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O despertar do imortal

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO

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O despertar do imortal

AS
ESPADAS
DO
IMPÉRIO
O despertar
do imortal
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AS ESPADAS DO IMPÉRIO

JUNHO DE 2009

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O despertar do imortal

Dedico aos meus amigos que


empolgados (e me empolgando)
ouviam os contos sobre o mundo de
Veronor.

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO

As Espadas do Império é um relato dos dias em que o mundo Veronor,


um gigante continente onde os reinos e impérios convivem em uma frágil
harmonia graças a Ordem dos guerreiros Acira, teve que enfrentar retorno
do mais poderoso ser que já existiu, o imortal Ethos.
Essa história épica foi desenvolvida a partir de vários mitos e histórias
conceituais da literatura fantástica e do cinema contemporâneo. Como
qualquer outra história, As Espadas do Império possui uma intrínseca relação
entre o bem e o mal, que nela é representada pelas duas Ordens de guerreiros
existentes no mundo de Veronor, a Ordem Acira, senhores da sabedoria, do
conhecimento e hábeis espadachins e o clã Sema, dominadores das técnicas
obscuras da magia que usam esse poder antagônico aos dos Aciras para
difundir o mal e dominar as raças livres do mundo de Veronor.
Contudo chamo a atenção ao ponto principal dessa epopéia
contemporânea, o fato do antagonista, mesmo tendo apenas uma limitação, que
é o fato de que para que ocorra sua morte ele tem que provocá-la
espontaneamente, possuir o poder da imortalidade. Viaje, mergulhe, se sinta
um dos guerreiros, seja Sema ou Acira, seja anjo ou demônio, gárgula ou até
mesmo um temível katewari e a partir daí formule uma maneira de, por assim
dizer, “matar” o imortal. Garanto que encontrarão surpresas, amor, ódio,
poder e tudo nessa trama que fará você ir fundo nesse mundo de magia e
sangue.

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O despertar do imortal

Eraldo Memória da Paz

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO

MUNDO DE VERONOR ANO 3517 - 2ª Era Clássica.


PRÓLOGO

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O despertar do imortal

A PRIMEIRA GUERRA – Da
ascensão dos Katewaris a criação
dos Guerreiros Acira

Num mundo onde existiam inúmeras raças distintas uma guerra


perdurou por séculos. Exércitos lutavam por terras e poder, as raças
humanóides fizeram alianças e os magos e guerreiros começaram a lutar no
mesmo exército, mas em posições distintas. Os anjos, seres alados de
extrema beleza e organizados em um rígido sistema matriarcal, com todo seu
orgulho, se tornaram neutros nessa guerra, pois tinham as melhores terras do
mundo Veronor, o continente suspenso de Ariel. Sem o auxílio dos anjos os
humanos, demônios e orientais tiveram que enfrentar os gigantescos
exércitos de elfos, ífrits, anões das montanhas e outros seres grotescos,
sobre o comando dos temíveis katewaris, os seres que possuíam o exército
mais mortal de Veronor.
Entretanto alguns magos se aliaram a guerreiros e se isolaram por
décadas em um templo a norte de Veronor e lá recrutaram crianças para
estudar magia e técnicas de espada na esperança de criarem fortes
guerreiros e magos para vencer seus inimigos. Mesmo aliados os guerreiros e
magos mantinham suas técnicas de espada e magia separadas, era uma
barreira invisível que se estruturou nas mentes dos grandes representantes
da aliança. Os magos acreditavam que um guerreiro, por ter um espírito
potencialmente agressivo, não poderia ter a concentração necessária para
dominar a magia e nem usá-la de forma harmoniosa sem ser corrompido pelas
forças negras. Os guerreiros, por sua vez, acreditavam que em uma guerra a
força e a espada eram mais úteis e precisas do que a magia na hora de matar.
Mesmo assim os dois necessitavam um do outro, os magos combatiam o poder
mágico usado pelos seus inimigos sobre os exércitos e os guerreiros cuidavam
para que os magos não fossem feridos na batalha.
Porém dois alunos, um demônio, aluno de magia alva, e outro, um humano
exímio espadachim, resolveram treinar suas técnicas juntos. O guerreiro aos
poucos aprendeu a controlar o poder da magia e usou isso em sua espada
tornando-se muito mais ágil. O mago aprendeu na mesma intensidade a
manipular e ser mortal com uma lâmina. Após algum tempo o treinamento dos
alunos foi descoberto, o conselho de magos e guerreiros do templo, devido às
suas leis que proibiam as práticas de magia e espadas juntas, resolveu baní-los
dos treinamentos. Com suas honras em frangalhos os dois acataram a punição
e preparavam-se para partir quando o templo foi atacado de forma brutal por

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
uma legião de katewaris.
Para desespero dos mestres guerreiros e magos seus alunos ainda não
estavam preparados para um ataque daquela intensidade e muitos morriam
enquanto os mais hábeis tentavam lutar pelas suas vidas. Percebendo a
gravidade da situação os dois guerreiros resolvem enfrentar os invasores e
ajudar aqueles que tinham banido-os do treinamento. Ao confrontar-se com
seus inimigos eles se vêem obrigados a usar as técnicas que aprenderam
juntos para não serem mortos e se unem aos seus antigos mestres para
vencer os invasores. Seus mestres ficam abismados com a nova técnica usada
pelos dois alunos. O guerreiro usava a magia para dar saltos espetaculares
esquivando-se dos ataques, sua força física também tinha sido aumentada e
sua espada mantinha-se quente como se tivesse acabado de ser forjada,
cortando e cauterizando os ferimentos nos katewaris. Incrivelmente o mago
manipulava a espada que flutuava ao seu redor sob o controle de seus poderes
mágicos, dando golpes fulminantes em seus inimigos, sua agressividade se
confundia com a de um guerreiro, mas mantinha a concentração inerente a de
um verdadeiro mago.
No final da batalha os dois tinham matado mais inimigos que todos os
seus mestres juntos. A batalha foi vencida, os mestres tiveram que rever
seus conceitos revolucionando a arte da guerra. Os dois alunos passaram de
banidos para mestres de uma nova técnica, os senhores das lâminas, os
mestres Acira. Com a difusão da nova técnica a guerra foi vencida e os
derrotados fugiram para o oriente de Veronor se instalando logo após a
extensa cadeia de montanhas de Kwara e lá se manteram por muitos séculos.
A nova Ordem de guerreiros se organizou e se tornou muito forte,
tendo representantes em todos os reinos e impérios, prezando pela paz em
Veronor. Porém um de seus integrantes, curioso em conhecer o lado negro da
magia, uniu-se aos magos e bruxas de Nalve e foi logo corrompido pelo poder
da magia negra
O conhecimento de magia negra do mestre se tornou gigantesco, porém
perigoso demais para um ser consciente dominar, ele tentou difundir a nova
técnica Acira unificada com a magia negra para alguns dos integrantes da
Ordem Acira e influenciou alguns que se rebelaram contra sua própria ordem.
Surgia então o clã dos guerreiros das sombras, antagônicos aos Acira,
prezavam o poder e a guerra, espalhavam a morte entre os que não os
seguiam, eles se tornaram mestres da arte negra da espada, assassinos cruéis
e destemidos, os Semas.

A SEGUNDA GUERRA - Da

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O despertar do imortal
origem do imortal ao fim da 1ª
Era Clássica

Em busca de poder e da derrota final da Ordem Acira, os Semas


formaram uma aliança com os seres do oriente, que a essa altura já tinham se
organizado e formado um novo e gigantesco exército. A guerra então
novamente começa. Com o passar dos anos Veronor cai nas sombras do mau
outra vez, foram tempos de medo e insegurança, os Acira lutavam junto com
os povos livres na esperança de restabelecer a paz. A magia negra passa de
um conhecimento obscuro para um conhecimento difundido por todo o
continente de Veronor chegando ao conhecimento de Ethos, um dos soldados
dos exércitos dos anjos.
Ethos era ambicioso e sagaz, carregava em sua mente o desejo de ser
poderoso e dominar todo o mundo de Veronor. Muito jovem se apaixonou pela
guerreira demônio Íshra com quem tem um relacionamento amoroso
conturbado. Depois de ser treinado nas artes Sema ele definitivamente se
volta para o lado obscuro da magia, seu mestre lhe confia grande
conhecimento de magia negra e alva e com isso ele desenvolve a força mais
poderosa que a magia poderia invocar, o dom da imortalidade. Há, no entanto,
um problema, para que a magia seja invocada ele precisa do poder de magos
alvos e magos negros, além disso, o dom da imortalidade poderia ser retirado
a qualquer momento por qualquer um dos magos que participassem da
invocação da magia.
Ele audaciosamente induziu uma disputa entre os magos alvos e negros,
no meio de uma batalha mágica ele faz a invocação e canaliza as magias dos
magos para um amuleto que seu mestre criara. Após a magia se concretizar
surgiu um novo ser, emanando uma enorme quantidade de luz alva e negra ele
demonstrou todo o seu poder. Quando os magos entendem a situação já era
tarde demais, um exército de gárgulas e katewaris os atacaram sem dar-lhes
chances de defesa, os magos rapidamente foram derrotados não tendo nem
mesmo a possibilidade de desfazerem a magia que Ethos dispunha.
No final da batalha, após Ethos ter obtido êxito, um dos magos alvos
sobrevivente e altamente ferido é capturado, brutalmente os katewaris
arrancam suas mãos para que o mesmo não pudesse invocar a magia de
retirada da imortalidade de Ethos. Ao conversarem o mago relata a Ethos que
sua imortalidade tem um limite, ele poderá morrer se provocar a própria
morte.
Com esse novo poder Ethos mata seu mestre, une os exércitos dos
seres negros e os guerreiros Semas para dominar Veronor. Os exércitos dos

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
povos livres junto com os guerreiros Acira lutam em vão contra o poder negro
do imortal Ethos, que a cada vez que era morto em batalha tomava o corpo de
seu assassino, tornando concreta sua imortalidade. Nem mesmo Íshra
conseguiu convencer Ethos a parar com seu audacioso plano de conquista,
porém Íshra carrega em seu ventre um filho do imortal e temendo pela
segurança dele rouba o amuleto de Ethos e foge para as terras suspensas de
Ariel. Ethos, ao saber que sua amada fugiu com um filho seu, se descontrola e
furioso vai à sua procura, a demônio dá a luz a sua cria no castelo da rainha de
Ariel, o imortal, inconformado com a traição de Íshra, a encontra e a mata
sem piedade. Ela, usando seu conhecimento de magia alva, consegue salvar seu
filho que leva consigo o amuleto com os poderes alvos e negros de Ethos.
Num último e desesperado ato de defesa, os Acira restantes juntam-se
com os anjos e demônios, sobre o comando de Sâmaro, o maior guerreiro
Acira vivo nesse tempo, para pôr fim em Ethos. Eles elaboram um plano para
aprisionar o imortal pra sempre, induzindo Ethos a suicidar-se, pondo fim a
sua imortalidade.
O poder de Ethos era maior do que os guerreiros da magia alva podiam
imaginar, a batalha estava quase perdida para os Aciras, então no momento
em que Sâmaro estava prestes a ser derrotado, surge um guerreiro
desconhecido, usando uma técnica nunca vista antes, o poder de manipular
inúmeras espadas ao mesmo tempo, que se une na batalha contra Ethos. No
fim da batalha Sâmaro, sacrificando sua própria vida, consegue aprisionar
Ethos em uma jaula de aço repleta de lâminas afiadas, impossibilitando o
imortal de mover-se, pois assim provocaria sua própria morte. Sem o poder de
Ethos a vitória é obtida pelos Acira e seus aliados.
Os Aciras se organizam, formam o Conselho de guerreiros Acira,
forjaram as oito Espadas do Império para os oito reinos de Veronor, desde
então combatem o mau uso do poder pelos imperadores e reis e difundem a
diplomacia entre os reinos. O tempo passa, os relatos da primeira guerra são
contados de geração para geração criando mitos e lendas, pouco da história
original é lembrada pelos populares, ficando apenas registrada nos livros das
maiores bibliotecas de Veronor. Por mais de 3500 anos Ethos fica aprisionado
no interior de uma montanha, sua localização se perdeu no tempo e ninguém,
até agora, sabia exatamente onde encontrar o corpo do imortal, mas alguém
descobriu como encontrá-lo e após seu retorno o mundo voltará a cair em
trevas sob o domínio de seu poder.

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O despertar do imortal

CAPÍTULO I - A CRIANÇA
TÃO ESPERADA

“Eu e minha esposa vivemos muito felizes


desde aquele dia quando encontramos nosso filho
Héctor. Foi algo mágico, inexplicável. Nunca
contamos para ele toda a história, mas também não
mentimos no que relatamos. Vejo que ele tinha muito
interesse em conhecer sua verdadeira mãe, só que
acho isso impossível. Ele sempre foi solitário, e nisso,
mesmo sem ser filho das minhas carnes, se parece
muito comigo. Muitas vezes me perguntava o porquê
de algumas coisas que aconteciam com Héctor não
terem uma explicação racional. Ele começou a falar
com seis meses depois que o encontramos, e ele não
parecia ter mais que duas semanas de vida quando
isso aconteceu. Ele cresceu muito lentamente, em
alguns momentos pensávamos que ele poderia ter
algum problema, por isso sempre procuramos afastá-
lo das suposições dos populares. Se você visse
Héctor com doze anos acharia que ele tinha cinco,
isso nos preocupava um pouco, mas sabíamos que
aquilo era da sua própria natureza, ele é especial.
Lembro de uma vez que ele se cortou com uma das
facas de Náila, o corte foi profundo e extenso, ela
quase se desesperou ao ver nosso filho se esvaindo
em sangue. Ela enrolou seu braço com tiras de pano
para parar a hemorragia, Héctor não chorou em
momento algum, no outro dia Náila veio me mostrar o
braço de dele, foi incrível, não havia nem mesmo uma
cicatriz. Quando ele completou seus 12 anos sua

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
formação foi surpreendente, de uma hora para outra
ele passou de completamente criança para um
adolescente, isso não foi tão difícil para ele, pois sua
mente já estava adaptada à sua idade verdadeira.
Hoje gostaria de saber realmente qual a natureza de
meu filho adotivo, o que vai ser de seu futuro, o que
ele pode se tornar. Independente das coisas que
tenham por vir ou de sua verdadeira essência eu
cumprirei o último desejo de sua verdadeira mãe, eu
o amarei!”

Fegor é um belo reino a noroeste do gigante continente de Veronor. Sua


arquitetura é rústica, porém imponente, no seu interior há um majestoso
castelo de pedra onde reina o rei Frauter, o justo, seu povo vive em aparente
harmonia com os povos circunvizinhos, graças à paz mantida pela Ordem de
guerreiros da magia, os guerreiros Acira. No centro da cidade vive a classe
nobre como escrivãos, ricos comerciantes de ferro e aço extraído das minas
de Parlin, um arquipélago explorado devido à qualidade de suas jazidas de
metal, e também a família do rei. Nos campos ao redor do centro da cidade
vivem pessoas que trabalham na lavoura e na pecuária, moram em simples
casas de pedra, geralmente cobertas com palha e usam as chaminés pára se
aquecer no rigoroso inverno fegoriano, a maioria dos quintais são grandes e na
frente das casas jardins floridos com flores de diversos tipos e cores.
Há, porém, um jovem casal que mora distante do centro da cidade de
Fegor, no condado de Pésleri. São eles Hérito Nascai e Náila Nascai. Ele
trabalha como agricultor e nas horas vagas se dedica a consertar espadas e
armaduras, em seus tempos áureos ele era um dos soldados do exército de
Fegor, excelente espadachim e lutador de tarracá, esporte de contato
popular na região, ela cuida da casa, o ajuda na agricultura e cuida do pequeno
estábulo. Eles têm uma vida normal e se amam muito, mas falta algo para
completar sua felicidade, algo que nos seus oito anos de casados ainda não se
concretizou. Eles ainda não têm um filho e a muito esperam que um dia possam
concretizar esse imenso desejo.
Ás vezes Náila se sentia culpada por não poder dar o filho que Hérito
sonhava e em muitas noites, depois que Hérito dormia, ela chorava sozinha.
Num dia de inverno, na feira da cidade, em meio a seus velhos amigos, Hérito
ouviu falar em um Mago Alvo, dominadores da face positiva da magia, que
morava próximo à cidade de Nalve, a respeitada cidade dos magos e dos
bruxos. O ferreiro fegoriano, muito interessado em saber qual o problema que

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O despertar do imortal
impede que ele e sua esposa tenham um filho, resolveu consultar o tão bem
falado Mago Alvo, na esperança de que ele pudesse fazer algo para ajudá-los
com aquele problema que mantinham suas vidas em uma angústia profunda.
O casal esperou por mais alguns dias até o inverno passar para irem
consultar o tal Mago Alvo, que possuía dons mágicos que lhe possibilitara ter
um conhecimento inigualável. Seu nome era Eurívedes, um dos magos Acira.
Então partiram numa viagem que duraria três Semanas a cavalo para Nalve em
busca de conhecer o Mago Eurívedes.
Após os cansativos dias de viagem, passando por pequenos vilarejos e
cidades do reino de Fegor, o casal chegou a Nalve. Era meio dia, mas não
parecia, pois o céu estava um pouco encoberto. Logo Hérito procurou um
quarto de aluguel, coisa fácil de encontrar em Nalve devido a sua fama de
cidade da magia. Eles tiveram uma merecida noite de sono e logo pela manhã
Náila insistiu para que eles fossem logo ao encontro do mago. A casa de
Eurívedes ficava na floresta de Nalve e eles adentraram sem medo nessa
floresta que há muito tempo atrás foi recanto de inúmeras bruxas das trevas.
Era pouco mais de meio dia quando o casal chegou às proximidades da colina
de onde se pode ver a casa de Eurívedes.
(Hérito) __ Pronto amor, nós chegamos. __ diz Hérito tão entusiasmado
que chega a suspirar.
Náila olha para Hérito e fica calada como sempre faz quando está
nervosa.
(Hérito) __ O que foi amor? Você estava tão empolgada... __ fala
Hérito carinhosamente ao observar o nervosismo de sua esposa.
(Náila) __ Nada... É que... Estou com um pouco de receio.
(Hérito) __ Medo de que amor? __ fala ele curvando um pouco a
cabeça.
(Náila) __ Do que poderemos ouvir dele. E se ele não puder nos ajudar?
E se não podermos mesmo ter filhos...
Hérito toca o rosto triste de Náila e fala:
(Hérito) __ Vai dar tudo certo! Tenha fé. __ fala ele procurando
entusiasmar sua esposa.
Náila sorri um pouco mais conformada, mas ainda nervosa por dentro e
se esforça para não demonstrar, em seguida os dois descem a colina
esperando que naquela humilde residência estivesse uma novo caminho para
suas vidas. Eles aproximam-se da humilde casa de Eurívedes, feita de madeira
de pinho com janelas e portas simples com os cantos superiores arredondados,
em cima da porta está esculpida a frase “seja bem vindo”. Eles apeiam os
cavalos na cerca de madeira cerrada, no jardim há vários tipos de flores umas

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
com um perfume inigualável, outras são carnívoras, tão belas quanto
agressivas, que atacam as abelhas que se aproximam para pegar pólen.
Quando Hérito vai bater à porta ela, como se por magia, se abre bem
devagar sem fazer barulho algum, revelando o interior da casa. Eles ouvem o
som de passos sutis aproximando-se da porta e vêem o vulto do nobre mago.
(Eurívedes) __ Entrem amigos, sejam bem vindos.__ Diz o senhor
baixinho de roupas longas cinza, usando rudimentares óculos que o auxilia na
visão, ironicamente careca no topo da cabeça o que lhe sobra de cabelos são
longos e brancos tornando o mago sutilmente engraçado. Seus olhos são
negros, seu rosto já dá sinais que ele possui mais de cinqüenta anos, suas
sobrancelhas são brancas e sua voz é um pouco rouca.
(Eurívedes) __ Sentem-se, fiquem à vontade. __ Diz o sorridente
senhor que de nada aparenta ser um mago. __ Não esperava visitas hoje. O
que os traz em meu humilde lar?
Hérito e Náila se sentam... O velho continua de pé com as duas mãos
juntas abaixo da linha da cintura, ele aparentemente espera que algum dos
dois visitantes fale algo, então o dois vão falando ao mesmo tempo e sem
querer um interrompe o outro.
(Hérito) __ Fale você amor. __ Diz Hérito agarrando fortemente a mão
de sua amada mulher.
(Náila) __ Não amor é melhor você falar. A idéia foi sua. __ argumenta
Náila.
Muito simpático Eurívedes abre um sorriso e diz:
(Eurívedes) __ Não precisam ficar desconcertados, já fiz inúmeras
consultas antes, sei que vocês têm uma dúvida, podem falar. Mas antes se
apresentem, assim poderei chamá-los pelo nome. Não é verdade?
Hérito e Náila estavam tão nervosos que até tinham se esquecido de se
apresentarem.
(Hérito) __ Eu sou Hérito Nascai e essa é minha mulher Náila. Viemos
do reino de Fegor, especificamente do condado de Pésleri.
(Eurívedes) __ Continue! __ fala o mago.
(Hérito) __ Mago, temos um problema, nos estamos casados há oito
anos e até agora não conseguimos ter filhos. Nós já tentamos várias formas e
nada.
(Náila) __ Queremos muito ter um filho, mago, quando soubemos que
você poderia ajudar ficamos muito entusiasmados e logo viemos lhe consultar.
Eurívedes fica sério e o casal estático.
(Eurívedes) __ Vou ver o que posso fazer, já vi alguns casos como esse
seu, tenho uma magia para ver o que há de errado.

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O despertar do imortal
O mago levanta e caminha rumo à estante de livros que fica na sala ao
lado, ele dá uma arrumada em seus rudimentares óculos e olhando com a
cabeça levantada para ajudar a visão seleciona um velho livro. Ele abre e olha
e confirma para si mesmo com um pequeno gesto na cabeça que é o livro que
ele procurava.
(Eurívedes) __ Está aqui! Esperem um pouco enquanto eu arrumo os
ingredientes para fazer uma poção. Fiquem à vontade.
Náila e Hérito ficam esperando por horas o preparo da poção, é nítido o
nervosismo no semblante dos dois que conversam baixinho, depois desse
tempo Eurívedes volta com uma tigela de cerâmica com desenhos em mosaico
com um pouco de um líquido esbranquiçado.
(Eurívedes) __ Pronto. Essa é a poção “Sina”, preste atenção, pois ela só
mostrará aquilo que você tem dúvida apenas uma vez. Vocês devem colocar as
mãos juntas dentro da tigela e depois pensarem profundamente sobre aquilo
que lhes trás duvida ou desejo. A cor da poção mudará de acordo com a
resposta, se a resposta for afirmativa e houver alguma chance de seu desejo
se realizar ela ficará azul, se a resposta for negativa ela ficará vermelha e
não poderemos fazer nada. Estão preparados? __ pergunta o mago de maneira
persuasiva.
(Hérito) __ Sim estamos. __ fala Hérito confirmando.
(Eurívedes) __ Podem pôr as mãos agora, mas façam exatamente com
eu falei. Pensem juntos, sintam juntos...
Os dois parecem aflitos por um instante, se olham nos olhos, na
esperança de buscar forças para enfrentar aquela situação, então Hérito faz
um gesto afirmativo com a cabeça, Náila se mantém séria e demonstra que
entendeu a expressão do seu amado. Os dois põem as mãos dentro da poção ao
mesmo tempo, a ansiedade enche seus palpitantes corações, esperando que a
cor da poção se tornar azul. Por um instante, quase que imperceptível, a cor
esverdeada da poção começa a se torna azul-céu, apenas Náila observa e num
gesto rápido tenta chamar a atenção de Hérito, mas ao retornar seu olhar
para a poção a cor mudara para vermelho sangue. No impulso Náila retira sua
mão bruscamente da poção.
(Náila) __ Não... __ Náila suspira e uma lágrima cai de seus tristes
olhos.
(Hérito) __ Mago, o quê isso quer dizer? __ Fala Hérito na esperança
de Eurívedes poder remediar a indesejável realidade.
(Eurívedes) __ Sinto muito meu caro. __ diz Eurívedes com o
semblante triste __ Sinto muito mesmo, mas acho que vocês dois não podem
ter filhos. A poção só responde aquilo que vocês queriam saber e sua dúvida

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
foi tirada. Nada posso fazer por vocês agora.
(Hérito) __ Eurívedes, você é um grande mago, deve ter alguma poção,
magia, feitiço, não sei... Algo que possa reverter isso? __ fala Hérito ainda
com esperanças.
(Náila) __ É o nosso maior sonho mago. __ fala Náila com a voz
trêmula.
(Eurívedes) __ Jovem casal; é com tristeza que lhes digo que isso está
fora de minhas habilidades, nenhuma magia pode dar ou trazer a vida do nada,
pois a maior magia desse mundo já é a própria vida. Sinto muito.
O silêncio impera na sala, o casal se olha de modo triste, Hérito então
abraça Náila bem forte no intuito de confortá-la e ela então dá um pequeno
sorriso ao ouvir suas palavras de conforto.
(Hérito) __ Obrigado Mago Eurívedes. O senhor foi muito gentil em nos
acolher em sua casa. Quanto nós devemos ao senhor? __ Hérito nesse
instante levanta e procura em seus bolsos algumas moedas, mas nem chega a
tirá-las do bolso pela rápida interrupção de Eurívedes.
(Eurívedes) __ Amigos... Vocês não me devem nada, não recebo
pagamentos por consultas de magia, esse dom foi me dado para ajudar aqueles
que precisam.
Náila também levanta e permanece do lado de seu amado, seus
semblantes não se demonstram mais tão ansiosos, estão um pouco triste.
(Eurívedes) __ Não que eu queira me meter em suas vidas, meu nobre
casal, mas vocês podem adotar uma criança, vocês me parecem pessoas muito
boas. Acredito que assim preencherão esse vazio que perturba suas mentes.
(Náila) __ Já havíamos conversado sobre isso algumas vezes. Acho que
agora que confirmamos que não podemos ter filhos adotaremos uma criança,
não é amor?
(Hérito) __ Sim, adotaremos uma criança. __ fala Hérito confirmando
as palavras de sua esposa.
O casal se despede de Eurívedes que gentilmente lhes oferece abrigo
durante a noite, eles, porém, não aceitam, estão apressados para voltar para
casa em Fegor e cuidar de suas terras. Eurívedes os avisa sobre os perigos de
andarem a noite pelas florestas, Náila responde que confia muito na
habilidade de seu marido com as espadas.
(Eurívedes) __ Durmam aqui esta noite.
(Hérito) __ Não podemos, temos que voltar rápido a Fegor. A viagem é
longa, devemos descançar essa noite na hotelaria para estarmos prontos para
a viagem de volta pela manhã.
Já no lado de fora de casa no jardim, Eurívedes retira duas frutas de

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O despertar do imortal
uma planta carnívora e dá aos seus convidados.
(Eurívedes) __ Tomem, comam antes de viajar amanhã, isso fará com
que vocês fiquem acordados durante a viagem assim ela não se estenderá por
tantos dias, quando chegarem em casa basta tomarem um pouco de mel e o
efeito da fruta passará e dormirão muito bem.
(Náila) __ Obrigada! __ agradece Náila ao receber a fruta
avermelhada.
Então Hérito e Náila montam em seus cavalos e cavalgam com o sol
vermelho se pondo, voltando tristes, mas consolados como triste destino dos
dois.
Eurívedes espera do lado de fora da casa até eles sumirem colina
acima e pensas alto!
(Eurívedes) __ Pobre casal, tão puro, tanto amor e não podemos ter
filhos, é uma pena.
Eurívedes entra ainda pensativo, retira seu rudimentar óculos e o limpa
com um pedaço de suas vestes enquanto caminha, ele então percebe algo
estranho, uma névoa branca pouco densa sai da tigela que antes ele fizera a
poção. Eurívedes fica parado espantado com o que vê, a poção que antes
preenchia a tigela se tornou vermelha como sangue e começa a transbordar
devagar, ele decide aproximar-se e ao olhar para o líquido vermelho que se
espalha pela mesa tem um espasmo mental, uma viagem dentro de sua própria
mente, sobre o efeito da magia ele vê uma imagem desfocada do rosto de um
bebê. Eurívedes ainda não sabe definir se aquilo é real ou ilusão, ele se sente
tonto. Ao tentar novamente observar o líquido percebe algo de diferente nos
olhos do infante que insistentemente mantém-se em sua mente, toda a
extensão da esclera do olho do bebê é negra como a noite.
(Eurívedes) __ Um... Um... Demônio? __ fala Eurívedes espantado ao
perceber as características demoníacas do bebê.
Pela a ação de uma força mágica que o mago desconhece a tigela se
quebra em centenas de pedaços espalhando o líquido vermelho por todo o chão
da casa. Eurívedes fica pasmo, sem expressão, algo lhe consome por dentro,
algo que ele nunca tinha sentido, a partir daquele dia ele sabe que sua vida e o
destino de toda Veronor vai mudar. Seu olhar se desloca para janela rumo
onde seus breves visitantes partiram com o olhar de incerteza e então o mago
cai desacordado.
A noite cai e a lua está encoberta pelas densas nuvens escuras, venta
frio e tanto Náila quanto Hérito mantêm-se calados, num doloroso silêncio.
Derrepente o vento se acalma, os pássaros noturnos, corujas e até mesmo os
grilos calam-se, eles percebem que algo de estranho está por acontecer. No

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
meio da escuridão Hérito pára e estende a mão aberta para trás fazendo
referência para sua mulher também montada em seu cavalo também pare.
(Náila) __ O que foi isso Hérito? Estou com medo! __ fala Náila ainda
montada em seu cavalo.
(Hérito) __ Fique quieta e fale baixo. __ disse Hérito sussurrando.
Eles descem de seus cavalos cuidadosamente e observam algo que
nunca esperavam ver. Uma densa névoa se espalha pelo ar os rodeando como
uma armadilha. Náila se aproxima de seu marido e o abraça procurando
proteção e ele fica atento segurando no cabo de seu gládio. A névoa se torna
mais densa, tudo parece se tornar mais lento para o casal, as folhas caem
muito devagar, eles olham para traz e observam seus cavalos, os movimentos
dos animais são extremamente lentos a ponto de um simples movimento durar
segundos. Hérito tenta manter-se tranqüilo para não amedrontar mais ainda
sua esposa e fica a observar. No meio dessa névoa ele consegue perceber um
vulto de um ser, um demônio aparentemente fêmea, vestida com roupas
brancas sujas de sangue, com um bebê nos braços segurando um colar ao qual
parece estar fazendo uma magia. O casal chega a pensar que ela possa ser
uma bruxa, mas percebem que ela está com medo, chorando e aparenta estar
muito ferida, age como se quisesse fugir de algo. Pouco a pouco o ambiente
fica mais visível, parece um quarto de um palácio onde a mesma esta sobre
uma cama, logo um vulto branco surge arrombando uma porta e assassinando
uma figura disforme de asas brancas, a demônio visivelmente se desespera e
se volta para Hérito e Náila gritando, mas nenhum dos dois conseguem ouvir
nada. Eles percebem que ela está pedindo ajuda, o medo toma conta dos dois,
Náila abraça seu amado procurando segurança e ele a abraça com força como
se quisesse protegê-la, alguma magia impossibilita de saírem do ambiente. A
demônio se levanta da cama e se esforça para correr rumo aos dois chegando
ao limite da névoa, estende os braços com a criança como se estivesse
entregando-a a eles.
(Náila) __ Hérito temos que fazer alguma coisa. __ fala Náila olhando
para seu amado, tomada pela angústia que compartilha com a fêmea que
desesperada tenta salvar a criança que aparenta ser sua cria.
Náila toma coragem e corre rumo a demônio na esperança de salvar a
indefesa criança, Hérito, mesmo temeroso, segue sua amada um pouco atrás
segurando seu gládio em posição ofensiva. A demônio coloca o colar na mão da
criança, segurando-a ela estende os braços com o bebê rumo a fêmea da outra
espécie.
(Hérito) __ Não faça isso! __ grita Hérito ao ver sua esposa
aproximar-se da demônio e estender os braços rumo ao bebê para recebê-lo.

20
O despertar do imortal
O espírito materno é compartilhado pelas duas fêmeas, os olhos
negros da demônio se entrelaçam com os olhos verdes da humana, a criança é
passada de uma mão para outra e a demônio derrama uma lágrima que congela
enquanto entrega sua cria mantendo os olhos fixos nos olhos de Náila que
grita de dor ao sentir o frio congelante que separa as duas realidades.
“Íshra!” grita o ser macabro ao ver o que a demônio acabara de fazer.
Nesse momento o vulto branco desfere um golpe com a espada nas
costas da indefesa demônio e seu grito agudo se espalha pela floresta como
um aviso de morte. Náila cai para trás segurando o indefeso bebê. A demônio
ainda reúne forças e estende seu braço e fala em seu último suspiro de vida.
(Íshra) __ Ame meu Héctor como eu o amo!
O brilho da vida se esvai do olhar negro do ser demoníaco que cai
morta de bruços. Atrás do corpo da demônio permanece em pé o vulto branco
do assassino que descrava a espada das costas da demônio espalhando sangue
pelo ar.
A magia parece desfazer-se pouco a pouco, a densa névoa diminui sua
espessura, Hérito aproxima-se de sua esposa caída no chão e tenta levantá-la.
(Hérito) __ Vamos Náila, levante. __ fala ele observando fixamente o
movimento do assassino na névoa.
O vulto branco que friamente assassinou a demônio, ao perceber que o
encanto está se desfazendo, abre suas imensas asas e desfere mais um golpe,
agora contra o casal indefeso segurando a criança. Inexplicavelmente a lâmina
passa por dentro dos corpos de ambos como se fosse apenas uma imagem na
imaginação do casal que mesmo assim sentem o frio da espada dentro de seus
corpos. Enquanto a névoa se dissipa os dois vêem o assassino tentando em vão
atacá-los. O vento volta a soprar calmo como há momentos atrás, os dois
ficam pasmos, um olhando para outro, na esperança de encontrar respostas
para o que acabara de acontecer, então os dois desviam suas atenções para o
bebê no colo de Náila, ele esta segurando um colar muito belo com inscrições
incompreensíveis e uma forma de uma caveira e uma rosa entrelaçados. Náila
chora de emoção e beija com carinho a testa da doce criança.
(Hérito) __ Náila o que faremos? __ pergunta Hérito ofegante.
Náila fica calada por alguns segundos e contempla o indefeso bebê, uma
lágrima rola do rosto de Náila que olha para seu marido e fala.
(Náila) __ Nós o amaremos como sua mãe o amou!
O bebê começa a chorar, um choro inocente e tão esperado por esse
casal que os dois começam a chorar de felicidade, mal observam que os olhos
do bebê se tornam negros, tão negro quanto seu futuro, tão negro como as
noites que sucedem os quinze anos decorrentes. O desespero de uma mãe

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
demônio que em um ato de amor deu seu filho para estranhos e se sacrificou
para que ele sobrevivesse, dá a esse casal a oportunidade de ter um filho que
no decorrer do tempo se torna um belo rapaz.
No leito de morte sua mãe o chamou de Héctor, um jovem alto e muito
belo, seus cabelos loiros sempre embaraçados balança com o vento em suas
cavalgadas, seus olhos são azuis como o céu de verão em Fegor, adquiriu a
simplicidade e a humildade de seus pais, que por sua vez o criaram como um
verdadeiro filho de suas carnes.
Atualmente Héctor tem dezesseis anos, seus braços magros da
adolescência já dão indícios que irão ficar fortes e robustos, ele usa roupas
simples, com o tecido confeccionado por sua mãe em teares manuais. Essa
família mora em uma casa simples, nas terras do rei de Fegor, mas bem
distante do centro daquela enorme cidade, onde é o centro do governo
regional.
Hoje pai e filho saem de casa rumo à comunidade mais próxima, as
festividades de verão começam e o povo todo comemora a boa safra com
música, dança e com as lutas de tarracá. Héctor se concentra apenas nas
lutas, ele treinou com seu pai por muitos meses para poder se sair bem esse
ano.
O ringue está montado, sobre o olhar atento dos curiosos os
participantes se aquecem e se alongam. O ringue é circular, o chão é forrado
com areia branca, o que deixa os competidores muito sujos depois da luta, o
juiz fica atento o tempo todo marcando os pontos dos lutadores. No tarracá o
objetivo é jogar o oponente no chão e imobilizá-lo, comumente chamado na
comunidade local de queda de corpo é o esporte mais popular em Fegor.
A competição é dividida em categorias, Héctor está na primeira
categoria, até dezesseis anos, após seis lutas vitoriosas ele está classificado
para a final e seu pai está ansioso para ver seu filho ser o campeão de sua
categoria.
(Hérito) __ Agora é sua vez filho, vamos lá, faça como nós treinamos,
espere ele tentar te derrubar e então desloque a perna de apoio dele do chão,
entendeu? __ diz Hérito muito empolgado com o desempenho do filho no
campeonato.
(Héctor) __ Entendi pai, entendi. Não se preocupe, vou dar o melhor
de mim. __ responde Héctor segurando firme na mão de seu pai.
Hérito fica o tempo todo com os punhos fechados demonstrando
ansiedade. Os dois competidores entram no ringue e se cumprimentam. O juiz
dá o sinal para que a luta comece levantando uma pequena bandeira branca. Os
curiosos gritam e incentivam os garotos que se movimentam levemente num

22
O despertar do imortal
movimento circular em relação ao centro do ringue, mantendo a palma das
mãos abertas, um espera o primeiro ataque do outro.
O oponente de Héctor aparenta ser um pouco maior que ele e usa
essa vantagem para atacar o garoto, agarrando-o pelo meio do corpo, Héctor
tenta se livrar das mãos grandes do garoto e ao conseguir, para desespero de
seu pai, é derrubado bruscamente no chão de areia perdendo pontos.
Aparentemente Héctor está em desvantagem, mas ele sabe muito bem como
lidar com a situação. Mantendo as costas no chão ele consegue envolver seu
oponente com as pernas na altura da cintura, seu oponente é forte e tenta o
tempo todo sair da armadilha que Héctor prepara. Quando o oponente de
Héctor por a mão no chão, ao lado do tronco de Héctor ele vê a chance.
Esquiva-se de lado posicionando sua perna direita passando pelo pescoço e a
perna esquerda por baixo do braço de seu oponente, seu pé direito encontra a
curvatura de sua perna esquerda envolvendo e pressionando o pescoço do
oponente que para não desmaiar rapidamente bate a mão na areia branca em
sinal de desistência. Hérito grita de alegria.
(Hérito) __ Esse é meu filho, esse é meu filho.
(Héctor) __ Pai o triângulo funcionou! Funcionou! __ grita ele
comemorando empolgado.
Héctor bate a areia do corpo com um sorriso de orgulho, o juiz vem ao
centro do ringue e levanta o braço de Héctor para delírio de Hérito.
Os dois chegam em casa já escuro, eles amarram os cavalos no
estábulo e se dirigem para a porta da casa que quando Hérito vai pegar na
maçaneta de couro a porta se abre. É Náila, seu rosto parece não estar nada
satisfeita com a demora dos dois.
(Hérito) __ Oi amor! __ diz Hérito beijando sua esposa e rapidamente
entrando em casa. __ o que nos temos hoje para comer.
Héctor entra cabisbaixo, sua mãe olha com atenção pra ele e ao
Héctor se afasta um pouco ela fala.
(Náila) __ Ei... Héctor, espere.
Ela o pega pelo braço e olha seu cabelo e atrás das orelhas e vê que
está sujo com areia, ela olha para Hérito que está na cozinha procurando algo
para comer.
(Náila) __ Hérito vem cá. __ fala ela toda séria e cruzando os braços.
(Hérito) __ O que foi amor. __ fala ele já desconfiando da descoberta
de sua esposa.
(Náila) __ Quando você saiu de casa disse que ia levar Héctor para
“ver a luta” e não para “participar da luta”.
Héctor levanta a cabeça e tira do bolso uma medalha e mostra para

23
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
sua mãe, todo orgulhoso.
(Héctor) __ Eu ganhei uma medalha, primeiro lugar categoria jovem.
Ela olha para a medalha e sorri sem querer desapontar seu filho e com
o instinto de mãe fala.
(Náila) __ Oh, querido. Esses esportes são muito violentos, você
poderia ter se machucado, sabia?
(Hérito) __ Ter se machucado? Ta brincando! Nosso filho é o melhor na
categoria dele, quem dera eu ser tão bom quanto ele nessa idade, eu só levava
surra. O oponente dele o derrubou e eu pensei que ele iria perder. __ diz
Hérito se empolgando cada vez mais. __ então Náila Héctor tirou o corpo de
lado e aplicou o triângulo mais lindo de todos os tempos. O grandalhão teve
que desistir e olha que ele é lá das terras de Parci onde a molecada começa a
treinar antes de caminhar. Filho... Você foi demais.
Náila balança a cabeça olhando para o sorriso irônico de seu marido.
(Náila) __ Hérito, não encoraje o menino! Esses esportes são perigosos,
não sei porque você não prefere pescar ou caçar?
(Héctor) __ Mas eu gosto de caçar, eu vou caçar amanhã. __ Fala
Héctor tentando apaziguar a situação.
(Hérito) __ Náila, entenda, nosso filho não é mais um menino. Daqui a
menos de 10 meses ele completa dezessete anos e ele vai ter que ir para o
exercito de Fegor, ele tem que aprender a ser forte desde já.
Hérito a abraça tentando conformá-la.
(Hérito) __ Ele tem que aprender a ser homem... E nada melhor do que
uma partida de tarracá. __ fala Hérito ironizando e sorrindo para Héctor que
responde a ironia sorrindo.
Náila olha para os dois e balança a cabeça negativamente.
(Náila) __ Homens...
Héctor faz um barulho com a garganta para chamar a atenção de seus
pais.
(Héctor) __ Não precisam mais discutir, vou procurar algo pra comer e
vou dormir. Estou cansado e com sono. Boa noite pai, boa Noite mãe.
Os dois respondem em coro.
“Boa noite filho.”
Héctor se volta e fala.
(Héctor) __ A sim pai, esqueci uma coisa.
(Hérito) __ Diga filho. __ fala Hérito.
Héctor fala sorrindo.
(Héctor) __ Deixe de atentar a mamãe, você sabe como ela é invocada.
(Náila) __ Concordo com você filho.

24
O despertar do imortal
Todos riem mantendo o clima de paz na casa. Héctor tem que dormir
logo, pois amanhã ele terá que acordar cedo para um de seus compromissos, o
encontro com o conhecimento.

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO

CAPÍTULO II - O ALUNO
DESCONHECIDO

“Eu sempre fui muito fechado, se tive amigos


de verdade ainda não sei, acho que eu tinha medo de
me relacionar por ser diferente, eu achava que iam e
de mim por não ser tão grande quanto eles. Os
amigos que tinha cresceram e se distanciaram.
Aprendi a viver sozinho e a não sofrer com isso, meu
pai sempre foi meu melhor amigo, ele me ensinou
tudo o que sei em tarracá, me ensinou a caçar,
pescar, montar cavalo, entre outras coisas. De vez
em quando eu o ajudo na ferraria, mas ele diz que
quando estiver maior devo escolher outra profissão,
ele fala assim: "Olha Héctor, se dedique aos livros,
quero que você me prove que no futuro poderá ser
melhor do que eu em tudo!” Tenho muitos livros em
casa, a maioria deles conseguidos pela minha mãe pela
forte influência que ela tem com o dom da palavra,
ela quem me ensinou a ler e escrever e ainda
continuam me ajudando com minhas dúvidas. Meu pai
valoriza o estudo, mas coitado, nunca teve
oportunidade de aprender as ciências, sua família era
muito pobre, passou anos servindo a exército de
Fegor e foi um excelente guerreiro, ele disse
também que trabalhou nas minas de Parli, onde
juntou economias para vir casar com minha
mãe.Tenho um professor que não conheço
pessoalmente, eu fico observando suas aulas e

26
O despertar do imortal
aprendi muito sobre filosofia, história, geografia,
ciências e outras áreas do conhecimento do nosso
mundo de Veronor. Gostaria muito de poder fazer
perguntas a ele... Não posso... Não sei o que ele faria
se descobrisse que sou um intruso em suas aulas.”

Todos os dias de segunda, quarta e sexta, Héctor acorda cedo, ainda


quando o sol começa a despontar no horizonte avermelhado, brilhando como
uma gota de aço na fundição dos metais que seu pai trabalha, tudo isso para
sorrateiramente observar as aulas de filosofia do filósofo Eurífones.
Cuidadoso como sempre, Héctor arruma sua cama de palha, feita
rudimentarmente com madeira serrada, nela há um cobertor de cor escura
que lhe protege da cruviana da noite, no canto do quarto fica uma caixa de
madeira e couro onde ele guarda suas poucas mudas de roupa. Ele levanta
como sempre, seu corpo está completamente recuperado da luta do dia
anterior, ele boceja e mal abre os olhos, logo depois toma um banho num
tanque de pedra com a água fria que parece não incomodá-lo, ao sair do banho
troca de roupa e encontra sua mãe na cozinha, preparando o café da manhã,
então fala sorrindo.
(Héctor) __ Bom dia mãe! __ ele corre e da um beijo no rosto de sua
mãe que ralha brincando.
(Náila) __ Bom dia, seu sem vergonha. Não está achando muito cedo
para estar acordado?
(Héctor) __ Não mãe! Hoje é um dia especial.__ o sorriso se espalha
no rosto de Héctor que pega algumas maçãs e põe dentro de seu patoá e come
vorazmente uma delas. __ vou caçar hoje mãe.
(Náila) __ Seu pai matou um javali antes de ontem filho, tem carne
para dias, você não precisa ir caçar hoje, vá ajudar seu pai na ferraria.
(Héctor) __ Vou caçar outra coisa hoje mãe, algo muito importante.
Vou caçar conhecimento! Estou indo. Volto à tarde.
Como sempre Héctor sai apressado. Todos os dias de segunda, quarta
e sexta ele sai para caçar, essa é a desculpa que ele arranja para ficar horas
longe de casa. A verdade é que ele vai para o alto de uma colina nas
proximidades do jardim do palácio do rei, uma área nobre onde Eurífones, o
filósofo, dá suas lições de conhecimento para os alguns alunos que fazem
parte da burguesia e família real fegoriana. Já faz onze meses que Héctor
assiste essas aulas, no entanto a colina de onde Héctor observa as aulas de
Eurífones fica muito distante do jardim; a aproximadamente dois quilômetros
de distância. Ninguém que ele conhece pode ver ou ouvir tão bem quanto ele, e

27
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
às vezes ele se pergunta como ele pode ter os sentidos tão aguçados. Ás
vezes quando está em cima da colina ele relembra do dia em que ele sem
querer entrou na floresta real a procura de um javali ferido por ele em uma
caçada, sem perceber os guardas reais observaram sua movimentação e o
perseguiram pela floresta. Num ato instintivo e sem uma aparente explicação
seus sentidos ficaram muito aguçados, ele correu e chegou ao topo dessa
colina despistando os guardas, foi de lá que ele ouviu e viu as aulas de
Eurífones pela primeira vez, permanecendo lá pelo tempo necessário para se
sentir seguro de ter despistado os guardas ele se interessou pelos assuntos
de filosofia que o filósofo estava discutindo e a partir daí, com toda cautela,
ele não perdeu mais nenhum dia das aulas. Sempre Héctor vai a cavalo,
levando arco e flecha, nas bolsas de couro ao lado da cela do cavalo leva seus
papiros e um bastão de carvão envolvido por madeira para escrever os sábios
ensinamentos de Eurífones.
Mesmo as aulas sendo distante de sua casa, Héctor não desanima, para
ele cada dia é mais um dia de novos conhecimentos e hoje é o dia do teste oral
para os alunos de Eurífones e ele, mesmo não estando presente pessoalmente,
quer testar seus conhecimentos respondendo para si mesmo as perguntas que
o filósofo fará para seu outros alunos. Um dos maiores sonhos de Héctor é de
um dia poder estudar pessoalmente com o sábio filósofo.
Andar pelas terras reais já não é mais problema para Héctor, cada
trote de seu cavalo adentrando na floresta é como se ele estivesse dentro de
sua própria casa. Ao chegar próximo à colina o jovem amarra seu cavalo, ele
retira seu material de estudo e sobe a colina cuidadosamente, lá em cima ele
senta em uma pedra que ele mesmo posicionou para estudar, no chão há
pedaços de papiro e carvão que ele deixou lá por descuido nas vezes passadas.
Ainda não há ninguém no jardim de estudos, Héctor já está acostumado a
esperar e ao sol das seis horas da manhã os alunos começam a chegar e se
posicionar, Héctor então se concentra profundamente, aguçando seus
sentidos. Ele fecha os olhos e fala consigo mesmo, tudo fica tranqüilo, ele
começa a ouvir sons antes inaudíveis, o som do vento batendo nas folhas ao
longe, o bater das asas das borboletas que por ali voam, o som do canto dos
pássaros, tudo se torna mais claro aos seus ouvidos e ao ouvir a voz de
Eurífones dando o seu majestoso bom dia, Héctor abre seus olhos e sua visão
trás a distante imagem do ambiente, como em um túnel, a uma proximidade
inacreditável.
Eurífones desta vez faz algo um pouco incomum, posiciona-se contra o
nascer do sol rumo a Héctor e fala:
(Eurífones) __ Bom dia amigo!

28
O despertar do imortal
Héctor não consegue entender aquele cumprimento, sente que o
filósofo falou com ele, mas acha impossível que Eurífones saiba que ele está
ali. Logo essa sensação desaparece quando o filósofo chama os outros alunos
que ali chegam para conversar. Os testes começam e Héctor se sai muito bem
nas solitárias respostas.
Após algumas horas o teste termina, Héctor vê que os alunos ainda não
saíram, algo estranho está no ar. Ao longe Héctor vê um soldado vestido com
trajes vermelhos, espada do lado e um enorme espelho que ele segura com
vigor aproximando-se de Eurífones. O saldado posiciona o espelho no chão
fixamente, Héctor fica sem entender a razão daquela situação então Héctor
ouve Eurífones falar.
(Héctor) __ Agora soldado! Dê o sinal!
O Soldado levanta o enorme espelho redondo rumo a Héctor, o feixe de
luz refletido pelo espelho nos olhos de Héctor que, devido à sua visão
apurada, fica um instante como um cego. Seus papéis e carvões caem no chão
e ele tenta recolhê-los mesmo sem ver.
Ao fechar os olhos ele fixa sua concentração nos outros sentidos e
percebe com sua audição que há pessoas escondidas em cima das árvores a
poucos metros dali. É uma emboscada. O espelho o sinal para o ataque.
Héctor corre rápido rumo ao seu cavalo, com a visão não tão boa ele se
guia pelos seus outros sentidos. Ele sente que são soldados do rei. O cerco se
fecha. Héctor é rápido e ágil e chega ao seu cavalo sem tanta dificuldade ele
desamarra o cavalo e o monta, os soldados quebram o mato se aproximando.
Héctor começa a cavalgar quando uma flecha acerta omoplata do cavalo que
cai, derrubando Héctor violentamente, ele leva uma pancada forte que o faz
desmaiar.
(Héctor) __ Ai... ! Que dor de cabeça!
Essas são as primeiras palavras que saem da boca de Héctor depois de
horas desacordado. Ele assusta-se ao observar que está dentro de um quarto
muito bonito, paredes brancas ornamentadas em alto relevo, cadeiras de
madeira com assento de tecido, tudo muito confortável aparentemente. Ele
está deitado em uma cadeira longa com encosto de um tecido muito macio, o
sol entra pela janela de vidro, semitransparente, o ar cheira a flores de silina,
uma flor da região de Fegor, de cor escura e aroma doce como mel que está
em vários jarros e espalhada pelo jardim.
Héctor percebe que Eurífones, o filósofo, está sentado perto da porta
e ao perceber que o garoto acordou ele acena para um guarda que estava na
porta sair.
O professor permanece calado, com um tom sério no rosto. É um homem

29
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
alto, um palmo maior que Héctor, um pouco calvo, cabelos grisalhos
combinando com sua barba grisalha, testa enrugada, um sinal grande próximo
à orelha que para Héctor lembra um carrapato, olhos atentos como os de uma
águia, dentes brancos e reluzentes que Héctor vê no seu primeiro sorriso
irônico. O silêncio continua após o seu sorriso. Eurífones levanta e caminha um
pouco rumo a porta respirando o ar puro que entra, fala tranqüilamente.
(Eurífones) __ Adoro esse cheiro de silina! Você não?
Meio sem graça Héctor diz.
(Héctor) __ Sim Senhor! __ ele fala e baixa a cabeça!
(Eurífones) __ Não sou seu Senhor, jovem. Pelo que venho observando
você é um dos meus pupilos... E eu nem mesmo o conhecia! Aliás, você deve
estar se perguntando como eu sei que você assistia minhas lições. Não é
jovem?
Ainda sorrindo e sem deixar o jovem falar ele comenta.
(Eurífones) __ Bem, antes de qualquer coisa tenho que me desculpar
pelos guardas, a intenção não era fazer você cair tão feio. Aliás, eu ainda não
sei o nome de meu novo aluno.
Héctor põe a mão no ombro dolorido e fica calado apenas olhando
espantado de lado para o filósofo.
(Eurífones) __ Não precisa ficar assim, apenas me diga seu nome.
(Héctor) __ Héctor, Héctor Nascai de Fegor, do condado de Pésleri.
(Eurífones) __ É um prazer conhecê-lo Héctor, como você já sabe, eu
sou Eurífones, seu professor de filosofia.
Héctor se senta, Eurífones olha para ele e faz um gesto facial de
indagação.
(Eurífones) __ Você não esta se perguntando como eu sei que você
assiste minhas aulas?
(Héctor) __ Sim estou! __ Diz ele meio constrangido, ele complementa
de maneira nervosa a afirmação.
(Héctor) __ Eu sou pobre, meu pai não vai poder pagar as aulas não
mande prendê-lo, eu serei seu servo se preciso, não... Não mande prender
meu pai...
(Eurífones) __ Calma, garoto! __ Diz Eurífones se aproximando de
Héctor e colocando as mãos nos ombros do jovem fitando-o nos olhos.
(Eurífones) __ Sei que você é pobre, isso não e defeito isso e uma
conseqüência das incertezas que permeiam nossas vidas. Não mandarei
prender seu pai e muito menos você será meu escravo para pagar as aulas. Eu
já dou aulas de filosofia para libertar as mentes, e de que adianta uma mente
livre aprisionada em um corpo escravo?

30
O despertar do imortal
Eurífones fica ereto e os dois sorriem como se os dois se
compreendessem.
(Eurífones) __ Bem garoto, tenho que insistir. Você não tem nada para
me perguntar?
Héctor fica segundos calado e então pergunta.
(Héctor) __ Como você descobriu que eu assistia suas aulas?
Todo cheio de sabedoria ele responde.
(Eurífones) __ Vou responder sua dúvida, meu aluno desconhecido. Dias
atrás eu andava pela floresta a procura de uma erva e cheguei a encontrá-la
no alto da colina, então notei que havia carvão e pedaços de papiro no chão,
notei então que era um local de estudos, o posicionamento das pegadas e da
pedra que você usava para se sentar estava direcionado para minhas aulas.
Será que alguém assistia minhas aulas daquele lugar? Fiquei impressionado. Foi
ai que mandei um de meus pupilos observar o que você estaria fazendo. Como
alguém poderia assistir minhas aulas de tão distante? __ Um tom sério e
indagativo tomam conta do semblante de Eurífones.
(Eurífones) __ Então me diga Héctor, como você faz para ver e ouvir
minhas aulas de um local tão distante?
(Héctor) __ Eu não sei lhe explicar, quando eu chego à colina para
assistir suas aulas minha visão e audição ficam aguçadas, só! __ diz Héctor
ainda meio acanhado.
Eurífones caminha rumo à sua escrivaninha e pega alguns papiros.
(Eurífones) __ Seus papiros estão bem detalhados e organizados, sua
caligrafia é muito boa. __ fala o filósofo olhando os papiros de Héctor.__
Quem lhe ensinou a escrever?
(Héctor) __ Minha mãe. __ responde o jovem de maneira orgulhosa, já
que a maioria dos adultos de Fegor são analfabetos.
(Eurífones) __ Pelo que vi em suas anotações faz tempo que você
assiste minhas aulas, aqui tem muita coisa que eu expliquei há meses, achei
interessante que você anotou até mesmo as suas conclusões. __ fala
empolgado. __ Você parece ser um aluno dedicado. __ ainda inibido Héctor se
mantém calado.
(Eurífones) __ Héctor, quem são seus pais?
(Héctor) __ Hérito e Náila senhor... Digo... Eurífones. __ diz Héctor
lembrando que Eurífones acabara de dizer que não era para ele chamá-lo de
senhor.
Eurífones sorri simpaticamente e fala ainda sorrindo.
(Eurífones) __ Você aprende rápido mesmo. Continue, quero saber mais
sobre seus pais.

31
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Já um pouco mais descontraído e confiante Héctor fala sobre sua
família.
(Héctor) __ Meu pai é ferreiro, faz espadas e adagas belíssimas, faz
ferraduras também e de vez enquanto concerta armaduras, quando ele era
mais jovem ele serviu ao exército e trabalhou nas Minas de Parli, foi lá que ele
aprendeu a ser ferreiro... Minha mãe trabalha em casa mesmo e cuida de
nossos animais, eu sou filho único, mas sou adotado. Ajudo meu pai com o aço e
caço de vez enquanto.
Eurífones pega uma maçã no cesto de frutas em cima da mesa e oferece
a Héctor.
(Eurífones) __ Gosta de maçã? Eu adoro! Coma Héctor, você deve estar
com fome.
Héctor aceita a maçã e come vorazmente, ainda de boca cheia ele fala.
(Héctor) __ Eurífones, meu pai deve estar preocupado, eu nunca chego
tão tarde em casa e aqui é longe de minha casa. Gostaria que você me
deixasse ir embora.
O rosto de Eurífones volta a ficar sério, ele fica calado alguns
segundos, respira fundo e deixa Héctor inquieto com medo dele não deixá-lo
ir.
(Eurífones) __ Seu cavalo está ferido e você caiu feio, vou pedir para
um dos meus alunos o acompanhe até sua casa, mas tenho que lhe falar que só
poderá ir sob uma condição!
Héctor fica nervoso, o rosto sério de Eurífones o faz temer a condição
que ele poderia impor, mas ele não teria saída, só poderia acatar.
(Héctor) __ Fico grato, mas qual seria a condição?
Eurífones desconversa.
(Eurífones) __ A propósito Héctor Nascai; mesmo sem eu saber você já
era meu pupilo. Então nosso encontro já deveria ter acontecido, nunca ouvi
falar de um aluno que conhece o professor e o professor não conheça o aluno
ao mesmo tempo. Então minha condição é a seguinte... __ o coração de Héctor
bate forte com as palavras de Eurífones __... Você terá de participar de
minhas aulas pessoalmente a partir do próximo encontro.
Um sorriso de felicidade enche o rosto de Héctor, todo medo da
condição imposta por Eurífones se transforma em honra, ele então sem saber
o que fazer fala desajeitado.
(Héctor) __ Sim eu virei, isso é uma das coisas que eu mais queria na
vida e me sinto honrado pelo convite. Obrigado!
Eurífones também sorri, em seguida chama o garoto.
(Eurífones) __ Já está meio tarde Héctor e como você disse é melhor ir

32
O despertar do imortal
para casa. Venha comigo.
Eurífones conduz Héctor até o estábulo onde estão os cavalos dos
alunos e alguns deles esperando.
Um dos pupilos de Eurífones, Dansri, um homem magro definido, de
cabelos longos, negros e lisos, com o rosto limpo e claro os olhos negros como
a noite, roupa cinza como a de um monge, cinto negro, mangas longas e espada
longa de dois gumes reta na bainha, se aproxima e chama Eurífones.
(Dansri) __ Mestre, é esse o garoto?__ pergunta Dansri sussurrando.
(Eurífones) __ Sim Dansri, é o garroto que te falei, tem algo nele...
Nenhum ouve e enxerga tão bem, nem mesmo os seres alados tem essa
capacidade.
(Dansri) __ E o que fazemos com ele?
(Eurífones) __ Só o tempo dirá Dansri, só o tempo dirá. Por enquanto
quero que você vá deixá-lo em sua casa.
Eurífones e Dansri voltam a se aproximar de Héctor que estava a
contemplar o cavalo branco no estábulo.
(Eurífones) __ Gostou do cavalo Héctor.
(Héctor) __ Sim Eurífones... Desculpe. Mestre Eurífones.
Eurífones passa a mão na cara do cavalo branco e fala.
(Eurífones) __ Eu não sou rico, desprezo bens materiais, mas adoro
cavalos, o rei me deixa cuidar dos meus aqui. Seu cavalo está ferido por minha
culpa, não seria um bom homem se deixar você sem um cavalo. Enquanto seu
cavalo se recupera ficara com esse cavalo branco. O que acha?
(Héctor) __ Seria ótimo, mas meu pai... __ Eurífones interrompe.
(Eurífones) __ Esse é Dansri, um de meus velhos alunos que está
passando um tempo comigo, ele irá lhe acompanhar até sua casa e explicará
tudo a seu pai não se preocupe você estará em boas mãos.
Eurífones se dirige a seu velho aluno fala:
(Eurífones) __ Héctor é adotado, converse com os pais dele e veja qual
a sua procedência, mas não deixe que ele perceba.
(Dansri) __ Assim o farei mestre!
Os dois partem rumo à casa de Héctor, já é final de tarde, Héctor fica
calado a maior parte do tempo, a não ser pela curiosidade de Héctor em
perguntar sobre a bela espada que Dansri carrega.
(Héctor) __ Seu nome é Dansri, não é? __ fala Héctor tentando fazer
contato.
(Dansri) __ Sim. __ fala Dansri parecendo querer desconversar.
Héctor fica poucos segundos calado e volta a tentar fazer contato.
(Héctor) __ Essa espada onde a conseguiu?

33
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Dansri) __ Bem longe daqui garoto, depois de anos de treinamento
duro. __ fala Dansri acelerando um pouco o passo de seu cavalo.
(Héctor) __ Ela é muito bela. Você é um guerreiro? __ fala Héctor
tentando acompanhar o passo do cavalo de Dansri.
(Dansri) __ Poderia até tentar te explicar, mas seria um pouco difícil
pra você entender, o que posso dizer é que sou um guerreiro diferente dos
outros que você costuma ver por ai.
(Héctor) __ Um guerreiro diferente... Meu pai também já foi um
guerreiro, ele me contou que foi para a guerra quando era jovem, lutou pelas
terras de Fegor quando o rei era o pai de Frauter.
(Dansri) __ Não sou um guerreiro do tipo soldado garoto, sou um
guerreiro que luta pela harmonia desse mundo. __ fala Dansri mantendo seu
olhar fixo rumo ao céu que se avermelha no horizonte.
(Héctor) __ Eu nunca tinha o visto por aqui nas aulas de Eurífones.
(Dansri) __ Eu não moro aqui, vim apenas visitar meu mestre, ficarei
mais alguns dias e voltarei para Danora. Vamos, acelere o passo!
As horas passam, os pais de Héctor estão preocupados ao ouvir o som
dos cascos dos cavalos, Náila corre para a janela onde acaba seu tormento.
Ela sai de casa e espera próximo às flores do jardim na frente de sua casa,
seu pai Hérito também sai e logo os dois percebem que o companheiro de seu
querido filho não e uma pessoa comum, o que novamente preocupa os dois.
Ao descer do cavalo Héctor vê que seu pai fica atento olhando para
Dansri que desce do seu cavalo e com uma simpatia indescritível.
(Dansri) __ Boa tarde! Venho trazer seu filho em nome de meu mestre
Eurífones. Não se preocupem: gostaria de falar um momento a sós com vocês.
__ fala Dansri sob o olhar preocupado dos dois.
(Hérito) __ Entre mestre Acira será um prazer tê-lo em minha humilde
casa.
As palavras de seu pai aguçam a curiosidade de Héctor que ao ouvir seu
companheiro sendo chamado de mestre se interessa mais ainda.
(Hérito) __ Filho vá banhar-se enquanto eu converso com o mestre.
Héctor fica nervoso quando eles entram para conversar, fica muito
curioso, mas ele é obediente a seu pai e vai banhar-se, pois a noite já esta
para chegar e seu corpo está dolorido e cansado.
Héctor vai até o banheiro e toma um banho demorado, ele observa seu
corpo que aparentemente está cansado, mas sem nenhum arranhão, ao
observar seu ombro, antes dolorido devido à queda, vê que não resta nem
mesmo um arranhão. Após seu banho ele se dirige para a sala da sua casa e ao
entrar encontra Dansri já se despedindo de seus pais para ir embora.

34
O despertar do imortal
(Dansri) __ Adorei seu chá Dona Náila! Bem, tenho quer ir, meu mestre
me espera. __ seu olhar se dirige para Héctor que fica olhando sem jeito para
todos na sala.
(Dansri) __ Ah, você está ai Héctor! Adorei conhecer seus pais. Como
eu disse, tenho que ir, cuide-se garoto.
Héctor sem dizer uma palavra acena desajeitado rumo ao seu novo
amigo.
Ele caminha e sai pela porta seguido de Hérito e Náila, Héctor fica
recluso dentro de casa apenas em pé, ainda meio nervoso. Dansri desamarra
seu cavalo de se despede dos pais de Héctor.
(Dansri) __ Cuidem bem desse menino. Ele é especial, será um grande
homem. Nos veremos em breve. __ ele sai a trote sem olhar para trás, indo
rumo ao local das aulas no jardim do rei onde está Eurífones, e some entre as
árvores da densa floresta.
Náila e Hérito entram e olham profundamente para Héctor que se sente
inibido. Seus pais sorriem e Héctor fica confuso.
(Náila) __ Filho, o que você fez foi muito, perigoso você não nos contou
nada, devia ter nos dito que estava assistindo ás aulas do filósofo Eurífones.
__ fala a mãe, mudando seu jeito gracioso para imparcial.
(Hérito) __ Você teve muita sorte, ele o simpatizou muito, estou muito
orgulhoso de você. Espero que siga esse caminho da filosofia. __ fala seu pai
sorridente.
(Náila) __ O que é isso Hérito? __ fala Náila, dando uma pequena
cotovelada nas costelas de seu esposo. __ você está louco? Fica encorajando o
garoto?
Hérito faz um gesto com as sobrancelhas olhando primeiro para sua
mulher depois para seu filho piscando o olho.
(Náila) __ Vamos Héctor, agora todos vão dormir, o dia foi muito
cansativo pra você não acha?
Depois das palavras de Náila todos vão dormir e Héctor dorme
tranqüilamente se sentindo orgulhoso pelo que aconteceu em seu dia.
Os dias passam e Héctor vai a todas as aulas de Eurífones, nunca
faltando a nenhuma delas, em pouco tempo se torna um dos mais sábios de
seus pupilos, muito dedicado, ás vezes até inconveniente com suas conversas e
perguntas, mas sempre dentro do assunto, seus olhos impreguinam nos
ensinamentos, ele parece sentir prazer ao aprender, se envolvendo
profundamente no mundo da filosofia. Pilhas de papiro e papel dados por seu
mestre constroem a base de seu conhecimento, ele vira noites se deleitando
ao ler, à luz de lamparinas de óleo vegetal, saciando sua sede de

35
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
conhecimento.
Cinco meses se passam e Héctor sai como todos os dias para sua aula,
devido ao cansaço da caçada a javali que fez com seu pai no dia anterior desta
vez chega um pouco atrasado, coisa que nunca tinha feito. Um dos guardas
está no portão que aparentemente está trancado. Ele não quer chamá-lo com
medo de sua reação, pois ele não aparenta ser nada simpático. Levado pela
ousadia características dos jovens ele decide pular o alto muro que dá acesso
ao jardim de estudos de Eurífones.
Héctor escala o muro com extrema facilidade, mas ao passar para o
outro lado cai todo desajeitado por cima de alguns jarros quebrando um dos
jarros grandes que enfeita o jardim. Mesmo estando longe o guarda ouve o
barulho, Héctor nota que o guarda se aproxima e corre para trás de um pilar
para se esconder. Ele observa que não há como entrar pela porta da frente,
num momento de distração do guarda Héctor aproveita dá a volta para entrar
pela janela de um dos quartos sem saber de que quarto se tratava.
Ao entrar pela janela ele observa que o quarto é belo, porém simples, há
muitos livros em estantes de madeira, muitos lápis de carvão, pena e tinta e
vária folhas de papiro em cima de uma velha escrivaninha de cor madeira
próxima à janela, do outro lado do quarto há uma vista para o belo lago. Havia
muitos jarros de cerâmica com desenhos rústicos, belos e chamativos, todo o
quarto era pintado de branco, o que dava uma paz de espírito a quem entrasse
lá, mas algo chamou muito a atenção de Héctor; uma espada pendurada na
parede. Era uma espada curta, um, pouco maior que seu braço, estava
embainhada em couro com enfeites de prata com formas que lembravam
flores de silina, tinha um cabo robusto, longo e com cabeça curva, havia
algumas inscrições em ouro, pequenos pontos em forma de mosaico na cabeça
e nas costas do cabo da espada.
Héctor fica fascinado com o esplendor que emana daquela espada, ele
estende a mão com desejo de tocá-la, todavia algo dentro dele impede que o
faça, algo diferente, que ele nunca havia sentido antes, sua cabeça começa a
doer, a vontade de tocá-la continua, então ele espanta-se, lembra-se que tem
que voltar para a aula e sai correndo rumo ao jardim de estudos.
Ao chegar todos os alunos o olham fixamente e Héctor fica muito sem
graça. Eurífones com seu jeito singelo pergunta.
(Eurífones) __ Bom dia aluno! Porque você chegou atrasado hoje?
(Héctor) __ Desculpe mestre. Prometo que serei mais pontual das
próximas vezes. __ Ele fala apenas isso e não responde à pergunta de
Eurífones, ele senta-se sem olhar para os lados e mantém-se calado.
(Eurífones) __ Hoje falaremos sobre as espadas forjadas com as

36
O despertar do imortal
escamas de Tiamat. Vocês sabem o que é um Tiamat?
Um dos alunos levanta a mão e fala: “Sim mestre Eurífones, são dragões
oriundos do lado oriental da cadeia de montanhas de Kwara”.
(Eurífones) __ Isso mesmo. Você está correto. O que mais tem a me
dizer?
Outro aluno levanta a mão e fala: “Meu pai me contou que as escamas
desse dragão são feitas de um metal muito resistente.”
(Eurífones) __ Exatamente. __ continua de forma empolgada o velho
sábio. __ os Tiamats possuem escamas de Aderon, o metal mais resistente
conhecido até hoje, isso o torna quase invencível, além do mais esse metal
absorve energia mágica para alimentar esse dragão. Apenas um guerreiro
conseguiu matar um desses animais: Sâmaro, o destemido. Ele conseguiu
prender o animal dentro de uma caverna repleta de petróleo e ateou fogo
matando o animal asfixiado. Com suas escamas ele forjou uma espada que ele
chamou de espada do império de Maharo, sua terra natal. Com ela ele venceu
“o imortal” também chamado de “o condenado”.
Outro aluno pergunta: “Quem era esse imortal?”
(Eurífones) __ Um anjo que existiu a mais de 3500 anos dominador de
um poder mágico nunca visto antes. Vocês sabiam que o Deserto de Maharo já
foi uma das mais belas cidades de Veronor? __ fala Eurífones esperando uma
resposta afirmativa que não vem. __ Ninguém sabia? Um... Pois bem. Maharo
era um reino rodeado pelo rio Kwara, era um reino poderoso e com muitas
riquezas, o imortal então, dominado pela ganância, queria dominar toda
Veronor e para isso teria que vencer o exército de Maharo que era o mais
forte daquele tempo. Depois de dominar reinos do norte como Fegor, Ariel e
Dhâ ele levou seu exército de anões, gárgulas, ífrits e katewaris para uma
batalha contra o reino de Maharo. O imortal subestimou o poderio de guerra
dos soldados de Maharo que lutavam juntos com os orientais, então o imortal
invocou um poder imenso e criou uma tempestade de areia que cobriu os céus
de Maharo por sete dias e sete noites. Quando a tempestade cessou o reino
que antes era o mais belo e poderoso de Veronor estava enterrada embaixo
de toneladas de areia. Sâmaro conseguiu fugir e decidiu forjar a espada do
império de Maharo, usando as escamas do tiamat que ele matou, juntou-se
com os poucos guerreiros que restaram e marcharam contra o poder do
imortal. Foi uma luta sangrenta e difícil para ambos, pois entre os guerreiros
do imortal havia os guerreiros da magia negra, os Semas, e entre o exército
de Sâmaro havia os guerreiros da magia alva, os Aciras. Sâmaro era um Acira
e é considerado até hoje o maior guerreiro Acira que já existiu.
“Então Sâmaro não teve dificuldade pra vencer o imortal.” Fala um dos

37
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
alunos num tom que vagueia entre uma pergunta e uma afirmação.
(Eurífones) __ Sâmaro era um excelente guerreiro, mas o imortal
tinha poderes inimagináveis. O guerreiro Acira teve sua espada quebrada pelo
imortal durante a luta, então aconteceu algo que até hoje filósofo nenhum
sabe explicar... Do nada surgiu um guerreiro que salvou Sâmaro e enfrentou o
imortal de igual para igual. Da mesma forma que ele surgiu ele se foi, os
poucos que o viram o chamaram de “o guerreiro exército”, pois os versos que
contam essa história dizem que esse guerreiro tinha o poder de mil exércitos.
Depois que ele se foi Sâmaro enfrentou o imortal novamente e o cortou a
garganta fazendo-o perder sangue. Enquanto o imortal perdia sua vida Sâmaro
se trancou dentro de uma jaula armadilha e lá ficou esperando, pois o imortal
quando era vencido perdia apenas o seu corpo, sua essência se transportava
para o corpo da pessoa que o matou, assim o imortal nunca morria. A jaula
onde Sâmaro se trancou possuía lâminas por todos os lados fazendo que quem
estivesse dentro não pudesse se mover sem se ferir, quando o imortal tomou
o corpo de Sâmaro ele estava aprisionado, caso ele tentasse se movimentar de
alguma forma provocaria em si um ferimento que poderia levá-lo á morte, caso
o imortal provocasse sua própria morte sua essência não poderia tomar mais
nenhum corpo dando fim à sua imortalidade. Depois que o imortal foi
aprisionado ele foi enclausurado em um local que ninguém sabe ao certo, para
que um dia ele mesmo provocasse sua própria morte, pondo fim ao seu poder.
Novamente o mesmo garoto torna a perguntar: ”E a espada de
Sâmaro?”
(Eurífones) __ Os pedaços da espada de Sâmaro foram fundidas com o
restante das escamas que restaram do Tiamat para forjar as oito Espadas do
Império. Elas são chamadas assim, pois são passadas entre os guerreiros
Aciras que defendem a paz nos reinos. Temos a espada do império de Fegor,
espadas do império de Ariel... __ Eurífones é então interrompido por um dos
alunos que pergunta: “As terras suspensas de Ariel?”
(Eurífones) __ Sim as terras suspensas ou flutuantes onde vivem a raça
dos anjos. Temos ainda a espada do império de Dhâ, a espada do império de
Danora, a espada do império de Feloptéia, a espada do império de Astarônia, a
terra dos gigantes, a espada do império de Piramidara, que é o reino das
gigantescas pirâmides e por último a espada do império de Nisaka, no oriente,
espada essa que se perdeu há muito tempo, sendo que só existem sete
espadas do império atualmente.
A aula continua muito interessante como sempre. Héctor, depois de
ouvir a história sobre as espadas do império, fica o tempo todo pensando
naquela espada que viu na parede, então ele traça uma maneira de como

38
O despertar do imortal
perguntar sobre ela. Ao final da aula Eurífones chama Héctor para conversar.
(Eurífones) __ Héctor, venha cá. __ chama Eurífones, fazendo um
pequeno aceno para Héctor.
Rapidamente Héctor se aproxima ainda arrumando seus papiros.
(Héctor) __ Diga mestre.
(Eurífones) __ Os guardas estão proibidos de deixar qualquer pessoa
entrar atrasado em minhas aulas. O que você fez para entrar?__ fala o
mestre num tom muito sério.
Héctor desajeitado coça a cabeça e faz uma careta sob o olhar ainda
sério de seu mestre que cruza os braços.
(Eurífones) __ Eu dormi demais hoje, ontem fui caçar com meu pai e
fiquei muito cansado. Quando cheguei o guarda estava no portão e eu sabia
que ele não ia me deixar entrar, então eu pulei o muro. Mas foi por uma boa
causa!
Eurífones continua imparcial.
(Eurífones) __ Não repita mais isso. Aqui há regras que devem ser
cumpridas. Imagine se todos os alunos agissem assim, seria um caos. Tudo
bem desta vez, só não volte a repetir isso.
Eurífones já se preparava para sair e mesmo com medo da reação de
seu mestre Héctor não se contém e fala.
(Héctor) __ Mestre, tem algo que gostaria de perguntar a você.
Eurífones se vira rápido dando atenção a seu aluno.
(Eurífones) __ Diga pupilo, o que ainda deseja de mim?
Héctor aproxima-se meio envergonhado e fala.
(Eurífones) __ Quando entrei acabei sem querer adentrando em um
quarto que acredito ser o seu, tem algo lá que despertou meu interesse.
(Eurífones) __ Sim. E então?__ fala o filósofo procurando em sua
mente o que poderia ser.
(Héctor) __ Na parede de seu quarto há uma espada muito bonita.
(Eurífones) __ Sei, minha velha espada. O que tem de especial nela? E
uma espada como outra qualquer.
(Héctor) __ Gostaria muito de vê-la mais de perto se você me
permitisse.
(Eurífones) __ Claro! Venha comigo__ diz Eurífones.
Os dois se dirigem ao quarto de Eurífones e chegando lá o mestre fala
apontando sutilmente.
(Eurífones) __ É aquela?
(Héctor) __ Sim é! __ Fala o jovem fervoroso.
O sábio filósofo caminha rumo à espada e a retirando da parede, com

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
cuidado, a contempla por alguns segundos e suspira.
(Héctor) __ Sei que deve estar louco para tocá-la. __ Eurífones
estende as mãos segurando horizontalmente e entrega a Héctor, que está
muito curioso.
(Eurífones) __ Tome muito cuidado, pois sua lâmina foi afiada com a
magia dos guerreiros Acira.
(Héctor) __ Muito linda, acredito que uma espada do império deve ser
tão linda quanto essa. __ fala Héctor ao receber a espada e segurando-a pela
bainha.
(Eurífones) __ Sim, também acho. Essa espada é um gládio de porte
grande, diferente dos pequenos gládios.
Os olhos de Héctor brilham, seu coração bate mais forte, ao focar a
espada, como um desejo oculto de usá-la, Eurífones fica olhando fixamente
para Héctor, e acha algo não tão comum em Héctor.
(Héctor) __ Mestre posso desembainhá-la?
(Eurífones) __... Com cuidado.
Eurífones sabe que uma espada Acira não se pode ser desembainhada, a
não ser por alguém que merece usá-la e fica na expectativa.
Héctor empunha a espada vigor, enquanto seu mestre observa com
atenção, ele tenta dar um puxão, mas a espada não sai da bainha. Ele tenta
novamente e novamente não consegue, o jovem olha para seu professor com se
pedisse ajuda, Eurífones sorri.
(Héctor) __ Mestre, a algo de errado? Ele está travada?
(Eurífones) __ Não. __ fala sabiamente o filósofo __ as espadas Acira
não podem ser empunhada por alguém que não é um guerreiro Acira, a não ser
que se conheça pelo menos um pouco da arte Acira. Na maioria das vezes o
cabo da espada queima a mão de seu empunhador.
Héctor tira rápido a mão da bainha com medo de ser queimada e
Eurífones dá um sorriso. Ainda contemplando a espada Héctor fala:
(Héctor) __ O que é “Acira” mestre? Você falou sobre esses guerreiros
na aula de hoje, mas não explicou o que eles são ou o que eles fazem.
Eurífones senta e seguindo o movimento de seu professor Héctor
também senta.
(Eurífones) __ Meu jovem aluno, você nunca ouviu falar sobre os
Aciras?
(Héctor) __ Sim, sei pouco. Sei que são guerreiros os melhores
guerreiros de Veronor, só isso, meu pai disse também que Dansri era um
Acira.
Héctor nota nos olhos de seu professor uma empolgação antes vista só

40
O despertar do imortal
nas aulas de filosofia astrológica.
(Eurífones) __ Os Aciras são guerreiros, um grupo, uma irmandade, são
muitos e apenas um ao mesmo tempo, mas o mais importante, não são apenas
guerreiros, são magos que defendem a paz e harmonia Veronor.
Meio confuso Héctor diz.
(Héctor) __ Magia, mas... __ Eurífones estende a mão interrompendo
Héctor.
(Eurífones) __ Calma! Algumas vezes, nas minhas aulas eu falei sobre
magia e magos, você lembra? Hoje mesmo falei sobre os tiamats alimentarem-
se com magia.
(Héctor) __ Lembro, você disse uma vez que a razão e a filosofia são os
caminhos para a verdade, e disse que a magia era o lado oposto delas.
(Eurífones) __ Correto! Mas em minhas aulas nunca disse que a magia
não existia. Disse que a magia e filosofia são extremos opostos, porém nesse
mundo existem muito mais coisas que a razão e a filosofia podem explicar.
Magos existem. Você sabia disso?
(Héctor) __Sim, mas eu nunca vi um mago e nem magia! O que isso tem a
ver com os Aciras.
Eurífones suspira, um pouco antes de falar.
(Eurífones) __ Héctor, pegue um pouco de areia do jarro ao seu lado.__
Diz Eurífones.
Héctor se vira para o jarro onde há algumas flores de silina e então
pega um punhado de areia, Eurífones estende a mão para receber a areia,
enquanto Héctor põe a areia na mão de seu mestre. Ele se pergunta o que seu
mestre iria fazer. Eurífones faz um gesto com a outra mão pedindo para que
seu aluno parasse de transpor a areia de sua mão para a dele deixando um
pouco na mão de seu aluno.
(Eurífones) __ Sei que você é muito dedicado em seus estudos Héctor,
e que acredita muito na razão e filosofia. Você acredita, pela razão, que essa
areia em minha e na sua mão possa se tornar luminosa como o sol?
(Héctor) __ Pela razão não! É impossível!
(Eurífones) __ Por quê? __pergunta Eurífones instigando o aluno.
(Héctor) __ Por que não é da natureza da areia se torna luminosa.
(Eurífones) __ Isso mesmo! __ Fala o mestre empolgado.
(Eurífones) __ Agora derrame sua areia no chão, bem devagar. __
Héctor, com a mão fechada, derrama a areia que cai no chão normalmente,
sem acontecer nada.
(Eurífones) __ Meu mestre era um Acira, ele acreditava que o sol era a
matéria prima de Veronor, tudo nesse mundo um dia já foi sol, as montanhas,

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
as nuvens, as árvores, tudo! Até mesmo eu e você... __ então Eurífones
levanta e começa a derramar a areia de sua mão __ se um dia parte do sol se
tornou areia então porque a areia não poderia voltar a ser sol? A filosofia
Acira diz que tudo pode ser modificado pela magia até mesmo a areia pode
voltar a brilhar como o sol. __ então algo que Héctor não esperava começa a
acontecer em frente aos seus olhos, a areia começa a brilhar como se
estivesse se incinerando, iluminando a penumbra da sala.
O jovem fica fascinado ao descobrir que seu professor também faz
magia.
(Eurífones) __ Mas os Aciras vão além. Eles desenvolveram uma maneira
de usar essa magia para se defender.
Eurífones joga o resto de areia que ainda estava em sua mão no chão,
um estrondo se espalha pela sala, o tapete onde a areia caiu queima fogo em
brasa. Eurífones bate as mãos limpando-as espalhando fagulhas luminosas pela
sala.
(Eurífones) __ Os Aciras usam a magia alva e a espada ao mesmo tempo,
com sabedoria, em nome da paz e harmonia desse mundo.
Héctor olha para a espada em suas mãos e pergunta:
(Héctor) __ De quem era essa espada Acira mestre?
A pergunta de Héctor trouxe aos olhos de seu mestre uma saudade
amarga, ele estende as mãos e a recebe de seu aluno que ainda a contempla.
Héctor percebe que Eurífones se emociona ao olhar para ela, nessa hora ele
tem certeza que, para seu mestre, essa espada é muito mais que mera
decoração.
(Eurífones) __ De um guerreiro que não existe mais. __ fala Eurífones
no tom de tristeza.
(Héctor) __ Gostaria muito de ver a lâmina de uma espada Acira um dia.
(Eurífones) __ E você verá! Dansri virá me visitar esses dias. Ele é um
Acira, por sinal, um dos melhores atualmente! Quando estiver aqui peço para
que ele te mostre a lâmina dessa espada. __ Eurífones se dirige a parede e a
repõe no seu devido lugar, olhando para o artefato parece estar encantado.
(Héctor) __ Mestre, gostaria de aprender um pouco de magia como
essa que você acabou de me mostrar. Você poderia...
(Eurífones) __ Calma garoto! __ interrompe Eurífones. __ Cada coisa a
seu tempo! Agora terá que ir Héctor. Tenho meus afazeres e você os seus,
pois seus pais não gostarão se você chegar tarde em casa.
Héctor obedece como se o pedido fosse uma ordem e sai se despedindo
de seu tutor. Eurífones, ao ter certeza que Héctor já tem partido aproxima-
se novamente da espada a pega, contempla novamente, empunha seu cabo

42
O despertar do imortal
como se fosse tirá-la da bainha, mas se contém e sorri sozinho.

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO

CAPÍTULO III - O
ENCONTRO COM O GUERREIRO

“Senti a magia nesse garoto, se tivesse sido


treinado seria um bom guerreiro, por isso não o
matei!”

Tranqüilamente Héctor volta para sua casa, no trote que marca seu
cavalo, a estrada é estreita, as árvores estão verdes e mal dá pra ver
distante. A curiosidade o persegue o tempo todo. Seu pensamento está na
história dos Aciras, na beleza e esplendor da espada de seu tutor e na magia
que transformou areia em fogo. De repente um silêncio fúnebre enche a
floresta, o cavalo de Héctor pára nervoso como se não quisesse continuar no
caminho. Algo se move na copa das árvores, sorrateiramente, pula de uma
árvore para outra, Héctor pensa até ser macaco, mas é muito grande, do
tamanho de um humano. Ele ouve novamente o movimento, vê o vulto de mais
outro ser movendo-se entre as árvores, ele fica pálido, devagar, segurando as
rédeas com firmeza, ele dá meia volta no cavalo. Começa a perseguição. Gritos
grotescos se espalham pela floresta, gritos de ódio e fúria. Seu cavalo dispara
aterrorizado, folhas e galhos se quebram na copa das árvores, os seres saltam
com uma agilidade incrível, Héctor não olha para trás, mas guiado pelo som
dos galhos ele percebe que seus perseguidores se movimentam mais rápido
que seu cavalo aproximando-se cada vez mais.
Um dos seres salta vorazmente no pescoço do cavalo, num relance
Héctor vê uma figura com características humanas, mas de pele negra como
carvão, olhos vermelhos e fumaça acinzentada saindo de seus poros a redor
de todo seu corpo, garras e dentes afiados estraçalham o pescoço do cavalo
que indefeso tenta em vão escapar do ataque. Héctor cai bruscamente; por

44
O despertar do imortal
sorte em arbustos que amortecem sua queda.
Ao levantar-se ele vê mais três seres negros e fumacentos devorarem
seu cavalo. Os seres se alimentam desordenadamente, um atacando o outro
pela carne do animal agonizante, são seres magros e altos, com uma definição
muscular bem sutil e marcas de luta pelo corpo, vestidos em roupas de
guerreiros, o tamanho indicava que não foram feitas para seus corpos. Por um
instante Héctor pensa que está a salvo, ele levanta-se devagar, ainda tonto,
esperando que os seres não percebam sua movimentação e posiciona para
correr, um dos seres salta da copa de uma árvore na frente de Héctor
impedindo sua passagem. O ser fica curvado e com o corpo rígido fazendo um
barulho gutural, mostrando os dentes afiados e surpreendentemente
consegue falar, com uma voz horrenda e rouca.
“Está com medo humano? Isso... fique com medo!” O ser demonstra um
sorriso grotesco enquanto fala, seu hálito está podre e aparentemente está
faminto, intimidando o jovem o ser continua: ”O medo dá um sabor especial à
carne humana.”
O jovem, sem saber o que fazer, tenta correr o mais rápido que pode. O
ser salta em cima dele e o derruba. Héctor está dominado e aparentemente
não pode fazer nada, por possuir uma força muito maior que a do garoto no
ser fumacento impossibilita o jovem de usar as técnicas de luta que seu pai o
ensinou, ele fica apenas tentando dar socos desordenados contra seu inimigo.
O ser imundo baba na expectativa de alimentar-se da carne do jovem, as
esperanças de Héctor já estão no fim quando o ser, segurando seus pulsos
prepara-se para atacar a garganta de Héctor que luta em vão.
Um som agudo de lâmina cortando o ar é ouvido seguido de uma voz
grave: ”Morra ífrit.”
O ser grita de dor quando sente ser perfurado por uma lâmina de uma
espada que o atinge mortalmente atravessando-o na altura de sua omoplata, a
espada permanece cravada no corpo do ser que cai de lado agonizando. Héctor
vê ao longe um ser semelhante a um cavalo negro, porém seus membros
estendem-se para cima em forma de asas, Héctor lembra da descrição dada
por seu mestre de um animal alado das terras de Radanúria, aquele era um
caválado.
Montado no ser alado, vestindo um manto negro que cobre todo o seu
corpo, há um homem fumando um cigarro. Seu rosto está coberto por um
capuz sendo impossível ver o seu rosto, ele segura as rédeas com vigor, sua
postura é de um homem sem medo, um verdadeiro guerreiro. Ele traga a
última ponta do cigarro adocicado e joga a bagana no chão, um movimento
brusco do homem faz o caválado disparar a galope, prestes a pisotear Héctor,

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AS ESPADAS DO IMPÉRIO
que põe os braços sobre a cabeça e um salto é dado sobre o jovem que se
encolhe para se proteger.
O homem tem o controle completo sobre o animal alado que abre suas
asas de penas negras e verticalmente se esquiva sob as árvores com uma
destreza inacreditável, os seres gritam ao perceberem que o homem
aproximasse e se preparam para atacar. Héctor fica em êxtase ao ver que o
guerreiro salta do cavalo com uma habilidade inacreditável, um salto mortal a
tempo que os seres também saltam atacando. O homem ricocheteia nas
árvores num balé acrobático, Héctor então vê algo mais inacreditável ainda:
uma espada sai de sua cintura como se possuísse vida própria, sem ao menos
ser tocada, degolando um dos seres. O jovem mesmo ainda atordoado,
visualiza cada detalhe da movimentação da espada que flutua nas
proximidades do corpo do guerreiro. Quando o guerreiro toca o chão um dos
seres o agarra por trás, com abraço de preguiça. Por dentro do manto surgem
mais duas espadas que subitamente perfuram o ser na altura do estômago e
movimenta-se como uma tesoura, partindo-o ao meio. O homem abaixa-se
mantendo as mãos semi-abertas em posição de ataque, as espadas voltam para
suas bainhas ainda sem serem tocadas.
Ele não vê os seres e ainda faltam dois. Silencioso um dos seres está em
cima do homem, na copa das árvores. Sob o olhar atendo de Héctor o
guerreiro de manto negro se movimenta olhando para todos os lados e nada
vê, então o ser salta direto sobre seu corpo, sem poder esboçar reação o ser
fumacento é atacado por quatros espadas que saem de baixo do manto do
guerreiro, antes mesmo de tocar o chão o corpo do ser está completamente
dilacerado pelos rápidos golpes desferidos pelas espadas que permanecem
flutuando no ar, sob o controle total do guerreiro de manto negro que
permanece tranqüilo.
“Eu venci!”, diz o guerreiro de forma quase inaudível.
Héctor está um pouco distante, devido à queda está machucado no
joelho, ele levantasse e observa a espada cravada no corpo do ser morto no
chão. Então ele é atacado pelas costas por um dos seres que o arranha no
ombro. Héctor cai de bruços, próximo ao ser cravado com a espada, e não vê
outra alternativa a não ser empunhá-la e atacar o ser.
Ao tocar o cabo da espada um instinto toma conta de Héctor. Suas
escleras tornam-se negras, seus músculos tensos, algo que ele nunca sentiu
antes. Num movimento rápido ele descrava a espada do corpo esquiva-se de
um ataque do ser e corta-lhe a garganta que espalha um pulso de sangue negro
que se transforma em fumaça, o ser cai pondo as mãos na garganta
agonizando, o olhar do guerreiro se direciona para o Héctor que mantém a

46
O despertar do imortal
espada apontada para o ser.
O corpo dos seres mortos começa a fumaçar espalhando uma névoa
negra pelo ambiente incomodando Héctor fazendo-o afastar um pouco para
longe. O estranho guerreiro aproxima-se de Héctor que tosse incomodado
com a fumaça que sai dos corpos dos seres, suas espadas vêm rumo a ele como
por magia, flutuando no ar ao seu redor, aparentemente um poder invisível as
domina.
Os movimentos da espada agora são lentos, de um lado para o outro,
gracioso como uma dança. Esse mesmo movimento gracioso e desordenado é
interrompido, as espadas se posicionam bruscamente cada uma na entrada de
suas respectivas bainhas. Héctor, com seu conhecimento de ferraria,
identifica cada tipo de espada que ali flutua, há um sabre amazônico, um
florete de duas lâminas, uma espada bárbara e uma esgrima posicionadas na
altura das costas do guerreiro, uma acimitarra, um gládio de porte grande e
uma katana posicionadas na altura de sua cintura, numa sincronia perfeita as
espadas se embainham sozinhas. O homem pára em frente a Héctor e olha
para o ser morto no chão, que se transforma em fumaça pouco a pouco a ponto
de já ser visível seus ossos. O guerreiro estende a mão como se ordenasse
que Héctor entregasse a espada, sua mão treme, parece estar se esforçando
ao máximo para trazê-la para si como fez com as outras, estranhamente o
homem olha para sua mão e diz com uma voz grava e poderosa, que envolve
Héctor em medo.
“Largue a espada menino! Agora!”
Héctor abaixa-se e põe a espada no chão, como fez as outras a espada
segue o movimento da mão do guerreiro, é uma espada crissaegrim, de lâminas
paralelas e altamente afiadas, com detalhes em uma língua estranha no seu
cabo. Sob o comando do guerreiro ela flutua, se direciona para sua cintura e
se embainha sozinha. Ele segura o garoto pela sua camisa e o puxa
bruscamente para ver o ferimento no seu ombro e em seguida olha para seu
rosto. Héctor consegue ver um pouco do semblante do guerreiro que acabara
de salvar a sua vida,mas ele apenas vê a cor de sua pele negra como a dos
povos da região de Piramidara, então o homem fala com um tom nada amigável.
“Seu arranhão está cicatrizado, isso não é possível, os ferimentos
ocasionados por um ífrit demoram meses para cicatrizar.” O guerreiro
empurra o garoto indefeso que por pouco não cai, e continua: ”Você empunhou
uma espada Acira e matou um maldito ífrit. Onde você aprendeu a arte da
magia guerreira?”
Héctor permanece calado, com medo de falar o que não deve e piorar a
situação. O guerreiro insiste: ”Você é um guerreiro Acira ou é Sema? Diga, se

47
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
quiser realmente viver!”
Héctor fica com medo, sua frio, mas tenta não demonstrar. O homem se
põe em sua frente com vigor o encara muito próximo podendo Héctor ver a
cor negra de sua pele novamente e um pouco de seu cavanhaque fino, ele vê
também uma das transas de seus cabelos caírem, transas essas
características dos nômades dos Desertos dos Gigantes.
O jovem lembra-se do comportamento de seu mestre quando fala e
tenta imitá-lo.
(Héctor) __ Não, não sou Acira, nem isso que você falou... Sema.
“Então quem é você? Como empunhou uma espada Acira? Mostre sua
mão moleque!” Diz com um som de autoridade, quase gritando.
(Héctor) __ Não sei! __ fala Héctor mostrando a palma de suas mãos.
O homem segura na mão do jovem como se procurasse algo, Héctor
então percebe profundas cicatrizes na palma e no dorso da mão do guerreiro
que solta sua mão de maneira brusca.
“Tem sorte por ser muito jovem moleque, ainda não merece morrer!”
O homem vira-se e caminha rumo ao seu cavalo alado e o monta. Héctor
caminha atrás com mil perguntas para fazer.
(Héctor) __ Senhor qual é o seu nome? Quem são esses seres? Você é
um Acira?
“Eu não sou um Acira seu estúpido!” Diz ele com uma voz empostada,
alta quase como um grito e apontando o dedo rumo ao rosto do garoto: “Tem
sorte por deixá-lo vivo depois de ter tocado minha espada”..
(Héctor) __ Obrigado por ter me salvado guerreiro.
“Eu não te salvei!” Fala o guerreiro sem nenhum transtorno. Ele arruma
suas vestes escondendo suas espadas.
O homem então cavalga entre as árvores e após uma breve cavalgada
seu caválado levanta vôo entre a copa das árvores. Héctor sai rápido do local
e caminha o mais rápido possível para casa. Ao chegar em casa ele encontra
seus pais quase em desespero pela demora do filho que chega em casa duas
horas depois do esperado, já no anoitecer.

48
O despertar do imortal

CAPÍTULO IV – UM
CONVITE IRRECUSÁVEL

"Eu ache muito esquisito quando encontrei


vestígios de material de estudo no alto da colina. A
posição da pedra, vestígios de carvão e de papiro,
tudo indicava que era um local de estudo. Eu me
perguntei se algum de meus alunos estudava por lá,
cheguei à conclusão que não, é um lugar bem distante,
desolado e se algum deles realmente estudasse lá me
contaria. As marcas das pegadas mostravam que ele
chegava, se acomodava na daquela pedra e ficava
direcionado rumo as minhas aulas, quando resolvi
verificar os fragmentos de papiro não reconheci a
caligrafia, mas reconheci o que estava escrito, eram
os meus ensinamentos. Seria possível alguém
assistindo minhas aulas daquela distância? Foi então
que decidi colocar um de meus alunos para verificar
se alguém permanecia por lá durante minhas aulas.
Foi surpreendente, o garoto assistia a minhas aulas
de uma distância que só seres alados poderiam
enxergar. Fiquei fascinado por aquela habilidade.
Mais fascinado ainda fiquei depois que comecei
Héctor, um jovem humilde, mas extremamente bem
educado, simpático e inteligente. Senti a magia em
seu corpo, um poder mágico semelhante ao meu
quando era jovem também. Aquele garoto não poderia
ir para o exército, seria um desperdício, ele deveria

49
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
ser treinado nos métodos Acira, poderia se tornar
um guerreiro. Pode difícil de convencer Dansri a isso,
ele sempre respeitou os princípios Acira, não poderia
treinar alguém naquela idade, mais eu o convenci. Eles
irão para o templo Acira e lá tem um certeza que
depois de um treinamento com Dansri mostrará suas
verdadeiras capacidades"

Ao chegar em sua casa Héctor conta a seus pais o acontecido, o que os


deixa muito mais preocupados e cautelosos, seus pais fecham as portas e
Hérito se arma com uma de suas espadas para caso algum outro ser como esse
volte a aparecer. Todos vão dormir e mesmo preocupado em proteger sua
família Hérito dorme.
Ao deitar-se Héctor fica relembrando toda a situação vivida a pouco,
lembra do sentimento que encheu seu corpo quando tocou a espada e de todos
os detalhes dela. Algo como um fogo queima por dentro do jovem, um desejo
de possuir uma espada como aquela, ele então resolve usar as ferramentas de
seu pai para fazer uma cópia daquela bela e fantástica espada crissaegrim.
Héctor espera seus pais dormirem, vai até a fornalha que está sempre
acesa, pega o metal necessário e começa a moldar a espada em uma das
lâminas que seu pai trabalha, a fornalha fica um pouco distante de sua casa,
mesmo algumas pancadas na bigorna são abafadas pelas paredes grossas. Todo
o material necessário está disponível para Héctor que trabalha rápido e sem
sono, seus sentidos ficam novamente aguçados e seus olhos voltam a ter uma
cor negra, como se algo o controlasse. Ele continua incansavelmente, essa
noite foi toda dedicada á confecção dessa espada que por mais que ele se
esforce ainda demorará muito para ser terminada.
Após horas de árduo trabalho Héctor senta no chão, com muita dor de
cabeça, algo freqüente que o perturba muito quando ele fica estressado, seu
corpo cansado faz com que ele, sem perceber, caia no sono.
O dia amanhece e seu pai levanta e vê que Héctor não está em seu
quarto.
(Hérito) __ Náila, Héctor está com você?
(Náila) __ Não, Hérito o que ouve?
(Hérito) __ Ele não está no quarto.
Náila sai desesperada, como se algo de mal tivesse acontecido, ela
chama Héctor por várias vezes sem ter o retorno q deseja.
(Hérito) __ Você o encontrou?
(Náila) __ Não! __ Diz Náila angustiada.

50
O despertar do imortal
Hérito lembra da casa de metal onde ele trabalha como ferreiro e
corre para procurá-lo. A porta está aberta e ele entra com cautela segurando
seu antigo gládio, ao adentrar ele vê Héctor deitado no chão e a espada ainda
em processo de confecção em cima da bigorna. Náila chega logo atrás e
suspira de tranqüilidade e conformada. Héctor acorda atordoado e fica pasmo
vendo seus pais.
(Hérito) __ Garoto quase nos matou de susto! O que você está fazendo
__ fala Hérito se aproximando da bigorna e vendo a lâmina semi-modelada.
(Héctor) __ Desculpa pai, não ter lhe falado, pedido para usar seus
materiais, é que eu vi essa espada e ela não saia da minha cabeça, quis fazer
uma igual, mas prometo que não utilizo mais suas ferramen...
Hérito o interrompe com um sorriso!
(Hérito) __ Você estava fazendo uma espada? __ Hérito dá uma
gargalhada e se aproxima do filho e segura-o pelos ombros.
(Hérito) __ Fico orgulhoso de você, não sabia que você se interessava
em trabalhar com metal. __ fala o pai com um sorriso de orgulho.
(Héctor) __ Sempre ficava observando você trabalhar quando eu era
menor.
(Hérito) __ Porque você nunca me falou que gostava de mexer com
ferro?
(Héctor) __ Pensei que o senhor fosse reclamar, você sempre disse que
eu tinha que ser melhor do que você. Pouco usei o martelo e a bigorna para
vocês não acordarem, apenas usei uma de suas lâminas e outros materiais para
modelá-la, nem vi na hora que caí no sono.
Era manhã de domingo, Hérito, empolgado com o interesse do filho pela
metalurgia, passou dia ajudando Héctor, apenas dando as dicas deixando o
trabalho para ele que insistiu em fazê-lo sozinho. A cada instante Hérito se
empolgava mais e mais vendo o trabalho do filho, parecia que Héctor já era um
ferreiro de anos e não um aprendiz fazendo sua primeira espada. O som do
martelo e bigorna ecoava pelo ar e no final do dia a espada estava pronta, bela
e imponente, idêntica a do homem que o salvou dias atrás.
(Hérito) __ Filho... Acho que nunca na vida vi alguém fazer uma espada
rápido assim. __ fala o pai extremamente orgulhoso de seu filho. __ acho que
vou contratá-lo.
Héctor sorri e levanta a espada mostrando-a para seu pai.
(Héctor) __ Lembro de cada detalhe. De seu peso... De sua força...
Acho que ela era a espada mais linda do mundo. __ relembra Héctor.
Na noite de domingo, depois do dia de trabalho árduo, todos estavam
cansados. Náila, Héctor e Hérito já se preparam para dormir quando o dono

51
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
da casa ouve o som de cascos se aproximando a trote. Hérito olha pela janela
e vê que Eurífones e Dansri se aproximam a cavalo, os dois parecem muito
sérios, Hérito se dirige rápido para aporta para receber os visitantes. Náila
percebe a movimentação do seu marido e pergunta:
(Náila) __ Quem está aí Hérito?
Antes mesmo que Hérito possa responder a voz de Eurífones responde
sua pergunta.
(Eurífones) __ Boa noite. Prazer em conhecê-los. Sou Eurífones, tutor
de seu filho __ diz Eurífones.
(Hérito) __ Boa noite professor Eurífones. Boa noite mestre Dansri.
Entrem por favor. É um prazer tê-los em minha casa.
(Dansri) __ Boa noite. __ responde o mestre Acira.
(Náila) __ Entrem. __ fala Náila.
(Dansri) __ Onde está Héctor? __ pergunta Dansri antes mesmo de
adentrar na casa.
Héctor entra na sala no momento em que os visitantes entram pela
porta da frente. Eurífones caminha rumo a Héctor com olhar de alívio.
(Eurífones) __ Héctor, ainda bem que você está a salvo __ comenta o
velho filósofo segurando nos ombros de seu aluno__ Você está machucado?
Conte-me o que aconteceu.
(Héctor) __ Mestre, como você soube que tinha sido atacado? __
pergunta Héctor curioso.
(Eurífones) __ Soldados do rei encontraram seu cavalo morto, fomos
verificar e deduzimos que ele teria sido atacado por ífrits, analisamos as
pegadas e vimos que tinham mais alguém no local montando em um caválado,
suas pegadas mostravam que você tinha se locomovido com velocidade para
casa, mas não sabíamos se estava ferido ou não.
(Héctor) __ Não, não fui ferido. Um homem num cavalo alado me salvou,
quer dizer não sei se ele me salvou, parecia mais que ele estava caçando os
seres, esses ífrits. __ fala o jovem respondendo.
(Eurífones) __ Conte-me como tudo aconteceu detalhadamente.
Todos se acomodam, Héctor então começa a detalhar o que havia
acontecido. A cada detalhe contado por Héctor, Eurífones e Dansri ficam
visivelmente nervosos, em alguns momentos da descrição os dois se olham
como se quisessem dizer algo um para o outro, quando Héctor descreve o
movimento das espadas eles tem certeza.
(Dansri) __ Não há mais dúvidas mestre, é ele! __ fala Dansri com
firmeza.
(Eurífones) __ Acredito que sim Dansri. __ responde o filósofo.

52
O despertar do imortal
(Héctor) __ Quem mestre? __ diz Héctor olhando para os dois __ Ele
não me disse seu nome, gostaria de saber quem ele era.
(Eurífones) __ Um guerreiro arrogante, Héctor.
(Héctor) __ É... Deu pra notar mesmo. __ fala o jovem lembrando os
modos nada cordiais do guerreiro.
(Eurífones) __ Um homem sem sentimentos. Um caçador que não teme
nem mesmo a morte!
(Héctor) __ Quem? __ pergunta insistentemente o jovem sucumbindo
às palavras de seu tutor.
(Eurífones) __ Ele é Áian Rairoth! __ responde o filósofo expressando
na voz uma aversão e respeito ao guerreiro.
As palavras de Eurífones despertam mais curiosidade do que temor em
Héctor. Ele se pergunta quem seria esse guerreiro e o que levara ele a estar
nessas terras, seu raciocínio é interrompido por seu tutor ao novamente fazer
uma pergunta.
(Eurífones) __ Você disse que matou um ífrit... Como você fez isso? __
pergunta Eurífones pergunta ao garoto que aparenta estar um pouco distante.
(Héctor) __ Usei uma das espadas desse tal guerreiro.
(Dansri) __ Você usou uma das espadas de Rairoth? __ pergunta Dansri
que permanecia atento a tudo que o jovem falava.
(Héctor) __ Sim, eu matei o ífrit com uma delas!
Hérito que estava calado, fala desengonçado e com orgulho.
(Hérito) __ Depois que Héctor chegou em casa ele fez uma cópia da
espada! Onda está Héctor?
(Héctor) __ No meu quarto, embaixo da minha cama.
(Eurífones) __ Você nunca me disse que era ferreiro! __ diz Eurífones
aparentemente surpreso com uma nova habilidade do jovem.
(Héctor) __ Aprendi vendo meu pai concertando espadas.
(Eurífones) __ Traga-a Hérito, gostaria de vê-la.
Hérito vai então buscar a espada e a traz enrolada em um manto
avermelhado e entrega a Eurífones, que desenrola não tão entusiasmado. Ele
espera uma espada simples, porém engana-se.
A surpresa e instantânea. Tanto Eurífones quanto Dansri ficam pasmos
com a beleza da espada. É idêntica á espada de um guerreiro supostamente
morto por Áian Rairoth. Um cabo longo e negro, a parte inferior do cabo tem
escritas em uma língua astaroniana e a parte superior do cabo é pequena e
voltada para baixo com desenhos geométricos pequenos, a lâmina e
afiadíssima e havia umas inscrições da base a ponta da lâmina de um só lado.
(Dansri) __ É idêntica! __ diz Dansri surpreso!

53
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Eurífones) __ Seu pai deve ser um excelente ferreiro. Você deve ter
herdado esse dom dele.
(Héctor) __ Foi a primeira que eu fiz, até então só olhava meu pai
fazer.
Eurífones entrega a espada e Héctor levanta-se e prepara-se para sair.
(Eurífones) __ Você irá para as aulas amanhã Héctor?
(Héctor) __ Sim mestre irei, meu pai tem outro cavalo.
Hérito o interfere.
(Hérito) __ Não! E se outro desses seres aparecerem por ai? Mesmo
assim não será por muito tempo que Héctor continuará seus estudos, em
breve estará na idade de servir o exército.
(Eurífones) __ Quando tempo falta para você completar a idade militar.
__ fala o tutor.
(Héctor) __ Cinco meses, eu acho.
(Náila) __ Não sabemos ao certo o dia do nascimento de Héctor,
comemoramos no dia dois de dezembro que é o dia em que a sua verdadeira
mãe deixou-o sobre nossos cuidados. __ fala a mãe fazendo Eurífones notar
que algo falta ser contado nessa história.
(Eurífones) __ Sim. Eu pedi mesmo a Dansri para perguntar a vocês, no
dia que ele veio deixar seu filho em casa, sobre a família de Héctor. Ele tinha
me dito que era adotado por vocês, só que notei que suas características não
são das famílias fegorianas.
(Hérito) __ A mãe de Héctor morreu depois de nos entregar ele ainda
bebe. Isso foi nas florestas de Nalve há dezesseis anos. __ fala o pai do
jovem.
(Náila) __ Nós não podíamos ter filhos e eu e meu marido fomos
consultar um mago que morava naquela região.
(Eurífones) __ Eurívedes. __ fala Eurífones completando o raciocínio.
(Hérito) __ Esse mesmo você o conhece? __ pergunta Hérito.
(Eurífones) __ Sim, o conheço. __ responde o tutor. __ deixe-me ver...
__ diz Eurífones pondo a mão na sua fronte __ você disse que encontraram
Héctor depois de terem falado com o mago Eurívedes. Isso aconteceu no
segundo dia de dezembro, Héctor irá completar dezessete anos de idade
nesse ano, então isso aconteceu no dia dois de dezembro de 3500.
Os pais do jovem confirmam. Eles ficam um pouco incomodados, não
sabem a real intenção do filósofo, por isso não complementam os fatos.
(Eurífones) __ Certo. __ fala o tutor com firmeza. __então eu e Dansri
teremos que ir.
Eurífones fica pensativo e aparenta ter chegado a uma conclusão.

54
O despertar do imortal
(Eurífones) __ Mandarei alguns dos guardas virem amanhã para
acompanhá-los, quero que vá com seu pai e sua mãe para a aula, lá
conversaremos. Mesmo assim não se preocupem, o rei Frauter já deu o alerta
para seus guardas ficarem atentos a movimentação de seres estranhos por
nossas terras.
Dansri e Eurífones se despedem educadamente. A família espera os
visitantes se distanciarem e trancam suas portas com medo dos seres que
possam estar nas terras de Fegor e todos vão dormir para o dia seguinte ir
para a aula. No caminho aluno e mestre conversam.
(Dansri) __ O que você achou da história do garoto mestre?
(Eurífones) __ Ele não pode estar mentindo. Tudo que ele contou se
encaixa perfeitamente. Os rumores são verdadeiros, Rairoth não morreu na
luta contra Tartum. Surpreendente foi a cópia da espada que o garoto forjou,
idêntica à Espada do Império de Astarônia. __ responde o mestre.
(Dansri) __ Sim a magia permeando o garoto. __ comenta o guerreiro
para seu mestre.
(Eurífones) __ Percebi isso desde o dia que o vi pela primeira vez. A
data em que eles falaram que receberam Héctor é a mesma em que Eurívedes
começou a ter seus problemas de insanidade. Ele me contou que um casal o
procurou e a partir desse dia visões o perturbavam.
(Dansri) __ Pelo menos ele está um pouco menos atacado por esses
problemas.
(Eurífones) __ Verdade. __ confirma o tutor.
(Dansri) __ O que você vai fazer com o garoto agora? Ele só terá cinco
meses para estudar e terá que ir para o exército. __ enfatiza o mestre.
(Eurífones) __ O que eu vou fazer? __ fala o filósofo seguido de uma
risada. __ o garoto não vai para o exército. Resolverei isso com os generais do
rei Frauter.
(Dansri) __ Sei... Você vai continuar a ensinar Héctor. __ afirma Dansri
esperando uma confirmação de seu mestre.
(Eurífones) __ Não. Não ensinarei mais nada a Héctor.
(Dansri) __ Não? __ fala Dansri sem entender as intenções de seu
mestre.
(Eurífones) __ Eu não ensinarei mais nada a Héctor. Ele será treinado
por você. __ fala Eurívedes olhando para os olhos de seu aluno.
(Dansri) __ Treinado... Por mim? Isso quer dizer que...
(Eurífones) __ Enviarei Héctor para o templo Acira em Danora.
(Dansri) __ Mestre, você sabe que o Conselho Acira nunca aceitará
Héctor com essa idade nos estudos da arte guerreira Acira.

55
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Eurífones) __ Eu não disse que o Conselho Acira irá saber. Héctor irá
para lá estudar metalurgia, Adrun Anen não poderá recusar um prodígio como
Héctor na metalurgia, principalmente depois do acontecido com ele na
floresta. Depois de alguns meses você começará a ensinara arte das espadas
Acira para Héctor. Sinto que Héctor tem um poder Acira que precisa ser
desenvolvido. Você será o mestre de Héctor.
(Dansri) __ Isso é contra as leis que jurei cumprir mestre, as leis que o
senhor mesmo me ensinou. __ fala Dansri mostrando uma confusão mental que
o incomoda.
(Eurífones) __ É verdade, mas isso precisa ser feito.
(Dansri) __ Sei que você está certo mestre, cumprirei suas ordens, mas
isso só depois que Héctor se mostrar capaz de entender o poder Acira.
(Eurífones) __ Ele entenderá em breve meu aluno, ele entenderá mais
cedo do que você possa imaginar.
A noite passa tranqüilamente para todos em casa. Quando o dia
amanhece, Náila, Hérito e Héctor partem rumo à aula de Eurífones, curiosos
para saber o porquê do convite feito a eles.
Os pais de Héctor ficaram encantados com a beleza do jardim de
estudos, eles são muito bem recebidos por Dansri que leva Náila e Hérito para
uma sala próxima e Héctor vai para a aula. Durante a aula os pais de Héctor
conversam atentamente com Dansri que permanece sempre sério.
Ao final da aula Eurífones chama Héctor e o leva para a sala onde seus
pais o esperam. Náila ao ver seu filho entrar ela corre e o abraça forte
deixando-o confuso.
(Héctor) __ Mãe, o que está acontecendo? __ fala o jovem sentindo o
abraço forte da sua mãe.
(Dansri) __ Não se espante Héctor, não é nada para se preocupar.
Hérito segura sua mulher e fala para seu filho
(Hérito) __ Filho, Dansri tem algo a lhe falar, escute com atenção.
O nervosismo toma conta de Héctor, por ser tão jovem e inexperiente
fica envergonhado de falar com Dansri. Ele senta e espera com os dedos
entrelaçados.
(Eurífones) __ Pedi para Dansri conversar com seus pais. Eles já estão
sabendo de tudo, pelo que vejo eles entenderam. Escute com atenção. Daqui a
poucos meses você terá que ir para o exército e lá permanecerá até os 25
anos, conseqüentemente terá que deixar seus pais. Bem, vi que você é um
garoto muito inteligente, sempre está bem em minhas avaliações de
conhecimento, você também tem habilidades físicas surpreendentes, nunca vi
uma pessoa normal com visão e audição igual a sua, mas que mais me

56
O despertar do imortal
surpreende foi o acontecimento de dias atrás, quando você foi atacado por
ífrits. Você matou um deles usando uma espada Acira, além de forjar uma bela
cópia de uma crissaegrim Acira das terras de Astarônia. Bem, Dansri tem um
convite para lhe fazer.
Héctor volta o olhar para Dansri imediatamente curioso para saber qual
seria o convite.
(Dansri) __ Héctor, você gostaria de ir estudar filosofia e metalúrgica
no templo Acira em Danora?
Um sentimento nunca antes sentido por Héctor toma conta de seu
corpo, um sorriso brota instantaneamente do seu rosto empolgado. Ele para
por um instante, ao perceber que terá que se afastar de seus pais, e olha para
eles com dúvidas nos olhos.
(Héctor) __ Mãe, pai o que vocês dizem?
Sabiamente Hérito abraçado com Náila fala.
(Hérito) __ Durante a aula nos conversamos com Dansri sobre isso. Eu
e sua mãe chegamos a conclusão que você decidiria. A decisão é sua, meu filho!
O jovem fica em silêncio por alguns segundos, ele suspira demonstrando
que sua mente está inquieta, todos o olham e esperam sua decisão, então
Héctor levanta decidido e sorrindo diz.
(Héctor) __ Sim, eu aceito. Irei para o templo Acira.
Hérito e Náila se abraçam, felizes comemoram, afinal Héctor iria para o
Exército em poucos meses, mas agora iria para uma das melhores instituições
de Veronor, onde só os mais sábios e hábeis eram convidados a ir.
(Dansri) __ Então arrume suas coisas, partiremos daqui a quatro dias.
(Héctor) __ Certo!
Rapidamente a família parte para casa, acompanhada por guardas do rei
Frauter, para casa arruma suas humildes coisas para uma viajem que com
certeza mudaria toda a história de Veronor.
Após a saída dos três Eurífones conversa com Dansri.
(Eurífones) __ Você sabe que tem uma grande responsabilidade nas
mãos. Sinto que algo muito especial nesse garoto.
(Dansri) __ Terei prazer em ensiná-lo como você me ensinou mestre.
(Eurífones) __ Não me faça lembra isso Dansri, as coisas mudaram. Mas
quero que me prometa algo.
(Dansri) __ Diga mestre.
(Eurífones) __ Cumprirá o combinado. Treine-o com as técnicas das
espadas Acira.
(Dansri) __ Cumprirei. Mesmo sendo contra as leis Acira eu cumprirei.
(Eurífones) __ Eu sei, meu aluno. Por isso estou mandando você com ele,

57
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
será você quem vai treiná-lo. Treine-o em segredo. Eu sinto quando alguém
tem potencial, se você não fizer isso perderemos um grande guerreiro Acira.
(Dansri) __ E se o Conselho Acira descobrir?
(Eurífones) __ E se, não! Quando o Conselho Acira descobrir não poderá
fazer nada, pois terão um dos maiores guerreiros Acira ao seu lado.
Os três voltaram com cuidado para casa sendo que os pais de Héctor
estavam muito orgulhos pelo convite feito ao seu filho. Estudar no templo
Acira é algo sonhado por muitos, mas poucos têm essa chance, pois só se pode
estudar lá quem é convidado por um mestre Acira. Lá os estudantes aprendem
diversas áreas do saber, ganham respeito, muitos se tornam pessoas
importantes nos seus reinos, e como num sonho os pais de Héctor esperavam
tudo isso para ele. Durante toda a viajem seus pais o aconselhavam, ensinam,
falam, riem num clima de amor e amizade. Depois de chegarem em casa, eles
continuam o dia concentrados nos afazeres do dia seguinte. Hérito corta
lenha e Náila alimenta seus cavalos, Náila faz seus afazeres domésticos e
Héctor lê seus livros de estudo.
A noite chega, eles jantam e se preparam para dormir. No quarto Náila
e Hérito conversam.
(Náila) __ Amor, diga pra mim que tudo vai dar certo com Héctor. __
pede Náila esperando conforto nas palavras de seu esposo.
(Hérito) __ Sim amor vai!
(Náila) __ Mas não quero deixar meu filho agora, eu o amo tanto. __
Fala Náila com os olhos começando a encher-se de lágrimas.
(Hérito) __ Náila, eu também não gostaria de deixar nosso filho ir, mas
se ele não for com o mestre Acira agora ele será convocado para o exército.
O melhor é ir estudar com os Aciras. Ganhará conhecimento e sabedoria, será
um ajudante de Acira e um dia voltará. Vamos dormir amanhã é dia duro para
nós.
Eles deitam, Hérito dorme rápido e Náila demora mais um pouco,
preocupada com seu filho e seu futuro. Os dias que se seguem até a viagem
são de preparação, para Héctor esses dia parecem passar mais devagar do
que os outros, a ansiedade é tanta que ele mal consegue dormir direito nas
noites subseqüentes.
O dia da viagem amanhece nublado, Héctor acorda cedo, muito ansioso,
verifica seus pertences, no meio deles ele encontra seu antigo colar, ele o
toca com cuidada, o limpa com a blusa e o coloca no pescoço, sua mãe entra no
quarto e Héctor assusta-se.
(Náila) __ Assustou-se filho? __Fala Náila sorrindo __ Você acordou
cedo.

58
O despertar do imortal
(Héctor) __ Sim mãe, estou muito ansioso.
Nessa hora Náila olha para o colar no pescoço de Héctor, ele observa e
fala.
(Héctor) __ É o colar da minha verdadeira mãe. Depois que você me
contou sobre ela eu não queria usá-lo para não pensar nela, então eu o guardei,
mas agora eu entendo, sem ela eu não estaria aqui, eu o levarei para lembrar
de você e dela.
(Náila) __ E esse colar lhe dará sorte, muita sorte. __ Héctor sorri.
Sua mãe olha nos seus olhos e fala seria.
(Náila) __ As últimas palavras de sua mãe foram para amá-lo com ela o
amou, nós o amamos muito, por isso e que deixamos você ir com Dansri, ele lhe
guiará para o caminha da sabedoria. Filho... usufrua dessa oportunidade com
sabedoria.
Ela então o beija na testa e o abraça, por dentro ela se sente feliz pelo
caminho que seu filho seguirá com os conhecimentos Aciras que ele aprenderá,
e triste por seu filho que ficará longe. Ela sai com os olhos cheios de lágrimas,
disfarça para Héctor não ver, ele então continua a arrumar suas coisas para
esperar Dansri.
Héctor sempre soube que não é filho de Náila e Hérito. Desde criança
eles sempre contaram como ele foi dado a eles no leito de morte de sua mãe,
eles não mentiram, mas não contaram sobre a maneira mágica que isso
aconteceu, que nem mesmo eles ainda entendiam, eles apenas sabiam que
Héctor era especial.
Após alguns minutos, com o frio da manhã ainda arrepiando a pele,
Héctor observa que dois homens se aproximam ao longe montados em animais
brancos, algo chamou a atenção de Héctor para esses animais, como
anteriormente tinha visto no ocorrido com os ífrits e o guerreiro Áian
Rairoth, eram caválados, porém com penas brancas. Héctor saiu de casa para
esperar no jardim admirado com a pureza da cor dos cavalos alados que
estavam montados por Dansri e Eurífones, que chegam sorridentes dando um
contraste de beleza e harmonia ao momento.
(Eurífones) __ Bom dia. __ fala o filósofo.
(Héctor) __ Bom dia mestre. Bom dia Dansri. __ cumprimenta Héctor
ao receber seus convidados.
(Dansri) __ Bom dia. __ responde o guerreiro ao jovem.
Eles descem dos cavalos alados, Eurífones percebe todo o interesse de
Héctor pelos cavalos.
(Eurífones) __ Gostou do cavalo Héctor?
(Héctor) __ Sim mestre. __ responde Héctor sem tirar os olhos dos

59
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
caválados.
(Eurífones) __ Esse é um cavalo alado, da raça dos caválados, são belos
e dóceis, são facilmente domesticados. Você pode tocá-lo. Vamos, toque-o.
Héctor o toca com prazer, procura observar cada detalhe da estranha
anatomia do animal, suas patas em forma de asas e penas e pêlos espalhados
pelo corpo. Enquanto isso os pais de Héctor cumprimentam e convida-os para
entrar e tomar café e comer frutos da época. Após alguns instantes de
contemplação Héctor entra em casa. E vê seus pais e os visitantes tomando
café e conversando.
(Eurífones) __ Sente-se conosco Héctor. __ convida o filósofo tomando
café com pão de trigo.
Ele senta-se.
(Dansri) __ Você já está pronto? __ pergunta Dansri.
(Héctor) __ Sim estou! __ diz Héctor entusiasmado.
(Dansri) __ Não posso garantir sua satisfação no templo Acira. Lá você
irá estudar e, acredito, trabalhar como ferreiro Acira, pois você tem bons
dotes. A jornada é longa, passaremos pela cidade de Parci, depois por Nalve,
em seguida faremos o maior percurso que é para Danora. Levará poucos dias
porque iremos voando nos caválados.
(Héctor) __ Iremos nos caválados? __ pergunta Héctor entusiasmado
com a idéia que quase chega a se engasgar com café.
(Dansri) __ Sim, iremos.
(Héctor) __ Mas eu não sei montar um caválado.
(Eurífones) __ Não se preocupe, é a mesma coisa de montar um cavalo,
só que com asas. __ brinca o velho filósofo.
(Dansri) __ Em Danora acordamos cedo e o dia vai até o sol sumir, claro
com horas de lazer e diversão. Você conhecerá muitas pessoas, conseguirá
amizades, conhecerá novas raças e quem sabe terá contato com a magia Acira,
mas a satisfação dependerá de você, caso não se adapte você poderá voltar
para casa. Você está ciente de tudo não é Héctor?
(Héctor) __ Sim, Dansri, e estou disposto a ir.
(Dansri) __ Pois já está na hora, despeça-se dos seus pais. __ fala
Dansri levantando-se.
Eurífones e Dansri se despedem dos pais de Héctor e vão para fora de
casa, para onde estão os caválados. Héctor por sua vez se despede de seus
pais sentindo um aperto no peito.
(Héctor) __ Pai, mãe, juro que vou estudar muito, farei as melhores
espadas Acira que o mundo já viu. Vocês vão se orgulhar muito de mim quando
voltar.

60
O despertar do imortal
Seus pais que derramam lágrimas e desprendem um sorriso.
(Hérito) __ Nós já nos orgulhamos de você filho, nós o amamos e lhe
demos o direito de decidir. Estude! Seja o melhor, você terá Veronor em suas
mãos, será conhecido por todo o continente.
(Náila) __ Me abrace filho. __ Héctor aproxima-se e dá um abraço
forte em sua mãe que o beija na testa e olha nos seus olhos e segurando em
suas frontes. __ Tome cuidado com tudo. Tudo dará certo, não se esqueça de
nós e de sua terra.
(Héctor) __ Certo mãe. Farei como você diz.
Hérito e Náila o envolvem ao mesmo tempo um caloroso abraço amoroso,
regado a lágrimas de uma saudade que ainda durará, mal sabem do destino que
espera por ele.
Héctor pega seus pertences de uma bolsa de tecido grosso nos bolsos e
a leva para por no lombo do cavalo alado que espera do lado de fora do jardim.
Eurífones pega as coisas de Héctor e coloca na montaria de couro e madeira,
rústica, mas útil, na parte de trás do cavalo. Dansri monta no seu animal à
esquerda de Héctor.
(Dansri) __ Vamos suba, é como andar a cavalo, só é um pouco mais
rápido e não sentimos nenhum impacto.
(Héctor) __ Mas eu nunca montei um caválado.
(Eurífones) __ Não se preocupe, você não sentirá nenhuma dificuldade.
Ao chegar a Danora, Héctor, deixe-o livre, ele sabe o caminho de volta para
casa.
Héctor sobe muito sem jeito, se sente incomodado com as grosas asas
que abrem um pouco para que ele posicionasse as pernas que ficava depois
cobertas pelas asas de maneira vertical.
(Héctor) __ As pernas deles são as asas. __ comenta Héctor ao
perceber a anatomia do ser alado.
(Dansri) __ Sim são. São dois pares de asas. Um nas patas dianteiras e
outro nas patas traseiras e ele ainda usa sua calda como leme. Sou fascinado
por caválados. __ fala Dansri acariciando o animal.
Héctor acena para seus pais que estão na cerca do lado de fora do
jardim, seus olhos começam novamente a lacrimejar, mas ele mantém a
postura para não parecer fraco. Ele segura arreio de couro e aço com força,
quando Dansri dá o sinal para seu caválado os dois disparam em alta
velocidade no vasto campo aberto, os animais são muito rápidos, ganham
velocidade, abrem as asas dianteira mantendo-se correndo com as patas
traseiras antes de decolarem por completo num esplendoroso movimento,
Héctor se adapta rápido ao cavalgar do caválado, mas se assusta com um

61
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
salto, que é o impulso para a decolagem, o barulho das asas rasga o ar, um
sentimento de medo e empolgação o preenche. O vento frio toca seu rosto e
seus cabelos e com poucos instantes ele se sente como se fosse um cavaleiro
de caválados. Seu animal acompanha o de Dansri e assim eles voam rumo a
Parci onde descansarão à noite. Seguirão para Nalve e depois para o reino de
Danora, o reino onde fica a cede do Conselho Acira e o templo Acira. Será
uma viajem de quatro dias, eles e os caválado terão que descansar e se
alimentar, Dansri acredita que tudo está em paz e Héctor confia nas
habilidades Aciras de Dansri, mas nesse momento de calma e tranqüilidade
para os dois algo que irá mudar o rumo da história de Veronor está para
acontecer. Um poder imortal está prestes a ser acordado de seu sono e o
mundo de Veronor não será mais o mesmo com a ira do condenado.

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O despertar do imortal

V – O CÁRCERE DO
CONDENADO

"Aciras malditos... Mantiveram-me aprisionado


por tanto tempo, eles não tinham noção de que eu não
iria desistir. Alimentei todos esses milênios o desejo
de vingança. Encontrarei um novo corpo para
substituir esse corpo decrépito que minimiza minhas
forças, absorverei qualquer poder mágico nesse
mundo aumentando mais ainda meu poder, destruirei
os povos livres desse maldito mundo e ele será todo
meu novamente. Terei o prazer de ver a Ordem Acira
ser destruída pelas minhas mãos, o meu retorno será
o início de uma era de trevas nesse mundo maldito"

Longe do reino de Fegor, o deserto de Maharo separa os reinos do


Oeste dos reinos do Leste, o rio Kwara o circunda, nascido do derretimento
das geleiras da cadeia de montanhas de Kwara, regando a floresta de Kwara
onde vivem as guerreiras amazonas e outros reinos que vivem em suas
margens. O sol escaldante mina as forças de qualquer ser que queira
atravessá-lo desavisado. Muitos morreram lá, mas um grupo de seres, mesmo
tendo muitas perdas, consegue atravessá-lo, mais difícil ainda foi subir a
encosta da montanha, deixando animais, parte da água e alimentos para trás
apenas acreditando em antigos papiros escritos na língua dos anjos. De acordo
com o mentor da expedição essas informações os levarão a encontrar o ser
que foi condenado a viver eternamente em uma prisão no coração da
montanha, sem comida, água ou luz, sendo que a única alternativa para o

63
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
condenado livrar-se de sua condenação seria provocar a própria morte.
Já se passaram meses desde o começo dessa jornada que partira do
reino de Desília leste de Veronor, passando por pontos estratégicos da
jornada essa empreitada enfrentou as tempestades de areia do deserto de
Maharo e o calor do deserto dos Gigantes nas proximidades de Astarônia, o
reino dos povos bárbaros do sul. Depois de muito suplício e dor um dos homens
desse a encosta da montanha gelada, até chegar ao acampamento feito de
tecido e madeira, ele corre até a mais bela tenda onde se encontra seu
mestre. Ao chegar à porta da tenda ele é recepcionado por um ser
repugnante, veste rasgadas e pele grossa, olhos fundos sem sobrancelhas, não
possui cabelos, orelhas pontudas mostrando um tenebroso sorriso, corcunda e
desengonçado, com uma espada rústica embainhada, garras no lugar de unhas,
pés descalços com apenas três dedos, um atrás e dois na frente, não tinham
pelo no corpo, para se esquentar no frio intenso usava asas de couros
envolvendo-o, asas essas que pareciam asas de morcego. Era um gárgula, seres
a muito tempo banido do mundo de Veronor para as florestas do oriente,
localizadas a leste das montanhas de Kwara. Essa raça é conhecida por sua
maldade, impiedocidade e por camuflarem seus corpos como se fosse pedra.
Ao chegar próximo o homem que treme de frio ouve a voz aguda e estridente
do gárgula.
“O que quer aqui humano? Belto não quer ser incomodado!”
“Trago boas notícias para Belto, deixe-me entrar ser asqueroso.”
O gárgula grune como um animal, repugnando o humano, em seguida
entra para avisar seu mestre, pouco tempo depois ele volta e fala.
“Entra logo humano. O mestre o espera” O homem entra e o gárgula o
segura pelo o ombro e fala ironicamente.
“Espero que não seja uma notícia tão boa assim, faz dias que não temos
carne humana no cardápio”! O gárgula ri e o homem da um soco na mão do
gárgula e entra.
A tenda parece muito confortável com tapetes no chão, água e comida a
vontade, no fundo da tenda um ser está deitado com dois outros seres em
uma cama de pele branca. Apenas um dos seres é humano, uma mulher branca,
cabelos negros e sedosos corpo escultural deitado do lado direito do ser, do
outro lado uma gárgula, aparentemente fêmea, pois tinha cabelos compridos e
seios, a pele era avermelhada, corpo muito parecido com a de uma humana.
Ambas as fêmeas estavam nuas, apenas cobertas pelas asas do ser que
permanecia entre as duas sendo acariciado, deitado iluminado apenas por um
lampião, dentro da penumbra da tenda.
Enquanto as fêmeas se deliciavam beijando e acariciando o ser que fala

64
O despertar do imortal
com uma voz suave e o tom bem humano.
“Espero que seja algo muito importante soldado, sabe que eu não gosto
de ser importunado, muito menos quando estou com minhas musas.”
“Desculpe mestre Belto, mas é algo muito importante. Encontramos o
calabouço do condenado.”
O ser levanta apenas segurando um cobertor de tecidos tirando seu
rosto da penumbra que antes o escondia revelando-lhe uma aparência de um
humano de aproximadamente quarenta anos. Seu rosto é largo, cabelo curto e
espinhado, olhos vítreos como o céu, barba rala, nariz fino, sobrancelhas
delineadas, corpo musculoso e peito cabeludo, suas unhas não parecem unhas,
parecem garras e algo muito incomum, asas de gárgula se abrem. Tenebrosa e
hostil uma larga gargalhada sai da boca de Belto ecoando pelas rochas da
montanha espalhando-se pelo ar.
Belto convoca seus subordinados e sobe a montanha gelada, logo chegam
à entrada de uma caverna escura, eles acendem as tochas e entram, com Belto
estão oito gárgulas e dez soldados humanos armados, aos pouco eles avançam
nas profundezas da caverna, lá vêem armadilhas desarmadas, muitos
esqueletos e corpos recém dilacerados, esmagados, homens que entraram na
caverna do condenado em nome de Belto e morreram. Demora muito até
chegarem a um amplo salão cheio de inscrições, estátuas de anjos apontando
para cima. O chão está sujo com fezes de morcegos, tochas colocadas nas
paredes iluminam todo o salão. Belto fica deslumbrado com a altura da imensa
câmara quando seus subalternos acendem todas as tochas, é um salão que tem
quase cinqüenta metros de altura, e no alto, pendurado por grossas correntes
presas ao leito da caverna, uma espécie de jaula cilíndrica de aço, mal dá para
vê-la, mesmo assim Belto fica empolgado.
(Belto) __ Eu sabia que o encontraríamos, eu sempre soube. Agora
Veronor sucumbirá ao meu poder, o condenado voltará. Vamos rápido,
arranjem um jeito de descer essa jaula.
“O sistema de roldanas está muito enferrujado, mas ainda funciona,
dentro de duas horas nós poderemos descer a jaula.” fala um dos soldados de
Belto.
(Belto) __ Então andem rápido, não tenho tempo a perder.
Ele vira-se e pede para um dos seus subalternos para montar um local
de descanso para ele.
As duas horas se passam rapidamente, irritando Belto que espera
ansioso, os três mil e quinhentos anos tornaram as engrenagens muito
enferrujadas e leva mais de quatro horas para conseguir destravá-las. O
ringir de correntes ecoa pelas paredes da caverna. Belto levanta e ansioso

65
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
espera o lento baixar da jaula.
(Belto) __ Cuidado, desçam devagar, essa jaula é uma armadilha mortal
para o ser que está dentro dela.
São quatro correntes perpendicularmente ligadas ao topo da jaula, que
devem ser descidas ao mesmo tempo por engrenagens, há roldanas de aço
ligadas ao teto que fazem um barulho agudo, possivelmente não estão
rodando, os homens que rodam as engrenagens se esforçam muito para
segurar o gigantesco peso da jaula. Repentinamente uma das roldanas do teto
se arranca, derrubando uma das correntes em cima dos homens que rodavam
as engrenagens, esmagando-os. A jaula balança de um lado para o outro no
teto suspenso apenas por três das correntes, Belto quase se desespera ao ver
tudo acontecer, ele grita e dá ordens para descerem bem mais devagar com
pena de serem punidos com a morte caso causem algum dano ao condenado.
(Belto) __ Seus estúpidos, tenham mais cuidado! A vida de vocês
dependerá disso.
Com muito mais cuidado os subalternos dessem a jaula, até que toca o
chão sujo. Todos ficam curiosos e esperam encontrar o ser que foi condenado
a eternidade na jaula, gárgulas e humanos aproximam-se segurando tochas
para ver o ser que está entre as grades da jaula, quando eles se aproximaram
é que podem identificar cada detalhe da jaula; são grades grossas, vinte
verticais e horizontais, na parte interna da jaula, na união das grades
verticais e horizontais, lâminas longas pontiagudas ainda afiadíssimas, no
resto do prolongamento lâminas menores com as mesmas características,
obviamente a utilidades dessas lâminas é a não possibilidade de encosta-se;
deduz-se que essas lâminas ferissem de modo mortal quem tentasse
movimentar-se ou fugir.
Dentro da jaula está um ser muito diferente do que Belto tinha em
mente. Belto esperava um ser robusto, imponente, um verdadeiro líder, mas
ele se decepciona bruscamente. Apenas um corpo seco, apenas pele e osso, de
joelho, com lâminas atravessando abaixo de seus punhos entre os dois ossos
do braço, como se sustentasse o corpo, a cabeça baixa sem cabelos, boca
semi-aberta, roupas muito velhas, rasgadas, em suas costas uma espécie de
asas depenadas pelo tempo. Aparentemente está morto.
(Belto) __ Uma múmia? Uma múmia! Não era isso que eu esperava, esse
desgraçado era imortal, mas ele só poderia morrer se provocasse a própria
morte. O idiota se matou perfurando os próprios pulsos. Levem esse maldito
corpo, o levaremos para Desília, lá os alquimistas retirarão a essência da
imortalidade dessa coisa.
Um sentimento de decepção toma o rosto de todos. Levará dias para

66
O despertar do imortal
voltarem para Desília, uma cidade nas proximidades do Reino de Rome,
dominada pelo rei Akun que governa Desília de modo despótico, escravizando
povos e pouco respeitando os tratados de paz entre as cidades, os impérios,
tratados esse que são definidos pelo Conselho Acira, um Conselho que
regulamenta a paz no mundo de Veronor. Em Desília há as Arenas Olímpicas,
uma imensa construção circular que comporta milhares de pessoas, onde
aconteciam as atividades esportivas entre os reinos do mundo todo, depois
que Akun se tornou rei de Desília as disputas esportivas foram suspensas
pelos Acira com medo de traições e emboscadas.
Sobre florestas, estepes e outras paisagens a viagem de Héctor e
Dansri dura vários dias. É uma viagem que se passa tranqüila, nesses dias
Héctor domina a técnica que cavalgar caválados. Eles passam por vários
vilarejos e cidades, vêem belas paisagens até chegar a cidade de Danora, onde
se encontra o templo Acira. A cidade é belíssima, com casas térreas,
calçamento de pedra paralelepípedas, tabernas e centros comerciais
pequenos, as casas de Danora são pintadas de várias cores claras com portas
de madeira, há muitas árvores nas calçadas, os pássaros voam pelos céus da
cidade junto com os dois.
Dansri e Héctor pousam suavemente dentro da cidade no que eles
chamam de aladoporto, local de pouso de seres alados. Héctor fica
deslumbrado com os seres alados que lá se encontram, há caválados, grifos e
águias gigantes, observa Héctor ainda montado no seu caválado.
(Dansri) __ Desça logo Héctor. Temos que dar espaço para os outros
seres alados que aqui chegarão.
Eles descem dos caválados, um garoto chega e pede para cuidar dos
animais, Dansri entrega-os ao menino e pega em sua cabeça e sorri.
(Dansri) __ Cuide bem desse, esse outro pode mandá-lo para o oeste,
ele saberá voltar sozinho. __ fala Dansri para o garoto.
Héctor pergunta:
(Héctor) __ Quem são esses garotos?
(Dansri) __ São meninos que cuidam dos caválados, são confiáveis,
quando eu voltar darei uma moeda para ele, é sempre assim. Héctor, quero
mostrar-lhe um lugar antes de irmos para o templo Acira.
Eles saem caminhando pela bela cidade, andam por ruas estreitas e se
esquivam das carroças, logo chegam a um estabelecimento onde está
entalhado em madeira “casa das espadas”.
(Dansri) __ É aqui Héctor, quero que você conheça um arsenal de
espadas que meu amigo faz.
Eles entram, Héctor se encanta com a beleza das espadas expostas nas

67
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
paredes, nas estátuas e nos bonecos de madeira que seguram as espadas.
Dansri vê dono da loja e fala.
(Dansri) __ Leviro, amigo... Como vai? Diz Dansri fazendo uma
reverencia com a mão direita de seu próprio ombro curvando-se levemente.
(Leviro) __ Muito bem Dansri, e você meu amigo? Ele também
referencia seu amigo, olha para traz de Dansri e vê Héctor, __ Diga garoto, o
que deseja? __ fala Leviro olhando para o garoto que está um pouco distante.
Dansri interrompe Héctor que já abria a boca para falar.
(Dansri) __ Ele está comigo, esse é Héctor, posto aos meus cuidados
por Eurífones para estudar no templo Acira.
Leviro se aproxima de Dansri e fala baixo.
(Leviro) __ Mas ele parece muito velho para ser Acira, não irão aceitá-
lo.
(Dansri) __ Leviro... Não estou levando ele para o templo Acira para
treinar a arte Acira, mas sim pelos seus dotes com armas.
(Leviro) __ Não acredito que esse garoto seja um “uno” na espada? __
fala o ferreiro fazendo uma expressão de desgosto.
Dansri sorri e fala:
(Dansri) __ Não Leviro, trouxe Héctor aqui para ele lhe mostrar algo.
Vamos Héctor mostre a ele sua espada.
Héctor tira de suas costas uma grande bolsa e desamarra a espada que
estava enrolada com um tecido vermelho, ele a segura e entrega a Leviro que
a segura com curiosidade.
(Leviro) __ O que isso garoto? __ diz ele olhando para o garoto
rapidamente voltando o olhar para Dansri.
(Dansri) __ Abra Leviro! __ diz Dansri estendendo a sua mão
mostrando.
Leviro desenrola o tecido e se surpreende com a espada. Ele a segura
horizontalmente com um olhar atento, olha o cabo, segura e desembainha a
espada posicionando-a entre os dedos e dar um sorriso irônico.
(Leviro) __ Onde vocês conseguiram essa espada?
(Dansri) __ Foi o garoto que fez. E então o que você acha? __ fala
Dansri.
Leviro fica impressionado e fale exaltado.
(Leviro) __ Uma cópia? __ indaga o ferreiro inspecionando-a mais de
perto e sentido seu peso.
(Dansri) __ Isso mesmo amigo. Foi por isso que mestre Eurívedes o
indicou para vir para o templo estudar.
(Leviro) __ Já vi muitas cópias de espadas antes, até já fiz uma cópia

68
O despertar do imortal
dessa mesma espada, mas é espantosa a semelhança com a original. Como você
conseguiu encontrar essa espada? Que eu sabia o seu atual possuidor não é de
ter amigos e nem de se mostrar muito.
(Héctor) __ Ele me salvou de um ataque de ífrits em Fegor e eu peguei
sua espada.
(Leviro) __ Você só a viu uma vez?
(Héctor) __ Sim! __responde Héctor.
(Dansri) __ Ele tomou posse da espada de Rairoth e matou um ífrit
quando foi atacado. Nos outros dias fez uma cópia dessa espada Acira
(Leviro) __ Muito interessante! Os ataques dos ífrits estão sendo muito
comuns últimamente, nosso mundo não e mais o mesmo, os mestres Iziri e
Saloto foram atacados por um guerreiro Sema acompanhados por ífrits nas
proximidades de Dhâ, eles teriam sido mortos se não fosse Tesla e Adrun
Anen terem intervindo.
Dansri fica interessado, mas se detém em perguntas. O motivo de sua
ida a espadaria de Leviro. É outra
(Dansri) __ E a espada do garoto, o que acha? __ pergunta Dansri.
(Leviro) __ Muito boa. __ responde Leviro. __ gostaria de trabalhar
comigo garoto? __ propõe o ferreiro olhando nos olhos de Héctor com um tom
concreto.
Héctor fica excitado no instante, ele olha para Dansri e vê seu olhar
sério, parece que ele não gostou da idéia.
(Dansri) __ Não venha iludir o garoto Leviro, eu o trouxe para Danora
para estudar no templo Acira e o trouxe para você avaliar a espada que ele
fez. Então diga: qual o potencial do garoto?
(Leviro) __ Pelo o que você disse e também pelo que eu o vi tem tudo
para se tornar um excelente ferreiro Acira. __ fala Leviro tentando esconder
um pouco da inveja que sentiu do garoto. __ Basta dedicação e estudo. Mas,
Dansri, ele já é muito velho até mesmo para estudar metalúrgica Acira no
templo.
Dansri responde pondo a mão no ombro do amigo.
(Dansri) __ E é por isso que estou aqui: sei que você tem muita
influência com Adrun Anen, até mesmo faz espadas para ele, quero que você
venha comigo e me ajude a indicar Héctor a Adrun Anen.
É instantâneo o espanto de Leviro, ele muda de feição, fica nervoso e
fala:
(Leviro) __ Sei não... Nem sei se devo. Qual sua idade garoto? __
pergunta Leviro.
(Héctor) __ Dezesseis. Completo dezessete no final do ano.

69
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Leviro) __ Ele está muito velho, o Conselho Acira não ira aceitá-lo.
Dansri põe a mão no ombro de Leviro novamente e o afasta um pouco de
Héctor para conversar em particular.
(Dansri) __ Poucas foram às vezes que ti pedir favores Leviro, mas esse
garoto tem um potencial inimaginável, ele assistia às aulas de Eurífones a mais
de dois quilômetros, é um excepcional aluno, inteligentíssimo, consegui matar
um ífrit usando uma espada Acira ainda mais sendo a de Rairoth e fez uma
cópia que poderia se passar pela original. Lembra daquele favor que eu te fiz
anos atrás?
(Leviro) __ Sim lembro! __ Fala Leviro com uma cara não tão feliz.
(Dansri) __ Pois é a hora de me retribuir.
(Leviro) __ E mestre Eurífones, ele não indicou o garoto? __ pergunta
Leviro tentando desconversar.
(Dansri) __ Sim, mas você sabe... Depois que Eurívedes deixou seu
antigo posto ele não tem tido os mesmos privilégios que antes. E então... O que
me diz?
Por um momento Leviro cala e olha nos olhos de Dansri que dá um
sorriso cínico, então Leviro balança a cabeça com um sinal afirmativo.
(Leviro) __ O que eu não faço por um amigo... Tá certo... Mandarei um
pombo com a indicação de Héctor para mestre Adrun Anen reforçando as
palavras de mestre Eurífones.
Com um belo aperto de mãos os dois selam o acordo e Héctor e Dansri
caminham rumo a porta de saída, antes de sair Leviro fala para o garoto sem
se importar muito com Dansri.
(Leviro) __ Se não te aceitarem lá garoto pode vir pra cá!
Muito longe de Danora, Belto chega a Desília seguido por seus
subalternos, pelo menos os que sobrevivem. Ao chegarem trazem todos os
artefatos encontrados na montanha de Kwara, inclusive o condenado já fora
da jaula enrolado em grossas faixas de algodão. Pouco depois Belto se
encontra com o rei Akun, imperador das terras de Desília, para dar as boas
novas para ele.
(Belto) __ Rei, acabamos de chegar da procura pelo condenado.
O rei olha como se Belto fosse seu superior, seu cabelo ralo é branco,
olhos sem piedade, lábios finos e nariz afinados, vestidos em trajes vermelhos
de seda rodeado por uma sala repleta de estátuas de mármore, quadros
pintados em paredes e tapetes de pele de leões de dente de sabre.
(Akun) __ Então diga o que encontraram milord.
(Belto) __ Encontramos o cadáver do condenado, enjaulado. Agora
deixaremos o cadáver com os alquimistas que o estudarão e tirarão a essência

70
O despertar do imortal
da imortalidade dele.
Akun se demonstra irritado, levanta-se do seu trono de mármore e fala
com um tom de voz grosseiro.
(Akun) __ Eu gastei muitas riquezas com essa expedição, e só foi
encontrado o cadáver do imortal? Então ele não era imortal. De nada valeu
todos os gastos.
Um instante de fúria controla Belto que rapidamente abre as asas de
gárgula e grune alto com uma expressão de ódio e imponência.
(Belto) __ Cale-se seu idiota! Tudo o que você conseguiu nesses últimos
anos foi com minha ajuda, foi eu quem matou o antigo rei para você conseguir
governar esse maldito reino. Você não entende o que é a imortalidade, ele
ainda tem em seu decrépito corpo a magia que lhe faz imortal e essa
imortalidade apenas ele saberia como destruir.
Akun baixa a cabeça e se demonstra submisso a Belto, fica parado
olhando a expressão facial de Belto que o fita nos olhos.
(Akun) __ Não queria irritá-lo, só que os gastos foram muito altos e...
__ Belto interrompe.
(Belto) __ E os resultados serão muitos maiores que os gastos!
Belto sai então repudiando Akun que ainda exala medo em seus olhos,
ele passa a mão na cabeça e se senta novamente em seu trono. Os dois se
odeiam, mas têm que conviver juntos. Akun nada pode fazer contra Belto, que
conhece as artes Acira e poucos anos atrás se tornou um Sema, isso nutre um
sentimento de vingança no rei que espera um dia se ver livre do semigárgula
para reinar da forma que desejar.
Horas depois no laboratório de alquimia, depois de ter sido umedecido
pelos alquimistas, o corpo está sendo vigiado por um soldado de Desília, os
alquimistas ainda estão por vir. Ele mantém-se em pé ao lado da porta de aço
e madeira, sua roupa é vermelha, com um saiote, sandálias de cordas e com
uma espada embainhada, um gládio rústico, ele está quase dormindo de
cansaço, aparentemente por não estar fazendo nada. Repentinamente, em
pleno movimento de cochilo, ouve um barulho do lado de dentro da sala de
alquimia, ele assusta-se inicialmente e empunha a espada sem desembainhá-la,
ele olha pela abertura na porta quase aberta, tudo está escuro, então ele
resolve entrar para observar.
Em cima de uma mesa do lado de dentro da sala há um lampião que logo
é aceso pelo soldado, iluminando quase toda a sala, que está cheia de
instrumentos de pesquisa. O soldado assusta-se ao iluminar a mesa de
necropsia e não encontrou o corpo do condenado. Ele olha ao seu redor e não
encontra o corpo, apenas ouve passos lentos e um chiado de garganta

71
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
semelhante a um grunhido, a porta que está sempre aberta começa a fechar-
se atrás do soldado que dá meia volta rapidamente assustado e vê o horrível
corpo decrépito, quase sem movimento acabando de fechar a porta. A múmia
do condenado, quase sem poder se manter em pé, olha no fundo dos olhos do
soldado que sua de medo ao fitar os olhos brancos do condenado que continua
grunhindo, os dois se posicionam como se fossem atacar, o corpo do
condenado abaixa-se em ponto de ataque dá um grunhido, alto e agudo que
quebra alguns instrumentos de vidro frágil que estão nas mesas e estantes do
laboratório. Um salto rápido e agressivo é dado pelo decrépito corpo, mais
rápido ainda o soldado desembainha a espada e crava no estômago do monstro
que cai por cima do soldado que entra em desespero empurrando o corpo
lateralmente que estranhamente agoniza com um sorriso grotesco. Um sangue
negro se espalha e coagula pelo chão rapidamente e o ser, na sua agonia de
morte, dá seu último suspiro.
O guarda que ainda não se levanta começa então a ter um ataque
convulsivo, olhos reviram freneticamente, ele começa a babar como um cão
raivoso, seu rosto começa a se modificar, a cor negra dos seus olhos se perde
e se torna azul cor do céu, mas com um aspecto diabólico, o formato ósseo de
seu rosto se modifica tornando-se mais delicado e de pele macia, seus lábios
afinam, seu nariz empina, suas sobrancelhas engrossam, seu cabelo cai, seus
músculos se fortificam e de suas costas surgem duas asas rasgando a pele e
as roupas espalhando sangue pelo ambiente, rapidamente a superfície das
grandiosas asas torna-se repletas de penas brancas como algodão. Estava lá
um novo ser, um ser imponente, forte, imutável. Ele se levanta devagar fica
contemplando suas mãos e braços, respira fundo estufando seu o peito, e dá
um grito ecoante de satisfação. Seu olhar se volta para o corpo no chão e com
escárnio e fala com uma voz grave e encorpada.
“Adeus corpo imundo.”
O novo ser sai pela porta tranqüilamente. Contemplando as paredes de
pedra, ele olha para a janela e observa a luz das estrelas no céu e permanece
lá olhando parado por alguns segundos. Rápido ele se pergunta “Quanto tempo
passou?”. Ele é surpreendido por guardas que subiam a escada para observar
que grito era aquele que a pouco invadiu quase todos os cômodos do local.
Quando os guardas vêm aquele ser se assustam, ficam calados com
espadas e lanças em punho. O ser sorri e os ataca como um animal feroz, os
quatros guardas não têm chance e novos gritos ecoam pelos corredores do
castelo, ele rasga um deles ao meio para o desespero dos demais, toma a
espada do guarda recém morto e corta a cabeça do seguinte. O ser é rápido,
sem que os guardas restantes possam esboçar reação ele crava a espada no

72
O despertar do imortal
peito de um e segura o outro pelo pescoço e o arremessa pela janela fazendo-
o cair de uma das mais altas torres do castelo. Após observar o corpo dos
guardas mortos ele estende a mão e trás para si as tiras de tecido que antes
envolviam seu velho corpo para o seu novo. Novamente se volta para a janela
que no horizonte já mostra longínquo o nascer do sol, o ser corre e salta
atravessando a janela de vidro caindo em queda livre em um salto suicida, ele
abre as gigantescas asas e voa rumo ao horizonte infinito vagando sem rumo
sobre as terras que um dia dominou.
Em várias partes de Veronor a presença maligna é pressentida, em
Danora o mago Eurívedes acorda atordoado, ele teve um sonho ruim, seu corpo
age como há muitos anos quando conheceu o casal fegoriano, ele permanece
sentado em sua cama esperando que o sonho não seja mais um de seus
presságios. Mais acima de seus aposentos Adrun Anen lia seus romances
quando um vento sem rumo entra pela janela e apaga suas velas, ele interpreta
isso como um presságio ruim sem saber do que se trata, já em Fegor
Eurífones acorda com um barulho, ele levanta-se para ver o que aconteceu e
encontra sua espada caída no chão, ele percebe que alguma coisa perturbou a
harmonia da magia e isso se refletiu em sua espada, em Piramidara um leproso
que vagueia pelas ruas escuras percebe o poder emanado e sorri para o céu
estrelado.

73
AS ESPADAS DO IMPÉRIO

CAPÍTULO VI – A
CHEGADA AO TEMPLO ACIRA

"Às vezes fico tentando entender o que se


passa na cabeça de meu mestre Eurífones. seu
comportamento é instável, porém racional. Eu só vi
Eurífones se interessar diretamente por um aluno
daquele jeito quando treino o filho de Láias, as
mesmas crenças que ele tinha com ele agora tem com
Héctor, o problema é que, desta vez, serei eu que
terei que treinar o garoto. Eu também sinto poder
mágico em Héctor, suas habilidades não são de um
humano comum, lembro que eu Eurívedes sempre me
disse que eu encontraria e treinaria um guerreiro
diferente dos outros, só não achei que teria que
treinar alguém acima da idade, mesmo assim nunca
levei muito a sério os assuntos desconexos do velho
louco. Cumprirei a designação de Eurífones mesmo
sabendo que é contra as leis Acira, só que não posso
negar também estou curioso em saber qual
verdadeiro potencial e a verdadeira natureza de
Héctor Nascai."

Após o raiar do sol Dansri e Héctor se preparam para ir ao templo


Acira, eles pegam um cavalo alugado para Héctor que sente dificuldades em
montá-lo devido esse ser um pouco bravio ainda. Na noite anterior o ferreiro
Leviro já emitiu as indicações de Héctor pra Adrun Anen, o representante das
terras de Danora como conselheiro Acira, que ao ler as indicações de tão

74
O despertar do imortal
renomado ferreiro, junto com as indicações de Eurífones, ficou curioso para
conhecer o jovem.
Não leva mais do que duas horas a cavalo pelos verdes campos de
Danora para chegar ao gigantesco castelo de pedra, o templo Acira. Héctor já
percebera que não será tão fácil ser aceito pelos Aciras e que não bastaria
apenas à indicação de Eurífones e Dansri.
Há guardas nas torres observando, algo incomum no templo Acira. Isso
incomoda Dansri, que não comenta nada com Héctor para não assustar o
garoto. O enorme portão frontal está fechado, mas logo é aberto para que
Dansri e Héctor entrem. Héctor fica mais fascinado ainda depois de ver o
interior do castelo, muito caválados apeados, pessoas passando usando togas e
mantos, todos com belíssimas espadas, lindas mulheres com mantos que
cobrem todo o corpo, uma fonte de mármore no centro, eles amaram seus
animais e partem rumo ao centro do Conselho Acira.
(Dansri) __ O que está achando garoto? É como você esperava?
(Héctor) __ Sim, é muito bonito! Gostaria de conhecer tudo por aqui.
__ fala o jovem olhando para os lados, encantado com a arquitetura.
(Dansri) __ Você conhecerá, terá muito tempo para estudar no templo.
Venha, por aqui.
Depois de caminharem entre os corredores e subirem muitas escadas
eles chegam à sala de Adrun Anen.
Dansri abre a imensa porta de madeira e entra na sala de Adrun Anen,
muito bela e chamativa, com tudo vermelho e branco cobrindo as janelas,
jarros e flores, muitos quadros com figuras de mestres Aciras de outras eras
e uma mesa grande.
(Adrun Anen) __ Meu amigo Dansri, como vai? Diz o homem de meia
idade, de cabelos lisos, longos e brancos como nuvens, barba e cavanhaque
ralo e igualmente branco, rosto que expressa sabedoria, roupas brancas com
cinto preto e arestas de roupas também preta.
(Dansri) __ Tudo bem mestre! __ Diz Dansri fazendo a reverência
Acira com a mão no ombro direito e curvando-se lentamente.
(Adrun Anen) __ Não entendi por que Leviro me mandou um pombo com
uma indicação para um aluno, diretamente indicada por Eurífones? Bastaria
você mesmo vir falar comigo e poderíamos resolver.
Dansri mantém-se sério.
(Dansri) __ Desculpe mestre! Mas achei que seria difícil você aceitar
um aluno como ele, pedi a Leviro para indicar as habilidades de metalúrgica
para você...
Adrun Anen faz um olhar de dúvida e se aproxima de Dansri.

75
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Adrun Anen) __ Um aluno como ele? Não entendi sua afirmação Dansri.
O que há de errado com esse indivíduo?
Um suspiro leve dá forças a Dansri.
(Dansri) __ Ele é um jovem de dezesseis anos, sua idade está acima da
idade permitida para entrar nos estudos Acira.
Adrun Anen massageia suas mãos como sempre faz quando pensa rápido
e fala.
(Adrun Anen) __ É mesmo. Alguém com essa idade não seria aceito para
os estudos Acira, mas na atual situação confesso que precisamos de mais
alunos principalmente os ferreiros e metalúrgicos.
Dansri fica curioso, mas não ousa pergunta, Adrun Anen vê o interesse
no olhar de Dansri e fala.
(Adrun Anen) __ Sei que você está curioso, faz muito tempo que você
não esteve no Conselho. Há algo estranho acontecendo ultimamente em
Veronor, os ataques Sema estão se tornando muito comum, Iziri e Saloto
quase foram mortos em Dhâ, em Astarônia Dratório teve que eliminar dois
Semas e Daro foi morto por um Sema gárgula em Radanúria.
A surpresa e tristeza enchem os olhos de Dansri.
(Dansri) __ Daro foi morto? Mas como? Ele... Ele é um dos melhores
Acira... Eu não entendo.
A voz de Adrun Anen fica tranqüila, obviamente tentando confortar
Dansri.
(Adrun Anen) __ Sim Dansri, ele foi morto, morto por nada mais nada
menos que Belto. No momento estamos em alerta, aceitamos novos aprendizes
de guerreiros Acira esses meses que você passou fora, muitos ferreiros,
marceneiros, filósofos, oradores e historiadores serão formados nos
próximos anos, tudo em nome da paz e harmonia de Veronor.
Adrun Anen suspira e olha vago para a janela.
(Adrun Anen) __ Porém amigo, nós do Conselho Acira acreditamos que
os Semas estão se organizando, nunca ouvimos falar de tantos ataques e
tantos Semas por Veronor, estamos em alerta, teremos que agir para que não
haja uma nova guerra em nosso mundo. Até mesmo as minas do arquipélago de
Parli estão ameaçadas, encarecendo o preço do aço que vem de Fegor.
(Dansri) __ Por falar nisso houve um ataque em Fegor mestre, um
ataque de ífrits.
Adrun Anen se volta rapidamente para Dansri e se aproxima olhando nos
olhos de Dansri quase nervoso.
(Adrun Anen) __ Ífrits? Em Fegor? No outro lado do mundo conhecido?
Isso é muito improvável! Você tem certeza?

76
O despertar do imortal
(Dansri) __ Claro que sim mestre! O garoto que está comigo foi
atacado por alguns ífrits em Fegor, o inusitado nisso foi o que aconteceu logo
em seguida.
(Adrun Anen) __ Então me conte o que aconteceu. __ diz Adrun Anen
com o olhar curioso.
(Dansri) __ Rairoth os matou!
Adrun Anen tem um leve espasmo, sua expressão muda bruscamente
enrugando sua testa, demora um pouco para que Adrun Anen se posicione na
situação.
(Adrun Anen) __ Rairoth? Não... Não é possível! Tartum o matou há seis
meses!
(Dansri) __ Isso também era o que eu e Eurífones achávamos! Os
relatos diziam que Tartum e seus Aciras se digladiaram com Rairoth nas
proximidades de Toira. Rairoth matou os Acira aliados de Tartum e em
seguida teve uma luta mortal contra ele, os dois acabaram caindo de um
gigantesco cânion do rio Plasata. Todos deduziram sua morte, mas há alguns
dias atrás um dos alunos de Eurífones foi atacado por ífrits em Fegor, o
inusitado foi que um guerreiro apareceu e o salvou. De acordo com a descrição
do garoto o guerreiro que o salvou era Rairoth. __ relata Dansri.
(Adrun Anen) __ Quer dizer que o garoto o viu? Não... Rairoth não tem
esse costume de salvar pessoas, poucos são os que vivem depois de terem o
visto, ele sempre apaga os seus rastros. E como o garoto pode afirmar que era
Rairoth? Pelo que sei ele não anda se mostrando tanto depois que o Conselho
Acira decretou sua captura e prisão, e mesmo assim duvido que um garoto de
tão longe possa identificá-lo com clareza.
Dansri da um pequeno sorriso e fala com intensidade.
(Dansri) __ As informações apontam para que realmente Rairoth ainda
esteja vivo, sei que o Conselho encontrou apenas o corpo de Tartum sem sua
espada, o corpo de Rairoth nunca foi encontrado. Além das características do
movimento das espadas o garoto que o viu pode identificá-lo através disso.
Dansri retira debaixo de sua túnica a espada que Héctor fez e a mostra
a Adrun Anen. O mestre Acira se assusta, seus olhos quase saltam de sua
face.
(Adrun Anen) __ Isso é impossível! Você a encontrou! É a espada de
Tartum.
Após uma rápida analisada na espada Adrun Anen muda de expressão.
(Adrun Anen) __ Que brincadeira é essa Dansri? Essa não é a espada
de Tartum. Essa é uma cópia...
Dansri o interrompe.

77
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Dansri) __ Uma cópia idêntica.
Adrun Anen sorri desajeitado.
(Adrun Anen) __ Ela é perfeita. Então essa é a cópia que Leviro me
falou horas atrás, só que ele não me falou que era cópia da espada do império
de Astarônia. Mas ainda não compreendo o que essa cópia tem a ver com
Rairoth.
(Dansri) __ O garoto que veio comigo a fez, ele é um excelente
ferreiro. Ele viu a espada e a copiou. Claro que ele não o conhecia, mas pela
espada, pelo caválado negro que ele montava e os modos de agir, é indiscutível
que era Rairoth. Achamos que ele estava caçando os ífrits e isso foi o que
mais nos intrigou. Porque de Rairoth estaria caçando esses seres?
Adrun Anen continua a analisar a beleza e semelhança entre esta
espada e sua original, Dansri mantém-se calado a espera de alguma reação
positiva de Adrun Anen.
(Adrun Anen) __ Dansri o garoto está ai com você?
O guerreiro historiador responde vigoroso.
(Dansri) __ Sim!
(Adrun Anen) __ Traga-o até mim!
Dansri da meia volta e sai da sala para buscar o garoto, ele abre um
pouco a porta a ponto de ver Héctor que está deslumbrado em ver as diversas
espadas expostas na parede do templo, Dansri chama-o que a partir desse
instante mantém-se nervoso.
(Dansri) __ Adrun Anen quer vê-lo.
A tensão está visível no semblante de Héctor que entra sozinho e cheio
de insegurança, Adrun Anen percebe isso e tenta fazer o garoto relaxar com
uma conversa amigável.
(Adrun Anen) __ Olá garoto, como você já deve saber sou Adrun Anen,
um dos membros do Conselho Acira. __ Adrun Anen então faz a reverência
Acira que por ter sido vista tantas vezes por Héctor é instantaneamente
imitada.
(Héctor) __ É um prazer conhecer o senhor... Digo, você mestre.
Adrun Anen sorri deixando Héctor um pouco mais confortável.
(Adrun Anen) __ Já me apresentei garoto, gostaria de saber o seu
nome.
(Héctor) __ Desculpe. __ fala Héctor um pouco constrangido e
cabisbaixo. ___ Meu nome é Héctor Nascai, do reino Fegor.
(Adrun Anen) __ Héctor Nascai, é um prazer conhecê-lo. Você é
talentoso, vi a espada que você forjou, é digna de um ferreiro Acira, que
afirmo nesse mundo serem poucos...

78
O despertar do imortal
Héctor agradece já mais um pouco confiante pelos elogios dados a ele
pelo tão poderoso mestre.
(Adrun Anen) __... Dansri me contou uma história fascinante sobre
como você foi atacado por ífrits, seres não tão fáceis de se ver nesses
tempos.
(Héctor) __ Sim eu fui atacado por alguns seres de fumaça dias atrás.
(Adrun Anen) __ Gostaria que você me contasse com detalhes o que
aconteceu nesse dia, principalmente sobre o guerreiro que o salvou desses
serem. Você poderia fazer isso?
(Héctor) __ Sim! __ reponde Héctor com vigor aparentando agora
estar mais um pouco à vontade com o mestre Acira.
Héctor começa a contar o acontecimento detalhadamente, Adrun Anen
fica o tempo todo atento a detalhes do relato do garoto. Para o mestre Acira
a descrição do guerreiro bate com a de Áian Rairoth e o que mais o deixa
curioso é o fato de o garoto ter empunhado uma das espadas do guerreiro que
pela descrição era a espada de Tartum a qual ele fez uma cópia. Após ouvir os
relatos do garoto Adrun Anen fala.
(Adrun Anen) __ Héctor, essa é uma história fascinante, você sabe que
nem todo mundo acreditaria nela.
(Héctor) __ Mas é verdade! __ fala ele um pouco exaltado que
rapidamente é inibido pelo olhar de Adrun Anen.__ Você acredita em mim?
Adrun Anen vai do sério ao sorridente em poucos segundos.
(Adrun Anen) __ Eu acredito em você! Sua respiração, pulsação, postura
mostram que você fala a verdade. Vejo também que você tem talento. __ Fala
Adrun Anen segurando a espada de Héctor e a analisando vagarosamente. __
precisamos de pessoas assim nos estudos Acira. __ Adrun Anen estende a
espada entregando o cabo para Héctor que a recebe.
Adrun Anen vira-se de costas retira de sua mesa rolos de papel, com
uma pena e tinta ele assina um documento sobre o olhar atento de Héctor, o
mestre levanta-se e entrega o papel para Héctor e fala.
(Adrun Anen) __ Suas aulas começam amanhã jovem, espero que as
aproveite com sabedoria.
Héctor agradece sorridente recebendo sua autorização, o mestre faz
então uma reverência, Héctor a responde despedindo-se entusiasmado. Ao
atravessar a porta lá está Dansri curioso para saber o que os dois
conversaram, mas mantendo sua pose de guerreiro.
(Dansri) __ O que vocês conversaram?__ Diz Dansri.
Héctor mostra sorrindo o documento de admissão e divide a felicidade
com Dansri, logo em seguida os dois saem caminhando a conversar rumo aos

79
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
aposentos dos alunos onde Héctor ira permanecer durante as aulas.
Ali próximo está um velho mago, Eurívedes, o mesmo mago que os pais
de Héctor consultaram anos atrás. Ele é responsável pelos cuidados da fonte
que abastece o templo com água potável. Depois de anos com um surto de
loucura ele aparenta estar melhor, agora ele percebe Dansri ao longe e
alegra-se. Ao dar o primeiro passo rumo ao seu amigo ele percebe que Dansri
está acompanhado, ele para e fica olhando fixamente para o jovem que não o
percebe, para não ser visto ele esconde-se atrás de uma das paredes e fica a
observar, ele sente uma das faces da energia, a magia, permeando o corpo do
garoto. Após os dois terem saído do seu campo de visão o antigo mago sai em
direção à biblioteca com passos rápidos onde lá dentro encontra seu amigo
Bériun estudando.
Após adentrarem nas salas do templo eles encontram um dos alunos do
templo que os leva à sala dos estudantes onde estão vários outros alunos. São
várias portas de quartos em um corredor largo, as portas de madeira têm
entalhes em alto relevo em forma de espadas e de um livro, em uma dessas
portas o homem que o acompanha pára, “é aqui” ele fala. Após se despedir o
aluno Acira sai, Dansri fica a conversar com Héctor na porta do quarto.
(Dansri) __ Esse será seu quarto, você encontrará alguns alunos, não se
intimide, os alunos de conhecimentos Acira são educados de maneira amigável
eles vão lhe ajudar no que você precisar. Agora eu tenho que ir tenho assuntos
a tratar com Adrun Anen e o Conselho Acira. __ Dansri segura a maçaneta e
abre aporta. __ qualquer dúvida pergunte a eles tenho certeza que serão
muito prestativos, até logo!
Ao entrar Héctor se depara com três alunos dentro do quarto onde há
algumas camas beliches, um imenso guarda-roupa, algumas escrivaninhas,
pedaços de metal amontoados em um canto. Há um aluno loiro deitado em uma
das camas de baixo, de estatura avantajada, bem jovem como Héctor e de
musculatura muito desproporcional a sua altura, característico da idade, ele
percebe a entrada de Héctor e desvia o olhar concentrado do livro que ele
estava lendo intitulado “A Arte de Moldar Ferro”. Logo ao lado há uma garota
morena de cabelos negros e longos, aparentemente mais velha que o jovem
deitado na cama, ela parece estar escrevendo algo em uma escrivaninha perto
de uma das janelas de lado para onde Héctor acaba de entrar e no chão está
um garoto bem mais jovem que os outros, cabelos curtos, olhos negros
brilhantes e atentos ao corte da tesoura na fina chapa de ferro. Héctor fica
incomodado com os súbitos e penetrantes olhares que o observa, todos
parados como se algo de errado tivesse acabado de acontecer. A garota
levanta-se e aproxima-se de Héctor que por força da situação diz apenas uma

80
O despertar do imortal
palavra.
(Héctor) __ Oi!
A garota responde com fervor.
“Oi, seja bem vindo. Você deve ser um aluno novo. Como se chama?”
Héctor já se sente um pouco mais a vontade pelo fato da garota ter
sido cordial com ele, o aluno que segura a tesoura levanta antes mesmo de
Héctor responder a pergunta, mas o que esta lendo o livro desvia o olhar e
volta a se concentrar em sua leitura.
(Héctor) __ Sou Héctor Nascai, do reino de Fegor!
(Aline) __ Me chamo Aline Arn, sou das terras de Kwara, reino das
amazonas. Prazer em conhecê-lo. __ Ela imediatamente faz a reverência
seguida da reverência de Héctor. O outro aluno se apresenta muito
empolgado.
(Manúrio) __ Sou Manúrio Nalu, aqui mesmo das terras de Danora. Você
deve ser o aluno novo que Eurívedes...
Aline arregala os olhos aparentemente incomoda e dá um tapa na cabeça
de Manúrio o deixando desconcertado, ela olha rápido para Manúrio e faz uma
cara de imposição para ele calar-se.
(Aline) __ Não liga para essas conversas do Manúrio não, ele tem a
mania de acreditar nas coisas que o mago louco Eurívedes fala.
Héctor fixa olhar no aluno restante deitado que age como se nada
tivesse acontecendo, Aline olha para trás e observa o olhar de Héctor no
aluno na cama.
(Aline) __ Sim, desculpa o garoto sabichão ali, ele é Al Porus de Rome.
__ Aline diminui o tom de voz para cochichar no ouvido de Héctor, __ ele não
gosta muito de alunos novos, mas não se preocupe, ele rapidinho se acostuma.
Aline se volta para Al Porus e fala firme com ele.
(Aline) __ Al, você tem um novo colega de quarto, que tal cumprimentá-
lo!
Ele nem tira o olhar do livro e faz apenas um gesto de levantar a mão
com o polegar e o indicador levantados.
(Al Porus) __ E ai aluno novo!
Aline apenas balança a cabeça negativamente e diz “Não liga! Ele é
assim”.
(Manúrio) __ Você deve ser muito sortudo por ser indicado por Dansri.
Surpreso Héctor fala.
(Héctor) __ Como você sabe que Dansri me indicou aos estudos Acira?
(Manúrio) __ Ora! Você veio acompanhado por Dansri, um guerreiro
Acira, até a porta do quarto. __ fala Manúrio

81
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Aline) __ Apenas os alunos indicados por Aciras são acompanhados até
os quartos é um costume que dá respeito aos melhores alunos convocados para
os estudos Acira. Você deve ser muito inteligente ou muito habilidoso com aço
para ser convidado a estudar aqui. __ fala a garota.
(Manúrio) __ A maioria dos alunos que estudam aqui, como nós, vem pra
cá bem pequenos, quando os pais morrem em guerras ou são abandonados.
Nossos pais morreram em batalha quando nós ainda éramos crianças, e os
seus?
(Héctor) __ Não, meus pais ainda estão vivos, eles moram em Fegor
reino a noroeste do continente, no condado de Pésleri. __ responde Héctor
para Manúrio.
(Aline) __ É melhor você organizar suas coisas, ou você vai ficar o dia
todo ai parado?__ fala a jovem.
Ele dá um pequeno sorriso e adentra ao quarto.
(Héctor) __ Onde eu ponho minhas coisas.
AL Porus fala de maneira intimidadora, mas sem olhar diretamente para
Héctor.
(Al Porus) __ No guarda-roupa, mas bem longe das minhas.
Aline demonstra que não gostou das palavras de Al Porus e reclama com
ele.
(Aline) __ Deixa de ser infarento Al, assim o garoto não vai se sentir a
vontade com vocês.
Ele apenas entorta a boca um pouco demonstrando que nem se importa
com o que ela está falando.
(Manúrio) __ Põe ali no guarda-roupa, tem espaço para quatro pessoas e
só dois estão ocupados. __ fala Manúrio apontado para o velho guarda roupa.
Por um breve instante Héctor observa todo o quarto, vê as duas
beliches de ferro, uma do lado e a outra do outro, com colchões de palha,
próximo à porta há uma estante com poucos livros que ele acredita ser de
propriedade particular de Al Porus que agora o observa, próximo à janela há
uma escrivaninha onde Aline escrevia com alguns papiros e cadernos, tinta e
pena e ainda um pedaço de um material escuro cilíndrico envolto em dois
pedaços de madeira, o chão esta ornamentado com um belo e enorme tapete
verde com um símbolo de um escudo, um livro, uma bigorna, um martelo e uma
espada sobreposto nessa ordem, no fundo do quarto o imenso guarda-roupa
dividido em quatro partes, obviamente uma parte para cada hóspede. Héctor
vai até o guarda roupa e no espaço vazio começa a organizar suas coisas pondo
a sua espada no fundo do guarda-roupa. Após arrumar suas coisas ele vira-se
para Aline e pergunta.

82
O despertar do imortal
(Héctor) __ Aline, qual das camas eu vou usar?
Ela levanta rápido os ombros e a sobrancelha aparentando incerteza.
(Aline) __ Sei lá Héctor, eu não divido o quarto com eles, só estou aqui
para escrever minas poesias, aqui é bem mais tranqüilo do que lá no setor
feminino. Decida com eles.
Héctor fica um pouco sem jeito, fica inibido em perguntar para Al
Porus, que é o mais velho dos dois ocupantes do quarto e fica olhando para ele
que percebe que Héctor quer se comunicar, quando Héctor vai falando algo
ele interrompe dizendo.
(Al Porus) __ Já sei, já sei! Fica com a parte de cima da beliche ao lado,
a parte debaixo é de Manúrio. Fique logo avisado que não quero saber de
barulho quando estiver estudando, odeio quando me acordam e odeio muito
mais quando alguém ronca. Não é porque você é um “indicado” que vai ter
privilégios aqui!
Héctor não se sente bem com a arrogância de Al Porus, mas toda essa
arrogância é amenizada com a simplicidade de Manúrio que rapidamente se
familiarisa com Héctor, mesmo em pouco tempo eles conversam e Manúrio tira
algumas dúvidas básicas de Héctor, alguns instantes depois eles ouvem o som
das cornetas, que é algo ainda desconhecido para Héctor.
(Héctor) __O que são essas cornetas?
(Aline) __ Hora do almoço Héctor. Vem com a gente nós mostraremos o
caminho para a sala de refeições. __ fala a jovem moça.
Os quatro vão para a sala de refeições, seguem a fila para fazerem os
pratos, a comida não é lá tão atraente para Héctor quanto a comida de sua
mãe. Após fazerem seus pratos ele vão sentar-se em uma das imensas mesas
de madeira espalhadas pelo salão onde muitos estudantes estão almoçando,
Manúrio mostra a Héctor os diversos alunos de cada segmento do
conhecimento Acira, os magos sentam-se um pouco mais afastados, usam
roupas de cores neutras, mesmo sendo jovens são sempre controladores de
suas ações não fazendo estripulias típicas de adolescentes, ao lado deles há
os estudiosos de ciências, os considerados mais inteligentes, estudam de
tudo, astronomia, botânica, matemática entre outras, eles estão sentados no
setor dos ferreiros e filósofos, Manúrio explica que na cultura Acira o
conhecimento filosófico deve ser aprendido sempre junto com uma habilidade
física.
Bem afastados dos outros estão alguns jovens que se destacam entre os
outros pelos seus modos de se vestir e pela utilização de suas espadas que
ficam perpendicular ao lado da mesa. Héctor percebe que um dos alunos põe a
mão encima da comida e surpreendentemente a comida pega fogo, para delírio

83
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
dos outros alunos da mesa que caem em gargalhadas.
(Héctor) __ Quem são aqueles?
De boca cheia Manúrio fala virando-se para trás para observar.
(Manúrio) __ Qual? __ Manúrio volta o olhar para o garoto curioso.__
aqueles são os alunos guerreiros Acira, eles são os mais respeitados dentre os
alunos que aqui estudam. Nós teremos alguns professores que são guerreiros
Acira.
(Héctor) __ Dansri será nosso professor?
(Aline) __ Provavelmente. Agora que ele voltou deve assumir seu antigo
cargo de professor de história. __ responde Aline.
Héctor continua a perguntar.
(Héctor) __ Gostaria de participar de aulas de arte guerreira Acira.
Ouvi dizer que eles são os melhores guerreiros do mundo.
Al Porus ri quase se engasgando.
(Al Porus) __ Deixa de ser tolo, eles só aceitam um aluno para ser um
guerreiro Acira se ele tiver algum poder mágico inerente e se isso for
descoberto antes dos cinco anos. Além do mais eles não são os maiores
guerreiros de Veronor.
(Héctor) __ E quem são?
(Al Porus) __ E quem são não! E quem é! __ fala de modo virtuoso o rude
aluno.
Aline fala para Manúrio ironicamente revirando os olhos.
(Aline) __ Lá vem ele de novo!
Héctor se demonstra muito curioso e se volta por completo para Al
Porus que nem se quer olha para ele.
(Héctor) __ E quem é esse guerreiro?
Al Porus então volta seu olhar para Héctor e olha no fundo dos seus
olhos e a reposta dele faz Héctor esfriar por dentro.
(Al Porus) __ Áian Rairoth. Esse sim é o maior guerreiro de toda
Veronor!
(Aline) __ Não liga pra que esse louco diz não. Ele é viciado nas
histórias desse maldito assassino. __ fala Aline repudiando as idéias de seu
amigo.
(Al Porus) __ Ele pode ser um assassino, mas é o mais poderoso
guerreiro da atualidade, gostaria de um dia treinar com ele. __ responde Al
Porus.
Irônico ao extremo Manúrio fala baixinho.
(Manúrio) __ Só se fosse pra tú se tornar um guerreiro tão bom ao
ponto de matá-lo... __ Al Porus fica todo alegre com o elogio que logo é

84
O despertar do imortal
frustrado com as palavras irônicas de Manúrio. __... De raiva.
Aline e Manúrio caem na gargalhada e conseqüentemente Héctor não se
segura e também começa a sorrir.
(Al Porus) __ Engraçadinhos.
A conversa muda de rumo eles começam a perguntar um pro outro sobre
suas terras natais e suas famílias, com seu jeito simples de ser Héctor
consegue se adaptar e se enturmar rápido com os colegas.
No momento do almoço um dos alunos entra na biblioteca onde um
homem conversa sozinho gesticulando e fala: “Mago Eurívedes, as cornetas já
tocaram, o almoço já começou”.
(Eurívedes) __ Não vou agora, não se preocupe, depois eu como. __ fala
o mago sem nem mesmo tirar os olhos do livro.
O aluno sai e o mago continua a conversar sozinho.
(Eurívedes) __ Sim... Sim... Isso mesmo Eurívedes, ele tem as
características... Mas esse tipo de poder não pode ser desenvolvido por um
humano... Será que ele não é um humano... Se ele fosse anjo teria asas e se
fosse Demônio teria chifres... Se ele fosse humano não teria esse poder nessa
idade, ainda mais sem treinar. Três características em um único ser... __ fala
o mago como se estivesse acompanhado por ele mesmo. __ Eurívedes você
está sentindo de novo, a magia Acira está te dominando... Não vá enlouquecer
novamente logo agora que todos estão crentes que você se recuperou... É a
mesma coisa que senti naquele dia, será que é o mesmo garoto... Não, não,
não... Seria muita coincidência, tenho que estudar mais.
Em meio a essa confusão mental o velho mago tenta encontrar uma
explicação para a estranha sensação que ele sentiu com a presença de Héctor
e lá permanece.
Após o almoço Héctor volta para o quarto sozinho, seus colegas foram
para seus estudos na área dos ferreiros que para Héctor só começará no dia
seguinte. Sozinho no seu quarto ele começa a pensar em sua terra natal e
sente uma imensa saudade, seu rosto parece distante, sua respiração leve. Ao
tentar mudar seu pensamento para outra coisa na esperança de amenizar o
sentimento que trazido pela distância ele vai até seus pertences e lá encontra
o belo colar em forma de caveira e uma rosa que de acordo com sua mãe
adotiva foi dado a ele quando a sua verdadeira mãe morreu. Ele deita-se e
fica o observando analisando os entalhes em ouro e prata da figura grotesca
da caveira que é amenizada pela simplicidade e ternura do entalhe em forma
de rosa.
Sozinho ele fala sussurrando.
(Héctor) __ Mãe, gostaria tanto de ter te conhecido.

85
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Héctor começa a se sentir tonto, algo estranho está acontecendo, ele
repara que os olhos da caveira começam a emitir uma quase insignificante luz
braça e que das pétalas da rosa começa a sair uma nuvem escura e densa, ele
não consegue se mover a intensidade da luz começa a aumentar a nuvem negra
espalha-se no ar e ele então vê o rosto de um demônio fêmea agonizando
perfurada por uma espada empunhada por um vulto negro que carrega ódio nos
olhos.
No entanto, algo quebra o intenso silencio e angustia que preenche a
sala, devagar alguém abre a porta do quarto que range as velhas dobradiças
enferrujadas, é Dansri que entra e se depara com Héctor estático com os
olhos fixo em algo que ele não consegue identificar, Dansri então fala.
(Dansri) __ Héctor!
Héctor se assusta e sai daquele sinistro ambiente e retorna ao seu
quarto.
(Dansri) __ Algo de errado? __ fala Dansri com um livro na mão.
Com um olhar de sono ele responde.
(Héctor) __ Não. Acho que peguei no sono sem perceber. __ Ele põe o
colar no bolso sem que Dansri o veja e senta-se na cama.
(Dansri) __ Quando eu entrei você parecia assustado. O que houve?
(Héctor) __ Acho que foi só um sonho ruim, nada mais.
(Dansri) __ Pode ser, você parece muito cansado, acho melhor voltar
outra hora.
(Héctor) Não Dansri, é melhor você ficar, sem os garotos isso aqui fica
muito solitário.
Dansri sorri e fala.
(Dansri) __ Tudo bem.
Dansri puxa a cadeira da escrivaninha e se senta pondo o livro em cima
da escrivaninha.
(Dansri) __ Diga garoto o que achou do templo Acira?
(Héctor) __ Ele é enorme, Aline e Manúrio me mostraram algumas
coisas e me prometeram mostrar o restante no final da semana, quando eles
tiverem folga das aulas.
(Dansri) __ Suas aulas começarão amanhã, já esta no final do ano e você
ficará participando apenas como aluno observador, no entanto aproveite para
aprender com seus colegas, pois no próximo ano você fará alguns testes para
ver em qual das áreas dos estudos Acira você se encaixa mais.
Cheio de dúvidas o jovem garoto arregala os olhos para Dansri.
(Héctor) __ Como assim Dansri? Não vou ser um aluno como os outros?
Lentamente Dansri encaixa os dedos das mãos e se comporta tranqüilo.

86
O despertar do imortal
(Dansri) __ Bem Héctor, você sabe que se não estivesse vindo comigo
teria que ir para o exercito fegoriano quando completasse dezessete anos, e
isso aconteceria daqui a algumas Semanas, mas o motivo de lhe convidar a vir
para o templo Acira...
Héctor estava um pouco de lado e então se volta completamente para
Dansri ainda com um aspecto de sono.
(Dansri) __ Eu não sei nem mesmo como explicar. __ fala Dansri com um
suspiro ofegante. __ Eurífones sabe como ninguém identificar coisas ocultas
no espírito das pessoas e ele viu em você algo especial. Não sei se é sabedoria,
força, inteligência, mas eu sei que ele dificilmente erra em suas escolhas.
Eurífones não consultou o Conselho Acira antes de mandá-lo para cá, ele me
disse para pedir a Leviro que também indicasse suas habilidades em
metalurgia para Adrun e tudo ocorreu como ele determinou, Eurífones sempre
me surpreende!
Héctor pensa nas coisas que Eurífones falava para ele nas aulas e
percebe que há uma ligação entre o que Dansri acabara de relatar com o que
Eurífones falava para ele indiretamente. Dansri olha para o bolso onde Héctor
colocou o determinado objeto e sua curiosidade fala mais alto.
(Dansri) __ Percebi que estava segurando algo quando eu cheguei.
(Héctor) __ Sim estava. Era o meu colar. __ ele mete a mão no bolso e
o retira.
(Héctor) __ Minha mãe disse que estava comigo quando minha
verdadeira mãe morreu, então eu o guardo como lembrança, é como se fosse a
única coisa que tenho para lembrar minha mãe de verdade, gostaria muito de
ter a conhecido.
A voz de Héctor exala uma dor emocional que nem mesmo ele pode
compreender, os olhos de Dansri ficam vidrados no colar chamando a atenção
de Héctor.
(Héctor) __ Veja. É meio sinistro e ao mesmo tempo doce. Quem o fez
deve ter se dedicado muito para dar essas formas a ele.
Dansri pega o colar e o observa detalhadamente, fica fascinado com a
forma da caveira ligada a tão bela flor, ele viaja um pouco em sua própria
mente de historiador para saber que povo teria feito tão bela peça, mas não
encontra nenhuma resposta, é como se quem o tivesse feito só queria
intimidar a quem olhasse diretamente para ele. Dansri o entrega para Héctor
ainda com dúvidas em relação à origem daquela imagem.
(Dansri) __ Belo colar, guarde-o é uma peça única. __ Dansri levanta
apoiando suas mãos nas pernas. __ Aproveite esse período de observação, vai
durar um pouco mais de um mês, aprenda o máximo que você poder e quando

87
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
precisar de algo você pode me procurar, estarei dando aulas de história para
os alunos. Sim, devo lhe lembra que quando o ano termina todos os alunos irão
para a colheita, você também deverá ajudar.
Dansri então se lembra do livro que acabara de trazer.
(Dansri) __ Trouxe um livro pra você, Eurífones falou q você gosta de
história. Trouxe o livro “O reluzir das espadas” __ fala Dansri pegando o livro
de cima da escrivaninha e entregando a Héctor.
(Héctor) __ De que se trata? __ indaga Héctor olhando a velha capa do
livro.
(Dansri) __ É um livro que conta, em versos, sobre a grande última
guerra em Veronor, quando Sâmaro venceu o imortal. Foi o primeiro livro que
eu li aqui no templo, espero que goste.
(Héctor) __ Eurífones comentou sobre essa história e fiquei intrigado,
vou começar a lê-lo amanhã.
(Dansri) __ Como quiser. Durma um pouco, seus olhos não negam seu
sono.
Héctor emana um olhar firme e positivo, confiante que todo o seu
esforço será recompensado na árdua jornada do saber no Templo Acira. Muita
coisa irá mudar na vida de Héctor daqui para frente e uma jornada fantástica
esta para começar no mundo de Veronor.

88
O despertar do imortal

CAPÍTULO VII – O ANJO


IMORTAL

"Isso não era bem o que eu tinha planejado, não


esperava encontrar apenas um cadáver velho e
mumificado do ser mais poderoso que já existiu. Akun
não está querendo mais colaborar comigo, só o faz
com medo de minha represália, os outros Semas
estão divididos e eu preciso da essência da
imortalidade para poder e controle total sobre eles.
O mais irritante é que peço para esses humanos
imundos guardarem uma múmia de 3500 anos e nem
isso conseguem, contam que ela fugiu sozinha. Os
Aciras devem ter bolado um plano para reaver a
minha múmia, eles sempre atrapalham meus planos,
mais o fim dessa ordem está por chegar. Tenho que
unir mais polvos, mais guerreiros, unir os próprios
Semas que já são poucos para poder declarar guerra
aos Acira. Antes disso tenho que pôr fim em Áian
Rairoth, que vêm atrapalhando meus planos há anos
matando meus guerreiros."

Gritos de ódio ecoam dentro das altas muralhas de pedra do castelo de


Akun, um batalhão de soldados está formado, todos exalam medo em seu suor,
na sua frente Belto grita insultos contra eles, do seu lado uma mulher muito
alta e magra, com cabelos loiros longos e amarrado, abaixo de seus olhos
negros com a noite um tom escuro estava um tom de maldade, sobrancelhas
finas, nariz igualmente fino e empinado, lábios finos e grandes, um sorriso

89
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
malicioso enche sua face, roupas negras deixando seu corpo esbelto e branco
quase todos a vista, uma espada muito rústica, mais parecendo uma barra fina
de ferro, está embainhada em sua cintura, o cabo esta enrolado com um
tecido grosso para dar firmeza, o seu movimento e lento como se estivesse
embriagado o seu olhar e frio como de um gato à espreita de um pássaro.
Belto continua à frente de seus soldados, ele caminha de um lado para
outro com as mãos à frente do peito juntas tocando apenas as pontas dos
dedos.
(Belto) __ Meus soldados inúteis, eu dou a vocês treinamento,
ensinamento, honra e o que vocês me dão em troca? Nada!!! __Grita Belto __
Eu pedi para que vocês guardar uma múmia só isso, e ninguém sabe explicar o
que aconteceu no laboratório.
Um dos soldados da um passo a frente.
“Mestre, não sabemos o que aconteceu ouvimos um grito lá em cima,
logo subimos para olhar quando chegamos lá a múmia, estava perfurada pela
espada do guarda, sangrando muito, ouvimos passo mais lá em cima lá estava
ele, um anjo. Ele nos atacou e eu fugi, depois ele saiu voando.”
Um instante de silencio, um olhar sombrio da mulher e de Belto, ele
aponta para o rosto do soldado.
(Belto) __ Você estava comandando a guarda do condenado.
“Sim senhor! Responde o soldado.”
Belto olha para a mulher e sorri.
(Belto) __ Dráina...!
Ela olha com um olhar sombrio para Belto, e isso esfria o estômago do
soldado. Belto dá um sinal positivo com a cabeça para ela que sorri
sarcasticamente. O movimento e rápido, ela segura a espada que se encontra
nas suas costas e em uma fração de segundos ela a arremessa
horizontalmente, girando, rumo ao pescoço do soldado, a lâmina esta vermelha
como se estivesse sendo forjada e sem que o soldado possa ter uma reação a
espada o degola. Os outros soldados em formação se abaixam esquivando-se
enquanto o corpo do soldado cai sem vida logo após o toque de sua cabeça no
chão. Como se fosse um bumerangue a espada ainda girando dá a meia volta e
chega ate a mão de sua dona como se estivesse viva, ela a segura num
movimento rodado e suave posicionando-a na frente do seu rosto. Da espada
emana uma fumaça com cheiro de sangue do soldado, o corpo dele no chão não
sangra, pois o corte foi cauterizado, Dráina olha para o corpo e dá uma
gargalhada sinistra aproximando-se de Belto, põe a mão no rosto dele
delicadamente, e aproxima o rosto como se fosse beijá-lo, mas não o faz e
embainha sua espada e sai de costas com um andar sensual e ao mesmo tempo

90
O despertar do imortal
sinistro.
(Belto) __ Que isso sirva de exemplo para todos vocês, já faz doze
horas que o prisioneiro fugiu de alguma forma, deve estar muito longe se foi
voando, mas não deve ser difícil encontrar informações sobre um ser alado
voando por ai. Rápido! Encontrem-no e capturem-no ou terão o mesmo destino
dele.
Belto se retira e os alvoroçados rapidamente organizam uma
empreitada à procura do anjo fugitivo. Belto entra no castelo e vai até a vasta
sala do rei Akun onde se senta no trono com detalhes em ouro e pele de leão
de dente de sabre. A sinistra Sema, Dráina, entra no salão esbanjando seu
sorriso, ela senta em sua perna e o acaricia lentamente, os olhares se
entrelaçam e sem nenhuma palavra os dois se beijam de maneira agressiva.
Mal os dois começam seu deleite amoroso o rei Akun surge pela porta
escoltado por dois de seus guardas e vê os dois se beijando no trono que lhe
pertence.
(Akun) __ Mas que ultraje! __ diz Akun visivelmente revoltado. __ Você
está passando dos limites! Saiam já do meu trono seus dois imundos!
Belto mantém a calma, passa a mão na perna de Dráina que nem mesmo
olha para o rei enfurecido.
(Belto) __ Calma Akun... Não está acontecendo nada demais... Ainda!
Além do mais eu só estou sentado no que é meu por direito, ou vou ter que
lembrá-lo que deve seu precioso reino a mim?
Por alguns segundos Akun se mantém calado, apenas olha para os lados
onde estão seus soldados que aparentemente estão com medo de alguma
repentina reação de Belto.
(Akun) __ Insano! __diz Akun ao semigárgula.
(Belto) __ Insano? Eu? __ uma gargalhada gargálica é desprendida de
suas entranhas.
Aparentemente revoltado Akun se altera e fala em voz alta.
(Akun) __ Você gastou quase todos as minhas riquezas nessa loucura de
encontrar esse tal de “imortal”, encontram na verdade a “porra” de uma
múmia. Coisas estranhas acontecem no meu castelo e vocês perdem a múmia.
__ um pouco mais controlado, depois de respirar fundo ele muda sua
entonação de revolta para uma mais irônica. __ ouve-se um comentário entre
seus soldados que sua mumiazinha de estimação voltou á vida e fugiu.
Responda-me uma coisa: o que adiantou todos os seus esforços e, é claro,
minhas riquezas, se seu objetivo não foi cumprido?
Dráina observar uma mudança de humor em seu amado e levanta-se da
sua perna, Belto remexe a cabeça de um lado para o outro dando estalos e

91
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
levanta-se caminhando logo em seguida rumo a Akun que dessa vez não se
mostra inibido pela presença maligna de Belto. O olhar ferrenho do
semigargula penetra no olhar estático de Akun, parecem inimigos convivendo
juntos, tendo que suportar um ao outro.
(Belto) __ Não se preocupe, rei de araque... Nós vamos capturá-lo logo,
não vai ser difícil encontramos ele voando por ai, quando o capturarmos ele
será meu servo, com o seu poder destruiremos a Ordem dos Acira e nada mais
poderá me impedir de dominar esse mundo. Com sorte você terá algumas
terras a mais do que tem hoje em troca de ter me ajudado.
(Akun) __ Você precisará muito mais do que um imortal para vencer os
Acira e os reinos livres de Veronor.
(Belto) __ Você não entende realmente meus planos. A Ordem Sema
nunca esteve tão bem organizado, tenho dezenas de seguidores espalhados
por todo o continente além dos gárgulas, ífrits e anões das terras além
montanhas de Kwara que se aliaram a mim. __ Com as mãos para traz Belto
ultrapassa lateralmente Akun se mantém de costas para o rei sobre o olhar
assustado dos dois guardas reais.
(Belto) __ Precisarei também de seus exércitos, eles estarão prontos
para a guerra?
(Akun) __ Sim estarão. Mas os Aciras são muito fortes e muito mais
organizados do que seu clã. Não vamos vencê-los com tanta fascili...
(Belto) __ Eu sempre estou um passo a frente Akun, tenho alguém
infiltrado no meio da Ordem Acira, todas as informações necessária eu terei.
__ ele se volta para o rei que volta apenas o olhar para o semigárgula que abre
suas horrendas asas de pele.
(Belto) __ A vitória é questão de tempo rei idiota e o novo imperador
do mundo serei eu!
Dráina observa um movimento estranho nas proximidades das imensas
janelas de vidro que iluminam o salão, através dos mosaicos coloridos ela vê
um vulto distante que parece voar rumo à sala onde eles estão, ela se
posiciona em frente à imensa janela tentando identificar o que acontecia
quando as janelas são quebradas violentamente por algo que atravessa a sala
até cair próximo do rei e do guerreiro Sema. Ao observar o que tinha
atravessado de forma tão violenta a janela, Belto descobre que era um dos
soldados de Akun que fica chocado com o que vê. Um ser com formas de anjo,
bem mais alto que os anjos comuns atravessa a janela voando segurando mais
um dos guardas do rei pelo pescoço, ele pousa suavemente, o bater de suas
asas espalha uma fina camada de poeira, eles tentam ver seu rosto, mas seu
olhar permanece voltado para o chão.

92
O despertar do imortal
Os dois ficam perplexos, o ser é magnificamente sinistro, ele retrai
suas asas pouco a pouco, seu corpo está enfaixado e repleto de correntes de
ouro que reluzem a luz que entra diretamente pela janela, uma espada
desproporcional em tamanho está na sua cintura, seu corpo é musculoso como
o de um guerreiro gigante das terras de Astarônia.
O anjo então encara os dois e fala com uma voz grave como de
tambores estrondates e um sotaque completamente diferente da dos povos
atuais.
“Muito tempo se passou, porém os lutadores humanos são previsíveis e
morfinos como sempre”.
O guerreiro segurado pelo pescoço agoniza sem poder esboçar nenhuma
reação e sobre o olhar sério dos dois o poderoso ser, com apenas, uma das
mãos, quebra o pescoço do guerreiro e larga-o no chão sem vida.
Os dois guardas de Akun, mesmo assustados, sacam suas armas e se
posicionam na frente de seu rei no intuito de protegê-lo. O anjo levanta os
braços rumo aos guardas e inexplicavelmente os arremessa longe dali caindo
inconscientes. Akun desembainha sua espada na inútil esperança de se
proteger, mas Belto o inibe ficando na sua frente.
(Belto) __ Espere rei idiota! Não pode ver aquilo que está à frente dos
seus olhos? Poderia reconhecer um poder maligno assim à distância. É ele, o
imortal.
Belto caminha rumo ao esplendoroso ser e o fita sem nenhum medo.
(Belto) __ Bravo! __ fala Belto curvando-se levemente o corpo com a
mão posicionada na curvatura do braço esquerdo, característico da reverência
Sema. __ uma entrada triunfal para um ser todo poderoso.
O ser diminui a abertura dos olhos.
(Ethos) __ Deixaste de bobice seu misto de gárgula e humano! __ fala o
ser com uma voz grave e encorpada, o som produzido de suas entranhas é
estranho, ecoa inexplicavelmente entrando pelos ouvidos, mas refletindo no
fundo das mentes de cada indivíduo presente ali. __ O que levaste tua raça a
libertar meu corpo do meu tormento eterno? Vamos responda!
Belto retira o olhar dos olhos do ser e posiciona-se de lado, ele conhece
o poder que exala do novo corpo do imortal, um poder Sema fantástico,
fantástico tanto quanto o ódio que ele desfere com seus olhos de imortal.
Para Belto esse poder tem que ser usado a seu favor e ele espera gratidão do
tão poderoso ser.
(Belto) __ Deixe que eu me apresente, ó imortal. Sou Belto, um mestre
Sema detentor do comando de meu clã, sou também o responsável direto por
ter te libertado de seu tormento eterno. Passei anos estudando as lendas e

93
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
histórias sobre o ser que, de tão poderoso, foi condenado a ficar trancado
para toda a eternidade ou, se ele escolhesse, sacrificar-se pondo fim a seu
tormento. Encontrei alguns livros em Feloptéia escritos em “pirauco”, a língua
dos gárgulas, que me levaram a sua possível localização, e agora depois de
tanto tempo você, o todo poderoso Ethos, está livre novamente.
O ser reage de forma abrupta, aproximado-se de Belto e o encarando
com o corpo um pouco voltado para baixo.
(Ethos) __ Não quero suas lições de história gárgula ignorante. Quero
saber o real motivo de terem me libertado de meu calabouço?
Belto ri.
(Belto) __ Pergunte a você mesmo. O que mais um Sema deseja nesse
mundo?
O ser continua o encarando, mas totalmente em silêncio.
(Belto) __ Poder! Poder para dominar esse mundo! Poder para dominar
essa reles raça dos humanos, poder para controlar a magia escura. __ ele
silencia e após alguns segundos ele fala. __ poder para controlar... você.
Belto faz um movimento rápido para atacá-lo, desembainha sua espada
tão rápido que nem mesmo os olhos atentos de Akun puderam acompanhar. A
espada se aproxima do rosto de Ethos em um movimento fatal, mas algo
ocorre como Belto não havia planejado. A sua espada para a centímetros do
rosto do ser, o corpo de Belto fica inerte, seus braços tremem do esforço que
ele faz para ferir Ethos que então o empurra com as duas mãos jogando-o a
dezenas de metros de distância contra a parede que racha com a força da
pancada. Dráina tenta desembainhar sua espada, mas antes mesmo de retirá-
la por completo da bainha Ethos estende a mão no seu rumo e a faz gritar de
dor e cair desmaiada.
O ser se aproxima de Belto que ainda tenta se recuperar da forte
pancada que levara, o guerreiro Sema mantém-se de pé com muita dificuldade
e para sua surpresa o imortal não o ataca novamente.
(Belto) __ Foram três mil e quinhentos anos, para ser mais exato 3516
anos, nove meses e cinco dias aprisionado. Aprisionados por aqueles que são
chamados de guerreiros Acira e que ainda resistem em existir nesse mundo e
que negaram o poder absoluto do imortal. Entendo muito bem o que você
quer... Posso ver em seus olhos, é algo que você espera mais do que puramente
poder, do que terras ou do que água e riquezas.
A fúria enche o semblante do imortal que começa a verter uma névoa
negra de seus poros, ele sorri apenas com o canto da boca, levantando os
braços ele solta um grito grotesco.
(Ethos) __ Vingança...

94
O despertar do imortal
Belto mesmo machucado também sorri ironicamente.
(Belto) __ Isso, isso mesmo que eu quero... Vingança! __ fala Belto com
uma voz imponente.
(Ethos) __ Você se diz ser Sema, os Semas são ambiciosos, traidores...
Você não me acordaria do meu maldito cárcere se apenas para concretizar
uma simples vingança pessoal sua. O que mais você quer de mim?
Já mais um pouco recuperado do ataque Belto se mantém de pé, limpa o
sangue que sai do canto de sua boca.
(Belto) __ Sim. Eu quero algo de você. Eu te libertei das masmorras de
Kwara, eu te dei a liberdade para destruirmos os Aciras, juntos poderemos
ser invencíveis. Eu te dei a liberdade e em troca eu quero que seja meu servo,
o maior dos capitães dos exércitos dos Semas e assim esse mundo será nosso.
Ethos está sério, ele fecha seus punhos e sua expressão facial vai de
ódio a tranqüilamente sinistra.
(Ethos) __ Que eu seja seu servo... Que proposta tentadora para um
ser tão desprezível. Você é realmente ousado.
Mesmo com uma aparente negação de Ethos, Belto se mantém firme em
sua proposta.
(Belto) __ Sim, apenas isso e teremos Veronor sob nosso poder!
Akun fica ao longe observando apreensivo esperando a reposta do ser
sinistro, Dráina que permanecia desacordada volta a consciência e levanta-se
sem entender o que realmente está acontecendo.
(Belto) __ O que me diz?
As palavras de Belto envolvem a mente de Ethos que dá uma gargalhada
diabólica, ele abre seus braços que aparentemente ganharam mais massa
muscular, suas asas com penas negras e brancas se abrem imponentemente e
tornam-se vermelhas. A névoa negra volta a exalar de seu corpo que aumenta
de tamanho espantosamente, de sua fronte surgem dois chifres horizontais
negros como o firmamento noturno, seus olhos tornam-se totalmente negros,
Belto sente uma força nunca vista antes.
No templo Acira alguém percebe esta estranha perturbação nas forças
da natureza que envolve Veronor. Eurívedes, o mago, acorda assustado, ele
sua frio, algo o tirou de seu sono, algo que agora não pode mais sentir, mas
que foi muito real, ele senta em sua cama põe a mão na sua cabeça que dói um
pouco e fica a refletir: “será que o que senti foi real?”. Então ele lembra que a
última vez que sentira algo assim foi quando um casal fegoriano o visitou anos
atrás.
Adrun Anen que está lendo livros à luz de candelabros na biblioteca
Acira também percebe essa perturbação que tira sua atenção dos livros. Em

95
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Fegor Eurífones que em seu quarto preparava sua aula para o dia seguinte
sente o mal que desperta em Veronor e de onde está sentado em sua
escrivaninha ele olha para sua espada pendurada na parede. Héctor acorda
com uma imensa dor de cabeça que o perturba muito, os outros dormem
tranqüilos, ele não entende o porquê dessa dor, seu desconforto é tanto que
ele levanta se aproxima da janela para respirar melhor e olhando para o
horizonte escuro da noite que não podem responder suas perguntas.
De volta ao castelo de Belto os dois Semas se encaram, nenhum dos dois
parece ter medo, mas sem que os olhos aguçados de Belto percebam ele é
atacado pelo imortal. Novamente Belto não consegue se defender, seu
reflexos foram muito lentos para esquivar-se do soco direto de Ethos em seu
peito, seu corpo cai longe, com um movimento acrobático ele evita que seu
corpo se espatife com o chão caindo apoiado sobre um dos pés e o joelho.
Novamente ele é surpreendido. Os que observam ficam estupefados com a
velocidade do imortal que mal Belto se posiciona Ethos o segura pelo braço
direito e o levanta estendendo-o verticalmente à sua frente, os pés de Belto,
que está quase nocauteado, não tocam o chão, suas asas de gárgula tremem,
ele começa a suar e a voz forte do ser que o observa atentamente envolve até
mesmo seu espírito que se torna cada vez mais fraco com o aumento do poder
do ser.
(Ethos) __ Ser insignificante. Eu sou Ethos, o portador da essência do
poder Sema, fui eu quem aperfeiçoou esse insignificante poder que você
detém. Não vou servir a você e muito menos a ninguém, mas você...
Ethos aproxima a mão aberta do peito de Belto, um grito de dor
provindo do semigárgula ecoa pelas paredes do castelo aterrorizando os lá
presentes, alguns guardas se aproximam para ver o que estava acontecendo e
ao chegarem à porta do imenso salão Ethos observa e com o olhar joga os
guardas longe do lado de fora do salão, ele olha para as portas que se fecham
controlada pelo seu poder. O poder de Ethos provoca uma dor descomunal no
corpo de Belto. Akun, perplexo não pode fazer nada nem mesmo fugir e
apenas observa a movimentação de Dráina que sorrateiramente posiciona-se
pelas costa de Ethos e salta com sua espada empunhada fortemente com as
duas mão por cima de Ethos prestes a atacar de forma fatal o ser imortal. Foi
uma movimentação inútil. Ela recebe uma repulsão fortíssima, ela solta sua
espada aos pés de Ethos, raios minúsculos luminosos se espalham pelo corpo
da guerreira Sema que cai no chão tremendo sem controle sobre seu corpo,
gritando de dor sob o olhar lateral do imortal, o corpo de Belto é solto no
chão ele se retorce, mas mesmo com dificuldade consegue levantar-se sem
poder esboçar nenhum tipo de reação.

96
O despertar do imortal
(Ethos) __ Você possui a magia negra Sema em suas entranhas, magia
essa que eu aperfeiçoei e dominei por completo há séculos atrás, eu sou a
própria magia Sema seu tolo. Contudo depois de todos esses anos as coisas
mudaram, esse mundo será novamente meu, sei que não posso dominar todo
esse mundo sozinho, precisarei de Semas para ter de volta tudo o que me
pertence. Então sou eu que lhe proponho guerreiro Sema... Seja meu servo,
reúna todos os Semas restantes nesse mundo, eu aumentarei seus poderes de
forma nunca vista antes, destruiremos os humanos, tomaremos suas terras,
queimaremos seus campos, imporemos minhas regras para os que resistirem,
exterminaremos desse mundo a Ordem dos malditos Aciras e vocês Semas
terão parte do novo reino, através das espadas de meu império eu novamente
imperarei sobre essas terras. Escolha verme entre ser meu súdito e
compartilhar do meu reino ou a morte!
O corpo de Belto ainda dói, retorcendo o rosto pelo desconforto
provocado pelo poder do ser a sua frente, em uma fração de segundos ele tem
que tomar uma decisão que ele não tem saída, a não ser aceitar o acordo.
(Belto) __ Ethos, aceitarei, mas temos que acertar mais do que
palavras, como posso confiar em você?
Ethos ri sínico.
(Ethos) __ Você não tem escolha!
Akun nem mesmo pode intervir, nada que ele faça pode mudar a
situação, seu reino está por um fio e seu poder não mais significa nada. O
olhar de Ethos vai até Akun e ele fala.
(Ethos) __ Humano de trajes reais, você deve ser o rei desse medíocre
castelo, se deseja viver para ver seu reino prosperar sob o domínio de Ethos
seja meu aliado. Quero comida, a mais gostosa comida que seus servos possam
fazer, carne, muita carne e sangue, quero vinho, frutas e água da mais
cristalina fonte que você possa ter, quero também fêmeas para servirem
minhas carnes.
Akun faz um gesto afirmativo e as portas se abrem, vários guardas do
castelo e gárgulas sob o domínio de Belto entram armados, Akun manda-os
recuarem.
(Akun) __ Recuem, não precisam se preocupar! __ os guardas ainda se
mantêm alerta, para a revolta de Akun que berra. __ saiam seus tolos, agora!
Akun olha para o imortal e fala se posicionando para sair.
(Akun) __ Providenciarei o que você deseja imortal.
Após Akun sair Belto volta sua atenção para o imortal, ele analisa a
situação de maneira racional, em pouco tempo ele vê que se beneficiará de
alguma forma com o poder de Ethos, com isso ele poderá dar fim a Ordem

97
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Acira, que é seu maior objetivo. Belto, ainda no chão, pergunta.
(Belto) __ Como você pensa conquistar esse mundo? Precisaremos de
um exército gigantesco, milhares de seres guerreiros, mesmo os Semas não
podem conseguir tão grande exército.
Olhando para o ser exposto no chão Ethos fala.
(Ethos) __ Se é um exército que você precisa você terá. Terá o maior
exército que Veronor já viu. Apenas faça o que eu digo.
Ethos já volta ao seu estado normal, seu semblante exala glória. Ele
grita com poder.
(Ethos) __ Será uma nova era, uma era forjada por sangue e guerra,
onde só os fortes sobreviverão e terão por seu Deus o próprio mal, o imortal
Ethos!

98
O despertar do imortal

CAPÍTULO VIII – AS
ESCLERAS NEGRAS

“Desde quando cheguei ao templo me senti um


pouco deslocado, Manúrio até que foi um pouco
receptivo, Aline, mesmo com seu jeito meio homem,
característico das amazonas, se demonstrou também
muito simpática, só não imaginei que Al Porus, todo
metido consigo, arrogante e centrado pudesse ser
uma pessoa que valorizasse uma amizade verdadeira,
depois de um templo ele se tornou um excelente
amigo, Bériun, como sempre desajeitado, também se
tornou amigo, mas ele sempre se põe distante de
todos os outros, acho que só se sente bem mesmo
com Eurívedes, eles parecem muito amigos. O que
mais me incomodava no templo eram os olhares dos
outros alunos, principalmente depois que espalharam
o boato que eu tinha visto Áian Rairoth. Depois que
cheguei lá senti muita falta da minha família, Dansri
ficou um pouco distante, acho que tinha que resolver
alguns assuntos no Conselho Acira, ele sempre andava
preocupado e distante. As aulas correram bem até o
dia de treinamento de artes marciais. eu sempre
evitava, mas eu teria que inventar de qualquer jeito,
eu só não queria que tivesse terminado como
terminou."

No templo Acira o dia amanhece e como sempre os alunos saem para

99
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
tomar café. Depois do primeiro dia Héctor já tinha se enturmado com seus
novos amigos de quarto. A noite anterior foi regada a muita conversa, quase
toda levada pelas dúvidas que Héctor tinha sobre os conhecimentos Acira,
horários de aulas e principalmente sobre as aulas de filosofia que tanto
encantam o nobre rapaz.
Após fazerem sua primeira refeição diária os alunos vão para a fornalha
da área de metalurgia onde Héctor conheceu seu novo professor, Jutor, o
metalúrgico anão das terras do Norte. Ao entrar Héctor prende sua atenção
em seu novo tutor que não aparenta nada com os outros na sala. Sua altura não
chega nem ao ombro dos demais, mal tem cabelo na parte superior de sua
cabeça, rosto enrugado e membros grossos devido ao pouco espaço corporal,
suas sobrancelhas grossas ficam o tempo todo em movimento olhando de um
lado para o outro, atento ao movimento de seus alunos. Ele usa um avental de
couro aparentemente grosso com bolsos cheios de ferramentas e assessórios,
seu corpo está suado devido ao calor escaldante do ambiente, há várias
bigornas espalhadas pelo chão, ferramentas penduradas nas paredes e aço
derretido nos caldeirões de barro.
Os olhos atentos do anão movimentam-se rápido, seu olhar para alguns
segundos sobre o aluno novo e logo ele tira a atenção sobre Héctor e volta-a
aos demais alunos.
(Jutor) __ Hoje meus pupilos, vocês irão terminar de fazer os arados
para a colheita, juntem-se nos grupos anteriores e usem as ferramentas
necessárias.
O tutor não aparenta ser nada simpático e isso não agrada Héctor. Para
má sorte de Héctor os alunos se organizam nos grupos pré-estabelecidos nas
aulas anteriores, ele fica sem saber o que fazer. Al Porus vê a situação do
novo colega completamente deslocado na turma e o chama com um gesto com a
mão.
(Al Porus) __ Não fique aí parado Héctor, vem pra cá!
(Héctor) __ Porus, Achei que iríamos aprender a construir espadas
Acira não arados.
(Al Porus) __ Deixa de ser abestado Héctor, como você vai saber
modelar o metal se você não souber pelo menos o básico, você vai ter que
aprender desde o início.
Manúrio aproxima-se dos dois e fala para Héctor.
(Manúrio) __ Deveria estar aqui ano passado quando ele nos obrigou a
fabricar arreios pra caválados dizendo que isso era de grande importância
para a defesa em caso de guerra. __ diz Manúrio sorrindo.
Jutor aproxima-se de Héctor sem que ele perceba, caminhando com seu

100
O despertar do imortal
jeito desengonçado, ele cruza seus pequenos braços e retorce a boca, Héctor
percebe a sua presença e vira-se para seu mestre sobre o olhar atento de
seus amigos.
(Jutor) __ Você deve ser o aluno novo que Adrun Anen falou.
(Héctor) __ Sim, sou! __ reponde rapidamente Héctor. __ sou Héctor
Nascai de Fegor.
Jutor permanece parado, seu olhar um pouco levantado olha em direção
aos olhos verdes de Héctor e sem mudar seu semblante arrogante ele
pergunta.
(Jutor) __ Então foi você que fez o que nem mesmo um guerreiro Acira
conseguiu. Você tocou e usou uma das espadas de Áian Rairoth. Isso foi
verdade?
Todos os alunos param ao ouvir as palavras de Jutor, alguns se olham
ainda confusos e duvidosos das palavras de seu mestre anão, Manúrio e Al
Porus ficam a cochichar tornando a situação desconfortante para Héctor.
(Héctor) __ Sim! __ fala Héctor, para a surpresa de todos.
(Jutor) __ Não entendo como você pode ter tanta sorte. Normalmente
Rairoth mata todos aqueles que ousam se opor a ele, ainda mais você tendo
manuseado sua espada, isso é uma afronta até mesmo para os guerreiros
Acira. __ ele dá um sorriso malicioso e continua. __ Hoje é o seu primeiro dia
novo herói de Veronor, comigo você vai aprender a manipular o aço, com sua
sorte pode ser que acompanhe os demais. __ então ele vira-se e grita. __
Bériun! __ seguido do grito aparece no meio dos outros alunos um garoto
franzino, em vestes muito simples e sujas de cinzas, escorrendo suor, cabelos
assanhados e olhar desengonçado. __ Esse é Héctor, você será responsável
por ensinar o básico da metalurgia a ele!
O garoto do olhar inseguro balança a cabeça confirmando.
(Jutor) __ Você tem uma Semana. _ fala Jutor para Bériun.
Bériun arregala os olhos espantados, sua expressão diz que é impossível
cumprir essa exigência, mas ele não se sente seguro o bastante para
contestar e apenas olha cabisbaixo para Héctor. Por conhecer muito bem os
métodos impositivos de Jutor ele logo vai até Héctor e o chama,
aparentemente eles têm a mesma idade, mas o garoto franzino parece ser
muito mais sofrido que Héctor além de aparentar ser bem mais tímido e
retraído, os outros colegas da sala começam a rir dos dois.
(Bériun) __ Héctor né? Sou Bériun! __ ele estende a mão suja, ao
perceber retrai sua mão e limpa em seu avental. __ é... Desculpa. Você vai... Eu
vou... Droga... __ Bériun balança a cabeça impaciente levanta as mãos com um
movimento estranho, descoordenado fecha os olhos com força e fala

101
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
apontando para Héctor. __ é pra mim te ensinar a mexer com metal. É, é isso!
Vou te ensinar, não temos tempo, vem logo comigo!
Héctor sente algo que o machuca por dentro, ele percebe que os outros
alunos riem de Bériun, ele sente pena de seu companheiro, sente a toda a
insegurança e a falta de respeito por parte dos outros alunos para com
Bériun. Héctor fica ainda mais sério, no momento não pode fazer nada para
refutar a situação, eles caminham junto rumo à fornalha onde Bériun mostra a
Héctor as principais ferramentas de metalurgia como as bigornas, martelos
entre outras. Durante o dia Bériun se demonstrou um ótimo tutor, além de
ensinar Héctor muito sobre metalurgia comentava histórias de sue amigo
Eurívedes, um mago que era considerado louco há um tempo atrás, mas que
Bériun admira muito. No final do dia Héctor se demonstrou conhecer muito
mais de metalurgia do que Bériun esperava e com isso Héctor entende a
sistemática de ensino de Jutor além de ter ganhado um novo amigo. Assim
terminou mais um dia de estudos no templo Acira, mais um dia da seqüência
que se estendia da seguinte forma:
O primeiro dia da Semana era o descanso e lazer para os alunos,
segundo dia aula de metalurgia, terceiro dia-aula de filosofia, quarto dia,
estudo de letras, matemática e geometria, quinto dia: estudo de história,
geometria e sociologia sexto dia: estudo de campo em armas, sétimo dia artes
marciais.
Após o cansativo dia de estudo todos os alunos voltam para seus
quartos, Héctor vai sem antes se despedir de Bériun, e encontrar Al Porus e
Manúrio
(Héctor) __Oi amigos.
“Oi!” __ Respondem os dois.
Dá pra notar a ansiedade nos dois, um cutuca o outro e cochicham sem
que Héctor perceba o que eles estão falam, Héctor fica um pouco pra trás e
os dois se viram e caminham meio de lado e perguntam para héctor.
(Al Porus)__ Héctor, você viu mesmo Rairoth?
(Héctor) __ Sim vi. Quer dizer acho que vi? __fala ele atrapalhado.
(Manúrio)__ Como assim acho que vi?__ diz Manúrio quase fechando um
olho e abrindo o outro__ o mestre Jutor falou claramente na aula. Conta como
tudo aconteceu.
Num instante Aline se aproxima quase que correndo e cumprimenta os
seus amigos que estão um pouco afastados de Héctor.
(Aline) __ Gente! Vocês estão sabendo sobre aquele garoto novo que
esta no quarto de vo... __ ela percebe que ele está bem próximo e fica meio
envergonhada e chega ate a ficar calada.__ Desculpa! É Héctor não é... Seu

102
O despertar do imortal
nome..
(Héctor) __ Sem problemas, acredito que seja o mesmo fato que iria
contar a Al Porus e Manúrio. Quando chegarmos ao quarto eu conto como tudo
aconteceu.
(Al Porus) __ Você, vai conosco Aline? __ pergunta Al Porus
(Aline) __ Sim. Claro que vou! __ diz ela excitada __ quero saber como
você sobreviveu a Rairoth.
Eles vão juntos para o quarto, já são cinco horas da tarde quase a hora
da janta e eles dizem para Héctor conte tudo rápido. Uma chuva de perguntas
cai sobre Héctor: “Como ele é?” “É verdade sobre as espadas?”, “Ele pode
lutar sem as mãos?”. Ele fica nervoso e pede calma.
(Héctor) __ Calma, calma, eu não sei muito sobre ele mais vou conta
como tudo aconteceu a vocês.
Eles ficam atentos ouvindo Héctor contar a história, como se esse ser,
homem ou coisa chamado Áian Rairoth fosse um ser espetacular.
(Aline) __ Nossa! Então é verdade, ele pode controlar as espadas como
quiser. __ fala Aline.
(Héctor) __ Pelo que vi sim. Mas por que todos ficam alucinados quando
se fale nesse tal Rairoth?
Os três se olham, e ficam com face de dúvida em seguida os olhos se
voltam para Héctor que está sentado em sua cama.
(Manúrio) __ Você não sabe quem é Rairoth? __ pergunta Manúrio
sorrindo.
Héctor fica com vergonha, mas responde.
(Héctor) __ Não! Só sei o que me contaram ontem. __ Fala ele ainda
sem se importar muito com o assunto dos amigos.
(Al Porus) __ Rairoth é um guerreiro, o mais conhecido dos guerreiros
que usam a magia. __ fala Al Porus.
(Manúrio) __ Todos achavam que ele estivesse morto. Ouvimos boatos
que numa luta ele e Tartum caíram de um cânion e morreram, mas se o que
você diz é verdade ele ainda esta por ai, não é Aline __ Diz Manúrio com o
olhar de medo.
(Héctor)__ Mas eu não entendo. __ fala Héctor levantando um pouco os
ombros__ por que essa confusão toda por causa de um guerreiro? Ele é um
Acira?
(Aline) __ Fegorianos... __ fala Aline revirando os olhos__ Vocês vivem
muito longe mesmo! Ele não é um Acira. O Conselho Acira deu ordem de prisão
a Rairoth depois que ele começou a colecionar as espadas dos guerreiros que
ele matava, mas ele nunca foi pego. Dizem que sua condenação será no mínimo

103
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
a prisão perpétua na prisão de Feloptéia aonde vão apenas os piores seres
desse mundo condenados pelos crimes mais hediondos.
(Héctor) __ Então ele não é Acira! Se ele não e um Acira, ele usa a
magia, então ele é um Sema?
(Al Porus) __ É obvio que ele não é Acira, mas ele também não e um
Sema. __ fala Al Porus firmemente.
Héctor fecha os olhos, balança lentamente a cabeça e fica confuso.
(Héctor) __ Não é Sema e nem Acira? Como assim?
(Al Porus) __ Não se sabe como classificar Rairoth, dizem que ele foi
treinado por ambas as Ordens guerreiras, Acira e Sema, depois foi expulso e
começou a matar os Sema e colecionar as espadas de seus rivais. __ responde
Al Porus entusiasmado.
(Aline)__ E também dizem que ele é a morte e imortal. Novamente ela
revira os olhos e faz um sorriso irônico __ você acredita em cada coisa!
(Al Porus) __ Ora... Mas é o que contam! Todo mundo sabe essa história
__ Al Porus se vira para Héctor e fala.
(Al Porus) __ Você viu o rosto dele? É verdade que ele tem serpentes
no lugar do cabelo e olhar de fogo...
(Aline) __ Mas que besteira! __ fala Aline pondo as duas mãos no rosto,
rindo das pergunta de seu amigo. __ Deixa de ser tolo Al Porus, parece que
não aprende nada nas aulas de Filosofia! Diz ai Héctor. O que mais você viu?
__ fala a jovem.
(Héctor) __ Eu não vi o rosto o rosto dele por completo, ele tinha
algumas cicatrizes nas mãos e sua pele era negra.
(Manúrio) __ Mas ele realmente te salvou. __ fala o jovem que
permanecia calado.
(Héctor) __ Acho que não, ele não queria me salvar, ele estava mesmo
era atrás dos ífrits. Eu tive até que matar um deles uma das espadas de...
Os três olham para Héctor ao mesmo instante e com o mesmo olhar de
surpresa e curiosidade.
(Al Porus) __Você o quê? __fala Al Porus arregalando os olhos. __
Matou um ífrit?
(Héctor) __ Sim matei! __ confirma Héctor meio abobalhado.
(Al Porus) __Ora! Não somos tolos Héctor, não se mata um ífrit assim
tão facilmente, a não ser com uma espada Acira.
(Héctor) __ E então?! Eu usei a espada de Rairoth.
(Manúrio) __ Como é?__ Exauta-se Manúrio.
(Héctor) __ Vou contar com detalhes pra ver se vocês entendem.
Héctor conta cada detalhe para seus amigos, desde a sua saída do

104
O despertar do imortal
jardim de estudos até a partida de Rairoth no seu caválado negro. Al Porus
ainda se matem indiferente a história de Héctor, mas se detém em criticar.
(Aline) __ Héctor, uma espada Acira quando é tocada por alguém que
não domina o poder Acira queima sua mão como aço na fornalha, nenhum
desconhecedor dos conhecimentos Acira pode empunhar uma espada mágica.
Al Porus ri contagiando os outros dois amigos e constrangendo Héctor.
Cornetas tocam avisando que é hora de irem para o jantar.
(Aline) __ As cornetas, tenho que ir. __ apressa-se Aline, levantando–
se de sua cadeira. __ está quase na hora do jantar, as professoras não irão
gostar se eu me atrasar.
(Manúrio) __ Espera aí que vamos contigo. __ fala Manúrio em nome
de seus amigos.
Os outros levantam-se e se dirigem para o salão de refeições um ao
lado do outro, pelo fato de Héctor ainda ser novato no templo eles não
estendem mais a conversa e Al Porus não leva muito a série toda a história de
Héctor, mas para Héctor a conversa despertou um imenso interesse sobre
esse guerreiro tão temido e ao mesmo tempo admirado por todos.
Como sempre à noite a comida é leve, algumas frutas e suco com pão
não fermentado. Muitos dos alunos lá jantando ficam olhando para o pequeno
grupo de amigos, Aline percebe que as atenções estão voltadas para Héctor e
que ele também já se deu conta disso e permanece inibido até comentar com
um de seus amigos enquanto abocanha uma maçã.
(Héctor) __ Porque eles estão me olhando assim?
(Al Porus) __ Você acha pouco essa sua história ridícula?__ Fala Al
Porus com o cotovelo na mesa e batendo os dois dedos na cabeça. __ Ter visto
Rairoth e ainda estar vivo é um privilégio de poucos. Todos estão comentando
nos corredores sobre essa sua história.
(Manúrio) __ Dizem que até mesmo mestre Adrun Anen acredita em
você. Você está muito popular por aqui. __ fala Manúrio.
Aline dá um tapa na cabeça de Manúrio como sempre faz quando ele é
inconveniente.
(Manúrio) __ O que foi que eu fiz?__ Fala o garoto abrindo os braços
de maneira desajeitada.
(Héctor) __ Não sei por que ainda duvidam de mim? Isso poderia ter
acontecido a qualquer um! __ fala Héctor olhando para Manúrio.
Héctor fica calado e come um pedaço de pão regado a suco de
melancia, um dos garotos sentados em uma das mesas ali próximo cochicha
com os outros. Ele sorri para seus amigos e segura seu prato de comida,
levantando se dirige rumo à mesa onde Héctor e seus amigos estão sentados.

105
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Eles não percebem a sorrateira aproximação do garoto que ao chegar às
costas de Héctor aponta para uma das janelas e dá um grito assustando a
todos.
“Haaaa! Um ífrit, coram.”
Héctor levanta-se rapidamente assustado e desajeitado derruba seu
prato de comida. Todos ali riem e olham fixamente para Héctor, Al Porus
ainda com comida na boca, de cabeça baixa, ri descaradamente e leva um
sopapo de Aline que olha para o olhar sério de Manúrio que não gostou da
brincadeira do aluno. Héctor fica envergonhado, ele olha para seus amigos e
sai repentinamente rumo a seu quarto, ao ver quão constrangido Héctor ficou
Aline fica revoltada e se dirige ao garoto e o empurra com as duas mãos com
muita força o que o faz cambalear para trás quase a ponto de cair.
(Aline) __ Proênio, seu idiota, o que você pensa que fez?
O garoto apenas ri ironicamente e segue com o olhar Aline saindo para
onde Héctor se dirigiu, Al Porus e Manúrio ficam lá em pé olhando para o
garoto que os encara.
(Proênio) __ O que foi? Não gostaram da brincadeira? A amazoninha
agora vai defender o novatinho? __ diz Proênio com sua voz irônica e
apontando o dedo no rosto de Aline.
Ao perceber a maneira que Proênio trata sua amiga Al Porus, o maior
entre os amigos, levanta-se e encara o olhar enfadonho de Proênio.
(Al Porus) __ Até que foi interessante mesmo, seu idiota. __ fala Al
Porus aproximando-se de Proênio e o encarando a centímetros. __ Mas da
próxima vez vê se faz comigo, pode ser até um pouco mais interessante pra
você. __ Al Porus fala pausadamente e estala os dedos do punho fechado com
a outra mão.
(Proênio) __ É, pode ser mesmo interessante, seria mais interessante
se fosse na aula de arte marcial durante uma luta, aí queria ver se você tem
mesmo essa coragem toda para defender o garoto novo. __ Fala Proênio
apontando o dedo no rosto de Al Porus sem se inibir com o seu.
(Al Porus) __ Tira esse dedo da minha cara agora Proênio ou eu vou
quebrar tua cara como fiz da última vez, só que dessa tu nunca mais vai se
reconhecer no espelho.
O clima fica tenso, o garoto baixa o dedo, mas continua com um sorriso
irônico que incomoda Al Porus, Manúrio segura o amigo pelos ombros o
puxando para trás, alguns amigos de Proênio se aproximam e ficam atrás dele
apenas esperando a reação de Al Porus.
(Manúrio) __ Al, deixa isso pra lá, vamos sair daqui. __ Fala Manúrio
cochichando no ouvido do amigo que não tira o olhar do olhar irônico de seu

106
O despertar do imortal
rival.
(Jutor) __ O que esta acontecendo aqui?__ fala o anão ferreiro
impondo ordem.
(Proênio) __ Nada mestre Jutor, eu e AL só estávamos conversando,
não é mesmo Al Porus?
Al Porus apenas afirma com a cabeça, Jutor põe ordem na situação e
cada um volta a sentar-se em suas cadeiras. No quarto dos alunos Náila abre a
porta devagar e encontra Héctor em pé de frente aos seus pertences no
guarda-roupa.
(Aline) __ Héctor, você está bem? __ pergunta a kwariana.
(Héctor) __ Sim estou! __ fala ele em a voz baixa.
(Aline) __ Não se importe com o idiota do Proênio, ele vive de arranjar
confusão com todo mundo.
(Héctor) __ Mas eu não fiz nada a ele.
(Aline) __ Eu sei, mas ele age assim com todo mundo, entenda, a sua
história é difícil de acreditar e isso leva todo mundo a duvidar de você ...
Héctor remexe suas coisas e retira do meio de seus pertences a espada
que ele forjou e então mostra para Aline.
(Héctor) __ Pegue, veja.
Aline fica aparentemente tensa e pega a espada horizontalmente com
as duas mãos.
(Aline) __ O que é isso?
(Héctor) __ Desembainhe e veja por si só!
Ela empunha o cabo da espada e a desembainha bem devagar, a luz dos
lampiões reflete na lâmina da espada.
(Aline) __ Não Héctor, não pode ser. __ fala ela olhando atentamente
para a espada. __ Essa é a espada de mestre Tartum.
Manúrio e Al Porus entram no quarto falando alto aparentemente
discutindo.
(Al Porus) __ Eu deveria ter quebrado a cara dele, mas deixa se eu
pegar ele nas aulas de arte marciais. __ fala Al Porus para Manúrio sem
perceber que Héctor e Aline estão no quarto, quando eles os percebem Al
Porus se assusta com Aline segurando uma espada.
(Al Porus) __ Mas que “porra” é essa? __ fala Al Porus de maneira
espantada.
(Aline) __ Ah, a espada! Bem... __ complementa Aline.
(Héctor) __ É minha. __ responde Héctor.
Manúrio vê a espada e assustado fala.
(Manúrio) __ Essa espada é a espada do mestre Tartum, mas o que você

107
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
faz com ela?
Os dois amigos se aproximam e analisam a espada cuidadosamente.
(Héctor) __ Vocês estão enganados, essa não é a espada de Tartum é
apenas uma cópia.
(Al Porus) __ Aposto que foi Leviro que fez só ele que poderia fazer
uma cópia tão perfeita assim. __ dis Al Porus.
(Héctor) __ Não foi Leviro quem a forjou. Fui eu.
Eles ficam abalados e se olham intensamente.
(Aline) __ Tá brincando... Não sabia que você era ferreiro.
(Héctor) __ Meu pai é ferreiro e aprendi com ele a forjar espadas.
Quando os ífrits me atacaram eu tive que matar um. Pois é, foi com uma
espada idêntica a essa que eu matei um deles, só aqui que fiquei sabendo que a
espada original pertencia a um mestre Acira que tinha morrido e só esse tal
de Rairoth poderia estar com a espada dele.
(Aline) __ Minha nossa, então Rairoth matou mesmo Tartum. __ fala
Aline.
(Héctor) __ Quem era Tartum? __ pergunta Héctor.
(Al Porus) __Tartum era nosso mestre de artes marciais. __ responde
Al Porus. __ ele era um dos gigantes das terras de Astarônia, ao sul do
Deserto dos Gigantes. Dansri é alto, mas ele de pé tinha a altura do abdômen
de Tartum.
(Héctor) __ Tá brincando? Eurífones só disse que eles eram enormes,
mas não desse jeito...
(Al Porus) __ To vendo que os fegorianos não sabem de quase nada
desse mundo não. __ ridiculariza Al Porus __ os astaronianos são uns “negão
parrudo”, Tartum era o espadachim do Império de Astarônia, e foi convocado
para prender Rairoth que estava no reino de Feloptéia meses atrás.
(Manúrio) __ Lá vem o especialista em Rairoth... __ fala Manúrio rindo
de Al Porus. __ toda conversa dele termina nesse cara.
(Al Porus) __ Cala a boca Manúrio, me deixa contar. __ responde
instantaneamente Al Porus para seu amigo e continua. __ Tartum era muito,
mais muito forte fisicamente, ele foi capturar Rairoth devido ao mandado de
captura que o conselho Acira emitiu, mas se deu muito mal. Dizendo os boatos
Tartum quase venceu Rairoth e os dois caíram em um cânion. Todo mundo
estava pensando que os dois tinham morrido então apareceu você com essa
história de ter visto Rairoth.
(Héctor) __ Já sabe tanto sobre esse guerreiro Rairoth, por que o
Conselho Acira o quer preso. __ pergunta Héctor cada vez mais curioso sobre
esse guerreiro.

108
O despertar do imortal
(Al Porus) __ Ele detém quatro das oito Espadas do Império. As
adquiriu matando seus antigos donos. Além disso ele mata os Semas ou Aciras
que se posicionarem em seu caminho. Dizem que uma vez ele, sozinho,
enfrentou 200 soldados de Rome e venceu. Sou fascinado nesse guerreiro. __
finaliza Al Porus demonstrando em suas palavras uma admiração enorme ao
guerreiro.
(Manúrio) __ Ei Héctor, você tem boa memória? __ pergunta Manúrio
sem nenhum nexo com a conversa anterior.
(Héctor) __ Sim tenho! Por quê? __ pergunta Héctor de volta sem
entender que pergunta deslocada era aquela.
(Manúrio) __ Por que quando encontrar Rairoth de novo diz pra ele que
ele tem um admirador.
Todos caem na gargalhada e ficam a analisar a espada e poucos minutos
depois Aline se despede dos garotos e dirige-se a seu quarto no setor
feminino. Os garotos ainda continuam a conversar e finalmente os garotos se
convencem de que a história contada por Héctor é verdadeira.
Os dias se passam e as aulas se sucedem encantando cada vez mais
Héctor pelo saber, nesse meio tempo ele se adapta à rotina de aulas e
trabalho na lavoura de trigo arroz e milho. No sétimo dia de cada Semana
todos os alunos se juntam cedo da manhã, ainda no frio da madrugada que
acabara de partir, nos campos verdes nos arredores do Templo Acira. Os dias
anteriores eles estudaram matérias corriqueiras, no dia anterior foi aula
pratica de caça com arco e fecha, técnica que Héctor domina muito bem, com
isso ele conseguiu conquistar mais respeito dentre os amigos de turma, mas
despertou em Proênio uma aversão.
Nos dias anteriores as aulas de artes marciais foram direcionadas para
o treinamento teórico do estilo Thay, arte marcial onde se usa socos e chutes
e concentra-se bastante no uso dos cotovelos e joelhos em curtas distâncias,
hoje será a primeira aula prática para Héctor onde seus amigos já o avisaram
que será muito violento, eles tiraram a maioria das dúvidas de seu amigo, mas
deixaram bem claro para ele que apenas no ringue é que saberia como
proceder.
Eles chegam ao ringue circular formado por cordas com um diâmetro
grande o bastante para manter os lutadores em combate, o chão é de areia
fina e braça semelhante a do deserto, o seu mestre de artes marciais chega,
é um homem alto e bastante magro e com o corpo bem definido, seus cabelos
são loiros e brilhantes com um corte curto na parte inferior da cabeça e bem
volumoso em cima, tem um olhar sério e uma pequena barbicha com um bigode
ralo, quase não movimenta seus lábios ao falar e não parece nada simpático,

109
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
usa um florete na cintura que o define como um praticante de esgrima Acira,
seus olhos observam de longe todos seus alunos que ao perceber sua
aproximação se organizam em cinco fileiras de cinco, Héctor permanece na
quarta fila da direita para a esquerda na última posição tendo ao seu lado
direito Al Porus e à esquerda Manúrio, de onde estava Héctor observa que o
seu amigo não muito intimo Bériun parece estar muito nervoso.
(Héctor) __ Al. __ fala Héctor imóvel sussurrando __ por que todo
mundo parece muito nervoso hoje?
(Al Porus) __ Eu te falei, não se lembra? Hoje é combate! Não sei se
você vai participar, é melhor ficar preparado, e te cala.
Héctor parece não ter gostado muito do que acabara de ouvir, agora ele
entendo o porquê de todos ali estarem nervosos, ter que lutar tanto os deixa
nervosos quanto eufóricos.
(Rafael) __ Atenção! Formação! __ grita o Acira a frente dos alunos.
Todos se postam em posição de cumprimento, com a mão direita por
cima do ombro esquerdo e curvando–se levemente.
(Rafael) __ Como todos vocês foram avisados hoje acontecerão os
combates de artes marciais. Quero empenho e vigor em cada luta, não quero
nenhum desistindo ou choramingando derrota! A seleção será pelo número de
suas atuais posições na formação, da esquerda para a direita, da frente para
trás. Os números serão sorteados aos pares que se enfrentarão em uma luta
de três minutos. Entenderam?
Todos respondem em voz alta em coro.
“Sim!”
(Rafael) __ Bom! __ Rafael tira de dentro de um de seus bolsos um
pequeno saco de pano. __ Neste saco estão escritos vinte e cinco números,
como vocês lutarão aos pares ficará alguém sobrando.
Rafael percebe a presença de Héctor na formação e caminha em sua
direção.
(Rafael) __ Porque você está na formação Héctor? Disseram-me que
você quase não gosta das aulas de artes marciais.
(Héctor) __ Porque você pediu para todos estarem presentes, senhor.
__ responde Héctor estático.
(Rafael) __ Não sou seu senhor. Sou um mestre Acira e você deverá se
dirigir a mim como mestre. Entendeu Héctor?
(Héctor) __ Sim mestre!
(Rafael) __ Lembre-se, sou Rafael, mestre Acira, o seu mestre de artes
marciais Acira. __ ele volta devagar para frente dos seus alunos em
formação, Héctor fica parado e muito tenso.

110
O despertar do imortal
(Rafael) __ Todos falam sobre você aqui no templo faça por merecer
sua popularidade.
(Rafael) __ Repito, cada um de vocês agora é um número da maneira que
falei anteriormente. Você, garoto. __ fala o mestre se dirigindo a um dos
garotos__ quem é você?
(Adoria) __ Sou Adoria mestre.
(Rafael) __ Errado! __ grita Rafael serrando os dentes. __ Agora você
não é Adoria, você é o número três. Quem é você?
(Adoria) __ Sou o número três mestre.
(Rafael) __ Muito bem! __ andando pela formação ele se dirige a outro
dos alunos e pergunta. __ quem é você garoto?
“Número onze mestre.” Responde o garoto sem nem mesmo se mover.
(Rafael) __ Muito bem.
Os outros alunos continuam a responder as perguntas feitas por Rafael,
enquanto isso Héctor aproveita e cochicha para Manúrio.
(Héctor) __ Os combates são sempre assim.
(Manúrio) __ Agora são! Quando Tartum era nosso professor tudo era
diferente, depois da morte dele Rafael assumiu... __ Manúrio para de falar
quando Rafael chama atenção de todos na formação.
Enquanto não arranjavam um novo professor Jutor assumiu as aulas de
artes marciais como substituto depois da morte de Tartum, ele treinou com
vigor seus alunos. Héctor ficava sempre fora do treino principal e ia para a
biblioteca estudar, algo não muito esperto para quem teria que um dia
enfrentar um combate de verdade.
(Rafael) __ Atenção! __ fala Rafael mantendo seu tom de voz firme. __
como todos já entenderam começaremos a sortear os pares para os duelos,
quero conhecer a capacidade de combate de vocês.
Rafael enfinha a mão no saco e começa a retirar os pedaços de papel
com os nomes dos alunos em pares, selecionado os doze duelistas. Por ironia
do destino Al Porus enfrentará seu amigo Manúrio. Héctor observa o
desespero de Bériun ao ver que seu oponente será Proênio, o maior e mais
forte fisicamente, fora Al Porus, entre todos os alunos. Manúrio comenta
sussurrando para Al Porus.
(Manúrio) __ Coitado do Bériun, tá lascado. Proênio vai partir ele ao
meio!
O olhar de Proênio fica fixo em Bériun, querendo intimidá-lo, o mesmo
olhar que ele utilizou quando zombou de Héctor dias atrás no refeitório.
Todos se juntam e formam um círculo no local onde acontecerá o duelo,
a brutal disputa entre os adolescentes começa. A técnica deles está muito

111
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
boa, isso deixa os duelos bem mais interessantes, usavam as técnicas de Thay
aprendidas no decorrer das aulas, as cotoveladas e joelhadas são precisas e
em poucos minutos as lutas acabam decididas por pontos. Durante as lutas
Héctor se mantém conversando com Manúrio que está ansioso para enfrentar
o amigo.
(Héctor) __ Você observou que Bériun está muito nervoso. __ fala
Héctor preocupado com seu amigo das aulas de metalurgia.
(Manúrio) __ Mais também... Proênio é o melhor aluno dessa turma de
artes marciais, depois que Tartum morreu e Rafael assumiu a turma ele se
tornou o queridinho do professor. Ano passado ele quase mata Al Porus com
uma joelhada, e olha que Al é muito bom em Thay.
Pouco a pouco as lutas vão acontecendo. Manúrio enfrenta Al Porus com
muita destreza, os dois tem um nível técnico muito bom e por sempre terem
treinado juntos um sabe as técnicas do outro, a luta entre os amigos demorou
bem mais do que as outras, a luta é finalizada quando Al Porus surpreende
Manúrio com um cruzado de esquerda no contra ataque de uma canelada de
direita de seu oponente, nocauteando-o rapidamente. Manúrio cai tonto no
chão e seu amigo imediatamente o socorre preocupado.
(Al Porus) __ Manúrio, você está bem? Fala alguma coisa! __ fala Al
Porus mexendo a cabeça de seu amigo que se movimenta lentamente, tonto e
com os olhos desfocados e desalinhados do ângulo de visão.
(Manúrio) __ Tô bem! __ fala Manúrio, com a língua ainda meio
embolada.
Al Porus levanta o amigo o tirando do centro do círculo. A luta seguinte
começa com a atenção de todos em êxtase, será a luta entre Bériun e Proênio.
Os dois ficam frente a frente no centro do círculo, é visível o medo nos olhos
de Bériun, tão visível quanto a certeza de vitória no sorriso de Proênio.
Os dois amigos que lutaram anteriormente se aproximam de Héctor,
Manúrio cospe um pouco de sangue enquanto Al Porus passa a mão no rosto
onde seu olho está inchado de um soco que Manúrio aplicou. Manúrio já está
recuperado do soco, mas parece incomodado, fica movimentando o queixo de
um lado para o outro e sem nenhum rancor fala para o amigo.
(Manúrio) __ Não dava pra você ter pegado um pouco mais leve não? Tú
quase arranca meu queixo! __ fala o jovem apoiando a mão no maxilar e
fazendo um movimento de um lado para o outro.
(Al Porus) __ Foi mal, não era minha intenção, mas se eu não fizesse
isso tu ai fazer!
Os dois olham para o olhar de Héctor que está voltado para os dois no
duelo seguinte, os dois se cumprimentam estendendo as mãos para que sejam

112
O despertar do imortal
tocadas com os punhos, Al Porus faz um comentário para seus dois amigos.
(Al Porus) __ Bériun nunca venceu ninguém em um duelo, das outras
vezes nós acertávamos antes das lutas que não iríamos machucá-lo feio, só
que dessa vez ele não deu sorte. __ ele volta seu olhar para os dois que o
escutavam atentamente suas palavras. __ Proênio não tem piedade quando
luta.
Héctor fica incomodado com a gritante desvantagem física de Bériun
para Proênio, além do mais Bériun está em desvantagem psicológica. Os dois
permanecem em posição de ataque apenas se estudando, a base de Proênio é
firme e vigorosa, seus ombros se mantém um pouco levantados seus punhos
ficam à frente de seu rosto mantendo um molejo agressivo em seu corpo.
Proênio finta um movimento assustando seu oponente que tenta desajeitado
fastar para trás e cai sozinho, a maioria dos alunos riem, Proênio se aproxima
de seu oponente que parece indefeso no chão de costas, ele protege a cabeça
com as mãos e se encolhe. Rafael mantendo seu jeito imponente, mantendo
seus braços cruzados e balança a cabeça de modo negativo. Então ele grita
com os lutadores.
(Rafael) __ O que aconteceu? Vamos não temos o dia todo, isso aqui é
luta e não uma dança. Levante-se Bériun, continue a luta, ou você já quer
desistir?
Héctor olha para Rafael e sente algo formigar por dentro, uma raiva
diminuta começa a nascer no jovem pelo fato de seu professor parecer
indiferente a diferença física dos dois lutadores. A luta continua, Bériun
levanta desajeitado e então ataca Proênio com vários golpes com as mãos, os
socos passam no vazio das esquivas de Proênio que se mantém com um olhar
irônico o tempo todo, Bériun finta um soco de direita e surpreende seu
oponente finalizando de esquerda.
Héctor corre para o centro do ringue para acudir seu amigo enquanto o
vencedor sai comemorando. O jovem fegoriano levanta o fraco Bériun que está
sangrado do nariz e o leva para fora do ringue.
(Rafael) __ O vencedor é Proênio! __ fala o professor. __ vocês aí... __
fala Rafael apontando para Manúrio, Al Porus e Héctor __ cuidem de Bériun.
Novamente a desconsideração de Rafael pelo seu aluno incomoda os
jovens que naquele momento só puderam lavar sua cabeça com água.
As lutas continuam até a última. Héctor já está mais controlado, todos
voltam a sua formação inicial, alguns sangram, outros estão machucados,
outros com os olhos roxos. Bériun já está melhor e completamente acordado,
mas sente o tempo todo o desconforto da pancada que levou no nariz. Rafael
volta a frente de sua formação.

113
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Rafael) __ O que eu vi hoje foi uma vergonha, __ fala Rafael gritando
__ vocês nas minhas aulas são soldados, são vocês que vão ser soldados,
oradores e diplomatas Acira. Os Acira têm muitos inimigos, a morte andara
atrás de vocês por escolher seguir um estudo Acira, e é assim que vocês vão
lutar pela honra Acira?__ todos ficam calados, os olhos de Rafael saltam e
olham firmemente para a formação e volta a falar.
(Rafael) __ Vocês têm que ser fortes, os que foram derrotados
deveriam ter se esforçado até desmaiarem se preciso, os que venceram
deveriam ter lutado e derrotado seu oponente mais rápido possível. Fortes...
Vocês têm quer ser fortes! __ berra o professor que de nada lembra o antigo.
Todos ficam nervosos, mas eles já estão acostumados àquela ladainha
de Rafael, ele olha nos olhos de Héctor e o chama a frente.
(Rafael) __ Héctor venha à frente. __ Héctor obedece e vai à frente
da formação.
(Rafael) __Tire um pedaço de papel. Ordena Rafael estendendo a mão
com o saco rumo a Héctor.
Héctor esita por um instante, mas não quer ir contra as ordens daquele
professor que era diferente dos outros que ele conheceu nessa primeira
Semana de estudos no templo Acira. Então ele tira um dos pedaços de papel e
entrega a Rafael que o segura dentro de sua mão sem olhar.
(Rafael) __ Você sabe por que tirou esse papel?
(Héctor) __ Não mestre__ respondeu Héctor engolindo seco.
(Rafael) __ Você sabe... __ ele fala calmamente, algo que despertou
estranheza em todos __ temos uma regra aqui. Quando um aluno novo entra
nos treinos de artes marciais tem que passar por uma prova que chamamos de
“batizado”, uma luta corpo a corpo com um dos alunos. Nesse papel que você
tirou ira estar seu oponente. Duvido muito que você, sem nunca ter treinado
alguma técnica Acira possa vencer, mas é assim... Nem tudo nessa vida é
justo, nem mesmo no mundo Acira.
Um sorriso de canto de boca é dado por Rafael. Ele pega o papel
amassado de dentro de sua mão e o desamassa com as duas mãos, novamente
ele dá o mesmo sorriso ao ver o numero no papel. Ele olha direto par os olhos
de Héctor e levanta sua mão e mostra o numero 15 o numero de Proênio.
(Rafael) __ Número 15... Proênio, você está no ringue de novo.
A formação toda olha para Proênio à frente, ele vem com seu sorriso de
vitória estampado no rosto, o seu complexo de superioridade transborda
quando ele se aproxima de Héctor e fala baixinho.
(Proênio) __ Vou ser pior que um ífrit, abestado! __ fala Proênio se
posicionando a frente de Héctor.

114
O despertar do imortal
Manúrio e Al Porus ficam preocupados com seu novo amigo, eles sabem
que Proênio não dispensa nem mesmo seus amigos, poderá ser uma luta
devastadora para Héctor.
(Rafael) __ Os dois frente a frente __ fala Rafael para que os dois se
posicionem eles se posicionam.
(Rafael) __ Quero ver os dois lutando pra valer, quero um luta que vala
por todas as outras __ fala o mestre entre os dois.
Héctor percebe nitidamente que aquele palavreado estava direcionado
a Proênio, ele abaixa-se a pega um punhado de areia e esfrega nas mãos para
dar mais aderência na pegada de tarracá, sua arma secreta nessa luta.
(Rafael) __ Prontos... Lutem! __ fala Rafael dando inicio a luta.
O grito de Rafael preenche a memória de Héctor. Ele se lembra de seu
pai quando o ensinava queda de corpo quando era menor. Héctor se concentra
não em bater em seu oponente, mas, se possível, derrubá-lo com a técnica
tarracá que seu pai ensinou e finalizá-lo, desmoralizando-o perante seus
amigos.
Os pulsos de Proênio estão fechados e as mão de Héctor permanecem
abertas com a intenção de agarrar qualquer ataque vindo de seu adversário.
Proênio não contava com isso. Subestimou Héctor ao tentar fazer o mesmo
que fez com Bériun. Ao tentar fingir um ataque, ao invés de Héctor esquiva-se
para trás ele esquiva-se para frente e agarra na curvatura da perna frontal
de Proênio e calçou o seu pé de apoio com o dele e derrubou de forma muito
leve o garoto que tinha mais de dez quilos que Héctor. O grito da formação e
geral, nenhum deles nunca tinham visto Proênio ser atacado de forma tão
técnica quanto aquela. Héctor se afasta após o ataque e mantém-se
apreensivo com o olhar sério, Proênio se levanta rapidamente sujo de areia
destinado a não cometer o mesmo erro, nota-se o ódio em seu olhar, ele
fungava de raiva, suas sobrancelhas já se posicionava diagonalmente e Proênio
dessa vez atacou fulminantemente Héctor com um soco de direita, acertando
em cheio o rosto de Héctor que fica tonto e com uma visão embaçada, logo foi
novamente atacado, dessa vez com um chute direcionado a sua cabeça, mas
que o acerta no ombro jogando-o longe no chão. Héctor é resistente, levanta-
se dolorosamente e dá um soco em Proênio que esquiva-se e desfere um soco
em cheio no estômago de Héctor que fica sem reação, Proênio parece furioso
e o ataca dessa vez covardemente e o segura pela cabeça com as duas mãos e
desfere um violenta cabeçada em Héctor abrindo o seu supercílio direito,
melando o seu rosto de sangue. Héctor cai e fica lateralmente no chão,
Proênio ri e grita:
(Proênio) __ Levanta! Pensa agora que eu sou um ífrit e me ataca.

115
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
É visível o desprezo e ironia nas palavras de Proênio que cospe em
Héctor. Rafael fala para os dois.
(Rafael) __ Basta Proênio! Ele já foi batizado!
Proênio recua sorrindo. Manúrio, Al Porus e Bériun olham fixamente
para Héctor no chão, no momento em Héctor passa a mão no liquido quente
que escorre em seu rosto uma fúria se liberta de dentro de sua alma. Sua
cabeça dói loucamente, suas costas ardem como fogo e ainda de cabeça baixa
olhando para o sangue em sua mão ele grita com uma voz muito diferente do
normal, uma voz forte e imponente.
(Héctor) __ Não, eu quero continuar!
Rafael olha para Héctor e fala elogiando-o.
(Rafael) __ Muito bem! Era isso que eu queria ver nas outras lutas, não
se dar por vencido. Então Héctor levanta! Proênio você foi desafiado a
continuar, agora você vai correr?__ Proênio faz um sinal negativo com a
cabeça e se aproxima de Héctor e fica em posição de luta. Héctor ainda está
abaixado, mal se pode ver o seu rosto. O cabelo que antes era loiro toma uma
cor negra, fio por fio, na cabeça de Héctor e essa cor quase toma toda a cor
loira de seus cabelos. Rafael olha fixamente para aquela inusitada situação
sem entender a mudança física de seu aluno.
Héctor levanta-se lentamente apoiando-se em sua própria perna, ao se
por em pé todos se assustam o semblante de Héctor, seu corte no supercílio
está se fechando lentamente como por intervenção mágica, e algo mais
tenebroso abalou o coração de Rafael. Os olhos antes azuis agora tornaram-se
totalmente negros, cor negra essa que agora tomava toda a sua esclera, não
sobrando nenhum espaço branco. Seu rosto estava tomado de ira, Proênio ao
ver aquela sena tenebrosa não se intimidou e partiu para cima de Héctor com
toda a sua força, os socos passavam no vazio, Héctor se esquivava com muita
facilidade, seus sentidos agora estavam muito mais aguçados do que antes no
monte onde ele estudava, ele via os socos passarem como se os movimentos de
Proênio fossem lentos. Depois de alguns ataques frustrados Héctor decide
dar fim a luta, ele então segura um chute de Proênio, travando sua perna
debaixo da axila, colocando a mão em sua coxa e apoiando o pé atrás do pé de
apoio de Proênio, derrubando-o com força no chão. Foi um segundo que durou
horas para todos, Héctor estava completamente descontrolado, não
aparentava mais ser aquele garoto pacato.
Ele pensou na surra que o indefeso Bériun levou minutos atrás, lembra
também nos socos e chutes e principalmente nas joelhadas que levou de seu
oponente que mesmo no chão ainda apresentava um olhar de superioridade,
como se pudesse reverter a aparente situação de derrota. Héctor não hesita,

116
O despertar do imortal
aplica um chute direto usando a sola do pé no meio de coxa de seu oponente
que grita de dor. O vencedor solta a perna de seu oponente com escárnio e,
com respiração ofegante, fica apenas observar os lamentos do derrotado.
Rafael aproxima-se rápido e os separa, ele tenta acudir Proênio que
permanece gritando segurando a própria coxa que aparentemente está
quebrada. Rafael se volta para Héctor e grita furioso.
(Rafael) __ O que você pensa que fez seu idiota! __ diz Rafael
encarando corajosamente Héctor, logo segurando em sua gola como se
pudesse ameaçá-lo.
Ao olhar profundamente nos olhos negros de Héctor Rafael sentiu um
arrepio que nunca tinha sentido antes. Sem inibição Héctor o empurra para
longe, deslocando-o no chão, tendo os alunos que se esquivassem para não
serem acertas pelo corpo de Rafael que cai como um gato no chão.
Héctor bufa acelerando sua respiração, os alunos se afastam ao invés
de ajudá-lo. Héctor põe as duas mãos na cabeça e ajoelha-se. Um grito
animalesco é dado por ele, a dor de cabeça aparentemente tira sua sanidade e
depois de um grito que reverba pelo castelo inteiro ele cai no chão
desacordado com a parte de trás de sua camisa chamuscada como se as
costas de Héctor estivesse em brasa. Depois de alguns segundos desacordado
seus cabelos voltam a cor normal, uma barba rala cresceu em seu rosto.
Rafael aproxima-se de Héctor e verifica seus sinais vitais, todo o silêncio não
responde o que havia acontecido. Rafael, com a ajuda dos alunos, leva Héctor
desacordado e Proênio para a enfermaria.

117
AS ESPADAS DO IMPÉRIO

IX – O ENCONTRO DOS
SEMAS

“As loucuras de Belto vão acabar me custando


todo um reino, antes ele trazia ífrits e gárgulas, que
assustavam meu povo, inventa de ir atrás de uma
múmia e trás para meus alquimistas, a múmia
ressuscita e agora trás todos esses Semas para
minhas terras. A situação está fora de controle, se
esse imortal não detiver o poder que realmente diz
ter eu estarei morto. Não tenho mais ouro e nem
prata só tenho aço e mais aço. Ethos me mandou
construir armaduras para uma quantidade de
guerreiros que não possuo e me prometeu um poder
que não conheço, disse que eu comandaria um
exército muito mais poderoso que humanos comuns.
Não poso fazer nada terei que acatar suas ordens,
porém se ele me der o poder que desejo poderei me
vingar de tudo o que Belto fez comigo e com meu
reino, tomarei seu lugar ao lado do imortal e serei
muito poderoso”

Dentro de uma ampla sala no castelo de Akun dezenas de figuras


sinistras estão sentadas no semicírculo em forma de platéia, usam roupas
escuras a negras, outros usando vermelho sangue, todos usam espadas. Em
seus rostos está estampado ódio e fúria, todos estão inquietos, não sabem o

118
O despertar do imortal
porquê de seu mestre, Belto, tê-los comunicado para aquela reunião urgente.
Nenhum deles é fiel a Belto, mas o temem e o seguem pelo o que ele defende,
o poder pelo caminho da magia Sema.
Toda aquela inquietude é quebrada quando Belto adentra a sala. A luz
das velas ilumina o ambiente tenebroso, a incerteza se estampa em cada
terrível olhar enquanto uma leve brisa balança as cortinas vermelhas. Todos
se postam e fazem a reverência Sema, aberta e de maneira agressiva eles
põem a mão esquerda no peito direito e cruza a mão direita no peito esquerdo
como a posição que os mortos são enterrados, e então se curvam levemente.
Belto esbanja sua arrogância olhando para cada um dos Semas que lá
estão, enquanto anda devagar com a mão direita segurando na lapela esquerda
de seu manto vermelho sangue, logo Belto começava a orar.
(Belto) __ Semas do mundo de Veronor, eu convoquei cada um de vocês
aqui hoje para mudarmos a história desse mundo e tomarmos o lugar que é
nosso. __ fala ele fazendo ecoar sua voz. __ Faz muito tempo que nós vivemos
às escondidas, sendo perseguido pelos malditos Acira, impossibilitados de
tomarmos o poder, poder esse que nasce do nosso sangue e da guerra, de toda
a magia das trevas que nos foi dada há muito tempo. Novamente espalharemos
o medo a cada canto de Veronor e faremos cada império, cada feudo,
pequenos povoados, cada nômade ou qualquer ser consciente desse mundo, até
mesmo os seres alados consciente, sucumbir ao nosso poder. Tudo nesse
mundo será nosso mais uma vez.
Um dos Semas abre os braços e dá uma gargalhada assombrosa que
ecoa por toda a sala mais alto que a voz de Belto.
“Belo discurso Belto, realmente muito belo, digno de um mestre Sema.”
__ fala o Sema chamado Aistéctiro caminhando rumo a Belto, sorrindo e
aplaudindo. __ Mas há um problema aqui Belto. Você nos convoca de cada
canto do mundo para falar aquilo que muito dos Semas já tentaram e nunca
conseguiram. Isso é utópico idiota! __ grita o horrendo humano.
Todos os Semas, então, começam a falar desordenadamente. Aistéctiro
volta a chamar a atenção de outros levantando as mãos e iluminando a sala
com um clarão mágico que surge de sua mão e rápido se apaga.
(Aistéctiro) __Você é tolo Belto? Você sabe que os Acira são muito
mais organizados do que nós e por causa disso muitos de nós estão hoje
aprisionados na prisão de Feloptéia. Os Semas estão em declínio, você não vê?
Muitos de nós fomos mortos pelo maldito Áian Rairoth que nem mesmo você,
seu medíocre, conseguiu derrotar. Com suas conversas nos induziu a perseguí-
lo por alguns trocados apenas pelas suas desavenças pessoais.
Alterado Belto se impõem perante Aistéctiro.

119
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Belto) __ E com que autoridade você fala essas coisas Aistéctiro?
Você é um covarde! Esconde-se atrás de seus pupilos em suas batalhas, induz
os aqui presentes a contestar minhas idéias e ainda me chama de idiota. __
Ele se volta ao os outros e continua a desferir palavra como flechas em
inimigos. __ Nossa união será o fim de todos os Acira. A guerra e o sangue
será a nova lei de Veronor, basta que nós formemos a maior aliança Sema que
Veronor já viu, uma nova aliança... A Aliança da Espada Negra.
Finalizando suas palavras Belto levanta as mãos com um aspecto
triunfante, alguns riem, outros xingam. Noriato, um dos Semas mais velhos e
respeitados do clã do mau, também um dos mais ágeis e mortais na arte da
esgrima Sema, pede a sua voz para falar. Aparentemente ele é respeitado,
todos se calam quando ele levanta-se para falar, sua voz é macia e
encantadora, completamente diferente dos seus olhos enrugados que
carregam uma carga de ódio que se expande no ar, seus cabelos lisos,
compridos e brancos indicam que ele é dos mais antigos membros da Ordem
de guerreiros do mal, ele usa uma túnica negra como a noite e carrega consigo
um florete de cabo dourado que ele segura com a mão esquerda o tempo todo.
(Noriato) __ Você Belto, com qual autoridade você se impõe a nos
organizar? Seu verme pretensioso. Eu poderia matá-lo agora por sua ousadia.
Belto apenas balança a cabeça e ri.
(Belto) __ Noriato, meu caro Noriato, sua coragem me faz rir. Pois bem
posso fazer um breve comentário para satisfazer a você velho caduco. Eu fui
o único neste século a organizar a Ordem Sema da forma que hoje permanece,
conduzi o exército de Akun, treinei os seus soldados com um pouco da arte
Sema tornando-os mais mortais, eu tenho os gárgulas sob meu comando, além
do mais eu tenho uma das espadas do império. Diga-me agora, seu velho, qual
de vocês aqui conseguiu tais façanhas? __ Belto olha cada olho com a
superioridade no olhar mantendo seus olhos semi fechados desafiando a
todos. __ Qual? Digam! Qual?
(Aistéctiro) __ Você é realmente prepotente, maldito, quer nos unir
para se aproveitar de nossa força.
Todos ficam alvoroçados, alguns chegam até mesmo a segurar no cabo
de suas espadas com medo de um descontrole entre os membros, alguns
gárgulas empunham suas espadas e no meio da escuridão surgem os seres de
fumaça. Belto faz um gesto para os seus servos se mantenham distantes dos
Semas e volta a falar.
(Belto) __ E isso não seria bom para vocês? Até agora o que vocês
conseguiram sozinhos? __ revida Belto colocando a mão no seu queixo
acariciando sua barba.

120
O despertar do imortal
(Aistéctiro) __ Você não nos manipulará, ninguém pode ter o controle
absoluto dos Semas. Ninguém pode ser o mestre do poder negro dos Semas,
seu imundo!
Um poder sinistro começa a emanar do meio da escuridão e é sentido
pelos guerreiros. As trevas parecem se mover, algumas luzes diminuem sua
intensidade, os ífrits e os gárgulas se escondem rapidamente, Belto mantém-
se firme e faz a reverência Sema rumo à escuridão.
Os Semas ficam atônitos sem entender que está acontecendo, nem
sabiam quem era aquela figura sinistra que acabara de aparecer.
(Ethos) __ Eu tenho todo o direito de unir os Semas, vocês não
servirão a Belto, servirão a mim e cada um de vocês terá orgulho disso.
Noriato olha Aistéctiro se levantar devagar, então o destemido Sema
volta o olhar para o ser que caminha devagar rumo ao centro do salão,
(Aistéctiro) __ E quem é você para falar com os Semas como se
fôssemos seus servos?
Ethos abre os braços levemente, uma nuvem escura começa a sair de
suas mão, seus olhos se tornam vermelhos, no lugar de suas unhas surgem
garras afiadas semelhantes às dos gárgulas. Dele exala um poder imenso ao
qual nenhum dos presentes conhecia.
(Ethos) __ Eu sou aquele que detentor da verdadeira face do poder
Sema, aquele que driblou a morte durante milênios, o ser de dominou todo
esse mundo passado e agora voltou para ter de volta o que é seu.
Os Semas ficam apreensivos, olhando a nuvem escura que rodeia o
imponente ser, cada um espera descobrir quem é o ser que emana aquele
extremo poder. Como um golpe de uma espada as palavras do ser ferem o
espírito dos guerreiros das sombras com algo que eles nunca espariam ouvir
em suas vidas.
(Ethos) __ Eu sou Ethos, o imortal! __ grita o ser espalhando pelo ar a
densa névoa de energia negra.
As palavras do ser incomoda o decrépito, porém orgulhoso, Noriato.
(Noriato) __ Há... Como ousa pronunciar o nome do imortal, ser
desconhecido __ fala Noriato visivelmente ironizando __ Ethos foi
aprisionado e morto há muito tempo pelos Acira, sua múmia está exposta nos
mausoléus de Egíptia.
Todos os Semas olham para Ethos com olhar de repúdio, uns o xingam,
outros gritam.
(Belto) __ Silêncio! __ Grita Belto __ Seus tolos, vocês não vêem além
do que os olhos enxergam? Os Aciras induziram todos os que procuravam o
corpo do imortal ao erro, mas eu descobri a verdade por trás de mais de 3

121
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
milênios. Eu o encontrei! Passei anos pesquisando sobre o imortal e encontrei o
seu cárcere nas montanhas de Kwara. Eu o trouxe aqui para nos guiar para a
vitória.
(Aistéctiro) __ Isso é inadmissível! _ fala Aistéctiro desembainhando
sua acimitarra e estendendo o rumo a Ethos e a Belto. __ seus dois loucos
não... Não existe o imortal, nem mesmo o verdadeiro Ethos poderia sobreviver
a todo esse tempo. Agora você quer nos enganar para usar nossos poderes em
seus ambiciosos planos e para isso usa truques baratos.
Os ânimos estão exaltados, quase todos a desembainha suas espadas,
mas uma entre todos grita para chamar a atenção e começa a falar.
(Dráina) __Acreditem, eu pude ver com meus próprios olhos o poder de
Ethos, aconselha todos vocês que não desafiem.
(Ethos) __ Dráina, esses guerreiros são estúpidos demais. De uma
forma ou de outra terão que sucumbir aos desejos de Ethos, o imortal. __
fala Ethos com uma expressão repulsiva mantendo o queixo erguido. Eu posso
destruir todos vocês. Posso usá-los como minhas marionetes, seus animais
imundos. __ grita ele dando passos para frente demonstrando não temer
nenhum deles. __ Eu posso até mesmo destruir o poder Sema de cada um de
vo... ugh! __ a voz de Ethos é interrompida bruscamente, seu corpo treme, ele
estufa um pouco seu peito, todos ficam parados olhando, Ethos cravado por
uma espada bárbara de um dos guerreiros Semas no meio das costas, entre
suas omoplatas. Simolo, guerreiro Sema detentor da velocidade sobre humana
o atacou e lá permanece a segurar sua espada.
(Simolo) __ Se é imortal então sobreviverá a isso!
Então Simolo apóia a mão no pomo de sua espada e a empurra um com
toda a força transfixando o corpo o imortal que começa a grunhir e sangrar
pela boca. Ethos cai devagar de joelhos pondo a mão no seu ferimento, ele
agoniza e cai no chão sob o olhar fixo de todos naquela sala. Simolo retira a
espada do corpo puxando a com força espalhando sangue e névoa pelo ar,
Ethos põe as mãos no ferimento enquanto seu corpo agoniza.
(Simolo) __ Esse é seu imortal? Agonizando dessa forma, está me
parecendo muito mais o animal sendo abatido, não acha? __ fala orgulhoso
Simolo enquanto limpa o sangue de sua espada em sua própria túnica cinza.
Dráina e Belto ficam pasmos ao observar os segundos finais de vida que
aquele corpo agonizante possuía, nenhum deles duvida do poder do imortal,
mas nunca haviam o visto ser morto antes. Belto então sorria ao ouvir as
últimas palavras do corpo de Ethos, uma voz quase incompreensível pela
quantidade de sangue que sai de sua boca.
(Ethos) __ Você cometeu um grande erro...

122
O despertar do imortal
Debaixo do seu manto cinza suas asas que abrem imponentemente em
seu fim. Todos controlam a ousadia de antes ao verem uma aura negra
começar a sair dos poros do corpo de Ethos o envolvendo, no meio daquela
escuridão o que apenas se vê é um formato de anjo, com olhos quentes como
chamas. O corpo de Simolo fica rígido e trêmulo, seus olhos começam a
revirar, ele não possui mais o controle sobre seus membros. A sombra que
pairava próximo ao corpo agonizante do imortal se dirige com velocidade rumo
à face de Simolo que aparenta ainda estar consciente expressando o pior dos
medos em seus olhos. Toda a sombra penetra nos orifícios da face do
guerreiro que grita desesperadamente.
O corpo de Simolo que antes era esguio começa a ganhar feições o anjo,
o corpo no chão perde as bandagens e correntes que se dirigem para o novo
corpo e volta à forma do soldado que matou a múmia de Ethos, em seu novo
corpo o imortal reluz em vida para o assombro de todos os Semas lá
presentes.
(Ethos) __ A velocidade desse corpo é espantosa, usarei essa
habilidade com satisfação. Fala o imortal em seu novo corpo __ O limbo é o
único local para os que tentam me matar, e a estrutura de seus corpos
servirão como um casulo para minha existência imortal. _ ele silencia por um
instante antes de levantar os braços lateralmente e abrir suas imensas asas,
então ele faz um movimento como se empurrasse algo. Os Semas são afetados
imediatamente por uma dor descomunal que se espalha por todos os corpos,
eles se contorcem, alguns caem desacordados, só então entendem o imenso
poder do ser.
(Ethos) __ Sintam o poder da magia das trevas devastar seus corpos.
Sucumbam ao poder do anjo imortal Ethos!
A voz é gloriosa como a de um tirano, ela é ouvida pelos ouvidos e pela
mente dos guerreiros que de forma alguma podem se livrar e sua influência.
Ele então para baixando seus braços, Belto e Dráina foram os únicos a não
serem influenciados pelo poder, apenas saboreiam os olhares tomados de
medo dos Semas.
(Belto) __ E agora Aistéctiro? Ainda não acredita?__ fala Belto com
sua voz soberba. __ O imortal está conosco, uma nova era chegou.
O imortal diminui seu poder consideravelmente, sua fúria foi mostrada
a aqueles que não acreditavam em seus poderes de tal forma que nenhum dos
Semas agora fala uma só palavra.
(Ethos) __ Vocês são meus agora! Vocês irão a cada canto desse mundo
unir exércitos e aliados para a maior guerra que a Veronor já viu,
destruiremos os Aciras, não sobreviverá nem mesmo no mundo para guardar

123
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
seus malditos segredos. Darei a cada um de vocês um poder Sema que vocês
nunca conheceram, vocês ficaram mais fortes, mais ágeis, mais inteligentes...
A força da magia negra fará parte de sua força como nunca fez antes. A era
da destruição começou. Destruiremos os Aciras dentro de seu próprio reino
como eles nunca esperarão acontecer.
Todos os Semas ficam com um olhar fixo, eles parecem não
compreender a profundidade das palavras de Ethos, então excitados com a
idéia ser mais poderoso de ver ou estar de volta, em poucos minutos a
submissão é geral pouco a pouco eles fazem a reverência Sema para seu novo
mestre mostrando sua obediência e submissão. Desse exato momento para
frente uma nova era de trevas cairia sobre o mundo de Veronor.

124
O despertar do imortal

CAPÍTULO X – A
REUNIÃO DO CONSELHO
ACIRA

"Passei muitas horas cuidando desse garoto e a


cada dia fiquei mais convencido de que ele não é como
os outros. E apresenta características de minha raça
e da raça dos demônios, uma evolução física igual a
essa é impossível para um humano normal, além disso
ele deixar rastros de magia por onde passa. acredito
que essas informações deverão ficar guardadas
comigo e com Dansri , não sei o que o conselho Acira
poderia achar de ter alguém como Héctor no seu
meio."

Héctor abre seus olhos afadigados, tudo está confuso, ele pensa que se
passaram poucos minutos, mas já é manhã o segundo dia da Semana. Ele põe a
mão na cabeça enquanto senta-se na cama atordoado, ao seu lado está Dansri,
sentado como se esperasse que ele acordasse. Ele percebe que está em uma
sala limpa e arejada, sua cama era feita com o tecido de algodão cobrindo seu
colchão, em uma mesinha ao lado há jarras com um suco e cestos com frutas.
(Dansri) __ Bom dia jovem! Você dormiu um bocado. Como está se
sentindo? __ fala Dansri que há dias esperava ansioso que seu amigo
acordasse.
(Héctor) __ Minha cabeça está doendo um pouco. __ responde Héctor
passando a mão na cabeça e forçando os olhos fechados. __ estou me
sentindo um pouco zonzo... __ ele procura olhar o ambiente e a luz que entra

125
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
por uma pequena janela e então se indaga __Que horas são mestre Dansri?
(Dansri) __ Que horas? __ fala Dansri dando um pequeno sorriso __
hoje é manhã do segundo dia da Semana. Faz dois dias que você dorme.
Héctor esfrega as mãos no rosto e boceja, ao se estirar sente o
desconforto em suas costas, o que o faz pôr uma das mãos no ombro e
movimentar devagar sua homoplata.
(Héctor) __ Estou sentindo um desconforto na minha cabeça e nas
minhas costas. O que aconteceu?
Dansri levanta e se aproxima mais, posicionando com as duas mãos
juntas a baixadas.
(Dansri) __ Héctor, eu é que pergunto... O que aconteceu na tarde de
treino de artes marciais?
O jovem procura em sua mente as lembranças do dia em que desmaiou,
tudo parece confuso, incerto. Passam-se alguns segundos, nenhuma palavra é
pronunciada por Héctor que permanece se esforçando para organizar suas
vagas lembranças. Ele põe as mãos na cabeça e depois esfrega o rosto
atordoado, porém as lembranças que ele desejava ter vêm desorganizadas e
sem nexo.
(Héctor) __ Eu estava... Em tive que lutar com o Proênio. Ai... _ ele
fecha os olhos depois desse lapso de memória, a dor atravessa sua cabeça
como uma flecha, mesmo assim ele continua falando. __ Ele ia me bater e eu...
(Dansri) __ Isso, continue... __ fala Dansri atento.
(Héctor) __ O derrubei, depois... Depois... Ele me acertou forte __
nessa hora ele levanta a mão lembrando que foi machucado no supercílio,
porém ele não encontra nenhum ferimento acima de seu olho e isso o deixa
ainda mais confuso.
(Héctor) __ Meu supercílio tinha sido ferido por Proênio.
(Dansri) __ Quero que conte mais Héctor, continue.
(Héctor) __ Acho que me descontrolei. Eu estava com medo, com raiva
do que ele tinha feito com Bériun, não sei... Não me lembro direito o que eu
estava sentindo. Depois... Depois... __ novamente ele esforça-se mais pouco,
sem conseguir lembrar mais nada. __ não mestre não consigo lembrar mais
nada. É como se eu tivesse apagado por completo.
(Dansri) __ Você quer saber o que aconteceu depois? __ fala Dansri.
(Héctor) __Sim. Quero. __ responde Héctor em intensa expectativa.
(Dansri) __ Você quebrou a perna de Proênio e logo depois atacou
Rafael.
As palavras de Dansri o afetaram como um raio, deixando Héctor muito
mais confuso ainda.

126
O despertar do imortal
(Héctor) __ Eu fiz isso?
(Dansri) __ Sim Héctor, fez! __ O rosto de Dansri fica mais sério,
preocupando Héctor. __ Tem algo mais. Como você explica seu ferimento no
supercílio já está curado?__ Héctor levanta novamente a mão a seu supercílio
procurando o ferimento que não existe mais __ Você atacou um mestre Acira
e quase o feriu. O mais difícil de entender é o que você verá agora.
Dansri entrega a Héctor um pequeno espelho retangular, ele o recebe
curioso e olha a parte de trás do espelho como se a moldura prateada fosse
responder suas perguntas. Quando Héctor olha para o seu reflexo no espelho
ele leva um susto como nunca havia levado. Seu rosto não parecia o mesmo,
estava maior, mais adulto, queixo largo, cabelos bem maiores que os
anteriores e uma barba e bigode já relativamente volumoso. Héctor estaria
com aparência de anos mais velho, seu corpo estava musculoso, seus dedos
estavam maiores. Em apenas dois dias ele se tornou quase um adulto. Quando
ele entende a situação ele solta sem querer o espelho que cai no chão e
estilhaça-se em inúmeros cacos. Héctor olha para Dansri como se ele
estivesse com as resposta para aquela situação confusa.
(Dansri)__ Sim Héctor, só se passaram dois dias, nesses dois dias seu
corpo sofreu essa estranha transformação, aparentemente você envelheceu
alguns anos. Foi muito confusa essa situação, tenho que lhe confessar... Rafael
veio deixá-lo na enfermaria junto com Proênio e logo depois se dirigiu a Adrun
Anen e relatou o acontecido. Nunca tínhamos encontrado um caso como o seu
entre humanos.
(Héctor) __ Como assim?
(Dansri) __ Quando você lutou com Proênio todos esperariam que você
fosse derrotado, mas você venceu. Rafael falou que seus olhos e seus cabelos
se tornaram negros, isso não é nada normal. A força com que você atacou seu
mestre foi quase a de um aluno das artes mágicas Acira, coisa que só se
atinge com mais de quinze anos de treinamento Acira. Essas características
físicas que você adquiriu agora não são normais para humanos, todas essas
características são de...
A porta da enfermaria então é aberta interrompendo a fala de Dansri,
uma fêmea de corpo escultural, pele clara e limpa, olhos verdes e claros,
cabelos lisos, dourados como o sol, sobrancelhas finas, lábios grossos bem
delicados, nariz empinado, com roupas brancas e um manto também branco
comprido cobrindo quase toda suas costas. Héctor, além de ficar encantado
com a mais bela fêmea que ele já vira, encantou-se mais ainda com a doce voz
compassada e suave da fêmea.
“Desculpa Dansri, acho que os interrompi”.

127
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Dansri) __ não se preocupe Tesla! __ fala Dansri reverenciando Tesla
__ Héctor essa é Tesla, uma mestre Acira especialista em curas e medicina
Acira. Foi ela quem cuidou de você durante esses dias.
(Héctor) __ Prazer conhecê-la Tesla! Fala Héctor a reverenciando
ainda sentado.
(Tesla) __ O prazer é meu em conhecê-lo Héctor, mesmo já lhe
conhecendo esse dois dias! __ com essa brincadeira Tesla sorri de forma
encantadora e tira toda a tensão do momento.
(Dansri) __ Você deve agradecer a ela por ter curado o joelho de
Proênio! __ fala Dansri voltando a ficar sério.
(Tesla) __ O joelho é uma das partes mais difíceis de serem curados
pelos métodos Acira, ainda vai demorar três meses para que ele se recupere
completamente. Seus amigos estavam mais preocupados com você do que com
Proênio, logo ao saberem que você acordou estarão aqui. O que você deve
fazer agora é relaxar... __ nesse momento o estômago de Héctor ronca alto o
deixando embaraçado.
(Tesla) __ ... E se alimentar. __ fala a fêmea sorrindo do roncar da
barriga de Héctor.
(Héctor) __ É mesmo. __ fala Héctor envergonhado.
(Tesla) __ Pode comer a vontade, há frutas frescas no sexto ao lado da
cama. Elas são leves e você não estava doente, todo o tempo pareceu que
estava apenas dormindo, hibernando.
Héctor começa a comer demonstrando estar com fome, então Dansri e
Tesla saem se despedindo de Héctor que permanece comendo. Do lado de fora
Tesla e Dansri conversam.
(Dansri) __Tesla, ele me falou que não se lembra de nada.
(Tesla) __ É normal que ele não se lembre de nada, foi um trauma
mental muito grande. O mais esquisito é como ele reagiu fisicamente, isso só
acontece com raça dos radarunianos. __ fala Tesla.
(Dansri) __ Eu sei, também fiquei pensando nisso, mas ele não possui
chifres nem asas. Como um humano teria uma reação física igual à deles?
(Tesla) __ Não sei. Nunca tinha visto em todo esse tempo de medicina
Acira um caso como o de Héctor, fisionomia de humano e reações físicas de
demônio
(Dansri) __Tem algo estranho em Héctor, Eurífones percebeu isso
também. Devemos esperar um pouco mais para podermos tirar alguma
conclusão.
Os dois se dirigem para a sala de Adrun Anen, sem notar eles estavam
sendo observado por Eurívedes, o velho mago dado como louco, seu olhar

128
O despertar do imortal
demonstra uma perturbação com o que ouviu entre os dois e ele sai da mesma
forma que entrou na enfermaria, sem que ninguém perceba. Ao chegarem na
sala de Adrun Anen Tesla e Dansri se deparam com um ser inusitado, Verseck,
mestre Acira das terras de Radanúria, e mais quatro Aciras estão na sala do
mestre. Verseck está coberto com um manto negro e branco, ele usa um
turbante em sua cabeça, suas sobranselhas são grossas e pontiagudas, sua
pele é morena e aparentemente ressecada, parte de seus cabelos, feito
traças finas enfeitadas com argolas prateadas, escapa ao seu turbante. Seu
rosto tem um aspecto agressivo característico de sua raça, ele usa
cavanhaque fino também trançado no queixo. Uma característica espantosa
desse guerreiro das terras dos vulcões são seus olhos. Toda sua esclera é
negra aumentando assim o vislumbre desse ser. Os olhares dos presentes se
entrelaçam, Adrun Anen repentinamente pára o que estava conversando,
deixando Tesla e Dansri constrangidos.
(Dansri) __ Desculpe-me mestre. Não queria interromper vocês.
(Adrun Anen) __ Sem problemas Dansri, queria mesmo que você
estivesse aqui. Aconteceu algo terrível, teremos que reunir o Conselho Acira
__ fala Adrun Anen preocupado.
O grande mestre suspira e olha para Verseck que então fala sem olhar
diretamente para Dansri.
(Verseck) __ A prisão do condenado foi encontrada e violada.
Dansri fica chocado, ele balança a cabeça tentando compreender a
situação. Tesla instintivamente põe a mão na boca espantando-se, nenhum dos
dois esperava viver para ouvir essas palavras.
(Dansri) __ Mas isso é impossível Verseck, nem mesmo nós Acira
sabíamos a localização da prisão do imortal, quem poderia saber como
encontrá-la?
(Adrun Anen) __ Belto Fair a encontrou. Foi o que os nômades das
montanhas de Kwara nos relataram, muitos foram escravizados e mortos,
forçados a trabalhar para encontrarem o imortal. __ fala Adrun Anen com
palavras frias, logo em seguida ele relata algo que choca mais ainda o
guerreiro historiador. __ O imortal foi encontrado.
(Dansri) __ Não... Isso não pode ser verdade. Não teria como ele
descobrir onde ele estava, todos os documentos foram destruídos há muito
tempo. __ fala Dansri dirigindo-se a Adrun Anen, respirando fundo.
(Adrun Anen) __ Não Dansri. Nem todos os documentos foram
destruídos! __ fala Adrun Anen contrariando as palavras do especialista em
história. __ por segurança os Conselhos anteriores sempre guardavam alguns
documentos em segredo. Anos atrás uma comissão de estudiosos começou a

129
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
estudá-los em Feloptéia, os avanços eram grandes, eles queriam descobrir
tudo sobre o imortal, então anões roubaram parte de nos estudos. Todos os
documentos foram recuperados, porém acreditamos que os anões, devido a
sua poderosa capacidade de memorização, fizeram novos documentos que
caíram nas mãos de Belto.
Dansri se exalta desapontado, mantém-se balançando a cabeça
inconformado com a realidade e fala altamente revoltado.
(Dansri) __ Mestre Adrun Anen, eu estudo história Acira a mais de
duas décadas, dediquei minha vida quase toda a repassar meus conhecimentos
em nome dos Aciras, você foi um dos meus professores e sabe disso. Como só
agora você me relato sobre isso? Isso é um absurdo! Até mesmo os mais
hábeis Aciras não seriam capazes de vencer o condenado, seu poder não
desfez, a prova disso é o Deserto de Maharo. Esses documentos deveriam ter
sido destruídos para que nunca mais o encontrassem. Imagine agora que os
Semas o encontraram, será uma tragédia sem limite, nem mesmo todos os
Aciras juntos usando todos os seus poderes poderia vencê-lo!
(Verseck) __ Não se exalte Dansri, essas teorias de Eurífones não
foram comprovadas. As coisas não foram tão más quanto poderiam ter sido.
__ interrompe Verseck, aparentemente desafiando Dansri.
(Dansri) __ Como assim? Adrun Anen acabou de dizer que eles
encontraram o corpo!
(Adrun Anen) __ Sim, eles o encontraram, mas felizmente ele já estava
morto, mumificado, ele não terá nenhuma utilidade para Belto por enquanto.
Acreditamos que ele irá estudar sua múmia para entender o poder da
imortalidade do ser.
(Dansri) __ Você não entende a situação? Como você pode agir tão
naturalmente mestre. Ele pode não estar morto, ele é imortal. Se ele dominar
um novo corpo será o caos completo. Temos que agir rapidamente ou toda a
vida como o conhecemos nesse mundo será destruída. __ fala Dansri com
vigor.
(Verseck) __ É pouco provável que isso aconteça Dansri __ fala
Verseck, com seu jeito particular de entrelaçar os dedos com braços para
baixo. __ de acordo com os relatos, ele já está morto, a própria jaula onde ele
estava preso era uma armadilha.
(Dansri) __ Vocês não sabem com o que estão lidando, ele é um ás da
morte, driblou a morte por várias vezes, nem mesmo deveria ter sido
encontrado. Devemos tomar medidas drásticas e procurar Belto para
recuperarmos o corpo do condenado antes que ele faça algum uso dele. __
fala Dansri olhando fulminante para Verseck, então Dansri olha para Adrun

130
O despertar do imortal
Anen e pergunta. __ Há quanto tempo eles encontraram o túmulo?
(Adrun Anen) __ Há mais de seis meses. __ responde o mestre.
(Tesla) __ Que o Conselho Acira vai fazer mestre Adrun Anen? _
pergunta a bela anjo visivelmente preocupada, já não suportando ficar calada.
(Adrun Anen) __ Teremos que reunir todos os guerreiros Acira. Por
mais que o imortal seja apenas uma múmia não podemos deixá-lo nas mãos de
Belto, por enquanto que isso fique só entre nós para que não gere pânico.
(Dansri) __ Mas quanto tempo demorará para que essa reunião aconteça
mestre? _ pergunta Dansri impaciente.
(Adrun Anen) __ Dentro de um mês. __ responde Adrun Anen.
Dansri desloca o olhar, baixa a cabeça e fala preocupado.
(Dansri) __ Não teremos tanto tempo. Imagine um ser aprisionado por
tanto tempo... Alimentando dia a dia seu desejo de voltar à vida... Não
teremos chance.
(Adrun Anen) __ Sinto muito Dansri, mas esse é o tempo que dispomos
para que todos sejam avisados e possam chegar até aqui. Depois disso, se
preciso for, declararemos guerra a Desília, faz bastante tempo que Belto está
agindo sob a sombra do rei Akun, esse reino não está respeitando nossas
normas de paz e lá é onde o guerreiro traidor dos Acira se esconde.
(Dansri) __ E vocês... Fala Dansri direcionando a palavra a Verseck __
não perceberam a movimentação de Belto pela montanha?
(Verseck) __ Ele cuidou de apagar os rastros, mesmo assim a cadeia de
montanhas de Kwara é enorme. Nós, quando soubemos do acontecido,
procuramos interceptá-los, mas não os encontramos. Eles viajaram acima das
nuvens do Deserto de Maharo para não sofrerem com as tempestades de
areia.
Dansri se aproxima de Verseck e murmura em seu ouvido.
(Dansri) __ Espero que dessa vez os demônios estejam preparados para
lutar em nome de Veronor.
(Verseck) __ Nós estaremos, se os anjos não estiverem. Belto pagará
pelo que fez ao meu irmão.
Dansri interpreta as palavras de Verseck com tristeza, a raça dos
demônios e anjos a muito tempo mantêm um desentendimento que nem mesmo
o Conselho Acira pode remediar, no entanto as raças se respeitam, mantendo-
se cada uma em sua posição, sob tensão. Em nenhum momento Tesla dirige a
palavra a Verseck e nem Verseck a anjo.
Tesla se aproxima de Adrun Anen enquanto Dansri se despede dos
demais fazendo a reverência Acira, ele está inconformado com a situação e
faz questão de não esconder, ele sabe o quanto é perigoso a volta do imortal.

131
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Tesla, no entanto, tenta conversar com Adrun em particular.
(Tesla) __ Mestre Adrun Anen, como isso foi acontecer?
(Adrun Anen) __ Não sei, mas não há necessidade de pânico, Belto é
esperto, mas não é tão inteligente, os Semas que ele comanda são poucos, com
uma breve empreitada nós poderemos reaver o corpo do imortal.
(Tesla) __ Não é sobre isso que estou falando Adrun Anen, como você
pôde esconder tudo isso e nós? Nós somos Aciras dedicamos nossa vida a
proteger o que é certo, nós merecíamos ter sabido a verdade!
(Adrun Anen) __ Não sou eu quem dita as regras Tesla, eu apenas as
cumpro.
(Tesla) __ Sim, isso eu sei __ fala a anjo com seu jeito sério de
responder olhando nos olhos __ mas por cumprir as regras nosso mundo pode
estar preste a entrar em uma situação de perigo incomparável. Sinto muito em
dizer isso mestre, mas eu esperava mais de você!
As palavras de um anjo costumam ferir a alma dos humanos, e essas
feriram a alma de Adrun Anen que não revidou. O jeito sincero de Tesla de
falar já foi guia para muitas decisões corretas no Conselho Acira, todos a
tinham como uma excelente conselheira, mas depois de seu envolvimento com
um dos membros da Ordem suas palavras apenas ferem os ouvidos sem
termais o mesmo impacto sobre as decisões a serem tomadas.
Após se despedirem os dois saem e deixam os visitantes com Adrun
Anen e são surpreendidos por uma figura que surge no corredor assustando-
os.
(Dansri) __ O que é isso Eurívedes? Quase nos mata de susto! __ fala
Dansri após o susto.
(Eurívedes) __ Não é para tanto Dansri, não estou aqui para isso.
(Dansri) __ O que você faz aqui? __ pergunta Dansri procurando pelo
ambiente a maneira com que o velho mago tivera entrado
(Eurívedes) __ Eu tenho meus artifícios. __ fala o mago, seu olhar está
inquieto, e ele se mantém movimento os dedos na frente do seu peito. __ eu
ouvi a conversa de vocês, venho percebendo que a magia desse mundo se
alterou, eles não querem me escutar... Há anos que tento avisá-los desse mal
que está por vir, eles podem até ter encontrado o corpo do imortal sem vida,
mais de uma forma ou de outra Belto poderá usar isso conta os povos livres.
Você não percebeu? E você anjo... Não consegue sentir a energia da magia
sendo modificada? __ pergunta Eurívedes para os dois.
A cada palavra que o velho fala acelera e a cadência de sua voz, ficando
difícil identificar o que é uma palavra de outra, porém os dois estão

132
O despertar do imortal
acostumados ao jeito particular do velho falar e entre os mestres são eles
uns dos poucos que ainda dão atenção para o velho mago.
(Dansri) __ Eu não senti nenhuma perturbação Eurívedes.
(Eurívedes) __ Mas eu senti. Eu acordei à noite com uma sensação ruim
dias atrás. Senti a mesma coisa quando você trouxe aquele garoto das terras
de Fegor. Tem algo nele que não consigo compreender.
(Tesla) __ Os adolescentes são assim. __ fala Tesla tentando
desconversar.
(Eurívedes) __ Só que adolescentes humanos não se curam de
ferimentos como ele se curou, muito menos evoluem fisicamente como fazem
os demônios das terras de Radanúria.
(Tesla) __ Como você sabe disto? Andou nos espionando? __ fala a anjo
ao perceber que o velho sabe mais do que deveria.
(Eurívedes) __ Não se irrite anjo, eu tenho meus métodos. Ou vocês
ainda acham que eu sou louco? Acredito que estou mais ciente da situação
mágica deste mundo do que os próprios Aciras.
(Dansri) __ Sua percepção e a de seu irmão sempre foram mais
apuradas do que a dos outros Aciras. Você se tornou um mago com poderes
inigualáveis, eu sei... Porém o Conselho não se baseia nos pressentimentos de
magos como você, o que é uma pena. Os magos Acira deveriam ser
consultados.
(Eurívedes) __ Eu temo, Dansri, ser o último mago Acira existente
nesse mundo. Independente do meu estado mental vou fazer tudo para ajudar
nessa empreitada contra Belto, mais ouçam com cuidado minhas palavras: o
mundo de Veronor está prestes a enfrentar uma situação caótica, eu sinto
isso. Estarei aqui para ajudar
(Dansri) __ E sua ajuda será bem vinda.
Eurívedes reverencia seus amigos e sai. Dansri e Tesla ficam pensando
sobre as palavras do antigo mago, agora essas palavras parecem bem mais
coerentes do que há anos atrás quando o mesmo foi atacado por uma loucura.
No outro lado do templo Acira Héctor está no quarto, quase
completamente recuperado, mas com um desconforto muito grade em suas
costas que o deixa inquieto; nesse instante seus amigos entram no quarto.
(Al Porus) __ Héctor! __ fala Al Porus com vigor assustando o jovem
que nunca tinha visto Al Porus tão alegre __ cara, como tu tá? __ mal Al Porus
acaba de falar, Manúrio sorri e fala.
(Manúrio) __ E aí cara! Já se recuperou? Viemos te ver o mais rápido
possível quando soubemos que você já tinha se recuperado.
(Héctor) __ Olá amigos, é bom ver vocês. Estou quase recuperado, só to

133
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
com um pouco de dor de cabeça e um desconforto nas costas, só.
Manúrio olha para trás na porta, lá esta Bériun como sempre cabisbaixo
e com seu jeito desajeitado.
(Héctor) __ Entra Bériun __ fala Héctor, Bériun então entra,
parecendo envergonhado.
Eles se aproximam um pouco mais de Héctor e se sentam na cama,
empolgados começam a falar.
(Al Porus) __ Héctor, você foi demais na luta de batismo. Você nunca
falou que estudava artes marciais em Fegor. __ fala Al Porus relembrando do
desempenho surpreendente de Héctor na luta.
(Manúrio) __ Ninguém tinha vencido Proênio ainda, e nem nunca vimos
ninguém vencer sua primeira luta. __ fala Manúrio ainda com o olho
machucado.
Héctor fica desajeitado e põe a mão na cabeça, sentindo um pouco de
dor.
(Héctor) __ Mas eu não me lembro direito o que fiz, não estava em mim.
(Bériun) __ Foi muito esquisito quando você o atacou __ fala Bériun que
levanta um pouco a cabeça e revela seu rosto ainda machucado pela luta. __
sem falar que você esta parecendo bem mais velho.
O clima fica estranho, os dois encaram Bériun como se estivesse
falado algo errado.
(Héctor) __ Eu também achei muito esquisito quando acordei e senti
meu corpo meio estranho, eu não tinham barba nem meus braços eram grossos
assim __ fala Héctor olhando para os próprios braços. Mas estou bem não se
preocupe. Sobre a luta eu me lembro, mais ou menos, até o momento em que
derrubei Proênio com um movimento de tarracá.
(Al Porus) __ Só podia ser. __ comenta Al Porus estalando os dedos __
era essa o nome da luta que tinham me falado que as pessoas do norte
treinam, por aqui é chamada de queda de corpo.
(Héctor) __ Isso mesmo Al Porus, treinei muito tempo com meu pai.
(Bériun) __ Amanhã você voltara as aulas? __ pergunta Bériun com seu
jeito pouco interessado em lutas.
(Héctor) __ Sim voltarei. Quero só mais uma coisa.
(Manúrio) __ Aline ficará muito feliz quando souber que você acordou.
__ comenta Manúrio com um aspecto risonho. __ nunca a vi tão preocupada
com alguém. Levou a sorte grande, ela é linda não acha?
(Héctor) __ De que vocês estão falando? __ pergunta Héctor.
(Al Porus) __ Nada! __ responde Al Porus __ isso é coisa da cabeça
desse louco. Acho que você receberá alta daqui a pouco... Olha só pra ti, tu

134
O despertar do imortal
não tem nenhum arranhão.
Héctor sorri perante seus amigos e relembra por um instante as vezes
que se machucava em sua infância e seu corpo reagia da mesma forma, porém
não quer que seus amigos saibam que seus ferimentos não foram curados por
magia Acira para não os assustar. Ele então pergunta a seus amigos.
(Héctor) __ Mas o que aconteceu realmente naquele dia?
(Manúrio) __ Espera que eu vou te contar tudo direitinho. __ responde
o tagarela Manúrio.
Eles continuaram conversando por um tempo onde Héctor tira suas
dúvidas sobre o que aconteceu nos dias que ele passou desacordado. Héctor
passa o resto do dia no quarto, lendo o livro que Dansri lhe deu dias atrás, no
final da tarde ele recebe alta, anda pelas instalações do templo onde as
pessoas ficam a observar a mudança no aspecto físico de Héctor que parece
não se incomodar. Depois do jantar todos voltaram para seus quartos, a noite
já caia a muito tempo quando Al Porus e Manúrio se mexem em suas beliches.
Eles conversavam baixinho, sussurrando e sorrateiramente saem do quarto.
Ao fecharem a porta por descuido fazem barulho, então Héctor acorda.
Seus sentidos estão mais aguçados e ele ouve os passos no corredor se
distanciando, ele se levanta e percebe que as duas camas estão vazias. A
intensa curiosidade de Héctor faz ele se perguntar o que os dois estariam
fazendo saindo juntos naquela hora da noite. Ao abrir a porta Héctor olha
para o corredor escuro e vê Al e Manúrio dobrarem sorrateiramente o
corredor.
Héctor os segue de maneira que os dois não percebam, eles chegam a
um dos portões de vidro iluminado apenas por tochas, os dois conversam
cochichando.
(Al Porus) __ Beleza Manúrio, os guardas não estão aqui hoje. __ fala Al
Porus comemorando.
(Manúrio) __ Então vamos lá. __ fala Manúrio preparando-se para
passar pelo portão.
Suas concentrações estavam tão direcionadas para a ausência dos
guardas que eles se assustam ao ouvirem a voz de Héctor que pergunta sem se
preocupar com o volume de usa voz.
(Héctor) __ Mas que coisa vocês estão fazendo aqui?
Tanto Al quanto Manúrio se viram e se explicam sem nem mesmo notar
que era Héctor que os havia assustado. A impressão que tiveram era que o
homem na penumbra era um dos guardas que havia pegado-os no flagra.
(Manúrio) __ Não seu guarda... Nós podemos explicar tudo... __ fala
Manúrio quase descontrolado de nervosismo, chegando até gaguejar como

135
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
sempre fazia quando estava nervoso.
Sem nem mesmo deixar o suposto guarda falar Manúrio põe logo a culpa
em Al Porus.
(Manúrio) __ Foi ele seu guarda... A idéia foi dele... Não conte pra
Jutor...
Héctor dá uma gargalhada como há dias não havia dado, então os amigos
percebem que não se tratava de um guarda e sim de Héctor que os havia
seguido.
(Héctor) __ Essa foi boa Manúrio, de tão aperreado pôs a culpa no Al
Porus. __ gargalha Héctor ao olhar para o rosto assustado de seu amigo.
(Manúrio) __ Mas que coisa Héctor! Eu é que pergunto... O que você
está fazendo aqui? Fala baixo. __ fala ele em voz baixa e rouca, sendo olhado
com o olhar de reprovação de seu amigo Al Porus.
(Al Porus) __ Mas que covarde... Põe a culpa em mim e quase borra as
calças. __ fala Al Porus dando uma cacholeta em seu amigo.
(Manúrio) __ Ora... O que eu poderia fazer? __ fala Manúrio tentando
se explicar para seu amigo de forma desengonçada.
Al Porus se aproxima de Héctor para poder falar sussurrando.
(Al Porus) __ O que você está fazendo aqui mesmo Héctor? Quase nos
mata de susto.
(Héctor) __ Eu vi vocês saírem e os segui. __ ainda falando coma voz no
tom normal.
(Manúrio) __ Fala baixo louco! __ Manúrio olha pra Al Porus e faz um
gesto com os ombros e as sobrancelhas como se o interrogasse.
(Héctor)__ Onde vocês estão indo? __ indaga Héctor, desta vez em um
tom de voz baixo.
(Manúrio) __ Estamos indo ver o treino dos jovens guerreiros Aciras do
outro lado do templo. __ fala Manúrio.
(Al Porus) __ Se quiser vir com a gente vem, mas não pode falar disso
pra ninguém. __ fala Al Porus.
(Manúrio) __ Se você falar para alguém seremos expulsos e isso eu não
quero. Então te decide vai ou não? Se for tem que fazer o que eu disser. __
fala Manúrio olhando imediatamente para Al Porus e se retratando ao
perceber o olhar de seu amigo. __ Tá bom, Al é o mentor de tudo mesmo, faz
o que ele disser.
Héctor se sente eufórico com a idéia, sente um desejo de conhecimento
que sempre perseguiu. Ele aceita e eles caminham sorrateiramente pelos
corredores escuros, alguns apenas iluminados por tochas, pouco depois eles
estão passando pelo pátio e têm que se esconder nas sombras para que os

136
O despertar do imortal
soldados não o vissem.
Minutos depois eles estão encima da muralha que separa os pátios do
templo Acira. Eles ficam escondidos apenas observando os alunos, alguns
muitos jovens, outros já quase adultos, ainda em formação, em filas múltiplas.
Muitos lampiões e tochas iluminavam o ambiente. Entre os Aciras está o Anão
Jutor, professor de metalúrgica dos garotos.
Tesla também esta lá apenas observando sentada, sempre com seu
manto branco cobrindo toda as suas costas, Héctor se pergunta a razão de da
anjo estar sempre cobrindo suas costas com mantos daquele tamanho, então
percebe que ela possui uma protuberância nas costas que ele ainda não havia
percebido.
(Héctor) __ Manúrio, porque eles estão treinando a noite com toda essa
penumbra?__ fala Héctor ainda em voz baixa.
(Manúrio) __ Os Aciras têm que treinar nessa penumbra pra tornar
seus outros sentidos mais apurados.
Eles ficam por muito tempo apenas calados observando.
Após a reverência Acira eles se organizam em dois grupos como se
fosse dois exércitos, cada um com mais de vinte alunos Aciras. Dentre os
mestres estão Jutor, Rafael, Tesla, Dansri e mais seis Aciras. Tesla, que
aparentemente está coordenando essa aula se levanta e se posiciona entre as
duas formações.
(Tesla) __ Jovens Aciras, hoje teremos uma batalha entre vocês, uma
batalha que não acontecerá em suas mentes, mas sim no mundo real. Cada um
terá que sacar sua espada e lutar pra valer, mas tomem cuidado. Se rendam ao
primeiro ferimento que deve ser superficial, parem de lutar com seu oponente
quando ele estiver ferido, o derrotado deve levantar sua espada em sinal de
desistência sair do campo de batalha o mais rápido possível, não é preciso nem
falar sobre os ferimentos fatais, eles não são permitidos.
Os rostos dos guerreiros demonstram uma intensa concentração,
Héctor percebe o poder Acira exalar daqueles corpos e quase entra em
transe.
(Tesla) __ Então... Preparem-se. __ fala Tesla levantando sua espada
diagonalmente, todos ficam atentos segurando suas espadas sem
desembainhá-las, eles esperam o sinal de Tesla.
(Tesla) __ Prontos... Agora! __ grita Tesla.
Todos sacam suas espadas de formas variadas, há katanas, espada
medievais, espadas curvas, bilaminada, entre outras. Héctor olha boquiaberto
o choque entre os Aciras. Os saltos são ornamentais, alguns saltam duas vezes
mais altos que seus próprios corpos, espadas são lançadas e voltam para as

137
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
mãos de seus donos, o choque entre as espadas faz reluzir faíscas de cores
variadas, as esquivas são perfeitas e as espadas passam a milímetros dos
corpos dos oponentes. As habilidades dos jovens Acira são incríveis, mas isso
não os impede de serem feridos, esses levantam suas espadas e saem do
campo de batalha. Um dentre eles se destaca lutando com uma arma pouco
comum, facões. Ele ainda é jovem, aparenta pouco mais de vinte anos, moreno
escuro, cabelos muito curtos, expressão facial tensa, como se nem mesmo
estivesse num campo de batalha, ele não é muito alto, mas é muito rápido usa
uma ginga pouco peculiar e corta vários de seus oponentes, dois chifres
pequenos direcionados para frente chamam a atenção de Héctor que fica a se
perguntar como esse ser possuiria chifres. Quando um dos oponentes o ataca
corta a manta que cobria suas costas revelando suas asas de penas negras.
(Héctor) __ Um demônio! Esse aluno é um demônio!
(Manúrio) __ Sim ele é Enertek, das terras de Radanúria. __ fala
Manúrio __ ele é um dos melhores Aciras jovens.
(Al Porus) __ Prefiro o estilo de luta de Weron, ele é mais forte que
Enertek, além disso, é um humano. __ fala Al Porus apontado para o guerreiro
negro no campo de batalha.
(Héctor) __ Eu nunca tinha visto um demônio antes. __ fala Héctor
olhando fixamente para o guerreiro demônio.
(Manúrio) __ Os demônios pouco saem de suas terras. Verseck estava
no templo esses dias. __ Fala Manúrio.
(Héctor) __ Verseck é um demônio? __ pergunta Héctor exaltado.
(Manúrio) __ Sim ele é. Ele usa turbante para esconder os chifres. __
relata Manúrio.
(Al Porus) __ Os demônios são canalhas, vivem escondidos nas terras
dos vulcões, são bárbaros. __ fala Al Porus.
(Manúrio) __ Isso é o que você acha, eu os admiro muito. Gostaria de
ter asas pra voar como eles. __ fala Manúrio gesticulando como se possuísse
asas.
A batalha demora alguns minutos, os jovens observam atentamente cada
golpe dado pelos alunos. Héctor começa então a sentir novamente a dor de
cabeça que lhe incomodou dias atrás, dessa vez em menor intensidade.
(Héctor) __ Amigos, minha cabeça está doendo! __ fala Héctor pondo a
mão na cabeça e se encostando à mureta.
Al e Manúrio ficam preocupados e o indagam.
(Al Porus) __ Não vai desmaiar aqui de novo. Não quero de forma
nenhuma que os mestres descubram que a gente está bisbilhotando seus
treinos. __ fala Al Porus com seu modo imparcial de ser.

138
O despertar do imortal
(Manúrio) __ Cara relaxa. Eu e o Al Porus vamos te levar para o quarto.
(Héctor) __ É melhor mesmo. Eu não estou nada bem, vamos sair daqui.
Quando os dois observam, Héctor já esta novamente com os olhos
negros, assustando os dois. Eles ficam sem saber o que fazer, mas mesmo com
medo o seguram e o levam cambaleando sobre a muralha. A batalha continua
no pátio onde restam poucos guerreiros lutando, Tesla então percebe um
poder esquisito no alto da muralha, ela se volta em direção à fonte desse
poder estranho e fica parada olhando para cima, mas não consegue ver nada.
Jutor, ao ver que a guerreira desviou sua atenção da batalha para a muralha
se aproxima e pergunta com sua voz grosseira.
(Jutor) __ O que foi Tesla?
(Tesla) __ Nada... Nada.__ Tesla balança a cabeça e volta o olhar para
Jutor __ senti uma força mágica estranha no alto da muralha.
(Jutor) __ Pois eu não sinto nada vindo de lá.
(Tesla) __ Devo ter me confundido com algum dos poderes dos alunos.
__ fala a anjo olhando dessa vez para os jovens guerreiros.
(Jutor) __ E o que você acha? Eles estarão prontos para a batalha que
está por vir. __ indaga Jutor, pensando profundamente sobre os relatos
sobre Belto.
(Tesla) __ Eles ainda não têm tanta experiência em batalha, mas
precisaremos deles se for preciso reaver a múmia do imortal em Desília.
(Jutor) __ Terei prazer em ver Belto preso na prisão de Feloptéia
depois de termos resgatado a múmia. __ fala o anão humano exaltado.
(Tesla) __ Não será tão fácil. Ele tem um excelente exército e Akun
está encobrindo tudo que Belto faz, teremos primeiro que ir em missão
diplomática.
Os dois voltam sua atenção aos jovens Aciras que ainda estão lutando
enquanto os três amigos voltam para o seu quarto da mesma maneira
sorrateira que foram. Héctor permanece com dor de cabeça só que em menor
intensidade do que quando estava encima da muralha. Al Porus sai do quarto
para buscar água para Héctor enquanto Manúrio fica cuidando de Héctor que
está sentado em sua cama cabisbaixo com as duas mãos na cabeça.
(Manúrio) __ Como você está se sentindo agora Héctor? __ pergunta
Manúrio.
(Héctor) __ Minha cabeça está doendo, mas não muito. __ fala Héctor
ainda cabisbaixo. __ eu senti o poder deles, de todos eles ao mesmo tempo em
minha cabeça.
Al Porus chega com um copo de água, ele entrega Héctor que bebe
rapidamente, mantendo os olhos fechados.

139
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Al Porus) __ E ai? Está melhor? Deu muito trabalho conseguir essa
água gelada pra você. __ fala Al Porus um pouco cansado.
Quando Héctor abre os olhos ele percebe algo muito estranho com sua
visão, ele fica olhando de um lado para o outro como se estivesse sozinho no
quarto.
(Héctor) __ Eu posso ouvir vocês, mas não estou vendo ninguém. __ fala
Héctor revirando os olhos.
Os olhos de Héctor continuam negros, ele observa suas mãos e toda
aquela situação acaba de forma rápida, com a escuridão tomando Héctor.
Depois do aparente desmaio Héctor entra num sono profundo, seus
amigos, mesmo preocupados adormecem depois de horas esperando que
Héctor acorde. Na manhã do dia seguinte Héctor acorda normalmente, seus
amigos querem ter certeza de que Héctor está bem antes de voltarem às
atividades diárias.
Tudo corre bem durante várias semanas, nenhum incidente aconteceu
de estranho. As aulas se passaram reforçando os laços de amizade entre os
jovens. Depois de um mês começa o período da colheita de grãos, como dita as
regras do templo, os alunos terão que ajudar em todo o processo. Lá são
produzidos grãos de milho, arroz, soja, trigo, entre outros grãos, tudo isso
para alimentar os residentes no templo.
Proênio, que ainda não se recuperou completamente, não está
participando do serviço braçal, ele é responsável pela coleta de dados,
contagem de sacos. Seu joelho ainda está machucado, mas com os métodos
medicinais Acira estará com o joelho curado em poucos dias. Porém a cada dia
seu ódio por Héctor aumenta cada vez mais, seu olhar está sempre
direcionado para o jovem, esperando o dia da revanche.
Manúrio, Al Porus e Héctor estão colhendo trigo, usando pequenas
facas curvas e colocando a colheita em surrões, os campos encantam Héctor
com o dourado característico do trigo, mais ainda encanta-se com o olhar de
Aline que está um pouco distante e de vez enquanto dirige o olhar para
Héctor, Manúrio e Al Porus observam a troca de olhares e ficam cochichando,
então Manúrio comenta.
(Manúrio) __ Ei Héctor, não sei se você já percebeu , mas a Aline tá
com uns olhares diferentes para ti desde o dia da luta, acho que ela está
interessada em você.
(Héctor) __ Como é Manúrio? __ fala Héctor que olhava intensamente
para Aline __ Aline interessada em mim? Acho que não, isso é só coisa da
cabeça de vocês. Ela tem “uma coisa” é pelo Al Porus aí __ comenta o jovem
acenando a cabeça enquanto colhe o trigo.

140
O despertar do imortal
(Al Porus) __ Tá doido... As amazonas pra mim são que nem homens,
Aline se tornou minha amiga desde o primeiro dia que a vi, não tenho interesse
nela não, mas aquela loirinha, dhaniana amiga dela ali... __ fala Al Porus com
um tom de malícia na voz __ tu é maluco... Aquilo é que é mulher.
(Manúrio) __ Não sei o que tu vê na Malana, ela é metida... Nem dá
atenção pra ti. É mais fácil ela te degolar se tu flertar ela __ gesticula
Manúrio com a faca no pescoço simulando ser degolado.
(Al Porus) __ Sei não Héctor, que parece que ele está a fim de ti,
parece! Só que as amazonas tem o hábito de serem controladoras de seus
homens. Se quiser encarar vai lá.
(Héctor) __ Até você Al Porus já está caindo nas conversas de
Manúrio? __ sorri Héctor balançando a cabeça __ que ela é bonita isso é, o
problema que não sei as intenções dela.
(Manúrio) __ E quais são as suas em relação a ela? __ pergunta Manúrio
batendo com o cotovelo nas costelas de Héctor.
A conversa é interrompida quando ao longe muitos dos trabalhadores
observam algo que surge no horizonte dourado pelo sol da manhã, os jovens
percebem que os que estão mais afastados olham para o céu. De entre as
nuvens surgem cavalos alados brancos montados por seres usando roupas
belas e coloridas, os trabalhadores ficam como se estivessem hipnotizados
olhando para cima, então Héctor pergunta para Al Porus que se mantém
olhando para cima.
(Héctor) __ O que está acontecendo Al Porus? É comum ver tantos
caválados assim nesse período?
(Al Porus) __ Eu não sei Héctor. Já vi muitos caválados, mas não tantos,
provavelmente uma reunião do Conselho Acira. Deve ser algo muito importante
para juntar tantos seres. Olha lá __ fala Al Porus apontado para a direção do
castelo __ estão vindo de todos os lados.
Bériun, que estava se aproximava dos amigos fala.
(Bériun) __ São Aciras, ouvi rumores que o Conselho Acira irá se reunir
hoje. Acho que algo muito grande está para acontecer.
Os garotos se mantêm no campo de trigo, enquanto os caválados
pousam, os recém chegados Aciras são recebidos por Adrun Anen e entram no
templo, são vários os guerreiros, vindos de todas as partes de Veronor, cada
espada carregada pelo seu dono tem uma característica peculiar. Os Aciras
são pontuais e em menos de uma hora todos estão presentes, Dansri nunca
havia visto tantos guerreiros Aciras juntos e fica satisfeito com suas
presenças. Ele cumprimenta vários de seus amigos e se dirige a um em
particular, Kaeanon, mestre Acira regente das terras desérticas de

141
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
Piramidara, reino na região central de Veronor e a margem do rio Kwara.
(Dansri) __ Como vai amigo? Fala Dansri reverenciando seu amigo e logo
em seguida o abraçando.
(Kaeanon) __ Estou bem Dansri, só estou um pouco velho mesmo __ fala
o regente de Piramidara sorrindo __ nem parece aquele menino desajeitado
com a espada de anos atrás.
(Dansri) __ Você tem sempre que relembrar isso! Diz Dansri
relembrando as varias vezes que Kaeanon toca no assunto __ agradeço até
hoje suas aulas de esgrima.
(Kaeanon) __ Não precisa agradecer, fiz minha parte para formar um
excelente Acira e historiador. __ fala Kaeanon dando um breve suspiro e
olhando nos olhos de Dansri __ estou velho Dansri, em breve meu destino será
a morte, você ainda tem uma vida toda pela frente.
(Dansri) __ Faz mais de dez anos que você fala isso e até hoje ainda não
se foi. Não é sua barba branca que vai dizer quanto tempo tem de vida.
Com um olhar curioso o velho mestre pergunta a Dansri.
(Kaeanon) __ Eurífones está aqui no templo?
(Dansri) __ Não mestre, depois do incidente com Rairoth anos atrás ele
se desvinculou completamente do templo e do Conselho, para falar a verdade
acho que ele nuca mais virá aqui. Ele não me pergunta sobre o Conselho e
quando eu tento relatar algo, às vezes para saber como agir, ele sempre
desconversa.
(Kaeanon) __ Eu sei como Eurífones é, teimoso e obstinado ao mesmo
tempo. Quando éramos jovens ele sempre agia dessa forma quando tomava
uma decisão e mesmo sendo mais jovem que eu, nunca se deixava levar pelas
minhas conversas, parece que a filosofia já estava impregnada em suas veias.
Diga-me Dansri, Eurífones pelo menos já sabe do acontecido nas montanhas
de Kwara?
(Dansri) __ A essa altura já deve saber, mandei um pombo mensagem
para ele relatando o acontecido.
(Kaeanon) __ Acho que ele precisa estar a par da assembléia de hoje,
precisaremos de todos para enfrentar essa situação.
Dansri conhece o olhar do velho Acira, existe algo que ele está
escondendo, que provavelmente será exposto na assembléia de hoje,
entretanto Dansri se mantém sem querer entrar em detalhes. Pouco depois
das nove horas da manhã, depois de alimentarem-se e arrumarem-se, os
guerreiros Acira se direcionam para a imensa sala de reuniões no centro do
templo Acira onde acontecerá a sessão.
Tudo está preparado no fórum Acira, cada guerreiro se senta em seu

142
O despertar do imortal
local para a audiência extraordinária que preocupa a todos. Após todos os
Aciras estarem sentados em seus lugares em forma de semicirculo, o sol das
dez horas entra entre os pilares e vitrais, junto com o vento frio em forma de
brisa, todos parecem serenos, calmos, até a entrada do mestre Kaeanon com
quem Dansri conversara a pouco, ele usa roupas brancas, todos demonstram
respeito ao velho mestre reverenciando-o. Junto com ele entram Adrun Anen
e Dormus, da raça dos anjos, sendo que os três são os mais velhos membros
da Ordem, Namura veio em nome do velho mestre Reusefélio, das terras de
Dhâ, que está recuperando-se de um derrame cerebral devido à sua idade.
Das cinco cadeiras seniores, apenas três são ocupadas, deixando Dansri com o
olhar desolado para a cadeira que um dia pertenceu ao mestre que abandonou
sua Ordem.
Dansri, ao lado de Tesla, espera sereno o inicio da audiência, o silencio
invade o fórum e logo depois a voz rouca do velho ressoa dentro da cúpula.
(Kaeanon) __ Bom dia a todos! __ fala o velho, ele os cumprimenta com
a saudação dos membros supremos __ Que minha espada seja a de vocês! __ e
todos no fórum respondem com vigor.
“E as nossas sejam a sua!”
(Kaeanon) __ Todos vocês estão aqui hoje, vindo de muitos cantos de
nosso mundo de Veronor, para discutirmos uma das situações mais
preocupantes dos últimos séculos. Já não é novidade que Belto, o traidor de
nossa Ordem, encontrou o corpo da múmia do imortal devido a informações
confidencias de nossa Ordem, imaginávamos que o corpo mumificado poderia
ter usos maléficos para os Semas, mas a situação fugiu do nosso controle, o
que nem mesmo nossos antepassados esperavam aconteceu, Ethos, o imortal,
tomou um novo corpo!
Toda a sensatez dos guerreiros presentes acaba. Os olhares ficam
desfocados, todos falam ao mesmo tempo tornando impossível a compreensão
das palavras. As palavras de Kaeanon abateram Dansri como nunca haviam
feito antes, ele estava certo sobre o imortal e o perigo que ele representava.
Então Adrun Anen, em nome do velho que não pode esforçar-se para elevar
sua voz, pede silêncio a todos, em poucos segundos todos ficam calados.
(Adrun Anen) __ Amigos Aciras, peço que permaneçam em silêncio,
Kaeanon tem muito mais a relatar.
(Kaeanon) __ Obrigado Adrun __ agradece Kaeanon __ Estamos em um
momento muito delicado, não sabemos onde Ethos se encontra exatamente,
mas seus seguidores já atacaram alguns pólos Aciras e infelizmente mataram
alguns de nós__ novamente todos ficam inquiEthos mas Kaeanon continua,
levantando as mãos para pedir atenção__ ele esta acompanhado de gárgulas,

143
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
ífrits e Semas, está aliado a Belto e, de acordo com alguns informantes
nossos, está formando um exército organizado na região das montanhas
bárbaras próximo a Rome, acredito que ele irá atacar os povos livres e
declarar guerra aos Acira.
Um dos Aciras levanta-se e pergunta: ”Mestre, isso pode ser apenas um
boato implantado por Belto para nos intimidar”.
(Kaeanon) __ Gostaria que você estivesse correto Noas de Nalve, porém
Ésero presenciou quando o imortal em pessoa esteve nas montanhas Bárbaras.
Ésero, guerreiro das terras de Nalve levanta-se e fala.
(Ésero) __ Acreditem em mim irmãos, eu não sabia que se tratava de
tão temível ser quando o vi. Eu estava infiltrado entre os saqueadores
bárbaros de Rome em busca de seu mentor, então o boato que Belto estaria
propondo uma aliança surgiu, esperei dias até Belto aparecer, e ele apareceu,
não acompanhado de Semas como antes, apenas Belto, Dráina e um anjo que eu
desconhecia foram aos saqueadores, ele estava enfaixado como uma múmia e
usava correntes por todo o corpo. A essa altura eu não imaginava que pudesse
ser o imortal e também achei muita ousadia irem apenas os três, eles
proporam aos saqueadores uma aliança, ofereceram terras e ouro para os que
se aliassem. Quando Belto declarou o que o ser que o acompanhava era
realmente Ethos os saqueadores zombaram dele, no entanto Ethos se
sobrepôs a todos queimando vivo seu mestre ao qual eu procurava. Eles se
tornaram submissos imediatamente, não pude fazer nada, naquela situação
seria suicídio tentar enfrentá-lo.
O clima fica mais tenso ainda, Dansri não consegue ficar calado e pede a
palavra aos mestres seniores.
(Dansri) __ Mestre, gostaria de um minuto para falar.
(Kaeanon) __ Sim Dansri, a palavra é sua.
Antes de sair para frente do fórum Tesla segura na mão de Dansri e
cochica em seu ouvido.
(Tesla) __ Tome cuidado com o que você vai falar Dansri, todos estão
nervosos e podem não entender o que você tem a relatar.
Em resposta Dansri fala.
(Dansri) __ Eles apenas ouvirão aquilo que precisam ouvir.
Ele se dirige à frente e sem nenhuma inibição ele começa a falar.
(Dansri) __ Amigos Aciras, como vocês sabem sou historiador, estudei
muito sobre esse ser tão poderoso, e confesso estar chocado como vocês
estão, acredito nas palavras de mestre Kaeanon e de Ésero. Como historiador
sugiro que procuremos os Magos Acira __ fala Dansri para o espanto de todos
espantam __ vocês ficam espantados com as minhas palavras, mas há muito

144
O despertar do imortal
tempo eles vêm nos avisando sobre a volta do imortal e pouco se faz sobre
isso.
Rafael se levanta exaltado fala.
(Rafael) __ Isso é um absurdo! Os magos Aciras a muito tempo não
usam seus poderes de formas racional. Onde estavam eles quando Ivignio e
Hanaruki usaram seus exércitos para dominar os povos livres no milênio
passado, ou quando Signia dominou as terras suspensas de Ariel? Magia não é
futurismo nem adivinhação temos que trabalhar com os fatos e a realidade!
__ fala Rafael, muitos acenam com a cabeça positivamente, deixando Dansri
incomodado.
(Dansri) __ Eles não fizeram nada porque não são guerreiros, são magos
com dons de premonições, eles avisaram aos guerreiros Aciras que fizeram
como você está fazendo agora, esnobando! Eurívedes, o mago de Fegor, é um
exemplo disso, há muito ele já falava da volta do imortal e foi dado como
louco.
(Rafael) __ E ele também fala no surgimento de um ser híbrido entre as
raças. __ fala Rafael visivelmente criticando Dansri __ quantas gerações se
passaram desde o aprisionamento do condenado? Todas falavam em seu
retorno, e nem por isso ele voltou tempos atrás. Não devemos nos guiar pelas
previsões desses magos que nem existem mais, pelo que sei restam poucos
deles.
Adrun Anen se volta para Dansri que fala calmamente.
(Dansri) __ Eurívedes permaneceu louco por muito tempo, depois do
tratamento com os alquimistas ele teve melhoras significativas. E ele era o
último mago Acira; eles não existem mais. __ fala o mestre Dansri que fica
alguns segundos em silêncio, mas volta a si impor.
(Dansri) __ Existem mais alguns em Nalve e em Radanúria, eles sempre
acertaram anteriormente, não irão falhar, eles poderão nos ajudar.
(Kaeanon) __ Basta Dansri! __ fala Kaeanon, já com uma expressão
visivelmente irritado __ não iremos trabalhar com o futurismo desses magos,
a última vez que ouvimos os Conselhos deles cometemos um dos maiores erros
de nossa história, criamos a sombra da nossa morte sob nossos cuidados,
Rairoth __ o clima fica tenso, novamente, todo um mistério envolve o nome
desse indivíduo, e visivelmente observa-se que o assunto não irá se estender.
(Kaeanon) __ Voltamos agora ao assunto principal. Como teremos que
agir para determos esse mau?
Dansri então sai e se dirige em direção a Tesla que a aproximar-se fala
em seu ouvido.
(Tesla) __ Não acredito que você fez isso Dansri... Como você teve

145
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
coragem de comentar sobre os magos Acira para o conselho inteiro? Foram
eles que nos aconselharam a cuidarmos de Áian. Você sabe que depois desse
incidente o conselho Acira se desvinculou completamente deles. Hoje nem
sabemos exatamente onde eles estão.
(Dansri) ___ Por mais que digam que Belto os matou eu não acredito,
eles terão um papel muito importante nessa guerra iminente. Espero que o
Conselho tenha consciência disso antes que seja tarde de mais.
Enquanto isso sorrateiramente Rafael sai sem ser visto, em poucos
minutos ele está do lado de fora do templo e se dirige rumo a floresta que
rodeia o templo Acira. Ardem entrando cada vez mais na densa floresta ele se
depara com um dos Semas gárgulas submisso a Belto, ele saca então sua
espada e caminha rumo ao gárgula que permanece parada com seu olhar
tenebroso o incomodado com a luz do sol.
(Rafael) __ Chernif __ fala Rafael fazendo a reverência Sema para o
temível gárgula __ desta vez Belto está muito mais organizado, você está aqui
na hora certa. Onde está encomenda?
(Chernif) __ Está aqui. __ responde o gárgula entregando uma massa
circular pálidas do tamanho de um pulso para Rafael __ Noriato disse que
você sabe como o usá-lo.
(Rafael) __ Sim, eu sei. Essa massa se dissolverá na fonte do templo,
depois que todos consumirem de alguma forma a água da fonte, seja bebendo
diretamente ou nos alimentos, sentirão cansaço extremo no cair da noite.
Então vocês poderão invadir o templo como quiserem.
(Chernif) __ Deveríamos envenenar toda a água de uma vez, assim
todos morreriam.
(Rafael) __ Gárgulas como você são conhecidos pela sua ignorância e
não pela sua inteligência. Não vê que se envenenássemos toda a água alguém
morreria primeiro inibido os outros a ingerí-la de alguma forma. Essa poção é
a melhor forma de agirmos, quando a noite chegar todos estarão muito
cansado e irão dormir, mesmo que acordem estarão todas atordoados, com as
suas forças minadas nós mataremos todos eles.
A voz de Rafael retrata sua maldade, um plano está para ser executado.
A ambição de Rafael fala mais alto do que todo seu conhecimento Acira, há
muito tempo ele alimenta o desejo de possuir a espada do império de Adrun
Anen e fará tudo para possuí-la, desta vez trairá sua própria Ordem em nome
de sua ambição.
(Rafael) __ Qual a posição de vocês agora? __ pergunta Rafael curioso
para saber onde a tropa de Semas permanece.

146
O despertar do imortal
(Chernif) __ Estamos a oito quilômetros daqui. Depois que a noite cair
estaremos nas proximidades do templo e atacaremos. Não foi difícil nossa
jornada, passamos quase despercebido voando acima das nuvens, os outros
vieram em caravanas disfarçados.
(Rafael) __ Ele estará aqui? __ pergunta Rafael.
(Chernif) __ Sim, ele estará, ele quer pessoalmente ver a queda dos
Aciras.
(Rafael) __ Eles nem mesmo cogitam a possibilidade do imortal estar
tão perto de nós, serão atacados de surpresa. Não terão chance alguma e eu
terei a oportunidade de matar Adrun Anen com minhas próprias mãos.
Os dois se despedem rápido, Rafael volta para o templo e se dirige rumo
à fonte que abastece toda a água do templo. Ele passa pelos guardas com
muita facilidade devido ao seu alto cargo no Conselho, ao entrar no grande
galpão onde há um poço central circular ele certifica-se que não está sendo
observado e joga a massa esférica dentro das águas, sua dissolução é muito
rápida não deixando nenhum vestígio nem gosto, aos poucos a água que circula
pelo sistema hidráulico se misturam a poção e é usada na produção do
alimento de todos no templo. O plano está em andamento com perfeição, em
breve o resultado poderá ser catastrófico.
Depois de alguns minutos, do outro lado do templo, Eurívedes caminha
de um lado para o outro, muito inquieto, esperando saber notícias sobre a
sessão que já se estendeu para mais de meio dia. Nesse momento todos os
jovens que estavam na lavoura voltam para o almoço, entre eles está Héctor,
Manúrio, Al Porus, Bériun e Aline juntos, se direcionando para sala de
refeições, entretanto durante a conversa descontraída dos jovens Héctor
observa pássaros bebendo em uma fonte ornamental no centro do templo.
(Aline) __ O que você está olhando? __ pergunta Aline a Héctor quando
percebe que ele observa alguma coisa.
(Héctor) __ Estou observando os pássaros na fonte, havia muitos
desses canários na minha terra, isso me trouxe boas lembranças. __ comenta
Héctor com tom de saudosismo em sua vos ao ouvir o canto dos canários.
No momento em que Héctor acaba de falar um dos pássaros, após ter
ingerido água, tenta voar e cai. Aline e Héctor observam aquela situação
inusitada, percebem também que os outros pássaros que acabaram de ingerir
líquido também caem desnorteado. Eles pegam os pássaros e observam que
eles estão vivos enquanto os outros amigos que não tinham percebido ainda se
aproximam.
(Héctor) __ Aqui em Danora é comum isso acontecer? __ pergunta
Héctor sem entender o porquê dos pássaros de ficado desnorteados.

147
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Aline) __ Não, nunca tinha visto isso acontecer Héctor. __ responde
Aline percebendo que os pássaros não estão mortos. __ os pássaros não estão
mortos, parece estarem fracos. Agora a pouco não estavam assim.
(Héctor) __ Eu percebi isso também, parece que depois que eles
beberam é que ficaram assim.
Os outros jovens se aproximam e procuram saber o que está
acontecendo.
(Al Porus) __ O que foi que houve aí Héctor? __ pergunta Al Porus
olhando para o pássaro na mão de Héctor.
(Héctor) __ Não sei... Parece que os pássaros beberam da água da fonte
e ficaram desse jeito. Observe, eles não estão mortos, parecem estar em
estado de transe. __ responde Héctor entregando um dos pássaros para Al
Porus.
(Bériun) __ O responsável pela fonte aqui do templo é Eurívedes, acho
melhor nós mostramos isso para ele. __ fala Bériun para seus amigos.
Sem contestarem eles procuram Eurívedes e rapidamente relatam o
fato para o mago.
(Bériun) __ Mago Eurívedes. __ fala Bériun tentando chamar a atenção
do mago que de quem quieto querendo saber dos acontecimentos do conselho.
(Eurívedes) __ Diga Bériun, em que posso ajudá-lo.
(Bériun) __ Meus amigos encontraram esses pássaros desse jeito ali
próximo da fonte. Parece que eles beberam água e entraram nesse estado
hipnótico.
O mago toma os pássaros em suas mãos e os observa por alguns
segundos.
(Eurívedes) __ Vocês têm certeza que esses pássaros ficaram assim
depois de terem ingerido água da fonte?
(Héctor) __ Sim. __ fala Héctor que até agora não havia falado
diretamente com um Eurívedes que o observa com cuidado percebendo a
magia no garoto __ eu vi na hora que eles pousaram, eles pareciam normais,
logo depois de ter bebido água da fonte eles tentaram voar e caíram ficando
do jeito que estão.
(Eurívedes) __ Tudo bem, vou ver o que aconteceu com as águas da
fonte. Só me façam um favor. Não contém isso para ninguém, pode não ser
nada, mas não bebam dessa água por hoje só por precaução.
Eurívedes então se dirige para a fonte retirando dela com pequena
quantidade para fazer experiências. Antes de tomar qualquer conclusão ele
precisa saber o que aconteceu com água, pois há muito tempo ele está
desacreditado pelos Aciras devido aos seus problemas psicológicos.

148
O despertar do imortal
No momento em que Eurívedes recolhe a água observa que Dansri
caminha sozinho pelo templo, ele então se dirige ao seu amigo para saber dos
acontecimentos da sessão
(Eurívedes) __ Dansri, o que houve no conselho?
(Dansri) __ É hora de uma pausa para o almoço, em breve voltaremos a
discutir sobre a atual situação do mundo. __ responde Dansri sem dar muita
atenção ao mago.
(Eurívedes) __ Não tem mais nada para me contar __ fala Eurívedes um
pouco desapontado com seu amigo que não relatar a tudo o que aconteceu na
sessão.
(Dansri) __ Manterei você informado Eurívedes, mas só poderei fazer
isso depois que tudo foi resolvido no conselho Acira.
Dansri então observa que o velho segura um frasco com água, percebe
também que esse frasco se trata de frascos usados nas experiências
alquímicas.
(Dansri) __ O que você está fazendo com esse frasco de experiências.
__ pergunta Dansri
(Eurívedes) __ Nada de importante, é uma pequena experiência. __ fala
o velho, logo em seguida ele se aproxima um pouco mais de Dansri e fala. __
você poderia fazer um favor para mim Dansri? __ pede o velho sem nenhum
constrangimento.
(Dansri) __ Claro, diga o que você deseja.
(Eurívedes) __ Não beba da água da fonte hoje, só com precaução, e
nem se alimente com as comidas que foram feitas com ela.
Dansri fica por alguns segundos sem entender o que o velho mago quer,
se pergunta também se o mago está tendo algum surto de loucura por estar
falando aquelas coisas.
(Dansri) ___ Porque você está me pedido isso?__ pergunta Dansri.
(Eurívedes) __ Nada de muito importante meu amigo, só que preciso que
você faça isso por mim, se eu pedir para outras pessoas não irão me atender
então só me resta você.
(Dansri) ___ Tudo bem, a maioria das vezes você está certo, vou fazer
isso por você.
Dansri sai enquanto o velho vai para a sala de alquimia estudar água ao
qual teria feito com os pássaros adormecer. O fórum continua a tarde e cada
um dos Aciras presentes dá sua opinião, o dia se estende e Dansri fica quieto
e não toca mais no assunto, apenas ouve e por dentro fica indignado, ele faz o
que o mago diz ingere nada que tivesse sido misturado à água do templo, os
outros que não foram avisados consumiram de alguma forma a água, mal

149
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
percebem que um sono estranho os toma após o por do sol, eles acreditam que
se trata do cansaço da viagem e se entregam ao descanso merecido.
No final do dia de trabalho, depois do sol se por, os amigos Héctor, Al
Porus, Manúrio e Bériun voltam para o templo Acira, cansados pouco
conversam e logo ao anoitecer vão para seus quartos dormir, eles escutaram o
conselho de Eurívedes graças à insistência de Bériun que se guia pelos
conselhos de Eurívedes, durante o resto do dia eles beberam água de um
riacho próximo à colheita e se alimentaram de frutas. A noite está totalmente
escura, até mesmo as estrelas estão encobertas por densas nuvens, tudo
parece calma e os guardas ficam em seus postos despreocupados como todas
as noites, devido aos turnos alternados eles não ingeriram a água e
permanecem acordados, os mestres Aciras estão em seus quartos dormindo,
entorpecidos pelo efeito da poção.
Nas proximidades do templo Acira, alguns seres se movimentam
ordenadamente, se aproximando como sobras sem corpos, uma névoa negra
exala do corpo disforme desses seres, seguidos logo por gárgulas. Atrás
destes surge os Semas sobre o comando de Ethos que olha o templo com ira
em sua face.
(Ethos) __ Posso sentir o poder imundo de cada um dos Aciras que aí
estão, depois de mais de 3500 anos eu terei a minha vingança, a Ordem Acira
será destruída de forma que ela nunca mais possa existir.
(Rafael) __ Ainda há guardas em cima das muralhas mestre __ fala
Rafael e se aproxima no meio da escuridão __ eles trocam de turnos, por isso
não tiveram contato com água. Também não sei se a quantidade de poção foi
adequada para a quantidade de água, pode ser que o efeito não seja tão
eficiente quanto Noriato previu.
(Belto) __ Devemos atacar logo Lorde Ethos? __ pergunta Belto.
Ethos então levanta os braços, sem responder nada. Um frio intenso
começa a envolver o ambiente, uma névoa densas surgem de todos os lados
direcionando-se ao templo Acira.
(Ethos) __ Vamos gárgulas. Ataquem agora! __ ordena o imortal.
Correndo desengonçados os gárgulas abrem suas enormes asas de
couro, voando rumo as muralhas do templo cortando a densa névoa. Eles
passam imperceptíveis e pousam próximo às torres de Vigia. Como animais
carnívoros espreitando sua presa, eles arrastam-se sobre os tetos
aproximando-se dos guardas que apenas ouvem ao longe o som estranho de
suas entranhas.
"Você ouviu isso" perguntando um dos guardas para seu companheiro.

150
O despertar do imortal
"Eu não ouvi nada" responde o outro. "Devem ser as corujas, não dá para
ver mesmo por causa dessa névoa"
"Eu nunca tinha visto a névoa tão densa assim aqui no templo, tem algo
estranho acontecendo." relata o guarda pressentindo o perigo iminente. "Vou
verificar o local onde ouvi o barulho, fique aqui atento"
O guarda da torre caminha em direção ao local onde ouviu o estranho
barulho, mal pode ver a metros de distância devido a névoa. Ao caminhar mais
um pouco adentrando na névoa ele pisa em algo que chama atenção, resíduos
de lama estão espalhados no chão de pedra da muralha, ele abaixa -se e
reconhece que aquilo é lama da floresta das proximidades do templo. Ele se
pergunta como aquela lama poderia estar ali. Abaixado ele ouve a
movimentação acima de si e ao perceber, com movimentos lentos para não
chamar a atenção, segura no cabo de seu gládio. O barulho repentinamente
pára, ele continua na mesma posição apreensivo, em um movimento rápido ele
gira pronto para um ataque. Ele então percebe que acima de si só há uma velha
estátua de pedra de um gárgula, algumas corujas voam deixando-o aliviado.
O guarda então caminha rumo ao seu parceiro, para avisá-lo da estranha
lama que encontrara em cima do muro, nesse momento a superfície de pedra
do gárgula começa a rachar e de dentro da estrutura saltam o gárgulas vivo
que a ataca o soldado sem chances de desfesa envolvendo-o com as asas,
cravando seus dentes no pescoço e suas garras nas costelas. O grito
agonizante é abafado pela as asas do ser, mas é percebido pelo soldado que
está um pouco mais distante que corre para ajudar seu amigo e que também
atacado por mais um dos gárgulas que estava à sua espreita, dentro de poucos
estantes as muralhas estão sem guardas; os gárgulas então abrem o portão
frontal do templo Acira e do meio da escuridão saem dezenas de ífrits e
guerreiros Semas comandado por Belto.

151
AS ESPADAS DO IMPÉRIO

CAPÍTULO XI – A QUEDA
DOS ACIRA

"Quando comecei a fazer os testes com água


da fonte logo achei algo esquisito, nela havia resíduos
de um sonífero muito potente, em primeira instância
pensei que algas ou algo semelhante poderia ter
infectado as correntes subterrâneas, mas naquela
concentração precisarei de a quantidade enorme de
algas ou plantas para poder ter aquele efeito. Já
passava das 8h da noite quando resolvi verificar
diretamente no poço da fonte, achei tudo tranqüilo,
muito mais tranqüilo do que era para estar, era
estranho, com aquela quantidade de Aciras no templo
à noite deveria ser bem conturbada. Ao chegar ao
poço verifiquei a concentração da substância, estava
muito mais alta que em outras partes do templo,
conclui que a água teria sido infectada de propósito.
Nesse momento a densa névoa invadiu o templo Acira,
foi então que percebi que seremos atacados, já era
tarde demais, para sobreviver tive que fugir.”

Héctor dormia tranqüilamente em seu quarto quando algo interrompeu


seu adormecer; ele ouviu um som esquisito como se algo estivesse cravando
nas paredes do templo, o som subia rapidamente, Héctor levanta sua cabeça e

152
O despertar do imortal
fica ouvindo, ainda ocultado, com a janela que estava aberta para evitar o
calor do período do ano, ele percebe o frio extremo e a névoa que também
entra pela janela. O som continua, entrava não só pelas paredes, mas também
pela janela. A cabeça de Héctor começa a doer ao sentir uma força
semelhante á força mágica que sentira no dia em que observara o treinamento
Acira. Héctor fica novamente incomodado, ele levanta e ao ficar de frente
com a janela percebe que o som está bem próximo deixando-o assustado, sua
curiosidade é maior que seu medo e ele decide aproximar-se para ver o que
estava provocando aquele som de lâminas cravando nas paredes, seu olhar fica
fixo na janela quando pelo lado de fora laminas cravam nas paredes. Um vulto
usando mantos negros passa rapidamente subindo a muralha sendo suspenso
por uma força proveniente de suas espadas, a cabeça de Héctor dói mais
ainda e suas costas ardem, ele agüenta firmemente e então sucumbe à
curiosidade e olha pela janela e o vulto que a pouco passara pela sua janela
continua escalando a muralha usando muitas espadas, cravando-as com se
fossem tentáculos o levantando cada vez mais para cima.
Héctor percebe que está acontecendo algo de errado no templo, então
ele acorda seus amigos, tanto Al Porus quanto Manúrio não ouviram nada e
acordam com dificuldade.
(Al Porus) __ Deixa a gente dormi Héctor__ fala Al Porus o jovem com
a voz rouca.
(Héctor) __ Tem algo de estranho acontecendo, vamos acordem!__
insiste Héctor.
Héctor continua a insistir por alguns minutos até que seus amigos,
devido à insistência de Héctor levantam-se.
(Héctor) __ Acabei de ver algo de estranho subindo as muralhas do
tempo.
(Manúrio) __ Você estava sonhando Héctor, deixa a gente dormir. __
fala Manúrio __ ninguém pode escalar as muralhas.
(Héctor) __ Não era sonho, temos certeza que era real. Eram espadas
cravando na parede e suspendendo um homem.
Enquanto Héctor falava um grito ouvido à distância assustando os
jovens.
(Héctor) __ Vocês ouviram isso? __ pergunta Héctor assustado, um dos
amigos apenas balança a cabeça afirmando com olhares pálidos.
(Héctor) __ São gritos... __ subitamente Héctor para, sua cabeça dói
novamente, seus sentidos ficam aguçados e ele sente um cheiro familiar no ar.
(Al Porus) __ O que foi agora? Pergunta Al Porus percebendo que
Héctor procura sentir o cheiro de algo.

153
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Héctor) __ Eu reconheço esse cheiro, vocês estão sentindo?
Os dois respondem que nem em sussurro. Héctor cheira o ar e pára
fechando os olhos.
(Héctor) __ Esse cheiro me é familiar... um lapso de memória leva
Héctor á floresta de Fegor e então ele concilia o cheiro ao ser__ Ífrits.
Vamos Manúrio e Al, há ífrits dentro do templo, temos que avisar Dansri.
O susto é tão grande para Manúrio e Al Porus ficam estáticos sem
saber o que fazer.
(Al Porus) __ Você tá louco... Não há ífrits aqui em Danora, mesmo
assim eles não poderiam entrar, as muralhas são gigantescas e bem vigiadas.
(Héctor) __ Mas eu reconheço o cheiro de fumaça, eu tenho certeza
que é cheiro de ífrits, vamos avisar Dansri logo.
(Manúrio) __ Mas se tiver mesmo ífrits no templo o que podemos
fazer? Nós nem mesmo temos armas e... __ enquanto Manúrio fala Héctor
corre para seu guarda roupa e pega sua espada do meio de seus pertences.
(Héctor) __ Isso deve servir! __ fala Héctor desembainhando a espada
rumo aos seus amigos, Manúrio levanta as mãos a altura do peito como se
estivesse com medo e fala ironizando.
(Manúrio) __ Você sabe como usar isso?
(Héctor) __ Não é hora para brincadeiras, vamos!
Os três saem vagarosamente de seu quarto, e caminham rumo ao quarto
de Dansri. Nessa altura parte do templo já havia sido invadida, os ífrits
passaram por debaixo da porta em sua forma de fumaça e atracava quem
encontrasse pela frente, muitos deles já estavam próximos aos quartos dos
mestres Aciras prontos para invadirem e atacá-los ainda dormindo. Um ataque
ífrit é quase imperceptível, em sua forma de fumaça eles se locomovem
lentamente, não podem levar metais ou algo que não faça parte de seu corpo,
mas possuem garras retráteis afiadíssimas que eles usam para corta a
garganta de seus inimigos como se fossem navalhas. O ataque dos ífrits tem
que ser perfeito, calculado, pois após um dos mestres acordar será mais
difícil enfrentá-los, Belto e Dráina entram indo rumo aos quartos de Tesla,
Rafael então entra no quarto de Adrun Anen.
(Adrun Anen) __ Rafael, que bom ver que você. __ fala Adrun Anen
visivelmente atordoado devido ao efeito da poção __ o que está acontecendo
no templo? Ouvi gritos e acordei, não estou nada bem, estou muito tonto.
(Rafael) __ Estamos sendo atacados por guerreiros Semas mestre. __
responde Rafael sem demonstra nenhuma preocupação.
Adrun Anen ainda cambaleando pede para Rafael ajudá-lo.

154
O despertar do imortal
(Adrun Anen) __ Me ajude Rafael... __ pede o grande mestre
procurando algo para se apoiar __ Pegue minha espada.
Rafael dá um sorriso irônico, há muito tempo esperava pelo dia em que
pudesse tomar a espada de Adrun Anen para si. Ele se dirige à mesa onde está
a espada de Adrun Anen e a segura pela bainha, caminhando em direção a seu
mestre.
(Rafael) __ Você adivinhou mesmo Adrun Anen, eu vim aqui pegar a sua
espada
Mesmo com a visão desfocado o mestre Acira percebe o olhar traidor
de Rafael, já é tarde demais para Adrun Anen que está muito debilitado,
Rafael segura o cabo da espada e, mesmo o poder dela queimando sua mão,
crava a espada no peito do mestre que agonizando fala.
(Adrun Anen) __ Como você pôde fazer isso com seu mestre?
(Rafael) __ Você não é mais meu mestre velho idiota, meu mestre é
Ethos, o imortal.
A magia existente na espada de Adrun Anen se desfaz com sua morte
deixando-o livre para o próximo guerreiro que a possuir, Rafael então domina
a sua nova espada deixando-a repleta pela sua essência malévola. Então ele
leva o corpo de seu antigo mestre para a sala de reuniões no centro do templo
como troféu para mostrar a Ethos seu valor.
O ataque dos ífrits aos Aciras continua, eles entram em forma de
fumaça e se materializam devagar próximos às camas onde repousam os
mestres Aciras, em cada quarto estão de três a quarto ífrits para evitar que
algum Acira saia vivo. Gargantas são dilaceradas, gritos de horror ecoam pelos
corredores do templo.
(Manúrio) __ O que foi isso?__ grita Manúrio assustado.
(Héctor) __ Os ífrits estão atacando, temos que ser rápidos vamos
corram.
Os três saem correndo rumo ao quarto de Dansri, ao chegar à porta do
ouve-se um barulho de luta corporal que vem de dentro do quarto. Héctor
para de frente à porta e sua visão se adapta, ele agora consegui ver o calor
dos corpos dentro do quarto, ele observa a grande habilidade de Dansri na
luta contra cinco ífrits de uma só vez só, sem espada.
(Dansri) __ Dansri está sendo atacado por ífrits, procurem algo para
derrubar a porta.
(Al Porus) __ Não há nada para usarmos aqui! __ fala Al Porus muito
tenso.
O barulho que vem de dentro do quarto e a visão de Héctor fazem com
que ele entre em um estado de choque, seus olhos ficam novamente negros,

155
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
seus cabelos loiros escurecem como durante a luta contra Proênio, seus
músculos ficam rígidos e sua barba começa a crescer, Al Porus e Manúrio se
afastam sem reação. Então Héctor grita como um animal e desfere um chute
lateral de forma agressiva na porta que se arranca desordenadamente
acertando um dos ífrits dentro do quarto. Instintivamente Héctor empunha
sua espada e com uma agilidade incrível, mas sem nenhuma técnica, corta a
barriga do ífrit que já estava pronto para lhe atacar.
Com menos dois ífrits no quarto fica mais fácil para Dansri se defender
dos ataques, ele consegue desferir um chute perfeito na cabeça de um dos
ífrits que cai instantaneamente desacordado. Um dos dois ífrits restantes se
volta para Héctor e grune, o ataque é fulminante, o ífrit salta em cima de
Héctor que não consegue reagir. Al Porus e Manúrio gritam por Dansri que se
esquiva do ataque do ífrit restante e estende a mão rumo a sua espada Acira
dentro de seu guarda-roupa que por magia que responde ao seu chamado,
pairando no ar até a mão do mestre que corta um dos braços do ífrit,
espalhando o sangue fumacento pelo quarto. Héctor luta contra o ífrit que
está em cima dele, suas garras rasgam seus braços e o ífrit tenta aproximar
seus afiados dentes do pescoço de Héctor quando leva um golpe cortante no
meio da coluna que o deixa imóvel e morto. Héctor joga o corpo do ífrit de
lado e levanta-se rápido, Dansri fica parado na frente de Héctor.
(Dansri) __ Héctor, é você?__ fala Dansri assustado.
(Héctor) __ Sim sou eu. __ a voz de Héctor está mais grossa, sua
respiração está ofegante, Dansri, olha para a espada de Héctor no chão e
fala.
(Dansri) __ Pegue sua espada! Rápido!
Héctor pega sua espada rápido e logo ao tocar a espada Dansri começa
a reclamar ao perceber que os jovens estão ali.
(Dansri) __ Vocês não deveriam esta aqui!
(Manúrio) __ Mas estávamos vindo avisá-lo!__ fala Manúrio com seu
jeito desconcertado abrindo os braços.
Dansri vai até a porta arrombada, olha para um lado e do outro do
corredor para checar se havia algum perigo ali próximo.
(Dansri) __ Agradeço vocês, mas agora terão que fugir; o ataque parece
estar sendo em maça; vão para a cozinha e saiam pela porta dos fundos, lá
vocês saírão pelo aladoporto, peguem os caválados e fujam, mas cuidado com
os ífrits; vão rápido!
Os garotos saem rápido com Dansri na sua escolta, poucos passos depois
alguns ífrits se aproximam, desta vez armados com espadas rústicas e
enferrujadas, Dansri se põe em posição de luta, empunha sua espada com as

156
O despertar do imortal
duas mãos à altura de seu peito direito, os ífrits grunem com um som agudo
diferente dos gritos comuns, eles estão se comunicando, avisando da presença
de um Acira em condição de combate. Aquele barulho aguça mais ainda o
sentidos de Héctor, e aumenta muito sua dor de cabeça, Dansri então grita.
(Dansri) __ Al Porus, Manúrio e Héctor, fujam agora. __ mesmo com a
ordem do mestre os garotos ainda ficam parados sem reação, então Dansri
fala gritando __ vão logo, se não vão morrer, não posso proteger todos vocês
ao mesmo tempo.
Os garotos vêem mais de vinte ífrits armados atacando Dansri que se
defende com uma agilidade descomunal, mostrando todo o seu valor Acira.
Eles correm e ao chegar à porta da cozinha Héctor deixa os dois amigos
passarem e fica parado.
(Al Porus) __ Cadê o Héctor? __ Al Porus olha para trás e vê Héctor do
outro lado da porta parado__ anda Héctor, vem logo não podemos esperar.
Héctor ainda consegue ouvir o som do choque da espada de seu mestre
em batalha, para ele deixar seu amigo para traz seria um ato de covardia
mesmo que isso pudesse levá-lo à morte.
(Héctor) __ Eu vou voltar, não posso deixar Dansri lutar sozinho __
fala Héctor que fecha a porta e usa a tora de madeira para escorá-la
impedindo os jovens de retornarem..
Al Porus e Manúrio correm voltando desesperados ao ver a atitude
corajosa, porém suicida do amigo, para eles Héctor será alvo fácil dos ífrits.
(Al Porus) __ Héctor seu louco você vai morrer abre essa porta __ fala
Al Porus batendo com força nas grades, mas Héctor apenas olha para seus
amigos como se estivesse se despedindo e corre rumo em direção à luta para
tentar ajudar Dansri.
(Manúrio) __ Não adianta Al, esse louco não vai voltar, temos que
prosseguir.
Nesse momento, pela outra porta Bériun e Aline entram por mais uma
das portas muito assustados, sendo guiados por Eurívedes. Os dois grupos, de
início se assustam um com o outro, mas ao se identificarem eles ficam um
pouco mais tranqüilos.
(Bériun) __ Al... Manúrio que está acontecendo?__ Ainda pelo
descontrole do momento Manúrio fala.
(Manúrio) __ Mas que coisa, estamos sendo atacados. __responde
Manúrio.
Aline observa que Héctor não está com os dois e procura saber sobre
Héctor.
(Aline) __ Onde está Héctor?

157
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
(Al Porus) __ Ele endoidou e foi ajudar Dansri a lutar contra os ífrits.
(Aline) __ Temos que voltar para encontrá-lo. __ fala Aline olhando
para Eurívedes como se pedisse ajuda a ele.
(Al Porus) __ Não dá! Ele escorou a porta com uma tora de madeira que
nem sei como ele conseguiu levantar, mesmo assim tá cheio de ífrit lá atrás.
Temos que prosseguir...
(Aline) __ Mago não podemos deixar Héctor para traz. __ insiste Aline
quase desesperada.
(Eurívedes) __ Mesmo que eu consiga arrombar a porta não poderemos
lutar contra os seres, apenas atrapalharíamos Dansri. Temos que prosseguir.
Espero que Héctor saiba o que está fazendo.
Mesmo contrariada Aline segue os amigos com o olhar tristonho olhando
para traz na esperança de que Héctor retorne, esperança essa em vão, ele não
irá voltar. Com todo o cuidado eles correm até o aladoporto, lá há apenas três
ífrits de guarda e o velho mago sabe o que fazer.
(Eurívedes) __ Fiquem escondidos aqui garotos. São apenas três, posso
enfrentá-los.
O mago usa toda sua ousadia e sai de dentro da escuridão tranqüilo,
caminhando em direção aos caválados, um dos ífrits observa o comportamento
ousado do mago e corre em direção a ele com espada em punho disposto a
matar o velho mago. Ao atacar, a espada apenas atravessa uma figura humana
que se assemelha ao mestre se desfazendo como se fosse parte da névoa,
nesse instante de distração do ífrit, Eurívedes o agarra por trás e quebra seu
pescoço, os outros ífrits percebem a movimentação, o mago então segura na
cabeça do ser morto e olha em seus olhos, da boca do mago sai palavras
incompreensíveis junto com uma fumaça branca que entra pelas narinas do
ser. Eurívedes corre para junto de seus companheiros, ele enfeitiçou o corpo
do ífrit que explode e infesta o ar com sua fumaça, impedindo o avanço dos
outros.
(Eurívedes) __ Rápido não temos tempo __ grita o velho mago __ subam
nos caválados.
A fumaça escura durou o tempo necessário para que os jovens e o mago
possam subir nos seres alados e partirem rumo ao noroeste saindo das
redondezas frias do templo.
Belto e Dráina Caminham pelos corredores do templo em direção ao
quarto de Tesla que permanece dormindo em sua cama, sob o efeito da poção,
ao chegar à porta do quarto Belto relembra, por alguns instantes, quando anos
atrás, naquele mesmo quarto, eles discutiram, ele tenta retirar aquelas
lembranças da mente e se dirige a Dráina.

158
O despertar do imortal
(Belto) __ Ela está ai dentro, quero que a faça sofrer, sofrer muito.
Machuque suas asas e seus membros, poupe apenas o rosto e a vida.
Dráina olha rápido para o misto de gárgula e anjo e o segura pela lapela
cobrando ciúmes doentios.
(Dráina) __ Porque está me pedindo isso? Você ainda sente algo por ela,
não sente? Diga-me.
(Belto) __ Pare com isso Dráina, o que eu quero é vingança, ela tem que
sofrer e ver minha ascensão, ela será nossa escrava e servirá a você. Você
tem idéia melhor.
Dráina não responde com palavras, usa seu sorriso sádico para
satisfazer seu macho. Ela abre a mão em direção à maçaneta e ao fechá-la a
maçaneta se amassa como se fosse papiro devido ao poder da Sema que
domina os metais. Ela entra e lá está Tesla deitada desacordada em seu leito
alvo, Dráina contempla com inveja o corpo despido de Tesla, apenas coberto
por suas asas brancas, a guerreira de olhar diabólico abaixa-se e fala no
ouvido da anjo.
(Dráina) __ Oi Tesla amiga, adivinha quem chegou?
(Tesla) __ Dráina...
Mesmo sobre o efeito do sonífero Tesla desperta atordoada, ela
assusta-se ao observar que sua grande rival está a sua frente, não há tempo
para reação, Tesla é montada sobre o abdômen e tem a boca tapada pela
guerreira. Belto então sai deixando a anjo sob as vontades insanas de Dráina.
Héctor, por sua vez, volta para onde está Dansri que mesmo com suas
habilidades, permanece em graves apuros. O choque da espada de Dansri com
as espadas dos ífrits espalha faísca no ar, a fumaça dos corpos dos ífrits
mortos por Dansri dificulta sua visão, Héctor por puro instinto corre para o
meio dos ífrits que atacam Dansri, sem muita agilidade mata um dos ífrits que
lá estão. Dansri ao observa que Héctor entrou na batalha, salta por cima dos
ífrits com que ele lutava e ataca os que Héctor está enfrentando.
(Dansri) __ Você é louco? Você não deveria ter voltado seu maluco!
(Héctor) __ Eu não podia deixar você ficar aqui sozinho. __ responde
Héctor empunhando sua espada em posição ofensiva.
(Dansri) __ Fique atrás de mim e não reaja.
Os ífrits se aproximam, mesmo com o ar repleto de fumaça escura
Dansri observa que há uma porta arrombada no chão dentro de seu quarto,
Dansri ergue as mãos rumo a porta que treme, então a pesada porta de
madeira flutua no ar e é arremessada rumo aos ífrits derrubando alguns
deles. Dansri empurra Héctor e aproveita o momento de distração para fugir,
eles correm o mais rápido que podem, nos corredores cheios de fumaça eles

159
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
encontram corpos de Aciras, gárgulas e resto de ífrits espalhados pelo chão.
(Dansri) __ Não é possível, todos estão mortos. __ comenta Dansri ao
ver alguns de seus amigos mortos.
Eles vão em direção ao pátio de treino, mas ao se aproximar de um dos
corredores que dão aceso ao pátio eles ouvem o barulho de mais ífrits.
(Dansri) __Espere um pouco! __ Dansri olha pelo canto do corredor e vê
a movimentação dos ífrits. __ Droga, de onde foi que saiu tantos ífrits...
Temos que encontrar um caminho alternativo.
Dansri olha o ambiente ao seu redor, mas vê que não tem muita saída,
Héctor usa seus sentidos aguçados para identificar algum local que não esteja
sendo vigiado por ífrits.
(Héctor) __ Vamos por aqui Dansri, aqui não há ífrits. __ fala Héctor,
sem muita alternativa Dansri segue o jovem, eles saem por uma das portas ali
próximo chegando ao saguão principal. Lá os dois encontram o corpo de Adrun
Anen morto no chão. Dansri quase entra em choque ao ver o grande mestre
estendido morto, ele se abaixa e segura o corpo e tenta em vão ver alguma
reação.
(Dansri) __ Adrun, Adrun! Não isso não pode estar acontecendo. Não!!!
__ o grito de Dansri ecoa por todas as partes do templo, então um vulto negro
sai detrás de um dos pilares e se deleita com seu sofrimento.
(Belto) __ Porque choras Dansri? Se você não notou todos agora terão o
mesmo destino de Adrun, a morte. Suas lágrimas não mudarão seus destinos.
(Dansri) __ Seu cretino como pode fazer isso, você é um covarde
porque não enfrenta você mesmo suas batalhas, você usa os ífrits para se
esconder do poder Acira.
Belto da um sorriso irônico, e caminha aproximando-se de Dansri.
(Belto) __ Meu velho parceiro, eu não usei os ífrits para matar Adrun
Anen, nem mesmo lutei com ele, Rafael fez isso. Só que Rafael não fala mais
por si, ele agora responde ao nosso mestre maior... O mestre de todos os
mestres Semas...
Com passos imponentes Ethos sai da escuridão, mostrando todo o seu
esplendor, seu olhar está fixo nos olhos de Dansri que percebe todo o poder
negro infiltrado em suas veias, atrás dele Dráina segura Tesla que
aparentemente estar muito machucada e impossibilitada de lutar. Héctor
sente seu corpo ferver, suas costas ardem como se estivessem em brasa
dentro de suas roupas. Dansri então segura sua espada em posição de ataque
e a estende em direção a Ethos..
(Dansri) __ Fique trás de mim Héctor, se poder fuja __ fala Dansri em
voz baixa para Héctor.

160
O despertar do imortal
(Ethos) __ Você ousa levantar sua espada contra mim seu inútil, ainda
não viu que todos os Aciras aqui presentes foram mortos ou então rendidos. O
que você vai fazer agora? Matar-me? Você é um historiador, não? Eu sei
muito sobre você Dansri, você é Acira com muito conhecimento, dentre todos
você foi o quem mais me chamou a atenção, será muito útil para nós Semas,
então eu tenho um proposta a fazer a você.
A expressão de Dansri se modifica, parece furioso sua espada parece
ferver em brasa, está vermelha com se estivesse sendo forjada.
(Dansri) __ Eu não quero ouvir suas propostas Ethos, você não merece
confiança, você só deseja o poder e eu honro os código Aciras.
(Ethos) __ Sei que você não é tolo. Você não tem escolha, ou se junta a
mim e se torna um Sema ou será morto agora mesmo.
(Dansri) __ Nunca serei um Sema! Prefiro a morte! __ grita Dansri __
Héctor, você se mostrou muito hábil com a espada, mas aqui nada a adiantará,
fuja agora.
Ethos se aproxima de Dansri e empunha sua enorme espada, Dansri
aquece sua espada de modo que ela fique mais vermelha que antes, Héctor não
esboça reação e então um barulho de batalha é ouvido na outra porta que dá
acesso ao salão, Ethos percebe a aproximação de um poder que ele já sentira
antes, porém em menor intensidade, Dansri, com sua experiência, identifica
aquela essência mágica.
Enquanto isso, em um dos corredores próximo ao saguão central onde
estão os Dansri e os outros, Noriato se delicia assassinando indefesos alunos
do templo, Weron está morto no chão e Enertek agoniza com um golpe na
garganta. Todos ingeriram de alguma forma a água contaminada fazendo-os
ficarem entorpecidos e facilitando os ataques dos Sema, Noriato percebe que
no meio da penumbra um dos humanos caminha em sua direção sem
demonstrar pânico e nem entorpecimento como os outros.
(Noriato) __ Quem está aí? __ pergunta o Sema olhando através da
penumbra.
O homem coberto por um manto cinza caminha mais um pouco até
chegar próximo a uma tocha que ilumina parte do corredor.
“Onde está seu mestre Noriato?” pergunta o guerreiro.
(Noriato) __ Quem é você? Diga logo! __ ordena Noriato preparando
sua espada para o ataque.
“Ousa levantar essa insignificante espada contra mim Noriato? Se me
dissesse onde está seu mestre eu o mataria sem que você sofresse”
(Noriato) __ Você é ousado Acira, será um prazer matá-lo como fiz com
seus alunos. __ revida o guerreiro Sema com o sabor de morte na voz.

161
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
“Você está enganado Noriato, eu não sou um Acira, eu não sou um
Sema...” fala o guerreiro interrompendo suas palavras com um pequeno gesto
com sua mão direita emitindo magia para sua espada na cintura.
Noriato só identifica o guerreiro quando a sua espada se desembainha
com um movimento lento, sem ser tocada. O guerreiro mantém a espada a
frente de seu corpo controlando-a, deixando seu rival sob o domínio de um
medo que só esse guerreiro pode provocar, então ele corre em direção a
Noriato o atacando sem chances para o Sema.
O grito de Noriato se espalha pelo templo chamando a atenção daqueles
que estão dentro do saguão principal, Ethos sente um poder mágico que
surgira do nada se infiltrar nas redondezas.
(Ethos) __ Que poder é esse? __ fala Ethos sentindo a presença de
uma magia guerreira tão intensa para ele que o faz desviar a atenção que
estava voltada pára Dansri.
A porta de dois lados é atravessada bruscamente pelo corpo de
Noriato, em seguida um homem destemido entra tranquilamente, ele está todo
coberto por manto cinza, Belto fica visivelmente assustado ao ver figura tão
imponente, então o homem fala com uma voz rouca e encorpada.
“Belto, você mandou me caçarem como um animal, agora é minha vez de
caçar” fala o guerreiro como se os outros que ali estavam não tivessem
importância.
(Dansri) __ Não, não pode ser ele.
Para esse homem nada importa mais do que Belto que parece
hipnotizado pela sua presença, então alguns Gárgulas e ífrits aparecem atrás
de Belto, escoltando-o.
(Belto) __ Não esperava vê-lo aqui, vejo que você é corajoso e acho que
você não está por dentro da situação atual. Os maiores mestres Acira foram
mortos aqui hoje, mortos por ele __ Belto então estende o braço rumo a
Ethos __ Ethos, o imortal, também será seu destino a morte aqui hoje.
Com a voz rouca e despreocupada o homem responde
“De que me importa quem é esse seu subalterno? Dessa vez você não vai
se esconder atrás de ninguém Belto. É só você e eu.” fala o guerreiro com sua
voz grave e encorpada que aos ouvidos de Belto soam como o estrondo de um
trovão.
O ambiente está repleto de tensão, Ethos, Dráina e Tesla, Belto e seus
subordinados de um lado, Dansri e Héctor, do outro e o guerreiro sem medo
esperando a reação de seu inimigo, todos juntos sem saber o quê vai
acontecer, cada um espera o primeiro ataque. O homem estão se mostra
destinado e começa a caminhar rumo a Belto sem nem mesmo empunhar uma

162
O despertar do imortal
espada, Belto então dá a ordem à sua escolta.
(Belto) __ Vamos ataquem!
Héctor fixa o olhar no movimento do homem e vê nele algo que já havia
visto antes uma vez, o ataque do primeiro gárgula é feroz, mas inútil, o homem
esquivasse e rapidamente quebra seu pescoço, os ífrits e gárgulas restantes
formam um círculo ao redor do guerreiro que se mantém muito tranqüilo ao
ponto de Héctor fazer um comentário a Dansri.
(Héctor) __ Os batimentos do coração dele nem mesmo se alteram.
(Dansri) __ Eu sei, conheço esse estilo de luta, é o mais perigoso e
agressivo de todos.
Os ífrits e os gárgulas se posicionam e subitamente atacam o homem. O
movimento é inesperado, o homem se abaixa apoiando-se em um dos joelhos
com a mão no chão usa seu poder mágico. De dentro de manto cinza saem oito
espadas que cortam seu manto em centenas de pedaços com os seus
movimentos rápidos e precisos, o ataque é instantâneo, nenhum dos seres que
lhe atacaram ficou de pé e antes dos pedaços de seu manto tocarem o solo
seus inimigos agonizavam no chão, o ataque não foi fatal de propósito, ele
queria provocar dor e medo ao seu inimigo.
Ele levantou-se vagarosamente, suas espadas ainda estão flutuando no
ar como penas soltas ao vento, fazendo movimentos lentos e delicados, ele
fica ereto, mostrando agora seu rosto antes obscuro, lábios grossos, pele
negra, usa um fino cavanhaque com barba, um olhar de ódio preenche seu
rosto, cabelos em tranças grossas, corpo musculoso e braços cheio de
cicatrizes, tudo nele parecia destemido. O guerreiro dirige seus dedos
vagarosamente como se estivesse aquecendo-se para a luta. Ele move seu
olhar que antes ainda apontava para seus oponentes agora para Belto que está
visivelmente desconfortável com sua presença, as espadas param e como em
uma dança se embainham sozinhas nas bainhas das costa e da cintura. Ethos
parece surpreso, desvia toda a sua atenção pra o homem.
(Ethos) __ Isso e impossível! É uma semelhança incrível, é como se
fosse o mesmo guerreiro, mas só eu poderia ter vivido tanto tempo.
Dansri ouve a fala de Ethos, mas não compreende o que ele quer dizer
realmente, Héctor por sua vez fica vislumbrado com o poder daquele homem
que até a pouco não se nomeara, com um grito de glória ele esbanja seu nome,
o nome do guerreiro mais temido em toda Veronor.
(Rairoth) __ Eu sou Áian Rairoth, trago comigo a morte como presente
para você Belto.
Áian Rairoth então corre e ataca Belto, uma chuva de faísca enche o
ar, ele demonstra uma habilidade inacreditável, usa apenas uma de suas

163
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
espadas, a Katana com traços orientais, mas o cabo da espada permanece
flutuando do lado de fora do dorso de sua mão. Ethos apenas observa a luta,
Dráina ao ver que Belto está tendo dificuldades para enfrentar Áian Rairoth
entra na batalha pelo seu amado, é inútil. Uma das espadas de Áian Rairoth, o
gládio de porte grande, se desembainha e enfrenta Dráina sobre o domínio de
seu mestre, mesmo os dois juntos não são páreo para Áian Rairoth que nem se
quer recua.
Dansri aproveita o momento de distração de Ethos, olha para cima e
vê o candelabro que está bem acima de Ethos, Dansri então joga sua espada
nas correntes que o sustentam, fazendo com que o candelabro caia, Dansri vê
que Ethos observou e esquiva-se antecipadamente ao iminente choque.
(Ethos) __ Idiota achou que eu, Ethos, seria derrotado por essa
oportunidade ridícula.
(Dansri) __ Sim, mas eu sempre tenho um outro plano.
Dansri levanta sua mão rapidamente e com um golpe de magia joga os
restos do candelabro em direção horizontal em cheio no tórax de Ethos o
levantando a metros dali. Héctor e Dansri aproveitam o instante e correm pra
onde Tesla está desacordada, Dansri envolve Tesla em uma cortina e a segura
nos braços e corre atravessando a porta por onde Áian Rairoth tinha entrado,
aproveitando que ele tinha matado todos os inimigos naquele caminho. Os
restos do candelabro são jogados lateralmente por Ethos que abre suas asas
e grita de forma animalesca expondo todo o seu poder.
(Ethos) __ Belto, Dráina! Tragam-me Dansri. __ agora nem Belto nem
Dráina puderam obedecer ao mandado de Ethos, pois estavam em apuros
lutando contra Áian Rairoth, Dráina foge da luta depois que é ferida no pulso ,
o guerreiro embainha a espada que agora não é mais necessária e continua a
enfrentar Belto. Ethos após ver a dificuldade com que os dois estavam tendo
para enfrentar o guerreiro, posiciona suas mãos para o assoalho de madeira e
o arranca abaixo de Áian Rairoth lançando-o com os pedaços de assoalho
atravessando uma das janelas. Áian Rairoth é jogado longe atravessando
janelas e paredes de madeira e caindo direto com cima do estábulo,
quebrando o teto e vários níveis, parando inconsciente encima de um monte de
ferro onde os caválados assustados relincham.
O momento foi muito proveitoso para Dansri e Héctor que pouco após
descerem níveis pela escada chegam ao estábulo próximo ao aladoporto.
Héctor, com sua visão apurada, observa o corpo de Áian Rairoth cair
espatifando-se entre sobre os tetos e caindo em cima de um monte de feno.
(Dansri) __ Rápido Héctor, procure um caválado para você não teremos
muito tempo. __ fala Dansri com um olhar sério.

164
O despertar do imortal
Os ífrits já se aproximam descendo pelo buraco feito pelo assoalho
contra a janela. Héctor pega dois caválado brancos enquanto procura
identificar o local da queda do guerreiro que salvou sua vida meses atrás,
Dansri joga Tesla encima do seu caválado e sobe com uma imensa habilidade.
(Dansri) __ Suba Héctor não temos tempo. __ fala Dansri usando seu
poder para desapear os vários caválados que ainda permaneciam por lá para
evitar que alguém os seguisse.
Dansri grita incitando o galope do caválado que corre se aproximando
para o vôo, Dansri nem observa que Héctor, mesmo no escuro, volta sua
atenção para o meio de ferro do estábulo, lá estava Áian Rairoth tentando
mover-se, prestes a ser atacado por ífrits, um choque de consciência
preenche Héctor, Áian Rairoth uma vez o salvou dos ífrits, ele agora se sente
no direito de salvar o guerreiro. Ele ataca alguns ífrits que já estavam
prestes a matar o debilitado Áian Rairoth que fala quase inaudível.
(Rairoth) __ Minha espada...
Héctor usa seus sentidos aguçados e identifica a espada pela emissão
de magia proveniente dela, após encontrá-la o jovem corre em meio ao
estábulo e apóia o guerreiro segurando sobre seus ombros, a essa altura
Dansri já fazia um vôo de retorno ao perceber que seu amigo não tinha
decolado com seu caválado e de lá grita.
(Dansri) __ Rápido! Há muitos ífrits se aproximando.
Héctor posiciona o corpo de Áian Rairoth quase desacordado na frente
do animal e meio desajeitado Héctor faz seu caválado levantar vôo
acompanhando Dansri e deixando Belto, Dráina e Ethos pra trás e sumindo na
escuridão da noite sem deixar rastros.
O imortal contempla o ambiente onde antes era dominado pela Ordem
que o aprisionou por milênios, corpos de jovens e velhos Aciras, alunos,
guardas, mulheres e crianças estão espalhados por toda a extensão do templo
os gárgulas se espalham pelas muralhas tomando seus postos de observação
em forma de estátuas, ífrits gritam agudo clamando pelo seu mestre Ethos,
sob uma intensa tempestade provocada por Ethos os guerreiros Semas vão ao
seu encontro e juram lealdade ao ser que, em uma única noite, venceu a
poderosa Ordem dos Guerreiros Acira.

165
AS ESPADAS DO IMPÉRIO

Continua...
Personagens

Hérito Nascai – Pai adotivo do jovem Héctor Nascai e esposo de Náila Nascai.
Foi soldado do exército de Fegor quando jovem, trabalhou na extração de
metais nas Minas de Parli a oeste de Veronor onde aprendeu a profissão de
ferreiro, reside no condado de Pésleri em Fegor onde é conhecido por suas
habilidades em metalurgia e tarracá, esporte de contato difundido pela
região.
Náila Nascai – Mãe adotiva de Héctor Nascai e esposa de Hérito Nascai.
Quando jovem serviu a uma família influente em Fegor onde aprendeu a ler e
escrever tornando-se excelente oradora. Foi responsável pela educação de
Héctor até os dezesseis anos, ensinando-o a ler e escrever.
Héctor Nascai _ Filho adotivo de Náila e Hérito, foi entregue ao casal quando
ainda era bebê. Suas habilidades físicas são incomuns para um humano, devido
a essas habilidades é convidado a estudar filosofia no templo Acira.
Eurívedes _ Mago Acira residente no templo Acira depois de um ataque de
loucura. Cuida da fonte do templo e pressente as mudanças na energia mágica
do mundo, é o irmão mais velho de Eurífones.
Eurífones – Filósofo das terras de Fegor. Professor de Héctor antes de ir
para o templo Acira, ao qual indica o aluno para seguir os ensinamentos Acira.
Foi mestre de Dansri e Áian Rairoth em um passado remoto.
Dansri - Mestre Acira aluno de Eurívedes. É um homem solitário, tem como
amiga a anjo Tesla, Leviro e seu mestre Eurífones. Possui um grande
conhecimento em história e é um exímio espadachim.
Tesla – Guerreira Acira da raça dos anjos, fora criada nas terras das
amazonas e no passado se envolveu com Áian Rairoth. É profunda dominadora
da medicina Acira e excelente arqueira.
Adrun Anen – Mestre Acira ancião que coordena as atividades no templo
Acira, é também um dos cinco mestres maiores do Conselho Acira, ele é
detentor da Espada do Império de Danora.
Jutor – Humano anão mestre Acira das terras de Rome. Conhecedor das
técnicas de metalurgia Acira, forja as mais fortes espadas do templo, é
professor de metalurgia para os alunos do templo.
Leviro - Vendedor de armas e ferreiro amigo de Dansri, indica as
capacidades em metalurgia de Héctor para Adrun Anen.
Rafael – Mestre Acira das terras de Gregória, audacioso e invejoso trai os
Acira em torça da espada do império de Danora e mata Adrun Anen para isso.

166
O despertar do imortal
Verseck – Mestre Acira Demônio das terras de Radanúria, as terras dos
vulcões. Sua raça é odiada por todos devido a sua aparência aterradora.

Kaeanon – Mestre Acira e regente de Piramidara. Velho guerreiro respeitado


no conselho, foi morto depois da invasão do templo Acira.
Tartum – Mestre Acira da raça dos astaronianos. Conhecido como o gigante
Acira foi morto numa batalha contra Áian Rairoth após cair de um cânion. Era
detentor da Espada do Império de Astarônia, o reino dos gigantes.
Áian Rairoth – Guerreiro nascido nas terras de Piramidara e treinado sobre
os ensinamentos do clã Sema e da Ordem Acira. Procurado pela morte de
inúmeros guerreiros Semas e Aciras ele é o mais temido dos guerreiros das
espadas, se diz um guerreiro que não segue nenhuma das Ordens Guerreiras e
luta para livrar o mundo de Veronor das duas ordens. Possui cinco das sete
Espadas do Império existentes que foram obtidas assassinando em batalha os
maiores guerreiros Acira de Veronor e as controla usando magia sem precisar
tocá-las. No passado viveu um relacionamento amoroso com Tesla e era amigo
de Dansri.
Aline - Aluna do templo Acira nascida nas terras de Kwara as terras das
amazonas. Torna-se amiga de Héctor depois de conhecer sua história.
Manúrio – Aluno do templo Acira nascido nas terras de Danora, excelente
lutador de thay e amigo de Al Porus, irreverente e descuidado se torna amigo
de Héctor.
Al Porus – Aluno do templo Acira nascido nas terras de Rome. Lutador
assíduo de thay e altamente inteligente, é arrogante com as pessoas ao qual
não conhece, se torna amigo de Héctor após saber que ele viu Áian Rairoth ao
qual ele admira muito
Bériun - Aluno do templo Acira nascido nas terras de Nalve, é fraco
fisicamente e tímido, porém detém um excelente conhecimento de metalurgia
adquirido nas aulas de Jutor. É amigo de Eurívedes ao qual sempre ouve suas
conversas.
Proênio - Aluno do templo Acira nascido nas terras de Desília, preferido por
Rafael pela sua agressividade enfrenta seus rivais em batalha sem dó, é
vencido por Héctor e a partir daí começa a odiá-lo.
Belto – Antigo anjo Acira que traiu sua ordem, implantou asas de gárgula
através de magia negra, inimigo mortal de Áian Rairoth.
Ethos – Anjo imortal detentor do maior poder mágico de toda Veronor. No
passado dominou quase todo o mundo, sendo vencido por Sâmaro e um
guerreiro sem nome ficou aprisionado por mais de 3500 anos. Seus poderes
vãos da absorção de magia a imortalidade ao qual só pode perdê-la se

167
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
provocar a morte espontaneamente.

Dráina – Sema companheira de Belto. Inimiga mortal de Tesla, torturou a


anjo durante a invasão ao templo Acira.
Noriato – Mestre Sema detentor de conhecimentos de alquimia.
Aistéctiro – Velho mestre Sema respeitado pelo seu conhecimento do lado
negro da magia.
Simolo – Mestre Sema detentor de uma agilidade incrível, surpreende Ethos e
o mata sendo tomado pelo poder de Ethos que atualmente usa seu corpo.
Akun – Rei de Desília, assumiu o trono depois de fazer um acordo com Belto e
assim se tornou submisso a ele. Odeia tanto Belto quanto os Semas, espera
receber poderem de Ethos para se livrar de Belto.
Ésero – Mestre Acira das terras de Nalve, usa seu poder para prender os que
não seguem as leis de paz. Foi o primeiro Acira desses tempos a ver Ethos, foi
morto durante o ataque ao templo.
Chernif – Gárgula Sema das montanhas de Kwara, amigo de Rafael e inimigo
de Eurífones. Leva a poção para Rafael infectar as águas do templo.
Iziri – Guerreira Acira atacada por Semas em Dhâ, morta durante a invasão
do templo.
Saloto - Guerreiro Acira atacado por Semas em Dhâ, morto durante a
invasão do templo.
Daro – Guerreiro Acira irmão de Verseck, morto por Belto em Radanúria.
Enertek e Weron – Pupilos Acira mortos por Noriato durante a invasão do
templo.
Ivignio – Mestre Sema difusor da arte negra no oriente.
Hanaruki Rairoth – Primeiro mestre Sema oriental

168
O despertar do imortal

Calendário – Datas importantes

09 de outubro de 4619 – Nasce Héctor Moar, filho de Ethos e Íshra


27 de outubro de 4619 – Héctor é enviado ao futuro e sua mãe é morta por
Ethos.
29 de novembro de 4619 – Último ano da 1ª Era Clássica, dia em que Ethos
foi aprisionado por Sâmaro.
21 de dezembro de 4619 – forjaduras das Espadas do Império
01 de janeiro de 01 - Entrega das espadas aos seus protetores Aciras
13 de julho de 2743 – Ivignio parte para o oriente.
29 de setembro de 2743 – Ivignio toma Hanaruki Rairoth como seu escravo
12 de janeiro de 2748 – Hanaruki mata Pléstero para salvar seu mestre e é
feito seu discípulo.
29 de abril de 2762 - Hanaruki Rairoth mata seu mestre Ivignio.
16 de fevereiro de 2926 - Hanaruki Rairoth morre naturalmente.
21 de março de 3482 – Láias Amnamo mata Karanata Rairoth.
30 de abril de 3483 - Nasce Áian Amnamo, filho de Láias Amnamo e Fléria.
15 de maio de 3489 – Láias e Fléria são mortos por Takeno Rairoth.
23 de setembro de 3496 – Áian Rairoth mata seu mestre.
03 de outubro de 3496 – Inicio da reabilitação de Áian Rairoth no templo
Acira.
02 de dezembro de 3500 – Íshra deixa Héctor Moar aos cuidados de Hérito
e Náila Nascai.
08 de julho de 3508 – Áian Rairoth decepa a asa de Belto e é expulso da
Ordem Acira.
25 de junho de 3510 – Áian Rairoth mata Regina e toma para si a sua
primeira Espada do Império.
26 de dezembro de 3516 – Belto encontra o cárcere do condenado.
01 de fevereiro de 3517 - Áian Rairoth mata Tartum em Toira.
10 de junho de 3517 – Héctor encontra Áian Rairoth pela primeira vez.
13 de junho de 3517 – Héctor é convidado a ir para o templo Acira.
01 de agosto de 3517 – Ethos adquire um novo corpo.
02 de agosto de 3517 – Dansri e Adrun Anen chegam ao templo Acira. Belto
se une a Ethos em Desília.
12 de agosto de 3517 – Héctor enfrenta Proênio.
19 de setembro de 3517 – Reunião do Conselho Acira e sua queda.
20 de setembro de 3517 – Fuga de Dansri, Héctor, Tesla e Áian Rairoth do

169
AS ESPADAS DO IMPÉRIO
templo Acira.

SUMÁRIO.

Nota do autor........................................................ Pág. 06

Mapa de Veronor..................................................... Pág. 07

A primeira Guerra - Da ascensão dos katewaris a criação dos


guerreiros Acira...................................................... Pág. 08
A segunda guerra – Da origem do imortal ao fim da 1ª Era
Clássica................................................................ Pág. 10

Capítulo I – A criança tão esperada................................ Pág. 12

Capítulo II – O aluno desconhecido................................. Pág. 24

Capítulo III – O encontro com o guerreiro......................... Pág. 42

Capítulo IV – Um convite irrecusável................................ Pág. 47

Capítulo V – O cárcere do condenado............................... Pág. 61

Capítulo VI - A chegada ao templo Acira.......................... Pág. 72

Capítulo VII – O anjo imortal....................................... Pág. 87

Capítulo VIII – As escleras negras................................. Pág. 96

Capítulo IX – O encontro dos Semas................................ Pág. 115

Capítulo X – A reunião do Conselho Acira........................... Pág. 123

Capítulo XI – A queda dos Acira.................................... Pág. 150

Personagens........................................................... Pág. 164

Calendário – Datas importantes.............................. Pág. 167

170
O despertar do imortal

171
AS ESPADAS DO IMPÉRIO

ERALDO PAZ

Produção: Eraldo Paz


Digitação: Marlos Elivelton , João Cléssio, Eraldo Paz
Edição: Eraldo Paz
Encadernação: Eraldo Paz

“Ás vezes o mau, para ser derrotado,


precisa ser enfrentado por um mau ainda maior!”
Eurífones

172