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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Departamento de Ciências de Educação


Curso de Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos

Movimento cooperativo em Moçambique – caso das cooperativas e associações económicas da


província de Sofala

Emília Consulo

Beira, Marco de 2020


INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Departamento de Ciências de Educação
Curso de Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos

Movimento cooperativo em Moçambique – caso das cooperativas e associações económicas da


província de Sofala

Trabalho de Campo da cadeira de


Economia social e Cooperativismo
2º Ano a ser submetido na
Coordenação do Curso de
Licenciatura em Gestão de Recursos
Humanos do ISCED.
Tutor:

Emília Consulo

Beira, Marco de 2020


Índice
1. Introdução.................................................................................................................................4

1.1. Objectivos..........................................................................................................................4

2. Aspectos Históricos do Movimento Cooperativo.....................................................................5

2.1. O Cooperativismo e a Economia Solidária........................................................................7

2.2. Associativismo.................................................................................................................11

2.3.2. Benefícios da associação..............................................................................................15

3. Conclusão................................................................................................................................17

4. Referências bibliográficas.......................................................................................................18
1. Introdução

O sistema cooperativo moderno só poderá ser uma alternativa a uma economia do humano ao não
ser instrumentalizado por um ou outro dos grandes sistemas. Assim, um desafio que nasce da
crise dos grandes sistemas é o da construção de uma concepção teórica de uma formação social
em bases culturais, políticas e econômicas que possa acolher a liberdade individual e a
necessidade do coletivo como dimensões de realização do ser humano. Vive-se o desafio da
construção de um novo projeto de sociedade: o novo como necessidade. A possibilidade de novo
projeto da sociedade, em meu estabelecimento, passa pela participação, cooperação,
solidariedade e pela ampliação da esfera pública, ainda que não estatal.

Afirma André Morin (2004, p. 76) que, na visão de Paulo Freire, “O homem sujeito de sua
história, dialogando com seus parceiros humanos, é capaz de atingir um nível de consciência
crítica que lhe permita transformar a sociedade circundante”. Isto é, possibilita se organizar e
reagir. Assim, a solidariedade e a cooperação impõem-se mais como necessidades do que como
meras opções. Impõem-se como reação. A sociedade humana precisa construir novas formas e
padrões de coexistência e cooperação dos seres humanos entre si, com relação ao seu meio
ambiente e às futuras gerações. Talvez seja essa a grande tarefa da humanidade para as próximas
décadas: a de construir e reconstruir as condições de uma metamorfose social (Morin, 1998) que
assegure a vida para os seres humanos e toda a natureza.

1.1. Objectivos

Gral

 Objectivo geral de trabalho e de desenvolver sobre movimento cooperativo em


Moçambique – caso das cooperativas e associações económicas da província de Sofala.

Específicos

 Definir e breve historial sobre cooperativa e associativismo;


 Identificar uma associação e fazer estudo nela;
 Identificar as motivações e os benefícios de adesão de uma associação;
2. Aspectos Históricos do Movimento Cooperativo

Os fatos históricos, relativos ao movimento cooperativo, perdem-se na sua multiplicidade e na


vastidão da dimensão do tempo. Ocupar-se da história do cooperativismo significa destacar os
principais pensamentos e visões das experiências de cooperação, em um determinado tempo e
lugar.

No caso do movimento cooperativo moderno, o conflito social presente em sua base,


historicamente, esteve relacionado com a má distribuição das riquezas, as restritas oportunidades
sociais, a luta por melhores condições de vida, o reconhecimento da liberdade de organização. Os
seus valores eram relacionados ao associativismo, à solidariedade e à cooperação, ao
reconhecimento de seus protagonistas como sujeitos, com valor e dignidade. O movimento
cooperativo moderno nasceu em função da defesa e da valorização do trabalho humano.

Os fundamentos do cooperativismo moderno são os interesses dos seus associados, além das suas
necessidades. O cooperativismo moderno busca proteger os interesses das pessoas, de seu
trabalho, estimulando-as à cooperação. A cooperação tem um sentido econômico que se expressa
pelo esforço de reduzir custos, por exemplo. A redução de custos busca ampliar a economia dos
associados e, assim, melhorar as condições de vida.

O movimento cooperativo moderno busca a afirmação da cultura da cooperação nas relações


econômicas de oferta e procura, em favor do trabalho humano. Busca-se sair da individualidade
pelo estabelecimento de interesses comuns. Este é o aspecto político do cooperativismo moderno:
o desafio da construção de um novo projeto de sociedade, a sociedade em rede cooperativa em
favor da valorização do trabalho. Esse desafio recoloca a questão da cooperação para a economia.

Em outras palavras, afirma a atualidade do movimento cooperativo moderno, diante da ausência


de um projeto global de sociedade para a maioria da população.

O termo cooperativismo deriva do latim e expressa um movimento social. É um termo composto


pela preposição “cum”, que significa “com, em companhia de, juntamente com” e pelo verbo
“operari”, que significa “trabalhar”. Dessa forma, o termo cooperativismo traz em sua origem
histórica a noção de trabalho conjunto, de relações sociais de trabalho. Os principais fundamentos
filosóficos do movimento cooperativo são:
 Humanismo: valorização do homem pelo que ele é e não pelo que ele tem.
 Solidariedade: um por todos e todos por um.
 Justiça social: a cada um conforme a sua participação.
 Liberdade; autodeterminação do ser, inclusive para a cooperação.
 Democracia: cada pessoa um voto e decisão pela maioria.
 Participação: uma exigência da vida cooperativa. Todos são donos.
 Responsabilidade: responder pelas decisões e acompanhar a vida da cooperativa.

As ideias cooperativistas brotaram de um contexto de transformações que entraram em curso com


a desagregação da ordem feudalista e o estabelecimento da ordem capitalista, a partir da
Revolução Francesa e da Revolução Industrial. De acordo com o sociólogo italiano Domenico De
Masi (1999, p. 110-111), por séculos o lugar de vida e de trabalho era coincidente, isto é, as
pessoas trabalhavam e viviam, predominantemente, no mesmo lugar: na oficina artesanal. A
Revolução Industrial significou a ruptura desse núcleo de vida e de trabalho. Pode-se imaginar o
forte impacto disso na vida das pessoas, das famílias e das comunidades.

Em 1938, em Paris, a Aliança Cooperativa Internacional reconheceu os quatro primeiros


princípios como fundamentais, isto é, como Princípios Primários, sem os quais não seria
reconhecido o caráter de cooperativa. Os demais foram definidos como métodos operacionais e
administrativos, de caráter secundário.

Em 1966, em Viena, na Áustria, foram revisados os princípios, ficando assim constituídos:

1. Adesão livre (incluindo neutralidade política, religiosa, racial e social).


2. Gestão democrática.
3. Distribuição das sobras: ao desenvolvimento da cooperativa; aos serviços comuns; aos
associados “pro rata” das operações (i.é. proporcional à participação).
4. Taxa limitada de juros ao capital social.
5. Constituição de um fundo para educação dos cooperados e do público em geral.
6. Ativa cooperação entre as cooperativas, em plano local, nacional e internacional.
Em 1995, em Manchester, na Inglaterra, os princípios foram novamente reformulados, passando
a ter a seguinte redação:

1. Adesão voluntária e livre.


2. Gestão democrática pelos membros.
3. Participação econômica dos membros.
4. Autonomia e independência.
5. Educação, formação e informação.
6. Intercooperação.
7. Interesse pela comunidade.

2.1. O Cooperativismo e a Economia Solidária

A cooperação em sua forma moderna pode ser considerada um produto da organização capitalista
da sociedade, constituindo-se uma reação às dificuldades técnicas, sociais, políticas e culturais,
diante da lógica da acumulação do capital. As modernas formas de organização cooperativa
nasceram no espaço do mercado capitalista. A cooperação moderna propõe mudanças na
organização econômica da sociedade, mediante a instauração de um sistema baseado em
associações-cooperativas, de caráter econômico, postas a serviço das necessidades e interesses de
quem trabalha.

O cooperativismo apareceu, historicamente, por meio das diferentes experiências, como um


instrumento para substituir o individualismo pela cooperação, reduzindo custos, riscos,
promovendo a colaboração econômica das economias associadas com o objetivo de alcançar
melhores resultados. Apesar das diferentes experiências, em diferentes áreas da economia e em
diferentes países, existem alguns elementos comuns ao entendimento do cooperativismo. Isso
permitiu caracterizar o movimento cooperativo moderno, em termos mundiais. Nas organizações
cooperativas se reconhece como elementos comuns as seguintes características:

a) São sociedades de pessoas;


b) A associação é livre;
c) Os fins são comuns;
d) O empreendimento econômico coletivo emprega os meios de todos os associados e o seu
risco é também comum;
e) A ordem social e econômica da organização cooperativa se apoia não na competição entre
os seus membros, mas no entendimento, na solidariedade, com relação aos objetivos
comuns.

Pode-se considerar que as formas históricas da organização cooperativa incorporaram a


problemática das relações de trabalho, no mercado capitalista, a) opondo uma proposta
alternativa, pela via socialista, ou b) procurando se inserir no mercado pela recuperação da
capacidade de competição e concorrência, pela via da cooperação entre as economias individuais
enfraquecidas.

O cooperativismo moderno carrega em seu núcleo o objetivo da valorização do trabalho humano.


Os associados desenvolvem uma conduta racional de associação, de cujo processo nascem formas
de organização e instrumentalização de seus interesses e objetivos. Organizar uma cooperativa é
buscar construir poder, especialmente nas relações econômicas com o mercado. A organização
cooperativa constitui-se como uma reação aos problemas técnicos ou políticos de produção e
distribuição das riquezas entre os seres humanos. A base da organização cooperativa está fundada
nas dimensões técnicas e políticas do trabalho humano e associada às consequências sociais daí
decorrentes. O comportamento co-operativo dos associados na empresa-cooperativa deve ser
racionalmente organizado, mediante normas, regras, contratos.

Trata-se de uma iniciativa pragmática de quem espera pouco ou nada das instâncias formais de
poder e parte à construção solidária de soluções para os seus problemas imediatos comuns.
Lembra o autor, no entanto, “que o contexto global no qual agem os novos agentes da economia
solidária, seja de que tipo forem, condiciona muito fortemente sua existência e sua evolução”
(Houtart, 2001, p. 22).

Ensina François Houtart (2001, p. 16-17) que:

Baseadas na solidariedade seguidamente existentes nesses meios, nasceram iniciativas


que pretendem alcançar níveis de organização econômica, social, cultural e políticas
superiores e alternativos ao sistema capitalista neoliberal. Visam à criação de uma
economia popular em que encontrariam lugar tanto trabalhadores urbanos e rurais,
manuais e intelectuais, proprietários e não-proprietários, trabalhadores dependentes do
capital e independentes.

A economia solidária pode ser caracterizada como um esforço de construção de uma alternativa à
produção e de sua distribuição sob a lógica do capital. Isto é, no lugar dos interesses do capital,
busca-se afirmar a primazia da centralidade humana, as necessidades de quem produz (Maréchal,
2000).

A marca forte de um processo civilizatório mais humano é a substituição das relações instintivas
de concorrência pelas relações de respeito, de solidariedade e de cooperação entre os seres
humanos e destes com a natureza, isto é, com a vida em geral. Hoje, por meio de iniciativas de
economia solidária e cooperativa, parece renovar-se a capacidade de reação e organização da
sociedade civil, diante dos desafios que as transformações tecnológicas e o poder econômico
financeiro impõem, especialmente ao mundo dos trabalhadores.

Assim, para além de sua afirmação como instrumento de organização econômica, o movimento
social pela cooperação passa a assumir dimensões que vão além das questões econômicas. Nesse
sentido os processos sociais de organização cooperativa incorporam questões sociais, políticas e
culturais. Por parte de associados, existe também uma percepção política do movimento
cooperativo (Frantz, 2009, p. 146-147). A cooperação é buscada como uma reação ao risco de
exclusão, de marginalização ou exploração, no contexto maior da interação econômica.

Afirma Cibele S. Rizek (1998, p.16), que “a organização ou desorganização do trabalho, a


estruturação ou desestruturação das formas de sociabilidade convidam a repensar, hoje, a questão
social [...]”. Nesse contexto de dificuldades, retoma-se o cooperativismo como um projeto de
esperança, como um espaço concreto de organização de quem se sente ameaçado de exclusão. E
isso apesar das dificuldades de se construir e manter estruturas coletivas em uma sociedade, cada
vez mais individualizada (Bauman, 2008).

Diante de sua ressignificação como movimento social, a qualificação para a cooperação ganha
importância, desafiando o movimento cooperativo para a adoção de práticas de educação popular.
Os objetivos da cooperação, junto aos que lutam por alternativas à tendência de exclusão,
instituem a importância do diálogo como um de seus meios de gestão e, consequentemente,
potencializa a concretude de suas práticas como um processo social de educação, isto é, de
educação popular.

No contexto atual de globalização e de dificuldades sociais, a organização cooperativa volta a ser


uma prática social valorizada e validada. Muitos são os que lhe emprestam importância, no
sentido de sua afirmação como sujeitos e atores sociais ativos. Retomam o cooperativismo como
um projeto de esperança, como um espaço concreto de organização como instrumento coletivo de
encaminhamento de suas economias, estimulando o desenvolvimento de novas relações sociais.

No seio das necessidades e urgências sociais, ressurge o cooperativismo, sendo-lhe atribuídas


novas funções, especialmente no campo do trabalho, transformado na grande questão social de
nosso tempo (Singer; Souza, 2000).

Para muitas pessoas ou grupos sociais, hoje, a cooperação torna-se, novamente, elemento
fundamental à construção de seus espaços de vida, pois a organização cooperativa, para além da
expressão material, desenvolve também expressões culturais, políticas e sociais que se somam
aos interesses, objetivos e necessidades de seus associados. A organização cooperativa adquire
um significado mais amplo que a simples função de encaminhamento de operações técnicas e
instrumentais das economias individuais associadas. Em decorrência disso, impõe-se a
necessidade de repensar as práticas cooperativas.

De acordo com Manuel da Silva Costa (2001, p.13),

um dos maiores dilemas, quer da economia capitalista, quer da organização burocrática,


foi a formação do individualismo, esvaziando o indivíduo da sua alma, isto é, da sua
emotividade e subjectividade. Tanto a nova divisão técnica do trabalho industrial, como a
organização funcional no seio das burocracias modernas ignoram o indivíduo, com seus
projectos e anseios, com as suas identidades, valores e significados.

De acordo com os economistas Hans-Peter Martin e Harald Schumann (1998, p. 15), “o ritmo da
transformação e a redistribuição do poder e da prosperidade provocam a erosão das antigas
unidades sociais mais rapidamente do que se pode processar o desenvolvimento das novas”.
Assim, mais que uma globalização, há uma decomposição global, certa uniformização mundial.
Dizia Boutros Boutros-Ghali, ex-secretário geral da ONU: “O nosso planeta está sob pressão de
duas forças monstruosas e antagônicas: a globalização e a fragmentação” (Martin; Schumann,
1998, p. 35).
A economia cooperativa solidária, ao mesmo tempo em que contém as frustrações, as dúvidas, as
incertezas e perguntas dos sujeitos, constitui-se também em um processo educativo e pedagógico
em direção a um mundo mais justo e mais seguro para todos. Apresenta-se como uma nova
utopia a reconstruir relações sociais sufocadas pela ideologia do egoísmo individualista, a serviço
da racionalidade do lucro em desfavor do homem.

A economia cooperativa solidária devolve a oportunidade à economia do humano. No contexto


da globalização, em que o trabalho, enquanto núcleo da estrutura social sofre grandes
transformações tecnológicas e organizativas, o cooperativismo, enquanto prática econômica,
aparece, novamente, a exemplo de outros períodos difíceis da história do trabalho, como
importante instrumento de articulação e de (re)integração da população nas estruturas sociais das
comunidades e, especialmente, no processo de produção, a favor de uma economia mais humana.

2.2. Associativismo

Para Sitoi (2013) o associativismo é entendido como estratégia que visa a melhoria das condições
de vida dos seus membros (…) nos seus processos de desenvolvimento os intervenientes tem
acesso a diferentes serviços que são providenciados pela associação, entretanto, o objetivo
consiste doptar os seus filiados de ferramentas que lhes ajude a melhorar o seu nível de vida.

Associações agrícolas “são grupos de seres humanos que de uma maneira orgânica, entram em
relação a fim de tornar possível a realização de certos interesses comuns (lucrativos ou não) e que
participam numa ou noutra função da vida social” Campos (1999, p. 27)

Uma associação agrícola é antes uma associação, um grupo social, que apresenta relativamente as
de mais associações as seguintes características particulares. 1a os seus membros são
profissionais da agricultura. 2a o seu objectivo situa-se no âmbito geral das actividades agrícolas
e/ou de representação, defesa e promoção dos interesses sócio-agrarios, produção, transporte,
transformação e comercialização dos produtos agrários.

O desenvolvimento rural é um processo que implica as transformações destinadas a obtenção do


aumento de rendimento através da melhoria da produtividade na agricultura e outras actividades
(…) implica a melhoria das condições de vida. Campos e Matos (2001).
Nesta vertente, tratamos o conceito de desenvolvimento local numa perspectiva não
economicista, ou seja, desenvolvimento no âmbito social, envolvendo as condições de vida.

Nos estudos concernentes ao associativismo podemos encontrar duas ideias fundamentais Sitoi
(2013). Por um lado os estudos que consideram o associativismo como sendo uma estratégia que
visa a melhoria das condições de vida dos seus membros, visto que no seu desenvolvimento os
associados tem acesso a diferentes serviços oferecidos pela associação. Ou seja, constitui
objectivo da associação dotar os seus membros de instrumentos que lhes ajude a melhorar o nível
de vida. É nesta perspectiva que a associação é entendida como uma instituição onde ocorre uma
organização, a participação, o trabalho remunerado etc.

Por outro lado, a autora destaca a visão que sustenta que a associação desempenha um papel
fundamental no processo democrático, visto que constitui a característica da associação a criação
de condições iguais para todos os membros salvaguardando a igualdade de oportunidade, neste
sentido a associação aparecem como um mediador entre o indivíduo e o Estado. (Idem)

Tendo em conta as especificidades do local, as associações desempenham um papel social, que


consiste essencialmente no desenvolvimento de relações sociais, que, através das redes sociais de
solidariedade, estabelecidas entre os associados, reforçam as condições económicas e sobretudo o
aumento de oportunidades de emprego.

Para Leonello e Cosac ( 2001:15) o associativismo, constitui um a elemento histórico para


melhorar a qualidade da existência humana, ou seja, para melhorar as condições de vida dos
indivíduos de um determinado local, pois faz com que a troca de experiências e a convivência
entre as pessoas se constituam em oportunidade de crescimento e desenvolvimento das pessoas e
de uma população, sob todas as suas dimensões.

O associativismo torna os homens mais próximos da busca de autonomia na promoção do


desenvolvimento local. A cooperação, por sua vez, passa a ser a força indutora que modifica
comportamentos e abre caminhos para incorporar novos conhecimentos.

Desta forma, cria um tecido flexível mediante o qual se enlaçam distintos actores, produzindo um
todo harmónico que culmina no estabelecimento de uma comunidade de interesses, em uma
estrutura que deve ser ajustada para refletir os padrões de comunicações, inter-relações e
cooperação, reforçando a identidade do associativismo e a dimensão humana.
Associações económica, as que têm como finalidades principal a produção, a transformação, a
distribuição dos bens materiais e a prestação de serviços necessário a manutenção da vida física
das pessoas. A melhoria das condições de vida, procura de melhores rendimentos de garantia,
estabilidade e segurança profissional. Fazem parte destas as associações agrícolas, cooperativas
etc. Neste tipo de associações a adesão e a participação dos indivíduos, a ligação dos membros
entre si e ao grupo são movidas mais pela razão que pelo sentimento, sem prejuízo de com o
tempo virem a entretecer-se laços afectivos e sentimentos de pertença sólidos. (Idem, p31). As
associações agrícolas, o seu objectivo centra-se no âmbito das actividades agrícolas e ou de
representação, defesa e promoção dos interesses socio-agrários, a produção, o transporte, a
transformação e a comercialização dos produtos agrários, aprovisionamento de factores, a
assistência técnica e prestação de serviços em geral.

Nesta colocação não corroboramos com a explicação defendida segundo a qual a ligação e adesão
dos indivíduos aos grupos e a sua ligação entre si são movidos pela razão em detrimento dos
sentimentos, uma vez que nem sempre os indivíduos orientam as suas ações com base na razão.

Na associação, verificava a fraca dinâmica interna e organizacional dos órgãos diretivos, a fraca
interação destes com os restantes membros da associação, a reduzida participação dos
camponeses na vida da associação como condição essencial para o seu funcionamento, a falta de
sustentabilidade e a crescente dependência desta face aos recursos externos para o seu
funcionamento. Pereira (idem).

2.3. Associação terra, viver bem Moçambique,

Neste ato designada simplesmente como Associação, é uma associação civil sem fins lucrativos,
de duração por tempo indeterminado, com sede na província de Sofala, distrito de Dondo bairro

A Associação Terra, Viver Bem Moçambique é uma instituição sem fins lucrativos constituída
por prazo indeterminado, tendo por objetivo estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias
alternativas, produção agrícola, divulgação e conhecimentos técnicos e científicos em qualidade
de vida, prevenção de saúde mental, transtornos do controle do impulso e transtornos
psiquiátricos em geral com prioridade nas pessoas vulneráveis.
A Associação tem como objetivos maiores e finais:

I. Promover programas de saúde;


II. Incentivar e promover a cultura;
III. Promover a educação básica e profissional;
IV. Promover programas ambientais, a defesa, a preservação e conservação do meio ambiente
e incentivar o desenvolvimento sustentável;
V. Promover e ensinar o uso de técnicas científicas para a produção agropecuária;
VI. Promover a pesquisas e a procura de mercado para comercialização de produtos diversos
VII. Promover programas sociais;
VIII. Promover atividades e programas de esporte, lazer e atividades recreativas;
IX. Promover a assistência social – atendendo a todos os públicos interessados incluindo:
crianças, adolescentes, jovens, adultos, homens, mulheres, idosos, portadores de
deficiência física e todas as minorias da sociedade;
X. Promoção programas de desenvolvimento econômico e social;
XI. Promover o voluntariado;
XII. Promover a segurança alimentar e nutricional;
XIII. Promover estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, promoção e
divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos;
XIV. A pesquisa sobre qualidade de vida, prevenção de saúde mental, transtornos do controle
do impulso e transtornos psiquiátricos em geral;
XV. A capacitação gratuita de profissionais para atuação na prevenção de saúde mental, dos
transtornos do controle do impulso e transtornos psiquiátricos;
XVI. A investigação de patologias psíquicas dos transtornos psiquiátricos;
XVII. A divulgação de informações sobre saúde mental, qualidade de vida e bem-estar
subjetivo;
XVIII. A participação na elaboração de políticas públicas e na legislação sobre transtornos do
controle do impulso e demais transtornos psiquiátricos;
XIX. Estabelecer relações e manter intercâmbio de experiência com profissionais das áreas de
psiquiatria, psicologia, psicanálise, saúde mental e áreas afins;
XX. O acolhimento a pessoas com distúrbios decorrentes do jogo patológico, outros
transtornos do controle do impulso, demais transtornos psiquiátricos e o posterior
encaminhamento a profissionais especializados ou a instituições públicas ou privadas,
caso se verifique necessário tratamento de longa duração;
XXI. Celebrar convênios e acordos com instituições públicas ou privadas, nacionais ou
internacionais visando a investigação de qualidade de vida, promoção de bem-estar, dos
transtornos do controle do impulso e transtornos psiquiátricos em geral;
XXII. Orientar o paciente, seus familiares a respeito das causas e consequências do jogo
patológico, de outros transtornos do impulso e demais transtornos psiquiátricos, bem
como sobre os meios de prevenção e combate;
XXIII. Promover palestras para a comunidade sobre qualidade de vida, promoção de saúde
mental, transtornos do controle do impulso e transtornos psiquiátricos;
XXIV. Promover atividades educacionais sobre qualidade de vida, promoção de saúde mental e
de transtornos psiquiátricos em geral, para profissionais e comunidade;
XXV. Promover gratuitamente a saúde como um todo, e na forma mais específica a saúde
mental e a qualidade de vida;
XXVI. Promover ações, programas e atividades direcionadas a consecução dos objetivos
constantes deste Estatuto.

2.3.1. Administração, da organização e dos conselhos da associação

São órgãos da administração da Associação:

I - Assembléia Geral;

II - Conselho Diretor;

III - Conselho Fiscal;

2.3.2. Benefícios da associação

Os dados coletados durante o trabalho de campo mostra-nos que a associação constitui uma das
poucas fontes de rendimento para a maioria dos membros. A produção obtida na associação serve
para a sua subsistência. É neste sentido que a associação desempenha um papel incomensurável
na vida dos camponeses. Torna nos relevante ter em consideração que os camponeses entram
para associação para melhorar a sua vida tal como faz referência o entrevistado a seguir.

“A associação ajuda na minha vida, os produtos da alimentação porque, eu cultivo, então envés
de ir comprar tomate, cebola, eu vou produzir e comer aquilo que estou a colher. 15”( Fernades,
G).

De acordo com Sitoi (2013), o movimento associativo enquanto uma organização, desempenha
um papel relevante, pois permite o desenvolvimento das relações sociais. Através do
estabelecimento de redes sociais de solidariedade, interconhecimento, reciprocidade entre os
membros, muito mais que isso nas relações entre os membros prevê-se o reforço das condições
económicas e aumento das oportunidades que a associação proporciona a vida dos seus membros.
Ela constitui uma alternativa para a sobrevivência de seus membros, pois é lá que os filiados
encontram apoio financeiro como social para fazer face as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia.
Neste caso em específicos, estas condições económicas e aumento da oportunidade não se
verificam na sua maioria, mas sim, podemos notar algumas mudanças na vida dos membros que,
para eles, têm a ver com a capacidade de prover as necessidades básicas, pese embora não se
podem traduzir no desenvolvimento.

“Nós na nossa machamba nos ajudamos. Entre nós, também temos ajuda da motobomba para a
rega. (…) Mas também temos ajuda na machamba escola, onde nos ensinam com outros colegas
como produzir ”( Carme, Z)

Na associação, os camponeses beneficiam-se de diversos serviços, por elas fornecidos. Na


medida em que estes obtêm tanto conhecimento como ferramentas e técnicas que lhes permite ter
mudanças na vida. Pois estes apreendem como ser e estar enquanto uma associação. (Idem). Em
função das formações e capacitações que a associação oferece os seus membros.
3. Conclusão

Uma organização cooperative se caracteriza, em termos sucintos, por dois polos: um associativo e
outro instrumental. Como tal, porém, uma cooperativa é uma ação política, organizada pelo
entrelaçamento dinâmico das especificidades funcionais de cada um desses polos. As práticas
contraditórias do processo social da organização e do funcionamento de uma cooperativa, na
economia de mercado capitalista, permitem reconhecer o seu potencial de educação popular. Ao
serem submetidas ao diálogo entre seus associados, questionando-as, pode-se promover uma
nova consciência a respeito das práticas cooperativas, construindo caminhos de educação popular
nos espaços das relações de cooperação. Constatamos também que as pessoas se filiam a
associação com o objectivo fundamental de melhorar a sua vida. Pese embora se verifica alguma
mudança na vida do associado, a associação não contribui para o desenvolvimento da
comunidade.

Por um lado as motivações de adesão a associação são construídas num contexto de privações
relativas, tais como económicas, sociais em função dos recursos que dificultam desde jeito o
alcance dos objectivos para os quais a associação foi concebida.
4. Referências bibliográficas
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