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PRIMEIROS SOCORROS

Resumo didático para o estudo orientado


Profa. Itana Fernandes
Prof. Antônio Lucindo Sobrinho

Última revisão:

2016.2
Feridas e Hemorragias

“A alteração morfológica ou funcional do corpo no local em que ocorre uma


transferência de energia é o que se denomina lesão”

Vanrell

INSTRUMENTO MECANISMO FERIMENTO (LESÃO) EXEMPLO


Perfurante Pressão-penetração Punctório Alfinete, agulha,
prego, estilete
Cortante Deslizamento Inciso Navalha, gilete
Contundente Pressão-esmagamento Contuso Cassetete, chão,
Pressão+esgarçamento Lácero-contuso muro, para-choque
Pérfuro-cortante Pressão-deslizamento Pérfuro-inciso Peixeira, faca, bisturi
Pérfuro- Pressão-penetração Pérfuro-contuso Projétil de arma de
contundente fogo, chave de fenda
Corto-contundente Pressão-esmagamento Corto-contuso Machado, dente,
foice, unha, facão
Lacerante Esgarçamento Laceração Serra, motosserra,
serrote

LESÕES CONTUSAS

- lesões provocadas por instrumentos contundentes

“Os instrumentos contundentes, animados da necessária energia cinética, são capazes de


provocar soluções de continuidade e lacerações dos tecidos moles, dos vasos e das
estruturas osteoarticulares”

- modalidade das lesões:


1. Compressão
a. Produz esmagamento
2. Contato tangencial
a. Produz lesão por atrito
3. Tração
a. Pode produzir arrancamentos e lacerações
4. Sucção
a. Determina uma depressão circunscrita
5. Explosão
a. Decorre do aumento primário ou secundário da pressão interna

- localização:
 Superficiais:
o Rubefação:
 Lesão produz vasodilatação local e saída de sangue dos vasos
 Encontram-se nas compressões e nas irritações agudas ou crônicas
o Edema Traumática:
 Provoca distensão tecidual com limites nítidos
 As vezes, apresenta a forma do instrumento
o Bossas linfáticas:
 Produzidas pelo acúmulo de linfa (“galo”)
o Hematoma:
 Lago sanguíneo localizado
 Formado pelo rompimento de vasos
o Equimose:
 Sufusão hemorrágica difusa que se infiltra na espessura dos tecidos
 Ocasionada por rompimento de vasos
o Escoriação:
 Resulta de ação mecânica e tangencial do instrumento
 Deixa a derme descoberta por arrancamento da epiderme
 Existe mistura de sangue e serosidade, e a crosta que se forma ao
secar é castanha ou amarronzada
o Laceração:
 Resulta de ação tangencial do instrumento
 Instrumento provoca esgarçamentos ou dilacerações dos tecidos
 Apresenta bordas irregulares
 Profundas:
o Entorses e luxações
o Fratura
o Ruptura visceral
o Esmagamento

LESÕES POR ARMA BRANCA

- características das lesões:


 Lesões punctórias:
o Causadas por instrumentos perfurantes
 Lesões incisas:
o Causada por instrumentos cortantes
o Apresentam-se mais profundas na parte central (corpo), superficializando-se
nos extremos (cauda de entrada e cauda de saída)
o Apresenta bordas regulares que se coaptam perfeitamente
o Margens não apresentam escoriações ou equimoses
 Lesões pérfuro-incisas:
o Provocadas por instrumentos pérfuro-cortantes
o Feridas mais profundas do que largas
o Apresenta uma extremidade aguda e outra arredondada
 Lesões corto-contusas:
o Lesões mistas
o Produzidas por pressão de objeto cortante, sem deslizamento
o As lesões costumam ser mais devastadoras, decepando segmentos, fraturando
ou seccionando ossos

- são classificadas como lesões de baixa energia:


 Armas usadas com as mãos
 Produzem lesão somente com as pontas afiadas ou com as bordas cortantes
 A lesão nas vítimas pode ser prevista analisando a trajetória da arma no corpo
o Sempre que possível, o socorrista deve identificar o tipo de arma usada
o O sexo do agressor é um fator importante na determinação da trajetória de
uma faca
 Homens tendem a segurar a lâmina no lado do polegar e fazem
movimentos para cima e para baixo
 Mulheres tendem a segurar a lâmina do lado do dedo mínimo e fazer
movimentos para baixo
 O agressor pode esfaquear a vítima e girar a faca dentro do corpo
 O ferimento de entrada pode ser pequeno, mas a lesão interna pode ser extensa

TIPOS DE HEMORRAGIA

- Há três tipos de hemorragia externa:


 Hemorragia capilar:
o É causada por escoriações que lesiona
minúsculos capilares imediatamente abaixo
da superfície da pele
 Hemorragia venosa:
o Provém de camadas mais profundas do
tecido
o Em geral, é controlada mediante uma pressão direta moderada no local
o Não ameaçam a vida, a não ser que seja grave ou a hemorragia não seja
controlada
 Hemorragia arterial:
o É a mais importante e também a mais difícil de ser controlada
o É caracterizada por um sangue vermelho vivo que jorra da ferida
o Mesmo uma ferida perfurante pequena em uma artéria pode produzir uma
hemorragia que ameace a vida

O RÁPIDO CONTROLE DA PERDA SANGUÍNEA É UM DOS OBJETIVOS MAIS IMPORTANTES


NO ATENDIMENTO DE UM DOENTE TRAUMATIZADO. A AVALIAÇÃO PRIMÁRIA SÓ PODE
PROSSEGUIR APÓS O CONTROLE DA HEMORRAGIA

- Técnicas de controle da hemorragia externa:


 Podem ser usadas isoladamente ou associadas.
 Pressão direta:
o Aplicar pressão no local da hemorragia
o Aplicação e manutenção de pressão direta exigem
atenção total de um socorrista.
 O socorrista fica indisponível para participar
de outros aspectos do atendimento dos
doentes
 Caso não tenha ajuda, o socorrista deve improvisar um curativo de
pressão
 Elevação do membro:
o Pode ser útil em lesões distais de membros,
quando associadas a outras técnicas, pois
diminui a perfusão local, contribuindo na
redução da hemorragia
 Torniquetes:
o São descritos como a técnica do “último recurso”
o São muito eficazes no controle da hemorragia grave e devem ser usados caso a
pressão direta ou um curativo de pressão não consigam controlar a
hemorragia de uma extremidade

CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS

 Hemorragia Classe I:
 Perda volêmica de até 15% - Até 750 mL
 Taquicardia mínima
 Pressão arterial e frequência respiratória sem alterações significantes

 Hemorragia Classe II:


 Perda volêmica entre 15 a 30% - 750 a 1.500 mL
 Ativação do sistema nervoso simpático
 Mantém a pressão arterial
 Aumento da frequência respiratória - >20
 Taquicardia – 100 a 120 bpm
 Diminuição da pressão arterial
 Queda discreta do débito urinário
 Pele fria e pálida

 Hemorragia Classe III:


 Perda volêmica entre 30 a 40% - 1.500 a 2.000 mL
 Perda de sangue não compensável
 Hipotensão
 Sinais clássicos de choque
 Taquicardia (> 120 bpm)
 Taquipnéia (30 a 40 ventilações por minuto)
 Ansiedade e confusão
 Sede intensa
 Queda do débito urinário

 Hemorragia Classe IV:


 Perda volêmica acima de 40% - mais de 2.000mL
 Choque grave
 Taquicardia acentuada (> 140 bpm)
 Taquipnéia (> 35 ventilações por minuto)
 Confusão grave ou letargia
 Queda acentuada da pressão sistólica – 60 mmHg
 POUCOS MINUTOS DE VIDA

CHOQUE HIPOVOLÊMICO

“O não reconhecimento do choque, levando à não instituição do tratamento adequado


no ambiente pré-hospitalar, pode estender o tempo de internação do doente ou leva-lo
ao óbito”

PHTLS, 7ª ed.
- fatores que conduzem à perda aguda de volume sanguíneo:
 Desidratação:
o Perda de fluidos e eletrólitos
 Hemorragia:
o Perda de plasma e hemácias

- reações fisiológicas à perda volêmica:


 Liberação de adrenalina pelas glândulas suprarrenais (ou adrenais)
o Aumento do débito cardíaco
o Aumento da frequência cardíaca
o Aumento da força de contração cardíaca
 Liberação de noradrenalina pelo sistema nervoso simpático
o Vasoconstricção periférica:
 Fechamento dos capilares periféricos
 Redução da distribuição tecidual de oxigênio
o Células saem do metabolismo aeróbio para o
anaeróbio

OS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS DE DEFESA SÃO EFICAZES ATÉ CERTO PONTO.


QUANDO OS MECANISMOS DE DEFESA NÃO PODEM MAIS COMPENSAR A REDUÇÃO
VOLUMÉTRICA, A PRESSÃO ARTERIAL DO DOENTE É REDUZIDA.

A DIMINUIÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL MARCA A MUDANÇA DO CHOQUE COMPENSADO


AO CHOQUE DESCOMPENSADO – UM SINAL DE MORTE IMINENTE

- sinais associados ao choque hipovolêmico:


 Pele fria e pegajosa
 Pele pálida ou cianótica
 Pressão arterial diminuída
 Nível de consciência alterado
 Retardo do enchimento capilar

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