habitar na sua
mente, uma vez lançado o feitiço ela se esvai, Puff ! Você quer provas disso ??? Como é difícil
conversar com ignorantes … A “prova” desta teoria é que os pergaminhos, uma vez utilizados, se
esvaem – os diagramas e palavras são a própria magia, a própria entidade, caso você não tenha
entendido.. E não espere que cada magia seja igual à outra, nem uma formiga é igual à outra
imagine uma M A G I A e elas nem sempre estão de bom humor.”- BEOWULF, Angrimar.
Conversas & Cartas – Vol II. 2, 1200 DQ.
daquela magia, ou seja, o intricado e complexo padrão de gestos, posturas, raciocínios,
palavras, imagens mentais e vários outros elementos que aprisionam a energia mística na
mente do conjurador e formulam a ordem a ser dada à Trama. O procedimento consiste em
conhecer a magia em sua completude e depois em conhecer o “resumo” prático dela, que
deverá ser preparado mentalmente e que efetivamente aprisionará a magia a ser lançada4.
Uma vez criado o padrão do encantamento e armazenada sua “energia”, ela só será
dispersada por ocasião da própria conjuração ou de uma magia subsequente cujo efeito é
liberar espaço mental. Outro fator interessante é que a mente mortal tem um limite na
quantidade de energia arcana que consegue acumular simultaneamente, além de sua
capacidade restrita em memorizar os demais fatores envolvidos na conjuração. Aos fatores
psíquicos aderem-se os componentes verbais e materiais, quando todos os elementos são
combinados ai sim há a efetiva conjuração. Os componentes têm a função de auxiliar a Trama
a modelar-se, por meio da correspondência entre fatores, e a dar a forma e função a magia.
. Quando uma magia é liberada a sua trama de energia se desfaz e ela (geralmente)
surte seus efeitos, depois de conjurada uma magia não pode ser lançada novamente até que
todo o processo mental seja refeito e isto demanda um bom descanso. Existem, porém, alguns
“truques” mágicos de maior simplicidade que subvertem está regra – estes uma vez
preparados podem ser lançados uma grande quantidade de vez, dado que o procedimento
mental acumula uma grande quantidade de energia que é utilizada, neste caso,
fracionadamente. A magia exige do espírito, do intelecto e até mesmo da constituição física
de seus praticantes, a devoção a Arte é uma devoção completa do ser, tenha isto sempre em
mente.
Quanto a natureza da Trama a cercam muitos mistérios 5, alguns afirmam que ela é o
próprio corpo da Deusa6, mas o importante é que todo o mundo está imbuído desta energia,
cada pedra, cada ser é um reservatório e uma parte da Trama. De certa maneira podemos dizer
que o universo inteiro está em comunhão, pois cada partícula do ser, cada manifestação de
energia faz parte dessa grande “trama” da existência.

4 A magia formulá tica se opõe a magia espontânea.


5 Isto ocorre, segundo alumas linhas de pensamentos, porque a Trama são várias coisas ao
mesmo tempo, primeiramente ela é o próprio corpo da Deusa, depois ela é um condutor e um
armazém de energia e depois ela é a própria estrutura das regras que governam a magia arcana
(Arte) e a magia divina (Poder).
6 A Inominada é a patrona da magia e a própria trama (segundo consta), sua função da cosmologia
é fornecer a magia para os mortais por seu próprio intermédio – ela é a consciência da trama, por
assim dizer.
A Trama, como a manifestação da energia primordial, é a conexão que torna possível
aos mortais acessarem essa “vontade do existir”, sem acesso a ela os conjuradores ficam
inaptos a exercer a Arte. A Trama também está ligada ao destino (pelo menos é o que
especulam uma grande quantidade de sábios), mas poucos indivíduos conseguem ter tanto
poder, ou mesmo compreensão dela, para conseguirem interagir de forma adequada com este
seu aspecto.
Em resumo, a magia pode ser considerada como a própria vontade do “ser”, a vontade
da existência em deixar de ser o não-ser e tornar-se tudo que há, extirpando o nada do todo e
penetrando cada espaço, tornando o todo um complexo sem vazios. A Trama, como hoje se
apresenta, é resultado de um processo longo para desemaranhá-la (através da utilização da
magia e da própria Trama7). Existem locais onde a trama está ausente, consequentemente não
é possível utilizar-se de poderes arcanos em tais localidades; existem também as zonas de
magia selvagem, locais onde a incerteza e o perigo de utilizar-se das artes arcanas é ainda
maior.
Apesar de a magia povoar todo o universo, utilizar-se de seus benefícios (e
malefícios) é algo caro, complexo e perigoso. Poucos conseguem custear (ou ter a capacidade
e a paciência) estudos arcanos, mesmo a contratação de usuários da Arte ou a aquisição de um
objeto encantado é um processo que está além do usual. Contudo, a magia não é um evento de
todo incomum, uma parte da população já presenciou algum ato mágico, já viu um conjurador
ou mesmo presenciou algum item mágico em ação. Apesar de não totalmente incomum, não
pode-se dizer que a magia seja um evento ordinário, banal, na vida da maioria da população
que habita os reinos. Grande parte dessas pessoas jamais terá dimensão do quão importante e
impactante é a magia em suas vidas, por isso, é dever de todo mago resguardar a Trama e
utilizar-se de forma consciente e responsável a magia, tanto para sua proteção quanto para a
dos outros – toda ação gera consequências e as consequências da magia são alarmantemente
graves.

II. Dos Perigos da Magia

7 O processo de “domesticação” e de modificação permanente da Trama são amplamente


influenciados por fatores culturais e usuais, exemplo disso são as palavras de poder que
começaram como simples componentes verbais da preferência de K’Rean, o Poderoso e pelo
costume adquiriram poderes em si mesma. Especula-se que este processo seja uma espécie de
estímulo – respostas e que esteja relacionado com as múltiplas entidades sencientes (além da
própria consciência da Deusa) que tornam um componente vivo e mutante do universo.
É meu dever alertar o desavisado leitor, que agora mesmo pode estar sonhando com as
maravilhas que as artes arcanas ofertam, que a Arte cobra seu preço. A magia é perigosa e os
magos jogam um perigoso jogo onde apostam sua vida (e a de outros), saúde e sanidade.
Histórias de mutilações, mortes e acidentes terríveis são relativas comuns no mundo arcano e
costumam virar notícia, então esteja avisado, caro leitor, de que ao procurar o caminho da
Arte você pode estar trilhando os passos de sua própria destruição. Este um dos motivos de os
arcanistas e seus sectos serem tão discretos e de a magia não ser empregada em “massa”.
Esses “acidentes” existem pela própria natureza da magia, as movimentações e ordens
à Trama precisam ser precisas para produzir o efeito desejado. Perder o controle das energias,
executar alguns gestos errados ou uma memorização errônea causam Imprevisibilidade
(definição: movimentação sem controle dos fios da Trama que ao se reestruturarem podem
provocar efeitos diferentes do esperado – prejudicando ou até mesmo tornando a magia mais
poderosa). A causa mais comum de Imprevisibilidade é o uso abusivo dos truques (cantrips),
após um certo ponto esses feitiços simples cobram seu preço. Portanto, nem mesmo a mais
simples das magias está isenta de riscos.

III. Do Estudo da Magia


O estudo da magia não é tarefa fácil, nem barata. São necessários anos de árduo
treinamento para que o usuário seja capaz de lançar o mais simples dos truques e mesmo
assim muitos não galgam nem mesmo este patamar. Além de extraordinária capacidade
mental, é preciso uma dedicação fora do comum e uma grande força de vontade por parte do
estudante. Além dessas características é preciso que se exija grande estabilidade psíquica do
pretendente a aprendiz.
O primeiro passo que o pretende deve tomar é achar um tutor, um professor
capacitado. Este primeiro mestre, que de preferência começará a ensiná-lo nos primeiros anos
da juventude, deverá passar os conceitos básicos (pressupõe-se, obviamente, que o
pretendente seja plenamente alfabetizado) da educação mental superior, devendo ensinar pelo
menos o básico das seguintes áreas: metafísica, física, filosofia, lógica, linguística (gramática,
retórica e estrutura linguística), filologia, aritmética & geometria (real, imaginária, lógica e
ilógica), química alquímica, astronomia, cartografia planar, astrologia, história e teologia. O
estudo dessas mateiras tem como função treinar a mente e o espírito do estudante,
aclimatando o usuário ao pesado ritmo de estudos que deverá empregar nos anos vindouros,
além de lhe fornecer um conjunto básico de conhecimentos, necessários para compreender os
próximos estudos e a própria realidade da existência.
Depois do treinamento preliminar nas artes liberais o usuário começara a entrar no
reino da magia propriamente. Nesta fase do treinamento o usuário será exposto a
encantamentos e feitiços, auxiliará seu preceptor a realizar rituais e terá acesso as fórmulas de
seus primeiros truques. Esta fase tem como função ensinar a disciplina mental e o caminho de
construção mental necessário para qualquer feitiço, como gosto de dizer está e a fase da
construção do pensamento mágico. É aqui que o iniciado começa a desenvolver sua percepção
arcana e a sentir a presença e a força da Trama.
A próxima fase, a última que costuma ser acompanhada pelo preceptor original, é
onde o estudante começa a ter acesso as fórmulas mágicas de seu professor, que lhe ensinará a
forma apropriada de ler as magias – cada mago costuma desenvolver sua própria linguagem
codificada – e a como escrever apropriadamente uma fórmula mágica prática em seu
grimório8.
O grimório é o livro de magias pessoal de cada mago, ele pode ser um único tomo
como uma biblioteca inteira de pergaminhos, a forma física não importa, o importante é que
este “livro” é escrito de forma especial, contendo fórmulas mágicas pessoais que em si
próprias são uma magia. Este livro costuma ser o bem mais precioso de qualquer mago. A
escrita e transcrição das fórmulas é uma arte e demanda um conjunto especial de tintas, uma
série de materiais e algumas outras técnicas9.
Finalizada esta etapa tem-se um mago, inciante e incompetente, mas ainda sim um
mago. O próximo passo varia muito de pessoa para pessoa, o mais comum é que o neófito
procure uma grande cidade ou um templo da Deusa para procurar aprofundar seu
conhecimento. Nas grandes cidades é possível que haja alguma organização formal, como
uma guilda ou um conselho, ou mesmo uma universidade ou escola. No templo da Deusa o
iniciado poderá servir como um escriba ou serviçal, auxiliando nos trabalhos gerais da ordem,
em troca disso ele terá contato com outros usuários das Arte e acesso a uma seleção de
conhecimentos arcanos.
8 Lembro aqui que os grimórios contem, como regra, apenas uma fórmula resumida da magia, é
uma espécie de resumo mental, de trilha escrita, que é ela própria imbuída de magia e serve para
criar a forma mental e “aprisionar” a energia que subsequentemente virará o feitiço. Os livros de
magias, não sendo grimórios, não são mágicos como este e contem descrições muito mais longas
e detalhadas que servem para compreender toda a linha de raciocínio e a construção, mas que
por si próprios são inúteis para lançar diretamente o feitiço.
9 Como tudo na Arte há uma grande variedade quanto a forma de executar esse procedimento, um
toque pessoal sempre está presente.
Devo ressaltar a importância desta etapa para o leitor: conhecimento é poder, no caso
dos magos, literalmente. Magias, rituais e encantamento são bens extremamente valiosos e
raros, por isso mesmo, os arcanos são extremamente cuidadosos e cautelosos quanto a quem
terá acesso a esse poder – dificilmente um jovem mago, sem filiação alguma, conseguirá ter
acesso ao conhecimento necessário para sua evolução e progressão. A tendência a paranoia é
uma constância entre a classe, a suspeita e o medo tornam complexas qualquer transações que
envolva magia ou qualquer conhecimento secreto, por este motivo é que os magos costumam
cercar-se de todas as proteções institucionais possíveis10. Apenas dinheiro não é suficiente
para que o aspirante a mago tenha acesso a esse mundo de poderosas magias e tradições, é
preciso que haja confiança entre as partes e é justamente ai que entram as instituições: elas
são os garantidores, os fiadores que emprestam sua confiança ao novato.
Além do esoterismo natural do ambiente arcano, o que dificulta muito o
autodidatismo, há um outro fator envolvido na escolha pela filiação: a ausência de um método
sistemático de estudo. Aprender magia é um processo muito íntimo, cada mago tem sua
própria relação com a Trama e aprende as formas que para ele são funcionais, portanto, não
há uma sistemática padronizada que funcione universalmente. É essencial o contato com
magos mais experiente e com mestres que auxiliarão dentro de suas próprias demandas – o
que levará, inevitavelmente, a aquisição do “estilo” do mestre pelo aprendiz. A vantagem de
pertencer a uma das instituições é poder ter acesso a diversos outros magos e mestres é poder,
após ter uma série de preleções e conversas, decidir qual deles será seu “guia” mor11.
Magos que não filiados são comuns, em realidade estes compõe a maior parte do
corpo de algumas regiões. A filiação é mais comum nas grandes cidades. Apesar das
dificuldades apresentadas existem diversos magos que percorrem toda a sua jornada pela
magia sozinhos, ou acompanhados por indivíduos não magos. Esta espécie ronda pelas ruínas
de antigos impérios, tumbas ancestrais, selvas desconhecidas e por toda outra sorte de locais
perigosos e inóspitos a fim de angariarem qualquer pedaço de conhecimento mágico (além de
associarem com outras entidades e raças). Este caminho é, com certeza, mais perigoso mas
traz grandes recompensas e é de grande auxílio para toda a comunidade de arcanos. O mundo

10 A maior parte das negociações é feita por intermédio das guildas, cabalas ou dos templos, sendo
permeados de regras e salvaguardas para ambas as partes.
11 O que em muitos casos leva a unificação de diversos magos sobre o mesmo Selo. Os selos
representam um mago, normalmente de alto poder, e indicam a filiação de alguém ou de algum
lugar ou objeto associado aquela figura. Os selos também servem para proteger a autoria
daqueles que se reúnem sobre ele, sendo protegidos pela Tripla Maldição – romper o selo
prejudica qualquer um que tentar falsificá-lo.
é grande, antigo e cheio de mistérios, longe estamos de compreender a magia em sua
totalidade, muito foi esquecido e muito ainda será descoberto e assim será até o fim dos
tempos.

IV. As Universidades

Podemos definir as universidades como sendo centros permanentes de ensino superior.


Sua principal nota distintiva é a organização, mais ou menos estruturada, de um curriculum e
a garantia de um selo externo de garantia – a diplomação – da proficiência do aluno ali
formado. Definindo de forma sintética as universidades são uma sociedade de mestres e
alunos, uma corporação acadêmica para o ensino e desenvolvimento da Arte.
Estas sociedades acadêmicas prescindem de uma estrutura física própria. A maioria,
em verdade, não conta com a estrutura física alguma, ofertando suas preleções nos mais
variados locais. A grande vantagem que o mago neófito tem ao ingressar numa dessas
instituições, em vez de optar pelas mais opulentas guildas, é o acesso mais liberal ao
conhecimento mágico que esta estrutura societária oferece, além do guia que a estrutura
curricular oferece; sem contar com a maior disponibilidade e inclinação dos mestres em
aceitarem tutoria privada (que é um aspecto essencial para o avanço de qualquer mago). As
disputas e debates são comuns, é esperado que um mestre tenha pelo menos uma disputatio12 a
cada meio ano e os alunos costumam ingressar em debates formais periodicamente.
Outro fator atrativo dessas instituições é o status de membro. Apesar da natureza
discreta que inevitavelmente qualquer instituição mágica adquire, a maioria das cidades se
beneficia em grande medida do estabelecimento de uma universidade em seu território, afinal
os alunos, mesmo que em pequeno número, fornecem um influxo de dinheiro e atraem uma
gama de serviços especializados para o local, fazendo a economia ter um grande crescimento.
Além do fator financeiro é sempre bom que uma cidade conte com algum número de
arcanos, não são todas as cidades inimigas e os bestas inteligentes que tem a coragem e o
incentivo para atacarem uma cidade cheia de magos. Por conta das vantagens que a academia
gera seus membros costumam tem um status diferenciado dentro dos reinos e cidades, na
prática isto quer dizer que os acadêmicos são cidadãos da universidade e será ela a
responsável por suas punições criminais e civis.

12 https://pt.wikipedia.org/wiki/Disputa_(escol%C3%A1stica)
O custo educativo não é baixo, além da anuidade paga a universidade o aluno deve
custear sua estadia e alimentação, além dos materiais específicos de sua atividade. No mínimo
o neófito deverá arcar com o preço de um grimório em branco (o mais básico custa a partir de
100 PO) e das tintas e materiais para transcrição de magias (valor variável), comumente ele
incluirá nas suas posses um conjunto de pergaminhos em branco, a vidraria básica para
alquimia, os componentes materiais mais comuns para magias e uma cópia dos 10 volumes do
Fundamentum Magicae13 (360 GP em base, menos ou mais a depender da qualidade do
escriba e da edição).
A maioria das universidades costuma ser especializada em algumas das oito artes
menores, que em conjunto formam a Arte, sendo elas: Abjuração, Alteração, Conjuração,
Encantamento, Vaticínio14, Ilusão, Evocação e Necromancia. Não é que as universidades
ensinem apenas uma das artes menores, em verdade para a formação de um mago competente
ele deve aprender os fundamentos de todas as oito, é apenas que os mestres do local
historicamente são especialistas em determinada arte (ou que as contribuições daquela
universidade para a comunidade acadêmica foi maior em determinado assunto, dai sua fama).
A Universidade de Porto do Duque, por exemplo, é reconhecida por seu foco em magias de
Abjuração, seu fundador, Vrynm, o Mago de Aço15, ficou conhecido por suas incríveis
abjurações.
A expedição de diplomas ocorre após o aluno completar todo um ciclo e ensino e
passar pelos devidos testes e provas. O diploma tem tanto valor quanto a reputação da
instituição que a emite, portanto, o centros universitários matem um rigoroso sistema de
admissão e um ainda mais rigoroso controle de diplomação. O aluno passará meses, até anos,
se preparando exclusivamente para seu teste final, uma etapa que combina a apresentação e
defesa de um tratado ou peça monográfica perante seus mestres e um teste que avaliará sua
proficiência na prática das artes. Bem sucedido, o aluno obterá seu diploma e poderá deixar a
universidade ou procurar especializações posteriores – tornando-se ele mesmo um mestre ou
apenas buscando expandir seu conhecimento.

13 Fundamentos da Magia, um livro introdutório de autoria de Decratus, o Sereno. Escrito para


aprendizes o livro contem um conjunto básico de magias e truques fundamentais além de
fornecer uma leve introdução teórica e descrever um conjunto de exercícios mágicos. Não é lá o
melhor livro de todos mas é um tomo básico amplamente difundido . Outra opção é o Ars Magica
– obra em 30 volumes escrita por Johan Hagen, é maior e mais complexa mas fornece um melhor
material de estudo para o neófito e até o estudante intermediário.
14 Adivinhações ou profecias – em inglês essa é a school of divination.
15 Pele de Aço de Vrynm é uma das magias famosas cuja atribuição é dada a ele.

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