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54ª Reunião Anual da SBPC – Goiânia/GO – Julho/2002

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O papel da pesquisa das línguas indígenas brasileiras

Prof. Maria S. de Aguiar

A minha contribuição nesta mesa redonda será o de levantar algumas


questões acerca do pesquisador de línguas indígenas e do seu objeto de
pesquisa, verificando, principalmente, para quem interessa a maioria dos
resultados das pesquisas indígenas.
Farei uma reflexão da importância da língua para quem a fala e para os
estudiosos. Nesse ínterim, me deterei nos motivos pelos quais as línguas
indígenas, e de outras minorias lingüísticas, devem ser estudadas, mas não
deixar de frisar que esse estudo deve ser de maior relevância para aqueles que
as falam. Após essa reflexão, abordarei fatos históricos que mostram como têm
sido as pesquisas com línguas indígenas antes da década de 60 no Brasil.
Desencadearei uma discussão sobre as muitas possibilidades que o
lingüísta tem hoje de se relacionar com os falantes de língua indígena. Ele pode
garantir ganhos imediatos para as comunidades pesquisadas de igual forma que
garante ao seu meio acadêmico ampliar o conhecimento teórico sobre a língua
humana.
É sabido que a língua é parte do patrimônio cultural da comunidade que a
fala, assim, deve ser passivo de discussão também que é urgente rever o papel
da pesquisa das línguas junto aos grupos indígenas, pois até há pouco não
passavam de meros informantes.
Segundo LAPLATINE –1988, somente através do estudo da língua é que
se torna possível compreender a forma dos homens pensarem o que vivem e o
que sentem. Por meio da língua é que eles podem saber a maneira de
expressar o universo e o social. Essa expressão pode ser escrita ou oral. O
autor diz ainda que a língua é quem possibilita aos homens a interpretação de
seus próprios conhecimentos.
A riqueza que está inserida no estudo de uma língua é sabido por todos,
então, a pergunta é: qual foi o papel das pesquisas em línguas indígenas
brasileiras até recentemente? E qual papel poderá ter hoje em dia se somado ao
fato de que atualmente se tem mais e melhores conhecimentos sobre os povos
indígenas?
De acordo com a Resolução n.304/2000 no item III.2.5 “garantir igualdade
de consideração dos interesses envolvidos, levando em conta a vulnerabilidade
do grupo em questão”. Assim, refletir sobre a história do papel que se
desempenhou até então é necessário, pois a partir dai saber-se-á o que se está
fazendo quando se pesquisa língua-grupo indígena. Para essas e outras
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questões semelhantes, utilizarei alguns autores como, MOONEN – 1988,
JUNQUEIRA – 1991, SEKY – 2000 e outros.
Logo após, apontarei algumas das muitas alternativas que são utilizadas
atualmente, para reunir os esforços dos falantes nativos aos dos pesquisadores,
o que proporciona um enriquecimento à ambos. Nesse momento, ilustrarei
minha apresentação com exposição de resultados obtidos na ação conjunta
entre os falantes indígenas e o pesquisador, os quais devem sempre ser os
interessados juntos na pesquisa indígena. Exporei os trabalhos desenvolvidos
com os grupos de línguas indígenas Pano do Brasil – Nukini, Poyanáwa,
Katukina e Náwa.