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UNIVERSIDADE WUTIVI

FACULDADE DE ENGENHARIAS
GEOLOGIA APLICADA

Unidade Curricular: T e Sistemas de Informação Geográfica

Aula 3
Modelos Dados Geográficos

victoriacnhantumbo@gmail.com
Representação do fenómeno geográfico

O primeiro problema na representação espacial tem a ver com a decisão sobre aquilo que se pretende representar.
Quais são os objectos e processos geográficos do mundo real? Como é que eles existem? Como poderão ser eles
representados?

A resposta a estas questões remete para aspectos fundamentais em Sistemas de Informação Geográfica ligados aos
processos de modelação e construção de modelos geográficos.
Tipos Básicos de Elementos Espaciais

De acordo com Pestana (2001), os três tipos básicos de elementos utilizados nos mapas para modelar todos os
objetos do mundo real são:

 Pontos: define localizações discretas de elementos geográficos demasiadamente pequenos para serem descritos
como linhas ou áreas.

 Linhas: são definidas como um conjunto ordenado de pontos interligados por segmentos de reta ou por linhas
e são utilizadas na representação de objetos sem largura suficiente para serem consideradas áreas.

 Áreas: é definida como um conjunto ordenado de pontos interligados, em que o primeiro ponto e o último
coincidem, utilizados quase sempre na representação de zonas que possuem uniformemente uma dada
propriedade; ou seja, figura fechada, cujos limites encerram uma área homogênea.
Tipos Básicos de Elementos Espaciais

Esses três tipos de


elementos se relacionam no
mapa, constituindo-se nas
camadas de dados dos
mapas temáticos (layers),
representando o espaço
geográfico em estudo.
Concepção de Modelos Geográficos

A principal diferença entre os Sistemas de Informação Geográfica e outros sistemas de informação prende-se
com o facto dos primeiros armazenarem um conjunto de informação que possibilita a representação e
localização geográfica das entidades e processos do mundo real.

De facto, as especificidades dos SIG residem não tanto na singularidade da informação que utilizam mas,
sobretudo, no modo como essa informação é modelada num ambiente computacional adequado à gestão,
armazenamento, manipulação, análise e visualização das características espaciais dos objectos do mundo real.
Concepção de Modelos Geográficos

A construção de modelos geográficos assume deste modo um papel fundamental nas actividades de
concepção, desenvolvimento e aplicação dos SIG. A construção destes modelos pressupõe um processo de
abstracção e simplificação da realidade que poderemos designar como conceptualização do mundo geográfico.

As entidades ou fenómenos do mundo real podem ser representados e modelados como Objectos Discretos
e Superfícies Contínuas.
Concepção de Modelos Geográficos (Objectos Discretos)

Na primeira perspectiva as entidades ou fenómenos do mundo real são modelados através de objectos
discretos, ou seja: uma representação que visa traduzir a localização geográfica de um fenómeno que
apresenta uma existência limitada e circunscrita no mundo geográfico.

Esta categoria apresenta facilidade na localização ou mapeamento direto de bordas entre classes, geralmente
entre esses temas estão aqueles construídos pelo ser humano, tais como elementos do sistema viário (ruas,
rodovia, avenidas, aeroportos, portos, pontes, etc.).
Concepção de Modelos Geográficos (Superfícies Contínuas )

Porém, muitos fenómenos geográficos poderão ser melhor descritos através de superfícies contínuas (continuous
fields). Quando o fenómeno a representar tem existência em todo o mundo geográfico, variando apenas, de
local para local, a sua intensidade ou modo como se faz sentir, a sua representação não se coloca em termos de
ocorrência ou não em determinado local, mas sim em termos de condição, valor, amplitude ou concentração
do fenómeno em cada ponto do espaço geográfico

Esta categoria é constituída por elementos de natureza contínua, que se caracterizam pela dificuldade na
localização das bordas (ou limites) entre classes. Dentre esses elementos estão os solos, o relevo, a vegetação, a
geologia, a geomorfologia, a temperatura, a paisagem, a pluviometria, etc.
Concepção de Modelos Geográficos
Concepção de Modelos Geográficos

As perspectivas de objectos discretos ou superfícies contínuas correspondem a dois modelos conceptuais de


representação do fenómeno geográfico. A esta forma de representação associam-se dois principais métodos
de representação digital de dados geográficos, o modelo vectorial e o modelo matricial ou raster. Ainda
que ambos possam ser utilizados para codificar superfícies contínuas ou objetos discretos, na prática tende-se
a registar uma forte associação entre o modelo vectorial e a perspetiva de objetos discretos e o modelo
matricial e a perspetiva superfícies contínuas.
Modelo de Dados Vectorial

O modelo de dados vetorial associa-se a dados de natureza discreta, onde os dados são caracterizados por fronteiras
geográficas bem definidas, e por informação ausente na sua vizinhança, i.e. apenas existe informação onde os dados
desta natureza se localizam, porém esta correspondência não é exclusiva; existem diversas situações que
demonstram a adequação da abordagem “superfície contínuas” ao modelo de dados vectorial.

O modelo de dado vectorial utiliza como elementos geométricos os pontos, as linhas e as áreas. Estas primitivas
gráficas apresentam uma forte dependência entre si, as áreas são descritas por linhas, que estabelecem as suas
fronteiras, e a aproximação a uma linha é realizada por intermédio de uma sequência de pontos conectados através
de segmentos de recta. Por este motivo o espaço geográfico é considerado contínuo e o ponto, definido pelas suas
coordenadas cartesianas, constitui o elemento básico da representação vectorial.
Modelo de Dados Vectorial

Na generalidade nas aplicações SIG todas as linhas


representadas são formadas por segmentos de reta
conectados por pontos (i.e. vértices) e cuja curvatura é
aproximada, com maior ou menor densidade de pontos de
ligação. Por esta razão as linhas são geralmente designadas
por poli-linhas (polylines) e as áreas por polígonos (polygons).
Modelo de Dados Vectorial
Modelo de Dados Vectorial

Os primeiros software SIG baseados no modelo de dados vectorial limitavam-se a armazenar as


coordenadas geográficas e os atributos dos objectos geográficos. Este modo de representação dos dados
geográficos é vulgarmente designado de modelo spaghetti ou modelo de dados não-topológico.

Trata-se de uma estrutura que apenas permite armazenar a informação posicional e o elemento gráfico
associado ao tipo de objecto representado, ou seja, não integra qualquer informação referente às relações
que esses objectos mantêm entre si
Modelo de Dados Vectorial

Para além deste modelo implicar a duplicação de informação sem qualquer controlo (elementos gráficos
comuns a dois ou mais objectos), não possibilita a realização de operações eficientes que envolvam
relacionamentos topológicos, isto é, relações que têm por base as propriedades não métricas (qualitativas)
dos objectos geográficos.

A criação de topologia assume uma importância extrema em Sistemas de Informação Geográfica. Um ponto
é a entidade espacial mais simples que pode ser representada no mundo vectorial com topologia.
Modelo de Dados Vectorial

Uma característica importante, associada ao modelo vetorial, é a associação dos atributos sob a forma
tabular, que podem ser visualizados e editados. Cada elemento (registo) representado contém um
indentificador único ao qual se associam os diversos atributos, que por sua vez podem ser a base da
simbologia apresentada para cada um dos elementos (tema, camada, nível ou layer). A sua natureza
vetorial ou discreta permite que não haja perda de qualidade ou definição com as alterações na escala de
representação, i.e. a espessura dos diversos elementos é atualizada em função da escala do mapa.
Modelo de Dados Matriciais

No modelo de dados matricial o espaço é dividido numa matriz de células ou píxeis (normalmente
quadradas) às quais se atribuem propriedades ou atributos. Esta matriz representa, assim, a variação das
propriedades ao longo de todo o espaço representado.

Um aspeto importante nos dados matriciais é que apenas contêm informação acerca de um único
atributo, não sendo capazes de armazenar atributos adicionais a cada célula para além do que representa .
Uma forma bastante comum de dados de natureza matricial (também designados por rasters) são as
imagens (e.g. imagens de satélite) onde cada célula representa uma cor (que pode ser composta por
bandas únicas ou múltiplas). São também comuns rasters com variação espacial de relevo, temperatura,
batimetria, salinidade, ou qualquer outro parâmetro
Modelo de Dados Matriciais

Enquanto a precisão de um mapa depende da sua escala, no modelo matricial dependerá da


dimensão do píxel. Quanto maior for a área representada menor é a resolução dos dados, e
quanto menos área estiver representada em cada píxel, maior é a resolução do raster e melhor
estão representados os dados.

O modelo matricial também é capaz de representar pontos, linhas e polígonos, embora nestes
casos esta representação esteja condicionada à forma de representação matricial, i.e. em forma
de células retangulares ou píxeis . É nestes casos que a resolução da matriz (ou tamanho dos
píxeis) e as escalas de trabalho assumem particular importância.
Modelo de Dados Matriciais

A estrutura do modelo matricial é caracterizada por uma grelha regular de células, normalmente
quadradas (designadas por pixéis), estas unidades básicas podem no entanto assumir diferentes formas:
unidades triangulares, hexagonais ou rectangulares. Estas unidades correspondem a uma partição da área
de estudo e a cada uma delas encontram-se associado o valor de um dado atributo.

De uma forma geral esta estrutura de dados não é adequada à localização precisa de objectos discretos,
pois o espaço geográfico é dividido em células regulares que integram uma estrutura em mosaico discreta
com resoluções nem sempre adequadas à sua representação. As relações espaciais dos objectos estão
implícitas na estrutura em grelha, não sendo por isso necessárias as relações explícitas de
armazenamento, comparativamente aos modelos vetoriais.
Modelo de Dados Matriciais

Quanto menor for a dimensão da célula maior será a resolução da imagem e maior é a dimensão do
ficheiro dos dados. Um dos problemas da estrutura matricial decorre da dificuldade em definir uma
resolução adequada à representação do fenómeno em análise. Frequentemente esta não pode ser
tipificada, pois depende do objetivo do trabalho, do tipo de dados a introduzir no sistema, da escala dos
dados originais, da sua exatidão e da sua precisão.

Apesar da estrutura matricial ser frequentemente usada para representar fenómenos estáticos, pode ser
facilmente adaptada para lidar com processo dinâmicos. Alterações ao longo do tempo podem ser
registadas em diferentes temas (layers) referentes a um determinado período temporal. Assim o tempo,
tal como o espaço, é assumido como discreto neste modelo

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