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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

ENGENHARIA DO MEIO AMBIENTE


1ª Avaliação

FLÁVIA ABREU DE MEDEIROS Y CARRILLO DE ALBORNOZ

SEROPÉDICA
2020
I. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, as discussões em relação aos problemas ambientais


ganharam destaque. A preocupação com o meio ambiente vem aumentando, devido
à degradação da natureza e destruição dos recursos naturais, ações essas
provocadas pelo homem.
Qualquer mudança em um ambiente, resultante da introdução de poluentes
na forma de matéria ou energia, pode ser entendida como poluição. De forma geral,
associa-se a poluição aos malefícios que possam ser causados aos seres humanos.
No entanto, ela pode resultar em danos a fauna e a flora, e até mesmo ao meio
físico natural.
Hoje, existem várias formas de poluição e, em função dos tipos de resíduos
ou do ambiente onde os mesmos são lançados, as poluições podem ser
classificadas como: poluição do solo, do ar, da água, acústica, radioativa, dos
pesticidas, térmica, dentre outras modalidades.
O presente trabalho tem como objetivo trazer uma visão panorâmica do
cenário ambiental, explorando os temas abordados em aula e a importância dos
princípios ambientais para a preservação e sustentabilidade do meio ambiente, de
modo a torná-lo mais equilibrado.

II. MEIO AMBIENTE

O meio ambiente pode ser definido como o local onde se desenvolve a vida
na terra. É tudo que cerca o mundo. É onde algo ou alguém está inserido. Engloba
todos os elementos vivos e não vivos. Dessa forma, fazem parte do meio ambiente:
as árvores, os animais, a água, o solo, a vegetação, o clima, os seres humanos e
todas as demais coisas.
Além disso, o meio ambiente pode ser definido como um conjunto de fatores
físicos, químicos e biológicos que permite a vida em suas mais diversas formas.
Assim, todas as pessoas tem o direito a um meio ambiente equilibrado, portanto, é
fundamental a sua preservação.
Impacto ambiental é o nome dado a uma modificação causada no meio
ambiente devido à ação humana. Toda e qualquer atividade humana causa um
impacto no ambiente, que pode ser negativo ou positivo.
Dentre os impactos negativos, destacam-se:

 Poluição;
 Destruição de habitat;
 Redução do número de indivíduos de espécies silvestres;
 Extinção de espécies.

Já a respeito dos impactos positivos, que são menos conhecidos pela


população, visto que se relacionam àquelas atividades que trazem melhoria e
recuperação ao meio, um exemplo comum são projetos de restauração de áreas que
foram impactadas negativamente.

 Sustentabilidade
O termo sustentabilidade surge da necessidade de discussão a respeito da
forma como a sociedade vem explorando e usando os recursos naturais. A definição
de sustentabilidade está intimamente ligada ao conceito de desenvolvimento
sustentável.
Assim, sustentabilidade refere-se ao princípio da busca pelo equilíbrio entre a
disponibilidade dos recursos naturais e a exploração deles por parte da sociedade.
O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as
necessidades da geração atual, de forma a garantir a capacidade de atender as
necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os
recursos para o futuro.
É cada vez mais importante que as empresas e a sociedade de forma geral
tenham consciência de que são parte integrante do mundo e não consumidoras do
mesmo. O reconhecimento de que os recursos naturais são finitos, ou seja, se
esgotam, e de que nós dependemos destes para a sobreviver, é fundamental para o
desenvolvimento sustentável, o qual sugere a utilização dos recursos naturais com
qualidade e não em quantidade.
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento, realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro, ficou conhecida
como Rio-92, Eco-92 ou Cúpula da Terra. Essa reunião marcou a forma como a
humanidade enxerga sua relação com o planeta. Foi naquele momento que a
comunidade política internacional admitiu claramente que era necessário conciliar o
desenvolvimento socioeconômico com a utilização dos recursos da natureza.
Os 3 R’s da Sustentabilidade (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) são um conjunto
de práticas cujo objetivo é minimizar o impacto ambiental causado pelo desperdício
de materiais e produtos provenientes de recursos naturais, além de poupar a
natureza da extração inesgotável de recursos.
Essas práticas baseiam-se em reduzir o consumo ao máximo, reutilizar
produtos e materiais enquanto puderem ser reutilizados e, por último, reciclar
aqueles que tiverem chegado ao fim de sua vida útil. Dessa forma, é possível
diminuir o custo de vida reduzindo gastos, principalmente no setor industrial, além de
favorecer o desenvolvimento sustentável global e contribuir para a reversão dos
impactos negativos causados na natureza.
Logo, é de suma importância para a sociedade promover a consciência
ambiental através do desenvolvimento sustentável, consumindo com menos
desperdício, reutilizando e reciclando seus recursos. A conscientização e a
prevenção são essenciais para garantir o desenvolvimento sustentável e diminuir o
impacto causado ao meio ambiente e a todas as formas de vida.
Adquirir hábitos sustentáveis como: usar transporte alternativo, não utilizar
copos descartáveis, gastar menos água, plantar alimentos e reduzir impressões,
dentre outras atividades, ajudam na preservação do meio ambiente e na utilização
cuidadosa dos recursos que o planeta oferece. 
Dentre os benefícios da sustentabilidade, destacam-se:
 Preservação de recursos naturais, que poderão ser utilizados pelas gerações
futuras, de maneira que os benefícios da sustentabilidade se estendam pelas
próximas gerações de seres humanos.
 Maior qualidade de vida, visto que com a sustentabilidade é possível que se
tenha um ar mais limpo, um ambiente mais saudável, trazendo assim uma
maior qualidade de vida à sociedade.
 Menos desastres naturais, como as enchentes, por exemplo, que são geradas
pela falta de áreas de absorção da água da chuva, além do grande volume de
lixo gerado e descartado incorretamente.
 Principais Riscos Ambientais

A dependência da matriz energética do mundo em relação às fontes não


renováveis de energia acarreta a diminuição dos reservatórios devido à exploração
intensa e desenfreada dos recursos naturais.
Além disso, o uso de combustíveis fósseis está associado a diversos
problemas ambientais, como emissão de gases poluentes à atmosfera, como o gás
carbônico (CO2), contribuindo, por exemplo, para o aumento do efeito estufa,
poluição do ar urbano e chuva ácida.

 Efeito Estufa

O efeito estufa é um fenômeno natural essencial para a existência de vida na


Terra. Porém, as atividades humanas tem agravado esse fenômeno, provocando
inúmeros problemas ambientais.
Quando os raios solares atingem a superfície terrestre, devido a camada de
gases de efeito estufa, em torno de 50% deles ficam retidos na atmosfera. A outra
parte, atinge a superfície terrestre, aquecendo-a e irradiando calor. Dessa forma, os
gases de efeito estufa podem ser comparados a isolantes, pois absorvem parte da
energia irradiada pela Terra.
No entanto, nas últimas décadas, a liberação de gases de efeito estufa
aumentou consideravelmente. E, com esse acúmulo de gases, mais quantidade de
calor está sendo retida na atmosfera, resultando no aumento de temperatura. Essa
situação dá origem ao aquecimento global.

 Chuva Ácida

A chuva ácida é a precipitação com a presença de ácido sulfúrico, ácido


nítrico e nitroso, resultantes de reações químicas que ocorrem na atmosfera.
Todas as chuvas são ácidas, mesmo em ambientes sem poluição. Contudo,
as chuvas tornam-se um problema ambiental quando o seu pH é inferior a 4,5.
Elas resultam da quantidade exagerada de produtos da queima de
combustíveis fósseis liberados na atmosfera, em consequência das atividades
humanas.
 Inversão Térmica

A inversão térmica é um fenômeno atmosférico muito comum nos grandes


centros urbanos industrializados, sobretudo naqueles localizados em áreas cercadas
por serras ou montanhas.
Esse processo ocorre quando o ar frio (mais denso) é impedido de circular por
uma camada de ar quente (menos denso), provocando uma alteração na
temperatura. Esse fenômeno é intensificado no inverno, visto que nessa época do
ano, em virtude da perda de calor, o ar próximo à superfície fica mais frio que o da
camada superior, influenciando diretamente na sua movimentação. 
Apesar de ser natural, a intensificação desse fenômeno e seus efeitos nocivos
se devem ao lançamento de poluentes na atmosfera, o que é muito comum nas
grandes cidades.

 Camada de Ozônio

A existência da camada de ozônio auxilia na manutenção da vida em nosso


planeta, já que ela consegue filtrar cerca de 95% dos raios ultravioleta (UV) oriundos
do Sol, impedindo que a maior parte desses raios atinja a superfície terrestre.
A quantidade de O3 presente na camada de ozônio é constantemente
modificada porque os raios ultravioletas, ao chegarem à camada, promovem a
separação de um dos oxigênios do ozônio, formando mais gás oxigênio.

O3(g) → O2(g) + O(g)

Além da degradação do ozônio, a radiação ultravioleta também promove a


quebra da ligação entre os oxigênios de algumas moléculas de gás oxigênio:

O2(g) → 2O(g)

Cada oxigênio livre interage com uma molécula de gás oxigênio, formando
uma molécula do gás ozônio (O3):

O + O2(g) → O3(g)
Logo, quantidade de gás ozônio na camada modifica-se constantemente de
forma natural.
Entre as substâncias químicas que acabam reagindo e degradando o ozônio,
temos: Óxido nítrico (NO), Óxido nitroso (N2O), Dióxido de carbono (CO2) e
Clorofluorcarbonos (CFCs).
De forma geral, essas substâncias prejudicam a camada de ozônio porque,
quando atingidas pela radiação ultravioleta, principalmente os CFCs, têm suas
moléculas decompostas, fazendo com que seus átomos livres reajam com a
molécula de ozônio, transformando-a em uma molécula de gás oxigênio (O2). Essa
ocorrência diminui a concentração de ozônio e a filtragem dos raios ultravioleta,
acarretando o aumento de câncer de pele e outros problemas.

 Amazônia: Pulmão do mundo?


 A Amazônia não é o pulmão do mundo. Os verdadeiros pulmões do mundo
são os oceanos devido às algas marinhas, que produzem mais oxigênio pela
fotossíntese do que precisam e o excesso é liberado para o ambiente. Já a floresta
amazônica, libera muito menos oxigênio para a atmosfera porque, a maior parte do
gás que produz, é consumido por ela. Florestas como a Amazônia, são ambientes
em clímax ecológico. Isso quer dizer que elas consomem todo – ou quase todo – o
oxigênio que produzem.
No entanto, isso não significa que derrubar a floresta não impactaria o clima
do planeta. Ao contrário: quando não alimentam a indústria legal ou ilegal de
madeira, árvores derrubadas se decompõem, liberando gás carbônico e agravando
o problema do aquecimento global.

 Álcool Combustível
O etanol, também chamado simplesmente de álcool, é considerado um tipo
de biocombustível, pois é obtido através de plantas, como cana-de-açúcar, milho,
mandioca, batata e outros vegetais.
Dentre as principais vantagens, destacam-se:
 Polui menos o meio ambiente, porque emite menos gases na atmosfera, tanto
durante a fabricação quanto no uso;
 É fabricado a partir de substâncias renováveis, que dependem apenas do
cultivo, diferentemente dos combustíveis à base de petróleo; 
 Gera empregos em todas as etapas da produção, começando pelas áreas
rurais onde ocorrem as plantações;
 Tem um custo menor do que combustíveis fabricados à base de petróleo.

Já entre as principais desvantagens, tem-se:


 Só pode ser utilizado por veículos que tenham motor flex;
 O preço do etanol costuma variar bastante ao longo do ano;
 Em dias mais frios, ligar o veículo que está abastecido com etanol pode ser
bastante difícil, pois ele perde o seu poder de combustão em temperaturas
mais baixas;
 A matéria-prima precisa de grandes áreas para ser cultivada, resultando em
desmatamento e uso de terras que poderiam servir para a produção de
alimentos.

 Acidentes Nucleares
O maior problema de utilização da energia nuclear é o risco de contaminação
por radiação.
Iniciado por uma explosão em 26 de abril de 1986, Chernobyl é o acidente
nuclear mais famoso do mundo. Até hoje seus números são controversos e pouco
sabemos sobre as verdadeiras dimensões de sua radiação.
Outro acidente foi o da Usina Nuclear de Fukushima, marcado por uma série
de catástrofes, que começou com um grande maremoto próximo ao Japão, no dia 11
de março de 2011. Como consequência, um tsunami de 14 metros atingiu a usina,
destruindo-a e cortando o sistema de energia.
Já o maior acidente radioativo da América ocorreu em 1987, em Goiânia
(GO).

 Ecologia
A Ecologia é a parte da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre
si e destes com o meio.  A biosfera está relacionada ao espaço onde há existência
de vida no Planeta, logo, é composta por mecanismos responsáveis por manter a
vida na Terra.
Os fatores bióticos e abióticos representam as relações existentes que
permitem o equilíbrio do ecossistema. Os fatores bióticos correspondem às
comunidades vivas de um ecossistema, que pode ser tanto uma floresta quanto um
pequeno aquário. São exemplos: plantas, animais, fungos e bactérias. Já os fatores
abióticos são os elementos físicos, químicos ou geológicos do ambiente,
responsáveis por determinar, em larga escala, a estrutura e funcionamento dessas
comunidades. São exemplos: água, solo, ar e calor.

 Ciclo do Carbono
O carbono é encontrado em vários locais do planeta e forma a estrutura das
moléculas orgânicas essenciais para os seres vivos. Além disso, o carbono pode ser
encontrado ligado a outros elementos químicos, formando os mais diversos
compostos.
O ciclo do carbono é um ciclo biogeoquímico, ou seja, um processo que
garante a reciclagem do carbono, possibilitando que esse elemento interaja com o
meio e também com os seres vivos.
Os processos de fotossíntese, respiração e decomposição são essenciais
para o ciclo do carbono, que envolve os seres vivos do planeta e pode ocorrer no
meio terrestre e no meio aquático. Organismos fotossintetizantes são responsáveis
por retirar o gás carbônico da atmosfera. No processo de fotossíntese, esses
organismos utilizam o CO2 e liberam o oxigênio (O2). Na fotossíntese, o carbono é
utilizado na fabricação de moléculas orgânicas.
Nos últimos anos, os seres humanos têm contribuído para o aumento dos
níveis de gás carbônico atmosférico. Atividades como o desmatamento e a utilização
de combustíveis fósseis têm garantido um aumento significativo desse gás na
atmosfera, e, com isso, tem-se observado uma acentuação do chamado efeito
estufa.

 Ciclo do Nitrogênio
O ciclo do nitrogênio garante a ciclagem desse elemento no ambiente,
disponibilizando-o para os seres vivos e liberando-o novamente para o meio. Assim,
o nitrogênio pode ser, posteriormente, reutilizado por outros organismos.
Diversos processos estão envolvidos nesse ciclo, como:

 Fixação do nitrogênio por bactérias (fisicamente ou biologicamente):

Fisicamente ocorre por meio de faíscas elétricas ou relâmpagos que entram


em contato com o nitrogênio na formação de amônia. Já biologicamente ocorre com
a ajuda, principalmente, de bactérias.
As bactérias mais importantes para essa etapa são as do gênero Rhizobium,
as quais vivem associadas às raízes de plantas leguminosas, como feijão, ervilha e
soja. Essas bactérias formam nódulos na região cortical das raízes dessas plantas,
onde agem captando o nitrogênio atmosférico e transformando-o em amônia (NH3),
que será utilizada pela planta.

 Decomposição da matéria orgânica e formação do íon amônio


(Amonificação):

Quando os decompositores começam a atuar na matéria orgânica


nitrogenada, liberam amônia (NH3) no ambiente, que combina-se com a água do
solo e forma o hidróxido de amônio, que se ioniza e produz o íon amônio (NH4+) e a
hidroxila (OH-).

 Processo de nitrificação:

É o processo de conversão da amônia em nitratos por bactérias nitrificantes.

 Processo de Desnitrificação:

Processo de conversão do nitrato em nitrogênio molecular que volta a


atmosfera fechando assim o ciclo. Este processo é realizado por bactérias
desnitrificantes.
O ciclo do nitrogênio é extremamente importante, pois garante a circulação do
nitrogênio. Esse elemento químico é essencial para a formação de proteínas e de
ácidos nucleicos, sendo fundamental, portanto, para a sobrevivência dos seres
vivos.

 Ciclo do Enxofre
Biologicamente, o enxofre é essencial para todos os organismos, pois pode
atuar como cofator em diversos processos enzimáticos fundamentais para o
metabolismo adequado dos seres vivos, como a regulação da glicose, transporte de
nutrientes e ação de vitaminas.  Além disso, o enxofre está presente na cadeia de
alguns aminoácidos
O enxofre entra na cadeia alimentar por meio das plantas, que o absorvem de
vários compostos para utilizá-lo na produção de seus aminoácidos.
Os microrganismos decompõem os aminoácidos de restos de animais e plantas e
são os responsáveis pela oxidação do reservatório terrestre de enxofre, por sua
liberação para o ambiente e também pela sua fixação nas rochas.
O enxofre pode ser lançado à atmosfera também por emissões vulcânicas,
oceânicas, industriais e queima de biomassa. Nos oceanos, esse elemento é
emitido, predominantemente, pela decomposição de parte dele presente no
organismo de certas algas.
Algumas bactérias, chamadas de bactérias sulfurosas ou bactérias do
enxofre, possuem a capacidade de converter íons sulfato ou hidróxido de enxofre
em enxofre elementar.

 Ecossistema
Ecossistema é o conjunto dos organismos vivos e seus ambientes físicos e
químicos. Ou seja, é o nome dado a um conjunto de comunidades que vivem em um
determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um
sistema estável, equilibrado e autossuficiente.
Os ecossistemas se apresentam em diferentes escalas. O maior ecossistema
existente é a própria biosfera, que corresponde a todos os locais do globo onde
existe vida (BIO=VIDA). No entanto, os ecossistemas também podem ocorrer em
pequena escala, como por exemplo, é um aquário. 
É importante ter consciência que todos os ecossistemas estão interligados.
Logo, existe troca de matéria e energia entre eles. Dessa forma, cada ecossistema,
independentemente do seu tamanho, é importante para garantir o equilíbrio do
planeta Terra.
De acordo com o IBGE, todo conjunto de vida (vegetal e animal) definida pelo
agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional,
com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças,
resultando em uma diversidade biológica própria, é caracterizado como bioma.
No Brasil existem diferentes tipos de bioma, assim como no mundo, onde
cada um possui suas particularidades, espécies características e algumas vezes
únicas. Amazônia, Cerrado, Caatinga e Pantanal são exemplos de biomas
brasileiros.
Os ecossistemas são divididos em:
Ecossistemas terrestres: Representados por florestas (árvores mais altas),
desertos (vegetação rarefeita), campos (vegetação mais baixa), dentre outros.
Exemplos: Tundra, Taiga, Savanas e Estepes.
Ecossistemas aquáticos: Representados por ambiente de água doce (lagos,
mangues, rios) e por ambientes marinhos (mares e oceanos). Os fatores limitantes
dos ecossistemas aquáticos são: temperatura, transparência, correntezas, gases e
organismos.
Em relação a gases, as concentrações de oxigênio e de dióxido de carbono
são limitantes em meios de água doce. Oxigênio dissolvido (OD), demanda química
de oxigênio (DQO) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO) são fatores indicativos
de poluição e contaminação, dependendo do agente poluidor. Esses conceitos são
importantes e serão fundamentais para entender e estudar poluição hídrica.
Além disso, um ecossistema é composto por componentes bióticos (seres
vivos, onde temos os autotróficos – que sintetizam o próprio alimento – e os
heterotróficos – que são incapazes de sintetizar o próprio alimento) e por
componentes abióticos.
A comunidade de um ecossistema, de maneira geral, é constituída por três
tipos de seres:
 Produtores: Os fotossintetizantes (bactérias, algas e vegetais) – que
transformam a energia solar em energia química nos alimentos produzidos –
e os seres autótrofos quimiossintetizantes (bactérias).
 Consumidores Primários: Os seres herbívoros se alimentam dos produtores
(algas, plantas etc.).
 Consumidores Secundários: Os carnívoros se alimentam de consumidores
primários (os herbívoros).
 Consumidores Terciários: São os grandes predadores como tubarões, orcas e
leões, os quais capturam grandes presas, sendo considerados os predadores
de topo de cadeia.
 Decompositores: As bactérias e os fungos que se alimentam dos restos
alimentares dos demais seres vivos. Esses organismos (muitos
microscópicos) devolvem ao ambiente nutrientes minerais que existiam
nesses restos alimentares e que poderão, assim, ser reutilizados pelos
produtores.

 Cadeia Alimentar
Nos ecossistemas, existe um fluxo de energia e de nutrientes como elos
interligados de uma cadeia (níveis tróficos) e incluem os produtores, os
consumidores (primários, secundários, terciários, etc.) e os decompositores.
A cadeia alimentar representa uma sequência de seres vivos na qual um
serve de alimento para o outro. Cada organismo ocupa um nível trófico dentro da
cadeia alimentar, o que é determinado pelo tipo de alimento e pela forma como ele
se alimenta.

 Energia
Não há uma definição exata para energia, no entanto, sabe-se que a mesma
está associada à capacidade de produção de ação e/ou movimento e, além disso,
manifesta-se de muitas formas diferentes, como movimento de corpos, calor (para
aquecimento de ar e de água), eletricidade (para iluminação, processos
eletroquímicos, aparelhos eletrônicos, equipamentos de telecomunicação e
computadores) e força motriz (para o trabalho mecânico e para os meios de
transporte).
As energias provenientes de fontes finitas (fontes de energia que terão um
fim) são chamadas de energias não renováveis, como a energia gerada a partir dos
combustíveis fósseis (petróleo e carvão). Já a energia gerada a partir de fontes que
possuem capacidade de reposição natural são denominadas de energias renováveis
ou limpas, como a energia proveniente da luz do sol e da energia oriunda da força
dos ventos (energia eólica).
Dentre as principais fontes de energia, encontram-se:
 Combustíveis Fósseis (A queima dos combustíveis fósseis tem como principal
problema a emissão de CO2 (efeito estufa), NOx e SOx (chuva ácida), como
visto anteriormente);
 Energia Solar;
 Energia Eólica;
 Energia Térmica dos Oceanos;
 Energia Nuclear;
 Hidroeletricidade.

III. POLUIÇÃO

Poluição é a degradação do meio ambiente provocado pela ação humana,


que ocorre por meio de alterações químicas ou físicas, devido ao lançamento de
substâncias. Essa degradação é prejudicial ao bem estar, à saúde e à economia.
Há vários tipos de poluição: Poluição Hídrica, Poluição Atmosférica, Poluição
Sonora, Poluição do Solo e dos Alimentos, dentre outras.

a) POLUIÇÃO HÍDRICA

A poluição hídrica é causada pela disposição inadequada de resíduos líquidos


que podem ser gerados na indústria ou através de esgoto sanitário que podem
alterar as características de rios, lagos e mares, bem como do solo, dependendo de
onde esse esgoto será despejado.
A água é um bem essencial para o ser humano nas necessidades básicas
além de destinada ao uso industrial e agrícola. A água é canalizada do corpo
receptor até uma estação de tratamento de água, onde a água bruta é transformada
em água potável.
Além de ser utilizada para o consumo humano (água potável), a água também
é usada em atividades industriais (aquecimento, resfriamento, lavagem e retirada de
resíduos e como componente de produtos) e na agricultura (irrigação).
De forma geral, existem três tipos de poluição hídrica:
 Poluição Orgânica – Proveniente de esgoto doméstico e de despejos
industriais (bioassimiláveis). O primeiro apresenta reações microbiológicas,
enquanto que o segundo possui componentes bioquímicos, tais como
detergentes, nos quais há presença de fosfatos e nitratos, que provocam a
eutrofização (proliferação de algas) e também produtos tóxicos. Quando há o
lançamento de esgotos domésticos ou industriais no corpo receptor, nos
quais haja uma grande quantidade de matéria orgânica, a mesma é
decomposta pela presença dos microrganismos que ali estão. Logo, há uma
proliferação de algas naquele meio.

 Poluição Física – Partículas em suspensão causam turbidez e substâncias


pigmentadas em solução que dão cor às águas, limitam a penetração dos
raios solares na água, restringindo o desenvolvimento das algas e a
fotossíntese, diminuindo a quantidade de oxigênio dissolvido. Isto ocorre em
rios devido ao processo erosivo (adubos e matéria orgânica) ou por esgotos
(partículas em suspensão). Geralmente há também a presença de odor
(H2S).

 Poluição Química – Poluição que promove efeitos químicos causados pelos


esgotos domésticos (decomposição biológica de matéria orgânica, que é
compostas por proteínas, lipídios e carboidratos, gerando açúcares,
aminoácidos, aminoácidos sulfurosos, etc), resíduos das atividades
agropecuárias (desejos dos animais) e da agroindústria (bário, fósforo, cobre,
flúor, chumbo).

Esgoto Sanitário

A ausência de tratamento de esgoto sanitário, bem como de condições


adequadas de saneamento, pode contribuir com a proliferação de doenças e
infecções (verminose e leptospirose, por exemplo), além da degradação do corpo
receptor. Enquanto aproximadamente 85% da nossa população é abastecida com
água potável, menos de 45% do esgoto é tratado. É importante salientar que a
principal razão para o tratamento de esgoto é a preservação do meio ambiente.
Substâncias presentes nos esgotos exercem ação danosa nos corpos de
água:
 Matéria orgânica - pode causar a diminuição da concentração de oxigênio
dissolvido, causando morte de peixes e outros organismos aquáticos (no caso
de um corpo receptor não estagnado, como o rio, por exemplo, o peixe busca
um local com maior oxigenação, enquanto que no caso de corpos receptores
estagnados, como lagoas, o peixe não consegue se deslocar para locais com
maior oxigenação e acaba morrendo);
 Escurecimento das águas (sem luz solar não há processos fotossintéticos);
 Liberação de odores desagradáveis (o esgoto sem tratamento possui
componentes decantáveis e não decantáveis, bem como bactérias aeróbicas
e anaeróbicas – o cheirinho de “ovo podre” é resultado da degradação da
matéria orgânica anaerobicamente (H2S)).
O despejo, que é o vetor da poluição hídrica, é constituído de:
 Matéria em solução: Podem ser orgânicas ou inorgânicas, biodegradável ou
não, ionizável ou não, tóxica ou não, inibidoras do desenvolvimento da
microflora e da fauna do corpo receptor.
 Matéria em estado coloidal ou em emulsão: Óleos, graxas, gorduras, filmes
superficiais (hidrocarbonetos) ou espumas provenientes de detergentes.
 Matéria em suspensão: decantáveis ou não, de natureza orgânica ou
inorgânica. Alguns tipos de sólidos podem também ser biodegradáveis e
acabam consumindo a concentração de oxigênio dissolvido no meio.

 Parâmetros de Controle de Poluição

 Demanda Química de Oxigênio (DQO):

É um parâmetro indispensável nos estudos de caracterização de esgotos


sanitários e de efluentes industriais, que mensura a quantidade de oxigênio
dissolvido (OD) consumido em meio ácido que leva à degradação de matéria
orgânica.
A DQO pode ser considerada como um processo de oxidação química, onde
se emprega o dicromato de potássio (K2Cr2O7).
Geralmente a DQO é maior do que a DBO, além de ser uma análise mais
rápida.

 Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO):

Corresponde à quantidade de oxigênio consumido na degradação da matéria


orgânica no meio aquático por processos biológicos, sendo expresso em miligramas
por litro (mg/L). Caso os valores das análises de DBO e DQO sejam muito díspares,
não se é possível fazer tratamento biológico como o de lodo ativado.

 Carbono Orgânico Total (COT);

 Outros parâmetros.
Essas análises são feitas diariamente, principalmente nos horários de picos.
São feitas no sistema de tratamento de esgoto para se verificar a eficiência do
mesmo. A concentração de oxigênio dissolvido é importante para que se saiba se
tem matéria orgânica presente no meio. Além disso, é fundamental que se tenha
confiabilidade nas amostras e análises realizadas em todos os testes, bem como
que se tenha cuidado com falsos positivos ou negativos.
Os despejos hídricos podem conter, além da fase líquida, uma ou mais das
seguintes fases: sólidos em suspensão, sólidos em solução, líquidos imiscíveis na
forma de emulsões, líquidos imiscíveis na forma de filmes superficiais e espuma.
A variabilidade da qualidade e da vazão do despejo com o tempo são de
extrema importância, visto que os testes globais são executados em amostras de
despejos de pequeno volume (50 mL a 20L).

 Parâmetros de Qualidade de Água e de Águas Residuárias

• Turbidez;

• Cor;
• Concentração de Oxigênio Dissolvido (é relevante para esgoto doméstico e esgoto
industrial).

• pH (é relevante para água e esgoto, e um dos objetivos do controle de pH é evitar


incrustações e corrosões de tubulações de abastecimento, bem como evitar que o
corpo receptor se desequilibre);

• Dureza;

• Sólidos Totais Dissolvidos;

• Sólidos Flutuantes;

• Concentração de Materiais Tóxicos (é verificado na água e no esgoto);

• Temperatura (no tratamento com lodo ativado se usa microrganismos, então a


temperatura é de extrema importância, por exemplo, pois é necessário que se dê o
meio ideal para que o microrganismo degrade a matéria orgânica);

• Microrganismos Patogênicos (geralmente é feito cloração).

 Tratamento de Efluente

O grau de tratamento de efluentes ou depende de dois fatores básicos, que


são a qualidade desse efluente antes de ser lançado no corpo receptor e a
legislação em vigor (CONAMA) que regula os padrões de qualidade do despejo que
pode ser lançado.
O tratamento de um efluente pode ser dividido em 3 etapas: tratamento
primário (decantação), tratamento secundário (biológico, com aeração – lodo ativado
- ou sem aeração) e tratamento terciário (desinfecção). Há um tratamento preliminar
anteriormente ao tratamento primário para remoção de materiais grosseiros e areia.
Além disso, algumas estações de tratamento não fazem a cloração.
Cada tratamento tem um custo diferente e varia de acordo com a necessidade
de qualidade final que se queira obter.

 Origem dos Despejos


• Despejo doméstico;

• Despejo industrial;

• Despejo agrícola;

• Águas pluviais.

 Padrões de Qualidade

São definidos por órgãos estaduais e federais (CONAMAS) que visam definir
a quantidade de agentes poluentes que pode ser lançada num corpo receptor
(qualidade do efluente), bem como definir a quantidade de agentes poluentes que
está contida num dado corpo receptor (qualidade do corpo receptor).
Antigamente se utilizava o rio como autodepuração. Porém, como a
quantidade de industrias cresceu de forma exponencial, bem como a população, os
corpos receptores chegaram a um nível de saturação que não conseguem mais se
autodepurar, é necessário que se haja um tratamento prévio do efluente.

 Poluição em Corpos Receptores


Um corpo receptor não estagnado possui correnteza, como rios, por exemplo.
Antigamente, os rios eram capazes de se autodepurar, no entanto, atualmente, não
podem ser usados para tratamento de efluentes líquidos, porque já atingiram um
nível de saturação.
O lançamento do efluente no ponto de lançamento, gera uma acentuada
redução da concentração de oxigênio dissolvido (porque como o corpo receptor é
alimentado com matéria orgânica, os microrganismos presentes ali crescem, se
multiplicam e utilizam parte desse oxigênio para respiração) e um aumento da
concentração de sólidos em suspensão, que impede a penetração da luz solar,
impedindo que as algas gerem a quantidade necessária de oxigênio. Além disso,
parte desse solido em suspensão pode decantar e formar um banco de lodo com
presença de bactérias anaeróbicas, que podem posteriormente degradar o corpo
receptor.
A curva de oxigênio é resultante da curva de consumo de oxigênio e da curva
de reaeração. A curva de reaeração está relacionada à adição de oxigênio ao corpo
receptor pelos mecanismos de difusão ao nível de moléculas na interface gás-
líquido, turbilhonamento e geração “in-situ” de O2 pela ação da fotossíntese.
A autodepuração é um processo natural, no qual cargas poluidoras, de origem
orgânica, lançadas em um corpo d’água são neutralizadas. No entanto, hoje em dia,
os corpos receptores não são mais capazes de se autodepurar.
Ela é decorrente de ações físicas, como a sedimentação dos sólidos em
suspensão contidos no despejo (formação de bancos de lodo), e de ações reações
químicas e/ou bioquímica.

O processo de autodepuração do corpo receptor ocorre em 4 zonas:

• Zona de Degradação – onde é feito o lançamento do esgoto, então há muito sólido


em suspensão, formando turbidez.

• Zona de decomposição ativa (zona séptica e mais nociva) – onde o sistema está
em anaerobiose, então as bactérias anaeróbicas crescem e começam a degradar a
matéria orgânica. Essas bactérias são mais lentas que as aeróbicas, então o período
de decomposição ativa é mais longo.

• Zona de recuperação (zona melhorada) – onde grande parte toda a carga orgânica
foi degradada.

• Zona de água límpida (zona de águas claras e frescas) – zona anterior ao ponto de
lançamento.
Figura 1: Zonas de autodepuração.

Luz
(fundamental para o processo fotossintético) e temperatura são fatores que afetam a
curva de oxigênio. No verão, por exemplo, há uma temperatura mais alta, então há
um crescimento maior dos microrganismos, bem como uma dificuldade de
reaeração, porque o calor dificulta a solubilização de oxigênio no meio. Em
contrapartida, no inverno, o ponto crítico se afasta do lançamento, porque há uma
temperatura mais baixa, gerando evolução menor dos microrganismos, acarretando
uma degradação de matéria orgânica mais lenta e favorecimento do processo de
reaeração.
Em relação a corpos receptores estagnados, o processo que ocorre é o de
eutrofização, que ocorre quando um corpo receptor está com excesso de certos
nutrientes básicos, causando um desenvolvimento maciço e indesejável de plantas
aquáticas, que alteram seu equilíbrio biológico. Exemplo: Lago do Instituto de
Agronomia da UFRRJ, que recebeu muito esgoto doméstico (muita matéria
orgânica). Tentaram através de gansos reverter essa situação, mas o ganso expelia
seus desejos também no lago, ou seja, de qualquer forma estava sendo inserida
matéria orgânica no meio.

 Evolução Trófica dos Corpos Receptores


• Oligotróficos - águas limpas não fertilizadas (margens ocupadas por matas e
florestas);

• Mesotróficos - águas moderadamente fertilizadas (margens ocupadas por


agricultura, ou seja, houve uso de fertilizantes);

• Eutróficos - águas em pleno processo de eutrofização, isto é, excessivamente


fertilizadas (margens ocupadas por urbanização);

• Hipertróficos - águas em estágio avançado de eutrofização (macrófitas


aquáticas).

 Tratamento de Esgoto

Basicamente, há 2 tipos de esgoto: o esgoto doméstico e o esgoto industrial.


No esgoto doméstico há sempre presença de carga orgânica oriunda do trato
intestinal humano. Além disso, ele é constituído de 99,9% de água e 0,01% de
sólidos (sólidos suspensos, sólidos dissolvidos, matéria orgânica, nutrientes, como P
e N, e organismos patogênicos).

Dentre os objetivos do tratamento do esgoto, tem-se:

• Remoção dos sólidos em suspensão, feita através de decantação;

• Remoção da matéria orgânica, feita por digestão aeróbica ou anaeróbica;

• Remoção dos nutrientes, através da precipitação;

• Remoção dos organismos patogênicos, pelo processo de desinfecção.

O processo de tratamento de esgoto doméstico, como visto anteriormente, é


composto por 4 etapas, que são:

1) Tratamento Preliminar

O objetivo principal desse tratamento é evitar que materiais grosseiros,


geralmente de dimensões maiores do que 5 mm e, em geral, constituídos por papel,
plásticos e resíduos de origem vegetal ou animal e areia sejam admitidos na estação
de tratamento. Esses tipos de materiais podem acarretar problemas nos processos
subsequentes ou, até mesmo, danificar bombas. A remoção dos materiais
grosseiros é feita através de grades e peneiras, enquanto que a areia é removida
pelo processo de desarenação.

2) Tratamento Primário

É um tratamento físico de separação. Através do processo de decantação é


feita a remoção de todo o material decantável. Utilizam-se decantadores construídos
em alvenaria com sistema de limpeza (pá raspadora de escuma), que são capazes
de remover o material decantado. Esse processo arrasta parte dos microrganismos
presentes no meio e consegue reduzir de 30 a 60% a DBO encontrada no esgoto.
Há 3 fases no decantador primário: lodo primário ou lodo bruto (recebe o nome bruto
porque ainda não sofreu nenhum tipo de tratamento), sobrenadante primário e
escuma.

3) Tratamento Secundário

O objetivo desse tratamento é reduzir de 90 a 98% o teor de matéria orgânica


no esgoto. Consiste em uma oxidação biológica (ou bioquímica) e pode ser
conduzido pelo processo de lodo ativado ou pelo processo de filtro percolador (filtro
biológico). Ambos são conduzidos por microrganismos aeróbicos, que utilizam a
matéria orgânica como nutrientes, produzindo gás carbônico (C02) e água.

Processo de Lodo Ativado:


Figura 2: Fluxograma geral do processo de lodo ativado.

O processo de lodo ativado pode ser com oxigenação pelo ar ou com


oxigenação por oxigênio puro (98%). No entanto, ambos tem o mesmo efeito, apesar
do processo com oxigênio puro ser muito mais caro (a Bayer, por exemplo, utiliza o
oxigênio puro, mas comumente as empresas fazem uso do processo de lodo ativado
com oxigenação pelo ar).
Esse processo de lodo ativado, que utiliza o ar como fonte direta para
suprimento de oxigênio para o processo de digestão aeróbica. do material orgânico
contaminante dos esgotos, é composto pelo reator e pelo decantador secundário.
O reator, também chamado de tanque de aeração, é o local onde ocorre toda
a digestão aeróbica da matéria orgânica, com sistema de agitação e aeração. Vale
ressaltar que nos decantadores, primário e secundário, não há degradação de
matéria orgânica. Apesar de haver um certo consumo da mesma nos decantadores,
por tratar-se de microrganismos em um meio, a função dos decantadores é de
separação, não de degradação.
No reator, o crescimento da biomassa é disperso. As bactérias, que estão
totalmente dispersas naquele meio, recebem agitação e aeração, que tem como
finalidade promover maior contato dos microrganismos com a matéria orgânica, a
fim de facilitar a decomposição da mesma, diminuindo, assim, o tempo de retenção
do esgoto no reator. Dessa forma, uma vantagem da digestão aeróbica é justamente
essa redução do tempo de retenção no reator, enquanto que temos como
desvantagem a quantidade total de lodo gerada, que é superior do que se o
processo fosse anaeróbico.

De forma geral, no tanque de aeração, temos:

• Adsorção (superfície) e absorção (interior) de poluentes orgânicos coloidais ou


solúveis pelos flocos bacterianos, promovendo fenômeno físico-químicos;
• Degradação das substâncias adsorvidas pela ação de enzimas extracelulares,
que transformam estruturas moleculares complexas em moléculas simples
assimiláveis (por exemplo: sacarose  glicose + frutose)
• Metabolização de substratos (açúcares, aminoácidos e ácidos graxos) no
interior das células pelas endoenzimas. Essas reações bioquímicas fornecem
energia para a síntese celular;
• Quando todos os substratos foram assimilados, ocorre a auto-oxidação
progressiva dos conteúdos celulares, fenômeno que é acentuado em carência de
substrato, provocando a devolução ao meio de diversos produtos orgânicos.

O material que sai do tanque de aeração migra para o decantador secundário,


que diferentemente do decantador primário, possui 2 fases: fase líquida e fase sólida
(lodo biológico). Cerca de 50% do lodo decantado no decantador secundário é,
primeiramente, reciclado para o digestor aeróbico, com a finalidade de manter a
densidade dos microrganismos ideal para o processo. Ou seja, esses
microrganismos já passaram pelo processo, já estiveram em contato com o mesmo
tipo de matéria orgânica, portanto, estão adaptados ao meio.
Já os outros 50% do lodo biológico passa por 2 tipos de tratamento diferentes,
onde uma parte retorna ao decantador primário, com a finalidade de auxiliar no
processo de decantação (visto que algumas bactérias tendem a se agrupar,
formando flocos), enquanto que a outra parte, caso ainda não esteja totalmente
estabilizada (lodo estabilizado = sem odor, sem microrganismos patogênicos e com
matéria orgânica totalmente digerida), passa por um adensador (a fim de remover
umidade), seguido de uma digestão anaeróbica (primária e secundária), seguida de
um tratamento de desidratação (a fim de remover o volume para facilitação no
transporte, gerando também menos custos) e pode ser usada posteriormente como
fertilizante, desde que não haja a presença de metais pesados, como ferro e
alumínio, por exemplo, que são bem comuns em esgoto doméstico. Já no caso de
efluente industrial há um teor muitíssimo maior de metais pesados, logo, não pode
ser usado como fertilizante geralmente, uma vez que a presença de metais pesados
contaminaria o solo.
Em relação a contaminantes do esgoto doméstico, temos o fósforo como o
principal deles. Isso ocorre devido a sua procedência em detergentes em pó,
destinados a limpeza de roupas e detergentes de limpeza pesada. Para remoção do
fósforo, se faz necessário a realização de precipitação com sulfato de alumínio,
sulfato de ferro, hidróxido de cálcio e silicato de sódio, associados ou isoladamente.
O processo consiste na floculação, decantação, filtração e correção do pH. Além dos
sais de fósforo, cálcio e magnésio, o processo de floculação remove por adsorção
parte das substâncias orgânicas e dos microrganismos presentes também.
Quanto ao sobrenadante do decantador secundário, antes que seja lançado
no corpo receptor, o mesmo deve passar por dois processos: cloração, onde todos
os microrganismos são eliminados, e correção do pH com cal, a fim não
desestabilizar o corpo receptor.
O processo de lodo ativado, portanto, é capaz de gerar um efluente tratado
com uma redução de até 98% da contaminação microbiana inicial do esgoto e
promover uma redução de até 95% da sua Demanda Biológica de Oxigênio.
Em relação ao tratamento anaeróbico dos lodos primário e biológico, além da
utilização de bactérias que não necessitam de oxigênio para destruir a matéria
orgânica, o mesmo produz metano, que é um gás com alto poder calorífico.
Esse processo de digestão anaeróbica é composto de 3 etapas (que ocorrem
simultaneamente):
• Hidrólise das matérias orgânicas complexas e macromoléculas;
• Fermentação ácida dos monômeros a ácidos orgânicos voláteis (ácidos
acéticos, propiônico, butírico);
• Fermentação metanogênica: transformação dos ácidos orgânicos a CH4 e
redução do CO2 com H2 a CH4.
Cada tipo de bactéria possui uma faixa de pH ideal, faixa de temperatura
ótima, necessidade de nutrientes adequadas, dentre outras especificidades. As
bactérias metanogênicas, por exemplo, são altamente sensíveis à penetração de
oxigênio no meio, portanto, caso haja qualquer mínima quantidade de oxigênio
presente no meio, todas as metanogênicas são paralisadas e passa a haver apenas
fermentação ácida, gerando ácidos orgânicos voláteis. Isso ocasiona um
desequilíbrio no processo.
Dentre os fatores que afetam a biodegradação (anaeróbica), temos: a
temperatura da biomassa (28 a 35°C), a composição do substrato orgânico, a
agitação da mistura (sem aeração, uma vez que o processo é anaeróbico, então
essa agitação tem como finalidade apenas manter o contato do meio com os
microrganismos ali presentes, a fim de que não haja separação de lodo e
sobrenadante), o tempo de retenção de 20 a 30 dias (o que se trata de uma
desvantagem quando comparado ao processo de digestão aeróbica); o aquecimento
e balanço calorífico ( temperatura ideal é fundamental quando se trabalha com
microrganismos), a taxa de aplicação de matéria orgânica e velocidade de
decomposição, microbiologia, acidez e alcalinidade, a concentração de ácidos
voláteis, a disponibilidade de nutrientes (geralmente o esgoto já tem a quantidade
ideal desses nutrientes) e substâncias tóxicas.
O processo de biodegradação anaeróbica promove dois subprodutos:
biofertilizante e gás metano (biogás). Uma vez que há uma degradação de matéria
orgânica no meio, há uma diminuição no teor de carbono da matéria, visto que a
matéria orgânica ao ser digerida perde exclusivamente carbono na forma de CH4 e
CO2 (acidificando o meio). Essa perda de carbono acarreta um aumento no teor de
nitrogênio e demais nutrientes e uma diminuição da relação C/N da matéria
orgânica, que acaba melhorando as condições do material para fins agrícola
(biofertilizante). Além disso, há uma maior facilidade de imobilização do
biofertilizante pelos microrganismos do solo devido o material já se encontrar em
grau avançado de decomposição, aumentando a eficiência do biofertilizante.
O tratamento anaeróbico apresenta uma formação de lodo cerca de 5 a 10
vezes inferior ao que ocorre nos processos aeróbios. Além dessa vantagem, a
produção de metano, a baixa demanda de área e não consumo de energia elétrica
são características muito importantes e vantajosas desse tipo de tratamento. No
entanto, dentre as desvantagens, destacam-se os elevados tempos de retenção
hidráulica (processo lento), a susceptibilidade do processo a perturbações devido a
alta sensibilidade das bactérias e o alto investimento de capital que é ocasionado
pelos grandes tanques de digestão fechados.
Já em relação ao descarte do lodo primário e do lodo biológico, os mesmos
podem ser de uma das seguintes formas:
• Fertilizante, pois esse lodo tem muitos nutrientes, além de fósforo, potássio e
nitrogênio;
• Secagem e lançamento em aterros sanitários (a principal função da secagem é
reduzir volume e diminuir custos);
• Secagem, calcinação e lançamento em aterros sanitários;
• Secagem, calcinação e imobilização em bloquetes que podem ser usados para
pavimentação ou outras aplicações correlatas;
• Lama ainda muito rica em material orgânico, onde sua estabilização pode ser
necessária em digestores anaeróbicos.
Há algumas alternativas para o tratamento e disposição desses lodos.
Quando se trata de um lodo já estabilizado, é possível a utilização de um adensador
e, posteriormente, realizar a aplicação do mesmo no solo. Outra alternativa é tratar o
lodo primário juntamente com o biológico ou trata-los separadamente através de um
processo de adensador e flotação, por exemplo. Já a secagem, por sua vez, pode
ser feita por meio de leito de secagem ou por desidratação mecânica.

Dentre as vantagens do lodo ativado, destacam-se:


• Elevada eficiência na remoção de DBO, uma vez que o processo é aeróbico e, no
tanque de aeração há um sistema de agitadores que promovem maior solubilização
de oxigênio no meio, de modo que as bactérias conseguem captar melhor esse
oxigênio e oxidar de forma mais efetiva a matéria orgânica;
• Nitrificação usualmente obtida;
• Possibilidade de remoção biológica de N e P;
• Baixos requisitos de área, por conta do sistema de agitação;
Processo confiável;
• Reduzidas possibilidades de maus odores, insetos e vermes;

• Flexibilidade operacional.

Já em relação as desvantagens, temos:

• Baixa eficiência na remoção de coliformes;

• Elevados custos de implantação e operação;


• Elevado consumo de energia;
• Necessidade de operação sofisticada, ou seja, alguém especializado;
• Elevado índice de mecanização;
• Relativamente sensível a descargas tóxicas;
• Necessidade de tratamento completo do lodo e disposição final;
• Possíveis problemas ambientais, como ruídos e aerossóis, devido aos agitadores.
Processo de Filtro Biológico:

Figura 3: Fluxograma geral do processo de filtro biológico.


Esse processo se assemelha bastante ao processo de lodo ativado. No
entanto, no lugar do tanque de aeração, neste temos o filtro biológico.
Apesar do nome “filtro”, o filtro biológico não realiza filtração. Trata-se de um
cilindro recheado de pedras, que permite a percolação do esgoto, fazendo-se uso do
próprio ar atmosférico (não há sistema de aeração). A medida que o esgoto vai
percolando por entre as pedras, vão sendo formados filmes de bactérias (zooglea),
que vão degradar a matéria orgânica. Neste processo, o tipo de crescimento da
biomassa é aderido.
No filtro biológico, portanto, ocorre todo o processo de digestão aeróbica do
líquido proveniente do decantador primário. Após o processo de digestão, ocorre a
separação do sobrenadante e do lodo desprendido do recheio do filtro no
decantador secundário. Caso o lodo proveniente do decantador secundário não
esteja estabilizado, terá que passar por uma digestão anaeróbia. Este lodo digerido,
assim como no processo de lodo ativado anterior, pode ser usado como fertilizante,
caso não haja presença de metais pesados.

Observação:
Dependendo da espessura do biofilme (zooglea), é possível que se tenha
uma zona de anaerobiose, no entanto, todo o processo é considerado aeróbico.

De forma geral, no filtro biológico, temos:


• Adsorção e absorção de poluentes orgânicos coloidais ou solúveis pelos flocos
bacterianos fenômeno físicoquímicos;
• Degradação das substâncias adsorvidas pela ação de enzimas extracelulares que
transformam estruturas moleculares complexas em moléculas simples assimiláveis;
• Metabolização de substrato no interior das células. Essas reações bioquímicas
fornecem energia para a síntese celular;
• A auto-oxidação progressiva dos conteúdos celulares, fenômeno que é acentuado
em carência de substrato, provoca a devolução ao meio de diversos produtos
orgânicos.

4) Tratamento Terciário

Algumas estações de tratamento e industrias não fazem esse tratamento.


Elas admitem que como a qualidade desse sobrenadante já é suficientemente boa
para ser lançado no corpo receptor devido à alta remoção de matéria orgânica e
sujeira, não se faz necessário, portanto, utilizar cloro em mais uma etapa de
tratamento. No entanto, para que isso ocorra, precisa-se avaliar os dois fatores
vistos anteriormente: qualidade do corpo receptor e qualidade do efluente a ser
lançado no mesmo.
Esse tratamento consiste na remoção de compostos solúveis, orgânicos ou
inorgânicos (sais de cálcio, magnésio, sódio, potássio sob a forma de cloretos,
nitritos, sulfatos, carbonatos, bicarbonatos, fosfatos) que não puderam ser
removidos do efluente pelo tratamento secundário.
O tratamento terciário é realizado quando pode ocorrer processo de
eutrofização dos rios ou lagos. A eutrofização é um processo no qual ocorre um
aumento na concentração de nutrientes (principalmente fósforo e nitrogênio) em
ambientes aquáticos, tais como rios e lagos. Com grande quantidade de nutrientes
disponível, diversas mudanças podem ocorrer, dentre elas o aumento de
determinadas espécies e diminuição de outras. Dentre as espécies que mais se
reproduzem em ambientes eutrofizados estão as algas, cianobactérias e bactérias
aeróbias.
O tratamento terciário também pode ser usado no esgoto com a finalidade de
remoção de água para consumo humano. No entanto, no Brasil, ainda há uma
quantidade suficiente de água para consumo, portanto, não é realizado o tratamento
terciário esse intuito. Porém, em países menores, como Israel, trata-se o esgoto com
a finalidade de abastecimento de água para população.
 Tratamento Biológico de Efluente Líquido Industrial (Bayer)

Figura 4: Fluxograma do processo de lodo ativado da Bayer.


São realizados 3 tratamentos nesse processo: químico, físico e biológico.
Inicialmente, o tanque de equalização tem como função equalizar os
diferentes efluentes provenientes de todas as unidades da Bayer, ou seja,
homogeneizar o sistema, verificando-se o pH do meio. Como o tratamento biológico
faz uso de microrganismos, isto é, de suma importância, uma vez que os mesmos
são autossensíveis a mudanças de pH, temperatura e quantidade de nutrientes.
Dessa forma, dependendo do pH encontrado no tanque, adiciona-se base ou ácido
no mesmo, a fim de neutralizar esse efluente.
Posterior a isso, há o decantador primário, onde há a separação do
sobrenadante e do decantado. O sobrenadante do decantador primário é levado ao
tanque de aeração, onde é submetido a um sistema de agitação com oxigênio puro
(no caso da Bayer), a fim de promover a solubilização desse oxigênio no meio,
acelerando a degradação dessa matéria orgânica.
Em seguida, há o decantador secundário, onde há a separação do
sobrenadante e do lodo biológico, que pode estar estabilizado ou não. O
interessante nesse processo da Bayer é que esse sobrenadante secundário é
levado para o incinerador, com o objetivo de lavar os gases de incineração, por isso
não há nenhum tipo de tratamento secundário para esse sobrenadante.
Parte do lodo biológico, por sua vez, retorna ao decantador primário com o
objetivo de auxiliar no processo de decantação. É interessante observar que nesse
tipo de tratamento, diferentemente do tratamento de esgoto, não há a presença de
bactérias provenientes do nosso trato intestinal. Logo, se faz necessário a realização
do inóculo dessas bactérias anteriormente. Esse inóculo é feito com o auxílio do
próprio esgoto doméstico (a Bayer foi além e isolou a bactéria que melhor se
adaptava ao seu tipo de ambiente através de um estudo prévio). A outra parte do
lodo biológico é levado ao tanque de aeração, com a finalidade de aumentar a
densidade de microrganismos naquele meio, uma vez que já estão adaptadas ao
mesmo.
A Bayer observou que o sobrenadante do tanque 5 dispunha de DBO e DQO
elevadas. Em contrapartida, ao realizarem os testes no tanque 10, observaram que
a DBO não era tão elevada, portanto, decidiram realizar um tratamento químico. Por
isso, no tanque 11, há a entrada do coagulante (sulfato ferroso), bem como da cal
(auxiliando na alcalinidade do meio). Posterior ao processo de coagulação e
floculação, utiliza-se o filtro-prensa para formação de tortas. A parte sólida é
encaminhada aos aterros e a parte líquida retorna ao processo para degradação de
quaisquer presenças de matéria orgânica ali presente.

 Lagoa de Estabilização
Basicamente, há dois tipos de lagoas de estabilização: com e sem aeração
artificial. Ao final de cada tipo de sistema abaixo, o efluente tratado é direcionado ao
corpo receptor.
- Sem aeração artificial:
• Lagoas Facultativas (primárias ou secundárias);
• Lagoas Anaeróbias;
• Lagoas de Maturação;
• Lagoas de Polimento;
• Lagoas de Alta Taxa.
- Com aeração artificial:
• Lagoas aeradas facultativas;
• Lagoas aeradas de mistura completa.
Figura 5: Sistemas de alguns tipos de lagoas de estabilização.
Em lagoas facultativas, as condições aeróbias são mantidas nas camadas
superiores das águas graças à radiação solar, que auxilia as algas a gerarem
oxigênio suficiente na superfície (o ar também está presente na interface ar-líquido,
porém, em pequenas quantidades). As condições anaeróbias, por sua vez,
predominam em camadas próximas ao fundo da lagoa. O termo "facultativo" se
refere justamente à mistura de condições aeróbias e anaeróbias. De modo geral,
possui de 1,5 a 3 metros de profundidade.
No sistema de lagoa de estabilização facultativa há, inicialmente, um sistema
de gradeamento, que tem como objetivo remover sólidos e impurezas físicas
grosseiras. Além disso, há a remoção de areia através do desarenador, seguido de
um medidor de vazão. Posteriormente, há a lagoa facultativa. Este tipo de
tratamento reduz grande parte do lodo, e é ideal para comunidades pequenas,
normalmente situadas no Interior do Estado.
Existe também o sistema de lagoa anaeróbica-lagoa facultativa. Esse sistema
é similar ao anterior, no entanto, após o medidor de vazão, encontra-se a lagoa
anaeróbica. Esse tipo de lagoa, normalmente, tende a ser mais estreita e profunda,
uma vez que quanto mais carga orgânica for adicionada a mesma, maior será o
consumo de oxigênio, promovendo a decantação e aumentando, assim, as
condições anaeróbicas daquele meio. Seguido da lagoa anaeróbica, situa-se a lagoa
facultativa. O processo ocorre em duas etapas. Na primeira, as moléculas
complexas da matéria orgânica (carboidratos, proteínas e lipídios) são quebradas e
transformadas em estruturas mais simples. Na segunda etapa, a matéria orgânica
simples é convertida em metano, gás carbônico e água.
Em relação a lagoas aeradas, existem dois tipos: lagoa aerada facultativa e
lagoa aerada de mistura completa. A diferença entre as mesmas é o local de
aeração. A lagoa aerada facultativa tem uma região de aeração apenas na sua
superfície, possuindo, também, um sistema de decantação (região anaeróbica). O
oxigênio nesse tipo de lagoa é fornecido por aeradores mecânicos (de superfície ou
ar comprimido), ao invés da fotossíntese, de tal maneira que sua oxigenação ocorra
apenas em uma parte da profundidade útil da lagoa. Nesta zona, a matéria orgânica
será decomposta aerobiamente pelos microrganismos. Devido ao fato da lagoa ser
também facultativa, uma grande parte dos sólidos são sedimentados e decompostos
anaerobicamente no fundo. Em termos de operação e manutenção são mais
complexas quando comparadas às lagoas facultativas convencionais
Em contrapartida, a lagoa aerada de mistura completa é mais estreita e
possui um misturador, permitindo com que haja mistura e, aumentando, portanto, o
contato do meio com o microrganismo, promovendo a degradação da matéria
orgânica. Pelo fato da mistura proporcionar um maior contato dos microrganismos
com a massa líquida, isto promove uma maior concentração de bactérias no meio
líquido, aumentando a eficiência do sistema na remoção de DBO e permitindo que
esta lagoa tenha um volume inferior ao de uma lagoa aerada facultativa. Esse tipo
de lagoa não contém um dispositivo que promova a separação sólido-líquido,
portanto, projeta-se normalmente uma lagoa de decantação à jusante, que terá a
função de separação de sólidos suspensos e sedimentáveis, permitindo a
clarificação do efluente. Na lagoa de decantação, os sólidos vão para o fundo, onde
são armazenados por um período de alguns anos, após o qual são removidos. No
entanto, existem também as lagoas de decantação com remoção contínua do lodo
de fundo.
Já as lagoas de maturação apresentam baixa profundidade, o que possibilita
a complementação de qualquer outro sistema de tratamento de esgotos. Nesse tipo
de lagoa, há remoção de patógenos de forma mais eficiente, uma vez que as
condições ambientais adversas como incidência da luz solar, por exemplo, atuam
como um processo de desinfecção devido a radiação ultravioleta. As lagoas de
maturação constituem um pós-tratamento de processos que objetivem a remoção da
DBO, sendo usualmente projetadas como uma série de lagoas, ou como uma lagoa
única com divisões de chicanas. A eficiência na remoção de coliformes é bastante
elevada.

Água

Apesar do tema trabalhado e discutido em sala de aula ser em torno da


poluição hídrica, o tratamento de água foi referenciado também em alguns
momentos. Logo, o tema tratamento de água será abordado de forma sucinta no
presente trabalho.

Em tratamento de água, a maioria dos processos envolve as seguintes


etapas:

 Remoção de sólidos grosseiros, areia e lama;


 Adição de agentes coagulantes/floculantes;
 Decantação;
 Filtração;
 Adição de flúor;
 Cloração.

A água bruta dos rios é bombeada até a estação de tratamento, onde passa
por grades para reter galhos, troncos e material grosseiro flutuante.
Segue abaixo um esquema simplificado de tratamento de água de uma E.T.A.
(Estação de Tratamento de Água):
(a)
a) Entrada de água bruta
b) Saída do material grosseiro retirado da água
bruta.
c) Entrada da água nos decantadores.
d) Adição de substâncias químicas que
participam do processo inicial de
tratamento da água (cloro, Al2(SO4)3 e
cal).

- Cloro = usado na desinfecção (destruição dos


microorganismos causadores de doenças)
- Al2(SO4)3 = usado na coagulação das
partículas.
- Cal = usada para correções de pH.

Figura 6: Fluxograma de uma E.T.A..

• Saída do material prontamente sedimentável.


f) Entrada nas câmaras de floculação.
g) Saída do material floculado.
h) Entrada da água nos decantadores secundários.
Normalmente a decantação é acompanhada de uma filtração formada por um leito
composto de carvão areia e cascalho.
i) Saída contínua do material sedimentado.
j) Etapa terciária de tratamento para retirada da flora microbiana (fungos, algas,
bactéria e protozoários).
k) Adição de cloro (cloro líquido ou dióxido de cloro).
l) Saída de material.
m) Adição de sílica ativada, polieletrólitos ou adsorção em carvão ativado.
n) Entrada da água nas etapas de polimento.
o) Saída de material.
p) Entrada da água nas etapas de polimento (correção de alcalinidade, dureza e
teores de sais de ferro e manganês).
q) Saída de material.
r) Água tratada pronta para distribuição

b) POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

No começo do século XX, o ar necessário para a respiração de todos os


seres vivos da Terra ainda não era abordado de forma tão evidente, pois acreditava-
se que este estaria constantemente disponível de forma a manter a vida no planeta.
Apesar de avanços terem surgido nas últimas décadas, em relação a práticas
que proporcionem um ar mais limpo, principalmente nos países desenvolvidos, os
atuais níveis de poluição atmosférica continuam a ser considerados danosos para a
saúde.
De forma geral, a poluição atmosférica se relaciona a mudanças da atmosfera
terrestre susceptíveis de causar impacto a nível ambiental ou de saúde humana, por
meio da contaminação por gases, partículas sólidas, líquidos em suspensão,
material biológico ou energia.
O grau de poluição varia de acordo com: densidade populacional,
concentração de edifícios, desenvolvimento industrial, clima e topografia, estrutura
socioeconômica e costumes locais.

No Brasil, existem dois principais motivos para controlar a poluição


atmosférica:

1. Aumento da poluição:
• Aumento das quantidades de poluentes emitidas;
• Aumento de produção é função da:
– População
– Renda per capita
– Exportação-exploração;
• Aumento da produção traz aumento linear de emissão (aumento do poder
aquisitivo).

2. Há maior necessidade de controle, pois:


• A população reclama;
• Os organismos de controle melhoram;
• A tecnologia de controle melhora;
• A tecnologia de consultoria melhora;
• São feitas medidas nas fontes emissoras;
• São feitas medições da qualidade do ar;
• São estabelecidos novos padrões.

Atualmente, mede-se o nível de poluição atmosférica através da quantidade


de substâncias poluentes presentes no ar. Os poluentes são divididos em duas
categorias:
• Poluentes primários - Aqueles emitidos diretamente pelas fontes de
emissão, como SO2, NO2 e CO.
• Poluentes secundários – Aqueles formados na atmosfera através da reação
química entre poluentes primários e componentes naturais da atmosfera, como
H2SO4.
• Poluentes naturais – Como pólen, poeiras do chão, vulcões e durante a
pecuária, na qual há liberação de metano (CH 4) por animais durante o processo de
digestão.
O tamanho das partículas das substâncias poluentes presentes no ar tem
relação direta ao seu potencial de causar danos à saúde humana. Quanto menores
as partículas, maiores são os efeitos provocados. As mais fina são capazes de
penetrar até o nível de alvéolos pulmonares sendo, portanto, potencialmente mais
danosas à saúde provocando efeitos crônicos como doenças respiratórias,
cardíacas e câncer, diferentemente das mais grosseiras, que são barradas no trato
respiratório.

 Poluentes atmosféricos e suas origens:


• Particulados
- Finos (diâmetro de partícula menor que 2,5 m):
Poeira;
Queima de combustíveis;
veículos automotores.
- Grosseiros (diâmetro de partícula entre 2,5 a 10 m):
Suspensão de poeira do solo;
Processo de moagem (atrito-moinho de bolas).

• Gases
Processo de combustão;
Vaporização;
Reações químicas na atmosfera.

 Principais poluentes atmosféricos:

• Monóxido de Carbono (CO);


• Dióxido de Carbono (CO2);
Ambos produzidos a partir da queima dos combustíveis fosseis.

• Clorofluorcarbono (CFC);
Altamente prejudicial a cama de ozônio.

• Óxido de Enxofre (SOx);


• Óxido de Nitrogênio (NOx) ;
Ambos podem promover a chuva ácida;

• Compostos Orgânicos Voláteis (COVs);

• Amônia (NH3);
Pode causar irritação.

• Materiais Particulados (MP);


• Ozônio Troposférico (O3).

 Fontes de poluição atmosférica


As fontes de poluição atmosférias são classificadas em dois tipos: móveis,
caracterizadas pelo transporte, e estacionárias, caracterizadas pelas indústrias
(principalmente as de petróleo e combustíveis, produtos químicos e metalúrgicas).
Dentre as principais fontes, tem-se:
• Transporte (automóveis, caminhões, ônibus, dentre outros);
• Aquecimento (caldeira-liberação de vapor);
• Produção industrial (alto forno);
• Vaporização (mudança do estado líquido para o gasoso);
• Atrito (operação de redução de tamanho, tais como moagem e corte);
• Combustão de materiais residuais;
• Reações químicas na atmosfera envolvendo poluentes primários, que formarão os
poluentes secundários;
• Polinização;
• Vulcões.

Uma boa alternativa para a poluição proveniente da combustão de materiais


residuais é justamente o que a Bayer faz em seu processo produtivo, como foi visto
no tema de poluição hídrica. A Bayer utiliza o sobrenadante como água de lavagem
para os gases de incineração. Dessa forma, ela utiliza o sobrenadante de uma forma
funcional, não jogando o mesmo no corpo receptor, e contribuindo duplamente para
o meio ambiente (meio ambiente x poluição hídrica x poluição atmosférica).

 Fatores meteorológicos que afetam a concentração dos poluentes


atmosféricos
• Direção e velocidade dos ventos e estabilidade;
• Temperatura;
• Radiação solar;
• Umidade do ar.
Antigamente, acreditava-se que os poluentes atmosféricos podiam ser
despejados na atmosfera, uma vez que os mesmos iriam conseguir ser dispersos e
diluídos. Porém, assim como os rios atingiram um limite no qual não são mais
capazes de se autodepurar, o mesmo acontece com o ar atmosférico. Devido ao
crescente número de indústrias nas últimas décadas, bem como da população, a
atmosfera não é mais capaz de diluir os poluentes sem que os mesmos recebam
tratamento prévio.
O fenômeno de inversão térmica, como visto no tema meio ambiente, ocorre
naturalmente na natureza. A camada mais fria na inversão, por ser mais densa,
empurra a camada mais quente e impede que os poluentes passem e sejam
dispersos. Dessa forma, os mesmos ficam sendo cada vez mais acumulados na
camada mais próxima à população, causando problemas de saúde. Logo, os
poluentes intensificam a inversão térmica também.
Os gases de efeito estufa também ocorrem naturalmente na natureza e são
benéficos, uma vez que permitem que a temperatura na Terra seja mais alta e
propícia à vida. No entanto, o excesso desses gases (como o metano, por exemplo)
acabam agravando o efeito estufa, o que passa a não ser mais benéfico ao planeta,
conforme vimos anteriormente quando abordamos o tema “Meio Ambiente”, mesmo
com a presença da camada de ozônio realizando a filtração.
A umidade também é de extrema importância. As grandes empresas lançam
os poluentes primários, que se encontram com o oxigênio, se oxidam e, em conjunto
com a umidade da atmosfera, geram a chuva ácida, que é extremamente prejudicial
as florestas, lagos e a população, no geral. Esse processo tem relação com o ciclo
do nitrogênio estudado anteriormente. No ciclo, as plantas absorvem o nitrogênio
através de 2 fatores: por meio da fixação do nitrogênio pelas bactérias ou por meio
do processo de nitrificação, onde há a transformação da amônia em nitrito, que
posteriormente é transformado em nitrato. Esse nitrato é absorvido. Porém, caso
haja alteração de pH desse meio, altera-se também as condições desse
microrganismo de realizar essas transformações, o que ocorre também nos lagos,
por conta da acidificação do mesmo.

 Efeitos da poluição atmosférica


• Sobre a saúde humana (principalmente os particulados, em relação a
respiração, e os gasosos, por causa da hemoglobina; além de causar alergias,
coceiras, irritações, dentre outros danos);
• Sobre os animais;
• Sobre a vegetação;
• Sobre certos materiais;
• Sobre o tempo (visibilidade);
• Sobre o meio Ambiente: chuva ácida, diminuição da camada de ozônio (CFC);
escurecimento da atmosfera, efeito estufa (queima de combustíveis fósseis,
desmatamento e lixões – os lixões podem causar a poluição atmosférica, hídrica
e do solo).

 Formas de controle da poluição atmosférica

Atualmente, não é mais possível se controlar a poluição do ar por meio da


diluição. A natureza não pode ser mais utilizada como forma de tratamento. Logo, há
duas formas de se controlar a poluição hoje:

1) Evitar a geração

• Mudar matéria-prima;
• Mudar combustível (Combustíveis Derivados de Resíduos (CDR));
• Mudar operação;
• Mudança ou adição de algum equipamento;
• Operação mais eficiente.

2) Controlar os poluentes antes da emissão na atmosfera

Vários equipamentos de controle podem ser instalados para eliminar, coletar


e alterar os poluentes atmosféricos.

 Equipamentos de controle da poluição atmosférica


De forma geral, existem três tipos de poluição atmosférica: partículas,
partículas e gases e gases.
Dentre os equipamentos via a seco, cuja funcionalidade é abater partículas,
temos:
 Câmara de sedimentação
 Ciclones
 Filtro de mangas
 Precipitadores eletrostáticos

Os equipamentos via úmida, utilizados para abater partículas e gases são:


 Lavadores
 Torres
 Incineradores

Já para se abater gases, os equipamentos usados são:


 Lavadores
 Torres
 Adsorção com filtro de carvão

Cada via apresenta vantagens e desvantagens em relação a outra. Usando


como base os equipamentos de via úmida, algumas de suas vantagens em relação
aos equipamentos via a seco são que: ocupam volume pequeno (são mais
estreitos), tem menor risco de explosões/incêndio e controlam partículas (menores
que 1m) e gases. Por outro lado, como desvantagens quando comparados aos
equipamentos de via seca, apresentam possibilidade de corrosão (SO 2 e SO3),
utilizam grande volume de água, podem provocar reações químicas contendo HCl,
sulfato e amônia, além de produzirem pluma de vapor saturado e ruído. É importante
salientar que equipamentos de coleta a via seca não requerem tratamento de um
segundo efluente que poderia ser gerado no processo, caracterizando, portanto,
uma grande vantagem a esse tipo de equipamento.
Há alguns fatores importantes que devem ser considerados no momento de
escolha do equipamento de controle da poluição atmosférica. São eles:
 Concentração e tamanho das partículas;
 Características físicas e químicas dos contaminantes (temperatura,
umidade, viscosidade, combustividade, agressividade química e
biológica, solubilidade);
 Condições do ar (temperatura, pressão, umidade);
 Facilidade de limpeza e manutenção;
 Espaço físico necessário; Fatores econômicos;
 Método de eliminação, armazenagem e tratamento do material
coletado;
 Eficiência.

Câmara de Sedimentação Gravitacional:


A câmara de sedimentação gravitacional é um equipamento de controle cujo
mecanismo de coleta é a força gravitacional. Possui dimensões suficientemente
grandes, nas quais a velocidade da corrente gasosa se reduz, de forma que as
partículas que se encontram em suspensão tenham tempo suficiente em depositar-
se. Apresenta baixa eficiência para partículas menores que 40 µ, bem como requer
um espaço grande para instalação. Já como vantagens, apresenta projeto,
construção e instalação simples, baixo custo de instalação, operação e manutenção,
além de não trabalhar com limitação de temperatura e permitir a recuperação do
material (coleta seca). Pode apresentar a presença de chicanas, que as torna mais
eficiente.

Ciclone:
São coletores que utilizam primariamente a força centrífuga para a coleta de
partículas de tamanho médio e grande (> 10 micrômetros). Podem ter entrada
tangencial ou radial e são compostos por um corpo cônico-cilíndrico, ao qual entram
tangencialmente os gases a depurar, por uma abertura na parte superior do
equipamento. Projeto e operação simples, bem como necessidade de pequeno
espaço para instalação são algumas de suas vantagens. Já em relação a
desvantagens, dependendo do tipo de partícula, as mesmas podem ocasionar
problemas de abrasão ou até mesmo entupimento. O ciclone pode ser utilizado
também como uma espécie de pré tratamento, sendo associado a outro
equipamento de controle de poluição do ar.
Filtro Manga:
O filtro manga faz a retenção de partículas de impurezas na área superficial
do filtro, através de um meio poroso. Conforme o ar vai passando, a sujidade se
mantém nos poros dos fios. É capaz de coletar partículas de todos os tamanhos,
inclusive submicrônicas (exceto oleosas e adesivas). Esse tipo de equipamento é,
portanto, altamente eficiente em termos de coleta e possibilita a recuperação do
material, apesar de apresentar projeto, manutenção e operação relativamente
simples. No entanto, o filtro manga requer um custo moderado de operação, bem
como um grande espaço de instalação, devido ao sistema de limpeza das mangas.
Além disso, requer temperaturas limitadas em função do material das mangas e
dificuldade na verificação de mangas furadas.
Lavadores:

Os lavadores são equipamentos de controle de poluição de ar que podem ser


utilizados tanto para o controle de material particulado, como para o controle de
gases e vapores. Esses equipamentos se baseiam em forças eletrostáticas e
inerciais para a coleta do particulado e são capazes de coletar qualquer tipo de
tamanho de partícula.

 Lavador Tipo Spray:


O lavador de gases tipo spray utiliza a água como componente para realizar a
remoção do fluxo de gases contaminantes. Tem capacidade de realizar o tratamento
de poluentes em diferentes estados (sólido, líquido ou gasoso). Além disso,
o lavador de gases tipo spray pode operar em condições extremas de trabalho. Além
disso, também é capaz de controlar partículas adesivas, substâncias explosivas e
combustíveis, possuindo alta resistência a temperaturas elevadas.

 Lavador Tipo Venturi:


Os lavadores tipo Venturi são atomizadores de líquido. Trabalham com forças
de impactação para atomizar o fluxo de líquido em pequenas gotas. Sua função é
gerar uma distribuição uniforme dessas gotas, de modo a elevar a probabilidade da
partícula de pó se chocar com elas.
Os lavadores de coleta de partículas apresentam vantagens como: a
possibilidade de operar com gases em altas temperaturas e umidades, alta eficiência
para coleta de partículas pequenas e a necessidade de pequeno espaço de
instalação. Como desvantagens, basicamente, podemos citar a alto custo de
manutenção, a alta perda de carga para altas eficiências de coleta (Venturi), a
possibilidade de apresentar problemas como incrustação e corrosão, bem como a
dificuldade de reutilização do material coletado por via úmida.
Precipitador Eletrostático:
Consiste em um gerador de carga elétrica negativa (-). O aparelho emite a
carga em partículas poluentes e estas ficam carregadas negativamente. As paredes
do precipitador têm carga positiva e atraem as partículas, retendo-as. Este encontro
se deve à atração entre cargas opostas. Uma vez que as impurezas se acumulam
nas laterais do precipitador eletrostático, torna-se mais fácil removê-las. Existem
precipitadores eletrostáticos tipo placa e tipo tubo.
Os precipitadores eletrostáticos, de forma geral, possuem alta eficiência de
coleta e baixa perda de carga. Além disso, apresentam baixos custos em relação a
manutenção e operação. Porém, o investimento inicial nesses tipos de
equipamentos é alto e também é requerido para sua instalação um grande espaço,
bem como medidas especiais de segurança contra alta voltagem e manutenção com
mão de obra especializada.

Absorvedores:
São equipamentos utilizados para a absorção de gases, onde o fenômeno
envolvido consiste na transferência de massa de uma fase gasosa para uma fase
líquida. A absorção é um processo de transferência de massa que se dá devido a
uma diferença de concentração entre os meios presentes. Esta transferência ocorre
até que continue havendo diferença de concentração entre os meios envolvidos.
Existem vários tipos de equipamentos de absorção, como torres de enchimento,
torres de pratos, torres de borrifo, dentre outros.

 Absorvedor de Enchimento
É constituído por um cilindro preenchido com material de enchimento
(suporte), que pode ser feito de carbono, cerâmica, vidro, plástico, aço, dentre outros
materiais, sustentado tanto no topo quanto na base, de modo a permitir a separação
de fases. Esse tipo de absorvedor é preferível para líquidos com tendência de formar
espuma, é mais simples e apresenta menor custo de construção em relação ao tipo
de coluna de prato. Apresenta também uma menor perda de carga.

 Absorvedor de Pratos
O absorvedor de pratos não possui grelhas (suporte) ou qualquer outro tipo
de enchimento, no entanto, apresenta furos distribuídos uniformemente nos pratos
que o constituem. O número de furos desse tipo de equipamento, sua forma e
arranjo podem variar de acordo com a coluna. Quando comparado ao absorvedor de
colunas de enchimento, apresenta menor tendência do líquido se dirigir para a
periferia da torre, é mais leve e menos susceptível ao entupimento.
Basicamente, os absorvedores são usados na absorção de amônia, dióxido
de enxofre, ácido fluorídrico, gás sulfídrico, hidrocarbonetos de baixo peso
molecular, dentre outros. Esse tipo de equipamento apresenta perda de carga
relativamente baixa, é altamente eficiente e versátil quanto ao aumento de eficiência,
além de possibilitar a coleta de gases e partículas. No entanto, por ser um
equipamento de coleta via úmida, pode causar problemas de poluição de águas,
necessitando, portanto, de um tratamento de efluentes. Além disso, também
apresenta um custo de manutenção relativamente alto.

Adsorvedores:
O processo de adsorção envolve a remoção de um ou mais componentes
gasosos do fluxo de gás através de aderência dos mesmos na superfície ou poros
de materiais sólidos (carvão ativado, sílica gel ou alumina). É um equipamento
bastante eficaz para tratamento de odores e é utilizado para remoção de gases e
vapores orgânicos, bem como inorgânicos. Dentre as principais vantagens em
relação a esse tipo de equipamento, temos a possibilidade de recuperação do
produto, a pouca sensibilidade em relação as variações do processo, a alta
eficiência de coleta e a capacidade de operação automática. Como desvantagens,
temos o investimento inicial relativamente alto, a necessidade de uma pré-filtragem
de partículas a fim de se evitar o entupimento do equipamento, a necessidade de
fonte de vapor, calor ou vácuo para regeneração, bem como a necessidade de
condicionamento dos gases em relação a temperatura, etc.

Incinerador:
São utilizados para o controle de gases e vapores orgânicos. Basicamente, há
três tipos de processos de incineração: incineração de chama direta ou térmica,
incineração catalítica e “flares”, que permitem o tratamento eficaz de compostos
orgânicos de forma relativamente econômica. Apesar dos mesmos serem similares
fisicamente, os parâmetros sob os quais eles operam são bastantes diferentes. De
modo geral, os queimadores propiciam a queima do combustível e dos vapores
orgânicos, enquanto que a câmara de combustão promove o tempo de residência
apropriado para o processo de oxidação.
Os incineradores apresentam como vantagens a alta eficiência no controle de
gases, vapores e partículas orgânicas, produção de energia que pode ser reutilizada
no processo industrial e operação relativamente simples. No entanto, exigem um
custo de operação alto, devido ao uso de combustível auxiliar, além de apresentar
um perigo de explosão pelo retorno da chama e uso de catalisador. Além disso,
apresenta a preocupação de combustão incompleta (fonte de poluição do ar).

Condensador:
O condensador é geralmente associado a outro tipo de equipamento de
controle. É utilizado para controlar vapores em altas concentrações, com pressão
de vapor alta e são bastante usados em industrias petroquímicas, de refino de
petróleo, asfalto, farmacêutica, dentre outras. Esse tipo de equipamento permite a
recuperação de produto com alto valor econômico, apesar de ter um custo de
resfriamento alto e uma eficiência de coleta baixa para concentrações típicas de
fontes de poluição do ar.
É importante ter consciência de que todo processo e equipamento apresenta
vantagens e desvantagens. No entanto, o melhor tipo de processo, bem como a
escolha do melhor equipamento vão depender da finalidade e da eficiência que o
processo requer, bem como das particularidades do mesmo. Além disso, há também
a influência da variável preço, ou seja, do quanto a indústria está disposta a investir
na planta industrial.
Muitas industrias utilizam a combinação de dois tipos de equipamentos de
coleta de particulados, como precipitador eletrostático e filtro manga, por exemplo.
As industriais tomam esse tipo de ação, em geral, a fim de se evitar a reclamação da
população, visto que um dos maiores danos que a poluição atmosférica pode causar
é em relação a saúde humana, como problemas respiratórios e alergias, expostos
anteriormente. No entanto, obviamente que a grande preocupação das industrias
também é em relação aos órgãos de fiscalização ambiental e à imagem causada
perante a sociedade do impacto de suas ações (marketing positivo em relação a
sustentabilidade).

CONCLUSAUM
ALGUMAS MEDIDAS PARA SOLUCIONAR OS PROBLEMAS DA POLUIÇÃO DAS ÁGUAS •
Utilização de Leis que obriguem as indústrias a tratarem seus resíduos antes de lançá-los nos rios e
oceanos, • Ampliação da rede de esgotos, • Saneamento básico para todos, • Investimentos na
construção de navios mais seguros para o transporte de combustíveis, • Melhoria no sistema de
coleta de lixo, • Criações de novas estações de tratamento de esgotos, • Campanhas publicitárias,
buscando a explicação de técnicas de saneamento para a população carente, • Campanhas de
conscientização da população para os riscos da poluição, • Criação de produtos químicos mais
seguros para a agricultura, • Cooperação com as entidades de proteção ambiental.
Algumas medidas para solucionar os problemas da poluição atmosférica • Uso de legislação
que controle a poluição, como o uso de filtros nas chaminés das fábricas, o tratamento de seus
resíduos e uso de processos menos danosos ao meio ambiente; • Uso de dispositivos de controle de
poluição; • Vistoria nos veículos automotores; • Aplicação de rodízio de carros diariamente; •
Estimular as pessoas a utilizarem mais os transportes coletivos; • Melhoria no sistema de transporte
coletivo; • Utilização de fontes alternativas de energia e elaboração de novos tipos de combustíveis
como o álcool produzido da cana-de-açúcar;

RUSSO, P.R. A qualidade do ar no município do Rio de Janeiro : análise espaço-


temporal de partículas em suspensão na atmosfera. Revista de Ciências Humanas, v.10,
n.1, p.78-93, jan./jun. 2010. [ Links ]
GOUVEIA, N. et al. Hospitalizações por causas respiratórias e cardiovasculares
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Pública, Rio de Janeiro, v.22, n.12, p.2669-77, 2006. [ Links ]