Você está na página 1de 1

CENTRO UNIVERSITÁRIO GERALDI DI BIASE INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO

BIMESTRE
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL
ICETE
AV 1 AV 2 AV 3 NF
CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
DISCIPLINA: APTA III VALOR
PROFESSOR: WAGNER COPOLA NOTA

SÉRIE/ PERÍODO/ TURNO RUBRICA DO COORDENADOR DATA ___/___/___

Aluno (a): Matr.:

Reflexões sobre o Preconceito Racial

O preconceito e o racismo estão historicamente vinculados a situações de exploração, nas quais os mais fortes, política e
economicamente, extraem vantagens materiais. É um círculo vicioso que reproduz a condição de opressão racial e os
racistas. Historicamente, portanto, o racismo se funda em bases econômicas que intensificam a desigualdade social e
racial. Por isso, alguns imaginam que modificadas a base econômica supera-se o racismo. A história demonstra que não é
bem assim! O preconceito racial interioriza-se, sobrevive por gerações e mostra-se renitente, mesmo com a evolução da
ciência e das transformações sociais.

A insuficiência da explicação economicista mostra a complexidade da questão racial. Na medida em que a recusa do
diferente está presente em todas as época e sociedades, não seria o preconceito algo arraigado e próprio da natureza
humana? Uma dificuldade inerente ao humano de se reconhecer no “outro”?

O conceito de natureza humana é controverso. Há quem explique os fenômenos sociais apenas por uma característica que
estaria intrinsecamente vinculada à natureza biológica, naturalizando-se as diferenças e relações humanas. Há os que
enfatizam os aspectos sócio-econômicos e relativizam a sua natureza animal – instintiva – e, mesmo, os aspectos
psicológicos.

Assim, embora seja essencial adotar medidas econômicas e políticas que inibam atitudes preconceituosas e mesmo que os
distúrbios psíquicos sejam tratados e equacionados satisfatoriamente, o preconceito resiste e permanece latente,
ressurgindo no cotidiano, nas coisas mais simples ou em situações de crise sócio-econômicas. Um exemplo típico é a
revitalização do preconceito contra os imigrantes em geral em épocas de intenso desemprego; contra os negros quando
estes são vistos como uma ameaça à classe média branca na disputa pelas vagas nas universidades públicas, etc.

O preconceito deve ser combatido e é possível educar nossas crianças, e a nós mesmo, no sentido de superá-lo. Todavia, é
muito difícil vencê-lo quando está inculcado e arraigado nas mentes e corações. Então, o preconceito torna-se uma
patologia, talvez curável por uma experiência muito intensa e traumatizante ou a morte! Lembro-me da cena em um
filme: as pessoas sinceramente se emocionavam e choravam diante do discurso de um branco sulista e racista. Contra esse
tipo de gente não adianta argumentos racionais. A inibição legal ou econômica pode induzi-lo a escamotear o racismo e o
preconceito, mas estará lá como uma fera adormecida.

Se o “horror às diferenças” não explica por si o preconceito, penso que não se pode desconsiderar o peso que o
estranhamento diante de uma situação, algo ou alguém diferente, tem no processo de manifestação do preconceito. Nesse
sentido, talvez o passo mais importante para combater o preconceito seja partir do auto-reconhecimento deste. O
preconceito pode adquirir gradações diferentes: a eventual repulsa inicial pode se consolidar numa atitude/sentimento de
rejeição ou de aceitação do outro.

Fico a refletir sobre as relações pessoais que construímos e sobre a responsabilidade que temos como pais, educadores,
etc. O preconceito é como uma sombra que nos persegue, um veneno que nos mata lentamente. Ele resiste às terapias
conscientes ou inconscientes. Quantos preconceitos se escondem sob a hipocrisia das relações sociais fundadas nas
aparências e nos discursos racionais que proferimos? Em qual recanto da nossa alma os escondemos?

Diante de tal reflexão, como esse histórico contribui para o racismo de hoje e como percebem esse
resultado de anos de abuso de poder e condição social?

UGB – Compromisso com a Transformação Social!